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NUTRIÇÃO 
CLÍNICA
RESUMOS
MATERIAL
COMPLEMENTAR
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SUMÁRIO
1. ASPECTOS NUTRICIONAIS NA HIPERTENSÃO ARTERIAL ........................................... 5
1.1 Classificação da Pressão Arterial ...................................................................................................5
1.2 Tratamento Não Medicamentoso ...................................................................................................6
2. NUTRIÇÃO NAS DISLIPIDEMIAS................................................................................. 8
2.1 Recomendações Dietéticas ............................................................................................................9
3. TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE ............................................ 12
3.1 Tipos de Tratamento da Obesidade ..............................................................................................12
3.2 Tratamento Dietético da Obesidade ..............................................................................................13
4. MANEJO NUTRICIONAL NA DIABETES MELLITUS (DM) ........................................... 15
4.1 Diabetes Mellitus Gestacional ......................................................................................................15
4.1.1 Terapia Nutricional Recomendada .....................................................................................................................................................................16
4.2 Manejo Nutricional na Diabetes Mellitus ...................................................................................17
5. ASPECTOS NUTRICIONAIS NA SÍNDROME METABÓLICA ......................................... 19
5.1 Recomendações Nutricionais da Síndrome Metabólica ................................................................19
6. TRATAMENTO NUTRICIONAL DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CRÔNICA .................... 21
6.1 Paradoxo da Obesidade................................................................................................................21
6.2 Terapia Nutricional para Pacientes com ICC .................................................................................22
7. NUTRIÇÃO NA DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA ................................... 24
7.1 Conduta Nutricional na DPOC.......................................................................................................24
8. TRATAMENTO NUTRICIONAL DA NEFROLITÍASE ...................................................... 26
8.1 Alimentos Promotores da Nefrolitíase ..........................................................................................26
8.2 Alimentos Protetores da Nefrolitíase ............................................................................................27
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3NUTRIÇÃO CLÍNICA
9. ASPECTOS NUTRICIONAIS DAS DOENÇAS GLOMERULARES .................................... 28
9.1 Tratamento Nutricional nas Glomerulopatias................................................................................28
10. TRATAMENTO NUTRICIONAL NA LESÃO RENAL AGUDA (LRA) ............................... 30
10.1 Terapia Nutrional na LRA ............................................................................................................30
11. TRATAMENTO NUTRICIONAL NA DOENÇA RENAL CRÔNICA – TRATAMENTO CON-
SERVADOR ............................................................................................................. 32
11.1 Terapia Nutrional na DRC ...........................................................................................................32
11.2 Hipercalemia na Doença Renal Crônica ......................................................................................33
11.3 Hiperfosfatemia na Doença Renal Crônica ..................................................................................34
11.4 Anemia na Doença Renal Crônica ...............................................................................................34
12. NUTRIÇÃO NA TERAPIA RENAL SUBSTITUTIVA ..................................................... 35
13. TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DA DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO ....36
13.1 Terapia Nutrional da DRGE .........................................................................................................36
14. DIETOTERAPIA DA GASTRITE E ÚLCERA PÉPTICA .................................................. 38
14.1 Terapia Nutricional na Gastrite e Úlcerta Péptica ........................................................................38
15. NUTRIÇÃO NAS HEPATOPATIAS ............................................................................. 40
15.1 Terapia Nutricional nas Hepatopatias .........................................................................................41
16. NUTRIÇÃO NA ENCEFALOPATIA HEPATICA ............................................................ 43
16.1 Proteína na EH ...........................................................................................................................43
16.2 Terapia Nutricional na Encefalopatia Hepática............................................................................44
17. TRATAMENTO NUTRICIONAL DAS DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS ......... 45
17.1 Terapia Nutricional na Doença Inflamatória Intestinal.................................................................45
18. CONDUTA NUTRICIONAL NA DOENÇA DIVERTICULAR E CONSTIPAÇÃO ................. 47
18.1 Constipação ...............................................................................................................................47
18.1.1 Conduta Nutricional na Constipação Intestinal ...........................................................................................................................................47
18.2 Doença Diverticular ....................................................................................................................47
18.2.1 Conduta Nutricional na Doença Diverticular .................................................................................................................................................48
19. ASPECTOS NUTRICIONAIS NA SÍNDROME DO INTESTINO CURTO .......................... 49
19.1 Terapia Nutricional na SIC ..........................................................................................................50
20. TRATAMENTO NUTRICIONAL DA PANCREATITE AGUDA ......................................... 51
20.1 Tratamento Nutricional na Pancreatite Aguda ............................................................................51
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4NUTRIÇÃO CLÍNICA
21. TRATAMENTO NUTRICIONAL DA PANCREATITE CRÔNICA ...................................... 53
21.1 Tratamento Nutricional da Pancreatite Crônica ..........................................................................53
22. TRATAMENTO NUTRICIONAL DAS ALERGIAS ALIMENTARES .................................. 55
22.1 Dietoterapia nas Alergias Alimentares ........................................................................................55
23. CONDUTA NUTRICIONAL NA DOENÇA CELÍACA ..................................................... 57
23.1 Controle Dietético da Doença Celíaca .........................................................................................57
24. NUTRIÇÃO PERIOPERATÓRIA................................................................................. 58
25. TERAPIA NUTRICIONAL NO PACIENTE CRÍTICO ..................................................... 60
25.1 Terapia Nutricional no Paciente Crítico .......................................................................................61
25.2 Nutrição no Obeso Crítico ..........................................................................................................62
25.3 Imunonutrição no Paciente Crítico .............................................................................................62
25.4 Indicação de Nutrição Parenterala longo prazo e pressões colônicas;
 y Tabagismo;
 y Medicamentos (anti-inflamatórios não esteroidais).
18.2.1 Conduta Nutricional na Doença Diverticular
Tabela 35. Conduta Nutricional na Doença Diverticular7
RECOMENDAÇÕES
Na ocorrência de episódio agudo de diverticulite ou sangramento diverticular é necessário diminuir a inges-
tão oral até que os sintomas diminuam.
Eventos complicados podem precisar de repouso intestinal e NPT.
Retomar ingestão oral ou em casos leves a moderados, começar dieta pobre em fibras (10 a 15 g/dia), segui-
do de retorno gradual a uma dieta rica em fibras.
Dieta rica em fibras associadas a hidratação (ingestão adequada de líquidos) favorecem fezes pastosas e 
volumosas com eliminação rápida e sem esforço evacuatório.
Fibras:
Mulheres: 25g Homens: 38g.
Aumentar gradualmente para evitar distensão abdominal e gases.
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49NUTRIÇÃO CLÍNICA
19. ASPECTOS NUTRICIONAIS NA 
SÍNDROME DO INTESTINO CURTO
A Síndrome do Intestino Curto (SIC) é caracterizada pela diminuição da capacidade 
absortiva, com isso havendo um comprometimento funcional na absorção de nutrientes, 
líquidos e/ou eletrólitos. Importante salientar que a causa principal dos eventos citados 
está relacionada à diminuição da área (ressecção) do intestino. As principais consequên-
cias da SIC são: má absorção de micro e macronutrientes, diarreia, esteatorreia, desidra-
tação, desequilíbrios eletrolíticos, perda de massa corporal, cálculos renais de oxalato e 
cálculos biliares de colesterol, supercrescimento bacteriano.
A depender do local de ressecção, as consequências serão diferentes. Observe o 
esquema seguinte.
Duodeno
Jejuno
Íleo
Caso haja ressecção do íleo, o 
Duodeno e Jejuno não podem 
adaptar-se as funções do íleo.
Caso haja ressecção o íleo irá 
promover sua adaptação funcional.
Raras ressecções.
Digestão
Absorção
Absorção
(Ferro, zinco, cobre 
e folato)
COMPLICAÇÕES 
NUTRICIONAIS
FUNÇÃO
As resseções do íleo, sobretudo o íleo distal, produzem grandes complicações nutri-
cionais e clínicas. O íleo distal é o único local para absorção de sais biliares e do complexo 
vitamina B12-fator intrínseco. Sendo assim, há consequências significativas da má absor-
ção de sais biliares. Quando o íleo não reabsorve os sais biliares, o fígado não consegue 
produzi-lo na quantidade suficiente, e se não há quantidade suficiente de sair biliares para 
emulsificar a gordura, a absorção de lipídeos (e consequentemente de vitaminas liposso-
lúveis) ficam prejudicadas.7 O esquema ilustrativo a seguir mostra essas consequências.
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50NUTRIÇÃO CLÍNICA
Íleo Distal
Crescimento 
Bacteriano
Sais Biliares 
(Diminuição)
Deficiência 
na B12
Esteatorréia e deficiência de 
Vitaminas Lipossolúveis
DesnutriçãoMá absorção 
de nutrientes
Sais Biliares e Vitamina B12.
ATENÇÃO
O Íleo 
remanescente 
influenciará na 
absorção de água.
Absorção
Ressecção
Perda de Peso
Má absorção 
de gorduras.
Metabolização da 
Vitamina B12
19.1 Terapia Nutricional na SIC
A TN naqueles acometidos pela enfermidade deverá estar presente até que se atinja 
a estabilidade hemodinâmica após o procedimento operatório (ressecção intestinal). Ini-
cialmente deve ser aplicada para restaurar e manter o estado nutricional do indivíduo. O 
quadro seguinte mostra as principais recomendações.
Tabela 36. Principais recomendações nutricionais para a SIC7
RECOMENDAÇÕES
Energia e proteína
No geral é recomendado 35 kcal/kg/dia e 1,5 g de proteína/kg/dia
Introduzir NE (Nutrição Enteral) e hidratação assim que possível depois da ressecção facilita adaptação in-
testina
NE proporciona trofismo ao TGI, e NPT (Nutrição Parenteral) restaura e mantem o estado nutricional
Glutamina: Pode potencializar adaptação
Nucleotídeos: Pode melhorar adaptação da mucosa
AGCCs: Combustíveis para epitélio colônico
Produtos com TCMs aumentam a ingestão energética e servem de veículo para nutrientes lipossolúveis
Fracionamento aumentado (6 a 8 refeições) e volume reduzido
Evitar lactose, sacarose, fibras insolúveis e cafeína podem ajudar a diminuir risco de distensão abdominal, 
dor abdominal e diarreia,
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51NUTRIÇÃO CLÍNICA
20. TRATAMENTO NUTRICIONAL 
DA PANCREATITE AGUDA
O pâncreas exócrino é responsável pela produção e secreção de várias enzimas di-
gestivas. A pancreatite aguda caracteriza-se por um aumento do estresse oxidativo e me-
diadores pró-inflamatórios no pâncreas, podendo comprometer as funções endócrinas 
e exócrinas pancreáticas, a depender do grau de seu comprometimento. Aumentando o 
catabolismo (vias de degradação). Os sintomas vão depender da gravidade da pancreati-
te. Hipotensão, oligúria e dispneia geralmente apresentam-se em situações mais graves.
20.1 Tratamento Nutricional na Pancreatite Aguda
A terapia nutricional é ajustada para fornecer estimulação mínima. Segundo o novo 
Guideline da ESPEN (2020), alimentação precoce via oral deve ser oferecida assim que to-
lerado clinicamente e independentemente das concentrações séricas de lipase. Nos casos 
de pancreatite aguda leve, deve ser oferecido dieta oral leve imediata com pouca gordura. 
A terapia nutricional enteral só deve ser iniciada no caso de impossibilidade da alimen-
tação via oral em 5 a 7 dias. No geral, devem ser oferecidos alimentos com digestão fácil 
com baixo teor de lipídeos.
Paciente com pancreatite aguda grave geralmente apresenta estado hipermetabó-
lico, desnutrição, infecção e necrose pancreática. Na incapacidade de utilizar o TGI, a NE 
deve ser utilizada. No entanto, em casos de íleo paralítico, fístula pancreática e falência 
intestinal deve ser utilizado NPT.
Então, na pancreatite aguda grave, a TN deve ser iniciada após adquirir estabilidade 
hemodinâmica. E, seguida, a NE deve ser administrada por sonda nasogástrica (SNG). A 
administração por sonda nasojejunal deve ser preferida em caso de intolerância digestiva. 
A SNG é viável, segura e, geralmente, bem tolerada. Pacientes submetidos a necrosecto-
mia minimamente invasiva e incapazes de serem alimentados por via oral, a NE é indicada 
via nasojejunal como via preferida. A NE deve ser iniciada precocemente (24 a 72h da 
admissão) em caso de intolerância à alimentação oral. As principais recomendações nu-
tricionais estão no quadro seguinte.
