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º 1 É necessário um equilíbrio na resposta imunológica para que possamos combater os agentes estranhos, os agentes não identificados, e resolver alguns problemas no sistema autoimune. Quando tivermos uma resposta defeituosa iremos ter o aumento da incidência de infecções ou a incidência de tumores, principalmente quando temos aquela baixa da imunidade adaptativa, dos linfócitos TCD4 e linfócitos B, com todo aquele processo de produção ineficiente, defeituosa, dessa resposta teremos um aumento dessa incidência das infecções. No caso da resposta excessiva ou inadequada a gente vai ter o estabelecimento de algumas condições, como por exemplo, doenças autoimunes, que veremos hoje a doença de Hashimoto, mas já vimos as alergias onde falamos de algumas reações nesse contexto de hipersensibilidade., quando a gente associa a uma resposta excessiva ou inadequada. Na imagem acima podemos ver: Bactérias apresentando os PAMPS (Padrões moleculares associados aos patógenos), com todo o processo de identificação e processamento desse antígeno, com isso temos a imunidade inata com os neutrófilos, células dendríticas, célula NK, macrófagos, assim como o sistema complemento, que em algum momento podem resolver essa infecção, onde teremos o controle e o sucesso da eliminação, mas em alguns outros casos, pode ter uma resposta mais exacerbada por conta dessas células. E não difere também das células adaptativas da resposta adaptativa onde temos as células de memória, com especificidade, que gera memória imunológica e controle. Além disso, podemos ter alguns defeitos, principalmente relacionados a esse perfil adaptativo, onde pode ativá-lo de forma desnecessária e gerar as doenças autoimunes, assim como também já vimos as doenças alérgicas. Função básica do Sistema Imunológico: Distinguir o “próprio” (self) do “não próprio” (nonself); Distinguir o “patogênico” do “não patogênico”. A resposta imune ela precisa de uma fase de ativação, mas ela também precisa voltar a homeostasia, isso se dá através de mecanismos efetores e regulatórios. Temos evidências que o sistema imune ele tolera antígenos próprios (Ele não pode atacar nossos próprios antígenos), antígenos alimentares, antígenos ambientais, assim como a nossa microbiota, aquelas bactérias comensais, ou seja o sistema imune precisa tolerar, ele não pode atacar esses antígenos próprios, chamados também de autoantígenos. Em ausência de tolerância, caso ocorra algum distúrbio, principalmente distúrbio genético, que ocorra ausência dessa tolerância, teremos o estabelecimento de: Doenças autoimunes; Reações alérgicas a alimentos; Reações alérgicas a antígenos ambientais; Doenças inflamatórias intestinais. Nesse sentido, é preciso entender o que seria essa tolerância imunológica. º 2 Tolerância imunológica → É a não responsabilidade a um antígeno, conseguida por meio de uma exposição prévia ao mesmo. Então para eu tolerar esse antígeno, eu preciso identificar esse antígeno e preciso fazer com que o meu linfócito não reaja a ele. Na homeostase também é conferida essa tolerância contra antígenos próprios, além de tolerância contra a microbiota, contra a antígenos alimentares e ambientais. Sabemos que esse processo da tolerância imunológica é um processo ativo antígeno-específico, podendo atuar por vezes de forma individual, porém ao olharmos para o todo iremos ter um contexto multifatorial. Os estudos mostram que ainda não se sabe todos os detalhes, ainda tem algumas lacunas e detalhes que não são muito bem explicados. Então, na tolerância imunológica: Temos os linfócitos T e/ou B, que quando identificado um antígeno, vai ter uma ativação, uma resposta imune. Quando falamos desse processo de tolerância imunológica, a gente precisa que esse linfócito que reagiu a esse autoantígeno seja inativado ou eliminado. Vamos ter antígenos autólogos/ou autoantígenos que vão induzir esse processo de tolerância, vamos ter órgãos específicos onde