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DISCIPLINA DE AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA CLÍNICA Conversa Inicial Olá! Esta aula tem como objetivo abordar o processo de avaliação de aprendizagem e o diagnóstico psicopedagógico clínico. A psicopedagogia, tanto institucional como clínica, tem como objeto de estudo o processo e as dificuldades de aprendizagem. No entanto, cada uma delas apresenta características específicas no processo de avaliação. O atendimento clínico psicopedagógico está inserido em um campo de conhecimento e atuação em saúde e educação que busca compreender o que obstaculiza a aprendizagem em seus aspectos biológicos, psicológicos e sociais, identificando os padrões normais esperados pelo sujeito e as patologias existentes, promovendo a potencialidade do sujeito e prevenindo que outras dificuldades surjam no processo de aprendizagem. Assim, convidamos você a pesquisar e realizar as leituras indicadas sobre o atendimento clínico. Tema 01 – Reflexão sobre a psicopedagogia clínica A avaliação psicopedagógica clínica surge de uma demanda para compreender por que certos sujeitos não aprendem e, por meio de uma pesquisa que vai além dos aspectos da psicologia e da pedagogia, busca retirar o sujeito dessa condição de não aprendente e possibilitar o desenvolvimento da aprendizagem. Para a psicopedagogia clínica cada sujeito aprende de uma maneira própria, de acordo com suas características biopsicossociais e de suas limitações, em que o sujeito vai compreendendo sua forma de aprender e promove sentimentos de autoestima e desenvolvimento pessoal, recuperando, dessa forma, seus processos internos de apreensão de uma realidade, nos aspectos cognitivo, afetivo-emocional e de conteúdos acadêmicos. Para isso, são importantes um diagnóstico eficaz e uma conduta ética frente ao aprendente. Deve-se respeitar as condutas estabelecidas no código de ética da psicopedagogia por se tratar do desenvolvimento de um sujeito. Tema 02 – O espaço para atendimento clínico O espaço para o atendimento clínico deve proporcionar um ambiente acolhedor e seguro. As atividades ocorrem de maneira individual e com materiais específicos para a idade do sujeito e queixa apresentada, tanto pelo sujeito ou família, como pela instituição de ensino. Deve haver um espaço para a adequada arrumação do material de uso, proporcionando funcionalidade e possibilidade de manter sigilo quanto aos produtos obtidos e aos aspectos da individualidade de cada um. Dessa forma, o ambiente é importante para possibilitar “um clima agradável” para “trilhar, de forma prazerosa, diferentes caminhos do aprender” (Weiss, 2004, p. 146). Nesse espaço o psicopedagogo poderá ter uma escuta diferenciada da família, escola e do próprio sujeito, por meio de instrumentos e técnicas que possibilitem a leitura da realidade daquele sujeito, para, então, proceder a intervenção, que é o próprio tratamento clínico ou o encaminhamento. Tema 03 – Vias de acesso ao sujeito A via de acesso ao sujeito normalmente acontece por meio de encaminhamentos. A escola, por exemplo, encaminha o aluno para uma avaliação psicopedagógica, ou a família, preocupada com sua aprendizagem, procura um tratamento psicopedagógico – e essa simples atenção da família é um indicador importante para o desenvolvimento do tratamento, pois a atitude que os pais passam a ter com ela é o início de uma mudança. Melhor ainda quando esta parte do próprio sujeito. A resistência é comum em muitos casos, e vem carregada de muita ansiedade; assim, nos primeiros contatos do psicopedagogo com o sujeito, deve-se criar uma relação de confiança, que demonstre sincero interesse pela queixa e pensamentos do outro, demonstrando empatia. Para crianças pequenas, o lúdico e o brincar são vias de acesso; para crianças maiores, pode-se alternar espaços lúdicos com questões mais diretivas; com adolescentes, é possível trabalhar com os jogos de regras. Tema 04 – Dimensões no processo de aprendizagem Para avaliar a aprendizagem do sujeito é fundamental observar e estudar as diferentes dimensões no processo de aprendizagem: orgânico, cognitivo, emocional, social e pedagógico. Weiss (2004, p. 22) afirma que precisamos ter uma visão global do sujeito em suas múltiplas facetas, pois isso