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19ª EDIÇÃO RIO DE JANEIRO 2021 REALIZAÇÃO ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS SUPERVISÃO E COORDENAÇÃO METODOLÓGICA DIRETORIA DE ENSINO TÉCNICO ASSESSORIA TÉCNICA RODRIGO MAIA JORGE - 2021 MAURÍCIO VIOT – 2020/2019 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS – GERÊNCIA DE CONTEÚDO E PLANEJAMENTO PICTORAMA DESIGN É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou de partes dele, sob quaisquer formas ou meios, sem permissão expressa da Escola. Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da Escola de Negócios e Seguros E73p Escola de Negócios e Seguros. Diretoria de Ensino Técnico. Previdência complementar / Supervisão e coordenação metodológica da Diretoria de Ensino Técnico; assessoria técnica de Rodrigo Maia Jorge. -- 19. ed.-- Rio de Janeiro : ENS, 2021. 96 p. ; 28 cm 1. Previdência complementar. I. Jorge, Rodrigo Maia II. Título. 0021-2553 CDU 368.025.55 (072) A Escola de Negócios e Seguros promove, desde 1971, diver- sas iniciativas no âmbito educacional, que contribuem para um mercado de seguros, previdência complementar, capitalização e resseguro cada vez mais qualificado. Principal provedora de serviços voltados à educação continuada, para profissionais que atuam nessa área, a Escola de Negócios e Seguros oferece a você a oportunidade de compartilhar conhecimento e expe- riências com uma equipe formada por especialistas que possuem sólida trajetória acadêmica. A qualidade do nosso ensino, aliada à sua dedicação, é o caminho para o sucesso nesse mercado, no qual as mudanças são constantes e a competitividade é cada vez maior. Seja bem-vindo à Escola de Negócios e Seguros. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 1. PREVIDÊNCIA SOCIAL 8 A CONSTITUIÇÃO DO SISTEMA DE SEGURIDADE SOCIAL 9 PRINCÍPIOS BÁSICOS DA SEGURIDADE SOCIAL 11 FONTES DE CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL 12 Receitas que Compõem o Orçamento 12 O DIREITO À PREVIDÊNCIA 13 Organização da Previdência 14 Benefícios 14 CONSIDERAÇÕES GERAIS 15 FIXANDO CONCEITOS 1 16 2. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 19 UM POUCO DE HISTÓRIA 20 UMA ALTERNATIVA DE POUPANÇA 21 ESTRUTURA DO SISTEMA 22 Entidades Abertas de Previdência Complementar – EAPC 23 Entidades Fechadas de Previdência Complementar – EFPC 23 FIXANDO CONCEITOS 2 25 SUMÁRIO INTERATIVO PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 3. PLANOS DE ENTIDADES ABERTAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 29 ESTRUTURA BÁSICA 30 MODALIDADES DE ESTRUTURAÇÃO DAS COBERTURAS 32 Benefício Definido 32 Contribuição Variável 33 PERÍODOS DE DIFERIMENTO E COBERTURA 34 ADMISSÃO 35 Proposta de Inscrição 35 Certificado 36 CONTRIBUIÇÕES 36 CARREGAMENTO 37 VALORES GARANTIDOS 38 GARANTIAS TÉCNICAS 39 APURAÇÃO DE RESULTADOS 40 FIXANDO CONCEITOS 3 41 4. PLANOS COM COBERTURA POR SOBREVIVÊNCIA 44 COMERCIALIZAÇÃO 45 Tipos de Planos de Cobertura por Sobrevivência 45 Regras para os Fundos de Investimento Especialmente Constituídos 49 MODALIDADES DE RENDA 50 FATORES QUE INFLUENCIAM O VALOR DA RENDA A SER RECEBIDA EM FUNÇÃO DA SOBREVIVÊNCIA 51 Parâmetros Técnicos 51 Taxas Cobradas 52 Modalidade de Renda e Idade de Aposentadoria 52 Montante Acumulado 53 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR VALORES GARANTIDOS NO PERÍODO DE DIFERIMENTO 54 Resgate 54 Portabilidade 55 FIXANDO CONCEITOS 4 59 5. PLANOS COM COBERTURA DE RISCO 63 PLANOS COM COBERTURA DE RISCO – MORTE E INVALIDEZ TOTAL E PERMANENTE 64 PLANOS QUE PAGAM BENEFÍCIO POR INVALIDEZ 65 Plano de Renda por Invalidez 65 Plano de Renda por Invalidez com Prazo Mínimo Garantido 65 Plano de Pecúlio por Invalidez 66 PLANOS QUE PAGAM BENEFÍCIO POR MORTE 67 Plano de Pensão ao Cônjuge ou Companheiro(a) 67 Plano de Pensão aos Menores 68 Plano de Pensão por Prazo Certo 68 Plano de Pecúlio por Morte 69 FIXANDO CONCEITOS 5 70 6. INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES 72 ASPECTOS TRIBUTÁRIOS 73 PGBL x VGBL 74 Legislação 76 Dedução 77 Tributação 78 Formas de Pagamento do Imposto 80 ASSISTÊNCIA FINANCEIRA 84 ATUALIZAÇÃO DE VALORES 85 FIXANDO CONCEITOS 6 89 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ESTUDOS DE CASO 92 GABARITO 93 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 96 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 8 UNIDADE 101 PREVIDÊNCIA SOCIAL ■ Conhecer o Sistema de Previdência Brasileiro (Seguridade Social, Previdência Social e Previdência Privada) considerando seus componentes, público e privado, relacionando- os à administração de planos previdenciários e às negociações comerciais. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: ■ Compreender a Previdência Social por meio da análise de seus órgãos e dos regimes que adota, qualificando seus segurados e dependentes, bem como seus respectivos benefícios. ⊲ A CONSTITUIÇÃO DO SISTEMA DE SEGURIDADE SOCIAL ⊲ PRINCÍPIOS BÁSICOS DA SEGURIDADE SOCIAL ⊲ FONTES DE CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL ⊲ O DIREITO À PREVIDÊNCIA ⊲ FIXANDO CONCEITOS 1 TÓPICOS DESTA UNIDADE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 9 UNIDADE 1 A CONSTITUIÇÃO DO SISTEMA DE SEGURIDADE SOCIAL A ideia de proteção está intimamente associada ao instinto de sobrevi- vência, ao sentimento de insegurança e à incerteza. No entanto, durante séculos, os indivíduos se viram desprovidos de qualquer ação por parte dos governos que viesse a protegê-los na velhice ou em caso de doença e incapacidade física. A previdência estava, diretamente, ligada à livre inicia- tiva de caráter assistencial e não, propriamente, previdencial. Nesse dualismo – assistência ou previdência –, cresceu a Previdência Social Brasileira, que passou, nos últimos anos, por várias mudanças conceituais e estruturais, compreendendo, entre outros aspectos, o grau de cobertura, o elenco de benefícios oferecidos e a forma de financiamento do sistema. Com essa evolução, a Previdência Social Brasileira adquiriu personalidade própria, expandindo consideravelmente sua área de atuação e constituin- do-se, efetivamente, em um sistema de seguridade social. Entende-se por seguridade social “um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social”, como disposto no artigo 194 da Constituição Brasileira. Previdência é um sistema que, mediante contribuições, tem por finalida- de assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, decorrentes de incapacidade física, desemprego involuntário, idade avan- çada, tempo de contribuição ou morte. A história da Previdência, no Brasil, foi marcada por fatos relevantes, con- forme se observa no quadro a seguir. UNIDADE 1 10PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ■ Regulamentação do direito à aposentadoria dos empregados dos Correios, por meio do Decreto 9.912-A, de 26 de março de 1888. ■ Criação de uma Caixa de Aposentadoria e Pensões para os empre- gados de cada empresa ferroviária, em 24 de janeiro de 1923, por meio do Decreto 4.682, conhecido como Lei Elói Chaves e consi- derado um marco inicial na história previdenciária. ■ Criação de uma Caixa Única de Aposentadoria e Pensões dos Fer- roviários e Empregados em Serviços Públicos, por meio do Decre- to 34.586, de 12 de novembro de 1953. ■ Em 26 de agosto de 1960, a Lei 3.807 criou a Lei Orgânica de Pre- vidência Social – LOPS –, unificando a legislação referente aos Ins- titutos de Aposentadorias e Pensões. ■ Criação do Instituto Nacional de Previdência Social – INPS –, por meio do Decreto-Lei 72, de 21 de novembro de 1966, que reuniu seis dos sete Institutos de Aposentadoria e Pensões até então existentes. ■ Criação do Ministério da Previdência e Assistência Social, des- membrado do Ministério do Trabalho e Previdência Social por meio da Lei 6.036, de 1o de maio de 1974. ■ A Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre a organiza- ção da seguridade social e institui o novo Plano de Custeio, sendo regulamentada pelo Decreto 2.173, de 5 depermitindo o acompanhamento diário da rentabi- lidade dos diversos fundos e viabilizando a comparação entre a rentabilidade dos diversos planos. Após vermos todos os planos, falaremos mais sobre os fundos de investimento. Plano Gerador de Benefício Livre Programado (PGBL Programado) Funciona exatamente como o PGBL, porém conta com a possibili- dade de contratação, durante o período de diferimento, de paga- mentos financeiros programados, na forma definida no Regula- mento e na Nota Técnica Atuarial. Plano Previdência Vida Planejada É quando, no ato da contratação de um PGBL ou PGBL Progra- mado, o FIE já prevê um percentual decrescente de exposição a investimentos de maior risco durante o período de diferimento. Plano com Desempenho Referenciado (PDR) Quando apresentar, durante o período de diferimento, garantia mínima de desempenho, segundo critérios definidos no plano, e a reversão, parcial ou total, de resultados financeiros, sendo também sempre estruturado na modalidade de contribuição variável. Plano com Remuneração Garantida e Performance sem Atualização (PRSA) Quando garantir aos participantes, durante o período de diferi- mento, remuneração por meio da contratação de taxa de juros e a reversão, parcial ou total, de resultados financeiros e sempre estruturados na modalidade de contribuição variável. Plano com Remuneração Garantida e Performance (PRGP) Quando garantir aos participantes, durante o período de diferi- mento, remuneração por meio da contratação de índice de atuali- zação de valores mais taxa de juros e a reversão, parcial ou total, de resultados financeiros. Plano com Atualização Garantida e Performance (PAGP) Quando garantir aos participantes, durante o período de diferimento, por meio da contratação de índice de preços, apenas a atualização de valores e a reversão, parcial ou total, de resultados financeiros. Plano de Renda Imediata (PRI) Quando, mediante contribuição única, garantir o pagamento do benefício por sobrevivência, sob a forma de renda imediata. Atenção FIE é o fundo de investimento especialmente constituído ou o fundo de investimento em quotas de fundos de investimento especialmente constituídos, cujos únicos quotistas sejam, direta ou indiretamente, sociedades seguradoras e entidades abertas de Previdência Complementar ou no caso de fundo com patrimônio segregado, segurados e participantes de planos VGBL – Vida Gerador de Benefício Livre – ou PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre. UNIDADE 4 48PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Plano Tradicional Nada mais é do que um plano com cobertura por sobrevivência, estruturado na forma de benefício definido ou de contribuição variável, com a característica de garantir, durante a fase de acumu- lação dos recursos (período de diferimento), algum tipo de remune- ração mínima garantida (normalmente IGPM + 6% a.a.). Além disso, era comum a possibilidade de reversão de resultados financeiros (excedentes) durante a fase de acumulação ou de pagamento do benefício sob a forma de renda. PLANOS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA DURANTE A FASE DE ACUMULAÇÃO PLANO MODALIDADE PERÍODO DE ACUMULAÇÃO DOS RECURSOS – PERÍODO DE DIFERIMENTO REMUNERAÇÃO (TAXA DE JUROS) ATUALIZAÇÃO (ÍNDICE DE PREÇOS) REVERSÃO DE RESULTADOS FINANCEIROS PGBL CV Não há garantia de taxa de juros. A remune- ração é baseada na rentabilidade da carteira do FIE em que estão aplicados os recursos. Não há. Não há, pois a totalidade da rentabilida- de é repassada ao participante. PGBL Programado Não há, mas pode oferecer a possibili- dade de contratação, durante o período de diferimento, de pagamentos finan- ceiros programados. PDR Com garantia mínima de desempenho, segundo critérios definidos no plano, e a reversão, parcial ou total, de resulta- dos financeiros. PRSA Contratada até 6% a.a. É obrigatória, com base em percentual contratado.PRGP CV ou BD Com base em índice de preços contratado. PAGP Não há. Planos Tradicionais Pode ser contratada até 6% a.a. Pode ser prevista. CV – Contribuição Variável BD – Benefício Definido Atenção O PRGP e o PAGP podem ser estruturados na modalidade de contribuição variável ou na modalidade de benefício definido. Em todos os tipos de plano, poderão ser previstos, contratualmente, a reversão de resul- tados financeiros durante o período de pagamento do benefício sob a forma de renda. Atenção Apesar de não serem mais comercializados, você pode encontrar clientes que ainda são participantes de um Plano Tradicional de previdência, fortemente comercializado na década de 90. UNIDADE 4 49PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR — Regras para os Fundos de Investimento Especialmente Constituídos Conforme determinado pela SUSEP, todos os planos aqui apresentados, com exceção do Plano Tradicional, podem ter as carteiras de seus “Fundos de Investimento Especialmente Constituídos” estruturadas sob as seguin- tes modalidades: ■ Unicamente por títulos de emissão do Tesouro Nacional ou do Ban- co Central do Brasil e créditos securitizados do Tesouro Nacional. ■ Por títulos de emissão do Tesouro Nacional ou do Banco Central do Brasil, por créditos securitizados do Tesouro Nacional e por investi- mentos de renda fixa, nas modalidades e dentro dos critérios, diver- sificação e diversidade admitidos pela regulamentação vigente. ■ Nas modalidades, critérios de diversificação, diversidade e demais aspectos admitidos pela regulamentação vigente, sendo que os investimentos de renda variável obedecerão aos limites mínimo e máximo de aplicação sobre o patrimônio líquido do FIE, nos termos estabelecidos em normativo específico da Conselho Monetário Nacional – CMN. Já o Conselho Monetário Nacional – CMN determina os limites das apli- cações de planos abertos de previdência complementar e de seguros de pessoas com cobertura por sobrevivência, cuja remuneração esteja cal- cada na rentabilidade de carteiras de investimentos durante o prazo de diferimento. Os mais importantes para você conhecer são: ■ na modalidade Renda Fixa: até 100% (cem por cento), observados os limites especificados na resolução; ■ na modalidade Renda Variável: até 70% (setenta por cento), obser- vados os limites especificados na resolução. Já as aplicações em Renda Variável dos mesmos planos destinados exclu- sivamente a Investidores Qualificados podem chegar a até 100% (cem por cento) do capital investido. Apesar de existirem outras possibilidades previstas pelo CMN, os fundos que você mais encontrará no mercado são aqueles com 100% do capital investido em Renda Fixa e aqueles com um percentual do capital investido em Renda Fixa e outro em Renda Variável. Vale ainda ressaltar que o seu papel como corretor será identificar os fundos oferecidos pelas empresas com as quais você for trabalhar e apresentar as opções ao seu cliente. A escolha será dele e você deverá se certificar de que ele esteja confortável com isso. O conceito de investidores qualificados é definido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com as normas vigentes (Instrução CVM 554/2019), são considerados investidores qualificados: (I) investidores profissionais; (II) pessoas naturais ou jurídicas que possuam investimentos financeiros em valor superior a R$ 1.000.000,00 e que, adicionalmente, atestem por escrito sua condição de investidor qualificado mediante termo próprio; (III) pessoas naturais que tenham sido aprovadas em exames de qualificação técnica ou possuam certificações aprovadas pela CVM como requisitos para o registro de agentes autônomos de investimento; (IV) clubes de investimento cuja carteira seja gerida por um ou mais cotistas que sejam investidores qualificados. UNIDADE 4 50PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Observação Cada FIE possui uma taxa de administração que incide sobre o patrimônio líquido do fundo e cobre as despesas com a administraçãodos recursos. Essa taxa, apesar de ser visualizada em um percentual anual, é descontada diariamente. Quando você for avaliar a rentabilidade de um determinado plano de previdência, ou seguro por sobrevivência, é importante considerar que ela já é demonstrada líquida da taxa de administração, ou seja, o impacto da taxa já está considerado no resultado. MODALIDADES DE RENDA Finda a fase de acumulação de recursos, o participante pode optar por receber, à vista, o saldo acumulado em sua provisão matemática de bene- fícios a conceder ou transformá-la em um tipo de renda, cujo valor é calcu- lado em função da idade, da modalidade de renda escolhida e dos parâ- metros técnicos do plano contratado (taxa de juros e tábua biométrica). As modalidades de renda são: Renda Mensal Vitalícia Consiste em uma renda mensal a ser paga vitalícia e exclu- sivamente ao participante a partir da data escolhida para con- cessão do benefício. O pagamento da renda cessa com a morte do participante. Renda Mensal Temporária Consiste em uma renda mensal a ser paga temporária e exclu- sivamente ao participante, cessando com o seu falecimento ou com o fim da temporariedade contratada, o que ocorrer primeiro. Renda Mensal Vitalícia com Prazo Mínimo Garantido Consiste em uma renda paga vitaliciamente ao participante a partir da data escolhida para concessão do benefício. No entanto, se durante o período de percepção da renda ocorrer o falecimento do participante, antes de ter completado o prazo mínimo de garantia escolhido, a renda será paga aos beneficiários pelo período res- tante do prazo mínimo de garantia. Renda Mensal Vitalícia Reversível ao Beneficiário Indicado Consiste em uma renda mensal paga vitaliciamente ao participante a partir da data escolhida para concessão do benefício. Ocorrendo o falecimento do participante, durante a percepção dessa renda, um percentual do seu valor estabelecido na proposta será rever- tido vitaliciamente ao beneficiário indicado. Na hipótese de faleci- mento do beneficiário, antes do participante e durante o período UNIDADE 4 51PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR de percepção da renda, a reversibilidade da renda estará extinta, sem direito a compensações ou devoluções dos valores pagos. Renda Mensal Vitalícia Reversível ao Cônjuge com Continuidade aos Menores Consiste em uma renda mensal paga vitaliciamente ao participan- te a partir da data escolhida para concessão do benefício. Ocor- rendo o falecimento do participante durante a percepção dessa renda, um percentual do seu valor estabelecido na proposta será revertido vitaliciamente ao cônjuge e na falta deste, será reversível temporariamente aos menores até que o mais novo complete uma idade para maioridade estabelecida no regulamento do plano. Renda Mensal por Prazo Certo Consiste em uma renda mensal a ser paga por um prazo preestabe- lecido ao participante/assistido. O participante indicará, na proposta de inscrição, o prazo máximo contado a partir da data de conces- são do benefício, em que será efetuado o pagamento da renda. Se durante o período de pagamento do benefício, ocorrer o falecimen- to do participante/assistido antes da conclusão do prazo indicado, o benefício será pago ao beneficiário (ou beneficiários), na proporção de rateio estabelecida, pelo período restante do prazo determinado. O pagamento da renda cessará com o término do prazo estabelecido. FATORES QUE INFLUENCIAM O VALOR DA RENDA A SER RECEBIDA EM FUNÇÃO DA SOBREVIVÊNCIA — Parâmetros Técnicos Estudamos, com o fim da fase de acumulação de recursos, que o partici- pante pode optar por receber, à vista, o saldo acumulado em sua provisão matemática de benefícios a conceder ou transformá-la em um tipo de ren- da, cujo valor é calculado em função da idade, da modalidade de renda escolhida e dos parâmetros técnicos do plano contratado (taxa de juros e tábua de mortalidade). Observação Todos os planos podem oferecer essas modalidades de renda. Atenção A Renda Mensal por Prazo Certo é a única renda não estruturada em um regime atuarial, sendo, portanto, uma renda financeira.. UNIDADE 4 52PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Observação Em 2010, a SUSEP adotou as tábuas BR-EMS como tábuas padrão (standard) para o mercado segurador brasileiro (Circular SUSEP nº 402, de 18/03/2010). A tábua, denominada Experiência do Mercado