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º
1 
 
É necessário um equilíbrio na resposta imunológica para 
que possamos combater os agentes estranhos, os 
agentes não identificados, e resolver alguns problemas 
no sistema autoimune. 
Quando tivermos uma resposta defeituosa iremos ter o 
aumento da incidência de infecções ou a incidência de 
tumores, principalmente quando temos aquela baixa da 
imunidade adaptativa, dos linfócitos TCD4 e linfócitos B, 
com todo aquele processo de produção ineficiente, 
defeituosa, dessa resposta teremos um aumento dessa 
incidência das infecções. 
No caso da resposta excessiva ou inadequada a gente 
vai ter o estabelecimento de algumas condições, como 
por exemplo, doenças autoimunes, que veremos hoje a 
doença de Hashimoto, mas já vimos as alergias onde 
falamos de algumas reações nesse contexto de 
hipersensibilidade., quando a gente associa a uma 
resposta excessiva ou inadequada. 
 
Na imagem acima podemos ver: 
Bactérias apresentando os PAMPS (Padrões moleculares 
associados aos patógenos), com todo o processo de 
identificação e processamento desse antígeno, com isso 
temos a imunidade inata com os neutrófilos, células 
dendríticas, célula NK, macrófagos, assim como o sistema 
complemento, que em algum momento podem resolver 
essa infecção, onde teremos o controle e o sucesso da 
eliminação, mas em alguns outros casos, pode ter uma 
resposta mais exacerbada por conta dessas células. E não 
difere também das células adaptativas da resposta 
adaptativa onde temos as células de memória, com 
especificidade, que gera memória imunológica e controle. 
Além disso, podemos ter alguns defeitos, principalmente 
relacionados a esse perfil adaptativo, onde pode ativá-lo 
de forma desnecessária e gerar as doenças autoimunes, 
assim como também já vimos as doenças alérgicas. 
 
Função básica do Sistema Imunológico: 
 Distinguir o “próprio” (self) do “não próprio” (nonself); 
 Distinguir o “patogênico” do “não patogênico”. 
A resposta imune ela precisa de uma fase de ativação, 
mas ela também precisa voltar a homeostasia, isso se dá 
através de mecanismos efetores e regulatórios. 
Temos evidências que o sistema imune ele tolera 
antígenos próprios (Ele não pode atacar nossos próprios 
antígenos), antígenos alimentares, antígenos ambientais, 
assim como a nossa microbiota, aquelas bactérias 
comensais, ou seja o sistema imune precisa tolerar, ele 
não pode atacar esses antígenos próprios, chamados 
também de autoantígenos. 
Em ausência de tolerância, caso ocorra algum distúrbio, 
principalmente distúrbio genético, que ocorra ausência 
dessa tolerância, teremos o estabelecimento de: 
 Doenças autoimunes; 
 Reações alérgicas a alimentos; 
 Reações alérgicas a antígenos ambientais; 
 Doenças inflamatórias intestinais. 
Nesse sentido, é preciso entender o que seria essa 
tolerância imunológica. 
º
2 
 
 
Tolerância imunológica → É a não responsabilidade a 
um antígeno, conseguida por meio de uma exposição 
prévia ao mesmo. 
Então para eu tolerar esse antígeno, eu preciso 
identificar esse antígeno e preciso fazer com que o meu 
linfócito não reaja a ele. 
Na homeostase também é conferida essa tolerância 
contra antígenos próprios, além de tolerância contra a 
microbiota, contra a antígenos alimentares e ambientais. 
Sabemos que esse processo da tolerância imunológica é 
um processo ativo antígeno-específico, podendo atuar 
por vezes de forma individual, porém ao olharmos para 
o todo iremos ter um contexto multifatorial. Os estudos 
mostram que ainda não se sabe todos os detalhes, ainda 
tem algumas lacunas e detalhes que não são muito bem 
explicados. 
 
Então, na tolerância imunológica: 
Temos os linfócitos T e/ou B, que quando identificado 
um antígeno, vai ter uma ativação, uma resposta imune. 
Quando falamos desse processo de tolerância 
imunológica, a gente precisa que esse linfócito que reagiu 
a esse autoantígeno seja inativado ou eliminado. 
Vamos ter antígenos autólogos/ou autoantígenos que 
vão induzir esse processo de tolerância, vamos ter 
órgãos específicos onde são gerados vários mecanismos 
de tolerância. Esses mecanismos são fundamentais para 
um bom funcionamento do sistema imune. 
 