nos ajudará a construir uma visão gestáltica. A dimensão emocional está ligada ao desenvolvimento afetivo e sua relação com a construção do conhecimento; a dimensão social está relacionada à perspectiva da sociedade, onde estão inseridas a família, o grupo social e a instituição de ensino; a dimensão cognitiva está relacionada ao desenvolvimento das estruturas cognoscitivas do sujeito aplicadas em diferentes situações; a dimensão pedagógica está relacionada ao conteúdo, à metodologia de ensino; a dimensão orgânica está relacionada à constituição biofisiológica do sujeito que aprende. Tema 05 – Investigação do processo de aprendizagem No processo de investigação do processo de aprendizagem, o psicopedagogo precisa ter claros dois grandes eixos de análise. O eixo horizontal está centrado no sintoma, na visão do presente; o eixo vertical se refere ao histórico do sujeito. Para isso se utiliza a anamnese, que é uma entrevista sobre o desenvolvimento do sujeito. Essa entrevista é realizada com a família, com a escola e com outros profissionais, e podem ser analisados documentos passados. Na avaliação psicopedagógica, as dificuldades de aprendizagem são vistas como um obstáculo que pode dificultar o processo. Esses obstáculos são classificados por Jorge Visca como: epistêmico, que se refere à estrutura cognitiva do aprendiz; epistemofílico, utilizado para designar o vínculo afetivo que o aprendiz estabelece com os objetos e situações de aprendizagem; epistemológico, relacionado ao meio cultural em que o aprendiz está inserido; ou então como funcional. Na Prática Nesta aula refletimos sobre o trabalho em uma clínica de psicopedagogia. O psicopedagogo precisa estar atento às inúmeras possibilidades de intervenção, levando em conta as dificuldades apresentadas pelos clientes que buscam sua ajuda. Desta forma, entreviste um psicopedagogo em sua comunidade sobre os desafios de um atendimento de sucesso. Finalizando Nesta aula refletimos sobre a psicopedagogia clínica: estudamos as características do espaço para o atendimento clínico; vimos quais são as vias de acesso ao sujeito; compreendemos as dimensões no processo de aprendizagem e finalizamos discutindo como é a investigação do processo de aprendizagem. AULA 02 Conversa Inicial Nesta aula vamos abordar o processo da avaliação, o qual se inicia com a fase diagnóstica que ocorre a partir de uma queixa. É o momento em que o profissional procura o sentido da problemática do sujeito que lhe é encaminhado. Essa fase de investigação, de acordo com Weiss (2004, p. 27), é uma pesquisa do que não vai bem com o sujeito em relação a uma conduta esperada. O desvio de conduta é um sintoma que sinaliza que há um certo desvio em relação a determinados parâmetros existentes no meio. Essa problemática apontada como o motivo manifesto no diagnóstico aos poucos vai diminuindo e começa, assim, a surgir um motivo latente, que é o que realmente obstaculiza o aprendizado. Desta maneira, nesta aula vamos entender como analisar essa queixa e a atuação do profissional para realizar um diagnóstico eficaz e estabelecer uma intervenção adequada. Tema 01: Atuação do psicopedagogo clínico Uma das maiores habilidades que o profissional de psicopedagogia deve possuir na avaliação clínica é o olhar diferenciado em relação às dificuldades de aprendizagem e a escuta, a qual está relacionada em conhecer como e o que o sujeito aprende – como diz Bossa (2000), “perceber o interjogo entre o desejo de conhecer e o de ignorar”. O psicopedagogo também deve estar preparado para lidar com possíveis reações frente a algumas tarefas, como: resistências, bloqueios, ansiedade, entre outros. Ele deve estar em constante busca do conhecimento e estudar para compreender de forma mais completa o sujeito e suas potencialidades, já tão criticados por não corresponderem às expectativas dos pais,professores, gestores e às suas próprias. O psicopedagogo deve se empenhar para identificar as causas dos problemas de aprendizagem usando instrumentos próprios da psicopedagogia. Tema 02: Reflexão sobre a avaliação psicopedagógica clínica O primeiro passo no processo de avaliação psicopedagógica clínica é pela análise da queixa. A queixa se refere ao surgimento de um sintoma que é sinal de que algo não vai bem com o sujeito, ou