Segurador Brasileiro, BR-EMS, consiste em quatro variantes abrangendo as cober- turas de sobrevivência e mortalidade, masculina e feminina, sendo atualizada a cada cinco anos. Com relação à taxa de juros, a regulamentação estabelece que no período (ou períodos) em que houver garantia mínima de remuneração, a taxa de juros contratualmente prevista deverá respeitar o limite fixado pela SUSEP, observado o máximo de 6% a.a. ou seu equivalente efetivo mensal. Já para as tábuas de mortalidade, a regulamentação estabelece que a tábua de mortalidade utilizada para cálculo do fator de renda será aquela definida no plano submetido à aprovação da SUSEP, devendo ser observado o limite máximo da taxa de mortalidade constante da tábua AT-2000 Male. Observe que a regulamentação impõe limites, tanto para a taxa de juros quanto para a tábua biométrica, que podem ser utilizados na estrutura- ção de um plano de Previdência Complementar Aberta com cobertura por sobrevivência. Esse cuidado decorre do risco que a EAPC tem no caso de uma melhora na expectativa de vida ou de uma redução dos juros reais. Na apostila “Risco e Precificação de Benefícios” você poderá ver, de forma detalhada, um comparativo entre diferentes tábuas biométricas conside- rando diferentes taxas de juros. — Taxas Cobradas Quanto maiores forem as taxas cobradas (carregamento ou administração), maior será o impacto negativo na acumulação dos recursos. Faz parte, por- tanto, do papel do corretor identificar as melhores opções disponíveis no mercado e oferecer para o seu cliente. — Modalidade de Renda e Idade de Aposentadoria A tábua biométrica e a taxa de juros contribuem de forma significativa no cálculo do valor de renda. Entretanto, se agora fixarmos a tábua biométrica e a taxa de juros, veremos que a modalidade de renda escolhida afetará também o valor a ser recebido. UNIDADE 4 53PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Suponha, por exemplo, uma família constituída da seguinte forma: homem com 60 anos, mulher com 58 anos, com um filho de 10 anos. Suponha que esse homem tenha um plano de Previdência (as bases técnicas do plano são AT-2000 e 3% a.a.), com saldo acumulado de R$ 1.000.000,00, que será transformado em renda. A seguir, apresentaremos os valores de ren- da, calculados com essas informações: ■ renda mensal vitalícia: R$ 5.141,30; ■ renda mensal vitalícia reversível 100% ao cônjuge: R$ 4.255,38; ■ renda mensal vitalícia reversível 100% ao cônjuge com continuida- de de 100% aos menores: R$ 4.240,64; ■ renda mensal vitalícia com prazo mínimo garantido de 15 anos: R$ 4.871,03; ■ renda mensal temporária de 15 anos: R$ 7.439,24. Essas diferenças são explicadas em função das diferenças existentes entre os compromissos assumidos pelas entidades de Previdência. Exemplo: Observe que o valor da renda mensal vitalícia é maior do que o valor da renda mensal vitalícia reversível ao cônjuge. Isso porque enquanto no primeiro caso, a obrigação da EAPC termina com a morte do participante, no segundo caso, essa obrigação pode continuar a existir, bastando para isso, que no momento da morte do participante, o seu cônjuge esteja vivo. Raciocínio análogo pode ser feito para as outras modalidades de renda. Caso as idades no nosso exemplo fossem diferentes (suponha que o homem não tenha 60 anos, mas sim 58 anos), todos os valores seriam alterados. O valor, por exemplo, da renda mensal vitalícia seria menor do que os R$ 5.141,30 calculados anteriormente, pois agora, a EAPC espera ter um compromisso maior (a chance de se pagaremrendas vitalícias para uma pessoa de 58 anos é maior do que para uma pessoa de 60 anos). Novamente, chamamos a atenção dos alunos que os valores anterior- mente apresentados são decorrentes de cálculos atuariais complexos, que fogem ao objetivo do curso. — Montante Acumulado Quanto maior o montante acumulado no momento da aposentadoria, maior será o valor do benefício. Portanto, é fundamental que os participan- tes fiquem atentos aos custos envolvidos na contratação do plano, bem como na rentabilidade auferida pelo plano durante a fase de acumulação dos recursos – período de diferimento. No caso do carregamento, é evidente que quanto menor for esse custo, maior será a parcela da contribuição destinada à formação da provisão matemática de benefícios a conceder (reserva que financiará a renda). UNIDADE 4 54PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Similar ao carregamento, a rentabilidade auferida ao longo dos anos terá forte influência sobre o montante acumulado. Um aporte único de R$ 1.000,00 transforma-se, ao final de 20 anos, em R$ 10.892,55 ou em R$ 13.812,66, dependendo se a rentabilidade do plano será igual a 1% ou a 1,1% ao mês, respectivamente. VALORES GARANTIDOS NO PERÍODO DE DIFERIMENTO Nos Planos de Previdência Complementar Aberta com cobertura por sobrevivência, é obrigatória a previsão de dois valores garantidos: res- gate e portabilidade. — Resgate O participante poderá solicitar, independentemente do número de contri- buições pagas, resgate parcial ou total de recursos do saldo da provisão matemática de benefícios a conceder, após o cumprimento de período de carência, que deverá estar compreendido entre 60 dias e 60 meses, a contar da data de protocolo da proposta de inscrição na EAPC. Uma vez solicitado o primeiro resgate, outro pedido somente pode ser feito após o cumprimento de intervalo estabelecido no plano, que deverá estar compreendido entre 60 dias e 6 meses. Entretanto, devemos ficar atentos ao fato de que os resgates ficarão sus- pensos enquanto não quitadas todas as contraprestações relativas à assis- tência financeira contratada pelo participante, na proporção correspon- dente ao saldo devedor da assistência financeira, acrescidos dos impostos e carregamentos devidos. UNIDADE 4 55PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Atenção Nos planos estruturados na modalidade de benefício definido é vedado o resgate parcial. Nos planos com estrutura puramente financeira, na ocorrência de invalidez ou morte do participante, os saldos da provisão matemática de benefícios a conceder e da provisão técnica de excedentes financeiros, mediante solicitação devidamente instruída e regis- trada na EAPC, serão postos à disposição do participante ou beneficiário (ou beneficiá- rios), sem qualquer prazo de carência, sendo o pagamento efetuado somente após o pleno reconhecimento do evento gerador pela EAPC. A provisão técnica de excedentes financeiros somente existe nos períodos (acumu- lação ou de pagamento do benefício sob a forma de renda) em que seja garantida a reversão de resultados financeiros. O pagamento do resgate será efetivado da seguinte forma: ■ o resgate total será efetivado considerando o valor dos saldos da provisão matemática de benefícios a conceder e da provisão técni- ca de excedentes financeiros, calculados, na forma da regulamenta- ção em vigor, até o 3º (terceiro) dia útil anterior à data de pagamento; ■ o resgate parcial será efetivado considerando o valor ou percen- tual estipulado pelo participante e com base, exclusivamente, no saldo da provisão matemática de benefícios a conceder, calculado, na forma da regulamentação em vigor, até o 3º (terceiro) dia útil anterior à data de pagamento. O pagamento deve ser efetuado em cheque cruzado, intransferível, crédito em conta-corrente, documento de ordem de crédito – DOC – ou transfe- rência eletrônica disponível – TED –, até o quinto dia útil subsequente às respectivas datas determinadas pelo participante. Ressalvado o carregamento postecipado, não será permitida a cobrança de quaisquer despesas por ocasião do resgate. — Portabilidade Independentemente do número de contribuições pagas, o participante poderá solicitar a portabilidade, total ou parcial, para outro plano de Previ- dência Complementar, de recursos do saldo da provisão matemática de benefícios a conceder, após o cumprimento do período de carência a con- tar da data de protocolo da proposta de inscrição na EAPC. Não poderão ser solicitadas portabilidades com intervalo inferior a 60 dias. Quando se tratar de portabilidades entre planos de Previdência com cobertura por sobrevivência da mesma EAPC, poderão ser estabelecidos períodos inferiores aos mencionados anteriormente. Observação Para o PGBL ou PGBL Programado, o período de carência será de 60 dias. Para os planos do tipo PRGP, PAGP, PRSA e PDR, o período de carência de que trata o caput deverá estar compreendido entre 60 dias e 24 meses. UNIDADE 4 56PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Atenção Da mesma forma que no resgate, as portabilidades também ficarão suspensas en- quanto não forem quitadas todas as contraprestações relativas à assistência financeira contratada pelo participante, bem como fica vedada a portabilidade parcial nos planos estruturados na modalidade de benefício definido. Com vistas a limitar o seu risco, é facultado à EAPC estabelecer critérios objetivos no regulamento do plano para aceitação de valores oriundos de portabilidades, sendo ve- dadas cláusulas que prevejam qualquer tipo de discricionariedade e cujos efeitos não sejam claros e transparentes para os participantes. A portabilidade será efetivada da seguinte forma: ■ a portabilidade total será efetivada com base no valor dos saldos da provisão matemática de benefícios a conceder e da provisão técnica de excedentes financeiros, calculados, na forma da regu- lamentação em vigor, até o 3º (terceiro) dia útil anterior à data de transferência dos recursos. ■ a portabilidade parcial será efetivada considerando o valor ou percentual estipulado pelo participante e com base no saldo da provisão matemática de benefícios a conceder, calculado, na for- ma da regulamentação em vigor, até o 3º (terceiro) dia útil anterior à data de transferência dos recursos, devendo ser adicionado o valor da parcela proporcional do saldo da provisão de excedentes financeiros, apurado, também, até o 3º (terceiro) dia útil anterior à data de transferência dos recursos. A portabilidade se dará mediante solicitação do participante, devidamente registrada na EAPC, informando: ■ plano de Previdência Complementar, quando da mesma EAPC; ■ plano de Previdência Complementar e respectiva EAPC, quando para outra entidade; ■ respectivo valor ou percentual do saldo da provisão matemática de benefícios a conceder; ■ respectivas datas. UNIDADE 4 57PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Observação Deverá ser anexado pelo participante, à solicitação de portabilidade, documento expe- dido pela EAPC cessionária, contendo a data em que foi contratado o plano receptor e declaração de que não se opõe à portabilidade, especialmente no que se refere ao valor a ser portado. Nos casos de portabilidade para plano de Previdência no qual o participante não esteja inscrito, deverá ser previamente formalizado o preenchimento de proposta de inscrição e adotadas todas as demais providências necessárias. No caso de portabilidade de recursos para plano de benefício definido, a EAPC re- ceptora deverá providenciar que o participante seja previamente informado do critério técnico de aproveitamento do valor portado. A EAPC cedente dos recursos deverá efetivar a portabilidade até o 10° (décimo) dia útil subsequente ao protocolo da solicitação efetuada pelo participante na EAPC ou a data por ele programada para a efetivação da portabilidade. Os recursos financeiros serão portados diretamente entre as entidades de Previdência, ficando vedado seutrânsito, sob qualquer forma, pelo parti- cipante, e deverão ser recepcionados e contabilizados na provisão mate- mática de benefícios a conceder até o segundo dia útil subsequente à sua efetiva disponibilidade. Importante Caberá ao diretor responsável pelos controles internos, ou a outro diretor designado pela EAPC cedente, a responsabilidade pelo cumprimento do prazo para efetivação da portabilidade, prestando, dentro desse prazo, à EAPC cessionária dos recursos por- tados, no mínimo, as seguintes informações, entre outras consideradas necessárias à plena identificação da operação de portabilidade: 1) valor correspondente ao montante de recursos portados de planos de benefícios de entidades fechadas de Previdência Complementar, discriminando as parcelas constituídas por contribuições do patrocinador e do participante; 2) dados relativos ao participante, número do processo SUSEP do plano receptor e identificação do documento de depósito feito em favor da EAPC cessionária. O participante deverá receber documento fornecido pela EAPC: UNIDADE 4 58PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ■ cedente dos recursos, no prazo máximo de sete dias úteis, a con- tar da data de sua portabilidade, atestando a data da efetivação, o valor e a EAPC cessionária; ■ cessionária dos recursos, no prazo máximo de sete dias úteis, a contar da data de sua recepção, atestando a data de recebimento, o valor e o plano. Atenção É vedada: 1) à EAPC receptora, a cobrança de carregamento sobre o valor dos recursos portados; 2) a portabilidade de recursos entre participantes; 3) à EAPC cedente dos recursos, a cobrança de quaisquer importâncias, exceto as rela- tivas às tarifas bancárias necessárias à portabilidade e ao carregamento postecipado. FIXANDO CONCEITOS 59PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR FIXANDO CONCEITOS 4 Marque a alternativa correta: 1. Sobre o PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre –, pode-se afirmar que: (a) Somente pode ser contratado de forma individual. (b) Durante a fase de acumulação dos recursos, oferece reversão de resultados financeiros. (c) O fundo atrelado ao plano não permite aplicação dos recursos em renda variável. (d) Sua característica fundamental é a ausência de rentabilidade míni- ma durante a fase de acumulação dos recursos. (e) É um plano estruturado na modalidade de benefício definido. 2. Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta: I) O PGBL é um plano estruturado na forma de benefício definido. II) O PGBL não garante índice de preços durante o período de diferi- mento. III) Não existem planos que prevejam reversão de resultados financei- ros durante o período de diferimento. Agora assinale a alternativa correta: (a) Somente I é proposição verdadeira. (b) Somente II é proposição verdadeira. (c) Somente III é proposição verdadeira. (d) Somente I e III são proposições verdadeiras. (e) Somente II e III são proposições verdadeiras. FIXANDO CONCEITOS 60PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 3. Com o auxílio da tabela “planos de previdência complementar aberta durante a fase acumulação”, marque a alternativa correta: (a) O PRGP deve garantir, durante o período de diferimento, remunera- ção somente por meio da contratação de taxa de juros e a reversão de resultados financeiros. (b) O PAGP deve garantir, durante o período de diferimento, atualiza- ção de valores, taxa de juros e a reversão de resultados financeiros. (c) O PAGP e o PRGP podem ser estruturados na modalidade de contri- buição variável ou na modalidade de benefício definido. (d) O PRSA somente pode ser estruturado na modalidade de benefício definido. (e) O PRSA não garante, durante o período de diferimento, a reversão de resultados financeiros. 4. Com o auxílio da tabela “planos de previdência complementar aberta durante a fase acumulação”, pode-se afirmar que os planos que devem ofere- cer reversão de resultados financeiros durante o período de diferimento são: (a) PGBL e PRSA. (b) PRGP, PRSA e PRI. (c) PRGP, PAGP e PRSA. (d) PGBL, PAGP e PRGP. (e) PAGP, PRGP e PRI. 5. Marque a alternativa correta: (a) A rentabilidade divulgada de um FIE é sempre bruta, pois não consi- dera o valor da taxa de administração. (b) A Renda Mensal por Prazo Certo é a única renda não atuarial dispo- nível para os planos de previdência. (c) O PGBL é um plano estruturado na modalidade de benefício definido. (d) O PGBL garante resultados financeiros durante o período de acumu- lação dos recursos. (e) No FIE em que a composição seja exclusiva de títulos de emissão do Tesouro Nacional e/ou do Banco Central do Brasil e créditos securi- tizados do Tesouro Nacional, pode haver investimento em renda variável, desde que o percentual não exceda a 49%. FIXANDO CONCEITOS 61PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 6. Marque a alternativa correta: (a) O PGBL não permite a portabilidade parcial dos recursos acumulados. (b) Na portabilidade parcial, os recursos passam pela conta-corrente do participante. (c) No PGBL, o período de carência para pedido da primeira portabili- dade é igual a 60 dias. (d) A EAPC receptora dos recursos portados pode cobrar carregamen- to sobre os recursos portados. (e) É permitida a portabilidade entre participantes, desde que sejam da mesma família. Marque a alternativa que preencha corretamente a(s) lacuna(s): 7. Com o auxílio da tabela “planos de previdência complementar aberta durante a fase acumulação”, pode-se afirmar que o Plano com Remune- ração Garantida e Performance sem Atualização (PRSA) é um plano estru- turado na modalidade de _____________ e tem como característica _____________ reversão de resultados financeiros durante o período de diferimento. (a) contribuição variável ou benefício definido / garantir. (b) benefício definido / garantir. (c) contribuição variável / garantir. (d) benefício definido / não garantir. (e) contribuição variável / não garantir. 8. No caso de _____________, os recursos financeiros deverão ser movimentados diretamente entre as entidades de Previdência, ficando _____________ que transitem, de qualquer forma, pelo participante. (a) portabilidade / vedado. (b) resgate parcial / vedado. (c) resgate total / vedado. (d) portabilidade / permitido. (e) resgate total / permitido. FIXANDO CONCEITOS 62PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta: 9. Quanto aos planos de sobrevivência, é correto afirmar que: I) Quanto à propaganda e à promoção do plano feitas por parte da averba- dora, da instituidora ou da corretora, é a EAPC que fica responsável pela fidedignidade das informações contidas nas divulgações realizadas. II) Os planos tradicionais com cobertura por sobrevivência garantiam ao participante, durante o período de diferimento, algum tipo de remuneração mínima (normalmente IGP-M + 6% a.a.). III) O PGBL somente pode ser estruturado na modalidade de contribui- ção variável. Agora assinale a alternativa correta: (a) Somente II é proposição verdadeira. (b) Somente III é proposição verdadeira. (c) Somente I e II são proposições verdadeiras. (d) Somente I e III são proposições verdadeiras. (e) I, II, e III são proposições verdadeiras. Analise se as proposições são verdadeiras ou falsas e depois marque a alternativa correta: 10. Quando nos referimos aos fatores que influenciam o valor da renda a ser recebida em função da sobrevivência, é correto afirmar que: ( ) A regulamentação estabelece que, no período em que houver garantia mínima de remuneração, a taxa de juros contratualmente prevista deverá respeitar o limite fixado pela SUSEP, observado o limite máximo de 12% a.a. ou seu equivalente efetivo mensal. ( ) A regulamentação estabelece que a tábua biométrica a ser utiliza- da para cálculo do fator de renda será aquela definida no plano submetido à aprovação da SUSEP, devendo ser observado o limite máximo da taxa de mortalidade da tábua AT-2000 Male. ( ) Quanto menor for o carregamento, maiorserá a parcela da contri- buição destinada à formação da provisão matemática de benefícios a conceder. (a) V, F, F. (b) V, F, V. (c) F, V, F. (d) V, V, V. (e) F, V, V. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 63 UNIDADE 505 PLANOS com ■ Entender as características técnicas e operacionais dos planos com cobertura de risco, permitindo a comercialização de produtos de previdência em conformidade com as condições gerais propostas. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: TÓPICOS DESTA UNIDADE COBERTURA de RISCO ⊲ PLANOS COM COBERTURA DE RISCO – MORTE E INVALIDEZ TOTAL E PERMANENTE ⊲ PLANOS QUE PAGAM BENEFÍCIO POR INVALIDEZ ⊲ PLANOS QUE PAGAM BENEFÍCIO POR MORTE ⊲ FIXANDO CONCEITOS 5 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 64 UNIDADE 5 PLANOS COM COBERTURA DE RISCO – MORTE E INVALIDEZ TOTAL E PERMANENTE Os planos com cobertura de morte têm por objetivo conceder um bene- fício, à vista ou sob a forma de renda, aos beneficiários indicados, em decorrência da morte do participante ocorrida durante o período de cobertura, desde que tenha sido cumprido o período de carência estabe- lecido pelo plano, se houver. Já os planos com cobertura de invalidez total e permanente têm por objetivo conceder um benefício, à vista ou sob a forma de renda, ao pró- prio participante, em decorrência de sua invalidez total e permanente ocorrida durante o período de cobertura, desde que tenha sido cumprido o período de carência estabelecido pelo plano, se houver. A invalidez total e permanente é aquela para a qual não se pode esperar a recuperação ou reabilitação com os recursos terapêuticos disponíveis no momento de sua constatação. É comum, nos planos com cobertura de morte ou de invalidez total e per- manente, o estabelecimento de período de carência, que nada mais é do que o período contado a partir da data de início de vigência, durante o qual, na ocorrência do evento gerador (morte ou invalidez total e permanente), o participante ou os beneficiários não terão direito à percepção dos bene- fícios contratados. UNIDADE 5 65PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR O período de carência, quando existir, será fixado na nota técnica atua- rial e no regulamento, não podendo exceder dois anos. O período de carência pode, contudo, ser substituído por declaração pessoal de saú- de ou exame médico. Quando a morte ou invalidez total e permanente for causada por aci- dente, não será considerado período de carência. O período de cobertura, deduzido o período de carência, seja ele total ou parcial, não poderá ser inferior a cinco anos. A seguir, apresentaremos os principais planos existentes no mercado e suas principais características. PLANOS QUE PAGAM BENEFÍCIO POR INVALIDEZ — Plano de Renda por Invalidez Este plano tem por objetivo a concessão de renda mensal vitalícia ao pró- prio participante, em decorrência de sua invalidez total e permanente ocor- rida durante o período de cobertura e após cumprido o período de carên- cia estabelecido em cada plano. Ocorrendo o falecimento do participante, antes ou após a concessão da renda por invalidez, o benefício ficará automaticamente cancelado, sem que seja devida qualquer devolução ou indenização de qualquer natureza. — Plano de Renda por Invalidez com Prazo Mínimo Garantido Este plano tem por objetivo a concessão de renda mensal vitalícia, com prazo mínimo garantido, ao próprio participante, em decorrência de sua invalidez total e permanente, ocorrida durante o período de cobertura e após cumprido o período de carência estabelecido em cada plano. Ocorrendo falecimento do participante após o início do recebimento do benefício e antes do término do prazo mínimo garantido, a renda será revertida ao(s) beneficiário(s) indicado(s), na proporção estabelecida pelo participante, até que se esgote o referido prazo. UNIDADE 5 66PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Havendo mais de um beneficiário e ocorrendo o falecimento de qualquer um, a renda será rateada proporcionalmente à participação dos remanescentes pelo número de meses faltantes para completar o prazo mínimo garantido. Se não houver beneficiários remanescentes, a renda será paga aos suces- sores legítimos, na forma da lei, até o término do prazo mínimo garantido, podendo a EAPC quitar os benefícios futuros em uma única parcela. Ocorrendo falecimento do participante antes da concessão da renda por invalidez com prazo mínimo garantido ou após o término do prazo míni- mo garantido, o benefício será automaticamente cancelado, sem que seja devida qualquer devolução ou indenização de qualquer natureza. — Plano de Pecúlio por Invalidez O objetivo deste plano é a concessão de um pecúlio ao próprio participante, em decorrência de sua invalidez total e permanente ocorrida durante o período de cobertura e após cumprido o período de carência estabelecido em cada plano. Em todos esses planos, para habilitar-se ao recebimento do benefício, o participante deverá apresentar a seguinte documentação: ■ documento de identidade e CPF; ■ boletim de ocorrência policial e laudo de exame de corpo de deli- to, em caso de acidente; ■ declaração médica comprovando a invalidez. Entretanto, deve ficar claro que o regulamento do plano pode prever situa- ções em que o benefício por invalidez total e permanente não será devido. A seguir, apresentaremos algumas situações comumente estabelecidas nos regulamentos. Não é devido o benefício de invalidez total e permanente quando: ■ a invalidez total e permanente do participante decorrer de doen- ça, lesão ou sequelas preexistentes à contratação do plano, não declaradas na proposta de inscrição e comprovadamente de conhecimento do participante ou decorrente de evento gerador ocorrido durante o período de suspensão da cobertura por inadim- plência, quando for o caso; ■ a invalidez total e permanente do participante for em consequência: » do uso de material nuclear para quaisquer fins, incluindo a explosão nuclear provocada ou não, bem como a contaminação radioativa ou exposição a radiações nucleares ou ionizantes; » de atos ou operações de guerra, declarada ou não, de guer- ra química ou bacteriológica, de guerra civil, de guerrilha, de UNIDADE 5 67PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR revolução, agitação, motim, revolta, sedição, sublevação ou outras perturbações de ordem pública e delas decorrentes; » direta ou indireta de quaisquer alterações mentais consequen- tes do uso do álcool, de drogas, de entorpecentes ou de subs- tâncias tóxicas; » de furacões, ciclones, terremotos, maremotos, erupções vulcâ- nicas e outras convulsões da natureza; » de ato reconhecidamente perigoso, que não seja motivado por necessidade justificada e da prática, por parte do partici- pante, de atos ilícitos ou contrários à lei; » de qualquer tipo de hérnia e suas consequências; » de perturbações e intoxicações alimentares de qualquer espé- cie, bem como de intoxicações decorrentes da ação de produ- tos químicos, drogas ou medicamentos, salvo quando prescri- tos por médico, em decorrência de acidente coberto; » de tentativa de suicídio nos primeiros 24 meses de vigência do contrato; » choque anafilático e suas consequências. Apesar das situações acima serem comuns nos planos de invalidez total e permanente, deve-se observar que não se considera como risco excluído a invalidez do participante proveniente da utilização de meio de transporte mais arriscado, da prestação de serviço militar, da prática de esporte ou de atos de humanidade em auxílio de outrem. PLANOS QUE PAGAM BENEFÍCIO POR MORTE — Plano de Pensão ao Cônjuge ou Companheiro(a) Esse plano tem por objetivo a concessão de uma renda mensal vitalícia ao cônjuge ou companheiro(a), em decorrência da morte do participante, ocorrida durante o período de cobertura e após cumprido o período de carência estabelecido em cada plano. O participante indicará, nominalmente, na proposta de inscrição, somente um beneficiáriopara esse benefício, que deverá ser o cônjuge ou compa- nheiro(a) legalmente reconhecido(a). UNIDADE 5 68PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Caso o beneficiário venha a falecer antes do participante ou perca a condição de cônjuge ou companheiro(a), o benefício será automaticamente cancelado. Caso o beneficiário venha a falecer após o início da percepção do benefí- cio, este será extinto. O participante poderá alterar, por escrito, o beneficiário anteriormente indi- cado, mediante recálculo, se for o caso, das respectivas contribuições. No caso de o participante indicar outra pessoa que não seja o cônjuge ou companheiro(a), não reconhecida legalmente, tal pessoa não terá direito ao benefício contratado. — Plano de Pensão aos Menores O objetivo desse plano é a concessão de uma renda mensal temporária aos beneficiários indicados, menores de 21 anos, na condição de filhos ou dependentes econômicos, em decorrência de morte do participante ocorrida durante o período de cobertura e após cumprido o período de carência estabelecido em cada plano. O participante indicará, nominalmente, na proposta de inscrição, um ou mais menores de 21 anos, na condição de filho ou dependente econômico para fins de imposto de renda. O participante poderá alterar, por escrito, os beneficiários anteriormente indicados, mediante recálculo, se for o caso, das respectivas contribuições. Caso todos os beneficiários venham a falecer antes do participante ou tenham atingido a idade de 21 anos antes da ocorrência do evento gera- dor, o benefício estará automaticamente cancelado sem que seja devida qualquer devolução ou indenização de qualquer natureza. Caso o participante, no momento da contratação do benefício ou da pro- posta de inscrição, venha a indicar como beneficiário outra pessoa menor de 21 anos, que não seja filho ou dependente econômico para fins de imposto de renda, tal pessoa não terá direito ao benefício contratado. — Plano de Pensão por Prazo Certo O objetivo desse plano é a concessão de uma renda mensal por prazo certo ao(s) beneficiário(s) indicado(s), em decorrência da morte do partici- pante ocorrida durante o período de cobertura e após cumprido o período de carência estabelecido em cada plano. Estando os beneficiários em fase de recebimento do benefício, quando um deles falecer, será realizado um novo rateio de benefício, proporcional- mente à participação dos beneficiários remanescentes. UNIDADE 5 69PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Não havendo beneficiários remanescentes, a renda será paga aos suces- sores legítimos na forma da lei. Com o término do prazo certo, extingue-se o benefício, desobrigando-se a EAPC do pagamento de quaisquer valores. — Plano de Pecúlio por Morte O objetivo desse plano é a concessão de um pecúlio ao(s) beneficiário(s) indicado(s), em decorrência da morte do participante ocorrida durante o período de cobertura, após cumprido o período de carência estabelecido em cada plano. Em todos esses planos, para se habilitar ao recebimento do benefício, o beneficiário deverá apresentar a seguinte documentação: ■ documento de identidade do participante; ■ certidão de óbito do participante; ■ documento de identidade, certidão de casamento ou certidão de nascimento, CPF dos beneficiários e dos representantes legais, se for o caso, e respectiva comprovação de união; ■ boletim de ocorrência policial e laudo de necropsia do Instituto Médico-Legal, se for o caso; e ■ laudo do médico assistente do participante. FIXANDO CONCEITOS 70PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR FIXANDO CONCEITOS 5 Correlacione as colunas abaixo e depois marque a alternativa correta 1. Relacione o nome à descrição de alguns planos com cobertura de risco – invalidez e morte – comercializados no mercado: 1) Plano de Pecúlio por Morte. 2) Plano de Renda por Invalidez. 3) Plano de Renda por Invalidez com Prazo Mínimo Garantido. 4) Plano de Pecúlio por Invalidez. ( ) O objetivo deste plano é a concessão de um pecúlio ao(s) beneficiá- rio(s) indicado(s), em decorrência da morte do participante. ( ) O objetivo deste plano é a concessão de um pecúlio ao próprio participante, em decorrência de sua invalidez total e permanente. ( ) Este plano tem por objetivo a concessão de renda mensal vitalí- cia ao próprio participante, em decorrência de sua invalidez total e permanente. ( ) Este plano tem por objetivo a concessão de renda mensal vitalícia, com prazo mínimo garantido, ao próprio participante, em decorrên- cia de sua invalidez total e permanente. Agora assinale a alternativa correta: (a) 1, 2, 3, 4. (c) 1, 4, 2, 3. (e) 1, 4, 3, 2. (b) 1, 2, 4, 3. (d) 2, 1, 3, 4. Marque a alternativa correta 2. Ainda em relação aos planos de risco – invalidez e morte –, quando a morte ou invalidez for causada por acidente, é correto afirmar que: (a) Haverá carência gradual. (b) Não haverá período de carência. (c) Não haverá carência para invalidez. (d) Não haverá carência para morte natural. (e) Haverá carência para morte e para invalidez. FIXANDO CONCEITOS 71PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 3. A principal característica de um produto de Previdência Complementar elaborado na modalidade de benefício definido é: (a) Ser exclusivo a pessoas jurídicas. (b) O valor do benefício não ser previamente definido. (c) O prazo ser somente conhecido previamente. (d) O valor ser somente conhecido previamente. (e) Serem estabelecidos previamente na proposta de inscrição: o valor do benefício e o valor da contribuição. 4. Analise se as proposições são verdadeiras ou falsas e depois marque a alternativa correta Trata-se de planos que apresentam coberturas de risco: ( ) Plano de Renda por Invalidez. ( ) Plano de Renda por Invalidez com Prazo Mínimo Garantido. ( ) Plano de Pensão ao Cônjuge ou Companheiro(a). ( ) Plano de Pensão aos Menores. ( ) Plano de Pecúlio por Morte. (a) V, V, F, V, F. (b) V, V, F, V, V. (c) V, V ,V, V, F. (d) F, F, F, V, V. (e) V, V, V, V, V. 5. Marque a alternativa que preencha corretamente a(s) lacuna(s): Quando a morte ou a invalidez total e permanente for causada por ______________, ______________ para a liquidação do benefício. (a) acidente / não será considerado período de carência. (b) doença / será considerado período de carência de cinco anos. (c) acidente / será considerado período de carência de até dois anos. (d) doença / será considerado período de carência de até cinco anos. (e) acidente / será considerado período de carência de dois anos. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 72 UNIDADE 606 INFORMAÇÕES Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: TÓPICOS DESTA UNIDADE COMPLEMENTARES ■ Compreender a comercialização de produtos de previdência complementar em conformidade com as condições gerais de cada plano oferecido no mercado, reconhecendo as características técnicas, operacionais, os aspectos tributários e o perfil de assistência financeira e de atualização de valores dos planos de previdência complementar. ⊲ ASPECTOS TRIBUTÁRIOS ⊲ ASSISTÊNCIA FINANCEIRA ⊲ ATUALIZAÇÃO DE VALORES ⊲ FIXANDO CONCEITOS 6 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 73 UNIDADE 6 Há mais de 100 anos, surgiram as primeiras sugestões para a implantação do imposto sobre a renda no Brasil. Já em meados do século XIX, quando nossa economia era quase inteiramente agrária, alguns homens públicos do Brasil já pensavam em adotar o Imposto de Renda aos moldes do que já acontecia na Inglaterra. Em 1891, Rui Barbosa elaborou um relatório com dezenas de páginas analisando e fornecendo um parecer favorável ao assunto. Nos primeiros anos do regime republicano, começaram as tentativas da implantação do Imposto sobre a Renda no Brasil, começando sua arreca- dação “timidamente” a partir de 31 de dezembro de 1922. Os rendimentos foram classificados em categorias e tributados proporcionalmente, onde a sua soma constituía a renda bruta, que, depois de algumas deduções, sofria o imposto progressivo. Logo depois,o imposto sofreu sua primeira evolução separando as pes- soas jurídicas e as físicas e, em 1955, iniciou-se o desconto na fonte para os rendimentos fixos, aumentando, dessa forma, sua arrecadação. O objetivo do Imposto de Renda é aumentar a receita do Estado, possibi- litando assim a manutenção do seu caixa para o custeio de suas obriga- ções gerais. ASPECTOS TRIBUTÁRIOS A política tributária é um elemento chave para o estabelecimento de um sistema de Previdência Privada. A dedutibilidade na base de cálculo do imposto de renda devido, na formação do fundo previdenciário, é justifi- cável economicamente em função dos efeitos positivos na alocação da poupança financeira. UNIDADE 6 74PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Uma equação básica de economia nos diz que quanto maior a poupança interna de um país, maior é a sua capacidade de investimento. Quanto maior for sua capacidade de investimento maior será sua capacidade de gerar empregos e tudo mais que possa promover o bem-estar necessário à popu- lação. Tudo isso gera uma maior riqueza da nação, constituindo uma econo- mia sólida e saudável que possibilita um crescimento sustentável do Estado. Além disso, vale ressaltar o aumento de nossa atratividade econômica no cenário internacional, gerado pelo crescimento da poupança interna brasilei- ra, ou seja, mais empresas se interessam em investir por aqui. Os planos de previdência complementar são uma das melhores formas para constituir essa poupança interna e, por isso, é notório o seu incentivo por parte do governo. Mencionamos no capítulo 4 que a diferença entre os produtos de previ- dência com cobertura por sobrevivência dos seus “irmãos gêmeos” no segmento de seguros de pessoas é o tratamento tributário dado aos valo- res pagos e recebidos pelo cliente. Assim, como veremos a seguir, as contribuições pagas para os planos de previdência (por exemplo, PGBL) podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda, e, no ato do regate ou recebimento do benefício, o respectivo valor será tributado integralmente de acordo com a tabela escolhida pelo cliente. Já os valores pagos para os planos de seguros de pessoas (por exemplo, VGBL) não são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda e, no ato do resgate ou recebimento do benefício, a tributação, de acordo com a tabela escolhida pelo cliente, ocorrerá apenas sobre o ganho de capital. — PGBL x VGBL Como dito anteriormente, esses dois produtos, apesar de serem de seg- mentos distintos (previdência e pessoas), possuem a mesma estrutura técnica/financeira e o mesmo objetivo: a acumulação de valores para o recebimento de um benefício futuro, estando a única diferença por conta do aspecto tributário. Vamos ver cada um deles: PGBL Foi lançado em 1998 com o objetivo de oferecer maior flexibilidade e transparência para os clientes de planos de Previdência Comple- mentar e substituiu rapidamente os Planos Tradicionais até então comercializados. Por ser um plano de previdência, o PGBL permite o abatimento das contribuições feitas por pessoas físicas e jurídicas da base de cálculo do Imposto de Renda. Contudo, no ato do regate ou do recebimento da renda, o valor retirado deve ser tributado de acordo com as regras da tabela escolhida pelo cliente, a progressiva ou a regressiva. UNIDADE 6 75PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR A vantagem para o cliente é que, enquanto a sua reserva não for retirada, esse valor ficará totalmente isento de cobrança de impos- tos sendo, portanto, integralmente investido ao longo do tempo, o que representa um verdadeiro benefício fiscal. A principal questão é que, para usufruir do benefício da dedutibi- lidade, o cliente deve, além de estar contribuindo para o RGPS ou para um RPPS, utilizar a declaração completa para o ajuste anual do imposto de renda, uma vez que, na declaração sim- plificada, os valores a serem deduzidos já são previamente defi- nidos pela Receita Federal. Sendo assim, caso o cliente utilize a declaração simplificada e contrate um PGBL, não terá como utilizar o benefício do abatimento dos valores contribuídos e, no ato do resgate ou recebimento da renda, ainda será tributado. Dessa forma, para atender aqueles que não utilizam a declaração completa do imposto de renda, surgiu, em 2002, o VGBL. VGBL O Vida Gerador de Benefício Livre surgiu em 2002, basicamente, para atender a quem não utiliza a declaração completa de ajuste anual do imposto de renda. Para que pudesse ter um tratamento tributário diferenciado do PGBL, o VGBL foi classificado como um seguro de pessoas por sobrevivência, ainda que seja tecnicamen- te igual ao plano de previdência. As contribuições feitas para o VGBL não podem ser abatidas pelo contribuinte, porém, no ato do resgate ou do recebimento do benefício, apenas o ganho de capital será tributado de acordo com a tabela escolhida pelo cliente, a progressiva ou a regressiva. A grande vantagem desse produto quando comparado a outros investimentos financeiros está no fato de que, assim como no PGBL, a tributação ocorre apenas quando