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Prof. Igor Maciel
12 Agentes Públicos
Direito Administrativo para a 1ª Fase do
Exame de Ordem (OAB)
Documento última vez atualizado em 24/09/2024 às 10:41.
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Índice
12.1) Introdução e Classi�cação
12.2) Organização funcional
12.3) Formas de provimento
12.4) Concurso Público
12.5) Acumulação de cargos públicos e Teto Remuneratório
12.6) Remuneração e Aposentadoria do Servidor Público
12.7) Conceitos básicos da Lei 8.112/90
12.8) Regime Disciplinar
12.9) Processo Administrativo Disciplinar
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Introdução e Classi�cação
Introdução
Agentes públicos são responsáveis pela manifestação de vontade do Estado e pelo exercício da
função pública, que pode ser remunerada ou gratuita, definitiva ou temporária, com ou sem
vínculo formal com o Estado. Essa definição ampla foi adotada, por exemplo, no art. 2.º da Lei
8.429/1992, que dispõe sobre os atos de improbidade administrativa:
Art. 2º Para os efeitos desta Lei, consideram-se agente público o agente político, o servidor
público e todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por
eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo,
mandato, cargo, emprego ou função nas entidades referidas no art. 1º desta Lei. (Redação
dada pela Lei nº 14.230, de 2021) [1]
Parágrafo único. No que se refere a recursos de origem pública, sujeita-se às sanções previstas
nesta Lei o particular, pessoa física ou jurídica, que celebra com a administração pública
convênio, contrato de repasse, contrato de gestão, termo de parceria, termo de cooperação ou
ajuste administrativo equivalente. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) [2]
Nas lições de Maria Sylvia Di Pietro:
Agente público é toda pessoa física que presta serviços ao Estado e às pessoas jurídicas da
Administração Indireta.
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Classificação
Segundo a Constituição Federal de 1988, com as alterações feitas pela Emenda Constitucional
18 de 1998, pode-se dizer que há quatro categorias de agentes públicos:
a) agentes políticos;
b) servidores públicos;
c) empregados públicos;
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
d) particulares em colaboração com o Poder Público.
Agentes políticos
Os agentes políticos correspondem àqueles membros que constituem a vontade máxima do
Estado, titulares de cargos estruturais da organização política do Brasil, ou seja, a estrutura do
poder.
Celso Antônio Bandeira de Mello adota um conceito restrito para essas figuras:
“Agentes Políticos são os titulares dos cargos estruturais à organização política do País, ou seja,
são os ocupantes dos cargos que compõem o arcabouço constitucional do Estado e, portanto,
o esquema fundamental do poder. Sua função é a de formadores da vontade superior do
Estado.”
Dessa forma, são agentes políticos porque exercem atividades típicas de governo.
Desempenham mandato, para o qual são eleitos, apenas os Chefes dos Poderes Executivos
federal, estadual e municipal, os Ministros e Secretários de Estado, além de Senadores,
Deputados e Vereadores. A forma de investidura, portanto, é a eleição, com exceção dos
Ministros e Secretários, que são de livre escolha do Chefe do Executivo e providos em cargos
públicos, mediante nomeação.
Mas Professor, e os membros do Poder Judiciário? São Considerados Agentes Políticos?
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Estes membros integram um órgão estrutural do Poder Judiciário, e sua escolha é meritória, ou
seja, é feita através de concurso público. Assim, parte da doutrina considera estes agentes
como políticos, uma vez que ocupam cargo em órgão estrutural de poder, inclusive incluindo
os membros do Ministério Público nesta espécie de agentes públicos.
Sobre o tema, o STF posicionou-se em 2002:
EMENTA: - (…) Os magistrados enquadram-se na espécie agente político, investidos para o
exercício de atribuições constitucionais, sendo dotados de plena liberdade funcional no
desempenho de suas funções, com prerrogativas próprias e legislação específica. (…) (RE
228977, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, Segunda Turma, julgado em 05/03/2002, DJ 12-
04-2002 PP-00066 EMENT VOL-02064-04 PP-00829) (grifos nossos)
Portanto, o STF, entende que, mesmo os magistrados sendo escolhidos de maneira meritória
através de concurso público, e não eleitos pela população, são considerados agentes políticos.
Em sentido contrário, o Prof. José dos Santos Carvalho Filho e grande parte da doutrina,
entende que estes agentes não devem ser qualificados como agentes políticos, mas como
servidores públicos, titulares de cargos públicos.
Alguns autores dão sentido mais amplo a essa categoria, incluindo Magistrados, membros do
Ministério Público e membros dos Tribunais de Contas. Com a devida vênia a tais estudiosos,
parece-nos que o que caracteriza o agente político não é o só fato de serem mencionados na
Constituição, mas sim o de exercerem efetivamente (e não eventualmente) função política, de
governo e administração, de comando e, sobretudo, de fixação das estratégias de ação, ou seja,
aos agentes políticos é que cabe realmente traçar os destinos do país. (FILHO, 2018)
Professor, por que a maioria da doutrina entende que são considerados servidores públicos?
Isto acontece, porque os servidores públicos são o conjunto de servidores estatais que atuam
nas pessoas jurídicas de direito público da Administração Estatal Direta ou Indireta, portanto, os
magistrados, por terem feito concurso público, se encaixariam neste conceito.
Na hora da prova, é importante que o aluno esteja atento ao enunciado, devendo extrair o que
a FGV está querendo cobrar quando trate deste tema. Para não errar, como existe
12. Agentes Públicos
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Questão 2022 | 4000006534
Marissa, bacharel em direito, foi aprovada em concurso público para o cargo de analista
judiciária do Ministério Público Federal, cargo no qual alcançou regularmente a
estabilidade. Enquanto ainda exercia este cargo, Marissa prestou novo concurso e foi
aprovada para o cargo de advogada da Caixa Econômica Federal. Diante dessa situação
hipotética, assinale a a�rmativa correta.
A)
A estabilidade já alcançada por Marissa se estende a seu cargo na Caixa Econômica
Federal, pois em ambos os casos, trata-se de serviço público.
B)
Marissa, por já ser funcionária pública estável, pode ser transferida para integrar os
quadros da Caixa Econômica Federal sem necessidade de realização de novo concurso
público.
C)
Marissa poderá acumular o cargo de analista do MPF com o emprego na Caixa
Econômica Federal, havendo compatibilidade de horários.
D)
Marissa, enquanto analista do MPF, se submete a regime estatutário, mas se assumir o
cargo na Caixa Econômica Federal, se submeterá ao regime celetista.
Solução
Gabarito: D)
Marissa, enquanto analista do MPF, se submete a regime estatutário, mas se
assumir o cargo na Caixa Econômica Federal, se submeterá ao regime
jurisprudência do STF dizendo que são consideradosdo servidor estável, será ele reintegrado, e
o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a
indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração
proporcional ao tempo de serviço.
Lei 8.112/90
Art. 28. A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente
ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação, quando invalidada a sua demissão
por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as vantagens.
A letra A está incorreta. INCORRETA.
Conforme art. 41, §2º, CF/88 c/c art. 28, Lei 8.112/90, Claudio obteve sua reintegração e
João deverá ser reconduzido, sem indenização, ou será aproveitado em outro cargo ou
posto em disponibilidade.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
Conforme art. 41, §2º, CF/88 c/c art. 28, Lei 8.112/90, Claudio obteve sua reintegração e
João deverá ser reconduzido, sem indenização, ou será aproveitado em outro cargo ou
posto em disponibilidade.
A letra C está correta. CORRETA.
Conforme art. 41, §2º, CF/88 c/c art. 28, Lei 8.112/90, Claudio obteve sua reintegração e
João deverá ser reconduzido, sem indenização, ou será aproveitado em outro cargo ou
posto em disponibilidade.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
Conforme art. 41, §2º, CF/88 c/c art. 28, Lei 8.112/90, Claudio obteve sua reintegração e
João deverá ser reconduzido, sem indenização, ou será aproveitado em outro cargo ou
posto em disponibilidade.
Questão 2012 | 4000002223
12. Agentes Públicos
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Luiz Fernando, servidor público estável pertencente aos quadros de uma fundação
pública federal, inconformado com a pena de demissão que lhe foi aplicada, ajuizou ação
judicial visando à invalidação da decisão administrativa que determinou a perda do seu
cargo público. A decisão judicial acolheu a pretensão de Luiz Fernando e invalidou a
penalidade disciplinar de demissão. Diante da situação hipotética narrada, Luiz Fernando
deverá ser
A)
reintegrado ao cargo anteriormente ocupado, ou no resultante de sua transformação,
com ressarcimento de todas as vantagens.
B)
aproveitado no cargo anteriormente ocupado ou em outro cargo de vencimentos e
responsabilidades compatíveis com o anterior, sem ressarcimento das vantagens
pecuniárias.
C)
readaptado em cargo de atribuições e responsabilidades compatíveis, com
ressarcimento de todas as vantagens.
D)
reconduzido ao cargo anteriormente ocupado ou em outro de vencimentos e
responsabilidades compatíveis com o anterior, com ressarcimento de todas as vantagens
pecuniárias.
Solução
Gabarito: A)
reintegrado ao cargo anteriormente ocupado, ou no resultante de sua
transformação, com ressarcimento de todas as vantagens.
A questão aborda o tema dos Agentes públicos, cujo regime jurídico é regulado pela Lei
8.112 de 1990.
Na situação, um servidor público estável pertencente aos quadros de uma fundação
pública federal, inconformado com a pena de demissão que lhe foi aplicada, ajuizou ação
judicial, a qual acolheu a sua pretensão e invalidou a penalidade disciplinar de demissão.
O retorno ao cargo anteriormente ocupado, em razão de anulação do ato de demissão,
anulação esta obtida por meio de decisão judicial ou administrativa, com ressarcimento
de todas as vantagens, con�gura o instituto da reintegração, conforme art. 41, §2º, CF/88
c/c art. 28, Lei 8.112/90.
CF/88
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para
cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
12. Agentes Públicos
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I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei
complementar, assegurada ampla defesa. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e
o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a
indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração
proporcional ao tempo de serviço.
Lei 8.112/90
Art. 28. A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente
ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação, quando invalidada a sua demissão
por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as vantagens.
Portanto, o servidor deverá ser reintegrado ao cargo anteriormente ocupado, ou no
resultante de sua transformação, com ressarcimento de todas as vantagens.
A letra A está correta. CORRETA.
Segundo o art. 28 da Lei 8.112/90, a reintegração é a reinvestidura do servidor estável no
cargo anteriormente ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação, quando
invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas
as vantagens.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
Aproveitamento é o retorno do servidor colocado em disponibilidade para cargo com
atribuições, responsabilidades e vencimentos compatíveis com o anteriormente ocupado.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
Readaptação é o provimento derivado do servidor em cargo de atribuições e
responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física
ou mental, veri�cada por perícia médica, mantida a remuneração do cargo de origem.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
Recondução é o retorno do servidor estável ao cargo de origem, tendo em vista a sua
inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo ou a reintegração do servidor ao
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cargo.
Questão 2018 | 4000000380
Maria foi aprovada em concurso para o cargo de analista judiciário do Tribunal Regional
Federal da 2ª Região, mas, após ter adquirido a estabilidade, foi demitida sem a
observância das normas relativas ao processo administrativo disciplinar. Em razão disso,
Maria ajuizou ação anulatória do ato demissional, na qual obteve êxito por meio de
decisão jurisdicional transitada em julgado. Nesse interregno, contudo, Alfredo, também
regularmente aprovado em concurso e estável, foi promovido e passou a ocupar o cargo
que era de Maria.
Sobre a hipótese apresentada, assinale a a�rmativa correta.
A)
A invalidação do ato demissional de Maria não poderá importar na sua reintegração ao
cargo anterior, considerando que está ocupado por Alfredo.
B)
Maria, em razão de ter adquirido a estabilidade, independentemente da existência e
necessidade do cargo que ocupava, deverá ser posta em disponibilidade.
C)
Maria deverá ser readaptada em cargo superior ao que ocupava anteriormente, diante da
ilicitude de seu ato demissional.
D)
Em decorrência da invalidade do ato demissional, Maria deve ser reintegrada ao cargo
que ocupava e Alfredo deverá ser reconduzido para o cargo de origem.
Solução
Gabarito: D)
Em decorrência da invalidade do ato demissional, Maria deve ser reintegrada
ao cargo que ocupava e Alfredo deverá ser reconduzido para o cargo de
origem.
A questão aborda o tema dos Agentes públicos federais, especialmente as normas da Lei
8.112 de 1990 quanto às formas de provimento dos cargos públicos.
No caso enunciado, uma servidora foi aprovada em concurso para determinado cargo
federal, mas, após ter adquirido a estabilidade, foi demitida sem a observância das
normas relativas ao processo administrativo disciplinar. Em razão disso, ela ajuizou ação
anulatória, na qual obteve êxito por meio de decisão jurisdicional transitada em julgado.
Contudo, nesse interregno, outro servidor, também regularmente aprovado em concurso
e estável, foi promovido e passou a ocupar o cargo que era da servidora demitida.
Assim, o servidorestável, indevidamente demitido, e que obtém judicialmente a anulação
de tal penalidade, faz jus à respectiva reintegração, ao passo que o outro servidor, que já
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havia adquirido a estabilidade no serviço público, deve ser reconduzido a seu cargo de
origem, segundo art. 41, §2º, da CF/88.
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para
cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público.
(...)
§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e
o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a
indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração
proporcional ao tempo de serviço.
No mesmo sentido, com efeito, encontra-se a disposição do art. 28 da Lei 8.112/90:
Art. 28. A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente
ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação, quando invalidada a sua demissão
por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as vantagens.
§ 1º Na hipótese de o cargo ter sido extinto, o servidor �cará em disponibilidade,
observado o disposto nos arts. 30 e 31.
§ 2º Encontrando-se provido o cargo, o seu eventual ocupante será reconduzido ao cargo
de origem, sem direito à indenização ou aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto em
disponibilidade.
A letra A está incorreta. INCORRETA.
Maria deveria, sim, ser reintegrada, por expressa imposição do art. 41, §2º, da CF/88.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
A colocação em disponibilidade somente se faz necessária caso o cargo anteriormente
ocupado pelo servidor reintegrado haja sido extinto. Na forma do art. 41, § 3.º, da CF/88,
com a extinção do cargo ou a declaração de sua desnecessidade, o servidor estável
permanecerá em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até
o aproveitamento em outro cargo.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
Não se trata de readaptação, pela qual servidor em cargo de atribuições e responsabilidades
compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental,
veri�cada por perícia médica, mantida a remuneração do cargo de origem, segundo art. 37,
§ 13, CF/88.
12. Agentes Públicos
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A letra D está correta. CORRETA.
O servidor estável, indevidamente demitido, e que obtém judicialmente a anulação de tal
penalidade, faz jus à respectiva reintegração, ao passo que o outro servidor, na medida em
que já havia adquirido a estabilidade no serviço público, deve ser reconduzido a seu cargo
de origem, tudo nos precisos termos dispostos no art. 41, §2º, da CF/88.
Questão 2014 | 4000002026
Por último, temos o provimento derivado horizontal, conhecido como reversão. Trata-se da
hipótese na qual existe o retorno do servidor para seu cargo de origem, quando desaparece o
motivo que ensejou a concessão da aposentadoria por invalidez.
Disciplina o artigo 25, da Lei 8.112/90:
Art. 25. Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado: (Redação dada pela Medida
Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
I - por invalidez, quando junta médica oficial declarar insubsistentes os motivos da
aposentadoria; ou (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
II - no interesse da administração, desde que: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de
4.9.2001)
a) tenha solicitado a reversão; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
b) a aposentadoria tenha sido voluntária; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de
4.9.2001)
c) estável quando na atividade; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
d) a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos anteriores à solicitação; (Incluído pela Medida
Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
e) haja cargo vago. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
§1º A reversão far-se-á no mesmo cargo ou no cargo resultante de sua transformação. (Incluído
pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
§2º O tempo em que o servidor estiver em exercício será considerado para concessão da
aposentadoria. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
12. Agentes Públicos
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Manolo, servidor público federal, obteve a concessão de aposentadoria por invalidez
após ter sido atestado, por junta médica o�cial, o surgimento de doença que o
impossibilitava de desenvolver atividades laborativas. Passados dois anos, entretanto,
Manolo voltou a ter boas condições de saúde, podendo voltar a trabalhar, o que foi
comprovado por junta médica o�cial.
Nesse caso, o retorno do servidor às atividades laborativas na Administração, no mesmo
cargo anteriormente ocupado, con�gura exemplo de
A) reintegração.
B) reversão.
C) aproveitamento.
D) readaptação.
Solução
Gabarito: B) reversão.
A questão trata do regime jurídico dos Agentes públicos, regulado pela Lei 8.112 de 1990,
especialmente sobre as formas de provimento e vacância dos cargos.
No caso, um servidor público federal obteve a concessão de aposentadoria por invalidez
após ter sido atestado, por junta médica o�cial, o surgimento de doença que o
impossibilitava de desenvolver atividades laborativas. Passados dois anos, entretanto, ele
voltou a ter boas condições de saúde, podendo voltar a trabalhar, o que foi comprovado
por junta médica o�cial.
Retrata típico caso de modalidade de provimento derivado denominada reversão, cuja
disciplina legal encontra-se nos arts. 25, I, Lei 8.112/90, que assim preceitua:
Art. 25. Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado: (Redação dada pela
Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
I - por invalidez, quando junta médica o�cial declarar insubsistentes os motivos da
aposentadoria; (...)"
A letra A está incorreta. INCORRETA.
Segundo art. 28 da Lei 8.112/90, a reintegração é a reinvestidura do servidor estável no
cargo anteriormente ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação, quando
invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas
as vantagens.
A letra B está correta. CORRETA.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 43/136
Retrata típico caso de modalidade de provimento derivado denominada reversão, cuja
disciplina legal encontra-se nos arts. 25, I, Lei 8.112/90.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
Conforme art. 30 da Lei 8.112/90, o retorno à atividade de servidor em disponibilidade far-
se-á mediante aproveitamento obrigatório em cargo de atribuições e vencimentos
compatíveis com o anteriormente ocupado.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
Segundo art. 24 da Lei 8.112/90, readaptação é a investidura do servidor em cargo de
atribuições e responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua
capacidade física ou mental veri�cada em inspeção médica.
Concurso Público
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Requisitos para o acesso aos cargos públicos
Nos termos do artigo 37, inciso I e II da CF, com redação dada pela Emenda Constitucional nº
19, de 1998:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os
requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei;
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso
público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo
ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão
declarado em lei de livre nomeação e exoneração;
Os cargos públicos no Brasil, serão acessíveis tanto aos brasileiros, natos ou naturalizados,
como os estrangeiros, estes últimos apenas na formada Lei, conforme previsão constitucional
expressa.
12. Agentes Públicos
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Vale ressaltar que a Constituição, elencou determinados cargos que serão preenchidos apenas
por brasileiros natos, sendo excluídos os naturalizados e os estrangeiros, estes cargos
encontram-se previstos no artigo 12, §3º da CF:
§ 3º São privativos de brasileiro nato os cargos:
I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas.
VII - de Ministro de Estado da Defesa (Incluído pela Emenda Constitucional nº 23, de 1999)
Professor, quais são os requisitos de acesso aos cargos públicos?
Esses requisitos devem estar previstos sempre em Lei. Além disso, o edital do concurso
público deverá pautar-se pelos dispositivos legais correspondentes. Isto quer dizer que o edital
do concurso poderá impor cláusulas que barrem determinados candidatos, por exemplo, em
razão da altura ou da idade, desde que exista EXPRESSA previsão em lei em sentido formal.
Logo, um decreto ou ato administrativo não poderá prever este tipo de situações.
Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, editou a súmula nº 14, in verbis:
Súmula 14: Não é admissível, por ato administrativo, restringir, em razão da idade, inscrição em
concurso para cargo público.
Professor, então é possível estabelecer limite de idade em concurso público?
12. Agentes Públicos
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Sim, meus amigos, desde que seja justificável pela natureza do cargo a ser ocupado, como por
exemplo, um policial militar, devendo necessariamente existir previsão legal e não apenas no
edital.
É o que estabelece a súmula 683 do STF:
Súmula 683 - STF - O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em
face do art. 7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das
atribuições do cargo a ser preenchido.
No mesmo sentido, temos o seguinte julgado, recente, do STF:
O estabelecimento de limite de idade para inscrição em concurso público apenas é legítimo
quando justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido. [Tese definida no
ARE 678112 RG, rel. min. Luiz Fux, P,J. 25-4-2013, DJE de 17-5-2016, Tema 646.]
Existe também a situação trazida pela Súmula 266, do STJ, na qual, o diploma ou habilitação
legal para o exercício do cargo deverá ser exigido apenas na posse e não na inscrição para o
concurso público.
Súmula 266 - O diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo deve ser exigido na
posse e não na inscrição para o concurso público.
Mas professor, e no caso do requisito de idade? Quando deverá ser comprovada?
O STF, neste particular, entende que o momento adequado para apresentar e comprovar o
requisito da idade, seria na inscrição no certame, não se aplicando a súmula 266 do STJ neste
caso. Vejamos a ementa que dá sustento à esta tese:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 46/136
Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO.
INTERPOSIÇÃO EM 7.6.2017. DIREITO ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. CURSO DE
FORMAÇÃO DE OFICIAIS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE GOIÁS. LIMITE DE IDADE.
PREVISÃO EM LEI. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. INSCRIÇÃO NO CERTAME. 1. A idade
estabelecida em lei e no edital do certame deve ser comprovada no momento da inscrição no
concurso. 2. Agravo regimental a que se nega provimento, com previsão de aplicação da
multa prevista no art. 1.021, §4º, do CPC. Inaplicável o artigo 85, §11, CPC, porquanto não
houve fixação de honorários anteriormente. (ARE 979284 AgR, Relator(a): Min. EDSON
FACHIN, Segunda Turma, julgado em 16/10/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-247 DIVULG
26-10-2017 PUBLIC 27-10-2017)
E professor, quando a altura do candidato, poderá ser cobrada em concurso?
A altura mínima também poderá ser exigida desde que esteja expressamente prevista em lei e
no edital, segundo a jurisprudência do STF - no RE 640.284, e deverá estritamente ser
justificado pela natureza do cargo.
Assim como também, é o que acontece com o exame psicotécnico, que poderá ser cobrado
em concurso público, caso exista previsão legal.
Deve o aluno grifar obrigatoriamente a súmula vinculante nº 44 do STF, que versa sobre este
assunto:
Súmula Vinculante nº 44, STF: Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação
de candidato a cargo público.
Edital do Concurso Público
O Edital é a lei do certame, ou seja, uma vez publicado, gera direitos e obrigações entre os
envolvidos.
Por exemplo, se o edital diz que os critérios de classificação de uma determinada maneira, não
poderão ser alterados no decorrer do certame.
A jurisprudência entende desta maneira:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 47/136
Questão 2015 | 4000001995
O Estado X publicou edital de concurso público de provas e títulos para o cargo de
analista administrativo. O edital prevê a realização de uma primeira fase, com questões
objetivas, e de uma segunda fase com questões discursivas, e que os 100 (cem)
candidatos mais bem classi�cados na primeira fase avançariam para a realização da
segunda fase. No entanto, após a divulgação dos resultados da primeira fase, é
publicado um edital complementar estabelecendo que os 200 (duzentos) candidatos mais
bem classi�cados avançariam à segunda fase e prevendo uma nova forma de
composição da pontuação global.
Nesse caso,
A)
a alteração não é válida, por ofensa ao princípio da impessoalidade, advindo da adoção
de novos critérios de pontuação e da ampliação do número de candidatos na segunda
fase.
B)
a alteração é válida, pois a aprovação de mais candidatos na primeira fase não gera
prejuízo aos candidatos e ainda permite que mais interessados realizem a prova de
segunda fase.
C)
a alteração não é válida, porque o edital de um concurso público não pode conter
cláusulas ambíguas.
D)
a alteração é válida, pois foi observada a exigência de provimento dos cargos mediante
concurso público de provas e títulos.
Solução
MANDADO DE SEGURANÇA. PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO.
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CONCURSO PARA A MAGISTRATURA DO ESTADO
DO PIAUÍ. CRITÉRIOS DE CONVOCAÇÃO PARA AS PROVAS ORAIS. ALTERAÇÃO DO
EDITAL NO CURSO DO PROCESSO DE SELEÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ORDEM DENEGADA.
(…) 2. Após a publicação do edital e no curso do certame, só se admite a alteração das regras
do concurso se houver modificação na legislação que disciplina a respectiva carreira.
Precedentes. (RE 318.106, rel. min. Ellen Gracie, DJ 18.11.2005). (…) 4. A pretensão de alteração
das regras do edital é medida que afronta o princípio da moralidade e da impessoalidade, pois
não se pode permitir que haja, no curso de determinado processo de seleção, ainda que de
forma velada, escolha direcionada dos candidatos habilitados às provas orais, especialmente
quando já concluída a fase das provas escritas subjetivas e divulgadas as notas provisórias de
todos os candidatos.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 48/136
Gabarito: A)
a alteração não é válida, por ofensa ao princípio da impessoalidade, advindo
da adoção de novos critérios de pontuação e da ampliação do número de
candidatos na segunda fase.
A questão aborda o tema dos concursos públicos, à luz dos princípios que disciplinam o
regime jurídico administrativo e da jurisprudência pátria.
Na situação, determinado estado-membro, após a divulgação dos resultados da primeira
fase de determinado concurso, publicou um edital complementar estabelecendo que os
200 (duzentos) candidatos mais bem classi�cados, não mais somente os 100, como foi
estabelecido inicialmente, avançariam à segunda fase e prevendo uma nova forma de
composição da pontuação global.
Sobre o tema, a Suprema Corte �rmou posicionamento pela legitimidade da alteração do
edital, porém em hipóteses bastante restritas, quais sejam, apenas para �ns de adequar
o edital à superveniência de lei (lei posterior,portanto, à publicação do instrumento
convocatório), a qual imponha novas condições a serem observadas para o respectivo
cargo público (RE 318.106/RN, rel. Ministra Ellen Gracie, 18.10.2005; MS 26.668/DF e MS
26.810/DF, rel. Ministro Ricardo Lewandowski, 15.4.2009).
Em outra oportunidade, o STF �xou que "após a publicação do edital e no curso do
certame, só se admite a alteração das regras do concurso se houver modi�cação na
legislação que disciplina a respectiva carreira." (MS 27.160/DF, rel. Ministro Joaquim
Barbosa, 18.12.2008)
Assim, a alteração promovida no edital, durante o hipotético concurso público versado
nesta questão, não seria válida, uma vez que não atenderia ao estrito requisito �rmado
por nosso Excelso Pretório. Tratar-se-ia, pois, de ilegítima alteração das "regras do jogo",
em evidente violação aos princípios da impessoalidade e da vinculação ao instrumento
convocatório.
A letra A está correta. CORRETA.
O STF �xou que "após a publicação do edital e no curso do certame, só se admite a
alteração das regras do concurso se houver modi�cação na legislação que disciplina a
respectiva carreira." (MS 27.160/DF, rel. Ministro Joaquim Barbosa, 18.12.2008). Assim, a
alteração promovida no edital não seria válida, pois, corresponde à ilegítima alteração das
"regras do jogo", em evidente violação aos princípios da impessoalidade e da vinculação ao
instrumento convocatório.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
A alteração promovida no edital não seria válida, pois, corresponde à ilegítima alteração das
"regras do jogo", em evidente violação aos princípios da impessoalidade e da vinculação ao
instrumento convocatório.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 49/136
A letra C está incorreta. INCORRETA.
A alteração promovida no edital não seria válida, pois, corresponde à ilegítima alteração das
"regras do jogo", em evidente violação aos princípios da impessoalidade e da vinculação ao
instrumento convocatório.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
A alteração promovida no edital não seria válida, pois, corresponde à ilegítima alteração das
"regras do jogo", em evidente violação aos princípios da impessoalidade e da vinculação ao
instrumento convocatório.
Prazo de validade do Concurso Público
Quando tratamos do prazo de validade do concurso público, devemos entender que este será
de até dois anos, conforme disposição constitucional, especificamente no artigo 37, inciso III, a
seguir elencado:
Art. 37, CF. […]
III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por
igual período;
Vejam que na parte final, existe a hipótese da prorrogação, por apenas uma vez, pelo mesmo
período.
Prazo de validade
--->
Até 2 anos ---> Prorrogável 1 vez -
-->
Por igual Período--
->
Exemplo Concurso de 1 ano
--->
Prorrogável por
mais 1 ano --->
Mesmo período,
portanto, apenas
poderá ser
prorrogado por 1
ano e não 2.
Ordem de Classificação no Concurso Público
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 50/136
Questão 2011 | 4000002233
O art. 37, II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, condiciona a
investidura em cargo ou emprego público à prévia aprovação em concurso público de
provas ou de provas e títulos, ressalvadas as nomeações para os cargos em comissão.
