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CHCS_Direito e Legislacao do Seguro_2021

Livro sobre Direito e Legislação do Seguro (6ª ed., ENS). Contém noções do direito aplicadas ao seguro, contrato de seguro (elementos, partes, instrumentos, obrigações), disposições do Código Civil sobre seguros e estudo do Código de Defesa do Consumidor.

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DIREITO E LEGISLAÇÃO DO SEGURO
6ª EDIÇÃO
RIO DE JANEIRO
2021
REALIZAÇÃO
ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS
SUPERVISÃO E COORDENAÇÃO METODOLÓGICA
DIRETORIA DE ENSINO TÉCNICO
ASSESSORIA TÉCNICA
FELIPE GUSTAVO GALESCO - 2021
JONAS STIPP DE ANDRADE - 2020/2019
ALUIZIO JOSÉ BASTOS BARBOSA JUNIOR – 2020/2018
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO
ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS – GERÊNCIA DE CONTEÚDO E PLANEJAMENTO 
PICTORAMA DESIGN
É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou de partes dele, 
sob quaisquer formas ou meios, sem permissão expressa da Escola.
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da Escola de Negócios e Seguros - ENS
 E73d Escola de Negócios e Seguros. Diretoria de Ensino Técnico.
Direito e legislação do seguro / Supervisão e coordenação metodológica da Diretoria de 
Ensino Técnico; assessoria técnica de de Felipe Gustavo Galesco. 
 -- 6.ed. -- Rio de Janeiro : ENS, 2021.
191 p. ; 28 cm
1. Direito do seguro. 2. Seguro – Leis, decretos. 3. Corretor de seguros – Profissão – Leis,
decretos. I. Galesco, Felipe Gustavo. II. Título.
0021-2549 CDU 368:347(072)
DIREITO E LEGISLAÇÃO DO SEGURO
A 
ENS, promove, desde 1971, diversas iniciativas no âmbito 
 educacional, que contribuem para um mercado de seguros, 
previdência complementar, capitalização e resseguro cada 
vez mais qualificado.
Principal provedora de serviços voltados à educação continuada, para 
profissionais que atuam nessa área, a Escola de Negócios e Seguros 
oferece a você a oportunidade de compartilhar conhecimento e 
experiências com uma equipe formada por especialistas que possuem 
sólida trajetória acadêmica.
A qualidade do nosso ensino, aliada à sua dedicação, é o caminho para 
o sucesso nesse mercado, no qual as mudanças são constantes e a 
competitividade é cada vez maior.
 Seja bem-vindo à Escola de Negócios e Seguros.
 DIREITO DO SEGURO 
 1. DIREITO E O SEGURO NO BRASIL: NOÇÕES 11 
INTRODUÇÃO 12
BREVES NOÇÕES SOBRE O DIREITO 14
O que é o Direito 14
Direito Objetivo e Subjetivo 15
Direito Público e Privado 16
Fontes do Direito 16
A Constituição Federal de 1988 17
As Normas Infraconstitucionais 18
FIXANDO CONCEITOS 1 20
 2. O CONTRATO DE SEGURO 22 
CONCEITO LEGAL DO CONTRATO DE SEGURO 23
ELEMENTOS DO CONTRATO DE SEGURO 23
Risco 24
Interesse Segurável 24
Garantia 25
Prêmio 25
Empresarialidade 26
PARTES DO CONTRATO DE SEGURO 26
Proponente 26
Segurado 26
Seguradora 27
SUMÁRIO
INTERATIVO
DIREITO E LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Beneficiário 27
Estipulante 27
OBRIGAÇÕES DAS PARTES 27
Pagamento do Prêmio 27
Concessão da Garantia 29
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO DE SEGURO 32
Bilateral 32
Oneroso 32
Aleatório ou Comutativo 32
Solene 33
Consensual 33
Nominado 33
Adesão 34
INSTRUMENTOS CONTRATUAIS 34
Proposta 34
Apólice 36
Endosso ou Aditivo 37
Averbação 38
Bilhete 38
FIXANDO CONCEITOS 2 39
 3. O SEGURO E O CÓDIGO CIVIL 41 
CONSIDERAÇÕES INICIAIS 42
DISPOSIÇÕES COMUNS AOS SEGUROS DE DANOS E DE PESSOAS 42
Riscos Predeterminados 43
Boa-Fé na Conclusão e na Execução do Contrato do Seguro 43
Efeitos do Descumprimento do Dever de Informação 
que Influi na Aceitação da Proposta ou na Tarifação do Prêmio 44
Ato Doloso do Segurado, do Beneficiário ou do Representante de um deles 45
Agravamento do Risco 47
Contratação por Meio de Agente Autorizado da Seguradora 48
Renovação Automática 49
Mora do Segurado 49
Mora da Seguradora 51
DIREITO E LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Importância do Aviso de Sinistro 51
Aplicação Subsidiária do Código Civil aos Seguros Regidos por Leis Específicas 52
DISPOSIÇÕES RELATIVAS AOS SEGUROS DE DANOS 53
Transferência do Contrato de Seguro a Terceiro 53
Rateio Proporcional 54
Novo Seguro sobre Mesmo Interesse Segurável e Mesmo Risco 55
Sub-Rogação 56
Seguro de Responsabilidade Civil 57
DISPOSIÇÕES RELATIVAS AOS SEGUROS DE PESSOAS 59
Fixação do Capital Segurado e Contratação de Mais de um Seguro sobre o Mesmo Interesse 59
Instituição do(a) Companheiro(a) como Beneficiário(a) 60
Seguro sobre a Vida de Terceiro 61
Indicação e Substituição do Beneficiário 62
Efeitos da Não Indicação de Beneficiário ou da 
Invalidade (Parcial ou Total) da Cláusula Beneficiária 63
Transação para Pagamento Reduzido do Capital Segurado 64
Suicídio 65
Vedação à Exclusão de Certos Riscos 65
Sub-Rogação 66
Seguro Coletivo 66
A Exceção Contida no Artigo 802 do Código Civil 67
PRESCRIÇÃO 68
Prescrição do Segurado Contra a Seguradora no Seguro de Responsabilidade Civil 68
Prescrição do Segurado Contra a Seguradora nos Demais Seguros 70
Prescrição do Segurado em Grupo 71
Prescrição do Beneficiário 71
Prescrição do Terceiro Contra a Seguradora no Seguro de Responsabilidade Civil Obrigatório 72
Aviso de Sinistro como Causa Suspensiva da Prescrição 72
FIXANDO CONCEITOS 3 74
 4. O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR 77 
ORIGEM E OBJETIVOS 78
CONCEITO DE CONSUMIDOR 78
ENQUADRAMENTO DA ATIVIDADE SECURITÁRIA COMO SERVIÇO 79
DIREITO E LEGISLAÇÃO DO SEGURO
VULNERABILIDADE E HIPOSSUFICIÊNCIA DO CONSUMIDOR 80
DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR 81
Direito à Informação 82
Direito à Proteção Contra a Publicidade Enganosa e Abusiva 82
Direito à Facilitação da Defesa dos Direitos, Inclusive com a Inversão do Ônus da Prova 84
GARANTIA DE COGNOSCIBILIDADE 85
RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO FORNECEDOR PELO FATO DO SERVIÇO 85
RESPONSABILIDADE SUBJETIVA DO 
PRESTADOR DE SERVIÇO PROFISSIONAL LIBERAL 87
PRESCRIÇÃO PARA A AÇÃO DE RESPONSABILIDADE 
CIVIL PELO FATO DO SERVIÇO 88
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA 89
OFERTA 89
RECUSA DO FORNECEDOR EM CUMPRIR A OFERTA 91
SOLIDARIEDADE 91
PRÁTICAS ABUSIVAS 92
Venda Casada 92
Seguro Não Solicitado 93
Comercialização de Seguro cujo Contrato Não Tenha Sido Submetido à Aprovação 
da SUSEP ou Esteja em Desacordo com as Normas Regulamentares 93
Prazo para Cumprimento da Obrigação 94
COBRANÇA DE DÍVIDA JÁ PAGA 94
CLÁUSULAS ABUSIVAS 95
CONTRATO DE ADESÃO 97
FIXANDO CONCEITOS 4 99
 ESTUDO DE CASO 102 
DIREITO E LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 LEGISLAÇÃO DE SEGURO 
 5. O SISTEMA NACIONAL DE REGULAÇÃO, 
 SUPERVISÃO E FISCALIZAÇÃO DE SEGUROS 
 PRIVADOS, DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 
 ABERTA, CAPITALIZAÇÃO E CORRETAGEM 105 
AS PRINCIPAIS NORMAS LEGAIS E REGULAMENTARES 106
O SISTEMA NACIONAL DE REGULAÇÃO, SUPERVISÃO E 
FISCALIZAÇÃO DE SEGUROS PRIVADOS, DE PREVIDÊNCIA 
COMPLEMENTAR ABERTA, CAPITALIZAÇÃO E CORRETAGEM 107
COMPETÊNCIAS DOS ÓRGÃOS QUE COMPÕEM O SISTEMA NACIONAL 
DE REGULAÇÃO, SUPERVISÃO E FISCALIZAÇÃO DE SEGUROS PRIVADOS, 
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA, CAPITALIZAÇÃO E CORRETAGEM 111
Compete ao Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) 111
Compete à Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) 116
Compete ao Conselho de Recursos do Sistema Nacional de Seguros Privados, 
de Previdência Privada Aberta e de Capitalização (CRSNSP) 121
AS OPERAÇÕES DE SEGUROS PRIVADOS 122
OS SEGUROS OBRIGATÓRIOS 127
RESSEGURO – LEI COMPLEMENTAR Nº 126/2007 128
A Atuação do IRB Brasil RE 128
Das Normas Regulamentadoras do Resseguro e da Sociedade Corretora de Resseguros 131
FIXANDO CONCEITOS 5 133
 6. O CORRETOR DE SEGUROS 136 
A LEI QUE REGULA A PROFISSÃO DE CORRETOR DE SEGUROS 137
O PAPEL DE INTERMEDIADOR DO CORRETOR DE SEGUROS 138
REQUISITOS PARA O EXERCÍCIO PROFISSIONAL E REGISTRO NA SUSEP 141
O Corretor de Seguros – Profissional Autônomo 141
As Corretoras de Seguros Pessoas Jurídicas 147
O QUE SÃO EMPRESAS INDIVIDUAIS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA (EIRELI) 149
DIREITO E LEGISLAÇÃO DO SEGURO
HABILITAÇÃO TÉCNICO-PROFISSIONAL 151
REQUERIMENTO DE REGISTRO NA SUSEP 152
INEXISTÊNCIA DE LIMITAÇÃO TERRITORIAL 
PARA A ATUAÇÃO DO CORRETOR DE SEGUROS 153
OS PREPOSTOS DO CORRETOR 154
DIREITOS E DEVERES DO CORRETOR 157
Deveres Básicos do Corretor 157
Direito à Comissão de Corretagem 158
Dever de Registro das Propostas e de Demonstração à SUSEP 160
Dever de Repasse do Prêmio Recebido 161
Restrições Profissionais 163ser parte, no contrato de seguro, 
como segurador, entidade para tal fim legalmente autorizada.
 — Boa-Fé na Conclusão e na 
Execução do Contrato do Seguro
A boa-fé é um princípio que rege todos os contratos. Ela se divide em duas 
acepções: uma objetiva e outra subjetiva.
Boa-Fé Objetiva
Na sua acepção objetiva, a boa-fé desempenha várias funções. A mais 
importante delas corresponde a um padrão de comportamento, um mode-
lo de conduta que deve ser observado pelos contratantes e os obriga a 
observar e cumprir determinados deveres.
Esses deveres dividem-se, basicamente, em três grupos:
Deveres de informação 
e esclarecimento
Exemplo: o dever do proponen-
te de informar à seguradora, na 
proposta, tudo o que souber 
sobre o interesse segurável e o 
risco, conforme se extrai do art. 
759 do Código Civil. Se descum-
prir, de algum modo, esse dever 
de informação, o proponente 
estará violando a boa-fé objetiva;
Deveres de lealdade 
e cooperação
Exemplo: o dever do segurado 
de cooperar com a seguradora 
no sentido de adotar todas as 
providências que estejam ao seu 
alcance para minorar o dano ou 
salvar a coisa segurada, conforme 
estabelece o art. 779 do Código 
Civil. Se o segurado descumprir 
esse dever, ele estará violando a 
boa-fé objetiva.
Deveres de proteção
Exemplo: o dever da seguradora 
de proteger os dados pessoais 
fornecidos pelo segurado, im-
pedindo que eles sejam indevid-
amente acessados por terceiros 
ou transferidos a estes. Se a 
seguradora deixar de adotar to-
das as medidas que estiverem ao 
seu alcance para, razoavelmente, 
evitar que isso ocorra, estará des-
cumprindo a boa-fé objetiva.
UNIDADE 3
44DIREITO DO SEGURO
O art. 765 do Código Civil trata, especificamente, da boa-fé objetiva no 
contrato de seguro e deixa claro que as partes devem considerá-la tan-
to no momento da celebração do contrato (fase de “conclusão”) quanto 
durante sua vigência, quando as partes devem cumprir suas obrigações 
(fase de “execução”):
Art. 765. O segurado e o segurador são obrigados a guardar, na 
conclusão e na execução do contrato, a mais estrita boa-fé e veraci-
dade, tanto a respeito do objeto como das circunstâncias e declara-
ções a ele concernentes.
A boa-fé objetiva, no contrato de seguro, é exigida com mais energia, con-
sistência e profundidade do que em outros contratos. Isto porque, no segu-
ro, o elemento da confiança tem maior peso, já que a seguradora aceita 
conceder a garantia baseada nas informações que lhe são prestadas pelo 
proponente sobre o interesse segurável, o objeto do contrato.
Boa-Fé Subjetiva
Na sua acepção subjetiva, a boa-fé contrapõe-se à noção de má-fé.
De acordo com o entendimento predominante na doutrina e na jurispru-
dência, age contrariamente à boa-fé (ou seja, age de má-fé) quem procede 
com dolo.
O dolo consiste em manobras ou maquinações feitas com o propósito de 
obter uma declaração de vontade que não seria emitida se o declarante 
não fosse enganado por outra pessoa.
Assim, age dolosamente o contratante que procede de forma a enganar, 
iludir e prejudicar o outro contratante.
Como a boa-fé deve ser presumida, quando a seguradora se recusar a 
pagar a indenização ou o capital segurado baseada na suspeita de má-fé 
do segurado ou do beneficiário, ela deverá fazer prova dessa alegação se 
for acionada judicialmente.2
 — Efeitos do Descumprimento 
do Dever de Informação que 
Influi na Aceitação da Proposta 
ou na Tarifação do Prêmio
O art. 766 do Código Civil estabelece as consequências para o descum-
primento do dever de informação pelo segurado ou pelo seu represen-
tante, no caso de a informação inexata ou omitida influir na decisão da 
seguradora de aceitar a proposta ou na tarifação do prêmio.
2 Enunciado 372 do Conselho 
da Justiça Federal espelha 
claramente essa realidade 
quando prevê o seguinte: 
“Enunciado 372 – em caso de 
negativa de cobertura securitária 
por doença preexistente, cabe 
à seguradora comprovar que o 
segurado tinha conhecimento 
inequívoco daquela”.
UNIDADE 3
45DIREITO DO SEGURO
Art. 766. Se o segurado, por si ou por seu representante, fizer 
declarações inexatas ou omitir circunstâncias que possam influir 
na aceitação da proposta ou na taxa do prêmio, perderá o direito à 
garantia, além de ficar obrigado ao prêmio vencido.
Parágrafo único. Se a inexatidão ou omissão nas declarações 
não resultar de má-fé do segurado, o segurador terá direito a 
resolver o contrato, ou a cobrar, mesmo após o sinistro, a diferen-
ça do prêmio.
Nesse dispositivo, o legislador distinguiu, claramente, duas hipóteses e 
seus respectivos efeitos:
 ■ Na hipótese de a omissão de uma informação ou prestação de 
uma informação inexata decorrer comprovadamente de má-fé do 
segurado ou de seu representante, o segurado perderá o direito à 
garantia e ficará obrigado ao pagamento do prêmio vencido.
 ■ Na hipótese de a omissão ou inexatidão não decorrer de má-fé do 
segurado ou de seu representante (ou seja, se for fruto de um mero 
descuido), a seguradora, na altura em que descobrir o problema:
 » Se ainda não tiver ocorrido um sinistro, poderá optar por resol-
ver (ou seja, “cancelar”) o contrato de seguro, ou mantê-lo em 
vigor, cobrando a diferença de prêmio.
 » Se já tiver ocorrido um sinistro, não poderá cancelar o contra-
to, restando-lhe como única alternativa pagar a indenização ou 
capital, abatendo, do valor a ser pago, a diferença de prêmio.
 — Ato Doloso do Segurado, 
do Beneficiário ou do 
Representante de um deles
O dever de proteção recíproco dos contratantes, derivado da boa-fé objeti-
va, exige do segurado, do beneficiário e dos representantes de ambos que 
se abstenham da prática de determinados atos.
Um dos princípios típicos do contrato de seguro é o princípio do absen-
teísmo, segundo o qual tais pessoas devem se portar, em relação ao 
interesse segurado, como se não houvesse seguro. Isto significa que sua 
conduta deve ser no sentido de não querer, de não aumentar e de não 
provocar o risco.
O art. 762 do Código Civil torna nulo o contrato de seguro especificamen-
te em relação aos atos dolosos do segurado, do beneficiário e de seus 
representantes:
UNIDADE 3
46DIREITO DO SEGURO
“Art. 762. Nulo será o contrato para garantia de risco proveniente 
de ato doloso do segurado, do beneficiário, ou de representante 
de um ou de outro.”
Desse modo, os atos do segurado, do beneficiário ou de seus represen-
tantes que decorrerem de dolo direto (também chamado de dolo puro) 
ou de dolo indireto (também chamado de dolo eventual) irão gerar a 
nulidade do contrato.
No dolo puro ou direto, o agente tem a intenção de alcançar o resultado 
danoso, ou seja, quer produzi-lo. Exemplo disso ocorre quando, nos Seguros 
de Pessoas, o beneficiário encomenda a terceiro a morte do segurado, fazen-
do-o com o propósito de receber o capital segurado por morte acidental.
No dolo eventual ou indireto, o agente não tem a intenção de alcançar 
o resultado danoso, mas este é mencionado e, apesar disso, a pessoa se 
porta de maneira indiferente, ou seja, assume o risco da produção desse 
resultado. Exemplo disso ocorre nos Seguros de Automóveis, quando o 
segurado, apenas com o objetivo de cortar caminho para chegar ao seu 
destino, decide seguir por uma via na contramão e acaba provocando 
uma colisão.
Observe que estão fora do alcance do art. 762 do Código Civil os atos 
culposos, que são aqueles por meio dos quais o agente não quer alcançar 
o resultado danoso, mas atua com imprudência, negligência ou imperícia.
 ■ A negligência evidencia-se, usualmente, pela omissão. Relaciona-se, 
principalmente, com a desídia. É a ação necessária que se deixou 
de praticar, como consertar uma marquise que está em mau esta-
do de conservação; deixar de efetuar manutenção obrigatória em 
equipamentos, conforme determinação do fabricante; viajar sem 
fazer revisão no veículo; e demais condutas assemelhadas.
 ■ A imprudênciaé a ação que não deveria ser praticada. Na impru-
dência, o sujeito procede precipitadamente ou sem prever inte-
gralmente as consequências da ação, como, por exemplo, colocar 
objetos soltos no parapeito da janela de um apartamento.
 ■ A imperícia é a ação praticada sem a habilidade ou competência 
necessária para fazê-lo, ou seja, o sujeito age ou deixa de agir com ou 
sem a habilidade técnica que deveria possuir como profissional habi-
litado (médico, motorista, engenheiro), como no caso de instalação 
elétrica realizada por quem não tem conhecimento de eletricidade.
A prática de ato doloso pelo segurado, pelo beneficiário ou pelo represen-
tante de um deles é difícil de ser provada de forma contundente. Por isso, 
a jurisprudência tem admitido que a seguradora, para comprovar que a 
indenização ou o capital segurado não devem ser pagos com base nesse 
dispositivo, utilize a chamada prova indiciária, consistente em fortes evi-
dências, em flagrantes indícios de dolo.3
3 O Superior Tribunal de Justiça 
entendeu que a participação em 
disputa automobilística – “racha” – 
configura agravamento intencional 
do risco, por ato consciente e 
voluntário, ensejando a perda da 
cobertura securitária. (STJ REsp 
1368766/RS. Recurso Especial 
2012/0251038-0. Dje 06/04/2016. 
Disponível em: www.stj.jus.br. 
Acesso em: 03 out. 2016).
http://www.stj.jus.br/
UNIDADE 3
47DIREITO DO SEGURO
 — Agravamento do Risco
O agravamento do risco se caracteriza pela alteração do estado original 
de risco, ou seja, pela modificação, na vigência do contrato de seguro, 
da situação de risco original, isto é, presente quando da celebração do 
contrato.
O agravamento do risco pode decorrer de vários fatores. Por exemplo, de 
um ato doloso ou culposo do segurado, como resultado de uma condu-
ta do segurado que não seja culposa, bem como de um fato totalmente 
alheio à sua vontade.
O agravamento do risco é tratado nos arts. 768 e 769 do Código Civil. O 
art. 768 trata do agravamento intencional do risco:
“Art. 768. O segurado perderá o direito à garantia se agravar 
intencionalmente o risco objeto do contrato.” 
Recente decisão do Superior Tribunal de Justiça se deu no sentido de 
que a intencionalidade citada no artigo está vinculada à própria ocorrên-
cia do sinistro.4 
Isso significa que o agravamento do risco, na forma do art. 768 do Código 
Civil, só se caracteriza quando o segurado age com dolo; portanto, com o 
intuito de aumentar o risco ou desencadear o sinistro.
O art. 769 do Código Civil trata do agravamento do risco decorrente de 
um “incidente”:
Art. 769. O segurado é obrigado a comunicar ao segurador, logo 
que saiba, todo incidente suscetível de agravar consideravelmente 
o risco coberto, sob pena de perder o direito à garantia, se provar 
que silenciou de má-fé.
§ 1º O segurador, desde que o faça nos 15 dias seguintes ao recebi-
mento do aviso da agravação do risco sem culpa do segurado, pode-
rá dar-lhe ciência, por escrito, de sua decisão de resolver o contrato.
§ 2º A resolução só será eficaz trinta dias após a notificação, 
devendo ser restituída pelo segurador a diferença do prêmio.
Para incidência do dispositivo, o agravamento deve ser “considerá-
vel”, ou seja, aumentar substancialmente o estado original de risco. 
Tão logo constate o agravamento, o segurado deve comunicar o fato 
à seguradora.
Feita a comunicação pelo segurado, a seguradora poderá, até 15 dias 
depois de avisada e desde que não tenha havido sinistro, optar por resol-
ver (cancelar) o contrato, comunicando sua decisão ao segurado, ou 
4 Em julgamento mais recente 
sobre o tema, o Superior Tribunal 
de Justiça enfrentou hipótese na 
qual o segurado caiu de uma alta 
torre metálica, onde subira para 
ter acesso à vista panorâmica, 
tendo ficado paraplégico. O 
tribunal entendeu que não 
caracteriza agravamento de risco 
o ato do segurado que constitui 
“comportamento aventureiro 
razoável e previsível na vida das 
pessoas, como também acontece 
com escalada de árvores, 
pedras, trilhas íngremes, e coisas 
semelhantes” (BRASIL. Superior 
Tribunal de Justiça. Recurso 
Especial 795.027/RS. Relator: 
Ministro Aldir Passarinho Júnior. 
Brasília, 18 de março de 2010. 
Disponível em: www.stj.jus.br. 
Acesso em: 28 out. 2010).
http://www.stj.jus.br/
UNIDADE 3
48DIREITO DO SEGURO
poderá mantê-lo, caso em que deverá cobrar a diferença de prêmio. Se 
tiver ocorrido sinistro, a seguradora poderá descontar a diferença de prê-
mio da indenização.
No caso de resolução (cancelamento), esta somente produzirá efeitos após 
30 dias do recebimento da notificação pelo segurado, conforme o § 2º do 
art. 769. Portanto, se nesse intervalo ocorrer um sinistro, o pagamento da 
indenização ou capital é devido. Findo esse prazo, e se não tiver ocorrido 
sinistro, a resolução (cancelamento) produzirá seus efeitos, cabendo ao 
segurado o direito à restituição da diferença de prêmio.
Se o segurado não informar o agravamento e um sinistro ocorrer, o 
segurado somente perderá o direito à indenização ou ao capital se a 
seguradora puder provar que o silêncio do segurado sobre o agrava-
mento foi intencional (proposital).
 — Contratação por Meio de Agente 
Autorizado da Seguradora
A contratação de seguros pode ocorrer de forma direta, entre segurado e 
seguradora, e mediante intermediação.
A contratação intermediada pode ser feita por um corretor de seguros ou 
por um agente autorizado da seguradora.
O agente autorizado da seguradora mantém com esta última uma relação 
contratual. Tal figura está prevista no art. 775 do Código Civil:
“Art. 775. Os agentes autorizados do segurador presumem-se 
seus representantes para todos os atos relativos aos contratos que 
agenciarem.”
Assim, o agente autorizado representa os interesses da seguradora, 
podendo intermediar operações de seguro diretamente com o segurado 
interessado. Esse agente autorizado pode ser pessoa física ou jurídica, e a 
seguradora responde solidariamente pelos atos praticados por esse repre-
sentante caso ele cause dano ao segurado ou a terceiros.
O agente autorizado da seguradora não se confunde, portanto, com 
a figura do corretor de seguros, o qual, por força do art. 17 da Lei nº 
4.594/1964 e de normas regulamentares, não pode ser sócio, adminis-
trador, procurador, despachante ou empregado de sociedade segura-
dora. Na qualidade de intermediário com total independência em rela-
ção à seguradora, o corretor de seguros deve ter em vista os interesses 
do proponente/segurado.
UNIDADE 3
49DIREITO DO SEGURO
 — Renovação Automática
De acordo com o art. 774 do Código Civil, a renovação automática (“recon-
dução tácita”) do contrato de seguro, por força de cláusula contratual, 
somente poderá ocorrer uma única vez:
“Art. 774. A recondução tácita do contrato pelo mesmo prazo, median-
te expressa cláusula contratual, não poderá operar mais de uma vez.”
Tal norma possui como objetivo a proteção do segurado relativa ao cálculo 
do prêmio ou dos aspectos de mudança do risco. Dessa forma, a renova-
ção automática por prazo indeterminado constituiria obstáculo no acompa-
nhamento constante do risco e sua eventual modificação.
Portanto, excetuados o Seguro-Saúde e os seguros celebrados por prazo 
indeterminado, a renovação dos demais seguros com base em cláusula de 
renovação automática e pelo mesmo prazo ajustado originalmente somen-
te poderá ocorrer uma única vez e por igual prazo. Depois disso, a renova-
ção dependerá da concordância do segurado.
 — Mora do Segurado
O art. 763 do Código Civil estabelece o seguinte:
“Art. 763. Não terá direito a indenização o segurado que estiver 
em mora no pagamento do prêmio, se ocorrer o sinistro antes de 
sua purgação.”
Esse artigo, no entanto, deve ser interpretado em conjunto com as normas 
regulamentares editadas pela SUSEP, que abrandam a sua aplicação quan-
do presentes algumas condições.
O art. 7º da Circular SUSEP nº 251/2004prevê que, nos contratos de segu-
ro cujas propostas tenham sido recepcionadas sem pagamento do prêmio, 
o início da vigência da cobertura deverá coincidir com a data de aceitação 
da proposta ou com outra data acordada entre as partes.
Assim, se antes da aceitação ocorrer um sinistro, não haverá cobertura. 
Porém, se depois da aceitação ocorrer um sinistro e o segurado ainda não 
tiver pago o prêmio apenas porque a primeira parcela ainda não venceu, 
haverá cobertura. Em uma outra hipótese, se, depois da aceitação, a pri-
meira parcela de prêmio vencer e não for paga, não haverá cobertura.
As normas regulamentares estabelecem, também, situações em que have-
rá a chamada cobertura técnica. Exemplo disso está no § 1º do art. 8º da 
mesma circular, segundo o qual, nos Seguros de Automóveis, a vigência da 
garantia tem início, via de regra, a partir da realização da vistoria, indepen-
dentemente de ter havido pagamento do prêmio.
UNIDADE 3
50DIREITO DO SEGURO
Já quando se tratar de veículo novo, ou de renovação com o mesmo segu-
rado, a vigência começa na recepção da proposta, independentemente de 
pagamento do prêmio.
Nos Seguros de Danos, se a recusa da proposta ocorrer no prazo regu-
lamentar, a cobertura prevalecerá por mais dois dias úteis, contados da 
data em que o proponente, seu representante ou corretor tiverem ciência 
formal da recusa, conforme o § 2º do art. 8º da mencionada circular.
O problema maior se situa naqueles casos em que, na vigência da garantia, 
o pagamento dos prêmios, que vinha sendo feito de forma regular, deixa 
de ocorrer.
Na visão da seguradora, essa inadimplência acarreta, num primeiro 
momento, a chamada suspensão de cobertura, que, em geral, é fixada por 
cláusula contratual em 90 dias. Para a seguradora, se durante esse prazo 
ocorrer um sinistro, não haverá direito, por parte do segurado ou do bene-
ficiário, à indenização ou ao capital.
Cessado o prazo de suspensão, sem que o pagamento dos prêmios tenha 
sido regularizado, a seguradora considera resolvido (cancelado) o contrato 
por força de cláusula contratual, que consta do contrato de seguro, preven-
do o cancelamento automático.
Todavia, já é dominante no Poder Judiciário o entendimento de que os 
efeitos do atraso no pagamento do prêmio (suspensão de cobertura e can-
celamento do contrato) só se produzem se o responsável pelo pagamento 
dos prêmios (segurado, beneficiário ou estipulante, conforme o caso) for 
notificado pela seguradora de sua inadimplência.
Assim, para o Poder Judiciário, se a seguradora não notificar o responsável 
pelo pagamento dos prêmios, seja quanto à suspensão da cobertura, seja 
quanto ao cancelamento do contrato, não poderá se recusar a pagar a 
indenização ou capital.
Em razão das diversas decisões judiciais sobre esse mesmo assunto, o 
Superior Tribunal de Justiça (STJ) aprovou a Súmula nº 616, que determina: 
“A indenização securitária é devida quando ausente a comunicação prévia 
do segurado acerca do atraso no pagamento do prêmio, por constituir 
requisito essencial para a suspensão ou resolução do contrato de seguro.”
Já nos seguros contratados por estipulante, os efeitos do atraso no paga-
mento do prêmio dependerão de onde provêm os recursos para saldá-lo.
No seguro não contributário (que o Código Civil denomina seguro “à conta 
de outrem”), no qual o prêmio é integralmente custeado com recursos do 
estipulante, a seguradora pode se recusar a cobrir o sinistro no caso de 
inadimplência. É o que estabelece o art. 767 do Código Civil:
UNIDADE 3
51DIREITO DO SEGURO
“Art. 767. No seguro à conta de outrem, o segurador pode opor 
ao segurado quaisquer defesas que tenha contra o estipulante, 
por descumprimento das normas de conclusão do contrato, ou de 
pagamento do prêmio.”
Desse modo, o segurado ou beneficiário terá de exigir do estipulante 
o valor equivalente ao da indenização ou do capital que não puderam 
cobrar da seguradora.
 — Mora da Seguradora
O atraso da seguradora no pagamento da indenização ou capital segurado 
torna necessária a atualização monetária do valor respectivo, na forma do 
art. 772 do Código Civil:
“Art. 772. A mora do segurador em pagar o sinistro obriga à atua-
lização monetária da indenização devida segundo índices oficiais 
regularmente estabelecidos, sem prejuízo dos juros moratórios.”
Uma vez caracterizada a mora do segurador no pagamento da indenização, 
fica o segurador obrigado à atualização da quantia indenizatória, incluindo os 
juros moratórios. É a única hipótese em que o segurador efetuará um paga-
mento superior ao limite máximo de garantia, conforme determina o art. 781 do 
Código Civil Brasileiro. Como estudamos na Unidade 2, o art. 778 do Código 
Civil proíbe a prática de Sobresseguro para o pagamento indenizatório em dia.
Nos Seguros de Danos, a mora da seguradora estará caracterizada depois 
de vencido o prazo previsto na cláusula de liquidação de sinistros cons-
tante da apólice que, de acordo com o art. 33, § 1º, da Circular SUSEP nº 
256/2004, é de 30 dias, contados da entrega de todos os documentos 
básicos previstos nesse artigo.
Como a seguradora tem a faculdade de pedir outros documentos, o prazo 
poderá ser suspenso, na forma do § 2º do mesmo artigo, retomada a con-
tagem após o primeiro dia útil subsequente à entrega pelo segurado.
O § 3º do artigo (a exemplo do art. 772 do Código Civil) dispõe que a mora 
da seguradora acarretará atualização e juros de mora, esclarecendo que 
isso deverá constar de cláusula contratual.
Nos Seguros de Pessoas, a sistemática é semelhante, como previsto no 
art. 72 da Circular nº 302/2005 da SUSEP.
 — Importância do Aviso de Sinistro
O aviso de sinistro é o meio pelo qual o segurado, o beneficiário ou o esti-
pulante levam ao conhecimento da seguradora a ocorrência do evento em 
tese coberto pelo contrato de seguro.
UNIDADE 3
52DIREITO DO SEGURO
É essencial que o corretor de seguros oriente o segurado sobre a importân-
cia da comunicação do aviso de sinistro, evitando divergências e conflitos.
Além disso, o aviso de sinistro influi na contagem do prazo prescricional 
para o exercício da pretensão do segurado em face da seguradora.
O Código Civil tratou do aviso de sinistro no art. 771:
“Art. 771. Sob pena de perder o direito à indenização, o segurado 
participará o sinistro ao segurador, logo que o saiba, e tomará as 
providências imediatas para minorar-lhe as consequências.
Parágrafo único. Correm à conta do segurador, até o limite fixado 
no contrato, as despesas de salvamento consequente ao sinistro.”
É importante notar que o legislador não fixou um prazo para a efetivação 
do aviso. Esta omissão se deve, possivelmente, ao fato de que a fixação do 
prazo deve ser feita levando em consideração as peculiaridades de cada 
ramo. Portanto, seria adequado que as normas regulamentares disciplinas-
sem a matéria.
O fato é que o art. 39 da Circular SUSEP nº 256/2004 (que trata dos Segu-
ros de Danos) e o art. 74 da Circular SUSEP nº 302/2005 (que trata das 
garantias de risco nos Seguros de Pessoas) vedam expressamente a inclu-
são, nos contratos de seguro, de cláusula que disponha sobre a fixação de 
prazo máximo para a comunicação de sinistro.
Com isso, essa vedação retira a eficácia da penalidade estabelecida pelo 
art. 771 do Código Civil, que é a perda do direito à indenização ou capital.
 — Aplicação Subsidiária do 
Código Civil aos Seguros 
Regidos por Leis Específicas
Determinados seguros são disciplinados por leis específicas.
Mediante isso, as disposições gerais sobre o contrato de seguro, constan-
tes dos arts. 757 a 777 do Código Civil (Seção I do Capítulo do Seguro no 
Código Civil), serão aplicadas apenas subsidiariamente a esses seguros:
“Art. 777. O disposto no presente Capítulo aplica-se, no que cou-
ber, aos seguros regidos por leis próprias.”
Isso significa que os arts. 757 a 777 do Código Civil somente se aplica-
rão a esses seguros naquilo em que a leiespecial for omissa.
UNIDADE 3
53DIREITO DO SEGURO
 DISPOSIÇÕES RELATIVAS 
 AOS SEGUROS DE DANOS 
Em relação ao Seguro de Danos, vamos estudar as disposições de transfe-
rência do contrato de seguro a terceiro, do rateio proporcional da indeniza-
ção, do contrato de mais de um seguro para o mesmo interesse segurável, 
da sub-rogação e do Seguro de Responsabilidade Civil.
 — Transferência do Contrato 
de Seguro a Terceiro
O art. 785 do Código Civil, que trata da transferência do contrato de 
seguro a terceiro em consequência da alienação ou da cessão do bem 
objeto do seguro:
“Art. 785. Salvo disposição em contrário, admite-se a transferência do 
contrato a terceiro com a alienação ou cessão do interesse segurado.
§ 1º Se o instrumento contratual é nominativo, a transferência só 
produz efeitos em relação ao segurador mediante aviso escrito 
assinado pelo cedente e pelo cessionário.
§ 2º A apólice ou o bilhete à ordem só se transfere por endosso 
em preto, datado e assinado pelo endossante e pelo endossatário.”
O dispositivo, portanto, admite a transferência do contrato de Seguro de 
Danos a Terceiros se houver a alienação ou a cessão do interesse segu-
rado. Assim, por exemplo, se João vender o seu veículo para Maria, João 
também poderá, via de regra, transferir para Maria o contrato de seguro.
Por conta da frase “salvo disposição em contrário” contida no artigo, que 
deve ser entendida como uma ressalva, a exceção à regra ocorrerá quando 
houver, no contrato de seguro, cláusula que vede a transferência do contra-
to de seguro ou, ainda, se for editada lei especial que impeça, em determi-
nado ramo, a transferência do contrato de seguro pelo segurado a terceiro.
Os parágrafos do art. 785 do Código Civil criam formalidades para a eficá-
cia da cessão.
De acordo com dispositivo, quando a apólice ou o bilhete forem nominati-
vos (ou seja, quando informarem o nome do segurado), a transferência do 
contrato de seguro somente produzirá efeitos em relação à seguradora 
mediante aviso escrito assinado pelo cedente (segurado) e pelo cessioná-
rio (aquele que pretende passar a ser o segurado).
UNIDADE 3
54DIREITO DO SEGURO
Também de acordo com o dispositivo, a apólice ou o bilhete que contive-
rem a cláusula à ordem somente se transferem por endosso em preto, 
que é aquele no qual o titular da apólice ou bilhete (endossante), no verso 
do documento, indica o nome do beneficiário do endosso (ou seja, informa 
o nome do endossatário) e, em seguida, data e assina.
Sem a observância a essas formalidades, a transferência do contrato de 
seguro seria, de acordo com a lei, ineficaz.
Entretanto, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de 
que a transferência do contrato de seguro a terceiro é eficaz, mesmo quan-
do não comunicada à seguradora, naqueles casos em que a seguradora 
não prova que o risco tenha sido agravado por conta dessa transferência5.
Portanto, prevalece no Judiciário o entendimento de que a obrigação da 
seguradora de indenizar persiste, mesmo que o veículo e o seguro sobre 
ele sejam transferidos pelo segurado a terceiro sem comunicação à segu-
radora. A seguradora somente ficará liberada da obrigação de indenizar 
pelo sinistro ocorrido com o “novo segurado” se provar que a transferência 
do seguro para ele significou um aumento real do risco.
É importante ressaltar que o corretor de seguros deve ser cauteloso ao 
orientar o segurado em relação à transferência do contrato de seguro sem 
a notificação ou anuência da companhia seguradora, pois, em caso de 
eventual recusa da indenização, a questão será resolvida judicialmente.
 — Rateio Proporcional
Quando o contrato de seguro garante menos do que vale o interesse segu-
rável, o chamado de infrasseguro, pode ou não, conforme o caso, haver a 
aplicação do rateio proporcional no caso de um sinistro parcial, previsto no 
art. 783 do Código Civil:
“Art. 783. Salvo disposição em contrário, o seguro de um interes-
se por menos do que valha acarreta a redução proporcional da 
indenização, no caso de sinistro parcial.”
Portanto, em princípio, quando não houver correspondência entre a importân-
cia segurada (ou limite máximo indenizatório) e o valor em risco no momento 
do sinistro, e este for parcial, a indenização deve ser reduzida na proporção 
do prêmio pago. Isto porque o segurado é considerado segurador de si mes-
mo em relação àquela parte do risco para a qual não contratou o seguro.
Para saber quando a regra é aplicável, é fundamental verificar o tipo de 
seguro contratado e, também, o que foi ajustado pelas partes no contrato 
de seguro (em face da ressalva “salvo disposição em contrário”, constante 
do dispositivo).
5 Súmula 465, que diz: “Súmula 
465. Ressalvada a hipótese de 
efetivo agravamento do risco, 
a seguradora não se exime do 
dever de indenizar em razão da 
transferência do veículo sem a 
sua prévia comunicação”.
UNIDADE 3
55DIREITO DO SEGURO
Nos Seguros a 1º Risco Absoluto, o segurado pode fazer a sua própria 
avaliação e estimar qual o dano máximo provável a que seus bens estão 
expostos, fixando a importância segurada (ou limite máximo indenizatório) 
em função disso. Portanto, nesse tipo de seguro, não é preciso haver cor-
respondência entre valor em risco e importância segurada (ou limite máxi-
mo indenizatório), de modo que não haverá aplicação de regra de rateio 
proporcional no caso de um sinistro parcial.
Nos Seguros a 1º Risco Relativo também não é preciso haver correspon-
dência entre importância segurada (ou limite máximo indenizatório) e valor 
em risco, mas é necessária a declaração do valor em risco na proposta. Se 
na regulação de um sinistro parcial for verificado que o valor em risco, no 
momento do sinistro, é superior ao valor em risco declarado na proposta, 
isto significa que duas situações podem ter ocorrido:
 ■ No momento da contratação, o segurado informou um valor em 
risco que não correspondia à realidade.
 ■ No momento da contratação, o segurado informou um valor em ris-
co que correspondia à realidade, mas este, na vigência do contra-
to, elevou-se e, apesar disso, o segurado não solicitou a emissão 
de endosso e, consequentemente, não pagou prêmio adicional.
Tanto em um caso quanto no outro, a regra do rateio proporcional 
é aplicável.
Finalmente, nos Seguros a Risco Total, é necessária a correspondência 
entre a importância segurada (ou limite máximo indenizatório) e o valor em 
risco. Se no momento do sinistro parcial for verificado que a importância 
segurada (ou limite máximo indenizatório) é menor do que o valor em risco, 
deverá ser aplicada a regra do rateio proporcional.
 — Novo Seguro sobre Mesmo 
Interesse Segurável e Mesmo Risco
Agora, vamos estudar casos em que mais de um contrato de seguro é fir-
mado para o mesmo interesse segurável.
O Código Civil, conforme o art. 782, autoriza o titular do interesse já segu-
rado a instituir novo seguro sobre esse interesse e contra o mesmo risco 
junto a outra seguradora. Para isso, basta que comunique sua intenção, por 
escrito, à primeira seguradora, indicando a soma pela qual pretende fazer 
o novo seguro:
Art. 782. O segurado que, na vigência do contrato, pretende obter 
novo seguro sobre o mesmo interesse, e contra o mesmo risco 
junto a outro segurador, deve previamente comunicar sua intenção 
por escrito ao primeiro, indicando a soma por que pretende segu-
rar-se, a fim de se comprovar a obediência ao disposto no art. 778.
UNIDADE 3
56DIREITO DO SEGURO
A necessidade de contratar um novo seguro para o mesmo interesse e o 
mesmo risco pode decorrer de vários motivos: insuficiência superveniente 
da garantia originalmente contratada em virtude da elevação do valor em 
risco; risco de insolvência da primeira seguradora; e existência de mais de 
um titular para o mesmo interesse, visando proteger o mesmo risco, entre 
outros motivos.
O seguro voltado para unidade residencial em condomínio edilícioé um 
exemplo da última hipótese mencionada. O condomínio está obrigado, por 
força do art. 20, alínea “g”, do Decreto-Lei nº 73/1966, a contratar Seguro 
Incêndio para todas as unidades. Todavia, o proprietário de uma unidade 
pode preferir contratar um segundo Seguro Incêndio para a sua unida-
de, temendo que a apólice contratada pelo condomínio seja, por exemplo, 
cancelada por inadimplência.
A comunicação prévia à primeira seguradora exigida pelo dispositivo tem 
por finalidade desestimular a fraude e impedir o sobresseguro (art. 778 do 
Código Civil).
Sempre que houver mais de um seguro ligado ao mesmo interesse e ao 
mesmo risco, a regulação do sinistro deverá ser feita com base na cláusula 
de concorrência de apólices que, de acordo com o art. 26 da Circular 
SUSEP nº 256/2004, deverá constar das condições gerais do seguro, nos 
termos definidos por esse órgão regulador.
A aplicação dessa cláusula fará com que, apurado o valor do prejuízo, cada 
seguradora participe, no pagamento da indenização, na proporção do ris-
co que segurou.
 — Sub-Rogação
O termo “sub-rogação” significa a substituição de uma pessoa pela outra. 
Quando falamos precisamente em relação ao pagamento com sub-roga-
ção, esta significa a substituição de um credor por outro.
Embora a sub-rogação, tanto legal quanto contratual, esteja prevista nos 
arts. 346 e 347 do Código Civil, o art. 786 trata de forma específica dessa 
substituição nos Seguros de Danos:
Art. 786. Paga a indenização, o segurador sub-roga-se, nos limites 
do valor respectivo, nos direitos e ações que competirem ao segu-
rado contra o autor do dano.
§ 1º Salvo dolo, a sub-rogação não tem lugar se o dano foi causado 
pelo cônjuge do segurado, seus descendentes ou ascendentes, 
consanguíneos ou afins.
§ 2º É ineficaz qualquer ato do segurado que diminua ou extinga, 
em prejuízo do segurador, os direitos a que se refere este artigo.
UNIDADE 3
57DIREITO DO SEGURO
Portanto, a seguradora indeniza o segurado e, por força da sub-rogação, 
pode exercer contra o terceiro (que causou o dano ao segurado) o direito 
de regresso, ou seja, de obter o ressarcimento do quanto indenizou.
Assim, a importância da sub-rogação no contrato de seguro está relacionada 
ao valor do prêmio (seguro com perfil), uma vez que, considerando a possi-
bilidade de eventual sinistro ser de responsabilidade de terceiro e não do 
segurado, a quantia paga a título de prêmio estará sujeita a uma redução, 
com possibilidade de ressarcimento à seguradora dos prejuízos indenizados.
Conforme o § 1º, a sub-rogação não se verifica quando o causador do dano 
ao segurado for seu cônjuge, descendente, ascendente, consanguíneo ou 
afim. O parágrafo único não faz alusão ao(à) companheiro(a), mas a aplica-
ção do dispositivo deve ser estendida a ele(a).
Quando o causador do dano tiver agido dolosamente, há uma exceção e, 
nesse caso, a seguradora ficará sub-rogada.
Finalmente, qualquer ato do segurado que vise a impedir ou limitar o direi-
to de sub-rogação da seguradora é ineficaz em relação a esta.
 — Seguro de Responsabilidade Civil
O Código Civil tratou de forma específica do Seguro de Responsabilidade 
Civil no art. 787:
Art. 787. No seguro de Responsabilidade Civil, o segurador garante 
o pagamento de perdas e danos devidos pelo segurado a terceiro.
§ 1º Tão logo saiba o segurado das consequências de ato seu, 
suscetível de lhe acarretar a responsabilidade incluída na garantia, 
comunicará o fato ao segurador.”
§ 2º É defeso ao segurado reconhecer sua responsabilidade ou 
confessar a ação, bem como transigir com o terceiro prejudicado, 
ou indenizá-lo diretamente, sem anuência expressa do segurador.
§ 3º Intentada a ação contra o segurado, dará este ciência da lide 
ao segurador.
§ 4º Subsistirá a responsabilidade do segurado perante o terceiro, 
se o segurador for insolvente.
No Seguro de Responsabilidade Civil, a garantia concedida pela segurado-
ra deve cobrir, necessariamente, as perdas e danos que o segurado cau-
sou a terceiro.
É importante mencionar que, apesar de estarmos diante de um seguro de 
dano, o seguro de responsabilidade civil não possui característica de segu-
UNIDADE 3
58DIREITO DO SEGURO
ro indenitário, mas, sim, atua por meio de reembolso, cabendo à seguradora 
reembolsar as despesas decorrentes de danos causados pelo segurado a ter-
ceiros, provenientes de sentença judicial transitada em julgado, isto é, em que 
não cabe mais recurso, ou acordo celebrado com a anuência da seguradora.
As perdas e os danos compõem-se de danos emergentes (prejuízos 
decorrentes direta e imediatamente do evento, sofridos pelo terceiro) e 
lucros cessantes (tudo aquilo que o terceiro, razoavelmente, deixou de 
lucrar em razão do dano causado pelo segurado).