da retirada do valor investido, seja na forma de resgate ou na forma de renda. UNIDADE 6 76PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR — Importante Em resumo, o que irá definir o melhor produto para o cliente, PGBL ou VGBL, é o tipo de declaração de imposto de renda feita por ele. O PGBL é indicado, única e exclusivamente, para o contribuinte que utilize a declaração completa e que contribua para o RGPS ou para um RPPS. Todas as demais pessoas que não se enquadrem nessas características devem optar pelo VGBL. Vale ressaltar ainda que, como o limite de dedução para pessoas físicas é de 12% da sua renda bruta anual, caso o cliente utilize a declaração completa e faça contribuições acima desse limite, o ideal é que contrate um PGBL e um VGBL. No PGBL, ele deverá colocar o valor equivalente aos 12% da sua renda bruta anual e, assim, usufruir do benefício fiscal na sua totalidade. O valor residual ele deverá aplicar no VGBL, uma vez que já atingiu o limite de dedução no seu plano de previdência. No ato do recebimento do benefício, o cliente, de acordo com a sua vontade, poderá receber duas rendas complementares e com tratamentos tributários distintos, uma proveniente do PGBL e outra do VGBL. Vejamos um exemplo com uma simulação de um cliente com 40 anos que deseja se aposentar aos 65, considerando uma rentabilidade anual estimada de 4%: ■ Renda bruta anual do cliente: R$100.000,00. ■ Limite anual de dedução da previdência complementar: R$12.000,00. ■ Valor anual que deseja contribuir para sua aposentadoria: R$18.000,00. ■ Valor de contribuição anual que deverá fazer ao PGBL: R$12.000,00. ■ Valor de contribuição anual que deverá fazer ao VGBL: R$6.000,00. ■ Renda vitalícia bruta estimada no PGBL: R$3.124,00. ■ Renda vitalícia a bruta estimada no VGBL: R$1.562,00. No momento do recebimento da renda, cada plano receberá o seu tratamento tributário específico, ou seja, a renda proveniente do PGBL será tributada integralmente e a renda proveniente do VGBL terá tributada apenas a parte da renda relacionada ao ganho de capital, ambos de acordo com a tabela escolhida pelo cliente, progressiva ou regressiva. Legislação Em 1995, através da edição das Leis 9.249 e 9.250, o Governo Federal deu os primeiros passos no sentido de incentivar a Previdência Complementar, com vistas a estimular a formação de poupança de longo prazo, porém nessas leis, não foi estipulado qualquer limite para a dedução, ocasionan- do uma grande perda de arrecadação. Essas leis previam apenas que as contribuições para as entidades de Previdência Privada domiciliadas no país, cujo ônus fosse do contribuinte – pessoa jurídica (9.249) e pessoa físi- ca (9.250) –, destinadas a custear benefícios complementares assemelha- dos aos da Previdência Social, poderiam ser deduzidas na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda.UNIDADE 6 77PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Dois anos depois, o Governo Federal corrigiu a questão da falta dos limites de dedução por meio da promulgação da Lei 9.532, em 10 de dezembro de 1997. Vejamos: ■ foi estabelecido que as contribuições de planos de Previdência Privada poderiam ser deduzidas, para a apuração da base de cál- culo do imposto devido no ano-calendário, até o limite de 12% do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos; ■ o valor das despesas com contribuições para a Previdência Priva- da, cujo ônus fosse da pessoa jurídica, poderia ser deduzido no momento da determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, não podendo exceder, em cada período de apuração, 20% do total dos salários dos emprega- dos e da remuneração dos dirigentes da empresa vinculados ao plano de Previdência. Apenas em 2004, por meio da Lei 10.887 de 18 de junho, a dedução das contribuições feitas para a Previdência Privada ficou condicionada ao reco- lhimento de contribuições, por parte do participante, para o RGPS ou para um RPPS. “Art. 11. As deduções relativas às contribuições para entidades de previ- dência privada, a que se refere a alínea e do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual – Fapi, a que se refere a Lei nº 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos com- putados na determinação da base de cálculo do imposto devido na decla- ração de rendimentos.” — Dedução De forma simplificada, podemos afirmar que o benefício da dedução nada mais é do que o direito que o cliente possui de não sofrer tributação ime- diata sobre a parte de sua renda que será destinada para o plano de previ- dência. Esse valor, que no caso da não contratação deveria já ser pago em forma de imposto de renda, será aplicado no FIE escolhido por ele e ren- derá, a juros compostos, ao longo dos anos. A tributação ocorrerá apenas quando o resgate for efetuado ou o cliente entrar em gozo de benefício. Por meio da tabela abaixo, analisaremos o efeito da dedução no cálculo do imposto a ser pago pelo participante: Saiba mais FAPI O FAPI é um fundo de investimento constituído sob a forma de condomínio aberto criado em 1997 por meio da Lei 9.477, de 24 de julho, que tem por objetivo apenas a acumulação de recursos para a aposentadoria e que perdeu espaço no mercado com a chegada do PGBL e, posteriormente, do VGBL. UNIDADE 6 78PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR IMPOSTO DE RENDA COM PREVIDÊNCIA PRIVADA IMPOSTO DE RENDA SEM PREVIDÊNCIA PRIVADA Rendimento Bruto Anual: R$ 100.000,00 Rendimento Bruto Anual: R$ 100.000,00 Depósito em Previdência: R$ 12.000,00 Depósito em Previdência: R$ 0,00 Base de Cálculo: R$ 88.000,00 Base de Cálculo: R$ 100.000,00 Alíquota do Imposto de Renda: 27,5% Alíquota do Imposto de Renda: 27,5% Imposto de Renda: R$ 24.200,00 Imposto de Renda: R$ 27.500,00 ECONOMIA DE IMPOSTO: R$ 3.300,00 Obs.: Para efeito de exemplificação, consideramos apenas a dedução da previdência complementar, excluindo outras deduções possíveis e também a utilização da parcela a deduzir, prevista na tabela progressiva do imposto de renda. Na tabela, podemos verificar o efeito positivo da contribuição para um pla- no de previdência complementar. Como as contribuições são dedutíveis da base de cálculo, a base de incidência da alíquota será menor, o que, consequentemente, representará um valor de imposto de renda a ser pago também menor – R$24.200,00 x R$27.500,00. Nesse exemplo, portanto, a economia anual no imposto de renda foi de R$ 3.300,00, um valor que deveria ser pago pelo cliente para a Receita Fede- ral, mas que, por conta da previdência contratada, será devido apenas no futuro. O ideal é que o cliente utilize esse valor economizado a seu favor, reinvestindo-o em seu planejamento de aposentadoria. Nesse caso, como ele já usufruiu do benefício fiscal total da previdência, o indicado é que coloque a economia em um seguro de vida por sobrevivência, como um VGBL, por exemplo. Entretanto, nunca é demais lembrar que essa dedução somente será possível se o cliente que contribuiu para o plano de previdência utilizar o modelo completo de declaração anual de ajuste do imposto de renda e for contribuinte do RGPS ou de um RPPS. Importante registrar novamente a dedução limitada a 12% da renda bruta anual do contribuinte. Assim, se na tabela anterior o participante contribuís- se com R$ 20.000,00 para o seu plano de previdência, a base de cálculo continuaria a ser R$ 88.000,00, pois o máximo que pode ser deduzido é 12% de R$ 100.000,00, ou seja, R$ 12.000,00. — Tributação Agora que você já entendeu melhor como funciona o incentivo fiscal, che- gou a hora de falarmos da tributação de acordo com cada tipo de tabela UNIDADE 6 79PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR existente. Nessa etapa vamos conhecer as tabelas e depois vamos ver como são aplicadas em cada caso. Tabela progressiva Até 2004 o participante de planos de previdência não possuía direito de escolha, uma vez que a única tabela existente era a tabela progressiva. Nessa tabela o valor de imposto de renda a ser cobrado é maior de acordo com o montante a ser tributado. Esta é a tabela progressiva para cálculo anual que está em vigor: BASE DE CÁLCULO (R$) ALÍQUOTA (%) PARCELA A DEDUZIR DO IRPF (R$) Até R$ 22.847,76 De R$ 22.847,77 até R$ 33.919,80 7,5 R$ 1.713,58 De R$ 33.919,81 até R$ 45.012,60 15 R$ 4.257,57 De R$ 45.012,61 até R$55.976,16 22,5 R$ 7.633,51 Acima de R$ 55.976,16 27,5 R$ 10.432,32 https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/ orientacao-tributaria/tributos/irpf-imposto-de-ren- da-pessoa-fisica#c-lculo-anual-do-irpf Tabela regressiva Em 2004, a Lei 11.053, que teve por objetivo disciplinar a tributa- ção do imposto de renda em aplicações financeiras e Previdên- cia Complementar, definiu um novo critério de tributação para os planos previdenciários e para Seguros de Vida com cobertura por sobrevivência, estruturados na modalidade de contribuição variá- vel, contratados a partir de 1º de janeiro de 2005. Esse novo cri- tério foi denominado Regime de Tributação por Alíquotas Decres- centes ou simplesmente tabela regressiva. Esse novo critério tributário prevê que o resgate de recursos ou o recebi- mento do benefício estarão sujeitos à incidência, na fonte, e de forma definitiva1, de imposto de renda calculado com base em alíquotas decres- centes, de acordo com o prazo de acumulação do respectivo valor, confor- me tabela a seguir. ALÍQUOTAS DECRESCENTES PREVISTAS NA LEI 11.053/2004 PRAZO DE ACUMULAÇÃO DOS RECURSOS* ATÉ 2 ANOS DE 2 A 4 ANOS DE 4 A 6 ANOS DE 6 A 8 ANOS DE 8 A 10 ANOS ACIMA DE 10 ANOS Alíquota do imposto de renda na fonte 35% 30% 25% 20% 15% 10% 1. A tributação definitiva implica que o valor pago a título de imposto de renda na fonte não poderá ser compensado ou ajustado na declaração de ajuste anual de imposto de renda. https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao-tributaria/tributos/irpf-imposto-de-renda-pessoa-fisica#c-lculo-anual-do-irpf UNIDADE 6 80PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR * O intervalo da faixa é sempre fechado à direita. Por exemplo: a alíquota para 4 anos é de 30%. Em março de 2005, a Instrução Normativa Conjunta 524/05 foi elabora- da pelas Secretarias da Receita Federal, de Previdência Complementar e pela Superintendência de Seguros Privados – SUSEP.Essa norma regulamentou a contagem do prazo de acumulação utilizado no novo regime tributário. — Formas de Pagamento do Imposto Agora vamos entender como o imposto de renda será cobrado de acordo com a tabela escolhida pelo participante e de acordo com o fato gerador, o recebimento de resgate ou o recebimento de benefício. Nesta parte, vamos considerar um plano de caráter previdenciário, lembrando que para o VGBL a tributação irá ocorrer apenas sobre o ganho de capital. Tabela Progressiva Para Recebimento de Resgate Até 2004, os resgates eram tributados na fonte de acordo com a tabela e, posteriormente, o cliente deveria incluir os valores na sua declaração de ajuste anual do imposto de renda para que fosse calculado se ele teria direito a alguma restituição ou obrigação de pagar um complemento do imposto. A Lei 11.053/2004 alterou a forma de tributação dos saques ante- cipados dos planos enquadrados no regime de tributação antigo, sujeitos à tabela progressiva do IR. Nesse regime, ao sacar os recur- sos do plano, independentemente do valor, a pessoa física passou a ter uma tributação, na fonte, de imposto de renda calculado na base de 15%, como antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, sendo que a diferença, a maior ou a menor, será acertada na referida declaração, com base na tabela progressiva. O cálculo por meio da declaração faz-se necessário, pois, todo e qualquer valor recebido de um plano de previdência complemen- tar deve ser somado às demais rendas do cliente para determina- ção da alíquota correta e realização do cálculo final do imposto devido. O valor resgatado, portanto, faz parte da renda bruta do participante, impactando na base de cálculo do imposto. Importante A opção pelo regime tributário deverá ser exercida até o último dia útil do mês subsequente ao do ingresso nos planos e serão irretratáveis, mesmo nas hipóteses de portabilidade de recursos e de transferência de participantes e respectivas reservas. UNIDADE 6 81PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Para Recebimento de Benefício Ao iniciar o recebimento da sua renda de aposentadoria o valor do benefício será tributado de acordo com a tabela progressiva men- sal vigente. Nesta etapa o contribuinte também deverá incluir os valores recebidos na sua declaração anual para efeito de ajuste. https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/ orientacao-tributaria/tributos/irpf-imposto-de-ren- da-pessoa-fisica#tabelas-de-incid-ncia-mensal Tabela Regressiva Para Recebimento de Resgate Foi estabelecido o sistema PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai) para os resgates ocorridos antes da concessão do benefício, significando que os valores serão resgatados a partir das contri- buições mais antigas, sempre levando em consideração os rendi- mentos. Dessa forma, o prazo de acumulação será contado a partir da data do aporte de cada contribuição e, por esse motivo, o plano do cliente poderá ter alíquotas diferentes de acordo com a data de efetivação de cada pagamento. Para Recebimento de Benefício Estabeleceram-se critérios distintos para benefícios estruturados ou não em regime atuarial. Entende-se por regime atuarial aquele cuja manutenção dos benefícios concedidos tenha por premissa o mutualismo dos respectivos recursos garantidores. Para o pagamento de benefício que não esteja estruturado em regime atuarial estabeleceu-se critério idêntico ao utilizado para os resgates, ou seja, o sistema PEPS, enquanto que para o paga- mento de benefício estruturado em regime atuarial estabele- ceu-se como referência inicial de prazo de acumulação um Pra- zo Médio Ponderado (PMP), relativo aos recursos e ao tempo de investimento de cada participante. Assim, no caso de pagamento de benefício estruturado em regi- me atuarial teremos as seguintes características: BASE DE CÁLCULO (R$) ALÍQUOTA (%) PARCELA A DEDUZIR DO IRPF (R$) Até R$ 1.903,98 De R$ 1.903,99 até R$ 2.826,65 7,5 R$ 142,80 De R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05 15 R$ 354,80 De R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68 22,5 R$ 636,13 Acima de R$ 4.664,68 27,5 R$ 869,36 https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao-tributaria/tributos/irpf-imposto-de-renda-pessoa-fisica#tabelas-de-incid-ncia-mensal https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao-tributaria/tributos/irpf-imposto-de-renda-pessoa-fisica#tabelas-de-incid-ncia-mensal https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao-tributaria/tributos/irpf-imposto-de-renda-pessoa-fisica#tabelas-de-incid-ncia-mensal UNIDADE 6 82PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ■ será calculado com base no Prazo Médio Ponderado (PMP); ■ o PMP será a referência para aplicação das alíquotas de IR e, após o pagamento da primeira prestação do benefício, o prazo de acumulação continuará sendo contado; ■ em relação aos benefícios não programados decorrentes da reversão em pecúlio ou pensão por morte do participante, a tributação será determinada considerando o prazo de acu- mulação apurado para o benefício que vinha sendo pago ao participante falecido, com a redução progressiva da alíquota, em razão do decurso do prazo de pagamento do benefício; ■ e calculado com base na média dos prazos de permanência dos recursos, ponderada pelo valor aportado em cada data; ■ o cálculo abrange o período compreendido desde o dia 1º até a data de entrada em gozo de benefício, estando previs- to que os valores estejam expressos ou sejam convertidos em cotas ou frações ideais atribuíveis ao participante; ■ o prazo de acumulação é expresso em fração de ano. O prazo médio ponderado é obtido por meio da soma das Contribui- ções Atualizadas (CA) remanescentes (não resgatadas) multiplicadas pelo respectivo Prazo Decorrido (PD) da data do aporte até a data de conversão em benefício, dividido pelo total do saldo atualizado. PMP = (CA1 × PD1) + (CA 2 × PD2) + (CA3 × PD3) + ..... + (Cau × Pdu) Saldo Atualizado EXEMPLO DE RESGATE (MÉTODO PEPS) CONTRIBUIÇÃO DATA QUANTIDADE DE COTAS 01 30/12/2005 100 02 30/12/2006 200 03 30/12/2007 200 04 30/12/2008 100 05 30/12/2009 200 06 30/12/2010 300 07 30/12/2011 300 08 30/12/2012 350 09 30/12/2013 400 10 30/12/2014 400 UNIDADE 6 83PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 11 30/12/2015 400 RESGATE 30/06/2016 700 TABELA REGRESSIVA PRAZO DE ACUMULAÇÃO ALÍQUOTA NA FONTE até 2 anos 35% acima de 2 anos até 4 anos 30% acima de 4 anos até 6 anos 25% acima de 6 anos até 8 anos 20% acima de 8 anos até 10 anos 15% acima de 10 anos 10% CÁLCULO DE RESGATE DATA DO APORTE RESGATE (COTAS) PRAZO ATÉ 30/06/2016 ALÍQUOTA IRF (COTAS) RESGATE LÍQUIDO (COTAS) 30/12/05 100 10,5 anos 10% 10 90 30/12/06 200 9,5 anos 15% 30 170 30/12/07 200 8,5 anos 15% 30 170 30/12/08 100 7,5 anos 20% 20 80 30/12/09 100 6,5 anos 20% 20 80 TOTAL 700 15,7% 110 590 EXEMPLO DE CÁLCULO DO PMP DATA DAS CONTRIBUIÇÕES CA (COTAS) PD ATÉ 30/12/2015 01 30/12/05 200 10 anos 02 30/12/07 200 8 anos 03 30/12/09 350 6 anos 04 30/12/11 150 4 anos 05 30/12/13 100 2 anos TOTAL 1.000 UNIDADE 6 84PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PMP = (200 × 10) + (200 × 8) + (350 × 6) + (150 × 4) + (100 × 2) 1.000 PMP = 6.500 1.000 PMP = 6,5 anos CÁLCULO SIMPLIFICADO DO PMP DATA DAS CONTRIBUIÇÕES VALOR DO APORTE CA – COTAS PRAZO DECORRIDO (PD) ATÉ 30/12/2015 CA × PD 01 30/12/05 200 × 10 anos 2.000 02 30/12/07 200 x 8 anos 1.600 03 30/12/09 350 x 6 anos 2.100 04 30/12/11 150 x 4 anos 600 05 30/12/13 100 x 2 anos 200 TOTAL 1.000 6.500 PMP = 6.500 1.000 PMP = 6,5 anos PMP em 31/12/2015 = 6,5 anos – Alíquota de IR = 20% PD (ANOS) ALÍQUOTA IR DEFINITIVO PERÍODO 6,5 a 8 20% 31/12/15 a 30/06/17 8 a 10 15% 01/07/17 a 30/06/19 Mais de 10 10% 01/07/19 em diante ASSISTÊNCIA FINANCEIRA A assistência financeira é o empréstimo concedido com recursos próprios da EAPC ou da sociedade seguradora a titular ou assistido de plano de previdência complementar aberta, estruturadoem qualquer regime finan- ceiro, ou a titular de plano de seguro de pessoas, estruturado no regime financeiro de capitalização. UNIDADE 6 85PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR A assistência financeira será concedida mediante contrato formalizado com o titular e somente poderá ser concedida durante o período anterior à concessão do benefício. A regulamentação em vigor estabelece algumas vedações, à EAPC entre as quais se destacam: ■ conceder assistência financeira com recursos de provisões, reser- vas técnicas e fundos; ■ manter com o mesmo titular, simultaneamente, mais de um contra- to de assistência financeira, exceto nos casos de contratos vincula- dos a planos estruturados no regime financeiro de capitalização ou quando as contraprestações periódicas da assistência financeira forem pagas por meio de consignação em folha de pagamento; ■ cobrar quaisquer despesas, a qualquer título, exceto aquelas referen- tes aos encargos de juros, multa e atualização monetária ou even- tuais tributos relacionados à operação da assistência financeira. Observação O plano de previdência complementar ou de seguro de pessoas não poderá ser can- celado enquanto não forem pagas todas as contraprestações relativas às assistências financeiras a ele vinculadas. Importante A SUSEP, por meio da regulamentação específica para Assistência Financeira, considera como ato nocivo condicionar a concessão de assistência financeira à contratação de outros produtos ou serviços. Esteja atento a isso! Atenção Em planos de previdência complementar aberta com cobertura por sobrevivência, durante o período de diferimento, o saldo devedor da assistência financeira não poderá ser superior a 70% do saldo da provisão matemática de benefícios a conceder relativa à cobertura por sobrevivência. Para planos previdência complementar aberta com cobertura de risco, estruturados no regi- me financeiro de capitalização, esse percentual passa a ser de 80% da provisão matemática de benefícios a conceder relativa às