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52NUTRIÇÃO CLÍNICA
Tabela 37. Recomendações nu tricionais para Pancreatite Aguda 7,16
RECOMENDAÇÕES
Energia
25 – 35 Kcal/kg
Proteína
1,2 – 1,5 g/kg
TNE com fórmula polimérica padrão deve ser utilizada
Jejum alimentar maior que sete dias deve ser evitado para não agravar o catabolismo proteico e energético
NPT indicada quando a NE não é tolerada ou são incapazes de atingir as necessidades energéticas estima-
das ou se existem contraindicações para NE
Quando a NP indicada, a glutamina parenteral deve ser suplementada
Probióticos não podem ser recomendados em pacientes com PA grave
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53NUTRIÇÃO CLÍNICA
21. TRATAMENTO NUTRICIONAL 
DA PANCREATITE CRÔNICA
A pancreatite crônica caracteriza-se pela inflamação persistente do pâncreas. Ocor-
re aumento de mediadores pró-inflamatórios e estresse oxidativo, muitas vezes de forma 
insidiosa durante um longo período. Pode ocorrer comprometimento da absorção e de-
senvolvimento de diabetes por insuficiência na produção de insulina. Além disso, pacien-
tes com pancreatite crônica podem apresentar:
 y Episódios recorrentes de dor epigástrica;
 y Dor precipitada pelas refeições;
 y Dor, má absorção, náuseas, vômitos, diarreia: levando à perda de peso e desnutrição.
O tratamento geralmente envolve abstinência alcoólica e controle da dor. Cerca de 
80% dos pacientes são tratados com uma dieta via oral normal, associada ou não a enzi-
mas pancreáticas. Pacientes com pancreatite crônica não precisam seguir dieta restritiva.
21.1 Tratamento Nutricional da Pancreatite Crônica
Devido ao hipermetabolismo e hipercatabolismo, a ingestão de energia e proteínas 
deve ser aumentada, de modo a contribuirpara correção do estado nutricional e deficiên-
cia proteico-calórica. Existe uma necessidade de ofertar menos gordura devido a menor 
capacidade de digestão e, consequentemente, absorção. O objetivo dietoterápico é con-
trolar má absorção e evitar evolução da DEP. As principais recomendações nutricionais 
estão no quadro seguinte.
Tabela 38. Recomendações nutricionais para pancreatite crônica3,7,16
RECOMENDAÇÕES
Energia
30-35Kcal/kg.
Se DEP e risco de síndrome de realimentação (SR) progressão gradativa a partir de 20Kcal/kg.
SNO devem ser prescritos se desnutrição se VO for insuficiente
Proteína
Hiperproteica: 1,0 a 1,5 g/kg/dia
Carboidrato
Normoglicídica,
Caso a hiperglicemia esteja persistente é necessário adotar recomendações para diabetes
Dietas muito ricas em fibras devem ser evitadas
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54NUTRIÇÃO CLÍNICA
RECOMENDAÇÕES
Exclusão total de bebidas alcoólicas
Lipídeos
30% do VET (se bem tolerado).
Esteatorreia → 20% do VET ou 0,7 a 1,0 g/kg/dia. Leva a deficiências de vitaminas (A, D, E e K) e de minerais 
(cálcio, magnésio, zinco, tiamina e ácido fólico).
Se suplementação enzimática adequada não levarem ao alívio da má absorção → SNO com TCM.
Teor de lipídeos da dieta deve ser o máximo que um paciente pode tolerar sem ↑ da esteatorreia ou dor. Dieta 
com baixo teor de lipídeos (40 a 60 g/dia)
Segundo a ESPEN (2020), não há necessidade de restrição de gordura na dieta, a menos que os sintomas de 
esteatorreia não possam ser controlados.
Fracionamento aumentado e volume reduzido
Em casos de má absorção grave deve-se utilizar enzimas pancreáticas
Se má absorção deve-se suplementar vitaminas lipossolúveis e hidrossolúveis (vitamina B12, ácido fólico, 
tiamina), bem como os minerais como magnésio, ferro, selênio e zinco
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55NUTRIÇÃO CLÍNICA
22. TRATAMENTO NUTRICIONAL 
DAS ALERGIAS ALIMENTARES
As Reações Adversas aos Alimentos englobam alergias e intolerâncias alimentares, 
ambas podendo resultar em sintomas angustiantes e que afetam negativamente a saúde. 
São dependentes de mecanismos fisiológicos, IgE mediados ou não. E são mais comuns 
em crianças. Os alérgenos mais comuns são: leite, ovo, soja, trigo e amendoim.
Tabela 39. Observações sobre Alergia e intolerância7
ALERGIA INTOLERÂNCIA
Reação de hipersensibilidade iniciada por mecanis-
mos imunológicos
Comum em componentes proteicos (ex: caseína, 
ß-lactoglobulina, alfalactoalbumina)
Alergias IgE mediadas são as que expõem os pa-
cientes a quadros mais graves, com risco de morte 
(anafilaxia)
Reação contra os alimentos, mas não de maneira 
imunológica
Ausência ou deficiência de enzimas digestivas sen-
do difícil ou impossível a digestão de um alimento 
ou grupo de alimentos.
Ex: Intolerância à lactose
Os fatores de risco das alergias alimentares são:
 y Herança genética (40% – 80%);
 y Alimentação da gestante e da nutriz (faltam evidências);
 y Privação do aleitamento materno (principalmente 1ºs 4 meses / amamentação 
prolongada protege asma);
 y Uso de fórmulas lácteas;
 y Introdução precoce de alimentos sólidos;
 y Microbiota intestinal;
 y Disbiose intestinal;
 y Insuficiência de vitamina D ( 6m e sem manifestação gastrointestinal – mediadas por IgE).
Probióticos para prevenção ou tratamento de doenças alérgicas têm resultados conflitantes.
Observar no rótulo a declaração: “Alérgicos: pode conter (nomes comuns dos alimentos que causam alergias 
alimentares)
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57NUTRIÇÃO CLÍNICA
23. CONDUTA NUTRICIONAL 
NA DOENÇA CELÍACA
A Doença Celíaca (DC) é uma doença autoimune crônica de múltiplos órgãos que 
afeta o intestino delgado em pessoas geneticamente predispostas, precipitadas pela in-
gestão de glúten. Caracteriza-se pela suscetibilidade genética, exposição ao glúten, “de-
sencadeante” ambiental e reação autoimune.
O glúten está presente no trigo, centeio e cevada. É amplamente utilizado no proces-
samento de alimentos para dar à massa propriedades desejadas de cozimento, sabores e 
textura.
Na Doença Celíaca é comum a má absorção e consequentemente diarreia, esteator-
reia e perda de peso. A má absorção é resultado de danos à mucosa do intestino delgado, 
com perda da superfície de absorção, diminuição das enzimas digestivas e diminuição 
da absorção de micronutrientes (vitaminas lipossolúveis, ferro, Vitamina B12 e B9). Além 
disso, é comum intolerância a lactose secundária a doença celíaca.
23.1 Controle Dietético da Doença Celíaca
Tabela 41. Controle Dietético da Doença Celíaca7
RECOMENDAÇÕES
Dieta livre de glúten. Evitar cereais e produtos alimentícios derivados em trigo, cevada, centeio e malte.
Evitar alimentos feitos com cereais contaminados com glúten que normalmente são isentos de glúten, como 
milho, aveia etc
Utensílios de cozinha, superfícies de cozimento e torradeiras separados.
Atenção a rotulagem de alimentos e medicamentos.
Checar a informação: sem glúten ou contém glúten.
A baixa adesão a dieta pode causar: risco de linfoma, osteoporose, infertilidade, abortos espontâneos, parto 
prematuro, bebês com BP ao nascer
Deficiência de:
Ferro: consumir alimentos ricos em ferro.
Folato: devido dieta pobre em glúten. Suplementação de B9 e B12 melhora ansiedade, depressão.
Vitamina D: devido má absorção de gordura.
Zinco: prejuízo no crescimento e síntese proteica.
Cobre: manifestações hematológicas e neurológicas.
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58NUTRIÇÃO CLÍNICA
24. NUTRIÇÃO PERIOPERATÓRIA
A Nutrição Perioperatória consiste na Terapia Nutricional destinada a pacientes can-
didatos a cirurgia de médio e grande porte com RN. A fórmula nutricional utilizada no 
período perioperatório pode conter imunonutrienes ou não. Em pacientes de maior risco e 
submetidos a operação de grande porte, a TN deve incluir imunonutrientes, tanto pelo uso 
de SNO (suplemento nutricional oral) como por via oral enteral.
A Nutrição Perioperatória pode modular favoravelmente a resposta inflamatória, me-
lhorar a resposta imunológica, favorecer a cicatrização, diminuir complicações e tempo de 
internação. As principais recomendações nutricionais no pré-operatório, e pós-operatório 
estão nos quadros seguinte.
Tabela 42. Recomendações nutricionais no pré-operatório e pós-operatório19
JEJUM PRÉ OPERATÓRIO
Procedimentos eletivos recomenda-se jejum de sólidos de 6-8h antes da indução anestésica.
Líquidos contendo carboidratos (maltodextrina) devem ser ingeridos até 2h antes da anestesia, exceto para 
casos de retardo no esvaziamento esofágico ou gástrico, ou em procedimentos de emergência.
Vantagens: diminuição da resistência insulínica, menor reação inflamatória, redução no tempo de internação, 
diminuição da ansiedade, sede e fome, e diminuição de náuseas e vômitos no pós-operatório.
Bebidas contendo carboidratos associados a fonte proteica podem ser ingeridas até 3h antes do procedi-
mento anestésico com segurança.
REALIMENTAÇÃO NO PÓS OPERATÓRIO
Realimentação oral ou enteral após operaçãoabdominal deve ser precoce (em até 24h de pós-operatório) 
desde que o paciente esteja hemodinamicamente estável. 
Terapia nutricional especializada de forma precoce. Priorizar pacientes submetidos a operações de grande 
porte de cabeça e pescoço e trato digestivo superior.
Ou pacientes que não conseguem atingir 60% da meta nutricional proposta após 5-7 dias de pós-operatório 
somente com a via oral.
Fórmulas enterais contendo proteína íntegra e baixo percentual de lipídeos está recomendada na maioria dos 
pacientes submetidos à grandes cirurgias abdominais.
Para desnutridos graves, com câncer do aparelho digestivo ou com câncer de cabeça e pescoço é recomen-
dado TN com imunonutrientes.
Se TGI impossibilitado para uso ou oferta calórica não consegue atingir 60% do VET após 5 dias de pós-ope-
ratório, então a TNP deve ser prescrita, isoladamente ou associada à NE.
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59NUTRIÇÃO CLÍNICA
TN PRECOCE INICIADA NO PÓS OPERATÓRIO
Dieta iniciada nas primeiras 24h da operação e na presença de estabilidade hemodinâmica.
Intervenção nutricional imediata, via oral ou enteral, com fórmula hiperproteica com ou sem imunonutriente. 
Iniciar 5 a 7 dias antes da operação, na quantidade mínima de 500 a 1000 ml para pacientes de risco nutricio-
nal e por até 14 dias para os desnutridos graves em cirurgias de médio e grande portes.
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60NUTRIÇÃO CLÍNICA
25. TERAPIA NUTRICIONAL 
NO PACIENTE CRÍTICO
Paciente Crítico (PC) é aquele cujas funções básicas estejam ameaçadas ou em cur-
so de falência. Ou seja, paciente crítico é aquele gravemente doente, que pode ter passado 
(ou esteja passando) por uma situação de politrauma, sepse, queimadura, hemorragia ou 
intervenção cirúrgica. No quadro seguinte estão as caraterísticas das fases metabólicas 
após o trauma.
Tabela 43. Caraterísticas das fases metabólicas após o trauma7
Características das fases metabólicas após o trauma
FASE EBB FASE FLOW
Aguda ou hipermetabólica Adaptativa ou anabólica 
ou convalescência
Diminuição do débito cardíaco
Aumento do consumo de oxigênio
Diminuição da perfusão do tecido
Diminuição da temperatura corporal
Diminuição da taxa metabólica
Aumento de:
glicocorticoides, glucagon, ca-
tecolaminas, liberação de citoci-
nas, produção proteínas de fase 
aguda , excreção de nitrogênio, 
taxa metabólica, consumo de 
oxigênio, temperatura corporal
Diminuição da taxa hipermetabólica
Resposta hormonal diminui grada-
tivamente
Associada à fase de recuperação 
Potencial para restauração da pro-
teína corporal e cicatrização
A taxa metabólica aumenta, exigindo a mobilização reservas de nutrientes do corpo 
para fornecer energia.