são gerados vários mecanismos de tolerância. Esses mecanismos são fundamentais para um bom funcionamento do sistema imune. Temos ainda: Antígenos tolerógenos ou tolerogênicos → Que são esses antígenos que vão induzir a tolerância (autoantígenos); Imunógenos → Que são aqueles antígenos que vão provocar, que devem provocar uma resposta imunológica. (patógenos) Como ocorre esse processo de tolerância? Temos vários processos adquiridos ativamente, em que linfócitos auto-reativos são eliminados ou inativados após encontrar os antígenos próprios (autoantígenos). Vamos ver que a depender do local, como exemplo no Timo, a gente vai ter nesse órgão, uma célula apresentadora de antígeno expressando vários autoantígenos. Exemplo: Temos nesse Timo, uma fila de linfócitos T e B, e através dessa APC, será apresentado meus autoantígenos para todos esses linfócitos T e B, e ver se eles estão tolerando ou não, se eles estão se ativando ou não, o normal é não ativar. Se eu tenho autoantígeno, eu quero que aquele linfócito não se ative com o meu autoantígeno (Antígeno próprio), pois senão eu terei problemas lá na frente. Vamos entender como é que ocorre esses mecanismos e os locais de tolerância. º 3 O normal é indivíduos não terem linfócitos auto-reativos, então queremos eliminá-los nesse processo de identificação, mas tem alguns indivíduos, seja por pré- disposição genética, por alguma infecção viral ou bacteriana que pode vir a desenvolver essa autoimunidade. Temos o nosso sistema imune, bastante complexo, que tem mecanismos para eliminar os linfócitos auto-reativos, que reconhecem esses antigos próprios. É preciso então, testar todos os linfócitos, após todo o processo de diferenciação, e da síntese do receptor de célula B (BCR) e receptor de célula T (TCR), para verificar se esse linfócito está autoreativando ou não. Se ele estiver se auto-reativo, é preciso inativar ou eliminar esse linfócito. Podemos ver nesse esquema acima, todo o processo do desenvolvimento: Ao exemplo → Desenvolvimento dos linfócitos T. Nesse desenvolvimento teremos alguns checkpoints específicos nesse processo de tolerância imunológica. No final teremos: Seleção positiva → Aquela célula que não está reagindo contra a um antígeno próprio (Autoantígeno); Seleção negativa → Teremos aquela célula que está reagindo contra ao antígeno próprio (Autoantígeno), então eu preciso inativá-la ou eliminá-la. Para isso vamos precisar entender como é que o sistema de imune faz isso. Iremos dividir em tolerância central e tolerância periférica. Tolerância central Tolerância central da célula T → Será feita no timo Tolerância central da célula B → Será feita na medula óssea. Podemos ter alguns linfócitos que irão passar desse processo de tolerância central com isso temos outro mecanismo chamado de tolerância periférica. Tolerância periférica Tolerância periférica da célula T Tolerância periférica da célula B Essa tolerância periférica será em células específicas da imunidade adaptativa. Eu não quero essas células auto- reativas, então para isso é importante entender esses mecanismos. Na imagem do slide: Tolerância central → A gente vai ter os linfócitos imaturos nos órgãos linfoides geradores, todo aquele processo de reconhecimento de autoantígeno, com a célula apresentadora apresentando vários autoantígenos para esses linfócitos imaturos. Nesses linfócitos imaturos auto-reativos, a gente terá um processo de apoptose que é a deleção, podemos ter a mudança nos receptores (edição de receptor das células B, onde eu tinha um receptor, e vou fazer essa troca desse receptor para ele não reconhecer mais os autoantígenos), ou também eu posso mudar a subpopulação (iremos desenvolver, fazer a troca desses linfócitosauto-reativos em linfócitos TReg, exclusiva para a célula TCD4). º 4 Tolerância periférica → Teremos aqueles linfócitos auto-reativos que escaparam da tolerância central, em mais uma oportunidade de resolver o problema na tolerância periférica. Teremos também a