Temos ainda: 
 Antígenos tolerógenos ou tolerogênicos → Que são 
esses antígenos que vão induzir a tolerância 
(autoantígenos); 
 Imunógenos → Que são aqueles antígenos que vão 
provocar, que devem provocar uma resposta 
imunológica. (patógenos) 
Como ocorre esse processo de tolerância? 
Temos vários processos adquiridos ativamente, em que 
linfócitos auto-reativos são eliminados ou inativados após 
encontrar os antígenos próprios (autoantígenos). 
Vamos ver que a depender do local, como exemplo no 
Timo, a gente vai ter nesse órgão, uma célula 
apresentadora de antígeno expressando vários 
autoantígenos. 
Exemplo: Temos nesse Timo, uma fila de linfócitos T e 
B, e através dessa APC, será apresentado meus 
autoantígenos para todos esses linfócitos T e B, e ver se 
eles estão tolerando ou não, se eles estão se ativando 
ou não, o normal é não ativar. Se eu tenho autoantígeno, 
eu quero que aquele linfócito não se ative com o meu 
autoantígeno (Antígeno próprio), pois senão eu terei 
problemas lá na frente. 
Vamos entender como é que ocorre esses mecanismos 
e os locais de tolerância. 
 
º
3 
 
O normal é indivíduos não terem linfócitos auto-reativos, 
então queremos eliminá-los nesse processo de 
identificação, mas tem alguns indivíduos, seja por pré-
disposição genética, por alguma infecção viral ou 
bacteriana que pode vir a desenvolver essa 
autoimunidade. 
Temos o nosso sistema imune, bastante complexo, que 
tem mecanismos para eliminar os linfócitos auto-reativos, 
que reconhecem esses antigos próprios. 
É preciso então, testar todos os linfócitos, após todo o 
processo de diferenciação, e da síntese do receptor de 
célula B (BCR) e receptor de célula T (TCR), para verificar 
se esse linfócito está autoreativando ou não. Se ele 
estiver se auto-reativo, é preciso inativar ou eliminar esse 
linfócito. 
 
Podemos ver nesse esquema acima, todo o processo do 
desenvolvimento: Ao exemplo → Desenvolvimento dos 
linfócitos T. 
Nesse desenvolvimento teremos alguns checkpoints 
específicos nesse processo de tolerância imunológica. 
No final teremos: 
 Seleção positiva → Aquela célula que não está 
reagindo contra a um antígeno próprio 
(Autoantígeno); 
 Seleção negativa → Teremos aquela célula que está 
reagindo contra ao antígeno próprio (Autoantígeno), 
então eu preciso inativá-la ou eliminá-la. 
 
 
 
Para isso vamos precisar entender como é que o sistema 
de imune faz isso. 
Iremos dividir em tolerância central e tolerância periférica. 
Tolerância central 
 Tolerância central da célula T → Será feita no timo 
 Tolerância central da célula B → Será feita na 
medula óssea. 
Podemos ter alguns linfócitos que irão passar desse 
processo de tolerância central com isso temos outro 
mecanismo chamado de tolerância periférica. 
Tolerância periférica 
 Tolerância periférica da célula T 
 Tolerância periférica da célula B 
Essa tolerância periférica será em células específicas da 
imunidade adaptativa. Eu não quero essas células auto-
reativas, então para isso é importante entender esses 
mecanismos. 
Na imagem do slide: 
 Tolerância central → A gente vai ter os linfócitos 
imaturos nos órgãos linfoides geradores, todo aquele 
processo de reconhecimento de autoantígeno, com 
a célula apresentadora apresentando vários 
autoantígenos para esses linfócitos imaturos. Nesses 
linfócitos imaturos auto-reativos, a gente terá um 
processo de apoptose que é a deleção, podemos 
ter a mudança nos receptores (edição de receptor 
das células B, onde eu tinha um receptor, e vou fazer 
essa troca desse receptor para ele não reconhecer 
mais os autoantígenos), ou também eu posso mudar 
a subpopulação (iremos desenvolver, fazer a troca 
desses linfócitosauto-reativos em linfócitos TReg, 
exclusiva para a célula TCD4). 
º
4 
 