Tabela 44. Comportamento dos macronutrientes no paciente crítico7
CARBOIDRATOS PROTEÍNAS LIPÍDEOS
Rápido esgotamento das reservas
Metabolismo insulina alterado
Aumento da glicogênese hepática
Diminuição da eficiência da oxida-
ção RI e hipergli
Mobilização reservas muscu-
lares para neoglicogênese e 
síntese PFA
Balanço nitrogênado negativo
Aumento da lipólise com au-
mento de ácidos graxos livres
Importante fonte de energia 
para tecidos, exceto enteróci-
tos e SNC
Na avaliação nutricional do paciente grave, alguns critérios devem ser observados:
 y DEP é comum;
 y Comprometimento do estado nutricional: gravidade doença, inflamação, idade, 
condução da terapia nutricional;
 y Triagem nutricional: Fundamental para intervenção precoce;
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61NUTRIÇÃO CLÍNICA
 y Ferramentas tradicionais (antropometria, PTN séricas etc.) são limitados em UTI;
 y A avaliação nutricional deve ser baseada em: %PP(perda de peso), ingestão 
alimentar, gravidade doença, comorbidade, força, massa muscular, função TGI.
25.1 Terapia Nutricional no Paciente Crítico
O objetivo da TN no paciente crítico é atenuar resposta metabólica ao estresse, man-
ter e modular a função imunológica e minimizar perda massa magra. Segundo as diretri-
zes em vigência (DITEN, 2018; ASPEN, 2016), a TN deve iniciar precocemente (24 a 48h da 
admissão). A nutrição enteral é segura, mais fisiológica, com TN efeitos benéficos locais 
e sistêmicos. O quadro seguinte mostra as principais recomendações de requerimento 
calórico e proteico.
Tabela 45. Principais recomendações de requerimento calórico e proteico7
Sociedade /
Diretriz (Ano) REQUERIMENTO CALÓRICO REQUERIMENTO PROTEICO
DITEN (2018)
Iniciar com 15 a 20 kcal/kg e no 4º dia progredir 
para 25 a 30 kcal/kg/dia.
Se CI, ofertar na fase inicial entre 50 e 70% do gasto 
energético
Doentes críticos recebam entre 
1,5 e 2 g/kg/dia de proteína
ASPEN (2016)
Na ausência de CI, 25-30 kcal/kg.
Sepse: fase inicial – nutrição trófica 10-20 kcal/h 
ou 500 kcal/dia, avançando como tolerado após 
24-48 horas para > 80% da meta durante a primei-
ra semana
Em geral: 1,2-2,0 g/kg e > em 
queimados e trauma. Terapia 
dialítica contínua: até 2,5g/kg 
para alcançar BN+.
Se a ingestão oral não for possível, iniciar a nutrição enteral precoce (dentro de 48h). 
Dar preferência à TNE em vez da NP, se o tubo digestivo for acessível e estiver apto para 
receber nutrientes. Em caso de contraindicação para oral e NE, a Nutrição Parenteral deve 
ser implementada.
Na tabela seguinte, estão informações sobre a via de acesso e a seleção da fórmula.
Tabela 46. Via de acesso da TNE e a seleção da fórmula para o paciente crítico7
Administração Contínua. Há menor incidência de diarreia em comparação com a intermitente.
Localização 
da sonda
O acesso gástrico abordagem padrão para iniciar a NE.
Se intolerância à alimentação gástrica não resolvida com procinéticos, a alimen-
tação pós-pilórica deve ser usada.
 Se alto risco de aspiração → pós-pilórica.
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62NUTRIÇÃO CLÍNICA
Escolha da fórmula
Poliméricas, em geral, são bem toleradas.
Monitorar tolerância gastrointestinal e avaliar necessidade de dieta oligomérica.
Evitar uso rotineiro de fibras. Apenas o uso da fibra solúvel para diarreia per-
sistente em indivíduos que estejam hemodinamicamente compensados e não 
tenham dismotilidade
Densidade calórica 
(DC) e volume
A densidade calórica é a divisão entre o VET e o volume. Volume é a divisão entre 
o VET e a DC
25.2 Nutrição no Obeso Crítico
No obeso crítico algumas orientações mudam. A TN deve ser hipocalórica e hiperpro-
teica para preservar massa magra, mobilizar estoques de gordura e minimizar os efeitos 
metabólicos do overfeeding. As principais complicações associadas ao overfeeding são: 
hiperglicemia, esteatose hepática e resistência à insulina. A recomendação de energia e 
proteínas são as seguintes:
 y Energia: se CI não disponível- 11-14 kcal/kg/dia do peso atual e 22-25 kcal/kg/dia 
do peso ideal;
 y Proteína: IMC 30 – 40Kg/m²→2,0g/Kg de PI IMC > 40→ 2,5g/kg de PI.
25.3 Imunonutrição no Paciente Crítico
A imunonutrição é indicada para pacientes submetidos a grandes cirurgias do TGI, 
TCE, queimados e pós-operatório de câncer de cabeça e pescoço. No quadro seguinte 
destacamos algumas informações importantes sobre imunonutrientes.
Tabela 47. Imunonutrição no paciente crítico7
Imunonutrientes
Arginina, glutamina, ômega 3 e ácido nucleico.
Formulações enterais imunomoduladoras não devem ser utilizadas rotineira-
mente na UTI.
Glutamina
Em situações de estresse, a demanda torna-se > que seu suprimento. AA condi-
cionalmente essencial.
Indicado no hipercatabolismo: câncer, traumatismos, queimaduras graves.
Arginina
Contraindicado na sepse grave pois aumenta o ON e piora instabilidade hemo-
dinâmica
Indicação: Pacientes críticos de TCE, pós-operatório de grandes cirurgias.
A resistência à insulina e a hiperglicemia são comuns nos pacientes críticos, pois 
são secundárias ao estresse. Logo a seguir destacamos algumas informações importan-
tes que devem ser observadas no controle glicêmico no paciente crítico:
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63NUTRIÇÃO CLÍNICA
 y Administração não deve exceder a 5 mg/kg/min;
 y A sobrecarga de glicose: aumenta a produção de CO2 (pode exacerbar a insuficiência 
respiratóriaou prolongar a dependência da ventilação mecânica); 
 y Esteatose hepática; 
 y Hiperglicemia e retenção de nitrogênio;
 y Evitar a hiperalimentação (valor calórico acima de 110% das NEE);
 y A glicemia deve ser estabelecida entre 140 e 180 mg/dl para pacientes clínicos 
sob cuidados intensivos.
25.4 Indicação de Nutrição Parenteral no Paciente Crítico
A tabela seguinte mostra as principais recomendações de Indicação de nutrição pa-
renteral no paciente crítico.
Tabela 48. Indicação de nutrição parenteral no paciente crítico7
TNP INÍCIO DE NUTRIÇÃO 
PARENTERAL
NUTRIÇÃO PARENTERAL 
SUPLEMENTAR
DITEN 
(2018)
Iniciar precocemente em doentes com ↑ RN 
no momento da admissão e que não pos-
sam utilizar o TGI
Após 5 a 7 dias em doentes impossibilita-
dos de atingir aporte calórico proteico >60% 
por via digestiva.
ASPEN 
(2016)
Baixo RN: aguardar até 7 dias após a ad-
missão na UTI. Alto RN ou desnutrição gra-
ve: iniciar o mais rápido possível.
Independente do RN, após 7 a 10 dias se 
60% das necessidades nutricionais não fo-
rem atingidas
Pratice 
Guideline 
(2013)
NP precoce não deve ser recomendada para 
pacientes de baixo risco e curto período em 
UTI
Não há dados suficientes para indicar o 
momento em que se deve associar à NP su-
plementar
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64NUTRIÇÃO CLÍNICA
26. NUTRIÇÃO NOS PACIENTES 
QUEIMADOS
No paciente queimado ocorrem muitas alterações fisiológicas. Pacientes com 
queimaduras graves desenvolvem resposta hipermetabólica prolongada, proporcional 
à gravidade da lesão. O catabolismo proteico exagerado associado com o aumento da 
excreção de nitrogênio urinário e perdas de proteínas por meio do exsudato da ferida 
favorecem ao hipermetabolismo.
O hipermetabolismo depende: gravidade da lesão, profundidade, localização, 
agente causador da queimadura. Será influenciado pela idade, EN prévio, presença de 
comorbidades.
26.1 Terapia Nutricional em Grandes Queimaduras
A dieta deve ser iniciada precocemente. A via oral deve ser utilizada sempre que 
possível com consistência e volume adaptados à tolerância do paciente. A nutrição pre-
coce (dentro de 12hrs da lesão) por via gástrica atenua a resposta hormonal ao estresse, 
resposta hipermetabólica, auxilia na manutenção da barreira intestinal. A posição pós-pi-
lórica apenas para pacientes com sinais de intolerância gástrica.
Gravidade da lesão
As
pe
ct
os
 p
ar
a 
o 
tr
at
am
en
to
Local da lesão
Profundidade da lesão
Agente causador da queimadura
Estado nutricional prévio
Idade
Presença de comorbidades
A nutrição enteral está indicada quando:
 y Há mais de 20% de superfície corporal queimada ou comprometimento prévio do 
EM. É necessário para alcançar meta calórico-proteica;
 y Independente da superfície corporal queimada quando há perda ponderal 
importante ao longo do internamento;
 y Lesões em cavidade oral que limitam a aceitação alimentar;
 y Situações patológicas associadas como traumas de crânio.
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65NUTRIÇÃO CLÍNICA
As principais recomendações nutricionais para paciente queimado estão no quadro 
seguinte.
Tabela 49. Recomendações nutricionais para paciente queimado7
RECOMENDAÇÕES
Energia
Queimaduras abaixo de 20% da ASCQ → VO hipercalórica.
Calorimetria Indireta (CI) → padrão ouro.
Varia de acordo com a extensão e profundidade da queimadura.
Carboidratos
50-60% do VET.
Não exceder 5 mg/kg/min ou 7 g/kg/dia.
CONTROLE GLICÊMICO: Melhor aproveitamento do enxerto, menos complicações infecciosas e diminuição 
da mortalidade.
Lipídios
Recomendação: 1,0g/kg. Se inflamação: 1,2 – 2,0g/kg. Desnutrição 1,2 a 
1,5g/kg
Câncer trat paliativo Mesma recomendação acima. Trabalhar com oferta protei-
ca que melhor conforte o paciente
Sobreviventes do câncer Semelhante a indivíduos saudáveis. 0,8-1,0g/kg
27.1.1 Indicações de Terapia Nutricional
 y Suplementação oral: Indicada em pacientes que não conseguem atingir suas 
metas nutricionais através da dieta oral exclusiva;
 y Câncer de cabeça e pescoço: Iniciar precocemente. Se ingestão estiver inadequada 
é preciso utilizar SNO ou SNE. Se o paciente estiver em radioterapia deve receber AN, 
orientação nutricional e TN conforme sintomas e estado nutricional. É necessário 
estabelecer consultas semanais com nutricionistas durante radioterapia por pelo 
menos 6 semanas;
 y Outros tipos de câncer: Ingestão inadequada por mais de 1 semana, ou menos de 
60% da NEE por mais de 2 semanas.
27.2 Indicação para Nutrição Parenteral no Paciente Oncológico
Tabela 52. Indicação para Nutrição Parenteral no Paciente Oncológico7,20
Nutrição 
Parenteral 
(NP)
Aqueles que:
Não toleram ou não atingem suas necessidades pela TNE por mais de 5 a 7 dias.
Contraindicação ao uso do TGI (Obstrução intestinal; SIC (insuficiência ou falência intesti-
nal); Fístulas de alto débito)
Aqueles com contraindicação ao uso da via digestiva deve usar NP exclusiva. Precoce para 
pacientes desnutridos ou em alto risco nutricional.
http://sanarsaude.com68NUTRIÇÃO CLÍNICA
28. NUTRIÇÃO NO PACIENTE 
ONCOLÓGICO CIRÚRGICO
Nesse grupo, estão incluídos pacientes com câncer submetidos à cirurgia desnutri-
dos ou em risco de desnutrição candidatos a cirurgia de médio ou grande porte. Para estes 
pacientes é recomendado fórmulas hiperproteicas com imunonutrientes, por via oral ou 
enteral, na quantidade mínima de 500 ml por dia no período perioperatório, iniciando 5 a 7 
dias antes da cirurgia.
