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TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) FISIOTERAPIA NEUROLÓGICA PROFA. LUANA BORBA TEA – CLASSIFICAÇÃO ATUAL Segundo o DSM-V (2013), há apenas a nomenclatura de Transtorno de Espectro Autista (TEA) As duas características diagnósticas são: • prejuízos na interação social e na comunicação social; • padrões restritivos de comportamento, interesse e atividades. Essas características vão variar qualitativamente dentro de um espectro: desde autismo clássico, com déficit intelectual importante, até autismo de altas habilidades intelectuais e acadêmicas. ESPECTRO: especificidade, intensidade e severidade dos sintomas, qualidade da linguagem e do comportamento e relacionado ao grau de autonomia. TEA - INCIDÊNCIA Segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (EUA): • Há 70 milhões de autistas no mundo. • Há 1 caso de autismo em cada 54 pessoas. • No Brasil há 200 milhões de habitantes, portanto, cerca de 2 milhões de autistas, sendo mais de 300 mil pessoas só no Estado de São Paulo. • A incidência é maior em indivíduos do sexo masculino, na proporção de 4 para 1 do sexo feminino TEA - DIAGNÓSTICO No Brasil, em 2013, o Ministério da Saúde lançou uma cartilha para o diagnóstico do autismo, a “Diretriz de atenção à reabilitação da pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA)”, acompanhada de uma tabela com indicadores do desenvolvimento infantil e sinais de alerta, para que médicos do SUS possam realizar diagnóstico precoce até, no máximo, três anos. CID-10:Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (F84.0) • O Transtorno do Espectro Autista (TEA) se manifesta antes dos três anos de idade. • É considerado um complexo transtorno do neurodesenvolvimento, de causas genéticas e ambientais, ainda não completamente decifradas. • O diagnóstico é realizado por meio de uma Avaliação do Quadro Clínico feito por um médico Neurologista ou Psiquiatra. TEA - CAUSAS Estudos Genéticos Muitos estudos apontam que o autismo tem como causa as alterações genéticas, relacionadas a um grupo de genes e a interação entre eles e não a um único gene causador do problema. “Nos últimos cinco anos, cientistas identificaram vários genes e mutações genéticas associadas ao autismo. Acredita-se que a maioria dos casos do autismo ocorra por uma combinação de predisposição genética com fatores ambientais que ocorrem durante o desenvolvimento do cérebro do bebê”. TEA – FATORES DE RISCO • Irmãos/irmãs com autismo • História parental de psicose ou esquizofrenia • História parental de transtornos afetivos (Bipolar) • História parental de distúrbios de comportamento (TDAH) • Idade materna ou paterna superior a 40 anos, disparidade entre as idades dos pais • Baixo peso ao nascer (com TEA (86,9%) entre 5 e 15 anos • Pequena proporção de crianças com TEA (31,6%) estava recebendo intervenção fisioterapêutica (Bhat 2020). • Mesmo as alterações motoras sutis têm mostrado interferência no desenvolvimento de outros domínios: cognitivo, social, linguagem e comportamental, em crianças com TEA. • As alterações motoras não são a principal preocupação dos pais de crianças TEA (Zeliadt, 2019). ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DO TEA Antes de determinar qualquer objetivo motor, a primeira coisa a fazer é estabelecer um canal de acesso e um vínculo de confiança com o paciente. Pontos importantes: • Contato visual • Organização sensorial • Aceitação do toque para uso de ajuda física quando for necessário ensinar o movimento solicitado • Resposta ao comando verbal ou gestual • Trabalhar as questões sensório-motoras e posturais no TEA temos que colocar FUNÇÃO nas ações. • Sempre buscar a motivação, a brincadeira, a interação e a comunicação. ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DO TEA Importância da estimulação precoce: • Programas de intervenção precoce estão na base da fundamentação de todo o processo educativo da vida do indivíduo, e precisam iniciar na primeira infância. • Fase em que o cérebro mais permeável para se apropriar de estimulações. • O tempo é fundamental na determinação de um prognóstico de vida satisfatória. ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DO TEA Atuação do Fisioterapeuta: • Na aquisição e qualidade da função motora grossa; • No desenvolvimento da força muscular; • Na aquisição e qualidade de habilidades complexas (correr, pular, jogar, saltar, chutar); • Na adequação da postura; • Na coordenação motora global e fina / práxis; • Na orientação familiar e escolar. ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DO TEA Um bom atendimento de Fisioterapia em TEA levará em conta a atividade motora, envolvendo: • Habilidades de atenção e foco, engajamento e relacionamento social, comunicação verbal e não verbal, afeto, resolução de problemas, habilidades imitativas e simbólicas, uso adequado dos brinquedos, pensamento abstrato e lógico. • Jogos com pares, servindo de veículo principal para as crianças aprenderem a se dar conta das necessidades e perspectivas dos outros, já que envolve a atenção compartilhada, a alternância de turno e a imitação recíproca. ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DO TEA O BrincarTerapêutico: Pra que serve o brincar? • formação da identidade • capacidade de autonomia • memória e imaginação • favorece a aprendizagem • relações sociais A base do aprendizado através da brincadeira: • O sistema sensorial tem como função ser o intermédio entre o cérebro e o corpo, o cérebro e o meio, corpo e o meio; • A função tônica, essa tem como base o tônus e o equilíbrio, assim para se ter o controle da movimentação coordenada é necessário que ocorra mudanças constante do tônus ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DO TEA Na brincadeira: • A criança pode expressar-se livremente e não existe regras (diferente dos jogos), portanto ocorre de forma espontânea. • Trabalha com a imaginação, fantasia e realidade proporcionando um conhecimento a cerca do mundo e de suas relações. • Auxilia - E MUITO - na aprendizagem e em novas aquisições cognitivas. ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DO TEA Fisioterapia Pélvica Infantil noTEA • As pessoas com TEA apresentam alterações nas disfunções do assoalho pélvico principalmente no sinergia miccional e na constipação. • Apresentam insucesso no primeiro desfralde devido a fatores maturacionais, educacionais, ambientais, sociais, familiares, psicológicos e hereditários. • O controle esfincteriano acompanha o desenvolvimento das habilidades motoras, sensoriais, cognitivas e de linguagem (comunicação) É considerado disfunções miccional pela ICCS (International Continence Children Society), CID-10 (Código Internacional de Doenças) e pelo DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) as disfunções e sintomas do trato urinário a partir dos 5 anos de idade. ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DO TEA Dicas de Estimulação Motora para Pais: • Converse com o terapeuta/médico para saber se o desenvolvimento do seu filho está de acordo com o esperado para a idade; • Questione caso note alguma alteração ou dificuldade no dia-a-dia do seu filho; • Leve seu filho no parque; • Deixe experimentar várias sensações e movimentos; • Proporcione brincadeiras corporais prazerosas; • Estimule a prática de esportes precocemente; • Favoreça a utilização do corpo como ferramenta de estímulos sociais e de comunicação; • Promova atividades aeróbias frequentemente; • Permita e auxilie a resolução de problemas corporais da criança.