O § 1º reforça a importância de o segurado efetuar o aviso de sinistro que, 
no caso, consistirá em comunicar à seguradora a ocorrência de qualquer 
evento do qual possa resultar a sua responsabilidade civil perante terceiro.
Já o § 2º deixa claro que é vedado ao segurado praticar determina-
dos atos sem a anuência prévia e expressa da seguradora. Esses atos 
consistem em reconhecer sua responsabilidade (admitir sua culpa extra-
judicialmente), confessar a ação (reconhecer a procedência do pedido 
formulado em ação judicial pelo terceiro em face do segurado), transigir 
com o terceiro ou indenizá-lo diretamente (fazer acordo judicial ou extra-
judicial com o terceiro).
Há uma tendência de o Poder Judiciário considerar que os atos mencio-
nados no § 2º, se praticados pelo segurado, somente serão ineficazes em 
relação à seguradora quando, por exemplo, o reconhecimento da respon-
sabilidade ou da procedência do pedido pelo segurado se mostrar incom-
patível com o caso concreto (ou seja, os fatos, à luz do Direito, mostrarem 
que a culpa é do terceiro), ou quando o valor pago pelo segurado, a título 
de indenização ao terceiro, exceder substancialmente aquele que seria 
devido por força de uma condenação judicial.6
O § 3º estabelece que quando o terceiro ajuizar ação de responsabilida-
de civil contra o segurado, e este for citado para se defender, deverá dar 
conhecimento à seguradora da existência do processo judicial.
Finalmente, o § 4º deixa claro que se a seguradora se tornar insolvente, 
caberá ao segurado pagar ao terceiro, com recursos próprios, a totalida-
de da indenização.
Aprenda mais sobre este assunto
Leia: TZIRULNIK, Ernesto et al. O Contrato de Seguro de 
acordo com o novo Código Civil Brasileiro. São Paulo: 
Revista dos Tribunais, 2003.
Importante
No caso de um taxista sofrer uma 
colisão em que outro motorista é 
o culpado:
Danos Emergentes
Prejuízo direto, ou seja, o conserto 
do carro e despesas hospitalares.
Lucros Cessantes
Quantia que o taxista deixou de 
receber, visto que seu instrumento 
de trabalho foi danificado.
6 Merece ser citado o seguinte 
julgado do Superior Tribunal de 
Justiça: “Se não há demonstração 
de que a transação feita pelo 
segurado e pela vítima do 
acidente de trânsito foi abusiva, 
infundada ou desnecessária, mas, 
ao contrário, sendo evidente que 
o sinistro de fato aconteceu e o 
acordo realizado foi em termos 
favoráveis tanto ao segurado 
quanto à seguradora, não há 
razão para exigir a regra 
do art. 787, § 2º, do CC em 
direito absoluto a afastar 
o ressarcimento do segurado”. 
Recurso Especial: 1133459/RSP. 
Publicada em 03/09/2014. 
Disponível em: www.stj.jus.br. 
Acesso em 03 out. 2016.
Essa tendência é reflexo do 
enunciado 373 do Conselho de 
Justiça Federal: “Enunciado 373 – 
Embora defesos pelo § do art. 787 
do Código Civil, o reconhecimento 
da responsabilidade, a confissão 
da ação ou a transação não 
retiram do segurado o direito à 
garantia, sendo apenas ineficazes 
perante a seguradora.”
http://www.stj.jus.br/
UNIDADE 3
59DIREITO DO SEGURO
 DISPOSIÇÕES RELATIVAS 
 AOS SEGUROS DE PESSOAS 
Inicialmente, cabe esclarecer quesão considerados Seguros de Pes-
soas apenas os Seguros de Vida e de Acidentes Pessoais.
Nesta seção, vamos estudar as disposições referentes ao Seguros de Pes-
soas, como a fixação do capital segurado, a contratação de mais de um 
seguro para o mesmo interesse segurável, a indicação de companheiro(a) 
como beneficiário(a), o seguro sobre a vida de terceiro, a substituição do 
beneficiário, os efeitos da invalidade da cláusula beneficiária e da não indi-
cação de beneficiário, o pagamento reduzido do capital segurado, o suicí-
dio, a proibição de se excluir certos riscos do contrato de seguro, a sub-ro-
gação, o seguro coletivo e a exceção referente ao art. 802 do Código Civil.
 — Fixação do Capital Segurado 
e Contratação de Mais de um 
Seguro sobre o Mesmo Interesse
Nos Seguros de Pessoas, a lei prevê, em princípio, a liberdade do propo-
nente para fixar o valor da garantia (ou seja, do capital segurado) e con-
tratar mais de um seguro sobre o mesmo interesse com a mesma ou com 
mais de uma seguradora. É o que prevê o art. 789 do Código Civil:
“Art. 789. Nos seguros de pessoas, o capital segurado é livre-
mente estipulado pelo proponente, que pode contratar mais de 
um seguro sobre o mesmo interesse, com o mesmo ou diversos 
seguradores.”
A liberdade na fixação do capital segurado e a possibilidade de contrata-
ção de mais de uma garantia sobre o mesmo interesse se justifica pelo fato 
de a vida e de as faculdades humanas serem economicamente inestimá-
veis. Daí decorre, inclusive, a natureza meramente compensatória (e não 
indenizatória) do capital segurado.
Isso não significa, contudo, que o exercício desses direitos pelo propo-
nente não deva e nem possa sofrer limitações. Embora não se faça à livre 
contratação nos Seguros de Pessoas, o segurador possui critérios próprios 
de análise e subscrição do risco.
O valor da garantia concedida pela seguradora, embora não tenha caráter 
indenizatório, deve guardar compatibilidade com o aspecto econômico do 
interesse segurável.
UNIDADE 3
60DIREITO DO SEGURO
Assim, por exemplo, o capital segurado para o risco de morte deve ser 
suficiente para garantir ao beneficiário, que dependa economicamente do 
segurado, a certeza de sua subsistência após o falecimento dele.
Mesmo quando essa dependência econômica não existir, mas mantendo a 
legitimidade do interesse segurável, a fixação do capital segurado não 
pode ser incompatível com a condição financeira do segurado (se couber 
a ele custear o prêmio) ou do beneficiário (se couber a ele instituir o seguro 
sobre a vida do segurado, pagando os prêmios).
Nos casos, por exemplo, da fixação de uma ou mais garantias isoladamen-
te ou em conjunto, em que o valor do prêmio correspondente comprome-
te substancialmente a renda de quem deve pagá-lo ou, ainda, quando o 
valor da(s) garantia(s) contratada(s) representa(m), para o segurado ou o 
beneficiário, uma substancial vantagem econômica, há incompatibilidade 
do contrato de seguro com o aspecto econômico do interesse envolvido.
Em tais hipóteses, além de estarem presentes indícios de possível frau-
de, o direito de fixar livremente o capital segurado e de contratar mais de 
uma garantia está sendo exercido de forma claramente abusiva, violando a 
 boa-fé objetiva (art. 187 do Código Civil).
 — Instituição do(a) Companheiro(a) 
como Beneficiário(a)
O art. 793 autoriza a instituição do(a) companheiro(a) como beneficiário(a) 
se, no momento em que ela ocorrer, o segurado for solteiro, separado de 
fato, separado judicialmente ou mesmo viúvo:
“Art. 793. É válida a instituição do companheiro como beneficiário, 
se ao tempo do contrato o segurado era separado judicialmente, 
ou já se encontrava separado de fato.”
Vale lembrar que somente podem ser considerados companheiros aque-
les que vivam em união estável, reconhecida pela Constituição Federal de 
1988 (art. 226, § 3º), e tal como definida no art. 1.723 do Código Civil:
Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável 
entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, 
contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constitui-
ção de família.
§ 1º A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimen-
tos do art. 1.521; não se aplicando a incidência do inciso VI no caso 
de a pessoa casada se achar separada de fato ou judicialmente.
§ 2º As causas suspensivas do art. 1.523 não impedirão a caracte-
rização da união estável.
Aprenda mais 
sobre este assunto
Leia MARTINS, João Marcos de 
Brito. O Contrato de Seguro: 
Comentado conforme as 
disposições do novo Código 
Civil. Rio de Janeiro: Forense 
Universitária, 2003
UNIDADE 3
61DIREITO DO SEGURO
As causas que impedem a união estável são as mesmas que impedem o 
casamento civil.7
Além disso, o art. 1.727 do Código Civil prevê que “as relações não eventuais 
entre o homem e a mulher, impedidos de casar, constituem concubinato”.
Portanto, conclui-se que o(a) concubino(a) não pode ser indicado como 
beneficiário.
Finalmente, as uniões entre pessoas do mesmo sexo (uniões homoafeti-
vas) são reconhecidas atualmente como entidade familiar, merecendo a 
mesma proteção que recebem as famílias constituídas pela união de pes-
soas de sexos diferentes.
Dessa forma, o art. 793 também se aplica aos companheiros do mesmo sexo.
 — Seguro sobre a Vida de Terceiro
A legitimidade do interesse segurável tem particular importância no seguro 
instituído por uma pessoa sobre a vida de outra, regulado pelo art. 790 do 
Código Civil:
“Art. 790. No seguro sobre a vida de outros, o proponente é obri-
gado a declarar, sob pena de falsidade, o seu interesse pela pre-
servação da vida do segurado.
Parágrafo único. Até prova em contrário, presume-se o interes-
se, quando o segurado é cônjuge, ascendente ou descendente 
do proponente.”
O dispositivo exige que, ao propor a contratação de seguro sobre a vida de 
terceiro, o proponente declare o seu interesse segurável. Nesse caso, o inte-
resse, além de legítimo, deve ser econômico. A seguradora pode não se con-
tentar com a mera declaração, exigindo a comprovação do interesse alegado.
Tal interesse estará presente, por exemplo, quando ficar comprovada a 
existência de dependência econômica do proponente em relação ao 
segurado, bem como quando for demonstrada a existência de obrigação 
pecuniária do segurado com o proponente.
O parágrafo único cria uma exceção à necessidade de declaração e com-
provação do interesse, pois presume a existência dele quando o propo-
nente é uma das pessoas mencionadas no trecho em questão: cônjuge, 
ascendente ou descendente do segurado. Em tais hipóteses, como há pre-
sunção de que o interesse exista, não cabe discutir se ele teria conteúdo 
econômico, além do afetivo.
Cabe notar que a presunção mencionada no parágrafo único é relativa, ou 
seja, admite “prova em contrário”.
7 As causas que impedem a 
união estável estão mencionadas 
no art. 1.521 do Código Civil: 
“Art. 1.521. Não podem casar: 
I – os ascendentes com os 
descendentes, seja o parentesco 
natural ou civil; II – os afins em 
linha reta; III – o adotante com 
quem foi cônjuge do adotado 
e o adotado com quem o foi 
do adotante; IV – os irmãos, 
unilaterais ou bilaterais, e demais 
colaterais, até o terceiro grau 
inclusive; V – o adotado com 
o filho do adotante; VI – as 
pessoas casadas; VII – o cônjuge 
sobrevivente com o condenado 
por homicídio ou tentativa de 
homicídio contra o seu consorte.”
UNIDADE 3
62DIREITO DO SEGURO
O parágrafo único não cita o(a) companheiro(a), mas tal dispositivo se apli-
ca a ele(a) também.
 — Indicação e Substituição 
do Beneficiário
Em relação à substituição do beneficiário, a regra determina que o segurado 
pode, durante a vigência do contrato, alterar a cláusula beneficiária estabele-
cida quando da contratação. No entanto, essa regra comporta duas exceções. 
Tanto a regra quanto as exceções estão previstas no art. 791 do CódigoCivil:
“Art. 791. Se o segurado não renunciar à faculdade, ou se o segu-
ro não tiver como causa declarada a garantia de alguma obriga-
ção, é lícita a substituição do beneficiário, por ato entre vivos ou 
de última vontade.
Parágrafo único. O segurador, que não for cientificado oportuna-
mente da substituição, desobrigar-se-á pagando o capital segura-
do ao antigo beneficiário.”
Dessa forma, não existindo circunstância legal que o impeça, pode o segu-
rado, por ato intervivos (endosso) ou de última vontade (testamento), subs-
tituir o beneficiário do contrato de seguro. Exemplo: ex-cônjuge pelo(a) 
atual companheiro(a).
Há casos em que o Seguro de Pessoas é instituído para garantir uma obri-
gação assumida pelo segurado perante terceiro (ex.: Seguro Prestamista). 
Nessa hipótese, em razão da própria função social e econômica do seguro, 
a cláusula beneficiária não poderá ser alterada pelo segurado.
Há outras situações em que o Seguro de Pessoas é instituído com a finali-
dade de evitar que a morte ou a invalidez do segurado possa, por exemplo, 
levar à ruína um negócio (ex.: Seguro de Sucessão Empresarial).
Nesse caso, o beneficiário é a pessoa jurídica que poderá, com a morte ou 
invalidez do segurado, sofrer perdas financeiras. Em tal situação, o segura-
do deve renunciar ao direito de substituir o beneficiário indicado, pois, do 
contrário, a função social e econômica do contrato será frustrada.
A renúncia (que precisa ser expressa) deve ser formalizada por meio de 
instrumento à parte do contrato de seguro, datado e assinado pelo segura-
do. Se ela for objeto de cláusula constante do contrato e se este possuir a 
característica da adesão, o segurado poderá, posteriormente, alegar que a 
renúncia lhe foi imposta, de modo a invalidá-la.
UNIDADE 3
63DIREITO DO SEGURO
 — Efeitos da Não Indicação de 
Beneficiário ou da Invalidade (Parcial 
ou Total) da Cláusula Beneficiária
O art. 792 do Código Civil aponta a solução para os casos em que o segu-
rado deixa em branco a cláusula beneficiária, bem como para as hipóteses 
em que a indicação do beneficiário não pode ser considerada válida:
Saiba mais
O art. 1.790 do Código Civil estabelece as condições para que o(a) companheiro(a) 
participe da sucessão:
Art. 1.790. A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos 
bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável, nas condições seguintes:
I – se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei 
for atribuída ao filho;
II – se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do 
que couber a cada um daqueles;
III – se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança; 
IV – não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança.
Art. 792. Na falta de indicação da pessoa ou beneficiário, ou se 
por qualquer motivo não prevalecer a que for feita, o capital segu-
rado será pago por metade ao cônjuge não separado judicialmen-
te, e o restante aos herdeiros do segurado, obedecida a ordem da 
vocação hereditária.
Parágrafo único. Na falta das pessoas indicadas neste artigo, 
serão beneficiários os que provarem que a morte do segurado os 
privou dos meios necessários à subsistência.
A situação que cria maior dificuldade é a da cláusula beneficiária que no 
momento da regulação e pagamento do capital segurado revela-se inválida. 
Exemplo disso é quando a beneficiária nomeada é concubina do segurado.
Se nenhum beneficiário foi indicado, ou se a indicação for considerada 
inválida, o pagamento do capital segurado será feito na forma do artigo.
De acordo com o dispositivo, metade do capital deve ser pago ao cônjuge 
não separado judicialmente. Todavia, deve ser admitido o pagamento a 
companheiro(a) de união heterossexual ou homossexual pelos motivos já 
mencionados.
UNIDADE 3
64DIREITO DO SEGURO
No tocante à outra metade do capital segurado, é preciso verificar que a 
regra da sucessão hereditária mudou e que o Código Civil vigente incluiu 
o cônjuge sobrevivente como herdeiro legal nas condições estabelecidas 
no art. 1.829.
Assim, dependendo do regime de bens do casamento, o cônjuge pode 
vir a participar, com os demais herdeiros, da divisão dessa parte do capital 
segurado. O(A) companheiro(a) também pode vir a participar da divisão 
dessa outra metade nas hipóteses do art. 1.790 do Código Civil.
Fique por dentro
O texto do art. 1.829 do Código Civil, que trata da ordem da vocação hereditária, é o 
seguinte:
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
I – aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado 
este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória 
de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da 
herança não houver deixado bens particulares;
II – aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
III – ao cônjuge sobrevivente; 
IV – aos colaterais.
É importante reiterar que seguro não constitui herança (conforme art. 794 
do Código Civil) e que o art. 792 apenas se utiliza da ordem da vocação 
hereditária como um critério para dividir metade do capital segurado.
 — Transação para Pagamento 
Reduzido do Capital Segurado
O art. 795 do Código Civil veda qualquer transação, entre seguradora e 
segurado ou beneficiário, para pagamento reduzido do capital, sob pena 
de nulidade:
“Art. 795. É nula, no seguro de pessoa, qualquer transação para 
pagamento reduzido do capital segurado.”
Portanto, se o segurado falece em razão de doença e se a seguradora 
e o beneficiário fizerem acordo pelo qual a primeira pague ao segundo 
quantia inferior ao valor original do capital segurado previsto para o risco 
de morte natural, tal transação é nula.
UNIDADE 3
65DIREITO DO SEGURO
É importante mencionar que há casos em que, em face da própria nature-
za da cobertura e do risco ocorrido, o segurado fará jus ao recebimento 
de um percentual do capital segurado. É o que ocorre, por exemplo, no 
caso de invalidez parcial e permanente por acidente, em que o segura-
do é submetido a uma avaliação médica que determinará seu percentual 
de incapacidade e terá direito a receber da seguradora capital segurado 
proporcional a ele. Não há, aí, qualquer nulidade. Ela somente existirá se a 
seguradora oferecer, e o segurado aceitar, o pagamento de quantia inferior 
à apurada como sendo devida.
 — Suicídio
O suicídio do segurado é tratado no art. 798:
“Art. 798. O beneficiário não tem direito ao capital estipulado 
quando o segurado se suicida nos primeiros dois anos de vigên-
cia inicial do contrato, ou da sua recondução depois de suspenso, 
observado o disposto no parágrafo único do artigo antecedente.
Parágrafo único. Ressalvada a hipótese prevista neste artigo, é 
nula a cláusula contratual que exclui o pagamento do capital por 
suicídio do segurado.”
De acordo com o dispositivo, o suicídio não estará coberto se ocorrer nos 
dois primeiros anos de vigência do contrato.
Também de acordo com o dispositivo, se a cobertura for suspensa por 
inadimplência, mas os prêmios em atraso forem quitados ainda no prazo 
de suspensão, reabilitando a cobertura, deve-se contar novamente o prazo 
de dois anos, assim o suicídio não estará coberto se ocorrer nesse período.
 — Vedação à Exclusão de Certos Riscos
O art. 799 do Código Civil veda a inclusão, no contrato de seguro, de cláu-
sula que exclua a cobertura de risco decorrente da utilização de meio de 
transporte mais arriscado, da prestação de serviço militar, da prática de 
esporte ou de atos de humanidade em auxílio de terceiro:
Art. 799. O segurador não pode eximir-se ao pagamento do 
seguro, ainda que da apólice conste a restrição, se a morte ou a 
incapacidade do segurado provier da utilização de meio de trans-
porte mais arriscado, da prestação de serviço militar, da prática 
de esporte, ou de atos de humanidade emauxílio de outrem.
Nada impede, contudo, que, por questão de política comercial, a segu-
radora se recuse a aceitar esses riscos ou preveja um prêmio maior para 
 cobri-los, como no caso da prática de esportes perigosos. Para isso, é 
UNIDADE 3
66DIREITO DO SEGURO
necessário que o questionário de avaliação de risco que acompanha a 
proposta formule perguntas que permitam à seguradora identificar a pos-
sibilidade desses riscos se verificarem.
Caso o segurado, no momento da contratação do seguro, não esteja sujei-
to a um desses riscos, mas essa situação se altere no curso do contrato de 
seguro, ele deverá comunicar o fato à seguradora para que esta, conforme 
as circunstâncias, calcule e cobre a diferença de prêmio.
 — Sub-Rogação
O art. 800 do Código Civil veda a sub-rogação da seguradora nos Seguros 
de Pessoas.
Art. 800. Nos seguros de pessoas, o segurador não pode sub-ro-
gar-se nos direitos e ações do segurado, ou do beneficiário, contra 
o causador do sinistro.
Portanto, pago o capital segurado, conforme o caso, ao segurado ou ao 
beneficiário, a seguradora não se sub-roga no valor respectivo. Por causa 
disso, se o sinistro tiver sido causado por culpa ou dolo de terceiro, a segu-
radora não poderá exigir deste o ressarcimento do quanto pagou.
O motivo para essa proibição é simples. Quando o sinistro sofrido pelo segu-
rado for causado culposa ou dolosamente por um terceiro, haverá para o 
próprio segurado, se sobreviver, ou para seus herdeiros, se o segurado fale-
cer, pretensão de reparação de danos contra o terceiro. Se a lei admitisse a 
sub-rogação da seguradora nos Seguros de Pessoas, o valor do capital pago 
por ela teria que ser, obrigatoriamente, abatido do valor da condenação 
eventualmente imposta ao terceiro na ação de reparação de dano movida 
pelo segurado ou pelos herdeiros dele. Daí resultaria um anacronismo, pois 
o capital segurado, que tem natureza compensatória, estaria sendo abatido 
de uma indenização fixada judicialmente e de típica natureza indenizatória.
Além disso, a vedação permite que a reparação civil do segurado ou dos her-
deiros dele contra o terceiro, causador do dano, seja a mais ampla possível.
 — Seguro Coletivo
O art. 801 do Código Civil autoriza que o Seguro de Pessoas seja estipulado 
por pessoa física ou jurídica que mantenha vínculo com o grupo em provei-
to do qual o seguro é contratado:
“Art. 801. O seguro de pessoas pode ser estipulado por pessoa 
natural ou jurídica em proveito de grupo que a ela, de qualquer 
modo, se vincule.
UNIDADE 3
67DIREITO DO SEGURO
§ 1º O estipulante não representa o segurador perante o grupo 
segurado, e é o único responsável, para com o segurador, pelo 
cumprimento de todas as obrigações contratuais.
§ 2º A modificação da apólice em vigor dependerá da anuência 
expressa de segurados que representem três quartos do grupo.”
O estipulante é o responsável pelo cumprimento de todas as obrigações 
contratuais assumidas com a seguradora, inclusive pela arrecadação e 
pagamento dos prêmios de seguro.
O § 1º deixa claro que o estipulante não é representante da seguradora. 
No caso, uma melhor redação do dispositivo seria se o mesmo tivesse, 
objetivamente, afirmado que o estipulante representa o grupo segurado.
O § 2º dispõe que a modificação da apólice em vigor dependerá da con-
cordância expressa de segurados que representem ¾ (três quartos) do 
grupo, o que constitui um grande complicador do ponto de vista prático, 
pela dificuldade de implementação.
Entretanto, vale ressaltar que não é qualquer modificação da apólice que 
precisará ser submetida a essa aprovação, mas apenas aquelas que pos-
sam prejudicar os interesses do grupo segurado.
 — A Exceção Contida no Artigo 
802 do Código Civil
Há determinados seguros e coberturas que, aparentemente, podem ser 
tidos como Seguros de Pessoas, mas que, na realidade, são típicos Segu-
ros de Danos. O Seguro-Saúde e a cobertura de Assistência Funerária são 
exemplos disso.
Para que não haja dúvida a esse respeito, o art. 802 do Código Civil dei-
xa claro que os arts. 789 a 801 do mesmo código (Seção III do Capítulo 
do Seguro no Código Civil) não se aplicam às garantias de reembolso de 
despesas hospitalares ou de tratamento médico, nem de custeio das des-
pesas de luto e de funeral do segurado:
Art. 802. Não se compreende nas disposições desta Seção a 
garantia do reembolso de despesas hospitalares ou de trata-
mento médico, nem o custeio das despesas de luto e de funeral 
do segurado.
UNIDADE 3
68DIREITO DO SEGURO
 PRESCRIÇÃO 
Para entendermos o conceito de prescrição, primeiro precisamos estudar 
o conceito de pretensão.
A pretensão é o poder de, pelas vias judiciais, exigir de alguém uma deter-
minada prestação, positiva ou negativa.
Quando um direito subjetivo é violado, o titular desse direito passa a ter 
uma pretensão contra aquele que cometeu a violação.
Essa pretensão deve ser exercida dentro de um prazo específico, previsto em lei.
A prescrição é o fenômeno que extingue a pretensão: passado o prazo 
fixado pela lei sem que a pretensão seja exercida, esta é extinta. Por isso, 
essa prescrição é chamada de extintiva (porque extingue a pretensão do 
titular de um direito).
Tudo isso está previsto no art. 189 do Código Civil:
Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se 
extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206.
Em suma, a prescrição consiste na extinção, pelo decurso de determinado 
prazo previsto em lei, da pretensão do titular de um direito subjetivo que 
foi violado.
Assim, o corretor de seguros deve estar atento ao estudo dos prazos pres-
cricionais a fim de orientar o segurado no sentido de que, no caso de recu-
sa do pagamento da indenização por parte da seguradora, esse é o prazo 
limite durante o qual o segurado pode pleitear judicialmente os direitos 
que entende possuir.
Estudaremos, a seguir, os prazos prescricionais nos quais o segurado e o bene-
ficiário para exigir o cumprimento do contrato de seguro pela seguradora.
 — Prescrição do Segurado Contra 
a Seguradora no Seguro de 
Responsabilidade Civil
De acordo com o art. 206, § 1º, inciso II, do Código Civil, o prazo prescricio-
nal a que se sujeita o segurado para exigir da seguradora o cumprimento 
do contrato de seguro é de um ano.
Precisamente nos Seguros de Responsabilidade Civil, esse prazo pode ser 
contado de duas formas diferentes. Ambas estão previstas na alínea “a” 
do dispositivo:
UNIDADE 3
69DIREITO DO SEGURO
“Art. 206. Prescreve:
§ 1º Em um ano: [...]
II – a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra 
aquele, contado o prazo:
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, 
da data em que é citado para responder à ação de indenização 
proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, 
com a anuência do segurador;” (n.g.)
A leitura da alínea “a” permite identificar claramente duas hipóteses:
 ■ A primeira é a do segurado que é citado para responder a uma 
ação de responsabilidade civil movida pela vítima do dano; caso 
em que o prazo de um ano para que o segurado exerça a sua pre-
tensão de reembolso em face da seguradora tem início na data 
em que o segurado é citado para a ação movida pela vítima; e
Aplicação prática do prazo prescricional no 
Seguro de Responsabilidade Civil
Exemplo: na vigência de um Seguro de Automóvel, mais precisamente em 04/08/2018, o 
segurado provocou um acidente que causou lesões físicas ao motorista do outro veículo. A 
vítima promoveu ação de reparação de danos em face do segurado. A vítima e o segurado 
fizeram um acordo nesse processo judicial em 07/10/2018 e o valor ajustado no acordo foi 
pago pelo segurado à vítima em 10/10/2018. A prescrição da pretensão do segurado, de 
reembolso do quanto pagou, que é de um ano, teve início na data do pagamento feito à 
vítima (10/10/2018).
 ■ A segunda é a do segurado que efetua pagamentoà vítima do 
dano a título de indenização, caso em que o prazo de um ano para 
que o segurado exerça a sua pretensão de reembolso em face da 
seguradora tem início na data do mencionado pagamento.
O fato é que o Superior Tribunal de Justiça tem entendido que, tanto em 
um caso quanto no outro, o prazo prescricional do segurado em face da 
seguradora terá início somente na data do pagamento feito à vítima.
Para aquele tribunal, quando o segurado for citado para responder a uma 
ação de responsabilidade civil movida pela vítima, e quando ele for reque-
rer a citação da seguradora para participar da demanda, o prazo de um 
ano para que ele, segurado, exerça, em face da seguradora, a sua preten-
são de reembolso somente terá início na data em que pagar a indeniza-
ção à vítima.8
8 Como exemplo disso, 
deve ser citado o seguinte 
precedente: BRASIL. Superior 
Tribunal de Justiça. Agravo 
Regimental nos Embargos de 
Declaração no Recurso Especial 
nº 1413595/RS. Relator: Ministro 
Ricardo Villas Boas Cueva. 
Brasília, 20 de maio de 2016. 
Disponível em: www.stj.jus.br. 
Acesso em: 04 out. 2016.
http://www.stj.jus.br/
UNIDADE 3
70DIREITO DO SEGURO
 — Prescrição do Segurado Contra a 
Seguradora nos Demais Seguros
Nos demais seguros, o mesmo art. 206, § 1º, inciso II, estabelece, na alí-
nea “b”, que a contagem do prazo de um ano seja, nos demais seguros, a 
partir da ciência do fato gerador da pretensão:
“Art. 206. Prescreve:
§ 1º Em um ano: [...]
II – a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra 
aquele, contado o prazo:
[...]
b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da 
pretensão;”
A ciência do fato gerador da pretensão pode variar, dependendo das cir-
cunstâncias.
No caso do Seguro de Pessoas, quando a cobertura pretendida pelo segu-
rado for a de Invalidez, seja por doença, seja por acidente, aplica-se a 
Súmula nº 278 do Superior Tribunal de Justiça:
“Súmula 278. O termo inicial do prazo prescricional, na ação de 
indenização, é a data em que o segurado teve ciência inequívoca 
da incapacidade laboral.”
De acordo com julgados do Superior Tribunal de Justiça, a ciência inequí-
voca da invalidez pelo segurado, não importando se por doença ou por aci-
dente, é a data da concessão da aposentadoria pelo órgão de Previdência.9
Nos demais casos, a ciência do fato gerador da pretensão é a data em que 
o segurado tem conhecimento do sinistro.
Aplicação prática do prazo prescricional da 
pretensão do segurado em face da seguradora
Exemplo 1: na vigência de um Seguro de Automóvel, o segurado e seu veículo se envol-
vem em uma colisão, precisamente em 04/03/2018. A prescrição da pretensão do segu-
rado, que é de um ano, teve início na data da ciência do fato gerador da pretensão, que é 
04/03/2018.
Exemplo 2: na vigência de um Seguro de Vida e Acidentes com cobertura para invalidez 
por doença, o segurado recebe de seu médico assistente, em 05/07/2018, a notícia de 
diagnóstico de uma doença que acarreta sua invalidez total e permanente. Entretanto, 
somente em 08/08/2018, o órgão de previdência oficial lhe concedeu aposentadoria por 
invalidez. A prescrição da pretensão do segurado, em face da seguradora, que é de um 
ano, começou a correr em 08/08/2018.
9 A título de exemplo, deve ser 
citado o seguinte julgado: BRASIL. 
Superior Tribunal de Justiça. 
Agravo Regimental no Agravo 
de Instrumento nº 1158070/BA. 
Relator: Ministra Maria Isabel 
Gallotti. Brasília, 13 de agosto de 
2015. Disponível em: www.stj.jus.br. 
Acesso em: 04 out. 2016.
http://www.stj.jus.br/
UNIDADE 3
71DIREITO DO SEGURO
 — Prescrição do Segurado em Grupo
Nos Seguros Coletivos ou em grupo, é importante mencionar que o prazo 
prescricional do segurado, em face da seguradora, é, igualmente, de um 
ano, já que o art. 206, § 1º, inciso II, alínea “b”, do Código Civil não faz dis-
tinção entre os seguros individuais e coletivos.
Além disso, o STJ editou a Súmula 101, com o seguinte teor:
Súmula 101. A ação de indenização do segurado em grupo contra 
a seguradora prescreve em um ano.
 — Prescrição do Beneficiário
Na vigência do Código Civil de 1916, o prazo prescricional de que o beneficiá-
rio dispunha para exercer, em face da seguradora, a sua pretensão de rece-
bimento do capital segurado era de 20 anos (art. 177 do Código Civil de 1916).
Esse prazo foi reduzido pelo Código Civil atual, que entrou em vigor em 11 
de janeiro de 2003.
De acordo com o art. 206, § 3º, inciso IX, do Código Civil, a pretensão do 
beneficiário em face da seguradora prescreve em três anos:10
“Art. 206. Prescreve:
§ 3º Em três anos: [...]
IX – a pretensão do beneficiário contra o segurador, e a do ter-
ceiro prejudicado, no caso de seguro de responsabilidade civil 
obrigatório.”
Aplicação prática do prazo prescricional da pretensão do beneficiário
Exemplo: em um Seguro de Vida, o segurado faleceu em 02/02/2018 e o beneficiário 
teve conhecimento do óbito no mesmo dia. A prescrição da pretensão do beneficiário, 
em face da seguradora, que no Código Civil vigente é de três anos, começou a correr em 
02/02/2018.
10 Apesar de a literalidade da lei 
não deixar dúvida de que o prazo 
do beneficiário para propor ação em 
face da seguradora é de três anos, 
vale mencionar que dois recentes 
julgados do Superior Tribunal de 
Justiça decidiram que esse prazo 
seria maior, mais precisamente de 
dez anos (art. 205 do Código Civil). 
Neste sentido, há precedentes 
no STJ, como, por exemplo, este: 
BRASIL. Superior Tribunal de 
Justiça. Agravo Regimental no 
Agravo em Recurso Especial nº 
266841/RO. Relator: Ministro Raul 
Araujo. Brasília, 03 de agosto de 
2015. Disponível em: www.stj.jus.br. 
Acesso em: 04 out. 2016.
http://www.stj.jus.br/
UNIDADE 3
72DIREITO DO SEGURO
 — Prescrição do Terceiro Contra 
a Seguradora no Seguro de 
Responsabilidade Civil Obrigatório
A pretensão de terceiro contra a seguradora também é regulada pelo art. 206, 
§ 3º, inciso IX do Código Civil, que você aprendeu na seção anterior, pres-
crevendo em igual prazo de três anos.
O Superior Tribunal de Justiça tem observado, criteriosamente, esse prazo 
no julgamento das demandas envolvendo Seguro Obrigatório de Respon-
sabilidade Civil, como as ações envolvendo o Seguro DPVAT.11 
Recentemente, aquela corte editou a Súmula 405, confirmando esse prazo:
“Súmula 405. A ação de cobrança do seguro obrigatório (DPVAT) 
prescreve em três anos.”
 — Aviso de Sinistro como Causa 
Suspensiva da Prescrição
Há várias causas que impedem, suspendem ou interrompem o prazo pres-
cricional. Elas estão previstas nos arts. 197, 198, 199 e 202 do Código Civil.
Para os objetivos pretendidos por este estudo, importa, de forma particular, 
uma das causas suspensivas do prazo prescricional: o aviso de sinistro.
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimen-
to de que o aviso de sinistro é uma causa (ou condição) suspensiva do 
prazo prescricional (art. 199, I, do Código Civil).
Assim, o aviso de sinistro suspende o prazo prescricional até que a segura-
dora informe se vai, ou não, pagar a indenização ou capital segurado. Por 
isso, esse tribunal editou a Súmula 229:
Súmula 229. O pedido de pagamento de indenização à Segura-
dora suspende o prazo de prescrição até que o Segurado tenha 
ciência da decisão.
É importante mencionar que, embora a súmula se refira apenas ao segura-
do, ela também se aplica ao beneficiário.
Portanto, a prescrição tem início na ciência do fato gerador da pretensão, é 
suspensa pelo pedido de pagamento de indenização/capital à seguradora 
(aviso de sinistro) e volta a correr na data em que o segurado ou beneficiá-
rio é comunicado da decisão da seguradora.12
11 A título exemplificativo, pode 
ser citado o seguinte julgado: 
BRASIL. Superior Tribunal de 
Justiça. Agravo Regimental no 
Recurso Especial nº 1322977/
SP. Relator: João Otávio de 
Noronha, 12 de agosto de 2015. 
Disponívelem: www.stj.jus.br. 
Acesso em: 04 out. 2016.
12 A Súmula 229 do STJ é 
constantemente aplicada nas 
decisões judiciais, inclusive 
daquela própria corte. Exemplo 
disso é o seguinte julgado: 
BRASIL. Superior Tribunal de 
Justiça. Agravo Regimental no 
Recurso Especial nº 1536431/MG. 
Relator: Ministro Moura Ribeiro. 
Brasília, 28 de agosto de 2015. 
Disponível em: www.stj.jus.br. 
Acesso em: 04 out. 2016.
http://www.stj.jus.br/
http://www.stj.jus.br/
UNIDADE 3
73DIREITO DO SEGURO
Desse modo, não há fluência de prazo entre a data do aviso de sinistro e 
a data da resposta da seguradora. Além disso, o prazo decorrido entre a 
ciência do fato gerador da pretensão e o aviso de sinistro deve ser consi-
derado para efeito de contagem (não pode ser descartado).
Aplicação prática de como o Aviso de Sinistro Suspende a Prescrição
Exemplo: na vigência de um Seguro de Automóvel, precisamente em 05 de maio de 2018, o 
segurado e seu veículo se envolvem em uma colisão. A prescrição da pretensão do segurado, 
em face da seguradora, teve início nessa mesma data. O aviso de sinistro foi feito em 05 de 
junho de 2018, suspendendo a fluência da prescrição. O segurado foi informado da recusa em 
05 de julho de 2018, data em que a prescrição voltou a correr. Entre a ciência do fato gerador 
da pretensão (05 de maio de 2018) e o aviso de sinistro (05 de junho de 2018), decorreu um 
mês. Assim, a partir da recusa da seguradora, o segurado terá 11 meses para ajuizar a ação de 
cobrança em face da primeira.
FIXANDO CONCEITOS
74DIREITO DO SEGURO
 FIXANDO CONCEITOS 3 
Marque a alternativa correta
1. Se, avisada pelo segurado sobre o agravamento, a seguradora decidir 
cancelar o contrato de seguro, a garantia:
(a) Estará automaticamente terminada.
(b) Vigerá por mais 30 dias, contados da notificação ao segurado.
(c) Vigerá por mais 15 dias, contados da notificação ao segurado.
(d) Será suspensa até que o segurado se manifeste.
(e) Será suspensa até que o segurado pague a diferença de prêmio.
2. Analise se as proposições são verdadeiras ou falsas e depois marque a 
alternativa correta:
( ) O contrato de seguro nunca pode ser renovado automaticamente.
( ) A mora do segurado só fica caracterizada se ele for notificado pela 
seguradora.
( ) O risco decorrente de ato doloso do segurado torna nulo o contrato 
de seguro.
( ) A ação de indenização do segurado em grupo contra a seguradora 
prescreve em cinco anos.
(a) V, F, V, F.
(b) V, V, F, F.
(c) F, V, F, V.
(d) F, V, V, F.
(e) V, V, V, V.
Marque a alternativa correta
3. Podemos afirmar que, nos Seguros de Pessoas, é válida a instituição do 
companheiro como beneficiário se, na data da contratação:
(a) O segurado também for beneficiário de um seguro instituído pelo 
companheiro.
(b) O companheiro não tiver filhos.
(c) O segurado for solteiro, viúvo, divorciado ou estiver separado de 
fato ou judicialmente.
(d) O companheiro figurar como dependente do segurado na Previdên-
cia Social.
(e) O companheiro for maior de idade.
FIXANDO CONCEITOS
75DIREITO DO SEGURO
4. No seguro instituído pelo proponente sobre a vida de terceiro, é correto 
afirmar que:
(a) Somente será beneficiário o filho mais velho.
(b) O proponente não poderá ser casado ou ter companheiro.
(c) O proponente precisa declarar, em qualquer caso, o interesse segu-
rável.
(d) O proponente não precisa declarar o interesse segurável se for 
cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente do segurado.
(e) A Cláusula beneficiária jamais poderá ser alterada.
5. Em relação ao agravamento do risco no contrato de seguro, é correto 
afirmar que:
(a) O prazo para o segurado comunicar à seguradora um fato que agra-
vou o risco é de 60 dias.
(b) Independentemente do agravamento do risco, o segurado sempre 
terá direito à indenização.
(c) A seguradora não precisa ser avisada sobre um incidente que agra-
ve o risco.
(d) O segurado perderá o direito à garantia se agravar intencionalmen-
te o risco objeto do contrato.
(e) A garantia jamais será afetada pela ocorrência do agravamento do 
risco se o segurado estiver em dia com o pagamento do prêmio.
6. É correto afirmar que o pagamento com sub-rogação significa:
(a) A isenção de responsabilidade da seguradora em indenizar.
(b) O dever do beneficiário de repassar à seguradora os valores rece-
bidos de terceiros.
(c) A obrigatoriedade da seguradora de indenizar terceiros.
(d) A substituição de um credor por outro. 
(e) O dever do segurado de indenizar eventuais vítimas de sinistros.
FIXANDO CONCEITOS
76DIREITO DO SEGURO
Analise se as proposições são verdadeiras ou falsas e depois marque 
a alternativa correta:
7. Logo após contratar uma apólice de seguro de vida, um segurado briga com 
sua namorada e comete suicídio. Sobre o ocorrido, podemos afirmar que:
( ) A seguradora deverá cobrir o ocorrido, uma vez que a apólice estava 
contratada, não importando o tempo de sua vigência.
( ) Haveria cobertura se o sinistro ocorresse depois de passados dois 
anos da contratação da apólice.
( ) No Brasil, é possível contratar um seguro sobre a vida de terceiros.
( ) A sub-rogação nos seguros de pessoas é plenamente possível.
a) VVVV 
b) FFFF
c) VFFF
d) FFVV
e) FVVF
DIREITO DO SEGURO 77
UNIDADE 404
O CÓDIGO 
DE DEFESA
 ■ Compreender os principais 
dispositivos do Código de 
Defesa do Consumidor, 
considerando os contratos 
de seguro.
Após ler esta 
unidade, você deverá 
ser capaz de:
⊲ ORIGEM E OBJETIVOS
⊲ CONCEITO DE CONSUMIDOR
⊲ ENQUADRAMENTO DA ATIVIDADE 
SECURITÁRIA COMO SERVIÇO
⊲ VULNERABILIDADE E 
HIPOSSUFICIÊNCIA 
DO CONSUMIDOR
⊲ DIREITOS BÁSICOS DO 
CONSUMIDOR
⊲ GARANTIA DE 
COGNOSCIBILIDADE
⊲ RESPONSABILIDADE OBJETIVA 
DO FORNECEDOR PELO 
FATO DO SERVIÇO
⊲ RESPONSABILIDADE SUBJETIVA 
DO PRESTADOR DE SERVIÇO 
PROFISSIONAL LIBERAL
⊲ PRESCRIÇÃO PARA A AÇÃO DE 
RESPONSABILIDADE CIVIL 
PELO FATO DO SERVIÇO
⊲ DESCONSIDERAÇÃO DA 
PERSONALIDADE JURÍDICA
⊲ OFERTA
⊲ RECUSA DO FORNECEDOR EM 
CUMPRIR A OFERTA
⊲ SOLIDARIEDADE
⊲ PRÁTICAS ABUSIVAS
⊲ COBRANÇA DE DÍVIDA JÁ PAGA
⊲ CLÁUSULAS ABUSIVAS
⊲ CONTRATO DE ADESÃO
⊲ FIXANDO CONCEITOS 4
TÓPICOS 
DESTA UNIDADE
do CONSUMIDOR
UNIDADE 4
78DIREITO DO SEGURO
 ORIGEM E OBJETIVOS 
Vamos começar esta unidade tratando da finalidade do Código de Defe-
sa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), também conhecido como CDC. 
Ele contém normas de ordem pública e de interesse social que têm por 
objetivo atender às necessidades dos consumidores brasileiros, respei-
tando sua dignidade, sua saúde e sua segurança, protegendo seus inte-
resses econômicos, melhorando sua qualidade de vida e promovendo a 
transparência e a harmonia nas relações de consumo. Além disso, o CDC 
prestigia os critérios da vulnerabilidade e da hipossuficiência do consu-
midor.
O CDC foi editado conforme a ótica constitucional e também por força do 
art. 48 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, para imple-
mentar a Política Nacional das Relações de Consumo, prevista nos arts. 
5º, XXXII, e 170, V, da CRFB/1988.
 CONCEITO DE CONSUMIDOR 
Primeiramente, precisamos entender o conceito de consumidor. O art. 2º 
do Código de Defesa do Consumidor prevê que “consumidor é toda pes-
soa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como des-
tinatário final”.
No entanto, além do consumidor padrão, a lei define ainda três outros tipos 
de consumidores, denominados consumidores por equiparação.
O primeiro tipo de consumidor por equiparação é a coletividade de pes-
soas, ainda que indetermináveis, que tenha participado de relações de 
consumo (CDC, art. 2º, parágrafo único). O Objetivo desta equiparação é 
permitir a defesa geral, ou em bloco, de toda uma classe de consumidores, 
inclusive os não identificados.
O art. 2º, parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor comple-
ta-se com o art. 81, que trata dos interesses difusos, coletivos e individuais 
homogêneos, que podemAS RESPONSABILIDADES DO CORRETOR DE SEGUROS 166
A RESPONSABILIDADE DO CORRETOR DE SEGUROS 
E O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR (CDC) 169
A RESPONSABILIDADE PENAL E O CÓDIGO PENAL 171
A RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA OU PROFISSIONAL 172
A AUTORREGULAÇÃO DO MERCADO DE CORRETAGEM 
(LEI COMPLEMENTAR Nº 137/2010) 179
O INSTITUTO BRASILEIRO DE AUTORREGULAÇÃO DO MERCADO 
DE CORRETAGEM DE SEGUROS, DE RESSEGUROS, DE CAPITALIZAÇÃO 
E DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA – IBRACOR 180
FIXANDO CONCEITOS 6 182
 ESTUDO DE CASO 184 
 GABARITO 185 
Direito do seguro 185
Legislação do seguro 187
 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 188 
Direito do seguro 188
Legislação do seguro 190
DIREITO E LEGISLAÇÃO DO SEGURO
UNIDADE 
DIREITO DO SEGURO 11
UNIDADE 101DIREITO 
e o SEGURO 
no BRASIL: 
NOÇÕES
 ■ Conhecer as principais 
normas jurídicas que 
servem de base para 
nortear os contratos de 
seguro, considerando as 
diferenças entre o direito 
objetivo e subjetivo.
 ■ Compreender as principais 
fontes do direito que fazem 
parte do ordenamento 
jurídico, considerando 
as diferenças entre lei, 
costumes, doutrina e 
jurisprudência. 
Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de:
 ■ Compreender a 
relevância das normas 
infraconstitucionais, 
considerando a aplicação 
ao mercado de seguros.
⊲ INTRODUÇÃO
⊲ BREVES NOÇÕES 
SOBRE O DIREITO
⊲ FIXANDO CONCEITOS 1
TÓPICOS 
DESTA UNIDADE
UNIDADE 1
12DIREITO DO SEGURO
 INTRODUÇÃO 
Uma das questões dentre as várias que são feitas por estudantes tem a ver 
com a importância do estudo do Direito.
Antes de começarmos, tente responder: qual a importância do direito na 
atividade profissional?
A resposta para essa questão é simples: a importância do direito é trazer 
ordem, certeza, paz, segurança e justiça, que são finalidades do direito, 
não se podendo confundir com o próprio direito, já que não se pode con-
fundir o objeto com a sua finalidade.
Portanto, o direito é um instrumento que existe para evitar conflitos e, não 
sendo possível evitá-los, existe também para solucioná-los. Daí diz-se que 
a função precípua do direito é trazer segurança jurídica, tendo como fim 
concretizar a justiça, isto é, o que é justo.
O direito é uma das peças fundamentais para os profissionais e para a comu-
nidade, pois é por meio dessa fonte que se tem a base das informações, 
dos conceitos, das normas e das regras que norteiam a vida em sociedade.
É preciso nos conscientizarmos da importância do seguro para a socie-
dade e para o cidadão, compreendermos o real e concreto alcance do 
contrato de seguro e buscarmos as informações relevantes para cada tipo 
contratual, firme no propósito de bem utilizarmos esse importante instru-
mento de desenvolvimento econômico e social, com o objetivo de nos pro-
tegermos contra os infortúnios próprios da vida em sociedade.
Porém, você pode estar se perguntando: o que isso tem a ver com o pro-
fissional da área de seguros?
A resposta é: tem tudo a ver!
UNIDADE 1
13DIREITO DO SEGURO
Muitas vezes, o profissional da área de seguros não sabe como agir quan-
do se depara com alguma questão jurídica em seu dia a dia. Isso pode 
gerar um grande impacto, por vezes desastroso, para ele próprio e para 
quem está ao seu redor.
O profissional de seguros não pode alegar que não cumpriu uma norma por-
que não é conhecedor de uma lei particular. Ao contrário, é fundamental que 
os profissionais estejam atentos a todas as normas e regras, além de suas 
atualizações, para fazer um trabalho ético e a contento para os seus clientes.
O dever de gerir os contratos intermediados pelo corretor está expres-
samente destacado pelas normas legais, de forma que os corretores de 
seguros devem, mais que nunca, administrar o andamento e o cumprimen-
to do contrato, seja pelo lado de seus clientes-segurados ou pela segura-
dora garantidora do contrato, uma vez que deixam de atuar como meros 
intermediários para assumirem a função de gerente contratual.