Os objetivos da imunonutrição no paciente oncológico é:
 y Reduzir complicações infecciosas em pacientes candidatos a cirurgia;21
 y Pacientes desnutridos ou em risco nutricional menor podem apresentar menor 
tempo de internação hospitalar, menor incidência de deiscências de anastomoses 
e menores complicações infecciosas em relação aos pacientes bem nutridos.20
Tabela 53. Recomendações nutricionais para paciente oncológico cirúrgico20-21
RECOMENDAÇÕES
Energia
Para ganho e manutenção de peso: 30 a 35 Kcal/kg
No pós operatório ou presença de ascite: 20 a 25 Kcal/kg
Proteínas
Estresse moderado: 1,2 a 1,5 g/kg
Estresse grave: 1,5 a 2,0 g/kg
Líquidos
30 ml/kg ou 1,5 a 2,5 litros/dia
Jejum
Recomenda-se a abreviação do tempo para 2 a 3 horas com fórmula contendo maltodextrina a 12,5% com ou 
sem fonte nitrogenada na quantidade de 200ml
Para prevenir a SR (Síndrome de Realimentação) é necessário iniciar dieta com calorias reduzidas, ofertar de 
forma lenta e reduzida.
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69NUTRIÇÃO CLÍNICA
29. MANEJO NUTRICIONAL DE 
ACORDO COM EFEITOS ADVERSOS 
NO PACIENTE ONCOLÓGICO
O paciente oncológico apresenta vários efeitos adversos devido a terapia para o tra-
tamento de câncer. No quadro seguinte estão as principais estratégias nutricionais para 
manejo dos efeitos adversos.
Tabela 54. Estratégias nutricionais para manejo dos efeitos adversos no paciente oncológico20
Disfagia
–  Encaminhar para fonoterapia
–  Alterar a consistência da dieta
–  Aumentar aporte calórico e proteico das refeições;
–  Ofertar SNO conforme individualidade do paciente;
–  Evitar alimentos secos e duros e preferir alimentos umedecidos;
–  Manter cabeceira elevada para alimentar-se;
–  Uso de TNE para disfagia grave.
Odinofagia
–  Alterar a consistência da dieta, de acordo com tolerância do paciente;
–  Aumentar aporte calórico e proteico das refeições;
–  Ofertar SNO conforme individualidade do paciente;
–  Evitar alimentos secos, duros, cítricos, salgados, picantes e condimentados;
–  Evitar alimentos em extremos de temperatura.
Disgeusia
–  Estimular ingestão dos alimentos preferidos;
–  Preparar pratos coloridos e visualmente apetitosos;
–  Usar ervas e especiarias para acentuar sabor dos alimentos.
Xerostomia 
-
–  Ingerir líquidos durante as refeições para facilitar a mastigação e deglutição;
–  Adequar consistência dos alimentos, conforme aceitação do paciente;
–  Consumir alimentos umedecidos, adicionando caldos e molhos às preparações;
–  Usar gotas de limão nos alimentos;
–  Usar balas cítricas e mentoladas sem açúcar.
Mucosite 
oral
–  Modificar a consistência da dieta, de acordo com o grau de mucosite;
–  Diminuir o consumo de sal e condimento das preparações;
–  Se aporte nutricional insuficiente, considerar ofertar SNO;
–  Evitar alimentos secos, duros, cítricos e picantes;
–  Evitar alimentos em extremos de temperatura.
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70NUTRIÇÃO CLÍNICA
Náuseas e 
vômitos
–  Oferecer bebidas à base de gengibre;
–  Realizar refeições em ambientes tranquilos com mastigação lenta e pequenas porções 
de alimentos;
–  Alimentar-se em locais arejados, longe de odores forte de comida;
–  Preferir alimentos secos e sem alto teor de gordura;
–  Preferir alimentos cítricos e gelados;
–  Evitar líquidos durante as refeições (consumir 30 a 60 minutos antes/depois).
Diarreia
–  Evitar alimentos ricos em lactose, glúten e sacarose;
–  Evitar alimentos e preparações gordurosas e condimentadas;
–  Aumentar a ingestão de líquidos;
–  Dieta pobre em fibra insolúvel e adequada em solúvel.
Constipação
–  Estimular consumo de alimentos, preparações e sucos ricos em fibras e com caracte-
rística laxativa;
–  Estimular a ingestão hídrica;
–  Realizar atividade física se não houver contraindicação médica.
Inapetência
–  Aconselhamento nutricional por profissional especializado em nutrição oncológica;
–  Aumentar a densidade calórica dos alimentos;
–  Orientar dietas hipercalóricas hiperproteicas, fracionadas e em pequenas porções;
–  Introduzir suplementos orais hipercalóricos e hiperproteicos nos intervalos.
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71NUTRIÇÃO CLÍNICA
30. CONDUTA NUTRICIONAL NA 
SÍNDROME DE DUMPING
A síndrome de Dumping é definida como um conjunto de sintomas vasomotores e 
gastrointestinais, associados ao esvaziamento gástrico rápido ou à exposição súbita do 
intestino delgado aos nutrientes. Ocorre após gastrectomias parciais ou completas. Os 
sintomas podem variar conforme o quadro seguinte:
Tabela 55. Observações sobre a Síndrome de Dumping precoce e tardia7
SÍNDROME DE DUMPING 
PRECOCE
SÍNDROME DE DUMPING 
TARDIA
Sudorese
Rubor
Tontura
Taquicardia
Dor abdominal
Diarreia
Inchaço
Náusea
Sudorese
Taquicardia
Fome
Sonolência
Inconsciência
Tremor
Irritabilidade
30.1 MEDIDAS DIETÉTICAS NA SÍNDROME DE DUMPING
O tratamento baseia-se em retardar o esvaziamento gástrico. As recomendações 
são s seguintes:
 y Limitar consumo de carboidratos simples;
 y Evitar líquidos durante as refeições;
 y Aumentar o fracionamento das refeições;
 y Refeições com volume reduzido;
 y Uso de fibras solúveis (ex: pectina e goma guar);
 y Dieta deve ser rica em proteínas, e moderada em lipídios.
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72NUTRIÇÃO CLÍNICA
31. NUTRIÇÃO NA SÍNDROME DA 
IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA
A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, também denominada de AIDS, é o último 
estágio da infecção pelo HIV, quando não tratada. É caracteriza-se pela intensa e contínua 
replicação viral, levando a destruição das células CD4. O vírus HIV diminui células CD4+ e 
afeta a capacidade do corpo de lutar contra infecções e doenças, gerando a imunodefici-
ência. E, relação ao estado nutricional de pessoas com AIDS é preciso estar atento a:
 y Ingestão oral inadequada de líquidos e alimentos;
 y Necessidades nutricionais aumentadas;
 y Dificuldade de deglutição;
 y Função gastrointestinal alterada;
 y Interação alimento-medicação;
 y Perda de massa corporal involuntária;
 y Excesso de massa corporal e obesidade;
 y Deficiência de conhecimento relacionado com a nutrição;
 y Suplementação aumentada de nutrientes;
 y Capacidade de preparar alimentos ou refeições prejudicadas;
 y Acesso inadequado a alimentos;
 y Ingestão de alimentos inseguros ou malcozidos.
Depeleção progressiva
Im
un
od
efi
ci
ên
ci
a
Conjunto de outras alterações
Hipercatabolismo
Perda ponderal
Destruição das células CD4
Intensa replicação viral
A terapia antirretroviral utilizada por esses pacientes pode trazer diversas conse-
quências como: diarreia, fadiga, refluxo, náuseas, vômitos, dislipidemia e resistência à 
insulina; complicações metabólicas e morfológicas (lipoatrofia, lipodistrofia, síndrome 
metabólica e doença cardiovascular); dislipidemia em indivíduos com lipodistrofia; e risco 
aumentado de deposição de gordura (quando utilizadas dietas com baixa quantidade de 
fibras ou alto IG).
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73NUTRIÇÃO CLÍNICA
Co
m
pl
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aç
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ic
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 e
 
m
or
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ló
gi
ca
s
Lipohipertrofia
Lipoatrofia
Síndrome metabólica
Doenças cardiovasculares
31.1 Dietoterapia na AIDS
As principais metas da dietoterapia para pessoas infectadas pelo HIV são: otimizar o 
estado nutricional, a imunidade e o bem-estar; manter massa corporal saudável e massa 
corporal magra; evitar deficiências de nutrientes e reduzir o risco de comorbidades.
Tabela 56. Recomendações dietoterápicas para pessoas infectadas pelo HIV7
RECOMENDAÇÕES
A suplementação com ômega 3. Pode ser benéfica na hipertrigliceridemia.
Infecção oportunista:aumento do adicional de 10% na ingestão de proteína por causa da ↑ do turnover pro-
teico.
Náuseas pela manhã: Evitar consumir líquidos preferindo alimentos sólidos. Chupar pedras de gelo. Fazer 
pequenas refeições, várias vezes/dia. Não ingerir líquidos durante a refeição. Evitar alimentos gordurosos, 
bebidas gasosas, excesso de condimento
Diarreia: Evitar cafeína e fibras insolúveis. Evitar doces e gorduras. Indicar pequenas refeições. Indicar ali-
mentos ricos em K, soro de reidratação oral
Aumentar ingestão de líquidos, evitando desidratação.
Mucosite: Indicar alimentos líquidos, pastosos ou de consistência macia. Indicar alimentos preferidos para 
estimular apetite, amassados ou batidos. Evitar temperaturas quentes. Evitar alimentos ácidos
A necessidade energética e proteica depende: estágio da doença, infecções e co-
morbidades oportunistas, inflamação e efeitos dos medicamentos. É necessário avaliar o 
estágio, sintoma e estado nutricional.
Tabela 57. Recomendações de energia e proteína para pessoas com AIDS de acordo com o estágio da doença3
ENERGIA (KCAL/DIA) PROTEÍNA (G/KG)
Estágio A: assintomático, peso estável: 30-35. Estágio A: assintomático, peso estável: 1,1 – 1,5.
Estágio B: sintomático, necessidade ganho de peso: 
30-40.
Estágio B: sintomático, necessidade ganho de peso: 
1,5-2,0.
Estágio C: infecção oportunista e CD4geral eletiva. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 44, 
n. 6, p. 633-648; 2017.
20. Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral et al. Diretriz BRASPEN de te-
rapia nutricional no paciente com câncer. BRASPEN J, v. 34, n. Supl 1, p. 2-32; 2019.
21. Arends J et al. ESPEN expert group recommendations for action against cancer-rela-
ted malnutrition. Clinical Nutrition. 2017; v. 36, n. 5, p. 1187-1196.
22. Malachias MVB et al. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arquivos Brasilei-
ros de Cardiologia, v. 107, n. 3, p. 79-83, 2016.
23. Mancini MC et al. Diretrizes Brasileiras de Obesidade 2016. Associação Brasileira para 
o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. 4. ed. São Paulo; 2016.
24. McClave SA et al. Guidelines for the provision and assessment of nutrition support 
therapy in the adult critically ill patient: Society of Critical Care Medicine (SCCM) and 
American Society for Parenteral and Enteral Nutrition (ASPEN). Journal of Parenteral 
and Enteral Nutrition, v. 40, n. 2, p. 159-211; 2016.
25. Plauth M et al. Espen guideline on clinical nutrition in liver disease. Clinical nutrition, 
v. 38, n. 2, p. 485-521, 2019.
26. Rohde LEP et al. Diretriz brasileira de insuficiência cardíaca crônica e aguda. Arquivos 
Brasileiros de Cardiologia, v. 111, n. 3, p. 436-539; 2018.
27. Vilstrup H et al. Hepatic encephalopathy in chronic liver disease: 2014 practice guide-
line by AASLD and EASL. Hepatology, v. 60, n. 2, p. 715-35; 2014.
28. Barroso WKS, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, Mota-Gomes MA, Brandão AA, Feitosa 
ADM, et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arq Bras Cardiol. 