 Tolerância periférica → Teremos aqueles linfócitos 
auto-reativos que escaparam da tolerância central, 
em mais uma oportunidade de resolver o problema 
na tolerância periférica. Teremos também a 
tolerância periférica da célula B e a tolerância 
periférica da célula T. A gente vai ver aqui alguns 
mecanismos, também desse reconhecimento do 
autoantígeno, dessas células auto-reativas pelo 
sistema imune, que podem ocasionar anergia (Não 
funcionalidade dessa célula auto-reativa), pode 
promover também esse processo de deleção → via 
apoptose, além de termos a opção de usarmos o 
TReg, que foi desenvolvido na tolerância central, 
onde ele (TReg) vai atuar suprimindo esse linfócito 
auto-reativo. 
(Vamos falar melhor desses processos separadamente, 
isso que vimos acima é apenas uma introdução para 
gente visualizar de forma macro como é que ocorrem 
esses mecanismos). 
 
 Tolerância central da célula T → Na tolerância 
central da célula T, vimos que teremos a seleção 
negativa, com o mecanismo de deleção, provocando 
a apoptose e a gente tem também um 
desenvolvimento células T regulatórias (TReg). 
Teremos então a célula apresentadora de antígeno, 
apresentando o autoantígeno, para essa célula T 
imatura e quando há uma ligação muito forte, 
teremos uma ligação realizada com receptores de 
alta afinidade, então eu quero eliminar logo aquela 
célula, porque ela está reagindo muito forte com o 
meu autoantígeno, caso não elimine e essa célula 
auto-reativa escape, teremos problemas muito sério. 
Então vamos ter essas células T auto-reativas, com 
receptores de alta afinidade, sendo eliminadas através 
de apoptose. Quando temos uma célula T reativa 
que não está reagindo de uma forma muito alta, que 
não tem esses receptores de alta afinidade, mas 
ainda está reagindo, iremos mudar o perfil dessa 
célula, o sistema imune vai fazer isso, vai mudar esse 
perfil dessa célula para ela se diferenciar em célula T 
regulatória (TReg), vão ter mecanismos 
epigenéticos, para expressão de um fator específico, 
que é o fator de transcrição Foxp3, encontrado nas 
células TReg. 
Resumindo: Na tolerância central de célula T teremos 
dois caminhos. 
 Célula APC → Apresenta o autoantígeno → Célula 
T imatura → Se ligação muito forte, com receptores 
de alta afinidade → Apoptose. 
ou 
 Célula APC → Apresenta o autoantígeno → Célula 
T imatura → Se ligação baixa/moderada, com 
receptores de menor afinidade → Desenvolvimento 
de TReg. 
Assim a gente já entende como ocorre esse mecanismo 
de tolerância central das células T. 
Ainda nesse processo de tolerância central, vimos que 
essa célula apresentadora de antígenos está 
apresentando diversos antígenos (autoantígenos) que 
existem no nosso corpo, e a gente não quer que aquelas 
células auto-reativas ataquem os nossos autoantígenos. 
 
É preciso entender que é necessária uma apresentação 
prévia para aquelas células não ficarem ativadas, com isso 
as células epiteliais medulares tímicas, presentes no Timo 
(órgão linfoide primário), elas (células epiteliais medulares 
tímicas) produzem esses antígenos, esses autoantígenos, 
sob o controle de uma proteína reguladora autoimune, 
que chamamos de AIRE. 
º
5 
 
 
No slide acima podemos ver a imagem: 
 Na figura A → Temos aí essa proteína reguladora 
de processos de transcrição, onde vão ser 
sintetizados autoantígenos para apresentar para 
célula T. Caso a célula T seja auto-reativa, ou seja, 
reaja a esses autoantígenos, teremos os processos 
de seleção negativa, como por exemplo a apoptose, 
quando essa célula T reage com alta afinidade, ou o 
desenvolvimento de células TReg, quando essa célula 
T reage com baixa/moderada afinidade. 
 Na figura B → Mutações nesse gene AIRE, são a 
causa de uma doença autoimune que afeta múltiplos 
órgãos, essa doença é chamada de Síndrome 
poliendócrina autoimune do tipo 1 (APS 1). Então 
quando há mutações nesse gene AIRE, deixaremos 
de ter a apresentação dos autoantígenos, com isso 
não iremos conseguir identificar essas células T auto-
reativas, levando a um grande problema, pois 
teremos células auto-reativas se proliferando e 
atacando diversos tecidos devido a essa falha 
apresentação antigênica através dessa proteína 
reguladora (AIRE). 
 