coberturas de risco. ATUALIZAÇÃO DE VALORES Os planos de Previdência Complementar Aberta, com coberturas estru- turadas na modalidade de benefício definido, deverão conter cláusula de atualização anual de valores com base em índice pactuado. UNIDADE 6 86PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Dessa forma, os benefícios e as contribuições serão atualizados na data de aniversário da contratação, com base no índice pactuado, ficando facul- tado o estabelecimento de outra data-base, desde que os valores contra- tualmente previstos sejam atualizados até essa outra data-base e a partir de então, seja respeitada a periodicidade anual. Entretanto, quando as coberturas de risco forem custeadas mediante o paga- mento de contribuição única, os valores dos benefícios deverão ser atualiza- dos pelo índice pactuado até a data de ocorrência do evento gerador. Alternativamente à atualização de valores, existe a possibilidade de adoção de cláusula de recálculo do valor do benefício durante o período que ante- cede a ocorrência do evento gerador, segundo fatores objetivos (variação salarial, mensalidade escolar) expressos no regulamento, no certificado, na proposta e no contrato, devendo ser observado que essa possibilidade está restrita às coberturas estruturadas no regime financeiro de repartição e que tenham sido contratadas sob a forma coletiva. Já os planos de Previdência Complementar Aberta com cobertura estru- turada na modalidade de contribuição variável poderão conter cláusu- la de atualização anual dos prêmios com base em índice pactuado. Em resumo: PLANOS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA Com coberturas estruturadas na modalidade de benefício definido. DEVERÃO conter cláusula de atualização anual de valores com base em índice pactuado. Obrigatório Com cobertura estruturada na modalidade de contribuição variável. PODERÃO conter cláusula de atualização anual dos prêmios com base em índice pactuado. Tem que estar previsto no regulamento Entretanto, quando as coberturas de risco forem custeadas mediante o pagamento de contribuição única, os valores dos benefícios DEVERÃO ser atualizados pelo índice pactuado até a data de ocorrência do evento gerador. Obrigatório Obs.: Nos planos de previdência aberta complementar é prevista cláusula de atualização monetária, sendo o indexador e a periodicidade previstos no regulamento. Além da atualização, no regulamento dos planos contra- tados está previsto o reajuste por idade ou faixa etária atingida (planos de pecúlio, pensão e invalidez estruturados no regime financeiro de reparti- ção). Para os planos de renda por sobrevivência estruturados na Modalida- de de Benefício Definido, o aumento da contribuição acima do indexador previsto no plano será em decorrência da repactuação (consultar a defini- ção de extratos para fins de repactuação). UNIDADE 6 87PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Ocorrido o evento gerador de pagamento do benefício, os valores das ren- das serão, a partir da data de sua concessão, atualizados anualmente, com base no índice pactuado, e acrescidos do valor resultante da diferença gerada entre a atualização mensal da provisão matemática de benefícios concedidos e a atualização anual aplicada à renda. Exemplo Suponha que determinado participante, com 60 anos de idade, comece a receber uma renda mensal vitalícia de valor igual a R$ 1.000,00. Suponha que a inflação mensal seja igual a 1%, o que equivale a 12,68% de inflação anual. Nesse caso, seria razoável imaginar que, ao final de 1 ano, o valor da renda desse assis- tido passaria para R$ 1.126.83 (R$ 1.000,00 × 1,1268). Entretanto, como a provisão matemática de benefícios concedidos deve ser atualiza- da mensalmente, existe uma “sobra” nessa provisão, que deve ser repassada para o assistido que está recebendo renda. Essa sobra, sendo assim, equivale a R$ 2,96 (cál- culo atuarial) e deve ser incorporada ao valor da renda ou ser paga à vista ao assistido. Dessa forma, caso a EAPC opte por incorporar o valor de R$ 2,96 à renda, o assistido passará a receber R$ 1.129,78. UNIDADE 6 88PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Atenção O índice e a periodicidade de atualização de valores deverão constar do regulamento, da proposta e, quando for o caso de plano coletivo, do respectivo contrato. O índice pactuado para a atualização de valores relativos às operações de Previdência Complementar Aberta deverá ser estabelecido em consonância com as seguintes opções: ■ Índice Nacional de Preços ao Consumidor/Fundação Instituto Brasileiro de Geo- grafia e Estatística – INPC/IBGE; ■ Índice de Preços ao Consumidor Amplo/Fundação Instituto Brasileiro de Geo- grafia e Estatística – IPCA/IBGE; ■ Índice Geral de Preços para o Mercado/Fundação Getúlio Vargas – IGPM/FGV; ■ Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna/Fundação Getúlio Vargas – IGP-DI/FGV; ■ Índice Geral de Preços ao Consumidor/Fundação Getúlio Vargas – IPC/FGV; ■ Índice de Preços ao Consumidor/Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo – IPC/FIPE. No caso de extinção do índice pactuado, deverá ser utilizado o IPCA/IBGE, caso não tenha sido convencionado, no ato da contratação, índice substituto entre os previstos acima. Exceção à regra de atualização de valores é o plano de Previdência Complementar Aberta, destinado, exclusivamente, à recepção de grupos de participantes e respecti- vas provisões, transferidos de outros planos de benefícios. Nesses casos, a legislação admite a manutenção do critério de atualização de valores originalmente contratado. FIXANDO CONCEITOS 89PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR FIXANDO CONCEITOS 6 1. Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta: I) A política tributária não é um elemento chave para o estabelecimento de um sistema de Previdência Privada. II) Existem incentivos fiscais às empresas que pagam contribuições para planos de Previdência de seusmarço de 1997. ■ Em 24 de julho de 1991, a Lei 8.213 institui o Plano de Benefícios da Previdência Social, sendo regulamentada pelo Decreto 2.172, de 5 de março de 1997. ■ A Emenda Constitucional 20, de 15 de dezembro de 1998, modifica o Sistema de Previdência Social e estabelece normas de transição. ■ A Lei 9.876, de 26 de novembro de 1999, dispõe sobre a contribui- ção previdenciária do contribuinte individual e o cálculo do bene- fício, e altera dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, de julho de 1991. ■ A Lei 10.887, de 21 de junho de 2004, dispõe sobre as contribuições ao FAPI – Fundo de Aposentadoria Programada Individual – e à Pre- vidência Complementar para efeito de dedução no Imposto de Ren- da, que ficam condicionadas aos recolhimentos do Regime Geral de Previdência Social. ■ A Lei Complementar 142, de 8 de maio de 2013, regulamenta o § 1o do art. 201 da Constituição Federal, no tocante à aposenta- doria da pessoa com deficiência segurada do Regime Geral de Previdência Social – RGPS. UNIDADE 1 11PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ■ Emenda Constitucional Nº 103, de 12 de novembro de 2019, – altera o sistema de previdência social e estabelece regras de tran- sição e disposições transitórias , sendo regulamentada pelo Decre- to 10.410, de 30 de junho de 2020, que alterou o regulamento da Previdência Social. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA SEGURIDADE SOCIAL A seguridade social brasileira foi organizada, observando-se os princípios básicos definidos no texto constitucional. São eles: Universalidade da cobertura e do atendimento Todos, sem distinção, têm direito à seguridade social. Seletividade e distributividade na prestação de benefícios e serviços O legislador deve “selecionar” as contingências sociais mais importantes e “distribuí-las” a um maior número possível de pes- soas acometidas de necessidades. Uniformidade e equivalência dos benefícios e servi- ços às populações urbanas e rurais Trabalhadores urbanos e rurais passam a ter os mesmos direitos. Diversidade da base de financiamento Visa garantir maior estabilidade da Seguridade Social, na medida em que impede que se atribua o ônus do custeio a segmentos específicos da sociedade. Desse modo, quanto maior for a base de financiamento (ou seja, sendo a obrigação do custeio imposta a um maior número possível de segmentos da sociedade), maior será a capacidade da seguridade social fazer frente aos seus obje- tivos, constitucionalmente, traçados. Irredutibilidade do valor dos benefícios Tem por objetivo impedir a redução nominal das prestações da seguridade social. Ampliando conhecimentos Além de contribuir para o custeio da seguridade social, a União é uma espécie de fiadora da Previdência Social, ou seja, por lei, quando os recursos da Previdência Social não forem suficientes para o pagamento dos benefícios, caberá à União complementá-los. UNIDADE 1 12PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Equidade na forma de participação do custeio O custeio da seguridade social deve ser feito de forma proporcional à capacidade contributiva de todos que a ele estão obrigados. Preexistência do custeio em relação aos benefícios ou serviços Tem por objetivo impedir que benefícios ou serviços da segurida- de social sejam criados ou majorados sem que antes sejam esta- belecidas as correspondentes fontes de custeio/financiamento dessas prestações. Caráter democrático e descentralizado da gestão administrativa Visa à aproximação dos cidadãos às organizações e aos proces- sos de decisão dos quais dependem seus direitos. FONTES DE CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL A seguridade social é financiada por toda a sociedade, de forma direta ou indireta, mediante recursos provenientes da União, dos estados, do Distri- to Federal, dos municípios e de contribuições sociais. — Receitas que Compõem o Orçamento O orçamento da seguridade social, no âmbito federal, é composto das seguintes receitas: Recursos da União Recursos adicionais do orçamento fiscal, fixados obrigatoriamente na Lei Orçamentária Anual. Contribuições sociais a) das empresas, que incidem sobre a folha de salários dos segu- rados empregados e demais pessoas físicas a seu serviço, e sobre o faturamento e o lucro; b) das empresas exclusivamente rurais, incidentes sobre o valor da venda da produção; UNIDADE 1 13PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR c) das empresas agroindustriais, que incidem sobre a folha de salá- rio dos segurados empregados e demais pessoas físicas a seu ser- viço, e sobre o faturamento e o lucro; d) dos empresários e empregadores domésticos; e) dos trabalhadores em geral (empregados, empregados domés- ticos, autônomos, equiparados a autônomos, avulsos, facultativos), incidentes sobre a remuneração; f) dos produtores rurais, pessoas físicas e dos segurados especiais; g) incidentes sobre os chamados concursos prognósticos (loterias em geral, corridas de cavalo); h) dos clubes de futebol profissional, que incidem sobre a renda dos espetáculos desportivos de que participam no território nacio- nal e de contratos de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, de publicidade ou propaganda e transmissão dos espe- táculos desportivos. Outras fontes Constituem outras receitas da seguridade social: a) multas, atualização monetária e juros moratórios, como as multas pelo atraso no recolhimento das contribuições, que variam de acor- do com cada caso, aplicadas às empresas e contribuintes individuais; b) remuneração recebida pela prestação de serviços de arreca- dação, fiscalização e cobrança prestados a terceiros. Essa fonte de receita vem do serviço prestado pelo INSS e de arrecadação e fiscalização das contribuições devidas pelas empresas urbanas e rurais, para o salário educação e para outros fundos e entidades (SESI, SESC, SEST, SENAC, SENAR, SENAI, INCRA, entre outros); c) demais receitas patrimoniais, industriais, financeiras e outras receitas. O DIREITO À PREVIDÊNCIA O direito à Previdência é garantido pela Constituição como parte integran- te do conjunto de ações que compõem a seguridade social. UNIDADE 1 14PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR — Organização da Previdência A Previdência Social é organizada sob a forma de dois regimes: Regime Geral de Previdência Social – RGPS Esse regime, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, garante um conjunto de benefícios tanto ao segurado quanto a seus dependentes. Todo cidadão tem o direito de vinculação ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS –, mediante contribuição. É exclusivo aos funcionários da iniciativa privada. Entre os contri- buintes, encontram-se os empregadores, os empregados assala- riados, os domésticos, os autônomos, os contribuintes individuais e os trabalhadores rurais. Regimes Próprios de Previdência Social – RPPS Esses regimes, voltados para os funcionários públicos e militares, garantem um conjunto de benefícios tanto ao segurado quanto a seus dependentes. É exclusivo aos servidores públicos titulares de cargo efetivo, man- tido pelos entes públicos da Federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). A previdência social pode ser vista como um pacto de gerações, onde os par- ticipantes ativos financiam, com as suas contribuições, os benefícios pagos para os inativos. Logo, não há reservas individualizadas na previdência social. Por esse motivo, não há possibilidade do segurado da previdência social trans- ferir os recursos que ele pagou para um plano de previdência complementar. — Benefícios Alguns dos principais benefícios do Regime Geral da Previdência Social: PARA OS SEGURADOS PARA OS DEPENDENTES aposentadoria – por tempo de contribuição, especial, por idade ou por invalidez, aposenta- doria especial a pessoas com deficiência. pensão por morte do segurado, homem ou mu- lher, ao cônjuge ou companheiro e dependentes. auxílio-doença auxílio-reclusão Quanto ao valor dos benefícios, o texto constitucional estabelece que: ■ nenhum benefíciofuncionários. III) O benefício fiscal significa que o imposto de renda que deixa de ser pago no presente não será cobrado no futuro. Agora assinale a alternativa correta: (a) Somente I é proposição verdadeira. (b) Somente II é proposição verdadeira. (c) Somente III é proposição verdadeira. (d) Somente I e II são proposições verdadeiras. (e) Somente II e III são proposições verdadeiras. 2. Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta: I) O valor da assistência financeira é sempre limitado a 50% do saldo da previsão matemática de benefícios a conceder. II) A assistência financeira deve ser concedida por meio de recursos próprios da EAPC ou da Sociedade Seguradora. III) Não pode ser concedida assistência financeira a titular de plano de pecúlio. Agora assinale a alternativa correta: (a) Somente I é proposição verdadeira. (b) Somente II é proposição verdadeira. (c) Somente III é proposição verdadeira. (d) Somente I e II são proposições verdadeiras. (e) Somente I e III são proposições verdadeiras. 3. Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta: I) O plano PGBL deverá conter, obrigatoriamente, cláusula de atuali- zação anual das contribuições. II) O plano PRGP poderá conter cláusula de atualização anual das con- tribuições. FIXANDO CONCEITOS 90PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR III) Alternativamente à atualização de valores, existe, para as cober- turas estruturadas no regime financeiro de capitalização, a possi- bilidade de adoção de cláusula de recálculo do valor do benefício durante o período que antecede a ocorrência do evento gerador. Agora assinale a alternativa correta: (a) Somente I é proposição verdadeira. (b) Somente II é proposição verdadeira. (c) Somente III é proposição verdadeira. (d) Somente I e II são proposições verdadeiras. (e) Somente I e III são proposições verdadeiras. 4. Marque a alternativa correta: (a) O índice e a periodicidade de atualização de valores deverão cons- tar somente do regulamento. (b) O Índice Nacional de Custo da Construção/Fundação Getúlio Var- gas – INCC/FGV – é um dos índices que podem ser utilizados para atualização dos planos de Previdência Complementar Aberta. (c) No caso de extinção do índice pactuado, deverá ser utilizado o IPC/ FGV, caso não tenha sido convencionado no ato da contratação. (d) Quando as coberturas de risco forem custeadas mediante o paga- mento de contribuição única, os valores dos benefícios deverão ser atualizados pelo índice pactuado até a data de ocorrência do even- to gerador. (e) Os valores dos benefícios pagos sob forma de renda serão, a partir da data de sua concessão, atualizados mensalmente. Marque a alternativa correta: 5. Para definir o melhor produto para o cliente, entre PGBL e VGBL, o corretor deverá analisar: (a) Apenas o tipo de declaração de imposto de renda utilizada pelo cliente. (b) O valor de sua contribuição, pois o PGBL é destinado apenas para valores elevados. (c) As taxas cobradas pelas EAPCs e sociedades seguradoras. (d) O tipo de declaração de IR utilizado pelo cliente, se é contribuinte do RGPS ou de um RPPS e o percentual da sua renda bruta anual que deseja contribuir. (e) A rentabilidade. FIXANDO CONCEITOS 91PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Marque a alternativa correta: 6. O cálculo do imposto de renda devido através do sistema PEPS é utili- zado para: (a) Resgates dos clientes que optaram pela tabela progressiva do imposto de renda. (b) Contribuições superiores ao limite de 12% anual. (c) Resgates ou recebimento de benefício não atuarial para clientes que optaram pela tabela regressiva do imposto de renda. (d) Qualquer tipo de resgate e recebimento de renda de planos previdenciários. (e) Recebimento de rendas atuariais. Marque a alternativa correta: 7. O limite de dedução das contribuições previdenciárias no imposto de renda é: (a) 12% para o VGBL e 15% para o PGBL. (b) Variável de acordo com a tabela progressiva do imposto. (c) Ilimitado desde que o cliente seja contribuinte do RGPS ou de um RPPS. (d) Determinado pelo tempo de permanência do cliente no plano. (e) 12% da renda bruta anual da pessoa física. 8. Marque a alternativa correta: (a) Reinvestir o valor economizado por conta do benefício fiscal é uma excelente forma do cliente aumentar o valor futuro da sua renda de aposentadoria. (b) Somente as pessoas que utilizam o modelo simplificado de declara- ção anual de imposto de renda fazem jus ao benefício fiscal. (c) As alíquotas decrescentes de IR para a previdência tornaram-se pos- síveis desde o lançamento do PGBL. (d) Para pagamento de resgate, ficou estabelecido o sistema PMP – Pra- zo Médio Ponderado – para a tributação. (e) Para um prazo de acumulação de até dois anos, a alíquota do impos- to de renda na fonte será de 20% no caso de tabela regressiva. 92 ESTUDOS DE CASO PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ESTUDOS DE CASO Caso 1 Arthur tem interesse em contratar um plano visando uma renda futura quando deixar de trabalhar, porém ainda não está certo de qual seria a melhor opção e desenho de plano para ele. Liste todas as perguntas que você deverá fazer para indicar a melhor solução para o Arthur tanto de plano como de desenho do mesmo. Caso 2 Marcos tem 30 anos e deseja contratar um plano de previdência do tipo PGBL com o objetivo de receber uma renda mensal vitalícia aos 60 anos de idade. Seu objetivo é depositar, ao longo dos próximos 30 anos, R$ 500,00 por mês, o que implica fazer 360 depósitos sempre ao final do mês. As seguradoras que Marcos procurou dispõem de planos de previ- dência com as seguintes características: 1) Seguradora A: a) Carregamento: 10% para planos de contribuição variável e 25% para planos de benefício definido. b) Rentabilidade líquida do fundo de investimento especialmente cons- tituído onde serão aplicados os recursos do PGBL: 0,72% ao mês. c) Renda mensal vitalícia calculada com base na tábua biométrica AT-49 Male + 6% a.a. 2) Seguradora B: a) Carregamento: 0% para planos de contribuição variável e 10% para planos de benefício definido. b) Rentabilidade líquida do fundo de investimento especialmente consti- tuído onde serão aplicados os recursos do PGBL: 0,7% ao mês. c) Renda mensal vitalícia calculada com base na tábua biométrica AT-83 Male + 5% a.a. 3) Seguradora C: a) Carregamento: 8% para planos de contribuição variável e 15% para planos de benefício definido. b) Rentabilidade líquida do fundo de investimento especialmente cons- tituído onde serão aplicados os recursos do PGBL: 0,94% ao mês. c) Renda mensal vitalícia calculada com base na tábua biométrica AT-2000 Male + 2% a.a. Qual Seguradora oferecerá a Marcos um valor de renda mensal vitalícia maior? 93PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR GABARITO GABARITO Fixando Conceitos UNIDADE 1 UNIDADE 2 UNIDADE 3 1 – C 1 – C 1 – A 2 – A 2 – E 2 – C 3 – A 3 – A 3 – B 4 – E 4 – D 4 – D 5 – E 5 – D 5 – A 6 – E 6 – C 7 – B 7 – B 8 – D 9 – B 10 – B UNIDADE 4 UNIDADE 5 UNIDADE 6 1 – D 1 – C 1 – B 2 – B 2 – B 2 – B 3 – C 3 – E 3 – B 4 – C 4 – E 4 – D 5 – B 5 – A 5 – D 6 – C 6 – C 7 – C 7 – E 8 – A 8 – A 9 – E 10 – E 94 ESTUDOS DE CASO PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Estudos de Caso Caso 1 Vamos apresentar aqui alguns exemplos das principais perguntas que podem ser utilizadas, contudo não temos a pretensão de esgotar as possi- bilidades, uma vez que o universo previdenciário é bastante vasto. Para determinar o tipo de plano você precisará fazer basicamente três per- guntas: 1. Qual o tipo de declaração de IR você utiliza? 2. Você contribui para o RGPS ou para um RPPS? 3. Com qual percentual de sua renda bruta você deseja contribuir? Já para o desenho do plano você precisará trabalhar com um rol maior de perguntas. Vejamos algumas sugestões: Necessidade de contratação de uma cobertura de risco 1. Possui alguém que dependa financeiramente de você? 2. Já possui algum tipo de seguro de vida ou cobertura de risco?3. Caso algo aconteça e você venha a ficar inválido, será possível manter o seu padrão de vida atual? Orientação do tipo de fundo para aplicação 1. Em quanto tempo você deseja se aposentar? 2. Como investidor, você se considera com perfil conservador, moderado ou agressivo? 3. Você possui algum capital reservado para emergências ou existe o risco de ter que realizar resgates no plano antes da data prevista para sua apo- sentadoria? Definição do tipo de renda de aposentadoria para efeitos de simula- ção de valores (de acordo com o simulador utilizado) 1. Ao se aposentar você deseja receber uma renda até que venha a falecer ou apenas por um determinado período? 2. Sendo por um determinado período, qual seria esse tempo? 3. Caso você venha a falecer durante o recebimento da sua renda, é dese- jável que ela seja revertida para alguém? 4. Devendo ser revertida, qual a idade do beneficiário e qual o percentual você deseja reverter? 95 ESTUDOS DE CASO PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Escolha do tipo de tabela para tributação 1. Ao se aposentar você terá algum outro tipo de renda ou apenas seus benefícios previdenciários? 2. De quanto você estima que será o valor total recebido? 3. Por quanto tempo você acredita que deixará os valores aplicados? Caso 2 Com base nas informações contidas na Unidade 4 “Fatores que Influenciam o Valor da Renda a Ser Recebida em Função da Sobrevivência”, em seu tópico “Parâmetros Técnicos”, e considerando que Marcos é um investidor racional, preferindo sempre a opção em que sua riqueza é maximizada, e também que não há diferença do ponto de vista de segurança econômico- -financeira entre as seguradoras, qual deve ser a opção de Marcos? Solução: Primeiro, deve-se encontrar o montante acumulado em cada uma das seguradoras ao longo dos próximos 30 anos (360 depósitos de R$ 500,00). Como o PGBL é um plano puramente financeiro durante o período de acumulação dos recursos (período de diferimento), a conta que se deve fazer é uma conta puramente financeira, na qual se deseja calcular o valor futuro de uma série uniforme de pagamentos mensais. Dessa forma, para a seguradora A teremos: Valor Futuro = Prestação × [(1+i)n – 1]/i Onde: i = 0,72% - rentabilidade líquida do fundo; prestação = R$ 500,00 × (1 – 0,10), pois o carregamento é 10%, em face de o PGBL ser um plano estruturado na modalidade de contribuição variável. Logo: Valor Futuro = 450 × [(1,0072)360 – 1]/0,0072 = R$ 764.562,20 Fazendo-se procedimento análogo para as seguradoras B e C, encontram-se, respectivamente, R$ 808.568,78 e R$ 1.371.488,22. Depois disso, deve-se encontrar o valor da renda mensal vitalícia com base nas informações contidas na Unidade 4 – “Fatores que Influenciam o Valor da Renda a Ser Recebida em Função da Sobrevivência”, em seu tópico “Parâmetros Técnicos”, onde ficamos sabendo que uma pessoa de 60 anos de idade precisa acumular, com base na tábua biométrica AT-49 Male + 6% a.a. (Seguradora A), R$ 124.659,13 para receber R$ 1.000,00 de renda mensal vitalícia. Desse modo, utilizando uma regra de três, teremos: R$ 124.659,13 para receber R$ 1.000,00 R$ 764.562,20 para receber X Resolvendo a equação (multiplicação em cruz), encontramos R$ 6.133,22. Fazendo-se procedimento análogo para as seguradoras B e C, encontram-se, respectivamente, R$ 5.261,83 e R$ 6.088,30. Dessa forma, apesar de na seguradora A, o cliente ter o menor saldo acu- mulado, as bases técnicas contratadas são favoráveis a ele, conduzindo a um valor de renda mensal vitalícia maior. 96PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARR, Nicholas. The truth about pension reform. Finance and Development, v. 38, n. 3, set. 2001. BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3 ed. São Paulo: Lejus, 1998. BALEEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro. 10 ed. Rio de Janeiro: Forense, 1983. ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Previdên- cia complementar. Assessoria técnica de Marcos Antônio Simões Peres. 12 ed. 1ª reimpressão. Rio de Janeiro: Funenseg, 2015, p. 102. ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Previdên- cia complementar. Assessoria técnica de Maurício Viot. 13 ed. Rio de Janeiro: Funenseg, 2016, p. 102. ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Previdên- cia complementar. Assessoria técnica de Daniel Medeiros Schaefer. 14 ed. Rio de Janeiro: ENS, 2017, p. 106. ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Previdên- cia complementar. Assessoria técnica de Maurício Viot. 15 ed. Rio de Janeiro: ENS, 2018, p. 111. ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS. Diretoria de Ensino e Produtos. Segu- ros de pessoas. Assessoria técnica de Marcos Antonio Simões Peres. 4 ed. Rio de Janeiro: Funenseg, 2009, p. 118. ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Segu- ros de pessoas. Assessoria técnica de Elizabeth Vieira Valente Bartolo. 11 ed. Rio de Janeiro: ENS, 2017, p. 136. Sites http://novosite.susep.gov.br/ https://www.gov.br/imprensanacional/pt-br https://www.bcb.gov.br/ https://www.gov.br/cvm/pt-br/ https://www.planalto.gov.br/ https://www.gov.br/receitafederal/pt-br https://www.gov.br/inss/pt-br http://novosite.susep.gov.br/ https://www.gov.br/imprensanacional/pt-br https://www.bcb.gov.br/ https://www.gov.br/cvm/pt-br/ https://www.planalto.gov.br/ https://www.gov.br/receitafederal/pt-br https://www.gov.br/inss/pt-br PREVIDÊNCIA SOCIAL A CONSTITUIÇÃO DO SISTEMA DE SEGURIDADE SOCIAL PRINCÍPIOS BÁSICOS DA SEGURIDADE SOCIAL FONTES DE CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL Receitas que Compõem o Orçamento O DIREITO À PREVIDÊNCIA Organização da Previdência Benefícios CONSIDERAÇÕES GERAIS FIXANDO CONCEITOS 1 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR UM POUCO DE HISTÓRIA UMA ALTERNATIVA DE POUPANÇA ESTRUTURA DO SISTEMA Entidades Abertas de Previdência Complementar – EAPC Entidades Fechadas de Previdência Complementar – EFPC FIXANDO CONCEITOS 2 PLANOS de ENTIDADES ABERTAS de PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ESTRUTURA BÁSICA MODALIDADES DE ESTRUTURAÇÃO DAS COBERTURAS Benefício Definido Contribuição Variável PERÍODOS DE DIFERIMENTO E COBERTURA ADMISSÃO Proposta de Inscrição Certificado CONTRIBUIÇÕES CARREGAMENTO VALORES GARANTIDOS GARANTIAS TÉCNICAS APURAÇÃO DE RESULTADOS FIXANDO CONCEITOS 3 PLANOS com COBERTURA por SOBREVIVÊNCIA COMERCIALIZAÇÃO Tipos de Planos de Cobertura por Sobrevivência Regras para os Fundos de Investimento Especialmente Constituídos MODALIDADES DE RENDA FATORES QUE INFLUENCIAM O VALOR DA RENDA A SER RECEBIDA EM FUNÇÃO DA SOBREVIVÊNCIA Parâmetros Técnicos Taxas Cobradas Modalidade de Renda e Idade de Aposentadoria Montante Acumulado VALORES GARANTIDOS NO PERÍODO DE DIFERIMENTO Resgate Portabilidade FIXANDO CONCEITOS 4 PLANOS com COBERTURA de RISCO PLANOS COM COBERTURA DE RISCO – MORTE E INVALIDEZ TOTAL E PERMANENTE PLANOS QUE PAGAM BENEFÍCIO POR INVALIDEZ Plano de Renda por Invalidez Plano de Renda por Invalidez com Prazo Mínimo Garantido Plano de Pecúlio por Invalidez PLANOS QUE PAGAM BENEFÍCIO POR MORTE Plano de Pensão ao Cônjuge ou Companheiro(a) Plano de Pensão aos Menores Plano de Pensão por Prazo Certo Plano de Pecúlio por Morte FIXANDO CONCEITOS 5 INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES ASPECTOS TRIBUTÁRIOS PGBL x VGBL Legislação Dedução Tributação Formas de Pagamento do Imposto ASSISTÊNCIA FINANCEIRA ATUALIZAÇÃo DE VALORES FIXANDO CONCEITOS 6 ESTUDOS DE CASO gabarito Referências Bibliográficasque substitua o salário de contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado terá valor mensal inferior ao salário-mínimo; UNIDADE 1 15PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ■ todos os salários de contribuição considerados para o cálculo de benefício serão devidamente atualizados na forma da lei; ■ é assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real conforme critérios definidos em lei. CONSIDERAÇÕES GERAIS Evidentemente, o universo da Previdência Social Brasileira é muito maior e bem mais complexo, englobando seus cálculos, suas reformas e regras de transição. Contudo, o objetivo deste material é apresentar seu conteúdo de forma que você possa compreender minimamente o seu funcionamento. Caso você queira se aprofundar no tema, consulte a página da Previdência Social na Internet, leia a legislação e consulte especialistas desse segmento, afinal, conhecimento nunca é demais! Daqui para frente, focaremos na Previdência Complementar e em todas suas nuances. Você conhecerá a história, aprender como funcionam os produtos e as opções existentes para que possa desenhar as melhores soluções para o seu cliente. FIXANDO CONCEITOS 16PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR FIXANDO CONCEITOS 1 Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta: 1. Um segurado que contribui para a Previdência Social deseja transferir sua contribuição para um plano de Previdência Complementar. Sobre esta afirmação, é correto declarar que: I) Ele pode fazer a transferência, porque a legislação garante a ele esse direito. II) Caso transfira sua contribuição, o segurado terá mais vantagens financeiras. III) Ele pode transferir sua contribuição, porque a Previdência Social é de caráter contributivo e de filiação obrigatória. IV) A transferência não é possível, porque a Previdência Social não possibilita a constituição de reserva individualizada. (a) Somente I é proposição verdadeira. (b) Somente II é proposição verdadeira. (c) Somente IV é proposição verdadeira. (d) Somente II e III são proposições verdadeiras. (e) Somente III e IV são proposições verdadeiras. 2. As receitas que compõem, no âmbito federal, o orçamento da segurida- de social são: (a) Da União, das contribuições sociais e de outras fontes. (b) Das empresas e dos empregados. (c) Dos empregados, da União e dos trabalhadores. (d) Da Previdência Complementar, dos trabalhadores e dos empregados. (e) Das receitas de jogos prognósticos, da União e dos trabalhadores. FIXANDO CONCEITOS 17PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 3. Analise se as proposições são verdadeiras ou falsas e depois marque a alternativa correta: ( ) Existem dois regimes na Previdência Social. ( ) Os dependentes têm direito à pensão e auxílio-doença. ( ) Os benefícios pagos pela Previdência Social podem ser inferiores a um salário mínimo. ( ) Os dependentes têm direito a pensão e auxílio-reclusão. ( ) Os segurados têm direito aos benefícios de aposentadoria e auxílio-doença. Agora assinale a alternativa correta: (a) V, F, F, V, V. (b) F, V, F, F, V. (c) V, F, V, V, V. (d) V, V, F, F, V. (e) V, V, F, V, F. 4. Analise se as proposições são verdadeiras ou falsas e depois marque a alternativa correta: ( ) Todo cidadão tem direito de vinculação ao Regime Geral de Previ- dência Social mediante contribuição. ( ) O Regime Geral de Previdência Social tem caráter contributivo e filiação obrigatória. ( ) Universalidade da cobertura e do atendimento é um dos princípios básicos definidos no texto constitucional. ( ) A União funciona como uma espécie de fiadora da Previdência Social a cada três exercícios. ( ) As contribuições sociais não integram as fontes de custeio da Pre- vidência Social. Agora assinale a alternativa correta: (a) F, V, V, V, F. (b) V, F, V, F, F. (c) V, V, F, V, V. (d) F, F, V, V, V. (e) V, V, V, F, F. FIXANDO CONCEITOS 18PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Analise se as proposições são verdadeiras ou falsas e depois marque a alternativa correta: 5. No que se refere à Seguridade Social, é correto afirmar que: ( ) A Seguridade Social é financiada somente por recursos provenien- tes da União. ( ) Um dos princípios básicos da Seguridade Social, que prevê que todos, sem distinção, têm direito à seguridade social, é a universali- dade da cobertura e do atendimento. ( ) As contribuições sociais das empresas, que incidem sobre a folha de salários dos segurados empregados e demais pessoas físicas a seu serviço e sobre o faturamento e o lucro dessas empresas, são exemplos de uma das receitas que compõem o orçamento da Segu- ridade Social no âmbito federal. ( ) As contribuições incidentes sobre os chamados concursos prognós- ticos (loterias em geral, corridas de cavalo, entre outros) são exem- plos de uma das receitas que compõem o orçamento da Segurida- de Social no âmbito federal. (a) V, F, V, F. (b) V, F, F, F. (c) F, V, F, F. (d) V, V, F, F. (e) F, V, V, V. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 19 UNIDADE 202 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ■ Conhecer os aspectos históricos da Previdência Privada no Brasil, correlacionando tais aspectos com a operação do mercado de seguros da atualidade. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: ■ Reconhecer os planos de contratação e a estrutura do sistema de previdência complementar, considerando as características das Entidades Abertas de Previdência Complementar – EAPC. TÓPICOS DESTA UNIDADE ⊲ UM POUCO DE HISTÓRIA ⊲ UMA ALTERNATIVA DE POUPANÇA ⊲ ESTRUTURA DO SISTEMA ⊲ FIXANDO CONCEITOS 2 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 20 UNIDADE 2 UM POUCO DE HISTÓRIA Algumas iniciativas no sentido de instituir planos de Previdência no Brasil ocor- reram no final do século XVIII e início do XIX. Entre elas, destaca-se a criação do Montepio Geral de Economia dos Servidores – MONGERAL – em 1835. Até o início da década de 1980, os planos de Previdência disponíveis ao público eram administrados em sua maior parte, por entidades sem fins lucrativos e ligados a setores de atividades relativos ao funcionalismo público ou outras atividades relacionadas às profissões chamadas liberais. A falta de regulamentação específica bem como de fiscalização adequada, aliada ao desconhecimento e ao embasamento técnico-atuarial insuficiente, criou nos participantes um conjunto de frustrações em relação aos produtos adquiridos e, consequentemente, um descrédito em relação a esses produtos. No decorrer da década de 1980, com a criação de regulamentação especí- fica, verificou-se a introdução de novos planos previdenciários no mercado e o aparecimento de administradores especializados, além de segurado- ras que se estruturaram para operar esses produtos no mercado. No que se refere aos fundos de pensão, verifica-se que seu marco ini- cial ocorreu em 16 de abril de 1904, quando foi fundada a Caixa de Montepio dos Funcionários do Banco do Brasil, antecessora da Previ, criada por poucos funcionários do Banco com o objetivo de proporcio- nar aos seus dependentes o pagamento de uma pensão a partir de seu falecimento. Outras iniciativas de criação de fundos de pensão ocor- reram durante a década de 1970, em face do crescimento econômico vivenciado pelo país. UNIDADE 2 21PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR A regulamentação da Previdência Complementar teve seu início com a promulgação da Lei 6.435, de 15 de julho de 1977, que passou a dispor sobre as entidades de Previdência Privada. Essa lei foi regulamentada, no que concerne às entidades abertas, pelo Decreto-Lei 81.402/78, por reso- luções do Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP – e por circu- lares da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP. Em 2001, a Lei 6.435/77 teve seu contexto legal reformulado pela Lei Complementar 109, de 29 de maio de 2001. UMA ALTERNATIVA DE POUPANÇA A previdência complementar, também conhecida como previdência priva- da, é um sistema que permite ao cidadãoguardar uma parcela de recursos ao longo do tempo, para garantir uma renda futura melhor para si mesmo e sua família, ou seja, representa uma alternativa de poupança, de caráter exclusivamente privado, destinada à manutenção do poder aquisitivo, caso haja perda da capacidade laborativa ou, simplesmente, uma forma alterna- tiva de investimento. Em linhas gerais, aquele que contrata um plano de Previdência Comple- mentar deseja garantir, principalmente na aposentadoria, uma renda próxi- ma àquela que recebia quando ativo, ou seja, quando inserido no mercado de trabalho. É importante ter em mente que para qualquer país, a poupança é fundamen- tal, pois é a origem do investimento. Para se fazer qualquer investimento, a condição indispensável é que se tenha prévia ou simultaneamente uma poupança. É nesse contexto de formadora e mantenedora de poupança de médio e longo prazos que se insere a Previdência Complementar. A pessoa física que contrata um plano de Previdência Complementar é denominada participante, enquanto a pessoa física em gozo do recebi- mento do benefício é denominada assistido. Uma maneira de se precaver contra o risco de não haver recursos na apo- sentadoria é economizar parte do salário, acumulando esses recursos em fundos individuais, para usufruir dos recursos acumulados na aposentado- ria. Este é o princípio de funcionamento dos planos de complementação de aposentadoria. Por isso, a existência da previdência complementar se justifica, também, pelo fato de ser uma alternativa para a complementação dos benefícios pagos pela Previdência Social. Benefício Pagamento efetuado pela entidade ao participante ou beneficiário, em contrapartida às contribuições feitas para custeio do plano. UNIDADE 2 22PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Quando financiada pelas empresas, a Previdência Complementar se justifica pela necessidade cada vez mais evidente que as companhias têm de atrair, reter e desenvolver talentos, capazes de trabalhar em equipe e com com- prometimento, descentralizando decisões para gestores e colaboradores. Contratar e reter bons funcionários passa a ser uma tarefa primordial para qualquer companhia, visando, sobretudo, evitar uma grande rota- tividade, que pode abalar o seu sucesso, especialmente se a perda de qualquer de seus colaboradores ocorrer para uma empresa concor- rente. Nesse caso, além da perda de um funcionário que custou tem- po e dinheiro para ser treinado, a companhia fornece à concorrência informações e talentos importantes. Um outro fator que merece destaque refere-se à oxigenação dos colabo- radores e é um dos motivos mais fortes que levam as empresas a criar pla- nos de Previdência Complementar, tornando possível manter ou mesmo aumentar a competitividade delas no mercado, por intermédio da subs- tituição dos funcionários mais velhos e com maior dificuldade em acom- panhar padrões de produtividade e criatividade. Com a complementação da aposentadoria, esses funcionários mais antigos acabam aceitando com tranquilidade a decisão de se aposentar, uma vez que seu padrão de renda não declinará, mantendo-se próximo do atual. É certo também que a política de remuneração da empresa exerce papel fundamental na atração, retenção e motivação de talentos. Entretanto, apesar dos diversos componentes da remuneração total que um indiví- duo pode ter (salário-base e adicionais, remuneração variável de curto prazo, benefícios e incentivos de longo prazo), o plano de Previdência Complementar é um dos benefícios mais significativos em termos de custo e de valor, em face das vantagens fiscais sobre outras alternativas de remuneração. Entretanto, é importante esclarecer que há limites para a dedução do que as empresas e as pessoas físicas pagam para planos de previdência com- plementar, ou seja, o que é pago não é 100% abatido no imposto de renda. ESTRUTURA DO SISTEMA A Previdência Complementar no Brasil é operada por entidades de Previ- dência Complementar, que têm por objetivo principal instituir e executar planos de benefícios de caráter previdenciário. UNIDADE 2 23PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Essas entidades são classificadas em Entidades Abertas de Previ- dência Complementar (EAPC) e Entidades Fechadas de Previ- dência Complementar (EFPC). As entidades fechadas de previdên- cia complementar são também conhecidas por Fundos de Pensão. — Entidades Abertas de Previdência Complementar – EAPC São aquelas constituídas unicamente sob a forma de sociedades anônimas¹, que têm por objetivo principal instituir planos que podem ter coberturas de morte, invalidez ou sobrevivência. A Lei Complementar 109/2001 permitiu que as sociedades segu- radoras que operem exclusivamente no Ramo de Seguro de Pes- soas sejam autorizadas a comercializar planos de Previdência Complementar. As EAPCs encontram-se subordinadas ao Ministério da Economia e têm como órgãos normativo e fiscalizador, respectivamente, o Con- selho Nacional de Seguros Privados – CNSP – e a Superintendência de Seguros Privados – SUSEP. Os planos das entidades abertas podem ser contratados sob a forma individual ou coletiva. Os planos individuais são aqueles acessí- veis a quaisquer pessoas físicas, enquanto os planos coletivos são aqueles destinados a pessoas físicas vinculadas, direta ou indireta- mente, a uma pessoa jurídica contratante, que pode participar do custeio do plano, conforme disposições constantes no contrato cele- brado entre a pessoa jurídica contratante e a entidade aberta. — Entidades Fechadas de Previdência Complementar – EFPC São aquelas organizadas sob a forma de fundações de direito priva- do ou de sociedade civil, conhecidas também como fundo de pen- são, sem fins lucrativos, acessíveis exclusivamente: ■ aos empregados de uma empresa, ou grupo de empresas, e aos servidores da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, entes denominados patrocinadores²; ■ aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial, denominados instituidores³. 