tolerância periférica da célula B e a tolerância periférica da célula T. A gente vai ver aqui alguns mecanismos, também desse reconhecimento do autoantígeno, dessas células auto-reativas pelo sistema imune, que podem ocasionar anergia (Não funcionalidade dessa célula auto-reativa), pode promover também esse processo de deleção → via apoptose, além de termos a opção de usarmos o TReg, que foi desenvolvido na tolerância central, onde ele (TReg) vai atuar suprimindo esse linfócito auto-reativo. (Vamos falar melhor desses processos separadamente, isso que vimos acima é apenas uma introdução para gente visualizar de forma macro como é que ocorrem esses mecanismos). Tolerância central da célula T → Na tolerância central da célula T, vimos que teremos a seleção negativa, com o mecanismo de deleção, provocando a apoptose e a gente tem também um desenvolvimento células T regulatórias (TReg). Teremos então a célula apresentadora de antígeno, apresentando o autoantígeno, para essa célula T imatura e quando há uma ligação muito forte, teremos uma ligação realizada com receptores de alta afinidade, então eu quero eliminar logo aquela célula, porque ela está reagindo muito forte com o meu autoantígeno, caso não elimine e essa célula auto-reativa escape, teremos problemas muito sério. Então vamos ter essas células T auto-reativas, com receptores de alta afinidade, sendo eliminadas através de apoptose. Quando temos uma célula T reativa que não está reagindo de uma forma muito alta, que não tem esses receptores de alta afinidade, mas ainda está reagindo, iremos mudar o perfil dessa célula, o sistema imune vai fazer isso, vai mudar esse perfil dessa célula para ela se diferenciar em célula T regulatória (TReg), vão ter mecanismos epigenéticos, para expressão de um fator específico, que é o fator de transcrição Foxp3, encontrado nas células TReg. Resumindo: Na tolerância central de célula T teremos dois caminhos. Célula APC → Apresenta o autoantígeno → Célula T imatura → Se ligação muito forte, com receptores de alta afinidade → Apoptose. ou Célula APC → Apresenta o autoantígeno → Célula T imatura → Se ligação baixa/moderada, com receptores de menor afinidade → Desenvolvimento de TReg. Assim a gente já entende como ocorre esse mecanismo de tolerância central das células T. Ainda nesse processo de tolerância central, vimos que essa célula apresentadora de antígenos está apresentando diversos antígenos (autoantígenos) que existem no nosso corpo, e a gente não quer que aquelas células auto-reativas ataquem os nossos autoantígenos. É preciso entender que é necessária uma apresentação prévia para aquelas células não ficarem ativadas, com isso as células epiteliais medulares tímicas, presentes no Timo (órgão linfoide primário), elas (células epiteliais medulares tímicas) produzem esses antígenos, esses autoantígenos, sob o controle de uma proteína reguladora autoimune, que chamamos de AIRE. º 5 No slide acima podemos ver a imagem: Na figura A → Temos aí essa proteína reguladora de processos de transcrição, onde vão ser sintetizados autoantígenos para apresentar para célula T. Caso a célula T seja auto-reativa, ou seja, reaja a esses autoantígenos, teremos os processos de seleção negativa, como por exemplo a apoptose, quando essa célula T reage com alta afinidade, ou o desenvolvimento de células TReg, quando essa célula T reage com baixa/moderada afinidade. Na figura B → Mutações nesse gene AIRE, são a causa de uma doença autoimune que afeta múltiplos órgãos, essa doença é chamada de Síndrome poliendócrina autoimune do tipo 1 (APS 1). Então quando há mutações nesse gene AIRE, deixaremos de ter a apresentação dos autoantígenos, com isso não iremos conseguir identificar essas células T auto- reativas, levando a um grande problema, pois teremos células auto-reativas se proliferando e atacando diversos tecidos devido a essa falha apresentação antigênica através dessa proteína reguladora (AIRE). Na figura A → Na resposta normal temos a