Prévia do material em texto
CENTRO UNIVERSITÁRIO CELSO LISBOA HISTÓRIA - 2024.1 HISTÓRIA E FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO - FASE 1 1. REFLETINDO SOBRE EDUCAÇÃO O que é Filosofia? O que é Educação? O que é Filosofia da Educação? De seu termo etimológico (PHÍLOS = Amor a, gostar de; SOPHÍA = Sábio, sabedoria), Filosofia nada mais é do que a atividade de compreensão da realidade humana. A Ciência dos valores éticos e morais, mas sobretudo do poder inesgotável da busca pelo pensar, dialogar, argumentar e ensinar. Educação é a arte do desenvolvimento intelectual e moral de um Ser, a ser transferido de uma geração a outra. Uma conjuntura de processos e costumes, ações e influências. É transformação, Metafísica. Então, o que seria Filosofia da Educação? É uma atitude de renovada perplexidade e de radical questionamento perante o processo educativo. O pensar vivo sobre a educação, porém não havendo hipóteses para superficialidades. Onde a interrogação faz encontro com a exclamação. Não permite-se que haja apenas uma interação superficial entre o interlocutor e o ouvinte. Deve haver a simbiose entre não somente ensino e aprendizado, pois, o filósofo educador não está preocupado em seguir cartilhas educativas, mas sim de indagações pertinentes e respostas desconcertantes. Alguns filósofos e pensadores que expuseram seus pensamentos acerca da educação, como por exemplo: Platão: Dizia que o objetivo da educação era formar cidadãos capazes de opinar e participar das decisões sobre os rumos da sociedade. Hegel: Afirmava que: “Não há sociedade que se sustente sem a educação, pois ela é expressão da razão que busca estabelecer a liberdade e implantá-la enquanto prática corrente”. Weber: “É o modo pelo qual os homens são preparados para exercer as funções que a transformação causada pela racionalização da vida lhes colocou à disposição”. Émile Durkheim: "A educação é uma socialização da jovem geração pela geração adulta". Theodor Adorno: A educação nos conduz a uma libertação da barbárie? E a uma defesa contra a barbárie? Segundo Adorno, a educação não deve modelar ninguém, nem apenas transmitir conhecimentos. Sua concepção é radical e emancipadora: educar é produzir uma “consciência verdadeira”. Verdadeira porque permanentemente crítica e autocrítica, atenta à realidade social, às mutações que se operam no dia-a-dia em diversos planos (na política, na cultura, na vida artística, nos meios de comunicação...), para que Auschwitz e outras barbáries não se repitam. Consciência verdadeira, e não desleixada, consciência alerta ao perigo dos conformismos, à perigosa aceitação do inaceitável. Destrinchando educação x filosofia x estética: De acordo com o filósofo teórico da área da pedagogia, René Hubert, a educação é um conjunto de ações e influências exercidas voluntariamente por um ser humano em outro; normalmente isso ocorre de um adulto para um jovem. Essas ações pretendem alcançar um determinado propósito no indivíduo para que ele possa desempenhar alguma função nos contextos sociais, econômicos, culturais e políticos. No sentido técnico, a educação é o processo contínuo de desenvolvimento das faculdades físicas, intelectuais e morais do ser humano, a fim de melhor se integrar na sociedade ou no seu próprio grupo. Então neste primeiro sentido (e momento), o educador-filósofo ou filósofo educador, é tão importante na formação e transformação de um indivíduo quanto o pedagogo, sociólogo, historiador. É dele o trabalho de tirar do aluno o seu melhor, a sua melhor versão. É dele a função de abrir as janelas da mente para outros ambientes nunca antes visitados; de entender e compreender a evolução. A melhor forma de ensinar é fazendo com que o indivíduo crie suas próprias indagações, suas paráfrases. Educação também requer esforço ético-estético, perseverança, uma espécie de combatividade. Assim como o artista retoma uma e outra vez o texto que