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Ana Caroline Abdo – MEDUP TXIX 1 AULA 9 – ANTIFÚNGICOS RELEMBRANDO DA MICROBIOLOGIA EUCARIONTES Filamentosos • Aparelho Vegetativo HIFAS • Conidiogênese para propagação (Conídios= infectante) Leveduriformes Pseudohifas Dimorfismo (patogênicos) • A 25°C Filamentoso • A 37°C Leveduriforme Agentes Antifúngicos Em evolução – alta incidência da doença Tradicionais Anfotericina B e Fluorocitosina Novos agentes ativos sistemicamente e novas formulações de agentes antigos que fornecem eficácia comparável ou mesmo superior, com toxicidade menor CÉLULA FÚNGICA E LOCAIS DE AÇÃO AGENTES ANTIFÚNGICOS SISTEMICAMENTE ATIVOS POLIENOS Anfotericina B e suas formulações lipídicas são antifúngicos macrolidios polienos usados em infecções graves (IV ou tópico) Nistatina somente em aplicação tópica A estrutura básica é composta de um grande anel lactâmico com uma cadeia lipofílica rígida e uma porção hidrofílica flexível ANFOTERICINA B Anfotericina B possui sete ligações duplas que podem ser inativadas por calor, luz e pH Formulação IV (anfotericina B desoxicolato) Formulações lipídicas (lipossomal), diminuir a toxicidade MECANISMO DE AÇÃO: Ligação ao esgosterol da membrana Formação de canais iônicos que destroem a integridade osmótica e levam a morte Ligação no colesterol (mamíferos) é responsável pela toxicidade Dano direto pela oxidação da própria anfotericina B (ação rápida via radicais livres) ESPECTRO DE AÇÃO: • Candida • Cryptococcus neoformans • Aspergillus spp • Zigomicetos Ana Caroline Abdo – MEDUP TXIX 2 • Patógenos dimórficos endêmicos (Blastomyces dermatitidis, Coccidioides immitis, Histoplasma capsulatum, Paracoccidioides brasiliensis e Penicillium marneffei) LIMITAÇÕES: Podem ser resistentes: Aspergillus terreus, Fusarium spp., Trichosporon spp. e certos fungos demácios Suscetibilidade reduzida em: Candida guilliermondii, C. glabrata, C. krusei, C. lusitaniae e C. rugosa Resistência está associada a redução no ergosterol INDICAÇÕES PRINCIPAIS: • Candidíase invasiva • Criptococose • Aspergilose • Mucormicose • Blastomicose • Coccidioidomicose • Histoplasmose • Paracoccidioidomicose • Peniciliose • Esporotricose FARMACOCINÉTICA: É amplamente distribuída em vários tecidos e órgãos, incluindo fígado, pâncreas, rim, medula óssea e pulmão Ainda que em pequenas quantidades é efetiva em infecções no SNC (intratecal) ANFOTERICINA B LIPOSSOMAL Formulações lipídicas recomendadas para pacientes que não responderam o convencional e para pessoas com função renal deficiente TOXICIDADE: Nefrotoxicidade Relacionados à infusão como febre, calafrios, mialgias, hipotensão e broncoespasmo AZÓIS Divisão por estrutura em imidazóis (2 moléculas de nitrogênio no anel azol) e os triazóis (3 moléculas de nitrogênio no anel azol) Imidazol de ação sistêmica somente CETOCONAZOL Todos os triazóis possuem ação sistêmica – fluconazol, itraconazol, voriconazol, posaconazol Ravuconazol albaconazol e isavuconazol (em avaliação) MECANISMO DE AÇÃO: Imidazóis e triazóis agem por inibição da enzima 14-α- demetilase do lanosterol dependente do citocromo fúngico p-450 Impede a síntese da membrana Dependendo do fungo pode atuar como fungistático ou fungicida Ana Caroline Abdo – MEDUP TXIX 3 VIA METABÓLICA DO ERGOSTEROL CETOCONAZOL Membro lipofílico oralmente absorvido Espectro de atividade inclui os patógenos dimórficos endêmicos – Candida spp., C. neoformans e Malassezia spp Absorção oral irregular necessita de pH gástrico ácido Caráter lipofílico assegura penetração em tecidos adiposos e purulentos, devido a sua ligação à proteína (>99%) penetra pouco no SNC TOXICIDADE: Pode causar sérios efeitos adversos incluindo toxicidade gástrica e hepática, náusea, vomito e erupções Altas doses causam efeitos endócrinos Novos agentes mais potentes e menos tóxicos, seu uso está bastante limitado INDICAÇÕES: Melhor agente de segunda linha para o tto de formas não meníngeas e sem risco à vida de Histoplasmose, blastomicose, coccidioidomicose e paracoccidioidomicose em indivíduos imunocompetentes Similarmente, ele pode ser utilizado no tratamento de candidíase mucocutânea e esporotricose linfocutânea FLUCONAZOL Triazól de primeira geração, com excelente biodisponibilidade oral e baixa toxicidade Ativo contra a maioria das espécies de Candida spp, C. neoformans, dermatófitos, Trichosporum spp., Histoplasma capsulatum, Coccidioides immitis, Paracoccidioides brasiliensis LIMITAÇÕES: Suscetibilidade diminuída: C. krusei (intrinsecamente resistente) e C. glabrata (altas doses 800 mg/dia) Resistência pode se desenvolver quando utilizado na Histoplasmose Atividade limitada contra Blastomices dermatitidis Não é ativo contra os fungos oportunistas, incluindo Aspergillus spp., Fusarium spp. e Mucormicetos FARMACOCINÉTICA/TOXICIDADE: Agente solúvel em água e pode ser administrado por VO ou IV Ligação proteica fraca com distribuição a todos os órgãos e tecidos, inclusive SNC Efeitos colaterais graves como dermatite esfoliativa ou insuficiência hepática são comuns INDICAÇÕES: Devido à baixa toxicidade, facilidade de administração, e atividade fungistática contra a Ana Caroline Abdo – MEDUP TXIX 4 maioria dos fungos leveduriformes, o fluconazol tem um papel importante no tratamento de candidíase, criptococose e coccidioidomicose Terapia primária na candidemia e candidíase mucosa e como profilaxia Terapia de manutenção de meningite criptocócica (AIDS) Agente de escolha na meningite por Coccidioidis immitis Segunda linha na histoplasmose, blastomicose e esporotricose ITRACONAZOL Triazól lipofílico uso oral, cápsula, solução e IV Ativo contra Candida spp., C. neoformans, Aspergillus spp., dermatófitos, bolores demácios, Sporothrix schenckii e dimórficos endêmicos Atividade contra cepas resistentes ao fluconazol de C. glabrata e C. krusei Cepas resistentes de A. fumigatus são raras Zigomicetos e Fusarium são resistentes FARMACOCINÉTICA: Absorção oral é instável e requer pH gástrico ácido A absorção é intensificada com solução oral quando dada em jejum Possui alta ligação proteica Ação fungistática em leveduras e fungicida em Aspergillus UTILIZAÇÃO: • Candidíase hematogênica (não avaliado), útil nas formas cutânea e mucosa • Escolha para esporotricose linfocutânea sem risco de vida e nãomeníngeas, histoplasmose, blastomicose e paracoccidioidomicose • Utilizado em infecções dermatofíticas • Útil na coccidioidomicose não-meníngea, e no tratamento de manutenção da meningite criptocócica INTERAÇÃO E TOXICIDADE: Ao contrário do fluconazol as interações medicamentosas são comuns Hepatotoxicidade grave é rara, outros efeitos como intolerância gastrointestinal, hipocalemia, edema e erupções ocorrem ocasionalmente VORICONAZOL Novo triazól de amplo espectro com atividade contra Candida spp., C. neoformans, Trichosporum spp., Aspergillus spp., Fusarium spp., fungos demacios e patógenos dimórficos Ativo contra C. krusei, C. albicans e C. glabrata com suscetibilidade reduzida ao fluconazol Não é ativo contra zigomicetos Atividade contra resistentes a anfotericina B como Aspergillus terréus Disponível na forma oral e IV, com excelente penetração no SNC e outros tecidos Fungistático para leveduras e fungicida para Aspergillus spp Ana Caroline Abdo – MEDUP TXIX 5 INDICAÇÕES: Possui indicação primária para aspergilose invasiva e candidíase Indicado para pacientes intolerantes ou com infecções refratárias a outros agentes antifúngicos, inclusive com abscessos cerebrais TOXICIDADE E INTERAÇÕES: Aproximadamenteum terço dos pacientes apresentam alterações visuais, no geral é bem tolerado Outros efeitos incluem alterações em enzimas hepáticas, reações cutâneas e alucinações ou confusão Interações com medicamentos metabolizados pelo sistema enzimático hepático p-450 são comuns POSOCONAZOL É um derivado triazólico semelhante ao itraconazol Potente atividade contra Candida, Cryptococcus, fungos dimórficos e filamentosos, incluindo Aspergillus e os Mucormicetos Disponível somente como suspensão oral de liberação imediata Em contraste com o voriconazol, a absorção é aumentada com a ingestão de alimentos e maior com refeições ricas em gorduras Pode existir grande variabilidade na concentração sérica sugerindo monitoramento Similar ao voriconazol, apresenta atividade fungistática contra fungos leveduriformes e fungicida contra Aspergillus spp FDA aprovou para a profilaxia de infecções fúngicas invasivas nos receptores de transplantes de células- tronco hematopoiéticas com doença do enxerto versus hospedeiro, em pacientes com malignidades hematológicas e neutropenia prolongada e para candidíase orofaríngea Geralmente bem tolerado Os eventos adversos mais comuns são leves e incluem desconforto gastrointestinal, erupção cutânea, rubor facial, boca seca e dor de cabeça Como em outros azólicos, toxicidade hepática tem sido descrita e o monitoramento dos testes de função hepática é recomendado, antes e durante o tratamento Interações com outras drogas que são metabolizadas pelo sistema enzimático P450 hepático são comuns EQUINOCANDINAS Nova classe, altamente seletiva de lipopeptídios semisintéticos Inibem a síntese de β-(1,3) - glucanas, constituinte da parede celular β-(1,3) - glucanas não está presente em mamíferos Glucanas são importantes na divisão e no crescimento celulares Ana Caroline Abdo – MEDUP TXIX 6 CASPOFUNGINA ESPECTRO DE AÇÃO: Espectro de atividade está limitado aos fungos em que as β-(1,3) - glucanas fazem parte do componente glucâmico da parede celular Ativos principalmente para Candida spp e Aspergillus spp São inativas contra C. neoformans, Trichosporon spp., Fusarium spp. e outros bolores hialinos e Mucormicetos A resistência é rara INDICAÇÕES: Todas têm espectro e potência similares contra espécies de Candida (fungicida) e Aspergillus (fungistática) Caspofungina é aprovada para candidíase invasiva, incluindo candidemia, e para aspergilose invasiva refratária ou intolerantes Anidulafungina é aprovada para candidíase esofágica e candidemia Micafungina é aprovada para candidíase esofágica, candidemia e prevenção de candidíase invasiva FARMACOCINÉTICA E TOXICIDADE: Administração IV Alta ligação proteica (>95%) Distribuição a todos os órgãos – SNC baixa São bem toleradas e pouca interação medicamentosa ANTIMETABÓLITOS FLUCITOSINA (5-FLUOROCITOSINA, 5FC) Único antifúngico antimetabólito disponível Ação por interferência com a síntese DNA, RNA e proteínas na célula fúngica Sua entrada na célula é via citosina permease e é deaminada em 5-fluoruracil (5-FU) O 5-FU é convertido em 5-fluoruridílico, que então compete com o uracil na síntese do RNA, resultando em RNA defeituoso e inibição do DNA e síntese proteica Espectro limitado a Candida spp., C. neoformans, Saccharomyces cerevisiae e bolores demácios selecionados Resistência primária é rara, mas pode ocorrer em monoterapia para Candida spp. e C. neoformans Não é ativa contra Aspergillus e zigomicetos e outros bolores hialinos Solúvel em água com excelente biodisponibilidade por via oral Altas concentrações no soro, liquor e outros líquido orgânicos As reações adversas são observadas quando a flucitosina excede 100µg/ml e incluem supressão da medula óssea, hepatotoxicidade e intolerância gástrica Não é utilizada em monoterapia devido a propensão a resistência As combinações de flucitosina com anfotericina B ou fluconazol mostraram-se eficazes no tratamento da criptococose e candidíase ALILAMINAS Terbinafina – Agente sistêmico Nafitifina – Agente tópico Ana Caroline Abdo – MEDUP TXIX 7 Estes agentes inibem a enzima esqualeno epoxidase, que resulta numa diminuição no ergosterol e um aumento no esqualeno dentro da membrana celular fúngica TERBINAFINA Antifúngico lipofílico de amplo espectro que inclui dermatófitos, Candida spp., Malassezia furfur, C. neoformans, Trichosporon spp., Aspergillus spp., S. schenkii e Penicillium marneffei Disponível via oral e tópico Alcança altas concentrações em tecidos adiposos, pele, cabelo e unhas Eficaz no tratamento de virtualmente todas as dermatofitoses, incluindo onicomicose Exibe poucos efeitos colaterais Demonstra efetividade clínica em esporotricose e cromoblastomicose Promissora no tratamento de infecções causadas por Candida spp. resistentes ao fluconazol, quando utilizada em combinação com o fluconazol GRISEOFULVINA Agente oral utilizado no tratamento de infecções causadas por dermatófitos Interrompe o crescimento fúngico pela interação com microtúbulos dentro da célula fúngica, resultando numa inibição da mitose Considerada de segunda linha no tratamento de dermatofitoses Agentes mais novos como o itraconazol e a terbinafina são de ação mais rápida e fornecem maior eficácia Está associada a efeitos colaterais brandos incluindo náusea, diarreia, dor de cabeça, hepatotoxicidade, erupções e efeitos colaterais neurológicos OUTROS ANTIFÚNGICOS ANTIFÚNGICOS TÓPICOS Disponível uma grande variedade de preparações tópicas para tratamento de infecções fúngicas cutâneas, superficiais e de mucosa Maioria das classes de antifúngicos, incluindo polienos (anfotericina B, nistatina, pimaracina), alilaminas (naftifina e terbinafina) e numerosos imidazóis e agentes variados FORMAS FARMACÊUTICAS: Para infecções cutâneas e onicomicoses estão disponíveis: cremes, loções, pomadas, pós, aerossóis e esmalte Infecções mucosas são melhor tratadas com suspensões, comprimidos, pastilhas, supositórios e óvulos CRITÉRIOS DE ESCOLHA: A escolha tópica ou sistêmica depende da: 1. Condição do hospedeiro 2. Tipo e extensão da infecção Infecções dermatofíticas cutânea, candidiase oral e vaginal responderão bem a terapia tópica Natureza refratária das onicomicoses ou tinea capitis, requer geralmente terapia sistêmica em longo prazo Ana Caroline Abdo – MEDUP TXIX 8 LANÇAMENTOS: Agentes novos como a sordarinas e azosordarinas, interagem com um novo alvo o fator de alongamento 3, que é essencial à síntese proteica fúngica A inibição da síntese da quitina na parede celular pela Nicomicina Z fornece uma nova abordagem que pode ser útil na adaptação a outros inibidores da síntese da parede celular ou membrana celular NOVOS MEMBROS DE CLASSES: Para agentes já estabelecidos os modos de ação e espectro de atividade são semelhantes aos outros membros da classe Melhoram as propriedades farmacocinéticas e farmacodinâmicas, diminuem a toxicidade e interações medicamento a medicamento ou incluem uma atividade melhorada para determinado fungo atualmente resistente RESISTÊNCIA: Todas as evidencias sobre resistência a antifúngicos vem dos estudos com Candida albicans e outras espécies de Candida Ao contrário das bactérias não existem evidências que os fungos são capazes de destruir ou modificar os antifúngicos Genes de resistência não são transmissíveis de célula a célula Mecanismos envolvidos são: bomba de efluxo multidroga, alterações do alvo e acesso reduzido aos alvos medicamentosos Se desenvolve lentamente e envolvem alterações estruturais em determinadas espécies que foram expostas ao antifúngico previamente FATORES CLÍNICOS QUE CONTRIBUEM À RESISTÊNCIA:A terapia pode falhar embora a droga seja ativa Fatores que influenciam: 1. Condição imune do hospedeiro 2. Local e a gravidade da infecção 3. Presença de corpo estranho (cateter ou enxerto vascular) 4. Atividade da droga no local da infecção 5. Dose e a duração da terapia 6. Adesão do paciente com o regime antifúngico TESTE DE SUSCETIBILIDADE: Estão disponíveis para leveduras São pouco solicitados, mas já existem normas e padronização Bastante utilizados no desenvolvimento de novas drogas Fornece os resultados in vitro e sob condições padronizadas