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Práticas Integrativas 
e Complementares 
em Saúde: Principais 
Abordagens e Legislação
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Esp. Nidi Maria Camasmie
Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin
Introdução às Práticas Integrativas e Complementares I
• Introdução;
• Ética na Interface entre a Prática Convencional 
e a Prática Complementar do Cuidado à Saúde;
• Determinantes de Saúde;
• Introdução às Práticas Integrativas;
• Homeopatia;
• Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura;
• Estudo de Caso – Ansiedade e Acupuntura;
• Plantas Medicinais e Fitoterapia;
• Medicina Antroposófica;
• Termalismo Social – Crenoterapia.
• O aumento do conhecimento sobre as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde;
• O estímulo às ações referentes à disseminação dessas práticas integrativas;
• A identifi cação das fundamentações teóricas das práticas de Homeopatia, Acupuntura, 
Plantas Medicinais e Fitoterapia, Antroposófi ca e Termalismo Social/Crenoterapia;
• Proporcionar conhecimento teórico e científi co na utilização de terapias que permitam 
recuperar a saúde e melhorar a qualidade de vida.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO
Introdução às Práticas 
Integrativas e Complementares I
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos 
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e 
de aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE Introdução às Práticas Integrativas e Complementares I
Contextualização
Atualmente, apesar do aumento do acesso às informações, parece estar cada 
vez mais difícil interpretá-las e reconhecer quais são relevantes e quais não são.
Veja, como exemplo, o título das seguintes matérias publicadas:
• “A gema do ovo aumenta o colesterol” – 18 mar 2011, Super Interessante;
• “Comer ovo pode ser tão ruim quanto fumar!” – 24 ago 2012, Super Interessante;
• “Comer ovo não aumenta o colesterol nem as chances de infarto” – 17 
fev 2016, Super Interessante.
Note que a mesma Revista publicou diversas opiniões, muito divergentes, a res-
peito de algo cotidiano, o consumo de ovos.
Apesar de a primeira matéria datar de 2011, de acordo com a American Heart 
Association, desde os anos 2000, essa Associação já publicava a revisão das suas 
diretrizes alimentares e, considerando que o ovo possui benefícios para a saúde, 
publicou a sugestão de consumo de um ovo por dia.
A preocupação da população com o colesterol é tão intensa que as pessoas 
chegam a se esquecer dos benefícios do consumo regular de ovos em dietas equi-
libradas. Esse alimento possui proteínas, minerais como ferro e zinco e é um dos 
poucos alimentos que contêm vitamina D. Além disso, possui menor quantidade de 
gorduras saturadas que o requeijão. O aumento do colesterol também depende de 
diversos fatores, como genéticos, o consumo de gorduras, a frequência de atividade 
física e o consumo de fibras.
Esse exemplo mostra que é possível a visualização de diversos pontos de vista e 
interpretações em relação ao mesmo objeto de estudo. Além disso, se você entrar 
em cada reportagem e ler os detalhes das pesquisas, verá que elas diferem em 
metodologias, tempo de pesquisa e resultados. Por isso, checar as fontes, ler a pes-
quisa original, conhecer os argumentos favoráveis e contrários é fundamental para 
aprimorar seus conhecimentos e análise reflexiva.
Assim como a discussão desse tema cotidiano sobre “o consumo de ovos”, é 
muito comum a discussão, entre a comunidade científica, sobre a validação e o 
reconhecimento de diversas práticas integrativas. A Homeopatia, por exemplo, re-
cebeu inúmeras censuras e, contrapondo-se, inúmeras defesas de sua prática.
Mesmo dentro da própria Universidade de São Paulo, não há um consenso. Veja a matéria 
de 2017: “Debate sobre Homeopatia opõe pesquisadores da USP”: https://goo.gl/UAc4FlEx
pl
or
Conhecer os dois lados é fundamental, pois permite avançar no amadurecimen-
to dessa prática. Nenhuma abordagem terapêutica foi aceita sem críticas na história 
da Medicina, pois as críticas construtivas são essenciais para o aprofundamento dos 
estudos e o aprimoramento de novos métodos de pesquisa.
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9
Introdução
Nesta Unidade veremos os princípios éticos que devem nortear o cuidado à saúde 
e conheceremos um pouco mais sobre os determinantes em saúde e os princípios 
das práticas integrativas e complementares de Homeopatia, Medicina Tradicional 
Chinesa/Acupuntura, Medicina Antroposófica, Termalismo Social/Crenoterapia.
Ética na Interface entre a Prática 
Convencional e a Prática Complementar 
do Cuidado à Saúde
Pode-se considerar que toda prática relacionada ao cuidar e à saúde aplica leis 
gerais e, os resultados pretendidos são, principalmente:
1. a restauração da saúde do paciente; e
2. evitar causar-lhe qualquer dano.
Por isso, qualquer prática que vise a restaurar ou promover a saúde de uma 
pessoa é uma iniciativa, principalmente, moral com a intenção de fazer o bem e de 
evitar causar o mal (JONAS; LEVIN, 2001).
Alguns dos princípios da Ética na Saúde são:
• Autonomia: o Profissional da Saúde deve agir de forma a respeitar os direitos 
das pessoas;
• Beneficência: o profissional deve sempre tentar fazer o bem para as demais, 
sobretudo àquelas pessoas a quem deve obrigação profissional;
• Ausência de Malefício: consiste em evitar causar dano ao outro;
• Justiça: relacionada ao tratamento com equidade para as pessoas.
Figura 1
Fonte: Getty Images
9
UNIDADE Introdução às Práticas Integrativas e Complementares I
Muitos problemas éticos complexos acabam surgindo quando um desses princí-
pios entra em conflito com outro. Como exemplo, pode-se citar o paternalismo, 
que é um conflito entre a autonomia e beneficência, no qual o Profissional da Saúde 
tende a ignorar a opção expressa pelo paciente por crer que se possa alcançar um 
benefício maior, de determinada maneira.