seja, com seu processo de aprendizagem. Assim, a avaliação diagnóstica consiste em: identificar, localizar e investigar o motivo da não aprendizagem; analisar e interpretar os resultados encontrados por meio dos instrumentos; prescrever e fazer os encaminhamentos necessários; orientar familiares, a escola e demais profissionais, bem como o sujeito; e estabelecer procedimentos para prevenir o aparecimento de outras dificuldades. No processo de avaliação, o psicopedagogo deve controlar a ansiedade frente ao sujeito e à situação de avaliação, pois a situação avaliativa, para muitos, é considerada uma forma de julgamento, e o sujeito tende a ter expectativas em relação ao resultado. Por isso, evite elogios como: “acertou”. Tema 03: A queixa na avaliação diagnóstica na psicopedagogia clínica Para análise da queixa são realizadas a observação participante, a observação lúdica, a Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem (EOCA) e a observação não participante. Na observação participante analisa-se o desenvolvimento físico, sensorial, motor, viso-motor e intelectual. No desenvolvimento físico, o psicopedagogo deve observar o modo do paciente de andar, sua postura e aparência, e verificar se há alterações físicas. No desenvolvimento sensorial, observa-se a capacidade de perceber e interpretar os estímulos que se apresentam aos órgãos dos sentidos. No desenvolvimento psicomotor, analisa-se a maneira como a atividade física se relaciona com o funcionamento psicológico. No desenvolvimento viso-motor, há associação da visão, da percepção e do desenvolvimento motor fino. No desenvolvimento intelectual, deve-se observar a capacidade de assimilar conhecimentos factuais, compreender as relações entre eles e integrá-los aos conhecimentos. Tema 04: Análise do desenvolvimento intelectual Na observação participativa, a avaliação do desenvolvimento é uma pesquisa sistemática de sinais e sintomas que se desviam do padrão. Quanto ao desenvolvimento intelectual, analisa-se o funcionamento das funções mentais na resolução dos problemas. Ele segue esta ordem: sensação, percepção, atenção, memória, raciocínio, simbolização e conceituação. A sensação diz respeito à recepção sensorial. A percepção é a interpretação da sensação, e discrimina cores, sons, formas, cheiros. Sensação e percepção fazem parte do processo sensório-perceptivo da aprendizagem. O processo cognitivo encontra a atenção, uma dimensão da consciência que designa a capacidade para manter o foco em uma atividade. A memória é a capacidade de registrar, fixar e evocar as informações. Por fim, abordaremos o que vêm a ser raciocínio, simbolização e conceituação. Tema 05: Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem (EOCA) A Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem (EOCA) é o primeiro encontro com o sujeito e o grande direcionador do trabalho investigativo. Foi elaborado por Visca (1987), sendo um instrumento de uso simples que avalia, em uma entrevista, os seguintes aspectos da aprendizagem do sujeito: nível de pensamento e seu funcionamento, o vínculo com o objeto de aprendizagem, os aspectos emocionais e a avaliação da linguagem (expressiva, compreensiva, se sabe interpretar, fala espontânea, leitura, escrita e produção). A partir da EOCA se estabelece o primeiro sistema de hipóteses, que irá definir a linha de pesquisa inicial do profissional. São disponibilizados materiais ao sujeito e solicitadas algumas consignas: aberta, fechada, direta, múltipla e de pesquisa. O psicopedagogo deve observar a temática, dinâmica e o produto, nas dimensões afetivas e cognitivas do processo de aprendizagem. Na Prática Estude um caso clínico em psicopedagogia e descreva os aspectos ou domínios importantes que devem ser analisados no comprometimento da aprendizagem. Registre qual ou quais aspectos afetaram significativamente o desenvolvimento do sujeito, explicando o seu entendimento sobre cada um deles. Finalizando Nesta aula, identificamos a atuação do psicopedagogo clínico, compreendemos a avaliação psicopedagógica clínica, analisamos a queixa na avaliação psicopedagógica clínica, verificamos como analisar o desenvolvimento intelectual e, por fim, estudamos a Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem (EOCA) AULA 03 Conversa