O corretor deve, a partir de então, esclarecer e comunicar ao seu cliente de 
toda e qualquer ocorrência oriunda das obrigações contratuais, sob pena 
de ser responsabilizado civil e profissionalmente por falha na prestação do 
serviço de corretagem.
É consenso que o profissional de seguro deve ter consciência de que será 
responsabilizado por qualquer dano que cause a alguém. Por isso, é tão 
importante seguir os preceitos éticos e jurídicos no atendimento a qual-
quer segurado. Porém, nem sempre as questões jurídicas são tão claras, 
já que esses profissionais têm uma formação muito voltada apenas para a 
área securitária.
Os temas abordados neste material estão relacionados às obrigações, aos 
direitos e aos deveres do segurado, da seguradora e do corretor.
O conhecimento sobre as normas legais relativas ao contrato de seguro, 
incluindo quais são suas partes e suas principais obrigações, reúne infor-
mações indispensáveis ao exercício da atividade profissional securitária.
O Código Civil Brasileiro, instrumento legal que vem regulamentando as 
principais regras relativas ao contrato de seguro, estabelece penalidades 
gravíssimas que podem ocasionar a perda do direito à indenização, entre 
elas a má-fé do segurado ou da seguradora quando de sua efetivação, bem 
como as consequências da mora, ou seja, atraso do pagamento do prêmio.
As disposições relativas ao Seguro de Danos são institutos cujo conheci-
mento é indispensável para a orientação do segurado, como a possibilida-
de da transferência da apólice a terceiros e o instituto da sub-rogação, que 
implica o ressarcimento à companhia seguradora quando o dano sofrido 
pelo segurado é causado por terceiro.
Em relação ao Seguro de Pessoas e sua possibilidade de contratação sem 
limite de valores, a indicação do companheiro como beneficiário e as nor-
UNIDADE 1
14DIREITO DO SEGURO
mas relativas ao suicídio são informações que colaboram o conhecimento 
prático da vida profissional.
O instituto da prescrição, ou seja, a perda do direito à ação judicial em virtu-
de do tempo, é de conhecimento indispensável ao corretor de seguros, uma 
vez que, chamado a acompanhar o processo de sinistro, estará apto a orien-
tar o segurado quanto ao prazo para reivindicar judicialmente seus direitos.
As disposições relativas ao Código de Defesa do Consumidor e sua prote-
ção na relação de consumo, a qual inclui a atividade securitária, estabelece 
uma série de regras de interesse do profissional de seguro, inclusive aque-
las relativas à sua responsabilidade no exercício de suas funções.
Assim, o profissional de seguros estuda a disciplina Direito do Seguro no 
início do curso em virtude de sua relevância em termos de conhecimento, 
servindo como alicerce que sustentará as demais informações necessárias 
para sua formação profissional.
Bom estudo!
 BREVES NOÇÕES SOBRE O DIREITO 
 — O que é o Direito
Antes de tudo, precisamos entender o que é Direito e como ele surgiu. 
O Direito nasceu junto com a civilização, sob a forma de costumes que 
se tornaram obrigatórios. Por mais que mergulhemos no passado, sempre 
encontraremos o Direito, ainda que em estágio rudimentar, regulando as 
relações humanas tendo em vista que, indiscutivelmente, a sociedade não 
consegue se autorregular.
Essas regras de procedimento, disciplinadoras da vida em sociedade, 
recebem o nome do Direito.
O Direito é uma ciência social que tem por objeto o estudo das normas 
jurídicas, de seus elementos, de seus atributos, de sua interpretação e apli-
cação. São as normas jurídicas que regulam as situações entre os sujeitos 
e são capazes de assegurar a convivência e a paz social.
A vida em sociedade seria impossível sem a existência de um certo número 
de normas reguladoras do procedimento dos homens, por estes mesmos jul-
gadas obrigatórias, e acompanhadas de punições para os transgressores. É 
a punição que torna a norma respeitada. A coação, ou possibilidade de cons-
tranger o indivíduo à observânciaser defendidos mediante ação civil pública.
O segundo tipo de consumidor por equiparação são as pessoas prejudi-
cadas por danos causados por produtos ou serviços (CDC, art. 17).
E o terceiro tipo refere-se a pessoas expostas a certas práticas comer-
ciais previstas no Código de Defesa do Consumidor, como ofertas, publici-
dades, métodos abusivos, cobrança de dívida, banco de dados ou cadas-
tros de consumidores (CDC, art. 29).
UNIDADE 4
79DIREITO DO SEGURO
Curiosidade
A doutrina diverge sobre o conceito de “destinatário final”. Existem, basicamente, duas 
correntes a esse respeito:
Finalista: para esta corrente, é considerado consumidor somente aquele não profissio-
nal que adquire produto ou contrata serviço, esgotando em si mesmo o consumo (ex.: 
pai de família que adquire um computador para uso doméstico).
Maximalista: para esta corrente, basta que o consumidor seja o destinatário final daquele 
produto ou serviço específico, não importando se esse produto ou serviço foi empregado 
para transformar ou produzir outro produto ou prestar outro serviço (ex.: empresa que 
adquire tecido para confeccionar roupas para venda).
 ENQUADRAMENTO DA ATIVIDADE 
 SECURITÁRIA COMO SERVIÇO 
O art. 3º, § 2º, do CDC enquadra a atividade securitária no conceito de 
serviço:
“Art. 3º. Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou pri-
vada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonaliza-
dos, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, 
construção, transformação, importação, exportação, distribuição 
ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.
§ 1º Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.
§ 2º Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de con-
sumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, 
financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das rela-
ções de caráter trabalhista.”
Desse modo, fica claro que, nas relações entre segurado e seguradora, na 
medida em que o segurado se enquadre no conceito de destinatário final 
do seguro, aplicam-se também as regras do Código de Defesa do Consu-
midor, além das regras do Código Civil e da regulamentação expedida pelo 
CNSP – Conselho Nacional de Seguros Privados – e pela SUSEP – Supe-
rintendência de Seguros Privados.
UNIDADE 4
80DIREITO DO SEGURO
 VULNERABILIDADE E HIPOSSUFICIÊNCIA 
 DO CONSUMIDOR 
Um dos princípios da Política Nacional das Relações de Consumo estabe-
lecida pelo CDC é o reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no 
mercado de consumo, conforme art. 4º, inciso I, desse código:
“Art. 4º. A Política Nacional das Relações de Consumo tem por 
objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o 
respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus 
interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem 
como a transparência e harmonia das relações de consumo, aten-
didos os seguintes princípios: (Redação dada pela Lei nº 9.008, de 
21 de março de 1995.)
I – reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado 
de consumo [...].”
A vulnerabilidade do consumidor consiste na presunção legal da sua fragi-
lidade frente ao poderio econômico do fornecedor e ao fato de este gozar 
de melhores condições técnicas e jurídicas. Essa situação de fragilidade 
torna o consumidor mais suscetível a ser iludido, enganado ou ludibriado 
pelo fornecedor.
A vulnerabilidade se divide em três tipos:
Técnica
É aquela em que o comprador não possui conhecimentos específi-
cos sobre o produto ou serviço que está adquirindo ou contratan-
do, podendo ser mais facilmente enganado. Exemplo disso são os 
produtos eletroeletrônicos adquiridos por uma pessoa idosa que 
tenha dificuldades em lidar com esse tipo de equipamento.
Científica ou jurídica 
É aquela que consiste na falta de conhecimentos científicos especí-
ficos e/ou jurídicos que crie uma situação de desvantagem evidente 
do consumidor em relação ao fornecedor de produtos ou serviços. 
Exemplo disso são os contratos bancários, como o de empréstimo, 
ou as cláusulas de uma apólice de seguro, quando celebrados por 
um consumidor com dificuldade ou pouca instrução.
UNIDADE 4
81DIREITO DO SEGURO
Fática ou socioeconômica
Ocorre quando o fornecedor, seja por sua posição de monopó-
lio fático e por seu grande poder econômico, seja em razão da 
essencialidade do produto ou do serviço que oferece, impõe sua 
superioridade a todos os consumidores que com ele contratam. 
Exemplo disso são os softwares e licenças para uso de softwares 
da Microsoft, quando adquiridos por um profissional liberal (enge-
nheiro, economista) que não entenda de informática.
A vulnerabilidade técnica e científica é presumida para o consumidor não 
profissional e para o consumidor pessoa física.
É importante que você perceba que o consumidor profissional é presumi-
do não vulnerável quando adquire produto ou serviço sobre o qual detém 
considerável conhecimento técnico em razão do seu ofício.
Presume-se, igualmente, não vulnerável o consumidor pessoa jurídica por-
que goza de condição econômica para contratar determinados profissio-
nais para orientar técnica e juridicamente sua decisão de adquirir determi-
nado produto ou serviço.
Já a hipossuficiência é uma característica pessoal do consumidor, que 
pode advir de sua condição econômica, social, cultural ou qualquer outra 
capaz de influir no seu juízo sobre a relação tratada.
Assim, podemos concluir que vulnerabilidade e hipossuficiência não se 
confundem:
“A vulnerabilidade é um traço universal de todos os consu-
midores, ricos ou pobres, educadores ou ignorantes, cré-
dulos ou espertos. Já a hipossuficiência é marca pessoal, 
limitada a alguns – até mesmo a uma coletividade –, mas 
nunca a todos os consumidores.”
(BENJAMIN, 2001, p.148)
 DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR 
Agora, vamos estudar os direitos básicos do consumidor: o direito à infor-
mação, o direito à proteção contra publicidade enganosa e abusiva e o 
direito à facilitação da defesa de seus direitos.
UNIDADE 4
82DIREITO DO SEGURO
 — Direito à Informação
O Código de Defesa do Consumidor estabelece no art. 6º, inciso III, como 
direito básico do consumidor a informação:
“Art. 6º. São direitos básicos do consumidor: [...]
III – a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e 
serviços, com especificação correta de quantidade, características, 
composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como 
sobre os riscos que apresentem;
Portanto, o dever de informar é princípio fundamental do Código 
de Defesa do Consumidor.
Assim, na sistemática implantada pelo CDC, o fornecedor está 
obrigado a prestar todas as informações acerca do produto e do 
serviço, suas características, qualidades, riscos, preços, etc., de 
maneira clara e precisa, não se admitindo falhas ou omissões.
Trata-se de um dever exigido mesmo antes do início de qual-
quer relação. A informação passou a ser componente necessá-
rio do produto e do serviço, que não podem ser oferecidos no 
mercado sem ela.
Sabendo disso, a seguradora deve fornecer ao segurado informações cla-
ras, precisas e completas sobre o seguro contratado ou em vias de contra-
tação e, principalmente, sobre eventuais restrições envolvidas no produto 
em questão, como, por exemplo, os riscos excluídos. O mesmo ocorre em 
relação a corretor que tem o dever de informar ao segurado de forma clara 
e precisa, todos os elementos constantes do contrato a ser assinado.
 — Direito à Proteção Contra a 
Publicidade Enganosa e Abusiva
O art. 6º, inciso IV, prevê que também é direito básico do consumidor a 
proteção contra a publicidade enganosa e abusiva:
Art. 6º. São direitos básicos do consumidor: [...] 
IV – a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, méto-
dos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas 
e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos 
e serviços [...].
UNIDADE 4
83DIREITODO SEGURO
De acordo com a lei, é enganosa qualquer modalidade de informação ou 
comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, capaz 
de induzir o consumidor a erro a respeito da natureza, das características, 
da qualidade, da quantidade, das propriedades, da origem, do preço e de 
quaisquer outros dados a respeito dos produtos ou dos serviços oferecidos.
Um exemplo é a vinculação de publicidade nos contratos de Seguro de 
Vida, em que o segurado teria direito ao resgate da totalidade do valor 
pago a título de prêmio, quando, na realidade, tem direito a somente um 
determinado percentual.
Logo, o efeito da publicidade enganosa é induzir o consumidor a acreditar 
em alguma coisa que não corresponda à realidade do produto ou serviço 
em si ou relativamente a seu preço, forma de pagamento, ou, ainda, a sua 
garantia, entre outros. O consumidor enganado pensa que está em uma 
situação, mas, de fato, está em outra.
É importante que você perceba que o conceito de publicidade enganosa 
não se limita àquelas publicidades que, sabidamente, contenham informa-
ções falsas, mas também engloba aquelas que, embora não contenham 
informações literalmente falsas, sejam feitas de tal modo que induzam o 
consumidor a erro.
O CDC proíbe as propagandas abusivas, incluindo como tal, entre outras, a 
publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, 
explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamen-
to e experiência da criança, desrespeite valores ambientais, ou que seja 
capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou peri-
gosa à sua saúde ou segurança.
O caráter da abusividade não tem necessariamente relação direta com o 
produto ou serviço oferecido, mas, sim, com os efeitos da propaganda que 
possam causar algum mal ou constrangimento ao consumidor.
Vale lembrar que publicidade enganosa e abusiva são dois conceitos dis-
tintos que o CDC distingue no art. 37:
Art. 37°. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.
§ 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação 
de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer 
outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir a erro o consu-
midor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, 
propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produ-
tos e serviços.
UNIDADE 4
84DIREITO DO SEGURO
§ 2° É abusiva, dentre outras, a publicidade discriminatória de qualquer 
natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, 
se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, 
desrespeita valores ambientais ou que seja capaz de induzir o consu-
midor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou 
segurança.
§ 3° Para os efeitos deste código, a publicidade é enganosa por omissão 
quando deixar de informar sobre dado essencial do produto ou serviço.
 — Direito à Facilitação da Defesa 
dos Direitos, Inclusive com a 
Inversão do Ônus da Prova
A facilitação da defesa de seus direitos em juízo também constitui direito 
básico do consumidor, conforme estabelece o do art. 6º, inciso VIII, do CDC.
Art. 6º. São direitos básicos do consumidor: [...]
VIII – a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inver-
são do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a 
critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipos-
suficiente, segundo as regras ordinárias de experiências.
Um dos meios que a lei prevê para promover essa facilitação é a inversão 
do ônus da prova em favor do consumidor. O ônus de provar as alegações 
incumbe, via de regra, a quem ajuíza a ação. O Código de Defesa do Con-
sumidor possibilita que o ônus da prova seja invertido, ou seja, imposto ao 
fornecedor do produto ou serviço, para facilitar a defesa dos direitos do 
consumidor principalmente considerando toda a questão da vulnerabilida-
de técnica já exposta anteriormente.
Essa inversão acontecerá a critério do juiz quando este entender que o 
consumidor é hipossuficiente e quando as alegações do consumidor lhe 
parecerem verossímeis (ou seja, tiverem aparência de verdade). Dessa for-
ma, no caso de recusa por parte da seguradora de indenização em virtude 
de agravamento intencional do risco, pode ser determinada a inversão do 
ônus da prova, cabendo à seguradora, e não ao segurado, comprovar a 
sua ocorrência.
A inversão do ônus da prova é faculdade do juiz, sendo necessário apenas 
um dos requisitos apresentados no dispositivo, quer sejam: a verossimi-
lhança das alegações (ou seja, terem aparência de verdade) ou, de forma 
alternativa, a hipossuficiência.
UNIDADE 4
85DIREITO DO SEGURO
 GARANTIA DE 
 COGNOSCIBILIDADE 
A garantia de cognoscibilidade significa que o contrato não obrigará o con-
sumidor (embora obrigue o fornecedor) se, ao emitir sua declaração de 
vontade no sentido de contratar, este não havia tido prévio conhecimento 
do clausulado do contrato.
Como requisito indispensável para que o contrato de consumo possa obri-
gar o consumidor, o fornecedor deve cumprir a garantia de cognoscibilida-
de, prevista no art. 46 do CDC:
“Art. 46. Os contratos que regulam as relações de consumo não 
obrigarão os consumidores, se não lhes for dada a oportunidade 
de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se os respec-
tivos instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a com-
preensão de seu sentido e alcance”.
Portanto, se, ao preencher a proposta de seguro, o consumidor não tiver 
tido prévio conhecimento das cláusulas contratuais, a garantia de cognos-
cibilidade não terá sido cumprida, de modo que o contrato obrigará o for-
necedor (seguradora), sem obrigar o consumidor (proponente).
É importante mencionar que as normas regulamentares editadas pela 
SUSEP prestigiam a garantia de cognoscibilidade ao exigirem que o pro-
ponente tenha prévio conhecimento das cláusulas que regerão o contrato 
de seguro.14
 RESPONSABILIDADE OBJETIVA 
 DO FORNECEDOR PELO 
 FATO DO SERVIÇO 
A seguir, você pode conferir no art. 14 do CDC, que trata da responsabilida-
de do fornecedor pelo fato do serviço, prevê o seguinte:
Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente 
da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos 
consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem 
como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua 
fruição e riscos.
14 Para confirmar isso, basta 
verificar que, com relação aos 
Seguros de Danos, o art. 3º, Anexo 
I, da Circular SUSEP 
nº 256/2004 prevê que “as condições 
contratuais do seguro deverão 
estar à disposição do proponente 
previamente à assinatura da 
respectiva proposta, devendo 
este, seu representante legal ou 
seu corretor de seguros assinar 
declaração, que poderá constar da 
própria proposta, de que tomou 
ciência das referidas condições 
contratuais”. Em relação aos 
Seguros de Pessoas com cobertura 
de risco, o art. 97 da Circular 
SUSEP nº 302/2005 prevê que 
“as condições contratuais do 
seguro deverão estar à disposição 
do proponente previamente à 
assinatura da respectiva proposta 
de contratação, no caso de plano 
individual, ou da proposta de 
adesão, no caso de plano coletivo, 
devendo o proponente, seu 
representante ou seu corretor 
de seguros assinar declaração, 
que poderá constar da própria 
proposta, de que tomou ciência 
das condições contratuais”. 
Finalmente, com relação aos 
Seguros de Pessoas com cobertura 
de Sobrevivência, o art. 68 da 
Circular SUSEP nº 339/2007 
prevê que “o regulamento 
atualizado do plano será colocado 
à disposição do proponente, 
previamente à contratação, sendo 
obrigatoriamente remetido ao 
segurado no ato da inscrição, como 
parte integrante da proposta”, 
e o parágrafo único estabelece 
que “no plano coletivo, a entrega 
do regulamento será efetuada, 
também, ao estipulante, na data da 
assinaturado contrato”.
UNIDADE 4
86DIREITO DO SEGURO
§ 1º O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que 
o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as 
circunstâncias relevantes, entre as quais:
I – o modo de seu fornecimento;
II – o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam; 
III – a época em que foi fornecido.
§ 2º O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de 
novas técnicas.
§ 3º O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quan-
do provar:
I – que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste; 
II – a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.
§ 4º A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será 
apurada mediante a verificação de culpa.
O chamado fato do serviço é o defeito na prestação do serviço, de que 
resulta o chamado “acidente de consumo”. O defeito, como causador do 
acidente de consumo, é o elemento gerador da responsabilidade civil obje-
tiva (ou seja, que não depende da comprovação de culpa do fornecedor).
No contrato de seguro, somente como exceção, ocorrerá o fato do serviço 
e, consequentemente, o chamado “acidente de consumo”.
Alguns exemplos de fato do serviço no contrato de Seguros de Automóveis 
são: defeito mecânico do carro reserva fornecido ao segurado e demora 
excessiva e injustificada da seguradora, nos Seguros de Automóveis, em 
autorizar reparos no veículo.
É importante mencionar que a recusa da seguradora em pagar a indeni-
zação securitária ou o capital segurado, por ausência de cobertura ou por 
outro fundamento contratual ou legal, consiste em mero inadimplemento 
contratual e, portanto, não constitui fato do serviço.15
De acordo com o art. 14 do CDC, a responsabilidade do fornecedor pelo 
fato do serviço é objetiva, ou seja, prescinde da demonstração da culpa do 
fornecedor.
Assim, basta ao consumidor provar o defeito na prestação do serviço, o dano 
sofrido e o nexo de causalidade (relação de causa e efeito) entre um e outro 
para que seja reconhecida a obrigação do fornecedor de reparar o dano.
A responsabilização do réu passa a ser objetiva, já que res-
ponde, independentemente da existência de culpa, pela 
reparação dos danos causados aos consumidores. A alte-
ração da sistemática da responsabilização, retirando-se o 
requisito de prova da culpa, não implica dizer que a vítima 
nada tenha de provar. Ao contrário, cabe-lhe comprovar 
15 O Superior Tribunal de Justiça 
já se manifestou diversas vezes 
a respeito desse tema, decidindo 
que a recusa da seguradora em 
pagar o capital segurado ou 
a indenização não constitui o 
chamado “fato do serviço”, mas, 
sim, inadimplemento contratual, 
sujeito à ação de cobrança a 
ser promovida pelo segurado 
(ou beneficiário, se for o caso) 
no prazo previsto no Código 
Civil para as ações envolvendo 
contrato de seguro. A propósito, 
pode ser citado o seguinte 
julgado: BRASIL. Superior 
Tribunal de Justiça. Agravo 
Regimental no Recurso Especial 
nº 1321897/SP. Relator: Ministro 
Carlos Alberto Menezes Direito. 
Brasília, 06 de agosto de 2007. 
Disponível em: www.stj.jus.br. 
Acesso em 04 out. 2016.
http://www.stj.jus.br/
UNIDADE 4
87DIREITO DO SEGURO
o dano e o nexo de causalidade entre este e o produto 
ou serviço. Lembre-se, contudo, que em relação a estes 
elementos o juiz pode inverter o ônus da prova quando ‘for 
verossímil a alegação’ ou quando o consumidor for ‘hipos-
suficiente’, sempre de acordo com as ‘regras ordinárias de 
experiência’ (art. 6º, VIII). (BENJAMIN, 2001, p.156).
De acordo com o § 3º do art. 14 do CDC, o fornecedor somente estará exo-
nerado de responsabilidade se provar:
 ■ A culpa do próprio consumidor.
 ■ A culpa de terceiro (o terceiro deve ser alguém totalmente estra-
nho à relação de consumo. Não é considerado terceiro a pessoa 
física ou jurídica que foi subcontratada pelo fornecedor para pres-
tar o serviço).
 ■ Que o serviço prestado não é defeituoso.
 ■ A ocorrência de caso fortuito ou de força maior com base na regra 
geral constante no art. 393 do Código Civil.
 RESPONSABILIDADE SUBJETIVA 
 DO PRESTADOR DE SERVIÇO 
 PROFISSIONAL LIBERAL 
De acordo com o art. 14, § 4º, do CDC, a responsabilidade do profissional 
liberal é subjetiva, ou seja, deve ser aferida mediante a verificação de cul-
pa. É a única exceção ao princípio de responsabilização objetiva do CDC.
O profissional liberal é prestador de serviço solitário, que faz do seu conhe-
cimento uma ferramenta de sobrevivência.
O corretor de seguros pessoa física, que exerce sua atividade de maneira 
autônoma, enquadra-se nesse conceito de profissional liberal. Portanto, se 
causar um dano a um segurado ou beneficiário, sua responsabilidade é 
subjetiva (ou seja, deverá ser apurada mediante a verificação de culpa). 
Um exemplo acontece quando o corretor se esquece de protocolar a pro-
posta de renovação de seguro, com consequente recusa da seguradora 
em indenizar o segurado em caso de sinistro.
UNIDADE 4
88DIREITO DO SEGURO
 PRESCRIÇÃO PARA A AÇÃO DE 
 RESPONSABILIDADE CIVIL 
 PELO FATO DO SERVIÇO 
Como vimos na unidade anterior, o art. 26 define que o prazo prescricional 
no qual o segurado pode exigir o cumprimento do contrato por parte da 
seguradora é de um ano.
Eventualmente, a pretensão do segurado em face da seguradora pode 
submeter-se a uma prescrição diferente de um ano. É o que ocorre quando 
a pretensão do segurado em face da seguradora é de reparação de dano 
pelo chamado fato do serviço.
Conforme já mencionado, fato do serviço é o defeito na prestação do ser-
viço, previsto no art. 14 do CDC, acarretando a responsabilidade objetiva 
do fornecedor.
Isso ocorre quando a prestação devida pela seguradora ao segurado con-
siste, efetivamente, na execução de um serviço, não importando se este for 
prestado por terceiro.
Se houver defeito ou falha na prestação do serviço, a responsabilidade da 
seguradora pelos danos causados ao segurado é objetiva, e somente será 
afastada se comprovada uma das excludentes de responsabilidade previs-
tas no § 3º do art. 14 do CDC.
Nesse caso, a ação que o segurado moverá contra o segurador não terá 
como objeto o inadimplemento contratual do pagamento de indenização 
ou um capital (caso em que se aplica a prescrição de um ano do Código 
Civil), mas, sim, a reparação dos danos sofridos pelo fato do serviço (caso 
em que se aplica a prescrição do art. 27 do CDC):
“Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos 
danos causados por fato do produto ou do serviço prevista na 
Seção II deste Capítulo, iniciando-se a contagem do prazo a partir 
do conhecimento do dano e de sua autoria.”
A Seção de Direito Privado do Superior Tribunal de Justiça consolidou 
esse entendimento em julgamento ocorrido no ano de 200216 , conforme 
o Recurso Especial nº 146.186 – RJ, publicado no DJ de 19/12/2002. Desde 
então, essa interpretação vem sendo mantida.17
É importante destacar, que a norma dispõe que o início da contagem do 
prazo prescricional se dá a partir do conhecimento do dano e conhecimen-
to de sua autoria. Somente a partir da conjugação dos dois elementos que 
se pode considerar iniciado o curso do prazo prescricional.
16 Eis o caso julgado pela Seção 
de Direito Privado: BRASIL. 
Superior Tribunal de Justiça. 
Recurso Especial nº 146.186/
RJ, Rel. Ministro Ari Pargendler, 
Rel. p/ Acórdão Ministro Aldir 
Passarinho Júnior. Brasília, 12 de 
dezembro de 2001.
17 A título de exemplo, pode ser 
citado o seguinte precedente: 
BRASIL. Superior Tribunal de 
Justiça. Agravo Regimental no 
Recurso Especial nº 995890/RN. 
Relator: Ministro Antonio Carlos 
Ferreira. Brasília, 12 de novembro de 
2013. Disponível em: www.stj.jus.br. 
Acesso em 06 out. 2016.
http://www.stj.jus.br/
UNIDADE 4
89DIREITO DO SEGURO
 DESCONSIDERAÇÃO DA 
 PERSONALIDADE JURÍDICA 
O art. 28 do CDC autoriza o juiz a desconsiderar a personalidade jurídica 
do fornecedor em determinadas hipóteses:“Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da 
sociedade, quando, em detrimento do consumidor, houver abuso 
de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou 
violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração tam-
bém será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, 
encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por 
má administração.” 
Esse dispositivo permite que, presentes as situações excepcionais nele 
previstas, a personalidade jurídica do fornecedor seja afastada para que se 
verifique a responsabilização do acionista e dos administradores da segu-
radora, chamando-os a responder com seus bens pessoais pelo prejuízo 
causado ao consumidor. Da mesma forma, se uma corretora de seguro vier 
a ser condenada ao pagamento de uma indenização relativa a danos cau-
sados a um segurado, e tiver sua personalidade jurídica desconsiderada 
pelo juiz, seus sócios serão diretamente responsabilizados.
O verdadeiro objetivo da aplicação da desconsideração é retirar o escudo 
criado personificação jurídica das sociedades, com o objetivo de atingir 
aqueles sócios que agiram em desacordo com os interesses sociais, res-
ponsabilizando-os pelas obrigações adquiridas, possibilitando o alcance 
do patrimônio pessoal dos mesmos.
 OFERTA 
Pelo sistema do CDC, qualquer informação ou publicidade dirigida a uma 
coletividade ou a um determinado consumidor que contiver os elementos 
essenciais para o negócio (coisa e preço) deve ser considerada como ofer-
ta vinculante, bastando ao consumidor o consenso.
A noção de oferta do CDC equivale a de um negócio jurídico unilateral, 
pois vincula, ou seja, obriga, o fornecedor (art. 30 do Código de Defesa do 
Consumidor).
UNIDADE 4
90DIREITO DO SEGURO
Pode, por exemplo, ser dirigida a uma coletividade indeterminada de pes-
soas quando veiculada em jornal ou outro meio de comunicação; ou diri-
gida a um específico consumidor quando endereçada pelo correio à resi-
dência de certa pessoa.
Pelo sistema do CDC, qualquer informação ou publicidade dirigida a uma 
coletividade ou a um determinado consumidor que contiver os elementos 
essenciais para o negócio (coisa e preço) deve ser considerada como ofer-
ta vinculante, bastando do consumidor o consenso.
No seguro, contudo, há uma peculiaridade típica dos contratos aleatórios 
(ou seja, fundados no risco): a maioria dos contratos de seguro deve ser 
precedida de uma proposta do segurado, tendo a seguradora a prerroga-
tiva de aceitar, ou não, aquele risco.
Porém, uma vez que a seguradora o aceite, as condições constantes da 
oferta que ela veiculou, e que conquistou aquele consumidor (isso quando 
o segurado puder ser entendido como tal), integram o contrato e prevale-
cem sobre qualquer cláusula em sentido contrário.
Curiosidade
A teoria da desconsideração da pessoa jurídica foi originalmente invocada no ano de 
1809, nos Estados Unidos, onde foi denominada disregard of legal entity ou lifting the 
corporate veil, expressão que significa “desconsideração da personalidade jurídica e 
levantamento do véu da personalidade jurídica”.
Essa teoria foi invocada no caso Bank of the United States contra Deveaux. O art. 3º, II, 
da Constituição Americana limita a jurisdição das Cortes Federais às controvérsias entre 
“cidadãos” de diferentes estados americanos. Todavia, o juiz Marshall, com o objetivo 
de manter a jurisdição de uma Corte Federal sobre aquele caso, adotou a referida 
teoria para “olhar além do véu” da empresa (no caso, o banco) e, assim, alcançar seus 
sócios. Como estes eram cidadãos de diferentes estados americanos, o juiz Marshall 
concluiu que o caso poderia permanecer sob a jurisdição de uma Corte Federal.
É importante mencionar que o art. 31 do CDC prevê a forma pela qual toda 
oferta feita pelo fornecedor ao consumidor deve ser realizada:
“Art. 31. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem 
assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em 
língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quanti-
dade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, 
entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à 
saúde e segurança dos consumidores.”
UNIDADE 4
91DIREITO DO SEGURO
 RECUSA DO FORNECEDOR EM 
 CUMPRIR A OFERTA 
Caso o fornecedor se recuse a cumprir uma oferta feita ao consumidor, 
este terá ao seu dispor as alternativas previstas no art. 35 do CDC:
Art. 35. Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumpri-
mento à oferta, apresentação ou publicidade, o consumidor pode-
rá, alternativamente e à sua livre escolha:
I – exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da ofer-
ta, apresentação ou publicidade;
II – aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente;
III – rescindir o contrato, com direito à restituição de quantia eventual-
mente antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e danos.
Dessa forma, verifica-se que a norma dá ao consumidor alternativas para 
o exercício de seu direito e que ele escolhe livremente (cumprimento for-
çado da oferta, aceitação de outro produto ou serviço, ou a rescisão do 
contrato). A opção por qualquer das hipóteses previstas é feita sem que 
o consumidor tenha que apresentar qualquer justificativa ou fundamento. 
Basta a manifestação da vontade; apenas sua exteriorização objetiva.
 SOLIDARIEDADE 
De acordo com o art. 34 do CDC, o fornecedor é solidariamente responsá-
vel pelos atos praticados por seus prepostos e representantes que causem 
dano ao consumidor:
Art. 34. O fornecedor do produto ou serviço é solidariamente 
responsável pelos atos de seus prepostos ou representantes 
autônomos.
Portanto, a seguradora responde, solidariamente, com seus prepostos e 
agentes autorizados, pelos atos destes que causem dano ao segurado ou 
ao beneficiário. Assim, o corretor de seguros também é solidariamente res-
ponsável pelos atos praticados por seus prepostos que causem dano ao 
segurado ou ao beneficiário.
UNIDADE 4
92DIREITO DO SEGURO
Saiba mais
A regra é: havendo pluralidade de devedores, cada um é responsável por apenas uma 
parte da dívida. Porém, quando houver solidariedade passiva, mesmo aquele que deve 
apenas uma parte fica responsável por toda a dívida, se for escolhido pelo credor para 
cumprir a obrigação, conforme o art. 904 do Código Civil. Isso representa uma vanta-
gem para o credor que, em vez de receber de cada devedor o que lhe é devido, pode 
cobrar e receber totalmente a dívida de uma única pessoa, cabendo ao devedor que 
pagou a dívida ser restituído pelos demais devedores solidários.
 PRÁTICAS ABUSIVAS 
O CDC traz um rol de práticas consideradas abusivas em seu art. 39. Esse 
rol não é taxativo, razão pela qual o juiz pode, em cada caso concreto, ana-
lisando a conduta do fornecedor, identificar outras práticas que contenham 
característica de abusividade.
Serão destacadas, a seguir, algumas das práticas listadas no art. em questão.
 — Venda Casada
Entre as práticas consideradas abusivas pelo CDC, e por ele vedadas, está 
a chamada venda casada, prevista no inciso I do art. 39:
Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre 
outras práticas abusivas:
I – condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao forne-
cimento de outro produto ou outro serviço, bem como, sem justa 
causa, a limites quantitativos.
A norma proíbe a conhecida “operação casada” ou “venda casada”, por 
meio da qual o fornecedor pretende obrigar o consumidor a adquirir um 
produto ou serviço apenas pelo fato de ele estar interessado em adquirir 
outro produto ou serviço.
A venda casada ocorre, por exemplo, quando, para conceder um emprés-
timo ao correntista para a aquisição de um veículo, o gerente da ins-
tituição financeira impõe, como condição, a contratação de um Seguro 
Residencial.
UNIDADE 4
93DIREITO DO SEGURO
Porém, não constitui venda casada a exigência pela instituição ou agentefinanceiro, que concede ao consumidor um empréstimo ou financiamento, 
da contratação de Seguro Prestamista, destinado a liquidar o saldo devedor 
no caso de morte, invalidez ou desemprego do consumidor segurado. Nes-
te caso, o seguro é condição essencial para a concessão do empréstimo ou 
financiamento, constituindo garantia da obrigação assumida pelo consumidor.
Todavia, conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça, o consumidor 
não está obrigado a contratar o Seguro Prestamista com seguradora per-
tencente ao mesmo grupo financeiro da instituição ou agente financeiro 
que lhe concede o empréstimo ou o financiamento.18
 — Seguro Não Solicitado
Outra prática abusiva muito comum, prevista no inciso III do art. 39, consis-
te no fornecimento de produto ou serviço não solicitado previamente pelo 
consumidor:
Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre 
outras práticas abusivas: [...] 
III – enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qual-
quer produto, ou fornecer qualquer serviço [...].
Assim, a norma é taxativa em proibir o envio ou a entrega ao consumidor 
sem que este tenha previamente solicitado qualquer produto ou serviço.
Alguns serviços fornecidos sem solicitação implicam graves violações aos 
direitos do consumidor, podendo causar-lhes severos danos.
Um exemplo bem comum ocorre quando, sem que haja solicitação do con-
sumidor, a administradora de cartão de crédito insere, na fatura do consu-
midor, cobrança de seguro contra furto ou roubo do cartão.
 — Comercialização de Seguro 
cujo Contrato Não Tenha Sido 
Submetido à Aprovação da SUSEP 
ou Esteja em Desacordo com 
as Normas Regulamentares
O inciso VIII do art. 39 do CDC veda a comercialização de produto ou ser-
viço que esteja em desacordo com as normas regulamentares ou que não 
tenha sido submetido à aprovação do órgão regulador competente, quan-
do houver:
18 A Súmula 473 foi editada pelo 
Superior Tribunal de Justiça, em 
13/06/2012, que dispõe: 
“O mutuário do SFH não pode ser 
compelido a contratar o seguro 
habitacional obrigatório com a 
instituição financeira mutuante ou 
com a seguradora por ela indicada”. 
Disponível em: www.stj.jus.br. 
Acesso em 06 out. 2016.
http://www.stj.jus.br/
UNIDADE 4
94DIREITO DO SEGURO
Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre 
outras práticas abusivas: [...]
VIII – colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou ser-
viço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos ofi-
ciais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela 
Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade cre-
denciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e 
Qualidade Industrial (Conmetro) [...].
Desse modo, é importante que você tenha sempre em mente que as segu-
radoras não podem comercializar contratos de seguro que não tenham 
sido submetidos à prévia aprovação da SUSEP ou que se mostrem incom-
patíveis com as normas regulamentares vigentes.
 — Prazo para Cumprimento 
da Obrigação
De acordo com o inciso XII do art. 39 do CDC, constitui prática abusiva do 
fornecedor a ausência de fixação de um prazo para cumprimento de sua 
obrigação:
Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre 
outras práticas abusivas: [...]
XII – deixar de estipular prazo para cumprimento de sua obrigação 
ou deixar a fixação de seu termo inicial a seu exclusivo critério.
Trata-se de uma norma de especial importância. O fornecedor tem que 
estipular quando cumprirá sua obrigação ou quando terá início sua obriga-
ção. Constitui prática abusiva não o fazer.
O prazo para que a seguradora liquide o sinistro nos Seguros de Danos, 
de acordo com o art. 33, § 1º, da Circular SUSEP nº 256/2004, é de 30 dias, 
contados da entrega de todos os documentos básicos previstos naquele 
artigo. O prazo é o mesmo para os Seguros de Pessoas com cobertura de 
Risco, conforme o art. 72 da Circular SUSEP nº 302/2005.
Assim, é essencial que esse prazo conste da cláusula de liquidação de 
sinistros do contrato de seguro.
 COBRANÇA DE DÍVIDA JÁ PAGA 
De acordo com o art. 42 do CDC, o consumidor que for cobrado indevida-
mente por dívida já paga tem direito a exigir do fornecedor a restituição em 
dobro do valor pago a mais:
UNIDADE 4
95DIREITO DO SEGURO
Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não 
será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de 
constrangimento ou ameaça.
Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida 
tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro ao 
que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros 
legais, salvo hipótese de engano justificável.
Vale lembrar que a cobrança de uma dívida é ação regular do credor em 
relação ao devedor. O CDC, obviamente, não a impede. O credor continua 
podendo cobrar, porém as ações que ele está autorizado a praticar somen-
te podem ser aquelas que não configurem abuso do seu direito.
O que está proibido, portanto, é a chamada cobrança abusiva. Não pode 
o credor utilizar-se de ameaça, coação, constrangimento físico ou moral, 
interferir com seu trabalho, descanso ou lazer, nem promover sua exposi-
ção ao ridículo.
O não cumprimento de tal disposição constitui crime de conformidade com 
o art. 71 do CDC:
Art. 71. Utilizar, na cobrança de dívidas, ameaça, coação, constrangimento 
físico ou moral, afirmações falsas incorretas ou enganosas ou de qualquer 
outro procedimento que exponha o consumidor, injustificadamente, a ridí-
culo ou interfira com seu trabalho, descanso ou lazer: 
Pena Detenção de três meses a um ano e multa.
Por outro lado, salvo engano justificável, o consumidor terá direito ao 
valor igual ao dobro, por quantia que tenha sido cobrada e paga de for-
ma indevida e excessiva.
Assim, por exemplo, se o prêmio de seguro mensal for pago por meio de 
débito automático em conta corrente do segurado e o desconto de uma 
mesma parcela for feito em duplicidade, a seguradora terá que restituir em 
dobro o valor indevidamente debitado, caso não tenha uma justificativa 
plausível para o erro.
 CLÁUSULAS ABUSIVAS 
A cláusula abusiva é aquela que é notoriamente desfavorável à parte mais 
fraca na relação contratual, que é, mais frequentemente, o consumidor.
O art. 51 do CDC traz um extenso rol de cláusulas consideradas abusivas. 
Esse rol também não é exaustivo, podendo o juiz, em cada caso, identificar a 
presença, no contrato questionado pelo consumidor, de cláusulas abusivas.
UNIDADE 4
96DIREITO DO SEGURO
Para fins deste estudo, merece destaque a previsão contida no inciso IV e 
no § 1º do art. 51:
Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas con-
tratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que:
[...]
IV – estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que 
coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam 
incompatíveis com a boa-fé ou a equidade.
[...]
§ 1º Presume-se exagerada, entre outros casos, a vantagem que:
I – ofende os princípios fundamentais do sistema jurídico a que 
pertence;
II – restringe direito ou obrigações fundamentais inerentes à natu-
reza do contrato, de tal modo a ameaçar seu objetivo ou o equilí-
brio contratual;
III – se mostra excessivamente onerosa para o consumidor, consi-
derando-se a natureza e o conteúdo do contrato, o interesse das 
partes e outras circunstâncias peculiares ao caso.
Assim, a existência de cláusula abusiva no contrato de consumo torna invá-
lida a relação contratual pelo rompimento do equilíbrio entre as partes, 
já que tal cláusula estará presente em contrato de adesão cuja redação 
coube ao fornecedor.
É fundamental que não se confunda a cláusula abusiva, vedada pelo art. 51 
do CDC, com a cláusula restritiva, admitida pelo mesmo código no art. 54, 
§ 4º, a qual será estudada a seguir.
Curiosidade
Entre a segunda metade do século XVIII e a primeira do século XX, ocorreram profundas 
transformaçõesno mundo, com destaque para o desenvolvimento científico e tecnológico, 
a Revolução Industrial e os movimentos sociais destinados a alcançar direitos e garantias 
para as relações de trabalho. Nesse período surgiu, nos Estados Unidos, o movimento con-
sumerista, que alterou substancialmente as relações entre consumidor e fornecedor.
A massificação dos meios de produção e fornecimento, a necessidade de facilitar e 
abreviar a circulação dos bens e serviços e o dirigismo estatal exigiram a padronização 
dos contratos de consumo por meio da fixação de cláusulas unilaterais e previamente 
dispostas pelos fornecedores, impondo a utilização de instrumentos práticos, rápidos e 
uniformes. Surgiu, assim, o contrato de adesão, que estudaremos a seguir.
UNIDADE 4
97DIREITO DO SEGURO
 CONTRATO DE ADESÃO 
No contrato de adesão, a participação do consumidor limita-se à aceita-
ção em bloco de uma série de cláusulas elaboradas antecipadamente 
pelo fornecedor. Caracteriza-se, assim, por permitir que seu conteúdo seja 
antecipadamente elaborado por uma das partes, eliminando a negociação 
quanto ao conteúdo das cláusulas que, normalmente, precede a formação 
de um contrato.
A maioria dos contratos de consumo caracteriza-se pela adesão, seja por-
que ela implica redução de custos para o fornecedor, seja porque acarreta 
a uniformidade de tratamento dos consumidores.
O contrato de adesão tem, portanto, a função de agilizar os negócios jurídi-
cos, permitindo que um maior número de consumidores tenha acesso mais 
fácil/rápido a produtos e serviços.
Porém, justamente pelo fato de o conteúdo dos contratos de adesão ser 
redigido unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços, suas 
cláusulas, muitas vezes, têm caráter de abusividade. Além disso, não é 
incomum a prática de oferta em não conformidade com as regras do Códi-
go de Defesa do Consumidor.
O contrato de seguro, na maioria dos casos, é de adesão, pois as cláusulas 
contratuais são redigidas pela seguradora e submetidas à aprovação do 
órgão regulador competente (SUSEP) para posterior comercialização, res-
tando ao consumidor aderir ao seu conteúdo.
A característica de adesão, contudo, não estará presente quando as cláu-
sulas contratuais do seguro forem livremente ajustadas entre as partes, 
em igualdade de condições, o que ocorre, normalmente, em seguros de 
grandes riscos.
O dispositivo do Código de Defesa do Consumidor que disciplina especi-
ficamente os contratos de adesão é o art. 54, que estabelece os critérios 
para que estes possam obrigar o consumidor e, ainda, para que suas cláu-
sulas possam ser consideradas válidas.
Art. 54. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido 
aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas unilateral-
mente pelo fornecedor de produtos ou serviços, sem que o consu-
midor possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo.
§ 1º A inserção de cláusula no formulário não desfigura a natureza 
de adesão do contrato.
§ 2º Nos contratos de adesão admite-se cláusula resolutória, des-
de que alternativa, cabendo a escolha ao consumidor, ressalvan-
do-se o disposto no § 2º do artigo anterior.
Saiba mais
Contratos no código de defesa do 
consumidor: o novo regime das 
relações contratuais. 4. ed. São 
Paulo: Revista dos Tribunais, 2004
UNIDADE 4
98DIREITO DO SEGURO
§ 3º Os contratos de adesão escritos serão redigidos em termos 
claros e com caracteres ostensivos e legíveis, cujo tamanho da 
fonte não será inferior ao corpo doze, de modo a facilitar sua com-
preensão pelo consumidor.
§ 4º As cláusulas que implicarem limitação de direito do consumi-
dor deverão ser redigidas com destaque, permitindo sua imediata 
e fácil compreensão.”
Dessa forma, os contratos de seguro se utilizam, frequentemente, das cláu-
sulas restritivas, autorizadas pelo § 4º do art. 54 do CDC.
Como a seguradora pode particularizar os riscos que pretende assumir, 
não estando obrigada a pagar indenização ou capital segurado por aque-
les que não se dispôs a cobrir (conforme o art. 757 do Código Civil), é 
fundamental que o contrato de seguro contenha cláusulas restritivas que 
informem claramente quais riscos estão cobertos e quais estão excluídos.
Para que essas cláusulas restritivas sejam válidas, sua redação deve aten-
der aos requisitos estabelecidos pelo art. 54 do CDC.
FIXANDO CONCEITOS
99DIREITO DO SEGURO
 FIXANDO CONCEITOS 4 
Marque a alternativa correta
1. O Código de Defesa do Consumidor foi elaborado e editado em 1990 
para cumprir um mandamento contido no(a):
(a) Constituição Federal de 1988.
(b) Código Civil.
(c) Código Comercial.
(d) Código de Processo Civil.
(e) Código Tributário Nacional.
Analise as proposições a seguir e depois, marque a alternativa 
correta
2. Sobre o contrato de adesão, é correto afirmar que:
I – Suas cláusulas são redigidas unilateralmente pelo fornecedor.
II – Deve ser escrito em termos claros e com caracteres ostensivos e 
legíveis.
III – É proibido pelo Código de Defesa do Consumidor.
IV – Não pode conter cláusulas restritivas.
Agora assinale a alternativa correta:
(a) Somente I é proposição verdadeira.
(b) Somente II é proposição verdadeira.
(c) Somente I e II são proposições verdadeiras.
(d) Somente I e IV são proposições verdadeiras.
(e) I, II, III e IV são proposições verdadeiras.
Marque a alternativa correta
3. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, o fornecedor de 
produtos e serviços, em relação aos atos praticados por seus prepostos e 
representantes que causem dano ao consumidor, é considerado:
(a) Parcialmente responsável.
(b) Administrativamente responsável.
(c) Responsável tributário.
(d) Solidariamente responsável.
(e) Penalmente responsável.
FIXANDO CONCEITOS
100DIREITO DO SEGURO
4. Constitui prática abusiva:
I – Enviar ao consumidor produto ou serviço não solicitado.
II – Inserir cláusula restritiva de direito no contrato.
III – Fazer venda casada.
IV – Descumprir a garantia de cognoscibilidade.
Agora assinale a alternativa correta:
(a) Somente I é proposição verdadeira.
(b) Somente II é proposição verdadeira.
(c) Somente IV é proposição verdadeira.
(d) Somente I e III são proposições verdadeiras.
(e) Somente III e IV são proposições verdadeiras.
5. Analise se as proposições são verdadeiras ou falsas e depois marque a 
alternativa correta:
( ) A vulnerabilidade do consumidor é a presunção legal de sua fragili-
dade no mercado de consumo.
( ) Só o consumidor profissional tem direito à inversão do ônus da prova. 
( ) A publicidade inteira ou parcialmente falsa é enganosa.
( ) O direito à proteção contra a publicidade abusiva e enganosa é direito 
básico do consumidor.
(a) V, F, V, V.
(b) V, F, F, V.
(c) F, V, F, V.
(d) F, F, V, F.
(e) F, F, F, F.
FIXANDO CONCEITOS
101DIREITO DO SEGURO
6. É correto afirmar que a prática abusiva estabelecida pelo Código de 
Defesa do Consumidor, denominada “venda casada” ou “operação casa-
da”, é legalmente definida como: 
(a) Operação que envolve mais de um consumidor na mesma relação 
de consumo.