Nesse sentido, a exigência ético-legal do consentimento fundamentado é a maneira 
de estabelecer o respeito pela autonomia como requisito básico da prática profissional.
Os quatro princípios citados anteriormente podem ser aplicados às Práticas Con-
vencionais em Saúde e também às Práticas Complementares.
Segundo Jonas e Levin (2001), o principal requisito de atenção é que os termos 
benefício e dano sejam bem definidos e que seja também considerado o que o pa-
ciente considera como um benefício oudano, ou seja, ouvir o paciente e permitir que 
ele também seja um participante e tomador de decisão, de forma ativa no seu cuidado.
Importante!
Cada profissional deve sempre estar atento às resoluções de seus Conselhos de Classe, e 
se informar sobre as condutas e as habilitações da sua profissão. A prática das terapias 
complementares está em grande discussão no Brasil e no Mundo, por isso, fique atento 
às atualizações sobre o tema.
Importante!
Além desses princípios, é importante que o profissional da área de Prática Com-
plementar use sua competência técnica e sua experiência em qualquer tratamento 
ou intervenção. Nesse caso, é de extrema importância que ele seja honesto e trans-
parente em relação ao seu conhecimento e capacidade para si e para o paciente, 
evitando qualquer tipo de impostura.
O profissional não deve tomar condutas que possam causar dano desproporcional 
ao benefício esperado e deve sempre estar atento à proteção das informações (sigilo 
profissional), inerente à profissão, salvo ameaça do direito à vida, à sua honra ou se ne-
cessitar prestar esclarecimentos perante a justiça, sempre nos limites da Lei de defesa.
Código de Ética Profissional do Naturólogo: https://goo.gl/oLRyTZ
Ex
pl
or
Outra questão importante de se levantar é a indagação lógica sobre tratamentos específicos, 
em contraste com sistemas completos de terapia. Como, por exemplo, veja a pergunta a 
seguir: “O alho é eficaz para abaixar a pressão arterial?”. Essa pergunta é completamente 
diferente da seguinte pergunta: “A Fitoterapia é eficaz para abaixar a pressão arterial?”. Na 
primeira pergunta, está sendo perguntado sobre a eficácia do uso do alho para um proble-
ma específico. Na segunda pergunta, indaga-se sobre uma prática integrativa, como um 
todo. Temos de ficar atentos aos nossos julgamentos. Assim como na Medicina Convencio-
nal, quando um medicamento não é eficaz para o tratamento de uma enfermidade, para 
determinada pessoa, não se coloca em dúvida toda a Medicina Convencional, apenas aquele 
tipo específico de tratamento e conduta.
Ex
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or
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Determinantes de Saúde
Antigamente, o conceito de Saúde baseava-se apenas no fato de “ausência de 
doenças”. Atualmente, porém, esse conceito evoluiu e, de acordo com a Organiza-
ção Mundial da Saúde (OMS), “Saúde é um estado de completo bem estar físico, 
social e psicológico” (WHO, 1946).
Dessa forma, a saúde possui diversos fatores essenciais, que influem no nível de 
atenção e bem estar de uma população, que vão além do acesso aos serviços de 
saúde e atendimento à população. Esses fatores podem ser chamados de Determi-
nantes de Saúde.
Em grande medida, fatores como o local e o meio ambiente em que vivemos, 
nossa genética, a renda familiar, nível educacional, oferta de empregos, infraestru-
tura, rede de transportes, lazer e nossos relacionamentos entre amigos e familiares 
têm impactos muito consideráveis na saúde, às vezes, até mais importantes que os 
fatores comumente, ou quase exclusivamente, considerados como o uso e acesso 
aos serviços de saúde (WHO, 1998).
Figura 2
Fonte: Getty Images
Assim, os determinantes da saúde incluem:
• O ambiente social e econômico;
• O ambiente físico; e
• As características e comportamentos individuais.
O contexto da vida das pessoas determina sua saúde e é improvável que os indi-
víduos possam controlar diretamente muitos dos determinantes de saúde.
Esses determinantes incluem os fatores mencionados acima e muitos outros, 
citados pela OMS.
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UNIDADE Introdução às Práticas Integrativas e Complementares I
Veja o Quadro 1 (WHO, 2018), a seguir.
Quadro 1 – Principais Determinantes em Saúde e suas características
Determinante de Saúde Característica
Renda e status social
Normalmente, maior renda e status social estão ligados a uma melhor con-
dição de Saúde. Quanto maior a desigualdade de renda entre as pessoas, 
maiores são as diferenças na saúde.
Educação Níveis educacionais mais baixos estão ligados à falta de saúde, mais estres-
se e menor autoconfiança.
Ambiente físico Acesso à água potável e ar limpo, locais de trabalho saudáveis, casas segu-
ras, comunidades e estradas contribuem para uma boa saúde.
Redes de apoio social Um maior apoio das famílias, amigos e comunidades está ligado a uma 
melhor saúde.
Cultura Costumes, tradições e as crenças da família e da comunidade afetam a saúde.
Genética A herança genética desempenha papel na determinação da vida útil, da 
saúde e da probabilidade de desenvolver certas doenças.
Comportamento 
pessoal e habilidades de 
enfrentamento
Hábitos alimentares, atividade física e como lidamos com os estresses da 
vida e os desafios que afetam a saúde influem diretamente na condição de 
saúde do indivíduo.
Serviços de saúde Acesso e uso de serviços que previnem e tratam doenças influenciam 
a saúde.
Gênero Homens e mulheres sofrem de diferentes tipos de doenças em diferentes idades.
Fonte: Adaptado de Who, 2018
Visto que a saúde não pode ser tratada apenas como um estado individual de 
“ausência de doenças”, é de se esperar que os serviços médicos e os programas de 
atenção e cuidado à saúde deixem de enfatizar apenas a visão do tratamento de 
doenças, para priorizar a visão de cuidado à saúde do indivíduo, de forma ampliada 
e integrada ao seu ambiente e contexto social, econômico e cultural.