Inicial Seja bem-vindo(a) a mais uma aula sobre a avaliação psicopedagógica clínica. Iremos estudar as etapas de um processo de avaliação, as quais podem seguir uma sequência diagnóstica. Estas, porém, não são rígidas, e podem ser modificadas de acordo com a prática e necessidade de cada psicopedagogo; sugerimos aqui o modelo desenvolvido por Weiss (1992). Todo o processo diagnóstico é estruturado para que se possa observar a dinâmica de interação entre o cognitivo e o afetivo do qual resulta o funcionamento do sujeito (Bosse, 1995). Conforme Weiss (1992), após a análise da queixa e da Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem (EOCA) realiza: · 1. Entrevista Familiar Exploratória Situacional (EFES); · 2. Entrevista de anamnese; · 3. Sessões lúdicas centradas na aprendizagem (para crianças); 4. Provas e testes (quando necessário). Tema 01 – Entrevista Familiar Exploratória Situacional (EFES) A Entrevista Familiar Exploratória Situacional (EFES) nos dá a possibilidade de compreender a queixa nas dimensões da instituição, da família e do próprio sujeito, pois é possível analisar a dinâmica que envolve as várias pessoas da família. Esta entrevista pode reunir os pais, irmãos e o sujeito quando criança e adolescentes, para perceber as relações e expectativas familiares centradas na aprendizagem do sujeito e nas expectativas do tratamento, além dos papéis na dinâmica familiar. Alguns pais demonstraram aceitação e engajamento no tratamento, o que facilitará o processo diagnóstico; caso contrário, a família precisará de orientação. Sendo assim, inicie explicando os procedimentos da avaliação. A família faz parte do processo de diagnóstico, visto que tem a oportunidade de expor considerações sobre a real situação do desenvolvimento do seu filho e também de desenvolver questões para reflexão sobre o contexto familiar. Tema 02 – Entrevista de anamnese Weiss (1992) considera a anamnese essencial para a investigação diagnóstica. Por meio de um roteiro estruturado, são coletadas informações sobre o passado e presente do sujeito juntamente com as variáveis existentes em seu meio. É importante observar qual a visão da família sobre a história do sujeito, seus preconceitos, expectativas, afetos, conhecimentos e tudo aquilo que é depositado sobre ele. Weiss (2003) cita que toda anamnese já é, em si, uma intervenção na dinâmica familiar, pois faz os pais refletirem sobre a história do sujeito e sua própria intervenção. Deve abordar desde a gestação: se a gravidez foi desejada, como foi o nascimento e a concepção; analisar os aspectos do desenvolvimento biológico, cognitivo e social; precisa haver informações sobre a evolução geral do sujeito, aquisição de hábitos, da linguagem e do desenvolvimento motor e, por fim, perguntar sobre a história clínica, quais doenças, laudos e sequelas, o histórico dentro da escola e projeções. Tema 03 – Sessões lúdicas centradas na aprendizagem Depois da anamnese, as sessões lúdicas centradas na aprendizagem são de importante suporte para observar o sujeito em suas dimensões afetivas e cognitivas, as quais darão suporte às primeiras hipóteses em relação à queixa apresentada. Segundo Weiss (2003), o lúdico é um importante instrumento para coletar dados, pois ao observar o sujeito brincar, percebe suas ansiedades, atitudes e dificuldades, ficando mais fácil a confirmação ou não das hipóteses e orientandoquanto aos testes que serão usados no decorrer das sessões posteriores. Toda criança interage com brinquedos, expressa a realidade do mundo interno e sua relação com o mundo externo por meio da ação do brincar. Brincar é uma forma de expressão, e pelo jogo se definem papéis, espaço, mostrando como a criança se relaciona com o meio e com os outros. O material pode ser composto de brinquedos e jogos diversos, de acordo com a faixa etária e com o que interessa ser investigado. Tema 04 – Provas e testes psicopedagógicos As provas e testes são usados quando há necessidade de investigar algo específico do nível pedagógico ou da estrutura cognitiva e/ou emocional do sujeito. Representa um recurso a mais, devendo levar em consideração os seguintes aspectos: a queixa; as hipóteses; a faixa etária e as áreas de desenvolvimento cognitiva, afetiva e funcional que se deseja investigar. Existem