(b) Prática consistente na alienação de imóveis ou empreendimentos 
imobiliários.
(c) A permuta ou escambo entre fornecedor e consumidor de produtos 
diferentes. 
(d) Condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao forneci-
mento de outro produto ou outro serviço, bem como, sem justa cau-
sa, a limites quantitativos.
(e) Prestação de serviços consistente na realização de eventos festivos 
sem o consentimento dos consumidores.
7. Sobre o prazo prescricional estabelecido pelo Código de Defesa do 
Consumidor, é correto afirmar que a pretensão do consumidor para a ação 
de reparação de dano, por fato do produto ou do serviço em face do for-
necedor, expira:
a) Em 07 anos.
b) Em 05 anos.
c) Em 03 anos.
d) Em 01 ano.
e) Em 10 anos.
FIXANDO CONCEITOS
102DIREITO DO SEGURO
 ESTUDO DE CASO 
Caso 1
Luísa aliena a propriedade de seu veículo a João e, para documentar essavenda, assina o documento único de trânsito em favor dele. Além disso, 
pretendendo transferir o seguro do automóvel juntamente com a proprie-
dade do bem, e sendo a apólice nominativa, Luísa e João fazem aviso 
escrito à seguradora, datado e assinado por ambos. No entanto, uma das 
cláusulas dessa apólice veda a transferência do contrato de seguro a ter-
ceiro. Pergunta-se: o instrumento particular firmado por Luísa em favor de 
João é eficaz?
Caso 2
Laura contrata um Seguro de Vida e Acidentes e indica sua mãe, Carmem, 
como beneficiária. Na vigência do contrato de seguro, Carmem falece. Lau-
ra, no entanto, não substitui a beneficiária falecida por outra pessoa. Ainda 
na vigência dessa apólice, Laura falece em razão de risco coberto. Todavia, 
a segurada não tinha cônjuge ou companheiro, nem deixou outros herdei-
ros legais. Pergunta-se: é possível que alguém se habilite ao recebimento 
do capital segurado?
Caso 3
João contrata um Seguro de Vida Individual com garantia adicional de 
Assistência Funeral. Por essa garantia, a seguradora se compromete a 
contratar terceiros para realizar o funeral (capela, urna, flores, carro funerá-
rio). O segurado falece, e a beneficiária comunica o sinistro. A seguradora 
informa que providenciará o serviço funerário. A empresa contratada pela 
seguradora para prestá-lo acerta com a beneficiária os detalhes, mas, no 
dia e horário combinados para o funeral, nenhum dos serviços é fornecido. 
A beneficiária se vê obrigada a providenciar tudo por conta própria. Mais 
tarde, impetra ação judicial contra a seguradora. Esta, em sua defesa, ale-
ga que está isenta de responsabilidade, porque a hipótese é de culpa de 
terceiro. Pergunta-se: o fundamento da defesa da seguradora procede?
FIXANDO CONCEITOS
103DIREITO DO SEGURO
Caso 4
Márcia contrata um seguro residencial com cobertura para Incêndio, Rou-
bo, Responsabilidade Civil, Moradia Temporária e outras, além de lhe ter 
sido concedido, adicionalmente, um serviço de assistência residencial 24 
horas. Na vigência da apólice, um pequeno vazamento ocorre na cozinha 
da residência. Márcia decide acionar o bombeiro hidráulico oferecido pelo 
serviço de assistência da seguradora para realizar o reparo. O bombeiro 
tenta efetuar o reparo, mas, por imperícia, acaba provocando o rompimen-
to do cano e a completa inundação da residência da segurada. Em função 
disso, diversos bens são danificados, causando prejuízo a Márcia. Pergun-
ta-se: a ação a ser proposta por Márcia para obter a reparação do dano 
está sujeita a qual prazo prescricional?
Caso 5
A viúva de um segurado, beneficiária de um seguro de vida, vivenciando 
uma série de dificuldades financeiras, ingressa com o pedido de indeni-
zação a uma seguradora. A seguradora informa que haverá uma demora 
significativa para efetuar o pagamento, propondo o pagamento imediato, 
mas com uma redução de 20% do valor do capital segurado. Em razão da 
necessidade, a beneficiária aceita, assinando o respectivo recibo e dando 
quitação. Agora responda: assiste ainda algum direito à beneficiária?
Caso 6
Determinado cidadão realiza uma série de compras em uma grande loja 
de departamentos, com pagamento a crédito por financiamento fornecido 
pela própria empresa. Após estar inadimplente em mais de três mensalida-
des, e não tendo a empresa êxito na cobrança da dívida, o departamento 
financeiro entra em contato com o empregador do consumidor, informan-
do o ocorrido e solicitando providências para que seu empregado compa-
reça à loja a fim de saldar o débito. Agora responda: existe algum tipo de 
irregularidade em tal cobrança?
Caso 7
Um consumidor sofre severos danos em relação a um determinado produto 
fabricado por uma empresa. O consumidor ingressa em juízo e a sentença 
determina que a empresa deve efetuar o pagamento de uma indenização 
em dinheiro. O consumidor não consegue receber o que lhe é devido, pois 
a empresa utiliza uma série de expedientes para não efetuar o pagamen-
to, alegando, inclusive, que não possui dinheiro nem bens. Disserte sobre 
quais direitos são assegurados ao consumidor, pelo Código de Defesa do 
Consumidor, a fim de facilitar o recebimento do que lhe é devido.
LEGISLAÇÃO DO SEGURO
UNIDADE 5
105
05
SUPERVISÃO e FISCALIZAÇÃO de SEGUROS 
PRIVADOS, de PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 
ABERTA, CAPITALIZAÇÃO e CORRETAGEM
 ■ Conhecer o sistema nacional de regulação, 
supervisão e fiscalização de seguros 
privados, previdência, capitalização e 
corretagem, considerando seus efeitos e 
sua relevância para o mercado de seguros.
Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de:
⊲ AS PRINCIPAIS NORMAS LEGAIS 
E REGULAMENTARES
⊲ O SISTEMA NACIONAL DE 
REGULAÇÃO, SUPERVISÃO E 
FISCALIZAÇÃO DE SEGUROS 
PRIVADOS, DE PREVIDÊNCIA 
COMPLEMENTAR ABERTA, 
CAPITALIZAÇÃO E CORRETAGEM
⊲ COMPETÊNCIAS DOS ÓRGÃOS 
QUE COMPÕEM O SISTEMA 
NACIONAL DE REGULAÇÃO, 
SUPERVISÃO E FISCALIZAÇÃO DE 
SEGUROS PRIVADOS, PREVIDÊNCIA 
COMPLEMENTAR ABERTA, 
CAPITALIZAÇÃO E CORRETAGEM
⊲ AS OPERAÇÕES DE 
SEGUROS PRIVADOS
⊲ OS SEGUROS OBRIGATÓRIOS
⊲ RESSEGURO – LEI COMPLEMENTAR 
Nº 126/2007
⊲ FIXANDO CONCEITOS 5
TÓPICOS 
DESTA UNIDADE
O SISTEMA 
NACIONAL de 
REGULAÇÃO, 
UNIDADE 5
106LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 AS PRINCIPAIS NORMAS LEGAIS 
 E REGULAMENTARES 
Vamos começar esta unidade estudando as normas legais e infralegais.
Contudo, você pode estar se perguntando: qual a importância dessas normas?
A resposta é: muita importância!
Os profissionais que pretendem atuarnos setores de Seguros Privados, 
Previdência Complementar Aberta,Capitalização e Resseguros, bem como 
a corretagem de seguros, devem conhecer as principais normaslegais e 
infralegais regulamentares que se aplicam a tais atividades.
Conforme já falamos, essas atividades são regidas por um conjunto de 
normas legais e infralegais regulamentares (ex.: resoluções editadas pelo 
Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e circulares emanadas 
pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), as quais dispõem 
sobre a atividade dos seguros privados. São elas:
Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB): a Constituição 
da República Federativa do Brasil, de 1988, estabelece em seu art. 21, inci-
so VIII, que compete à União: “Administrar as reservas cambiais do País e 
fiscalizar as operações de natureza financeira, especialmente as de crédito, 
câmbio e capitalização, bem como as de seguros e de previdência privada”. 
No art. 22, inciso VII, dispõe que compete privativamente à União legislar 
sobre “política de crédito, câmbio, seguros e transferência de valores”.
Lei nº 4.594/1964 (com alterações posteriores): regula a profissão de 
corretor de seguros.
Importante
Desde 2019, o Ministério da 
Fazenda passou a ser chamado 
de Ministério da Economia. No 
decorrer deste manual ainda 
serão encontradas referências 
ao Ministério da Fazenda, pois 
 trata-se de citações históricas. 
UNIDADE 5
107LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Decreto nº 56.903/1965: regula a profissão de corretor de seguros de 
Vida e de Capitalização, de conformidade com o art. 32 da Lei nº 4.594, de 
29 de dezembro de 1964.
Decreto-Lei nº 73/1966: dispõe sobre o Sistema Nacional de Seguros Priva-
dos, regula as operações de seguros e resseguros e dá outras providências.
Decreto-Lei nº 261/1967: institui e regulamenta o Sistema Nacional de 
Capitalização.
Decreto nº 60.459/1967: regulamenta o Decreto-Lei nº 73, de 1966.
Lei nº 8.078/1990: cria o Código de Defesa do Consumidor.
Lei Complementar nº 109/2001: dispõe sobre o Regime de Previdência 
Complementar e dá outras providências.
Lei nº 10.406/2002 (o Código Civil, de 2002): contém disposições sobre 
a corretagem e seguros.
Lei Complementar nº 126/2007: dispõe sobre a política de resseguro, 
retrocessão e sua intermediação, as operações de cosseguro, as contra-
tações de seguro no exterior e as operações em moeda estrangeira do 
setor securitário; altera o Decreto-Lei nº 73/1966, e a Leinº 8.031/1990. 
Esse decreto-lei criou o Programa Nacional de Desestatização.
Lei Complementar nº 137/2010: autoriza a participação da União em 
fundo destinado à cobertura suplementar dos riscos do Seguro Rural, 
revogando e alterando disposições do Decreto-Lei nº 73/1966, instituindo, 
inclusive, as autorreguladoras da corretagem.
 O SISTEMA NACIONAL DE REGULAÇÃO, 
 SUPERVISÃO E FISCALIZAÇÃO DE 
 SEGUROS PRIVADOS, DE PREVIDÊNCIA 
 COMPLEMENTAR ABERTA, 
 CAPITALIZAÇÃO E CORRETAGEM 
Os assuntos relacionados a Seguros e Capitalização eram conduzidos no 
âmbito do Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização 
(DNSPC), vinculado ao então Ministério da Indústria e do Comércio, na for-
ma do Decreto nº 24.782/1934.
Em 21 de novembro de 1966, foi editado o Decreto-Lei nº 73, que, no art. 
35, criou a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), para a qual 
Vale a pena 
ler na íntegra
Por força das alterações 
promovidas no Decreto-Lei nº 
73/1966, pela Lei Complementar 
nº 126/2007, recomenda-se a 
leitura do texto integral atual 
daquele Decreto-Lei. 
www.planalto.gov.br
http://www.planalto.gov.br
UNIDADE 5
108LEGISLAÇÃO DO SEGURO
foram transferidos todo o acervo e a documentação do antigo DNSPC. 
Cabe acrescentar que, em 1979, a SUSEP passou a ser subordinada ao 
Ministério da Fazenda.
Foi esse mesmo Decreto-Lei que instituiu, no art. 8º, o Sistema Nacional de 
Seguros Privados (SNSP), o qual, originalmente, tinha a seguinte composição:
 ■ Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP).
 ■ Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).
 ■ Instituto de Resseguros do Brasil (IRB).
 ■ Sociedades autorizadas a operar em seguros privados.
 ■ Corretores habilitados.
Com a promulgação, em 15 de janeiro de 2007, da Lei Complementar nº 126, que, 
entre outras matérias, dispôs sobre a política de resseguros e retrocessão, 
promovendo a abertura do mercado ressegurador brasileiro em definitivo, a 
redação do art. 8º do Decreto-Lei nº 73/1966 foi modificada, de modo que o 
Sistema Nacional de Seguros Privados passou a ter a seguinte configuração:
 ■ Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP).
 ■ Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).
 ■ Resseguradores.
 ■ Sociedades autorizadas a operar em seguros privados.
 ■ Corretores habilitados.
O art. 192 da Constituição Federal de 1988, que trata do Sistema Financeiro 
Nacional, previa originalmente que a autorização e o funcionamento dos 
estabelecimentos de Seguro, Previdência e Capitalização, que compõem 
o referido sistema, seriam objeto de lei complementar.
Assim, com a promulgação da Constituição Federal em 5 de outubro 
de 1988, o Decreto-Lei nº 73/1966 passou a ter status de lei complemen-
tar, já que, desde a época da edição da referida Constituição, o referido 
decreto-lei era o único diploma legal que dispunha sobre as operações de 
Seguros Privados no país, tanto é que a própria Lei Complementar 126/2007 
efetuou alterações ao teor original do Decreto-Lei nº 73/1966, o que, indubi-
tavelmente, comprova a vigência e eficácia desse diploma legal.
O art. 192 da Constituição Federal foi objeto de sucessivas emendas cons-
titucionais. A última foi a Emenda Constitucional nº 40, de 29 de maio de 
2003. A redação atual daquele dispositivo é a seguinte:
Art. 192. O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a 
promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos 
interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem, 
abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado por leis 
Vale a pena ler 
na íntegra
A Lei Complementar nº 126/2007, 
que dispõe sobre a política de 
resseguro e retrocessão e dá 
outras providências, constitui um 
importantíssimo marco para o 
resseguro no Brasil. 
www.planalto.gov.br
Comentário
Antes da entrada em vigor 
da Lei Complementar 
nº 126/2007, quando ainda 
havia o monopólio estatal do 
resseguro no Brasil, exercido 
pelo Instituto de Resseguros do 
Brasil (IRB), cuja denominação 
social atual é IRB Brasil RE, 
este fazia parte diretamente 
do Sistema Nacional de 
Seguros Privados. Com a 
quebra desse monopólio, 
outros resseguradores 
puderam atuar no mercado 
brasileiro, e o próprio IRB 
permaneceu funcionando 
como ressegurador, mais 
precisamente na modalidade 
de ressegurador local.
www.planalto.gov.br
UNIDADE 5
109LEGISLAÇÃO DO SEGURO
complementares que disporão, inclusive, sobre a participação do 
capital estrangeiro nas instituições que o integram.
Como até hoje não foi editada nenhuma lei complementar tratando das 
operações de Seguros Privados no país, o Decreto-Lei nº 73/1966, conti-
nua a ser recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com status de 
lei complementar.
Com base nisso, a competência para formular a política de Seguros Priva-
dos, para legislar sobre suas normas gerais e para fiscalizar as operações do 
mercado nacional é do Governo Federal, conforme estabelecido no art. 7º do 
referido Decreto-Lei:
Art. 7º. Compete privativamente ao Governo Federal formular a 
política de seguros privados, legislar sobre suas normas gerais e 
fiscalizar as operações no mercado nacional (Redação dada pelo 
Decreto-Lei nº 296/1967).
Já as sociedades de capitalização, pertencem ao Sistema Nacional de 
Capitalização, instituído pelo art. 3º do Decreto-Lei nº 261/1967, tendo os 
seguintes integrantes:
 ■ Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP).
 ■ Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).
 ■ Sociedades autorizadas a operar em Capitalização.
Com a promulgação da Constituição Federal em 5 de outubro de 1988, 
o Decreto-Lei nº 261/1967 foi recepcionado pelo texto constitucional com 
status de lei complementar, a exemplo do que ocorrera com o Decreto-Lei 
nº 73/1966.
Em 26 de agosto de 2010, foi editada a Lei Complementar nº 137/2010, que 
modificou a redação dos parágrafos do art. 3º do Decreto-Lei nº 261/1967, 
conforme segue:
Art. 3º [...]
§ 1º Compete privativamente ao Conselho Nacional de Seguros Pri-
vados (CNSP) fixar as diretrizes e normas da política de capitalização 
e regulamentar as operações das sociedades do ramo, relativamen-
te às quais exercerá atribuições idênticas às estabelecidas para as 
sociedades de seguros, nos termos dos incisos I a VI, X a XII e XVII 
a XIX do art. 32 do Decreto-Lei nº 73, de 21 de novembro de 1966.
§ 2º A Susep é o órgão executor da política de capitalização traça-
da pelo CNSP, cabendo-lhe fiscalizar a constituição, organização, 
funcionamento e operações das sociedades do ramo, relativamen-
te às quais exercerá atribuições idênticas às estabelecidas para as 
sociedades de seguros, nos termos das alíneas “a”, “b”, “c”, “g”, “h”, 
“i”, “k” e “l” do art. 36 do Decreto-Lei nº 73/1966. (NR)
UNIDADE 5
110LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Já as Entidades Abertas de Previdência Complementar, eram regidas 
pela Lei nº 6.435/1977, que, nos arts. 8º e 9º, atribuía ao órgão norma-
tivo e executivo do Sistema Nacional de Seguros Privados (portanto, à 
SUSEP) o poder de regulamentar e fiscalizar as Entidades Abertas de 
Previdência Privada, prevendo, ainda no art. 10, que tais entidades seriam 
reguladas não apenas pelas disposições da mencionada lei, mas também 
pela legislação aplicável às sociedades seguradoras.
Porém, em 29 de maio de 2001, a Lei Complementar nº 109, que dispõe 
sobre o regime de Previdência Complementar, revogou, expressamente, a 
Lei nº 6.435/1977.
Mesmo assim, o art. 73 da Lei Complementar nº 109/2001 prevê que as 
entidades abertas serão reguladas também, no que couber, pela legislação 
aplicável às sociedades seguradoras. O art. 74, por sua vez, estabelece 
que as funções do órgão regulador e do órgão fiscalizador serão exer-
cidas, no que toca às entidades abertas, pelo Ministério da Fazenda, por 
intermédio do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e da Supe-
rintendência de Seguros Privados (SUSEP).
Assim, podemos entender que o CNSP exerce, no âmbito do SistemaNacional de Seguros Privados, do Sistema Nacional de Capitalização, 
bem como do Regime de Previdência Privada Complementar (somente no 
que se refere às entidades abertas), as mesmas atribuições. A situação da 
SUSEP é assemelhada à do CNSP no âmbito de atuação, ainda que com 
competências distintas.
No âmbito da previdência privada complementar, tem-se, por exemplo, a 
Resolução CNSP nº 345/2017, que dispõe sobre as coberturas passíveis 
de serem oferecidas a entidades fechadas de previdência complementar 
por sociedades seguradoras autorizadas a operar em seguro de pessoas 
e sobre os correspondentes planos de seguro ou de pecúlio. Dessa forma, 
resta evidente a competência de fixar diretrizes do CNSP.
Por tais razões é que se pode falar na coexistência legal de dois sistemas 
distintos, sendo um de “Seguros Privados” e outro de “Capitalização”, con-
forme acabamos de estudar.
Considerando as competências privativas do órgão regulador (CNSP) e 
do órgão supervisor e fiscalizador (SUSEP), bem como a atuação e ope-
racionalidade das sociedades seguradoras e resseguradoras; sociedades 
de capitalização; sociedades de vida e previdência; entidades abertas de 
previdência complementar; corretores de seguros e de resseguros; cor-
retores de vida, de capitalização e de previdência complementar aber-
ta, pode-se dizer que foi estabelecido um integrado Sistema Nacional de 
Regulação, Supervisão e Fiscalização para tais setores, mercados e ativi-
dades, assim constituídos:
UNIDADE 5
111LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Órgãos Oficiais:
 ■ Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) – regulador.
 ■ Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) – supervisor e 
fiscalizador.
Administrados, supervisionados e fiscalizados:
 ■ Resseguradores.
 ■ Sociedades autorizadas a operar em seguros privados, incluindo 
as de vida e previdência.
 ■ Entidades abertas de Previdência Complementar.
 ■ Sociedades de Capitalização.
 ■ Corretores habilitados.
 COMPETÊNCIAS DOS ÓRGÃOS QUE COMPÕEM 
 O SISTEMA NACIONAL DE REGULAÇÃO, 
 SUPERVISÃO E FISCALIZAÇÃO DE 
 SEGUROS PRIVADOS, PREVIDÊNCIA 
 COMPLEMENTAR ABERTA, 
 CAPITALIZAÇÃO E CORRETAGEM 
Agora, vamos estudar as competências dos órgãos do Sistema Nacional 
de Regulação, Supervisão e Fiscalização.
 — Compete ao Conselho Nacional 
de Seguros Privados (CNSP)
O Decreto-Lei nº 73/1966 criou, por meio do art. 32, o Conselho Nacional 
de Seguros Privados (CNSP), um órgão colegiado, sem personalidade jurí-
dica, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, composto, atual-
mente, na forma da Lei nº 10.190/2001 (que deu nova redação ao art. 33 do 
Decreto-Lei nº 73/1966), pelos seguintes membros:
 ■ Ministro de Estado da Fazenda ou seu representante.
 ■ Superintendente da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).
 ■ Um representante do Ministério da Justiça.
 ■ Um representante do Ministério da Previdência e Assistência Social.
UNIDADE 5
112LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 ■ Um representante do Banco Central do Brasil.
 ■ Um representante da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Sua principal responsabilidade consiste na fixação das diretrizes e normas 
da política de seguros privados estabelecida pelo Governo Federal. Cabe 
analisar, a seguir, cada uma das competências atribuídas ao CNSP pelo 
referido Decreto-Lei:
Art. 32. É criado o Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), 
ao qual compete privativamente (artigo retificado pelo Decreto-Lei 
nº 296/1967).
I – fixar as diretrizes e normas da política de seguros privados;
Comentário
No inciso I, fica claro que o CNSP, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, é 
o órgão responsável por fixar as diretrizes e as normas da política de Seguros Privados 
no país. O referido conselho, baseado na política econômica estabelecida pelo Minis-
tério da Fazenda, delimita a política de Seguros Privados, e esta deve estar, portanto, 
inteiramente integrada à política econômica. É necessário compreender que formular 
ou fixar as diretrizes e normas da política de Seguros Privados é competência privativa 
do Poder Executivo, bem como enviar proposição de normas legais ao Poder Legisla-
tivo, assim como editar decretos e medidas provisórias. Os órgãos jurisdicionados ao 
Ministério da Fazenda, no caso, o CNSP e a SUSEP, têm a competência privativa de 
editar normas infralegais, resoluções e circulares, respectivamente.
II – regular a constituição, organização, funcionamento e fiscaliza-
ção dos que exercerem atividades subordinadas a este Decreto-Lei, 
bem como a aplicação das penalidades previstas;
III – estipular índices e demais condições técnicas sobre tarifas, 
investimentos e outras relações patrimoniais a serem observadas 
pelas sociedades seguradoras;
IV – fixar as características gerais dos contratos de seguros;
Comentário
Trata-se de mais uma atribuição relacionada à política econômica do país, objetivando 
evitar que as seguradoras apliquem tarifas/preços fora da realidade econômica ou, 
então, possam extrapolar o poder que exercerão nas operações que conceberão. O 
CNSP é o órgão controlador dos respectivos índices.
UNIDADE 5
113LEGISLAÇÃO DO SEGURO
V – fixar normas gerais de contabilidade e estatística a serem 
observadas pelas sociedades seguradoras;
VI – delimitar o capital das sociedades seguradoras e dos ressegu-
radores; (inciso alterado pela Lei Complementar nº 126/2007).
VII – estabelecer as diretrizes gerais das operações de resseguro;
Comentário
O Código Civil e o Código de Defesa do Consumidor tratam das normas gerais — e 
algumas específicas — a respeito dos contratos. Por exemplo, o Código Civil estabele-
ce limites para os contratos de adesão, mas não fixa as respectivas cláusulas. Cabe ao 
CNSP delimitar essas características gerais, sempre respeitando as normas já expressas 
nos referidos códigos.
Comentário
Ao fixar as normas gerais de contabilidade e estatística que deverão ser observadas 
pelas sociedades seguradoras, o CNSP acaba exercendo uma espécie de controle em 
relação à gestão das próprias sociedades, zelando pelos investimentos dos segurados, 
bem como pelo lastro de capital necessário para garantir possíveis e futuras indeniza-
ções, além da veracidade dos lançamentos para efeitos tributários.
Comentário
É outra atribuição com características de proteção, no sentido de garantir o cumpri-
mento das obrigações assumidas pelas sociedades seguradoras. Esse inciso teve a 
redação alterada pela Lei Complementar nº 126/2007, a qual deu nova concepção às 
operações de resseguro.
Comentário
Como vimos, a Lei Complementar nº 126/2007 estabeleceu uma sistemática específica 
para as operações de resseguro. O CNSP é o órgão responsável por estabelecer as 
diretrizes gerais dessas operações.
UNIDADE 5
114LEGISLAÇÃO DO SEGURO
VIII – disciplinar as operações de cosseguro (inciso alterado pela 
Lei Complementar nº 126, de 2007);
IX – (inciso revogado pela Lei Complementar nº 126/07);
X – aplicar às sociedades seguradoras estrangeiras autorizadas a 
funcionar no País as mesmas vedações ou restrições equivalentes 
às que vigorarem nos países da matriz, em relação às sociedades 
seguradoras brasileiras ali instaladas ou que neles desejem esta-
belecer-se;
Comentário
O inciso X estabelece como atribuição do CNSP um princípio de direito internacional, 
denominado “princípio da reciprocidade”, pelo qual se dá ao estrangeiro o mesmo 
tratamento deferido ao nacional no país de origem daquele.
XI – prescrever os critérios de constituição das sociedades segu-
radoras, com fixação dos limites legais e técnicos das operações 
de seguro;
Comentário
As sociedades seguradoras devem ser concebidas na forma jurídica de sociedades 
anônimas, cabendo ao CNSP estabelecer os critérios pelos quais poderão ser efetiva-
mente constituídas.
XII – disciplinar a corretagem de seguros e a profissão de corretor;
Comentário
A corretagem de seguros e a profissão de corretor de seguros devem ser disciplinadaspelo CNSP, ao qual compete estabelecer as suas diretrizes e os seus requisitos. É preciso 
registrar que a Lei nº 4.594/1964 estabelece os requisitos necessários para o exercício 
da profissão de corretor de seguros, exigindo o seu competente registro junto à SUSEP. 
A Circular SUSEP nº 510/2015, com alterações promovidas pelas Circulares SUSEP nos 
514/2015, 520/2015 e 532/2016, dispõe sobre o registro de corretor de seguros, de capi-
talização e de previdência, pessoa física e pessoa jurídica, e sobre a atividade de correta-
gem de seguros, de capitalização e de previdência.
XIII – (inciso revogado pela Lei Complementar nº 126/2007);
UNIDADE 5
115LEGISLAÇÃO DO SEGURO
XIV – decidir sobre sua própria organização, elaborando o respec-
tivo Regimento Interno;
Comentário
O próprio CNSP estabelecerá a sua organização, ditando como serão realizadas as suas 
atividades, compondo, inclusive, o seu próprio regimento interno.
XV – regular a organização, a composição e o funcionamento de 
suas Comissões Consultivas;
Comentário
O CNSP está autorizado a criar e a manter comissões consultivas com o objetivo não 
somente de analisar questões específicas, mas também de dirimir dúvidas sobre questões 
que lhe sejam apresentadas.
XVI – regular a instalação e o funcionamento das Bolsas de Seguro.
Comentário
Embora haja previsão legal para regulação, instalação e funcionamento das Bolsas de Se-
guro, na realidade, elas não existem, e não há qualquer marco regulatório nesse sentido.
XVII – fixar as condições de constituição e extinção de entidades 
autorreguladoras do mercado de corretagem, sua forma jurídica, 
seus órgãos de administração e a forma de preenchimento de car-
gos administrativos;
XVIII – regular o exercício do poder disciplinar das entidades autor-
reguladoras do mercado de corretagem sobre seus membros, 
inclusive do poder de impor penalidades e de excluir membros;
XIX – disciplinar a administração das entidades autorreguladoras 
do mercado de corretagem e a fixação de emolumentos, comis-
sões e quaisquer outras despesas cobradas por tais entidades, 
quando for o caso. (NR)
UNIDADE 5
116LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Comentário
O CNSP editou, em abril de 2011, a Resolução nº 233, que dispõe sobre as condições 
de constituição, organização, funcionamento e extinção de entidades autorreguladoras 
do mercado de corretagem de seguros, resseguros, de capitalização e de previdência 
complementar aberta, na condição de auxiliares da SUSEP, e dá outras providências. Tal 
resolução foi alterada pela Resolução CNSP nº 251/2012 e regulamentada pela Circular 
SUSEP nº 435/2012.
No ano de 2004, foi aprovada a Resolução CNSP nº 111, a qual teve por 
objetivo adequar as competências do CNSP às determinações contidas no 
Decreto-Lei nº 73/1966.
Essa resolução praticamente reproduziu as mesmas atribuições presentes 
no Decreto-Lei nº 73/1966. Além disso, conforme exposto anteriormente, a 
Lei Complementar nº 137, de 2010, ampliou ainda mais as competências do 
CNSP, com a instituição das entidades autorreguladoras do mercado de 
corretagem.
 — Compete à Superintendência 
de Seguros Privados (SUSEP)
O art. 36 do Decreto-Lei nº 73/1966 atribui à Superintendência de Seguros 
Privados (SUSEP) a missão de executar a política traçada pelo CNSP e, 
entre outras obrigações, conferiu-lhe, de forma especial, a missão de fis-
calizar a constituição, a organização, o funcionamento e as operações das 
sociedades seguradoras.
A SUSEP é uma entidade autárquica pertencente aos quadros da adminis-
tração federal indireta, dotada de personalidade jurídica de Direito Público. 
É o órgão responsável pela fiscalização e supervisão dos mercados de 
Seguros, Resseguros, Previdência Complementar Aberta, Capitalização e 
Corretagem.
Seus poderes estão estabelecidos no art. 36 do Decreto-Lei nº 73/1966, 
cujo texto é o seguinte:
Art. 36. Compete à SUSEP, na qualidade de executora da política 
traçada pelo CNSP, como órgão fiscalizador da constituição, orga-
nização, funcionamento e operações das sociedades seguradoras:
Vale a pena 
ler na íntegra
A Resolução nº 233/2011 
do CNSP estabelece, no 
art. 3º, que “as entidades 
autorreguladoras terão por 
objetivo zelar pela observância 
às normas jurídicas, em 
especial pelos direitos dos 
consumidores, e fomentar 
a elevação de padrões 
éticos dos membros do 
mercado de corretagem, bem 
como as boas práticas de 
conduta no relacionamento 
profissional com segurados, 
corretores e sociedades 
seguradoras, resseguradoras, 
de capitalização e entidades 
abertas de previdência 
complementar”. 
www.susep.gov.br
www.susep.gov.br
UNIDADE 5
117LEGISLAÇÃO DO SEGURO
a) processar os pedidos de autorização para constituição, organiza-
ção, funcionamento, fusão, encampação, grupamento, transferên-
cia de controle acionário e reforma dos estatutos das sociedades 
seguradoras, opinar sobre os mesmos e encaminhá-los ao CNSP;
b) baixar instruções e expedir circulares relativas à regulamentação 
das operações de seguro, de acordo com as diretrizes do CNSP;
c) fixar condições de apólices, planos de operações e tarifas a serem 
utilizadas obrigatoriamente pelo mercado segurador nacional;
Comentário
Nesse artigo, fica claro que as competências e atividades finalísticas da SUSEP devem, 
obrigatoriamente, seguir a política traçada pelo CNSP. Dessa forma, ela deve fiscalizar a 
constituição, a organização, o funcionamento e as operações das sociedades seguradoras 
com independência, incentivando o desenvolvimento do setor, mas nos limites da política 
estabelecida pelo CNSP.
Comentário
Assim, as sociedades seguradoras devem submeter seus processos de constituição, 
organização, funcionamento, fusão, encampação, grupamento, transferência de controle 
acionário e reforma dos estatutos à SUSEP para fins de processamento, análise e cumpri-
mento das condicionantes legais, bem como para fins de encaminhamento ao CNSP.
Comentário
A SUSEP, por meio de circulares e instruções normativas, edita normas e instruções com-
plementares com vistas ao cumprimento das diretrizes estabelecidas pelo CNSP.
Comentário
O CNSP estabelece os índices e as demais condições técnicas a respeito das tarifas a se-
rem observadas pelas sociedades seguradoras no caso de seguros cujos prêmios são tari-
fados. A SUSEP, por sua vez, cumpre tais determinações, fixando, nos limites estabelecidos 
pelo referido conselho, as condições das apólices e os respectivos planos de operações.
UNIDADE 5
118LEGISLAÇÃO DO SEGURO
d) aprovar os limites de operações das sociedades seguradoras, 
de conformidade com o critério fixado pelo CNSP;
e) examinar e aprovar as condições de coberturas especiais, bem 
como fixar as taxas aplicáveis (alínea retificada pelo Decreto-Lei nº 
296/1967).
f) autorizar a movimentação e liberação dos bens e valores obriga-
toriamente inscritos em garantia das reservas técnicas e do capital 
vinculado;
g) fiscalizar a execução das normas gerais de contabilidade e esta-
tística fixadas pelo CNSP para as sociedades seguradoras;
Comentário
O CNSP deverá estabelecer os critérios para os limites de operações das sociedades 
seguradoras. Esses critérios devem ser observados pela SUSEP no exercício de suas ativi-
dades de controle e de fiscalização das referidas sociedades.
Comentário
As seguradoras, muitas vezes, propõem coberturas especiais. Cabe à SUSEP examinar tais 
propostas, aprová-las e estabelecer as taxas que poderão ser exercidas por elas.
Comentário
As sociedades seguradoras, quando constituídas, devem obrigatoriamente manter reserva 
de bens e valores como lastro para suas operações. Esses bens e valores poderão, em 
algumas oportunidades, ser liberados ou movimentados. São os denominados bens garan-
tidores das reservas técnicas. Cabe à SUSEP analisar as respectivas razões e circunstân-
cias dessas liberações ou movimentações, quando necessárias ou justificáveis, podendo 
ou não dar a autorização.da norma, torna-se inseparável do Direito.
UNIDADE 1
15DIREITO DO SEGURO
O Direito é, também, um fenômeno social, pois surge, essencialmente, das 
relações sociais intersubjetivas, a exemplo do que ocorre com outros fenô-
menos sociais, como a religião e a política, entre outros.
Desse modo, sendo o Direito um fenômeno social, nada mais natural do 
que admitirmos que o Direito é dinâmico, visto que, à medida que a socie-
dade muda seus conceitos, naturalmente, o Direito também se adapta a 
essa nova sociedade.
Podemos citar inúmeros exemplos em que o Direito se modificou em virtu-
de de a própria sociedade ter se modificado (ex.: Lei do Divórcio, direito a 
voto das mulheres, entre outros).
O chamado Direito Positivo (ou Direito escrito) consiste num conjunto orde-
nado e sistemático de normas jurídicas obrigatórias que o Estado, fazendo 
uso de suas competências, impõe à sociedade.
As normas jurídicas possuem, portanto, um caráter coercitivo, ou seja, não 
estão sujeitas ao livre-arbítrio da vontade individual. Elas regem condutas 
essenciais para o convívio social, o bem coletivo, o equilíbrio das relações 
humanas e a manutenção da ordem.
As normas jurídicas estão divididas em regras e princípios. As regras impõem, 
permitem ou proíbem uma conduta de forma imperativa. Um exemplo de 
regra está no inciso I do art. 162 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB – Lei nº 
9.503/1997, que trata das infrações de trânsito e prevê que dirigir veículo sem 
possuir Carteira Nacional de Habilitação ou Permissão para Dirigir constitui 
infração gravíssima, sujeitando o infrator a multa e apreensão do veículo.
Já os princípios enunciam valores ou abrigam direitos, mas não qualificam 
juridicamente as condutas. Pode ser citado, como exemplo, o princípio da 
dignidade da pessoa humana, presente no art. 1º, III, da Constituição Federal 
de 1988. Este princípio trata do respeito à identidade e à integridade de todo 
e qualquer ser humano.
 — Direito Objetivo e Subjetivo
A palavra “direito” tem diferentes sentidos ou acepções, tornando-se pratica-
mente impossível reuni-las numa única fórmula significativa. As mais impor-
tantes são traduzidas pelas expressões direito objetivo e Direito subjetivo.
O Direito objetivo designa o Direito enquanto regra de ação, isto é, o con-
junto de regras vigentes num determinado momento para reger as relações 
humanas, que são impostas, coativamente, à obediência de todos. Temos 
como exemplo o Código Civil, o Código Penal ou a Lei do Inquilinato.
O Direito subjetivo, a seu turno, encerra o poder de ação derivado da nor-
ma, isto é, a faculdade ou prerrogativa de o indivíduo invocar a lei em seu 
interesse. Assim, ao direito subjetivo de uma pessoa corresponde sempre 
Importante
O Direito positivo é imposto à 
sociedade pelo Estado a partir 
de um conjunto sistemático de 
normas jurídicas.
Importante
Direito objetivo
Conjunto de regras vigentes 
que definem relações 
humanas.
Direito subjetivo
Ação facultativa que deriva da 
norma que o indivíduo pode 
usar a seu favor.
UNIDADE 1
16DIREITO DO SEGURO
o dever de outra, que, se não o cumprir, poderá ser compelida a observá-lo 
por meio de medidas judiciais. Desta forma, se um inquilino não paga o 
aluguel, o proprietário tem o direito subjetivo de promover o despejo.
 — Direito Público e Privado
O Direito pode ser dividido em dois ramos básicos: Direito Público e Direito 
Privado. Essa famosa classificação do Direito já era, de certa forma, conhe-
cida na antiga Roma.
O Direito Público disciplina os interesses gerais da coletividade e se carac-
teriza pela imperatividade de suas normas, que não podem nunca ser afas-
tadas por convenção dos particulares. 
Já o Direito Privado versa sobre as relações dos indivíduos entre si, tendo 
na supletividade de seus preceitos a nota característica, isto é, vigora ape-
nas enquanto a vontade dos interessados não disponha de modo diferente 
que o previsto pelo legislador.
Dessa forma, ocorre que:
Direito Público 
Regula os interesses predominantes da sociedade, considerada 
como um todo. Nas relações de Direito Público, o Estado participa 
como sujeito ativo (titular do poder jurídico) ou como sujeito pas-
sivo (destinatário do dever jurídico), mas sempre como órgão da 
sociedade e, portanto, sem perder a posição de supremacia ou 
poder de império. Exemplos: cobrança de impostos, ação criminal, 
matéria constitucional, entre outros.
Direito Privado 
Regula as relações entre particulares. Nas relações jurídicas de Direi-
to Privado, o Estado pode participar como sujeito ativo ou passivo, 
em regime de coordenação com os particulares, isto é, dispensando 
sua supremacia ou poder de império. Exemplos: contrato de seguro, 
locação de bens, cobrança de dívidas, casamento, entre outros.
 — Fontes do Direito
As fontes do Direito são a sua origem primária, o seu modo de expres-
são, a partir das quais os intérpretes do Direito e o Poder Judiciário, no 
exercício de sua função julgadora, se socorre para buscar a solução dos 
conflitos apresentados. A palavra “fonte” deriva do latim fons, fontis, que 
significa “nascente”, designando tudo o que origina ou produz algo. A 
expressão “fontes do Direito”, portanto, encerra uma metáfora para indi-
car a própria gênese do Direito, ou seja, os meios pelos quais se formam 
as regras jurídicas.
Importante
Segundo a Constituição 
Federal, não será objeto de 
deliberação a proposta de 
emenda que tende a abolir a 
forma federativa de Estado, o 
voto direto, secreto, universal 
e periódico; a separação 
dos poderes e os direitos e 
garantias individuais.
UNIDADE 1
17DIREITO DO SEGURO
As principais fontes do Direito são as seguintes:
Lei
É a norma jurídica escrita, comum e obrigatória, emanada pelo 
Poder competente e provida de sanção (força coercitiva). A expres-
são “lei”, portanto, abrange toda e qualquer norma jurídica, esteja 
ela inserida na Constituição, em lei complementar, lei ordinária, 
decreto ou regulamento, entre outros.
Costume
É a “norma jurídica que resulta de uma prática geral, constante e 
prolongada, observada com a convicção de que é juridicamen-
te obrigatória”. Como as leis escritas não compreendem todo o 
Direito, existem as normas costumeiras, também chamadas con-
suetudinárias, que obrigam, igualmente, ainda que não constem 
de preceitos aprovados por órgãos competentes. Quando o caso 
concreto não se enquadra em qualquer norma jurídica existente 
no ordenamento, essa omissão legislativa exige que o juiz dê a 
sentença com base nos costumes. 
Doutrina 
É o resultado do estudo de pensadores ( juristas e filósofos) sobre 
o Direito, expresso em livros, pareceres e outros trabalhos. A dou-
trina desempenha o papel de guia para o julgador e de subsídio e 
orientação para o legislador.
Jurisprudência
É o conjunto de reiteradas decisões dos tribunais sobre determi-
nada matéria. A interpretação e a aplicação das normas jurídicas 
pelos tribunais repetidas vezes sobre um mesmo assunto tendem 
a criar precedentes que poderão ser invocados pelas partes e apli-
cados pelos juízes a casos análogos. Pode haver decisões confli-
tantes dentro do mesmo tribunal até que a questão seja pacifica-
da, o que em nada desnatura o valor das decisões proferidas pelo 
Poder Judiciário. O entendimento predominante sobre determina-
da matéria num tribunal pode ser pacificado por meio da chamada 
“súmula”, a qual, no entanto, não é imperativa.1 
 — A Constituição Federal de 1988
O ordenamento jurídico brasileiro é composto por inúmeras normas jurídi-
cas, e a Constituição Federal de 1988 ocupa a mais alta posição hierárqui-
ca, sendo conhecida, inclusive, como lei fundamental ou magna.
Saiba mais
A Jurisprudência vem 
ganhando importância como 
fonte do Direito, principalmente 
a Jurisprudência sedimentada 
nos tribunais superiores, 
relativa ao seguro, que será 
estudada mais à frente.
1 A única exceção é feita à 
chamadaUNIDADE 5
119LEGISLAÇÃO DO SEGURO
h) fiscalizar as operações das sociedades seguradoras, inclusive o 
exato cumprimento deste Decreto-Lei, de outras leis pertinentes, 
disposições regulamentares em geral, resoluções do CNSP e apli-
car as penalidades cabíveis;
Comentário
Assim, por esse texto legal, constata-se que a SUSEP é o órgão responsável pela fisca-
lização das operações securitárias, zelando pelo cumprimento do universo de leis que 
versam sobre seguros, inclusive as que tratam do regime repressivo. Obviamente, o poder 
fiscalizador somente se completa se aliado ao poder delegado e constituído de aplicar as 
penalidades cabíveis. Caso o operador do seguro cometa qualquer infração, será a SUSEP 
a responsável pela realização do respectivo procedimento administrativo sancionador, que 
apenará o infrator. As formalidades dos processos administrativos sancionadores, por força 
de determinação legal, inclusive da Constituição Federal, devem garantir os direitos funda-
mentais dos administrados (o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa).
i) proceder à liquidação das sociedades seguradoras que tiverem 
cassada a autorização para funcionar no País;
Comentário
É evidente que a contabilidade de uma empresa possui estreita relação com as obriga-
ções tributárias, haja vista estabelecer um diagnóstico de suas operações financeiras. O 
CNSP fixa as normas contábeis e de estatísticas que deverão ser seguidas pelas socieda-
des seguradoras, cabendo à SUSEP fiscalizar o seu cumprimento.
Comentário
A liquidação e o encerramento das atividades de uma sociedade seguradora, em decor-
rência de má gestão administrativa, implicam consequências danosas para a imagem do 
mercado. Nos regimes especiais, conforme previsto pelo Decreto-Lei nº 73/1966, a so-
ciedade supervisionada pela SUSEP, antes da decretação de sua liquidação extrajudicial, 
ainda passa pela direção fiscal (com um diretor fiscal indicado pela SUSEP) e pela interven-
ção. A Lei Federal nº 6.024/1974 dispõe sobre a intervenção e a liquidação extrajudicial de 
instituições financeiras.
UNIDADE 5
120LEGISLAÇÃO DO SEGURO
j) organizar seus serviços, elaborar e executar seu orçamento;
k) fiscalizar as operações das entidades autorreguladoras do mer-
cado de corretagem, inclusive o exato cumprimento deste Decre-
to-Lei, de outras leis pertinentes, de disposições regulamentares 
em geral e de resoluções do Conselho Nacional de Seguros Priva-
dos (CNSP), e aplicar as penalidades cabíveis; e
l) celebrar convênios para a execução dos serviços de sua com-
petência em qualquer parte do território nacional, observadas as 
normas da legislação em vigor.
Comentário
Esses dispositivos estão relacionados à fiscalização, pela SUSEP, das operações das enti-
dades autorreguladoras e ao cumprimento da legislação pertinente. É importante salientar 
que as entidades autorreguladoras são entidades de direito privado autorizadas a funcionar 
como órgãos auxiliares da SUSEP, na forma da Resolução nº 233/2011 do CNSP, que foi alte-
rada pela Resolução CNSP nº 251/2012 e regulamentada pela Circular SUSEP nº 435/2012.
Importante
Relativamente à competência da SUSEP, convém registrar que a Lei Complementar 
nº 126/2007, no seu art. 3º, parágrafo único, estabelece o seguinte:
“Art. 3º. A fiscalização das operações de cosseguro, resseguro, retrocessão e sua 
intermediação será exercida pelo órgão fiscalizador de seguros, conforme definido 
em lei, sem prejuízo das atribuições dos órgãos fiscalizadores das demais cedentes.
Parágrafo único. Ao órgão fiscalizador de seguros, no que se refere aos ressegu-
radores, intermediários e suas respectivas atividades, caberão as mesmas atribui-
ções que detém para as sociedades seguradoras, corretores de seguros e suas 
respectivas atividades.”
Comentário
A SUSEP está organizada e estruturada em função do contido no Decreto nº 7.409/2009, 
e de seu regimento interno. A título de ilustração, o regimento interno atual está contido no 
anexo da Resolução CNSP nº 338/2016, o qual pode ser, no curso do tempo, mantido, altera-
do ou revogado quando for editado outro em substituição ao atual.
UNIDADE 5
121LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 — Compete ao Conselho de Recursos 
do Sistema Nacional de Seguros 
Privados, de Previdência Privada 
Aberta e de Capitalização (CRSNSP)
O Conselho de Recursos do Sistema Nacional de Seguros Privados, 
de Previdência Privada Aberta e de Capitalização (CRSNSP) é um 
órgão integrante da estrutura básica do Ministério da Fazenda e surgiu 
com o advento da Medida Provisória nº 1.689-5/1998.
A referida medida provisória apresentou o CRSNSP como órgão inte-
grante do Ministério da Fazenda, mas suas atribuições foram então esta-
belecidas pelo Decreto nº 2.824/1998, alterado pelo Decreto nº 8.051/2013 
e revogado pelo Decreto nº 8.634/2016, publicado no D.O.U de 13 de 
janeiro de 2016.
A principal atribuição do CRSNSP consiste no julgamento, em última ins-
tância administrativa, dos recursos interpostos em face das decisões pro-
feridas pela SUSEP, em processos administrativos sancionadores.
O fato de o CRSNSP ser a última instância recursal administrativa não sig-
nifica que os supervisionados não possam buscar a tutela jurisdicional do 
Estado pela via judicial.
O CRSNSP será integrado por dez conselheiros titulares e respectivos 
suplentes, de reconhecida capacidade técnica e possuidores de conheci-
mentos especializados nas matérias de competência do Conselho, obser-
vada a seguinte composição:
I - três conselheiros titulares e dois suplentes indicados pelo Ministério da 
Fazenda;
II - dois conselheiros titulares e um suplente indicados pela Superintendên-
cia de Seguros Privado; e
III - cinco conselheiros titulares e respectivos suplentes indicados, em lista trí-
plice, pelas entidades representativas dos mercados de seguro, de previdên-
cia privada aberta, de capitalização, de resseguro e de corretagem de seguro.
Comentário
A composição, a organização e o funcionamento do CRSNSP serão fixados no Regimento 
Interno, o qual foi aprovado na forma do anexo à Portaria Ministério da Fazenda nº 38/2016, 
recentemente alterada pela Portaria 477/2018.
UNIDADE 5
122LEGISLAÇÃO DO SEGURO
O Presidente do Conselho terá como Presidente o representante do Minis-
tério da Fazenda, designado pelo Ministro do Estado da Fazenda.