Em relação a concurso público, segundo a atual jurisprudência dos tribunais superiores, é
correto a�rmar que
A)
os candidatos aprovados em concurso público de provas ou de provas e títulos e
classi�cados entre o número de vagas oferecidas no edital possuem expectativa de
direito à nomeação.
B)
os candidatos aprovados em concurso público de provas ou de provas e títulos devem
comprovar a habilitação exigida no edital no momento de sua nomeação.
C)
o prazo de validade dos concursos públicos poderá ser de até dois anos prorrogáveis
uma única vez por qualquer prazo não superior a dois anos, iniciando-se a partir de sua
homologação.
D)
os candidatos aprovados em concurso público de provas ou de provas e títulos e
classi�cados dentro do limite de vagas oferecidas no edital possuem direito subjetivo a
nomeação dentro do prazo de validade do concurso.
Solução
O inciso IV, do artigo 37, da CF/1988 estabelece a ordem de classificação do certame. Para não
existir afronta ao princípio da moralidade e da impessoalidade, deve ser convocado, durante o
prazo previsto no edital, apenas o aprovado em concurso público, tendo este prioridade sobre
os novos concursados para assumir o mesmo cargo ou emprego, dentro da carreira. Vejamos:
Art. 37, CF. […]
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em
concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos
concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira;
Isto significa que, durante o prazo de validade do concurso público, as pessoas classificadas
nos primeiros lugares deverão ter prioridade caso abrirem novas vagas para o cargo que o
candidato está concorrendo, tendo este, um verdadeiro direito subjetivo para ocupar o cargo
público.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 51/136
Gabarito: D)
os candidatos aprovados em concurso público de provas ou de provas e
títulos e classi�cados dentro do limite de vagas oferecidas no edital possuem
direito subjetivo a nomeação dentro do prazo de validade do concurso.
A questão exige o conhecimento jurisprudencial acerca dos concursos públicos.
Inicialmente, dispõe o art. 37, I a IV da CF/88:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e e�ciência e, também, ao seguinte: (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham
os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso
público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do
cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em
comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez,
por igual período;
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em
concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre
novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira;
Os tribunais superiores posicionaram-se no sentido de que os candidatos classi�cados
nos concursos públicos dentro do número de vagas previstas no edital possuem direito
subjetivo à nomeação, e não mera expectativa de direito. Isso signi�ca que caso sua
nomeação não ocorra regulamente, podem eles preitear judicialmente esse direito.
O STF, no julgamento do RE 598.099/MS, Rel. Min. Gilmar Mendes, �rmou entendimento
no sentido de que possui direito subjetivo à nomeação o candidato aprovado dentro do
número de vagas previstas no edital de concurso público. O direito à nomeação também
se estende ao candidato aprovado fora do número de vagas previstas no edital, mas que
passe a �gurar entre as vagas em decorrência da desistência de candidatos classi�cados
em colocação superior. (STF. 2ª Turma. RE 643674 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 13/08/2013)
Ademais, dispõe a Súmula 266 do STJ:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 52/136
“O diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo deve ser exigido na posse e não
na inscrição para o concurso público.”
A letra A está incorreta. INCORRETA.
O STF, no julgamento do RE 598.099/MS, �rmou entendimento no sentido de que possui
direito subjetivo à nomeação o candidato aprovado dentro do número de vagasprevistas no
edital de concurso público.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
Segundo a Súmula 266 do STJ, o diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo
deve ser exigido na posse e não na inscrição para o concurso público.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
A única prorrogação autorizada pela Constituição é aquela que dobra o prazo inicial de
validade do concurso, na forma do art. 37, III, CF/88.
A letra D está correta. CORRETA.
O STF, no julgamento do RE 598.099/MS, �rmou entendimento no sentido de que possui
direito subjetivo à nomeação o candidato aprovado dentro do número de vagas previstas no
edital de concurso público.
Mas professor, e se um candidato ficar, no mesmo exemplo anteriormente dado, em 6º lugar,
tem direito à nomeação ou mera expectativa?
Pois bem, o candidato aprovado fora do número de vagas do edital, terá mera expectativa de
direito a ser nomeado. Mas existe uma hipótese, na qual caso existir uma quebra na ordem de
classificação, surgirá o direito do candidato preterido, daí sim, um direito subjetivo. É que
estabelece a súmula 15 do STF:
Súmula 15 - STF - Dentro do prazo de validade do concurso, o candidato aprovado tem direito
à nomeação, quando o cargo for preenchido sem observância da classificação.
Além disso, também terá direito subjetivo o candidato aprovado quando surgirem novas vagas,
ou for aberto novo concurso durante a validade do certame anterior, e ocorrer a preterição de
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 53/136
candidatos aprovados fora das vagas de forma arbitrária e imotivada por parte da administração
nos termos acima.
Cumpre ressaltar que o administrador público não está obrigado a prorrogar o prazo de
validade do concurso. Segundo o STF, existe juízo de conveniência e oportunidade que deverá
ser feito por parte do administrador para prorrogar o prazo de validade do certame público.
Vejamos a ementa:
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ADMINISTRATIVO
E PROCESSUAL CIVIL. 1) PRORROGAÇÃO DE PRAZO DE VALIDADE DE CONCURSO
PÚBLICO: JUÍZO DE CONVENIÊNCIA E DE OPORTUNIDADE DA ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA. 2) LEGITIMIDADE AD CAUSAM. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL: OFENSA
CONSTITUCIONAL INDIRETA. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO.
(ARE 733649 AgR, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Segunda Turma, julgado em 13/08/2013,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-170 DIVULG 29-08-2013 PUBLIC 30-08-2013).
Portanto, o STF entende que, em harmonia com a jurisprudência do mesmo tribunal, assentou-
se que a prorrogação, ou não, do prazo de validade de concurso depende de juízo de
conveniência e de oportunidade da Administração Pública.
Mas professor, e se, por exemplo, existirem 5 vagas e apenas 4 assumirem, ficando um cargo
vago por desistência do 5º colocado, existiria direito subjetivo à nomeação do 6º colocado?
Sim. O STJ inclusive, tem jurisprudência neste sentido, vejamos:
(…) 2. Ademais, o entendimento dessa Corte é de que o candidato incialmente aprovado em
colocação além do número de vagas previstas no edital, tem direito subjetivo a nomeação ante
a desistência de candidato classificado dentro do número de vagas previsto, que permita a
inclusão do candidato excedente seguinte nesse rol. (…) (AgInt no Responsabilidade
1576096/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em
20/02/2018, DJe 08/03/2018).
Continuando, existe também o tema da intimação do candidato em concurso público, e poderá
ser feita por edital ou diário oficial. Aqui cabe ressaltar que, ainda que o Edital do concurso não
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 54/136
tenha previsão expressa, a demora excessiva das fases do concurso ou o transcurso de
razoável lapso temporal entre a homologação do resultado e a nomeação exigem a intimação
pessoal dos candidatos;
Neste sentido, temos a jurisprudência do STJ:
(…) 1. A despeito da ausência de norma editalícia prevendo a intimação pessoal do candidato, a
Administração Pública tem o dever de intimar pessoalmente o candidato, quando há o decurso
de tempo razoável entre a homologação do resultado e a data da nomeação, em atendimento
aos princípios constitucionais da publicidade e razoabilidade. 2. É desarrazoada exigência de
que a Impetrante efetue a leitura diária do Diário Oficial do Estado, por prazo superior a 1 ano,
ainda mais quando reside em município em que não há circulação do referido periódico. (…)
(RMS 23.106/RR, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe
06/12/2010)
Por fim, o inciso VIII do artigo 37 da CF/1988 determina:
Art. 37, CF. […]
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de
deficiência e definirá os critérios de sua admissão;
Podemos inferir da leitura do inciso acima mencionado que, os deficientes farão o concurso
público normalmente. Porém, um percentual das vagas ofertadas no certame será
obrigatoriamente reservado aos deficientes.
O STF, nestas situações, exige a reserva de vagas, ainda que se trate de um cargo que, em
tese, não seria possível de ser exercido por pessoa com deficiência.
É importante também, ler e grifar no seu material, a súmula 377 do STJ, para fins de prova:
Súmula 377 - STJ: O portador de visão monocular tem direito de concorrer, em concurso
público, às vagas reservadas aos deficientes.
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 55/136
Acumulação de cargos públicos e Teto Remuneratório
Acumulação de cargos públicos
Sem dúvida, a FGV neste ponto vai trazer um caso prático, na qual contará uma história e você
deverá aplicar o direito ao caso concreto.
Imaginemos que Gertrudes, advogada da Caixa Econômica Federal há mais de 10 anos, decide
fazer um novo concurso público para auditor fiscal do município. Na sequência, foi aprovada e
nomeada. Questiona-se o seguinte:
A advogada pode exercer os dois cargos públicos? É possível acumular dois cargos públicos?
Comentários
A Resposta é negativa. Mas essa é a regra, como toda regra, existem exceções que deverão
ser estudadas com mais detalhes.
Primeiro é importante lembrar que é vedada a acumulação de cargo, inclusive quando
aposentado. Por exemplo, determinado professor de uma universidade pública federal, está
aposentado e decide fazer novo concurso para auditor, após a nomeação, decide fazer
concurso novamente para professor, poderia neste caso acumular? Não, porque a
aposentadoria conta como cargo público, sendo vedada esta hipótese no nosso exemplo.
Permite-se a acumulação de dois cargos voluntários. A vedação que estamos tratando neste
momento, refere-se à acumulação remunerada.
Para o Prof. José dos Santos Carvalho Filho, a regra da vedação é com o intuito de não
prejudicar a eficiência do servidor:
O fundamento da proibição é impedir que o acúmulo de funções públicas faça com que o
servidor não execute qualquer delas com a necessária eficiência. Além disso, porém, pode-se
observar que o Constituinte quis também impedir a acumulação de ganhos em detrimento da
boa execução das tarefas públicas. Tantos são os casos de acumulação indevida que a regra
constitucional parece letra morta; quando se sabe que o caos que reina nas Administrações
sequer permite a identificação correta de seus servidores, afigura-se como grotesca a
proibição constitucional, pois que será praticamente impossível respeitar o que se estabelece a
respeito. (FILHO, 2018)
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 56/136
Como falamos anteriormente, a acumulação de cargos públicos remunerados é vedada em
regra, mas existem certas exceções.
Para que seja permitida a acumulação de cargos o cargo, faz-se necessário observar alguns
requisitos essenciais dispostos constitucionalmente, tais como a compatibilidade de horário,
serem dois cargos de professor ou um cargo de professor e outro técnico ou científico ou dois
cargos de profissionais de saúde.
O artigo que trata do tema é o art. 37, inciso XVI, da CF/1988:Art. 37.
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver
compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI (teto
remuneratório, que será tratado posteriormente): (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
19, de 1998)
a) a de dois cargos de professor; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões
regulamentadas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 34, de 2001)
A hipótese dos dois cargos de professores é bem simples de entender, caso um determinado
professor de uma universidade pública federal, seja aprovado em concurso em outra
universidade pública estadual por exemplo, poderá - desde que exista compatibilidade de
horários - acumular esses dois cargos.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 57/136
Já, no que tange aos cargos privativos de saúde, não alcança os servidores de áreas
administrativas que estejam lotados em órgãos onde se presta serviço de saúde, tais como
hospitais, clínicas ou ambulatórios. Poderão acumular os cargos, apenas quem exercer
profissão privativa da área da saúde, com as profissões regulamentadas pelos órgãos
respectivos, como por exemplo, médicos, enfermeiros, odontólogos, fisioterapeutas, etc.
Pode surgir a dúvida, na alínea “b”, que trata da acumulação dos cargos técnicos ou científicos
com um de professor. Importante, portanto, elucidar o que seria “cargo técnico ou científico”,
para tanto, nos auxiliamos das lições do Prof. José dos Santos Carvalho Filho:
O conceito de cargo técnico ou científico, por falta de precisão, tem provocado algumas
dúvidas na Administração. O ideal é que o estatuto fixe o contorno mais exato possível para
sua definição, de modo que se possa verificar, com maior facilidade, se é possível, ou não, a
acumulação. Cargos técnicos são os que indicam a aquisição de conhecimentos técnicos e
práticos necessários ao exercício das respectivas funções. Já os cargos científicos dependem
de conhecimentos específicos sobre determinado ramo científico. Normalmente, tal gama de
conhecimento é obtida em nível superior; essa exigência, porém, nem sempre está presente,
sobretudo para os cargos técnicos. Por outro lado, não basta que a denominação do cargo
contenha o termo “técnico”: o que importa é que suas funções, por serem específicas, se
diferenciem das meramente burocráticas e rotineiras. Seja como for, nem sempre será fácil
atribuir tais qualificações de modo exato. As soluções adequadas normalmente são adotadas ao
exame da situação concreta.
Neste sentido, existe jurisprudência do STJ, vejamos:
2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido que cargo técnico ou científico, para fins de
acumulação com o de professor, nos termos do art. 37, XVII, da Lei Fundamental, é aquele
para cujo exercício sejam exigidos conhecimentos técnicos específicos e habilitação legal, não
necessariamente de nível superior. (…) (RMS 20.033/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES
LIMA, QUINTA TURMA, julgado em 15/02/2007, DJ 12/03/2007, p. 261)
E professor, a vedação de acumular cargo público, é apenas para a Administração Pública
Direta?
Não. A proibição se estende a empregos e funções e abrange tanto as autarquias, fundações,
empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias e as sociedades
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 58/136
controladas direta ou indiretamente pelo poder público.
É a regra expressa no artigo 37, inciso XVII, da CF/1988:
Art. 37.
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias,
fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades
controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, 1998).
Lembram do nosso exemplo anterior, da advogada da Caixa Federal? Pois bem, a resposta está
fundamentada neste inciso acima citado, devendo se estender a proibição, por força desta
previsão constitucional.
Teto remuneratório
A criação de cargos, a reestruturação da carreira e o aumento da remuneração dos servidores
públicos deverá ser prevista em lei de iniciativa do Poder Executivo. Esta matéria encontra-se
elencada no artigo 61, da CF:
Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão
da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da
República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da
República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição.
§ 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que (Entenda-se —> Chefe do
Poder Executivo):
II - disponham sobre:
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou
aumento de sua remuneração;
b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e
pessoal da administração dos Territórios;
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos,
estabilidade e aposentadoria;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 59/136
Entendido professor, mas posso aumentar o salário do servidor do jeito que o Governador,
Prefeito ou Presidente quiser?
Não! Existe proibição constitucional sobre o aumento indiscriminado dos salários dos servidores
públicos, estabelecendo-se um verdadeiro teto remuneratório no inciso XI do artigo 37 da CF,
vejamos:
Art. 37. XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos
públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de
mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie
remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de
qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do
Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e
nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder
Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o
subsidio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e
cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo
Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do
Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;
Esquematizemos esta parte para melhor entender o que nos traz este inciso um pouco extenso:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 60/136
Mas professor, esse teto se aplica às empresas estatais?
Depende, meus amigos.
Existem dois tipos de empresas estatais, aquelas que sobrevivem no mercado de maneira
autônoma sem precisar de recursos públicos para tanto e aquelas que são financiadas em parte
ou totalmente pelo Estado, portanto, utilizam recursos públicos.
O art. 37, §9º trata sobre esta situação, elencando o seguinte:
§ 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às sociedades de economia mista,
e suas subsidiárias, que receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos
Municípios para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral.
Resumindo:
• Empresa estatal dependente de recursos públicos —> aplica-se o teto remuneratório do
inciso XI do art. 37 da CF;
• Empresa estatal que não recebe recursos do ente público —> não se aplica o teto
remuneratório.
Mas professor, se a cumulação de cargos públicos for permitida, isto não faria com que os
salários possam superar o tetoremuneratório? Como ficaria a situação do servidor público?
A jurisprudência do STF, pacificou o tema e estabeleceu a regra de que, na acumulação de
cargos, empregos e funções, o teto remuneratório não será analisado do somatório dos ganhos
do agente público, mas sim sobre cada um dos vínculos.
Nos casos autorizados, constitucionalmente, de acumulação de cargos, empregos e funções, a
incidência do artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal, pressupõe consideração de cada um
dos vínculos formalizados, afastada a observância do teto remuneratório quanto ao somatório
dos ganhos do agente público.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 61/136
Questão 2017 | 4000000829
Marcelo é médico do Corpo de Bombeiros Militar do Estado Beta e foi aprovado em
concurso público para o cargo de médico civil junto a um determinado hospital da União,
que é uma autarquia federal.
A partir do fato apresentado, acerca da acumulação de cargos públicos, assinale a
a�rmativa correta.
A) Por exercer atividade militar, Marcelo não pode acumular os cargos em comento.
B)
Marcelo pode acumular os cargos em questão, pois não existe, no ordenamento pátrio,
qualquer vedação à acumulação de cargos ou de empregos públicos em geral.
C)
A acumulação de cargos por Marcelo não é viável, sendo cabível somente quando os
cargos pertencem ao mesmo ente da Federação.
D)
É possível a acumulação de cargos por Marcelo, desde que haja compatibilidade de
horários.
Solução
Gabarito: D)
É possível a acumulação de cargos por Marcelo, desde que haja
compatibilidade de horários.
A questão trata do regime jurídico dos agentes públicos, notadamente da disciplina
acerca da acumulação de cargos e funções.
Na situação, um médico do Corpo de Bombeiros Militar foi aprovado em concurso público
para o cargo de médico civil junto a um determinado hospital da União, que é uma
autarquia federal.
Acerca da acumulação de cargo público, estabelecem os arts. 37, XVI e XVII da
Constituição Federal.
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e e�ciência e, também, ao seguinte:
Em outras palavras, poderá o servidor, nas hipóteses constitucionalmente permitidas de
acumulação de cargos públicos, superar o teto remuneratório do inciso XI, do artigo 37 da CF,
pois cada remuneração é analisada de maneira isolada.
Vejamos algumas questões já cobradas sobre estes temas:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 62/136
(...)
XVI – é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver
compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI: (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998).
a) a de dois cargos de professor; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998).
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou cientí�co; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998).
c) a de dois cargos ou empregos privativos de pro�ssionais de saúde, com pro�ssões
regulamentadas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 34, de 2001).
XVII – a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias,
fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e
sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público;
Em regra, o texto constitucional veda a acumulação remunerada de cargos, empregos e
funções públicas, em seu art. 37, XVI e XVII, para os servidores da Administração direta,
Administração indireta (autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista,
suas subsidiárias, e fundações) e as sociedades controladas, direta ou indiretamente,
pelo Poder Público.
Contudo, a acumulação remunerada de cargos, empregos e funções é permitida,
excepcionalmente, nos casos em que o servidor cumprir os requisitos constitucionais
exigidos no art. 37, XVI, a saber: compatibilidade de horários; obediência ao teto
remuneratório, na forma do art. 37, XI, CF/88; e casos previstos na Constituição, como
dois cargos de professor; um cargo de professor com outro técnico ou cientí�co, dois
cargos ou empregos privativos de pro�ssionais de saúde, com pro�ssões
regulamentadas.
Destaque-se que apenas é possível a acumulação de duas fontes remuneratórias, ou
seja, não se a�gura possível a acumulação de três fontes remuneratórias, como já
decidiram o STF e o STJ (STF, 2.ª Turma, RE 141.376/RJ, Rel. Min. Néri da Silveira, DJ
22.02.2002, p. 54, Informativo de Jurisprudência do STFn. 244; STJ, 5.ª Turma, AgRg no
RMS 14.937/PR, Rel. Min. Felix Fischer, DJ 23.06.2003).
Portanto, é possível a acumulação dos dois cargos de pro�ssionais de saúde, com
pro�ssões regulamentadas, desde que haja compatibilidade de horários e obediência ao
teto remuneratório, na forma do art. 37, XI, CF/88.
A letra A está incorreta. INCORRETA.
Não há essa vedação no texto constitucional.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 63/136
A letra B está incorreta. INCORRETA.
Em regra, o texto constitucional veda a acumulação remunerada de cargos, empregos e
funções públicas, em seu art. 37, XVI e XVII, para os servidores da Administração direta,
Administração indireta (autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas
subsidiárias, e fundações) e as sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo Poder
Público.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
É possível a acumulação dos dois cargos de pro�ssionais de saúde, com pro�ssões
regulamentadas, desde que haja compatibilidade de horários e obediência ao teto
remuneratório, na forma do art. 37, XI, CF/88.
A letra D está correta. CORRETA.
É possível a acumulação dos dois cargos de pro�ssionais de saúde, com pro�ssões
regulamentadas, desde que haja compatibilidade de horários e obediência ao teto
remuneratório, na forma do art. 37, XI, CF/88.
Questão 2016 | 4000001505
Paulo é servidor concursado da Câmara de Vereadores do município Beta há mais de
quinze anos. Durante esse tempo, Paulo concluiu cursos de aperfeiçoamento pro�ssional,
graduou-se no curso de economia, exerceu cargos em comissão e foi promovido por
merecimento. Todos esses fatores contribuíram para majorar sua remuneração.
Considerando a disciplina constitucional a respeito dos servidores públicos, assinale a
a�rmativa correta.
A)
O teto remuneratório aplicável a Paulo, servidor público municipal, corresponde ao
subsídio do prefeito do município Beta.
B)
O teto remuneratório aplicável a Paulo, servidor público municipal, corresponde ao
subsídio pago aos vereadores de Beta.
C)
Os acréscimos de caráter remuneratório, pagos a Paulo, como a grati�cação por tempo
de serviço e a grati�cação adicional de quali�cação pro�ssional, não se submetem ao
teto remuneratório.
D)
O teto remuneratório aplicável a Paulo não está sujeito a qualquer limitação, tendo em
vista a necessidade de edição de lei complementar para a instituição do teto previsto na
CRFB/88.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 64/136
Solução
Gabarito: A)
O teto remuneratório aplicável a Paulo, servidor público municipal,
corresponde ao subsídio do prefeito do município Beta.
A questão aborda o tema dos servidores públicos, em especial sobre o seu regime de
remuneração.
Na situação, um servidor concursado da Câmara de Vereadores municipal há mais de
quinze anos, concluiu cursos de aperfeiçoamento pro�ssional, graduou-se no curso de
economia, exerceu cargos em comissão e foi promovido por merecimento. Todos esses
fatores contribuíram para majorar sua remuneração.
O art. 37, XI, da Constituição Federal de 1988, alterado pela EC 41/2003, estabeleceu
limites remuneratórios para todos os agentes públicos das Administrações Públicas de
todos os Poderes. Trata-se da regra do teto que se aplica a toda e qualquer espécie de
remuneração e proventos.
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedeceráaos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e e�ciência e, também, ao seguinte:
(...)
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da
administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato
eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie
remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de
qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos
Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o
subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador
no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito
do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a
noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos
Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite
aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;
Atualmente, na forma da citada norma constitucional, o teto geral é o subsídio mensal
dos Ministros do STF. De acordo com a referida norma, ao lado do teto geral, aplicável a
todos os agentes públicos, existem tetos especí�cos (ou subtetos) relativos aos
respectivos Entes federados. Em relação aos Municípios, o teto remuneratório será o
subsídio mensal dos Prefeitos, na forma do art. 37, XI, da Constituição Federal de 1988.
Ressalte-se que o teto deve ser observado mesmo nos casos de acumulação remunerada
de cargos, empregos e funções admitida pela Constituição (art. 37, XI, XVI e XVII, da
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 65/136
CF/88), bem como na acumulação de proventos e de proventos e remuneração (arts. 37,
XI e § 10, e 40, § 11, da CF/88).
A letra A está correta. CORRETA.
O art. 37, XI, da Constituição Federal de 1988, alterado pela EC 41/2003, estabeleceu limites
remuneratórios para todos os agentes públicos das Administrações Públicas de todos os
Poderes. Em relação aos Municípios, o teto remuneratório será o subsídio mensal dos
Prefeitos.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
Em relação aos Municípios, o teto remuneratório será o subsídio mensal dos Prefeitos.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
O teto deve ser observado mesmo nos casos de acumulação remunerada de cargos,
empregos e funções admitida pela Constituição (art. 37, XI, XVI e XVII, da CF/88), bem
como na acumulação de proventos e de proventos e remuneração (arts. 37, XI e § 10, e 40, §
11, da CF/88).
A letra D está incorreta. INCORRETA.
O próprio art. 37, XI, da Constituição Federal de 1988, alterado pela EC 41/2003,
estabeleceu limites remuneratórios para todos os agentes públicos das Administrações
Públicas de todos os Poderes.
Questão 2011 | 4000002233
O art. 37, II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, condiciona a
investidura em cargo ou emprego público à prévia aprovação em concurso público de
provas ou de provas e títulos, ressalvadas as nomeações para os cargos em comissão.
Em relação a concurso público, segundo a atual jurisprudência dos tribunais superiores, é
correto a�rmar que
A)
os candidatos aprovados em concurso público de provas ou de provas e títulos e
classi�cados entre o número de vagas oferecidas no edital possuem expectativa de
direito à nomeação.
B)
os candidatos aprovados em concurso público de provas ou de provas e títulos devem
comprovar a habilitação exigida no edital no momento de sua nomeação.
C)
o prazo de validade dos concursos públicos poderá ser de até dois anos prorrogáveis
uma única vez por qualquer prazo não superior a dois anos, iniciando-se a partir de sua
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 66/136
homologação.
D)
os candidatos aprovados em concurso público de provas ou de provas e títulos e
classi�cados dentro do limite de vagas oferecidas no edital possuem direito subjetivo a
nomeação dentro do prazo de validade do concurso.
Solução
Gabarito: D)
os candidatos aprovados em concurso público de provas ou de provas e
títulos e classi�cados dentro do limite de vagas oferecidas no edital possuem
direito subjetivo a nomeação dentro do prazo de validade do concurso.
A questão exige o conhecimento jurisprudencial acerca dos concursos públicos.
Inicialmente, dispõe o art. 37, I a IV da CF/88:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e e�ciência e, também, ao seguinte: (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham
os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso
público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do
cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em
comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez,
por igual período;
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em
concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre
novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira;
Os tribunais superiores posicionaram-se no sentido de que os candidatos classi�cados
nos concursos públicos dentro do número de vagas previstas no edital possuem direito
subjetivo à nomeação, e não mera expectativa de direito. Isso signi�ca que caso sua
nomeação não ocorra regulamente, podem eles preitear judicialmente esse direito.
O STF, no julgamento do RE 598.099/MS, Rel. Min. Gilmar Mendes, �rmou entendimento
no sentido de que possui direito subjetivo à nomeação o candidato aprovado dentro do
número de vagas previstas no edital de concurso público. O direito à nomeação também
se estende ao candidato aprovado fora do número de vagas previstas no edital, mas que
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 67/136
passe a �gurar entre as vagas em decorrência da desistência de candidatos classi�cados
em colocação superior. (STF. 2ª Turma. RE 643674 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 13/08/2013)
Ademais, dispõe a Súmula 266 do STJ:
“O diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo deve ser exigido na posse e não
na inscrição para o concurso público.”
A letra A está incorreta. INCORRETA.
O STF, no julgamento do RE 598.099/MS, �rmou entendimento no sentido de que possui
direito subjetivo à nomeação o candidato aprovado dentro do número de vagas previstas no
edital de concurso público.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
Segundo a Súmula 266 do STJ, o diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo
deve ser exigido na posse e não na inscrição para o concurso público.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
A única prorrogação autorizada pela Constituição é aquela que dobra o prazo inicial de
validade do concurso, na forma do art. 37, III, CF/88.
A letra D está correta. CORRETA.
O STF, no julgamento do RE 598.099/MS, �rmou entendimento no sentido de que possui
direito subjetivo à nomeação o candidato aprovado dentro do número de vagas previstas no
edital de concurso público.
Remuneração e Aposentadoria do Servidor Público
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Remuneração
Primeiro, é importante definir o que seria “remuneração”, a doutrina traz o seguinte conceito:
Remuneração é o montante percebidopelo servidor público a título de vencimentos e de
vantagens pecuniárias. É, portanto, o somatório das várias parcelas pecuniárias a que faz jus,
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 68/136
Questão 2016 | 4000001503
João foi aprovado em concurso público para o cargo de agente administrativo do Estado
Alfa. Após regular investidura, recebeu sua primeira remuneração. Contudo, os valores
apontados na folha de pagamento causaram estranheza, considerando que a rubrica de
seu vencimento-base se mostrava inferior ao salário mínimo vigente, montante que só era
em decorrência de sua situação funcional. (FILHO, 2018, p. 851)
Por sua vez, a remuneração básica consiste na importância que o servidor recebe em
decorrência do seu cargo ou emprego, podendo ou não, ser acrescida de gratificações ou
outras parcelas.