escreve, a música que compõe, o filme que edita, o papel teatral que interpreta, o passo de dança que executa, o quadro que pinta, assim também cada pessoa pode voltar-se para sua vida, retomar trajetórias, rever projetos, reavaliar equívocos, ponderar sobre suas conquistas. Se educação é a arte de ensinar, forjar e mudar, não seria o educador um artista? Artista por possuir a técnica pessoal de prática e reflexão. E o indivíduo em formação, também não seria artista? Artista de sua própria existência, do seu aprendizado, de sua incessante busca pela transformação. Transformação essa, relacionada por Diógenes como “A Lanterna”, a luz que há no íntimo de cada Ser. A chave das ideias e princípios, conceitos e convicções e aprendizado. Porém deve-se atentar para a lucidez dessas transformações. Deve haver lucidez entre produzir descobertas e entender que existe e há, e entre o que se acha que deveria ser ou existir. A arte provoca a desilusão, que por sua vez alimenta nossa lucidez, que por conseguinte desestabiliza mundos fechados. A arte causa isso. Incomoda. Incomoda por não haver cartilhas a seguir, assim como na Filosofia da Educação. Auguste Rodin, escultor francês, taxava: “Não há, na realidade, nem estilo belo, nem desenho belo, nem cor bela. Existe apenas uma única beleza, a beleza da verdade que se revela. Quando uma verdade, uma ideia profunda, ou um sentimento forte explode numa obra literária ou artística, é óbvio que o estilo, a cor e o desenho são excelentes. Mas eles só possuem essa qualidade pelo reflexo da verdade.” Então, por estes sentidos, podemos com certeza relacionar a educação com a filosofia com a estética. Filosofia da educação nada mais é do que a arte em seu estado puro interligando mente, capacidade e reflexão. 2. A EDUCAÇÃO NO “BRASIL” PRÉ-COLONIAL Na virada do século XV para o XVI, os portugueses desembarcaram em um território, que mais tarde viria a ser o Brasil, e encontraram diversas organizações sociais distintas umas das outras, mas que de certa forma conversavam entre si. Organizações em sociedades que não eram de classe. Existiam diversos grupos indígenas habitando boa parte do território, como por exemplo os Tupinambás. Os Tupinambás faziam parte da família linguística tupi-guarani, sendo assim, abrangendo em sua sociedade os tupis, que ocupavam boa parte do litoral. Eles tinham um modelo próprio de organização e maneira de transmitir seus conhecimentos, não havendo assim ideias pedagógicas. Seus ensinamentos eram transmitidos via oral e na prática, através das atividades de subsistência que desempenhavam, como a caça, pesca e colheita, tanto de frutas como de plantas alimentícias e medicinais. A organização de sua comunidade se dava por idade e nomenclatura. Quanto mais idade tivessem, mais conhecimento possuíam e poderiam desempenhar papeis mais importantes. Seu modelo de organização era definido desta forma: Peitan: recém nascidos até começarem a andar; Knumy-miry: meninos até 7-8 anos; Kugnatin-miry: meninas até 7 anos; Kunumy: meninos dos 8 aos 15 anos; Kugnatin: meninas dos 7 aos 15 anos; Kunumy-uaçu: rapazes dos 15 aos 25 anos; Kugnammuçu: moças dos 15 aos 25 anos; Au: homens dos 25 aos 40 anos (homem casado = Medar-amo); Kugnam: mulheres dos 25 aos 40 anos (mulher casada = Kugnammuçupoare); Thuyuae: homens de 40 anos em diante; Uainuy: mulheres de 40 anos em diante. O processo de educação dos Tupinambás abrangia todas as idades. Desde os meninos desenvolvendo atividades de caça e pesca e meninas de plantação e culinária, a partir dos 7 anos, até os mais velhos que a partir dos 40 anos poderiam se tornar chefes e pajés, por parte dos homens, e as mulheres nos trabalhos fúnebres, domésticos e ensinando novas gerações. A educação não é uma conjuntura de processos e costumes a serem transferidos de um indivíduo ao outro através das gerações? Então, os grupos indígenas já aplicavam o conceito de educação através de suas práticas de subsistência, diferentemente dos europeus que desenvolveram a teoria pedagógica para ser aplicada e ensinada em salas somente para os burgueses. Na mentalidade indígena esses conhecimentos eram transmitidos a todos, sendo assimuma educação integral. As bases dessa educação eram: tradição, ação e exemplo. Tal e tamanha organização chocou os portugueses, que acabaram por conquistar e destruir essa sociedade. Esse choque cultural e educacional ocasionou na Pedagogia Brasílica, que foi justamente quando os jesuítas começaram o processo de implementação de suas práticas pedagógicas sobre os indígenas. 3. O PERÍODO JESUÍTICO O período jesuítico tem seu início em 1549, com o desembarque da Companhia de Jesus, liderada pelo Padre Manoel da Nóbrega, trazendo seus pressupostos sobre o que é educação, e um modelo europeu definido para a colonização do Novo Mundo. Desse modo, a historicidade da educação no Brasil é genuinamente influenciada pelo modelo europeu. Esse modelo podia-se entender como aculturação, uma vez que os costumes e tradições indígenas foram postos em cheque com o contato direto com as tradições e culturas dos portugueses. Na aculturação, algum meio sofrerá mudanças em decorrência de fatores externos, como neste caso, do meio europeu para o meio indígena. A Companhia de Jesus tinha como objetivo aplicar a educação servindo aos interesses da fé católica, o que ocasionou na evangelização dos indígenas e posteriormente na catequização. Para o processo de evangelização foi recrutado do Reino de Portugal o padre espanhol José de Anchieta, que teve seus trabalhos reconhecidos durante esse processo. Além dos interesses religiosos, a Companhia de Jesus teve o trabalho também de traduzir as diferentes línguas dos povos nativos para o português, tornando o processo propício para a aplicação de sua pedagogia. Com a morte do Padre José de Anchieta, em 1597, a Companhia de Jesus elaborou uma forma de regulamentar e pôr em prática seu modelo de ensino europeu, foi quando em 1599 ocorreu a promulgação da Ratio Studiorum, que nada mais era do que um compilado de regras de ensino e regulamentação a serem aplicados aos agentes de ensino e às escolas jesuítas de forma universal, abrangendo todos. Em detrimento da fé, a Ratio Studiorum trazia a visão essencialista de pedagogia, levando o ser humano a ser a imagem e semelhança de Deus, em caráter universalista. Com a subida ao poder do Marquês de Pombal, em 1750, tornando-se primeiro-ministro de Portugal, ocorreu um conflito de interesses entre o governo de Pombal e os jesuítas, levando à expulsão da Companhia de Jesus de Portugal e a supressão das escolas jesuíticas. Os jesuítas visavam a educação em função da Igreja Católica. Pombal, por sua vez, buscava colocar a educação a serviço do Estado. Não concordando com a postura dos jesuítas e o conflito de interesses, encerrou as atividades das escolas jesuítas e os expulsaram do território. Mesmo com a expulsão da Companhia de Jesus, não significou o fim de sua influência pedagógica no ensino do Brasil-Colônia, passando pelo Império e República. O Período Jesuítico ficou conhecido como “O Período Heroico”. Então, pode-se organizar o período jesuítico em três etapas: 1. De 1549 com o desembarque da Companhia de Jesus e a catequização dos indígenas, até 1597 com a morte do Padre José de Anchieta; 2. De 1599 com a promulgação da Ratio Studiorum, até 1750 com Marquês de Pombal suprimindo os jesuítas; 3. De 1750 com o fim das escolas jesuítas e o início do período pombalino, até 1777 com a queda do Marquês de Pombal do poder. 4. O PERÍODO POMBALINO No início do século XVIII, Portugal passou por graves crises financeiras e alterações no cenário político e administrativo. Buscando retomar as rédeas do cenário decadente e ter autonomia de sua situação financeira, foi nomeado por D. José I ao cargo de primeiro-ministro da Coroa Portuguesa, Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal. Era reconhecido como uma figura política com ideais iluministas, que era de grande interesse da Coroa, pois precisava retomar o controle de sua colônia para resolver pendências com os espanhois. Portugal tinha plena confiança de que as reformas em seu cenário, propostas por Marquês de Pombal, surtiriam efeito e iriam revolucionar em todos os âmbitos o seu perfil e papel perante seus colonos. Com a expulsão dos jesuítas e a supressão de suas escolas, Marquês de Pombal dá início às suas reformas, iniciando-se assim o Período Pombalino ou Reformas Pombalinas. Uma das características desse período era seu caráter oposto aos ideais jesuíticos, fazendo com que o Marquês de Pombal fosse até o Brasil para implementar novas condutas. Ele acreditava que apenas o conhecimento e a educação pudessem levar um povo ao estado de civilização avançada. Sendo assim, buscou fortalecer o Estado e diminuir a influência da nobreza para obter autonomia. Com os jesuítas fora, buscou a reaproximação com a Espanha para expandir o território da América Portuguesa e pôr fim às pendências e guerras territoriais. Portugal e Espanha então assinaram, em 1750, o Tratado de Madri, que redefiniu as fronteiras entre as duas nações, baseando-se no princípio do Uti Possidetis, ou seja, o domínio pela ocupação efetiva. O tratado também previa a troca de alguns territórios entre os reinos. Foi um grande marco para o período. As Reformas Pombalinas também deram fim às Capitanias Hereditárias, com o Marquês de Pombal decretando que todas as propriedades desse sistema voltassem para o domínio e o controle da Coroa Portuguesa. Outras medidas também foram tomadas, como por exemplo: a. Fim da capitação (impostos sobre escravizados na mineração); b. Instituição da Derrama (imposto cobrado em ouro); c. Criação de companhias de comércio na Colônia; d. Erário Régio (controle de gastos dos funcionários da Família Real); e. Industrialização; f. Fim da escravização dos indígenas. O período teve seu fim em 1777 com a morte de D. José I, que era a favor e mantinha Marquês de Pombal no poder. Com a ascensão da Rainha Maria (Maria Louca), Pombal foi destituído de seu cargo, perdendo o poder e tendo todas as suas implementações revogadas. Pode-se dizer então que as reformas pombalinas foram a adaptação da Coroa Portuguesa às ideias iluministas, com Marquês de Pombal retirando a fé católica do seu povo e estatizando e revolucionando os serviços a favor da Coroa. Houve revolução em diversos setores como cultura, educação, política e economia. 5. AS REFORMAS POMBALINAS E A EDUCAÇÃO Esse período foi marcado por alterações no cenário educacional da Colônia pós-jesuítica. Em 28 de Junho de 1759, por meio de um alvará e enquanto suprimia as escolas jesuítas, Marquês de Pombal instituiu as Aulas Régias de Latim, Grego e Retórica. As aulas régias foram o primeiro sistema de ensino público e laico na colônia e consistiam em atender ao ensino elementar de letras e humanidade. Junto com as aulas régias, Pombal criou 18 estabelecimentos de ensino secundário e 25 escolas de ler e escrever. Nesse sistema de ensino não havia organização curricular das matérias, tampouco pertenciam a alguma escola ou alinhavam-se com outras disciplinas. Eram autônomas e isoladas, onde os alunos matriculavam-se nas aulas de sua preferência, significando assim, uma descontinuação no ensino. A qualidade das aulas régias era comprometida devido às más condições do corpo docente. Professores mal pagos, vitalícios e improvisados. Era uma catástrofe e representava um retrocesso na educação, não conseguindo substituir o organizado sistema de ensino dos jesuítas. O ensino acabou ficando mais elitista e representou a desestruturação da educação na colônia. Percebendo o fracasso, a Coroa Portuguesa instaura em 1772 o “Subsídio Literário”, que nada mais era do a taxação sobre a carne verde, o vinho, o vinagre, e a aguardente, para a manutenção dos ensinos primários e secundários. Sem captação frequente e sendo insignificante, acabou não rendendo o esperado e os professores continuavam longos períodos recebendo seus vencimentos com atraso. Assim como todo o sistema de educação implantado, a formação de professores também era precária e decadente, sem formação didática e muito distante da realidade geral vivenciada no Brasil Colônia.Assumindo a função de forma “vitalícia”, a maioria dos professores eram indicados à nomeação por bispos. Ainda nos anos de 1770, o sistema foi aprimorado com a inclusão de classes de Filosofia Moral e Racional, Economia Política, Desenho e Figura, Língua Inglesa e Língua Francesa. Também houve a simplificação dos estudos para motivar o ingresso a cursos superiores. Em comparação ao ensino jesuítico, esse aprimoramento resultou em avanços nas propostas de reforma educacional de Marquês de Pombal. A educação nesse período ficou marcada por ser laica e pública, favorecendo aos filhos dos colonos comerciantes. Mesmo instauradas, as propostas não foram concretizadas plenamente devido à forte influência da religiosidade dos jesuítas ainda presentes na colônia. 6. O PERÍODO JOANINO Com a morte do Rei D. José I, em 1777, ascendeu ao poder a Rainha Maria I de Portugal e Algarves, sua filha mais velha, para dar continuidade ao processo de reforma na colônia. Maria I destituiu Marquês de Pombal do poder e anulou várias ações políticas e administrativas tomadas por ele. Tal fato deu fim ao período pombalino e iniciou-se um período conhecido como “A Viradeira”. Seu reinado foi marcado por paz, obras sociais e grandes atividades legislativas, comerciais e diplomáticas, no qual pode-se destacar o Tratado de Comércio que assinou com a Prússia em 1789. Em 1799 a instabilidade mental de D. Maria l agravou-se, fazendo com que ela ganhasse a alcunha de “D. Maria I, a Louca” e fosse declarada incapaz de reinar. Com isso, D. João, seu segundo filho e herdeiro, assume a regência da Coroa Portuguesa e em 1816, após a morte de D. Maria I, o Príncipe Regente é aclamado D. João VI, Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. O Período Joanino tem início em 1799 quando D. João VI tornou-se regente da Coroa Portuguesa. Em 1807, após Napoleão decretar o Bloqueio Continental, que tinha como objetivo forçar os países europeus a cortar relações econômicas com a Inglaterra para arruinar e definhar sua economia e dominar seu território, D. João VI se viu sem saída, uma vez que, recusou-se a cumprir o bloqueio. Com a invasão francesa ao território português e o medo de ser deposto, D. João VI ordenou que a Corte Portuguesa fosse para o Brasil. Em 1808 a Família Real desembarca no Brasil. A vinda da corte possibilitou a criação de Academias Militares, Imprensa Régia, Biblioteca Real, Jardim Botânico do Rio de Janeiro e o Museu Nacional. Com a reabertura dos portos, o Brasil viu o monopólio externo cair, possibilitando sua autonomia econômica, política e social. Na educação, porém, não houve mudanças significativas pois havia ainda resquícios do ensino pombalino. A grande marca deste período foi o ensino voltado a aprendizagem de um ofício, visando suprir as necessidades da Coroa, e a criação dos primeiros cursos superiores na colônia. Com isso, em 1816, através de um decreto, D. João VI criou a Academia Imperial de Belas Artes, um marco para este período. Com a pressão das Cortes do Reino de Portugal, em 1821, D. João VI foi obrigado a retornar para Portugal, deixando no Brasil o Príncipe Regente, seu filho, D. Pedro I. A tradição escolar brasileira desde o início da sua implantação, traz em si uma cultura elitista voltada para atender às classes dominantes e aos interesses políticos do governo. D. João VI, ao criar as primeiras escolas de ensino superior, visava formar oficiais do exército e da marinha, com o intuito de defender a colônia.