O investimento em uma abordagem ampliada de atenção à saúde consegue ofere-
cer benefícios em pelo menos três áreas: aumentar a prosperidade e desenvolvimento 
econômico devido ao estado mais saudável e maior disposição dos indivíduos; redução 
das despesas com problemas de saúde e sociais; e estabilidade social juntamente com o 
bem-estar da população. Com isso em mente, é capaz de se entender como o ambien-
te, a economia e a comunidade estão inter-relacionados com a saúde (Canadá, 2004). 
Figura 3 – Determinantes de Saúde (modelo adaptado de Dahlgren e Whitehead)
Fonte: apgs.ufv.br
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13
Introdução às Práticas Integrativas
A integração da Medicina Complementar aos Sistemas Nacionais de Saúde é 
muito difícil, pois abarca diferentes concepções filosóficas. No Ocidente, concebe-
-se a Medicina como uma Ciência que tem por objeto o corpo humano, no qual 
existem doenças causadas por agentes que devem ser identificados para que o 
indivíduo retome o seu estado saudável.
A Medicina Complementar, por outro lado, possui uma visão holística, pela 
qual o indivíduo é visto em sua totalidade. A doença, seu diagnóstico e tratamento 
devem ser vistos sob aspectos físicos, emocionais, espirituais, mentais e sociais, 
simultaneamente (BRASIL, 2009).
Importante!
Fique sempre atento aos eventos relacionados às Praticas Integrativas e Complementa-
res. Esses eventos são importantes para a sua atualização e para conhecer as pesquisas 
mais recentes na área. Fique atento e acompanhe nas redes digitais as próximas datas 
de alguns eventos:
• Congresso Internacional de Práticas Integrativas e Saúde Pública;
• Congresso Nacional de PICS;
• Congresso do Núcleo de Medicina e Práticas Integrativas;
• Jornada Científica de Cuidados Integrativos etc.
Importante!
Fundamentação e Princípios
A PNPIC foi inicialmente publicada em 2006, com cinco Práticas Integrativas 
e Complementares em Saúde, que recolocam o indivíduo no centro do paradigma 
da atenção, compreendendo-o nas dimensões física, psicológica, social e cultural.
Essas práticas são: Homeopatia, Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura, 
Plantas Medicinais e Fitoterapia, Medicina Antroposófica, Termalismo Social – Cre-
noterapia. Ao longo dos anos, essa política foi amadurecendo e, diversas outras 
práticas integrativas foram sendo valorizadas e reconhecidas, como Reiki, Naturo-
patia, Yoga, Ayurveda, Reflexoterapia, Dança, Musicoterapia etc.
Existem, ainda, inúmeras outras práticas integrativas, que ainda não estão inse-
ridas na Política, mas se acredita que poderão ser inseridas em Portarias e Legisla-
ções futuras. Por isso, é sempre bom que você esteja atento às atualizações sobre 
o tema.A seguir, iremos abordar alguns dos princípios das práticas de Homeopatia, Me-
dicina Tradicional Chinesa/Acupuntura, Plantas Medicinais e Fitoterapia, Medicina 
Antroposófica e Termalismo Social – Crenoterapia.
13
UNIDADE Introdução às Práticas Integrativas e Complementares I
Homeopatia
Contextualização e Inserção da Homepatia 
nos Sistemas de Saúde Brasileiro
A Homeopatia pode ser considerada um sistema médico complexo de cará-
ter holístico, baseado no princípio vitalista e no uso da Lei dos Semelhantes; foi 
enunciada por Hipócrates, no século IV a.C. e, posteriormente, aprofundada por 
Samuel Hahnemann, no século XVIII.
Hahnemann sistematizou os princípios filosóficos e doutrinários da HOMEOPATIA 
em suas obras Organon da Arte de Curar e Doenças Crônicas, após muitas pes-
quisas e reflexões baseadas na observação clínica e em experimentos realizados na 
sua época. A partir daí, essa racionalidade médica experimentou grandes discussões 
ao redor do mundo, e conseguiu o reconhecimento e a implantação em diversos 
países da Europa, das Américas e da Ásia. No Brasil, a Homeopatia foi introduzida 
por Benoit Mure, em 1840, tornando-se uma nova opção de acompanhamento te-
rapêutico (BRASIL, 2006).
Figura 4
Fonte: Getty Images
Em 1979, é fundada a Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB) e, 
logo depois, em 1980, a Homeopatia foi reconhecida como uma Especialidade 
Médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM, Resolução nº 1000).
Depois desse reconhecimento, foi também criada a Associação Brasileira de 
Farmacêuticos Homeopatas (ABFH), em 1990, sendo reconhecida como especiali-
dade farmacêutica, em 1992, pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF, Resolução 
nº 232). Também há participação e avanços do uso da Homeopatia na Medicina 
Veterinária e na Odontologia.
Desde a década de 1980, alguns estados e municípios no Brasil começaram 
a oferecer o atendimento homeopático como Especialidade Médica nos Sistemas 
14
15
Públicos de Saúde; porém, eram iniciativas isoladas e, às vezes, descontinuadas, 
por falta de uma Política Nacional.
A inserção da Homeopatia na atenção à saúde foi avançando, desde então, 
tendo a inserção da consulta homeopática na Tabela do Sistema Único de Saúde 
(SUS), em 1999, pelo Ministério da Saúde. Com o advento do SUS e a descentrali-
zação da gestão, foi ampliada a oferta de atendimento homeopático. Esse aumento 
no número de consultas homeopáticas no SUS chega a ter um aumento de 10%, 
anualmente (BRASIL, 2006).
Apesar do aumento na oferta e surgimento de políticas específicas para a Home-
opatia, a assistência farmacêutica em Homeopatia ainda necessita expandir para 
conseguir acompanhar essa tendência.
De acordo com um levantamento da AMHB, realizado no ano 2000, apenas 
30% dos serviços de Homeopatia da Rede SUS forneciam Medicamento Home-
opático. Outro levantamento realizado pelo Ministério da Saúde, em 2004, dizia 
que apenas 9,6% dos municípios que informaram ofertar serviços de Homeopatia 
possuíam farmácia pública de manipulação (BRASIL, 2006).