Outro conceito que aparece bastante em provas é o “vencimento”, que segundo o Prof. José
dos Santos Carvalho Filho seria:
Vencimento é a retribuição pecuniária que o servidor percebe pelo exercício de seu cargo,
conforme a correta conceituação prevista no estatuto funcional federal (art. 40, Lei n o
8.112/1990). Emprega-se, ainda, no mesmo sentido vencimento-base ou vencimento-padrão.
Essa retribuição se relaciona diretamente com o cargo ocupado pelo servidor: todo cargo tem
seu vencimento previamente estipulado. (FILHO, 2018, p. 852)
Regra importante, é a da irredutibilidade dos salários dos servidores públicos, que como
brilhantemente explica o Prof. Carvalho Filho:
Quanto ao valor mínimo de retribuição, a vigente Constituição oferece aos servidores públicos
a mesma garantia atribuída aos empregados em geral: nenhuma remuneração pode ser inferior
ao salário mínimo (art. 7 o , IV c/c art. 39, § 3 o , CF). Para o valor mínimo, considera-se o total
da remuneração, e não o vencimento do cargo em si: assim, pode este ser inferior àquele
valor, mas se lhe acrescerá parcela pecuniária (abono) para ser alcançada a remuneração
mínima. Portanto, salário mínimo para o servidor indica a sua remuneração mínima. (FILHO,
2018, p. 853)
A FGV já cobrou uma questão neste sentido, vejamos:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 69/136
alcançado se considerados os demais valores (adicionais e grati�cações) que compunham
a sua remuneração total.
Diante dessa situação hipotética, assinale a a�rmativa correta.
A)
A remuneração de João é constitucional, porque a garantia do salário mínimo não é
aplicável aos servidores públicos.
B)
A remuneração de João é inconstitucional, porque o seu vencimento-base teria que ser
superior ao salário mínimo.
C)
A remuneração de João é constitucional, porque a garantia do salário mínimo se refere
ao total da remuneração percebida.
D)
A remuneração de João é inconstitucional, pois todo servidor público deve receber por
subsídio, �xado em parcela única.
Solução
Gabarito: C)
A remuneração de João é constitucional, porque a garantia do salário mínimo
se refere ao total da remuneração percebida.
A questão aborda o tema dos Agentes públicos, regulado pela Lei 8.112 de 1990.
No caso, determinado servidor estadual aprovado em concurso público percebeu que os
valores apontados na folha de pagamento eram inferiores ao salário mínimo vigente,
montante que só era alcançado se considerados os demais valores (adicionais e
grati�cações) que compunham a sua remuneração total.
O sistema remuneratório dos servidores públicos, ocupantes de cargos públicos, pode
ser dividido atualmente em duas espécies. Os vencimentos representam o somatório da
parcela �xa e das vantagens pecuniárias, já os subsídios são a parcela única, �xada em
lei, sendo vedada a percepção de vantagens pecuniárias.
Aos agentes públicos é assegurado o direito de receber remuneração acima do salário
mínimo, segundo arts. 7º, IV, e 39, § 3º, CF/88.
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à
melhoria de sua condição social:
(...)
IV - salário mínimo, �xado em lei, nacionalmente uni�cado, capaz de atender a suas
necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação,
saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos
que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer �m;
(...)
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 70/136
Art. 39. (...)
§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII,
IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos
diferenciados de admissão quando a natureza do cargo o exigir.
Contudo, a Súmula Vinculante 16 prevê:
Súmula Vinculante 16 - Os artigos 7º, IV, e 39, § 3º, da Constituição, referem-se ao total
da remuneração percebida pelo servidor.
Com isso, a remuneração total do servidor deve ser superior ao salário mínimo, não
necessariamente o vencimento-base.
A letra A está incorreta. INCORRETA.
Aos agentes públicos é assegurado o direito de receber remuneração acima do salário
mínimo, segundo arts. 7º, IV, e 39, § 3º, CF/88.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
A Súmula Vinculante 16 do STF prevê: “Os artigos 7.º, IV, e 39, § 3.º (redação da EC
19/1998), da Constituição, referem-se ao total da remuneração percebida pelo servidor”.
Com isso, a remuneração total do servidor deve ser superior ao salário mínimo, não
necessariamente o vencimento-base.
A letra C está correta. CORRETA.
A Súmula Vinculante 16 do STF prevê: “Os artigos 7.º, IV, e 39, § 3.º (redação da EC
19/1998), da Constituição, referem-se ao total da remuneração percebida pelo servidor”.
Com isso, a remuneração total do servidor deve ser superior ao salário mínimo, não
necessariamente o vencimento-base.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
O sistema remuneratório dos servidores públicos, ocupantes de cargos públicos, pode ser
dividido atualmente em duas espécies. Os vencimentos representam o somatório da parcela
�xa e das vantagens pecuniárias, já os subsídios são a parcela única, �xada em lei, sendo
vedada a percepção de vantagens pecuniárias.
Continuando com o tema da irredutibilidade, temos que esta garantia esta constitucionalmente
prevista no inciso XV do artigo 37:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 71/136
Questão 2017 | 4000000840
O governador do estado Alfa, diante de grave crise �nanceira que assola as contas
estaduais, elaborou numerosos projetos de lei para diminuir os gastos públicos e atender
ao disposto na Lei de Responsabilidade Fiscal. Dentre esses projetos encontram-se: i)
XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são
irredutíveis, ressalvado o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4º, 150, II,
153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Importante saber que a irredutibilidade dos subsídios e vencimentos dos servidores públicos
não é uma prerrogativa, mas apenas uma garantia de caráter geral.
O Prof. José dos Santos Carvalho Filho traz uma importante reflexão sobre o sentido da
irredutibilidade, vejamos:
O sentido da irredutibilidade, porém, não é absoluto. Protege-se o servidor apenas contra a
redução direta de seus vencimentos, isto é, contra a lei ou qualquer outro ato que pretenda
atribuir ao cargo ou à função decorrente de emprego público importância inferior à que já
estava fixada ou fora contratada anteriormente.
Contudo, os Tribunais já se pacificaram no sentido de que não há proteção contra a redução
indireta, assim considerada aquela em que:
(1) o vencimento não acompanha pari passu o índice inflacionário; ou
(2) o vencimento nominal sofre redução em virtude da incidência de impostos. Nessa linha,
aliás, o art. 37, XV, da CF ressalva expressamente os arts. 150, II, 153, III, e 153, § 2 o , I, que
retratam, respectivamente, o princípio da igualdade dos contribuintes, a incidência do imposto
sobre a renda e proventos de qualquer natureza e os critérios da generalidade, universalidade
e progressividade, inerentesao referido tributo. (FILHO, 2018)
Este ponto que apresentamos, foi cobrado pela FGV da seguinte maneira:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 72/136
corte de 25% (vinte e cinco por cento) dos cargos em comissão do Poder Executivo; ii)
redução dos subsídios e vencimentos dos servidores públicos estáveis em 10% (dez por
cento) de seu valor nominal.
Com relação à constitucionalidade de tais projetos, assinale a a�rmativa correta.
A)
Os projetos são constitucionais, porque cabe ao Estado zelar por suas �nanças, à luz dos
princípios aplicáveis à Administração Pública.
B)
O projeto que determina o corte de cargos em comissão é inconstitucional, pois
resultará na exoneração dos servidores que os ocupam.
C)
O projeto que reduz diretamente os subsídios e vencimentos pagos aos servidores
públicos é inconstitucional.
D)
Os projetos são inconstitucionais, porque há direito adquirido à imutabilidade de regime
jurídico dos servidores públicos.
Solução
Gabarito: C)
O projeto que reduz diretamente os subsídios e vencimentos pagos aos
servidores públicos é inconstitucional.
A questão aborda as regras gerais aplicáveis à organização da administração pública.
No caso, um governador, diante de grave crise �nanceira, elaborou projetos de lei para
diminuir os gastos públicos e atender ao disposto na Lei de Responsabilidade Fiscal, que
estabeleciam o corte de 25% (vinte e cinco por cento) dos cargos em comissão do Poder
Executivo e a redução dos subsídios e vencimentos dos servidores públicos estáveis em
10% (dez por cento) de seu valor nominal.
Acerca da despesa com pessoal no orçamento, dispõe o art. 169, §3º da CF/88:
Art. 169. A despesa com pessoal ativo e inativo e pensionistas da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios não pode exceder os limites estabelecidos em lei
complementar.
(...)
§ 3º Para o cumprimento dos limites estabelecidos com base neste artigo, durante o prazo
�xado na lei complementar referida no caput, a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios adotarão as seguintes providências:
I - redução em pelo menos vinte por cento das despesas com cargos em comissão e
funções de con�ança;
II - exoneração dos servidores não estáveis.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 73/136
Contudo, o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são
irredutíveis, na forma do art. 37, XV, CF/88.
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e e�ciência e, também, ao seguinte:
(...)
XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são
irredutíveis, ressalvado o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4º, 150,
II, 153, III, e 153, § 2º, I;
Logo, o projeto que reduz diretamente os subsídios e vencimentos pagos aos servidores
públicos estáveis é inconstitucional, pois são eles irredutíveis, nos ditames do art. 37, XV
da CF/88.
A letra A está incorreta. INCORRETA.
O projeto que reduz diretamente os subsídios e vencimentos pagos aos servidores públicos
estáveis é inconstitucional, pois são eles irredutíveis, nos ditames do art. 37, XV da CF/88.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
Segundo o art. 169, §3º, I, CF/88, para o cumprimento dos limites estabelecidos com base
neste artigo, durante o prazo �xado na lei complementar referida no caput, a União, os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios adotarão a redução em pelo menos vinte por
cento das despesas com cargos em comissão e funções de con�ança.
A letra C está correta. CORRETA.
O projeto que reduz diretamente os subsídios e vencimentos pagos aos servidores públicos
estáveis é inconstitucional, pois são eles irredutíveis, nos ditames do art. 37, XV da CF/88.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
Segundo o art. 169, §3º, I, CF/88, para o cumprimento dos limites estabelecidos com base
neste artigo, durante o prazo �xado na lei complementar referida no caput, a União, os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios adotarão a redução em pelo menos vinte por
cento das despesas com cargos em comissão e funções de con�ança.
Regime Previdenciário do Servidor Público
A aposentadoria é um direito que a Constituição garante ao servidor público de receber
determinada remuneração quando estiver inativo, após a ocorrência de fato jurídico-
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 74/136
administrativo previamente estabelecido.
O ato que formaliza a aposentadoria sofre controle externo do Tribunal de Contas e controle
interno como prerrogativa do autocontrole da Administração Pública.
O principal efeito é que, ocorrendo a aposentadoria, extingue-se a relação estatutária e o cargo
passa a ficar vago.
Existem dois grandes regimes de previdência, o próprio e o geral.
Os servidores públicos titulares de cargos efetivos estão acobertados pelo regime jurídico
próprio ou RPPS, elencado no artigo 40 que passamos a transcrever (aqui a leitura deverá ser
bem atenta devido a extensão do artigo):
Art. 40. O regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargos efetivos terá
caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente federativo, de
servidores ativos, de aposentados e de pensionistas, observados critérios que preservem o
equilíbrio financeiro e atuarial. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de
2019)
§ 1º O servidor abrangido por regime próprio de previdência social será aposentado:
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
I - por incapacidade permanente para o trabalho, no cargo em que estiver investido, quando
insuscetível de readaptação, hipótese em que será obrigatória a realização de avaliações
periódicas para verificação da continuidade das condições que ensejaram a concessão da
aposentadoria, na forma de lei do respectivo ente federativo; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição, aos 70 (setenta)
anos de idade, ou aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na forma de lei complementar;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 88, de 2015) (Vide Lei Complementar
nº 152, de 2015)
III - no âmbito da União, aos 62 (sessenta e dois) anos de idade, se mulher, e aos 65 (sessenta e
cinco) anos de idade, se homem, e, no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, na idade mínima estabelecida mediante emenda às respectivas Constituições e
Leis Orgânicas, observados o tempo de contribuição e os demais requisitos estabelecidos em
lei complementar do respectivo ente federativo. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
§ 2º Os proventos de aposentadoria não poderão ser inferiores ao valor mínimo a que se refere
o § 2º do art. 201 ou superiores ao limite máximo estabelecido para o Regime Geral de
Previdência Social, observado o disposto nos §§ 14 a 16. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
§ 3º As regras para cálculo de proventos de aposentadoria serão disciplinadas em lei do
respectivo ente federativo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 75/136
§ 4º É vedada a adoção de requisitos ou critérios diferenciados para concessão de benefícios
em regime próprio de previdência social, ressalvado o disposto nos §§ 4º-A, 4º-B, 4º-C e 5º.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 4º-A. Poderão ser estabelecidos por lei complementar do respectivo ente federativo idade e
tempo de contribuição diferenciados para aposentadoria de servidores com deficiência,
previamente submetidos a avaliação biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional e
interdisciplinar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 4º-B. Poderão ser estabelecidosos membros do poder judiciário, agentes
políticos, na hora da prova, deve o aluno responder desta maneira.
Servidores Públicos
Continuando o tema, os servidores públicos são as pessoas físicas que prestam serviços ao
Estado, com vínculo empregatício e mediante remuneração paga pelos cofres públicos.
Estes agentes públicos submetem-se ao regime estatutário disciplinado na Lei 8.112/90,
diferenciando-os dos empregados públicos, que são regidos pela CLT. Possuem também direito
a estabilidade e um regime próprio de aposentadoria.
Importante para fixar na hora da prova é o seguinte:
Servidor Público Empregado Público
Regidos pela Lei
8.112/90
Regidos pela CLT
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 6/136
celetista.
A questão trata de aspectos relativos ao servidor público. Vejamos a seguir:
Em regra, os servidores públicos não podem acumular cargo público. Há algumas
exceções dispostas na Constituição, sendo que a proibição abrange não só a
Administração Direta, mas, também, autarquias, fundações, empresas públicas,
sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou
indiretamente, pelo poder público. É isso o que dispõe o artigo 37, incisos XVI e XVII da
CF/88:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e e�ciência e, também, ao seguinte:
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver
compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI:
a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou cientí�co;
c) a de dois cargos ou empregos privativos de pro�ssionais de saúde, com pro�ssões
regulamentadas;
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias,
fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e
sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público.
Desta feita, não é possível que Marissa cumule o cargo de analista do MPF com o
emprego na Caixa Econômica Federal, que é empresa pública federal, ainda que haja
compatibilidade de horários, pois a proibição se estende também às empresas públicas.
No tocante ao regime de contratação, é interessante mencionar que a Administração
Pública tem diferentes formas de contratar os seus servidores. Se exercentes de cargo
público efetivo, submetem-se ao regime estatutário, como por exemplo, o cargo de
analista ocupado por Marissa. Se exercentes de emprego público, submeter-se-ão ao
regime celetista, como é o caso das sociedades de economia mista e empresas públicas.
Portanto, Marissa, enquanto analista do MPF, submete-se ao regime estatutário. Mas
caso opte por assumir o cargo de advogada da Caixa Econômica Federal, por este ser
um emprego Público, passará a se submeter ao regime celetista.
Quanto a estabilidade do servidor público, esta é adquirida após 3 anos no exercício
efetivo do cargo, na forma do artigo 41 da CF/88, veja:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 7/136
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para
cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público.
Ocorre que, este artigo 41 não se aplica às sociedades de economia mista e empresas
públicas, pois estas possuem personalidade jurídica de direito privado.
Ademais, ainda que as empresas públicas fossem compatíveis com o instituto da
estabilidade, é preciso lembrar que um servidor, mesmo que estável, ao ser investido em
novo cargo, não �ca dispensado de cumprir o estágio probatório nesse novo cargo. Logo,
o instituto da estabilidade não se estenderá a Marissa no caso.
Por �m, no tocante à necessidade de realização de concurso público para contratação, a
Caixa Econômica Federal, como empresa pública, integra a Administração Indireta e se
submete, sim, a este regime. Logo, não seria possível que Marissa fosse simplesmente
transferida para integrar os quadros da Caixa Econômica sem a realização de novo
concurso público.
Letra A
INCORRETA
A estabilidade já alcançada por Marissa não se estende à Caixa Econômica Federal, pois
o art. 41, CF/88 não se aplica às sociedades de economia mista e empresas públicas.
Além disso, ainda que se aplicasse, o servidor, mesmo que estável, ao ser investido em
novo cargo, não �ca dispensado de cumprir o estágio probatório nesse novo cargo.
Letra B
INCORRETA
Marissa não poderia simplesmente ser transferida para integrar os quadros da Caixa
Econômica Federal sem a realização de novo concurso público, pois as empresas
públicas integram a Administração Indireta e precisam realizar concurso público.
Letra C
INCORRETA
Não é possível que Marissa cumule o cargo de analista no MPF com o emprego de
advogada da Caixa Econômica Federal, ainda que haja compatibilidade de horários, pois
a proibição do artigo 37, XVI, CF/88 também se estende às empresas públicas.
Letra D
CORRETA
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 8/136
Marissa, enquanto analista do MPF, submete-se ao regime estatutário, pois exerce cargo
público efetivo. Mas caso opte por assumir o cargo de advogada da Caixa Econômica
Federal, por este ser um emprego público, passará a se submeter ao regime celetista.
Em 1998, foi editada a Emenda Constitucional nº 19, a qual alterou o art. 39 da CF,
extirpando o regime jurídico único e estatuindo um regime múltiplo, pelo qual a
Administração Pública poderia contratar servidores públicos, ou seja, estatutários ou
empregados públicos, regidos pela CLT. Vejamos as duas redações para melhor
compreender o tema:
Redação antes de 1998:
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua
competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração
pública direta, das autarquias e das fundações públicas. (Vide ADIN nº 2.135-4)
Redação após a EC nº 19 de 1998:
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política
de administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores destinados pelos
respectivos Poderes. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (suspensa pela
ADIN nº 2.135-4)
Para fins de prova, você deve saber que existiu esta alteração, mas foi suspensa pela ADI 2.135-
4, que entendeu por considerar servidor público apenas aquele que pertence à uma pessoa
jurídica de direito público. Já os que pertencem às pessoas jurídicas de direito privado, serão
celetistas.
Na CLT, os direitos pactuados na relação, não podem ser posteriormente reduzidos de forma
unilateral. Mas no regime estatutário, não existe esta determinação, não existindo um direito
adquirido ao regime legal.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 9/136
Por exemplo, poderá a administração suprimir determinada gratificação ou alterar o contrato
estipulado com o servidor, assim como poderá o servidor público, perder benefícios e
vantagens previstos inicialmente no contrato.
Neste sentido temos o seguinte julgado do STF:
EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Administrativo. Servidor público. Direito
adquirido a regime jurídico. Inexistência. Repercussão geral reconhecida (RE nº 563.965/RN-
RG). Reafirmação da jurisprudência. Precedentes. 1. O Supremo Tribunal Federal, no exame do
RE nº 563.965/RN, com repercussão geral reconhecida, Relatora a Ministra Cármen Lúcia,
reafirmou a jurisprudência de que não há direito adquirido a regime jurídico ou a fórmula de
composição da remuneração dos servidores públicos, desde que assegurada a irredutibilidade
de vencimentos. (…) (RE 1090752 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado
em 23/02/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-043 DIVULG 06-03-2018 PUBLIC 07-03-2018)
Empregados Públicos
Os empregados públicos atuam nas pessoas jurídicas de direito privado da administração
pública, nas empresas públicas epor lei complementar do respectivo ente federativo idade e
tempo de contribuição diferenciados para aposentadoria de ocupantes do cargo de agente
penitenciário, de agente socioeducativo ou de policial dos órgãos de que tratam o inciso IV do
caput do art. 51, o inciso XIII do caput do art. 52 e os incisos I a IV do caput do art. 144.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 4º-C. Poderão ser estabelecidos por lei complementar do respectivo ente federativo idade e
tempo de contribuição diferenciados para aposentadoria de servidores cujas atividades sejam
exercidas com efetiva exposição a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde,
ou associação desses agentes, vedada a caracterização por categoria profissional ou ocupação.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 5º Os ocupantes do cargo de professor terão idade mínima reduzida em 5 (cinco) anos em
relação às idades decorrentes da aplicação do disposto no inciso III do § 1º, desde que
comprovem tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no
ensino fundamental e médio fixado em lei complementar do respectivo ente federativo.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acumuláveis na forma desta
Constituição, é vedada a percepção de mais de uma aposentadoria à conta de regime próprio
de previdência social, aplicando-se outras vedações, regras e condições para a acumulação de
benefícios previdenciários estabelecidas no Regime Geral de Previdência Social.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 7º Observado o disposto no § 2º do art. 201, quando se tratar da única fonte de renda formal
auferida pelo dependente, o benefício de pensão por morte será concedido nos termos de lei
do respectivo ente federativo, a qual tratará de forma diferenciada a hipótese de morte dos
servidores de que trata o § 4º-B decorrente de agressão sofrida no exercício ou em razão da
função. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter permanente,
o valor real, conforme critérios estabelecidos em lei. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 41, 19.12.2003)
§ 9º O tempo de contribuição federal, estadual, distrital ou municipal será contado para fins de
aposentadoria, observado o disposto nos §§ 9º e 9º-A do art. 201, e o tempo de serviço
correspondente será contado para fins de disponibilidade. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 76/136
§ 10 - A lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem de tempo de contribuição
fictício. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 11 - Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total dos proventos de inatividade, inclusive
quando decorrentes da acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como de outras
atividades sujeitas a contribuição para o regime geral de previdência social, e ao montante
resultante da adição de proventos de inatividade com remuneração de cargo acumulável na
forma desta Constituição, cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e
exoneração, e de cargo eletivo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 12. Além do disposto neste artigo, serão observados, em regime próprio de previdência social,
no que couber, os requisitos e critérios fixados para o Regime Geral de Previdência Social.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 13. Aplica-se ao agente público ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado
em lei de livre nomeação e exoneração, de outro cargo temporário, inclusive mandato eletivo,
ou de emprego público, o Regime Geral de Previdência Social. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 14. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, por lei de iniciativa do
respectivo Poder Executivo, regime de previdência complementar para servidores públicos
ocupantes de cargo efetivo, observado o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de
Previdência Social para o valor das aposentadorias e das pensões em regime próprio de
previdência social, ressalvado o disposto no § 16. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
§ 15. O regime de previdência complementar de que trata o § 14 oferecerá plano de benefícios
somente na modalidade contribuição definida, observará o disposto no art. 202 e será efetivado
por intermédio de entidade fechada de previdência complementar ou de entidade aberta de
previdência complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 16 - Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto nos §§ 14 e 15 poderá ser
aplicado ao servidor que tiver ingressado no serviço público até a data da publicação do ato de
instituição do correspondente regime de previdência complementar. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 17. Todos os valores de remuneração considerados para o cálculo do benefício previsto no §
3° serão devidamente atualizados, na forma da lei. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 41, 19.12.2003)
§ 18. Incidirá contribuição sobre os proventos de aposentadorias e pensões concedidas pelo
regime de que trata este artigo que superem o limite máximo estabelecido para os benefícios
do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, com percentual igual ao
estabelecido para os servidores titulares de cargos efetivos. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 41, 19.12.2003) (Vide ADIN 3133) (Vide ADIN 3143) (Vide ADIN 3184)
§ 19. Observados critérios a serem estabelecidos em lei do respectivo ente federativo, o
servidor titular de cargo efetivo que tenha completado as exigências para a aposentadoria
voluntária e que opte por permanecer em atividade poderá fazer jus a um abono de
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 77/136
permanência equivalente, no máximo, ao valor da sua contribuição previdenciária, até
completar a idade para aposentadoria compulsória. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
§ 20. É vedada a existência de mais de um regime próprio de previdência social e de mais de
um órgão ou entidade gestora desse regime em cada ente federativo, abrangidos todos os
poderes, órgãos e entidades autárquicas e fundacionais, que serão responsáveis pelo seu
financiamento, observados os critérios, os parâmetros e a natureza jurídica definidos na lei
complementar de que trata o § 22. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103,
de 2019)
§ 21. (Revogado). (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 22. Vedada a instituição de novos regimes próprios de previdência social, lei complementar
federal estabelecerá, para os que já existam, normas gerais de organização, de funcionamento
e de responsabilidade em sua gestão, dispondo, entre outros aspectos, sobre: (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
I - requisitos para sua extinção e consequente migração para o Regime Geral de Previdência
Social; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
II - modelo de arrecadação, de aplicação e de utilização dos recursos; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
III - fiscalização pela União e controle externo e social; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
IV - definição de equilíbrio financeiro e atuarial; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
103, de 2019)
V - condições para instituição do fundo com finalidade previdenciária de que trata o art. 249 e
para vinculação a ele dos recursos provenientes de contribuições e dos bens, direitos e ativosde qualquer natureza; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
VI - mecanismos de equacionamento do deficit atuarial; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
VII - estruturação do órgão ou entidade gestora do regime, observados os princípios
relacionados com governança, controle interno e transparência; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
VIII - condições e hipóteses para responsabilização daqueles que desempenhem atribuições
relacionadas, direta ou indiretamente, com a gestão do regime; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
IX - condições para adesão a consórcio público; (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 103, de 2019)
X - parâmetros para apuração da base de cálculo e definição de alíquota de contribuições
ordinárias e extraordinárias. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 78/136
Questão 2012 | 4000002225
Joana D´Arc, bene�ciária de pensão por morte deixada por ex-�scal de rendas, falecido
em 5/1/1999, ajuizou ação ordinária em face da União, alegando que determinado
aumento remuneratório genérico concedido aos �scais de renda em atividade não lhe
teria sido repassado. Assim, isso teria violado a regra constitucional da paridade
remuneratória entre ativos, inativos e pensionistas. Acerca de tal alegação, é correto
a�rmar que é manifestamente
A)
procedente, pois, embora a regra da paridade remuneratória entre ativos, inativos e
pensionistas tenha sido revogada pela EC 41/2003, a pensão por morte rege-se pela lei
vigente à época do óbito, quando ainda vigia tal regra.
B)
improcedente, pois, nos termos do verbete 339 da Súmula de Jurisprudência do STF,
não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de
servidores públicos sob fundamento de isonomia.
C)
improcedente, pois a regra da paridade remuneratória entre ativos, inativos e
pensionistas foi revogada pela EC 41/2003, sendo absolutamente irrelevante o fato de o
ex-servidor ter falecido antes da edição da referida emenda.
D)
procedente, pois a CRFB garante o reajustamento da pensão por morte dos benefícios
para preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme critérios
estabelecidos em lei.
Solução
Gabarito: A)
procedente, pois, embora a regra da paridade remuneratória entre ativos,
inativos e pensionistas tenha sido revogada pela EC 41/2003, a pensão por
morte rege-se pela lei vigente à época do óbito, quando ainda vigia tal regra.
A questão aborda o sistema constitucional de remuneração e aposentadoria e pensão dos
servidores públicos.
No caso, determinada bene�ciária de pensão por morte deixada por ex-�scal de rendas,
falecido em 5/1/1999, ajuizou ação ordinária em face da União, alegando que
determinado aumento remuneratório genérico concedido aos �scais de renda em
atividade não lhe teria sido repassado.
A pensão é o benefício previdenciário devido à família do servidor, ativo ou inativo, em
virtude do seu falecimento.
A legislação previdenciária dos servidores públicos tem sofrido diversas modi�cações, o
que tem tornado complexo o seu estudo. Três marcos muito importantes são as Emendas
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 79/136
Constitucionais 20/1998, 41/2003 e 47/2005. E duas garantias foram retiradas dos
servidores, no que tange à sua aposentadoria e às pensões concedidas pelo Regime
Próprio de Previdência Social: a paridade, que consiste na extensão de todas as
vantagens concedidas ao pessoal da ativa àqueles que estão inativos e aos pensionistas;
e a integralidade, que consiste na garantia de percepção do valor integral daquele
percebido durante o período da atividade quando passa o servidor à inatividade ou para
o pensionista. Porém, essas duas garantias foram afastadas pela Emenda 41/2003.
Contudo, as pensões devidas aos dependentes que preenchiam os respectivos requisitos
à época da EC 41/2003 e da EC 103/2019 continuam submetidas à legislação então
vigente, segundo arts. 3.º e 7.º da EC 41/2003 e art. 3.º da EC 103/2019.
Assim, quando ocorreu o óbito do servidor ainda estavam plenamente válidas as regras
da paridade e da integralidade. Então o pleito da viúva é legítimo. Apenas para as
pensões concedidas após a Emenda 41/2003 é que há uma regra diferente, segundo a
qual é feito um cálculo cujo resultado será um benefício inferior ao valor originalmente
recebido pelo servidor falecido.
A letra A está correta. CORRETA.