 Na figura A → Na resposta normal temos a célula 
dendrítica, apresentando via TCR para a célula T, e 
vemos aí a co-estimulação de outros fatores para 
potencializar essa resposta, como o exemplo do B7, 
e aí vamos ter essa célula efetora, de memória. Isso 
se dá quando estamos falando de um antígeno 
exógeno, algo que queremos eliminar. 
Quando temos um processo de apresentação de 
autoantígenos, a gente viu na tolerância central de célula 
T, que são necessários alguns mecanismos, e na 
tolerância periférica, não será diferente. 
 Figura B ➔ A tolerância periférica também tem 
seus mecanismos contra a essas células auto-reativas. 
Podemos ter: 
✓ Anergia → Será essa não responsividade funcional 
dessas células auto-reativas, então eu vou fazer com 
que essa célula que estava auto-reativa, não 
responda mais, eu vou alterar ela. 
✓ Supressão → Eu posso suprimir essa célula auto-
reativa, através daquele perfil de células TReg, 
através da indução da Foxp3, ou seja, um bloqueio 
nessa ativação dessa célula auto-reativa. 
✓ Deleção → Eu posso deletar essa célula auto-reativa, 
através dessa seleção negativa, com o mecanismo 
de apoptose. 
Veremos cada uma com detalhes: 
. 
Reposta normal → Nesse processo de reconhecimento, 
de apresentação do antígeno, para uma célula T naive, 
além desse reconhecimento do antígeno pelo TCR, 
como vemos na figura acima, temos a estimulação de 
outros coestimuladores, como exemplo o B7 presente 
na célula dendrítica (APC) que vai se ligar com o receptor 
da célula T, chamado de CD28. Isso vai potencializar esses 
sinais de ativação, fazendo todo o processo de expansão 
clonal das células T efetoras, proliferação e diferenciação 
da célula T. Isso é uma resposta normal! 
Como iremos tornar essa célula T auto-reativa, em uma 
célula anérgica? 
Anergia da célula T → No processo do reconhecimento 
do autoantígeno, podemos realizar um bloqueio dessa 
sinalização. Então a célula dendrítica, ao apresentar um 
antígeno, ela vai bloquear esses sinais emitidos pelo 
º
6 
 
autoantígeno para tornar essa célula T não responsiva, 
anérgica. 
Temos ainda outro modo também, que podemos utilizar 
essas células T auto-reativas elas podem expressar 
receptores de superfície específicos na inibição nesse 
processo de apresentação, esses receptores de inibição 
são → CTLA- 4 ou PD-1, ambos irão bloquear a ativação 
do linfócito T. 
Nesse sentido vamos entender melhor esse mecanismo 
de ação da CTLA-4: 
 
Imagem A → Temos a resposta normal, onde teremos 
uma apresentação, via TCR do antígeno, com co-
estimulação de receptores (CD28 e B7), CD28 se liga a 
B7, onde teremos a ativação da célula T, expansão 
clonal, com resposta correta ao antígeno. 
Imagem B → Quando a gente tem a apresentação de 
autoantígenos, e essa célula T fica auto-reativa, essa 
célula T irá estimular a expressão de receptores 
específicos (CTLA-4) que vão desativar aquela célula 
que está auto-reativa. O CTLA-4, nas células T ativada 
ou também nas células TReg ele vai inativar, remover 
essas moléculas de superfície das células apresentadoras 
de antígeno (B7), impedindo essa ligação B7 e CD28, o 
que vai bloquear essa ativação da célula T, levando a não 
responsividade da célula T. Esse seria mais um 
mecanismo de anergia. 
 
Podemos ainda ter mecanismo de supressão. Vimos que 
lá no Timo, as células epiteliais medular tímicas irão 
mudar através da ativação de sinais de transdução com 
o Foxp3, nessas células tímicas, promovendo esse perfil 
de células TReg, e essas células TReg nos linfonodos 
podem inibiressas respostas de células T, assim como 
inibir essas respostas de células auto-reativas nesse 
processo. 
 