Com a publicação da PNPIC, em 2006, é um dos objetivos da política am-
pliar a oferta da Homeopatia e, com isso, também aumentar o acesso ao Medi-
camento Homeopático.
De acordo com os elaboradores da PNPIC, a implementação da Homeopatia 
no SUS, assim como as demais práticas integrativas e complementares em saúde, 
representa uma importante estratégia para a inserção de um modelo de atenção 
centrado na saúde, vez que, na Homeopatia, considera-se que o adoecimento seja 
a expressão da ruptura da harmonia das diferentes dimensões do indivíduo (física, 
cultural, social e psicológica).
Dessa forma, essa concepção contribui para o fortalecimento da integralidade 
da atenção à saúde, fortalece a relação médico-paciente, atua em diversas situa-
ções clínicas e contribui para o uso racional de medicamentos, podendo reduzir a 
fármaco-dependência.
Figura 5
Fonte: Getty Images
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UNIDADE Introdução às Práticas Integrativas e Complementares I
Breve Introdução aos Fundamentos da Homeopatia
A obra de Hipócrates (460-350 a.C.), médico grego considerado o pai da medi-
cina, pode ser considerada um marco na Ciência e nas Artes Médicas.
Hipócrates abdicou da ideia das forças divinas serem as responsáveis pelas do-
enças e postulou que as forças naturais, assim como a força do indivíduo, são as 
principais causadoras de intervenções.
Em sua época, ele faz uma análise metódica sobre os sinais e os sintomas das 
doenças, como base fundamental para o diagnóstico. Defendeu a Lei da Similari-
dade, em um tempo em que as teorias médicas se baseavam na Lei dos Contrários 
(PINTO, 2012). 
Na arte da cura, o médico hipocrático enxergava e analisava o ser humano, e 
não a doença. Já em termos de tratamento, defendia que dois métodos terapêuticos 
poderiam ser utilizados com sucesso:
• Cura pelos contrários ou Lei dos Contrários: é a base para a Medi-
cina Alopática;
• Cura pelos semelhantes ou Lei dos Semelhantes: reavivada no século 
XVI por Paracelso (1493-1591) e consolidada pelo médico alemão Samuel 
Hahnemann, criador da Homeopatia (PINTO, 2012).
Na obra de Samuel Hahnemann, intitulada o Organon, ele revela que “o mais 
alto ideal da cura é o restabelecimento rápido, suave e duradouro da saúde ou a 
remoção e a destruição integral da doença pelo caminho mais curto, mais seguro e 
menos prejudicial...” (HAHNEMANN, 2013).
Figura 6 – Hipócrates – Pai da Medicina
Fonte: Getty Images
Figura 7 – Organon da Arte de 
Curar, de Samuel Hahnemann
16
17
Do que Trata o Princípio Vitalista?
O Vitalismo é a doutrina filosófica que preconiza a existência de uma força vital
ou um princípio vital, que mantém as funções orgânicas dos indivíduos, sem as 
quais a vida não existiria.
Hahnemann tem sua filosofia fundamentada nesse princípio, pois é a partir dele que 
consegue explicar o estado de saúde, a doença, o processo de cura e a própria morte.
No Vitalismo, a força vital é definida como a unidade de ação que rege a vida 
física, é um princípio dinâmico, imaterial, distinto do corpo e do espírito, integra 
a totalidade do organismo e rege todos os fenômenos fisiológicos. Sua natureza 
não pode ser comprovada até hoje, mas se admite que estaria próxima de ou-
tras manifestações energéticas do ser vivo, como a energia calórica e a bioelétrica 
(FUTURO, 2012; REBOLO, 2008).
A Homeopatia tem por fundamento quatro princípios básicos, também denomi-
nados de os quatro pilares da Doutrina Homeopática.
São eles:
• Lei dos semelhantes;
• Experimentação no homem são;
• Doses mínimas e dinamizadas;
• Medicamento único.
CORRÊA, Anderson Domingues; SIQUEIRA-BATISTA, Rodrigo; QUINTAS, L. E. M. Similia 
Similibus Curentur: notação histórica da medicina homeopática. Rev Ass Med Brasil, v. 43, 
n. 4, p. 347-51, 1997: https://goo.gl/ExSoZF
Ex
pl
or
Hahnemann, em seu livro Organon, descreve considerações sobre a “força vital” ou 
o “princípio vital”. Para ele, a arte de curar será utilizada para que o indivíduo volte ao 
equilíbrio natural, ou melhor, ao seu estado de saúde inerente (REBOLO, 2008). Sendo 
assim, a individualidade e a totalidade são aspectos essenciais para a Homeopatia.
Figura 8
Fonte: Getty Images
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UNIDADE Introdução às Práticas Integrativas e Complementares I
DEBATE!
Apesar de ser uma prática reconhecida no Brasil e em vários países, sendo inclusive, inclu-
ída na Estratégia da Organização Mundial de Saúde para Medicina Tradicional, atualmente, 
há debates acirrados entre a comunidade médica no que tange à aceitação da Homeopatia. 
Como já ressaltado na Contextualização, até dentro da mesma Universidade há opiniões 
contrárias. Veja a manchete do jornal a seguir.
Fonte: Folha de São Paulo, 26/05/2017
Outro assunto polêmico da Homeopatia, as ultradiluições dos princípios ativos, também 
encontra adversários, que argumentam que nada mais existe do princípio ativo com as ul-
tradiluições. No entanto, em 2010, o Prof. Dr. Luc Montagnier, agraciado com o Nobel de 
Medicina, em 2008, escreveu um artigosobre a provável base física da ação da Homeopatia. 
Seguindo as pesquisas de um conterrâneo, ele diz que há evidências em favor da ideia ataca-
da pela maioria dos cientistas (Folha de São Paulo, 30/06/2010).