Quando ocorreu o óbito do servidor ainda estavam plenamente válidas as regras da paridade
e da integralidade. As pensões devidas aos dependentes que preenchiam os respectivos
requisitos à época da EC 41/2003 e da EC 103/2019 continuam submetidas à legislação
então vigente, segundo arts. 3.º e 7.º da EC 41/2003 e art. 3.º da EC 103/2019.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
Quando ocorreu o óbito do servidor ainda estavam plenamente válidas as regras da paridade
e da integralidade. As pensões devidas aos dependentes que preenchiam os respectivos
requisitos à época da EC 41/2003 e da EC 103/2019 continuam submetidas à legislação
então vigente, segundo arts. 3.º e 7.º da EC 41/2003 e art. 3.º da EC 103/2019.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
Quando ocorreu o óbito do servidor ainda estavam plenamente válidas as regras da paridade
e da integralidade. As pensões devidas aos dependentes que preenchiam os respectivos
requisitos à época da EC 41/2003 e da EC 103/2019 continuam submetidas à legislação
então vigente, segundo arts. 3.º e 7.º da EC 41/2003 e art. 3.º da EC 103/2019.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
A regra de reajuste para preservação do valor real foi implantada justamente após ser
retirado o direito à paridade, pela EC 41/2003.
Conceitos básicos da Lei 8.112/90
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 80/136
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Quando uma pessoa é aprovada em um concurso público, a mesma será nomeada para poder
exercer o dito cargo, mas após a nomeação, deverá ser feita a investidura no cargo público,
através da “posse”.
A posse é elencada no artigo 7º da Lei 8.112/90, que passamos a transcrever:
Art. 7º - A investidura em cargo público ocorrerá com a posse.
Conforme explica brilhantemente o Prof. José dos Santos Carvalho Filho, temos que:
A posse é o ato da investidura pelo qual ficam atribuídos ao servidor as prerrogativas, os
direitos e os deveres do cargo. É o ato de posse que completa a investidura, espelhando uma
verdadeira conditio iuris para o exercício da função pública. (FILHO, 2018)
Já para Marcelo Alexandrino:
Enquanto a nomeação é um ato unilateral da autoridade competente, mediante o qual é dado
provimento a um cargo público, sem que haja qualquer participação ou necessidade de
anuência do nomeado, a posse é um ato bilateral por meio do qual o servidor é investido
nas atribuições e responsabilidades inerentes a seu cargo.
Portanto, após a nomeação da pessoa aprovada em concurso público, por ato unilateral, uma
vez juntados os documentos e assinado o termo de posse, em que é declarada sua anuência
com aquela nomeação, o nomeado é investido nas atribuições e responsabilidades atreladas ao
cargo, por ato bilateral.
A posse, como dito anteriormente, só se dará com a assinatura do respectivo termo dentro do
prazo de 30 dias após a nomeação, conforme os seguintes artigos da Lei 8.112/90 a seguir
elencados:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 81/136
Art. 13. A posse dar-se-á pela assinatura do respectivo termo, no qual deverão constar as
atribuições, os deveres, as responsabilidades e os direitos inerentes ao cargo ocupado, que não
poderão ser alterados unilateralmente, por qualquer das partes, ressalvados os atos de ofício
previstos em lei.
§1º A posse ocorrerá no prazo de trinta dias contados da publicação do ato de provimento.
Art. 14. A posse em cargo público dependerá de prévia inspeção médica oficial.
Parágrafo único. Só poderá ser empossadoaquele que for julgado apto física e mentalmente
para o exercício do cargo.
Vale destacar que a Lei 8.112/90 permite ao nomeado tomar posse através de uma procuração
com poderes para tanto, podendo um terceiro assinar o respectivo termo de posse sem
nenhum tipo de nulidade.
Uma vez tomada a posse, efetivamente começa o exercício das atribuições do cargo público
pelo servidor devidamente aprovado, nomeado e investido. O prazo para começar o exercício
é de 15 dias, de natureza improrrogável.
Para memorizar, a sequência lógica é a seguinte: primeiro o candidato será aprovado na prova
do concurso público, logo será nomeado, após será investido com a respectiva posse e, por
último, começará a exercer efetivamente o cargo público.
Esta situação está disposta no artigo 15 da Lei 8.112/90:
Art. 15. Exercício é o efetivo desempenho das atribuições do cargo público ou da função de
confiança;
§1º É de quinze dias o prazo para o servidor empossado em cargo público entrar em exercício,
contados da data da posse.
Professor e o candidato que foi aprovado em concurso público e não foi nomeado, tem
direito a indenização?
A resposta é negativa, em regra, conforme o entendimento da jurisprudência.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 82/136
Veja, a única forma, no ordenamento jurídico brasileiro, de receber, seria trabalhando, como o
servidor público não exerceu efetivamente o cargo, em decorrência da demora processual em
ser nomeado, este não tem direito algum de ser indenizado, uma vez que não trabalhou
efetivamente. Ou seja, não cabe indenização a servidor empossado por decisão judicial sob o
argumento de que houve demora na nomeação.
Mas, como toda regra tem sua exceção, poderá ser indenizado o servidor, se ficar
demonstrado, no caso concreto, que ele não foi nomeado logo por conta de uma situação de
arbitrariedade flagrante.
Lembramos que a indenização aqui é de cunho moral, e não dos salários que não recebeu
durante o período em que deveria ser empossado, mas não foi.
Por qual motivo o servidor não receberia esses salários?
Pelo simples fato de, não ser permitido o enriquecimento sem causa do servidor.
Neste sentido, temos o seguinte julgado do STF:
Ementa: ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. INVESTIDURA EM
CARGO PÚBLICO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL. 1. Tese afirmada em repercussão
geral: na hipótese de posse em cargo público determinada por decisão judicial, o servidor não
faz jus a indenização, sob fundamento de que deveria ter sido investido em momento anterior,
salvo situação de arbitrariedade flagrante. 2. Recurso extraordinário provido. (RE 724347,
Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal
Pleno, julgado em 26/02/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO
DJe-088 DIVULG 12-05-2015 PUBLIC 13-05-2015)
Mas professor, e se o candidato entrar em exercício apenas por força de uma decisão
judicial?
O STJ entende da mesma maneira que o STF, conforme o seguinte julgado:
2. Cumpre destacar que esse entendimento foi pacificado no Supremo Tribunal Federal, em
repercussão geral, no julgamento do Recurso Extraordinário 724.347/DF, Rel. P/ acórdão
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 83/136
Ministro Roberto Barroso, julgado em 26/02/2015, DJe 13/05/2015, restando consolidada a
tese de que, “na hipótese de posse em cargo público determinada por decisão judicial, o
servidor não faz jus a indenização, sob fundamento de que deveria ter sido investido em
momento anterior, salvo situação de arbitrariedade flagrante.”
3. A circunstância de que, na hipótese dos autos, o erro pela demora na nomeação do autor foi
reconhecido pela própria Administração (MP/MG), e não por decisão judicial, não afasta a
aplicação da mencionada e firme orientação jurisprudencial, pois a ratio decidendi constante
dos precedentes do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal consagra a
compreensão de que o pagamento de remuneração e a percepção de demais vantagens por
servidor público pressupõe o efetivo exercício no cargo (situação inocorrente na espécie), sob
pena de enriquecimento sem causa. (…) (REsp 1238344/MG, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 30/11/2017, DJe 19/12/2017)
Depois da entrada efetiva no exercício do cargo público, entrará o servidor na fase conhecida
como estágio probatório. Este estágio visa avaliar a aptidão que o servidor possui para o
exercício de um determinado cargo, tendo como prazo de duração 3 anos.
Neste quesito, precisamos tomar cuidado com o artigo 20 da Lei 8.112/90, que
estabelece o seguinte:
Art. 20. Ao entrar em exercício, o servidor nomeado para cargo de provimento efetivo ficará
sujeito a estágio probatório por período de 24 (vinte e quatro) meses, durante o qual a sua
aptidão e capacidade serão objeto de avaliação para o desempenho do cargo, observados os
seguinte fatores: (vide EMC nº 19) [5]
I - assiduidade;
II - disciplina;
III - capacidade de iniciativa;
IV - produtividade;
V- responsabilidade.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 84/136
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art6
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art6
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art6
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art6
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art6
Questão 2017 | 4000000828
João foi aprovado em concurso público promovido pelo Estado Alfa para o cargo de
analista de políticas públicas, tendo tomado posse no cargo, na classe inicial da
respectiva carreira. Ocorre que João é uma pessoa proativa e teve, como gestor,
excelentes experiências na iniciativa privada. Em razão disso, ele decidiu que não deveria
cumprir os comandos determinados por agentes superiores na estrutura administrativa,
porque ele as considerava contrárias ao princípio da e�ciência, apesar de serem ordens
legais.
A partir do caso apresentado, assinale a a�rmativa correta.
A)
João possui total liberdade de atuação, não se submetendo a comandos superiores, em
decorrência do princípio da e�ciência.
B)
A liberdade de atuação de João é pautada somente pelo princípio da legalidade,
considerando que não existe escalonamento de competência no âmbito da
Administração Pública.
C)
João tem dever de obediência às ordens legais de seus superiores, em razão da relação
de subordinação decorrente do poder hierárquico.
D)
As autoridades superiores somente podem realizar o controle �nalístico das atividades de
João, em razão da relação de vinculação estabelecida com os superiores hierárquicos.
Solução
Gabarito: C)
João tem dever de obediência às ordens legais de seus superiores, em razão
da relação de subordinação decorrente do poder hierárquico.
Vejam que o período neste artigo é de apenas 24 meses, mas como a constituição, através da
EMC nº 19/98 alterou o prazo para 3 anos, é este que deveremos tomar como correto na hora
da prova.
Os requisitos do artigo 20 da Lei 8.112/90 continuam válidos, devendo o servidor ser avaliado
na sua assiduidade, disciplina, capacidade de iniciativa, produtividade e responsabilidade
durante o estágio probatório, que não custa repetir, é de 3 anos. Vejamos o artigo 41 da
CF/1988:
Artigo 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo
de provimento efetivo em virtude de concurso público.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 85/136
A questão aborda o tema do regime jurídico dos servidores públicos federais,
especialmente sobre o poder hierárquico a que são submetidos.
No caso enunciado, um indivíduo foi aprovado em concurso público estadual, tendo
tomado posse no cargo, na classe inicial da respectiva carreira. Porém, ele decidiu que
não deveria cumprir os comandos determinados por agentes superiores na estrutura
administrativa, porque ele as considerava contrárias ao princípio da e�ciência,apesar de
serem ordens legais.
Ensina José dos Santos Carvalho Filho:
"Hierarquia é o escalonamento em plano vertical dos órgãos e agentes da Administração
que tem como objetivo a organização da função administrativa. E não poderia ser de outro
modo. Tantas são as atividades a cargo da Administração Pública que não se poderia
conceber sua normal realização sem a organização, em escalas, dos agentes e dos órgãos
públicos. Em razão desse escalonamento �rma-se uma relação jurídica entre os agentes,
que se denomina de relação hierárquica."
Desse sistema hierárquico decorrem alguns efeitos especí�cos, dentre eles, o poder de
comando de agentes superiores sobre outros hierarquicamente inferiores. Estes, a seu
turno, têm dever de obediência para com aqueles, cabendo-lhes executar as tarefas em
conformidade com as determinações superiores.
Ressalte-se que tal dever não obriga o agente de nível inferior a cumprir ordens
manifestamente ilegais, aferíveis pelo indivíduo mediano, conforme a posição adotada
pelo Código Penal, em seu art. 22, do qual se depreende, a contrario sensu, a
interpretação de que, se a ordem do superior é manifestamente ilegal, pelo fato responde
não só o autor da ordem como aquele que a cumpriu.
Portanto, o servidor tem dever de obediência às ordens legais de seus superiores, em
razão da relação de subordinação decorrente do poder hierárquico.
A letra A está incorreta. INCORRETA.
O servidor não possui total liberdade de atuação, ele tem dever de obediência às ordens
legais de seus superiores, em razão da relação de subordinação decorrente do poder
hierárquico.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
Segundo José dos Santos Carvalho Filho, hierarquia é o escalonamento em plano vertical
dos órgãos e agentes da Administração que tem como objetivo a organização da função
administrativa.
A letra C está correta. CORRETA.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 86/136
Do sistema hierárquico decorre o poder de comando de agentes superiores sobre outros
hierarquicamente inferiores. Estes, a seu turno, têm dever de obediência para com aqueles,
cabendo-lhes executar as tarefas em conformidade com as determinações superiores.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
As autoridades superiores podem exercer amplo controle sobre as atividades dos servidores
que lhes são subordinados.
Professor, servidores públicos têm direito a greve?
Sim, meus amigos, a própria constituição no artigo 37, VII, estabeleceu esta situação, elencando-
a da seguinte maneira:
Art. 37, VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei
específica.
O problema é que, a lei específica que o inciso VII, parte in fine versou, nunca foi editada,
portanto, os servidores públicos, em decorrência da omissão legislativa, impetraram Mandados
de Injunção sendo editada a seguinte ementa pelo STF:
Mandado de injunção conhecido e, no mérito, deferido para, nos termos acima especificados,
determinar a aplicação das Leis nºs 7.701/1988 e 7.783/1989 aos conflitos e às ações judiciais
que envolvam a interpretação do direito de greve dos servidores públicos civis. (MI 708,
Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 25/10/2007, DJe-206 DIVULG
30-10-2008 PUBLIC 31-10-2008 EMENT VOL-02339-02 PP-00207 RTJ VOL-00207-02 PP-
00471)
Portanto, aplica-se a legislação privada sobre o direito a greve aos servidores públicos.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 87/136
Mas e o servidor público em estágio probatório, terá este direito? Poderá a greve
prejudicar a avaliação do desempenho e da assiduidade do servidor?
O STF entende da seguinte maneira:
Ementa: DIREITOS CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. DIREITO DE GREVE. SERVIDOR
PÚBLICO EM ESTÁGIO PROBATÓRIO. FALTA POR MAIS DE TRINA DIAS. DEMISSÃO.
SEGURANÇA CONCEDIDA. 1. A Simples circunstância de o servidor público estar em estágio
probatório não é justificativa para demissão com fundamento na sua participação em
movimento grevista por período superior a trinta dias. 2. A ausência de regulamentação do
direito de greve não transforma os dias de paralisação em movimento grevista em faltas
injustificadas. (…) (RE 226966, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, Relator(a) p/ Acórdão: Min.
CÁRMEN LÚCIA, Primeira Turma, julgado em 11/11/2008, DJe-157, DIVULG 20-08-2009
PUBLIC 21-08-2009 EMENT VOL-02370-05 PP-01091 RTJ VOL-00211-01 PP-00510 RF v. 105, n.
403, 2009, p 412-420 LEXSTF v. 31, n. 368, 2009, p. 269-283)
Em síntese, poderá o servidor público, em estágio probatório, participar de movimento grevista,
sem prejudicar sua avaliação.
Mas professor, quando o servidor entra em greve, é possível o desconto do seu ponto?
Sim. Uma vez que, para o STF, a greve seria uma hipótese de suspensão do contrato de
trabalho, portanto, não é remunerada.
O fundamento encontra amparo na Lei 7.783/89 no seu artigo 7º:
Art. 7º Observadas as condições previstas nesta Lei, a participação em greve suspende o
contrato de trabalho, devendo as relações obrigacionais, durante o período, ser regidas pelo
acordo, convenção, laudo arbitral ou decisão da Justiça do Trabalho.
Parágrafo único. É vedada a rescisão de contrato de trabalho durante a greve, bem como a
contratação de trabalhadores substitutos, exceto na ocorrência das hipóteses previstas nos arts.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 88/136
Questão 2019 | 4000000367
Os analistas de infraestrutura de determinado Ministério, ocupantes de cargo efetivo,
pleiteiam há algum tempo uma completa reestruturação da carreira, com o aumento de
cargos e de remunerações. Recentemente, a negociação com o Governo Federal esfriou
dado o cenário de crise �scal severa. Para forçar a retomada das negociações, a
categoria pro�ssional decidiu entrar em greve, mantendo em funcionamento apenas os
serviços essenciais.
9º e 14.
Percebam que o desconto dos dias parados não significa uma punição ao movimento paredista
(grevista), mas uma consequência natural da ausência de prestação do trabalhador. Sendo
possível, contudo, que os servidores públicos compensem os dias parados trabalhando em
horários, que a princípio, estariam em folga.
Esta última hipótese, trata-se de ato discricionário da Administração Pública, que poderá fazer
um acordo com a categoria, em que esta trabalhe, por exemplo, algumas horas a mais por dia.
E se a greve for causada por conduta ilícita da Administração?
Neste caso, não é possível realizar o desconto do ponto dos servidores grevistas acaso fique
demonstrado que a greve fora causada por conduta ilícita do poder público, a exemplo do
atraso ou não pagamento de salários aos servidores públicos civis ou outra conduta
recriminável que tenha justificado o início do movimento paredista.
Foi esta a posição adotada pelo STF no seguinte julgado:
4. Fixada a seguinte tese de repercussão geral: “A administração pública deve proceder ao
desconto dos dias de paralisação decorrentes do exercício do direito de greve pelos
servidores públicos, em virtude da suspensão do vínculo funcional que dela decorre, permitida
a compensação em caso de acordo. O desconto será, contudo, incabível se ficar demonstrado
que a greve foi provocada por conduta ilícita do Poder Público”. 5. Recurso extraordinário
provido na parte de que a Corte conhece. (RE 693456, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI,
Tribunal Pleno, julgado em 27/10/2016, Processo Eletrônico DJe-238 DIVULG 18-10-2017
PUBLIC 19-10-2017)
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 89/136
Com base na hipótese apresentada, assinale a a�rmativa correta.
A)
Compete à Justiça Federal – e não à Justiça do Trabalho – julgar a abusividade do
direito de greve dos analistas de infraestrutura.
B)
A Administração Pública não poderá, em nenhuma hipótese, fazer o desconto dos dias
não trabalhados em decorrência do exercício do direito de greve pelos servidores
públicos civis.
C)
O direito de greve dos servidores públicos civis não está regulamentado em lei, o que
impede o exercício de tal direito.
D)
O direito de greve é constitucionalmenteassegurado a todas as categorias pro�ssionais,
incluindo os militares das Forças Armadas, os policiais militares e os bombeiros militares.
Solução
Gabarito: A)
Compete à Justiça Federal – e não à Justiça do Trabalho – julgar a
abusividade do direito de greve dos analistas de infraestrutura.
A questão aborda o tema dos agentes públicos federais, especialmente no que se refere
ao seu direito de greve, à luz da jurisprudência.
No caso enunciado, ocupantes de cargo efetivo federal pleiteiam há algum tempo uma
completa reestruturação da carreira, com o aumento de cargos e de remunerações. Para
forçar a retomada das negociações, a categoria pro�ssional decidiu entrar em greve,
mantendo em funcionamento apenas os serviços essenciais.
Primeiramente, o STF reconheceu a efetividade do direito de greve dos servidores
estatutários, ainda que ausente a lei regulamentadora exigida pelo art. 37, VII, da
Constituição Federal, com fundamento na aplicação analógica da Lei 7.783/1989 que trata
da greve dos celetistas em geral.
"(...) 4.1. A disciplina do direito de greve para os trabalhadores em geral, quanto às
"atividades essenciais", é especi�camente delineada nos arts. 9o a 11 da Lei no 7.783/1989.
Na hipótese de aplicação dessa legislação geral ao caso especí�co do direito de greve dos
servidores públicos, antes de tudo, a�gura-se inegável o con�ito existente entre as
necessidades mínimas de legislação para o exercício do direito de greve dos servidores
públicos civis (CF, art. 9o, caput, c/c art. 37, VII), de um lado, e o direito a serviços
públicos adequados e prestados de forma contínua a todos os cidadãos (CF, art. 9o, §1o),
de outro. Evidentemente, não se outorgaria ao legislador qualquer poder discricionário
quanto à edição, ou não, da lei disciplinadora do direito de greve. O legislador poderia
adotar um modelo mais ou menos rígido, mais ou menos restritivo do direito de greve no
âmbito do serviço público, mas não poderia deixar de reconhecer direito previamente
de�nido pelo texto da Constituição. Considerada a evolução jurisprudencial do tema
perante o STF, em sede do mandado de injunção, não se pode atribuir amplamente ao
legislador a última palavra acerca da concessão, ou não, do direito de greve dos servidores
públicos civis, sob pena de se esvaziar direito fundamental positivado. Tal premissa,
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 90/136
contudo, não impede que, futuramente, o legislador infraconstitucional con�ra novos
contornos acerca da adequada con�guração da disciplina desse direito constitucional. 4.2
Considerada a omissão legislativa alegada na espécie, seria o caso de se acolher a
pretensão, tão-somente no sentido de que se aplique a Lei no 7.783/1989 enquanto a
omissão não for devidamente regulamentada por lei especí�ca para os servidores públicos
civis (CF, art. 37, VII). 4.3 Em razão dos imperativos da continuidade dos serviços públicos,
contudo, não se pode afastar que, de acordo com as peculiaridades de cada caso concreto
e mediante solicitação de entidade ou órgão legítimo, seja facultado ao tribunal
competente impor a observância a regime de greve mais severo em razão de tratar-se de
"serviços ou atividades essenciais", nos termos do regime �xado pelos arts. 9o a 11 da Lei
no 7.783/1989. Isso ocorre porque não se pode deixar de cogitar dos riscos decorrentes das
possibilidades de que a regulação dos serviços públicos que tenham características a�ns a
esses "serviços ou atividades essenciais" seja menos severa que a disciplina dispensada aos
serviços privados ditos "essenciais". 4.4. O sistema de judicialização do direito de greve dos
servidores públicos civis está aberto para que outras atividades sejam submetidas a
idêntico regime. Pela complexidade e variedade dos serviços públicos e atividades
estratégicas típicas do Estado, há outros serviços públicos, cuja essencialidade não está
contemplada pelo rol dos arts. 9o a 11 da Lei no 7.783/1989. Para os �ns desta decisão, a
enunciação do regime �xado pelos arts. 9o a 11 da Lei no 7.783/1989 é apenas
exempli�cativa (numerus apertus)" (MI 670, Plenário, rel. Ministro GILMAR MENDES,
25.10.2007).
Também de acordo com o STF, a Administração Pública deve efetuar o desconto dos dias
de paralisação durante a greve, em razão da respectiva suspensão do vínculo funcional,
admitindo-se a compensação em caso de acordo. O referido desconto, contudo, não será
permitido se restar comprovado que a greve foi provocada por conduta ilícita da
Administração.
DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO EM MANDADO DE
SEGURANÇA. GREVE DE SERVIDORES PÚBLICOS DO MPU E CNMP. DESCONTO DOS
DIAS PARADOS. 1. O STF �xou, em regime de repercussão geral, a seguinte tese: A
administração pública deve proceder ao desconto dos dias de paralisação decorrentes do
exercício do direito de greve pelos servidores públicos, em virtude da suspensão do vínculo
funcional que dela decorre, permitida a compensação em caso de acordo. O desconto
será, contudo, incabível se �car demonstrado que a greve foi provocada por conduta
ilícita do Poder Público (RE 693.456, Rel. Min. Dias To�oli). 2. No caso concreto, não houve
menção a conduta ilícita praticada pelo Poder Público, estando o pedido fundado
unicamente na existência de movimento grevista e na alegada impossibilidade de desconto
de dias trabalhados. 3. Agravo a que se nega provimento. (MS 33.757, Primeira Turma, rel.
MInistro ROBERTO BARROSO, 7.11.2017).
Em relação à competência, compete à Justiça Federal analisar as implicações
decorrentes de movimento paredista realizado por servidores federais, segundo posição
do STJ:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 91/136
PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL. GREVE NO SERVIÇO
PÚBLICO. DESCONTOS REMUNERATÓRIOS. SERVIDOR GREVISTA DA JUSTIÇA FEDERAL
DO MATO GROSSO/MT. COMPETÊNCIA. TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO.
REMESSA DOS AUTOS. 1. A Primeira Seção, em julgamento realizado em 11.05.11, nos autos
da Pet 7933/DF, decidiu que esta Corte Superior possui competência originária para
examinar questões relacionadas à greve de servidores públicos quando a lide envolver
movimento paredista: a) de âmbito nacional; b) que atinja mais de uma região da justiça
federal; c) que compreenda mais de uma unidade da federação. 2. Quando a matéria sub
judice se restringir à legalidade da greve ou de seus respectivos consectários ocorridos em
único Estado da Federação, a competência será do correspondente Tribunal Regional
Federal - no caso dos servidores federais - ou do Tribunal de Justiça - em relação aos
servidores municipais e estaduais. 3. No caso, a lide foi instaurada em virtude de ato
administrativo referendado pela Juíza Diretora do Foro da Justiça Federal de Mato
Grosso/MT, que determinou o desconto dos dias paralisados de servidor lotado naquela
Seção Judiciária. O pleito deduzido na inicial é para que haja a anulação desse ato, bem
como para que a autoridade se abstenha de aplicar quaisquer anotações de faltas
injusti�cadas ou outras sanções funcionais em razão do movimento grevista. Observa-se,
portanto, que a causa de pedir e o pedido formulado pelo autor indicam que a demanda
possui repercussão local, não estando presentes quaisquer das hipóteses que autorizam o
exercício da jurisdição originariamente pelo Superior Tribunal de Justiça, devendo os autos
serem remetidos para o Tribunal Regional Federal da 1ª Região. 4. Agravo regimental não
provido. (AGP - AGRAVO REGIMENTAL NA PETIÇÃO - 8140 2010.01.68509-4, rel. Ministro
CASTRO MEIRA,PRIMEIRA SEÇÃO, DJE DATA:13/09/2011).
Contudo, quanto aos militares das Forças Armadas, os policiais militares e os bombeiros
militares, há expressa vedação constitucional ao exercício do direito de greve, constante
do art. 142, §3º IV, o que se aplica aos policias militares e bombeiros por força do art. 42,
§1º da Lei Maior.
Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica,
são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e
nadisciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à
defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer
destes, da lei e da ordem.
(...)
§ 3º Os membros das Forças Armadas são denominados militares, aplicando-se-lhes, além
das que vierem a ser �xadas em lei, as seguintes disposições:
(...)
IV - ao militar são proibidas a sindicalização e a greve;
(...)
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 92/136
Art. 42 Os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, instituições
organizadas com base na hierarquia e disciplina, são militares dos Estados, do Distrito
Federal e dos Territórios.
§ 1º Aplicam-se aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, além do que
vier a ser �xado em lei, as disposições do art. 14, § 8º; do art. 40, § 9º; e do art. 142, §§ 2º
e 3º, cabendo a lei estadual especí�ca dispor sobre as matérias do art. 142, § 3º, inciso X,
sendo as patentes dos o�ciais conferidas pelos respectivos governadores.
A letra A está correta. CORRETA.
A jurisprudência é pací�ca na linha de que compete à Justiça Federal analisar as
implicações decorrentes de movimento paredista realizado por servidores federais.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
O STF �xou, em regime de repercussão geral, a seguinte tese: A administração pública deve
proceder ao desconto dos dias de paralisação decorrentes do exercício do direito de greve
pelos servidores públicos, em virtude da suspensão do vínculo funcional que dela decorre,
permitida a compensação em caso de acordo. O desconto será, contudo, incabível se �car
demonstrado que a greve foi provocada por conduta ilícita do Poder Público (RE 693.456,
Rel. Min. Dias To�oli).
A letra C está incorreta. INCORRETA.
De acordo com compreensão jurisprudencial adotada pelo STF, a falta de regulamentação
legal não impede o exercício do direito de greve, pelos servidores públicos, aplicando-se, no
que couberem, as disposições da Lei 7.783/89.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
No tocante aos militares das Forças Armadas, os policiais militares e os bombeiros militares,
há expressa vedação constitucional ao exercício do direito de greve, o que de�ui do teor do
art. 142, §3º IV, o que se aplica aos policias militares e bombeiros por força do art. 42, §1º da
Lei Maior.
Ademais, o exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos
policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança
pública.
Decidiu o STF:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 93/136
CONSTITUCIONAL. GARANTIA DA SEGURANÇA INTERNA, ORDEM PÚBLICA E PAZ
SOCIAL. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DOS ART. 9º, § 1º, ART. 37, VII, E ART. 144, DA CF.
VEDAÇÃO ABSOLUTA AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE GREVE AOS SERVIDORES PÚBLICOS
INTEGRANTES DAS CARREIRAS DE SEGURANÇA PÚBLICA. 1.A atividade policial é carreira de
Estado imprescindível a manutenção da normalidade democrática, sendo impossível sua
complementação ou substituição pela atividade privada. A carreira policial é o braço armado
do Estado, responsável pela garantia da segurança interna, ordem pública e paz social. E o
Estado não faz greve. O Estado em greve é anárquico. A Constituição Federal não permite.
2.Aparente colisão de direitos. Prevalência do interesse público e social na manutenção da
segurança interna, da ordem pública e da paz social sobre o interesse individual de
determinada categoria de servidores públicos. Impossibilidade absoluta do exercício do direito
de greve às carreiras policiais. Interpretação teleológica do texto constitucional, em especial
dos artigos 9º, § 1º, 37, VII e 144. 3.Recurso provido, com afirmação de tese de repercussão
geral: “1 - O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos
policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança
pública. 2 - É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos
órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do Código de
Processo Civil, para vocalização dos interesses da categoria.(ARE 654432, Relator(a): Min.