diversos testes e provas formais que podem ser utilizados num diagnóstico psicopedagógico, avaliação cognitiva e afetiva, como as provas piagetianas – diagnóstico operatório, testes projetivos psicopedagógicos, psicométricos, e as provas de inteligência WISC, aspectos psicomotores, linguagem, habilidades acadêmicas e leitura/escrita/matemática – como exemplo, o teste de desempenho escolar, entre outros. É necessário observar que o Código de Ética do Psicopedagogo prevê a utilização de testes próprios da psicopedagogia, contudo, existem outros de uso exclusivo do psicólogo. Tema 05 – Análise dos resultados Um dos problemas da avaliação diagnóstica é realizar uma análise equivocada do processo de avaliação do sujeito. Deve-se tomar o cuidado para que o psicopedagogo não se limite a apresentar um diagnóstico que servirá somente para rotular o sujeito, e isso requer uma compreensão deste como um todo, dos processos sociais, das relações vinculares com a família e amigos, e compreender o que o sujeito sabe realizar e quais as dificuldades da não aprendizagem. Para isso é necessário analisar os resultados: de ordem pedagógica, o nível pedagógico de forma global, e especificar seu desempenho; de ordem cognitiva, tange o nível de estrutura de pensamento, defasagens, funcionamento, raciocínio lógico; de ordem sócio afetiva, trata-se das informações sobre o aspecto emocional e relacional; de ordem psicomotora, refere-se aos aspectos do desenvolvimento físico e à avaliação da linguagem, que trata dos atrasos na fala e troca de fonemas. Na Prática De acordo com as etapas da avaliação psicopedagógica clínica, sabe-se da importância da entrevista da anamnese no diagnóstico. Assim, pesquise sobre o desenvolvimento humano em seus aspectos biológico, cognitivo, afetivo e social e faça uma entrevista de anamnese com no mínimo 15 questões que considerar importantes para a investigação sobre o histórico do sujeito. Finalizando Nesta aula, analisamos as etapas de uma avaliação psicopedagógica clínica. Entendemos a importância da Entrevista Familiar Exploratória Situacional. Identificamos como elaborar a entrevista de anamnese. Reconhecemos o valor das sessões lúdicas no diagnóstico. Estudamos sobre as provas e testes que podem ser utilizados para auxiliar na avaliação, e os cuidados ao analisar os resultados da avaliação psicopedagógica. AULA 04 Conversa Inicial Nesta aula chegamos à etapa final da avaliação em que são reunidas todas as informações coletadas apontando para um prognóstico e recomendações. Caso ainda exista alguma suspeita, pode-se realizar visitas à instituição, entrevistas com os responsáveis por esta, testes complementares e laudos de outros profissionais. Após o psicopedagogo se certificar de todos os aspectos de sua análise sobre os resultados, faz-se uma síntese de todas as informações levantadas. A síntese diagnóstica é apresentada pelo informe psicopedagógico na entrevista devolutiva entregue ao sujeito, à instituição, aos pais ou aos responsáveis, para projetar as futuras intervenções. O parecer psicopedagógico tem como finalidade resumir as conclusões a que se chegou na busca de respostas à queixa apresentada, para isso, deve-se ter uma postura ética em sua divulgação. Tema 01 – Síntese diagnóstica A síntese diagnóstica é uma manifestação fundamentada e resumida sobre uma questão focal do campo da psicopedagogia, cujo resultado pode ser indicativo ou conclusivo fundamentado nos resultados da avaliação psicopedagógica. No diagnóstico não se deve rotular o sujeito, mas sim sintetizar uma compreensão global da sua forma de aprender e dos desvios neste processo de aprendizagem. Pain (1992) cita que a síntese diagnóstica recolhe todas as informações, avaliando o peso de cada fator na ocorrência dos problemas da aprendizagem, ou seja, é o momento em que é preciso formular uma única hipótese. É importante ter claro que nas dificuldades de aprendizagem estão inseridos os atrasos no desempenho acadêmico; os distúrbios de aprendizagem são uma disfunção no processo natural da aquisição desta; e o transtorno de aprendizagem é uma disfunção na região frontal do cérebro que provoca perturbação ao indivíduo. Tema 02 – O informe psicopedagógico clínico De acordo com Weiss (2003), o informe psicopedagógico é