Uma importante inovação do Decreto nº 8.051/2013 foi a possibilidade de 
Ato do Ministro da Fazenda criar Câmara Extraordinária, em caráter tempo-
rário, para reduzir a quantidade de recursos pendentes de julgamento ou 
acelerar seu julgamento no Conselho.
A Câmara Extraordinária será composta pelos Conselheiros Suplentes e 
presidida por representante do Ministério da Fazenda.
Comentário
É importante destacar que, junto ao CRSNSP, atuam Procuradores Federais, da estrutura da 
Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), com a atribuição de zelar pela fiel obser-
vância das leis, decretos, regulamentos e demais atos normativos.
 AS OPERAÇÕES DE 
 SEGUROS PRIVADOS 
As operações de seguros privados no Brasil estão representadas pelas 
várias modalidades de seguros facultativos, assim como os obrigatórios.
É o Decreto-Lei nº 73/1966, que estabelece as normas das operações de 
Seguros Privados no território nacional. Convém analisar, nesse aspecto, 
alguns de seus dispositivos:
Art. 1º. Todas as operações de seguros privados realizados no 
País ficarão subordinadas às disposições do presente Decreto-Lei.
Art. 2º. O controle do Estado se exercerá pelos órgãos instituídos 
neste Decreto-Lei, no interesse dos segurados e beneficiários dos 
contratos de seguro.
Art. 3º. Consideram-se operações de seguros privados os segu-
ros de coisas, pessoas, bens, responsabilidades, obrigações, 
direitos e garantias.
Comentário
Portanto, o número de representantes no CRSNSP revelou a valorização da participação 
das entidades privadas nas decisões de última instância na esfera administrativa.UNIDADE 5
123LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Parágrafo único. Ficam excluídos das disposições deste Decre-
to-Lei os seguros do âmbito da Previdência Social, regidos pela 
legislação especial pertinente.
Comentário
Em outras palavras, pode haver interesse segurável relativo a coisas, pessoas, bens, 
responsabilidades, obrigações, direitos e garantias. Isso revela a abrangência das 
operações de seguros. O Código Civil apresentou os seguros em duas categorias, a 
saber: os Seguros de Danos e os Seguros de Pessoas. A Circular SUSEP nº 554/2017 
alterou a Circular nº 535/2016, de modo que esta última consolida a codificação dos 
ramos de seguro, além de dispor sobre as coberturas contidas nos planos de seguro. 
Embora a circular esteja elaborada para fins de contabilização, a leitura dos ANEXOS I 
e II dessa última circular é muito interessante para que se compreendam a dimensão e 
a abrangência dos ramos e grupos de seguros. Como se conclui da leitura do art. 3º do 
Decreto-Lei nº 73/1996, operações em Seguros Privados têm uma enorme abrangên-
cia. Um exemplo interessante sobre a abrangência e as dimensões do seguro está 
justamente no Seguro de Responsabilidade Civil de diretores e administradores de 
pessoas jurídicas, também conhecido como RC D&O, em referência às palavras em 
inglês Directors and Offices. 
A Circular SUSEP nº 553/2017 foi editada recentemente, estabelecendo diretrizes 
gerais aplicáveis a esse tipo de seguro. É interessante perceber que, embora seja esse 
um Seguro de Responsabilidades (grupo), sua abrangência, em termos de proteção, 
transcende uma única categorização, visto que protege pessoas físicas que exerçam, 
ou tenham exercido, cargos de gestão, por seus atos ilícitos e culposos praticados no 
exercício das funções de gestão e que tenham causado danos a terceiros, sejam eles 
de natureza material, financeira, corporal, ambiental, entre outros, além de descumpri-
mento de obrigações como as tributárias, de modo que pode ser contratado pela pes-
soa jurídica, à qual os administradores estão vinculados. Com isso, pode-se perceber 
que as operações em Seguros Privados têm elevado grau de complexidade.
Comentário
Esse dispositivo estabelece que os seguros relacionados à Previdência Social, a exemplo 
do Seguro de Acidentes do Trabalho, não são regulados pelo Decreto-Lei nº 73/1966. A 
Previdência Social é regida pela Lei nº 8.213/1991, não sendo alvo de análise no presen-
te estudo.
UNIDADE 5
124LEGISLAÇÃO DO SEGURO
O art. 4º trata do cosseguro, do resseguro e da retrocessão:
“Art 4º. Integra-se nas operações de seguros privados o sistema 
de cosseguro, resseguro e retrocessão, por forma a pulverizar os 
riscos e fortalecer as relações econômicas do mercado.
Parágrafo único. Aplicam-se aos estabelecimentos autorizados 
a operar em resseguro e retrocessão, no que couber, as regras 
estabelecidas para as sociedades seguradoras (Incluído pela Lei 
nº 9.932, de 1999).”
O inciso I do art. 5º do Decreto-Lei nº 73/1966, estabelece as metas a 
serem atingidas pela política de seguros privados.
Art. 5º. A política de seguros privados objetivará:
I – promover a expansão do mercado de seguros e propiciar con-
dições operacionais necessárias para sua integração no processo 
econômico e social do País;
Comentário
A política de Seguros Privados concentra seus esforços no crescimento do mercado 
de seguros. Não se trata de uma expansão desenfreada a qualquer custo, mas sim de 
forma harmônica com o processo econômico e social do país. Esta é uma das razões 
pelas quais as operações de Seguros Privados são controladas pelo Ministério da Fa-
zenda, por intermédio do CNSP e da SUSEP, responsável pela formulação da política e 
manutenção da ordem econômica do Brasil.
II – evitar evasão de divisas, pelo equilíbrio do balanço dos resulta-
dos do intercâmbio, de negócios com o exterior;
III – firmar o princípio da reciprocidade em operações de seguro, 
condicionando à autorização para o funcionamento de empresas 
e firmas estrangeiras a igualdade de condições no país de origem 
(Redação dada pelo Decreto-Lei nº 296/1967).
Cosseguro
Ocorre quando duas ou mais 
sociedades seguradoras, com a 
anuência do segurado e com relação 
à determinada apólice, distribuem 
percentualmente o risco entre si.
Resseguro
É um mecanismo de repartição 
de riscos por meio do qual um 
segurador, de forma facultativa 
ou automática, cede a sua 
responsabilidade, no todo ou 
em parte, a um ressegurador. 
Assim como o segurado procura 
garantir-se contra os efeitos 
dos riscos por meio do seguro, 
também o segurador procura 
resguardar-se dos prejuízos 
tecnicamente desaconselháveis 
por meio do resseguro. Uma 
sociedade seguradora pode 
transferir os riscos que assumiu 
a um ressegurador. Esse sistema 
é muito utilizado em casos de 
coberturas com valores vultosos.
Retrocessão
 Consiste na operação de transferência 
de riscos de resseguro de um 
ressegurador para um retrocessionário 
(que pode ser um outro ressegurador 
ou uma sociedade seguradora local).
Comentário
O Cosseguro, o Resseguro e a Retrocessão são opera-
ções que viabilizam a pulverização ou a distribuição dos 
riscos assumidos nas operações de seguros.
UNIDADE 5
125LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Comentário
O princípio da reciprocidade é do direito internacional, pelo qual se aplica ao estran-
geiro tratamento semelhante ao dado ao nacional em terras estrangeiras. Dessa forma, 
objetiva-se, dentro do possível, conferir a uma sociedade seguradora estrangeira o 
mesmo tratamento dado a uma seguradora nacional, no país de origem da primeira, 
pelo governo local.
IV – promover o aperfeiçoamento das sociedades seguradoras;
Comentário
Ao determinar que seja promovido o aperfeiçoamento das sociedades seguradoras, 
a lei objetiva, assim, o desenvolvimento do setor com modernidade e com as me-
lhores práticas de mercado no emprego da tecnologia na operacionalidade de seus 
controles internos.
V – preservar a liquidez e a solvência das sociedades seguradoras;
Comentário
Um dos objetivos do controle exercido pela lei, principalmente a de proteção ao 
consumidor, é a preservação da liquidez e solvência do mercado supervisionado pela 
SUSEP, ou seja, estabelecer regras que promovam maior segurança no concernente 
à capacidade econômico-financeira das empresas de poderem cumprir efetivamente 
suas obrigações. Seguindo as determinações legais e a adoção de padrões interna-
cionais recomendados pela International Association of Insurance Supervisors (IAIS – 
entidade internacional que congrega supervisores de seguros de vários países), com 
foco na solvência, novas regras de capital e controles internos, a SUSEP vem adotan-
do, na sua estrutura fiscalizatória, progressivamente, a supervisão contínua nas empre-
sas por ela controladas.
VI – coordenar a política de seguros com a política de investimen-
tos do Governo Federal, observados os critérios estabelecidos 
para as políticas monetária, creditícia e fiscal.
UNIDADE 5
126LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Comentário
Quando o presidente da República é empossado, escolhe e nomeia seus ministros 
de Estado, que passam a exercer cargos de confiança, demissíveis ad nutum, ou seja, 
podem ser demitidos, a qualquer tempo, por iniciativa e vontade de quem os nomeou. 
Cada ministro de Estado exerce sua função somando suas competências ao plano de 
governo estabelecido pelo chefe do Executivo, ou seja, pelo presidente da República. O 
Ministério da Fazenda e o Banco Central do Brasil (BACEN), observadas as suas compe-
tências legais, formulam as diretrizes da política monetária, creditícia e fiscal. O objetivo 
desse inciso, portanto, é estabelecer conexões harmônicas entre essas estratégias e as 
de formulação de política securitária.
Conclui-se, assim, que o objetivo essencial da norma legal foi o de pro-
mover a expansão do mercado de seguros de forma ordenada, sempre 
procurando preservar os interesses dos seguradose buscar o equilíbrio 
no relacionamento deles com as sociedades supervisionadas, além do 
necessário e importante acompanhamento das operações de Seguros e 
Resseguros, Capitalização e Previdência Complementar Aberta.
Vale dizer que todos os recursos financeiros que constituem os bens garan-
tidores das reservas técnicas das sociedades supervisionadas estão vincu-
lados à SUSEP. Embora esse modelo de vinculação tenha sido combatido 
e considerado conservador por outros países, ele se mostrou plenamente 
eficaz diante da recente crise financeira mundial (2008/2010), pois o setor 
de seguros brasileiro, englobando Resseguros, Capitalização e Previdência 
Complementar Aberta, não só atravessou ileso tal período de crise, como 
ainda registrou o crescimento da atividade e o desenvolvimento de excelen-
tes oportunidades de negócio. Isso demonstrou, efetivamente, a consistên-
cia do modelo do processo regulatório de seguros adotado no país.
UNIDADE 5
127LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 OS SEGUROS OBRIGATÓRIOS 
Os seguros obrigatórios são aqueles determinados por lei e que especifi-
cam quais situações devem, compulsoriamente, ser cobertas.
Os seguros legalmente obrigatórios constam do art. 20 do Decreto-Lei 
nº 73/1966.
Art. 20. Sem prejuízo do disposto em leis especiais, são obrigató-
rios os seguros de:
a) danos pessoais a passageiros de aeronaves comerciais;
b) responsabilidade civil do proprietário de aeronaves e do trans-
portador aéreo; (Redação dada pela Lei nº 8.374, de 1991)
c) responsabilidade civil do construtor de imóveis em zonas urba-
nas por danos a pessoas ou coisas;
d) bens dados em garantia de empréstimos ou financiamentos de ins-
tituições financeiras pública; (Revogado pela Lei n.13.986, de 2020)
e) garantia do cumprimento das obrigações do incorporador e cons-
trutor de imóveis; (Revogada pela Medida Provisória nº 2.221, de 2001)
f) garantia do pagamento a cargo de mutuário da construção civil, 
inclusive obrigação imobiliária;
g) edifícios divididos em unidades autônomas;
h) incêndio e transporte de bens pertencentes a pessoas jurídicas, 
situados no País ou nele transportados;
i) crédito rural; (Revogada pela Lei Complementar nº 126, de 2007);
j) crédito à exportação, quando julgado conveniente pelo CNSP, 
ouvido o Conselho Nacional do Comércio Exterior (CONCEX); 
(Redação dada pelo Decreto-Lei nº 826, de 1969);
k) danos pessoais causados por veículos automotores de vias ter-
restres e por embarcações, ou por sua carga, a pessoas transpor-
tadas ou não; (Redação dada pela Lei nº 8.374, de 1991) 
l) responsabilidade civil dos transportadores terrestres, marítimos, 
fluviais e lacustres, por danos à carga transportada. (Incluída pela 
Lei nº 8.374, de 1991)
UNIDADE 5
128LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Parágrafo único. Não se aplica à União a obrigatoriedade estatuída 
na alínea “h” deste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.190, de 2001)
Há, ainda, o Seguro Obrigatório de Responsabilidade Civil do Transportador 
Rodoviário em Viagem Internacional, instituído pela Circular SUSEP nº 611, 
de 17 de agosto de 2020, em que determina a obrigatoriedade de contra-
tação do seguro RCTR-VI, também conhecido como Carta Azul, com âmbito 
de cobertura englobando os seguintes países: Argentina, Bolívia, Chile, 
Paraguai, Peru e Uruguai. Esse seguro obrigatório garante a cobertura para 
danos a pessoas ou coisas, transportadas ou não, à exceção da carga trans-
portada. Ou seja, tal seguro não garante a carga, mas sim eventuais danos 
causados a terceiros, sendo relacionados a pessoas ou coisas.
Que tal ilustrarmos esse tema com um exemplo? Pense nos veículos automo-
tores que trafegam pelas vias públicas impõem riscos à sociedade. Em razão 
desse risco em potencial, é necessário o pagamento do seguro obrigatório, o 
Seguro DPVAT, cujo objetivo principal é auxiliar a vítima de acidentes de trân-
sito em seus gastos médicos e hospitalares, além de propor cionar o paga-
mento de indenização aos beneficiários em caso de morte do acidentado.
É necessário salientar, também, que o pagamento do seguro obrigatório 
não afasta o direito da vítima, ou de seus sucessores e/ou dependentes 
econômicos, de exigir em juízo indenização específica para reparação 
dos danos sofridos em decorrência do evento. Assim, por exemplo, uma 
vítima de acidente de trânsito poderá receber o valor correspondente 
ao seguro obrigatório (DPVAT) e, também, propor ação de reparação de 
dano em face do causador do acidente, visando receber pensionamento 
temporário ou vitalício (conforme o caso), além de indenização por 
danos materiais, morais e estéticos (se houver dano dessa natureza), 
entre outras verbas.
 RESSEGURO – LEI COMPLEMENTAR 
 Nº 126/2007 
Vamos estudar, a seguir, os órgãos que regulam o Resseguro no Brasil e 
suas normas regulamentadoras.
 — A Atuação do IRB Brasil RE
Antes do advento da Lei Complementar nº 126/2007, as operações de res-
seguro constituíam monopólio do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB).
UNIDADE 5
129LEGISLAÇÃO DO SEGURO
O IRB, na condição de empresa mista com controle estatal, foi criado pelo 
Decreto-Lei nº 1.186/1939, a partir de uma iniciativa do então presidente 
Getúlio Vargas, numa época marcada pelo nacionalismo, em que a pro-
teção da indústria local era tida como uma das mais importantes funções 
do Governo. 
Nessa época, o mercado de seguros começava a melhor se desenvolver 
no país, formado, principalmente, por seguradoras estrangeiras. As brasi-
leiras não tinham capacidade de assumir grandes riscos, e, nesse cenário, 
o Governo decidiu criar um ressegurador nacional único sob a forma de 
empresa de capital misto, com metade das ações detidas pelo Estado e o 
restante por um pool de seguradoras, sem direito a voto. Além disso, havia 
a obrigatoriedade da realização do resseguro por meio desse ressegura-
dor, nascendo aí o aspecto monopolístico que, durante muitos anos, viria a 
marcar essa atividade no país.
Com essa medida, pretendeu-se fortalecer o desenvolvimento do merca-
do segurador nacional e aumentar a capacidade seguradora das socieda-
des do país, retendo maior volume de negócios na economia brasileira, ao 
mesmo tempo em que captaria mais poupança interna.
Em 1966, com a edição do Decreto-Lei nº 73/1966, que criou o Sistema 
Nacional de Seguros Privados, atribuiu-se ao IRB uma série de compe-
tências regulatórias e fiscalizatórias, posteriormente regulamentadas pelo 
Decreto nº 60.459/1967.
Com o passar do tempo, no entanto, o modelo monopolista e centralizador 
que regia a atividade do IRB, começou a dar demonstrações de esgota-
mento, deixando de atender plenamente às novas exigências do mercado.
Foi então que a Emenda Constitucional nº 13/1996, alterou o art. 192, inciso 
II, da Constituição Federal, extinguindo a expressão “órgão oficial ressegu-
rador”. Este foi o primeiro passo para a quebra do monopólio.
Em 17 de junho de 1997, a Medida Provisória nº 1.578/1997 convertida na 
Lei nº 9.482/1997, transformou o IRB em sociedade por ações, passando a 
denominar-se IRB-Brasil Resseguros S.A. Essa MP viria a ser convertida na 
Lei nº 9.482/1997.
No dia 20 de dezembro de 1999, foi aprovada a Lei nº 9.932/1999, que 
transferiu as atribuições regulamentares e fiscalizatórias até então exercidas 
pelo IRB-Brasil Re para a Superintendência de Seguros Privados – SUSEP.
No dia 29 de maio de 2003, foi aprovada a Emenda Constitucional nº 40, 
que permitiu a regulamentação do art. 192 da Constituição Federal.
Em 16 de janeiro de 2007, foi publicada no DOU a Lei Complementar 
nº 126/2007, que dispõe sobre a política de resseguro, retrocessão e sua 
intermediação, pondo fim ao monopólio até então detido pelo IRB.
UNIDADE 5
130LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Mesmo assim, por cautela, no sentido de salvaguardar a estabilidade do 
mercado naquele momento, e prepará-lo para um novo cenário que se 
impunha por determinação legal, manteve-se, ainda, reserva de mercado 
ligadaao IRB, que foi estabelecida no art. 11 da citada lei.
Finalmente, no dia 17 de abril de 2008, com o advento da Resolução 
nº 168/2007 do CNSP, verificou-se a abertura formal do mercado de resse-
guros no Brasil a novos resseguradores.
Por força das mudanças viabilizadas pela Lei Complementar nº 126/2007, o 
IRB Brasil RE foi autorizado a continuar exercendo suas atividades de Res-
seguro e de Retrocessão na qualidade de ressegurador local, conforme se 
extrai do art. 22 da mencionada lei:
Art. 22. O IRB-Brasil Resseguros S.A. fica autorizado a continuar exer-
cendo suas atividades de resseguro e de retrocessão, sem qualquer 
solução de continuidade, independentemente de requerimento e 
autorização governamental, qualificando-se como ressegurador local.
Nessa linha, a Lei Complementar nº 126/2007, no seu art. 4º, apresenta as 
qualificações dos resseguradores, apresentando as condições para o exercí-
cio da atividade de ressegurador eventual (parágrafo primeiro) e de ressegu-
rador local (parágrafo segundo), conforme se depreende da leitura a seguir:
Art. 4º. 
I – ressegurador local: ressegurador sediado no País constituído 
sob a forma de sociedade anônima, tendo por objeto exclusivo a 
realização de operações de resseguro e retrocessão;
II – ressegurador admitido: ressegurador sediado no exterior, com 
escritório de representação no País, que, atendendo às exigências 
previstas nesta Lei Complementar e nas normas aplicáveis à ati-
vidade de resseguro e retrocessão, tenha sido cadastrado como 
tal no órgão fiscalizador de seguros para realizar operações de 
resseguro e retrocessão; e
III – ressegurador eventual: empresa resseguradora estrangeira 
sediada no exterior sem escritório de representação no País que, 
atendendo às exigências previstas nesta Lei Complementar e nas 
normas aplicáveis à atividade de resseguro e retrocessão, tenha 
sido cadastrada como tal no órgão fiscalizador de seguros para 
realizar operações de resseguro e retrocessão.
§ 1º É vedado o cadastro a que se refere o inciso III do caput deste 
artigo de empresas estrangeiras sediadas em paraísos fiscais, assim 
considerados países ou dependências que não tributam a renda ou 
que a tributam a uma alíquota inferior a 20% (vinte por cento) ou, 
ainda, cuja legislação interna oponha sigilo relativo à composição 
societária de pessoas jurídicas ou à sua titularidade (Renumerado 
do parágrafo único pela Lei complementar nº 137, de 2010).
UNIDADE 5
131LEGISLAÇÃO DO SEGURO
§ 2º Equipara-se ao ressegurador local, para fins de contratação 
de operações de resseguro e de retrocessão, o fundo que tenha 
por único objetivo a cobertura suplementar dos riscos do segu-
ro rural nas modalidades agrícola, pecuária, aquícola e florestal, 
observadas as disposições de lei própria (Incluído pela Lei comple-
mentar nº 137, de 2010).
 — Das Normas Regulamentadoras 
do Resseguro e da Sociedade 
Corretora de Resseguros
O art. 12 da Lei Complementar nº 126/2007 atribuiu ao CNSP a competên-
cia para regulamentar as operações de resseguro, retrocessão, de corre-
tagem de resseguro e, ainda, a atuação dos escritórios de representação 
dos resseguradores admitidos:
Art. 12. O órgão regulador de seguros estabelecerá as diretrizes 
para as operações de resseguro, de retrocessão e de corretagem 
de resseguro e para a atuação dos escritórios de representação 
dos resseguradores admitidos, observadas as disposições desta 
Lei Complementar.
Parágrafo único. O órgão regulador de seguros poderá estabelecer:
I – cláusulas obrigatórias de instrumentos contratuais relativos às 
operações de resseguro e retrocessão;
II – prazos para formalização contratual;
III – restrições quanto à realização de determinadas operações de 
cessão de risco;
IV – requisitos para limites, acompanhamento e monitoramento de 
operações intragrupo; e
V – requisitos adicionais aos mencionados nos incisos I a IV deste 
parágrafo.
Comentário
Essa categorização adotada pela lei complementar serve não somente para organizar 
melhor as operações de resseguro e congêneres, como também — e principalmen-
te — para adotar uma política de maior controle sobre as empresas estrangeiras que 
porventura atuem em território nacional, cuidando, sobretudo, de impedir a participação 
daquelas sociedades que sejam sediadas em paraísos fiscais (vide transcrição, a seguir, 
do art. 4º, III, § 1o, da Lei Complementar nº 126, de 2007), sobre as quais não se permi-
tam, de forma transparente, as devidas operações tributárias.
UNIDADE 5
132LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Saiba mais
Fazendo uso dessa competência, o CNSP editou uma série de resoluções visando regula-
mentar a referida Lei Complementar. Algumas dessas Resoluções foram objeto de normati-
zação pela SUSEP. Todos esses atos normativos podem ser consultados no site da SUSEP 
(www.susep.gov.br).
No que se refere à corretagem de resseguros, a Lei Complementar 
nº 126/2007, art. 8º, § 2º, estabeleceu o seguinte:
Art. 8º. A contratação de resseguro e retrocessão no País ou no 
exterior será feita mediante negociação direta entre a cedente e o 
ressegurador ou por meio de intermediário legalmente autorizado.
.........
§ 2º. O intermediário de que trata o caput deste artigo é a corre-
tora autorizada de resseguros, pessoa jurídica, que disponha de 
contrato de seguro de responsabilidade civil profissional, na forma 
definida pelo órgão regulador de seguros, e que tenha como 
 responsável técnico o corretor de seguros especializado e devi-
damente habilitado.
A fim de regulamentar esse dispositivo, o CNSP editou a Resolução 
nº 173/2007 (alterada posteriormente pela Resolução nº 248/2011, e pela 
Resolução nº 330/2015), que dispõe sobre a atividade de corretagem de 
resseguros, dando outras providências.
http://www.susep.gov.br
FIXANDO CONCEITOS
133LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 FIXANDO CONCEITOS 5 
Marque a alternativa correta.
1. É correto afirmar que se tratam de seguros de caráter obrigatório, em 
conformidade com o Decreto-Lei nº 73/1966: 
(a) Bens dados em garantia de empréstimos ou financiamentos de ins-
tituições financeiras públicas e garantia do pagamento a cargo de 
mutuário da construção civil, inclusive obrigação imobiliária. 
(b) Responsabilidade civil de estabelecimentos industriais e edifícios 
divididos em unidades autônomas.
(c) Vida, acidentes pessoais e danos pessoais a passageiros de aero-
naves comerciais.
(d) Saúde, previdência complementar e responsabilidade civil do pro-
prietário de aeronaves e do transportador aéreo.
(e) Compreensivo residencial, comercial e empresarial contra o risco 
de incêndio. 
Marque a alternativa correta.
2. O Sistema Nacional de Seguros Privados (SNSP) é formado por uma 
série de órgãos, pessoas e entidades. Podemos afirmar que o SNSP é 
constituído, dentre outros órgãos, pelo(a):
I) Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP).
II) Sindicato de Corretores de Seguros (SINCOR). 
III) Confederação Nacional do Comércio (CNC).
IV) Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).
Assinale a alternativa correta: 
(a) Somente I, II e IIII são proposições verdadeiras.
(b) Somente I e IV são proposições verdadeiras.
(c) Somente III e IV são proposições verdadeiras.
(d) Somente I, II e IV são proposições verdadeiras.
(e) Somente II e III são proposições verdadeiras.
FIXANDO CONCEITOS
134LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Marque a alternativa correta
3. De acordo com a legislação vigente, o órgão que integra o Sistema Nacio-
nal de Seguros Privados, responsável pela fiscalização da atividade do cor-
retor de seguros, é o(a):
a) FENACOR
b) FUNENSEG
c) CNC
d) SUSEP
e) FENASEG.
4. O Decreto-Lei nº 73, de 1966, que instituiu o Sistema Nacional de Segu-
ros Privados, definindo seus objetivos, considera, também, como integra-
dos nas operações de seguros privados:
a) Os sistemas de cosseguro, resseguro e retrocessão.
b) Somente os Seguros de Danos.
c) Somente os Seguros de Pessoas.
d) Somente os Seguros de Responsabilidade.e) Somente os Seguros de Bens.
5. De acordo com a legislação vigente, o órgão integrante do Sistema 
Nacional de Seguros Privados responsável pela autorização da movimen-
tação e liberação dos bens e valores obrigatoriamente inscritos em garan-
tia das reservas técnicas e do capital vinculado é o(a):
a) Ministério da Fazenda
b) FENASEG.
c) SUSEP.
d) CVM.
e) CRSNSP.
6. O órgão regulador que estabelece as diretrizes gerais das operações de 
resseguro é o(a):
a) FENACOR
b) IRB
c) SUSEP
d) FENASEG
e) CNSP.
FIXANDO CONCEITOS
135LEGISLAÇÃO DO SEGURO
7. Podemos afirmar que é de competência do Conselho Nacional de Segu-
ros Privados (CNSP):
(a) O julgamento, em última instância administrativa, dos recursos inter-
postos em face das decisões proferidas pela SUSEP, em processos 
administrativos sancionadores.
(b) Proceder à liquidação das sociedades seguradoras que tiverem 
cassada a autorização para funcionar no país.
(c) Fiscalizar a execução das normas gerais de contabilidade e estatís-
tica fixadas pelo CNSP para as sociedades seguradoras.
(d) Fixar as características gerais dos contratos de seguros.
(e) Fixar condições de apólices, planos de operações e tarifas a serem 
utilizadas obrigatoriamente pelo mercado segurador nacional.
8. O controle do Estado será exercido pelos órgãos instituídos pelo Decre-
to-Lei nº 73, de 1966, sendo eles o CNSP e a SUSEP, no interesse dos(as):
a) Sociedades seguradoras e resseguradoras.
b) Segurados e beneficiários dos contratos de seguros.
c) Entidades de classe: FENASEG e FENACOR.
d) Sociedades corretoras, seguradoras e resseguradoras.
e) Corretores de seguros e securitários.
LEGISLAÇÃO DO SEGURO
UNIDADE 6
136
06
O CORRETOR
 ■ Reconhecer as responsabilidades 
do corretor de seguros bem como 
identificar seus direitos e suas obrigações 
relacionados ao exercício de sua atividade.
de SEGUROS
Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: TÓPICOS 
DESTA UNIDADE
⊲ A LEI QUE REGULA A PROFISSÃO 
DE CORRETOR DE SEGUROS
⊲ O PAPEL DE INTERMEDIADOR 
DO CORRETOR DE SEGUROS
⊲ REQUISITOS PARA O EXERCÍCIO 
PROFISSIONAL E REGISTRO 
NA SUSEP
⊲ O QUE SÃO EMPRESAS 
INDIVIDUAIS DE 
RESPONSABILIDADE 
LIMITADA (EIRELI)
⊲ HABILITAÇÃO 
TÉCNICO-PROFISSIONAL
⊲ REQUERIMENTO DE 
REGISTRO NA SUSEP
⊲ INEXISTÊNCIA DE LIMITAÇÃO 
TERRITORIAL PARA A 
ATUAÇÃO DO CORRETOR 
DE SEGUROS
⊲ OS PREPOSTOS DO CORRETOR
⊲ AS RESPONSABILIDADES DO 
CORRETOR DE SEGUROS
⊲ A RESPONSABILIDADE DO 
CORRETOR DE SEGUROS E 
O CÓDIGO DE DEFESA DO 
CONSUMIDOR (CDC)
⊲ FIXANDO CONCEITOS 6
UNIDADE 6
137LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 A LEI QUE REGULA A PROFISSÃO 
 DE CORRETOR DE SEGUROS 
Diante da importância da participação do corretor nas operações de 
seguro, houve a necessidade de regulamentar a atividade, com a fixação 
de princípios, deveres e direitos. Assim, foi editada a Lei nº 4.594/1964. 
Antes dela, a profissão do corretor de seguros era exercida com base na 
experiência individual de cada um, passada de geração em geração.
Em função da determinação contida no art. 32 da Lei nº 4.594/1964, foi 
editado o Decreto nº 56.903/1965, que regula a profissão de corretor de 
Seguros de Vida e de Capitalização. Cabe mencionar que, de acordo com 
o art. 29 da referida lei, seus dispositivos não se aplicam a operações de 
cosseguro e de resseguro entre as sociedades seguradoras.
É importante observar que, além da referida lei, o Código Civil de 2002, 
nos seus arts. 722 a 729, inovou em relação ao Código anterior ao dispor 
sobre a corretagem de um modo geral.
Vale a pena 
ler na íntegra
Todo profissional que atua 
em corretagem de seguros deve 
conhecer detalhadamente o 
teor da Lei nº 4.594/1964, que 
regula a profissão de corretor 
de seguros. Consulte o texto 
integral no site da Presidência da 
República. 
www.planalto.gov.br
www.planalto.gov.br
UNIDADE 6
138LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 O PAPEL DE INTERMEDIADOR 
 DO CORRETOR DE SEGUROS 
Mas, afinal, qual o papel do corretor de seguros? O papel de intermediador 
do corretor de seguros não se define exclusivamente pelo que estabelece a 
legislação específica, ou seja, pela Lei nº 4.594/1964, e pelo Decreto-Lei nº 
73/1966. Deve, também, pautar-se pelo que estabelece o Código Civil, seja 
em relação à disciplina do contrato de seguro (arts. 757 a 802), ou no que diz 
respeito ao que estabelece sobre a atividade da corretagem (arts. 722 a 729). 
Estes últimos são objeto de análise a seguir. É importante ressaltar que os 
artigos a seguir referem-se à corretagem de forma geral, sendo que a corre-
tagem de seguros possui legislação especial.
Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a 
outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por 
qualquer relação de dependência, obriga-se a obter para a segun-
da um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas.
Art. 723. O corretor é obrigado a executar a mediação com a 
diligência e prudência, e a prestar ao cliente, espontaneamente, 
todas as informações sobre o andamento do negócio. (Redação 
dada pela Lei nº 12.236, de 2010.)
Parágrafo único. Sob pena de responder por perdas e danos, o 
corretor prestará ao cliente todos os esclarecimentos acerca da 
segurança ou risco do negócio, das alterações de valores e de 
outros fatores que possam influir nos resultados da incumbência. 
(Incluído pela Lei nº 12.236, de 2010.)
Comentário
O art. 723 estabelece as obrigações básicas do corretor 
e sua responsabilidade civil perante seus clientes.
Art. 724. A remuneração do corretor, se não estiver fixada em lei, 
nem ajustada entre as partes, será arbitrada segundo a natureza 
do negócio e os usos locais.
Comentário
Quando a legislação não estabelecer o valor de remuneração 
a ser recebido pelo corretor, este será pautado pela natureza 
do negócio e pelos usos locais, ou seja, pelos costumes.
Saiba mais
A atividade de corretagem 
de seguros teria surgido em 
Portugal, no ano de 1578, e o 
papel do corretor já consistia 
em intermediar as relações 
entre segurados e seguradoras.
A contratação de seguro 
somente era válida quando 
intermediada por um corretor de 
seguros, e a remuneração dele 
era custeada pelos segurados.
UNIDADE 6
139LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Art. 725. A remuneração é devida ao corretor uma vez que tenha 
conseguido o resultado previsto no contrato de mediação ou ainda 
que este não se efetive em virtude de arrependimento das partes.
Art. 726. Iniciado e concluído o negócio diretamente entre as par-
tes, nenhuma remuneração será devida ao corretor, mas, se, por 
escrito, for ajustada a corretagem com exclusividade, terá o corretor 
direito à remuneração integral, ainda que realizado o negócio sem 
a sua mediação, salvo se comprovada sua inércia ou ociosidade.
Art. 727. Se, por não haver prazo determinado, o dono do negócio 
dispensar o corretor, e o negócio se realizar posteriormente, como 
fruto da sua mediação, a corretagem lhe será devida; igual solução 
se adotará se o negócio se realizar após a decorrência do prazo 
contratual, mas por efeito dos trabalhos do corretor.
Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais 
de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, 
salvo ajuste em contrário.
Comentário
Atingido o resultado útil com a celebração do contrato, a remune-
ração será devida, ainda que o negócio não venha a se efetivar 
por arrependimento das partes.
Comentário
Assim, concretizado o negócio sem a intermediação do corretor, a 
remuneração não será devida, salvo se houver ajuste, por escrito, 
de exclusividade no que concerne à corretagem, situação em 
que o corretor terá direito à remuneração integral, excetuando-se 
os casos de comprovada inércia ou ociosidade de sua parte. É 
importante, neste caso, que o corretor esteja sempre em contato 
com seus clientes.
Comentário
Este artigo é muito importante para o corretor, haja vista que a 
remuneração de corretagem sempre será devidaquando houver 
seu trabalho ou sua participação na mediação, ainda que seja 
dispensado antes da concretização do negócio.
UNIDADE 6
140LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Comentário
Este artigo dispõe sobre a cocorretagem, ou seja, o trabalho reali-
zado por dois ou mais corretores, inclusive como deve ser paga a 
remuneração pelo trabalho por eles realizado, quando não há um 
acordo prévio de quanto cabe a cada um.
Art. 729. Os preceitos sobre corretagem constantes deste código 
não excluem a aplicação de outras normas da legislação especial.
Comentário
Pela redação deste artigo, entende-se que as disposições sobre a corretagem previs-
tas no Código Civil não excluem a aplicação de outras normas da legislação especial 
(Corretagem de Seguro), por exemplo, a Lei nº 4.594/1964 e o Decreto-Lei nº 73/1966.
Ainda em relação ao contido no art. 729 do Código Civil, a própria Lei nº 
4.594/1964, em seu art. 1º, alterada pelo Decreto-Lei nº 73/1966, no seu art. 
122, cuidou de estabelecer um conceito formal para a profissão do corre-
tor, destacando a função de intermediação exercida, inclusive as pessoas 
jurídicas dessa relação, conforme o comentário a seguir.
Comentário
A Lei nº 4.594/1964, em seu art. 1º, dispõe:
Art. 1º. O corretor de seguros, seja pessoa física ou jurídica, é o intermediário legalmen-
te autorizado a angariar e a promover contratos de seguros, admitidos pela legislação 
vigente, entre as sociedades de seguros e as pessoas físicas ou jurídicas, de Direito 
Público ou Privado.
Igual procedimento adotou o Decreto-Lei nº 73, de 1966, no seu art. 122, tendo suprimido, no 
entanto, a expressão “público”.
Art. 122. O corretor de seguros, seja pessoa física ou jurídica, é o intermediário legal-
mente autorizado a angariar e promover contratos de seguros entre as sociedades 
seguradoras e as pessoas físicas ou jurídicas de Direito Privado.
Vale recordar que, conforme já mencionado, o Decreto-Lei nº 73/1966 foi recepcionado pela 
Constituição Federal com status de lei complementar. Assim, ante o princípio da hierarquia das 
leis, o art. 122 do Decreto-Lei nº 73/1966 prevalece sobre o contido na parte final da redação do 
art. 1º da Lei nº 4.594/1964.
Portanto, o corretor de seguros só pode intermediar contratos de seguros entre socieda-
des de seguros e as pessoas naturais e jurídicas de Direito Privado.
UNIDADE 6
141LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Diante de tudo que você aprendeu até aqui, podemos concluir que o papel 
do corretor de seguros, na condição de integrante do Sistema Nacional 
de Seguros, é promover a ligação entre os interesses dos segurados (os 
quais representa) e das sociedades seguradoras, o que faz na condição de 
intermediador.
No exercício dessa intermediação, compete ao corretor de seguros: 
Identificar as necessidades daquele que pretende contratar o 
seguro (proponente).
Orientar o proponente sobre os tipos de seguro que deve contra-
tar para garantir seu patrimônio, sua vida, faculdades humanas e 
saúde, além de outros interesses seguráveis que titularize.
Buscar no mercado as opções de seguro mais adequadas para o 
cliente.
Advertir o segurado sobre a importância de prestar informações 
verdadeiras e completas acerca do interesse segurável e do risco.
Esclarecer ao segurado o sentido e o alcance das cláusulas con-
tratuais.
Assistir o segurado durante toda a vigência do seguro, inclusive na 
realização de aviso de sinistro e no fornecimento de documentos 
e informações durante o processo de regulação.
 REQUISITOS PARA O EXERCÍCIO 
 PROFISSIONAL E REGISTRO 
 NA SUSEP 
Agora vamos estudar os principais requisitos para que corretores e segu-
radoras atuem profissionalmente no mercado.
 — O Corretor de Seguros – 
Profissional Autônomo
Como se trata de categoria econômica relevante para o cumprimento 
da missão de desenvolvimento da economia nacional, a própria Lei nº 
4.594/1964, regulamentadora da profissão, dispõe, no parágrafo único do 
art. 2º, que o número de corretores é ilimitado, em disposição harmô-
nica com o texto da atual Constituição Federal, que assegura a liberdade 
profissional, como se constata da redação do art. 5º, inciso XIII:
UNIDADE 6
142LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Art. 5º. ...
...
XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, 
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer.
O art. 2º da Lei nº 4.594/1964, dispõe:
Art. 2º. O exercício da profissão de corretor de seguros depende 
da prévia obtenção do título de habilitação, o qual será concedido 
pelo Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização, 
nos termos desta lei.
Além disso, a lei nº 4.954/1964, em seu art. 3º, prevê os requisitos a serem 
atendidos por todos os interessados em realizar a intermediação de con-
tratos de seguro, preenchidas todas as qualificações profissionais que a lei 
estabelecer, conforme o art. 5º, inciso XIII, da Constituição Federal.
Art. 3º. O interessado na obtenção do título a que se refere o arti-
go antecedente requererá ao Departamento Nacional de Seguros 
Privados e de Capitalização, indicando o ramo de seguro a que 
pretende se dedicar, provando documentalmente:
a) ser brasileiro ou estrangeiro com residência permanente;
b) estar quite com o serviço militar, quando se tratar de brasileiro 
ou naturalizado;
c) não haver sido condenado por crimes a que se referem as 
Seções II, III e IV do Capítulo VI do Título I; os Capítulos I, II, III, IV, V, 
VI e VII do Título II; o Capítulo V do Título VI; Capítulos I, II e III do 
Título VIII; os Capítulos I, II, III e IV do Título X e o Capítulo I do Título 
XI, parte especial do Código Penal;
d) não ser falido;
e) ter habilitação técnico-profissional referente aos ramos requeridos.
Comentário
O referido artigo condicionou o exercício da profissão à obtenção de título de habilita-
ção junto à SUSEP para o exercício da profissão, a qual depende do preenchimento de 
requisitos da Lei nº 4.594/1964, entre os quais está incluída a necessidade de aprovação 
em exame de habilitação. Convém consignar que a Resolução CNSP nº 249/2012, com 
alterações promovidas pelas Resoluções CNSP nºs 252/2012, 258/2012 e 318/2014, 
estabeleceu as disposições sobre a habilitação, registro profissional e atividade dos 
corretores de seguros de ramos elementares e dos corretores de seguros de vida, 
capitalização e previdência, bem como seus prepostos.
UNIDADE 6
143LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Para que você não tenha qualquer dúvida, a seguir vamos comentar cada 
um desses requisitos.
Ser brasileiro ou estrangeiro com residência permanente
Embora a alínea “a” do art. 3º da citada lei não se refira ao brasilei-
ro naturalizado, é possível concluir que ele está inserido naquele 
dispositivo, pois a alínea seguinte (“b”) faz menção expressa a ele.
Comentário
A naturalização tácita não foi adotada pela Constituição de 1988, dispondo apenas sobre 
a naturalização expressa, a qual se divide em ordinária ou comum e extraordinária. A ordi-
nária é concedida ao estrangeiro com idoneidade moral que resida no Brasil por 1 (um) ano 
ininterrupto, desde que seja originário de países de língua portuguesa. A extraordinária 
pode ser concedida a qualquer estrangeiro com domicílio no Brasil por mais de 15 (quin-
ze) anos ininterruptos e sem condenação penal. Ressalta-se, porém, que a naturalização 
não importa a aquisição da nacionalidade ou radicação no Brasil do cônjuge ou filhos do 
recém-naturalizado.
No que concerne ao requisito residência permanente, pode-se entender se 
tratar do local onde o indivíduo estabeleceu e organizou a sua vida familiar.
Estar quite com o serviço militar, quando se tratar 
de brasileiro ou naturalizado.
O serviço militar é obrigatório por força de lei (art. 143 da Constitui-
ção Federal). Estão isentos do serviço militar, em tempo de paz, os 
eclesiásticos e as mulheres. Entretanto, poderão estar sujeitos a 
outros encargos que a lei lhes atribuir. Aquele que alegar qualquer 
imperativode consciência ou de ordem religiosa para eximir-se do 
serviço militar estará sujeito à prestação de serviços alternativos 
determinados por lei.
De acordo com o art. 5º da Lei do Serviço Militar nº 4.375, de 17/08/1964, o 
brasileiro fica isento da apresentação do documento de situação militar a partir 
de janeiro do ano em que completar 46 (quarenta e seis) anos de idade.
Não haver sido condenado por crimes a que se refe-
rem as Seções II, III e IV do Capítulo VI do Título I; os 
Capítulos I, II, III, IV, V, VI e VII do Título II; o Capítulo 
V do Título VI; Capítulos I, II e III do Título VIII; os 
Capítulos I, II, III e IV do Título X e o Capítulo I do 
Título XI, parte especial do Código Penal.
Inicialmente, é necessário esclarecer que, segundo o art. 5º, LVII, 
da Constituição Federal, a pessoa somente poderá ser considerada 
Saiba mais
Foi o poeta Olavo Bilac, em 
torno de 1915, que desencadeou 
ferrenha campanha em favor 
da obrigatoriedade do serviço 
militar, ressaltando que o quartel 
seria uma escola de civismo. 
Inclusive, em sua homenagem, 
a data do seu nascimento, 16 
de dezembro, foi consagrada 
como Dia do Reservista. A Lei 
do Serviço Militar foi promulgada 
em 1964, mas entrou em vigor 
em janeiro de 1966, com a 
publicação do respectivo 
regulamento.
UNIDADE 6
144LEGISLAÇÃO DO SEGURO
culpada após o trânsito em julgado da sentença penal condenató-
ria (em que não caiba mais recurso). Para ampliar conhecimentos, o 
interessado pode fazer uma leitura dos dispositivos acima mencio-
nados do Código Penal e, também, dos abaixo relacionados:
 » dos crimes contra a inviolabilidade do domicílio (art. 150);
 » dos crimes contra a inviolabilidade de correspondência (arts. 
151 e 152);
 » dos crimes contra a inviolabilidade dos segredos (arts. 153 e 154);
 » dos crimes contra o patrimônio (artigos 155 a 180);
 » dos crimes contra os costumes (artigos 227 a 232);
 » dos crimes contra a incolumidade pública (artigos 250 a 285);
 » dos crimes contra a fé pública (artigos 289 a 311); e
 » dos crimes contra a Administração Pública (artigos 312 a 327).
Não ser falido
Trata-se da decretação de falido em processo judicial, com trânsito 
em julgado da respectiva decisão.
Ter habilitação técnico-profissional referente aos ramos 
requeridos
Atualmente, o interessado em exercer a profissão de corretor de 
seguros, todos os ramos, primeiramente tem que obter aprovação 
em exame ou curso de habilitação junto à Escola de Negócios e 
Seguros – FUNENSEG. Posteriormente, ele deverá solicitar seu 
registro à SUSEP.
A exigência de habilitação técnico-profissional feita pelo art. 3º da Lei 
nº 4.594/1964, deve ser cumprida na forma do art. 4º da mesma lei, com 
a redação que lhe foi dada pela Lei nº 7.278/1984:
Art. 4º. O cumprimento da exigência da alínea “e” do artigo ante-
rior poderá consistir na observância comprovada de qualquer das 
seguintes condições:
a) haver concluído curso técnico profissional de seguros, oficial ou 
reconhecido;
b) apresentar atestado de exercício profissional anterior a esta Lei, 
fornecido pelo sindicato de classe ou pelo Departamento Nacional 
de Seguros Privados e Capitalização.
Fique atento, pois o art. 3º da Lei nº 4.594/1964 determina a comprovação 
documental dos referidos requisitos.
UNIDADE 6
145LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Cabe acrescentar que a mesma lei estabelece a seguinte vedação ao exer-
cício da atividade de corretagem de seguros, aplicável também aos pre-
postos do corretor:
Art. 17. É vedado aos corretores e aos prepostos:
a) aceitarem ou exercerem empregos de pessoa jurídica de Direito 
Público, inclusive de entidade paraestatal;
b) serem sócios, administradores, procuradores, despachantes ou 
empregados de empresa de seguros.
Parágrafo único. O impedimento previsto neste artigo é extensi-
vo aos sócios e diretores de empresa de corretagem.
Editado dois anos mais tarde, o Decreto-Lei nº 73/1966 previu, no art. 123, 
o seguinte:
Art. 123. O exercício da profissão de corretor de seguros depende 
de prévia habilitação e registro.
§ 1º A habilitação será feita perante a SUSEP, mediante prova de 
capacidade técnico-profissional, na forma das instruções baixadas 
pelo CNSP.
Cabe lembrar, como vimos na unidade 5, que o art. 32, inciso XII, do 
Decreto-Lei nº 73/1966, atribuiu ao CNSP a competência privativa para 
disciplinar a corretagem de seguros e a profissão de corretor de seguros.
Além disso, o decreto nº 60.459/1967, editado para regulamentar o Decre-
to-Lei nº 73/1966, ratificou, no inciso XIV do art. 21, a competência do CNSP 
para dispor sobre a corretagem de seguros e a respectiva profissão.
Conforme pontuado, em 2012, o CNSP editou a Resolução nº 249/2012, 
que dispõe sobre a atividade dos corretores de seguros de ramos ele-
mentares e dos corretores de seguros de vida, capitalização e previdência, 
bem como seus prepostos, e que veio a ser alterada pela Resolução nº 
252/2012 e, posteriormente, pelas Resoluções CNSP nos 258/12 e 318/14.
A exemplo do contido no art. 3º, III, da Lei nº 4.594/1964, o art. 4º da 
 Resolução nº 249/2012 prevê que a habilitação técnico-profissional é 
requisito para a concessão do registro:
Art. 4º. É requisito necessário à concessão de registro profissio-
nal de corretor de seguros pela SUSEP, prevista no § 3º do art. 123 
do Decreto-Lei nº 73, de 21 de novembro de 1966, a apresentação 
do comprovante de aprovação no Exame Nacional para Habilita-
ção Técnico-Profissional para Corretor de Seguros ou do certifica-
do de conclusão do Curso de Habilitação Técnico-Profissional para 
Corretor de Seguros, expedidos pela Escola de Negócios e Segu-
ros – FUNENSEG ou por outra instituição de ensino autorizada pela 
SUSEP. (Artigo alterado pela Resolução CNSP nº 258/2012)
UNIDADE 6
146LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Parágrafo único. O certificado de conclusão do Curso de Habilita-
ção Técnico-Profissional para Corretor de Seguros será fornecido 
com base em aferições de aproveitamento e frequência, segundo 
critérios estabelecidos pela SUSEP.
A par disso, o art. 4º-A da referida Resolução exige o atendimento a todos 
os demais requisitos previstos no art. 3º da Lei nº 4.594/1964, para a obten-
ção do registro profissional de corretor de seguros, tendo acrescido a eles 
as vedações contidas no art. 17 da citada lei:
Art. 4º - A. São condições necessárias à atuação profissional de 
corretor de seguros:
(Artigo acrescentado pela Resolução CNSP nº 252/2012)
I – ser brasileiro ou estrangeiro com residência permanente no País;
II – estar quite com o serviço militar e a justiça eleitoral, quando 
se tratar de brasileiro com idade entre dezoito e quarenta e cin-
co anos;
III – não haver sido condenado por crimes a que se referem as 
Seções II, III e IV do Capítulo VI do Título I; os Capítulos I, II, III, IV, V, VI 
e VII do Título II; o Capítulo V do Título VI; os Capítulos I, II, III e IV do 
Título X e o Capítulo I do Título XI, parte especial do Código Penal.
IV – não ser falido;
V – não exercer cargo ou emprego em pessoa jurídica de Direito 
Público; 
VI – não manter relação de emprego ou de direção com sociedade 
seguradora.
§1° O cumprimento das condições constantes deste artigo poderá 
ser efetuado por meio de declarações, a critério da SUSEP.
§2° Os documentos que comprovam o atendimento às condições 
constantes deste artigo devem estar disponíveis à fiscalização da 
SUSEP.
Lembrando que, para a obtenção do registro na SUSEP, o interessado 
deve, ainda, cumprir as disposições estabelecidas pela Circular SUSEP 
nº 510, de 22 de janeiro de 2015.
UNIDADE 6
147LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 — As Corretoras de Seguros 
Pessoas Jurídicas
Sociedades Empresárias
A expansão do setor de Seguros, Capitalização e Previdência Complemen-
tar Aberta, com maior participação no PIB nacional, foi verificada a partir de 
1994, em virtude da estabilização da moeda e condições econômicas mais 
favoráveis. Assim, houve a exploraçãode novos nichos de mercado, e, 
com isso, as oportunidades de negócios vêm exigindo, dos corretores de 
seguros mais profissionalização, capacitação e especialização. As próprias 
entidades e sociedades dos mercados supervisionados têm demonstrado 
a preferência em operar e cadastrar corretores sob a forma de sociedades.
A Lei nº 4.594/1964, exige, no parágrafo 1º do art. 3º, que as sociedades 
corretoras de seguros tenham sede no país e sejam organizadas segundo 
as leis brasileiras.
Já a Resolução CNSP nº 249/2012, alterada pela Resolução nº 252/2012, 
estabelece, no art. 11, que a concessão de registro de corretor de seguros, 
constituído sob a forma de pessoa jurídica, somente será outorgada às 
empresas regularmente constituídas, que estejam organizadas sob a for-
ma de sociedades simples ou empresárias:
Art. 11. A concessão de registro de corretor de seguros constituído 
sob a forma de pessoa jurídica somente será outorgada às socie-
dades regularmente constituídas, que estejam organizadas sob a 
forma de sociedades simples ou empresárias.
De acordo com o art. 1.150 do Código Civil, o empresário e a sociedade 
empresária vinculam-se ao Registro Público de Empresas Mercantis, a car-
go das Juntas Comerciais; e a sociedade simples, ao Registro Civil das 
Pessoas Jurídicas.
Além disso, as empresas corretoras de seguros, dependendo de seu porte 
econômico, podem ser constituídas sob a forma de sociedades anônimas, 
regidas pela Lei nº 6.404/1976, com as alterações das Leis nº 9.457/1997, 
e nº 10.303/2001.
O Código Civil possui um capítulo inteiro dedicado ao Direito da Empresa 
(arts. 966 a 1.195), cuja leitura é recomendada para melhor aprofundamento no 
tema. Os corretores de seguros que pretenderem constituir uma sociedade 
corretora de seguros devem buscar a orientação de advogados e contadores.
É importante mencionar que o art. 12 da Resolução CNSP nº 249/2012, 
alterada pela Resolução nº 252/2012, estabelece a seguinte condição para 
a constituição de uma sociedade corretora:
UNIDADE 6
148LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Art. 12. A constituição de uma sociedade corretora, seja para atuar 
no ramo de Danos, no segmento de capitalização ou, ainda, em 
capitalização, no ramo de Pessoas ou em previdência complemen-
tar aberta, deve ter como diretor técnico, no caso de sociedade 
por ações, ou administrador, no caso de sociedade por cotas de 
responsabilidade limitada, um corretor habilitado para o segmento 
de atuação da referida sociedade.
A Resolução nº 249/2012 dispõe, ainda, de forma semelhante ao art. 17 da 
Lei nº 4.594/1964, sobre as condições para que seja concedido o registro 
de corretora de seguros para a pessoa jurídica:
Art. 13. Não será concedido registro às sociedades cujos sócios e 
ou diretores:
I – aceitem ou exerçam emprego em pessoa jurídica de direito 
público; ou 
II – mantenham relação de emprego ou de direção com sociedade 
seguradora.
Sobre o registro na SUSEP, devem sempre ser observadas as disposições 
da Circular SUSEP nº 510/2015.
Sociedades Cooperativas
Os corretores de seguros podem se organizar, também, sob a forma de 
sociedades cooperativas.
O CNSP editou a Resolução nº 175/2007, que dispõe sobre cooperativas 
de corretores de seguros. Posteriormente, a SUSEP baixou normas comple-
mentares por meio da Circular SUSEP nº 367/2008.
Já a Circular SUSEP nº 374/2008 dispôs sobre os procedimentos de regis-
tro de sociedades cooperativas de corretores de seguros, dando outras 
providências.
A sociedade cooperativa tem por objetivo a defesa da economia individual 
dos seus sócios. No art. 3º da Lei nº 5.764/1971, assim está definido o con-
trato entre os sócios (cooperados):
Art. 3º. Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas 
que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços 
para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum 
sem objetivo de lucro.
A cooperativa difere de uma empresa pelo fato de visar à prestação de 
serviços aos seus cooperados sem objetivo de lucro. Assim sendo, a coo-
perativa representará os interesses dos cooperados, além de organizar e 
operar todas as atividades necessárias, a fim de possibilitar ao cooperado 
auferir o melhor rendimento possível, respeitando e cumprindo plenamen-
te a legislação aplicável.
UNIDADE 6
149LEGISLAÇÃO DO SEGURO
A cooperativa de corretores de seguros, por ser uma típica cooperativa 
de trabalho de profissionais da respectiva profissão regulamentada, pos-
sibilitará aos cooperados prestar serviços aos seus clientes por intermé-
dio da cooperativa.
Cabe à cooperativa efetuar o processamento operacional da produção 
dos seus cooperados junto às seguradoras e, nesse caso, conforme pre-
visão legal, atuar como corretora de seguros pessoa jurídica, distinguin-
do-se, porém, das sociedades corretoras de seguros constituídas sob a 
forma empresarial.
São necessários, no mínimo, 20 corretores de seguros, pessoas naturais, 
habilitados legalmente, para a constituição de uma sociedade cooperativa.
Sua constituição requer a realização de uma assembleia para aprovação 
do estatuto social, integralização do capital social, definição da sede.
Posteriormente, deve ser providenciado o registro da ata de constituição 
e do estatuto social na Junta Comercial da Unidade Federativa onde ficar 
instalada a sede, na Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), por 
meio de sua unidade regional correspondente, no CNPJ (emitido pelo 
Ministério da Fazenda), na Prefeitura Municipal e na SUSEP.
O quadro de associados da sociedade cooperativa de corretores de segu-
ros deve ser formado, obrigatoriamente, por corretores de seguros, pes-
soas naturais ou jurídicas, gozando do livre exercício profissional. Todos 
os sócios das pessoas jurídicas corretoras de seguros que participem de 
sociedade cooperativa deverão ser corretores de seguros registrados na 
SUSEP e em pleno gozo do livre exercício profissional.
 O QUE SÃO EMPRESAS INDIVIDUAIS 
 DE RESPONSABILIDADE 
 LIMITADA (EIRELI) 
O Corretor de Seguros pode constituir sua sociedade na forma Simples, 
Simples Limitada ou uma EIRELI – Empresa Individual de Responsabilidade 
Limitada –, na qual não é necessário ter um ou mais sócios.
É possível também transformar a sociedade já existente em EIRELI.
UNIDADE 6
150LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Saiba mais
A seguir, você pode conferir trechos contidos no Livro sobre EIRELI (www.fenacor.org.br):
Trata-se de nova modalidade de pessoa jurídica criada pela Lei nº 12.441/2011, 
que garante ao seu titular uma separação entre o seu patrimônio particular e o 
da EIRELI, a partir do registro no registro público competente (Registro Civil de 
Pessoas Jurídicas ou Registro Público de Empresas).
A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) é uma pessoa 
jurídica unipessoal, o que significa que é composta por apenas um titular, sem 
a participação de sócios. Não se confunde com a figura do empresário, nem do 
microempreendedor individual (MEI), que é um tipo de empresário, pois estes 
não têm personalidade jurídica, nem limitação de responsabilidade ao capital 
declarado. Também não se confunde com a sociedade, pois esta tem que con-
tar com a pluralidade de sócios. O nome “empresa” é usado na EIRELI de forma 
não técnica, como acontece normalmente na legislação e no próprio Código 
Civil, quando, por exemplo, trata sobre escrituração de livros. Quando a lei usa 
o nome “empresa”, muitas vezes está se referindo à pessoa jurídica, não se 
preocupando com o detalhamento se é de organização simples ou empresarial.
Os elementos do ato de constituição serão basicamente os previstos na nor-
ma das sociedades limitadas (arts. 1.052 a 1.087 do Código Civil brasileiro), 
podendo prever, como norma subsidiária, a lei das sociedades anônimas e, na 
omissão, ficam valendo as normas das sociedades simples. 
Os elementos que precisam de maior atenção são a administração e o capi-
tal. Este terá que ser totalmenteintegralizado no valor de 100 (cem) salários 
mínimos e não precisa ser representado em quotas. A administração não deve 
permitir que haja confusão entre o patrimônio particular do titular com o da 
pessoa jurídica e deve ser garantida a continuidade da EIRELI mesmo diante do 
impedimento temporário ou permanente do titular. A pessoa natural que consti-
tuir empresa individual de responsabilidade limitada somente poderá figurar em 
uma única empresa dessa modalidade.
No site da Fenacor (www.fenacor.org.br/download/eireli.pdf), está disponível uma suges-
tão de contratos de constituição e legislação. 
http://www.fenacor.org.br/download/eireli.pdf
UNIDADE 6
151LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 HABILITAÇÃO 
 TÉCNICO-PROFISSIONAL 
No exercício do poder regulamentar que lhe foi atribuído, o CNSP tem a 
competência de editar resoluções, disciplinando não apenas a profissão 
de corretor de seguros, mas, também, a própria atividade de corretagem.
Em 15 de fevereiro de 2012, a SUSEP, autorizada pelo CNSP, ad referendum 
do referido Conselho (na forma do art. 5º, § 1º, da Resolução CNSP 
nº 111/2004), editou a Resolução nº 249/2012, que dispõe sobre a ativida-
de dos corretores de seguros de Ramos Elementares e dos corretores de 
seguros de Vida, Capitalização e Previdência.
É importante relembrar, como foi visto, que a Resolução CNSP nº 249/2012 
foi alterada pelas Resolução CNSP nº 252/2012 e, posteriormente, pela 
Resolução CNSP nº 318/2014.
De acordo com o art. 3º da Resolução CNSP nº 249/2012, a habilitação 
técnico-profissional prevista no § 1º do art. 123 do Decreto-Lei nº 73/1966, 
será concedida mediante aprovação em Exame Nacional de Habilitação 
Técnico-Profissional para Corretor de Seguros ou em Curso de Habilitação 
Técnico-Profissional para Corretor de Seguros.
A SUSEP editou, em seguida, a Circular nº 428/2012, que dispõe sobre a 
realização de Curso de Habilitação de Corretores de Vida, de Capitaliza-
ção e de Previdência e dá outras providências.
Ainda não foi editada pela SUSEP uma circular disciplinando a habilitação téc-
nico-profissional para Ramos Elementares. Até que isso ocorra, esta se rege-
rá, por analogia, pelas disposições contidas na Circular SUSEP nº 428/2012.
De acordo com o art. 6º da Resolução CNSP nº 249/2012, “a comprovação 
prévia de conclusão de curso de ensino médio em estabelecimento educa-
cional reconhecido é requisito básico para a inscrição do candidato no Exa-
me Nacional para Habilitação Técnico-Profissional para Corretor de Seguros 
ou no Curso de Habilitação Técnico-Profissional para Corretor de Seguros”.
UNIDADE 6
152LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 REQUERIMENTO DE 
 REGISTRO NA SUSEP 
O requerimento de registro na SUSEP deve ser efetuado na forma estabe-
lecida no art. 3º da Circular SUSEP nº 510/2015:
Art. 3º. O requerimento de registro de que trata o artigo ante-
rior deverá ser efetuado por meio de formulário contendo dados 
cadastrais do corretor de seguros e declarações, e ser encaminha-
do por meio digital, por intermédio do sítio eletrônico da SUSEP na 
rede mundial de computadores.
§ 1º Tratando-se de corretor de seguros, pessoa física, o requeri-
mento a que se refere o caput deverá ser acompanhado de cópia 
digitalizada do comprovante de aprovação no Exame Nacional de 
Habilitação Técnico-Profissional para Corretor de Seguros ou no 
Curso de Habilitação Técnico-Profissional para Corretor de Segu-
ros, promovido pela Escola de Negócios e Seguros – FUNENSEG 
ou por outra instituição autorizada pela SUSEP, referente aos 
ramos requeridos.
§ 2º Tratando-se de corretor de seguros, pessoa jurídica, o reque-
rimento a que se refere o caput deverá ser acompanhado de cópia 
digitalizada do ato constitutivo, contrato ou estatuto social, devida-
mente arquivado no registro competente.
Além da documentação mencionada naquele artigo, também aquela listada 
no artigo 9º da citada Circular deverá acompanhar o requerimento de registro:
Art. 9º. Para efeito de composição de banco de dados, que fica-
rá à disposição para posteriores fiscalizações, o requerimento de 
registro deve ser acompanhado da seguinte documentação, enca-
minhada por meio digital, por intermédio do sítio eletrônico da 
SUSEP na rede mundial de computadores.
I – tratando-se de corretor de seguros, pessoa física, são exigidos 
os seguintes documentos:
a) carteira de identidade, válida em todo o território nacional;
b) comprovante de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF;
c) comprovante de quitação com a justiça eleitoral ou recibo de 
votação da última eleição;
d) comprovante de quitação com o serviço militar, quando se tratar 
de brasileiro com idade entre dezoito e 45 anos;
e) comprovante de residência ou declaração de endereço, firmada 
pelo próprio, nos termos da Lei nº 7.115/1983; e
UNIDADE 6
153LEGISLAÇÃO DO SEGURO
II – tratando-se de corretor de seguros pessoa jurídica, o adminis-
trador técnico deverá apresentar os seguintes documentos:
a) os enumerados no inciso I deste artigo, relativamente a seus 
administradores, cotistas ou detentores de participação qualificada;
b) comprovante de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas 
Jurídicas – CNPJ; e
§1º. É obrigatório constar do ato constitutivo, estatuto ou contrato 
social do corretor de seguros pessoa jurídica que o administrador 
técnico seja corretor de seguros registrado na SUSEP, cabendo-
-lhe o uso do nome da empresa, relativamente aos atos de corre-
tagem e aos documentos encaminhados à SUSEP.
 INEXISTÊNCIA DE LIMITAÇÃO 
 TERRITORIAL PARA A 
 ATUAÇÃO DO CORRETOR 
 DE SEGUROS 
Não existe qualquer imposição legal estabelecendo limites territoriais para 
o exercício profissional do corretor de seguros, cuja atuação pode se dar 
em todo o território nacional.
O corretor de seguros, pessoa natural ou jurídica, pode atuar em todo o ter-
ritório nacional, valendo o seu único registro na SUSEP, para todos os esta-
dos da Federação em que pretenda operar, inclusive no Distrito Federal.
O art. 5º, inciso XIII, da Constituição Federal dispõe que:
Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residen-
tes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igual-
dade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
...
XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, 
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer.
O assunto foi tratado com propriedade pelo procurador federal, lotado na 
SUSEP, Dr. Marcello Teixeira Bittencourt, conforme a seguir:
Importante
Uma vez concedido, o 
registro será válido por prazo 
indeterminado, conforme prevê o 
§ 1º do art. 2º da referida Circular.
UNIDADE 6
154LEGISLAÇÃO DO SEGURO
A imposição de limitação territorial seria uma violação direta 
ao dispositivo previsto no art. 5º, XIII, da Constituição Fede-
ral, uma vez que não existe lei que venha a estabelecer limi-
tes para o exercício profissional do corretor de seguros.
(BITTENCOURT, 2004, p. 59)
 OS PREPOSTOS DO CORRETOR 
A Lei nº 4.594/1964, permite, também, que o corretor de seguros (todos os 
ramos) venha a ter prepostos, cuja finalidade é auxiliá-lo no exercício de 
suas atividades, funcionando como seus representantes, agindo em seu 
nome e sob sua responsabilidade e cuidado profissional.
Os prepostos são de livre escolha do corretor. Portanto, devem ser pes-
soas de sua confiança.
Contudo, para que não haja qualquer dúvida quanto à atuação dos prepos-
tos, o art. 12 da Lei nº 4.594/1964, estabelece que eles devem ser registra-
dos na SUSEP, mediante requerimento do corretor de seguros, desde que 
atendam aos requisitos exigidos pelo art. 3º da referida lei.
Art. 12. O corretor de seguros poderá ter prepostos de sua livre 
escolha, bem como designar, entre eles, o que o substitua nos 
impedimentos ou faltas.
Parágrafo único. Os prepostos serão registrados no Departa-
mento Nacional de SegurosPrivados e Capitalização, mediante 
requerimento do corretor e preenchimento dos requisitos exigi-
dos pelo art. 3º.
A parte final do parágrafo único do art. 12 da Lei nº 4.594/1964 estabelece que 
o preposto do corretor de seguros deve ter a habilitação técnico-profissional, 
nos termos da alínea “e” do art. 3º do referido diploma legal.
O CNSP, fazendo uso da competência que lhe foi atribuída pelo art. 32, 
inciso XI, do Decreto-Lei nº 73/1966, editou a Resolução nº 295, de 
295/2013, dispondo sobre a atividade de Preposto de Corretor de 
Seguros e de Previdência Complementar Aberta, os requisitos básicos 
para sua nomeação e o registro junto à SUSEP (alterada pelas Resolu-
ções 307/2014 e 334/2015).
A seguir, estão pontuadas algumas definições e exigências contidas na 
supracitada Resolução.
UNIDADE 6
155LEGISLAÇÃO DO SEGURO
O corretor de seguros, pessoa física ou jurídica, poderá nomear, sob sua 
responsabilidade e na forma prevista em tal norma infralegal, prepostos 
de sua livre escolha, inclusive aquele que o substituirá nos impedimentos 
eventuais (art. 1º).
O preposto que substituir o corretor de seguros em seus impedimentos 
legais deverá estar registrado como corretor de seguros perante a SUSEP 
(§ 2º do art. 1º).
Como se observa, o CNSP estabeleceu dois tipos de prepostos, para duas 
situações distintas, a saber: uma para os impedimentos eventuais do cor-
retor de seguros, e outra para seus impedimentos legais (que deverá estar 
registrado na SUSEP como corretor de seguros). Consideram-se impedi-
mentos legais aqueles previstos na Lei nº 4.594/1964 (art. 17, alíneas “a” e 
“b”), e no Decreto-Lei nº 73/1966 (art. 125, alíneas “a” e “b”).
 ■ Considera-se preposto a pessoa física designada por único corre-
tor de seguros, atuando exclusivamente em seu nome e sob sua 
responsabilidade (art. 2º). Assim, o preposto, pessoa física, somen-
te poderá se vincular a um corretor de seguros.
 ■ Cabe à SUSEP a concessão de registro de preposto (art. 3º). 
 ■ Cada corretor de seguros, pessoa física, poderá registrar, no máxi-
mo, 10 (dez) prepostos (§ 2º do art. 3º).
 ■ O requerimento de registro deverá ser efetuado pelo corretor de 
seguros, por meio de formulário contendo dados cadastrais do 
preposto (art. 4º).
 ■ Para efeito de composição de banco de dados que ficará à dis-
posição para posteriores fiscalizações, o requerimento do regis-
tro deve ser acompanhado da seguinte documentação, relativa a 
cada preposto (§ 1º do art. 4º):
a) carteira de identidade, válida em todo o território nacional;
b) comprovante de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF;
c) comprovante de quitação com a justiça eleitoral;
d) comprovante de quitação com o serviço militar, quando se 
tratar de brasileiro com idade entre 18 e 45 anos; e
e) comprovante de residência.
 ■ O cumprimento da obrigação de apresentação da documentação 
acima, junto à SUSEP, deverá ser efetuado a partir de 1º de junho 
de 2015 (§2º do art. 4º).
 ■ Essa documentação deverá ficar arquivada em poder do corretor 
de seguros responsável, à disposição da fiscalização da SUSEP, 
enquanto durar o vínculo com os prepostos registrados na SUSEP, 
sem prejuízo do atendimento às demais exigências normativas 
aplicáveis (§3º do art. 4º).
UNIDADE 6
156LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 ■ É vedado ao preposto de corretor de seguros atuar por conta pró-
pria no mercado de corretagem de seguros (art. 5º).
 ■ Aplicam-se ao preposto as condições para atuação profissional 
do corretor de seguros, bem como os impedimentos a este impos-
to (§1º do art. 5º), cujo cumprimento desse disposto será efetuado 
por meio de declarações (§2º do art. 5º).
 ■ O corretor de seguros deverá assegurar que seus prepostos man-
tenham as condições necessárias ao exercício de suas atividades 
(§1º do art. 6º), e o não atendimento a essa condição, a qualquer 
tempo, ensejará o cancelamento do seu registro perante a SUSEP 
(§2º do art. 6º).
 ■ No § 3º do art. 6º, está expresso que o corretor de seguros deverá, 
assim que tomar conhecimento do descumprimento por parte de 
seu preposto de qualquer condição prevista nos artigos 4º e 5º da 
citada Resolução, requerer o cancelamento de seu registro.
 ■ Sem qualquer motivação, o corretor de seguros poderá, a qual-
quer tempo, requerer o cancelamento do registro de seu preposto, 
mediante requerimento encaminhado à SUSEP (art. 7º).
As alterações cadastrais dos prepostos de corretores de seguros obede-
cerão ao disposto nos normativos da SUSEP que dispõem sobre registro 
de corretor de seguros (parágrafo único do art. 7º).
 ■ Em caso de irregularidade administrativa, estará o preposto de cor-
retor de seguros sujeito à instauração de processo administrativo 
sancionador pela SUSEP para aplicação das sanções cabíveis, pre-
vistas nas normas específicas, sem prejuízo da responsabilidade 
do corretor de seguros que requereu a sua inscrição (art. 8º).
 ■ A SUSEP expedirá novo registro de preposto de corretor de segu-
ros àquele que, na data da publicação da Resolução CNSP nº 295, 
de 2013, vinha atuando como preposto de corretor de seguros ou 
cujo pedido de registro estiver arquivado nas bases de dados da 
SUSEP em data anterior à publicação da referida Resolução (art. 9º).
 ■ A emissão desse novo registro está condicionada à ratificação 
pelo corretor de seguros da relação de seus prepostos, bem como 
o cumprimento da documentação exigida para a composição do 
banco de dados (parágrafo único do art. 9º).
 ■ Não se aplica a limitação de inscrição de 10 (dez) prepostos em 
relação ao corretor pessoa física, quando ele já tiver um quantitati-
vo superior já registrado na SUSEP, antes da vigência da Resolução 
CNSP nº 295, de 2013 (art. 9-A). No caso de haver cancelamento 
desses registros, o corretor pessoa física somente poderá cadastrar 
novos prepostos junto à SUSEP até o limite de 10 (dez) prepostos.
UNIDADE 6
157LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 ■ O corretor de seguros deverá comprovar a certificação técnica dos 
seus prepostos na forma disciplinada pelo CNSP (art. 10).
A Resolução CNSP nº 295/2013, foi publicada no DOU de 28 de outubro de 
2013, e a sua vigência ficou estabelecida em 180 (cento e oitenta) dias, conta-
dos da data de sua publicação, iniciando-se, portanto, em 26 de abril de 2014.
 DIREITOS E DEVERES DO CORRETOR 
A seguir, vamos estudar os direitos e deveres dos profissionais de corretagem.
 — Deveres Básicos do Corretor
A Lei nº 4.594/1964, além de prever as exigências de qualificação profissional 
para a atuação na corretagem, também estabelece os deveres básicos a serem 
observados pelos habilitados, de forma a integrá-los no mercado de trabalho.
O art. 5º da referida Lei diz:
Art. 5º. O corretor, seja pessoa física ou jurídica, antes de entrar no 
exercício da profissão, deverá:
a) prestar fiança em moeda corrente ou em títulos da dívida públi-
ca, no valor de um salário-mínimo mensal, vigente na localidade 
em que exercer suas atividades profissionais – (Alínea revogada 
– vide comentário a seguir).
b) estar quite com o imposto sindical (atual contribuição sindical).
c) inscrever-se para o pagamento do Imposto de Indústrias 
e Profissões.
Comentário
A alínea “a” do art. 5º da Lei nº 4.594/1964 foi revogada pela Lei Complementar nº 
137/2010. Conforme já mencionado, o imposto sindical é a atual contribuição sindical.
UNIDADE 6
158LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Nota
A contribuição sindical está prevista nos arts. 578 a 591 da CTL e antes era recolhida 
compulsoriamente. Com o advento da Lei nº 13.467/2017, passou a ser facultativa, 
estando condicionada à autorização prévia e expressa dos que participarem de uma 
determinada categoria econômica ou profissional
Observe o que dispõem os arts. 578 e 579 da CLT:
Art. 578: As contribuições devidas aos sindicatos pelos participantes 
das categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais 
representadas pelas referidas entidades serão, sob a denominação“Súmula Vinculante”, 
que versa exclusivamente sobre 
matéria constitucional e somente 
pode ser emitida pelo Supremo 
Tribunal Federal, devendo, 
necessariamente, ser observada 
pelos outros tribunais. Ressalte-
se a Súmula Vinculante 32: “O 
ICMS não incide sobre alienação 
de salvados de sinistro pelas 
seguradoras”.
UNIDADE 1
18DIREITO DO SEGURO
A Constituição deve ser entendida como a lei fundamental e supre-
ma de um Estado, que contém normas referentes à estruturação 
do Estado, à formação dos poderes políticos, forma de governo 
e aquisição do poder de governar, distribuição de competências, 
direito, garantias e deveres dos cidadãos. Além disso, é a Consti-
tuição que individualiza os órgãos competentes para a edição de 
normas jurídicas, legislativas ou administrativas.
(SILVA, 1996, p. 246).
Uma vez que a Constituição Federal é a lei fundamental e suprema do Esta-
do brasileiro, é nela que está o fundamento de toda autoridade, e somente 
ela confere poderes e competências governamentais. Além disso, as normas 
que integram o ordenamento jurídico brasileiro somente serão válidas quan-
do o seu conteúdo estiver em conformidade com as normas constitucionais.
Desse modo, as normas, sejam elas leis, resoluções, circulares, portarias ou 
qualquer outra espécie que, de alguma forma, contrariem a Constituição, são 
chamadas inconstitucionais e, consequentemente, não possuem valor jurídico.
Por intermédio da chamada Emenda Constitucional, a Constituição Federal 
pode ser objeto de alteração, com a finalidade de se adaptar às modifica-
ções da sociedade e do Estado.
A Emenda Constitucional é promulgada pela mesa da Câmara dos Deputa-
dos e do Senado Federal, sendo necessário, para tal, a aprovação por 3/5 
dos membros de ambas as Casas Legislativas em duas sessões.
Assim, a própria Constituição proíbe expressamente que haja qualquer 
tentativa de alterá-la em relação a essas matérias.
 — As Normas Infraconstitucionais
Abaixo da Constituição Federal estão todas as outras normas jurídicas, 
também chamadas de normas infraconstitucionais.
Podemos estabelecer a seguinte hierarquia entre as normas com base no 
art. 59 da Constituição Federal de 1988:
Lei complementar
Tem a finalidade de dispor sobre matérias que lhe são reservadas 
pela Constituição Federal. Sua edição depende de quórum privi-
legiado e maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, 
como ocorreu com a Lei Complementar nº 126/2007, que dispõe 
sobre as operações de cosseguro, as contratações de seguro no 
exterior, as operações em moeda estrangeira do setor securitário, 
a política de resseguro, retrocessão e sua intermediação.
Importante
A iniciativa das leis complementares 
e ordinárias cabe a(ao)(s):
 ■ Qualquer membro ou Comissão da 
Câmara dos Deputados, do Senado 
Federal ou do Congresso Nacional.
 ■ Presidente da República.
 ■ Supremo Tribunal Federal.
 ■ Tribunais Superiores.
 ■ Procurador-Geral da República.
 ■ Cidadãos (na forma e nos casos 
previstos na Constituição).
UNIDADE 1
19DIREITO DO SEGURO
Lei ordinária
Elaborada pelo Poder Legislativo em sua função típica de legislar. 
Sua edição pode ocorrer por quórum simples, presente a maioria 
absoluta dos membros do Congresso Nacional. Para ser elabora-
da, a lei ordinária passa pelas seguintes fases: iniciativa, aprova-
ção, sanção, promulgação e publicação, como a Lei nº 4.594/1964, 
que regula a profissão de corretor de seguros.
Medida provisória 
É aquela emanada pelo Poder Executivo, com força de lei e vali-
dade por 60 dias, prorrogáveis uma única vez por igual período. 
Assim, a vigência máxima das medidas provisórias é de 120 dias. 
Tais normas devem ser, nesse prazo, apreciadas pelo Poder Legis-
lativo, a fim de serem transformadas em lei ordinária ou revogadas. 
A medida provisória não apreciada pelo Poder Legislativo em 120 
dias perde sua eficácia por decurso de prazo.
Decreto e resolução 
São normas que regulamentam disposições previstas em lei. 
Ambos são redigidos por autoridades administrativas competen-
tes. Como exemplo temos as resoluções relativas ao seguro edita-
das pelo CNSP.
A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer mem-
bro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do 
Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal 
Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos 
cidadãos, na forma e nos casos previstos na Constituição.
É importante destacar que, antes da Constituição de 1988, havia a figura 
do decreto-lei, que era o ato normativo emitido unicamente pelo chefe do 
Poder Executivo, sem a necessidade de referendo do Congresso.
Com a atual Constituição, essa figura foi extinta. Contudo, aqueles decre-
tos-leis cujo conteúdo não contraria a atual Constituição Federal, como o 
Decreto-Lei nº 73/1966, que cria o Sistema Nacional de Seguros Privados, 
permanecem válidos e são tidos como recepcionados constitucionalmente.
Saiba mais
A Medida Provisória nº 719/2016 
alterou a Lei nº 8.374/1991 
referente ao Seguro Obrigatório 
para Embarcação (DPEM).
FIXANDO CONCEITOS
20DIREITO DO SEGURO
 FIXANDO CONCEITOS 1 
MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
1. É correto afirmar que o Direito que consiste em um conjunto ordenado e 
sistemático de normas jurídicas obrigatórias que o Estado impõe à sociedade 
fazendo uso de suas competências é denominado: 
(a) Direito positivo ou escrito. 
(b) Direito costumeiro ou consuetudinário. 
(c) Direito público ou privado.
(d) Direito objetivo ou subjetivo.
(e) Direito natural ou ordinário.
2. O conjunto de repetidas decisões judiciais dos tribunais sobre certa 
matéria, criando precedentes que podem ser aplicados a casos semelhan-
tes, denomina-se:
(a) Doutrina.
(b) Costume.
(c) Subjetiva.
(d) Lei.
(e) Jurisprudência.
3. A Constituição Federal somente pode ser alterada por meio de:
(a) Decreto.
(b) Lei ordinária.
(c) Emenda.
(d) Lei delegada.
(e) Medida provisória.
FIXANDO CONCEITOS
21DIREITO DO SEGURO
4. É correto definir o Direito como sendo:
(a) A particularidade do que é justo e correto, como o respeito à igual-
dade de todos os cidadãos.
(b) Norma ou conjunto de normas que tem o objetivo de regularizar o 
funcionamento de algo, de uma instituição, atividade, entre outras, 
em um lugar e um tempo determinado.
(c) É o princípio básico de reconhecimento e preservação da cultura 
nacional.
(d) Um conjunto legislativo advindo da Câmara dos Deputados Federais.
(e) Um conjunto de normas de procedimento, disciplinadoras da vida 
em sociedade, de caráter obrigatório.
5. A norma legal infraconstitucional emanada pelo Poder Executivo, com 
anotações: força de lei e validade por 60 dias, prorrogável uma única vez 
por igual período, é o(a):
(a) Lei complementar.
(b) Constituição Federal.
(c) Medida provisória.
(d) Lei ordinária.
(e) Decreto.
6. O Direito é um(a):
(a) Ciência humana.
(b) Ciência social.
(c) Ciência exata.
(d) Conjunto de regras morais.
(e) Lei.
DIREITO DO SEGURO 22
UNIDADE 202
O CONTRATO 
 ■ Refletir sobre o conceito 
legal do contrato de 
seguro, considerando os 
diversos aspectos ligados 
aos seguros e suas formas 
de operacionalização.
 ■ Compreender o elemento 
risco como principal 
ferramenta de trabalho, 
analisando suas variáveis e 
forma de execução.
 ■ Compreender o elemento 
interesse segurável, 
analisando sua legitimidade 
em face dos seguros de 
danos e de pessoas. 
 ■ Compreender o elemento 
garantia como a principal 
obrigação das seguradoras, 
analisando suas variáveis e 
a forma de execução.
 ■ Compreender o elemento 
prêmio como a principal 
obrigação dos segurados, 
analisando suas variáveis e 
a forma de execução. 
Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de:
 ■ Compreender as 
principais características 
dos contratos de 
seguro, considerando 
a natureza jurídica e a 
classificação – bilateral, 
oneroso, aleatório, solene, 
consensual, nominado 
ede 
contribuição sindical, pagas, recolhidas e aplicadas na forma estabe-
lecida neste Capítulo, desde que prévia e expressamente autorizadas. 
(Redação dada pela Lei n.º 13.467, de 13 de julho de 2017)
Art. 579. O desconto da contribuição sindical está condicionado à 
autorização prévia e expressa dos que participarem de uma determi-
nada categoria econômica ou profissional, ou de uma profissão liberal, 
em favor do sindicato representativo da mesma categoria ou profissão 
ou, inexistindo este, na conformidade do disposto no art. 591 desta Con-
solidação. (Redação dada pela Lei n.º 13.467, de 13 de julho de 2017).
Ressalte-se que o caráter facultativo da contribuição sindical, em relação ao dispositivo le-
gal citado, vem sendo tema de discussões entre entidades de classe e o Poder Judiciário.
Comentário
O Imposto de Indústrias e Profissões (IIP) foi substituído pelo Imposto Sobre Serviços de 
Qualquer Natureza (ISSQN), conhecido também como Imposto Sobre Serviços (ISS), con-
forme disposto no inciso III do art. 156 da Constituição Federal. O ISS é um tributo munici-
pal e incide sobre as operações realizadas pelos corretores. Normalmente, as sociedades 
seguradoras fazem a retenção na fonte desse imposto.
 — Direito à Comissão de Corretagem
A retribuição pecuniária devida ao corretor de seguros, em razão da sua 
participação profissional na intermediação do seguro, tem o nome de 
comissão de corretagem e se encontra expressamente assegurada no 
art. 13 da Lei nº 4.594/1964, conforme transcrição abaixo:
UNIDADE 6
159LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Art. 13. Só ao corretor de seguros devidamente habilitado nos ter-
mos desta Lei e que houver assinado a proposta deverão ser pagas 
as corretagens admitidas para cada modalidade de seguro, pelas 
respectivas tarifas, inclusive em caso de ajustamento de prêmios.
Comentário
Para fazer jus ao recebimento da comissão de corretagem, além de intermediar o contra-
to de seguro, o corretor deve ser habilitado nos termos da respectiva Lei, bem como ter 
assinado a proposta. As comissões serão pagas de acordo com a modalidade do seguro 
intermediado, respeitados os parâmetros das respectivas tarifas.
§ 1º Nos casos de alterações de prêmios por erro de cálculo na 
proposta ou por ajustamentos negativos, deverá o corretor restituir 
a diferença da corretagem.
Comentário
Assim, o corretor deverá restituir a diferença da comissão recebida caso tenha havido 
qualquer erro de cálculo na proposta ou se existir ajustamento negativo.
§ 2º Nos seguros efetuados diretamente entre o segurador e o segu-
rado, sem interveniência de corretor, não haverá corretagem a pagar.
Comentário
A comissão de corretagem, portanto, somente será paga ao corretor quando houver a 
intermediação dele na operação de seguro. Na realidade, verifica-se que a presença do 
corretor de seguros não é obrigatória, conforme disposto na alínea “b” do art. 18 da Lei 
nº 4.594/1964. Na venda direta, ou seja, naquela em que não há a presença do corretor, a 
comissão é revertida para o Fundo de Desenvolvimento Educacional do Seguro, adminis-
trado pela Escola de Negócios e Seguros – FUNENSEG (art. 19 da Lei nº 4.594/1964).
Em relação à comissão de corretagem, observe que:
 ■ o corretor somente terá direito à comissão de corretagem se assi-
nar a proposta de seguro, presumindo-se que aquele profissional 
foi o mesmo que assinou e intermediou o contrato de seguro;
UNIDADE 6
160LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 ■ se nenhum corretor participar da contratação do seguro, como 
menciona o § 2º do art. 13 da Lei nº 4.594/1964, não haverá comis-
são de corretagem a ser paga a ele. No entanto, por determinação 
do contido no art. 19 da Lei nº 4.594/1964, com a alteração promo-
vida pela Lei nº 6.317/1975, a comissão de corretagem é obrigató-
ria e é revertida para a Escola de Negócios e Seguros Escola de 
Negócios e Seguros – FUNENSEG, conforme exposto mais adian-
te no item Formas de Contratação e Aceitação de Propostas;
 ■ cada modalidade de seguro tem sua tabela de tarifas e prêmios, os 
quais servem de base para cálculo de comissão de corretagem a ser 
paga aos profissionais que intermedeiam os contratos de seguros;
 ■ o valor da comissão de corretagem deverá, necessariamente, 
guardar proporção com o montante do prêmio; e
 ■ o eventual erro na fixação do prêmio imporá o dever de restituição 
parcial da corretagem.
 — Dever de Registro das Propostas 
e de Demonstração à SUSEP
O corretor de seguros deve manter registro das propostas por ele encami-
nhadas às seguradoras e todos os assentamentos relacionados aos negó-
cios de que participou. É o que determina a Lei nº 4.594/1964, em seu art. 
14, transcrito abaixo:
Art. 14. O corretor deverá ter o registro devidamente autenticado 
pelo Departamento Nacional de Seguros Privados e de Capitali-
zação, das propostas que encaminhar às sociedades de seguros, 
com todos os assentamentos necessários à elucidação dos negó-
cios em que intervier.
Tal medida se justifica para impor ao corretor uma disciplina administrativa 
e organizacional no exercício de suas funções, a fim de garantir aos segu-
rados, que nele confiaram, a preservação dos registros de todos os atos 
relacionados ao negócio empreendido.
Esses registros permitirão que o órgão oficial de fiscalização verifique o 
cumprimento das atividades dos corretores, razão pela qual esse registro 
deverá estar sempre à disposição da fiscalização da SUSEP, como prevê o 
art. 16 da Lei nº 4.594/1964:
Art. 16. Sempre que for exigido pelo Departamento Nacional de 
Seguros Privados e de Capitalização e no prazo por ele determina-
do, os corretores e prepostos deverão exibir os seus registros, bem 
como os documentos nos quais se baseiam os lançamentos feitos.
UNIDADE 6
161LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Comentário
Trata-se de uma medida administrativa com o objetivo de impor ao corretor a disciplina 
organizacional. De certa forma, garante aos segurados a preservação dos registros dos 
negócios empreendidos. Assim, sempre que o corretor for arguido pela SUSEP, no sentido 
do cumprimento de suas atividades, deverá ter à disposição os referidos registros e apre-
sentá-los no prazo determinado pelo órgão fiscalizador.
Comentário
A Circular SUSEP nº 510/2015 dedica o Capítulo III ao estabelecimento de normas sobre 
a escrituração em registro obrigatório das propostas de seguro, admitindo o emprego de 
sistema de processamento de dados eletrônicos ou mecanizados na escrituração, assim 
como o arquivo das propostas.
O prazo para a guarda da documentação da produção do corretor de seguros, cujo 
registro é obrigatório inclusive para eventuais comprovações no âmbito administrativo ou 
judicial, vem definido na Circular SUSEP nº 74/1999, em sua tabela de temporalidade, e 
também na Circular SUSEP nº 277/2004.
 — Dever de Repasse do Prêmio Recebido
Cabe ao corretor de seguros, no exercício da intermediação que caracte-
riza a atividade, repassar às seguradoras as necessidades do segurado. O 
pagamento do prêmio deve ser realizado pelo segurado, conforme expos-
to mais adiante.
No entanto, na maioria das vezes, ocorre de o segurado entregar ao corre-
tor, diretamente, o valor correspondente ao prêmio ou parte dele, no caso 
de fracionamento em parcelas.
Ocorrendo essa hipótese, deve o corretor fazer imediatamente o repasse 
da importância recebida à seguradora, conforme prevê o art. 15 da Lei nº 
4.594/1964, transcrito a seguir:
Art. 15. O corretor deverá recolher incontinenti à Caixa da Segura-
dora o prêmio que porventura tiver recebido pelo segurado para o 
pagamento do seguro realizado por seu intermédio.
UNIDADE 6
162LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Comentário
Um dos requisitos de aperfeiçoamento do contrato de seguro é o recebimento, pela se-
guradora, do valor correspondente ao prêmio. Dessa forma, o corretor de seguros deverá 
repassar à seguradora o prêmio porventura recebido. Se não o fizer, pode estar incorren-
do em crime de apropriaçãoindébita.
Dependendo da situação fática, o segurado ou pretenso segurado pode estar sem a devi-
da cobertura (à sua revelia) e, em caso de sinistro, não fazer jus à indenização.
O Código Penal assim dispõe, em seu art. 168, sobre a apropriação indébita:
Art. 168. Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse 
ou a detenção:
Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa (Redação alterada 
para adequar-se ao disposto no art. 2º da Lei nº 7.209, de 11/07/1984, 
DOU 13/7/1984, em vigor seis meses após a data da publicação).
Aumento de pena
§ 1º A pena é aumentada de um terço, quando o agente recebeu 
a coisa: 
I – em depósito necessário;
II – na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventarian-
te, testamenteiro ou depositário judicial;
III – em razão de ofício, emprego ou profissão.
Comentário
É estabelecido liame de confiança entre a seguradora e o corretor, bem como entre o cor-
retor e o segurado. O valor do prêmio recebido pelo corretor pertence à seguradora.
O corretor apenas detém a sua guarda provisória. Na hipótese de o corretor dolosamente 
(com a intenção) não repassar o prêmio à seguradora, incorrerá no crime de apropriação 
indébita, sujeitando-se às penalidades fixadas na lei, bem como à aplicação de sanções 
administrativas pela SUSEP e à reparação do dano por meio de ação cível promovida pelo 
segurado e pela seguradora. Ressalte-se que as esferas penal, administrativa e cível são 
independentes, sendo que, tecnicamente, dependendo da produção de provas, poderão 
resultar em decisões diversas. No entanto, se os mesmos elementos de provas forem leva-
dos a todos os autos, pode haver uma uniformização nas respectivas decisões.
Objetivando certa padronização, maior segurança e controle com relação 
ao valor dos prêmios recebidos, está estabelecido, por força de lei (art. 8º 
da Lei nº 5.627/1970), que a cobrança de prêmios seja feita, obrigatoria-
mente, por meio de instituição bancária, conforme disposições da própria 
UNIDADE 6
163LEGISLAÇÃO DO SEGURO
SUSEP e do Banco Central do Brasil, tendo aquela o poder discricionário 
de dispensa da cobrança bancária caso os prêmios tenham valor igual ou 
inferior a 25% do maior salário mínimo vigente no país, além dos prêmios 
de Seguro de Vida Individual.
É importante observar que a Lei nº 5.627/1970, no seu art. 8º, dispôs sobre o 
pagamento dos prêmios de seguros, conforme transcrição seguinte:
Art. 8º. A cobrança de prêmios de seguros será feita, obrigato-
riamente, através da instituição bancária, de conformidade com 
as disposições da SUSEP em consonância com o Banco Central 
do Brasil.
Parágrafo único. A SUSEP poderá dispensar da cobrança bancá-
ria os prêmios de valor igual ou inferior a 25% (vinte e cinco por 
cento) do maior salário mínimo vigente no País, bem como os prê-
mios de seguro de vida individual.
De qualquer forma, evitar prejuízos à seguradora ou aos segurados, além 
de ser uma obrigação, resulta, enfim, numa melhoria de imagem, confiança 
e segurança no profissional da corretagem de seguros.
 — Restrições Profissionais
Algumas restrições de cunho profissional são legalmente impostas aos cor-
retores de seguros, conforme na redação do art. 17 da Lei nº 4.594/1964:
Art. 17. É vedado aos corretores e seus prepostos:
a) aceitarem ou exercerem empregos de pessoa jurídica de Direito 
Público, inclusive de entidade paraestatal;
b) serem sócios, administradores, procuradores, despachantes ou 
empregados de empresa de seguros;
Parágrafo único. O impedimento previsto neste artigo é extensivo 
aos sócios e diretores de empresa de corretagem.
Também, a redação do art. 125 do Decreto-Lei nº 73/1966, alíneas “a” e “b”, 
parágrafo único, que estabeleceu o seguinte:
Art. 125. É vedado aos corretores e seus prepostos:
a) aceitar ou exercer emprego de pessoa jurídica de Direito Público;
b) manter relação de emprego ou de direção com sociedade segu-
radora.
Parágrafo único. Os impedimentos deste artigo aplicam-se tam-
bém aos sócios e diretores de empresas de corretagem.
UNIDADE 6
164LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Comentário
O respectivo artigo proíbe aos corretores de seguro o exercício de algumas atividades, 
empregos ou funções. Tais proibições não objetivam cercear o exercício da profissão, mas 
impor maior isenção às atividades de corretagem, uma vez que o corretor deve exercer o 
seu labor como consultor do segurado sem vínculos que possam macular essa relação de 
confiança. Não pode haver confusão entre o exercício dessas diversas funções.
Os referidos impedimentos atingem, também, os sócios e diretores de empresas de 
corretagem.
Os objetivos da proibição são claros. A intenção do legislador é impedir que o corretor 
seja ligado a qualquer entidade ou órgão da administração pública que tenha personali-
dade jurídica de direito público, de forma a evitar qualquer confusão entre o exercício 
das funções nos respectivos órgãos públicos com o da corretagem.
Cabe mencionar que o art. 4º-A da Resolução 249/2012, alterada pela 
Resolução nº 252/2012, traz as mesmas vedações nos incisos V e VI:
Art. 4º -A. São condições necessárias à atuação profissional de 
corretor de seguros:
(Artigo acrescentado pela Resolução CNSP nº 252/2012)
I – ser brasileiro ou estrangeiro com residência permanente no País;
II – estar quite com o serviço militar e a justiça eleitoral, quando 
se tratar de brasileiro com idade entre dezoito e quarenta e 
cinco anos;
III – não haver sido condenado por crimes a que se referem as 
Seções II, III e IV do Capítulo VI do Título I; os Capítulos I, II, III, 
IV, V, VI e VII do Título II; o Capítulo V do Título VI; os Capítulos I, 
II, III e IV do Título X e o Capítulo I do Título XI, parte especial do 
Código Penal.