EDSON FACHIN, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno,
julgado em 05/04/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-114 DIVULG 08-06-2018 PUBLIC 11-06-
2018)
Por último, temos a vacância, que é a hipótese na qual o servidor desocupar o seu cargo,
tornando-o passível de ser preenchido por outra pessoa, o cargo nesta situação fica vago.
Quem trata disto é o artigo 33 e ss. da Lei 8.112/90:
Art. 33. A vacância do cargo público decorrerá de:
I - exoneração;
II - demissão;
III - promoção;
IV - (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [6]
V - (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [7]
VI - readaptação;
VII - aposentadoria;
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 94/136
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
Regime Disciplinar
VIII - posse em outro cargo inacumulável;
IX - falecimento.
Art. 34. A exoneração de cargo efetivo dar-se-á a pedido do servidor, ou de ofício.
Parágrafo único. A exoneração de ofício dar-se-á:
I - quando não satisfeitas as condições do estágio probatório;
II - quando, tendo tomado posse, o servidor não entrar em exercício no prazo estabelecido.
Art. 35. A exoneração de cargo em comissão e a dispensa de função de confiança dar-se-á:
(Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [8]
I - a juízo da autoridade competente;
II - a pedido do próprio servidor
Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [9]
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Este tema é um pouco complicado de estudar, visto que deverá o aluno revisar com atenção
cada artigo e seus incisos, mas não é necessário decorar, uma vez que o tema não é muito
cobrado em prova, mas é a base para poder avançar no Processo Administrativo Disciplinar.
Vamos lá?
Começaremos pelos deveres dos servidores públicos que se encontram no artigo 116 da Lei
8.112/90:
Art. 116. São deveres do servidor:
I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;
II - ser leal às instituições a que servir;
III - observar as normas legais e regulamentares;
IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;
V - atender com presteza:
a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as protegidas por
sigilo;
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 95/136
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de situações
de interesse pessoal;
c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública.
VI - levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao conhecimento da
autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento
de outra autoridade competente para apuração; (Redação dada pela Lei nº 12.527, de 2011) [10]VII - zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público;
VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição;
IX - manter conduta compatível com a moralidade administrativa;
X - ser assíduo e pontual ao serviço;
XI - tratar com urbanidade as pessoas;
XII - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.
Parágrafo único. A representação de que trata o inciso XII será encaminhada pela via
hierárquica e apreciada pela autoridade superior àquela contra a qual é formulada,
assegurando-se ao representando ampla defesa.
No caso do servidor faltar com seus deveres legais, se não for aplicável uma penalidade mais
grave, incorrerá na pena de advertência. Em caso de reincidência, aplicar-se-á a penalidade de
suspensão ao servidor.
Importante grifar o seguinte artigo da Lei 8.112/90:
Art. 130. A suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com
advertência e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a
penalidade de demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias.
Diferentemente dos deveres, as proibições são vedações específicas, e no caso de
descumprimento, a lei comina penalidades disciplinares específicas. As penalidades aplicadas
poderão ser a advertência, suspensão, demissão, cassação de aposentadoria, destituição de
cargo em comissão ou de função comissionada.
Lei 8.112/90:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 96/136
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12527.htm#art43
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12527.htm#art43
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12527.htm#art43
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12527.htm#art43
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12527.htm#art43
Art. 127. São penalidades disciplinares:
I - advertência;
II - suspensão;
III - demissão;
IV - cassação de aposentadoria ou disponibilidade;
V - destituição de cargo em comissão;
VI - destituição de função comissionada.
Já as proibições encontram-se elencadas no art. 117 da mesma lei:
Art. 117. Ao servidor é proibido: (Vide Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001) [11]
I - ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato; —>
ADVERTÊNCIA - SE REINCIDENTE —> SUSPENSÃO
II - retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da
repartição; —> ADVERTÊNCIA - SE REINCIDENTE —> SUSPENSÃO
III - recusar fé a documentos públicos; —> ADVERTÊNCIA - SE REINCIDENTE —>
SUSPENSÃO
IV - opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de
serviço; —> ADVERTÊNCIA - SE REINCIDENTE —> SUSPENSÃO
V - promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição; —>
ADVERTÊNCIA - SE REINCIDENTE —> SUSPENSÃO
VI - cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de
atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado; —> ADVERTÊNCIA - SE
REINCIDENTE —> SUSPENSÃO
VII - coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou
sindical, ou a partido político; —> ADVERTÊNCIA - SE REINCIDENTE —> SUSPENSÃO
VIII - manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro
ou parente até o segundo grau civil; —> ADVERTÊNCIA - SE REINCIDENTE —> SUSPENSÃO
IX - valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade
da função pública; —> DEMISSÃO
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 97/136
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2225-45.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2225-45.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2225-45.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2225-45.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2225-45.htm
Questão 2015 | 4000001991
Fernando, servidor público de uma autarquia federal há nove anos, foi acusado de
participar de um esquema para favorecer determinada empresa em uma dispensa de
licitação, razão pela qual foi instaurado processo administrativo disciplinar, que resultou
na aplicação da penalidade de demissão.
Sobre a situação apresentada, considerando que Fernando é ocupante de cargo efetivo,
por investidura após prévia aprovação em concurso, assinale a a�rmativa correta.
A)
Fernando não pode ser demitido do serviço público federal, uma vez que é servidor
público estável.
B)
Fernando somente pode ser demitido mediante sentença judicial transitada em julgado,
uma vez que a vitaliciedade é garantida aos servidores públicos.
C)
É possível a aplicação de penalidade de demissão a Fernando, servidor estável, mediante
processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa.
D)
A aplicação de penalidade de demissão ao servidor público que pratica ato de
improbidade independe de processo administrativo ou de sentença judicial.
Solução
Gabarito: C)
É possível a aplicação de penalidade de demissão a Fernando, servidor estável,
mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa.
A questão aborda a responsabilidade dos agentes públicos federais, com base na Lei
8.112/90.
No caso narrado, um servidor público de uma autarquia federal há nove anos, foi acusado
de participar de um esquema para favorecer determinada empresa em uma dispensa de
licitação, razão pela qual foi instaurado processo administrativo disciplinar, que resultou
na aplicação da penalidade de demissão.
A estabilidade é a garantia de permanência no serviço público reconhecida ao servidor
público estatutário, ocupante de cargo efetivo, após três anos de efetivo exercício da
função e aprovação na avaliação especial de desempenho, segundo art. 41 da CRFB.
A aquisição da estabilidade depende do cumprimento de dois requisitos: efetivo
exercício por três anos da função, período denominado por estágio probatório e avaliação
especial de desempenho por comissão instituída para essa �nalidade. Vejamos o
fundamento constitucional:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 98/136
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para
cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei
complementar, assegurada ampla defesa. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e
o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a
indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração
proporcional ao tempo de serviço. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável �cará em
disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado
aproveitamento em outro cargo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
§ 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial
de desempenho por comissão instituída para essa �nalidade. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
A despeito da estabilidade de que gozam os servidores públicos, é, sim, possível a
aplicação da penalidade de demissão, após regular processo administrativo disciplinar,
assegurada ampla defesa, consoante artigos 127, III, art. 132 e 148 e seguintes, da Lei
8.112/90.
Art. 127. São penalidades disciplinares:
(...)
III - demissão;
(...)
Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes casos:
12. Agentes Públicos12. Agentes Públicos 99/136
I - crime contra a administração pública;
II - abandono de cargo;
III - inassiduidade habitual;
IV - improbidade administrativa;
V - incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição;
VI - insubordinação grave em serviço;
VII - ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa própria
ou de outrem;
VIII - aplicação irregular de dinheiros públicos;
IX - revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo;
X - lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional;
XI - corrupção;
XII - acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas;
XIII - transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117.
(...)
Art. 148. O processo disciplinar é o instrumento destinado a apurar responsabilidade de
servidor por infração praticada no exercício de suas atribuições, ou que tenha relação com
as atribuições do cargo em que se encontre investido.
A letra A está incorreta. INCORRETA.
A despeito da estabilidade de que gozam os servidores públicos, é, sim, possível a aplicação
da penalidade de demissão, após regular processo administrativo disciplinar, assegurada
ampla defesa, consoante artigos 127, III, art. 132 e 148 e seguintes, da Lei 8.112/90.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
A estabilidade, e não a vitaliciedade, é a garantia de permanência no serviço público
reconhecida ao servidor público estatutário, ocupante de cargo efetivo, após três anos de
efetivo exercício da função e aprovação na avaliação especial de desempenho, segundo art.
41 da CRFB.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 100/136
A letra C está correta. CORRETA.
A despeito da estabilidade de que gozam os servidores públicos, é, sim, possível a aplicação
da penalidade de demissão, após regular processo administrativo disciplinar, assegurada
ampla defesa, consoante artigos 127, III, art. 132 e 148 e seguintes, da Lei 8.112/90.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
A aplicação de qualquer punição administrativa, por expressa imposição constitucional,
pressupõe, sim, instauração de prévio processo administrativo, conforme art. 5º, LIV e LV,
CF/88, mormente em se tratando da pena de demissão.
O dispositivo legal continua com as proibições:
X - participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não
personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário;
(Redação dada pela Lei nº 11.784, de 2008 [12] —> DEMISSÃO
XI - atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se
tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de
cônjuge ou companheiro; —> DEMISSÃO
XII - receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de suas
atribuições; —> DEMISSÃO
XIII - aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro; —> DEMISSÃO
XIV - praticar usura sob qualquer de suas formas; —> DEMISSÃO
XV - proceder de forma desidiosa; —> DEMISSÃO
XVI - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades
particulares; —> DEMISSÃO
XVII - cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações
de emergência e transitórias; —> SUSPENSÃO
XVIII - exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou
função e com o horário de trabalho; —> SUSPENSÃO
XIX - recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado. (Incluído pela Lei nº 9.527,
de 10.12.97) [13] —> ADVERTÊNCIA - SE REINCIDENTE —> SUSPENSÃO
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 101/136
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
Questão 2015 | 4000001998
Carlos, servidor público federal, utilizou dois servidores do departamento que che�a para
o pagamento de contas em agência bancária e para outras atividades particulares. Por
essa razão, foi aberto processo administrativo disciplinar, que culminou na aplicação de
penalidade de suspensão de 5 (cinco) dias.
Sobre o caso apresentado, assinale a a�rmativa correta.
A)
Carlos procedeu de forma desidiosa e, por essa razão, a penalidade aplicável seria a de
advertência, não a de suspensão.
B)
A infração praticada por Carlos dá ensejo à penalidade de demissão, razão pela qual se
torna insubsistente a penalidade aplicada.
C)
Caso haja conveniência para o serviço, a penalidade de suspensão poderá ser convertida
em multa, �cando o servidor obrigado a permanecer em serviço.
D)
A penalidade aplicada a Carlos terá seu registro cancelado após 3 (três) anos de efetivo
exercício, caso ele não cometa, nesse período, nova infração disciplinar.
Solução
Gabarito: B)
A infração praticada por Carlos dá ensejo à penalidade de demissão, razão
pela qual se torna insubsistente a penalidade aplicada.
A questão trata da Lei nº 8.112-1990, que regula o regime jurídico dos servidores públicos
federais.
Na situação narrada, um servidor público federal, utilizou dois servidores do
departamento que che�a para suas atividades particulares. Por essa razão, foi aberto
Parágrafo único. A vedação de que trata o inciso X do caput deste artigo não se aplica nos
seguintes casos: (Incluído pela Lei nº 11.784, de 2008 [14])
I - participação nos conselhos de administração e fiscal de empresas ou entidades em que a
União detenha, direta ou indiretamente, participação no capital social ou em sociedade
cooperativa constituída para prestar serviços a seus membros; e (Incluído pela Lei nº 11.784, de
2008 [15])
II - gozo de licença para o trato de interesses particulares, na forma do art. 91 desta Lei,
observada a legislação sobre conflito de interesses. (Incluído pela Lei nº 11.784, de 2008 [16])
O inciso XVI, já foi cobrado pela FGV da seguinte maneira:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 102/136
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
processo administrativo disciplinar, que culminou na aplicação de penalidade de
suspensão de 5 (cinco) dias.
Essa conduta é enquadrada no que preceitua o art. 117, XVI, Lei 8.112/90, cujo teor é o
seguinte:
Art. 117. Ao servidor é proibido:
(...)
XVI - utilizar pessoal ou recursos materiais darepartição em serviços ou atividades
particulares;
Ademais, à referida conduta foi prevista em lei a aplicação da penalidade de demissão,
como se extrai do disposto no art. 132, XIII, do mesmo diploma.
Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes casos:
(...)
XIII - transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117.
Assim, a reprimenda adequada para o servidor não seria a suspensão, e sim a demissão.
A letra A está incorreta. INCORRETA.
A reprimenda adequada para o servidor seria a demissão.
A letra B está correta. CORRETA.
À referida conduta foi prevista em lei a aplicação da penalidade de demissão, como se extrai
do disposto no art. 132, XIII, da Lei 8.112/90.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
A reprimenda adequada para o servidor não seria a suspensão, e sim a demissão.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
Segundo o art. 131, da Lei 8.112/90, as penalidades de advertência e de suspensão terão seus
registros cancelados, após o decurso de 3 (três) e 5 (cinco) anos de efetivo exercício,
respectivamente, se o servidor não houver, nesse período, praticado nova infração
disciplinar.
suspensão elencada nos incisos acima, ocorrerá nos seguintes moldes:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 103/136
Art. 130. A suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com
advertência e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a
penalidade de demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias.
§ 1º Será punido com suspensão de até 15 (quinze) dias o servidor que, injustificadamente,
recusar-se a ser submetido a inspeção médica determinada pela autoridade competente,
cessando os efeitos da penalidade uma vez cumprida a determinação.
§ 2º Quando houver conveniência para o serviço, a penalidade de suspensão poderá ser
convertida em multa, na base de 50% (cinqüenta por cento) por dia de vencimento ou
remuneração, ficando o servidor obrigado a permanecer em serviço.
Já a penalidade de demissão, se dará nas seguintes hipóteses:
Lei 8.112/90:
Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes casos:
I - crime contra a administração pública;
II - abandono de cargo;
III - inassiduidade habitual;
IV - improbidade administrativa;
V - incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição;
VI - insubordinação grave em serviço;
VII - ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa própria ou de
outrem;
VIII - aplicação irregular de dinheiros públicos;
IX - revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo;
X - lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional;
XI - corrupção;
XII - acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas;
XIII - transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 104/136
Uma vez aplicada a penalidade de demissão, esta incompatibiliza o ex servidor para nova
investidura em cargo federal por cinco anos. Esta hipótese é trazida pelo artigo 137 da Lei
8.112/90:
Art. 137. A demissão ou a destituição de cargo em comissão, por infringência do art. 117, incisos
IX e XI, incompatibiliza o ex-servidor para nova investidura em cargo público federal, pelo
prazo de 5 (cinco) anos.
Vale destacar também no seu material o seguinte artigo:
Art. 128. Na aplicação das penalidades serão consideradas a natureza e a gravidade da infração
cometida, os danos que dela provierem para o serviço público, as circunstâncias agravantes ou
atenuantes e os antecedentes funcionais.
Parágrafo único. O ato de imposição da penalidade mencionará sempre o fundamento legal e
a causa da sanção disciplinar. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [17]
Este artigo diz que na aplicação da pena poderá existir certa maleabilidade, devendo, no caso
concreto, ser avaliada a natureza e a gravidade da infração cometida e os danos que dela
provierem para o serviço público.
Vale lembrar que existem independência de instâncias, podendo o servidor público responder
pelo mesmo fato nas três esferas do ordenamento jurídico, quais sejam, a civil (improbidade), a
penal e a administrativa ou disciplinar.
O STJ entende desta maneira:
ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO MILITAR. EXCLUSÃO DAS FILEIRAS DA
CORPORAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO JUDICIÁRIO DO MÉRITO
ADMINISTRATIVO. INDEPENDÊNCIA ENTRE AS ESFERAS ADMINISTRATIVA E PENA. (…)
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 105/136
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
2. Ademais, não prospera a pretensão de que o processo administrativo disciplinar devesse
aguardar o trânsito em julgado da Ação Penal que apura o mesmo fato. As esferas penal e
administrativa são independentes e a única vinculação admitida dá-se quando o acusado é
inocentado na Ação Penal em face da negativa da existência do fato ou quando não
reconhecida a autoria do crime, o que não é o caso dos autos, mormente ao se considerar
a pendência de julgamento da Ação Penal. (…) (AgRg No RMS 38.072/PE, Rel. Ministro
HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, JULGADO EM 28/05/2013, DJe 31/05/2013).
Aqui existe uma exceção que poderá aparecer na sua prova. Lembrando que, a regra é a
independência de instâncias, portanto, a princípio, a ação penal não possuiria nenhum reflexo
no processo administrativo disciplinar. Porém, caso essa ação penal absolva o servidor público
e negue a existência do fato ou sua autoria.
O artigo 126 da Lei 8.112/90 tipificou esta situação da seguinte maneira:
Art. 126 - A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição
criminar que negue a existência do fato ou sua autoria.
Como a instância penal presume-se mais rigorosa na avaliação das provas, por ser a instância
mais disruptiva na vida do servidor, uma vez que trata da liberdade da pessoa, esta possui o
poder de refletir na esfera administrativa, caso a ação penal conclua que o servidor não
praticou o fato ou o fato sequer ocorreu.
Existe julgado do STJ neste sentido:
. O Processo Administrativo Disciplinar não é dependente da instância penal, porém, quando o
Juízo Penal já se pronunciou sobre os fatos que constituem, ao mesmo tempo, o objeto do
PAD, exarando sentença absolutória por negativa de autoria, não há como se negar a sua
inevitável repercussão no âmbito administrativo sancionador.
4. A teor do art. 126 da Lei 8.112/90, aplicável ao caso por analogia, a responsabilidade do
Servidor deverá ser afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou
sua autoria, exceto se houver falta disciplinar residual, não englobada na sentença penal
absolutória (Súmula 18/STF).
(...)
(RMS 30.511/PE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, QUINTA TURMA, julgado em
09/11/2010, DJe 22/11/2010)
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 106/136
Questão 2010 | 4000002246
Determinado servidor público foi acusado de ter recebido vantagens indevidas valendo-
se de seu cargo público, sendo denunciado à justiça criminal e instaurado, no âmbito
administrativo, processo administrativo disciplinar por ter infringindo seu estatuto
funcional pela mesma conduta. Ocorre que o servidor foi absolvido pelo Poder Judiciário
em razão de ter �cado provada a inexistência do ato ilícito que lhe fora atribuído. Nessa
situação, é correto a�rmar que
A)
a decisão absolutória não in�uirá na decisão administrativa do processo administrativo
disciplinar, por serem independentes.
B)
haverá repercussão no âmbito do processo administrativo disciplinar, não podendo a
administração pública punir o servidor pelo fato decidido na esfera penal.
C)
em nenhuma hipótese a decisão penal surtirá efeito na esfera administrativa, mesmo que
a conduta praticada pelo servidor seja prevista como ilícito penal e ilícito administrativo.
D) a punição na instânciaadministrativa nunca poderá ser anulada, caso tenha sido aplicada.
Solução
Gabarito: B)
haverá repercussão no âmbito do processo administrativo disciplinar, não
podendo a administração pública punir o servidor pelo fato decidido na esfera
penal.
A questão exige o conhecimento acerca da responsabilidade do servidor público.
No caso, um servidor público foi acusado de ter recebido vantagens indevidas valendo-
se de seu cargo público, sendo denunciado à justiça criminal e instaurado, no âmbito
administrativo, processo administrativo disciplinar por ter infringindo seu estatuto
funcional pela mesma conduta. Contudo, o servidor foi absolvido pelo Poder Judiciário
em razão de ter �cado provada a inexistência do ato ilícito que lhe fora atribuído.
Em regra, vige o que se chama de independência ou incomunicabilidade das instâncias,
no que se refere à apuração das responsabilidades penal e administrativa dos servidores.
Isso porque há situações que apresentem elementos para uma punição administrativa,
mas podem não oferecer o su�ciente para uma condenação criminal, por exemplo, sendo
cada instância livre para, observados os trâmites legais, apurar a responsabilidade do
servidor faltoso.
Contudo, há situações excepcionais indicadas pela lei nas quais o resultado da apuração
na esfera criminal necessariamente vinculará a esfera administrativa, que não pode
decidir de modo diverso e, caso já o tenha feito, terá anulada a sua decisão.
Tal conclusão está expressa nos arts. 125 e 126 da Lei 8.112/90, que assim dispõem:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 107/136
Art. 125. As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo
independentes entre si.
Art. 126. A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição
criminal que negue a existência do fato ou sua autoria.
No enunciado, houve absolvição criminal cujo fundamento foi a inexistência do fato. Ora,
se o juízo criminal disse que aquele fato não aconteceu, não poderia subsistir a punição
na esfera administrativa.
Assim, na forma do art. 126 da Lei 8.112/90, a absolvição penal repercutirá no âmbito do
processo administrativo disciplinar, não podendo a administração pública punir o servidor
pelo fato decidido na esfera penal.
A letra A está incorreta. INCORRETA.
Na forma do art. 126 da Lei 8.112/90, a absolvição penal repercutirá no âmbito do processo
administrativo disciplinar, não podendo a administração pública punir o servidor pelo fato
decidido na esfera penal.
A letra B está correta. CORRETA.
Na forma do art. 126 da Lei 8.112/90, a absolvição penal repercutirá no âmbito do processo
administrativo disciplinar, não podendo a administração pública punir o servidor pelo fato
decidido na esfera penal.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
Segundo, art. 126 da Lei 8.112/90, a responsabilidade administrativa do servidor será afastada
no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou sua autoria.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
A punição pode ser anulada, com base no art. 126 da Lei 8.112/90, devido a absolvição na
esfera penal em razão da inexistência do ato ilícito.
A absolvição por ausência de provas ou por prescrição na esfera penal não repercutem
na esfera administrativa que poderá ter tido algum obstáculo para esta tese (novas
provas ou interrupção ou suspensão da prescrição administrativa).
Este tema já caiu na prova da OAB:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 108/136
Questão 2013 | 4000002125
Um servidor público foi acusado de corrupção passiva e peculato. Respondeu a processo
criminal e foi absolvido por ausência de provas. Diante dessa situação, assinale a
a�rmativa correta.
A)
A Administração Pública, no caso, permanece livre para punir o funcionário, desde que
veri�que haver desvios na conduta funcional do servidor.
B)
A decisão de absolvição do servidor sempre vincula a Administração Pública, que não
poderá punir o seu funcionário.
C)
A autotutela administrativa permite desconsiderar decisões judiciais contrárias à lei ou às
provas dos autos, sendo possível a aplicação de sanções administrativas com cópias
extraídas do processo criminal.
D)
As decisões da justiça, que punem o servidor por qualquer crime, vinculam o Poder
Público, embora as decisões de absolvição nunca impeçam o poder punitivo da
Administração.
Solução
Gabarito: A)
A Administração Pública, no caso, permanece livre para punir o funcionário,
desde que veri�que haver desvios na conduta funcional do servidor.
A questão aborda o tema da responsabilidade dos agentes públicos.
Na situação, um servidor público foi acusado de corrupção passiva e peculato.
Respondeu a processo criminal e foi absolvido por ausência de provas.
Em regra, as instâncias judiciais e administrativas de apuração das faltas dos servidores
são independentes. Assim, é perfeitamente possível uma condenação administrativa e
uma absolvição penal e vice-versa. Porém, há uma importantíssima exceção: quando
houver absolvição na esfera penal por negativa de autoria (conclui o judiciário que aquele
fato não foi praticado por aquela pessoa) ou por inexistência do fato, a conclusão
administrativa �ca vinculada, ou seja, deverá obrigatoriamente também absolver o
servidor.
Assim, não sendo caso de negativa de autoria ou inexistência do fato, a Administração
Pública permanece livre para punir o funcionário, desde que veri�que haver desvios na
conduta funcional do servidor.
A letra A está correta. CORRETA.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 109/136
Não sendo veri�cada na esfera penal, negativa de autoria ou inexistência do fato, que
vinculariam a decisão administrativa à decisão penal, a Administração Pública permanece
livre para punir o funcionário, desde que veri�que haver desvios na conduta funcional do
servidor.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
Somente houver absolvição na esfera penal por negativa de autoria ou por inexistência do
fato, a conclusão administrativa �ca vinculada, ou seja, deverá obrigatoriamente também
absolver o servidor.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
Em regra, as instâncias judiciais e administrativas de apuração das faltas dos servidores são
independentes. Porém, quando houver absolvição na esfera penal por negativa de autoria ou
por inexistência do fato, a conclusão administrativa �ca vinculada, ou seja, deverá
obrigatoriamente também absolver o servidor.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
Em regra, as instâncias judiciais e administrativas de apuração das faltas dos servidores são
independentes.
Processo Administrativo Disciplinar
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Para começar o tema do Processo administrativo disciplinar, o denominado PAD, devemos
lembrar que:
A punição do servidor exigirá um procedimento administrativo com direito ao contraditório
e à ampla defesa; e
Este poderá ocorrer mediante uma sindicância ou um processo administrativo disciplinar.
Professor, e se o servidor cometer uma infração na frente do seu superior imediato?
Mesmo nestas situações, meus amigos, deverá ser instaurado um procedimento para apurar a
conduta faltosa do servidor público, que cometeu infração disciplinar perante seu superior
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 110/136
imediato. A fundamentação desta situação, é que o ordenamento jurídico, após a Constituição
Federal de 1988, passou a exigir em todo processo administrativo e judicial as garantias do
contraditório e a ampla defesa.
Antigamente, existia o instituto conhecido como verdade sabida, que consistia na aplicação da
penalidade ao servidor que descumpriu norma legal na frente do seu superior direto, sem a
necessidade de uma sindicância ou processo administrativo disciplinar, esta tese
era inicialmente aceito pelo STJ:
ADMINISTRATIVO. SERVIDOR. PENA DISCIPLINAR DE SUSPENSÃO INFERIOR A TRINTA
DIAS. DESNECESSIDADE DE PROCESSO PRELIMINAR PARA APLICAÇÃO DE PENA DE
SUSPENSÃO INFERIOR A TRINTA DIAS, NOS TERMOS DA LEI, NA HIPÓTESE DE 'VERDADE
SABIDA’. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.sociedades de economia mista e nas fundações de direito
privado. Eles são regidos pela CLT e titulares de “emprego público”. Estarão, portanto, sujeitos a:
• Concursos públicos;
• Improbidade administrativa;
• Não acumulação de cargos públicos; e
• Teto remuneratório (com ressalvas).
Antes de continuar com a classificação, vale uma ressalva sobre os servidores públicos, de
suma importância para sua prova: a estabilidade.
Na CF, especificamente no artigo 41, temos o seguinte:
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de
provimento efetivo em virtude de concurso público. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
Isso significa que o servidor é o “dono” do cargo?
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 10/136
Não, o servidor público estável poderá sim ser demitido.
Ele poderá perder o cargo se incorrer em alguma das hipóteses elencadas no §1º do artigo
supramencionado, vejamos:
Art. 41. § 1º O servidor público estável só perderá o cargo: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 19, de 1998)
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei
complementar, assegurada ampla defesa. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Os empregados públicos, gozam de estabilidade?
Não. Inclusive existe jurisprudência do TST, dizendo exatamente isto, veja:
ESTABILIDADE. ART. 41 DA CF/1988. CELETISTA. ADMINISTRAÇÃO DIRETA, AUTÁRQUICA
OU FUNDACIONAL. APLICABILIDADE. EMPREGADO DE EMPRESA PÚBLICA E SOCIEDADE
DE ECONOMIA MISTA. INAPLICÁVEL (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 229 e
265 da SBDI-1 e da Orientação Jurisprudencial nº 22 da SBDI-2) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e
25.04.2005
I - O servidor público celetista da administração direta, autárquica ou fundacional é
beneficiário da estabilidade prevista no art. 41 da CF/1988. (ex-OJs nºs 265 da SBDI-1 - inserida
em 27.09.2002 - e 22 da SBDI-2 - inserida em 20.09.2000)
II - Ao empregado de empresa pública ou de sociedade de economia mista, ainda que
admitido mediante aprovação em concurso público, não é garantida a estabilidade prevista no
art. 41 da CF/1988. (ex-OJ nº 229 da SBDI-1 - inserida em 20.06.2001)
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 11/136
Isso significa que eles (empregados públicos), podem ser demitidos livremente?
Não, caso houver isonomia e impessoalidade na sua contratação, ou seja, através de concurso
público, esta isonomia e impessoalidade deverão ser mantidas na hora da demissão.