um laudo do que foi constatado na avaliação. Muitas vezes é solicitado pela instituição escolar, por outros profissionais, por interesse da família ou do próprio sujeito. Assim, quaisquer que sejam os solicitantes, todos devem ter um parecer próprio, “pois existem informações que devem ser resguardadas, ou seja, para cada solicitante deve-se redigir informações convenientes” (p. 138). O informe psicopedagógico é um documento no qual se redige o processo de avaliação fundamentado e resumido sobre uma questão focal do campo da psicopedagogia, cujo resultado pode ser indicativo ou conclusivo. Ele deve ser claro, esclarecendo as dúvidas que estão interferindo na aprendizagem, levando em consideração a queixa apresentada e o parecer das atividades desenvolvidas. Tema 03 – A entrevista devolutiva A entrevista devolutiva consiste em comunicar o parecer diagnóstico e indicar a melhor terapêutica. É realizada com todos os envolvidos no processo, ou seja, o avaliado e os pais ou responsáveis. A entrevista para a instituição deve ser específica a cada situação. Na devolução o psicopedagogo retoma aos motivos da consulta e à maneira como ocorreu o processo de avaliação, e explica as principais questões trabalhadas, assinalando o que foi possível pensar e vivenciar. Como é um momento que gera muita ansiedade, é preciso falar primeiramente dos aspectos menos comprometidos do sujeito, para depois expor o que pode gerar algum desconforto. Deve-se refletir junto com o sujeito, buscando orientar e fazer os devidos encaminhamentos, encerrando com um prognóstico, para que perceba que as orientações para os envolvidos são fundamentais para o desempenho escolar do sujeito e para um resultado terapêutico satisfatório Tema 04 – O projeto de intervenção A intervenção é um plano de ação psicopedagógica que faz a mediação entre o sujeito e seus objetivos no campo da aprendizagem. Neste momento o psicopedagogo deve oferecer recursos de ajuda e apoio ao sujeito, direcionando a intervenção mais adequada ao diagnóstico. São vários procedimentos de intervenção que podem ser utilizados pelo psicopedagogo. Segundo Barbosa (2000), Visca idealizou a caixa de trabalho para lidar com as dificuldades de aprendizagem. Esta seria composta de brinquedos e materiais escolhidos para representarem o mundo interno das crianças e suas fantasias inconscientes frente ao mundo; para isso é disponibilizado um material disparador, que pode ser um jogo, um brinquedo específico, uma história, entre outros. A cada atendimento busca-se novos materiais disparadores que promovam desafios e superação, fazendo a intervenção de acordo com o que ela vai apresentando durante o processo terapêutico. Tema 05 – Informe psicopedagógico: um estudo de caso clínico Identificação: (Nome) com 7 anos, frequenta o 3º ano do Ensino Fundamental. Filiação: Pai, 42 anos de idade, mecânico; e mãe, 39 anos,do lar. Queixa: dificuldades de aprendizagem: na leitura, na escrita (omite e troca letras) e na realização das operações matemáticas; tem dificuldade para se expressar; é uma aluna introvertida, dispersa e na realização das atividades em sala de aula demonstra ser desatenta e lenta. Período da avaliação: foram realizados seis atendimentos, do dia 6 de março a 7 de abril de 2018. Instrumentos utilizados: entrevista familiar exploratória situacional (EFE); entrevista com a professora; entrevista operativa centrada na aprendizagem (EOCA); anamnese; sessões lúdicas; testes projetivos e testes pedagógicos. Análise dos resultados: área cognitiva, área afetiva, área pedagógica. Síntese dos resultados. Indicações e prognósticos. Na Prática De acordo com o caso a seguir, elabore um projeto de intervenção. Sônia é uma menina de 10 anos que, retida no 4º ano do Ensino Fundamental, foi encaminhada para avaliação psicopedagógica e apresentou as seguintes características: leitura silabada e sem compreensão, troca de letras com grafia parecida tanto na leitura, como na escrita. Tem dificuldades com a utilização de noções de direita e esquerda e não gosta de praticar esporte. Seu caderno é desorganizado e sua letra é grande com tendência a diminuir. Finalizando Nesta aula, estudamos o parecer diagnóstico, analisamos o informe psicopedagógico, aprendemos como realizar a devolutiva, compreendemos