No processo de deleção, vamos entender como vai 
ocorrer esse apoptose. 
Devemos lembrar que os autoantígenos de alta afinidade 
deve ser eliminados, se ele passar é um problema sério. 
Então esse mecanismo de deleção vai ser realizado 
através da via mitocondrial, uma via intrínseca, que ela é 
capaz de induzir a apoptose através da regulação de 
várias proteínas que vão induzir sinais apoptóticos, 
teremos a participação das caspases, com ativação de 
receptores de superfície celular (receptores de morte) 
Fas + FasL e TNF, que vão ativar e induzir essa morte 
por via mitocondrial. Posteriormente teremos a 
expressão de ligantes para fagócitos, com esses 
fagócitos limpando esse ambiente, fagocitando essas 
células que entraram nesse processo de apoptose. 
Então assim a gente consegue entender que há diversos 
mecanismos que ocorrem nesse processo dessa ligação 
com autoantígenos de alta afinidade com indução do 
processo de apoptose. 
Temos um resumo dessa parte de tolerância central e 
periférica da célula T 
 
º
7 
 
Quais são as principais diferenças: 
✓ Tolerância central de célula T→ Indução de 
mecanismos de apoptose e a troca para TReg, 
através da indução do fator de transcrição do Foxp3. 
✓ Tolerância periférica de célula T → Temos alguns 
mecanismos: Anergia, deleção e supressão pelo 
TReg que foi modificado na tolerância central. 
Na tolerância central das células B 
✓ Na imagem A →Temos o reconhecimento de 
autoantígeno com alta avidez, temos essa célula B 
auto-reativa, onde teremos um processo de 
apoptose, de deleção. Teremos ainda um outro 
mecanismo que essa tolerância central da célula B 
apresenta, que seria um mecanismo de edição do 
receptor, onde teremos a troca desses receptores, 
podemos ver que acima no receptor está em uma 
forma cubica, e embaixo temos o receptor já de 
uma outra forma, ou seja, é um processo de 
reorganização genética, estando portando 
relacionada com diversos fatores genéticos, no gene 
de indução, de alteração, de edição desse receptor 
de expressão, isso irá reduzir a afinidade ao próprio 
antígeno. Portando tínhamos uma célula B que 
inicialmente estava reagindo ao próprio antígeno, 
mas esse receptor será trocado, não será mais 
específico, e então teremos uma célula B não auto-
reativa. 
✓ Na figura B → Temos o reconhecimento de 
autoantígeno com baixa avidez dessas células B, 
teremos o mecanismo de remoção, através de um 
processo que a gente chama de regulação negativa 
da expressão do receptor. Teremos a participação 
de três receptores nessa identificação do 
autoantígeno (como vermos na figura). Abaixo da 
figura podemos ver que, após esse processo de 
regulação negativa e anergia teremos apenas 01 
receptor para essa identificação, e foi visto que 
nesse mecanismo, nessa célula B, ela torna-se 
anérgica, sem responsividade. 
 
 
Na tolerância periférica da célula B, teremos praticamente 
os mesmos mecanismos que já vimos (só temos 01 que 
não vimos ainda). Temos o autoantígeno, lá na tolerância 
periférica, células apresentando, onde teremos a 
inativação funcional (Anergia), indução da apoptose 
(Deleção). 
Existe ainda, mais um mecanismo que vai ser através da 
adição de alguns receptores de inibição, como estamos 
vendo na figura acima, esse receptor verde. Teremos o 
acoplamento de receptores inibitórios que vão limitar as 
respostas a autoantígenos (estamos vendo em vermelho 
na figura). 
 
✓ Quando falamos desses autoantígenos, eles 
apresentam diversas propriedades que os tornam 
tolerogênicos. 
º
8 
 
✓ Esses autoantígenos são expressos em órgãos 
linfoides geradores, e em tecidos periféricos, esses 
autoantígenos interagem com vários receptores 
antigênicos de linfócitos específicos por períodos 
prolongados, sem inflamação ou imunidade inata. 
Então é um processo que precisa ser feito de tolerância, 
para tolerar esses autoantígenos, sem ativar a imunidade 
inata e nem a imunidade adaptativa. 
Nesse sentido a gente já faz um link com quem 
autoimunidade. 
 
Os fatores que contribuem para o desenvolvimento da 
autoimunidade são a suscetibilidade genética e os 
desencadeadores ambientais, como as infecções e lesão 
tecidual. 
Na imagem A → Aqui temos um exemplo de alguns 
genes, que foram identificados com essa suscetibilidade 
genética que vai promover uma falha, em 01 ou em vários 
daqueles mecanismos de tolerância. Se eu tiver uma falha 
naqueles mecanismos, que vimos que são bem 
específicos e necessários, teremos esses linfócitos auto-
reativos escapando desses mecanismos, ou seja, eles 
não vão participar mais daquela seleção que a gente faz 
bem rígida lá naqueles órgãos centrais e periféricos, e 
teremos os linfócitos auto-reativos ativado, 
reconhecendo vários autoantígenos, em várias partes do 
corpo, ocasionando dano tecidual e inflamação. 
E como essa resposta, estamos falando da imunidade 
adaptativa, ela é bem mais específica, teremos a 
potencialização, a geração de células de memória e 
participação de linfócitos efetores auto-reativos, isso vai 
levar a um dano tecidual. 
 
Falando desses genes de susceptibilidade, a literatura traz 
que foram vistos vários defeitos naqueles genes e 
fatores de transcrição. 
Como podemos ver no quadro acima, podemos ter: 
Defeitos nos mecanismos de tolerância central (AIRE → 
é necessário para expressão de autoantígenos, para 
fazer a seleção das células auto-reativas → Se não tenho 
AIRE podemos ter problema); 
Defeito na produção de células T regulatórias (EX: 
Indução do fator de transcrição do Foxp3); 
Defeitos nos mecanismos de apoptose (EX: Da 
expressão do FAS, FAS-L, com todo aquele processo 
de eliminação dessas células apoptóticas → Se isso não 
ocorrer eu vou ter um problema) 
Alterações naqueles mecanismos de inibição da ativação 
dos linfócitos (Inibição será através de receptores de 
superfície → CTLA-4) 
Então, existem várias doenças relacionadas com defeitos 
genéticos na produção de determinadas proteínas ou 
glicoproteínas que são indispensáveis nesse processo de 
reconhecimento da célula reativa. Então se eu tenho um 
problema, uma falha na expressão, teremos um 
problema, e esse problema vai ser autoimune devido a 
susceptibilidade genética. 
 
º
9 
 
Além disso a gente tem o papel das infecções na 
autoimunidade. Podemos ter as infecções virais e 
bacterianas que podem contribuir para o 
desenvolvimento, além de exacerbação da 
autoimunidade. 
No slide temos: 
Na figura A → Vemos esse processo normal da auto-
tolerância. 
Na figura B → Vemos o microrganismo nessa ativação 
das células apresentadoras de antígenos na expressão 
de coestimuladores nas células dendríticas, com isso 
teremos essa célula T auto-reativa contra o tecido 
próprio. Nesse processo alguns microrganismos 
participam na expressão desses co-estimuladores. 
Devemos Lembrar, que se tiver o co-estimulador, 
teremos uma reação mais intensa, o microrganismo 
nesse caso, está me levando a direção contrária, pois eu 
não quero essa relação intensa aqui. Eu quero é eliminar 
essa relação. Então ele está ali, nessa relação com esses 
co-estimuladores nessas células, fazendo com que essa 
célula T auto-reativa ataque o tecido próprio. 
Na figura C → Conseguimos ver mais um exemplo, com 
o mimetismo molecular, onde a gente tem o 
microrganismo, o antígeno microbiano fazendo todo o 
seu processo de apresentação, expansão dessas células. 
Quando a gente tem alguns peptídeos que tem tanto na 
proteína microbiana, como na proteína própria, a gente 
pode reconhecer através dessas células T e B esse 
antígeno, esse autoantígeno, então vai reconhecer esse 
autoantígeno e vai gerar a sua resposta, vai eliminar, 
conceituando também mais um mecanismo de 
autoimunidade, que também vimos na doença de chagas. 
As doenças autoimunes, afetamvárias pessoas, 10% da 
população é acometida, e a falha dos mecanismos de 
auto-tolerância vão ter a potencialização, a disseminação 
de linfócitos auto-reativos ativados, com isso teremos 
respostas imunológicas que se voltam contra o próprio 
organismo. 
Iremos falar da disfunção da tireoide com segmento na 
tireoidite de Hashimoto. 
A tireoide é uma glândula localizada abaixo da laringe, na 
porção anterior da traqueia, mede cerca de 5 cm, pesa 
em torno de 15 gramas. Ela secreta diversos hormônios 
que atua em diversos sistemas do organismo. 
Tem atuação em: 
Sistema nervoso central, atua na função cognitiva, atua 
na memória, capacidade de concentração, no aparelho 
cardiovascular, atua também na regulação do 
metabolismo ósseo, atua no relaxamento dos vasos e 
veias, participam da manutenção da temperatura 
corporal, no metabolismo dos carboidratos. Então são 
hormônios que são secretados pela tireoide que são 
fundamentais para esses processos acima. 
 
 
A tireoide tem esse formato aqui de borboleta, localizada 
abaixo do pombo de Adão, possui dois lóbulos, o lóbulo 
esquerda e lóbulo direito, e possui uma região que une 
esses dois lóbulos chamado de istmo. 
º
10 
 
 
A função da tireoide → É a síntese e armazenamento 
daqueles hormônios que estão relacionados com diversos 
processos (T3 e T4). 
Na imagem podemos ver a presença de vários folículos, 
com as células cuboide ao redor formando basicamente 
um círculo. Dentro desses folículos temos a presença do 
coloide, onde temos a tireoglobulina, onde há o processo 
da síntese de todos os hormônios (T3 e T4). 
 
Esses hormônios tireoidianos são regulados a partir de 
precursores no hipotálamo e na hipófise, então vão ter 
hormônios fundamentais para gente fazer a captação 
principalmente de iodo, processar, fazer vários 
processamentos bioquímicos para sintetização dos 
hormônios T3, T4 e calcitonina. 
 
Quanto a fisiologia desses hormônios tireoidianos, ela se 
dá a partir dessa captura de iodo, com a oxidação, e 
conjugação em T3 (Triiodotironina) e T4 
(Tetraiodotirorina ou tiroxina) que serão sintetizadas a 
partir desse estímulo de TSH. 
A calcitonina é sintetizada pelas células parafolicular da 
glândula tireoide, em um processo de transcrição 
genética. 
A função desses hormônios → Manutenção da 
homeostase e regulação do consumo de energia. 
 
A ação desses hormônios → Consiste em ativar a 
transcrição nuclear de um grande número de genes para 
resposta celular. Teremos o T3 e T4 sendo endocitados, 
teremos a ativação de fatores genético, então teremos 
uma série de eventos bioquímicos que vão potencializar 
uma transdução de sinal, uma resposta celular específica 
com a ativação ou inibição de alguns genes bem 
específicos, que vão promover alterações na atividade 
enzimática, alterações na permeabilidade da membrana, 
assim como demais respostas que afetam a função 
celular. 
Inicialmente temos esse processo voltado mais para essa 
análise bioquímica e genética, onde temos várias 
respostas, várias cascatas de transdução de sinais que 
vão ativar alguns genes nas alterações da atividade 
enzimática, permeabilidade da membrana e várias outras 
respostas que vão afetar a função celular. 
Isso está relacionada com: 
 
 
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Para gente fechar essa parte aqui da tireoide, e ir para 
tireoide de Hashimoto, temos mais um aspecto de 
regulação, que iremos chamar de retroalimentação 
negativa. 
A tireoide ela é capaz de regular sua própria atividade 
através da inibição da TSH. Teremos a participação do 
sistema endócrino e do sistema nervoso central. 
Quando temos uma baixa produção, quando existe níveis 
baixos de T3 e de T4, teremos um processo de 
estimulação do hipotálamo para produzir TRH, assim 
como a hipófise produzir TSH. 
A partir da produção de TSH, teremos a captura da 
tireoide, principalmente a partir do iodo, na síntese do T3 
e T4, que vão atuar nas células alvo. Quando a gente 
tem níveis normais de T3 e T4 vamos ter o que 
chamamos de retroalimentação negativa, terá inibição do 
hipotálamo e hipófise na síntese e produção da TRH e 
TSH. Sem o TSH a gente vai ter diminuído essa 
produção de iodo e estimulação da tireoide. Então esse 
é um mecanismo para manter os níveis normais dos 
hormônios, pois não queremos nem os níveis elevados 
e nem abaixo do normal, ou seja, essa regulação serve 
para manter esses níveis normais dos hormônios. 
Tireoidite de Hashimoto → É uma doença autoimune da 
tireoide. 
Essas doenças autoimunes são crônicas, incluem diversas 
doenças inflamatórias da tireoide, não só a tireoide de 
Hashimoto, como temos o exemplo também da Doença 
de Graves. 
Essa imunidade dessas doenças autoimunes elas são 
multifatoriais, portando não atrelamos apenas a um fator, 
são vários fatores, que são caracterizadas pela presença 
de linfócitos auto-reativos liberando autoanticorpos contra 
a tecidos tireoidianos. 
Quais são esses fatores evolvidos nesse processo 
envolvido com a tireoidite de Hashimoto? 
 