célula dendrítica, apresentando via TCR para a célula T, e vemos aí a co-estimulação de outros fatores para potencializar essa resposta, como o exemplo do B7, e aí vamos ter essa célula efetora, de memória. Isso se dá quando estamos falando de um antígeno exógeno, algo que queremos eliminar. Quando temos um processo de apresentação de autoantígenos, a gente viu na tolerância central de célula T, que são necessários alguns mecanismos, e na tolerância periférica, não será diferente. Figura B ➔ A tolerância periférica também tem seus mecanismos contra a essas células auto-reativas. Podemos ter: ✓ Anergia → Será essa não responsividade funcional dessas células auto-reativas, então eu vou fazer com que essa célula que estava auto-reativa, não responda mais, eu vou alterar ela. ✓ Supressão → Eu posso suprimir essa célula auto- reativa, através daquele perfil de células TReg, através da indução da Foxp3, ou seja, um bloqueio nessa ativação dessa célula auto-reativa. ✓ Deleção → Eu posso deletar essa célula auto-reativa, através dessa seleção negativa, com o mecanismo de apoptose. Veremos cada uma com detalhes: . Reposta normal → Nesse processo de reconhecimento, de apresentação do antígeno, para uma célula T naive, além desse reconhecimento do antígeno pelo TCR, como vemos na figura acima, temos a estimulação de outros coestimuladores, como exemplo o B7 presente na célula dendrítica (APC) que vai se ligar com o receptor da célula T, chamado de CD28. Isso vai potencializar esses sinais de ativação, fazendo todo o processo de expansão clonal das células T efetoras, proliferação e diferenciação da célula T. Isso é uma resposta normal! Como iremos tornar essa célula T auto-reativa, em uma célula anérgica? Anergia da célula T → No processo do reconhecimento do autoantígeno, podemos realizar um bloqueio dessa sinalização. Então a célula dendrítica, ao apresentar um antígeno, ela vai bloquear esses sinais emitidos pelo º 6 autoantígeno para tornar essa célula T não responsiva, anérgica. Temos ainda outro modo também, que podemos utilizar essas células T auto-reativas elas podem expressar receptores de superfície específicos na inibição nesse processo de apresentação, esses receptores de inibição são → CTLA- 4 ou PD-1, ambos irão bloquear a ativação do linfócito T. Nesse sentido vamos entender melhor esse mecanismo de ação da CTLA-4: Imagem A → Temos a resposta normal, onde teremos uma apresentação, via TCR do antígeno, com co- estimulação de receptores (CD28 e B7), CD28 se liga a B7, onde teremos a ativação da célula T, expansão clonal, com resposta correta ao antígeno. Imagem B → Quando a gente tem a apresentação de autoantígenos, e essa célula T fica auto-reativa, essa célula T irá estimular a expressão de receptores específicos (CTLA-4) que vão desativar aquela célula que está auto-reativa. O CTLA-4, nas células T ativada ou também nas células TReg ele vai inativar, remover essas moléculas de superfície das células apresentadoras de antígeno (B7), impedindo essa ligação B7 e CD28, o que vai bloquear essa ativação da célula T, levando a não responsividade da célula T. Esse seria mais um mecanismo de anergia. Podemos ainda ter mecanismo de supressão. Vimos que lá no Timo, as células epiteliais medular tímicas irão mudar através da ativação de sinais de transdução com o Foxp3, nessas células tímicas, promovendo esse perfil de células TReg, e essas células TReg nos linfonodos podem inibiressas respostas de células T, assim como inibir essas respostas de células auto-reativas nesse processo. No processo de deleção, vamos entender como vai ocorrer esse apoptose. Devemos lembrar que os autoantígenos de alta afinidade deve ser eliminados, se ele passar é um problema sério. Então esse mecanismo de deleção vai ser realizado através da via mitocondrial, uma via intrínseca, que ela é capaz de induzir a apoptose através da regulação de várias proteínas que vão induzir sinais apoptóticos, teremos a participação das caspases, com