O debate também reside na dificuldade de financiamento das pesquisas em Homeopatia, vez 
que nenhuma indústria farmacêutica possui interesse em tal investimento e pela difícil adap-
tação dos métodos de pesquisa tradicionais para se estudar uma prática que leva em consi-
deração o ser humano integral. Ir à contramão dos discursos convencionais sempre gerou 
debates calorosos, principalmente entre os cientistas, mas é algo comum na história. Muitas 
teorias e tratamentos aceitos atualmente foram duramente criticados no passado.
Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura
A Acupuntura é uma prática de intervenção em Saúde que também aborda de 
modo integral e dinâmico o processo saúde-doença no ser humano.
É originária da Medicina Tradicional Chinesa e compreende um conjunto de 
procedimentos que permitem o estímulo anatômico preciso de certos locais por 
meio da inserção de agulhas filiformes metálicas, com o objetivo da promoção, 
manutenção e recuperação da saúde.
Figura 9
Fonte: Getty Images
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Alguns achados arqueológicos mostram que essa fonte de conhecimento remon-
ta há pelo menos 3.000 anos. A Acupuntura Veterinária é também, provavelmen-
te, tão antiga quanto à história da Acupuntura, tendo sido descoberto no Sri Lanka 
um tratado de 3.000 anos sobre o uso de Acupuntura em elefantes indianos.
No Ocidente, a partir da segunda metade do século XX, a Acupuntura foi sendo 
assimilada pela Medicina Biomédica e, devido às intensas pesquisas científicas em-
preendidas em diversos países, os efeitos terapêuticos dessa prática foram reconhe-
cidos e têm sido paulatinamente publicados em trabalhos científicos em respeitadas 
Revistas Científicas.
É reconhecido, atualmente, que o estímulo dos pontos de Acupuntura provoque 
a liberação, no Sistema Nervoso Central, de neurotransmissores e outras substân-
cias responsáveis pelas respostas clínicas observadas.
Adicionalmente, a OMS recomenda a Acupuntura aos seus Estados-Membros, 
divulgando sua eficácia e segurança, incentivando a capacitação de profissionais, 
bem como métodos de pesquisa e avaliação dos resultados terapêuticos das medi-
cinas complementares e tradicionais.
O consenso do National Institutes of Health dos Estados Unidos referendou o 
uso da Acupuntura, independente ou como coadjuvante, em vários agravos à saú-
de, como, por exemplo: cefaleia, odontalgias pós-operatórias, náuseas e vômitos 
pós-quimioterapia ou pós-cirúrgico, dependências químicas, reabilitação após aci-
dentes vasculares cerebrais, dismenorreia, epicondilite, fibromialgia, dor miofascial, 
osteoartrite, lombalgias e asma etc. (BRASIL, 2006).
Além da prática da Acupuntura, a Medicina Tradicional Chinesa ainda inclui ou-
tras práticas, que visam ao reequilíbrio físico e energético, à prevenção de agravos 
e doenças, à promoção e à recuperação da saúde.
As práticas podem ser divididas em práticas corporais, por exemplo, liangong, 
chi gong, tui-na, tai-chi-chuan; práticas mentais, como, por exemplo, a Meditação; 
orientações alimentares e a utilização de Plantas Medicinais.
Figura 10
Fonte: Getty Images
Em 1988, no Brasil, a Acupuntura teve suas normas fixadas para atendimento nos 
Serviços Públicos de Saúde, por meio da Resolução nº 5/88. Desde essa época, até 
os dias de hoje, a atuação da Acupuntura cresceu e vários Conselhos Profissionais 
da Saúde reconhecem a Acupuntura como especialidade no Brasil. Em 2003, foram 
mais de 181 mil consultas, sendo a maior parte realizada na Região Sudeste.
19
UNIDADE Introdução às Práticas Integrativas e Complementares I
A Medicina Tradicional Chinesa caracteriza-se por um Sistema Médico Integral, 
que se originou há milhares de anos, na China. Essa prática utiliza uma linguagem 
que retrata simbolicamente as Leis da Natureza e valoriza a inter-relação harmônica 
entre as partes, visando à integridade.
Como fundamento, a Acupuntura trabalha a teoria do Yin-Yang, ou seja, a divisão 
do mundo em duas forças ou princípios fundamentais, em que todos os fenômenos 
são interpretados como opostos complementares. Além desse princípio, também 
trabalha a teoria do Zang-Fu, a teoria dos Cinco Elementos e a teoria dos Meridianos.
A Acupuntura se baseia no fato de que o equilíbrio é mantido no corpo humano 
por meio do fluxo suave de uma energia chamada pelos chineses de qi, bem como 
pelo fluxo, também suave, pelo corpo, do sangue, denomi-
nado pelos chineses xue.
Assim, problemas ambientais, ou alimentares, emocio-
nais ou até espirituais podem causar alterações na circula-
ção do qi e do xue no nosso organismo, originando, assim, 
algum tipo de disfunção ou doença.
A partir da instalação de alguma patologia organismo, 
uma das formas de eliminá-la ou de minimizá-la seria a prá-
tica da Acupuntura, com a inserção de agulhas em pontos 
específicos do corpo (acupontos), que tem a propriedade de 
restabelecer esse fluxo suave (DA SILVA, 2010).
Os acupontos (pontos de Acupuntura) foram empirica-
mente determinados no transcorrer de milhares de anos 
de prática médica (RIZZO SCOGNAMILLO-SZABÓ; 
BECHARA, 2001).