IV – não ser falido;
V – não exercer cargo ou emprego em pessoa jurídica de 
Direito Público;
VI – não manter relação de emprego ou de direção com 
sociedade seguradora.
Todas essas restrições se aplicam, consequentemente, às corre-
toras pessoas jurídicas, tanto quanto às pessoas naturais que as 
dirigem e as representam. Nesse sentido, o elenco de vedações 
será, também, imposto aos diretores e sócios das corretoras que 
se formam na qualidade de pessoa jurídica.
Importante
Entende-se, portanto, 
que o corretor não é 
um representante das 
seguradoras. O seu 
compromisso, naturalmente, 
é com os segurados, que são 
seus verdadeiros clientes e 
que, por desconhecimento em 
seguros, dele dependem e 
nele confiam para orientação 
no momento de proteção 
patrimonial e de benefícios.
Enfim, a legislação em vigor 
determina que o corretor 
não pode manter vínculo 
empregatício com as 
sociedades seguradoras, 
sociedades de capitalização 
e Entidades Abertas de 
Previdência Complementar 
e, também, com entidades 
públicas de direito público.
UNIDADE 6
165LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Por fim, a SUSEP, por meio da Circular nº 612, de 18 de agosto de 
2020, determinou que os corretores devem desenvolver e imple-
mentar políticas, procedimentos e controles internos, efetivos e 
consistentes para a prevenção à lavagem de dinheiro e ao finan-
ciamento do terrorismo, com relação aos produtos comercializa-
dos, às negociações privadas, às operações de compra e venda 
de ativos e demais práticas operacionais.
Com base nessa Circular, o corretor deve manter o monitora-
mento reforçado das apólices por ele intermediadas, sempre 
utilizando um conjunto diferenciado e necessariamente mais 
abrangente de política, procedimentos e controles internos, 
para identificar e prevenir o crime de lavagem de dinheiro e o 
financiamento do terrorismo.
Ampliando conhecimentos
Para um melhor entendimento da definição da personalidade jurídica das entidades e do 
conceito de pessoa jurídica de direito público, na qual é vedado ao corretor de seguros 
exercer ou aceitar emprego, convém transcrever os ensinamentos do mestre Hely Lopes 
Meirelles (2016, p. 261): 
“Entidade é pessoa jurídica,pública ou privada. Na organização política e administrativa 
brasileira, as entidades classificam-se em estatais, autárquicas, fundacionais, empresariais 
e paraestatais”.
Entidades estatais: pessoas jurídicas de direito público (União, estados-Membros, muni-
cípios e Distrito Federal).
Entidades autárquicas: pessoas jurídicas de direito público, de natureza meramente ad-
ministrativa, criadas por lei específica, para a realização de atividades, obras ou serviços 
descentralizados da entidade estatal que as criou.
Entidades fundacionais: pessoas jurídicas de direito público ou pessoas jurídicas de 
direito privado, devendo a lei definir as respectivas áreas de atuação.
Entidades empresariais: pessoas jurídicas de direito privado, instituídas sob a forma de 
sociedade de economia mista ou empresa pública, com a finalidade de prestar serviço 
público que possa ser explorado no modo empresarial ou exercer atividade econômica de 
relevante interesse coletivo.
Entidades paraestatais: pessoas jurídicas de direito privado que, por lei, são autorizadas 
a prestar serviços ou realizar atividades de interesse coletivo ou público, mas não exclusi-
vos do Estado (SESI, SESC, SENAI e outros).
UNIDADE 6
166LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 AS RESPONSABILIDADES DO 
 CORRETOR DE SEGUROS 
A atividade dos corretores de seguros se encontra regulada pela Lei 
nº 4.594/1964, e pelo Decreto-Lei nº 73/1966. Reforça-se que a corretagem 
encontra disposições nos arts. 722 a 729 do Código Civil (Lei nº 10.406/202).
Os dois primeiros diplomas legais mencionados se referem às responsabi-
lidades do corretor de seguros, da seguinte maneira:
Lei nº 4.594/1964
Art. 20. O corretor responderá profissional e civilmente pelas 
declarações inexatas contidas em propostas por ele assinadas, 
independentemente das sanções que forem cabíveis a outros res-
ponsáveis pela infração.
Art. 21. Os corretores de seguros, independentemente de respon-
sabilidade penal e civil em que possam incorrer no exercício de 
suas funções, são passíveis das penas disciplinares de multa, sus-
pensão e destituição.
Decreto-Lei nº 73/1966
Art. 126. O corretor de seguros responderá civilmente perante os 
segurados e as sociedades seguradoras pelos prejuízos que cau-
sar, por omissão, imperícia ou negligência no exercício da profissão.
Art. 127. Caberá responsabilidade profissional, perante a SUSEP, 
ao corretor que deixar de cumprir as leis, regulamentos e resolu-
ções em vigor, ou que der causa dolosa ou culposa a prejuízos às 
sociedades seguradoras ou aos segurados.
É importante que você também tenha em mente que o corretor de seguros 
tem responsabilidade civil em caso de dano causado por seus prepostos, 
conforme dispõe o art. 932 do Código Civil:
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:
[...]
III – o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais 
e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em 
razão dele [...].
Assim, as sociedades seguradoras responderão pelos atos de todos aque-
les que agirem em seu nome, como: seus prepostos, agenciadores, geren-
tes de banco, assessorias de seguros (empresas terceirizadas que prestam 
serviço a sociedades seguradoras).
UNIDADE 6
167LEGISLAÇÃO DO SEGURO
O corretor de seguros não deve ser confundido com o agente autorizado 
da seguradora, haja vista que não representa as sociedades seguradoras; 
ao contrário, exerce sua atividade com autonomia e independência, defen-
dendo sempre os interesses do segurado.
Vale lembrar, mais uma vez, o que dispõe o art. 723 do Código Civil, que 
trata da responsabilidade civil do corretor de um modo geral, a qual se 
aplica, também, ao corretor de seguros:
Art. 723. O corretor é obrigado a executar a mediação com a 
diligência e prudência, e a prestar ao cliente, espontaneamente, 
todas as informações sobre o andamento do negócio. (Redação 
dada pela Lei nº 12.236, de 2010.)
Parágrafo único. Sob pena de responder por perdas e danos, o 
corretor prestará ao cliente todos os esclarecimentos acerca da 
segurança ou risco do negócio, das alterações de valores e de 
outros fatores que possam influir nos resultados da incumbência. 
(Incluído pela Lei nº 12.236, de 2010).
Importante
O agente autorizado da seguradora é a pessoa natural ou jurídica que mantém com 
esta última uma relação contratual (contrato de trabalho, de prestação de serviços, de 
agência ou de outro tipo). Tal figura está prevista no art. 775 do Código Civil:
“Art. 775. Os agentes autorizados do segurador presumem-se seus representantes 
para todos os atos relativos aos contratos que agenciarem.”
Assim, o agente autorizado representa os interesses da seguradora. Portanto, esta 
pode ser responsabilizada pelas ações ou omissões do agente que causarem dano ao 
segurado ou a terceiros.
O agente autorizado da seguradora não se confunde, portanto, com o corretor de seguros, 
o qual, por força do art. 17 da Lei nº 4.594/1964 e de normas regulamentares, não pode ser 
sócio, administrador, procurador, despachante ou empregado de sociedade seguradora.
Na qualidade de intermediário com total independência em relação à seguradora, o 
corretor de seguros deve ter em vista os interesses do proponente/segurado.
O corretor de seguros deve, assim, ficar atento às disposições contidas no 
art. 723 do Código Civil, pois, em caso de responsabilização e eventual 
condenação judicial, poderá responder por perdas e danos em decorrência 
de prejuízos que vier a dar causa a segurados ou sociedades seguradoras.
O texto a seguir é um trecho do artigo publicado na Folha de S. Paulo, em 
27/09/1994, pelo consultor Antonio Penteado Mendonça, de seguinte teor:
UNIDADE 6
168LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Um corretor de imóveis também é o intermediário entre o ven-
dedor e o comprador, mas, após a concretização da venda, 
a sua tarefa termina, já que não há mais nada para ele fazer 
com relação ao negócio. O mesmo sucede com o corretor de 
valores: encerrada a transação, encerra-se o seu trabalho.
Com o corretor de seguros, isso não ocorre. Pelo contrá-
rio. Em verdade, o seu trabalho começa depois da ven-
da da apólice, já que, durante o seu período de vigência, 
ele deve cuidar para que o segurado tenha o risco ade-
quadamente coberto. Assim, cabe ao corretor, depois da 
emissão da apólice, a obrigação de acompanhá-la para 
mantê-la atualizada no que tange a valores e coberturas.
Isto é, cabe ao corretor de seguros aconselhar ao segu-
rado as alterações necessárias, que são feitas através de 
documentos específicos – os endossos – para permitir que 
o risco continue coberto mesmo depois de modificado.
Quer saber mais sobre as atribuições do corretor? O procurador federal 
Marcello Teixeira Bittencourt, lotado na Procuradoria da SUSEP, define, na 
obra Manual de Seguros Privados, as atribuições do corretor de seguros:
Realizar cotações dos prêmios securitários junto às sociedades 
seguradoras;
Auxiliar o segurado no preenchimento da proposta de seguros 
privados;
Protocolar a proposta de seguros nas sociedades seguradoras;
Receber a apólice de seguros e remeter ao endereço do segura-
do, após verificar se há alguma pendência contratual;
Assessorar o segurado ao longo do período contratual;
Manter contato com a sociedade seguradora, na hipótese de ocor-
rência de sinistro; e
Realizar os endossos e as averbações solicitadas pelos segurados 
ao longo do período contratual.
UNIDADE 6
169LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Dessa forma, de acordo com as disposições legais supracitadas, podemos 
concluir que o corretor de seguros possui, no exercício da sua profissão: a 
responsabilidade civil, a responsabilidade penal e a responsabilidade profis-
sional ou administrativa, esta última perante a SUSEP, que poderá aplicar as 
sanções administrativas previstas na lei e nas normas regulamentares.
 A RESPONSABILIDADE DO CORRETOR 
 DE SEGUROS E O CÓDIGO DE 
 DEFESA DO CONSUMIDOR 
 (CDC) 
De acordo com as disposiçõeslegais já descritas, é pacífica a responsa-
bilidade civil do corretor de seguros perante seus clientes segurados e os 
seguradores, pelos prejuízos que causar por dolo ou culpa (imprudência, 
imperícia ou negligência) no exercício da profissão.
Com o CDC, a responsabilidade civil do corretor foi ampliada, uma vez 
que é ele que faz a oferta do seguro ao segurado. Por essa razão, o cor-
retor deve prestar-lhe informações adequadas, claras e precisas sobre os 
diferentes serviços à sua disposição, com especificação correta de suas 
características, qualidade e preço, destacando todas as restrições de seus 
direitos (exclusões de cobertura).
O corretor de seguros deve, também, atentar para o disposto nos arts. 14 
e 34 do CDC.
O art. 14 trata da responsabilidade civil pelo fato do serviço, ou seja, pelo 
dano decorrente de defeito na prestação de serviço ao consumidor.
Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente 
da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos 
consumidores por defeitos relativos à prestação de serviços, bem 
como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua 
fruição e riscos.
§ 1º. O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que 
o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as 
circunstâncias relevantes, entre as quais:
I – o modo de seu fornecimento;
UNIDADE 6
170LEGISLAÇÃO DO SEGURO
II – o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam; 
III – a época em que foi fornecido.
§ 2º. O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de 
novas técnicas.
§ 3º. O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quan-
do provar:
I – que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste; 
II – a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.
§ 4º. A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apu-
rada mediante a verificação de culpa.
Portanto, a responsabilidade civil da pessoa jurídica corretora é objetiva 
(independe da existência de culpa). Tal responsabilidade somente será 
afastada se a corretora provar uma das excludentes de responsabilidade 
previstas no parágrafo 3º do art. 14.
Já a responsabilidade civil do corretor de seguros que exerça sua ativida-
de de maneira autônoma, deve ser aferida mediante a verificação de culpa.
Já o art. 34 trata da responsabilidade solidária entre o fornecedor e seus 
prepostos ou representantes:
Art. 34. O fornecer do produto ou serviço é solidariamente respon-
sável pelos atos de seus prepostos ou representantes autônomos.
A SUSEP, em diversos processos administrativos, reiteradas vezes já se 
manifestou no sentido da obrigatoriedade do uso de uma das expressões: 
“corretora de seguros ou corretagem de seguros” seja na denominação 
social ou nome de fantasia, na forma da Circular SUSEP nº 510/2015, com 
a exceção prevista na Circular SUSEP nº 520/2015, em papel timbrado, 
cartões de visitas, propagandas e publicidade.
O uso isolado da palavra seguros é próprio para definir uma sociedade 
seguradora. Dois exemplos são:
 ■ Mata Atlântica “Seguros” – uso correto para identificar a sociedade 
seguradora. 
 ■ Mata Atlântica “Corretora de Seguros” ou Mata Atlântica “Correta-
gem de Seguros”: uso correto, identificando-se, de pronto, tratar-
-se de uma sociedade corretora de seguros.
Portanto, o uso indevido da palavra seguros por sociedades corretoras de 
seguros, sem a identificação ou inserção das expressões “corretora” ou 
“corretagem”, constitui publicidade enganosa, passível de punição com 
aplicação de penalidades pela SUSEP.
UNIDADE 6
171LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Com os direitos básicos apresentados pelo CDC em favor do consumi-
dor, o corretor de seguros deverá, entre outras coisas, fornecer informação 
completa ao segurado a respeito do serviço prestado, não podendo alegar 
desconhecimento, haja vista se tratar de profissional habilitado, que tem a 
obrigação de conhecimento a respeito da matéria.
Além disso, o direito à inversão do ônus da prova, quando assimilada 
pelo juiz, obriga o corretor a fazer prova a respeito da sua alegação, tirando 
essa obrigação “dos ombros” do consumidor. Dessa forma, demonstrado 
se tratar de consumidor hipossuficiente, o qual esteja em situação des-
vantajosa na relação de consumo, bem como sendo verossímeis as suas 
alegações, o juiz poderá inverter a obrigação de provar, transferindo-a ao 
corretor (prestador de serviço).
Ressalte-se também que, em se tratando de corretor pessoa jurídica, o magis-
trado poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade, atingindo 
o patrimônio dos sócios, proprietários, como vimos na unidade anterior.
O corretor de seguros, pessoa natural ou jurídica, deve estar atento às 
normas do Código de Defesa do Consumidor, inclusive no que diz respeito 
às formas de publicidade admitidas, bem como à objetividade e clareza das 
cláusulas restritivas de direito, as quais comportam os riscos não cobertos.
 A RESPONSABILIDADE PENAL 
 E O CÓDIGO PENAL 
Como qualquer outro profissional no exercício de suas atividades, o cor-
retor de seguros está sujeito à tipificação de seus eventos ilícitos penais, 
acaso cometidos, nos termos da legislação específica – Código Penal.
Assim, na hipótese de o corretor de seguros receber importância para 
pagamento do prêmio de seguro e não a repassar à seguradora, pode-
rá estar incorrendo no crime de apropriação indébita, capitulado pelo 
Código Penal.
Há de ficar claro que a responsabilidade penal (penalidade prevista pelo 
Código Penal) não exclui a responsabilidade civil (dever de indenizar pre-
juízos causados), nem, tampouco, a responsabilidade profissional ou admi-
nistrativa do corretor (sanção a ser aplicada pela SUSEP ao profissional).
Os cancelamentos de registro impostos pela SUSEP, geralmente, são 
decorrentes de corretores de seguros que se apropriam de valores de 
segurados, cujos prêmios deveriam ser por eles repassados incontinenti à 
seguradora, conforme prevê a Lei nº 4.594/1964.
UNIDADE 6
172LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 A RESPONSABILIDADE 
 ADMINISTRATIVA 
 OU PROFISSIONAL 
Os corretores de seguros, pessoas naturais ou jurídicas, e as sociedades 
corretoras de resseguros estão sujeitos à fiscalização da SUSEP, a qual 
poderá aplicar-lhes sanções administrativas fixadas em lei e em normas 
regulamentares.
A lei que regula a profissão de corretor de seguros (Lei nº 4.594/1964), 
além das responsabilidades penal e civil, trata também da responsabilida-
de profissional ou administrativa do corretor de seguros, pessoa natural 
ou jurídica. Esta responsabilidade administrativa se encontra claramente 
prevista no art. 21 da mencionada lei:
Art. 21. Os corretores de seguros, independentemente de respon-
sabilidade penal e civil em que possam incorrer no exercício de 
suas funções, são passíveis das penas disciplinares de multa, sus-
pensão e destituição.
Cerca de dois anos depois da promulgação da referida lei, sobreveio a edi-
ção do Decreto-Lei nº 73/1966, que, no art. 128, repete o mesmo elenco de 
sanções, além de prever que estas devem ser aplicadas pela Superinten-
dência de Seguros Privados (SUSEP) por meio de processo administrativo:
Art. 128. O corretor de seguros estará sujeito às penalidades 
seguintes:
a) multa;
b) suspensão temporária do exercício da profissão;
c) cancelamento do registro.
Parágrafo único. As penalidades serão aplicadas pela SUSEP, em 
processo regular, na forma prevista no art. 119 desta Lei.
Além disso, a lei Complementar nº 126/2007 estabelece no art. 21, o seguin-
te descumprimento das normas relativas ao resseguro, à retrocessão e à 
corretagem de resseguros:
Art. 21. As cedentes, os resseguradores locais, os escritórios 
de representação de ressegurador admitido, os corretores e 
corretoras de seguro, resseguro e retrocessão e os prestado-
res de serviços de auditoria independente bem como quais-
quer pessoas naturais ou jurídicas que descumprirem as nor-
Saiba mais
A Resolução CNSPnº 243/2011 
dispõe sobre sanções 
administrativas no âmbito 
das atividades de Seguro, 
Cosseguro, Resseguro, 
Retrocessão, Capitalização, 
Previdência Complementar 
Aberta, de corretagem e 
auditoria independente; disciplina 
o inquérito e o processo 
administrativo sancionador no 
âmbito da Superintendência de 
Seguros Privados (SUSEP) e das 
entidades autorreguladoras do 
mercado de corretagem e dá 
outras providências. 
(www.susep.gov.br).
UNIDADE 6
173LEGISLAÇÃO DO SEGURO
mas relativas à atividade de resseguro, retrocessão e 
corretagem de resseguros estarão sujeitos às penalidades 
previstas nos arts. 108, 111, 112 e 128 do Decreto-Lei nº 73, de 21 
de novembro de 1966, aplicadas pelo órgão fiscalizador de 
seguros, conforme normas do órgão regulador de seguros.
É importante registrar que os arts. 108, 111, 112 e 128 do Decreto-Lei nº 73/66 
foram alterados pela Lei Complementar nº 126/2007.
No que toca às normas regulamentares, o CNSP editou a Resolução CNSP nº 
243, de 2011, e alterações posteriores, que dispõe sobre sanções administra-
tivas no âmbito das atividades de seguro, cosseguro, resseguro, retrocessão, 
Capitalização, Previdência Complementar Aberta, de corretagem e auditoria 
independente; disciplina o inquérito e o processo administrativo sancionador 
no âmbito da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP – e das entida-
des autorreguladoras do mercado de corretagem e dá outras providências.
O art. 2º dessa Resolução prevê que a prática das infrações 
administrativas nela previstas levam às seguintes sanções 
administrativas:
a) advertência;
b) multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 1.000.000,00 (um 
milhão de reais);
c) multa no valor igual à importância segurada ou ressegurada, 
no caso das operações de seguro, cosseguro ou resseguro sem 
autorização;
d) suspensão temporária do exercício da atividade;
e) inabilitação para o exercício de cargo ou função do serviço público 
ou em empresa pública, sociedades de economia mista e respecti-
vas subsidiárias, entidades de Previdência Complementar, socieda-
de de capitalização, instituições financeiras, sociedades segurado-
ras e resseguradoras, pelo prazo de 2 (dois) a 10 (dez) anos; e
f) cancelamento do registro.
Todavia, de acordo com a redação do § 1º desse mesmo artigo, os corre-
tores de seguros, pessoas naturais e jurídicas, bem como as sociedades 
corretoras de resseguros, além de seus prepostos, estão sujeitos apenas 
à aplicação das seguintes sanções administrativas no âmbito dos proces-
sos administrativos sancionadores instaurados pela Superintendência de 
Seguros Privados (SUSEP), abaixo discriminadas, sem prejuízo daquelas 
estabelecidas no âmbito da autorregulação:
a) multa;
b) suspensão temporária do exercício da atividade; e
c) cancelamento do registro.
UNIDADE 6
174LEGISLAÇÃO DO SEGURO
O § 2º do mencionado artigo prevê que as referidas sanções poderão ser 
aplicadas pela SUSEP cumulativamente, sempre que couber, e, ainda, de 
forma fundamentada.
Do § 3º daquele artigo se extrai que nenhuma infração ficará configurada 
quando o descumprimento das normas regulamentares ocorrer por motivo 
de caso fortuito ou força maior, quando devidamente comprovados.
Segundo o § 4º do mesmo artigo, se não houver dolo por parte do infra-
tor, e, ainda, a depender da gravidade da infração e dos antecedentes 
dele, o órgão julgador poderá, a seu critério, deixar de aplicar a sanção, 
 substituindo-a por uma mera recomendação ao infrator quando entender 
que isso é suficiente ao atendimento dos objetivos da regulação setorial.
Cabe acrescentar que a referida Resolução categorizou as infrações e as 
respectivas sanções pela sua natureza, separando-as da seguinte forma:
 ■ operações sem autorização;
 ■ infrações contábeis;
 ■ infrações societárias;
 ■ infrações pertinentes aos produtos e à sua comercialização;
 ■ infrações aos mecanismos de supervisão;
 ■ infrações que afetam a solvência;
 ■ infrações pertinentes às intermediações;
 ■ infrações aos prestadores de serviços de auditoria independente e 
de avaliações atuariais; e
 ■ demais infrações.
O artigo 4º da referida Resolução prevê que a sanção de multa será apli-
cada de acordo com os limites e critérios nela indicados “sempre que, 
a juízo da SUSEP, a aplicação exclusiva da pena de advertência for ina-
dequada ou insuficiente para cumprir com os objetivos da repressão e 
da prevenção da pena”. Nesse aspecto, o texto da Resolução merece 
adequação, uma vez que estabelece que a sanção de multa se aplica ao 
corretor de seguros, mas afasta a aplicação da pena de advertência, por 
ausência de previsão legal.
A seguir, você pode conferir alguns exemplos de infrações praticadas pelo 
corretor de seguros, pessoa natural ou jurídica, e pela sociedade corretora 
de resseguros, que acarretam a incidência da sanção de multa:
 ■ realizar atividade de corretagem sem a devida autorização: mul-
ta de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) a R$ 1.000.000,00 (um 
milhão de reais) (conforme art. 18);
UNIDADE 6
175LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 ■ não escriturar as operações nos livros e registro da contabilidade, 
com atualidade ou fidedignidade, nos termos da legislação: mul-
ta de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 200.000,00 (duzentos mil 
reais) (conforme art. 19);
 ■ não manter atualizadas, perante a SUSEP, informações sobre a ins-
talação ou alteração de filiais, sucursais, agências ou representa-
ções, seus atos constitutivos ou não comunicar qualquer alteração 
relativa à sua atividade: multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a 
R$ 100.000,00 (cem mil reais) (conforme art. 22);
 ■ arquivar ou publicar atas e atos societários sem a prévia homo-
logação da SUSEP: multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 
50.000,00 (cinquenta mil reais) (conforme art. 25);
 ■ omitir ou sonegar informações que deva comunicar à SUSEP: mul-
ta de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 500.000,00 (quinhentos mil 
reais) (conforme art. 36);
 ■ encaminhar na forma incorreta ou incompleta à SUSEP as informações 
que deve prestar, nos termos da legislação: multa de R$ 10.000,00 
(dez mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais) (conforme art. 37);
 ■ impedir ou dificultar, por qualquer forma, o exercício do poder de 
polícia administrativa da SUSEP, como (i) não fornecer relatórios, 
demonstrações financeiras, livros e registros obrigatórios ou con-
tas estatísticas, quando solicitado, (ii) não atender, no prazo e na 
forma fixada, às solicitações da autarquia, (iii) impedir o acesso 
às dependências da fiscalizada: multa de R$ 20.000,00 (vinte mil 
reais) a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) (conforme art. 38);
 ■ falsificar quaisquer documentos ou prestar informação fal-
sa à SUSEP: multa de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) a 
R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) (conforme art. 39);
 ■ não repassar imediatamente à sociedade seguradora, ressegura-
dora, de Previdência Complementar Aberta ou de capitalização, 
na forma da legislação, o valor recebido em razão de atividade 
de intermediação: multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a 
R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) (conforme art. 56);
 ■ cobrar do segurado qualquer outro valor relativo ao seguro, 
além daqueles especificados pela sociedade seguradora: multa 
de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais) 
(conforme art. 57);
 ■ exercer a atividade de corretagem tendo vínculo profissional, em 
desacordo com a legislação, com sociedade seguradora, ressegu-
radora, de capitalização ou de Previdência Complementar Aberta: 
multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 200.000,00 (duzentos 
mil reais) (conforme art. 58);
UNIDADE 6
176LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 ■ intermediar resseguro com ressegurador estrangeiro que não 
atenda, quando exigível pela legislação, aos requisitos para atuar 
no país: multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 500.000,00 
(quinhentos mil reais) (conforme art. 59); e
 ■ não observaros deveres assumidos por entidade autorreguladora 
do mercado de corretagem que funcione como órgão auxiliar da 
SUSEP: multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 500.000,00 
(quinhentos mil reais) (conforme art. 71).
A sanção de suspensão temporária do exercício da atividade ou da profissão 
pelo período mínimo de 30 dias e máximo de 180 dias será, de acordo com 
o art. 5º da Resolução, aplicada às infrações graves, que gerem efetivo pre-
juízo à entidade ou a terceiros, sempre que o infrator for considerado rein-
cidente ou, ainda, quando não der cumprimento à determinação da SUSEP.
A sanção administrativa de suspensão temporária do exercício da profis-
são quando aplicada ao corretor de seguros pessoa natural ou jurídica, que 
não mantiver atualizado perante a SUSEP seus atos constitutivos e ende-
reço, bem como quando não comunicar qualquer outra alteração relativa 
a sua atividade, perdurará enquanto a irregularidade não for sanada, não 
se aplicando os prazos de que trata o caput (parágrafo único, do art. 5º 
incluído pela Resolução CNSP nº 293/2013).
A sanção de cancelamento de registro é a mais grave de todas e está pre-
vista no art. 7º da citada Resolução, que dispõe o seguinte:
Art. 7º A pena de cancelamento de registro será aplicada ao 
 corretor de seguros, pessoa natural ou jurídica, que tenha sido, 
nos últimos cinco anos, condenado à pena de suspensão por infra-
ção da mesma natureza ou quando a infração cometida também 
for capitulada como crime ou, ainda, quando o infrator tiver sofrido 
condenação criminal, com trânsito em julgado, por ato praticado 
no exercício da profissão.
Parágrafo único. A SUSEP não concederá novo registro ao cor-
retor de seguros, pessoa natural ou jurídica, penalizado na forma 
do caput deste artigo, durante o prazo de cinco anos, contados da 
data do cancelamento do registro.
Na aplicação de qualquer sanção administrativa, a SUSEP deverá conside-
rar, de forma sucessiva, a gradação de determinados critérios definidos na 
Resolução CNSP nº 243, de 2011, definidos no art. 9º. São eles os seguintes:
 ■ as sanções administrativas cabíveis dentro dos limites mínimos e 
máximos previstos na Resolução;
 ■ as circunstâncias administrativas da infração; e
 ■ as circunstâncias agravantes e atenuantes estabelecidas na mes-
ma Resolução.
UNIDADE 6
177LEGISLAÇÃO DO SEGURO
As circunstâncias administrativas são, de acordo com o art. 10, a gravidade 
da infração e seus efeitos, a capacidade econômica do infrator, os seus 
antecedentes e o ganho obtido com o ato ilícito.
As circunstâncias agravantes da sanção administrativa são as seguintes 
(conforme o art. 11):
 ■ ter o infrator obtido vantagem indevida ou dissimulado a natureza 
ilícita da infração;
 ■ ter a infração ocorrido em detrimento de menor de 18, maior de 
60 (sessenta) anos ou de pessoa portadora de deficiência física, 
mental ou sensorial, interditada ou não; e
 ■ deixar o infrator de atender à recomendação da SUSEP para tomar 
providências que evitem ou mitiguem as consequências da infração.
As circunstâncias atenuantes da sanção administrativa são as seguintes 
(conforme o art. 12):
 ■ ter o infrator utilizado, na tentativa de resolução de conflito de 
interesses, de ouvidoria ou de sistema similar reconhecido pela 
SUSEP;
 ■ ter o infrator evitado ou mitigado as consequências da infração até 
o julgamento do processo em primeira instância; e
 ■ a confissão da infração.
Em 10 de março de 2020, foi publicada a Resolução CNSP n° 382, que 
dispõe sobre os princípios a serem observados nas práticas de conduta 
adotadas pelas sociedades seguradoras, sociedades de capitalização, 
entidades abertas de previdência complementar e intermediários, no que 
se refere ao relacionamento com o cliente e sobre o uso do cliente oculto 
na atividade de supervisão da SUSEP.
Tal resolução definiu como intermediário (ou seja, um dos supervisiona-
dos pela SUSEP) todos aqueles responsáveis pela angariação, promoção, 
intermediação ou distribuição de produtos de seguro, de capitalização ou 
de previdência complementar aberta, incluindo, mas não se limitando, o 
corretor, o agente, o correspondente de microsseguros e o distribuidor de 
títulos de capitalização.
Na qualidade de pessoa supervisionada, o corretor de seguros deve ficar 
atento aos termos dessa resolução, pois foi estabelecida uma série de 
princípios que deverão orientar suas atividades a fim de promover o tra-
tamento adequado ao cliente. Entre tais princípios, estão a ética, a boa-fé 
objetiva e a livre concorrência.
Além disso, um dos pontos de maior impacto na atividade do corretor de 
seguros é a determinação de que, antes da aquisição do produto de segu-
ro, de capitalização ou de previdência complementar aberta, o intermediá-
rio deve disponibilizar informação sobre:
UNIDADE 6
178LEGISLAÇÃO DO SEGURO
a) qualquer participação, direta ou indireta, igual ou superior a 10% 
nos direitos de voto ou no capital que detenha em uma seguradora 
ou entidade de previdência;
b) qualquer participação, direta ou indireta, igual ou superior a 
10% nos seus direitos de voto ou no seu capital detida por uma 
 seguradora, uma entidade de previdência ou por sua controladora;
c) a existência de obrigação de exclusividade em sua atuação 
como intermediário; 
d) o montante de sua remuneração pela intermediação do contrato, 
acompanhado dos respectivos valores de prêmio comercial ou 
contribuição do contrato a ser celebrado.
Ademais, a resolução cria a figura do “cliente oculto” – servidor da SUSEP 
designado, que assume a figura do proponente ou interessado em adquirir 
produtos de seguro, capitalização ou previdência complementar aberta, 
com o objetivo de verificar a adequação e a conformidade das práticas de 
conduta do ente supervisionado ou do intermediário à regulação vigente. 
Tal pessoa poderá atuar de forma presencial ou remota e sem a necessi-
dade de prévio aviso ao ente fiscalizado.
Essa resolução criou também a inclusão de infração específica para a 
conduta de “descumprir ou não observar norma ou regulação de práti-
cas de conduta, no que se refere ao relacionamento com o cliente, ou à 
 política institucional de conduta”, com previsão de multa de R$ 10.000,00 
a R$ 500.000,00.
Por todos esses motivos, o corretor de seguros deve ter atenção especial 
ao teor da Resolução CNSP n° 382, uma vez que ela disciplina a prática de 
sua atividade profissional.
Para finalizarmos essa seção, é importante que você saiba que caberá 
recurso total ou parcial sobre a decisão proferida em primeira instância, 
dirigido ao CRSNSP, no prazo de 30 dias, contados da ciência efetiva ou 
da divulgação oficial da decisão recorrida.
Importante
Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)
Aprovada em agosto de 2018 e em vigor desde agosto de 2020, a Lei nº 13.709/2018 é 
também conhecida como LGPD. 
Essa lei busca um cenário de segurança jurídica para os brasileiros, com a padroni-
zação de normas e práticas, visando a proteção aos dados pessoais de todo cidadão 
que esteja no Brasil.
A partir da entrada em vigor dessa lei, para que os dados pessoais de pessoas físicas 
que estejam no Brasil sejam tratados, é necessário que a pessoa dê seu consentimento 
específico a quem for tratar os dados.
UNIDADE 6
179LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Para efeito de lei, tratamento de dados é qualquer tipo de manipulação realizada com 
informações pessoais como, por exemplo, a coleta, o repasse, o acesso, o armaze-
namento, o descarte, entre outros.
A fiscalização referente aos termos da LGPD é realizada pela Autoridade Nacional 
de Proteção de Dados (ANPD), um órgão federal criado para elaborar as diretrizes e 
 fiscalizar o cumprimento da lei, além de aplicar sanções em caso de descumprimento.
Vale esclarecer que para algumas áreas e finalidades, o tratamento de dados está 
 autorizado, como fim exclusivamente jornalístico, artístico e acadêmico, ou ainda, para 
uso do poder público.A AUTORREGULAÇÃO DO 
 MERCADO DE CORRETAGEM 
 (LEI COMPLEMENTAR 
 Nº 137/2010) 
A autorregulação consiste na criação de normas e procedimentos de con-
dutas pelos integrantes de uma categoria profissional, bem como no poder 
para fiscalizar o cumprimento e aplicar sanções, tudo, naturalmente, em 
estrita observância às leis e normas regulamentares em vigor.
Assim, por meio da autorregulação, haverá a uniformização de procedi-
mentos de fiscalização e ações preventivas que melhor disciplinem a ati-
vidade de corretagem de seguros e, principalmente, maior celeridade na 
análise e julgamento de denúncias.
A Lei Complementar nº 137/2010 alterou dispositivos do Decreto-Lei 
nº 73/66 e da Lei Complementar nº 126/2007 para instituir a autorregulação 
do mercado de corretagem. Criou, com isso, um novo marco regulatório no 
tocante ao disciplinamento, à fiscalização e ao modelo punitivo a correto-
res, constituindo um avanço nas relações dos corretores com seus pares de 
mercado, os consumidores e a própria sociedade em si.
Já a Resolução nº 233/2011 do CNSP, alterada pela Resolução CNSP 
nº 251/2012, dispôs sobre as condições de constituição, organização, 
funcio namento e extinção de entidades autorreguladoras do mercado de 
Corretagem de Seguros, Resseguros, de Capitalização e de Previdência 
Complementar Aberta na condição de auxiliares da SUSEP.
UNIDADE 6
180LEGISLAÇÃO DO SEGURO
O art. 2º, inciso I, da mencionada resolução define a entidade autorre-
guladora como sendo aquela constituída com personalidade jurídica de 
Direito Privado autorizada a funcionar como órgão auxiliar da SUSEP, na 
forma da mencionada Resolução, e com a incumbência de fiscalizar, pro-
cessar, julgar e aplicar sanções por infrações a normas de conduta, por ela 
voluntariamente estabelecidas e também àquelas previstas na legislação, 
 praticadas por seus membros associados.
O art. 3º da resolução estabelece que o objetivo das entidades autorregu-
ladoras é o de “ zelar pela observância às normas jurídicas, em especial 
pelos direitos dos consumidores, e fomentar a elevação de padrões éticos 
dos seus membros associados, bem como as boas práticas de conduta no 
relacionamento profissional com segurados, corretores, pessoas naturais 
e jurídicas, e sociedades seguradoras, resseguradoras, de Capitalização e 
Entidades Abertas de Previdência Complementar”.
Com a finalidade de regulamentar a referida Resolução, a SUSEP editou 
a Circular nº 435/2012. O art. 1º estabelece que dependem de prévia e 
expressa aprovação da SUSEP a constituição, transformação, autorização 
para operar e o cancelamento da autorização para operar de entidades 
autorreguladoras do mercado de corretagem de Seguros, de Resseguros, 
de Capitalização e de Previdência Complementar Aberta, na condição de 
órgãos auxiliares da SUSEP, de que tratam as Resoluções CNSP nº 233, de 
1º de abril de 2011, e nº 251, de 9 de abril de 2012.
 O INSTITUTO BRASILEIRO DE AUTORREGULAÇÃO 
 DO MERCADO DE CORRETAGEM 
 DE SEGUROS, DE RESSEGUROS, DE 
 CAPITALIZAÇÃO E DE PREVIDÊNCIA 
 COMPLEMENTAR ABERTA – IBRACOR 
No dia 1º de julho de 2013, na sede da Fenacor, foi realizada a assembleia 
de constituição do Instituto Brasileiro de Autorregulação do Mercado de 
Corretagem de Seguros, de Resseguros, de Capitalização e de Previdên-
cia Complementar Aberta (IBRACOR). Essa assembleia foi composta pelos 
fundadores mantenedores (FENACOR e sindicatos filiados).
Em outubro de 2013, a SUSEP, por meio de Portaria publicada no Diário 
Oficial da União, aprovou o funcionamento do IBRACOR; o seu Estatuto 
Social; e homologou a eleição e posse dos integrantes do Conselho Dire-
tor, do Conselho Fiscal e do Ouvidor, efetivos e suplentes. A Portaria entrou 
em vigor a partir do dia 15 de outubro de 2013.
UNIDADE 6
181LEGISLAÇÃO DO SEGURO
Os atuais mantenedores do IBRACOR são: a FENACOR e os Sindicatos de 
Corretores de Seguros a ela vinculados. Os SINCOR/CE e do SINEC/RN, 
embora filiados à FENACOR, não são mantenedores do IBRACOR.
O IBRACOR funciona na cidade do Rio de Janeiro, no mesmo endereço da 
FENACOR. Ainda será definido quando e onde serão instaladas as suas 
unidades regionais.
FIXANDO CONCEITOS
182LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 FIXANDO CONCEITOS 6 
Marque a alternativa correta
1. O corretor de seguros, elemento integrante do Sistema Nacional de 
Seguros Privados, promovendo a ligação entre os interesses dos segura-
dos e das sociedades seguradoras, possui as responsabilidades:
(a) Profissional, penal e trabalhista.
(b) Civil, penal, administrativa e profissional.
(c) Civil, trabalhista e administrativa.
(d) Civil, penal e tributária.
(e) Civil, trabalhista e tributária.
2. Se o corretor não repassar à seguradora o prêmio que receber do segu-
rado, estará praticando um crime denominado:
(a) Furto.
(b) Roubo.
(c) Extorsão.
(d) Apropriação indébita.
(e) Estelionato.
3. Em relação à área de atuação territorial, é correto afirmar que o corretor 
de seguros:
(a) Somente poderá atuar no município onde estiver inscrito.
(b) Somente poderá atuar no estado da Federação onde requereu ins-
crição.
(c) Poderá atuar em todo o território nacional.
(d) Terá vedada sua atuação no Distrito Federal.
(e) Poderá atuar exclusivamente na região metropolitana onde reque-
rer inscrição. 
FIXANDO CONCEITOS
183LEGISLAÇÃO DO SEGURO
4. Nos seguros efetuados diretamente entre o segurador e o segurado, 
sem a interveniência do corretor de seguros, é correto afirmar que: 
(a) O segurado será beneficiado com um valor de prêmio menor, uma 
vez que não houve comissão.
(b) Os valores serão destinados a um fundo de amparo aos corretores, 
mantido pelo SINCOR. 
(c) A seguradora será punida pela SUSEP, pois a intermediação do cor-
retor é sempre obrigatória.
(d) A comissão devida será paga ao corretor mais antigo da listagem 
de inscrição do Sindicato dos Corretores da região. 
(e) A importância relativa à comissão será recolhida ao Fundo de Desen-
volvimento Educacional de Seguro, administrado pela FUNENSEG. 
5. Trata-se do órgão integrante do Sistema Nacional de Seguros Privados 
que possui competência para conceder inscrição ou registro ao corretor 
de Seguros:
(a) FENACOR.
(a) Sindicato dos Corretores.
(b) SUSEP.
(c) CNSP.
(d) FUNENSEG.
6. É correto afirmar que o uso indevido da palavra “seguros” por socieda-
des corretoras de seguros, sem a identificação ou inserção das expres-
sões “corretora” ou “corretagem”, constitui:
(a) Crime contra a ordem pública.
(b) Publicidade enganosa, podendo a SUSEP aplicar penalidade.
(c) Uso indevido do nome e da imagem.
(d) Crime contra a economia popular.
(e) Sanção tributária por desvio de finalidade. 
184
ESTUDO DE CASO
LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 ESTUDO DE CASO 
Caso 1
Uma sociedade seguradora e uma empresa privada, esta última na con-
dição de estipulante, celebraram a contratação de um Seguro coletivo de 
Vida e Acidentes, tendo como grupo segurado os empregados da segun-
da. A contratação foi feita sem a intermediação de qualquer corretor (pes-
soa natural ou jurídica). Agora responda: a quem deve ser paga a comissão 
de corretagem neste caso?
Caso 2
Um corretor de seguros, pessoa natural, devidamente registrado na 
SUSEP, envia a uma sociedade seguradora uma proposta de seguro con-
tendo informações inverídicas sobre o interesse segurável e o risco, além 
da assinatura falsificada do suposto proponente, tudo com o objetivo de 
viabilizar a contratação fraudulenta de um Seguro de Pessoas. Agora res-
ponda: a que tipo de sanção administrativa esse profissional está sujeito?
185
GABARITO
LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 GABARITO 
 — Direito do seguro
Fixando Conceitos
UNIDADE 1 UNIDADE 2 UNIDADE 3 UNIDADE 4
1 – A 1 – B 1 – B 1 – A
2 – E 2 – B 2 – D 2 – C
3 – C 3 – A 3 – C 3 – D
4 – E 4 – C 4 – D 4 – D
5 – C 5 – C 5 – D 5 – A
6 – B 6 – E 6 – D 6 – D
7 – E 7 – B
Estudos de Caso
Caso 1
Não, pois o contrato de seguro veda expressamente a transferênciado 
seguro juntamente com a propriedade do veículo, e tal vedação é permiti-
da pelo art. 785 do Código Civil.
Caso 2
Sim. De acordo com o parágrafo único do art. 792 do Código Civil, se não 
houver beneficiário designado, ou se por qualquer motivo não puder pre-
valecer a indicação de beneficiário feita pelo segurado, serão beneficiários 
os que provarem que a morte do segurado os privou dos meios necessá-
rios à subsistência. Portanto, qualquer pessoa que preencha esse requisito 
poderá se habilitar ao recebimento do capital segurado.
Caso 3
Não. A hipótese é de defeito na prestação, pois a garantia adicional de 
Auxílio Funeral consiste na prestação de um serviço ao beneficiário do 
seguro, que, embora executado por terceiro, é oferecido pela seguradora, 
sendo portanto, sua obrigação contratual. Deste modo, aplica-se à segura-
dora a responsabilidade objetiva do art. 14 do Código de Defesa do Consu-
midor. O fornecedor estará exonerado da obrigação de indenizar apenas 
se provar a ocorrência de uma das excludentes de responsabilidade men-
cionadas no § 3º daquele artigo ou de caso fortuito ou força maior. No caso 
186
GABARITO
LEGISLAÇÃO DO SEGURO
concreto, a empresa contratada pela seguradora para prestar o serviço, e 
que deixou de fazê-lo, não pode ser considerada “terceiro” em relação à 
seguradora, razão pela qual esta não pode arguir em sua defesa a culpa de 
terceiro para tentar se eximir de sua responsabilidade.
Caso 4
A ação será de reparação de dano pelo fato do serviço (defeito na prestação 
do serviço), baseada no art. 14 do Código de Defesa do Consumidor, subme-
tendo-se, portanto, à prescrição de cinco anos, prevista no art. 27 do CDC.
Caso 5
Dispõe o Código Civil que é nula, no seguro de pessoa, qualquer transa-
ção para pagamento reduzido do capital segurado. Diante de tal circuns-
tância, a beneficiária poderá ainda pleitear judicialmente a diferença do 
capital segurado, uma vez que a transação é nula.
Caso 6
Dispõe o Código de defesa do Consumidor que, na cobrança de débi-
tos, o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo, nem será 
submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça. A cobrança 
de uma dívida é ação regular do credor em relação ao devedor. O CDC, 
obviamente, não a impede. Entretanto, na situação apresentada, ficou 
caracterizada a cobrança abusiva, em local de trabalho, prática proibida 
pelo Código do Consumidor. 
Caso 7 
De conformidade com o Código de Defesa do Consumidor, o juiz poderá 
desconsiderar a personalidade jurídica da empresa. O dispositivo permi-
te que, na situação exposta, a personalidade jurídica do fornecedor seja 
afastada para que se verifique a responsabilização do acionista ou dos 
administradores da empresa, chamando-os a responder com seus bens 
pessoais pelo prejuízo causado ao consumidor.
187
GABARITO
LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 — Legislação do seguro
Fixando Conceitos
UNIDADE 5 UNIDADE 6
1 – A 1 – B
2 – B 2 – D
3 – D 3 – C
4 – A 4 – E
5 – C 5 – B
6 – E 6 – B
7 – D
8 – B
Estudos de Caso
Caso 1
Quando nenhum corretor (pessoa física ou jurídica) participar da contrata-
ção do seguro, o valor equivalente à comissão de corretagem que seria 
devida, caso tivesse havido intermediação, deverá ser revertido para a 
Fundação Escola de Negócios e Seguros – FUNENSEG –, na forma do art. 
19 da Lei nº 4.594/1964.
Caso 2
De acordo com o art. 39, da Resolução CNSP nº 243/2011, a sanção admi-
nistrativa aplicável à sociedade corretora de resseguros que falsificar qual-
quer documento ou prestar informação falsa à SUSEP é a multa, cujo valor 
pode variar de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) a R$ 1.000.000,00 (um 
milhão de reais), sem prejuízo da responsabilidade penal e civil a serem 
determinadas na esfera judicial. As esferas administrativa, civil e penal são 
independentes entre si.