1. Inicialmente, a Lei 6.435/77 permitiu que as entidades abertas fossem organizadas sob a forma de sociedades anônimas, quando tivessem fins lucrativos, ou sociedades civis ou fundações, sem fins lucrativos. Entretanto, com o propósito de conferir maior segurança e credibilidade ao Sistema de Previdência Complementar, a Lei Complementar 109/01 restringiu a constituição das entidades abertas unicamente à forma de sociedades anônimas, o que representou um avanço no controle e na transparência. 2. A Lei Complementar 109/01 ampliou a figura do patrocinador, ao incluir nessa categoria a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, quando estes instituírem suas entidades de Previdência Complementar. 3. A Lei Complementar 109/01 passou a permitir que pessoas jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial – os instituidores – optem por criar uma entidade fechada de Previdência Complementar para seus associados ou membros. UNIDADE 2 24PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR As EFPCs têm a finalidade de administrar e operar planos de benefícios previdenciários criados por empresas (patrocinado- res) para seus empregados (participantes) ou por pessoas jurí- dicas de caráter profissional, classista ou setorial (instituidores) para seus associados (participantes). As entidades fechadas encontram-se subordinadas ao Ministério da Economia4 e têm como órgão normativo o Conselho Nacional de Previdência Complementar – CNPC – e órgão fiscalizador a Supe- rintendência Nacionalde Previdência Complementar – PREVIC5. Observe como está organizada a Previdência Complementar no Brasil pelo organograma que segue: Fechada Previdência Complementar Ministério da Economia Sem Fins Lucrativos Montepios Fundações – Sociedades Civis Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) Conselho Nacional de Seguros Privados(CNSP) Superintendência Nacional de Previdência Complementar – PREVIC Aberta Ministério da Economia SUSEP Sem Fins Lucrativos* Com Fins Lucrativos* EAPC e Sociedades Seguradoras *A Lei Complementar 109/2001 vetou a constituição de entidades abertas de Previdência Complementar sem fins lucrativos. Dessa forma, somente aquelas que existiam antes da promulgação da lei é que continuam operando planos de benefícios. 4. Em 2016, o Ministério da Previdência Social foi incorporado ao Ministério da Fazenda, de acordo com a Lei 13.341, de 29 de setembro de 2016. A partir de 2019, o Ministério da Fazenda passou a ser chamado de Ministério da Economia. 5. Criada pela Lei 12.154, de 23 de dezembro de 2009, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar – PREVIC –, autarquia de natureza especial, dotada de autonomia administrativa e financeira, e patrimônio próprio, vinculada ao Ministério da Previdência Social, com sede e foro no Distrito Federal, e atuação em todo o território nacional, atua como entidade de fiscalização e de supervisão das atividades das entidades fechadas de Previdência Complementar e de execução das políticas para o regime de Previdência Complementar operado pelas entidades fechadas de Previdência Complementar, observadas as disposições constitucionais e legais aplicáveis. FIXANDO CONCEITOS 25PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR FIXANDO CONCEITOS 2 1. Analise se as proposições são verdadeiras ou falsas e depois marque a alternativa correta: ( ) As entidades fechadas são organizadas sob a forma de sociedades anônimas. ( ) A regulamentação da Previdência Complementar teve seu início com a promulgação da Lei 6.435, de 15 de julho de 1977, que passou a dispor sobre as entidades de Previdência Privada. ( ) Em 2001, a Lei 6.435/77 teve seu contexto legal reformulado pela Lei Complementar 109, de 29 de maio de 2001. ( ) A Previdência Complementar no Brasil é operada por entidades de Previdência Complementar, que têm por objetivo principal instituir e executar planos de benefícios de caráter previdenciário. ( ) Os planos das entidades abertas podem ser contratados sob a forma individual ou coletiva. Agora assinale a alternativa correta: (a) V, F, F, V, V. (c) F, V, V, V, V. (e) V, V, V, F, F. (b) F, F, V, V, V. (d) F, V, F, V, F. Analise se as proposições são verdadeiras ou falsas e depois marque a alternativa correta: 2. A Previdência Complementar se constitui em uma grande ferramenta de recursos humanos para a empresa. ( ) O plano de Previdência Complementar é um dos benefícios mais sig- nificativos, em termos de custo e valor, em face das vantagens fiscais. ( ) A Previdência Complementar propicia uma política de renovação de quadros na organização que implanta um programa de aposentadoria. ( ) A Previdência Complementar serve para promover a retenção de pessoal qualificado na empresa. ( ) A Previdência Complementar melhora a relação entre empregado e empregador. ( ) As despesas do empregado e da empresa são totalmente abatidas no imposto de renda. Agora assinale a alternativa correta: (a) V, F, F, V, V. (c) F, V, F, V, F. (e) V, V, V, V, F. (b) F, F, V, V, V. (d) V, V, V, F, F. FIXANDO CONCEITOS 26PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Marque a alternativa correta: 3. Os órgãos governamentais normativo e fiscalizador, respectivamente, das entidades fechadas de previdência complementar são: (a) CNPC e PREVIC. (b) CNSP e PREVIC. (c) CNSP e Banco Central. (d) CVM e Banco Central. (e) SUSEP e PREVIC. 4. Os órgãos governamentais normativo e fiscalizador, respectivamente, das entidades abertas de previdência complementar são: (a) Banco Central e SUSEP. (b) Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Banco Central. (c) CVM e Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). (d) CNSP e SUSEP. (e) Banco Central e CNSP. 5. A partir da publicação da Lei Complementar 109/2001, as entidades abertas de Previdência Complementar estão organizadas sob a forma de: (a) Fundos de pensão. (b) Fundação sem fins lucrativos. (c) Sociedade civil sem fins lucrativos. (d) Sociedades anônimas. (e) Fundação ou sociedade civil com fins lucrativos. 6. As entidades fechadas de Previdência Complementar são acessíveis: (a) A toda e qualquer pessoa física. (b) A toda e qualquer pessoa física vinculada ou não a uma pessoa jurídica. (c) Somente aos diretores de uma empresa. (d) Somente aos servidores da União. (e) Aos associados ou membros de pessoas jurídicas, de caráter profis- sional, classista ou setorial. FIXANDO CONCEITOS 27PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 7. Analise se as proposições são verdadeiras ou falsas e depois marque a alternativa correta: ( ) As EAPC são fiscalizadas pela SUSEP. ( ) As EAPC são fiscalizadas pela Superintendência Nacional de Previ- dência Complementar – PREVIC. ( ) As entidades são classificadas em abertas e fechadas. ( ) As EFPC são também conhecidas como fundos de pensão. ( ) As EFPC são acessíveis aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter professional. Agora assinale a alternativa correta: (a) V, F, F, V, V. (d) F, V, F, V, F. (b) V, F, V, V, V. (e) V, V, V, V, V. (c) V, V, V, V, F. 8. Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta Quando nos referimos à estrutura do sistema de Previdência Complemen- tar, é correto afirmar que: (a) As entidades abertas de Previdência Complementar – EAPC – são fiscalizadas pela Secretaria de Previdência Complementar – SPC. (b) As entidades são classificadas como abertas, fechadas e mistas. (c) A Lei 6.435/77 restringiu a constituição das entidades abertas unica- mente à forma de sociedades anônimas. (d) As entidades fechadas de Previdência Complementar – EFPC – são aquelas organizadas sob a forma de fundação ou sociedade civil sem fins lucrativos. (e) As entidades fechadas têm como órgão normativo o Ministério da Previdência e Assistência Social – MPAS. Marque a alternativa correta 9. O órgão fiscalizador das entidades fechadas de Previdência Comple- mentar – EFPC – é o(a): (a) Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP. (b) Superintendência Nacional de Previdência Complementar – PREVIC. (c) Conselho de Gestão da Previdência Complementar – CGPC. (d) Banco Central – BACEN. (e) Superintendência de Seguros Privados – SUSEP. FIXANDO CONCEITOS 28PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Marque a alternativa que preencha corretamente a(s) lacuna(s): 10. A pessoa física que contrata um plano de Previdência Complementar é denominada _____________. Por outro lado, a pessoa física em gozo de recebimento do benefício é denominada ____________ , sendo que benefício é o pagamento em dinheiro, efetuado pela entidade ao partici- pante ou beneficiário, em contraposição ______________ para custeio do plano. (a) cliente / participante / ao saldamento efetuado. (b) participante / assistido / às contribuições feitas. (c) assistido / participante / ao resgate efetuado. (d) assistido / beneficiário / às contribuições feitas. (e) assistido / participante / ao carregamento cobrado. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 29 UNIDADE 303PLANOS de ENTIDADES ABERTAS de PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ■ Entender as características técnicas e operacionais dos planos comercializados pelas Entidades Abertas de Previdência Complementar (EAPC), considerando a comercialização de produtos de previdência em conformidade com as condições gerais propostas. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: TÓPICOS DESTA UNIDADE ⊲ ESTRUTURA BÁSICA ⊲ MODALIDADES DE ESTRUTURAÇÃO DAS COBERTURAS ⊲ PERÍODOS DE DIFERIMENTO E COBERTURA ⊲ ADMISSÃO ⊲ CONTRIBUIÇÕES ⊲ CARREGAMENTO ⊲ VALORES GARANTIDOS ⊲ GARANTIAS TÉCNICAS ⊲ APURAÇÃO DE RESULTADOS ⊲ FIXANDO CONCEITOS 3 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 30 UNIDADE 3 ESTRUTURA BÁSICA Os planos de Entidades Abertas de Previdência Complementar – EAPC – são estruturados com a finalidade de conceder benefíciosa pessoas físi- cas, vinculadas ou não a uma pessoa jurídica, que preencham as condi- ções estabelecidas para participação no plano. Os planos comercializados pelas entidades abertas de Previdência Com- plementar podem oferecer, isoladamente ou em conjunto, coberturas de morte ou invalidez total e permanente ou cobertura por sobrevivência. Os planos com cobertura por sobrevivência têm por objetivo conceder ao próprio participante que sobreviver ao prazo de diferimento contratado o recebimento de um benefício à vista ou sob a forma de renda. Em contrapartida, os planos com cobertura de morte têm por objetivo con- ceder um benefício, à vista ou sob a forma de renda, aos beneficiários indicados, em decorrência da morte do participante ocorrida durante o período de cobertura, desde que tenha sido cumprido o período de carên- cia estabelecido pelo plano, se houver. Já os planos com cobertura de invalidez total e permanente têm por objeti- vo conceder um benefício, à vista ou sob a forma de renda, ao próprio par- ticipante, em decorrência de sua invalidez total e permanente, ocorrida durante o período de cobertura, desde que tenha sido cumprido o período de carência estabelecido pelo plano, se houver. Independentemente do tipo de cobertura oferecida, os planos podem ser contratados de forma individual ou coletiva: Individual Quando acessível a quaisquer pessoas físicas. UNIDADE 3 31PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Coletiva Quando acessível a pessoas físicas vinculadas, direta ou indire- tamente, a uma pessoa jurídica contratante. A vinculação indireta refere-se exclusivamente ao caso de contratação por uma asso- ciação representativa de pessoas jurídicas, envolvendo pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. O plano coletivo deverá ser disponibilizado, obrigatoriamente, a todos os componentes do grupo que mantenham vínculo jurídico de mesma natureza com a instituidora/averbadora. No entanto, a adesão é facultativa, podendo ser admitidos como participantes: o cônjuge, o(a) companheiro(a) e os filhos e os enteados menores considerados dependentes econômicos do componente do grupo. No caso de contratação coletiva, temos dois tipos de planos: Plano coletivo averbado Plano em que a pessoa jurídica propõe a contratação, ficando investida de poderes de representação exclusivamente para con- tratá-lo, sem participar do custeio do plano. Neste caso, a pes- soa jurídica é denominada averbadora. Plano coletivo instituído Plano em que a pessoa jurídica propõe a contratação, ficando inves- tida de poderes de representação exclusivamente para contratá-lo, participando, total ou parcialmente, do custeio do plano. Nes- se caso, a pessoa jurídica é denominada instituidora. Atenção Além das características e dos benefícios, dos planos de entidades abertas de Previdência Complementar que vere- mos a seguir, um plano coletivo instituído pode prever ainda, entre suas cláusulas, a possibilidade de vesting. Tais cláusulas constam, obrigatoriamente, do contrato entre a EAPC e a instituidora e são, portanto, de expresso e prévio conhecimento do partici- pante. Envolvem condições como mínimos de idade, anos de serviço ou de vinculação ao plano e podem não dar direito à totalidade das contribuições da instituidora. As cláusulas variam de plano para plano. Vesting É o conjunto de cláusulas que o participante é obriga- do a cumprir para ter acesso aos recursos das provisões decorrentes das contribui- ções pagas pela instituidora, líquidos de carregamento, quando for o caso. UNIDADE 3 32PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR EXEMPLO DE CLÁUSULAS DE VESTING: TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO (t) % RESGATÁVEL DA CONTRIBUIÇÃO PAGA PELA EMPRESA tpura Período contributivo Período de diferimento Fundo Período de recebimento da renda Período de pagamento do benefício25 25 60 Período de Cobertura 70 70 UNIDADE 3 35PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ADMISSÃO A contratação de qualquer plano de Previdência Complementar Aberta se dará mediante assinatura da proposta de inscrição, sua protocolização e aceitação pela EAPC, e consequente remessa do certificado de participante. A EAPC pode determinar limites de idade, mínimos e máximos, para ingresso em seus planos. Se o proponente for menor, eles terão de ser representados ou assistidos pelos pais, tutores ou curadores, devendo ser observado o que dispuser a legislação vigente. Para sua aceitação como participante, a pessoa física deve assinar a propos- ta de inscrição e protocolá-la junto à EAPC. Para aceitação da proposta de inscrição, a EAPC poderá exigir comprovação de renda ou provas de saúde, como declaração complementar de saúde ou de atividade laborativa, relató- rio médico, exames específicos e perícia médica. A partir da data do protocolo da proposta de inscrição, a aceitação se dará automaticamente, caso não haja manifestação em contrário da EAPC, no prazo máximo de 15 dias. Contudo, esse prazo pode ser suspenso nos casos em que seja necessária, comprovadamente, a requisição de outros documentos ou dados para análise do risco, devendo ficar claro que a suspensão cessará com a protocolização dos documentos ou dos dados solicitados para análise do risco. — Importante Se o participante, por si ou por seu representante, fizer declarações inexatas ou omitir circunstâncias que possam influir na aceitação da proposta de inscrição ou na mensura- ção da contribuição, perderá o direito ao benefício contratado, além de ficar obrigado à contribuição vencida. Se a inexatidão ou omissão nas declarações não resultar de má-fé do participante, a EAPC terá direito a resolver o contrato ou a cobrar, mesmo após a ocorrência do evento gerador, a diferença da contribuição. Proposta de Inscrição Da proposta de inscrição devem constar várias informações, tais como: ■ denominação e CNPJ da EAPC; ■ número do processo SUSEP; ■ índice e critério a serem utilizados na atualização de valores; ■ percentual de carregamento; UNIDADE 3 36PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ■ valores de benefício e contribuição discriminados por cobertura contratada; ■ data prevista para a concessão do benefício. Aceita a proposta de inscrição pela EAPC, o participante receberá um cer- tificado. O prazo máximo para entrega desse certificado é de 30 dias, a contar da data de protocolo da proposta de inscrição. — Certificado Do certificado do participante devem constar várias informações tais como: ■ denominação e CNPJ da EAPC; ■ número do processo SUSEP; ■ identificação do participante; ■ data do início de vigência do plano. O Regulamento atualizado do plano será colocado à disposição do propo- nente, previamente à contratação, sendo obrigatoriamente remetido ao par- ticipante no ato da inscrição, como parte integrante da proposta de inscrição. CONTRIBUIÇÕES Contribuição é o valor correspondente aos aportes efetuados para custeio do plano. Nos planos em que sejam oferecidas diversas coberturas, deverão ser discriminados, na proposta de inscrição, no certificado de participante, no extrato e nos documentos de cobrança, os valores destinados ao custeio de cada uma das coberturas contratadas. O valor e a periodicidade de pagamento das contribuições poderão ser definidos na proposta de inscrição, sendo facultado ao participante, no caso de cobertura por sobrevivência estruturada na modalidade de