2020; [online].ahead print, PP.0-0
http://sanarsaude.com
MATERIAL
COMPLEMENTAR
BONS ESTUDOS!
http://sanarsaude.comno Paciente Crítico .................................................................63
26. NUTRIÇÃO NOS PACIENTES QUEIMADOS .............................................................. 64
26.1 Terapia Nutricional em Grandes Queimaduras ............................................................................64
27. TERAPIA NUTRICIONAL NO PACIENTE ONCOLÓGICO ............................................. 66
27.1 Necessidades Nutricionais no Paciente Oncológico ...................................................................66
27.1.1 Indicações de Terapia Nutricional .....................................................................................................................................................................67
27.2 Indicação para Nutrição Parenteral no Paciente Oncológico .......................................................67
28. NUTRIÇÃO NO PACIENTE ONCOLÓGICO CIRÚRGICO .............................................. 68
29. MANEJO NUTRICIONAL DE ACORDO COM EFEITOS ADVERSOS NO PACIENTE ONCO-
LÓGICO ................................................................................................................... 69
30. CONDUTA NUTRICIONAL NA SÍNDROME DE DUMPING .......................................... 71
30.1 MEDIDAS DIETÉTICAS NA SÍNDROME DE DUMPING ...................................................................71
31. NUTRIÇÃO NA SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA ............................. 72
31.1 Dietoterapia na AIDS ..................................................................................................................73
32. INTERAÇÃO FÁRMACO NUTRIENTE ........................................................................ 75
REFERÊNCIAS .............................................................................................................. 77
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5NUTRIÇÃO CLÍNICA
1. ASPECTOS NUTRICIONAIS 
NA HIPERTENSÃO ARTERIAL
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) consiste em uma condição clínica multifato-
rial caracterizada por elevação sustentada dos níveis pressóricos. Os fatores de risco para 
a elevação da PA são: genética, idade, sexo, etnia, sobrepeso/obesidade, ingestão inade-
quada de sódio e potássio, sedentarismo, álcool, apneia obstrutiva do sono, medicação e 
drogas ilícitas. 
A nova Diretriz Brasileira de Hipertensão5, trouxe muitas mudanças significativas 
tanto para o diagnóstico quanto para a terapia não medicamentosa. Os principais pontos 
de mudança foram:
 y Classificação da pressão arterial;
 y Tratamento não medicamentoso;
 y Recomendações de porções e quantidades.
1.1 Classificação da Pressão Arterial
Comparando as duas últimas diretrizes1,5, não houve mudanças na classificação dos 
três estágios da hipertensão (estágio 1, estágio 2 e estágio 3). Continuam sendo classifi-
cados como hipertensos indivíduos com níveis de PA acima de 140/90 mmHg.
 No entanto, a classificação de pré-hipertenso e pressão arterial normal sofreram 
leves modificações. De acordo com a nova diretriz, indivíduos com PAS entre 120 a 129 
mmHg e/ou PAD entre 80 a 84 mmHg são classificados como portadores de PA normal, e 
indivíduos com PAS entre 130 a 139 mmHg e/ou PAD entre 85 a 89 mmHg são classifica-
dos como pré-hipertensos.
Tabela 1. Classificação da Pressão Arterial de acordo com a medição no consultório a partir de 18 anos8
2016 2020
Classificação PAS (mm/Hg) PAD (mm/Hg) PAS (mm/Hg) PAD (mm/Hg)
PA ótima - -quadro clínico caracterizado por concentrações anormais de tri-
glicerídeos ou lipoproteínas no sangue. Pode ser classificado em hiperlipidemias (níveis 
elevados de lipoproteínas) e hipolipidemias (níveis plasmáticos de lipoproteínas baixos). 
Na tabela seguinte estão os valores referenciais e de alvo terapêutico do perfil lipídico para 
adultos com mais de 20 anos.
Tabela 3. Valores referenciais e de alvo terapêutico do perfil lipídico para adultos com mais de 20 anos2
Perfil lipídico para adultos com mais de 20 anos
Lípides Com jejum (mg/dL) Sem jejum Categoria referencial
Colesterol total 40 >40 Desejável
Triglicérides 500 mg/dL
Perda de peso Manter peso 
saudável 5-10 Até 5 5-10 5-10
Carboidrato 
(%VCT) 50-60 45-60 50-60 50-55 45-50
Açúcares de 
adição (%VCT) 500 mg/dL
Ácidos graxos 
poli-insaturados 
(%VCT)
5-10 5-10 10-20 10-20 10-20
Ácido linolenico, 
g/dia 1,1-1,6 - - - -
EPA e DHA, g - - 0,5-1 1-2 > 2
Fibras 25 g, sendo 6 g 
de fibra solúvel - - - -
Além disso, há algumas recomendações específicas para o controle da hipercoleste-
rolemia e hipertrigliceridemia. Veja o quadro seguinte:
Tabela 6. Recomendações específicas para o controle da hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia2
CONTROLE DA HIPERCOLESTEROLEMIA CONTROLE DA HIPERTRIGLICERIDEMIA
Substituição parcial de AGS por AGMI e AGPI
Exclusão dos AGT da dieta
Não há evidências para estabelecer valor li-
mite de colesterol dietético
Redução do peso
Redução do consumo de bebida alcoólica
Redução dos CHO e açúcares
Substituição parcial de AGS por AGMI e AGPI
Alguns alimentos e nutrientes têm ganhado destaque por causa do seu potencial 
terapêutico no controle da dislipidemia. São eles:
 y Ácidos Graxos Ômega-3 – É recomendado duas ou mais porções de peixes ricos 
em EPA e DHA por semana para prevenção primária. Além disso, é indicado 
suplementação de EPA e DHA em pacientes com hipertrigliceridemia;
 y Fitosteróis – São considerados análogos estruturais ao colesterol. Estudos 
mostram que a suplementação de 2g por dia pode ser utilizado como uma medida 
de suporte em crianças com HF (Hipercolesterolemia Familiar);
 y Proteína da soja – O consumo diário de 15 a 30 g de proteína de soja está associado 
à redução de 5% de LDL-c, ao aumento de 3% de HDL-c e à redução de 11% na 
concentração de TG;
 y Fibra solúvel – Psyllium é a fibra solúvel mais estudada na redução do colesterol. 
Estudos indicam que doses de 7 a 15 g ao dia estão associadas com uma redução 
de LDL-c e CT. Além disso, sugere-se o consumo de aproximadamente 3 g ao dia 
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11NUTRIÇÃO CLÍNICA
de betaglucanas A ingestão recomendada mínima de fibras por dia é de 25 g, a fim 
de proteger contra DCV e câncer;
 y Probiótico – Apesar do crescente interesse em investigar o uso de probióticos 
na colesterolemia, os estudos mostram ausência de seu efeito ou redução muito 
modesta de concentração plasmática de LDL-c.
IMPORTANTE!
Leia o capítulo sobre Tratamento Não Medicamentoso das Dislipidemias 
da Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção 
da Aterosclerose.2
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12NUTRIÇÃO CLÍNICA
3. TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO 
DA OBESIDADE
A obesidade é caracterizada pelo acúmulo anormal ou excessivo de gordura corpo-
ral que pode atingir graus capazes de afetar a saúde. Segundo as Diretrizes Brasileira de 
Obesidade (2016) A medida de massa corporal e distribuição de gordura são os melhores 
indicadores para a identificação da obesidade. Veja no quadro seguinte a classificação do 
IMC e circunferência abdominal definidos pela OMS.
Tabela 7. Classificação do IMC e da circunferência abdominal definidos pela OMS2
CLASSIFICAÇÃO IMC
IMC (kg/m2) CLASSIFICAÇÃO
o 
tratamento da obesidade.
Tabela 8. Recomendações dietéticas para tratamento da obesidade1,3
TRATAMENTO DIETÉTICO DA OBESIDADE
Dietas individualizadas e balanceadas 20% a 30% de gorduras; 55% a 60% de carboidratos; 15% a 20% de 
proteínas
Diminuição da ingestão calórica: Essas dietas devem ser calculadas para promover um déficit de 500 a 1.000 
kcal/dia, com um mínimo de 1.000 a 1.200 kcal/d para as mulheres e 1.200 a 1.400 kcal/d para os homens 
(exemplo, 1.000 a 1.500 kcal por dia para mulheres e 1.200 a 1.800 kcal por dia para homens).
Déficit de 500 a 1.000 kcal da dieta habitual objetivando perda ponderal para redução de 0,5 a 1 kg/semana
Dietas de muito baixas calorias, usualmente, proveem 400 a 800 kcal por dia e devem conter 0,8 a 1 g por 
quilo do peso ideal por dia de proteínas de boa qualidade e quantidades diárias recomendadas de minerais, 
vitaminas e ácidos graxos essenciais
15 a 20 kcal/kg de peso atual/dia (Cuppari, 2014)
Dietas de muito baixa caloria podem promover rápida perda de peso em obesos graves e estão associadas, 
especialmente, à redução da gordura visceral e do volume hepático.
Dietas hipocalóricas estão associadas à diminuição de LDL, triglicerídeos e redução da pressão arterial.
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14NUTRIÇÃO CLÍNICA
TRATAMENTO DIETÉTICO DA OBESIDADE
Dietas cetogênicas causam perda de água e são deficientes em vitaminas A, B6, e E, folato, cálcio, magnésio, 
potássio e fibras, requerendo suplementação.
Fibras: é recomendado 20 a 30g por dia. Sugere-se o aumento de alimentos ricos em fibras e controle do 
tamanho das porções
IMPORTANTE!
Leia o capítulo sobre Obesidade e sobrepeso: tratamento dietético 
das Diretrizes Brasileiras de Obesidade.4
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15NUTRIÇÃO CLÍNICA
4. MANEJO NUTRICIONAL NA 
DIABETES MELLITUS (DM)
Diabetes mellitus é um grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos que apresenta 
em comum a hiperglicemia. É resultado de defeitos na ação da insulina, na secreção da 
insulina ou em ambas. Segundo a OMS, pode ser classificada em:
 y Diabetes mellitus tipo 1 (DM1);
 y Diabetes mellitus tipo 2 (DM2);
 y Outros tipos específicos de diabetes mellitus;
 y Diabetes mellitus gestacional (DMG).
Os critérios laboratoriais para diagnóstico de normoglicemia, pré-diabetes e diabe-
tes mellitus estão no quadro seguinte.
Tabela 9. critérios laboratoriais para diagnóstico de normoglicemia, pré-diabetes e diabetes mellitus5
CRITÉRIOS LABORATORIAIS ADOTADOS PELA SBD
Glicose em jejum 
(mg/dL)
Glicose 2 horas após 
sobrecarga com 75 g 
de glicose (mg/dL)
Glicose ao acaso 
(mg/dL) HbA1c (%)
Normoglicemiade CHO (equivalentes ou substitutos e a contagem em gramas) é uma 
importante ferramenta no tratamento do diabetes e deve ser inserida no contexto 
de uma alimentação saudável. Na contagem de carboidratos, são consideradas as 
porções de alimentos que contribuem com 15g de carboidratos.
IMPORTANTE!
Leia o item sobre Princípios gerais da orientação nutricional no diabetes mellitus 
da Diretrizes Sociedade Brasileira de Diabetes.5
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19NUTRIÇÃO CLÍNICA
5. ASPECTOS NUTRICIONAIS NA 
SÍNDROME METABÓLICA
Segunda a I DBSM (Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Me-
tabólica), Síndrome Metabólica (SM) é um transtorno complexo representado por um con-
junto de fatores de risco cardiovascular usualmente relacionados à deposição central de 
gordura e à resistência à insulina. Para diagnóstico de SM é necessário a combinação de 
pelo menos três componentes clínicos listados a seguir:7
 y Circunferência da cintura superior a 102 cm (em homens) ou 88 cm (em mulheres);
 y Concentrações séricas de TG (triglicerídeos) maior ou igual a 150 mg/dL;
 y HDL inferior a 40 mg/dL (em homens) ou inferior a 50 mg/dL (em mulheres);
 y Pressão Arterial de 135/85 mmHg ou mais;
 y Glicemia de jejum de 100 mg/dL, ou mais.
5.1 Recomendações Nutricionais da Síndrome Metabólica
As principais recomendações para tratamento nutricional da SM estão listadas no 
quadro seguinte.
Tabela 12. Recomendações para tratamento nutricional7
RECOMENDAÇÕES
Plano alimentar para redução de peso de 5 a 10% associado ao exercício físico.
Para obesos: Dieta hipocalórica, com redução de 500 a 100 Kcal do GET.
Método Prático: 20 a 25 Kcal/kg/dia.
Não devem ser utilizadas dietas com menos e 800 Kcal diárias.
Formas de preparo: Preferir grelhados, assados, cozidos no vapor e crus.
Carboidratos: 50-60% VET.
Açúcar de mesa ou produtos contendo açúcar (fonte de frutose) podem ser consumidos dentro de um con-
texto alimentar saudável.
Fibras: 20 – 30g/dia.
Sob a forma de hortaliças, leguminosas, grãos integrais e frutas.
Gordura total: 25 – 35%.
Evitar alimentos gordurosos (carnes gordas, embutidos, lacticínios integrais, frituras, molhos.
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20NUTRIÇÃO CLÍNICA
RECOMENDAÇÕES
Ácidos Graxos Saturados ( 100 mg/Dl.
Ácidos Graxos Poliinsaturados (10%) – AG W3: Peixes como salmão, sardinha, cavala e arenque.
Ácidos Graxos monoinsaturados (20%) – Azeite de oliva possui 77% de AGMI e seu consumo é predominante 
na dieta Mediterrânea. 
Proteína: 0,8 – 1,0 g/kg/dia ou 15% VET.
Podem ser oferecidos na forma de duas porções pequenas de carne magra por dia, ou leguminosas (soja, 
grão de bico, feijões, lentinha etc.) e duas a três porções diárias de leite desnatado ou queijo magro. Ovos 
podem ser utilizados como substitutos.
Vitaminas e minerais: duas a quatros porções de hortaliças cruas e cozidas.
Evitar processados (embutidos, conservas, enlatados, defumados e salgados de pacotes tipo snacks).
Utilizar temperos naturais (salsa, cebolinha e ervas aromáticas). Evitar condimentos industrializados.
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21NUTRIÇÃO CLÍNICA
6. TRATAMENTO NUTRICIONAL DA 
INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CRÔNICA
A Insuficiência Cardíaca Crônica (ICC) é definida como uma anormalidade da função 
do coração em bombear e/ou em acomodar o retorno sanguíneo. É caracterizada pelo 
baixo suprimento sanguíneo para tecidos e ativação neuroendócrina anormal. Pode ser 
categorizada em quatro classes, de acordo com a classificação funcional.
Tabela 13. Insuficiência cardíaca crônica – Classes8
Classe Definição Descrição Geral
I Ausência de sintomas Assintomático
II Atividades físicas habituais causam sintomas. Limitação leve Sintomas leves
III Atividades físicas menos intensas que as habituais causam 
sintomas. Limitação importante, porém, confortável no repouso Sintomas moderados
IV Incapacidade para realizar qualquer atividade sem apresentar 
desconforto. Sintomas no repouso Sintomas graves
As principais alterações que influenciam o estado nutricional do indivíduo com 
ICC são:
 y Edema de alças intestinais: associado à redução da capacidade absortiva, náuseas 
e plenitude gástrica;
 y Anorexia: relacionado com o hipermetabolismo, hipóxia, inflamação, intoxicação 
digitálica e disgeusia;
 y Redução da massa magra: relacionado com o aumento do GEB, ativação do SNS 
(sistema nervoso simpático) e redução da prática de atividade física.
Edema nas alças intestinais
Al
te
ra
çõ
es
 M
et
ab
ól
ic
as
Capacidade absortiva
↑ GEB
↑ Consumo de O2 pelo miocárdio
Plenitude pós prandial
↑ Trabalho respiratório
Caquexia Cardíaca (Estágios avançados)
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22NUTRIÇÃO CLÍNICA
6.1 Paradoxo da Obesidade
As maiores taxas de mortalidade são entre pacientes com caquexia (IMC35kg/m²). 
Pacientes com obesidade leve (IMC 30-35 kg/m²) apresentam menores taxas de mortali-
dade e hospitalização quando comparado com eutróficos (IMC 20-25kg/m²). Além disso, 
pacientes com IC e obesidade grave (IMC>40Kg/m²) é recomendado redução de peso.
6.2 Terapia Nutricional para Pacientes com ICC
As principais recomendações para tratamento nutricional da ICC estão listadas no 
quadro seguinte:
Tabela 14. Tratamento nutricional da ICC8
RECOMENDAÇÕES
Energia
Bem nutridos: 28Kcal/kg Peso seco/dia
Desnutridos: 32Kcal/kg Peso seco/ dia
Preparações com alta DC(Densidade Calórica) – Considerar uso de suplementos nutricionais -Se ingestão 
VO (Via Oral) for insuficiente
Proteína
15 a 20 % DO VET
Bem nutridos: 1,0 g PTN/kg Peso seco/dia
Desnutridos: 1,5-2,0 g PTN/kg Peso seco/dia
Priorizar PAVB (Proteína de Alto Valor Biológico)
Atenção a função renal
Carboidratos
50-55% VET
Priorizar alimentos de baixa carga glicêmica, e evitar CHO refinados
Fibras
20-30g/dia
Esforço evacuatório favorece a sobrecarga cardíaca
Gorduras Totais
30-35% VET
Se esteatorreia, utilizar TCM 
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23NUTRIÇÃO CLÍNICA
RECOMENDAÇÕES
Sódio
Dietas com baixo teor de Na (2,8g Na/dia para todos pacientes com ICC
Oferta hídrica
Depende do quadro clínico
Redução de hospitalizações de pacientes com ingestão
AG Ômega-3
Suplementação de 1 g/dia associado a redução na mortalidade e hospitalização por causa cardiovascular
Coenzima Q10
Poucas evidências de efeitos benéficos da suplementação
Vitamina D
Poucas evidências de efeitos benéficos da suplementação
IMPORTANTE!
Leia o item sobre Tratamento não farmacológico da insuficiência cardíaca 
da Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda.8
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24NUTRIÇÃO CLÍNICA
7. NUTRIÇÃO NA DOENÇA PULMONAR 
OBSTRUTIVA CRÔNICA
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é um termo que engloba doenças 
respiratórias progressivas e, em geral, não são reversíveis. Inclui doenças como bronquite 
crônica (inflamação de brônquios a longo prazo) e enfisema (destruição do parênquima 
pulmonar com falta de retração elástica). Os fatores de risco da DPOC são tabagismo, fu-
maça, poluição do ar e fatores genéticos.
É comum pacientes com DPOC apresentarem: diminuição na ingestão de alimentos, 
aumento da TMB, desnutrição, fraqueza dos músculos respiratórios, aumento da incapa-
cidade, aumento da suscetibilidade a infecções e alterações hormonais.
↓ Prognóstico
↑ GEB devido 
ao esforço 
respiratório
Desnutrição 
na DPOC
↓ Ingesta 
alimentar
Anorexia, 
dispneia, 
fadiga
Inflamação 
sistêmica
↑ citocinas 
inflamatórias
Hipóxia ↓ Síntese 
proteica
Decorrente do 
uso excessivo 
de corticóides
7.1 Conduta Nutricional na DPOC
Os principais objetivos da terapia nutricional para pacientes com DPOC é a preven-
ção da perda de massa corporal e a prevenção da perda de massa corporal magra. É im-
portante observar as particularidades enecessidades de cada paciente para realizar a 
terapia nutricional de forma eficiente.
Anorexia e Saciedade precoce
Si
nt
om
as
Ingerir primeiro alimentos mais energéticos
↑ fracionamento, ↑ tempo de alimentação
↓ volume alimentar e ↓ consumo de alimentos fermentáveis
Exercícios, se possível, e ↑ fibras e água
Flatulência
Dispneia e Fadiga
Constipação
As principais recomendações para tratamento nutricional da DPOC estão listadas no 
quadro a seguir.
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25NUTRIÇÃO CLÍNICA
Tabela 15. Recomendações para tratamento nutricional da DPOC3,7,9
RECOMENDAÇÕES
Refeições pequenas e frequentes nutricionalmente densas
Ingerir a refeição principal quando o teor energético estiver em seu ponto mais alto
Energia, proteínas, vitaminas e minerais em quantidades adequadas para manter uma massa corporal dese-
jável — IMC entre 20 e 24 kg/m²
Disponibilidade de alimentos que exijam pouca preparação e sejam facilmente aquecidos em um forno de 
micro-ondas (principalmente em dias de inapetência)
Limitação do álcool a menos de dois drinques por dia (30 g de álcool)
Repouso antes das refeições
Energia:
Energia extra para o trabalho da respiração e frequentes e recorrentes infecções respiratórias
Carboidratos:
40 a 55% (Krause, 2018); 50 a 60% (Cuppari, 2014)
Lipídios:
30 a 45% (Krause, 2018); 25 a 30% (Cuppari, 2014)
AG W3 → ↓ inflamação, melhora eficácia dos tratamentos;
Proteínas:
 1,2 a 1,5 g/kg P seco – 15 a 20%(Krause, 2018); 1,5 g/kg – 15 a 20% (Cuppari, 2014)
Vitaminas e Minerais
Fumantes → Vitamina C adicional
Ca e Mg → Contração e relaxamento musculares;
Potássio → Se diuréticos
Sódio → Restrição, se Cor pulmonale
Líquidos
Paciente hidratado ajuda na consistência do escarro e para uma expectoração mais fácil
Recomendação (PENG, 2011):
- 18 a 60 anos → 35 mL/kg
- > 60 anos → 30 mL/kg
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26NUTRIÇÃO CLÍNICA
8. TRATAMENTO NUTRICIONAL 
DA NEFROLITÍASE
A nefrolitíase é uma doença crônica caracterizada peça presença de cálculos renais. 
É consequência de alterações nas condições normais de cristalização da urina. Ocorre 
supersaturação urinária e formação dos cálculos resultando na presença de cristais no 
trato urinário. Cerca de 80 a 85% cálculos são provenientes de sais de cálcio (como oxala-
to, fosfato ou carbonato de cálcio); 10%, por estruvita (a partir de infecção com bactérias 
produtoras de urease); 9%, por ácido úrico; e o 1% composto por cistina ou relacionado ao 
uso de medicamentos. Existem alimentos promotores e alimentos protetores da nefrolití-
ase. Veja o quadro seguinte:
Tabela 16. Alimentos promotores e protetores da nefrolitíase7
ALIMENTOS PROMOTORES ALIMENTOS PROTETORES
Oxalato, frutose, sódio, excesso de proteínas, 
purinas, fosfatos, vitamina C
Cálcio, citrato, líquidos, magnésio, 
Ômega 3 e potássio
8.1 Alimentos Promotores da Nefrolitíase
Tabela 17. Alimentos/nutrientes promotores s da nefrolitíase7
Proteína 
animal
0,8 e 1 g/kg/dia.
Leite e derivados, apesar de serem de origem animal, não devem ser restritos. 
Evitar os excessos
Purinas Evitar ingestão excessiva de proteínas; evitar alimentos específicos com alto teor 
de purinas
Frutose
Pode aumentar risco de todos os tipos de cálculos renais.
Dar maior ênfase aos vegetais devido conteúdo de frutose das frutas.
Fosfatos Excesso de fosfato na urina contribui para o risco de formação e cálculos de 
fosfato de cálcio
Oxalato Evitar alta ingestão de alimentos ricos em oxalato (excretam mais de 30 mg de 
oxalato/dia. Adicionar cálcio a cada refeição para ligação do oxalato.
Sódio Ingestão de sódio deve ser reduzida para menos de 2.300 mg/dia em pacientes 
com hipercalciúria. Dieta DASH.
Vitamina C
Suplementação com vitamina C, na dose de 1.000 mg/dia, considerada fator de 
risco para formação de cálculos.
Indivíduos com cálculos de oxalato de cálcio e concentrações aumentadas de 
oxalato na urina devem evitar uma suplementação de vitamina C > 90 mg/dia.
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27NUTRIÇÃO CLÍNICA
8.2 Alimentos Protetores da Nefrolitíase
Tabela 18. Alimentos/nutrientes protetores da nefrolitíase7
Líquidos
Ser suficiente para gerar 2,5 litros de urina (cerca de 30 mL/kg/dia).
Consumir sucos fontes de citrato (inibidor da formação de cálculos de oxalato de 
cálcio e de fosfato de cálcio e efeito alcalinizante na urina).
Chás preto, verde e mate elevado teor de oxalato. Cautela!
Chá da planta Phyllanthus niruri para o tratamento da litíase renal.
Suco de oxicoco (cranberry) útil no tratamento dos cálculos de estruvita.
Potássio
Aumentar o potássio da dieta, consumindo frutas e vegetais com menor teor de 
oxalato várias vezes ao dia.
Apresentam álcali que estimula a excreção urinária de citrato
Magnésio Inibe absorção de oxalato
Citrato
Inibe os cálculos urinários por meio da formação de um complexo com cálcio na 
urina.
Evitar hipocitratúria
Ácido graxo 
ômega 3 Diminui a excreção urinária de cálcio e de oxalato.
Cálcio Ingestão normal. Sem excessos
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28NUTRIÇÃO CLÍNICA
9. ASPECTOS NUTRICIONAIS DAS 
DOENÇAS GLOMERULARES
Doença glomerular é um grupo de doenças que acometem os glomérulos. O glo-
mérulo é a unidade do rim responsável pela filtração do sangue e prevenção da entrada 
de determinadas substâncias nesse ultrafiltrado. Engloba a síndrome nefrótica e síndro-
me nefrítica.
Tabela 19. Observações sobre a Síndrome Nefrítica e Síndrome Nefrótica7,10
DOENÇAS GLOMERULARES
SÍNDROME NEFRÍTICA SÍNDROME NEFRÓTICA
Inflamação das alças capilares do glomérulo;
Início súbito e breve;
Perda abrupta da superfície de filtração;
Redução na excreção de líquidos, pequenos solutos, 
eletrólitos;
Hematúria, ↓hipertensão, edema e oligúria;
Pode evoluir até recuperação completa, desenvolvi-
mento de síndrome nefrótica crônica.
Perda da barreira glomerular à proteína;
Leva à hipoalbuminemia → consequente formação 
de edema, hipercolesterolemia, hipercoagulabilida-
de e metabolismo ósseo anormal;
Presença de proteinúria maciça, edema, hipoprotei-
nemia e dislipidemia;
Proteinúria maciça: excreção urinária > 3,5g de pro-
teína/24h.
9.1 Tratamento Nutricional nas Glomerulopatias
Os objetivos da terapia nutricional nas doenças glomerulares são: compensar a des-
nutrição proteica; prevenir o catabolismo proteico; controlar pressão arterial; diminuir a 
progressão da nefropatia; diminuir a perda de proteína da urina; favorecer a reposição 
de albumina e de outras proteínas perdidas do plasma, corrigindo o edema; minimizar os 
efeitos do metabolismo lipídico alterado. As principais recomendações para tratamento 
nutricional estão listadas no quadro seguinte:
Tabela 20. Recomendações para tratamento nutricional das glomerulopatias10,11
RECOMENDAÇÕES
Calorias: 30 – 35Kcal/Kg
Dieta geralmente hipercalórica. Deve suprir necessidades do organismo e evitar desvio da proteína para for-
necimento de energia.
Proteínas: 0,8 – 1,0g/Kg
Ingestão de 60-75% de proteína de alto valor biológico.
Se a perda proteica for maior que 3g/dia deve-se acrescentar a dieta 1g de proteína para cada grama excretado.
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29NUTRIÇÃO CLÍNICA
RECOMENDAÇÕES
Carboidratos:
Oferta normal ou a depender da quantidade de calorias a ser preconizada.
Lipídios:dos níveis séricos.
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30NUTRIÇÃO CLÍNICA
10. TRATAMENTO NUTRICIONAL 
NA LESÃO RENAL AGUDA (LRA)
A lesão renal aguda (conhecida anteriormente como insuficiência renal aguda) é ca-
racterizada pela redução súbita na taxa de filtração glomerular. Pode ocorrer oligúria ou 
não. Pode durar alguns dias ou muitas semanas e apresentam acentuado catabolismo. As 
principais causas da LRA são:
 y Perfusão renal inadequada pré-natal: desidratação grave; colapso circulatório;
 y Doenças intrínsecas no parênquima renal: necrose tubular aguda, nefrotoxicidade, 
reação local a fármacos, distúrbios vasculares, glomerulonefrite aguda de qualquer 
etiologia;
 y Obstrução do trato urinário pós-renal: hipertrofia próstrática, carcinoma de bexiga 
ou próstata, câncer retroperitoneal ou pélvico, cálculos uretrais e obstruções 
bilaterais, rabdomiólise.
10.1 Terapia Nutrional na LRA
As principais recomendações para tratamento nutricional da LRA estão listadas no 
quadro seguinte.
Tabela 21. Recomendações para tratamento nutricional da LRA7,10
RECOMENDAÇÕES
Energia
Ideal determinar por Calorimetria Indireta (CI).
Krause (2018): 30 a 40 kcal/kg ideal ou ajustado. Excessos calóricos podem gerar produção excessiva de 
CO2.
KDIGO (2012): 20 a 30Kcal/kg. Deve-se reavaliar se estiver em vigência de outras situações clínicas que au-
mentam o GEB, como sepse.
Proteína
Krause (2018): 0,8-1 g/kg de PCI, aumentando conforme a TFG se normaliza; 60% devem ser proteínas de 
AVB. O aporte proteico vai depender da causa, EN, comorbidade.
KDIGO (2012): Sem diálise: 0,8-1g/kg Em diálise: 1 – 1,5g/kg.
Líquidos:
A oligúria é comum. É preciso repor o débito do dia anterior (vômitos, diarreia, urina) mais 500 mL.
Sódio:
Deve ser restrito na oligúria;
20 a 40 mEq/dia – fase oligúrica (dependendo do débito urinário, presença de edema, diálise e concentração 
sérica de Na+).
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31NUTRIÇÃO CLÍNICA
RECOMENDAÇÕES
Potássio:
30-50 mEq/dia na fase oligúrica (dependendo do débito urinário, diálise e concentração sérica de k+).
Fósforo: Limitar conforme necessário.
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32NUTRIÇÃO CLÍNICA
11. TRATAMENTO NUTRICIONAL 
NA DOENÇA RENAL CRÔNICA – 
TRATAMENTO CONSERVADOR
A doença renal crônica é caracterizada pela diminuição lenta e progressiva da capaci-
dade de filtração dos rins. É diagnosticado quando a TFG for menor que 60ml/min/1,73m², 
ou maior que 60ml/min/1,73² associado com dano renal há pelo menos 3 meses. Pode ser 
classificado nos seguintes estágios:
Tabela 22. Classificação da TFG e lesão renal3
Estágio Classificação TF (mL/min/1,73m2)
1 Lesão renal, com TFG normal ou aumentada Maior ou igual a 90
2 Lesão renal, diminuição leve da TFG 89 a 60
3a Lesão renal com diminuição moderada da TFG 59 a 45
3b Lesão renal com diminuição moderada da TFG 44 a 30
4 Lesão renal com diminuição grave da TFG 2 29 a 15
5 Lesão renal com doença renal terminal ou fase dialítica Menor ou igual a 15
11.1 Terapia Nutrional na DRC
As principais recomendações para tratamento nutricional da DRC estão listadas no 
quadro seguinte:
Tabela 23. Recomendações para tratamento nutricional da DRC3,10,12,13
RECOMENDAÇÕES
Energia
Cuppari (2014): Maior ou igual a 60 anos – 30 a 35 Kcal/Kg/dia; Menor ou igual a 60 anos – 35 Kcal/Kg/dia; 
Obesos – Pelo menos 25 Kcal/Kg; Desnutridos > 35 Kcal/Kg
KDOQI (2019): 25 a 35Kcal/kg – Independente do estágio (1 a 5 não dialítico)
Não é recomendado perda de peso para paciente com sobrepeso
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33NUTRIÇÃO CLÍNICA
RECOMENDAÇÕES
Proteína
Considerar idade, sexo, atividade física, composição corporal, as metas de status de peso, DRC estágio, ea 
doença concomitante ou presença de inflamação.
NKF/KDOQI (2019):
Adultos com DRC (3-5), estáveis = 0,55-0,60g/kg de PI ou 0,28-0,43 g/kg PI + cetoácidos. Adultos com dia-
betes, 0,8-0,9g/kg de PI.
ESPEN (2006):
recomenda 0,55 a 0,60 g de proteína/kg peso/dia nos estádios 1 a 4 da DRC.
KDIGO (2012):
recomenda 0,8 g/kg peso/dia em adultos com ou sem diabetes com DRC 1-5. Evitar valores >1,3 g/kg/dia.
Carboidratos 50 a 60%
Lipídios: 25 a 35%
Ácidos graxos monoinsaturados: 20% do VET (preferencialmente azeite de oliva extra virgem); Ácido graxo 
polinsaturado: ≤ 10% do VET; Gordura saturada: 5,0);
 y TFG quantidade K;
� Hortaliças: 2 porções diárias 
quantidade K.
11.3 Hiperfosfatemia na Doença Renal Crônica
O rim participa da excreção de fósforo e regula a absorção de fósforo com base em 
paratormônio e estado ácido base. Na DRC é comum hiperparatireoidismo secundário e 
doença óssea renal. Em caso de hiperfosfatemia é recomendado: ligantes de fosfato e 
restrição diária de até 700 mg de fosfato. O fósforo é encontrado principalmente em pro-
dutos animais, incluindo carnes e leite; feijões, castanhas e aditivos alimentares à base de 
fósforo utilizados em alimentos processados.
11.4 Anemia na Doença Renal Crônica
A principal causa de anemia em pacientes com DRC consiste na incapacidade do rim 
de produzir eritropoietina (hormônio que estimula a medula óssea a produzir eritrócitos). 
A suplementação com ferro pode ser necessária quando a dieta é restrita em proteínas. A 
recomendação de ferro é de 8mg para homens e 15mg para mulheres.
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35NUTRIÇÃO CLÍNICA
12. NUTRIÇÃO NA TERAPIA 
RENAL SUBSTITUTIVA
As Terapias Renais Substitutivas (TRS) compreendem os tratamentos utilizados em 
pacientes nos quais a função renal esteja muito reduzida e que pode ser fatal se não hou-
ver intervenção eficaz. Os métodos de TRS incluem:
 y Hemodiálise (HD);
 y Diálise Peritoneal.
As principais recomendações para tratamento nutricional na TRS estão listadas no 
quadro seguinte:
Tabela 24. Principais recomendações para tratamento nutricional na TRS7
Terapia Hemodiálise Dialise 
Peritoneal
Transplante , 4 a 6 
semanas após
6 semanas ou + 
após transplante
Energia 35 Kcal/kgPI 30-35 Kcal/kgPI 30-35 Kcal/kgPI Kcal/kg para 
alcançar PI
Proteína 1,2 g/kgPI 1,2-1,5 g/kg 1,3-2 g/kgPI 1,0g/kgPI
Líquidos
750-1.000 
mL/dia + débito 
urinário
À vontade 
(mínimo 750- 
1.000mL/dia + 
débito urinário)
À vontade À vontade
Sódio 1,5-2 g/dia 1,5-4 g/dia 1,5-2 g/dia 1,5-2 g/dia
Potássio 2-3g/dia ou 
40mg/kg PI 3-4g/dia Apenas se K↑ devido 
ciclosporina variável
Fósforo 0,8-1,2 g/dia 0,8-1,2g/dia Não restingir Não restingir
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36NUTRIÇÃO CLÍNICA
13. TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO 
DA DOENÇA DO REFLUXO 
GASTROESOFÁGICO
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma doença digestiva em que os áci-
dos presentes dentro do estômago voltam pelo esôfago ao invés de seguir o fluxo normal 
da digestão. O refluxo do conteúdo gástrico vai para o esôfago ou além(até mesmo para 
a cavidade bucal ou para os pulmões).
Contração 
↓ após alimento 
→ estômago
Conteúdo 
gástrico atinge 
esôfago
↓ Pressão 
do EEI*
13.1 Terapia Nutrional da DRGE
Os objetivos da terapia nutricional nesse caso são: prevenir a irritação da mucosa 
esofágica na fase aguda; auxiliar na prevenção do refluxo gastroesofágico; contribuir para 
o aumento da pressão do EEI (esfíncter esofágico inferior); corrigir e manter o peso sau-
dável. As principais recomendações para tratamento nutricional da DRGE estão listadas 
no quadro seguinte:
Tabela 25. Recomendações para tratamento nutricional da DRGE7
RECOMENDAÇÕES
Energia
Suficiente para manter o peso ideal.
Se necessário programar a perda de peso.
Lipídios
Evitar alimentos e preparações gordurosas, uma vez que a CCK diminui a pressão do EEI.
Fracionamento
6 a 8 refeições de pequenos volumes para evitar o refluxo.
Líquidos
Preferencialmente entre as refeições; evitar nas refeições principais (almoço e jantar) para diminuir o volume 
ingerido.
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37NUTRIÇÃO CLÍNICA
RECOMENDAÇÕES
Excluir
Alimentos que diminuem a pressão do EEI: café, mate, chá preto, bebidas alcoólicas, chocolate.
Se intolerância: excluir fruta cítrica.
Alimentos que estimulam a secreção ácida: com alto teor de purinas.
Recomendações gerais
Não comer antes de dormir (pelo menos 2h antes de deitar);
Comer em posição ereta;
Não se recostar ou deitar após a refeição;
Manter horários regulares e controlar volume das refeições;
Não usar roupas e acessórios apertados;
Manter a cabeceira da cama elevada;
Fazer exercício físico.