188
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LEGISLAÇÃO DO SEGURO
 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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Imprensa Nacional – www.in.gov.br
Tudo Sobre Seguros – https://www.tudosobreseguros.org.br/ 
Presidência da República – Planalto – www.planalto.gov.br 
Superintendência de Seguros Privados – http://novosite.susep.gov.br/
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https://www.tudosobreseguros.org.br/
http://www.tudosobreseguros.org.br 
http://www.planalto.gov.br
http://novosite.susep.gov.br/
	DIREITO 
e o SEGURO 
no BRASIL: 
	NOÇÕES
	 INTRODUÇÃO 
	 BREVES NOÇÕES SOBRE O DIREITO 
	O que é o Direito
	Direito Objetivo e Subjetivo
	Direito Público e Privado
	Fontes do Direito
	A Constituição Federal de 1988
	As Normas Infraconstitucionais
	 Fixando Conceitos 1 
	O CONTRATO 
	de SEGURO
	 CONCEITO LEGAL DO CONTRATO 
 DE SEGURO 
	 Elementos do contrato 
 de seguro 
	Risco
	Interesse Segurável
	Garantia
	Prêmio
	Empresarialidade
	 PARTES DO CONTRATO 
 DE SEGURO 
	Proponente
	Segurado
	Seguradora
	Beneficiário
	Estipulante
	 OBRIGAÇÕES DAS PARTES 
	Pagamento do Prêmio
	Concessão da Garantia
	 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO 
 CONTRATO DE SEGURO 
	Bilateral
	Oneroso
	Aleatório ou Comutativo
	Solene
	Consensual
	Nominado
	Adesão
	 INSTRUMENTOS CONTRATUAIS 
	Proposta
	Apólice
	Endosso ou Aditivo
	Averbação
	Bilhete
	 Fixando Conceitos 2 
	O SEGURO
	e o CÓDIGO CIVIL
	 CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
	 DISPOSIÇÕES COMUNS AOS SEGUROS 
 DE DANOS E DE PESSOAS 
	Riscos Predeterminados
	Boa-Fé na Conclusão e na Execução do Contrato do Seguro
	Efeitos do Descumprimento do Dever de Informação que Influi na Aceitação da Proposta ou na Tarifação do Prêmio
	Ato Doloso do Segurado, do Beneficiário ou do Representante de um deles
	Agravamento do Risco
	Contratação por Meio de Agente Autorizado da Seguradora
	Renovação Automática
	Mora do Segurado
	Mora da Seguradora
	Importância do Aviso de Sinistro
	Aplicação Subsidiária do Código Civil aos Seguros Regidos por Leis Específicas
	 DISPOSIÇÕES RELATIVAS 
 AOS SEGUROS DE DANOS 
	Transferência do Contrato de Seguro a Terceiro
	Rateio Proporcional
	Novo Seguro sobre Mesmo 
Interesse Segurável e Mesmo Risco
	Sub-Rogação
	Seguro de Responsabilidade Civil
	 DISPOSIÇÕES RELATIVAS 
 AOS SEGUROS DE PESSOAS 
	Fixação do Capital Segurado e Contratação de Mais de um Seguro sobre o Mesmo Interesse
	Instituição do(a) Companheiro(a) como Beneficiário(a)
	Seguro sobre a Vida de Terceiro
	Indicação e Substituição do Beneficiário
	Efeitos da Não Indicação de Beneficiário ou da Invalidade (Parcial ou Total) da Cláusula Beneficiária
	Transação para Pagamento Reduzido do Capital Segurado
	Suicídio
	Vedação à Exclusão de Certos Riscos
	Sub-Rogação
	Seguro Coletivo
	A Exceção Contida no Artigo 802 do Código Civil
	 PRESCRIÇÃO 
	Prescrição do Segurado Contra a Seguradora no Seguro de Responsabilidade Civil
	Prescrição do Segurado Contra a Seguradora nos Demais Seguros
	Prescrição do Segurado em Grupo
	Prescrição do Beneficiário
	Prescrição do Terceiro Contra a Seguradora no Seguro de Responsabilidade Civil Obrigatório
	Aviso de Sinistro como Causa Suspensiva da Prescrição
	 Fixando Conceitos 3 
	O CÓDIGO 
DE DEFESA
	do CONSUMIDOR
	 ORIGEM E OBJETIVOS 
	 CONCEITO DE CONSUMIDOR 
	 ENQUADRAMENTO DA ATIVIDADE 
 SECURITÁRIA COMO SERVIÇO 
	 VULNERABILIDADE E HIPOSSUFICIÊNCIa 
 DO CONSUMIDOR 
	 DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR 
	Direito à Informação
	Direito à Proteção Contra a Publicidade Enganosa e Abusiva
	Direito à Facilitação da Defesa dos Direitos, Inclusive com a Inversão do Ônus da Prova
	 GARANTIA DE 
 COGNOSCIBILIDADE 
	 RESPONSABILIDADE OBJETIVA 
 DO FORNECEDOR PELO 
 FATO DO SERVIÇO 
	 RESPONSABILIDADE SUBJETIVA 
 DO PRESTADOR DE SERVIÇO 
 PROFISSIONAL LIBERAL 
	 PRESCRIÇÃO PARA A AÇÃO DE 
 RESPONSABILIDADE CIVIL 
 PELO FATO DO SERVIÇO 
	 DESCONSIDERAÇÃO DA 
 PERSONALIDADE JURÍDICA 
	 OFERTA 
	 RECUSA DO FORNECEDOR EM 
 CUMPRIR A OFERTA 
	 SOLIDARIEDADE 
	 PRÁTICAS ABUSIVAS 
	Venda Casada
	Seguro Não Solicitado
	Comercialização de Seguro cujo Contrato Não Tenha Sido Submetido à Aprovação da SUSEP ou Esteja em Desacordo com as Normas Regulamentares
	Prazo para Cumprimento da Obrigação
	 COBRANÇA DE DÍVIDA JÁ PAGA 
	 CLÁUSULAS ABUSIVAS 
	 CONTRATO DE ADESÃO 
	 Fixando Conceitos 4 
	 estudo de caso 
	O SISTEMA NACIONAL de REGULAÇÃO, 
	SUPERVISÃO e FISCALIZAÇÃO de SEGUROS PRIVADOS, de PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA, CAPITALIZAÇÃO e CORRETAGEM
	 AS PRINCIPAIS NORMAS LEGAIS 
 E REGULAMENTARES 
	 O SISTEMA NACIONAL DE REGULAÇÃO, 
 SUPERVISÃO E FISCALIZAÇÃO DE 
 SEGUROS PRIVADOS, DE PREVIDÊNCIa 
 COMPLEMENTAR ABERTA, 
 CAPITALIZAÇÃO E CORRETAGEM 
	 COMPETÊNCIAS DOS ÓRGÃOS QUE COMPÕEM 
 O SISTEMA NACIONAL DE REGULAÇÃO, 
 SUPERVISÃO E FISCALIZAÇÃO DE 
 SEGUROS PRIVADOS, PREVIDÊNCIA 
 COMPLEMENTAR ABERTA, 
 CAPITALIZAÇÃO E CORRETAGEM 
	Compete ao Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP)
	 Compete à Superintendência de Seguros Privados (SUSEP)
	Compete ao Conselho de Recursos do Sistema Nacional de Seguros Privados, de Previdência Privada Aberta e de Capitalização (CRSNSP)
	 AS OPERAÇÕES DE 
 SEGUROS PRIVADOS 
	 OS SEGUROS OBRIGATÓRIOS 
	 RESSEGURO – LEI COMPLEMENTAR 
 Nº 126/2007 
	A Atuação do IRB Brasil RE
	Das Normas Regulamentadoras do Resseguro e da Sociedade Corretora de Resseguros
	 Fixando Conceitos 5 
	O CORRETOR
	de SEGUROS
	 A LEI QUE REGULA A PROFISSÃO 
 DE CORRETOR DE SEGUROS 
	 O PAPEL DE INTERMEDIADOR 
 DO CORRETOR DE SEGUROS 
	 REQUISITOS PARA O EXERCÍCIO 
 PROFISSIONAL E REGISTRO 
 NA SUSEP 
	O Corretor de Seguros – Profissional AutônomoAs Corretoras de Seguros Pessoas Jurídicas
	 O QUE SÃO EMPRESAS INDIVIDUAIS 
 DE RESPONSABILIDADE 
 LIMITADA (EIRELI) 
	 HABILITAÇÃO 
 TÉCNICO-PROFISSIONAL 
	 REQUERIMENTO DE 
 REGISTRO NA SUSEP 
	 INEXISTÊNCIA DE LIMITAÇÃO 
 TERRITORIAL PARA A 
 ATUAÇÃO DO CORRETOR 
 DE SEGUROS 
	 OS PREPOSTOS DO CORRETOR 
	 DIREITOS E DEVERES DO CORRETOR 
	Deveres Básicos do Corretor
	Direito à Comissão de Corretagem
	Dever de Registro das Propostas e de Demonstração à SUSEP
	Dever de Repasse do Prêmio Recebido
	Restrições Profissionais
	 AS RESPONSABILIDADES DO 
 CORRETOR DE SEGUROS 
	 A RESPONSABILIDADE DO CORRETOR 
 DE SEGUROS E O CÓDIGO DE 
 DEFESA DO CONSUMIDOR 
 (CDC) 
	 A RESPONSABILIDADE PENAL 
 E O CÓDIGO PENAL 
	 A RESPONSABILIDADE 
 ADMINISTRATIVA 
 OU PROFISSIONAL 
	 A AUTORREGULAÇÃO DO 
 MERCADO DE CORRETAGEM 
 (LEI COMPLEMENTAR 
 Nº 137/2010) 
	 O Instituto Brasileiro de Autorregulação 
 do Mercado de Corretagem 
 de Seguros, de Resseguros, de 
 Capitalização e de Previdência 
 Complementar Aberta – IBRACOR 
	 Fixando Conceitos 6 
	 estudo de caso 
	 gabarito 
	Direito do seguro
	 referências bibliográficas 
	Direito do seguro
	Legislação do seguroadesão –, além de 
reconhecer quem faz 
parte dos contratos de 
seguro, considerando 
as diferenças entre 
proponente, segurado, 
seguradora, beneficiário e 
estipulante. 
 ■ Conhecer os principais 
instrumentos contratuais 
dos seguros, considerando 
a importância da proposta, 
da apólice, do endosso, da 
averbação e do bilhete.
⊲ CONCEITO LEGAL DO 
CONTRATO DE SEGURO
⊲ ELEMENTOS DO CONTRATO 
DE SEGURO
⊲ PARTES DO CONTRATO 
DE SEGURO
⊲ OBRIGAÇÕES DAS PARTES
⊲ PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS 
DO CONTRATO DE SEGURO
⊲ INSTRUMENTOS CONTRATUAIS
⊲ FIXANDO CONCEITOS 2
TÓPICOS 
DESTA UNIDADE
de SEGURO
UNIDADE 2
23DIREITO DO SEGURO
 CONCEITO LEGAL DO CONTRATO 
 DE SEGURO 
Para entendermos o contrato de seguro, é importante começarmos pelo 
art. 757 do Código Civil, que permite identificar os principais elementos 
que o compõem:
“Art. 757. Pelo contrato de seguro o segurador se obriga, mediante 
o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, 
relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados.
Parágrafo único. Somente pode ser parte, no contrato de seguro, 
como segurador, entidade para tal fim legalmente autorizada.”
Inicialmente, estudaremos os cinco elementos que compõem o contrato 
de seguro para, em seguida, identificarmos as partes que integram o con-
trato e suas respectivas obrigações.
Posteriormente, serão abordadas as principais características desse con-
trato, bem como seus principais instrumentos.
 ELEMENTOS DO CONTRATO 
 DE SEGURO 
O contrato de seguro é constituído de cinco elementos: o risco, o interes-
se segurável, a garantia, o prêmio e a empresarialidade.
UNIDADE 2
24DIREITO DO SEGURO
 — Risco
O risco é a causa do contrato de seguro, já que o proponente recorre 
à seguradora com a finalidade de reduzir ou eliminar as consequências 
negativas que possam ser experimentadas em razão de sua ocorrência.
O risco deve ser um evento possível, futuro, incerto ou de data incerta, e 
que não depende somente da vontade das partes.
Nesse caso, a possibilidade significa que o risco deve ser algo sujeito a se 
manifestar no plano físico.
O risco deve ser futuro, porque o seguro, via de regra, não admite a cober-
tura de eventos verificados antes da celebração do contrato.
O Código Civil que, se a seguradora, ao tempo do contrato, souber que 
não há risco ao segurado a ser coberto e, apesar disso, chega a expedir a 
apólice, pagará em dobro o prêmio estipulado (art. 773). Estabelece, ainda, 
que não se inclui na garantia o sinistro provocado por vício intrínseco da 
coisa segurada quando não declarado pelo segurado (art. 784). 
Vale lembrar que a noção de risco está claramente vinculada à de interes-
se segurável ou segurado, já que é necessário que o proponente/segura-
do tenha interesse legítimo em minorar ou eliminar as perdas que possam 
advir pela verificação do risco.
Assim, o contrato de seguro deve especificar claramente os riscos cober-
tos, indicando, para isso, as coberturas (garantias) contratadas. Também os 
riscos excluídos (coberturas ou garantias) não contratados devem, igual-
mente, aparecer em destaque.
Dessa forma, a obrigação da seguradora somente abrange aqueles riscos 
expressamente contratados, que devem ser limitados e particularizados 
nas condições (cláusulas) do contrato de seguro, não se obrigando por 
outros (arts. 757 e 760 do Código Civil).
Os riscos cobertos pelos contratos de seguros, em regra, nominam as 
coberturas inerentes aos mais variados ramos e/ou modalidades de segu-
ros oferecidos no mercado, como incêndio, roubo, colisão, acidentes pes-
soais, morte, vendaval, inundação, alagamento etc.
Nos Seguros de Danos, o risco compreenderá todos os prejuízos resultan-
tes ou consequentes das providências adotadas pelo segurado para evitar 
o sinistro, minorar o dano ou salvar a coisa (art. 779 do Código Civil).
 — Interesse Segurável
O interesse segurável é o objeto do contrato de seguro, pois é sobre ele 
que recai a garantia.
UNIDADE 2
25DIREITO DO SEGURO
Pela “teoria da necessidade”, é indispensável que aquele que propõe a 
contratação do seguro tenha interesse concreto – o qual deve ser sempre 
legítimo e, em alguns casos, também econômico – em prevenir os danos 
ou perdas que possam afetar o bem sobre o qual recai o risco.
Nos Seguros de Pessoas, todavia, o Código Civil admite que o interesse 
seja presumido em certos casos (art. 790, parágrafo único, do Código Civil).
O interesse não é uma coisa, mas, sim, a relação existente entre o segura-
do e a coisa ou pessoa sujeita ao risco.
Embora não coincida com a própria coisa a ser segurada, o interesse deve 
corresponder a um bem que esteja exposto a risco, ou seja, que possa 
desaparecer ou deteriorar-se (como é o caso de mercadorias transporta-
das), perder-se, extinguir-se ou sofrer limitações (a exemplo do que ocorre 
com a vida e as faculdades humanas), ou, até mesmo, a um fato que pode 
não se realizar (como ocorre nos Seguros de Crédito ou de Garantia de 
Obrigações Contratuais).
 — Garantia
É o terceiro elemento do contrato e consiste na obrigação da seguradora com 
relação à proteção do interesse legítimo do segurado: ela deve assegurá-la.
Portanto, ela se perfaz na promessa que a seguradora faz ao segurado de 
que honrará o compromisso assumido, de acordo com as cláusulas cons-
tantes do contrato, em reparar algum prejuízo ou pagar um capital deter-
minado, ao cabo de um termo final. Dessa forma, o contrato de seguro 
garante ao segurado a indenização em caso de sinistro coberto.
Vale lembrar que o limite dessa garantia deve estar previsto no contrato, na 
forma do art. 760 do Código Civil. A prestação que corresponde à garantia 
somente deve ser entregue se o segurado não estiver em mora (atraso) no 
pagamento do prêmio quando ocorrer um sinistro coberto.
 — Prêmio
O prêmio é o quarto elemento do contrato de seguro e consiste na obriga-
ção daquele que contrata o seguro para fazer jus à garantia que pretende 
obter da seguradora.
Para fixação do prêmio, além de serem considerados o risco, a importância 
segurada e a duração do seguro, são utilizados, também, elementos esta-
tísticos e financeiros.
Ao aceitar a proposta de seguro, a seguradora leva em conta as informa-
ções prestadas pelo proponente para definir a taxa do prêmio, que consi-
dera, portanto, apenas os riscos e as coberturas que a seguradora preten-
de assumir.
UNIDADE 2
26DIREITO DO SEGURO
A falta de seu pagamento nas condições legais e contratualmente estabe-
lecidas gera a perda do valor segurado, na forma do art. 763 do Código 
Civil. Entretanto, a aplicação desse dispositivo deve ser feita com muito 
cuidado, pois há situações excepcionais em que o inadimplemento do prê-
mio não acarretará a perda do direito à indenização ou capital segurado.
 — Empresarialidade
A empresarialidade é o quinto elemento do contrato. Significa que a segu-
radora deve ser, necessariamente, uma entidade legalmente autorizada a 
exercer a atividade seguradora, ou seja, deve ser uma pessoa jurídica (art. 
757, parágrafo único, do Código Civil).
O art. 24 do Decreto-Lei nº 73/1966 já se referia a esse elemento ao colo-
cá-lo como condição para o exercício da atividade securitária no país, pre-
vendo que somente podem operar em Seguros Privados as sociedades 
anônimas e, em casos excepcionais, como Seguro-Saúde e acidente do 
trabalho.
O mesmo decreto-lei aponta as sociedades seguradoras como integran-
tes do Sistema de Seguros Privados, disciplinando a forma da autorização 
para o seu funcionamento, estabelecendo critérios para suas operações e 
fixando o regime de sua fiscalização e liquidação.
 PARTES DO CONTRATO 
 DE SEGURO 
 — Proponente
É o titular do interesse legítimo segurável, relativo a pessoa ou coisa. Deve 
ser plenamente capaz de exercer os atos da vida civil para que possa assinar 
a proposta de seguro, sob pena de nulidade ou anulabilidade. O proponente 
pode acumular a condição desegurado, de beneficiário e de estipulante.
 — Segurado
É a pessoa física ou jurídica sobre quem recai o risco. Pode, ou não, ser o 
proponente do seguro. Pode, também, acumular a condição de estipulante 
ou de beneficiário.
UNIDADE 2
27DIREITO DO SEGURO
 — Seguradora
É a empresa legalmente constituída sob a forma de sociedade anônima 
que concede a garantia.
 — Beneficiário
É aquele em favor de quem se institui a garantia. Pode ser pessoa física 
ou jurídica.
 — Estipulante
É a pessoa física ou jurídica que contrata seguro por conta de terceiros, 
equiparando-se, por isso, ao segurado para efeito de celebração e de 
manutenção do contrato. Pode, eventualmente, acumular a condição de 
beneficiário. O estipulante representa os interesses do grupo segurado 
perante à seguradora.
Saiba mais
De acordo com o art. 2ª da Resolução CNSP nº 107/2004, é expressamente vedada 
a atuação, como estipulante ou subestipulante, de corretoras de seguros, bem como 
seus respectivos sócios, dirigentes, administradores, empregados, prepostos ou repre-
sentantes, corretores autônomos, sociedades seguradoras, A vedação não se aplica 
quando a estipulação, por tais pessoas, for feita na condição de empregadores em 
favor de seus empregados.
 OBRIGAÇÕES DAS PARTES 
A obrigação assumida por aquele que contrata o seguro é a de pagar o 
prêmio, e a obrigação assumida pela seguradora é a de conceder a garan-
tia. Estudaremos essas obrigações, detalhadamente, a seguir.
 — Pagamento do Prêmio
A obrigação de pagar o prêmio é assumida por aquele que contrata o 
seguro, ou seja, o proponente.
UNIDADE 2
28DIREITO DO SEGURO
Normalmente, essa obrigação incumbe ao segurado, já que, via de regra, o 
seguro é contratado pela própria pessoa sobre a qual recai o risco de que 
ela pretende se proteger por meio do seguro.
No entanto, há casos em que uma pessoa pode deter interesse legítimo 
em contratar seguro para proteção contra um risco que recai sobre outra 
pessoa ou sobre o patrimônio. Nesse caso, a obrigação de pagar o prêmio 
é da pessoa que propôs a contratação do seguro e que pode, eventual-
mente, acumular a condição de beneficiária.
Já nos seguros estipulados por uma pessoa física ou jurídica, a obrigação de 
repassar o prêmio à seguradora é do estipulante, que representa o grupo segu-
rado na forma do § 1º do art. 801 do Código Civil.
O Código Civil trata da obrigação de pagamento do prêmio no art. 763:
“Art. 763. Não terá direito a indenização o segurado que estiver 
em mora no pagamento do prêmio, se ocorrer o sinistro antes 
de sua purgação.”
Assim, em princípio, na hipótese de o sinistro ocorrer em uma data na qual 
o pagamento do prêmio não esteja em dia, segurado ou beneficiário não 
terão direito à indenização ou capital.
Contudo, a interpretação e a aplicação desse artigo, conforme jurispru-
dência dominante no Judiciário brasileiro, serão objeto, neste manual, de 
seção específica: “Mora do Segurado”.
É importante esclarecer que o fato de o risco não se verificar no curso da 
vigência da garantia não afasta a obrigação de pagamento do prêmio, 
exceto quando o contrário tenha sido ajustado entre as partes ou esteja 
previsto em lei especial. É o que estabelece o art. 764 do Código Civil:
“Art. 764. Salvo disposição especial, o fato de se não ter verifi-
cado o risco, em previsão do qual se faz o seguro, não exime o 
segurado de pagar o prêmio.”
Tal dispositivo legal protege o segurador em função da própria natureza 
do negócio, tendo por resultado final a proteção do grupo segurado. Pelo 
princípio do mutualismo, mesmo que o risco não se verifique em razão do 
segurado, o prêmio servirá para indenizar outros segurados integrantes 
do grupo.
O art. 758 do Código Civil prevê que o comprovante de pagamento do 
prêmio, na falta da apólice ou do bilhete, serve para provar a existência do 
contrato de seguro:
“Art. 758. O contrato de seguro prova-se com a exibição da apólice 
ou do bilhete do seguro, e, na falta deles, por documento compro-
batório do pagamento do respectivo prêmio.”
UNIDADE 2
29DIREITO DO SEGURO
Com este artigo, a lei aumenta a possibilidade do consumidor de provar a 
existência do contrato de seguro utilizando, além da apólice ou do bilhete, 
qualquer documento que comprove o pagamento do prêmio.
Na realidade, a lei cria apenas uma presunção relativa de existência do 
contrato de seguro, que pode ser afastada por prova em contrário. Nesse 
sentido, a interpretação do artigo mencionado deve ser feita em conjunto 
com a Circular SUSEP nº 251/2004.
O art. 8º dessa circular prevê que os contratos de seguro terão início de 
vigência a partir da recepção da proposta pela seguradora somente quando 
as propostas tenham sido recepcionadas com adiantamento de valor pelo 
proponente, com a exceção de algumas hipóteses citadas na mesma circular.
Nada impede, no entanto, que a seguradora prove que recusou a proposta, 
dentro dos prazos estabelecidos no art. 2º da Circular SUSEP nº 251/2004, 
comprovando que restituiu ao proponente, na forma do § 3º do art. 8º, o valor 
do prêmio que havia sido pago e de que o sinistro ocorreu depois disso.
Em se tratando de Seguros de Danos, a seguradora deverá comprovar 
também, que o sinistro ocorreu depois do prazo mencionado no §2º do art. 
8º da Circular SUSEP nº 251/2004. Com isso, fica afastada a presunção de 
existência do contrato de seguro que decorre do comprovante do paga-
mento do prêmio.
 — Concessão da Garantia
A obrigação que a seguradora assume no contrato de seguro consiste em 
conceder uma garantia em prazo e condições que serão estabelecidos 
pelas partes. Todavia, o Código Civil traz algumas disposições específicas 
sobre o tema.
Garantia nos Seguros de Danos
Nos Seguros de Danos, a prestação que vai representar a concessão da 
garantia pela seguradora pode se caracterizar pelo pagamento de uma 
indenização ou pela reposição da coisa, se prevista no contrato:
“Art. 776. O segurador é obrigado a pagar em dinheiro o prejuízo 
resultante do risco assumido, salvo se convencionada a reposição 
da coisa.”
A prestação devida pela seguradora, na ocorrência de sinistro coberto, 
consiste, a rigor, no pagamento de determinado valor.
Excepcionalmente, o Código Civil autoriza a reposição da coisa segurada, 
possível apenas nos Seguros de Danos, desde que prevista em cláusula 
contratual, devendo contar com a concordância do segurado no momento 
da regulação.
Fique por dentro
A presunção de existência do 
contrato de seguro que decorre 
da exibição do comprovante do 
pagamento do prêmio pode ser 
afastada, ainda, no caso de a 
seguradora provar que o prêmio 
foi pago por meio de cheque não 
compensado.
UNIDADE 2
30DIREITO DO SEGURO
Quando previsto em cláusula em contratos de seguro por adesão, a repo-
sição da coisa deve também contar com a concordância do segurado no 
momento da regulação.
Além disso, o valor da garantia concedida pela seguradora também não 
pode ultrapassar o valor do interesse segurado no momento da celebra-
ção do contrato (“conclusão do contrato”), sob pena da perda do direito ao 
valor do seguro pelo segurado. É o que prevê o art. 778 do Código Civil, 
que veda o chamado Sobresseguro:
“Art. 778. Nos seguros de dano, a garantia prometida não pode 
ultrapassar o valor do interesse segurado no momento da conclu-
são do contrato, sob pena do disposto no art. 766, e sem prejuízo 
da ação penal que no caso couber.”
Tal fato vem corroborar a máxima de que o objetivo do seguro não é o de 
enriquecer o segurado, mas, sim, assegurar a reposição do interesse segu-
rável ou uma compensação por sua avaria ou perda.
Essas vedações decorrem do chamado princípio indenitário, típico dos 
Seguros de Danos, que consiste na noção de que o segurado deve rece-
ber da seguradora indenização que permita a recomposição do estado 
anterior (status quo ante) do seu patrimônio. Portanto, o segurado não 
deve receber indenização superior aoseu efetivo prejuízo.
Existe uma exigência de caráter técnico que justifica tal medida. Trata-se 
do princípio do mutualismo, viabilizado por meio da aplicação da lei dos 
grandes números, determinando que cada componente do grupo efetue 
um pequeno pagamento. Tal contribuição é somada a centenas ou milha-
res de outras, objetivando a satisfação de prejuízos comuns a qualquer 
grupo. Portanto, não é possível o pagamento que exceda o valor dos pre-
juízos ocorridos.
A contratação do seguro por um percentual estimado do valor do interesse 
segurável é admitida excepcionalmente, permitindo um ajuste do valor da 
garantia para mais ou para menos. Nos Seguros de Automóveis, o valor da 
garantia pode ser fixado com base num percentual sobre o valor do bem 
calculado por uma determinada instituição. Um bom exemplo disso são os 
Seguros de Automóveis cuja garantia pode ser fixada entre 90% e 110% da 
tabela divulgada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).
De acordo com o art. 779 do Código Civil, a garantia deve, necessaria-
mente, abranger os prejuízos que o segurado sofrer para evitar o sinistro, 
minorar o dano ou salvar a coisa:
“Art. 779. O risco do seguro compreenderá todos os prejuízos 
resultantes ou consequentes, como sejam os estragos ocasiona-
dos para evitar o sinistro, minorar o dano, ou salvar a coisa.”
UNIDADE 2
31DIREITO DO SEGURO
Este artigo traça norma de natureza técnica, determinando a abrangência 
da cobertura. Assim, a cobertura alcançará também os prejuízos oriundos 
das despesas no sentido de se evitar o sinistro, quando possível, ou redu-
zir a extensão do dano, já que o objetivo foi salvar a coisa, sendo que os 
lucros cessantes e danos emergentes não estão abrangidos no dispositivo. 
Finalmente, nos Seguros de Responsabilidade Civil, a garantia deve abran-
ger as perdas e danos que o segurado causou a terceiro na forma do art. 
787 do Código Civil, conforme será estudado oportunamente.
Garantia nos Seguros de Pessoas
Nos Seguros de Pessoas, a prestação que representará o cumprimento da 
obrigação da seguradora corresponderá a um capital, fixado no contrato, 
cujo caráter não é indenizatório, mas meramente compensatório, já que a 
vida e as faculdades humanas são inapreciáveis economicamente.
Diferentemente do que ocorre nos Seguros de Danos, o proponente, nos 
Seguros de Pessoas, tem a liberdade de fixar o valor da garantia e de 
contratar mais de um seguro sobre o mesmo interesse, com a mesma ou 
com mais de uma seguradora (art. 789 do Código Civil). Dessa forma, nada 
impede que o corretor venha a intermediar Seguro de Vida para um segu-
rado que já o possui em outras seguradoras. Todavia, o exercício desses 
direitos deve observar a boa-fé.
Nos Seguros de Pessoas, o capital segurado que representa a garantia não 
pode ser consumido pelas dívidas do beneficiário nem integrar o inventá-
rio do segurado falecido, por não constituir herança, conforme estabelece 
o art. 794 do Código Civil:
“Art. 794. No Seguro de Vida ou de Acidentes Pessoais para o caso 
de morte, o capital estipulado não está sujeito às dívidas do segu-
rado, nem se considera herança para todos os efeitos de direito.”
Este artigo expressa a finalidade do seguro, sua importância e os valores a 
ele relativos, determinando, ainda, que o capital segurado não responderá 
por dívidas, não sendo considerado herança. 
Nos termos da legislação, os beneficiários de um Seguro de Vida recebe-
rão o valor integral da indenização, que não poderá ser utilizado para paga-
mento de dívidas da pessoa falecida. Assim, fica caracterizada a finalidade 
social do contrato de seguro, pois será o único valor, decorrente da morte 
do segurado, que o beneficiário receberá livre de qualquer desconto.
UNIDADE 2
32DIREITO DO SEGURO
 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO 
 CONTRATO DE SEGURO 
No Direito Civil brasileiro, os contratos se classificam em: unilaterais ou 
bilaterais; onerosos ou gratuitos; comutativos ou aleatórios; nominados ou 
inominados; consensuais ou reais; solenes ou não solenes; e de adesão.
A classificação dos contratos é importante para indicar suas características 
e como são compostos. Desse modo, os profissionais do seguro poderão 
avaliar os efeitos jurídicos dos contratos.
Os contratos se classificam em função da formação das obrigações que os 
originam, das vantagens que podem trazer para as partes, da realidade da 
contraprestação, dos requisitos exigidos para a sua formação, do papel que 
tomam na relação jurídica, do modo de execução, do interesse que tem a 
pessoa com quem se contrata e da sua regulamentação, legal ou não.
O contrato de seguro é classificado, por sua natureza jurídica, em:
 — Bilateral
O contrato de seguro é bilateral porque gera obrigações para ambas as 
partes. A obrigação da seguradora é de garantia e a do proponente é de 
pagamento do prêmio. O não cumprimento (inadimplemento) da obrigação 
por uma das partes, ao menos como regra, impede que a mesma exija da 
outra o cumprimento da obrigação que lhe compete, ressalvada a jurispru-
dência sobre a mora do segurado, que estudaremos a seguir.
 — Oneroso
O contrato de seguro é oneroso porque ambas as partes almejam um 
benefício. O proponente busca uma garantia, que se traduz na proteção 
de um interesse legítimo contra determinados riscos. A seguradora almeja 
o recebimento do prêmio com o qual formará o fundo comum destinado a 
saldar a prestação correspondente à garantia.
 — Aleatório ou Comutativo
O contrato de seguro é considerado aleatório para uns e comutativo para outros.
Para os que defendem que o contrato de seguro é aleatório, tal defesa se 
baseia no argumento de não existir correspondência entre as prestações 
das partes, relacionadas às obrigações que assumiram.
UNIDADE 2
33DIREITO DO SEGURO
Quando da celebração do contrato, enquanto a seguradora tem a certeza 
de que receberá o prêmio do segurado, este último (ou o beneficiário por 
ele designado) não tem a certeza de que receberá a indenização ou capital 
segurado, pois tal prestação (que materializa a obrigação da seguradora) 
só se verificará na hipótese de ocorrer um sinistro coberto.
Contudo, há quem defenda que o contrato de seguro seria contrato comu-
tativo, visto que, conforme já apresentado na definição do art. 757 do Códi-
go Civil, a seguradora se obriga a cobrir riscos predeterminados, ou seja, 
já saberia, de antemão, exatamente o tamanho da contraprestação a que 
estaria sujeita nessa relação contratual.
 — Solene
O contrato de seguro é solene porque o consentimento das partes deve 
ser dado na forma prescrita pela lei.
Em geral, esse consentimento é manifestado de forma escrita: o propo-
nente apresenta proposta em formulário impresso, preenchido e assinado, 
e a seguradora manifesta sua aceitação mediante a emissão do bilhete, 
certificado ou apólice.
O consentimento da seguradora no sentido de aceitar a proposta poderá, igual-
mente, prescindir da forma escrita. Isso ocorrerá quando a seguradora deixar 
decorrer, sem manifestação formal, o prazo estabelecido nas normas regula-
mentares, atualmente de 15 (quinze) dias, para aceitar ou recusar a proposta. O 
decurso desse prazo sem manifestação da seguradora acarretará a aceitação.
 — Consensual
O contrato de seguro é consensual porque a manifestação de vontade de 
ambas as partes, no mesmo sentido, faz surgir o contrato. Contratos con-
sensuais são os que se formam com a simples anuência das partes, não se 
exigindo nenhuma outra formalidade.
Assim, a apresentação da proposta pelo próprio segurado (ou um terceiro), 
somada à aceitação dela pela seguradora, configura o vínculo contratual.
 — Nominado
O contrato de seguro é nominado (ou típico) porque se trata de espécie de 
contrato regulamentada pela legislação (Código Civil, Código de Defesa 
do Consumidor, Resoluções do CNSP e Portarias da SUSEP).
UNIDADE 2
34DIREITO DO SEGURO
 — Adesão
O contrato de seguro é contratode adesão, pois a seguradora, na maioria 
dos casos, redige unilateralmente as cláusulas e as submete à aprovação 
do órgão regulador competente, restando ao proponente aderir ao seu 
conteúdo sem possibilidade de propor mudanças no clausulado.
A exceção ocorre nos seguros de grandes riscos, nos quais as partes, 
em razão da complexidade do risco e do envolvimento econômico do 
interesse segurável, discutem e ajustam conjunta e previamente as cláu-
sulas contratuais.
 INSTRUMENTOS CONTRATUAIS 
A partir de agora, vamos estudar os cinco instrumentos contratuais do con-
trato de seguro: proposta, apólice, endosso ou aditivo, averbação e bilhete.
 — Proposta
É o instrumento pelo qual o proponente manifesta, perante a seguradora, a 
sua vontade de contratar o seguro. Nesse documento, o proponente deve 
descrever o mais detalhadamente possível o interesse segurável e os ris-
cos a que está sujeito, conforme estabelece o art. 759 do Código Civil:
“Art. 759. A emissão da apólice deverá ser precedida de proposta 
escrita com a declaração dos elementos essenciais do interesse a 
ser garantido e do risco.”
As informações constantes da proposta, sejam aquelas previamente 
impressas no formulário pela seguradora, sejam aquelas prestadas pelo 
proponente, integram o contrato de seguro.
A proposta é um instrumento poderoso para a adequada seleção de risco 
pelo segurador, pois pode ser acompanhada de questionário de avaliação 
de risco. Nos Seguros de Automóveis, por exemplo, o questionário de 
avaliação de risco é conhecido como “perfil”. Nos Seguros de Pessoas, o 
questionário de avaliação de risco é chamado de “declaração de saúde 
e atividade”.
UNIDADE 2
35DIREITO DO SEGURO
A proposta não precisa, necessariamente, ser assinada pelo proponen-
te. Pode ser assinada pelo corretor de seguros ou pelo representante 
legal do proponente, conforme o art. 13 da Lei nº 4.594/1964, o art. 9º do 
 Decreto-Lei nº 73/1966 e o art. 1º da Circular SUSEP nº 251/2004. Veja os 
artigos descritos a seguir:
Lei nº 4.594/1964:
“Art. 13. Só ao corretor de seguros devidamente habilitado nos ter-
mos desta lei e que houver assinado a proposta deverão ser pagas 
as corretagens admitidas para cada modalidade de seguro, pelas 
respectivas tarifas, inclusive em caso de ajustamento de prêmios.”
Decreto-Lei nº 73/1966:
“Art. 9º. Os seguros serão contratados mediante propostas assi-
nadas pelo segurado, seu representante legal ou por corretor 
habilitado, com emissão das respectivas apólices, ressalvado o 
disposto no artigo seguinte.”
Circular SUSEP nº 251/2004:
Art. 1°. A celebração ou alteração do contrato de seguro somente 
poderá ser feita mediante proposta assinada pelo proponente, seu 
representante legal ou por corretor de seguros habilitado, exceto 
quando a contratação se der por meio de bilhete.
Já o questionário de avaliação de riscos deve, necessariamente, ser preen-
chido e assinado pelo segurado, única pessoa capaz de prestar de for-
ma verdadeira e completa as informações solicitadas pela seguradora por 
meio desse documento.
As declarações inexatas, se resultarem de má-fé do proponente, do cor-
retor ou de seu representante legal, podem implicar a perda do direito 
ao valor do seguro, conforme o art. 766 do Código Civil, dispositivo que 
estudaremos mais adiante.
A seguradora dispõe de um prazo específico para se manifestar sobre a 
proposta. O art. 2º da Circular SUSEP nº 251/2004 aborda tal prazo, que é 
de 15 dias contados a partir da data do recebimento da proposta, seja para 
seguros novos ou renovações, bem como para alterações que impliquem 
modificação do risco. O § 5º daquele artigo reduz o prazo para sete dias 
quando se tratar de contrato de Seguro do Ramo Transportes, cuja cober-
tura se restrinja a uma viagem apenas.
O prazo para a seguradora se manifestar sobre a proposta admite suspen-
são na forma dos parágrafos 1º a 3º do mencionado artigo.
De acordo com o § 4º, ficará a critério da seguradora a decisão de informar, 
ou não, por escrito, ao proponente, ao seu representante legal ou ao corre-
tor de seguros sobre a aceitação da proposta. Contudo, em se tratado de 
recusa, deve haver comunicação formal e justificada.
A Lei nº 4.594/1964 regula a 
profissão de corretor de seguros. 
Todo profissional que atue em 
corretagem de seguros deve 
conhecer essa lei.
www.planalto.gov.br
Vale a pena 
ler na íntegra
Circular SUSEP nº 251/2004 – 
dispõe sobre a aceitação 
da proposta e sobre o início 
de vigência da cobertura nos 
contratos de seguros 
e dá outras providências. 
www.susep.gov.br
http://www.planalto.gov.br/
http://www.susep.gov.br
UNIDADE 2
36DIREITO DO SEGURO
Decorrido o prazo para manifestação sem que a seguradora se manifeste, 
tal silêncio implicará a aceitação tácita, conforme se infere do § 6º do refe-
rido artigo, bem como do art. 432 do Código Civil.
Com base nessas premissas, o art. 4º da mesma circular define a data em 
que a proposta é considerada aceita:
Art. 4º. A data de aceitação da proposta será:
I – aquela em que a sociedade seguradora se manifestar expres-
samente, observados os prazos previstos no art. 2º desta Circular;
II – a de término dos prazos previstos no art. 2º desta Circular, em 
caso de ausência de manifestação formal, por parte da sociedade 
seguradora.
É importante mencionar que os seguros contratados por meio de bilhete 
dispensam a proposta escrita, como, por exemplo, o Seguro DPVAT.
O contrato é um negócio jurídico e requer, para sua validade, a observância 
dos requisitos do art. 104 do Código Civil: agente capaz; objeto lícito, possí-
vel, determinado ou determinável; e forma prescrita ou não defesa em lei.
Além disso, sendo o contrato um negócio jurídico bilateral, a vontade das 
partes é, também, um requisito para sua validade. Para que a manifestação 
de vontade das partes seja válida, é indispensável que elas tenham capaci-
dade de fato.
Uma vez que o exercício dos direitos (capacidade de fato) pressupõe que a 
pessoa tenha consciência e vontade para tanto, a lei exige que o exercício 
dos direitos por determinadas pessoas se verifique com a observância de 
certas formalidades.
Dispõe o art. 5º do Código Civil Brasileiro:
“Art. 5º. A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando 
a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil.”
Desta forma, as pessoas que firmarem a proposta, bem como os corretores 
de seguro, para exercerem suas atividades, deverão ser pessoas maiores 
e capazes.
 — Apólice
A apólice, a exemplo do bilhete, é emitida pela seguradora para formalizar 
a aceitação da proposta e, consequentemente, a contratação do seguro.
Por isso é que o art. 758 do Código Civil prevê que a apólice é um dos 
meios de provar a existência do contrato de seguro:
Importante
A capacidade de fato é a aptidão 
da pessoa para exercer seus 
direitos na vida civil por si mesma, 
sem necessidade de assistência ou 
de representação por um terceiro.
UNIDADE 2
37DIREITO DO SEGURO
“Art. 758. O contrato de seguro prova-se com a exibição da apóli-
ce ou do bilhete do seguro, e, na falta deles, por documento com-
probatório do pagamento do respectivo prêmio.”
A existência da apólice de seguro, portanto, presume a existência do contra-
to de seguro e, por conseguinte, de garantia na vigência nela especificada.
Contudo, essa presunção é relativa e pode ser afastada, por exemplo, no 
caso de a seguradora provar que o contrato de seguro foi cancelado antes 
do prazo previsto para término de sua vigência por determinado motivo.
O art. 761 do Código Civil deixa claro que, quando houver cosseguro, a 
apólice deverá conter as informações sobre ele e informar o nome da 
seguradora que administrará o contrato:
Art. 761. Quando o risco for assumido em cosseguro, a apólice 
indicará o segurador que administrará o contrato e representará os 
demais, para todos os seus efeitos.
O cosseguro é uma forma utilizada pelo seguradorpara a pulverização do 
risco que lhe foi transmitido pelo segurado. Sob a ótica do segurado, ele 
estará contratando com várias seguradoras ao mesmo tempo, ficando con-
figurada a divisão de responsabilidades entre várias companhias.
A apólice também deve estar acompanhada das suas condições, ou seja, 
das cláusulas que regem o contrato de seguro.
As condições de apólice se dividem em condições gerais, que se refe-
rem aos ramos de seguro; condições especiais, que se referem às moda-
lidades do ramo; e condições particulares, que dispõem sobre ajustes 
específicos feitos entre segurado e seguradora. As condições particulares 
estão presentes, via de regra, nos seguros de médios e grandes riscos.
Assim, as cláusulas das condições particulares prevalecem sobre as das 
condições especiais. As cláusulas das condições especiais, por sua vez, 
prevalecem sobre as cláusulas das condições gerais.
As condições de apólice não devem contrariar as normas legais nem as 
regulamentares e precisam ser previamente aprovadas pelo órgão regula-
dor competente.
 — Endosso ou Aditivo
São instrumentos contratuais utilizados em função da necessidade de se 
modificarem dispositivos contratuais, de se acrescentarem dispositivos 
novos ou de se incluírem bens na cobertura.
Isto é básico
Verifica-se o Cosseguro quando 
duas ou mais sociedades 
seguradoras, em determinada 
apólice e com a anuência 
do segurado, distribuem 
percentualmente o risco entre 
si. Cada seguradora responderá 
por sua cota-parte no pagamento 
da indenização securitária na 
proporção do risco que assumiu.
UNIDADE 2
38DIREITO DO SEGURO
O endosso ou aditivo é utilizado para formalizar modificações, correções 
ou acréscimos na apólice. 
Exemplos: substituição de um veículo segurado, aumento da importância 
segurada, alteração de um dado pessoal do segurado.
 — Averbação
A averbação é o instrumento típico das apólices denominadas abertas ou 
de averbação e é usada para individualizar detalhes variáveis sobre o risco.
Nos seguros de transportes, por exemplo, por meio da apólice aberta, o 
segurado faz as averbações dos embarques realizados, agilizando, deste 
modo, a contratação do seguro.
Pode ser provisória ou definitiva.
 — Bilhete
O bilhete, a exemplo da apólice, é emitido pela seguradora para formalizar 
a contratação do seguro. A principal diferença é que os seguros contra-
tados por bilhete dispensam a apresentação de proposta, bem como a 
emissão de apólice. O já citado art. 758 do Código Civil prevê que o bilhete 
é um dos meios de provar a existência do contrato de seguro.
O art. 10 do Decreto-Lei nº 73/1966 autoriza a contratação de seguros por 
simples emissão de bilhete mediante solicitação do interessado. Contudo, 
cabe ao Conselho Nacional de Seguros Privados, órgão encarregado de 
estabelecer a Política Nacional de Seguros Privados, regulamentar as hipó-
teses em que se admite a contratação de seguro por bilhete, padronizando 
as suas cláusulas e os impressos necessários:
“Art. 10. É autorizada a contratação de seguros por simples emissão 
de bilhete de seguro, mediante solicitação verbal do interessado.
§ 1º O CNSP regulamentará os casos previstos neste artigo, padroni-
zando as cláusulas e os impressos necessários.”
Exemplos de seguros contratados por bilhete são: Danos Pessoais causa-
dos por Veículos Automotores Terrestres (DPVAT), Acidente Pessoal Indivi-
dual e Incêndio Residencial.
FIXANDO CONCEITOS
39DIREITO DO SEGURO
 FIXANDO CONCEITOS 2 
Marque a alternativa correta
1. A pessoa física ou jurídica que contrata um seguro por conta de terceiros 
é o(a):
(a) Beneficiário.
(b) Estipulante.
(c) Ressegurador.
(d) Seguradora.
(e) Segurado.
2. Analise se as proposições são verdadeiras ou falsas e depois marque a 
alternativa correta:
( ) Nos Seguros de Danos, a garantia pode, excepcionalmente, consis-
tir na reposição da coisa segurada.
( ) Nos Seguros de Danos, vigora a regra de que o valor da garan-
tia concedida pode ultrapassar o valor do interesse segurado no 
momento da contratação.
( ) Nos Seguros de Pessoas, a garantia tem natureza indenizatória.
( ) Nos Seguros de Pessoas, o capital segurado constitui herança.
(a) V, F, V, F.
(b) V, F, F, F.
(c) F, V, F, V.
(d) F, V, V, F.
(e) F, V, V, V.
Marque a alternativa correta
3. O instrumento no qual devem ser descritos para a seguradora o interes-
se segurável e o risco é o(a):
(a) Proposta.
(b) Apólice.
(c) Endosso.
(d) Averbação.
(e) Bilhete.
FIXANDO CONCEITOS
40DIREITO DO SEGURO
4. A pessoa sobre a qual recai o risco segurável é o(a):
(a) Seguradora. 
(b) Estipulante.
(c) Segurado.
(d) Beneficiário.
(e) Ressegurador.
5. Pelo princípio indenitário, que vigora nos Seguros de Danos, é correto 
afirmar que:
(a) É lícito ao segurado auferir lucro com o seguro.
(b) O seguro serve como uma espécie de investimento.
(c) A indenização visa à recomposição do estado anterior do patrimô-
nio do segurado.
(d) O segurado pode receber indenização superior ao prejuízo sofrido.
(e) O segurado deve contratar garantia que supere o valor do interesse 
segurável.
6. Sendo o contrato um negócio jurídico bilateral, a vontade das partes 
é, também, um requisito para sua validade. Para que a manifestação de 
vontade das partes seja válida, é correto afirmar ser indispensável que elas 
tenham: 
(a) Responsabilidade. 
(b) Habilitação. 
(c) Qualificação.
(d) Instrução. 
(e) Capacidade de fato.
DIREITO DO SEGURO 41
UNIDADE 303
O SEGURO
 ■ Reconhecer os principais dispositivos do 
Código Civil aplicáveis aos seguros de 
danos e de pessoas, entendendo que 
a seguradora responde apenas pelos 
riscos predeterminados em contrato, 
estabelecendo a importância da boa-fé para 
os contratos de seguro. 
Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de:
⊲ CONSIDERAÇÕES INICIAIS
⊲ DISPOSIÇÕES COMUNS AOS 
SEGUROS DE DANOS E DE 
PESSOAS
⊲ DISPOSIÇÕES RELATIVAS 
AOS SEGUROS DE DANOS
⊲ DISPOSIÇÕES RELATIVAS 
AOS SEGUROS DE PESSOAS
⊲ PRESCRIÇÃO
⊲ FIXANDO CONCEITOS 3
TÓPICOS 
DESTA UNIDADE
e o CÓDIGO CIVIL
UNIDADE 3
42DIREITO DO SEGURO
 CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
O contrato de seguro está disciplinado de forma especial no Códi-
go Civil (Lei nº 10.406/02), que contém um capítulo inteiramente 
dedicado a ele (arts. 757 a 802).
Esta unidade divide-se em três seções: uma contendo disposições gerais 
aplicáveis tanto aos Seguros de Danos quanto de Pessoas (arts. 757 a 
777), outra contendo disposições específicas sobre Seguros de Danos 
(arts. 778 a 788) e, finalmente, outra contendo disposições específicas 
sobre Seguros de Pessoas (arts. 789 a 802).
O estudo do contrato de seguro feito a seguir é baseado, essencialmente, 
nesses artigos (dispositivos).
 DISPOSIÇÕES COMUNS AOS SEGUROS 
 DE DANOS E DE PESSOAS 
Vamos começar esta unidade analisando as disposições semelhantes aos 
Seguros de Danos e de Pessoas, que inclui o estudo dos riscos predetermi-
nados, o conceito de boa-fé, os efeitos da inexatidão das informações ou de 
ato doloso pelo segurado, o agravamento do risco, a contratação de agente 
autorizado, a renovação automática do seguro, a mora do segurado e da 
seguradora, o aviso de sinistro e os seguros regidos por leis específicas. 
Saiba Mais
Estude o capítulo Seguro no 
Código Civil. Leia: TEPEDINO, 
Gustavo et al. Código Civil 
interpretado conforme a 
Constituição da República. 
Rio de Janeiro: Renovar, 2004. 
Art. 757 a 802.
UNIDADE 3
43DIREITO DO SEGURO
 — Riscos Predeterminados
A seleção de riscos é indispensável para o sucesso da atividade seguradora.
Por esse motivo, o art. 757 do Código Civil prevê, claramente, que a segu-
radora somente está obrigada a cobrir os riscos predeterminados no 
contrato de seguro:
Art. 757. Pelo contrato de seguro o segurador se obriga, mediante 
o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, 
relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados.
Parágrafo único. Somente pode

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