Os principais fatores envolvidos com a tireoidite de 
Hashimoto são → Predisposição genética e fatores 
ambientais (são os principais), que vão alterar o sistema 
imunológico. 
Nessa regulação alterada teremos um infiltrado de células 
imunes, citocinas pró-inflamatórias potencializando e a 
produção de autoanticorpos. 
 
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Os linfócitos tornam-se sensíveis aos autoantígenos da 
tireoide formando autoanticorpos e células específicas 
contra os autoantígenos, a partir daí a gente vai ter uma 
liberação de citocinas potencializando aquele processo de 
inflamação e destruição dessas células da tireoide. 
Foi visto também que há defeitos nos linfócitos 
TRegulatórios, onde lembramos daquela sucessibilidade 
genética que a gente fez a relação, e aqui também foi 
visto que na imunopatogênese da tireoide de Hashimoto 
também teremos defeitos nesses linfócitos 
TRegulatórios, indispensáveis para vários processos. Com 
isso, teremos a formação de alguns autoanticorpos, 
como por exemplo o anticorpo antitireoglobuina (Tg AC), 
o anticorpo antiperoxidase tireoidiana (POT Ac) e o 
anticorpo bloqueador do receptor de TSH (TSH -R [bloq] 
Ac. 
Adentrando um pouco mais nessa plataforma 
imunológica teremos também, citocinas pró-inflamatórias 
como exemplo o Interferon gama, que vão estimular a 
expressão do MHC de classe II que vão facilitar a 
apresentação antígenos aos linfócitos TCD4 e 
amplificação da resposta imune, como se já não bastasse 
a produção de autoanticorpos teremos ainda essas 
citocinas pró-inflamatórias fazendo com que aquelas 
células expressem MHC de classe II, esse MHC de classe 
II expresso, vamos ter uma amplificação da resposta 
através dos linfócitos auxiliares TCD4 amplificando essa 
resposta imune. 
Nesse sentido, a gente já entende esse papel geral da 
imunopatogênese. 
 
Falando em pouquinho mais de mecanismos 
imunológicos: 
Vamos ter as populações de TCD4, célula B e TCD8, 
auto-reativas. Com a célula B auto-reativa teremos a 
diferenciação em plasmócito e a liberação de 
autoanticorpo ocasionando esse processo de dano, de 
necrose, de apoptose. 
Temos também as células T citotóxicas induzindo o 
mecanismo de apoptose, com liberação de perforina e 
granzima, isso tudo vai ocasionar a morte das células da 
tireoide e o hipotireoidismo relacionado com a doença de 
Hashimoto. 
 
Trazendo um pouco mais descrito esses processos: 
 Figura A → Teremos o plasmócito liberando 
anticorpo, que vai ativar o sistema complemento na 
necrose; 
 Figura B → Temos as células T citotóxicas induzindo 
a formação de granzima e perforina e gerando 
apoptose; 
 Figura C → Também foi visto que há participação 
daqueles receptores de morte (Receptor de TNF). 
potencializando o dano, o suicídio dessa célula e o 
processo de apoptose. 
 
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Vimos que são fatores endógenos e exógenos, que 
participam nesse processo de apresentaçãoantigênica, 
fazendo com que esses linfócitos se tornem auto-
reativos. 
Esses linfócitos auto-reativos, onde vemos a célula B 
liberando anticorpo e ativando complemento, vemos a 
célula TCD4 através de alguns mecanismos bem 
específicos, onde temos a estimulação de caspases 
providenciando esse processo apoptótico, e ainda temos 
as células TCD8 com participação de perforina e 
granzima no processo. 
 
A tireoide de Hashimoto se caracteriza por essa 
destruição progressiva das células da tireoide, através 
desse processo autoimune, com a ativação da inflamação 
e essa diminuição dos hormônios tireoidianos, 
ocasionando esse hipotireoidismo. 
Esse hipotireoidismo, terá relação com todos aqueles 
fatores que vimos, e se temos a regulação desses 
hormônios principais, os danos a essas células causados 
devido a essa hipotireoidismo, vai causar um problema, 
teremos uma condição que vai envolver a redução 
acentuada da atividade metabólica em diversas células e 
tecidos. 
Esse hipotireoidismo nessa tireoide, onde ela estará 
hipoativa, estará relacionada com vários sinais e sintomas 
conforme vemos abaixo.

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