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38NUTRIÇÃO CLÍNICA
14. DIETOTERAPIA DA GASTRITE 
E ÚLCERA PÉPTICA
A gastrite é definida como inflamação da mucosa gástrica. Já a úlcera péptica é a 
lesão na mucosa gástrica. A úlcera péptica comumente é resultado de constantes agres-
sões ao tecido de revestimento estomacal. As principais causas para o aparecimento da 
gastrite e úlcera péptica são:
 y Infecção por Helicobacter pylori;
 y Uso crônico de AINEs;
 y Estresse;
 y Ingestão de substâncias corrosivas.
A gastrite crônica pode resultar em atrofia das células parietais, causando redução 
do fator intrínseco e redução da secreção de HCL (acloridria). Como consequência, o in-
divíduo pode apresentar anemia perniciosa (devido a redução do fator intrínseco), anemia 
ferropriva e osteopenia (devido a redução do HCL). As baixas concentrações de ácido po-
dem influenciar a absorção de ferro, cálcio e outros nutrientes, uma vez que o suco gástri-
co aumenta a biodisponibilidade desses nutrientes.
14.1 Terapia Nutricional na Gastrite e Úlcerta Péptica
Os principais objetivos da terapia nutricional nessa doença são: recuperar e proteger 
a mucosa gástrica; facilitar a digestão; aliviar a dor; e promover bom estado nutricional. 
As principais recomendações para terapia nutricional estão listadas no quadro seguinte.
Tabela 26. Recomendações para terapia nutricional na gastrite e úlcera péptica3,7
RECOMENDAÇÕES
Energia
Adequada ao estado nutricional e às necessidades nutricionais
Macronutrientes
Carboidratos: 50-60% VET;  Lipídeos: 25-30% VET  Proteínas: 10-15% VET
Consistência adaptada às condições da cavidade oral
Fracionamento normal (4-6 refeições/dia), evitando jejum prolongado 
Fibras: possui efeito tampão; reduz concentração de ácidos biliares no estômago 
O café e o refrigerante favorecem secreção ácida
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39NUTRIÇÃO CLÍNICA
RECOMENDAÇÕES
Evitar alimentos irritantes da mucosa gástrica (excesso).
Pimenta vermelha, pimenta preta, chocolate, mostarda em grão, chilli, bebidas alcoólicas.
Bebidas gaseificadas causam distensão abdominal e dispepsia.
Frutas
Nenhuma fruta é mais ácida que o ambiente gástrico (pH 2). Não há recomendação da exclusão de nenhuma 
fruta. O ideal é respeitar a tolerância individual.
Antigamente, o leite era utilizado como tratamento da úlcera péptica. No entanto, 
o leite não é adequado para isso. O cálcio e a proteína presentes no leite podem levar ao 
rebote ácido, pois estes nutrientes também estimulam a secreção de ácido gástrico e in-
tensificam a dor. Então, o leite deve ser consumido como parte integrante da alimentação, 
na quantidade recomendada nos guias alimentares, porém sem exageros na tentativa de 
aliviar sintomas.
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40NUTRIÇÃO CLÍNICA
15. NUTRIÇÃO NAS HEPATOPATIAS
O fígado é o órgão responsável pelo metabolismo dos nutrientes (glicogênese, sín-
tese de lipoproteínas, ciclo da ureia, gliconeogênese), pelo armazenamento de micronu-
trientes pela detoxificação, pela síntese de proteínas (albumina, fatores de coagulação, 
fibrinogênio), e pela produção da secreção biliar.
Então, qualquer doença que venha acometer esse órgão, pode prejudicar as suas fun-
ções e trazer consequências, principalmente nutricionais como: hipoglicemia (baixa reser-
va de glicogênio), intolerância à glicose, hipoalbuminemia (ascite), hiperamonemia (deto-
xificação), má-absorção de gorduras (bile), hematêmese e melena (fatores de coagulação).
Hipoglicemia
Hiperlipidemia
HepatopatiasUsina metabólica 
do organismo
Fí
ga
do Desbalanço entre 
anabolismo e 
catabolismo
Esteatose Hepática
Má absorção de lipídios 
e vitaminas
↑amônia
Hiperlactacidemia
CetoseAlterações 
metabólicas
Intolerância à glicose
Alterações 
no metabolismo 
de macros e micros
↓albumina
Sangramentos 
(hematêmese/melema)
As principais doenças que acometem o fígado são: hepatites virais, doença alcoólica 
do fígado, doença hepática gordurosa não alcoólica, doenças autoimunes, cirrose hepáti-
ca e hepatocarcinoma celular.
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41NUTRIÇÃO CLÍNICA
15.1 Terapia Nutricional nas Hepatopatias
As principais recomendações da terapia nutricional para cada hepatopatia estão lis-
tadas nos quadros seguinte.
Tabela 27. Terapia nutricional para Doença Alcoólica do Fígado14
DOENÇA ALCOÓLICA DO FÍGADO
Principais demandas:
Comprometimento do EN, baixa ingestão de nutrientes, menor absorção de micronutrientes, maior demanda 
de micronutrientes, deficiência de B1 (Síndrome de Wernicke-Korsakoff)
VET: 35-40Kcal/KgPeso/dia
Proteína: 1,2-1,5gPTN/KgPeso/dia
Carboidrato: 55-65% VET
Lipídeo: 30-35% VET
Tabela 28. Terapia nutricional para Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica12,14
DOENÇA HEPÁTICA GORDUROSA NÃO ALCOÓLICA
A perda de peso é recomendada. O ideal é associar a prática de atividade física com dieta hipocalórica. 
Energia e proteína
Se obeso: 25Kcal/KgpI/dia e 2,0-2,5gPTN/KgPI/dia.
Pacientes obesos com DHGA sem cirrose: cirurgia bariátrica deve ser considerada (ESPEN, 2019).
Normoglicídica: Priorizar carboidratos complexos integrais.
Normolipídica: Priorizar AGI, com atenção ao W-3.
Avaliar a possibilidade de oferta de alimentos com Compostos Bioativos.
Probióticos / simbióticos são recomendados.
Tabela 29. Terapia nutricional para Cirrose14,15
CIRROSE
Energia
Se desnutrido:30-35Kcal/KgP
Se paciente apresenta excesso de peso, o acréscimo energético não é recomendado
Proteína
Se bem nutrido: 1,2g/KgPeso.
Se desnutrido / sarcopênico: 1,5g/KgPeso Se obeso: 1,5g/KgPI (EASL,2018).
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42NUTRIÇÃO CLÍNICA
CIRROSE
Lipídeos
Normolipídica.
Se má absorção ou esteatorreia, incluir TCM (Cuppari, 2019).
Tabela 30. Terapia nutricional para Cirrose Descompensada12,15
CIRROSE DESCOMPENSADA
Ascite: restrição de Na (relacionada com alte-
rações da função cerebral e mudanças comportamentais. Essa disfunção cerebral é cau-
sada por insuficiência hepática devido ao excesso de amônia (hiperamonemia). Com a 
cirrose hepática, o ciclo da ureia é prejudicado, causando aumento dos níveis séricos de 
amônia. Além disso, ocorre aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica, fa-
cilitando a passagem da amônia para cérebro, e consequentemente, toxicidade às células 
do sistema nervoso. O aumento da amônia sérica sozinha não confere valor diagnóstico, 
estadiamento ou prognóstico de EH.
A desnutrição é comum em pessoas com EH. Cerca de 75% dos pacientes com EH 
apresentam DEP moderada a grave. O músculo pode desempenhar um papel importante 
na desintoxicação da amônia. Sendo assim, a melhora da massa muscular e do estado 
nutricional pode ajudar a prevenir EH. Os fatores precipitantes para a EH são:
 y Administração de drogas;
 y Hemorragias digestivas;
 y Infecções;
 y Paracentese;
 y Distúrbios hidroeletrolíticos;
 y Intervenções anestésicas e/ou cirúrgicas;
 y As bactérias intestinais produzem amônia;
 y Desequilíbrio de AA essenciais→ ↑ AACA e ↓AACR → formação de falsos 
neurotransmissores;
 y Excesso de amônia no organismo.
16.1 Proteína na EH
A restrição proteica não é recomendada pois a perda do músculo esquelético, que 
metaboliza a amônia, pode levar ao agravamento da EH. A ingestão de proteína recomen-
dada deve estar na faixa de 1,2 a 1,5g/kg/dia (AASLD, 2014). Pacientes com cirrose he-
pática que são intolerantes proteína é recomendado o uso de proteínas vegetais ou BCAA 
(Leucina, Isoleucina e Valina).
Os BCAAs (ou AACRs) orais podem ser usados como um agente alternativo ou adicio-
nal para tratar aqueles que não respondem à terapia convencional (lactulose e rifaximina). 
O uso de fórmulas enriquecidas com BCAA têm demonstrado melhora do estado mental, 
mas sem benefícios na sobrevida em pacientes intolerantes a proteína. Os AACA (tripto-
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44NUTRIÇÃO CLÍNICA
fano, tirosina e fenilalanina) são fontes de amônia e os AACR competem com os AACA no 
transporte pela barreira hematoencefálica e na síntese de falsos neurotransmissores.
16.2 Terapia Nutricional na Encefalopatia Hepática
As principais recomendações da terapia nutricional para encefalopatia hepática es-
tão listadas nos quadros seguinte.
Tabela 31. Terapia nutricional para encefalopatia hepática
RECOMENDAÇÕES
Energia
35 a 40Kcal/kg (AASLD, 2014)   30 a 35Kcal/kg (ESPEN, 2019)
Proteína
1,2 a 1,5g/Kg (ESPEN, 2019)   1,2g/kg (DITEN 2011)
1,0 a 1,5g/kg (ASPEN, 2010)   1,2 a 1,5g/Kg (ISHEN, 2014)
Fracionamento aumentado e volume reduzido
Pequenas refeições ao longo do dia (3 a 5 refeições) e um lanche noturno.
Evitar o jejum 
Administração noturna do SNO demonstrou ser mais eficaz na melhoria do estado proteico total do organis-
mo do que o SNO diurno
Probióticos e prebióticos pode favorecer redução dos níveis de amônia no sangue
A suplementação oral com zinco e L-carnitina parece apresentar benefícios
Se houver suspeita de Wernicke, grandes doses de tiamina devem ser administradas por via parenteral
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45NUTRIÇÃO CLÍNICA
17. TRATAMENTO NUTRICIONAL DAS 
DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS
As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) são caracterizadas pelo processo inflama-
tório crônico no TGI. Cursam com períodos de remissão e atividade. É comum ocorrer diar-
reia na fase ativa. Os principais sintomas são: diarreia com muco e sangue, dor abdominal, 
febre, perda ponderal e anemia. Os dois principais tipos de DII são a Doença de Crohn e a 
Retocolite Ulcerativa (RCU).
Tabela 32. Observações sobre Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa7
DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL (DII)
DOENÇA DE CROHN RETOCOLITE ULCERATIVA
Afeta qualquer parte do TGI.
Envolvimento de camadas transmural.
Risco maior para DEP.
Erosões, estenoses, úlceras profundas, fístu-
las descontínuas e lesões salteadas
Restrita ao Cólon.
Atinge mucosa e submucosa superficial.
Risco para DEP.
Úlceras rasas que se limitam a mucosa, com 
padrão contínuo.
A depender do local da inflamação, pode ocorrer intolerância a lactose secundária na 
fase aguda da doença. Nesse caso é indicado restringir lactose temporariamente.
17.1 Terapia Nutricional na Doença Inflamatória Intestinal
Na fase de remissão pode ser oferecido dieta livre. No entanto, na fase recidiva (ativa/
aguda) da doença é necessário realizar algumas restrições. Não existe dieta específica para 
promover remissão. O que existe são alimentos e/ou algumas prescrições nutricionais que 
podem auxiliar na remissão, minimizar as complicações advindas da fase ativa da doença e 
tentar manter um bom estado nutricional do paciente. As principais recomendações da te-
rapia nutricional para Doença Inflamatória Intestinal estão listadas nos quadros seguintes.
Tabela 33. Recomendações da terapia nutricional para Doença Inflamatória Intestinal7,12
RECOMENDAÇÕES
Energia
Hipermetabolismo Comum DEP Inflamação Inapetência
Se obesidade → ↓ peso apenas em fases de remissão
Lipídio
Se má absorção → TCM Hipolipídica:

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