ativação de receptores de superfície celular (receptores de morte) Fas + FasL e TNF, que vão ativar e induzir essa morte por via mitocondrial. Posteriormente teremos a expressão de ligantes para fagócitos, com esses fagócitos limpando esse ambiente, fagocitando essas células que entraram nesse processo de apoptose. Então assim a gente consegue entender que há diversos mecanismos que ocorrem nesse processo dessa ligação com autoantígenos de alta afinidade com indução do processo de apoptose. Temos um resumo dessa parte de tolerância central e periférica da célula T º 7 Quais são as principais diferenças: ✓ Tolerância central de célula T→ Indução de mecanismos de apoptose e a troca para TReg, através da indução do fator de transcrição do Foxp3. ✓ Tolerância periférica de célula T → Temos alguns mecanismos: Anergia, deleção e supressão pelo TReg que foi modificado na tolerância central. Na tolerância central das células B ✓ Na imagem A →Temos o reconhecimento de autoantígeno com alta avidez, temos essa célula B auto-reativa, onde teremos um processo de apoptose, de deleção. Teremos ainda um outro mecanismo que essa tolerância central da célula B apresenta, que seria um mecanismo de edição do receptor, onde teremos a troca desses receptores, podemos ver que acima no receptor está em uma forma cubica, e embaixo temos o receptor já de uma outra forma, ou seja, é um processo de reorganização genética, estando portando relacionada com diversos fatores genéticos, no gene de indução, de alteração, de edição desse receptor de expressão, isso irá reduzir a afinidade ao próprio antígeno. Portando tínhamos uma célula B que inicialmente estava reagindo ao próprio antígeno, mas esse receptor será trocado, não será mais específico, e então teremos uma célula B não auto- reativa. ✓ Na figura B → Temos o reconhecimento de autoantígeno com baixa avidez dessas células B, teremos o mecanismo de remoção, através de um processo que a gente chama de regulação negativa da expressão do receptor. Teremos a participação de três receptores nessa identificação do autoantígeno (como vermos na figura). Abaixo da figura podemos ver que, após esse processo de regulação negativa e anergia teremos apenas 01 receptor para essa identificação, e foi visto que nesse mecanismo, nessa célula B, ela torna-se anérgica, sem responsividade. Na tolerância periférica da célula B, teremos praticamente os mesmos mecanismos que já vimos (só temos 01 que não vimos ainda). Temos o autoantígeno, lá na tolerância periférica, células apresentando, onde teremos a inativação funcional (Anergia), indução da apoptose (Deleção). Existe ainda, mais um mecanismo que vai ser através da adição de alguns receptores de inibição, como estamos vendo na figura acima, esse receptor verde. Teremos o acoplamento de receptores inibitórios que vão limitar as respostas a autoantígenos (estamos vendo em vermelho na figura). ✓ Quando falamos desses autoantígenos, eles apresentam diversas propriedades que os tornam tolerogênicos. º 8 ✓ Esses autoantígenos são expressos em órgãos linfoides geradores, e em tecidos periféricos, esses autoantígenos interagem com vários receptores antigênicos de linfócitos específicos por períodos prolongados, sem inflamação ou imunidade inata. Então é um processo que precisa ser feito de tolerância, para tolerar esses autoantígenos, sem ativar a imunidade inata e nem a imunidade adaptativa. Nesse sentido a gente já faz um link com quem autoimunidade. Os fatores que contribuem para o desenvolvimento da autoimunidade são a suscetibilidade genética e os desencadeadores ambientais, como as infecções e lesão tecidual. Na imagem A → Aqui temos um exemplo de alguns genes, que foram identificados com essa suscetibilidade genética que vai promover uma falha, em 01 ou em vários daqueles mecanismos de tolerância. Se eu tiver uma falha naqueles mecanismos, que vimos que são bem específicos e necessários, teremos esses linfócitos auto- reativos escapando desses