No mesmo sentido, temos a seguinte ementa do STF:
Ementa: EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS - ECT. DEMISSÃO
IMOTIVADA DE SEUS EMPREGADOS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO
DA DISPENSA. RE PARCIALMENTE PROVIDO. I - Os empregados públicos não fazem jus à
estabilidade precisa no art. 41, da CF, salvo aqueles admitidos em período anterior ao advento
da EC nº 19/1998. Precedentes. II - Em atenção, no entanto, aos princípios da impessoalidade e
isonomia, que regem a admissão por concurso público, a dispensa do empregado de empresas
públicas e sociedades de economia mista que prestam serviços públicos deve ser motivada,
assegurando-se, assim, que tais princípios, observados no momento daquela admissão, sejam
também respeitados por ocasião da dispensa. III - A motivação do ato de dispensa, assim, visa a
resguardar o empregado de uma possível quebra do postulado da impessoalidade por parte do
agente estatal investido do poder de demitir. (…) (RE 589998, Relator(a): Min. RICARDO
LEWANDOSKI, Tribunal Pleno, julgado em 20/03/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO
REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-179 DIVULG 11-09-2013 PUBLIC 12-09-2013).
Particulares em colaboração
Feita estas ressalvas aos empregados públicos e servidores públicos, continuamos elencando as
espécies de agentes públicos, passando a definir o que seria um particular em colaboração.
Estes agentes são públicos, mas não perdem a condição de particulares, exercendo função
pública, ainda que temporariamente e sem remuneração. Alguns exemplos seriam:
• Mesários no dia da eleição;
• Os membros do tribunal do júri;
• Requisitados ou voluntários;
Estes agentes, podem, inclusive, incorrer em improbidade administrativa, uma vez que o
conceito de agente público na Lei 8.429/92 é o mais amplo possível, incluindo os que exercem
função pública, ainda que em caráter voluntário ou não remunerado.
12. Agentes Públicos
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Questão 2010 | 4000002242
São considerados agentes públicos todas as pessoas físicas incumbidas, sob
remuneração ou não, de�nitiva ou transitoriamente, do exercício de função ou atividade
pública. Assim, é correto a�rmar que os notários e registradores são
A)
agentes públicos ocupantes de cargo efetivo e se aposentam aos 70 (setenta) anos de
idade.
B)
agentes públicos vitalícios, ocupantes de cargo efetivo, e não se aposentam
compulsoriamente.
C) delegatários de serviços públicos aprovados em concurso público.
D)
os notários e registradores são delegatários de serviços públicos, investidos em cargos
efetivos após aprovação em concurso.
Solução
Gabarito: C) delegatários de serviços públicos aprovados em concurso público.
A questão trata dos agentes públicos, notadamente sobre os notários e registradores.
Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado por delegação do
Poder Público, na forma do art. 236 da Constituição Federal de 1988 e Lei 8.935/1994.
Vejamos o que diz a Constituição Federal:
Os delegatários de serviços públicos, como os notários e registradores, são admitidos
através de concurso público, mas são considerados particulares em colaboração, por
não perderem a natureza de particulares.
É o que estabelece o art. 236, da CF, que deverá ser grifado no seu Vade Mecum:
Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação
do Poder Público.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 13/136
Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por
delegação do Poder Público. (Regulamento)
§ 1º Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal dos notários,
dos o�ciais de registro e de seus prepostos, e de�nirá a �scalização de seus atos pelo
Poder Judiciário.
§ 2º Lei federal estabelecerá normas gerais para �xação de emolumentos relativos aos
atos praticados pelos serviços notariais e de registro. (Regulamento)
§ 3º O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso público de provas
e títulos, não se permitindo que qualquer serventia �que vaga, sem abertura de concurso
de provimento ou de remoção, por mais de seis meses.
Assim, os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por
delegação do Poder Público e o ingresso na atividade notarial e de registro depende de
concurso público, na forma do art. 236, § 3º, da CF/88.
Por essa mesma razão, não se submetem eu regime próprio de previdência dos
servidores, não se lhes aplicando, igualmente, a aposentadoria compulsória.
A letra A está incorreta. INCORRETA.
Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder
Público, na forma do art. 236, da CF/88. Por isso, não se submetem eu regime próprio de
previdência dos servidores, não se lhes aplicando, igualmente, a aposentadoria compulsória.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder
Público, na forma do art. 236, da CF/88.
A letra C está correta. CORRETA.
Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder
Público e o ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso público, na
forma do art.(REsp 62.298/MG, Rel. Ministro ASSIS
TOLEDO, QUINTA TURMA, julgado em 22/03/1995, DJ 17/04/1995, p. 9598)
Acontece que, após a Constituição Federal de 1988, o STF rechaçou esta tese, não existindo
mais a possibilidade da aplicação da “verdade sabida” no ordenamento jurídico pátrio, sendo,
portanto, necessária a oitiva do acusado para que este possa ter garantido o seu direito à ampla
defesa e contraditório.
É o julgado do STF:
Nenhuma penalidade poderá ser imposta, mesmo no campo do direito administrativo, sem que
se ofereça ao imputado a possibilidade de se defender previamente. A preterição do direito de
defesa torna írrito e nulo o ato punitivo. (…) O direito constitucional à ampla (e prévia) defesa,
sob o domínio da Constituição de 1988 (art. 5º, LV), tem como precípuo destinatário o acusado,
qualquer acusado, ainda que em sede meramente administrativa. O Supremo Tribunal Federal,
ao proclamar a imprescindibilidade da observância desse postulado, essencial e inerente ao
“due processo of law”, tem advertido que o exercício do direito de defesa há de ser
assegurado, previamente, em todos aqueles procedimentos - notadamente os de caráter
administrativo-disciplinar - em que seja possível a imposição de medida de índole punitiva.
Mesmo a imposição de sanções disciplinares pelo denominado critério da verdade sabida,
ainda que concernentes a ilícitos funcionais desvestidos de maior gravidade, não dispensa
a prévia audiência do servidor público interessado, sob pena de vulneração da cláusula
constitucional garantidora do direito de defesa. (…) (ADI 2120, Relator(a): Min. CELSO DE
MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 16/10/2008, DJe-213 DIVULG 29-10-2014 PUBLI 30-10-
2014 EMENT VOL-02754-02 PP-00276)
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 111/136
Questão 2016 | 4000001507
Carlos Mário, chefe do Departamento de Contratos de uma autarquia federal descobre,
por diversos relatos, que Geraldo, um dos servidores a ele subordinado, deixara de
comparecer a uma reunião para acompanhar a tarde de autógrafos de um famoso artista
de televisão. Em outra ocasião, Geraldo já se ausentara do serviço, durante o expediente,
sem prévia autorização do seu chefe, razão pela qual lhe fora aplicada advertência.
Irritado, Carlos Mário determina a instauração de um processo administrativo disciplinar,
aplicando a Geraldo a penalidade de suspensão, por 15 (quinze) dias, sem a sua oitiva,
em atenção ao princípio da verdade sabida.
Considerando o exposto, assinale a a�rmativa correta.
A)
A penalidade aplicada é nula, em razão de violação às garantias constitucionais da ampla
defesa e do contraditório, razão pela qual o princípio da verdade sabida não guarda
compatibilidade com a ordem constitucional vigente.
B)
A penalidade aplicada é nula, pois a ausência do serviço sem autorização do chefe é
hipótese de aplicação da penalidade de advertência e jamais poderia dar ensejo à
aplicação da penalidade de suspensão.
C)
A penalidade aplicada é correta, pois a ausência do servidor no horário de expediente é
causa de aplicação da penalidade de suspensão, e o fato era de ciência de vários outros
servidores.
D)
A penalidade aplicada contém vício sanável, devendo ser rati�cada pelo Diretor-
Presidente da autarquia, autoridade competente para tanto.
Solução
Gabarito: A)
A penalidade aplicada é nula, em razão de violação às garantias
constitucionais da ampla defesa e do contraditório, razão pela qual o princípio
da verdade sabida não guarda compatibilidade com a ordem constitucional
vigente.
A questão exige o conhecimento acerca do regime jurídico dos servidores públicos
federais, em especial das normas sobre o processo administrativo que lhes é aplicável.
Este tema já foi cobrado pela FGV da seguinte maneira:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 112/136
No caso, o chefe de departamento de uma autarquia federal descobriu, por diversos
relatos, que um dos servidores estava se ausentando do serviço, durante o expediente,
sem prévia autorização do seu chefe, razão pela qual lhe fora aplicada advertência.
Irritado, o chefe, então, determinou a instauração de um processo administrativo
disciplinar, aplicando ao servidor subordinado a penalidade de suspensão, por 15 (quinze)
dias, sem a sua oitiva, em atenção ao princípio da verdade sabida.
A Lei nº 8.112/90 dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União,
das autarquias e das fundações públicas federais. Segundo o art. 129 da Lei 8.112/90, a
advertência será aplicada por escrito, nos casos de violação de proibição de ausentar-se
do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato. Já pelo art.
130, a suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com
advertência. Ambas as penalidades serão aplicadas pelo chefe da repartição, segundo
art. 141, III, da referida lei. Vejamos:
Art. 117. Ao servidor é proibido:
I - ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe
imediato;
(...)
Art. 129. A advertência será aplicada por escrito, nos casos de violação de proibição
constante do art. 117, incisos I a VIII e XIX, e de inobservância de dever funcional previsto
em lei, regulamentação ou norma interna, que não justi�que imposição de penalidade mais
grave.
Art. 130. A suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com
advertência e de violação das demais proibições que não tipi�quem infração sujeita a
penalidade de demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias.
(...)
Art. 141. As penalidades disciplinares serão aplicadas:
(...)
III - pelo chefe da repartição e outras autoridades na forma dos respectivos regimentos ou
regulamentos, nos casos de advertência ou de suspensão de até 30 (trinta) dias;
Ressalte-se, contudo, que algumas leis especí�cas admitiam a direta aplicação, pela
autoridade competente, de penalidades disciplinares sem processo administrativo na
hipótese de notoriedade dos fatos imputados ao agente público. Trata-se da “verdade
sabida”.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 113/136
Todavia, atualmente, segundo a unanimidade dos doutrinadores, o instituto da verdade
sabida é inconstitucional por violar a obrigatoriedade de realização do processo
administrativo para aplicação de qualquer punição disciplinar, prevista no art. 5º, LIV e
LV, da CF/88.
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
A letra A está correta. CORRETA.
Segundo a unanimidade dos doutrinadores, o instituto da verdade sabida é inconstitucional
por violar a obrigatoriedade de realização do processo administrativo para aplicação de
qualquer punição disciplinar, prevista no art. 5º, LIV e LV, da CF/88.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
Pelo art. 130 da Lei 8.112/90, a suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas
punidas com advertência.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
Segundo a unanimidade dos doutrinadores, o instituto da verdade sabida é inconstitucional
por violar a obrigatoriedade de realização do processo administrativo para aplicação de
qualquer punição disciplinar, prevista no art. 5º, LIV e LV, da CF/88.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
A penalidade contém vício insanável, pois o instituto da verdade sabida é inconstitucional
por violar a obrigatoriedade de realização do processo administrativo para aplicação de
qualquer punição disciplinar, prevista no art. 5º, LIV e LV, da CF/88.
O PAD e a sindicância encontram-se regulados na Lei 8.112/90 nos artigos 143 a 182.
Começando pelo artigo 143, da Lei 8.112/90:
Art. 143. A autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é obrigada a
promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo administrativo
disciplinar, assegurada ao acusado ampla defesa.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 114/136
Questão 2017| 4000000835
Após a Polícia Federal colher farto material probatório, o Ministério Público denunciou
Ricardo, servidor público federal estável, por crime funcional e comunicou o fato às
autoridades competentes para eventual apuração administrativa.
Antes do recebimento da denúncia, diante da vasta documentação que demonstrava a
materialidade de violação de dever funcional remetida para a Administração, foi
instaurado o processo administrativo disciplinar, sem a realização de sindicância, que,
mediante regular processamento do inquérito administrativo, culminou na aplicação da
pena de demissão de Ricardo. Sobre a situação hipotética narrada, assinale a a�rmativa
correta.
A)
Ricardo não poderia ser demitido sem a realização de sindicância, que é procedimento
prévio imprescindível para a instauração de processo administrativo disciplinar.
B)
O recebimento da denúncia deveria ter suspendido o processo administrativo disciplinar
contra Ricardo, e o prosseguimento de tal apuração só poderia ocorrer após a conclusão
do Juízo criminal.
C)
O processo administrativo disciplinar instaurado contra Ricardo é nulo, pois não é cabível
a utilização de prova produzida para a apuração criminal.
Em outras palavras, o artigo supramencionado traz duas hipóteses, a sindicância ou o PAD, que
poderão ser aplicadas quando a autoridade tiver ciência de alguma irregularidade praticada
dentro do serviço público.
A princípio, o que difere a instauração da sindicância da instauração do PAD, é a gravidade da
infração cometida pelo servidor público, caso este tenha cometido uma infração de caráter
leve, deverá ser aberta uma sindicância, caso a infração for mais grave, instaurar-se-á um PAD.
Como o artigo 143 acima citado expressamente elenca a sindicância e o processo
administrativo disciplinar com o conector “OU”, isto nos dá a ideia de escolha, de
discricionariedade, portanto, a sindicância NÃO É REQUISITO PARA A INSTAURAÇÃO
DO PAD. Podendo ser instaurado um PAD, dispensando-se a sindicância.
A FGV já cobrou este tema, eis a importância de prestar atenção neste quesito:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 115/136
D)
A hipótese não apresenta qualquer nulidade que contamine o processo administrativo
disciplinar instaurado contra Ricardo.
Solução
Gabarito: D)
A hipótese não apresenta qualquer nulidade que contamine o processo
administrativo disciplinar instaurado contra Ricardo.
A questão exige o conhecimento acerca da Lei nº 8.112-1990 e do Regime jurídico dos
servidores públicos federais.
Na situação, o Ministério Público denunciou um servidor público federal estável, por
crime funcional e comunicou o fato às autoridades competentes para eventual apuração
administrativa. Antes do recebimento da denúncia, foi instaurado o processo
administrativo disciplinar, sem a realização de sindicância, que, mediante regular
processamento do inquérito administrativo, culminou na aplicação da pena de demissão
do servidor.
Acerca do Processo Administrativo Disciplinar, dispõe o art. 143 da Lei 8.112/90:
Art. 143. A autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é obrigada a
promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo administrativo
disciplinar, assegurada ao acusado ampla defesa. O art. 146 do referido diploma, por sua
vez, trata das situações em que deve ser instaurado PAD:
Art. 146. Sempre que o ilícito praticado pelo servidor ensejar a imposição de penalidade de
suspensão por mais de 30 (trinta) dias, de demissão, cassação de aposentadoria ou
disponibilidade, ou destituição de cargo em comissão, será obrigatória a instauração de
processo disciplinar.
Ressalte-se ainda que as sanções são independentes entre si, não sendo possível falar de
suspensão do processo administrativo.
Art. 125. As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo
independentes entre si.
Contudo, nada impede a utilização de prova emprestada do processo penal no PAD,
segundo Súmula 591 do STJ:
Súmula 591-STJ: É permitida a “prova emprestada” no processo administrativo disciplinar,
desde que devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a
ampla defesa.
A letra A está incorreta. INCORRETA.
Segundo art. 143 da Lei 8.112/90, a autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço
público é obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 116/136
administrativo disciplinar, assegurada ao acusado ampla defesa.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo independentes entre
si, segundo art. 125 da Lei 8.112/90.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
Nada impede a utilização de prova emprestada do processo penal no PAD, segundo Súmula
591 do STJ.
A letra D está correta. CORRETA.
O PAD seguiu conforme determina a Lei 8.112/90.
Quando falamos em PAD, a natureza da infração será mais gravosa. Logo, sempre será
necessária a instauração de um PAD para aplicação das penalidades de suspensão por mais de
30 dias, de demissão, de cassação de aposentadoria ou disponibilidade, ou destituição de cargo
em comissão.
É o teor do artigo 146, da Lei 8.112/90:
Art. 146. Sempre que o ilícito praticado pelo servidor ensejar a imposição de penalidade de
suspensão por mais de 30 (trinta) dias, de demissão, cassação de aposentadoria ou
disponibilidade, ou destituição de cargo em comissão, será obrigatória a instauração de
processo disciplinar.
Já a sindicância, por ser de natureza mais leve, poderá ser utilizada nas seguintes hipóteses:
Art. 145. Da sindicância poderá resultar:
I - arquivamento do processo;
II - aplicação de penalidade de advertência ou suspensão de até 30 (trinta) dias;
III - instauração de processo disciplinar.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 117/136
Parágrafo único. O prazo para conclusão da sindicância não excederá 30 (trinta) dias,
podendo ser prorrogado por igual período, a critério da autoridade superior.
É sempre bom recordar que tanto no processo administrativo disciplinar como na sindicância,
deverão ser obedecidos os princípios constitucionais da ampla defesa e o contraditório:
Art. 5º:
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
Professor, caso não seja observado o prazo de conclusão do PAD ou da Sindicância,
haverá nulidade do procedimento?
Não necessariamente. A jurisprudência entende que deverá ser demonstrado prejuízo à defesa
pela demora na conclusão do procedimento.
ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO
DISCIPLINAR. PENA DE DEMISSÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS FORMAIS.
DESPROPORCIONALIDADE NÃO CONFIGURADA. SEGURANÇA DENEGADA. (…)
3. O excesso de prazo para conclusão do procedimento administrativo disciplinar só pode ser
causa de nulidade se demonstrado prejuízo à defesa. Precedentes. (…)
8. Segurança denegada. (MS 19.823/DF, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO,
julgado em 14/08/2013, DJe 23/08/2013)
Caso a administração pública, em sede de sindicância, apure uma infração que poderia ensejar
uma penalidade mais gravosa ao servidor, a Autoridade deverá instaurar um PAD. Além disso,
ressalte-se que o PAD poderá ser instaurado diretamente, sem a necessidade de uma prévia
sindicância.
Por exemplo, um determinado Gestor descobre que um servidor público da sua repartição
praticou conduta punível com a penalidade de demissão, poderá o Gestor instaurar
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 118/136
imediatamente um PAD, sem necessidade de uma prévia sindicância para apurar os fatos.
Vejamos mais uma vez, para memorizar, o artigo que resume este tema:
Lei 8.112/90:
Art. 146. Sempre que o ilícito praticado pelo servidor ensejar a imposição de penalidade de
suspensão por mais de 30 (trinta)dias, de demissão, cassação de aposentadoria ou
disponibilidade, ou destituição de cargo em comissão, será obrigatória a instauração de
processo disciplinar.
Até aqui já vimos que, sendo caso de uma infração leve, de até 30 dias, poderá ser utilizada a
sindicância para apurar e condenar o servidor público. Porém, se durante a investigação na
sindicância, verificar-se que é caso de aplicação de pena mais gravosa, deverá ser instaurado
obrigatoriamente um PAD.
O PAD, portanto, trata das hipóteses mais danosas e graves que um servidor público poderia
cometer dentro do exercício do cargo.
Aqui é importante destacar que existem dois tipos de processo administrativo disciplinar (PAD):
O primeiro seria o Procedimento Sumário; e
O segundo seria o Procedimento Ordinário.
A Lei 8.112/90, trouxe a hipótese do PAD, no rito sumário, que seria o procedimento aplicável
na apuração de acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas, de abandono de
cargo e de inassiduidade habitual, sendo a todas cabível a pena de demissão.
A regra, neste caso, é de uma instrução mais célere, pois visa apurar casos em que já se tem
materialidade pré-constituída.
Resumindo:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 119/136
Questão 2015 | 4000001984
Marcos Paulo é servidor público federal há mais de 5 (cinco) anos e, durante todo esse
tempo, nunca sofreu qualquer sanção administrativa, apesar de serem frequentes suas
faltas e seus atrasos ao serviço. No último mês, entretanto, as constantes ausências
chamaram a atenção de seu chefe, que, ao buscar a �cha de frequência do servidor,
descobriu que Marcos Paulo faltara mais de 90 (noventa) dias no último ano.
A respeito do caso apresentado, assinale a a�rmativa correta.
A)
Marcos Paulo, servidor público estável, só pode ser demitido após decisão judicial
transitada em julgado.
B)
Marcos Paulo, servidor público estável, pode ser demitido pela sua inassiduidade após
decisão em processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa.
C)
Marcos Paulo, servidor público estável que nunca sofrera qualquer punição na esfera
administrativa, não pode ser demitido em razão de sua inassiduidade.
D)
Marcos Paulo, servidor público estável, não pode ser demitido em razão de sua
inassiduidade, pois esta somente autoriza a aplicação das sanções de advertência e
suspensão.
Solução
Gabarito: B)
Marcos Paulo, servidor público estável, pode ser demitido pela sua
inassiduidade após decisão em processo administrativo em que lhe seja
assegurada ampla defesa.
O tema da inassiduidade habitual foi cobrado pela FGV da seguinte maneira:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 120/136
A questão aborda o tema dos Agentes públicos e Lei 8.112 de 1990, em especial sobre as
sanções e procedimento administrativos disciplinar aplicáveis.
No caso, um servidor público federal há mais de 5 (cinco) anos nunca havia sofrido
qualquer sanção administrativa, apesar de serem frequentes suas faltas e seus atrasos
ao serviço, até que seu chefe, ao buscar a �cha de frequência do servidor, descobriu que
ele faltara mais de 90 (noventa) dias no último ano.
Essa a conduta, tal como descrita no enunciado, con�gura a denominada inassiduidade
habitual, prevista no art. 139, Lei 8.112/90, que se caracteriza pela ausência ao serviço,
sem justa causa, por sessenta dias ou mais, interpoladamente, em um período de doze
meses.
Art. 139. Entende-se por inassiduidade habitual a falta ao serviço, sem causa justi�cada,
por sessenta dias, interpoladamente, durante o período de doze meses.
Referido proceder constitui hipótese de aplicação da pena de demissão, conforme art.
132, III, do mencionado Estatuto Federal.
Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes casos:
I - crime contra a administração pública;
II - abandono de cargo;
III - inassiduidade habitual;
Para tanto, é necessário submeter o servidor faltoso a prévio processo administrativo
disciplinar, no bojo do qual lhe seja assegurado o contraditório e a ampla defesa,
conforme art. 41, §1º, II, CF/88 c/c art. 140, Lei 8.112/90.
CF/88
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para
cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
(...)
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Lei 8.112/90
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 121/136
Art. 140. Na apuração de abandono de cargo ou inassiduidade habitual, também será
adotado o procedimento sumário a que se refere o art. 133, observando-se especialmente
que: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
I - a indicação da materialidade dar-se-á: (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
a) na hipótese de abandono de cargo, pela indicação precisa do período de ausência
intencional do servidor ao serviço superior a trinta dias; (Incluído pela Lei nº 9.527, de
10.12.97)
b) no caso de inassiduidade habitual, pela indicação dos dias de falta ao serviço sem causa
justi�cada, por período igual ou superior a sessenta dias interpoladamente, durante o
período de doze meses; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
II - após a apresentação da defesa a comissão elaborará relatório conclusivo quanto à
inocência ou à responsabilidade do servidor, em que resumirá as peças principais dos
autos, indicará o respectivo dispositivo legal, opinará, na hipótese de abandono de cargo,
sobre a intencionalidade da ausência ao serviço superior a trinta dias e remeterá o
processo à autoridade instauradora para julgamento. (Incluído pela Lei nº 9.527, de
10.12.97)
A letra A está incorreta.
INCORRETA.
Conforme art. 41, §1º, CF/88, o servidor público estável só perderá o cargo em virtude de
sentença judicial transitada em julgado, Mediante processo administrativo em que lhe seja
assegurada ampla defesa, ou mediante procedimento de avaliação periódica de
desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa.
A letra B está correta. CORRETA.
Essa a conduta, tal como descrita no enunciado, con�gura a denominada inassiduidade
habitual, prevista no art. 139, Lei 8.112/90, que se caracteriza pela ausência ao serviço, sem
justa causa, por sessenta dias ou mais, interpoladamente, em um período de doze meses.
Referido proceder constitui hipótese de aplicação da pena de demissão, conforme art. 132,
III, do mencionado Estatuto Federal. Para tanto, é necessário submeter o servidor faltoso a
prévio processo administrativo disciplinar, no bojo do qual lhe seja assegurado o
contraditório e a ampla defesa, conforme art. 41, §1º, II, CF/88 c/c art. 140, Lei 8.112/90.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
Essa a conduta con�gura a denominada inassiduidade habitual, prevista no art. 139, Lei
8.112/90, que constitui hipótese de aplicação da pena de demissão, conforme art. 132, III, do
mencionado Estatuto Federal.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 122/136
A letra D está incorreta. INCORRETA.
Essa a conduta con�gura a denominada inassiduidade habitual, prevista no art. 139, Lei
8.112/90, que constitui hipótese de aplicação da pena de demissão, conforme art. 132, III, do
mencionado Estatuto Federal.
O fundamento para o PAD no Rito Sumário, encontra-se no artigo 133, da Lei 8.112/90:
Art. 133. Detectada a qualquer tempo a acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções
públicas, a autoridade a que se refere o art. 143 notificará o servidor, por intermédio de sua
chefia imediata, para apresentar opção no prazo improrrogável de dez dias, contados da data
da ciência e, na hipótese de omissão, adotará procedimento sumário para a sua apuração e
regularização imediata, cujo processo administrativo disciplinar se desenvolverá nas seguintes
fases:(Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [18]
Mas professor, como funciona a apuração da acumulação ilegal de cargos, empregos oufunções públicas?
Conforme o artigo supracitado, o servidor deverá ser notificado, por intermédio de sua chefia
imediata, para apresentar opção por um daqueles, no prazo improrrogável de dez dias. Esta
opção, no prazo legal ou até o último dia de prazo para defesa, se o PAD tiver sido instaurado,
se converterá automaticamente em pedido de exoneração do outro cargo, o que configurará a
boa-fé do servidor e o isentará de responder a processo administrativo disciplinar.
Caso o servidor não faça a opção no prazo legal, será aberto PAD, no rito sumário, para
apuração e regularização imediata da situação. Caracterizada a acumulação ilegal e provada a
má-fé, aplicar-se-á a pena de demissão.
Vejamos as fases do PAD sumário:
I - instauração, com a publicação do ato que constituir a comissão, a ser composta por dois
servidores estáveis, e simultaneamente indicar a autoria e a materialidade da transgressão
objeto da apuração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [19]
II - instrução sumária, que compreende indiciação, defesa e relatório; (Incluído pela Lei nº
9.527, de 10.12.97) [20]
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 123/136
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III - julgamento. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [21]
§ 1o A indicação da autoria de que trata o inciso I dar-se-á pelo nome e matrícula do servidor,
e a materialidade pela descrição dos cargos, empregos ou funções públicas em situação de
acumulação ilegal, dos órgãos ou entidades de vinculação, das datas de ingresso, do horário de
trabalho e do correspondente regime jurídico. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [22]
§ 2o A comissão lavrará, até três dias após a publicação do ato que a constituiu, termo de
indiciação em que serão transcritas as informações de que trata o parágrafo anterior, bem
como promoverá a citação pessoal do servidor indiciado, ou por intermédio de sua chefia
imediata, para, no prazo de cinco dias, apresentar defesa escrita, assegurando-se-lhe vista do
processo na repartição, observado o disposto nos arts. 163 e 164. (Redação dada pela Lei nº
9.527, de 10.12.97) [23]
§ 3o Apresentada a defesa, a comissão elaborará relatório conclusivo quanto à inocência ou à
responsabilidade do servidor, em que resumirá as peças principais dos autos, opinará sobre a
licitude da acumulação em exame, indicará o respectivo dispositivo legal e remeterá o
processo à autoridade instauradora, para julgamento. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [24]
§ 4o No prazo de cinco dias, contados do recebimento do processo, a autoridade julgadora
proferirá a sua decisão, aplicando-se, quando for o caso, o disposto no § 3o do art. 167. (Incluído
pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [25]
§ 5o A opção pelo servidor até o último dia de prazo para defesa configurará sua boa-fé,
hipótese em que se converterá automaticamente em pedido de exoneração do outro cargo.
(Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [26]
§ 6o Caracterizada a acumulação ilegal e provada a má-fé, aplicar-se-á a pena de demissão,
destituição ou cassação de aposentadoria ou disponibilidade em relação aos cargos, empregos
ou funções públicas em regime de acumulação ilegal, hipótese em que os órgãos ou entidades
de vinculação serão comunicados. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [27]
§ 7o O prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar submetido ao rito
sumário não excederá trinta dias, contados da data de publicação do ato que constituir a
comissão, admitida a sua prorrogação por até quinze dias, quando as circunstâncias o exigirem.
(Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [28]
§ 8o O procedimento sumário rege-se pelas disposições deste artigo, observando-se, no que
lhe for aplicável, subsidiariamente, as disposições dos Títulos IV e V desta Lei. (Incluído pela Lei
nº 9.527, de 10.12.97) [29]
Aqui é importante destacar no seu material o disposto no artigo 140 da mesma lei, que traz as
hipóteses do abandono de cargo ou inassiduidade habitual:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 124/136
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
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Art. 140. Na apuração de abandono de cargo ou inassiduidade habitual, também será adotado o
procedimento sumário a que se refere o art. 133, observando-se especialmente que: (Redação
dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [30]
I - a indicação da materialidade dar-se-á: (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [31]
a) na hipótese de abandonode cargo, pela indicação precisa do período de ausência
intencional do servidor ao serviço superior a trinta dias; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
[32]
b) no caso de inassiduidade habitual, pela indicação dos dias de falta ao serviço sem causa
justificada, por período igual ou superior a sessenta dias interpoladamente, durante o período
de doze meses; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [33]
II - após a apresentação da defesa a comissão elaborará relatório conclusivo quanto à inocência
ou à responsabilidade do servidor, em que resumirá as peças principais dos autos, indicará o
respectivo dispositivo legal, opinará, na hipótese de abandono de cargo, sobre a
intencionalidade da ausência ao serviço superior a trinta dias e remeterá o processo à
autoridade instauradora para julgamento. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [34]
O PAD Sumário terá, em síntese, os seguintes procedimentos:
Indicação da autoria e materialidade;
Comissão lavrará um termo de indiciação;
Uma vez apresentada a defesa, a comissão elaborará relatório conclusivo quanto à
inocência ou à responsabilidade do servidor; e
No prazo de cinco dias, contados do recebimento do processo, a autoridade julgadora
proferirá a sua decisão, aplicando-se, quando for o caso, o disposto no §3º do Art. 167, da
Lei 8.112/90:
Art. 167. No prazo de 20 (vinte) dias, contados do recebimento do processo, a autoridade
julgadora proferirá a sua decisão.
§ 1º Se a penalidade a ser aplicada exceder a alçada da autoridade instauradora do processo,
este será encaminhado à autoridade competente, que decidirá em igual prazo.
§ 2º Havendo mais de um indiciado e diversidade de sanções, o julgamento caberá à
autoridade competente para a imposição da pena mais grave.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 125/136
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Questão 2019 | 4000000364
Sávio, servidor público federal, frustrado com a ine�ciência da repartição em que
trabalha, passou a faltar ao serviço. A Administração Pública, após constatar que Sávio
acumulou sessenta dias de ausência nos últimos doze meses, instaurou processo
administrativo disciplinar para apurar a conduta do referido servidor.
Tendo como premissa esse caso concreto, assinale a a�rmativa correta.
A)
O processo administrativo disciplinar será submetido a um procedimento sumário, mais
simples e célere, composto pelas fases da instauração, da instrução sumária - que
compreende a indiciação, a defesa e o relatório - e do julgamento.
B)
A inassiduidade habitual con�gura hipótese de demissão do serviço público, �cando
Sávio impedido de nova investidura em cargo público federal pelo prazo de cinco anos, a
contar do julgamento.
C)
Na hipótese de ser imputada a pena de demissão a Sávio, é lícito à Administração
Pública exigir depósito de dinheiro como requisito de admissibilidade do recurso
administrativo, até mesmo como forma de ressarcir os custos adicionais que o poder
público terá com o processamento do apelo.
D)
A falta de advogado constituído por Sávio no processo administrativo é causa de
nulidade, tendo em vista que a ausência de defesa técnica prejudica o exercício da
ampla defesa por parte do servidor arrolado.
Solução
Gabarito: A)
O processo administrativo disciplinar será submetido a um procedimento
sumário, mais simples e célere, composto pelas fases da instauração, da
instrução sumária - que compreende a indiciação, a defesa e o relatório - e do
julgamento.
A questão exige o conhecimento acerca do estatuto dos agentes públicos federais, mais
especi�camente sobre o processo administrativo disciplinar federal.
Na situação, determinado servidor público federal passou a faltar ao serviço, acumulando
sessenta dias de ausência nos últimos doze meses, motivo pelo qual a administração
pública instaurou processo administrativo disciplinar para apurar a conduta do referido
servidor.
§ 3º Se a penalidade prevista for a demissão ou cassação de aposentadoria ou
disponibilidade, o julgamento caberá às autoridades de que trata o inciso I do art. 141.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 126/136
A infração descrita no enunciado da questão con�gura a denominada inassiduidade
habitual, conforme previsão contida no art. 139 da Lei 8.112/90:
Art. 139. Entende-se por inassiduidade habitual a falta ao serviço, sem causa justi�cada,
por sessenta dias, interpoladamente, durante o período de doze meses.
Trata-se de violação passível de demissão, na forma do art. 132, III, do mesmo diploma
legal:
Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes casos:
(...)
III - inassiduidade habitual;
Ademais, em assim sendo, o procedimento apuratório a ser adotada deverá ser sumário,
conforme preconiza o art. 140 da Lei 8.112/90, que manda aplicar a técnica vazada no art.
133. No ponto, con�ra-se:
Art. 140. Na apuração de abandono de cargo ou inassiduidade habitual, também será
adotado o procedimento sumário a que se refere o art. 133, observando-se especialmente
que:
Con�ra-se, agora, o teor do citado art. 133:
Art. 133. Detectada a qualquer tempo a acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções
públicas, a autoridade a que se refere o art. 143 noti�cará o servidor, por intermédio de
sua che�a imediata, para apresentar opção no prazo improrrogável de dez dias, contados
da data da ciência e, na hipótese de omissão, adotará procedimento sumário para a sua
apuração e regularização imediata, cujo processo administrativo disciplinar se
desenvolverá nas seguintes fases:
I - instauração, com a publicação do ato que constituir a comissão, a ser composta por
dois servidores estáveis, e simultaneamente indicar a autoria e a materialidade da
transgressão objeto da apuração;
II - instrução sumária, que compreende indiciação, defesa e relatório;
III - julgamento.
Portanto, a conduta do servidor será apurada por meio de processo administrativo
disciplinar submetido a um procedimento sumário, composto pelas fases da instauração,
da instrução sumária e do julgamento, nos termos do art. 133 e 140 da Lei 8.112/90.
Ressalte-se que não há necessidade de defesa por técnica por advogado, no processo
administrativo disciplinar, conforme Súmula Vinculante nº 5:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 127/136
Súmula Vinculante 5: A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo
disciplinar não ofende a Constituição.
Em caso de recurso, aplica-se o entendimento da Súmula Vinculante nº 21:
Súmula Vinculante 21:É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento préviosde
dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.
Ademais, não haverá sanção de incompatibilidade para nova investidura em cargo
público, pelo prazo de cinco anos, por conta de demissão decorrente do art. 132, III, da
Lei 8.112/90, que trata da inassiduidade habitual.
Pelo art. 137 da Lei 8.112/90, tal pena destina-se, tão somente, aos casos previstos no art.
117, incisos IX ("IX - valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em
detrimento da dignidade da função pública;") e XI ("XI - atuar, como procurador ou
intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar de benefícios
previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou
companheiro").
Art. 137. A demissão ou a destituição de cargo em comissão, por infringência do art. 117,
incisos IX e XI, incompatibiliza o ex-servidor para nova investidura em cargo público
federal, pelo prazo de 5 (cinco) anos.
Parágrafo único. Não poderá retornar ao serviço público federal o servidor que for
demitido ou destituído do cargo em comissão por infringência do art. 132, incisos I, IV, VIII,
X e XI.
A letra A está correta. CORRETA.
A conduta do servidor será apurada por meio de processo administrativo disciplinar
submetido a um procedimento sumário, composto pelas fases da instauração, da instrução
sumária e do julgamento, nos termos do art. 133 e 140 da Lei 8.112/90.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
Não haverá sanção de incompatibilidade para nova investidura em cargo público, pelo prazo
de cinco anos, por conta de demissão decorrente do art. 132, III, da Lei 8.112/90, que trata
da inassiduidade habitual, conforme art. 137 da Lei 8.112/90.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
A Súmula Vinculante nº 21 dispõe que é inconstitucional a exigência de depósito ou
arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 128/136
Pela Súmula Vinculante nº 5, a falta de defesa técnica por advogado no processo
administrativo disciplinar não ofende a Constituição.
A comissão no PAD sumário, será composta por dois servidores estáveis. O prazo para
conclusão será de 30 dias, prorrogáveis por mais 15 dias (art. 133, §7º, Lei 8.112/90).
Passaremos agora a tratar do Rito ordinário do Processo Administrativo Disciplinar.
Nesse caso, presume-se que a apuração da infração será mais difícil, portanto, precisaria em
tese de mais tempo para poder instruir o processo. Portanto, o prazo para conclusão do PAD
ordinário é de 60 dias, mais 60 dias.
A mera desobediência do prazo não enseja nulidade, salvo se demonstrado o prejuízo à defesa.
A comissão neste rito será de três servidores estáveis que serão designados por autoridade
competente, que indicará, dentre eles, o seu presidente, o qual deverá ser ocupante de cargo
efetivo superior ou de mesmo nível, ou ter nível de escolaridade igual ou superior ao do
indiciado (art. 149, da Lei 8.112/90):
Art. 149. O processo disciplinar será conduzido por comissão composta de três servidores
estáveis designados pela autoridade competente, observado o disposto no § 3o do art. 143, que
indicará, dentre eles, o seu presidente, que deverá ser ocupante de cargo efetivo superior ou
de mesmo nível, ou ter nível de escolaridade igual ou superior ao do indiciado. (Redação dada
pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) [35]
§ 1º A Comissão terá como secretário servidor designado pelo seu presidente, podendo a
indicação recair em um de seus membros.
§ 2º Não poderá participar de comissão de sindicância ou de inquérito, cônjuge,
companheiro ou parente do acusado, consangüíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até
o terceiro grau.
Vejamos agora as fases do PAD ordinário:
A primeira seria a instauração do PAD, que se dá com a publicação do ato que constituir a
comissão. Na sequência, será feito o inquérito administrativo, que compreende instrução,
defesa e relatório. E por último, teremos o julgamento.
1ª FASE 2ª FASE 3ª FASE
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 129/136
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
Instauração, com a publicação do ato
que constituir a comissão
Inquérito administrativo (instrução,
defesa e relatório)
Julgamento
Lei 8.112/90:
Art. 151. O processo disciplinar se desenvolve nas seguintes fases:
I - instauração, com a publicação do ato que constituir a comissão;
II - inquérito administrativo, que compreende instrução, defesa e relatório;
III - julgamento.
Mas professor, a portaria de instauração do PAD precisa trazer a descrição da conduta do
indiciado?
Não. O processo administrativo disciplinar, quando da sua instauração, não está adstrito a fatos
previamente determinados. Assim, se no curso do processo, forem encontrados indícios de que
um servidor perpetrou alguma outra irregularidade, este fato, desde que haja conexão com o
tema principal da investigação, pode ser investigado dentro do mesmo processo disciplinar.
O STJ, entende neste mesmo sentido:
ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO
ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. PORTARIA DE INSTAURAÇÃO. DESCRIÇÃO MINUCIOSA.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA A OITIVA DAS
TESTEMUNHAS DE OUTRO INDICIADO. EXIGÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZOS À
DEFESA. PRODUÇÃO DE PROVAS. OITIVA DE TESTEMUNHAS. SUCESSIVAS DILIGÊNCIAS.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRESCRIÇÃO. AUSÊNCIA DE DIREITO
LÍQUIDO E CERTO.
I - A portaria de instauração do Processo Administrativo Disciplinar dispensa a descrição
minuciosa da imputação, exigida tão somente após a instrução do feito, na fase de
indiciamento, o que é capaz de viabilizar o exercício do contraditório e da ampla defesa.
Precedentes. (…) V - Agravo Regimental improviso. (AgRg no MS 9.243/DF, Rel. Ministro NEFI
CORDEIRO, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2015, DJe 21/08/2015)
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 130/136
Professor, seria possível o afastamento cautelar do servidor?
Sim, se necessário a instrução. Esse afastamento tem a finalidade de evitar que o investigado
contamine as provas durante o processo. Vale salientar que o servidor continua recebendo a
remuneração normalmente pelo período no qual estiver afastado.
Este afastamento encontra-se previsto no artigo 147 da Lei 8.112/90:
Art. 147. Como medida cautelar e a fim de que o servidor não venha a influir na apuração da
irregularidade, a autoridade instauradora do processo disciplinar poderá determinar o seu
afastamento do exercício do cargo, pelo prazo de até 60 (sessenta) dias, sem prejuízo da
remuneração.
Parágrafo único. O afastamento poderá ser prorrogado por igual prazo, findo o qual cessarão os
seus efeitos, ainda que não concluído o processo.
Pois bem, o prazo máximo para o servidor ficar afastado será de 60 dias, podendo ser
prorrogado por mais 60 dias, recebendo normalmente sua remuneração. Caso o PAD não seja
concluído até o fim desse prazo, o servidor deverá retornar ao exercício efetivo do seu cargo.
Dentro do PAD, teremos a instrução processual, na qual será dada a oportunidade de ouvir as
testemunhas e juntar os documentos, teremos também a apresentação da defesa e a
apresentação do relatório da comissão.
Professor, é necessário, pela complexidade do PAD, que o servidor esteja acompanhado
de advogado?
Sim, meus caros. Para o STJ, esta hipótese é totalmente permitida, desde que devidamente
autorizada pelo juízo criminal, vejamos:
ADMINISTRATIVO - MANDADO DE SEGURANÇA - PROCESSO ADMINISTRATIVO
DISCIPLINAR - UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA DE PROCEDIMENTO CRIMINAL -
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 131/136
INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA -AUTORIZAÇÃO E CONTROLE JUDICIAL - PROVA
ADMITIDA - PENA DE DEMISSÃO - CONCLUSÃO DA COMISSÃO BASEADA NA
PRODUÇÃO DE VÁRIAS PROVAS - SEGURANÇA DENEGADA.
1. A jurisprudência desta Corte pacificou-se no sentido de considerar possível se utilizar, no
processo administrativo disciplinar, interceptação telefônica emprestada de procedimento
penal, desde que devidamente autorizada pelo juízo criminal. (…) 3. Segurança denegada. (MS
16-146/DF, Rel. Ministra ELIANA CALMON, Primeira Seção, julgado em 22/05/2013, DJe
29/08/2013).
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Após a instrução, com a oitiva das testemunhas e a juntada de documentos, será apresentada a
defesa, existindo algumas regras específicas quanto aos prazos.
Caso exista apenas um indiciado, o prazo será de 10 dias. Caso existam dois ou mais indiciados,
o prazo será comum e de 20 dias.
Ao final, a comissão juntará todos os documentos e depoimentos em um relatório, concluindo
assim o PAD, o qual encontra disciplina no artigo 165 da Lei 8.112/90:
Art. 165. Apreciada a defesa, a comissão elaborará relatório minucioso, onde resumirá as peças
principais dos autos e mencionará as provas em que se baseou para formar a sua convicção.
Logo após o relatório ser feito pela comissão, esta o encaminhará à autoridade instauradora
para o julgamento final, que tem competência para tanto. Vale lembrar que a autoridade
competente, não está adstrita às conclusões da Comissão, podendo decidir de maneira diversa.
O fundamento desta situação se encontra no artigo 168 da Lei 8.112/90:
Art. 168. O julgamento acatará o relatório da comissão, salvo quando contrário às provas dos
autos.
Parágrafo único. Quando o relatório da comissão contrariar as provas dos autos, a autoridade
julgadora poderá motivadamente, agravar a penalidade proposta, abrandá-la ou isentar o
servidor de responsabilidade.
Professor, quem são essas autoridades que podem aplicar as penalidades da lei?
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 132/136
Art. 141. As penalidades disciplinares serão aplicadas:
I - pelo Presidente da República, pelos Presidentes das Casas do Poder Legislativo e dos
Tribunais Federais e pelo Procurador-Geral da República, quando se tratar de demissão e
cassação de aposentadoria ou disponibilidade de servidor vinculado ao respectivo Poder, órgão,
ou entidade;
II - pelas autoridades administrativas de hierarquia imediatamente inferior àquelas mencionadas
no inciso anterior quando se tratar de suspensão superior a 30 (trinta) dias;
III - pelo chefe da repartição e outras autoridades na forma dos respectivos regimentos ou
regulamentos, nos casos de advertência ou de suspensão de até 30 (trinta) dias;
IV - pela autoridade que houver feito a nomeação, quando se tratar de destituição de cargo em
comissão.
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Por último, veremos a possibilidade de revisão, recurso, do PAD, a qual, em regra, não poderá
agravar a penalidade, conforme artigo 182, parágrafo único da Lei 8.112/90.
Sobre o tema, destacam-se os artigos da Lei 8.112/90:
Art. 174. O processo disciplinar poderá ser revisto, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício,
quando se aduzirem fatos novos ou circunstâncias suscetíveis de justificar a inocência do
punido ou a inadequação da penalidade aplicada.
§ 1o Em caso de falecimento, ausência ou desaparecimento do servidor, qualquer pessoa da
família poderá requerer a revisão do processo.
§ 2o No caso de incapacidade mental do servidor, a revisão será requerida pelo respectivo
curador.
Art. 176. A simples alegação de injustiça da penalidade não constitui fundamento para a
revisão, que requer elementos novos, ainda não apreciados no processo originário.
Art. 181. O julgamento caberá à autoridade que aplicou a penalidade, nos termos do art. 141.
Parágrafo único. O prazo para julgamento será de 20 (vinte) dias, contados do recebimento do
processo, no curso do qual a autoridade julgadora poderá determinar diligências.
Art. 182. Julgada procedente a revisão, será declarada sem efeito a penalidade aplicada,
restabelecendo-se todos os direitos do servidor, exceto em relação à destituição do cargo em
comissão, que será convertida em exoneração.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 133/136
Referências e links deste capítulo
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12314.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9849.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art6
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá resultar agravamento de penalidade.
Ressalte-se que o ônus da prova, no processo revisional cabe ao requerente (art. 175).
Por sua vez, a prescrição do PAD se dará na forma do artigo 142 da Lei 8.112/90:
Art. 142. A ação disciplinar prescreverá:
I - em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação de aposentadoria
ou disponibilidade e destituição de cargo em comissão;
II - em 2 (dois) anos, quanto à suspensão;
III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto à advertência.
§ 1º O prazo de prescrição começa a correr da data em que o fato se tornou conhecido.
§ 2º Os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam-se às infrações disciplinares
capituladas também como crime.
§ 3º A abertura de sindicância ou a instauração de processo disciplinar interrompe a
prescrição, até a decisão final proferida por autoridade competente.
§ 4º Interrompido o curso da prescrição, o prazo começará a correr a partir do dia em que
cessar a interrupção.
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art18
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12527.htm#art43
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2225-45.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11784.htm#art172
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
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12. Agentes Públicos
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9527.htm#art1
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12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 136/136236, § 3º, da CF/88.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder
Público, na forma do art. 236, da CF/88, e não são investidos em cargos efetivos.
Para ouvir ao áudio correspondente, acesse o LDI.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 14/136
Organização funcional
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
A Constituição Federal utiliza em diversas normas as expressões cargo, emprego e função para
designar realidades diversas, porém que existem paralelamente na Administração.
Temos os seguintes conceitos, dados pela Prof.ª Fernanda Marinela:
Cargo público: Seria a mais simples e indivisível unidade de competência a ser expressa
por um agente público, para o exercício da função pública (integra a organização funcional
da administração pública dentro das pessoas jurídicas de direito público. Seu conceito
encontra amparo legal, no artigo 3º da Lei 8.112/90:
Art. 3º. Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades previstas na estrutura
organizacional que devem ser cometidas a um servidor.
Parágrafo único. Os cargos públicos, acessíveis a todos os brasileiros, são criados por lei, com
denominação própria e vencimento pago pelos cofres públicos, para provimento em caráter
efetivo ou em comissão.
Função Pública: Seria o conjunto de atribuições e responsabilidades de um servidor, ou
seja, as tarefas efetivamente desenvolvidas por ele.
Emprego Público: É a relação funcional de trabalho que conta com um conjunto de
atribuições e responsabilidades, com regime Celetista (CLT) - Empregado público que
trabalha nas pessoas jurídicas de direito privado;
Carreira: Conjunto e organização de cargos de forma hierarquizada (agrupamento de
classes da mesma profissão);
Classe: Agrupamento de cargos de mesma profissão, com ¡idênticas funções, atribuições,
responsabilidades e vencimentos;
Quadro: Conjunto de carreiras e quadros isolados que compõem a estrutura de um
determinado órgão;
Vejamos um exemplo para fixar melhor o conteúdo: No Tribunal de Justiça de Goiás, todos que
trabalham neste órgão, serão pessoas que compõem o quadro de servidores do TJ Goiás,
compreendendo todas as carreiras e quadros isolados do órgão. Também temos dentro deste
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 15/136
órgão, a carreira de Analista Judiciário (oficiais de justiça), que será composta por uma
hierarquia denominada por classes:
Classe “A” - Remuneração mais alta;
Classe “B” - Remuneração intermediária;
Classe “C” - Remuneração intermediária;
Classe “D” - Remuneração mais baixa;
Continuando, temos os contratos temporários, que seriam uma situação excepcional de
contratação, devidamente autorizada pela nossa Constituição Federal, ou seja, são pessoas que
não serão efetivas de determinado cargo, pelo contrário, o exercerá em caráter temporário.
Essa situação encontra amparo no artigo 37, IX da CF/1988:
Art. 37. IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a
necessidade temporária de excepcional interesse público.
Também é regulado o tema do contrato temporário, pela Lei 8.745/93, no seu art. 2º:
Art. 2º Considera-se necessidade temporária de excepcional interesse público:
I - assistência a situações de calamidade pública;
II - assistência a emergências em saúde pública; (Redação dada pela Lei nº 12.314, de 2010) [3]
III - realização de recenseamentos e outras pesquisas de natureza estatística efetuadas pela
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE; (Redação dada pela Lei nº 9.849,
de 1999). [4]
IV - admissão de professor substituto e professor visitante;
V - admissão de professor e pesquisador visitante estrangeiro;
[…]
No contrato temporário, os agentes públicos serão contratados sem concurso público. Será
feito apenas um processo seletivo simplificado, regulado pelo artigo 3º da Lei 8.745/93:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 16/136
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12314.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12314.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12314.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12314.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12314.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9849.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9849.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9849.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9849.htm#art1
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9849.htm#art1
Questão 2016 | 4000001502
O Município Beta veri�cou grave comprometimento dos serviços de educação das
escolas municipais, considerando o grande número de professoras gozando licença
maternidade e de pro�ssionais em licença de saúde, razão pela qual fez editar uma lei
que autoriza a contratação de professores, por tempo determinado, sem a realização de
concurso, em situações devidamente especi�cadas na norma local.
Diante dessa situação hipotética, assinale a a�rmativa correta.
A)
A Constituição da República não autoriza a contratação temporária sem a realização de
concurso público.
B)
O Município Beta somente poderia se utilizar da contratação temporária para os cargos
permanentes de direção, che�a e assessoramento.
C)
A contratação temporária, nos termos da lei, é possível, considerando que a situação
apresentada caracteriza necessidade temporária de excepcional interesse público.
D)
A contratação temporária de servidores, independentemente de previsão legal, é
possível.
Solução
Gabarito: C)
A contratação temporária, nos termos da lei, é possível, considerando que a
situação apresentada caracteriza necessidade temporária de excepcional
interesse público.
Art. 3º O recrutamento do pessoal a ser contratado, nos termos desta Lei, será feito mediante
processo seletivo simplificado sujeito a ampla divulgação, inclusive através do Diário Oficial da
União, prescindindo de concurso público. (Dispensado o Concurso Público).
A palavra prescindir é bastante utilizada em provas para confundir candidatos
desatentos. Cada vez que você se deparar com esta palavra, faça mentalmente a
substituição desta palavra por DISPENSAR.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 17/136
A questão aborda o tema dos servidores públicos, em especial sobre a possibilidade de
contratação de servidores temporários.
No caso enunciado, determinado município veri�cou grave comprometimento dos
serviços de educação das escolas municipais, considerando o grande número de
professoras gozando licença maternidade e de pro�ssionais em licença de saúde, razão
pela qual fez editar uma lei que autoriza a contratação de professores, por tempo
determinado, sem a realização de concurso, em situações devidamente especi�cadas na
norma local.
A obrigatoriedade da realização de concursos públicos para contratação de servidores é
prevista no art. 37, II, CF/88, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão
declarado em lei de livre nomeação e exoneração, a saber:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e e�ciência e, também, ao seguinte:
(...)
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso
público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do
cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em
comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração.
Todavia, a contratação temporária sem a realização de concurso é possível, nos termos
do art. 37, IX da CF/88.
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípiosobedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e e�ciência e, também, ao seguinte:
(...)
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a
necessidade temporária de excepcional interesse público.
Segundo a jurisprudência do STF, a lei do ente federativo regulamentando o art. 37, IX,
da CF/88 não poderá prever hipóteses abrangentes e genéricas de contratações
temporárias sem concurso público. Além disso, essa lei deverá especi�car a contingência
fática que caracteriza a situação de emergência.
Nesse sentido:
"(...) O conteúdo jurídico do art. 37, inciso IX, da Constituição Federal pode ser resumido,
rati�cando-se, dessa forma, o entendimento da Corte Suprema de que, para que se
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 18/136
considere válida a contratação temporária, é preciso que: a) os casos excepcionais
estejam previstos em lei; b) o prazo de contratação seja predeterminado; c) a necessidade
seja temporária; d) o interesse público seja excepcional; e) a necessidade de contratação
seja indispensável, sendo vedada a contratação para os serviços ordinários permanentes
do Estado, e que devam estar sob o espectro das contingências normais da Administração.
4. É inconstitucional a lei municipal em comento, eis que a norma não respeitou a
Constituição Federal. A imposição constitucional da obrigatoriedade do concurso público é
peremptória e tem como objetivo resguardar o cumprimento de princípios constitucionais,
dentre eles, os da impessoalidade, da igualdade e da e�ciência. Deve-se, como em outras
hipóteses de reconhecimento da existência do vício da inconstitucionalidade, proceder à
correção da norma, a �m de atender ao que dispõe a Constituição Federal. 5. Há que se
garantir a instituição do que os franceses denominam de la culture de gestion, a cultura de
gestão (terminologia atualmente ampliada para ‘cultura de gestão estratégica’) que
consiste na interiorização de um vetor do progresso, com uma apreensão clara do que é
normal, ordinário, e na concepção de que os atos de administração devem ter a pretensão
de ampliar as potencialidades administrativas, visando à e�cácia e à transformação
positiva. 6. Dá-se provimento ao recurso extraordinário para o �m de julgar procedente a
ação e declarar a inconstitucionalidade do art. 192, inciso III, da Lei nº 509/1999 do
Município de Bertópolis/MG, aplicando-se à espécie o efeito ex nunc, a �m de garantir o
cumprimento do princípio da segurança jurídica e o atendimento do excepcional interesse
social." (RE 658026, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em
09/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-214 DIVULG
30-10-2014 PUBLIC 31-10-2014).
A letra A está incorreta. INCORRETA.
A contratação temporária sem a realização de concurso é possível, nos termos do art. 37, IX
da CF/88.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
A obrigatoriedade da realização de concursos públicos para contratação de servidores é
prevista no art. 37, II, CF/88, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado
em lei de livre nomeação e exoneração.
A letra C está correta. CORRETA.
A contratação temporária sem a realização de concurso é possível, nos termos do art. 37, IX
da CF/88. Segundo a jurisprudência do STF, a lei do ente federativo regulamentando o art.
37, IX, da CF/88 não poderá prever hipóteses abrangentes e genéricas de contratações
temporárias sem concurso público. Além disso, essa lei deverá especi�car a contingência
fática que caracteriza a situação de emergência.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 19/136
Segundo art. 37, IX da CF/, a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo
determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público.
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Cargo em comissão
Há também dentro da organização funcional os denominados cargos em comissão. Esses
cargos correspondem ao exercício de funções de chefia, direção e assessoramento. Serão
ocupados em caráter provisório e poderão ser preenchidos por qualquer pessoa,
independentemente de concurso público, pois são baseados na confiança e são de livre
nomeação e exoneração.
Os cargos em comissão, ao contrário dos tipos anteriores, são de ocupação transitória. Seus
titulares são nomeados em função da relação de confiança que existe entre eles e a autoridade
nomeante. Por isso é que na prática alguns os denominam de cargos de confiança. A natureza
desses cargos impede que os titulares adquiram estabilidade. Por outro lado, assim como a
nomeação para ocupá-los dispensa a aprovação prévia em concurso público, a exoneração do
titular é despida de qualquer formalidade especial e fica a exclusivo critério da autoridade
nomeante. Por essa razão é que são considerados de livre nomeação e exoneração (art. 37, II,
CF). (FILHO, 2018)
Importante saber que cargo em comissão é diferente de funções de confiança, estas
correspondem ao exercício de funções de chefia, direção e assessoramento, mas ocupados em
caráter provisório por servidores de carreira, efetivos. Portanto, a diferença reside no fato de
que as funções de confiança são conferidas à agentes que já possuem um cargo público de
natureza efetiva.
Este tema encontra amparo constitucional no artigo 37, inc. V:
Art. 37, CF.
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo
efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos,
condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de
direção, chefia e assessoramento.
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 20/136
Questão 2020 | 4000000033
Maria foi contratada, temporariamente, sem a realização de concurso público, para
exercer o cargo de professora substituta em entidade autárquica federal, em decorrência
do grande número de professores do quadro permanente em gozo de licença. A
contratação foi objeto de prorrogação, de modo que Maria permaneceu em exercício por
mais três anos, período durante o qual recebeu muitos elogios. Em razão disso, alunos,
pais e colegas de trabalho levaram à direção da autarquia o pedido de criação de um
cargo em comissão de professora, para que Maria fosse nomeada para ocupá-lo e
continuasse a ali lecionar.
Avalie a situação hipotética apresentada e, na qualidade de advogado(a), assinale a
a�rmativa correta.
A)
Não é possível a criação de um cargo em comissão de professora, visto que tais cargos
destinam-se apenas às funções de direção, che�a e assessoramento.
B)
É adequada a criação de um cargo em comissão para que Maria prolongue suas
atividades como professora na entidade administrativa, diante do justi�cado interesse
público.
C)
Maria tem estabilidade porque exerceu a função de professora por mais de três anos
consecutivos, tornando desnecessária a criação de um cargo em comissão para que ela
continue como professora na entidade autárquica.
D)
Não é necessária a criação de um cargo em comissão para que Maria permaneça
exercendo a função de professora, porque a contratação temporária pode ser
prorrogada por tempo indeterminado.
Solução
Gabarito: A)
Não é possível a criação de um cargo em comissão de professora, visto que
tais cargos destinam-se apenas às funções de direção, che�a e
assessoramento.
A questão trata dos cargos em comissão, os quais são relacionados exclusivamente às
atribuições de direção, che�a e assessoramento, e podem ser ocupados por qualquer
pessoa, servidor público ou não, cabendo à legislação ordinária estabelecer os casos,
condições e percentuais mínimos de cargos comissionados destinados aos servidores de
carreira, na forma do art. 37, V, da Constituição Federal. Vejamos:
Art. 37 (...)
V - as funções de con�ança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo
efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 21/136casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às
atribuições de direção, che�a e assessoramento;
No caso, pais e alunos pleiteavam a criação de um cargo em comissão de professora,
para que Maria continuasse a lecionar na escola. Porém, a pretensão não é legítima, pois
como disposto no art. 37, V, CF/88, os cargos em comissão serão exercidos
exclusivamente por servidores já ocupantes de cargo efetivo.
Aliás, o STF já teve a oportunidade de declarar a inconstitucionalidade de leis estaduais
que pretenderam criar cargos em comissão para funções estritamente técnicas ou
rotineiras da administração (vide ADI 3.706/MS, rel. Ministro GILMAR MENDES,
15.8.2007 e RE 376.440/DF, rel. Ministro DIAS TOFFOLI, 17.6.2010).
A letra A está correta. CORRETA.
Em se tratando de cargo em comissão, sua criação somente se destina a funções de direção,
che�a e assessoramento, conforme preceitua o art. 37, V, da CRFB/88.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
A criação do cargo em comissão afrontaria o princípio do concurso público, previsto no art.
37, II, CF/88, bem como a jurisprudência do STF acima apontada, por melhor que tenha sido
o desempenho da professora substituta contratada.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
A aquisição de estabilidade pressupõe prévia aprovação em concurso público para
provimento em cargo efetivo, na forma do art. 41, caput, da CRFB/88:
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo
de provimento efetivo em virtude de concurso público.
No caso, Maria não prestou concurso, tendo sido contratada temporariamente. Na verdade,
sequer ocupava cargo público, exercendo, em rigor, função pública sem o correspondente
cargo.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
A contratação temporária não pode ocorrer por prazo indeterminado. No caso da
contratação de professor substituto, o prazo é de 1 ano, admitindo-se prorrogação, desde
que não exceda 2 anos, conforme art. 2º, IV c/c art. 4º, II e parágrafo único, I, da Lei
8.745/93:
Art. 2º Considera-se necessidade temporária de excepcional interesse público:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 22/136
(...)
IV - admissão de professor substituto e professor visitante;
(...)
Art. 4o As contratações serão feitas por tempo determinado, observados os seguintes prazos
máximos:
(...)
II - 1 (um) ano, nos casos dos incisos III e IV, das alíneas d e f do inciso VI e do inciso X do
caput do art. 2º;
(...)
Parágrafo único. É admitida a prorrogação dos contratos:
I - no caso do inciso IV, das alíneas b, d e f do inciso VI e do inciso X do caput do art. 2o,
desde que o prazo total não exceda a 2 (dois) anos;
Resumindo, em determinado órgão do poder público, poderão existir concomitantemente,
cargos em comissão, que serão de livre nomeação e exoneração, podendo o responsável do
órgão escolher qualquer pessoa para preenchê-los e, ao mesmo tempo, podem existir funções
de confiança, exercidas por servidores que já são titulares de cargo público.
Contudo, vale ressaltar que a liberdade de nomeação para os cargos em comissão deve ser
relativizada pelos princípios constitucionais da Administração Pública. Por isso, o STF, com
fundamento nos princípios da moralidade e da impessoalidade, editou a Súmula Vinculante 13
para vedar o nepotismo, direto e cruzado, na Administração direta e indireta de todos os
Poderes.
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
E o que viria a ser nepotismo?
Consubstancia-se na nomeação de pessoas da própria família à cargo o qual lhe é subordinado.
Por afrontar diretamente os princípios constitucionais, em especial o princípio da moralidade,
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 23/136
não se exige lei específica estabelecendo vedação ao nepotismo.
Vejamos então a súmula vinculante nº 13 do STF que trata do tema:
Súmula Vinculante 13 - STF - A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta,
colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de
servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento,
para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na
administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas,
viola a Constituição Federal.
A vedação também alcança o "nepotismo cruzado”, que significa a nomeação dos parentes de
duas autoridades à cargos que são subordinados, porém entre eles, por exemplo, o prefeito que
nomeia parentes do governador para cargos em comissão e o governador nomeia os parentes
do dito prefeito, criando-se uma situação totalmente imoral por parte dos administradores
públicos.
Ao se editar a Súmula Vinculante nº 13, embora não se tenha pretendido esgotar todas as
possibilidades de configuração de nepotismo na Administração Pública, erigiram-se critérios
objetivos de conformação, a saber: i) ajuste mediante designações recíprocas, quando
inexistente a relação de parentesco entre a autoridade nomeante e o ocupante do cargo de
provimento em comissão ou função comissionada; ii) relação de parentesco entre a pessoa
nomeada e a autoridade nomeante; iii) relação de parentesco entre a pessoa nomeada e o
ocupante de cargo de direção, chefia ou assessoramento a quem estiver subordinada e iv)
relação de parentesco entre a pessoa nomeada e a autoridade que exerce ascendência
hierárquica ou funcional sobre a autoridade nomeante.
Lembrando que apenas será vedada a nomeação de parentes se a pessoa puder influenciar
objetivamente na escolha, é o que entende o STF:
EMENTA Constitucional e Administrativo. Súmula Vinculante nº 13. Ausência de configuração
objetiva de nepotismo. Reclamação julgada improcedente. Liminar anteriormente deferida
cassada. (…) 2. Em sede reclamatória, com fundamento na SV nº 13, é imprescindível a
perquirição de projeção funcional ou hierárquica do agente político ou do servidor público de
referência no processo de seleção para fins de configuração objetiva de nepotismo na
contratação de pessoa com relação de parentesco com ocupante de cargo de direção, chefia
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 24/136
ou assessoramento no mesmo órgão, salvo ajuste mediante designações recíprocas. 3.
Reclamação julgada improcedente. Cassada a liminar anteriormente deferida. (Rcl 18564,
Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Relator(a) p/ Acórdão: Min. DIAS TOFFOLI, Segunda
Turma, julgado em 23/02/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-161 DIVULG 02-08-2016
PUBLIC 03-08-2016).
Importante salientar que a Súmula Vinculante nº 13 não se aplicará aos cargos de provimento
efetivo. Portanto, na hipótese de um determinado candidato ser aprovado para procurador no
mesmo município onde o pai é prefeito, não existirá óbice com base no nepotismo.
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCISO VI DO ART. 32 DA
CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO. SERVIDOR PÚBLICO. NEPOTISMO.
VEDAÇÃO AO EXERCÍCIO DE FUNÇÕES SOB A DIREÇÃO IMEDIATA DE CÔNJUGE OU
PARENTE ATÉ O SEGUNDO GRAU CIVIL. VIOLAÇÃO AO INCISO II DO ART. 37 DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL E AO PRINCÍPIO DA ISONOMIA. INEXISTÊNCIA. PROIBIÇÃO QUE
DECORRE DO CAPUT DO ART. 37 DA CF. PROCEDÊNCIA PARCIAL PARA EMPRESTAR
INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO. INCIDÊNCIA EXCLUSIVA SOBRE CARGOS
DE PROVIMENTO EM COMISSÃO. FUNÇÃO GRATIFICADA E CARGOS E DIREÇÃO E
ASSESSORAMENTO. (ADI 524, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Relator(a) p/
Acórdão: Min. RICARDO LEWANDOSKI, Tribunal Pleno, julgado em 20/05/2015, DJe-151
DIVULG 31-07-2015 PUBLIC 03-08-2015 EMENT VOL-03992-01 PP-00001).
Ademais, os cargos políticos no âmbito da administração pública, ou seja, aqueles que
compõem a estrutura do poder, como os secretários do estado, ou do município, em regra,
também não incorrerão em nepotismo.
Vejamos a jurisprudência correlata ao tema:
CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NORECURSO
EXTRAORDINÁRIO. NOMEAÇÃO DE PARENTE PARA CARGO PÚBLICO DE NATUREZA
POLÍTICA. DESRESPEITO À SÚMULA VINCULANTE 13. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES. 1. A
jurisprudência do STF preconiza que, ressalvada situação de fraude à lei, a nomeação de
parentes para cargos públicos de natureza política não desrespeita o conteúdo normativo do
enunciado da Súmula Vinculante 13. 2. Agravo regimental a que se nega provimento.” (STF -
RE: 825682 SC, Relator: Min. TEORI ZAVASCKI, Data de Julgamento: 10/02/2015, Segunda
Turma, Data de Publicação: DJe-039 DIVULG 27-02-2015 PUBLIC 02-03-2015).
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 25/136
Todavia, poderá ficar caracterizado o nepotismo, mesmo em se tratando de cargo político, caso
fique demonstrada a inequívoca falta de razoabilidade na nomeação por manifesta ausência de
qualificação técnica ou inidoneidade moral do nomeado.
Nesse sentido, o STF:
Em regra, a proibição da SV 13 não se aplica para cargos públicos de natureza política, como,
por exemplo, Secretário Municipal.
Assim, a jurisprudência do STF, em regra, tem excepcionado a regra sumulada e garantido a
permanência de parentes de autoridades públicas em cargos políticos, sob o fundamento de
que tal prática não configura nepotismo.
Exceção: poderá ficar caracterizado o nepotismo mesmo em se tratando de cargo político
caso fique demonstrada a inequívoca falta de razoabilidade na nomeação por manifesta
ausência de qualificação técnica ou inidoneidade moral do nomeado.
STF. 1ª Turma. Rcl 28024 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/05/2018.
Cargos efetivos
Os cargos efetivos contam com a maior garantia de vínculo, não podendo ser exonerados
livremente.
Aqui, existe a necessidade de prévia aprovação em concurso público e a nomeação feita será
em caráter definitivo, adquirindo o servidor estabilidade, segundo as regras constitucionais.
Vale lembrar que isto não significa que não possam ser demitidos, mas que, apenas poderão
ser exonerados após processo administrativo correspondente.
Embora em menor grau que nos cargos vitalícios, os cargos efetivos também proporcionam
segurança a seus titulares: a perda do cargo, segundo emana do art. 41, § 1º, da CF, só poderá
ocorrer, depois que adquirirem a estabilidade, se houver sentença judicial ou processo
administrativo em que se lhes faculte ampla defesa, e agora também em virtude de avaliação
negativa de desempenho, como introduzido pela EC n o 19/1998. (FILHO, 2018)
Cargos vitalícios
Por fim, existem ainda os cargos vitalícios. Tratam-se de cargos ainda mais seguros dentro da
administração pública, os quais possuem maior garantia de permanência, uma vez que o
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 26/136
Formas de provimento
Questão 2017 | 4000000844
O Município Beta procedeu ao recadastramento de seus servidores efetivos e constatou
que 6 (seis) bacharéis em contabilidade exerciam variados cargos na estrutura
administrativa, todos providos mediante concurso público. Veri�cou também que existiam
desligamento do servidor apenas poderá ocorrer por meio de sentença judicial transitada em
julgado.
Na Constituição de 1988, são vitalícios os cargos dos membros da Magistratura, consoante art.
95, I, CF/88, do Tribunal de Contas, de acordo com o art. 73, § 3º, CF/88 e do Ministério
Público, conforme art. 128, § 5º, a, CF/88.
Explica o Prof. José dos Santos Carvalho Filho:
A vitaliciedade tem previsão constitucional. Atualmente são cargos vitalícios os dos
magistrados (art. 95, I, CF), os dos membros do Ministério Público (art. 128, § 5 º, I, a, CF) e os
dos membros dos Tribunais de Contas (art. 73, § 3º, CF). Por se tratar de prerrogativa de sede
constitucional, em função da qual cabe ao Constituinte aferir a natureza do cargo e da função
para atribuí-la, não podem Constituições Estaduais e Leis Orgânicas municipais, nem mesmo
lei de qualquer esfera, criar outros cargos com a garantia da vitaliciedade. Consequentemente,
apenas Emenda à Constituição Federal poderá fazê-lo. (FILHO, 2018)
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Provimento é o ato do poder público que designa para ocupar cargo, emprego ou função a
pessoa física que preencha os requisitos legais. É, em outras palavras, o preenchimento do
cargo público.
Algumas classificações são dignas de nota.
Provimento originário
Provimento originário se dá com a Nomeação. Ocorre quando o candidato é nomeado
efetivamente para o cargo público, independente de possuir qualquer vínculo anterior com a
administração.
Aqui é necessário um concurso público, não se confundido com um concurso interno.
Este tema já foi cobrado pela FGV:
12. Agentes Públicos
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10 (dez) cargos vagos de auditores �scais de tributos, decorrentes de aposentadorias
havidas nos últimos anos.
O Município, considerando a necessidade de incrementar receitas, editou lei
reorganizando sua estrutura funcional de modo a reenquadrar aqueles servidores como
auditores �scais de tributos.
Com base na hipótese apresentada, acerca do provimento de cargo público, assinale a
a�rmativa correta.
A)
A medida é inválida, porque o provimento originário de cargo efetivo em uma
determinada carreira exige concurso público especí�co.
B)
A medida é válida, porque os servidores reenquadrados são concursados, con�gurando-se
na espécie mera transformação de cargos, expressamente prevista na CRFB/88.
C)
A medida é inválida, porque o provimento de todo e qualquer cargo faz-se
exclusivamente mediante concurso público.
D)
A medida é válida, porque os servidores reenquadrados são concursados e não há
aumento de despesa, uma vez que os cargos preenchidos já existiam.
Solução
Gabarito: A)
A medida é inválida, porque o provimento originário de cargo efetivo em uma
determinada carreira exige concurso público especí�co.
A questão trata das formas de provimento nos cargos da administração pública.
No caso, um Município Beta procedeu ao recadastramento de seus servidores efetivos e
editou lei reorganizando sua estrutura funcional de modo a reenquadrar 6 (seis) bacharéis
em contabilidade que exerciam variados cargos na estrutura administrativa, todos
providos mediante concurso público, como auditores �scais de tributos, vez que existiam
10 (dez) cargos vagos de auditores.
A medida fere claramente a regra da obrigatoriedade do concurso público.
O provimento originário é o preenchimento de classe inicial de cargo não decorrente de
qualquer vínculo anterior entre o servidor e a administração. A única forma de provimento
originário atualmente compatível com a Constituição é a nomeação e, para os cargos
efetivos, depende sempre de aprovação prévia em concurso público de provas ou de
provas e títulos, segundo art. 37, Il, CF/88.
Art. 37. (...)
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso
público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do
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cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em
comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;
Ademais, dispõe o Súmula Vinculante 43:
SV 43-STF: É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor
investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em
cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.
A letra A está correta. CORRETA.
A medida fere claramente a regra da obrigatoriedade do concurso público. A única forma de
provimento originário atualmente compatível com a Constituição é a nomeação e, para os
cargos efetivos, depende sempre de aprovação prévia em concurso público de provas ou de
provas e títulos, segundo art. 37, Il, CF/88.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
A medida fere claramente a regra da obrigatoriedade do concurso público.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
A única forma de provimento originário atualmente compatível com a Constituição é a
nomeação e, paraos cargos efetivos, depende sempre de aprovação prévia em concurso
público de provas ou de provas e títulos, segundo art. 37, Il, CF/88.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
Segundo a Súmula Vinculante 43 do STF, é inconstitucional toda modalidade de provimento
que propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado
ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.
Provimento derivado
Provimento derivado ocorre quando um servidor que já possui vínculo anterior com a
administração pública, é investido em outro cargo dentro da mesma carreira.
O provimento derivado poderá ser de três maneiras:
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Questão 2014 | 4000002006
Em determinado estado da Federação, o Estatuto dos Servidores Públicos, lei ordinária
estadual, prevê a realização de concurso interno para a promoção de servidores de nível
médio aos cargos de nível superior, desde que preencham todos os requisitos para
investidura no cargo, inclusive a obtenção do bacharelado.
A partir da situação descrita e tomando como base os requisitos constitucionais para
acesso aos cargos públicos, assinale a a�rmativa correta.
A) A previsão é inválida, pois só poderia ter sido veiculada por lei complementar.
B)
A previsão é válida, pois a disciplina dos servidores públicos compete à legislação de
cada ente da Federação.
C) A previsão é inválida, por ofensa à Constituição da República.
D) A previsão é válida, desde que encontre previsão na Constituição do estado.
Solução
Gabarito: C) A previsão é inválida, por ofensa à Constituição da República.
A questão aborda o regime jurídico dos agentes públicos.
Na situação, o Estatuto dos servidores de determinado estado da Federação prevê a
realização de concurso interno para a promoção de servidores de nível médio aos cargos
de nível superior, desde que preencham todos os requisitos para investidura no cargo,
inclusive a obtenção do bacharelado.
Trata-se de disposição legal manifestamente ofensiva ao texto constitucional, mais
precisamente ao art. 37, II, CF/88, que consagra o princípio do concurso público como
requisito para investidura em cargos ou empregos públicos.
No Provimento Derivado Vertical, temos as seguintes hipóteses:
• Promoção: quando o servidor é promovido dentro da mesma carreira em cargos
escalonados, ocupando um cargo mais elevado. Vale destacar que este tipo de provimento é
possível no Brasil.
• Ascenção, transposição ou acesso: Esta hipótese de provimento foi abolida pelo texto
constitucional. Permitia o provimento de determinado servidor público em cargo de carreira
diferente da sua, sem prévia aprovação em concurso público.
12. Agentes Públicos
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Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e e�ciência e, também, ao seguinte: (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
(...)
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso
público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do
cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em
comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;
É importante acentuar que concurso interno não é concurso público, razão pela qual não
satisfaz o mandamento constitucional acima indicado.
Ademais, segundo sumulado pelo STF:
Súmula 685, STF: É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao
servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu
provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.
A letra A está incorreta. INCORRETA.
Conforme Súmula 685 do STF, é inconstitucional toda modalidade de provimento que
propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao
seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.
A letra B está incorreta. INCORRETA.
Conforme Súmula 685 do STF.
A letra C está correta. CORRETA.
Segundo Súmula 685 do STF, é inconstitucional toda modalidade de provimento que
propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao
seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
Conforme Súmula 685 do STF.
Outro exemplo, seria o de um determinado motorista de um órgão público, passa no vestibular
e cursa Direito, após se formar, este ingressa no cargo de Procurador, pelo simples fato de ter
curso superior, sendo um provimento, por ser um novo cargo, derivado, porque já se
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Questão 2010 | 4000002256
Determinada Administração Pública realiza concurso para preenchimento de cargos de
detetive, categoria I. Ao �nal do certame, procede à nomeação e posse de 400
(quatrocentos) aprovados. Os vinte primeiros classi�cados são desviados de suas funções
e passam a exercer as atividades de delegado. Com o transcurso de 4 (quatro) anos,
estes vinte agentes postulam a efetivação no cargo.
A partir do fragmento acima, assinale a alternativa correta.
A)
Os referidos agentes têm razão, pois investidos irregularmente, estão exercendo as suas
atividades há mais de 4 (quatro) anos, a consolidar a situação.
B)
É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor investir-se,
sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que
não integra a carreira na qual anteriormente foi investido.
C)
Não têm ainda o direito, pois dependem do transcurso do prazo de 15 (quinze) anos para
que possam ser tidos como delegados, por usucapião.
D)
É inconstitucional esta modalidade de provimento do cargo, pois afronta o princípio do
concurso público, porém não podem ter alterado os ganhos vencimentais, sedimentado
pelos anos, pelo princípio da irredutibilidade.
Solução
Gabarito: B)
É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor
investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu
encontrava exercendo cargo público e, vertical, porque subiu dentro dos quadros da
administração pública.
Importante grifar no seu VADE MECUM a seguinte súmula vinculante, que poderá ser cobrada
sobre este tema em específico na sua prova:
Súmula Vinculante 43 - STF: É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie
ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu
provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.
Este tema já foi cobrado na OAB, vejamos:
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provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente foi
investido.
A questão exige o conhecimento acerca do regime jurídico dos servidores públicos.
Na situação, um ente público realizou concurso para preenchimento de cargos de
detetive, procedendo à nomeação e posse de 400 (quatrocentos) aprovados. Contudo, os
vinte primeiros classi�cados foram desviados de suas funções e passaram a exercer as
atividades de delegado. Após 4 (quatro) anos, estes vinte agentes postularam a
efetivação no cargo.
Nota-se a inconstitucionalidade do provimento pleiteado no caso de a administração
pública ter utilizado os servidores em outra função, nos termos da
Súmula Vinculante 43, a saber: Súmula Vinculante 43: " É inconstitucional toda modalidade
de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso
público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual
anteriormente investido."
Ademais, é impossível a convalidação de tal ato, que é maculado pela ilegalidade desde
a sua origem, devendo os servidores desviados simplesmente retornarem às suas
atribuições legais, para as quais foram selecionados.
A letra Aestá incorreta. INCORRETA.
Segundo a Súmula Vinculante 43, é inconstitucional toda modalidade de provimento que
propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao
seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.
A letra B está correta. CORRETA.
Segundo a Súmula Vinculante 43, é inconstitucional toda modalidade de provimento que
propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao
seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.
A letra C está incorreta. INCORRETA.
Segundo a Súmula Vinculante 43, é inconstitucional toda modalidade de provimento que
propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao
seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.
A letra D está incorreta. INCORRETA.
Segundo a Súmula Vinculante 43, é inconstitucional toda modalidade de provimento que
propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao
12. Agentes Públicos
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seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.
Ademais, eles devem retornar à função anterior.
Há ainda o provimento derivado horizontal. É a hipótese na qual existe a mudança de cargo,
mas que não caracteriza uma progressão ou um crescimento funcional do servidor.
Por exemplo temos a readaptação, a qual trata do servidor investido em cargo de atribuições e
responsabilidades compatíveis com limitação que tenha sofrido em sua capacidade física e
mental.
Continuando com o exemplo do motorista, caso este venha a sofrer um acidente, ao invés de
aposentar, este servidor poderá ser readaptado para um cargo no qual possa exercer mesmo
com as limitações sofridas em decorrência do acidente. A readaptação se encontra
expressamente no artigo 24 da Lei 8.112/90:
Art. 24. Readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições e responsabilidades
compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental verificada
em inspeção médica.
§ 1º Se julgado incapaz para o serviço público, o readaptando será aposentado.
§ 2º A readaptação será efetivada em cargo de atribuições afins, respeitada a habilitação
exigida, nível de escolaridade e equivalência de vencimentos e, na hipótese de inexistência de
cargo vago, o servidor exercerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência de vaga.
(Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Outra forma de provimento derivado horizontal, referia-se à transferência que permitia ao
servidor estável de cargo efetivo, migrar para outro órgão ou quadro diverso para ocupar
função idêntica. Esta forma de provimento foi extinta.
Também temos a reintegração, que trata da hipótese de retorno do servidor ao cargo
anteriormente ocupado quando invalidada sua desinvestidura por decisão administrativa ou
judicial. Por exemplo, caso um servidor seja demitido em um Processo Administrativo
Disciplinar, mas consiga reverter esta decisão no poder judiciário ou administrativamente, será
reintegrado ao seu cargo previamente ocupado.
A lei 8.112/90 trata deste tipo de provimento derivado horizontal, no seu artigo 28:
Art. 28. A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente ocupado,
ou no cargo resultante de sua transformação, quando invalidada a sua demissão por decisão
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 34/136
Questão 2013 | 4000002089
Cláudio, servidor público federal estável, foi demitido por suposta prática de ato de
insubordinação grave em serviço. Diante da inexistência de regular processo
administrativo disciplinar, Cláudio conseguiu judicialmente a anulação da demissão e a
reinvestidura no cargo anteriormente ocupado. Ocorre que tal cargo já estava ocupado
por João, que também é servidor público estável.
Considerando o caso concreto, assinale a a�rmativa correta.
A)
Sendo Cláudio reinvestido, o ato con�gura reintegração. Caso João ocupasse outro
cargo originariamente, seria reconduzido a ele, com direito à indenização.
administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as vantagens.
§ 1º Na hipótese de o cargo ter sido extinto, o servidor ficará em disponibilidade, observado o
disposto nos arts. 30 e 31.
§ 2º Encontrando-se provido o cargo, o seu eventual ocupante será reconduzido ao cargo de
origem, sem direito à indenização ou aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto em
disponibilidade.
Quando ocorrer a hipótese do artigo 28, §2º, o eventual ocupante será reconduzido ao cargo
de origem, aqui estamos diante do que se conhece por recondução, que também seria um
provimento derivado horizontal, no qual existe o retorno do servidor para seu cargo de origem
quando o antigo ocupante foi reintegrado ou o servidor for inabilitado em estágio probatório
relativo a outro cargo. Encontra-se expressamente disposto no artigo 29 da Lei 8.112/90:
Art. 29. Recondução é o retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado e
decorrerá de:
I - inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo;
II - reintegração do anterior ocupante.
Parágrafo único. Encontrando-se provido o cargo de origem, o servidor será aproveitado em
outro, observado o disposto no art. 30.
Estes temas são bastante cobrados na prova da OAB, vejamos:
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 35/136
B)
Sendo Cláudio reinvestido, o ato con�gura reversão. Caso João ocupasse outro cargo
originariamente, seria reconduzido a ele, com direito à indenização.
C)
Cláudio obteve em juízo sua reintegração. João será reconduzido ao cargo de origem,
sem indenização, ou será aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade.
D)
Cláudio obteve em juízo sua reversão. João será reconduzido ao cargo de origem, sem
indenização, ou será aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade.
Solução
Gabarito: C)
Cláudio obteve em juízo sua reintegração. João será reconduzido ao cargo de
origem, sem indenização, ou será aproveitado em outro cargo ou posto em
disponibilidade.
A questão aborda o tema dos Agentes públicos, cujo regime jurídico é regulado pela Lei
8.112 de 1990.
Na situação, um servidor público federal estável foi demitido por suposta prática de ato
de insubordinação grave em serviço. Diante da inexistência de regular processo
administrativo disciplinar, ele conseguiu judicialmente a anulação da demissão e a
reinvestidura no cargo anteriormente ocupado. Contudo, o tal cargo já estava ocupado
por outro servidor público, também estável.
O retorno ao cargo anteriormente ocupado, em razão de anulação do ato de demissão,
anulação esta obtida por meio de decisão judicial ou administrativa, com ressarcimento
de todas as vantagens, con�gura o instituto da reintegração, conforme art. 41, §2º, CF/88
c/c art. 28, Lei 8.112/90.
Já em relação à João, o outro servidor, sendo ele estável, deveria ser reconduzido ao
cargo anteriormente ocupado, ou aproveitado em outro cargo, ou ainda posto em
disponibilidade, sem direito a indenização, como se infere do dispositivo constitucional
acima indicado. Vejamos:
CF/88
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para
cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
12. Agentes Públicos
12. Agentes Públicos 36/136
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei
complementar, assegurada ampla defesa. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão