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NUTRIÇÃO CLÍNICA RESUMOS MATERIAL COMPLEMENTAR http://sanarsaude.com SUMÁRIO 1. ASPECTOS NUTRICIONAIS NA HIPERTENSÃO ARTERIAL ........................................... 5 1.1 Classificação da Pressão Arterial ...................................................................................................5 1.2 Tratamento Não Medicamentoso ...................................................................................................6 2. NUTRIÇÃO NAS DISLIPIDEMIAS................................................................................. 8 2.1 Recomendações Dietéticas ............................................................................................................9 3. TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE ............................................ 12 3.1 Tipos de Tratamento da Obesidade ..............................................................................................12 3.2 Tratamento Dietético da Obesidade ..............................................................................................13 4. MANEJO NUTRICIONAL NA DIABETES MELLITUS (DM) ........................................... 15 4.1 Diabetes Mellitus Gestacional ......................................................................................................15 4.1.1 Terapia Nutricional Recomendada .....................................................................................................................................................................16 4.2 Manejo Nutricional na Diabetes Mellitus ...................................................................................17 5. ASPECTOS NUTRICIONAIS NA SÍNDROME METABÓLICA ......................................... 19 5.1 Recomendações Nutricionais da Síndrome Metabólica ................................................................19 6. TRATAMENTO NUTRICIONAL DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CRÔNICA .................... 21 6.1 Paradoxo da Obesidade................................................................................................................21 6.2 Terapia Nutricional para Pacientes com ICC .................................................................................22 7. NUTRIÇÃO NA DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA ................................... 24 7.1 Conduta Nutricional na DPOC.......................................................................................................24 8. TRATAMENTO NUTRICIONAL DA NEFROLITÍASE ...................................................... 26 8.1 Alimentos Promotores da Nefrolitíase ..........................................................................................26 8.2 Alimentos Protetores da Nefrolitíase ............................................................................................27 http://sanarsaude.com 3NUTRIÇÃO CLÍNICA 9. ASPECTOS NUTRICIONAIS DAS DOENÇAS GLOMERULARES .................................... 28 9.1 Tratamento Nutricional nas Glomerulopatias................................................................................28 10. TRATAMENTO NUTRICIONAL NA LESÃO RENAL AGUDA (LRA) ............................... 30 10.1 Terapia Nutrional na LRA ............................................................................................................30 11. TRATAMENTO NUTRICIONAL NA DOENÇA RENAL CRÔNICA – TRATAMENTO CON- SERVADOR ............................................................................................................. 32 11.1 Terapia Nutrional na DRC ...........................................................................................................32 11.2 Hipercalemia na Doença Renal Crônica ......................................................................................33 11.3 Hiperfosfatemia na Doença Renal Crônica ..................................................................................34 11.4 Anemia na Doença Renal Crônica ...............................................................................................34 12. NUTRIÇÃO NA TERAPIA RENAL SUBSTITUTIVA ..................................................... 35 13. TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO ....36 13.1 Terapia Nutrional da DRGE .........................................................................................................36 14. DIETOTERAPIA DA GASTRITE E ÚLCERA PÉPTICA .................................................. 38 14.1 Terapia Nutricional na Gastrite e Úlcerta Péptica ........................................................................38 15. NUTRIÇÃO NAS HEPATOPATIAS ............................................................................. 40 15.1 Terapia Nutricional nas Hepatopatias .........................................................................................41 16. NUTRIÇÃO NA ENCEFALOPATIA HEPATICA ............................................................ 43 16.1 Proteína na EH ...........................................................................................................................43 16.2 Terapia Nutricional na Encefalopatia Hepática............................................................................44 17. TRATAMENTO NUTRICIONAL DAS DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS ......... 45 17.1 Terapia Nutricional na Doença Inflamatória Intestinal.................................................................45 18. CONDUTA NUTRICIONAL NA DOENÇA DIVERTICULAR E CONSTIPAÇÃO ................. 47 18.1 Constipação ...............................................................................................................................47 18.1.1 Conduta Nutricional na Constipação Intestinal ...........................................................................................................................................47 18.2 Doença Diverticular ....................................................................................................................47 18.2.1 Conduta Nutricional na Doença Diverticular .................................................................................................................................................48 19. ASPECTOS NUTRICIONAIS NA SÍNDROME DO INTESTINO CURTO .......................... 49 19.1 Terapia Nutricional na SIC ..........................................................................................................50 20. TRATAMENTO NUTRICIONAL DA PANCREATITE AGUDA ......................................... 51 20.1 Tratamento Nutricional na Pancreatite Aguda ............................................................................51 http://sanarsaude.com 4NUTRIÇÃO CLÍNICA 21. TRATAMENTO NUTRICIONAL DA PANCREATITE CRÔNICA ...................................... 53 21.1 Tratamento Nutricional da Pancreatite Crônica ..........................................................................53 22. TRATAMENTO NUTRICIONAL DAS ALERGIAS ALIMENTARES .................................. 55 22.1 Dietoterapia nas Alergias Alimentares ........................................................................................55 23. CONDUTA NUTRICIONAL NA DOENÇA CELÍACA ..................................................... 57 23.1 Controle Dietético da Doença Celíaca .........................................................................................57 24. NUTRIÇÃO PERIOPERATÓRIA................................................................................. 58 25. TERAPIA NUTRICIONAL NO PACIENTE CRÍTICO ..................................................... 60 25.1 Terapia Nutricional no Paciente Crítico .......................................................................................61 25.2 Nutrição no Obeso Crítico ..........................................................................................................62 25.3 Imunonutrição no Paciente Crítico .............................................................................................62 25.4 Indicação de Nutrição Parenterala longo prazo e pressões colônicas; y Tabagismo; y Medicamentos (anti-inflamatórios não esteroidais). 18.2.1 Conduta Nutricional na Doença Diverticular Tabela 35. Conduta Nutricional na Doença Diverticular7 RECOMENDAÇÕES Na ocorrência de episódio agudo de diverticulite ou sangramento diverticular é necessário diminuir a inges- tão oral até que os sintomas diminuam. Eventos complicados podem precisar de repouso intestinal e NPT. Retomar ingestão oral ou em casos leves a moderados, começar dieta pobre em fibras (10 a 15 g/dia), segui- do de retorno gradual a uma dieta rica em fibras. Dieta rica em fibras associadas a hidratação (ingestão adequada de líquidos) favorecem fezes pastosas e volumosas com eliminação rápida e sem esforço evacuatório. Fibras: Mulheres: 25g Homens: 38g. Aumentar gradualmente para evitar distensão abdominal e gases. http://sanarsaude.com 49NUTRIÇÃO CLÍNICA 19. ASPECTOS NUTRICIONAIS NA SÍNDROME DO INTESTINO CURTO A Síndrome do Intestino Curto (SIC) é caracterizada pela diminuição da capacidade absortiva, com isso havendo um comprometimento funcional na absorção de nutrientes, líquidos e/ou eletrólitos. Importante salientar que a causa principal dos eventos citados está relacionada à diminuição da área (ressecção) do intestino. As principais consequên- cias da SIC são: má absorção de micro e macronutrientes, diarreia, esteatorreia, desidra- tação, desequilíbrios eletrolíticos, perda de massa corporal, cálculos renais de oxalato e cálculos biliares de colesterol, supercrescimento bacteriano. A depender do local de ressecção, as consequências serão diferentes. Observe o esquema seguinte. Duodeno Jejuno Íleo Caso haja ressecção do íleo, o Duodeno e Jejuno não podem adaptar-se as funções do íleo. Caso haja ressecção o íleo irá promover sua adaptação funcional. Raras ressecções. Digestão Absorção Absorção (Ferro, zinco, cobre e folato) COMPLICAÇÕES NUTRICIONAIS FUNÇÃO As resseções do íleo, sobretudo o íleo distal, produzem grandes complicações nutri- cionais e clínicas. O íleo distal é o único local para absorção de sais biliares e do complexo vitamina B12-fator intrínseco. Sendo assim, há consequências significativas da má absor- ção de sais biliares. Quando o íleo não reabsorve os sais biliares, o fígado não consegue produzi-lo na quantidade suficiente, e se não há quantidade suficiente de sair biliares para emulsificar a gordura, a absorção de lipídeos (e consequentemente de vitaminas liposso- lúveis) ficam prejudicadas.7 O esquema ilustrativo a seguir mostra essas consequências. http://sanarsaude.com 50NUTRIÇÃO CLÍNICA Íleo Distal Crescimento Bacteriano Sais Biliares (Diminuição) Deficiência na B12 Esteatorréia e deficiência de Vitaminas Lipossolúveis DesnutriçãoMá absorção de nutrientes Sais Biliares e Vitamina B12. ATENÇÃO O Íleo remanescente influenciará na absorção de água. Absorção Ressecção Perda de Peso Má absorção de gorduras. Metabolização da Vitamina B12 19.1 Terapia Nutricional na SIC A TN naqueles acometidos pela enfermidade deverá estar presente até que se atinja a estabilidade hemodinâmica após o procedimento operatório (ressecção intestinal). Ini- cialmente deve ser aplicada para restaurar e manter o estado nutricional do indivíduo. O quadro seguinte mostra as principais recomendações. Tabela 36. Principais recomendações nutricionais para a SIC7 RECOMENDAÇÕES Energia e proteína No geral é recomendado 35 kcal/kg/dia e 1,5 g de proteína/kg/dia Introduzir NE (Nutrição Enteral) e hidratação assim que possível depois da ressecção facilita adaptação in- testina NE proporciona trofismo ao TGI, e NPT (Nutrição Parenteral) restaura e mantem o estado nutricional Glutamina: Pode potencializar adaptação Nucleotídeos: Pode melhorar adaptação da mucosa AGCCs: Combustíveis para epitélio colônico Produtos com TCMs aumentam a ingestão energética e servem de veículo para nutrientes lipossolúveis Fracionamento aumentado (6 a 8 refeições) e volume reduzido Evitar lactose, sacarose, fibras insolúveis e cafeína podem ajudar a diminuir risco de distensão abdominal, dor abdominal e diarreia, http://sanarsaude.com 51NUTRIÇÃO CLÍNICA 20. TRATAMENTO NUTRICIONAL DA PANCREATITE AGUDA O pâncreas exócrino é responsável pela produção e secreção de várias enzimas di- gestivas. A pancreatite aguda caracteriza-se por um aumento do estresse oxidativo e me- diadores pró-inflamatórios no pâncreas, podendo comprometer as funções endócrinas e exócrinas pancreáticas, a depender do grau de seu comprometimento. Aumentando o catabolismo (vias de degradação). Os sintomas vão depender da gravidade da pancreati- te. Hipotensão, oligúria e dispneia geralmente apresentam-se em situações mais graves. 20.1 Tratamento Nutricional na Pancreatite Aguda A terapia nutricional é ajustada para fornecer estimulação mínima. Segundo o novo Guideline da ESPEN (2020), alimentação precoce via oral deve ser oferecida assim que to- lerado clinicamente e independentemente das concentrações séricas de lipase. Nos casos de pancreatite aguda leve, deve ser oferecido dieta oral leve imediata com pouca gordura. A terapia nutricional enteral só deve ser iniciada no caso de impossibilidade da alimen- tação via oral em 5 a 7 dias. No geral, devem ser oferecidos alimentos com digestão fácil com baixo teor de lipídeos. Paciente com pancreatite aguda grave geralmente apresenta estado hipermetabó- lico, desnutrição, infecção e necrose pancreática. Na incapacidade de utilizar o TGI, a NE deve ser utilizada. No entanto, em casos de íleo paralítico, fístula pancreática e falência intestinal deve ser utilizado NPT. Então, na pancreatite aguda grave, a TN deve ser iniciada após adquirir estabilidade hemodinâmica. E, seguida, a NE deve ser administrada por sonda nasogástrica (SNG). A administração por sonda nasojejunal deve ser preferida em caso de intolerância digestiva. A SNG é viável, segura e, geralmente, bem tolerada. Pacientes submetidos a necrosecto- mia minimamente invasiva e incapazes de serem alimentados por via oral, a NE é indicada via nasojejunal como via preferida. A NE deve ser iniciada precocemente (24 a 72h da admissão) em caso de intolerância à alimentação oral. As principais recomendações nu- tricionais estão no quadro seguinte. http://sanarsaude.com 52NUTRIÇÃO CLÍNICA Tabela 37. Recomendações nu tricionais para Pancreatite Aguda 7,16 RECOMENDAÇÕES Energia 25 – 35 Kcal/kg Proteína 1,2 – 1,5 g/kg TNE com fórmula polimérica padrão deve ser utilizada Jejum alimentar maior que sete dias deve ser evitado para não agravar o catabolismo proteico e energético NPT indicada quando a NE não é tolerada ou são incapazes de atingir as necessidades energéticas estima- das ou se existem contraindicações para NE Quando a NP indicada, a glutamina parenteral deve ser suplementada Probióticos não podem ser recomendados em pacientes com PA grave http://sanarsaude.com 53NUTRIÇÃO CLÍNICA 21. TRATAMENTO NUTRICIONAL DA PANCREATITE CRÔNICA A pancreatite crônica caracteriza-se pela inflamação persistente do pâncreas. Ocor- re aumento de mediadores pró-inflamatórios e estresse oxidativo, muitas vezes de forma insidiosa durante um longo período. Pode ocorrer comprometimento da absorção e de- senvolvimento de diabetes por insuficiência na produção de insulina. Além disso, pacien- tes com pancreatite crônica podem apresentar: y Episódios recorrentes de dor epigástrica; y Dor precipitada pelas refeições; y Dor, má absorção, náuseas, vômitos, diarreia: levando à perda de peso e desnutrição. O tratamento geralmente envolve abstinência alcoólica e controle da dor. Cerca de 80% dos pacientes são tratados com uma dieta via oral normal, associada ou não a enzi- mas pancreáticas. Pacientes com pancreatite crônica não precisam seguir dieta restritiva. 21.1 Tratamento Nutricional da Pancreatite Crônica Devido ao hipermetabolismo e hipercatabolismo, a ingestão de energia e proteínas deve ser aumentada, de modo a contribuirpara correção do estado nutricional e deficiên- cia proteico-calórica. Existe uma necessidade de ofertar menos gordura devido a menor capacidade de digestão e, consequentemente, absorção. O objetivo dietoterápico é con- trolar má absorção e evitar evolução da DEP. As principais recomendações nutricionais estão no quadro seguinte. Tabela 38. Recomendações nutricionais para pancreatite crônica3,7,16 RECOMENDAÇÕES Energia 30-35Kcal/kg. Se DEP e risco de síndrome de realimentação (SR) progressão gradativa a partir de 20Kcal/kg. SNO devem ser prescritos se desnutrição se VO for insuficiente Proteína Hiperproteica: 1,0 a 1,5 g/kg/dia Carboidrato Normoglicídica, Caso a hiperglicemia esteja persistente é necessário adotar recomendações para diabetes Dietas muito ricas em fibras devem ser evitadas http://sanarsaude.com 54NUTRIÇÃO CLÍNICA RECOMENDAÇÕES Exclusão total de bebidas alcoólicas Lipídeos 30% do VET (se bem tolerado). Esteatorreia → 20% do VET ou 0,7 a 1,0 g/kg/dia. Leva a deficiências de vitaminas (A, D, E e K) e de minerais (cálcio, magnésio, zinco, tiamina e ácido fólico). Se suplementação enzimática adequada não levarem ao alívio da má absorção → SNO com TCM. Teor de lipídeos da dieta deve ser o máximo que um paciente pode tolerar sem ↑ da esteatorreia ou dor. Dieta com baixo teor de lipídeos (40 a 60 g/dia) Segundo a ESPEN (2020), não há necessidade de restrição de gordura na dieta, a menos que os sintomas de esteatorreia não possam ser controlados. Fracionamento aumentado e volume reduzido Em casos de má absorção grave deve-se utilizar enzimas pancreáticas Se má absorção deve-se suplementar vitaminas lipossolúveis e hidrossolúveis (vitamina B12, ácido fólico, tiamina), bem como os minerais como magnésio, ferro, selênio e zinco http://sanarsaude.com 55NUTRIÇÃO CLÍNICA 22. TRATAMENTO NUTRICIONAL DAS ALERGIAS ALIMENTARES As Reações Adversas aos Alimentos englobam alergias e intolerâncias alimentares, ambas podendo resultar em sintomas angustiantes e que afetam negativamente a saúde. São dependentes de mecanismos fisiológicos, IgE mediados ou não. E são mais comuns em crianças. Os alérgenos mais comuns são: leite, ovo, soja, trigo e amendoim. Tabela 39. Observações sobre Alergia e intolerância7 ALERGIA INTOLERÂNCIA Reação de hipersensibilidade iniciada por mecanis- mos imunológicos Comum em componentes proteicos (ex: caseína, ß-lactoglobulina, alfalactoalbumina) Alergias IgE mediadas são as que expõem os pa- cientes a quadros mais graves, com risco de morte (anafilaxia) Reação contra os alimentos, mas não de maneira imunológica Ausência ou deficiência de enzimas digestivas sen- do difícil ou impossível a digestão de um alimento ou grupo de alimentos. Ex: Intolerância à lactose Os fatores de risco das alergias alimentares são: y Herança genética (40% – 80%); y Alimentação da gestante e da nutriz (faltam evidências); y Privação do aleitamento materno (principalmente 1ºs 4 meses / amamentação prolongada protege asma); y Uso de fórmulas lácteas; y Introdução precoce de alimentos sólidos; y Microbiota intestinal; y Disbiose intestinal; y Insuficiência de vitamina D ( 6m e sem manifestação gastrointestinal – mediadas por IgE). Probióticos para prevenção ou tratamento de doenças alérgicas têm resultados conflitantes. Observar no rótulo a declaração: “Alérgicos: pode conter (nomes comuns dos alimentos que causam alergias alimentares) http://sanarsaude.com 57NUTRIÇÃO CLÍNICA 23. CONDUTA NUTRICIONAL NA DOENÇA CELÍACA A Doença Celíaca (DC) é uma doença autoimune crônica de múltiplos órgãos que afeta o intestino delgado em pessoas geneticamente predispostas, precipitadas pela in- gestão de glúten. Caracteriza-se pela suscetibilidade genética, exposição ao glúten, “de- sencadeante” ambiental e reação autoimune. O glúten está presente no trigo, centeio e cevada. É amplamente utilizado no proces- samento de alimentos para dar à massa propriedades desejadas de cozimento, sabores e textura. Na Doença Celíaca é comum a má absorção e consequentemente diarreia, esteator- reia e perda de peso. A má absorção é resultado de danos à mucosa do intestino delgado, com perda da superfície de absorção, diminuição das enzimas digestivas e diminuição da absorção de micronutrientes (vitaminas lipossolúveis, ferro, Vitamina B12 e B9). Além disso, é comum intolerância a lactose secundária a doença celíaca. 23.1 Controle Dietético da Doença Celíaca Tabela 41. Controle Dietético da Doença Celíaca7 RECOMENDAÇÕES Dieta livre de glúten. Evitar cereais e produtos alimentícios derivados em trigo, cevada, centeio e malte. Evitar alimentos feitos com cereais contaminados com glúten que normalmente são isentos de glúten, como milho, aveia etc Utensílios de cozinha, superfícies de cozimento e torradeiras separados. Atenção a rotulagem de alimentos e medicamentos. Checar a informação: sem glúten ou contém glúten. A baixa adesão a dieta pode causar: risco de linfoma, osteoporose, infertilidade, abortos espontâneos, parto prematuro, bebês com BP ao nascer Deficiência de: Ferro: consumir alimentos ricos em ferro. Folato: devido dieta pobre em glúten. Suplementação de B9 e B12 melhora ansiedade, depressão. Vitamina D: devido má absorção de gordura. Zinco: prejuízo no crescimento e síntese proteica. Cobre: manifestações hematológicas e neurológicas. http://sanarsaude.com 58NUTRIÇÃO CLÍNICA 24. NUTRIÇÃO PERIOPERATÓRIA A Nutrição Perioperatória consiste na Terapia Nutricional destinada a pacientes can- didatos a cirurgia de médio e grande porte com RN. A fórmula nutricional utilizada no período perioperatório pode conter imunonutrienes ou não. Em pacientes de maior risco e submetidos a operação de grande porte, a TN deve incluir imunonutrientes, tanto pelo uso de SNO (suplemento nutricional oral) como por via oral enteral. A Nutrição Perioperatória pode modular favoravelmente a resposta inflamatória, me- lhorar a resposta imunológica, favorecer a cicatrização, diminuir complicações e tempo de internação. As principais recomendações nutricionais no pré-operatório, e pós-operatório estão nos quadros seguinte. Tabela 42. Recomendações nutricionais no pré-operatório e pós-operatório19 JEJUM PRÉ OPERATÓRIO Procedimentos eletivos recomenda-se jejum de sólidos de 6-8h antes da indução anestésica. Líquidos contendo carboidratos (maltodextrina) devem ser ingeridos até 2h antes da anestesia, exceto para casos de retardo no esvaziamento esofágico ou gástrico, ou em procedimentos de emergência. Vantagens: diminuição da resistência insulínica, menor reação inflamatória, redução no tempo de internação, diminuição da ansiedade, sede e fome, e diminuição de náuseas e vômitos no pós-operatório. Bebidas contendo carboidratos associados a fonte proteica podem ser ingeridas até 3h antes do procedi- mento anestésico com segurança. REALIMENTAÇÃO NO PÓS OPERATÓRIO Realimentação oral ou enteral após operaçãoabdominal deve ser precoce (em até 24h de pós-operatório) desde que o paciente esteja hemodinamicamente estável. Terapia nutricional especializada de forma precoce. Priorizar pacientes submetidos a operações de grande porte de cabeça e pescoço e trato digestivo superior. Ou pacientes que não conseguem atingir 60% da meta nutricional proposta após 5-7 dias de pós-operatório somente com a via oral. Fórmulas enterais contendo proteína íntegra e baixo percentual de lipídeos está recomendada na maioria dos pacientes submetidos à grandes cirurgias abdominais. Para desnutridos graves, com câncer do aparelho digestivo ou com câncer de cabeça e pescoço é recomen- dado TN com imunonutrientes. Se TGI impossibilitado para uso ou oferta calórica não consegue atingir 60% do VET após 5 dias de pós-ope- ratório, então a TNP deve ser prescrita, isoladamente ou associada à NE. http://sanarsaude.com 59NUTRIÇÃO CLÍNICA TN PRECOCE INICIADA NO PÓS OPERATÓRIO Dieta iniciada nas primeiras 24h da operação e na presença de estabilidade hemodinâmica. Intervenção nutricional imediata, via oral ou enteral, com fórmula hiperproteica com ou sem imunonutriente. Iniciar 5 a 7 dias antes da operação, na quantidade mínima de 500 a 1000 ml para pacientes de risco nutricio- nal e por até 14 dias para os desnutridos graves em cirurgias de médio e grande portes. http://sanarsaude.com 60NUTRIÇÃO CLÍNICA 25. TERAPIA NUTRICIONAL NO PACIENTE CRÍTICO Paciente Crítico (PC) é aquele cujas funções básicas estejam ameaçadas ou em cur- so de falência. Ou seja, paciente crítico é aquele gravemente doente, que pode ter passado (ou esteja passando) por uma situação de politrauma, sepse, queimadura, hemorragia ou intervenção cirúrgica. No quadro seguinte estão as caraterísticas das fases metabólicas após o trauma. Tabela 43. Caraterísticas das fases metabólicas após o trauma7 Características das fases metabólicas após o trauma FASE EBB FASE FLOW Aguda ou hipermetabólica Adaptativa ou anabólica ou convalescência Diminuição do débito cardíaco Aumento do consumo de oxigênio Diminuição da perfusão do tecido Diminuição da temperatura corporal Diminuição da taxa metabólica Aumento de: glicocorticoides, glucagon, ca- tecolaminas, liberação de citoci- nas, produção proteínas de fase aguda , excreção de nitrogênio, taxa metabólica, consumo de oxigênio, temperatura corporal Diminuição da taxa hipermetabólica Resposta hormonal diminui grada- tivamente Associada à fase de recuperação Potencial para restauração da pro- teína corporal e cicatrização A taxa metabólica aumenta, exigindo a mobilização reservas de nutrientes do corpo para fornecer energia. Tabela 44. Comportamento dos macronutrientes no paciente crítico7 CARBOIDRATOS PROTEÍNAS LIPÍDEOS Rápido esgotamento das reservas Metabolismo insulina alterado Aumento da glicogênese hepática Diminuição da eficiência da oxida- ção RI e hipergli Mobilização reservas muscu- lares para neoglicogênese e síntese PFA Balanço nitrogênado negativo Aumento da lipólise com au- mento de ácidos graxos livres Importante fonte de energia para tecidos, exceto enteróci- tos e SNC Na avaliação nutricional do paciente grave, alguns critérios devem ser observados: y DEP é comum; y Comprometimento do estado nutricional: gravidade doença, inflamação, idade, condução da terapia nutricional; y Triagem nutricional: Fundamental para intervenção precoce; http://sanarsaude.com 61NUTRIÇÃO CLÍNICA y Ferramentas tradicionais (antropometria, PTN séricas etc.) são limitados em UTI; y A avaliação nutricional deve ser baseada em: %PP(perda de peso), ingestão alimentar, gravidade doença, comorbidade, força, massa muscular, função TGI. 25.1 Terapia Nutricional no Paciente Crítico O objetivo da TN no paciente crítico é atenuar resposta metabólica ao estresse, man- ter e modular a função imunológica e minimizar perda massa magra. Segundo as diretri- zes em vigência (DITEN, 2018; ASPEN, 2016), a TN deve iniciar precocemente (24 a 48h da admissão). A nutrição enteral é segura, mais fisiológica, com TN efeitos benéficos locais e sistêmicos. O quadro seguinte mostra as principais recomendações de requerimento calórico e proteico. Tabela 45. Principais recomendações de requerimento calórico e proteico7 Sociedade / Diretriz (Ano) REQUERIMENTO CALÓRICO REQUERIMENTO PROTEICO DITEN (2018) Iniciar com 15 a 20 kcal/kg e no 4º dia progredir para 25 a 30 kcal/kg/dia. Se CI, ofertar na fase inicial entre 50 e 70% do gasto energético Doentes críticos recebam entre 1,5 e 2 g/kg/dia de proteína ASPEN (2016) Na ausência de CI, 25-30 kcal/kg. Sepse: fase inicial – nutrição trófica 10-20 kcal/h ou 500 kcal/dia, avançando como tolerado após 24-48 horas para > 80% da meta durante a primei- ra semana Em geral: 1,2-2,0 g/kg e > em queimados e trauma. Terapia dialítica contínua: até 2,5g/kg para alcançar BN+. Se a ingestão oral não for possível, iniciar a nutrição enteral precoce (dentro de 48h). Dar preferência à TNE em vez da NP, se o tubo digestivo for acessível e estiver apto para receber nutrientes. Em caso de contraindicação para oral e NE, a Nutrição Parenteral deve ser implementada. Na tabela seguinte, estão informações sobre a via de acesso e a seleção da fórmula. Tabela 46. Via de acesso da TNE e a seleção da fórmula para o paciente crítico7 Administração Contínua. Há menor incidência de diarreia em comparação com a intermitente. Localização da sonda O acesso gástrico abordagem padrão para iniciar a NE. Se intolerância à alimentação gástrica não resolvida com procinéticos, a alimen- tação pós-pilórica deve ser usada. Se alto risco de aspiração → pós-pilórica. http://sanarsaude.com 62NUTRIÇÃO CLÍNICA Escolha da fórmula Poliméricas, em geral, são bem toleradas. Monitorar tolerância gastrointestinal e avaliar necessidade de dieta oligomérica. Evitar uso rotineiro de fibras. Apenas o uso da fibra solúvel para diarreia per- sistente em indivíduos que estejam hemodinamicamente compensados e não tenham dismotilidade Densidade calórica (DC) e volume A densidade calórica é a divisão entre o VET e o volume. Volume é a divisão entre o VET e a DC 25.2 Nutrição no Obeso Crítico No obeso crítico algumas orientações mudam. A TN deve ser hipocalórica e hiperpro- teica para preservar massa magra, mobilizar estoques de gordura e minimizar os efeitos metabólicos do overfeeding. As principais complicações associadas ao overfeeding são: hiperglicemia, esteatose hepática e resistência à insulina. A recomendação de energia e proteínas são as seguintes: y Energia: se CI não disponível- 11-14 kcal/kg/dia do peso atual e 22-25 kcal/kg/dia do peso ideal; y Proteína: IMC 30 – 40Kg/m²→2,0g/Kg de PI IMC > 40→ 2,5g/kg de PI. 25.3 Imunonutrição no Paciente Crítico A imunonutrição é indicada para pacientes submetidos a grandes cirurgias do TGI, TCE, queimados e pós-operatório de câncer de cabeça e pescoço. No quadro seguinte destacamos algumas informações importantes sobre imunonutrientes. Tabela 47. Imunonutrição no paciente crítico7 Imunonutrientes Arginina, glutamina, ômega 3 e ácido nucleico. Formulações enterais imunomoduladoras não devem ser utilizadas rotineira- mente na UTI. Glutamina Em situações de estresse, a demanda torna-se > que seu suprimento. AA condi- cionalmente essencial. Indicado no hipercatabolismo: câncer, traumatismos, queimaduras graves. Arginina Contraindicado na sepse grave pois aumenta o ON e piora instabilidade hemo- dinâmica Indicação: Pacientes críticos de TCE, pós-operatório de grandes cirurgias. A resistência à insulina e a hiperglicemia são comuns nos pacientes críticos, pois são secundárias ao estresse. Logo a seguir destacamos algumas informações importan- tes que devem ser observadas no controle glicêmico no paciente crítico: http://sanarsaude.com 63NUTRIÇÃO CLÍNICA y Administração não deve exceder a 5 mg/kg/min; y A sobrecarga de glicose: aumenta a produção de CO2 (pode exacerbar a insuficiência respiratóriaou prolongar a dependência da ventilação mecânica); y Esteatose hepática; y Hiperglicemia e retenção de nitrogênio; y Evitar a hiperalimentação (valor calórico acima de 110% das NEE); y A glicemia deve ser estabelecida entre 140 e 180 mg/dl para pacientes clínicos sob cuidados intensivos. 25.4 Indicação de Nutrição Parenteral no Paciente Crítico A tabela seguinte mostra as principais recomendações de Indicação de nutrição pa- renteral no paciente crítico. Tabela 48. Indicação de nutrição parenteral no paciente crítico7 TNP INÍCIO DE NUTRIÇÃO PARENTERAL NUTRIÇÃO PARENTERAL SUPLEMENTAR DITEN (2018) Iniciar precocemente em doentes com ↑ RN no momento da admissão e que não pos- sam utilizar o TGI Após 5 a 7 dias em doentes impossibilita- dos de atingir aporte calórico proteico >60% por via digestiva. ASPEN (2016) Baixo RN: aguardar até 7 dias após a ad- missão na UTI. Alto RN ou desnutrição gra- ve: iniciar o mais rápido possível. Independente do RN, após 7 a 10 dias se 60% das necessidades nutricionais não fo- rem atingidas Pratice Guideline (2013) NP precoce não deve ser recomendada para pacientes de baixo risco e curto período em UTI Não há dados suficientes para indicar o momento em que se deve associar à NP su- plementar http://sanarsaude.com 64NUTRIÇÃO CLÍNICA 26. NUTRIÇÃO NOS PACIENTES QUEIMADOS No paciente queimado ocorrem muitas alterações fisiológicas. Pacientes com queimaduras graves desenvolvem resposta hipermetabólica prolongada, proporcional à gravidade da lesão. O catabolismo proteico exagerado associado com o aumento da excreção de nitrogênio urinário e perdas de proteínas por meio do exsudato da ferida favorecem ao hipermetabolismo. O hipermetabolismo depende: gravidade da lesão, profundidade, localização, agente causador da queimadura. Será influenciado pela idade, EN prévio, presença de comorbidades. 26.1 Terapia Nutricional em Grandes Queimaduras A dieta deve ser iniciada precocemente. A via oral deve ser utilizada sempre que possível com consistência e volume adaptados à tolerância do paciente. A nutrição pre- coce (dentro de 12hrs da lesão) por via gástrica atenua a resposta hormonal ao estresse, resposta hipermetabólica, auxilia na manutenção da barreira intestinal. A posição pós-pi- lórica apenas para pacientes com sinais de intolerância gástrica. Gravidade da lesão As pe ct os p ar a o tr at am en to Local da lesão Profundidade da lesão Agente causador da queimadura Estado nutricional prévio Idade Presença de comorbidades A nutrição enteral está indicada quando: y Há mais de 20% de superfície corporal queimada ou comprometimento prévio do EM. É necessário para alcançar meta calórico-proteica; y Independente da superfície corporal queimada quando há perda ponderal importante ao longo do internamento; y Lesões em cavidade oral que limitam a aceitação alimentar; y Situações patológicas associadas como traumas de crânio. http://sanarsaude.com 65NUTRIÇÃO CLÍNICA As principais recomendações nutricionais para paciente queimado estão no quadro seguinte. Tabela 49. Recomendações nutricionais para paciente queimado7 RECOMENDAÇÕES Energia Queimaduras abaixo de 20% da ASCQ → VO hipercalórica. Calorimetria Indireta (CI) → padrão ouro. Varia de acordo com a extensão e profundidade da queimadura. Carboidratos 50-60% do VET. Não exceder 5 mg/kg/min ou 7 g/kg/dia. CONTROLE GLICÊMICO: Melhor aproveitamento do enxerto, menos complicações infecciosas e diminuição da mortalidade. Lipídios Recomendação: 1,0g/kg. Se inflamação: 1,2 – 2,0g/kg. Desnutrição 1,2 a 1,5g/kg Câncer trat paliativo Mesma recomendação acima. Trabalhar com oferta protei- ca que melhor conforte o paciente Sobreviventes do câncer Semelhante a indivíduos saudáveis. 0,8-1,0g/kg 27.1.1 Indicações de Terapia Nutricional y Suplementação oral: Indicada em pacientes que não conseguem atingir suas metas nutricionais através da dieta oral exclusiva; y Câncer de cabeça e pescoço: Iniciar precocemente. Se ingestão estiver inadequada é preciso utilizar SNO ou SNE. Se o paciente estiver em radioterapia deve receber AN, orientação nutricional e TN conforme sintomas e estado nutricional. É necessário estabelecer consultas semanais com nutricionistas durante radioterapia por pelo menos 6 semanas; y Outros tipos de câncer: Ingestão inadequada por mais de 1 semana, ou menos de 60% da NEE por mais de 2 semanas. 27.2 Indicação para Nutrição Parenteral no Paciente Oncológico Tabela 52. Indicação para Nutrição Parenteral no Paciente Oncológico7,20 Nutrição Parenteral (NP) Aqueles que: Não toleram ou não atingem suas necessidades pela TNE por mais de 5 a 7 dias. Contraindicação ao uso do TGI (Obstrução intestinal; SIC (insuficiência ou falência intesti- nal); Fístulas de alto débito) Aqueles com contraindicação ao uso da via digestiva deve usar NP exclusiva. Precoce para pacientes desnutridos ou em alto risco nutricional. http://sanarsaude.com68NUTRIÇÃO CLÍNICA 28. NUTRIÇÃO NO PACIENTE ONCOLÓGICO CIRÚRGICO Nesse grupo, estão incluídos pacientes com câncer submetidos à cirurgia desnutri- dos ou em risco de desnutrição candidatos a cirurgia de médio ou grande porte. Para estes pacientes é recomendado fórmulas hiperproteicas com imunonutrientes, por via oral ou enteral, na quantidade mínima de 500 ml por dia no período perioperatório, iniciando 5 a 7 dias antes da cirurgia. Os objetivos da imunonutrição no paciente oncológico é: y Reduzir complicações infecciosas em pacientes candidatos a cirurgia;21 y Pacientes desnutridos ou em risco nutricional menor podem apresentar menor tempo de internação hospitalar, menor incidência de deiscências de anastomoses e menores complicações infecciosas em relação aos pacientes bem nutridos.20 Tabela 53. Recomendações nutricionais para paciente oncológico cirúrgico20-21 RECOMENDAÇÕES Energia Para ganho e manutenção de peso: 30 a 35 Kcal/kg No pós operatório ou presença de ascite: 20 a 25 Kcal/kg Proteínas Estresse moderado: 1,2 a 1,5 g/kg Estresse grave: 1,5 a 2,0 g/kg Líquidos 30 ml/kg ou 1,5 a 2,5 litros/dia Jejum Recomenda-se a abreviação do tempo para 2 a 3 horas com fórmula contendo maltodextrina a 12,5% com ou sem fonte nitrogenada na quantidade de 200ml Para prevenir a SR (Síndrome de Realimentação) é necessário iniciar dieta com calorias reduzidas, ofertar de forma lenta e reduzida. http://sanarsaude.com 69NUTRIÇÃO CLÍNICA 29. MANEJO NUTRICIONAL DE ACORDO COM EFEITOS ADVERSOS NO PACIENTE ONCOLÓGICO O paciente oncológico apresenta vários efeitos adversos devido a terapia para o tra- tamento de câncer. No quadro seguinte estão as principais estratégias nutricionais para manejo dos efeitos adversos. Tabela 54. Estratégias nutricionais para manejo dos efeitos adversos no paciente oncológico20 Disfagia – Encaminhar para fonoterapia – Alterar a consistência da dieta – Aumentar aporte calórico e proteico das refeições; – Ofertar SNO conforme individualidade do paciente; – Evitar alimentos secos e duros e preferir alimentos umedecidos; – Manter cabeceira elevada para alimentar-se; – Uso de TNE para disfagia grave. Odinofagia – Alterar a consistência da dieta, de acordo com tolerância do paciente; – Aumentar aporte calórico e proteico das refeições; – Ofertar SNO conforme individualidade do paciente; – Evitar alimentos secos, duros, cítricos, salgados, picantes e condimentados; – Evitar alimentos em extremos de temperatura. Disgeusia – Estimular ingestão dos alimentos preferidos; – Preparar pratos coloridos e visualmente apetitosos; – Usar ervas e especiarias para acentuar sabor dos alimentos. Xerostomia - – Ingerir líquidos durante as refeições para facilitar a mastigação e deglutição; – Adequar consistência dos alimentos, conforme aceitação do paciente; – Consumir alimentos umedecidos, adicionando caldos e molhos às preparações; – Usar gotas de limão nos alimentos; – Usar balas cítricas e mentoladas sem açúcar. Mucosite oral – Modificar a consistência da dieta, de acordo com o grau de mucosite; – Diminuir o consumo de sal e condimento das preparações; – Se aporte nutricional insuficiente, considerar ofertar SNO; – Evitar alimentos secos, duros, cítricos e picantes; – Evitar alimentos em extremos de temperatura. http://sanarsaude.com 70NUTRIÇÃO CLÍNICA Náuseas e vômitos – Oferecer bebidas à base de gengibre; – Realizar refeições em ambientes tranquilos com mastigação lenta e pequenas porções de alimentos; – Alimentar-se em locais arejados, longe de odores forte de comida; – Preferir alimentos secos e sem alto teor de gordura; – Preferir alimentos cítricos e gelados; – Evitar líquidos durante as refeições (consumir 30 a 60 minutos antes/depois). Diarreia – Evitar alimentos ricos em lactose, glúten e sacarose; – Evitar alimentos e preparações gordurosas e condimentadas; – Aumentar a ingestão de líquidos; – Dieta pobre em fibra insolúvel e adequada em solúvel. Constipação – Estimular consumo de alimentos, preparações e sucos ricos em fibras e com caracte- rística laxativa; – Estimular a ingestão hídrica; – Realizar atividade física se não houver contraindicação médica. Inapetência – Aconselhamento nutricional por profissional especializado em nutrição oncológica; – Aumentar a densidade calórica dos alimentos; – Orientar dietas hipercalóricas hiperproteicas, fracionadas e em pequenas porções; – Introduzir suplementos orais hipercalóricos e hiperproteicos nos intervalos. http://sanarsaude.com 71NUTRIÇÃO CLÍNICA 30. CONDUTA NUTRICIONAL NA SÍNDROME DE DUMPING A síndrome de Dumping é definida como um conjunto de sintomas vasomotores e gastrointestinais, associados ao esvaziamento gástrico rápido ou à exposição súbita do intestino delgado aos nutrientes. Ocorre após gastrectomias parciais ou completas. Os sintomas podem variar conforme o quadro seguinte: Tabela 55. Observações sobre a Síndrome de Dumping precoce e tardia7 SÍNDROME DE DUMPING PRECOCE SÍNDROME DE DUMPING TARDIA Sudorese Rubor Tontura Taquicardia Dor abdominal Diarreia Inchaço Náusea Sudorese Taquicardia Fome Sonolência Inconsciência Tremor Irritabilidade 30.1 MEDIDAS DIETÉTICAS NA SÍNDROME DE DUMPING O tratamento baseia-se em retardar o esvaziamento gástrico. As recomendações são s seguintes: y Limitar consumo de carboidratos simples; y Evitar líquidos durante as refeições; y Aumentar o fracionamento das refeições; y Refeições com volume reduzido; y Uso de fibras solúveis (ex: pectina e goma guar); y Dieta deve ser rica em proteínas, e moderada em lipídios. http://sanarsaude.com 72NUTRIÇÃO CLÍNICA 31. NUTRIÇÃO NA SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, também denominada de AIDS, é o último estágio da infecção pelo HIV, quando não tratada. É caracteriza-se pela intensa e contínua replicação viral, levando a destruição das células CD4. O vírus HIV diminui células CD4+ e afeta a capacidade do corpo de lutar contra infecções e doenças, gerando a imunodefici- ência. E, relação ao estado nutricional de pessoas com AIDS é preciso estar atento a: y Ingestão oral inadequada de líquidos e alimentos; y Necessidades nutricionais aumentadas; y Dificuldade de deglutição; y Função gastrointestinal alterada; y Interação alimento-medicação; y Perda de massa corporal involuntária; y Excesso de massa corporal e obesidade; y Deficiência de conhecimento relacionado com a nutrição; y Suplementação aumentada de nutrientes; y Capacidade de preparar alimentos ou refeições prejudicadas; y Acesso inadequado a alimentos; y Ingestão de alimentos inseguros ou malcozidos. Depeleção progressiva Im un od efi ci ên ci a Conjunto de outras alterações Hipercatabolismo Perda ponderal Destruição das células CD4 Intensa replicação viral A terapia antirretroviral utilizada por esses pacientes pode trazer diversas conse- quências como: diarreia, fadiga, refluxo, náuseas, vômitos, dislipidemia e resistência à insulina; complicações metabólicas e morfológicas (lipoatrofia, lipodistrofia, síndrome metabólica e doença cardiovascular); dislipidemia em indivíduos com lipodistrofia; e risco aumentado de deposição de gordura (quando utilizadas dietas com baixa quantidade de fibras ou alto IG). http://sanarsaude.com 73NUTRIÇÃO CLÍNICA Co m pl ic aç õe s m et ab ól ic as e m or fo ló gi ca s Lipohipertrofia Lipoatrofia Síndrome metabólica Doenças cardiovasculares 31.1 Dietoterapia na AIDS As principais metas da dietoterapia para pessoas infectadas pelo HIV são: otimizar o estado nutricional, a imunidade e o bem-estar; manter massa corporal saudável e massa corporal magra; evitar deficiências de nutrientes e reduzir o risco de comorbidades. Tabela 56. Recomendações dietoterápicas para pessoas infectadas pelo HIV7 RECOMENDAÇÕES A suplementação com ômega 3. Pode ser benéfica na hipertrigliceridemia. Infecção oportunista:aumento do adicional de 10% na ingestão de proteína por causa da ↑ do turnover pro- teico. Náuseas pela manhã: Evitar consumir líquidos preferindo alimentos sólidos. Chupar pedras de gelo. Fazer pequenas refeições, várias vezes/dia. Não ingerir líquidos durante a refeição. Evitar alimentos gordurosos, bebidas gasosas, excesso de condimento Diarreia: Evitar cafeína e fibras insolúveis. Evitar doces e gorduras. Indicar pequenas refeições. Indicar ali- mentos ricos em K, soro de reidratação oral Aumentar ingestão de líquidos, evitando desidratação. Mucosite: Indicar alimentos líquidos, pastosos ou de consistência macia. Indicar alimentos preferidos para estimular apetite, amassados ou batidos. Evitar temperaturas quentes. Evitar alimentos ácidos A necessidade energética e proteica depende: estágio da doença, infecções e co- morbidades oportunistas, inflamação e efeitos dos medicamentos. É necessário avaliar o estágio, sintoma e estado nutricional. Tabela 57. Recomendações de energia e proteína para pessoas com AIDS de acordo com o estágio da doença3 ENERGIA (KCAL/DIA) PROTEÍNA (G/KG) Estágio A: assintomático, peso estável: 30-35. Estágio A: assintomático, peso estável: 1,1 – 1,5. Estágio B: sintomático, necessidade ganho de peso: 30-40. Estágio B: sintomático, necessidade ganho de peso: 1,5-2,0. Estágio C: infecção oportunista e CD4geral eletiva. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 44, n. 6, p. 633-648; 2017. 20. Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral et al. Diretriz BRASPEN de te- rapia nutricional no paciente com câncer. BRASPEN J, v. 34, n. Supl 1, p. 2-32; 2019. 21. Arends J et al. ESPEN expert group recommendations for action against cancer-rela- ted malnutrition. Clinical Nutrition. 2017; v. 36, n. 5, p. 1187-1196. 22. Malachias MVB et al. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arquivos Brasilei- ros de Cardiologia, v. 107, n. 3, p. 79-83, 2016. 23. Mancini MC et al. Diretrizes Brasileiras de Obesidade 2016. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. 4. ed. São Paulo; 2016. 24. McClave SA et al. Guidelines for the provision and assessment of nutrition support therapy in the adult critically ill patient: Society of Critical Care Medicine (SCCM) and American Society for Parenteral and Enteral Nutrition (ASPEN). Journal of Parenteral and Enteral Nutrition, v. 40, n. 2, p. 159-211; 2016. 25. Plauth M et al. Espen guideline on clinical nutrition in liver disease. Clinical nutrition, v. 38, n. 2, p. 485-521, 2019. 26. Rohde LEP et al. Diretriz brasileira de insuficiência cardíaca crônica e aguda. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 111, n. 3, p. 436-539; 2018. 27. Vilstrup H et al. Hepatic encephalopathy in chronic liver disease: 2014 practice guide- line by AASLD and EASL. Hepatology, v. 60, n. 2, p. 715-35; 2014. 28. Barroso WKS, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, Mota-Gomes MA, Brandão AA, Feitosa ADM, et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arq Bras Cardiol. 2020; [online].ahead print, PP.0-0 http://sanarsaude.com MATERIAL COMPLEMENTAR BONS ESTUDOS! http://sanarsaude.comno Paciente Crítico .................................................................63 26. NUTRIÇÃO NOS PACIENTES QUEIMADOS .............................................................. 64 26.1 Terapia Nutricional em Grandes Queimaduras ............................................................................64 27. TERAPIA NUTRICIONAL NO PACIENTE ONCOLÓGICO ............................................. 66 27.1 Necessidades Nutricionais no Paciente Oncológico ...................................................................66 27.1.1 Indicações de Terapia Nutricional .....................................................................................................................................................................67 27.2 Indicação para Nutrição Parenteral no Paciente Oncológico .......................................................67 28. NUTRIÇÃO NO PACIENTE ONCOLÓGICO CIRÚRGICO .............................................. 68 29. MANEJO NUTRICIONAL DE ACORDO COM EFEITOS ADVERSOS NO PACIENTE ONCO- LÓGICO ................................................................................................................... 69 30. CONDUTA NUTRICIONAL NA SÍNDROME DE DUMPING .......................................... 71 30.1 MEDIDAS DIETÉTICAS NA SÍNDROME DE DUMPING ...................................................................71 31. NUTRIÇÃO NA SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA ............................. 72 31.1 Dietoterapia na AIDS ..................................................................................................................73 32. INTERAÇÃO FÁRMACO NUTRIENTE ........................................................................ 75 REFERÊNCIAS .............................................................................................................. 77 http://sanarsaude.com 5NUTRIÇÃO CLÍNICA 1. ASPECTOS NUTRICIONAIS NA HIPERTENSÃO ARTERIAL A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) consiste em uma condição clínica multifato- rial caracterizada por elevação sustentada dos níveis pressóricos. Os fatores de risco para a elevação da PA são: genética, idade, sexo, etnia, sobrepeso/obesidade, ingestão inade- quada de sódio e potássio, sedentarismo, álcool, apneia obstrutiva do sono, medicação e drogas ilícitas. A nova Diretriz Brasileira de Hipertensão5, trouxe muitas mudanças significativas tanto para o diagnóstico quanto para a terapia não medicamentosa. Os principais pontos de mudança foram: y Classificação da pressão arterial; y Tratamento não medicamentoso; y Recomendações de porções e quantidades. 1.1 Classificação da Pressão Arterial Comparando as duas últimas diretrizes1,5, não houve mudanças na classificação dos três estágios da hipertensão (estágio 1, estágio 2 e estágio 3). Continuam sendo classifi- cados como hipertensos indivíduos com níveis de PA acima de 140/90 mmHg. No entanto, a classificação de pré-hipertenso e pressão arterial normal sofreram leves modificações. De acordo com a nova diretriz, indivíduos com PAS entre 120 a 129 mmHg e/ou PAD entre 80 a 84 mmHg são classificados como portadores de PA normal, e indivíduos com PAS entre 130 a 139 mmHg e/ou PAD entre 85 a 89 mmHg são classifica- dos como pré-hipertensos. Tabela 1. Classificação da Pressão Arterial de acordo com a medição no consultório a partir de 18 anos8 2016 2020 Classificação PAS (mm/Hg) PAD (mm/Hg) PAS (mm/Hg) PAD (mm/Hg) PA ótima - -quadro clínico caracterizado por concentrações anormais de tri- glicerídeos ou lipoproteínas no sangue. Pode ser classificado em hiperlipidemias (níveis elevados de lipoproteínas) e hipolipidemias (níveis plasmáticos de lipoproteínas baixos). Na tabela seguinte estão os valores referenciais e de alvo terapêutico do perfil lipídico para adultos com mais de 20 anos. Tabela 3. Valores referenciais e de alvo terapêutico do perfil lipídico para adultos com mais de 20 anos2 Perfil lipídico para adultos com mais de 20 anos Lípides Com jejum (mg/dL) Sem jejum Categoria referencial Colesterol total 40 >40 Desejável Triglicérides 500 mg/dL Perda de peso Manter peso saudável 5-10 Até 5 5-10 5-10 Carboidrato (%VCT) 50-60 45-60 50-60 50-55 45-50 Açúcares de adição (%VCT) 500 mg/dL Ácidos graxos poli-insaturados (%VCT) 5-10 5-10 10-20 10-20 10-20 Ácido linolenico, g/dia 1,1-1,6 - - - - EPA e DHA, g - - 0,5-1 1-2 > 2 Fibras 25 g, sendo 6 g de fibra solúvel - - - - Além disso, há algumas recomendações específicas para o controle da hipercoleste- rolemia e hipertrigliceridemia. Veja o quadro seguinte: Tabela 6. Recomendações específicas para o controle da hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia2 CONTROLE DA HIPERCOLESTEROLEMIA CONTROLE DA HIPERTRIGLICERIDEMIA Substituição parcial de AGS por AGMI e AGPI Exclusão dos AGT da dieta Não há evidências para estabelecer valor li- mite de colesterol dietético Redução do peso Redução do consumo de bebida alcoólica Redução dos CHO e açúcares Substituição parcial de AGS por AGMI e AGPI Alguns alimentos e nutrientes têm ganhado destaque por causa do seu potencial terapêutico no controle da dislipidemia. São eles: y Ácidos Graxos Ômega-3 – É recomendado duas ou mais porções de peixes ricos em EPA e DHA por semana para prevenção primária. Além disso, é indicado suplementação de EPA e DHA em pacientes com hipertrigliceridemia; y Fitosteróis – São considerados análogos estruturais ao colesterol. Estudos mostram que a suplementação de 2g por dia pode ser utilizado como uma medida de suporte em crianças com HF (Hipercolesterolemia Familiar); y Proteína da soja – O consumo diário de 15 a 30 g de proteína de soja está associado à redução de 5% de LDL-c, ao aumento de 3% de HDL-c e à redução de 11% na concentração de TG; y Fibra solúvel – Psyllium é a fibra solúvel mais estudada na redução do colesterol. Estudos indicam que doses de 7 a 15 g ao dia estão associadas com uma redução de LDL-c e CT. Além disso, sugere-se o consumo de aproximadamente 3 g ao dia http://sanarsaude.com 11NUTRIÇÃO CLÍNICA de betaglucanas A ingestão recomendada mínima de fibras por dia é de 25 g, a fim de proteger contra DCV e câncer; y Probiótico – Apesar do crescente interesse em investigar o uso de probióticos na colesterolemia, os estudos mostram ausência de seu efeito ou redução muito modesta de concentração plasmática de LDL-c. IMPORTANTE! Leia o capítulo sobre Tratamento Não Medicamentoso das Dislipidemias da Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose.2 http://sanarsaude.com 12NUTRIÇÃO CLÍNICA 3. TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE A obesidade é caracterizada pelo acúmulo anormal ou excessivo de gordura corpo- ral que pode atingir graus capazes de afetar a saúde. Segundo as Diretrizes Brasileira de Obesidade (2016) A medida de massa corporal e distribuição de gordura são os melhores indicadores para a identificação da obesidade. Veja no quadro seguinte a classificação do IMC e circunferência abdominal definidos pela OMS. Tabela 7. Classificação do IMC e da circunferência abdominal definidos pela OMS2 CLASSIFICAÇÃO IMC IMC (kg/m2) CLASSIFICAÇÃO o tratamento da obesidade. Tabela 8. Recomendações dietéticas para tratamento da obesidade1,3 TRATAMENTO DIETÉTICO DA OBESIDADE Dietas individualizadas e balanceadas 20% a 30% de gorduras; 55% a 60% de carboidratos; 15% a 20% de proteínas Diminuição da ingestão calórica: Essas dietas devem ser calculadas para promover um déficit de 500 a 1.000 kcal/dia, com um mínimo de 1.000 a 1.200 kcal/d para as mulheres e 1.200 a 1.400 kcal/d para os homens (exemplo, 1.000 a 1.500 kcal por dia para mulheres e 1.200 a 1.800 kcal por dia para homens). Déficit de 500 a 1.000 kcal da dieta habitual objetivando perda ponderal para redução de 0,5 a 1 kg/semana Dietas de muito baixas calorias, usualmente, proveem 400 a 800 kcal por dia e devem conter 0,8 a 1 g por quilo do peso ideal por dia de proteínas de boa qualidade e quantidades diárias recomendadas de minerais, vitaminas e ácidos graxos essenciais 15 a 20 kcal/kg de peso atual/dia (Cuppari, 2014) Dietas de muito baixa caloria podem promover rápida perda de peso em obesos graves e estão associadas, especialmente, à redução da gordura visceral e do volume hepático. Dietas hipocalóricas estão associadas à diminuição de LDL, triglicerídeos e redução da pressão arterial. http://sanarsaude.com 14NUTRIÇÃO CLÍNICA TRATAMENTO DIETÉTICO DA OBESIDADE Dietas cetogênicas causam perda de água e são deficientes em vitaminas A, B6, e E, folato, cálcio, magnésio, potássio e fibras, requerendo suplementação. Fibras: é recomendado 20 a 30g por dia. Sugere-se o aumento de alimentos ricos em fibras e controle do tamanho das porções IMPORTANTE! Leia o capítulo sobre Obesidade e sobrepeso: tratamento dietético das Diretrizes Brasileiras de Obesidade.4 http://sanarsaude.com 15NUTRIÇÃO CLÍNICA 4. MANEJO NUTRICIONAL NA DIABETES MELLITUS (DM) Diabetes mellitus é um grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos que apresenta em comum a hiperglicemia. É resultado de defeitos na ação da insulina, na secreção da insulina ou em ambas. Segundo a OMS, pode ser classificada em: y Diabetes mellitus tipo 1 (DM1); y Diabetes mellitus tipo 2 (DM2); y Outros tipos específicos de diabetes mellitus; y Diabetes mellitus gestacional (DMG). Os critérios laboratoriais para diagnóstico de normoglicemia, pré-diabetes e diabe- tes mellitus estão no quadro seguinte. Tabela 9. critérios laboratoriais para diagnóstico de normoglicemia, pré-diabetes e diabetes mellitus5 CRITÉRIOS LABORATORIAIS ADOTADOS PELA SBD Glicose em jejum (mg/dL) Glicose 2 horas após sobrecarga com 75 g de glicose (mg/dL) Glicose ao acaso (mg/dL) HbA1c (%) Normoglicemiade CHO (equivalentes ou substitutos e a contagem em gramas) é uma importante ferramenta no tratamento do diabetes e deve ser inserida no contexto de uma alimentação saudável. Na contagem de carboidratos, são consideradas as porções de alimentos que contribuem com 15g de carboidratos. IMPORTANTE! Leia o item sobre Princípios gerais da orientação nutricional no diabetes mellitus da Diretrizes Sociedade Brasileira de Diabetes.5 http://sanarsaude.com 19NUTRIÇÃO CLÍNICA 5. ASPECTOS NUTRICIONAIS NA SÍNDROME METABÓLICA Segunda a I DBSM (Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Me- tabólica), Síndrome Metabólica (SM) é um transtorno complexo representado por um con- junto de fatores de risco cardiovascular usualmente relacionados à deposição central de gordura e à resistência à insulina. Para diagnóstico de SM é necessário a combinação de pelo menos três componentes clínicos listados a seguir:7 y Circunferência da cintura superior a 102 cm (em homens) ou 88 cm (em mulheres); y Concentrações séricas de TG (triglicerídeos) maior ou igual a 150 mg/dL; y HDL inferior a 40 mg/dL (em homens) ou inferior a 50 mg/dL (em mulheres); y Pressão Arterial de 135/85 mmHg ou mais; y Glicemia de jejum de 100 mg/dL, ou mais. 5.1 Recomendações Nutricionais da Síndrome Metabólica As principais recomendações para tratamento nutricional da SM estão listadas no quadro seguinte. Tabela 12. Recomendações para tratamento nutricional7 RECOMENDAÇÕES Plano alimentar para redução de peso de 5 a 10% associado ao exercício físico. Para obesos: Dieta hipocalórica, com redução de 500 a 100 Kcal do GET. Método Prático: 20 a 25 Kcal/kg/dia. Não devem ser utilizadas dietas com menos e 800 Kcal diárias. Formas de preparo: Preferir grelhados, assados, cozidos no vapor e crus. Carboidratos: 50-60% VET. Açúcar de mesa ou produtos contendo açúcar (fonte de frutose) podem ser consumidos dentro de um con- texto alimentar saudável. Fibras: 20 – 30g/dia. Sob a forma de hortaliças, leguminosas, grãos integrais e frutas. Gordura total: 25 – 35%. Evitar alimentos gordurosos (carnes gordas, embutidos, lacticínios integrais, frituras, molhos. http://sanarsaude.com 20NUTRIÇÃO CLÍNICA RECOMENDAÇÕES Ácidos Graxos Saturados ( 100 mg/Dl. Ácidos Graxos Poliinsaturados (10%) – AG W3: Peixes como salmão, sardinha, cavala e arenque. Ácidos Graxos monoinsaturados (20%) – Azeite de oliva possui 77% de AGMI e seu consumo é predominante na dieta Mediterrânea. Proteína: 0,8 – 1,0 g/kg/dia ou 15% VET. Podem ser oferecidos na forma de duas porções pequenas de carne magra por dia, ou leguminosas (soja, grão de bico, feijões, lentinha etc.) e duas a três porções diárias de leite desnatado ou queijo magro. Ovos podem ser utilizados como substitutos. Vitaminas e minerais: duas a quatros porções de hortaliças cruas e cozidas. Evitar processados (embutidos, conservas, enlatados, defumados e salgados de pacotes tipo snacks). Utilizar temperos naturais (salsa, cebolinha e ervas aromáticas). Evitar condimentos industrializados. http://sanarsaude.com 21NUTRIÇÃO CLÍNICA 6. TRATAMENTO NUTRICIONAL DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CRÔNICA A Insuficiência Cardíaca Crônica (ICC) é definida como uma anormalidade da função do coração em bombear e/ou em acomodar o retorno sanguíneo. É caracterizada pelo baixo suprimento sanguíneo para tecidos e ativação neuroendócrina anormal. Pode ser categorizada em quatro classes, de acordo com a classificação funcional. Tabela 13. Insuficiência cardíaca crônica – Classes8 Classe Definição Descrição Geral I Ausência de sintomas Assintomático II Atividades físicas habituais causam sintomas. Limitação leve Sintomas leves III Atividades físicas menos intensas que as habituais causam sintomas. Limitação importante, porém, confortável no repouso Sintomas moderados IV Incapacidade para realizar qualquer atividade sem apresentar desconforto. Sintomas no repouso Sintomas graves As principais alterações que influenciam o estado nutricional do indivíduo com ICC são: y Edema de alças intestinais: associado à redução da capacidade absortiva, náuseas e plenitude gástrica; y Anorexia: relacionado com o hipermetabolismo, hipóxia, inflamação, intoxicação digitálica e disgeusia; y Redução da massa magra: relacionado com o aumento do GEB, ativação do SNS (sistema nervoso simpático) e redução da prática de atividade física. Edema nas alças intestinais Al te ra çõ es M et ab ól ic as Capacidade absortiva ↑ GEB ↑ Consumo de O2 pelo miocárdio Plenitude pós prandial ↑ Trabalho respiratório Caquexia Cardíaca (Estágios avançados) http://sanarsaude.com 22NUTRIÇÃO CLÍNICA 6.1 Paradoxo da Obesidade As maiores taxas de mortalidade são entre pacientes com caquexia (IMC35kg/m²). Pacientes com obesidade leve (IMC 30-35 kg/m²) apresentam menores taxas de mortali- dade e hospitalização quando comparado com eutróficos (IMC 20-25kg/m²). Além disso, pacientes com IC e obesidade grave (IMC>40Kg/m²) é recomendado redução de peso. 6.2 Terapia Nutricional para Pacientes com ICC As principais recomendações para tratamento nutricional da ICC estão listadas no quadro seguinte: Tabela 14. Tratamento nutricional da ICC8 RECOMENDAÇÕES Energia Bem nutridos: 28Kcal/kg Peso seco/dia Desnutridos: 32Kcal/kg Peso seco/ dia Preparações com alta DC(Densidade Calórica) – Considerar uso de suplementos nutricionais -Se ingestão VO (Via Oral) for insuficiente Proteína 15 a 20 % DO VET Bem nutridos: 1,0 g PTN/kg Peso seco/dia Desnutridos: 1,5-2,0 g PTN/kg Peso seco/dia Priorizar PAVB (Proteína de Alto Valor Biológico) Atenção a função renal Carboidratos 50-55% VET Priorizar alimentos de baixa carga glicêmica, e evitar CHO refinados Fibras 20-30g/dia Esforço evacuatório favorece a sobrecarga cardíaca Gorduras Totais 30-35% VET Se esteatorreia, utilizar TCM http://sanarsaude.com 23NUTRIÇÃO CLÍNICA RECOMENDAÇÕES Sódio Dietas com baixo teor de Na (2,8g Na/dia para todos pacientes com ICC Oferta hídrica Depende do quadro clínico Redução de hospitalizações de pacientes com ingestão AG Ômega-3 Suplementação de 1 g/dia associado a redução na mortalidade e hospitalização por causa cardiovascular Coenzima Q10 Poucas evidências de efeitos benéficos da suplementação Vitamina D Poucas evidências de efeitos benéficos da suplementação IMPORTANTE! Leia o item sobre Tratamento não farmacológico da insuficiência cardíaca da Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda.8 http://sanarsaude.com 24NUTRIÇÃO CLÍNICA 7. NUTRIÇÃO NA DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é um termo que engloba doenças respiratórias progressivas e, em geral, não são reversíveis. Inclui doenças como bronquite crônica (inflamação de brônquios a longo prazo) e enfisema (destruição do parênquima pulmonar com falta de retração elástica). Os fatores de risco da DPOC são tabagismo, fu- maça, poluição do ar e fatores genéticos. É comum pacientes com DPOC apresentarem: diminuição na ingestão de alimentos, aumento da TMB, desnutrição, fraqueza dos músculos respiratórios, aumento da incapa- cidade, aumento da suscetibilidade a infecções e alterações hormonais. ↓ Prognóstico ↑ GEB devido ao esforço respiratório Desnutrição na DPOC ↓ Ingesta alimentar Anorexia, dispneia, fadiga Inflamação sistêmica ↑ citocinas inflamatórias Hipóxia ↓ Síntese proteica Decorrente do uso excessivo de corticóides 7.1 Conduta Nutricional na DPOC Os principais objetivos da terapia nutricional para pacientes com DPOC é a preven- ção da perda de massa corporal e a prevenção da perda de massa corporal magra. É im- portante observar as particularidades enecessidades de cada paciente para realizar a terapia nutricional de forma eficiente. Anorexia e Saciedade precoce Si nt om as Ingerir primeiro alimentos mais energéticos ↑ fracionamento, ↑ tempo de alimentação ↓ volume alimentar e ↓ consumo de alimentos fermentáveis Exercícios, se possível, e ↑ fibras e água Flatulência Dispneia e Fadiga Constipação As principais recomendações para tratamento nutricional da DPOC estão listadas no quadro a seguir. http://sanarsaude.com 25NUTRIÇÃO CLÍNICA Tabela 15. Recomendações para tratamento nutricional da DPOC3,7,9 RECOMENDAÇÕES Refeições pequenas e frequentes nutricionalmente densas Ingerir a refeição principal quando o teor energético estiver em seu ponto mais alto Energia, proteínas, vitaminas e minerais em quantidades adequadas para manter uma massa corporal dese- jável — IMC entre 20 e 24 kg/m² Disponibilidade de alimentos que exijam pouca preparação e sejam facilmente aquecidos em um forno de micro-ondas (principalmente em dias de inapetência) Limitação do álcool a menos de dois drinques por dia (30 g de álcool) Repouso antes das refeições Energia: Energia extra para o trabalho da respiração e frequentes e recorrentes infecções respiratórias Carboidratos: 40 a 55% (Krause, 2018); 50 a 60% (Cuppari, 2014) Lipídios: 30 a 45% (Krause, 2018); 25 a 30% (Cuppari, 2014) AG W3 → ↓ inflamação, melhora eficácia dos tratamentos; Proteínas: 1,2 a 1,5 g/kg P seco – 15 a 20%(Krause, 2018); 1,5 g/kg – 15 a 20% (Cuppari, 2014) Vitaminas e Minerais Fumantes → Vitamina C adicional Ca e Mg → Contração e relaxamento musculares; Potássio → Se diuréticos Sódio → Restrição, se Cor pulmonale Líquidos Paciente hidratado ajuda na consistência do escarro e para uma expectoração mais fácil Recomendação (PENG, 2011): - 18 a 60 anos → 35 mL/kg - > 60 anos → 30 mL/kg http://sanarsaude.com 26NUTRIÇÃO CLÍNICA 8. TRATAMENTO NUTRICIONAL DA NEFROLITÍASE A nefrolitíase é uma doença crônica caracterizada peça presença de cálculos renais. É consequência de alterações nas condições normais de cristalização da urina. Ocorre supersaturação urinária e formação dos cálculos resultando na presença de cristais no trato urinário. Cerca de 80 a 85% cálculos são provenientes de sais de cálcio (como oxala- to, fosfato ou carbonato de cálcio); 10%, por estruvita (a partir de infecção com bactérias produtoras de urease); 9%, por ácido úrico; e o 1% composto por cistina ou relacionado ao uso de medicamentos. Existem alimentos promotores e alimentos protetores da nefrolití- ase. Veja o quadro seguinte: Tabela 16. Alimentos promotores e protetores da nefrolitíase7 ALIMENTOS PROMOTORES ALIMENTOS PROTETORES Oxalato, frutose, sódio, excesso de proteínas, purinas, fosfatos, vitamina C Cálcio, citrato, líquidos, magnésio, Ômega 3 e potássio 8.1 Alimentos Promotores da Nefrolitíase Tabela 17. Alimentos/nutrientes promotores s da nefrolitíase7 Proteína animal 0,8 e 1 g/kg/dia. Leite e derivados, apesar de serem de origem animal, não devem ser restritos. Evitar os excessos Purinas Evitar ingestão excessiva de proteínas; evitar alimentos específicos com alto teor de purinas Frutose Pode aumentar risco de todos os tipos de cálculos renais. Dar maior ênfase aos vegetais devido conteúdo de frutose das frutas. Fosfatos Excesso de fosfato na urina contribui para o risco de formação e cálculos de fosfato de cálcio Oxalato Evitar alta ingestão de alimentos ricos em oxalato (excretam mais de 30 mg de oxalato/dia. Adicionar cálcio a cada refeição para ligação do oxalato. Sódio Ingestão de sódio deve ser reduzida para menos de 2.300 mg/dia em pacientes com hipercalciúria. Dieta DASH. Vitamina C Suplementação com vitamina C, na dose de 1.000 mg/dia, considerada fator de risco para formação de cálculos. Indivíduos com cálculos de oxalato de cálcio e concentrações aumentadas de oxalato na urina devem evitar uma suplementação de vitamina C > 90 mg/dia. http://sanarsaude.com 27NUTRIÇÃO CLÍNICA 8.2 Alimentos Protetores da Nefrolitíase Tabela 18. Alimentos/nutrientes protetores da nefrolitíase7 Líquidos Ser suficiente para gerar 2,5 litros de urina (cerca de 30 mL/kg/dia). Consumir sucos fontes de citrato (inibidor da formação de cálculos de oxalato de cálcio e de fosfato de cálcio e efeito alcalinizante na urina). Chás preto, verde e mate elevado teor de oxalato. Cautela! Chá da planta Phyllanthus niruri para o tratamento da litíase renal. Suco de oxicoco (cranberry) útil no tratamento dos cálculos de estruvita. Potássio Aumentar o potássio da dieta, consumindo frutas e vegetais com menor teor de oxalato várias vezes ao dia. Apresentam álcali que estimula a excreção urinária de citrato Magnésio Inibe absorção de oxalato Citrato Inibe os cálculos urinários por meio da formação de um complexo com cálcio na urina. Evitar hipocitratúria Ácido graxo ômega 3 Diminui a excreção urinária de cálcio e de oxalato. Cálcio Ingestão normal. Sem excessos http://sanarsaude.com 28NUTRIÇÃO CLÍNICA 9. ASPECTOS NUTRICIONAIS DAS DOENÇAS GLOMERULARES Doença glomerular é um grupo de doenças que acometem os glomérulos. O glo- mérulo é a unidade do rim responsável pela filtração do sangue e prevenção da entrada de determinadas substâncias nesse ultrafiltrado. Engloba a síndrome nefrótica e síndro- me nefrítica. Tabela 19. Observações sobre a Síndrome Nefrítica e Síndrome Nefrótica7,10 DOENÇAS GLOMERULARES SÍNDROME NEFRÍTICA SÍNDROME NEFRÓTICA Inflamação das alças capilares do glomérulo; Início súbito e breve; Perda abrupta da superfície de filtração; Redução na excreção de líquidos, pequenos solutos, eletrólitos; Hematúria, ↓hipertensão, edema e oligúria; Pode evoluir até recuperação completa, desenvolvi- mento de síndrome nefrótica crônica. Perda da barreira glomerular à proteína; Leva à hipoalbuminemia → consequente formação de edema, hipercolesterolemia, hipercoagulabilida- de e metabolismo ósseo anormal; Presença de proteinúria maciça, edema, hipoprotei- nemia e dislipidemia; Proteinúria maciça: excreção urinária > 3,5g de pro- teína/24h. 9.1 Tratamento Nutricional nas Glomerulopatias Os objetivos da terapia nutricional nas doenças glomerulares são: compensar a des- nutrição proteica; prevenir o catabolismo proteico; controlar pressão arterial; diminuir a progressão da nefropatia; diminuir a perda de proteína da urina; favorecer a reposição de albumina e de outras proteínas perdidas do plasma, corrigindo o edema; minimizar os efeitos do metabolismo lipídico alterado. As principais recomendações para tratamento nutricional estão listadas no quadro seguinte: Tabela 20. Recomendações para tratamento nutricional das glomerulopatias10,11 RECOMENDAÇÕES Calorias: 30 – 35Kcal/Kg Dieta geralmente hipercalórica. Deve suprir necessidades do organismo e evitar desvio da proteína para for- necimento de energia. Proteínas: 0,8 – 1,0g/Kg Ingestão de 60-75% de proteína de alto valor biológico. Se a perda proteica for maior que 3g/dia deve-se acrescentar a dieta 1g de proteína para cada grama excretado. http://sanarsaude.com 29NUTRIÇÃO CLÍNICA RECOMENDAÇÕES Carboidratos: Oferta normal ou a depender da quantidade de calorias a ser preconizada. Lipídios:dos níveis séricos. http://sanarsaude.com 30NUTRIÇÃO CLÍNICA 10. TRATAMENTO NUTRICIONAL NA LESÃO RENAL AGUDA (LRA) A lesão renal aguda (conhecida anteriormente como insuficiência renal aguda) é ca- racterizada pela redução súbita na taxa de filtração glomerular. Pode ocorrer oligúria ou não. Pode durar alguns dias ou muitas semanas e apresentam acentuado catabolismo. As principais causas da LRA são: y Perfusão renal inadequada pré-natal: desidratação grave; colapso circulatório; y Doenças intrínsecas no parênquima renal: necrose tubular aguda, nefrotoxicidade, reação local a fármacos, distúrbios vasculares, glomerulonefrite aguda de qualquer etiologia; y Obstrução do trato urinário pós-renal: hipertrofia próstrática, carcinoma de bexiga ou próstata, câncer retroperitoneal ou pélvico, cálculos uretrais e obstruções bilaterais, rabdomiólise. 10.1 Terapia Nutrional na LRA As principais recomendações para tratamento nutricional da LRA estão listadas no quadro seguinte. Tabela 21. Recomendações para tratamento nutricional da LRA7,10 RECOMENDAÇÕES Energia Ideal determinar por Calorimetria Indireta (CI). Krause (2018): 30 a 40 kcal/kg ideal ou ajustado. Excessos calóricos podem gerar produção excessiva de CO2. KDIGO (2012): 20 a 30Kcal/kg. Deve-se reavaliar se estiver em vigência de outras situações clínicas que au- mentam o GEB, como sepse. Proteína Krause (2018): 0,8-1 g/kg de PCI, aumentando conforme a TFG se normaliza; 60% devem ser proteínas de AVB. O aporte proteico vai depender da causa, EN, comorbidade. KDIGO (2012): Sem diálise: 0,8-1g/kg Em diálise: 1 – 1,5g/kg. Líquidos: A oligúria é comum. É preciso repor o débito do dia anterior (vômitos, diarreia, urina) mais 500 mL. Sódio: Deve ser restrito na oligúria; 20 a 40 mEq/dia – fase oligúrica (dependendo do débito urinário, presença de edema, diálise e concentração sérica de Na+). http://sanarsaude.com 31NUTRIÇÃO CLÍNICA RECOMENDAÇÕES Potássio: 30-50 mEq/dia na fase oligúrica (dependendo do débito urinário, diálise e concentração sérica de k+). Fósforo: Limitar conforme necessário. http://sanarsaude.com 32NUTRIÇÃO CLÍNICA 11. TRATAMENTO NUTRICIONAL NA DOENÇA RENAL CRÔNICA – TRATAMENTO CONSERVADOR A doença renal crônica é caracterizada pela diminuição lenta e progressiva da capaci- dade de filtração dos rins. É diagnosticado quando a TFG for menor que 60ml/min/1,73m², ou maior que 60ml/min/1,73² associado com dano renal há pelo menos 3 meses. Pode ser classificado nos seguintes estágios: Tabela 22. Classificação da TFG e lesão renal3 Estágio Classificação TF (mL/min/1,73m2) 1 Lesão renal, com TFG normal ou aumentada Maior ou igual a 90 2 Lesão renal, diminuição leve da TFG 89 a 60 3a Lesão renal com diminuição moderada da TFG 59 a 45 3b Lesão renal com diminuição moderada da TFG 44 a 30 4 Lesão renal com diminuição grave da TFG 2 29 a 15 5 Lesão renal com doença renal terminal ou fase dialítica Menor ou igual a 15 11.1 Terapia Nutrional na DRC As principais recomendações para tratamento nutricional da DRC estão listadas no quadro seguinte: Tabela 23. Recomendações para tratamento nutricional da DRC3,10,12,13 RECOMENDAÇÕES Energia Cuppari (2014): Maior ou igual a 60 anos – 30 a 35 Kcal/Kg/dia; Menor ou igual a 60 anos – 35 Kcal/Kg/dia; Obesos – Pelo menos 25 Kcal/Kg; Desnutridos > 35 Kcal/Kg KDOQI (2019): 25 a 35Kcal/kg – Independente do estágio (1 a 5 não dialítico) Não é recomendado perda de peso para paciente com sobrepeso http://sanarsaude.com 33NUTRIÇÃO CLÍNICA RECOMENDAÇÕES Proteína Considerar idade, sexo, atividade física, composição corporal, as metas de status de peso, DRC estágio, ea doença concomitante ou presença de inflamação. NKF/KDOQI (2019): Adultos com DRC (3-5), estáveis = 0,55-0,60g/kg de PI ou 0,28-0,43 g/kg PI + cetoácidos. Adultos com dia- betes, 0,8-0,9g/kg de PI. ESPEN (2006): recomenda 0,55 a 0,60 g de proteína/kg peso/dia nos estádios 1 a 4 da DRC. KDIGO (2012): recomenda 0,8 g/kg peso/dia em adultos com ou sem diabetes com DRC 1-5. Evitar valores >1,3 g/kg/dia. Carboidratos 50 a 60% Lipídios: 25 a 35% Ácidos graxos monoinsaturados: 20% do VET (preferencialmente azeite de oliva extra virgem); Ácido graxo polinsaturado: ≤ 10% do VET; Gordura saturada: 5,0); y TFG quantidade K; � Hortaliças: 2 porções diárias quantidade K. 11.3 Hiperfosfatemia na Doença Renal Crônica O rim participa da excreção de fósforo e regula a absorção de fósforo com base em paratormônio e estado ácido base. Na DRC é comum hiperparatireoidismo secundário e doença óssea renal. Em caso de hiperfosfatemia é recomendado: ligantes de fosfato e restrição diária de até 700 mg de fosfato. O fósforo é encontrado principalmente em pro- dutos animais, incluindo carnes e leite; feijões, castanhas e aditivos alimentares à base de fósforo utilizados em alimentos processados. 11.4 Anemia na Doença Renal Crônica A principal causa de anemia em pacientes com DRC consiste na incapacidade do rim de produzir eritropoietina (hormônio que estimula a medula óssea a produzir eritrócitos). A suplementação com ferro pode ser necessária quando a dieta é restrita em proteínas. A recomendação de ferro é de 8mg para homens e 15mg para mulheres. http://sanarsaude.com 35NUTRIÇÃO CLÍNICA 12. NUTRIÇÃO NA TERAPIA RENAL SUBSTITUTIVA As Terapias Renais Substitutivas (TRS) compreendem os tratamentos utilizados em pacientes nos quais a função renal esteja muito reduzida e que pode ser fatal se não hou- ver intervenção eficaz. Os métodos de TRS incluem: y Hemodiálise (HD); y Diálise Peritoneal. As principais recomendações para tratamento nutricional na TRS estão listadas no quadro seguinte: Tabela 24. Principais recomendações para tratamento nutricional na TRS7 Terapia Hemodiálise Dialise Peritoneal Transplante , 4 a 6 semanas após 6 semanas ou + após transplante Energia 35 Kcal/kgPI 30-35 Kcal/kgPI 30-35 Kcal/kgPI Kcal/kg para alcançar PI Proteína 1,2 g/kgPI 1,2-1,5 g/kg 1,3-2 g/kgPI 1,0g/kgPI Líquidos 750-1.000 mL/dia + débito urinário À vontade (mínimo 750- 1.000mL/dia + débito urinário) À vontade À vontade Sódio 1,5-2 g/dia 1,5-4 g/dia 1,5-2 g/dia 1,5-2 g/dia Potássio 2-3g/dia ou 40mg/kg PI 3-4g/dia Apenas se K↑ devido ciclosporina variável Fósforo 0,8-1,2 g/dia 0,8-1,2g/dia Não restingir Não restingir http://sanarsaude.com 36NUTRIÇÃO CLÍNICA 13. TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma doença digestiva em que os áci- dos presentes dentro do estômago voltam pelo esôfago ao invés de seguir o fluxo normal da digestão. O refluxo do conteúdo gástrico vai para o esôfago ou além(até mesmo para a cavidade bucal ou para os pulmões). Contração ↓ após alimento → estômago Conteúdo gástrico atinge esôfago ↓ Pressão do EEI* 13.1 Terapia Nutrional da DRGE Os objetivos da terapia nutricional nesse caso são: prevenir a irritação da mucosa esofágica na fase aguda; auxiliar na prevenção do refluxo gastroesofágico; contribuir para o aumento da pressão do EEI (esfíncter esofágico inferior); corrigir e manter o peso sau- dável. As principais recomendações para tratamento nutricional da DRGE estão listadas no quadro seguinte: Tabela 25. Recomendações para tratamento nutricional da DRGE7 RECOMENDAÇÕES Energia Suficiente para manter o peso ideal. Se necessário programar a perda de peso. Lipídios Evitar alimentos e preparações gordurosas, uma vez que a CCK diminui a pressão do EEI. Fracionamento 6 a 8 refeições de pequenos volumes para evitar o refluxo. Líquidos Preferencialmente entre as refeições; evitar nas refeições principais (almoço e jantar) para diminuir o volume ingerido. http://sanarsaude.com 37NUTRIÇÃO CLÍNICA RECOMENDAÇÕES Excluir Alimentos que diminuem a pressão do EEI: café, mate, chá preto, bebidas alcoólicas, chocolate. Se intolerância: excluir fruta cítrica. Alimentos que estimulam a secreção ácida: com alto teor de purinas. Recomendações gerais Não comer antes de dormir (pelo menos 2h antes de deitar); Comer em posição ereta; Não se recostar ou deitar após a refeição; Manter horários regulares e controlar volume das refeições; Não usar roupas e acessórios apertados; Manter a cabeceira da cama elevada; Fazer exercício físico. http://sanarsaude.com 38NUTRIÇÃO CLÍNICA 14. DIETOTERAPIA DA GASTRITE E ÚLCERA PÉPTICA A gastrite é definida como inflamação da mucosa gástrica. Já a úlcera péptica é a lesão na mucosa gástrica. A úlcera péptica comumente é resultado de constantes agres- sões ao tecido de revestimento estomacal. As principais causas para o aparecimento da gastrite e úlcera péptica são: y Infecção por Helicobacter pylori; y Uso crônico de AINEs; y Estresse; y Ingestão de substâncias corrosivas. A gastrite crônica pode resultar em atrofia das células parietais, causando redução do fator intrínseco e redução da secreção de HCL (acloridria). Como consequência, o in- divíduo pode apresentar anemia perniciosa (devido a redução do fator intrínseco), anemia ferropriva e osteopenia (devido a redução do HCL). As baixas concentrações de ácido po- dem influenciar a absorção de ferro, cálcio e outros nutrientes, uma vez que o suco gástri- co aumenta a biodisponibilidade desses nutrientes. 