con- tribuição variável, efetuar pagamentos adicionais a qualquer tempo. Entre- tanto, fica facultado à EAPC estabelecer critérios objetivos no regulamento do plano, limitando o valor máximo de aportes extraordinários. Também ficam vedadas cláusulas que prevejam qualquer tipo de discricionariedade e cujos efeitos não sejam claros e transparentes para os participantes. O pagamento das contribuições poderá ser efetuado em dinheiro, cheque, ordem de pagamento, documento de ordem de crédito, débito em con- UNIDADE 3 37PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ta-corrente, desconto em folha de pagamento ou por meio de cartão de crédito, devendo ser facultado ao participante o pagamento por mais de uma das formas previstas. Nos planos coletivos instituídos, o documento de cobrança deverá dis- criminar os valores a serem pagos pela instituidora e pelos participantes, quando for o caso. Sob sua exclusiva responsabilidade perante os participantes, a EAPC poderá delegar à instituidora/averbadora o recolhimento das contribui- ções, ficando esta responsável pelo repasse das contribuições, nos prazos contratualmente estabelecidos. A ausência de repasse à EAPC de contribuições de responsabilidade de participantes, recolhidas pela instituidora/averbadora, não poderá prejudi- cá-los em relação a seus direitos. Quando a cobertura contratada for estruturada na modalidade de benefí- cio definido e custeada integralmente pela instituidora, o não pagamento de contribuição ensejará o cancelamento da cobertura, respondendo a EAPC pelo pagamento dos benefícios cujo evento gerador venha a ocorrer até a data da formalização do cancelamento. CARREGAMENTO Poderá ser cobrado carregamento para fazer face às despesas adminis- trativas e de comercialização, ficando vedada a cobrança de inscrição e quaisquer outros encargos ou comissões incidentes sobre o valor das con- tribuições, inclusive a título de intermediação. O valor ou percentual de carregamento, o critério e a forma de cobran- ça deverão constar da proposta de inscrição, da nota técnica atuarial, do regulamento e, no caso de plano coletivo, também do respectivo contrato. O valor, ou percentual estabelecido, não poderá sofrer aumento, ficando sua redução a critério da EAPC. Entretanto, a redução do percentual de carregamento deve ser feita para todos os participantes. Parte do carregamento poderá ser destinada à remuneração dos trabalhos realizados pela instituidora/averbadora, relacionados à divulgação, propa- ganda, serviços de adesão, cobrança, repasse e prestação de informações. O carregamento poderá ser cobrado na data de pagamento da respectiva contribuição, exclusivamente sobre o valor pago, e/ou no momento do res- gate ou da portabilidade. Neste último caso, o carregamento incidirá sobre a parcela do valor do resgate ou sobre a parcela dos recursos portados, correspondente ao valor nominal das contribuições pagas. UNIDADE 3 38PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR VALORES GARANTIDOS Representam direitos dos participantes ou dos beneficiários, previstos em determinadas modalidades de planos de Previdência Complementar Aberta. Nos planos de Previdência Complementar Aberta com cobertura por sobrevivência, é obrigatória a previsão de dois valores garantidos: resgate e portabilidade. O resgate corresponde ao direito que os participantes e quando tecnicamen- te possível, os beneficiários têm, durante o período de diferimento e observa- das determinadas regras, de retirar os recursos da provisão matemática de benefícios a conceder. Já a portabilidade é o direito garantido aos participantes, durante o período de diferimento e observadas determinadas regras, de movimentar os recur- sos da provisão matemática de benefícios a conceder para outros planos. Em contrapartida, nos planos de Previdência Complementar Aberta com cobertura de morte ou invalidez total e permanente, e desde que essas coberturas sejam estruturadas no regime financeiro de capita- lização, é possível a previsão dos seguintes valores garantidos: resgate, saldamento, benefício prolongado e portabilidade. O resgate permite ao participante, antes da ocorrência da morte ou da invalidez total e permanente, retirar os recursos da provisão matemática de benefícios a conceder. A portabilidadepermite ao participante, antes da ocorrência da morte ou da invalidez total e permanente, movimentar os recursos da provisão mate- mática de benefícios a conceder para outro plano de Previdência Comple- mentar Aberta. Como as coberturas de morte e invalidez total e permanente são sem- pre coberturas estruturadas na modalidade de benefício definido, deve ficar claro que só são permitidos resgates ou portabilidades totais. O saldamento consiste na manutenção da cobertura originalmente con- tratada, com redução proporcional do valor do benefício contratado, na eventualidade da interrupção definitiva do pagamento das contribuições. Já o benefício prolongado consiste na redução do período de cobertura contratado, com a manutenção do mesmo valor de benefício contrata- do, na eventualidade de ocorrer a interrupção definitiva do pagamento das contribuições. Atenção Nos planos de Previdência Complementar Aberta com cobertura por sobrevivência estruturada na modalidade de benefício definido, são vedados o resgate parcial e a portabilidade parcial. Atenção No caso de portabilidades, os recursos financeiros deverão ser movimentados diretamente entre as entidades de Previdência, ficando vedado que transitem, de qualquer forma, pelo participante. UNIDADE 3 39PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Exemplo Exemplo de Saldamento e Benefício Prolongado: Suponha que uma pessoa com 20 anos de idade decida contratar um plano de Previ- dência com cobertura de morte estruturada no regime financeiro de capitalização. Uma característica desse plano é que a cobertura será garantida pela entidade de Previdên- cia de forma vitalícia. O valor do benefício contratado é de R$ 100.000,00 e as con- tribuições serão pagas anualmente, com valor igual a R$ 453,23. Transcorridos cinco anos de vigência desse contrato, o participante comunica à entidade de Previdência que não tem mais condições de continuar pagando a contribuição do plano, mas que gostaria de continuar a ter algum tipo de cobertura do plano de Previdência. Dessa forma, a entidade de Previdência faz duas propostas ao seu participante. A primeira delas refere-se ao saldamento, que consistirá em não cobrar mais contribui- ções desse participante e continuar a dar cobertura contra o risco de morte vitalicia- mente. Entretanto, em face do valor de reserva apurado pela entidade de Previdência, o valor do benefício será reduzido de R$ 100.000,00 para aproximadamente R$ 18.540,00. Note que, apesar de deixar de pagar as contribuições anuais do contrato de Previdência, o valor do seu benefício será reduzido, pois a cobertura continuará sendo vitalícia. A segunda proposta refere-se ao benefício prolongado, que consistirá em não cobrar mais contribuições desse segurado e continuar a garantir R$ 100.000,00 de benefício em caso de morte. Todavia, em face do valor da reserva apurado pela entidade de Pre- vidência, para continuar a garantir o mesmo valor de benefício, o período de cobertura do plano de Previdência deverá ser alterado. Como antes a cobertura era vitalícia, ago- ra ela passará a ser temporária por, aproximadamente, mais 15 anos. Note que, apesar de deixar de pagar as contribuições anuais do contrato de Previdência e do valor do benefício continuar a ser o mesmo, o plano deixará de dar cobertura vitalícia, passando a ser uma cobertura temporária por mais 15 anos aproximadamente. Observação: os cálculos acima foram feitos com base na tábua biométrica CSO-80 e na taxa de juros de 6% a.a. Deixamos de apresentar mais detalhes sobre os cálculos, pois eles envolvem aspectos atuariais de maior complexidade. GARANTIAS TÉCNICAS Para garantia de suas operações, as entidades abertas de Previdência Complementar constituirão, mensalmente, provisões matemáticas quando tecnicamente necessárias e de acordo com o regime financeiro adotado. Apresentaremos, abaixo, alguns exemplos: UNIDADE 3 40PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR I – Provisão de Prêmios Não Ganhos (PPNG); II – Provisão de Sinistros a Liquidar (PSL); III – Provisão de Sinistros Ocorridos e Não Avisados (IBNR); IV – Provisão Matemática de Benefícios a Conceder (PMBAC); V – Provisão Matemática de Benefícios Concedidos (PMBC); VI – Provisão Complementar de Cobertura (PCC); VII – Provisão de Despesas Relacionadas (PDR); VIII – Provisão de Excedentes Técnicos (PET); IX – Provisão de Excedentes Financeiros (PEF); X – Provisão de Resgates e Outros Valores a Regularizar (PVR). APURAÇÃO DE RESULTADOS Alguns planos de Previdência Complementar podem prever a reversão de resultados financeiros – excedentes ou déficits. Alguns exemplos desses planos são: PRGP e PAGP. Considera-se resultado financeiro o valor correspondente, ao final do últi- mo dia útil do mês, à diferença entre o valor da parcela do patrimônio líquido do FIE1, correspondente à PMB2, em que estejam aplicados direta- mente os respectivos recursos e o saldo da PMB. Se o valor do resultado financeiro for positivo, há excedente. Neste caso, o valor correspondente ao percentual de reversão deverá ser incorporado à provisão técnica de excedentes financeiros per- tinente, deduzindo-se eventuais déficits cobertos pela entidade de Previdência. Se o valor do resultado financeiro for negativo, há déficit. Nesse caso, a entidade de Previdência deverá cobri-lo totalmente, mediante aporte de recursos à parcela do patrimônio líquido do FIE em que estejam aplicados diretamente os respectivos recursos correspondentes à PMB. 1. Considera-se FIE o fundo de investimento especialmente constituído ou o fundo de investimento em quotas de fundos de investimento especialmente constituídos cujas únicas quotistas sejam, direta ou indiretamente, sociedades seguradoras e entidades abertas de Previdência Complementar ou no caso de fundo com patrimônio segregado, segurados e participantes de planos VGBL – Vida Gerador de Benefício Livre – ou PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre. 2. Refere-se à Provisão Matemática de Benefícios a Conceder ou à Provisão Matemática de Benefícios Concedidos, dependendo se o resultado financeiro é calculado na fase de acumulação de recursos ou na fase de pagamento do benefício sob a forma de renda. FIXANDO CONCEITOS 41PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR FIXANDO CONCEITOS 3 Marque a alternativa correta: 1. A pessoa jurídica contratante que não participa do custeio de um plano de previdência complementar aberta é chamada de: (a) Averbadora. (b) Estipulante. (c) Fundo de pensão. (d) Patrocinadora. (e) Instituidora. 2. A pessoa jurídica contratante que participa, integral ou parcialmente, do custeio de um plano de Previdência Complementar Aberta é chamada de: (a) Estipulante. (b) Averbadora. (c) Instituidora. (d) Patrocinadora. (e) Fundo de pensão. 3. Sobre os valores garantidos, podemos afirmar que: (a) Nos planos de Previdência Complementar Aberta com cobertura por sobrevivência, é obrigatória a previsão de dois valores garanti- dos: resgate e saldamento. (b) Nos planos de Previdência Complementar Aberta com cobertura por sobrevivência, é possível que os beneficiários retirem os recur- sos da provisão matemática de benefícios a conceder. (c) Nos planos de Previdência Complementar Aberta com cobertura por sobrevivência, a portabilidade dos recursos é um direito garan- tido ao segurado e seus beneficiários. (d) Nos planos de Previdência Complementar Aberta com coberturas de risco (morte ou invalidez total e permanente) estruturadas no regime financeiro de repartição, é possível a previsão de saldamento. (e) O saldamento somente é possível nos planos com cobertura por sobrevivência. 4. Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta: I) A cobertura de morte é sempre estruturada na modalidade de benefício definido. II) A cobertura por sobrevivência somente pode ser estruturada na modalidade de contribuição variável. III) Na modalidade de contribuiçãovariável, o valor do benefício é cal- culado ao final do período de diferimento. IV) O valor do benefício de invalidez é definido previamente na propos- ta de inscrição. FIXANDO CONCEITOS 42PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Agora assinale a alternativa correta: (a) Somente I é proposição verdadeira. (b) Somente II é proposição verdadeira. (c) Somente III e IV são proposições verdadeiras. (d) Somente I, III e IV são proposições verdadeiras. (e) Somente II, III e IV são proposições verdadeiras. Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta 5. Quando nos referimos à estrutura básica dos planos de entidades aber- tas de Previdência Complementar, é correto afirmar que: I) Os planos são estruturados com a finalidade de conceder benefícios a pessoas físicas, vinculadas ou não a uma pessoa jurídica, que preencham as condições estabelecidas para participação no plano. II) O plano que é contratado de forma coletiva caracteriza-se por ser acessível a qualquer pessoa física. III) A pessoa jurídica é denominada instituidora quando não participa do custeio do plano. IV) No caso de contratação coletiva, a adesão é obrigatória. (a) Somente I é proposição verdadeira. (b) Somente IV é proposição verdadeira. (c) Somente I e III são proposições verdadeiras. (d) Somente II e IV são proposições verdadeiras. (e) Somente I, II e IV são proposições verdadeiras. Marque a alternativa correta: 6. No que se refere aos planos de entidades abertas de Previdência Com- plementar, podemos afirmar que: (a) As coberturas de morte e invalidez total e permanente são sempre estruturadas na modalidade de contribuição variável. (b) Período de diferimento é o resultado numérico calculado mediante a utilização de taxa de juros e tábua biométrica. (c) Somente a cobertura por sobrevivência pode ser estruturada na modalidade de contribuição variável. (d) O período de cobertura é aquele em que o assistido fará jus ao paga- mento do benefício sob a forma de renda, podendo ser vitalício ou temporário. (e) A cobertura de sobrevivência nunca pode ser estruturada na moda- lidade de benefício definido. FIXANDO CONCEITOS 43PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 7. Sobre as contribuições e carregamento, é correto afirmar que: (a) O pagamento das contribuições somente pode ser efetuado em dinheiro, cheque e cartão de crédito. (b) O valor ou percentual de carregamento não poderá sofrer aumento, ficando sua redução a critério da EAPC. (c) O carregamento poderá ser cobrado para fazer face às despesas administrativas e de comercialização, cobrança de inscrição e outros encargos ou comissões incidentes sobre o valor das contri- buições. (d) Parte do carregamento não poderá ser destinada à remuneração dos trabalhos realizados pela instituidora relacionados à divulgação do plano. (e) O carregamento será cobrado, exclusivamente, na data de pagamento da respectiva contribuição. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 44 UNIDADE 404 PLANOS com COBERTURA por SOBREVIVÊNCIA ■ Entender as características técnicas e operacionais dos planos com cobertura por sobrevivência, permitindo a comercialização de produtos de previdência em conformidade com as condições gerais propostas. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: TÓPICOS DESTA UNIDADE ⊲ COMERCIALIZAÇÃO ⊲ MODALIDADES DE RENDA ⊲ FATORES QUE INFLUENCIAM O VALOR DA RENDA A SER RECEBIDA EM FUNÇÃO DA SOBREVIVÊNCIA ⊲ VALORES GARANTIDOS NO PERÍODO DE DIFERIMENTO ⊲ FIXANDO CONCEITOS 4 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR 45 UNIDADE 4 Os Planos com Cobertura por Sobrevivência garantem o pagamento do capital segurado, pela sobrevivência do segurado ao período de diferimento contratado ou pela compra, mediante pagamento único, de renda imediata. COMERCIALIZAÇÃO Quanto à comercialização do plano, poderão ser divulgadas tabelas com valores de contribuições e benefícios, sendo vedada, porém, a utilização de valores de inflação projetada para datas futuras. De todo modo, o mais comum, é a utilização de simuladores por parte das EAPCs. No caso dos planos coletivos, a propaganda e a promoção do plano por parte da averbadora (pessoa jurídica contratante de um plano de previ- dência que não participa do custeio do plano), instituidora ou corretora somente podem ser feitas com autorização expressa da Entidade Aberta de Previdência Complementar, respeitadas as condições do regulamento, do contrato e das normas vigentes, ficando a EAPC responsável pela fide- dignidade das informações contidas nas divulgações realizadas. As cláusulas relativas às obrigações e aos direitos dos participantes devem ser redigidas em destaque e em linguagem de fácil compreensão, permi- tindo seu imediato e amplo entendimento. — Tipos de Planos de Cobertura por Sobrevivência A seguir serão apresentados os tipos de planos com cobertura por sobre- vivência, que podem ser comercializados pelas empresas de previdência complementar aberta. UNIDADE 4 46PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Entretanto, apesar de existirem vários planos regulamentados pela SUSEP, que poderiam ser oferecidos aos clientes, atualmente, a comercialização restringe-se basicamente ao Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) – Previdência Complementar – e ao Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) – Seguro de Pessoas. E qual a relação com um produto de seguro de pessoas? Isso acontece porque grande parte dos produtos previdenciários que você verá aqui são idênticos aos produtos de seguros de pessoas com cobertura por sobrevi- vência que são apresentados na apostila Seguros de Pessoas. Podemos, inclusive, afirmar que um produto do tipo PGBL (plano de previdência) fun- ciona da mesma forma que um produto do tipo VGBL (plano de seguro de pessoas). O que diferencia os produtos de previdência com cobertura por sobrevivência de seus “irmãos gêmeos”, no segmento de seguros de pes- soas, é o tratamento tributário dado aos valores pagos e recebidos pelo cliente, algo que veremos melhor na última unidade dessa apostila. Com relação à preferência do mercado pelo PGBL – e VGBL –, como vere- mos mais à frente, ambos são planos que não oferecem qualquer garantia durante a fase de acumulação de recursos (também chamada de perío- do de diferimento). Por esse motivo, as empresas preferem comercializar esses produtos ao invés de produtos que tenham algum tipo de garantia, evitando ficar expostas aos riscos inerentes à promessa de taxa de juros ou de índice de atualização de valores. Ainda assim, é importante que você conheça todas as opções regulamentadas pela SUSEP e saiba distinguir suas principais diferenças. Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) Durante o período de diferimento, quando a remuneração da provisão matemática de benefícios a conceder for baseada na rentabilidade da(s) carteira(s) de investimentos de FIE(s), no(s) qual(is) esteja aplicada a totalidade dos respectivos recursos, sem garantia de remuneração mínima e de atualização de valores, e sempre estruturados na modalidade de contribuição variável. O PGBL é um produto do tipo unit link (ou unidade de conta), vin- culando a acumulação de recursos de uma conta individualizada à performance de um fundo de investimento financeiro especialmen- te constituído sem qualquer tipo de garantia de rentabilidade duran- te a fase de acumulação, ou seja, não há qualquer risco biométrico ou financeiro para a EAPC durante o período de diferimento. Tendo em vista que o PGBL é um plano de contribuição variável, o participante pode fazer aportes variáveis de acordo com sua conveniência, desde que a EAPC não tenha estabelecido em seu regulamento, critérios objetivos limitando o valor máximo de aportes extraordinários. UNIDADE 4 47PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Com a regulamentação do PGBL, uniformizou-se e propiciou-se a transparência ao cálculo e à divulgação da rentabilidade de cada plano, idêntica à do respectivo FIE em que foi aplicado o montante das contribuições,