Acuponto é uma região da pele em que é grande a concentração de terminações nervosas 
sensoriais, possibilitando o acesso direto ao Sistema Nervoso Central.Ex
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As propriedades básicas de Yin-Yang são: as coisas que tendem a fluir para cima, para fora, a 
claridade, a excitação, a vitalidade, o calor, são características Yang. Em contraponto, tudo o 
que tende a fluir para baixo, para dentro, a obscuridade, a inibição, o esfriamento e a tran-
quilidade são denominados elementos Yin. A natureza do Yin-Yang é relativa, não absolu-
ta, pois sua existência é determinada por condições interiores e se compõe de duas partes 
contraditórias. No corpo humano, o interior é Yin e o exterior é Yang, sendo que os órgãos e 
vísceras se dividem em Yin, normalmente os órgão “sólidos” (coração, fígado, baço/ pâncre-
as, pulmão e rins) e Yang, os órgãos ou vísceras “ocos” (intestino delgado, intestino grosso, 
vesícula biliar, estômago, bexiga e o chamado pela Medicina Tradicional Chinesa de “triplo 
aquecedor”). No entanto, cada um desses órgãos e vísceras possui, ainda, partes Yin e partes 
Yang, demonstrando a natureza relativa dos elementos (REICHMANN, 2008).
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Figura 11
Fonte: Getty Images
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Estudo de Caso – Ansiedade e Acupuntura
A ansiedade foi identificada há muito tempo na Ciência Ocidental e é bastante 
estudada pelas áreas da Psicologia, da psicanálise e da Medicina. Quando a ansie-
dade se apresenta em uma intensidade ou duração não proporcional ao estímulo 
frente ao qual o indivíduo se encontra, é possível classificar o quadro como patoló-
gico, ou seja, um transtorno de ansiedade.
Alguns pesquisadores a descrevem como “um estado subjetivo desagradável 
e inquieto de tensão e apreensão, no qual é difícil relaxar ou encontrar calma 
e paz” (DA SILVA, 2010).
A terminologia ansiedade não é encontrada na Literatura Clássica da Medicina 
Tradicional Chinesa; além disso, nessa Medicina, não existe separação entre men-
te, corpo e espírito, portanto, não existem classificações de doenças ou distúrbios 
exclusivamente psicológicos ou psiquiátricos.
Nessa perspectiva, para a Medicina Tradicional Chinesa, a ansiedade é sintoma 
de uma desarmonia, mais marcadamente considerada um distúrbio do shen, que 
significa espírito, ressaltando-se que, para os chineses, o espírito reside no coração.
Para o pesquisador Ross (2003), o surgimento de distúrbios de ansiedade está 
fortemente relacionado a um desequilíbrio dos sistemas do coração e do rim: “A an-
siedade do coração está baseada no medo do rim, com sentimentos característicos 
de apreensão, do medo de que algo terrível aconteça”.
Em um relato de caso, publicado por Da Silva (2010), o objetivo do estudo foi 
relatar o tratamento realizado pormeio da Acupuntura a uma paciente que apre-
sentava transtorno de ansiedade.
A paciente relatada era uma mulher de 39 anos, casada, com três filhos, e que 
residia no interior de uma cidade com cerca de 8.000 habitantes e com economia 
baseada na agricultura.
Ela procurou atendimento psicológico na Unidade de Saúde da sua cidade, quei-
xando-se de um constante estado de ansiedade aliado a uma depressão leve, e 
relatou, também, apresentar um quadro de medo advindo de eventuais episódios 
de sensação de morte.
Durante as crises, a paciente relatou que ficava extremamente sensível, com 
sensação de peso no corpo e na cabeça, pressão no peito e dificuldade de respirar 
e com dificuldade para traçar perspectivas para o futuro. Os sintomas ocorriam 
diariamente e somente diminuíam com a medicação.
Em relação ao início de suas preocupações e sintomas, informou que surgiram 
quando tinha aproximadamente 13 anos; relatou que o pai, que tinha câncer, estava 
sempre doente, e a paciente sentia muito medo de sua morte. A paciente não acre-
ditava que os seus sintomas atuais tivessem ligação direta com o pai, que morreu 
quando ela tinha 22 anos. Anos mais tarde, quando tinha 27 anos, o tio, que era 
21
UNIDADE Introdução às Práticas Integrativas e Complementares I
muito parecido com seu pai, adoeceu e faleceu,e ela dizia que: “Estávamos enter-
rando o pai pela segunda vez”.
Dessa forma, os médicos acupunturistas a examinaram e, baseados em uma 
complexa anamnese (exame clínico), que levava em consideração o “pulso” e ca-
racterísticas da língua da paciente, relataram que, principalmente, havia sinais de 
coração em excesso e baço deficiente ou estagnado e rim bastante deficiente.
Levantou-se a hipótese diagnóstica, dentro da perspectiva da Medicina Tradicio-
nal Chinesa, de que a ansiedade ocorria por excesso do elemento fogo no coração e, 
possivelmente, fleuma por insuficiência do baço, que não conseguia retirar a umida-
de, adequadamente, aumentando a desarmonia no corpo dos cinco elementos. Essa 
hipótese foi reforçada pelo exame da língua, que se apresentava grossa, redonda, 
edemaciada, sem saburra, com marcas de dentes e com petéqueas na região corres-
pondente ao coração.
Após o exame clínico, chegou-se à conclusão de que o baço debilitado começou 
a demandar mais energia do coração, elevando o elemento “fogo” nesse órgão. A 
deficiência do baço e a própria tristeza e magoa contínua podem ter debilitado o 
pulmão, o que contribuiu para agredir ainda mais o rim, também debilitado pelo 
sentimento de receio e medo (DA SILVA, 2010).
Figura 12
Fonte: Getty Images
Após a identificação dos sintomas de ansiedade, realizados pela queixa da pa-
ciente e pela análise clínica, foram utilizados diversos pontos de Acupuntura, apli-
cados em 10 sessões. A Acupuntura não propiciou uma cura milagrosa e não se 
propõe a isso para nenhum tipo de patologia; em vez disso, o restabelecimento da 
saúde é sempre realizado por um processo contínuo e gradual.
No estudo de caso apresentado, a paciente relatou melhora dos sintomas a par-
tir do primeiro mês de tratamento e, posteriormente, a partir da sexta sessão, a 
paciente suspendeu, por iniciativa própria, os medicamentos que usava, e relatou 
a redução significativa dos sintomas iniciais. Foi-lhe indicado o acompanhamento 
pela Acupuntura com uma sessão por mês, como acompanhamento preventivo e 
para a manutenção do seu bem-estar geral.
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23
Veja o artigo na íntegra, com a descrição dos pontos de Acupuntura utilizados. Acesse: 
PICOLLI DA SILVA, André Luiz. O tratamento da ansiedade por intermédio da Acupuntura: um 
estudo de caso. Psicologia ciência e profissão, v. 30, n. 1, 2010: http://ref.scielo.org/h85zk4
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Com esse estudo de caso, fica clara a complexidade de se realizar uma análise 
dos sinais e sintomas de um paciente e como a Medicina Tradicional Chinesa avalia 
os diferentes sistemas no ser humano, sendo partes interligadas aos elementos da 
natureza, corpo, mente e espírito. Não é intenção esgotar o tema, e sim, suscitar o 
seu interesse para maiores estudos e aprofundamento dessa prática.
Fundamentos Essenciais Da Acupuntura Chinesa. 2.ed., Brasil: Ícone, 2002.
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Plantas Medicinais e Fitoterapia
A utilização da Fitoterapia e das Plantas Medicinais é considerada uma “terapêuti-
ca caracterizada pelo uso de plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêu-
ticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas, ainda que de origem vegetal”.
O uso de PLANTAS MEDICINAIS na promoção e na recuperação da saúde 
tem origem muito antiga, relacionada ao acúmulo de informações por sucessivas 
gerações, ao longo da história da Medicina.
É de grande reconhecimento a importância dos produtos naturais, princi-
palmente, aqueles derivados de plantas, no desenvolvimento de novas drogas 
terapêuticas (CALIXTO, 1997).
As Plantas Medicinais são essenciais para a pesquisa farmacológica e o desenvol-
vimento de drogas, tanto nos casos em que seus constituintes são usados diretamente 
como agentes terapêuticos, como, também, quando suas matérias-primas servem de 
modelos para compostos farmacologicamente ativos. Estima-se que cerca de 40% 
dos medicamentos atualmente disponíveis foram desenvolvidos a partir de fontes na-
turais (BRASIL, 2006b). Ao mesmo tempo, destaca-se a participação dos países em 
desenvolvimento, vez que possuem 67% das espécies vegetais do mundo.
Figura 13
Fonte: Getty Images
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UNIDADE Introdução às Práticas Integrativas e Complementares I
O interesse popular e institucional cresce, a cada dia, no sentido de fortalecer a 
Fitoterapia no SUS, chegando a ser aprovada, em 2006, e publicado pelo Ministé-
rio da Saúde, a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (Decreto Nº 
5.813, de 22 de junho de 2006, Brasil 2006b).
Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos / Ministério da Saúde, 2006:
https://goo.gl/fHhw1KEx
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No Brasil, calcula-se que 25% dos US$ 8 bilhões do faturamento da Indústria Far-
macêutica (dados de 1996), foram originados de medicamentos derivados de plantas.
Os Estados Unidos e a Alemanha estão entre os maiores Mercados Consumido-
res dos produtos naturais brasileiros. Estima-se que, entre 1994 e 1998, esses dois 
países importaram mais de 1.400 toneladas de plantas cada um, de acordo com o 
IBAMA (BRASIL, 2006b).
As potencialidades de uso desses recursos naturais encontram-se longe de se 
acharem esgotadas. Compreende-se que o Brasil tem em mãos uma grande opor-
tunidade para fortalecer um modelo de desenvolvimento próprio e soberano na 
área de Saúde, com a utilização das Plantas Medicinais e Fitoterápicos.
Medicina Antroposófica
A Medicina Antroposófica é um sistema de tratamento multimodal integrador e que 
se baseia na compreensão holística do homem e da natureza, assim como dos proces-
sos saúde-doença. Baseia-se em um conceito de quatro níveis de forças formativas e no 
modelo de uma constituição humana triplicada, sendo seu medicamento antroposófico 
integrado à Medicina Convencional em grandes hospitais e práticas médicas.
Os cuidados da terapêutica antroposófica são fornecidos por equipe interdiscipli-
nar formada por médicos, terapeutas e enfermeiras. Essa prática se baseia no mé-
todo da Ciência Espiritual ou Antroposofia, fundada na Europa por Rudolf Steiner, 
no começo do século XXI.
De acordo com esse método de pesquisa ampliada, temos quatro estruturas 
essenciais que constituem a entidade humana: o Corpo Físico; o Corpo Vital ou 
Etérico; o Corpo Anímico ou Astral (que representa o fundamento da organização 
sensitiva do homem); e a organização para o Eu (autoconsciência).
Essas quatro organizações agrupam-se em três formas diferentes do ser humano, sur-
gindo, assim, uma constituição tríplice: Sistema Neurossensorial, Sistema Rítmico e Sis-
tema Metabólico e das Extremidades. A interação desses três sistemas age diretamente 
na vida do ser humano, e um transtorno nesta interação pode levar a um desequilíbrio na 
relação desses trêssistemas, o que pode ser a origem de algumas patologias.
24
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A Terapêutica Antroposófica utiliza 
diversos recursos terapêuticos, além do 
medicamentosos, como, movimentos cor-
porais, terapia artística (Música, Desenho, 
Pintura), massagens e terapia baseada na 
fala (Quirofonética).
Importante!
A Medicina Antroposófica surgiu na Europa e se encontra difundida, largamente, nos 
seguintes países: Alemanha, Suíça, Holanda, Itália, Suécia e França, entre outros.
Você Sabia?
Associação Brasileira de Medicina Antroposófica: http://abmanacional.com.br/
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Termalismo Social – Crenoterapia
O uso de Águas Minerais para tratamento de saúde é um dos mais antigos 
procedimentos terapêuticos, utilizado desde a época do Império grego. Assim, o 
termalismo compreende as diferentes maneiras de utilização da água mineral e sua 
aplicação em tratamentos de saúde.