mecanismos, ou seja, eles não vão participar mais daquela seleção que a gente faz bem rígida lá naqueles órgãos centrais e periféricos, e teremos os linfócitos auto-reativos ativado, reconhecendo vários autoantígenos, em várias partes do corpo, ocasionando dano tecidual e inflamação. E como essa resposta, estamos falando da imunidade adaptativa, ela é bem mais específica, teremos a potencialização, a geração de células de memória e participação de linfócitos efetores auto-reativos, isso vai levar a um dano tecidual. Falando desses genes de susceptibilidade, a literatura traz que foram vistos vários defeitos naqueles genes e fatores de transcrição. Como podemos ver no quadro acima, podemos ter: Defeitos nos mecanismos de tolerância central (AIRE → é necessário para expressão de autoantígenos, para fazer a seleção das células auto-reativas → Se não tenho AIRE podemos ter problema); Defeito na produção de células T regulatórias (EX: Indução do fator de transcrição do Foxp3); Defeitos nos mecanismos de apoptose (EX: Da expressão do FAS, FAS-L, com todo aquele processo de eliminação dessas células apoptóticas → Se isso não ocorrer eu vou ter um problema) Alterações naqueles mecanismos de inibição da ativação dos linfócitos (Inibição será através de receptores de superfície → CTLA-4) Então, existem várias doenças relacionadas com defeitos genéticos na produção de determinadas proteínas ou glicoproteínas que são indispensáveis nesse processo de reconhecimento da célula reativa. Então se eu tenho um problema, uma falha na expressão, teremos um problema, e esse problema vai ser autoimune devido a susceptibilidade genética. º 9 Além disso a gente tem o papel das infecções na autoimunidade. Podemos ter as infecções virais e bacterianas que podem contribuir para o desenvolvimento, além de exacerbação da autoimunidade. No slide temos: Na figura A → Vemos esse processo normal da auto- tolerância. Na figura B → Vemos o microrganismo nessa ativação das células apresentadoras de antígenos na expressão de coestimuladores nas células dendríticas, com isso teremos essa célula T auto-reativa contra o tecido próprio. Nesse processo alguns microrganismos participam na expressão desses co-estimuladores. Devemos Lembrar, que se tiver o co-estimulador, teremos uma reação mais intensa, o microrganismo nesse caso, está me levando a direção contrária, pois eu não quero essa relação intensa aqui. Eu quero é eliminar essa relação. Então ele está ali, nessa relação com esses co-estimuladores nessas células, fazendo com que essa célula T auto-reativa ataque o tecido próprio. Na figura C → Conseguimos ver mais um exemplo, com o mimetismo molecular, onde a gente tem o microrganismo, o antígeno microbiano fazendo todo o seu processo de apresentação, expansão dessas células. Quando a gente tem alguns peptídeos que tem tanto na proteína microbiana, como na proteína própria, a gente pode reconhecer através dessas células T e B esse antígeno, esse autoantígeno, então vai reconhecer esse autoantígeno e vai gerar a sua resposta, vai eliminar, conceituando também mais um mecanismo de autoimunidade, que também vimos na doença de chagas. As doenças autoimunes, afetamvárias pessoas, 10% da população é acometida, e a falha dos mecanismos de auto-tolerância vão ter a potencialização, a disseminação de linfócitos auto-reativos ativados, com isso teremos respostas imunológicas que se voltam contra o próprio organismo. Iremos falar da disfunção da tireoide com segmento na tireoidite de Hashimoto. A tireoide é uma glândula localizada abaixo da laringe, na porção anterior da traqueia, mede cerca de 5 cm, pesa em torno de 15 gramas. Ela secreta diversos hormônios que atua em diversos sistemas do organismo. Tem atuação em: Sistema nervoso central, atua na função cognitiva, atua na memória, capacidade de concentração, no aparelho cardiovascular, atua também na regulação do metabolismo ósseo, atua no relaxamento dos vasos e veias, participam da manutenção da temperatura