o projeto de intervenção e realizamos um informe psicopedagógico. AULA 05 Conversa Inicial Seja bem-vindo(a) a mais uma aula sobre a avaliação psicopedagógica clínica, que tem como objetivo abordar os instrumentos que auxiliam na confirmação das hipóteses sobre a queixa. Para chegar ao diagnóstico é necessário ter uma compreensão do sujeito aprendente, ou seja, compreender que a construção do conhecimento é um processo que envolve os aspectos cognitivos, afetivos e sua relação com o ambiente em que ele está inserido. Dessa forma, a aprendizagem é própria de cada sujeito, o psicopedagogo deve entender que cada um tem um ritmo de aprendizagem. Os instrumentos nos auxiliam a compreender esse sujeito aprendente em seus processos sociais, nas relações vinculares da família e sociedade e a investigar como o sujeito aprendeu a aprender, percebendo assim, as modalidades de aprendizagem e as dificuldades desta. Os instrumentos devem avaliar as áreas pedagógicas, afetivas e cognitivas. Tema 01: As provas operatórias As provas operatórias foram elaboradas por Piaget, que permitem analisar o grau de aquisição de noções importantes do desenvolvimento cognitivo: noção de tempo, espaço, conservação, causalidade, número, classificação, seriação, dentre outras. Com as provas do diagnóstico operatório é possível detectar o nível de estrutura cognitiva com que o sujeito opera diante da situação apresentada, ou seja, o nível de pensamento alcançado pelo sujeito. Para isso, deve-se considerar a faixa etária, o nível socioeconômico e cultural e a estimulação do meio em que se está inserido. Na aplicação das provas operatórias é preciso seguir algumas orientações, como: estabelecer um vínculo com o sujeito na hora da aplicação; seguir uma ordem ou consigna; cuidar para que as perguntas não induzam o sujeito a uma resposta; fazer transformação do objeto para perceber se o sujeito compreende a relação de conservação, classificação e seriação; e analisar suas respostas. Tema 02: Provas operatórias de conservação As provas operatórias de conservação se constituem na conservação de pequenos conjuntos discretos de elementos e de líquidos para crianças de seis anos. Para crianças de 6 ou 7 anos aplica-se a conservação de pequenos conjuntos discretos de elementos, líquidos e matéria. Espera-se que a criança que esteja com 8 ou 9 anos tenha a conservação de matéria, de comprimento e de líquido, e com de 10 a 12 anos deve-se incluir a conservação de peso, bem como a de volume. As provas consistem em apresentar o material e realizar três transformações do objeto; as respostas com argumentação podem ser por identidade, reversibilidade e compensação – que pode ser conservadora ou não; em todos os casos utiliza-se a contra argumentação, que serve para contradizer o pensamento expresso pelo sujeito. Nas demais transformações procede-se da mesma maneira com a argumentação e contra argumentação. Tema 03: Provas operatória de classificação e seriação As provas piagetianas são amplamente utilizadas na clínica psicopedagógica para avaliação do raciocínio e construção de conhecimento de crianças. Para Rubinstein (2014), é por meio das provas operatórias que é possível investigar e avaliar o nível cognitivo da criança e, constatar se este realmente corresponde à sua idade cronológica ou se existe alguma defasagem. As provas avaliam a noção de conservação e as operações lógicas de classificação e seriação. As provas de classificação consistem em provas de dicotomia e seriação (para 6 anos); para 6 e 7 anos aplica-se as provas de dicotomia, intersecção de classes, inclusão de classes e seriação; para crianças de 8 e 9 anos, as provas de intersecção de classes, inclusão de classes e seriação; para crianças de 10 a 12 anos aplicam-se as provas de intersecção de classes e inclusão de classes. Tema 04: Provas operatórias para o pensamento formal O estágio do pensamento formal corresponde ao dos 12 anos em diante. Este período caracteriza o nível de inteligência para a fase adulta. Nesta etapa, o sujeito deve utilizar o pensamento hipotético-dedutivo na resolução. Para Piaget (1972), no raciocínio hipotético o sujeito é capaz de transpor a fase da percepção concreta para a percepção abstrata. Na aplicação das provas operatórias para o pensamento formal, são utilizadas as provas combinatórias e as de permutação. Na prova de combinação de fichas são apresentadas seis fichas coloridas; pede-se ao adolescente que as ordene, formando com elas todos os pares possíveis. Ou seja, trata-se de achar o total das combinações possíveis, de dois a dois, de acordo o que permita o conjunto de seis fichas (total de 30). Na prova de permutação de fichas são apresentadas 3, 4, ou 5 fichas de cores diferentes; pede-se ao adolescente que construa todas as permutações possíveis. Tema 05: Problemas específicos na aplicação das provas operatórias Ao avaliar uma criança devemos levar em consideração alguns aspectos que podem interferir no resultado da avaliação e atrapalhar no diagnóstico da dificuldade de aprendizagem. Crianças disfásicas, cujos transtornos se referem à dificuldade de recepção e análise do material auditivo, verbal e dificuldades de discurso, precisam que seus resultados sejam relativizados nas provas que dependerem de atitudes verbais. No caso de crianças com dificuldades motoras, é necessário dar mais importâncias às provas verbais sobre aquelas que implicam uma execução manual. Para os casos em que há transtorno na aprendizagem – como a discalculia – deve-se reavaliar as provas cujo objetivo seja o êxito da noção operatória de números, como seriação e classificação. Muitas vezes, a ausência de alguma noção que se supõe que deveria ter sido alcançada pode, na verdade, fazer referência a aspectos emocionais, à falta de ordem e estabilidade familiar, escolar ou até insegurança. Na Prática As provas operatórias são muito utilizadas na clínica psicopedagógica para avaliação do raciocínio e o nível cognitivo da criança, constatando se este corresponde à sua idade cronológica ou se existe alguma defasagem. As provas operatórias avaliam a noção de conservação e as operações lógicas de classificação e seriação nos níveis concreto e formal. Assim, escolha uma prova de classificação e uma de conservação para aplicar a uma criança seguindo as consignas, as argumentações e contra argumentações, faça as anotações necessárias e analise o nível de pensamento desta criança. Finalizando Estudamos os instrumentos formais da avaliação psicopedagógica clínica, destacando as provas operatórias, analisamos o diagnóstico operatório, compreendemos as provas operatórias, seus procedimentos, e seusproblemas específicos aos quais devemos estar atentos. AULA 06 Conversa Inicial Seja bem-vindo(a) a mais uma aula sobre a avaliação psicopedagógica clínica, que tem como objetivo abordar provas projetivas e funcionais na avaliação psicopedagógica clínica. As provas projetivas são utilizadas no contexto da avaliação clínica quando há suspeita de implicações emocionais ou vínculos negativos com a aprendizagem. Quando se aplica uma prova projetiva, o sujeito projeta para fora de si o que se recusa a reconhecer em si mesmo ou o ser em si. Segundo Weiss (2003, p. 117), o desenho projetivo pode “detectar, assim, obstáculos afetivos existentes nesse processo de aprendizagem de nível geral e especificamente escolar”. As provas funcionais são utilizadas para avaliar os aspectos motores importantes para a aquisição da aprendizagem como: coordenação fina, global, lateralidade, orientação espacial e temporal, equilíbrio, e agilidade, além das habilidades acadêmicas e a linguagem. Tema 01: Provas projetivas As provas projetivas psicopedagógicas foram organizadas por Visca, e são instrumentos para compreender as variáveis emocionais que condicionam, de forma positiva ou negativa, a aprendizagem. Tem como objetivo verificar as significações do ato de aprender sobre as relações vinculares que se formam com o conhecimento e as figuras ensinantes. O material consiste em folhas de papel sulfite, lápis preto, borracha e régua, e deve seguir consignas específicas para cada prova. Os vínculos estão relacionados com a aprendizagem, com a família e consigo mesmo. No vínculo com a aprendizagem as provas são: par educativo, eu e meus amigos e o plano da sala de aula. No vínculo familiar as provas consistem de família educativa nos quatro momentos do dia e no plano de minha casa. No vínculo consigo mesmo as provas são: desenho em episódios, o dia do aniversário, o que mais gosto de fazer e as minhas férias.