Já a Crenoterapia consiste na indicação e no uso de águas minerais com finali-
dade terapêutica, de forma a atuar de maneira complementar aos demais Trata-
mentos de Saúde.
No contexto brasileiro, a Crenoterapia foi introduzida junto com a colonização 
portuguesa, que possuía o hábito de utilizar águas minerais para tratamentos de 
saúde. Essa prática foi muito valorizada em 
décadas passadas; porém, o campo so-
freu considerável redução de sua produção 
científica e divulgação com as mudanças 
surgidas no campo da Medicina Biomédica 
atual, após o término da II Guerra Mundial.
Espanha, França, Itália, Alemanha e 
Hungria, entre outros países, adotam o 
Termalismo Social como maneira de ofer-
tar às pessoas tratamentos em Estabeleci-
mentos Termais especializados, visando a 
recuperar a saúde ou a preservá-la.
Figura 14
Fonte: Getty Images
Fique ligado nas datas dos 
próximos eventos:
- Congresso Brasileiro de Medicina 
Antroposófica;
- Simpósio de Terapias Antroposóficas.
25
UNIDADE Introdução às Práticas Integrativas e Complementares I
O tempo de tratamento varia, sendo o mais indicado 21 dias. Segundo alguns pes-
quisadores, a água e os diferentes tipos de minerais possuem ação farmacológica e 
restauradora.
Segundo o pesquisador Fernando Hellmann:
Águas sulfuradas auxiliam em processos dermatológicos e reumáticos. 
Por sua vez, as águas bicarbonadas estimulam a função pancreática e 
biliar, são antiácidas e auxiliam a digestão. Os fatores físicos da água (tér-
micos e mecânicos) também estão relacionamos ao mecanismo de ação 
dessas terapias. Efeitos térmicos relacionados à temperatura da água pos-
suem propriedades analgésicas, relaxantes musculares e produzem efeito 
no sistema vascular periférico. Há ainda fatores mecânicos, como a pres-
são hidrostática, que facilita o retorno venoso, melhorando a circulação, 
exemplifica. (TERMALISMO SOCIAL, 2014)
Apesar de causarem diversos benefícios, eles têm contraindicações e podem 
causar efeitos colaterais; por isso é importante o acompanhamento médico. O ter-
malismo de imersão, por exemplo, não é recomendado a pessoas com processos 
inflamatórios, acidente vascular cerebral recente e insuficiência hepática grave.
Termalismo Social – SUS: águas termais e minerais ajudam na recuperação da Saúde.
https://bit.ly/3aVaR7V
Recursos do Termalismo Social e Crenoterapia em Saúde.
https://goo.gl/HGrNmV
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Importante!
Cada uma das práticas integrativas possui extenso material de aprendizagem e apro-
fundamento. Esse tema sofre mudanças constantes na Legislação e regulamentação 
pelos Conselhos Profissionais. Por isso, é sempre importante que você, aluno(a) procure 
se informar em seu respectivo Conselho Profissional, para verificar as possibilidades de 
atuação nas diferentes práticas integrativas.
Importante!
Importante!
Foi possível observar, a partir da introdução às Práticas Integrativas e Complementares 
citadas anteriormente, que todas trabalham o ser humano nas dimensões física, psíquica 
e espiritual, não o isolando em partes técnicas e especializadas. As práticas integrativas 
parecem apresentar muitos benefícios na atuação conjunta com as práticas convencio-
nais, em que o maior beneficiário é o paciente, que pode se valer de tratamentos e recur-
sos terapêuticos mais completos, que permitam a sua participação, de forma ativa, no 
processo de restabelecimento e manutenção da sua saúde.
Em Síntese
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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Leitura
Uma Medicina Integrativa
ABMA – Associação Brasileira de Medicina Antroposófica.
https://goo.gl/QN6FqK
Fitoterapia Baseada em Evidências
ALEXANDRE, Rodrigo Fernandes; GARCIA, Fernanda Nath; SIMOES, Cláudia Maria 
Oliveira. Fitoterapia baseada em evidências. Parte 1. Medicamentos fitoterápicos elabora-
dos com ginkgo, hipérico, kava e valeriana, Acta farmaceutica bonaerense, v. 24, n. 2, 
p. 300, 2005.
https://goo.gl/7UtciT
Fitoterapia no Mundo Atual
FERREIRA, Vitor F.; PINTO, Angelo C. A Fitoterapia no mundo atual. Quím. Nova, São 
Paulo, v. 33, n. 9, p. 1829, 2010.
https://goo.gl/ncFFkf
O Tratamento da Ansiedade por Intermédio da Acupuntura: Um Estudo de Caso
PICOLLI DA SILVA, André Luiz. O tratamento da ansiedade por intermédio da Acupun-
tura: um estudo de caso, Psicologia ciência e profissão, v. 30, n. 1, 2010.
http://ref.scielo.org/h85zk4
Acupuntura: Bases Científicas e Aplicações
RIZZO SCOGNAMILLO SZABÓ, Márcia Valéria; BECHARA, Gervásio Henrique. 
Acupuntura: bases científicas e aplicações. Ciência rural, v. 31, n. 6, 2001.
https://goo.gl/9d2fmf
O que é Medicina Antroposófica?
SOCIEDADE Antroposófica.
https://goo.gl/6sRTWt
Possíveis Contribuições do Modelo Homeopático à Humanização da Formação Médica
TEIXEIRA, Marcus Zulian. Possíveis contribuições do modelo homeopático à humani-
zação da formação médica. Revista brasileira de educação médica, v. 33, n. 3, p. 
454-463, 2009.
https://goo.gl/2WXoNq
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UNIDADE Introdução às Práticas Integrativas e Complementares I
Referências
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2009. 196 p. – (Série C. Projetos, Programas e Relatórios).
________. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Aten-
ção Básica. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS 
– PNPIC-SUS / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento 
de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. 92 p. Série B. Textos Básicos 
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________. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estra-
tégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica. Política nacional de plantas 
medicinais e fitoterápicos/Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia 
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