corporal, no metabolismo dos carboidratos. Então são hormônios que são secretados pela tireoide que são fundamentais para esses processos acima. A tireoide tem esse formato aqui de borboleta, localizada abaixo do pombo de Adão, possui dois lóbulos, o lóbulo esquerda e lóbulo direito, e possui uma região que une esses dois lóbulos chamado de istmo. º 10 A função da tireoide → É a síntese e armazenamento daqueles hormônios que estão relacionados com diversos processos (T3 e T4). Na imagem podemos ver a presença de vários folículos, com as células cuboide ao redor formando basicamente um círculo. Dentro desses folículos temos a presença do coloide, onde temos a tireoglobulina, onde há o processo da síntese de todos os hormônios (T3 e T4). Esses hormônios tireoidianos são regulados a partir de precursores no hipotálamo e na hipófise, então vão ter hormônios fundamentais para gente fazer a captação principalmente de iodo, processar, fazer vários processamentos bioquímicos para sintetização dos hormônios T3, T4 e calcitonina. Quanto a fisiologia desses hormônios tireoidianos, ela se dá a partir dessa captura de iodo, com a oxidação, e conjugação em T3 (Triiodotironina) e T4 (Tetraiodotirorina ou tiroxina) que serão sintetizadas a partir desse estímulo de TSH. A calcitonina é sintetizada pelas células parafolicular da glândula tireoide, em um processo de transcrição genética. A função desses hormônios → Manutenção da homeostase e regulação do consumo de energia. A ação desses hormônios → Consiste em ativar a transcrição nuclear de um grande número de genes para resposta celular. Teremos o T3 e T4 sendo endocitados, teremos a ativação de fatores genético, então teremos uma série de eventos bioquímicos que vão potencializar uma transdução de sinal, uma resposta celular específica com a ativação ou inibição de alguns genes bem específicos, que vão promover alterações na atividade enzimática, alterações na permeabilidade da membrana, assim como demais respostas que afetam a função celular. Inicialmente temos esse processo voltado mais para essa análise bioquímica e genética, onde temos várias respostas, várias cascatas de transdução de sinais que vão ativar alguns genes nas alterações da atividade enzimática, permeabilidade da membrana e várias outras respostas que vão afetar a função celular. Isso está relacionada com: º 11 Para gente fechar essa parte aqui da tireoide, e ir para tireoide de Hashimoto, temos mais um aspecto de regulação, que iremos chamar de retroalimentação negativa. A tireoide ela é capaz de regular sua própria atividade através da inibição da TSH. Teremos a participação do sistema endócrino e do sistema nervoso central. Quando temos uma baixa produção, quando existe níveis baixos de T3 e de T4, teremos um processo de estimulação do hipotálamo para produzir TRH, assim como a hipófise produzir TSH. A partir da produção de TSH, teremos a captura da tireoide, principalmente a partir do iodo, na síntese do T3 e T4, que vão atuar nas células alvo. Quando a gente tem níveis normais de T3 e T4 vamos ter o que chamamos de retroalimentação negativa, terá inibição do hipotálamo e hipófise na síntese e produção da TRH e TSH. Sem o TSH a gente vai ter diminuído essa produção de iodo e estimulação da tireoide. Então esse é um mecanismo para manter os níveis normais dos hormônios, pois não queremos nem os níveis elevados e nem abaixo do normal, ou seja, essa regulação serve para manter esses níveis normais dos hormônios. Tireoidite de Hashimoto → É uma doença autoimune da tireoide. Essas doenças autoimunes são crônicas, incluem diversas doenças inflamatórias da tireoide, não só a tireoide de Hashimoto, como temos o exemplo também da Doença de Graves. Essa imunidade dessas doenças autoimunes elas são multifatoriais, portando não atrelamos apenas a um fator, são vários fatores, que são caracterizadas pela presença de linfócitos auto-reativos liberando autoanticorpos contra a tecidos tireoidianos. Quais são esses fatores evolvidos nesse processo envolvido com a tireoidite de Hashimoto? Os principais fatores envolvidos com a tireoidite de Hashimoto são → Predisposição genética e fatores ambientais (são os principais), que vão alterar o sistema imunológico. Nessa regulação alterada teremos um infiltrado de células imunes, citocinas pró-inflamatórias potencializando e a produção de autoanticorpos. º 12 Os linfócitos tornam-se sensíveis aos autoantígenos da tireoide formando autoanticorpos e células específicas contra os autoantígenos, a partir daí a gente vai ter uma liberação de citocinas potencializando aquele processo de inflamação e destruição dessas células da tireoide. Foi visto também que há defeitos nos linfócitos TRegulatórios, onde lembramos daquela sucessibilidade genética que a gente fez a relação, e aqui também foi visto que na imunopatogênese da tireoide de Hashimoto também teremos defeitos nesses linfócitos TRegulatórios, indispensáveis para vários processos. Com isso, teremos a formação de alguns autoanticorpos, como por exemplo o anticorpo antitireoglobuina (Tg AC), o anticorpo antiperoxidase tireoidiana (POT Ac) e o anticorpo bloqueador do receptor de TSH (TSH -R [bloq] Ac. Adentrando um pouco mais nessa plataforma imunológica teremos também, citocinas pró-inflamatórias como exemplo o Interferon gama, que vão estimular a expressão do MHC de classe II que vão facilitar a apresentação antígenos aos linfócitos TCD4 e amplificação da resposta imune, como se já não bastasse a produção de autoanticorpos teremos ainda essas citocinas pró-inflamatórias fazendo com que aquelas células expressem MHC de classe II, esse MHC de classe II expresso, vamos ter uma amplificação da resposta através dos linfócitos auxiliares TCD4 amplificando essa resposta imune. Nesse sentido, a gente já entende esse papel geral da imunopatogênese. Falando em pouquinho mais de mecanismos imunológicos: Vamos ter as populações de TCD4, célula B e TCD8, auto-reativas. Com a célula B auto-reativa teremos a diferenciação em plasmócito e a liberação de autoanticorpo ocasionando esse processo de dano, de necrose, de apoptose. Temos também as células T citotóxicas induzindo o mecanismo de apoptose, com liberação de perforina e granzima, isso tudo vai ocasionar a morte das células da tireoide e o hipotireoidismo relacionado com a doença de Hashimoto. Trazendo um pouco mais descrito esses processos: Figura A → Teremos o plasmócito liberando anticorpo, que vai ativar o sistema complemento na necrose; Figura B → Temos as células T citotóxicas induzindo a formação de granzima e perforina e gerando apoptose; Figura C → Também foi visto que há participação daqueles receptores de morte (Receptor de TNF). potencializando o dano, o suicídio dessa célula e o processo de apoptose. º 13 Vimos que são fatores endógenos e exógenos, que participam nesse processo de apresentaçãoantigênica, fazendo com que esses linfócitos se tornem auto- reativos. Esses linfócitos auto-reativos, onde vemos a célula B liberando anticorpo e ativando complemento, vemos a célula TCD4 através de alguns mecanismos bem específicos, onde temos a estimulação de caspases providenciando esse processo apoptótico, e ainda temos as células TCD8 com participação de perforina e granzima no processo. A tireoide de Hashimoto se caracteriza por essa destruição progressiva das células da tireoide, através desse processo autoimune, com a ativação da inflamação e essa diminuição dos hormônios tireoidianos, ocasionando esse hipotireoidismo. Esse hipotireoidismo, terá relação com todos aqueles fatores que vimos, e se temos a regulação desses hormônios principais, os danos a essas células causados devido a essa hipotireoidismo, vai causar um problema, teremos uma condição que vai envolver a redução acentuada da atividade metabólica em diversas células e tecidos. Esse hipotireoidismo nessa tireoide, onde ela estará hipoativa, estará relacionada com vários sinais e sintomas conforme vemos abaixo.