14.1 Terapia Nutricional na Gastrite e Úlcerta Péptica Os principais objetivos da terapia nutricional nessa doença são: recuperar e proteger a mucosa gástrica; facilitar a digestão; aliviar a dor; e promover bom estado nutricional. As principais recomendações para terapia nutricional estão listadas no quadro seguinte. Tabela 26. Recomendações para terapia nutricional na gastrite e úlcera péptica3,7 RECOMENDAÇÕES Energia Adequada ao estado nutricional e às necessidades nutricionais Macronutrientes Carboidratos: 50-60% VET; Lipídeos: 25-30% VET Proteínas: 10-15% VET Consistência adaptada às condições da cavidade oral Fracionamento normal (4-6 refeições/dia), evitando jejum prolongado Fibras: possui efeito tampão; reduz concentração de ácidos biliares no estômago O café e o refrigerante favorecem secreção ácida http://sanarsaude.com 39NUTRIÇÃO CLÍNICA RECOMENDAÇÕES Evitar alimentos irritantes da mucosa gástrica (excesso). Pimenta vermelha, pimenta preta, chocolate, mostarda em grão, chilli, bebidas alcoólicas. Bebidas gaseificadas causam distensão abdominal e dispepsia. Frutas Nenhuma fruta é mais ácida que o ambiente gástrico (pH 2). Não há recomendação da exclusão de nenhuma fruta. O ideal é respeitar a tolerância individual. Antigamente, o leite era utilizado como tratamento da úlcera péptica. No entanto, o leite não é adequado para isso. O cálcio e a proteína presentes no leite podem levar ao rebote ácido, pois estes nutrientes também estimulam a secreção de ácido gástrico e in- tensificam a dor. Então, o leite deve ser consumido como parte integrante da alimentação, na quantidade recomendada nos guias alimentares, porém sem exageros na tentativa de aliviar sintomas. http://sanarsaude.com 40NUTRIÇÃO CLÍNICA 15. NUTRIÇÃO NAS HEPATOPATIAS O fígado é o órgão responsável pelo metabolismo dos nutrientes (glicogênese, sín- tese de lipoproteínas, ciclo da ureia, gliconeogênese), pelo armazenamento de micronu- trientes pela detoxificação, pela síntese de proteínas (albumina, fatores de coagulação, fibrinogênio), e pela produção da secreção biliar. Então, qualquer doença que venha acometer esse órgão, pode prejudicar as suas fun- ções e trazer consequências, principalmente nutricionais como: hipoglicemia (baixa reser- va de glicogênio), intolerância à glicose, hipoalbuminemia (ascite), hiperamonemia (deto- xificação), má-absorção de gorduras (bile), hematêmese e melena (fatores de coagulação). Hipoglicemia Hiperlipidemia HepatopatiasUsina metabólica do organismo Fí ga do Desbalanço entre anabolismo e catabolismo Esteatose Hepática Má absorção de lipídios e vitaminas ↑amônia Hiperlactacidemia CetoseAlterações metabólicas Intolerância à glicose Alterações no metabolismo de macros e micros ↓albumina Sangramentos (hematêmese/melema) As principais doenças que acometem o fígado são: hepatites virais, doença alcoólica do fígado, doença hepática gordurosa não alcoólica, doenças autoimunes, cirrose hepáti- ca e hepatocarcinoma celular. http://sanarsaude.com 41NUTRIÇÃO CLÍNICA 15.1 Terapia Nutricional nas Hepatopatias As principais recomendações da terapia nutricional para cada hepatopatia estão lis- tadas nos quadros seguinte. Tabela 27. Terapia nutricional para Doença Alcoólica do Fígado14 DOENÇA ALCOÓLICA DO FÍGADO Principais demandas: Comprometimento do EN, baixa ingestão de nutrientes, menor absorção de micronutrientes, maior demanda de micronutrientes, deficiência de B1 (Síndrome de Wernicke-Korsakoff) VET: 35-40Kcal/KgPeso/dia Proteína: 1,2-1,5gPTN/KgPeso/dia Carboidrato: 55-65% VET Lipídeo: 30-35% VET Tabela 28. Terapia nutricional para Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica12,14 DOENÇA HEPÁTICA GORDUROSA NÃO ALCOÓLICA A perda de peso é recomendada. O ideal é associar a prática de atividade física com dieta hipocalórica. Energia e proteína Se obeso: 25Kcal/KgpI/dia e 2,0-2,5gPTN/KgPI/dia. Pacientes obesos com DHGA sem cirrose: cirurgia bariátrica deve ser considerada (ESPEN, 2019). Normoglicídica: Priorizar carboidratos complexos integrais. Normolipídica: Priorizar AGI, com atenção ao W-3. Avaliar a possibilidade de oferta de alimentos com Compostos Bioativos. Probióticos / simbióticos são recomendados. Tabela 29. Terapia nutricional para Cirrose14,15 CIRROSE Energia Se desnutrido:30-35Kcal/KgP Se paciente apresenta excesso de peso, o acréscimo energético não é recomendado Proteína Se bem nutrido: 1,2g/KgPeso. Se desnutrido / sarcopênico: 1,5g/KgPeso Se obeso: 1,5g/KgPI (EASL,2018). http://sanarsaude.com 42NUTRIÇÃO CLÍNICA CIRROSE Lipídeos Normolipídica. Se má absorção ou esteatorreia, incluir TCM (Cuppari, 2019). Tabela 30. Terapia nutricional para Cirrose Descompensada12,15 CIRROSE DESCOMPENSADA Ascite: restrição de Na (relacionada com alte- rações da função cerebral e mudanças comportamentais. Essa disfunção cerebral é cau- sada por insuficiência hepática devido ao excesso de amônia (hiperamonemia). Com a cirrose hepática, o ciclo da ureia é prejudicado, causando aumento dos níveis séricos de amônia. Além disso, ocorre aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica, fa- cilitando a passagem da amônia para cérebro, e consequentemente, toxicidade às células do sistema nervoso. O aumento da amônia sérica sozinha não confere valor diagnóstico, estadiamento ou prognóstico de EH. A desnutrição é comum em pessoas com EH. Cerca de 75% dos pacientes com EH apresentam DEP moderada a grave. O músculo pode desempenhar um papel importante na desintoxicação da amônia. Sendo assim, a melhora da massa muscular e do estado nutricional pode ajudar a prevenir EH. Os fatores precipitantes para a EH são: y Administração de drogas; y Hemorragias digestivas; y Infecções; y Paracentese; y Distúrbios hidroeletrolíticos; y Intervenções anestésicas e/ou cirúrgicas; y As bactérias intestinais produzem amônia; y Desequilíbrio de AA essenciais→ ↑ AACA e ↓AACR → formação de falsos neurotransmissores; y Excesso de amônia no organismo. 16.1 Proteína na EH A restrição proteica não é recomendada pois a perda do músculo esquelético, que metaboliza a amônia, pode levar ao agravamento da EH. A ingestão de proteína recomen- dada deve estar na faixa de 1,2 a 1,5g/kg/dia (AASLD, 2014). Pacientes com cirrose he- pática que são intolerantes proteína é recomendado o uso de proteínas vegetais ou BCAA (Leucina, Isoleucina e Valina). Os BCAAs (ou AACRs) orais podem ser usados como um agente alternativo ou adicio- nal para tratar aqueles que não respondem à terapia convencional (lactulose e rifaximina). O uso de fórmulas enriquecidas com BCAA têm demonstrado melhora do estado mental, mas sem benefícios na sobrevida em pacientes intolerantes a proteína. Os AACA (tripto- http://sanarsaude.com 44NUTRIÇÃO CLÍNICA fano, tirosina e fenilalanina) são fontes de amônia e os AACR competem com os AACA no transporte pela barreira hematoencefálica e na síntese de falsos neurotransmissores. 16.2 Terapia Nutricional na Encefalopatia Hepática As principais recomendações da terapia nutricional para encefalopatia hepática es- tão listadas nos quadros seguinte. Tabela 31. Terapia nutricional para encefalopatia hepática RECOMENDAÇÕES Energia 35 a 40Kcal/kg (AASLD, 2014) 30 a 35Kcal/kg (ESPEN, 2019) Proteína 1,2 a 1,5g/Kg (ESPEN, 2019) 1,2g/kg (DITEN 2011) 1,0 a 1,5g/kg (ASPEN, 2010) 1,2 a 1,5g/Kg (ISHEN, 2014) Fracionamento aumentado e volume reduzido Pequenas refeições ao longo do dia (3 a 5 refeições) e um lanche noturno. Evitar o jejum Administração noturna do SNO demonstrou ser mais eficaz na melhoria do estado proteico total do organis- mo do que o SNO diurno Probióticos e prebióticos pode favorecer redução dos níveis de amônia no sangue A suplementação oral com zinco e L-carnitina parece apresentar benefícios Se houver suspeita de Wernicke, grandes doses de tiamina devem ser administradas por via parenteral http://sanarsaude.com 45NUTRIÇÃO CLÍNICA 17. TRATAMENTO NUTRICIONAL DAS DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) são caracterizadas pelo processo inflama- tório crônico no TGI. Cursam com períodos de remissão e atividade. É comum ocorrer diar- reia na fase ativa. Os principais sintomas são: diarreia com muco e sangue, dor abdominal, febre, perda ponderal e anemia. Os dois principais tipos de DII são a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa (RCU). Tabela 32. Observações sobre Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa7 DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL (DII) DOENÇA DE CROHN RETOCOLITE ULCERATIVA Afeta qualquer parte do TGI. Envolvimento de camadas transmural. Risco maior para DEP. Erosões, estenoses, úlceras profundas, fístu- las descontínuas e lesões salteadas Restrita ao Cólon. Atinge mucosa e submucosa superficial. Risco para DEP. Úlceras rasas que se limitam a mucosa, com padrão contínuo. A depender do local da inflamação, pode ocorrer intolerância a lactose secundária na fase aguda da doença. Nesse caso é indicado restringir lactose temporariamente. 17.1 Terapia Nutricional na Doença Inflamatória Intestinal Na fase de remissão pode ser oferecido dieta livre. No entanto, na fase recidiva (ativa/ aguda) da doença é necessário realizar algumas restrições. Não existe dieta específica para promover remissão. O que existe são alimentos e/ou algumas prescrições nutricionais que podem auxiliar na remissão, minimizar as complicações advindas da fase ativa da doença e tentar manter um bom estado nutricional do paciente. As principais recomendações da te- rapia nutricional para Doença Inflamatória Intestinal estão listadas nos quadros seguintes. Tabela 33. Recomendações da terapia nutricional para Doença Inflamatória Intestinal7,12 RECOMENDAÇÕES Energia Hipermetabolismo Comum DEP Inflamação Inapetência Se obesidade → ↓ peso apenas em fases de remissão Lipídio Se má absorção → TCM Hipolipídica: