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DISCIPLINA: PATOLOGIA VETERINÁRIA PATOLOGIA DO APARELHO URINÁRIO MORFOLOGIA E FUNÇÃO DO APARELHO URINÁRIO Constituintes Rins: sua forma varia de acordo com a espécie. Nos bovinos são alongados e possuem a superfície marcada por sulcos que delimitam os lobos renais. Os cães, gatos e pequenos ruminantes têm rins semelhantes a grãos de feijão. Nos suínos eles são achatados e nos eqüinos são achatados e cordiformes. O parênquima renal se divide em córtex e medula, sendo o córtex a região mais vascularizada, recebendo cerca de 90% do suprimento sangüíneo destinado ao rim. O néfron é a unidade funcional do rim, sendo formado por um glomérulo, pelo túbulo contorcido proximal, alça de Henle, túbulo contorcido distal e ductos coletores. O glomérulo é composto por um tufo de capilares ramificados que têm por função a filtração. Esse emaranhado capilar é composto pelas seguintes estruturas: 1. Células endoteliais fenestradas 2. Membrana basal glomerular (MBG) formada por diversos tipos de glicoproteínas (colágeno, laminina, proteoglicanas, fibronectina, etc.) 3. Células epiteliais viscerais (podócitos) 4. Células mesangiais, responsáveis pela sustentação do tufo glomerular, e que estão contidas numa matriz mesangial. O glomérulo possui um pólo vascular por onde penetra a arteríola aferente e sai a arteríola eferente, e um pólo urinário, de onde se origina o tubo contorcido proximal. A filtração glomerular é altamente permeável à água e pequenos solutos e é impermeável a proteínas do tamanho ou maiores que a albumina. Quanto maior a molécula protéica, menos permeável é a barreira glomerular, e quanto mais catiônica mais permeável é a barreira. Nos túbulos, o epitélio dos túbulos contorcidos proximais é formado por células colunares que possuem uma borda de microvilosidades abundantes e alongadas, inúmeras mitocôndrias, canalículos e interdigitações intercelulares que cumprem a função primordial de reabsorção de sódio, albumina, glicose e água e de reciclar bicarbonato. A alça de Henle está intimamente relacionada à rede capilar chamada de vasa recta. Através de um movimento de contracorrente a alça absorve íons Na + e Cl - , produzindo um filtrado hipotônico. No túbulo contorcido distal a água é absorvida para o interstício devido a um gradiente de concentração de soluto e aos efeitos do hormônio antidiurético. O filtrado é adicionalmente concentrado nos ductos coletores através da reabsorção de água para o interstício da medular por um gradiente de uréia. O aparelho justaglomerular é formado por: células justaglomerulares que contém renina; mácula densa, localizada do tubulo contorcido distal; e células não-granulares, contínuas às células mesangiais. EXAME MACROSCÓPICO DOS RINS Os rins são órgãos de coloração acastanhada, exceto nos gatos adultos, onde são amarelados devido ao grande conteúdo lipídico. Nos eqüinos os glomérulos podem ser vistos macroscopicamente como pontos avermelhados na região cortical. A cápsula de tecido conjuntivo deve ser removida facilmente em um rim normal. Caso haja fibrose ou o animal esteja desidratado ela se apresenta aderida ao parênquima, dificultando sua remoção. A proporção córtex:medula é de 1:2 ou 1:3 na maioria das espécies. Em algumas espécies desérticas a região medular é bem maior, diminuindo o quociente córtex/medula. FUNÇÃO RENAL A função primordial dos rins é a formação de urina, mas algumas outras podem ser observadas, como: a) Conservação de água, cátions, glicose e aminoácidos; b) Eliminação dos produtos nitrogenados, como uréia, creatinina, ácido úrico e uratos; c) Eliminação do excesso plasmático de íons sódio, potássio e cloreto; d) Manutenção do pH fisiológico dos líquidos corporais por eliminação do excesso de íons hidrogênio; e) Eliminação de compostos orgânicos endógenos e exógenos; f) Secreção de substâncias endócrinas como: a. Eritropoetina: é uma glicoproteína produzida nos rins em resposta à redução na concentração de oxigênio sangüíneo, estimulando assim a eritropoese; b. Renina: glicoproteína produzida pelas células do complexo justaglomerular quando há diminuição da pressão arterial; c. Prostaglandinas: são sintetizadas pelas células do interstício, dos ductos coletores e da parede das artérias renais. Durante a hipotensão as prostaglandinas ajudam a regular o fluxo sangüíneo renal, transporte de Na e H2O e filtração glomerular pela liberação de renina, ADH, angiotensina II, aldosterona e calicreína; d. 1,25-diidroxicolecalciferol/1,25 (OH)2 D3 (calcitriol): os rins convertem a forma inativa da vitamina D (25-hidroxicolecalciferol) na sua forma ativa (calcitriol), importante na absorção intestinal do Ca. Filtração glomerular e formação de urina A filtração glomerular é feita pelo endotélio capilar fenestrado, membrana basal glomerular e células do epitélio visceral dos glomérulos (podócitos). O líquido é filtrado para a cápsula de Bowman, daí para o túbulo contorcido proximal no córtex renal e então para a alça de Henle. Da alça de Henle o filtrado glomerular passa para o túbulo contorcido distal, também no córtex renal. Até 8 túbulos distais podem coalescer para formar um tubo coletor, que lança o filtrado glomerular na pelve renal por meio das papilas renais. Durante a filtração glomerular as macromoléculas, como proteínas, não cruzam a parede dos capilares. A pequena quantidade de albumina que é filtrada é rapidamente reabsorvida no túbulo contorcido proximal. Nos neonatos o glomérulo é permeável às proteínas do colostro por poucos dias. Cerca de 99% do filtrado glomerular é reabsorvido, enquanto uma pequena porção vai formar a urina. INSUFICIÊNCIA RENAL Ocorre pela diminuição da capacidade funcional dos rins, que não conseguem mais exercer suas funções metabólicas e endócrinas. Essa diminuição na capacidade funcional pode ser provocada por fatores pré-renais, renais e pós-renais. a) Fatores pré-renais: obstrução do aporte vascular, insuficiência cardíaca congestiva, choque circulatório e hipovolemia (hemorragia e desidratação severa). Ocorre diminuição da perfusão sangüínea e redução na taxa de filtração glomerular, com retenção das substâncias que deveriam ser eliminadas na urina. Pode ocorrer também isquemia, com degeneração e necrose das células tubulares; b) Fatores renais: lesões agudas ou crônicas que reduzem a função renal; c) Fatores pós-renais: obstrução do fluxo no trato urinário inferior. Pode ser causado por: a. Causas intrínsecas: urolitíase e tumores de bexiga e uretra; b. Causas extrínsecas: tumores de útero, hiperplasia e prostatites graves, que comprimem ureteres e uretra. Na insuficiência renal (IR) observa-se aumento nos níveis de uréia e creatinina, que são resíduos nitrogenados do catabolismo das proteínas. O aumento nos níveis de uréia no sangue (BUN) e creatinina é chamado de azotemia. Quando provocada por fatores extra-renais a azotemia pode ser pré-renal (por exemplo, hipoperfusão renal) ou pós- renal (por exemplo, obstrução do fluxo inferior). A azotemia associada a sinais clínicos, alterações bioquímicas e lesões sistêmicas caracteriza uma síndrome chamada de uremia. INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA (IRA) A IRA é de etiologia multifatorial, sendo classificada como pré-renal, parenquimatosa, intrínseca e pós-renal. a) Insuficiência renal aguda pré-renal: ocorre uma diminuição funcional da filtração glomerular que resulta das deficiências no fluxo renal ou na pressão de perfusão ou de uma excessiva vasoconstricção. A azotemia é discreta e não se observam lesões morfológicas. A insuficiência pré-renal aguda é totalmente reversível caso sejam feitas as correções das deficiências hemodinâmicas primárias. A insuficiência pré-renal é resultado das deficiências hemodinâmicas, da hipotensão e da hipovolemia. O início dessas deficiências hemodinâmicas provoca um aumento na conservação renal de sal e água e na concentração daurina por meio do sistema nervoso simpático, do sistema RAA e da liberação de hormônio antidiurético. A insuficiência de filtração ocorre quando deficiências hemodinâmicas graves ou persistentes excedem a capacidade auto-reguladora do glomérulo. A insuficiência pré-renal aguda (azotemia pré-renal) pode se desenvolver durante as deficiências hemodinâmicas discretas em animais com insuficiência cardíaca preexistente ou em insuficiências renais compensadas. b) Insuficiência renal aguda do parênquima: é produzida por uma lesão intrínseca da vasculatura, dos glomérulos, do epitélio tubular ou do interstício renal. Pode também ser resultado de deficiências hemodinâmicas pré-renais ou eventos isquêmicos, toxinas exógenas que atingem diretamente os rins, doenças renais intrínsecas ou doenças sistêmicas com manifestações renais. Nesse caso as alterações progridem em tempo ou gravidade o suficiente para causar dano morfológico que não pode ser facilmente revertido. As isquemias renais podem se desenvolver por trombose arterial renal, coagulação intravascular disseminada, transfusões sangüíneas incompatíveis ou trombos sépticos. A IRA parenquimatosa resulta de nefrotoxinas exógenas ou endógenas, doenças renais intrínsecas ou doenças sistêmicas com manifestações renais secundárias. As nefrotoxinas são substâncias químicas ou fármacos que produzem lesão epitelial direta, resultando em dano celular subletal ou morte celular. As nefrotoxinas agem alterando a permeabilidade das membranas celulares, rompendo sua estrutura protéica ou ativando fosfolipases. Elas podem promover a formação de radicais livres, interferir na função lisossômica, interferir na fosforilação oxidativa e interromper os processos celulares dependentes de energia. As nefrotoxinas que podem causar IRA parenquimatosa nos animais são o etilenoglicol, antimicrobianos aminoglicosídeos, anfotericina B, Cisplatina, AINE e inibidores de enzimas conversoras de angiotensionogênio (ECA). c) Doença renal intrínseca: é provocada por doenças infecciosas, imunomediadas, neoplásicas ou degenerativas adquiridas que se manifestam primariamente no rim. Quando fulminante e extensa pode produzir uma crise aguda, como a observada na pielonefrite aguda devido ao refluxo de bactérias do trato urinário inferior. A azotemia pode ser moderada ou grave e associada com graus variáveis de formação de urina. d) Insuficiência renal aguda pós-renal: é provocada por obstrução ou desvio do fluxo urinário e o conseqüente acúmulo dos produtos de excreção no organismo. Fases da Insuficiência Renal Aguda 1. Fase inicial: é o período no qual o animal é sujeito à agressão, desenvolve-se a lesão parenquimatosa e o epitélio tubular sofre lesão subletal. Se a agressão for mantida, a morte celular é o resultado da apoptose ou da necrose. Essa fase pode durar de horas a dias, mas não é identificada porque as alterações da taxa de filtração glomerular (TFG) e na densidade da urina não são clinicamente aparentes 2. Fase de manutenção: se estabelece uma quantidade crítica de dano epitelial irreversível. A TFG e o fluxo sangüíneo renal estão diminuídos e as complicações da uremia se desenvolvem. Nesse estágio o dano existente não é mais reversível. A fase de manutenção pode durar de dias à semanas, e quanto mais longa maior a possibilidade de uma recuperação mais lenta e de disfunção renal permanente. 3. Fase de recuperação: é o período de reparação e regeneração do tecido renal e de restauração da função renal. A produção de urina aumenta e ocorre resolução da azotemia. O animal apresenta poliúria como uma resposta do organismo ao acúmulo de água, sal e solutos osmoticamente ativos ou uma resposta farmacológica à administração de diuréticos. A recuperação depende da restauração das células lesadas subletalmente, de remoção dos debris intratubulares e da repopulação do epitélio necrosado. A fase de recuperação pode durar de semanas a muitos meses. Patogenia da Insuficiência Renal Aguda São identificadas quatro alterações patológicas e funcionais que participam das fases de início e manutenção da IRA. São elas: 1. Diminuição do coeficiente de ultrafiltração (Kf): reduz a TFG por meio da diminuição na área superficial eficaz ou na condutividade hidráulica dos capilares glomerulares. Ocorre ruptura da arquitetura dos podócitos. A vasoconstricção iniciada pela angiotensina II e outros agentes vasoativos e a contração do mesângio reduz a área de superfície glomerular eficaz e reduz também o Kf. 2. Obstrução tubular: ocorre pela formação de cilindros tubulares produzidos por restos celulares, proteínas intratubulares, precipitação de pigmentos heme, cristais de oxalato de cálcio ou compressão extratubular secundária a edema intersticial e inflamação. A obstrução do fluido tubular aumenta a pressão hidrostática intratubular, diminui a pressão de ultrafiltração da rede capilar e interrompe a filtração glomerular de um único néfron. 3. Extravasamento retrógrado: ocorre extravasamento do fluido tubular através do epitélio rompido. Ele é facilitado pela obstrução tubular e pelo aumento da pressão intratubular. 4. Vasoconstricção intra-renal: diminui o fluxo sangüíneo renal em 50% ou mais após alguma agressão renal. A diminuição no fluxo sangüíneo contribui para a insuficiência precoce de filtração. INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA (IRC) A IRC ocorre devido à perda progressiva e gradual do tecido renal por um período prolongado, com lesões estruturais irreversíveis. Pode não ser necessária a persistência do processo mórbido responsável pela lesão renal inicial para que ocorra a disfunção progressiva. Após a correção das doenças primárias reversíveis e/ou dos componentes pré-renais ou pós-renais da disfunção, não se deve esperar melhora significativa nos pacientes com IRC, pois as alterações adaptativas e compensatórias realizadas para manter a função renal já ocorreram amplamente. A IRC pode ser de origem congênita, familiar ou adquirida. A IRC adquirida pode ser provocada por qualquer doença que cause lesão aos glomérulos, aos túbulos, ao interstício e/ou à vasculatura renal e cause perda irreversível da função renal. A identificação da causa da IRC é muito difícil, e isso se dá devido a três fatores: a) Os vários componentes dos néfrons (glomérulo, túbulos, capilares peritubulares e tecido intersticial) são funcionalmente interdependentes; b) As anormalidades morfológicas e funcionais dos rins podem manifestar-se clinicamente apenas sob um número limitado de formas, independente da causa determinante; c) Após a maturação, novos néfrons não podem ser formados para substituir outros irreversivelmente destruídos pela doença. Como foi dito anteriormente a uremia é a presença se azotemia associada com outros sinais clínicos sistêmicos. É o estado clínico para o qual todas as doenças renais generalizadas e progressivas convergem. Algumas alterações são vistas no estado de uremia e que levam ou agravam as alterações sistêmicas: 1. Diminuição da filtração glomerular: a taxa de filtração glomerular (TFG) nesses casos é menor que 20%-25% do normal. Nessa fase os néfrons não conseguem mais se adaptar e ocorre retenção de substâncias como sulfatos, fosfatos, uréia, ácido úrico e creatinina; 2. Diminuição da reabsorção tubular: ocorre perda de água e eletrólitos, com desidratação e desequilíbrio eletrolítico. A desidratação é agravada pela não responsividade ao ADH, por lesões na região medular dos rins, pelo vômito e pela diarréia; 3. Diminuição da secreção tubular: ocorre retenção de potássio, podendo levar a cardiotoxicidade, e retenção de íons hidrogênio, resultando em desequilíbrio ácido-básico e acidose metabólica. Essa acidose metabólica é causada também pela redução da capacidade dos túbulos distal e coletos em produzir amônia e pela diminuição na reabsorção de íons bicarbonato. 4. Formação deficiente da forma ativa da vitaminaD: a transformação do 25-hidroxicolecalciferol em 1,25- diidroxicolecalciferol está diminuída, diminuindo a reabsorção intestinal de cálcio e conseqüentemente diminuindo sua concentração no meio extracelular. Isso aumenta a permeabilidade da membrana axonal aos íons Na, o que torna as fibras nervosas excitáveis devido ao desencadeamento do potencial de membrana. Esses impulsos chegam aos músculos esqueléticos e desencadeiam contrações musculares tetânicas; 5. Retenção de fosfatos: a não excreção de P provoca hiperfosfatemia e hipocalcemia absoluta. A hipocalcemia estimula a maior produção de PTH pelas paratireóides, para assim aumentar a reabsorção óssea de Ca e a excreção de P. Esse aumento na produção de PTH leva ao hiperparatireoidismo secundário renal. 6. Formação deficiente de eritropoetina: leva à diminuição na produção de eritrócitos pela medula óssea, causando anemia arregenerativa. Conseqüências da Insuficiência Renal Crônica a) Complicações gastrintestinais: o animal geralmente apresenta anorexia e perda de peso. A perda de peso e a má nutrição são provocadas pela anorexia, mas também pelas náuseas, vômito e subseqüente redução no aporte de nutrientes, distúrbios hormonais e metabólicos e fatores catabólicos relacionados à uremia, particularmente a acidose. O vômito observado é conseqüência da ação das toxinas urêmicas ainda não identificadas, sobre os quimiorreceptores eméticos presentes na zona medular e também devido à gastrenterite urêmica. Como a gastrite urêmica pode ser ulcerativa, pode ocorrer hematêmese. O surgimento da gastropatia urêmica tem sido relacionado com a presença de níveis elevados de gastrina. A gastrina induz secreção ácida gástrica ao estimular os receptores localizados nas células parietais gástricas e ao aumentar a liberação de histamina dos mastócitos na mucosa gástrica. O aumento na liberação de histamina também provoca dilatação capilar e de pequenas vênulas, aumento da permeabilidade endotelial e trombose intravascular, levando ao surgimento de ulcerações gastrintestinais e necrose isquêmica da mucosa. Considerando que até 40% da gastrina circulante é metabolizada pelos rins, a função renal reduzida pode levar à hipergastrinemia. A retrodifusão de ácido clorídrico e pepsina para a parede do estômago pode provocar hemorragia, inflamação e liberação de histamina pelos mastócitos, o que pode perpetuar o ciclo. Outras causas para a gastropatia urêmica incluem o estresse psicológico relacionado à doença, o aumento na retrodifusão de eletrólitos causado por altos níveis de uréia, as erosões causadas por amônia liberada por causa da urease bacteriana atuando sobre a uréia, a isquemia causada pelas lesões vasculares, a diminuição na concentração e recirculação da mucosa gástrica e o refluxo biliar relacionado à disfunção pilórica. Histologicamente, nos animais com gastropatia urêmica, observa-se atrofia glandular, edema da lâmina própria, infiltração de mastócitos, fibroplasia, mineralização e arterite submucosa. Pode-se observar também estomatite urêmica com ulcerações bucais, coloração acastanhada da superfície da língua, necrose e esfacelo da porção anterior da língua (associada com necrose fibrinóide e arterite) e odor amoniacal. A degradação da uréia em amônia pela uréase bacteriana pode contribuir para muitos desses sinais. Os animais podem apresentar ainda enterocolite urêmica caracterizada pela presença de diarréia, mas esse é um quadro menos comum. Quando ocorre ela geralmente é hemorrágica. Constipação pode ocorrer, provavelmente devido à desidratação. b) Complicações pulmonares: a doença respiratória é comum em animais gravemente urêmicos. O edema intersticial ou alveolar e a efusão pleural resultantes da administração excessiva de fluidos e da sobrecarga de volume são os distúrbios pulmonares mais prevalentes. Pode-se observar ainda congestão, pneumonia por aspiração em animais com vômito persistente, pneumonite urêmica (síndrome do desconforto respiratório do adulto) e tromboembolia arterial pulmonar. c) Complicações cardiovasculares: a degeneração fibrinóide do tecido conjuntivo subendocárdico do átrio esquerdo provoca uma endocardite atrial ulcerativa. Lesões também podem ser vistas na superfície endotelial da aorta e do tronco pulmonar. Macroscopicamente observam-se placas rugosas, esbranquiçadas e firmes, vistas histologicamente como degeneração e mineralização. d) Complicações urinárias: os rins podem estar mineralizados e fibrosados (nefrocalcinose). e) Complicações hematopoéticas: ocorre diminuição na produção de eritropoetina, depressão tóxica da eritropoese por acúmulo de catabólitos, hemólise pela retenção da creatinina e hemorragias renais e/ou gástricas, levando à anemia aplástica ou arregenerativa. f) Hiperparatireoidismo secundário renal: é observada na IRC associada com a hiperfosfatemia e com baixos níveis de calcitriol (1,25-diidroxicolecalciferol). No animal doente o excesso de fosfato inibe a 1-α-hidroxilase tubular renal, enzima responsável pela transformação do 25-hidroxicolecalciferol em calcitriol, inibindo sua produção. Ocorre então um aumento na produção de PTH na tentativa de aumentar a atividade da 1-α- hidroxilase tubular. Como não ocorre formação suficiente de calcitriol a absorção intestinal de Ca é prejudicada e se dá uma queda nos níveis séricos de Ca. Para tentar compensar essa queda o organismo começa a reabsorver cálcio ósseo. A não absorção intestinal de Ca e a reabsorção óssea provocam o surgimento da osteodistrofia fibrosa, ou seja, o tecido ósseo é substituído por tecido fibroso. Essa alteração é vista mais freqüentemente em animais jovens que possuem ossos metabolicamente em crescimento. Não se sabe por que, mas os ossos do crânio e da mandíbula são os mais acometidos o que pode tornar os dentes móveis e a mandíbula se torna facilmente arqueável ou torcida sem fraturas (mandíbula de borracha). Os ossos longos podem se apresentar mais frágeis. ALTERAÇÕES DO DESENVOLVIMENTO a) Aplasia e agenesia renal: é a falha no desenvolvimento de um ou dos dois rins, não havendo nenhum tecido renal reconhecível. Se presente, o ureter começa por um saco cego na sua extremidade cranial. Na aplasia unilateral, que muitas vezes passa despercebida, o outro rim sofre uma hipertrofia compensatória e o animal sobrevive normalmente. A aplasia bilateral é incompatível com a vida. Cães da raça Doberman Pinscher e Beagle e suínos Large-White parecem ter uma tendência familiar. b) Hipoplasia renal: é o desenvolvimento incompleto dos rins, havendo menor número de néfrons, lóbulos e cálices. Pode ser uni ou bilateral, quando pode levar á insuficiência renal. Não deve ser confundida, em bovinos, com a simples função dos lóbulos externos, ou em cães jovens com fibrose renal, nefropatia juvenil progressiva ou displasia. É uma alteração rara e que pode ter origem hereditária em suínos Large-White. c) Displasia: o rim sofre uma alteração na sua organização, resultado de uma diferenciação anormal com presença de estruturas não representativas de uma nefrogênese normal. Histologicamente observa-se a presença de cartilagem, mesênquima e túbulos coletores imaturos. Pode ocorrer, secundariamente, fibrose intersticial, cistos renais e hipertrofia compensatória. O número de néfrons, lóbulos e cálices é normal. d) Rins ectópicos: os rins estão localizados fora da sua posição sublombar normal devido à migração anormal durante o desenvolvimento fetal. É observada geralmente em suínos, sendo mais unilateral, e o órgão é observado na cavidade pélvica ou na região inguinal. Apesar de o rim ectópico ser normal, sua localização irregular pode causar obstrução do fluxo urinário, podendo provocar hidronefrose ou pielonefrite. e) Rins fundidos: ocorre pela fusão dos pólos craniais e caudais durante a nefrogênese. Sua estrutura e funções geralmente são normais. f) Cistos renais: podem ser congênitos,como na displasia, ou primários, solitários ou múltiplos. Os cistos são geralmente esféricos, de paredes finas com epitélio achatado, contendo um líquido claro e seroso no seu interior. Acredita-se que os cistos possam surgir em determinadas situações, sendo elas: a. Obstrução de um néfron causando elevação na pressão luminal e dilatação secundária; b. Membrana basal defeituosa e formação de uma dilatação sacular dos túbulos; c. Hiperplasia focal do epitélio tubular com produção de membrana basal nova, que induz o desenvolvimento de túbulos aumentados de volume e dilatados. Podem ser observadas três formações diferentes de cistos: 1. Cistos solitários: são encontrados geralmente na região cortical, medindo de um a vários centímetros. Histologicamente observa-se uma membrana conjuntiva revestida por epitélio cúbico, com compressão do parênquima adjacente. Podem ser vistos nos suínos, bovinos, cães e raramente em gatos; 2. Rins policísticos: o parênquima renal é substituído por cistos numerosos e pequenos, com aspecto de favo de mel ao corte. Medem de poucos milímetros a três centímetros e acometem principalmente bezerros e gatos. 3. Cistos de retenção: é uma alteração adquirida vista nas doenças renais crônicas, quando há compressão e obstrução dos túbulos renais por tecido conjuntivo fibroso. Geralmente são menores que nos rins policísticos. g) Atrofia renal: pode ocorrer por senilidade em cães e gatos, acometendo um ou dois rins, por conseqüência de cistos, abscessos ou tumores adjacentes, ou devido à proliferação de tecido conjuntivo fibroso nas inflamações crônicas. h) Hipertrofia renal: é observada geralmente como um mecanismo compensatório, quando o rim opostonão funciona normalmente. ALTERAÇÕES CIRCULATÓRIAS 1. Hiperemia a. Hiperemia aguda: é encontrada nas inflamações agudas como, por exemplo, nas nefrites, mas especialmente nas septicemias e toxemias; b. Hiperemia passiva ou congestão: é encontrada na insuficiência cardíaca congestiva, na compressão das veias por tumores e na trombose da veia renal ou cava posterior. Os rins estão aumentados de volume, escuros, com sangue fluindo ao corte. 2. Hemorragia: estão associadas a doenças septicêmicas, resultado de vasculite ou necrose vascular.suínos que morrem de peste suína clássica, peste suína africana, erisipela, estreptococos e salmonela apresentam petéquias na região cortical. Equimoses corticais associadas à necrose multifocal de túbulos e vasos são vistas em cãezinhos recém nascidos com infecção por herpesvírus. Hemorragias intra-renais ou subcapsulares podem ser resultado de hemofilia e coagulação intravascular disseminada. 3. Infarto: é o resultado da isquemia por oclusão vascular, geralmente causada por trombose ou embolia asséptica. A oclusão das artérias resulta em infartos hemorrágicos que se tornam cinza-amarelados e pálidos em 2-3 dias devido à lise dos eritrócitos e remoção da hemoglobina. Infartos pálidos têm uma área central de necrose de coagulação cercada por uma zona congesta e hemorrágica, com uma margem pálida formada por leucócitos. Os infartos geralmente têm forma de cunha e podem envolver a região cortical e medular. A oclusão venosa é mais rara e tem aspecto hemorrágico mais duradouro devido à manutenção do fluxo arterial. Histologicamente infartos agudos apresentam necrose da zona central, com os glomérulos podendo ser poupados. Nas margens há um discreto infiltrado mono e polimorfonuclear. A cicatrização ocorre por lise e fagocitose do tecido necrótico, com substituição por tecido conjuntivo fibroso. 4. Necrose cortical renal: a lesão ocorre devido à trombose disseminada dos capilares e glomérulos, artérias interlobulares e arteríolas aferentes na coagulação intravascular disseminada. Macroscopicamente observa- se palidez com áreas de hiperemia separando o córtex necrótico da medular viável. 5. Necrose papilar: é uma reação da região medular interna à isquemia, podendo ser uma lesão primária ou estar associada a outras lesões, como fibrose da região medular externa, amiloidose medular, pielite e cálculos. Em eqüinos ocorre como doença primária em animais que são tratados por um longo período com fenilbutazona e banamine. Essas drogas inibem a biossíntese das prostaglandinas, que são importantes na manutenção do fluxo normal da vasa recta. ALTERAÇÕES GLOMERULARES A principal função do glomérulo é a filtração plasmática para posterior formação de urina. Dano à barreira glomerular pode levar à doença renal com algumas características de manifestação clínica, tais como: a) Síndrome nefrítica aguda: é caracterizada pela ocorrência de hematúria, azotemia, proteinúria, oligúria, edema e hipertensão; b) Glomerulonefrite rapidamente progressiva: observa-se nefrite aguda, proteinúria e insuficiência renal aguda; c) Síndrome nefrótica: há uma proteinúria acentuada com hipoalbuminemia; d) Insuficiência renal crônica: azotemia progredindo para uremia; e) Hematúria ou proteinúria assintomáticas. Alterações histológicas das lesões glomerulares Algumas reações teciduais são observadas em várias glomerulonefrites de origens diversas: 1. Hipercelularidade: em algumas doenças inflamatórias observa-se um aumento no número das células do tufo glomerular. Esse aumento pode ser causado pela proliferação das células endoteliais ou mesangiais. Células mesangiais são miofibroblastos que formam o mesângio, uma matriz glicoprotéica que sustenta o tufo glomerular. Essa hipercelularidade pode ser provocada também pela infiltração de leucócitos (neutrófilos, monócitos e linfócitos) ou pela proliferação de células do epitélio parietal. Essa última ocorre em alterações imunológicas e inflamatórias. 2. Espessamento da membrana basal: ocorre devido à um espessamento das paredes dos capilares, provocada pela deposição de imunocomplexos (IC), fibrina, amilóide ou proteínas, ou pelo espessamento da membrana basal própria, como na glomeruloesclerose diabética. 3. Hialinização: quando ocorre perda de proteína plasmática, esta se acumula no glomérulo como uma substância homogênea e eosinofílica. Ela é geralmente conseqüência de uma lesão endotelial ou de parede de capilares. Como a maioria das glomerulonefrites primárias tem causa desconhecida elas são geralmente classificadas pelo seu diagnóstico morfológico. Glomerulites virais a. Hepatite infecciosa canina: é causada pelo Adenovirus canino tipo I. Os animais infectados podem eliminar o vírus pela urina por um longo período. Geralmente cães jovens são acometidos, mas animais com mais de 2 anos de idade podem morrer devido a doença. Clinicamente os animais podem apresentar melena, vômito, febre alta e dor abdominal. Em casos superagudos o animal pode ser encontrado morto, sem nenhum sinal clínico prévio. O vírus da hepatite infecciosa canina tem tropismo pelo endotélio, mesotélio e parênquima hepático. Macroscopicamente os rins podem apresentar infartos hemorrágicos na zona cortical em cães jovens. Histologicamente as alterações são causadas principalmente devido a lesão endotelial. Nos capilares glomerulares podem ser vistos corpúsculos de inclusão intranucleares. Esses corpúsculos podem ser encontrados, eventualmente, no epitélio dos túbulos coletores. b. Rinite com corpúsculos de inclusão dos suínos: é provocada por um citomegalovírus e acomete principalmente leitões de 1-5 semanas de idade, numa doença aguda ou subaguda. Os principais sinais estão relacionados com a rinite, sinusite, otite média e pneumonia, mas depois de uma fase de viremia o animal pode apresentar sinais sistêmicos com corpúsculos de inclusão podendo ser encontrados no epitélio glomerular e dos túbulos renais. c. Peste suína clássica; d. Doença de Newcastle. Glomerulonefrite imunomediada As glomerulonefrites geralmente são resultado de mecanismos imunomediados que podem envolver anticorpos contra a membrana basal dos glomérulos(MBG) ou a deposição de imunocomplexos solúveis. a) Glomerulonefrite anti-MBG: nesse caso os anticorpos são dirigidos contra os antígenos fixos normais da MBG. Os anticorpos se ligam ao longo de toda a MBG, seja devido aos próprios determinantes antigênicos da membrana ou a algum metabólito externo, provocando então ativação de complementos (C3b e C4b), gerando uma reação inflamatória contra aquela membrana. O diagnóstico é feito pela identificação das Ig e complementos na membrana, através de imunofluorescência ou imunoistoquímica. Esse tipo de glomerulonefrite é mais comum em humanos e primatas b) Glomerulonefrite por imunocomplexo (IC): ela se dá pela formação de imunocomplexos solúveis (antígeno- anticorpo). A formação normal dos IC ocorre em várias respostas imunes como um mecanismo utilizado para remover antígenos. O antígeno geralmente é exógeno, como bactérias ou vírus. Como a glomerulonefrite por IC é uma alteração observada em infecções persistentes ou em doenças que apresentam antigenemia prolongada, a persistência de IC circulantes é um dos fatores que provoca sua deposição nos capilares glomerulares. Outros fatores são: permeabilidade vascular local, tamanho e carga molecular dos complexos e força de ligação entre antígeno-anticorpo. Os IC mais danosos são os menores, pois os maiores são removidos pelas células mononucleares no fígado e no baço. A passagem dos IC da microcirculação para os glomérulos é proporcionada pelo aumento na permeabilidade vascular, resultante da ação de aminas vasoativas liberadas por mastócitos, basófilos ou plaquetas. Os IC circulantes são então depositados nos capilares glomerulares, onde há fixação de complemento (C3a, C5a e C567) e infiltração de neutrófilos, que danificam a membrana basal através da liberação de enzimas hidrolíticas. A ação tardia das células mononucleares ajuda a agravar as lesões. Em alguns casos pode não haver infiltração neutrofílica, mas sim agregação plaquetária, causando o surgimento de trombos de fibrina e isquemia glomerular. Em infecções transitórias, como na hepatite infecciosa canina, os IC são fagocitados e as lesões glomerulares e os sinais clínicos revertem. Em infecções persistentes ocorre uma lesão glomerular progressiva, com alterações graves e doença clínica. Macroscopicamente na glomerulonefrite aguda as lesões são sutis. Observa-se tumefação renal, com superfície capsular lisa, coloração normal ou pálida e glomérulos visíveis na região cortical. Nas lesões crônicas o córtex pode estar mais delgado e os glomérulos estão evidentes como pontos acinzentados. Pode ocorrer também fibrose cortical. Histologicamente as glomerulonefrites podem ser classificadas como: 1. Proliferativa: há aumento na celularidade do tufo glomerular, tanto por proliferação das células glomerulares quanto por infiltração inflamatória; 2. Membranosa: é comum em gatos e se dá pelo espessamento difuso da membrana basal dos capilares; 3. Membranoproliferativa: é comum em cães, observando-se tanto hipercelularidade quanto o espessamento da membrana basal. Outras lesões histológicas observadas são: aderência do tufo glomerular à cápsula de Bowman, hipertrofia e hiperplasia do epitélio parietal, trombos nos capilares e dilatação tubular com cilindros e gotas hialinas. Nas lesões crônicas a cápsula de Bowman pode estar espessada e hialinizada e podem se formar crescentes glomerulares, ou seja, proliferação do epitélio parietal, infiltrado inflamatório e fibrina. Pode ocorrer fibrose do crescente, que com o rompimento da cápsula de Bowman se estende para o interstício. Os glomérulos fibrosados tornam-se atróficos, hipocelulares e não funcionais, caracterizando a glomeruloesclerose. Essa lesão não é resultado apenas da glomerulonefrite crônica, mas de qualquer lesão crônica que resulte em perda da função glomerular. Animais com diabete melito desenvolvem depósitos difusos ou nodulares de glicoproteínas hialinas no mesângio que provoca a glomeruloesclerose. As glomerulonefrites por IC podem ser diagnosticadas através da demonstração de Ig e C3 nos tufos glomeulares. Em cães observa-se principalmente IgG, além de IgM e IgA. Essa identificação é feita por imunofluorescência ou imunoistoquímica. Causas de glomeurolonefrite por IC: a) Cães a. Hepatite infecciosa canina b. Dirofilariose c. Lupos eritematoso sistêmico: é uma doença auto-imune caracterizada pela formação de auto- anticorpos, principalmente antinucleares. É uma doença crônica caracterizada por lesões na pele, articulações, rins e membranas basais. Nos rins os IC se depositam nos glomérulos, membranas basais tubulares e capilares e dos grandes vasos. d. Erlichiose e. Leishmaniose f. Neoplasias b) Felinos a. Leucemia felina b. Peritonite infecciosa felina c. Neoplasias c) Eqüinos a. Anemia infecciosa eqüina: é provocada por um vírus da família Retroviridae, que se replica em macrófagos hepáticos, do baço, nódulos linfáticos, pulmões, rins e glândulas adrenais. A causa da anemia ainda não foi completamente elucidada, se por supressão medular ou destruição auto- imune, mas a vasculite e a glomerulonefrite são causadas pela deposição de IC. d) Bovinos a. Diarréia viral bovina e) Suínos a. Peste suína africana Glomerulite supurativa ou nefrite embólica: é resultado da deposição de bactérias nos glomérulos e nos capilares intersticiais, formando focos de infiltrado no córtex. Histologicamente pode-se ver colônias bacterianas nos capilares glomerulares, alem de necrose e infiltrado neutrofílico. Amiloidose O amilóide é uma proteína fibrilar insolúvel produzida a partir de proteínas amiloidogênicas. Nos animais a amiloidose observada é chamada de reativa, pois está associada a estímulos e inflamações crônicas. Os depósitos de amilóide são formados por fragmentos de uma proteína amilóide associada ao soro, que se associa a um componente P do amilóide para se depositar nos tecidos. Os principais locais para deposição renal do amilóide são os glomérulos e a zona medular. Apesar de geralmente estar associada a lesões inflamatórias crônicas, cães e gatos podem apresentar uma amiloidose idiopática. Cães Shar Pei e Beagle parecem ter uma predisposição genética para a doença. Em bovinos a amiloidose renal é resultado de lesão sistêmica crônica. A amiloidose glomerular provoca perda de proteína, que leva a proteinúria e uremia. Na amiloidose medular só se observam sinais clínicos caso haja necrose papilar. Macroscopicamente os rins estão aumentados de volume, pálidos, com cápsula lisa ou finamente granular. Os glomérulos podem ser observados macroscopicamente como pequenos pontos amarronzados na região cortical. Em casos de amiloidose glomerular prolongada pode ocorrer atrofia tubular, degeneração e fibrose difusa. Histologicamente o amilóide se acumula em focos nos tufos glomerulares, dando-lhes um aspecto eosinofílico, homogêneo ou fibrilar. Quando todo o tufo glomerular está envolvido, observa-se um aumento do volume glomerular e ele aparece como uma esfera eosinofílica, hialina e hipocelular. O amilóide pode se depositar também nas membranas basais dos túbulos, tornando-as espessas e hialinas. Sua confirmação é feita por coloração especial (vermelho Congo). ALTERAÇÕES TUBULARES Necrose tubular aguda (nefrose): é o resultado de insulto isquêmico ou tóxico às células do epitélio tubular, que provoca degeneração, necrose e descamação das células. O epitélio dos túbulos contorcidos proximais é mais susceptível devido a sua alta atividade metabólica. Clinicamente os animais podem apresentar uremia associada a oligúria e anúria. Macroscopicamente os rins podem estar tumefeitos, com a superfície capsular lisa e pálida. A superfície de corte pode estar úmida e pálida, com estriações brancas pronunciadas. Histologicamente as lesões vão depender da gravidade e do tempo de exposição ao insulto. Pode-se observar tumefaçãotubular ou necrose de coagulação, com descamação do epitélio necrótico e túbulos dilatados pela presença de cilindros hialinos e granulares. Caso o insulto seja removido antes de haver lesão à membrana basal dos túbulos, a função renal é restituída depois da regeneração do epitélio tubular. a) Necrose tubular isquêmica: é provocada pela redução acentuada da perfusão renal, levando a morte celular por diminuição na produção de ATP, aumento na permeabilidade da membrana, entrada de íons Ca e produção de radicais livres. Pode ser provocada por hipotensão grave associada ao choque. A necrose tubular inicialmente é dispersa, multifocal, mas o agravamento do quadro leva a necrose tubular difusa. Quando há lesão da membrana basal (necrose tubulorrética) a regeneração tubular é imperfeita e pode provocar atrofia e fibrose renal. b) Necrose tubular tóxica: pode ser causada por agentes exógenos ou endógenos a. Nefrose tóxica exógena (geralmente não há lesão à membrana basal) i. Etilenoglicol: essa substância é utilizada como anticongelante de automóveis, mas é utilizado também em materiais de limpeza, verniz, cosméticos e estratos flavorizantes. A intoxicação por etilenoglicol é uma das causa mais comuns de IRA e a segunda intoxicação mais comum diagnosticada em animais de companhia. Geralmente são acometidos cães jovens, mas os gatos são mais susceptíveis. O etilenoglicol em si não é tóxico, mas depois de ingerido seus metabólitos (glicoaldeído, ácido glioxílico, glicolato e ácido oxálico) são nefrotóxicos. Cristais de oxalato se unem ao cálcio e quando depositados nos túbulos provocam obstrução e vazamento retrógrado, promovendo lesão tubular e edema renal. ii. Antimicrobianos aminoglicosídeos (neomicina, gentamicina, tobramicina, amicacina e netilmicina): como têm baixa capacidade de ligação com proteínas esses compostos são filtrados livremente pelo glomérulo. Os aminoglicosídeos interagem com os fosfolipídios da membrana da borda em escova dos túbulos proximais, acumulando-se no epitélio. No interior das células eles se ligam as organelas e interrompem a função dos lisossomos e da membrana celular. Clinicamente observa-se urina pouco concentrada, poliúria,proteinúria, hematúria e azotemia. Como não há lesão à membrana basal as lesões são reversíveis e as células regeneradas são resistentes à toxicidade. iii. Tetraciclina: já foram descritos casos de intoxicação por oxitetraciclina em cães e bovinos, que desenvolveram necrose tubular e insuficiência renal. Animais com insuficiência renal não devem ser tratados com tetraciclina. iv. Sulfonamidas: a nefropatia era observada em animais geralmente desidratados quando tratados com as formas menos solúveis, como sulfapiridina e sulfatiazina. Macroscopicamente os rins estão aumentados e congestos e podem se ver cristais amarelados de sulfonamidas na zona medular, na pelve e até na bexiga. v. Anfotericina B: é um antifúngico que provoca vasoconstricção renal, com diminuição no fluxo renal e na filtração glomerular. Pode-se observar necrose dos túbulos proximais e distais e mineralização intratubular. vi. Metais pesados: mercúrio inorgânico, arsênico inorgânico, chumbo e cádmio. vii. Monensina viii. Micotoxinas: o Aspergillus e Penecillium spp produzem micotoxinas nefrotóxicas (ocratoxinas, citrinina, oxalato e toxina viridicatum) que contaminam os grãos. Em suínos a ocratoxina A e a citrinina produzem degeneração e atrofia dos túbulos contorcidos proximais, fibrose cortical e hialinose glomerular. ix. Plantas nefrotóxicas Amaranthus spp (caruru): a intoxicação acomete bovinos, ovinos, suínos e eqüinos mantidos em áreas com grande quantidade da planta. São afetados bovinos de todas as idades e os sinais clínicos surgem de 5-25 dias após o início da ingestão da planta. Clinicamente os bovinos apresentam depressão, anorexia, diminuição ou ausência dos movimentos ruminais, corrimento sero-hemorrágico nasal e diarréia. Os animais passam muito tempo deitados e quando levantados apresentam incoordenação motora. A morte pode ocorrer de 3-10 dias após os primeiros sinais clínicos. Macroscopicamente os animais podem apresentar petéquias no subcutâneo e serosas, líquido seroso nas cavidades abdominal e torácica, lesões ulcerativas no trato gastrointestinal e traquéia. Os rins estão firmes, edemaciados e amarelados. Pode haver edema perirenal. Histologicamente observa-se nefrose tubular tóxica com dilatação tubular, cilindros hialinos e granulosos, fibrose intersticial e espessamento da cápsula de Bowman. Thiloa glaucocarpa (sipaúba): é encontrada no Ceará e Piauí. Provoca surtos no começo da estação chuvosa, que duram de 5-8 dias e surgem entre o 10º-25º dias após a primeira chuva. As folhas são ingeridas logo após sua brotação e os surtos só ocorrem quando as chuvas são intercaladas com períodos de estiagem. Clinicamente os animais apresentam edema do subcutâneo, principalmente da parte posterior da coxa (doença da popa inchada), períneo, região supra-mamária, prepúcio, escroto e abdômen. Dimorphandra mollis (faveira): é uma planta que produz favas que são ingeridas na época de estiagem, quando caem ao chão. b. Nefrose tóxica endógena i. Nefrose hemoglobinúrica: pode estar associada a uma crise hemolítica aguda ou a transfusão incompatível. A hemoglobina livre no soro é filtrada e se acumula nos túbulos renais, produzindo insuficiência renal associada à isquemia. ii. Nefrose mioglobinúria: pode ocorrer na mioglobinúria paralítica dos eqüinos. Ocorre em animais alimentados com concentrados ricos em carboidratos e que são exercitados após 1 ou mais dias de descanso. Animais que ingerem apenas pastagem podem desenvolver a doença se submetidos a exercício prolongado depois de um longo período de descanso. Clinicamente o animal apresenta dificuldade de locomoção e mioglobinúria. A nefrose mioglobinúrica pode levar o animal à morte. ALTERAÇÕES TUBULUINTERSTICIAIS São doenças que envolvem os túbulos e interstício, podendo as lesões tubulares serem lesões primárias. As nefrites intersticiais observadas nesses casos podem ser: a) Agudas: tem um início clínico agudo e histologicamente observa-se infiltrado leucocitário e necrose tubular focal. b) Crônica: observa-se infiltrado inflamatório mononuclear, com fibrose intersticial e atrofia tubular generalizada. c) Supurativa: ocorrem devido a infecção bacteriana por via hematógena (embólica) ou por via ascendente (pielonefrite). Nas doenças glomerulares observa-se uma proteinúria persistente, enquanto nas doenças tubulointersticiais ocorre comprometimento da reabsorção e secreção tubular. 1. Nefrite intersticial aguda Nesse caso os agentes bacterianos ou virais penetram nos túbulos renais e incitam a resposta inflamatória. O caso que melhor caracteriza essa alteração é a leptospirose. Leptospirose: é uma infecção importante de homens e dos animais. É provocada por uma bactéria do filo Spirochaetes, família Leptospiraceae, gênero Leptospira. Tem como agentes os sorovares da Leptospira interrogans. Nos animais de fazenda é uma causa importante de abortos e natimortos, mas também pode causar uma doença aguda com septicemia, hepatite, nefrite e meningites, tanto em animais de produção quanto de estimação. A leptospirose pode ser causada por qualquer um dos 180 sorovares pertencentes aos 19 sorogrupos de L. interrogans. O reservatório natural das leptospiras patogênicas são os túbulos contorcidos proximais e em certos hospedeiros o trato genital. A transmissão direta se dá pelo contato com a urina, com descargas pós-aborto, venereamente, pelo leite ou por via transplacentária. A leptospira pode sobreviver, sob condições ideais, por semanas ou meses em solos alagados. Ocorre especialmente no inverno em regiões de clima tropical. Após penetrar as mucosas ou a pele susceptível a leptospira se dissemina pelo corpo numa fase de leptospiremiaque dura até 7 dias. Os órgãos de preferência são: fígado, rins, pulmões, placenta, tetos e fluido cérebro-espinhal. Aproximadamente 6 dias após a infecção os anticorpos limpam o organismo e o agente é visto apenas em locais com pouca penetração das Ig, como túbulos contorcidos proximais, fluido cérebro-espinhal e humor vítreo, e em alguns sorovares, no trato genital. A maioria das infecções são subclínicas, exceto em fêmeas grávidas ou em lactação. Durante a fase de leptospiremia animais jovens podem desenvolver uma doença aguda e severa, podendo se observar icterícia devido à hemólise e pelo dano hepático. Clinicamente o animal apresenta icterícia, febre, anemia hemolítica, hemoglobinúria, congestão pulmonar e, ocasionalmente, pneumonia. A anemia inicialmente é resultado da ação de hemolisinas, mas com o tempo pode ocorrer pela ação de anticorpos sobre hemácias recobertas por produtos da leptospira. Após a fase septicêmica as leptospiras presentes nos rins provocam uma nefrite intersticial focal ou difusa e uma degeneração tubular transitória. A leptospira chega ao rim por via hematógena e migra para o interstício, de onde passa para os túbulos. Após o desenvolvimento de anticorpos as leptospiras seguem para os túbulos contorcidos proximais, onde se multiplicam. Na fase intersticial observa-se hiperemia, edema e tumefação endotelial. A degeneração tubular é resultado da hipóxia devido à hipovolemia e perda de hemácias, pela ação de algumas toxinas bacterianas como lipooligossacarídeos e esfingomielinases, pela hemoglobina livre e pela reação inflamatória intersticial. Em cães com infecção pelo sorovar icterohaemorrhagiae o início é agudo e ocorre uma septicemia fulminante, onde o animal pode morrer dentro de algumas horas até 2-3 dias. Clinicamente observa-se febre, desidratação, hipersensibilidade e tendência à hemorragias, com hematemese (vômito com sangue), melena (sangue nas fezes), epistaxe (sangue nas narinas) e petéquias nas mucosas. A icterícia pode surgir subitamente ou mais demoradamente. Pode haver febre discreta. Macroscopicamente observa-se, nos rins, petéquias e equimoses subcapsulares. Histologicamente o fígado pode apresentar áreas de necrose com focos de regeneração. Na hepatite infecciosa canina observa-se uma glomerulonefrite transitória por IC. Com a resposta imune sistêmica o vírus desaparece dos glomérulos e surge nas células do epitélio tubular, provocando necrose que é seguida por nefrite intersticial linfoplasmocítica. 2. Nefrite intersticial aguda focal Muitas vezes é encontrada como um achado incidental. É provocada geralmente por infecções bacterianas hamatogênicas como na infecção por E. colli, Salmonella spp e Brucella spp. Pode ocorrer também em bovinos na Febre Catarral Maligna e em eqüinos na Anemia Infecciosa Eqüina. Macroscopicamente observa-se áreas cinzentas ou esbranquiçadas na região cortical ou medular. 3. Nefrite intersticial aguda difusa Macroscopicamente os rins estão aumentados de tamanho e pálidos, com múltiplos pontos esbranquiçados por toda a superfície do órgão e no córtex interno. 4. Nefrite supurativa embólica Discutida nas glomerulites. 5. Nefrite granulomatosa Geralmente acompanha doenças sistêmicas crônicas, com formação de granulomas em vários órgãos. Pode estar associada a infecções por vírus, bactérias, fungos e parasitas. Na peritonite infecciosa felina, especialmente na forma seca, observa-se uma nefrite piogranulomatosa, com múltiplos focos firmes e granulares vistos na superfície de corte e na região cortical. Histologicamente observa-se um acentuado infiltrado de macrófagos, com algumas células gigantes e epitelióides, além de linfócitos, plasmócitos e neutrófilos. 6. Pielonefrite É a inflamação da pelve e do parênquima renal, principalmente na zona medular, resultante da ascensão de infecções do trato urinário inferior. Raramente observa-se infecção por via hematogênica. Geralmente a pielonefrite é provocada por bactérias Gram negativas, como E. coli, Staphilococcus spp, Estreptococcus spp, Enterobacter spp, Proteus spp, Corynebacterium spp, etc. Alguns fatores predisponentes ao surgimento da pielonefrite são: a) Obstrução urinária: pode ser causada por anomalias ureterais em animais jovens, urolitíase, tumores e hiperplasia prostática. Essas alterações podem causar estase urinária, predispondo ao surgimento de cistites e pielonefrites ascendentes. b) Sexo: as fêmeas são mais predispostas por terem a uretra mais curta, pela maior aderência de bactérias à mucosa devido à ação hormonal e pela ocorrência de traumas durante o coito. A pielonefrite surge após a ocorrência de refluxo urinário da bexiga para a pelve e túbulos coletores (refluxo vesicoureteral). O refluxo surge quando há aumento da pressão no interior da bexiga, nos casos de obstrução. Nas infecções bacterianas a inflamação da parede da bexiga (cistite) pode prejudicar o funcionamento da válvula vesicoureteral, permitindo o refluxo. Endotoxinas produzidas pelas bactérias podem inibir o peristaltismo ureteral e então favorecer o surgimento do refluxo. Ocorrido o refluxo as bactérias vão passar pela pelve e colonizar a região medular. Essa região é mais susceptível devido ao seu pobre suprimento sangüíneo, à elevada osmolaridade intersticial que inibe a ação dos leucócitos, e pela alta concentração de amônia, que inibe a ativação de complementos. Macroscopicamente as mucosas da pelve e dos ureteres podem estar avermelhadas e recobertas por exsudato, e a pelve pode estar dilatada pelo exsudato. Estrias avermelhadas ou acinzentadas são vistas estendendo-se em direção à superfície renal. Nas lesões crônicas observa-se necrose com destruição da zona medular, com fibrose cortical e medular. 7. Hidronefrose É a dilatação da pelve renal devido à obstrução urinária. Ocorre aumento da pressão na pelve, dilatação e conseqüente atrofia do parênquima renal. A obstrução do fluxo urinário pode ser causada por malformações ureterais, da junção vesicoureteral ou da uretra, mas mais comumente ocorre pela presença de cálculos, inflamação crônica ou neoplasias do ureter ou da bexiga. Após a obstrução ocorre dilatação tubular e aumento da pressão intratubular. Os glomérulos ainda são funcionais, e o filtrado que é produzido se difunde para o interstício, sendo removido pelos vasos linfáticos e veias. A compressão do parênquima provoca compressão dos vasos sangüíneos, causando diminuição do fluxo sangüíneo, isquemia, atrofia e necrose tubular e fibrose intersticial. Os glomérulos tornam-se então atrofiados e fibrosados. Macroscopicamente observa-se dilatação progressiva da pelve e cálices renais, causando arredondamento do rim. O córtex e a medula estão delgados e com o agravamento do quadro o órgão torna-se um saco de paredes delgadas e repleto de urina. 8. Fibrose renal Geralmente é a manifestação crônica de lesões renais pré-existentes, sendo a fase de cura. Macroscopicamente observa-se o rim pálido, com superfície irregular, diminuído de tamanho, firme e com a cápsula aderida. Pode ocorrer formação de cistos de retenção no córtex e medula. Histologicamente observa-se fibrose intersticial, atrofia dos túbulos renais e algum infiltrado inflamatório. 9. Lesões parasitárias a. Toxocara canis: suas larvas provocam lesões granulomatosas nos rins de cães. b. Stephanurus dentatus: é encontrada na gordura perirenal de suínos e ocasionalmente pode formar cistos renais. c. Dioctophyma renali: acomete cães e gatos que comem peixe. Pode ser encontrado na pelve renal causando pielite hemorrágica e supurativa, com posterior destruição do parênquima. d. Capillaria plica: pode ser encontrada na pelve renal, ureter e bexiga de cães. 10. Neoplasias ALTERAÇÕES DO TRATO URINÁRIO INFERIOR 1. Anormalidade do desenvolvimento a. Agenesia ureteral: pode ocorrer junto com a aplasia renal, sendo uni ou bilateral; b.Ureter ectópico: ao invés de se ligar à bexiga o ureter pode se esvaziar na uretra, vagina, colo da bexiga, próstata, ducto deferente, cérvix, útero ou tubas uterinas. Pode ser uni ou bilateral e predispõe ao surgimento de pielonefrite; c. Úraco persistente: o úraco fetal não se fecha e se forma um canal entre o ápice da bexiga e o umbigo. Ocorre predisposição à cistite. d. Divertículo vesical: pode se formar durante a oclusão do úraco, quando há um fechamento incompleto da camada muscular, ou pode ser conseqüência de obstrução uretral persistente. Forma-se então, na bexiga, uma saculação que pode provocar estase urinária, predispondo ao surgimento de cistites e cálculos urinários. 2. Variações anatômicas adquiridas a. Deslocamento: os deslocamentos de ureter podem ser provocados por inflamações locais ou neoplasias. O deslocamento da bexiga pode ocorrer em casos de prolapso de vagina ou hérnias perineais. Pode provocar hidronefrose e ruptura de bexiga. b. Dilatação dos ureteres: pode ocorrer devido a cálculos, neoplasias ou restos inflamatórios. Perda de tônus muscular também pode causar dilatação, no caso de peritonites. c. Dilatação da bexiga: pode ser por obstrução ou neuroparalisia. d. Ruptura da bexiga: pode ser causada por dilatação excessiva ou por traumas. 3. Alterações circulatórias: as hemorragias são as mais comuns, causadas pela presença de cálculos ou como conseqüência de septicemias e toxemias. 4. Alterações inflamatórias: a uretrite e ureterite geralmente ocorrem na presença de cistites. Cistite: é a infiltração inflamatória da bexiga. A esterelidade da bexiga é mantida por: a) Eliminação repetida da urina b) Propriedades antibacterianas:a adesão bacteriana pode ser evitada pela acidez da urina dos carnívoros, por ação de IgA e pela secreção de mucina. c) Bacteriostáticos: ácidos orgânicos e osmolaridade provocada pelos altos níveis de uréia. Os fatores que predispõem ao surgimento da cistite são: a. Retenção urinária b. Tramatismos à mucosa vesical c. Micção incompleta d. Uretra curta A cistite ocorre quando os mecanismos de defesa da bexiga são suplantados. As bactérias chegam à lâmina própria, causando lesão vascular e inflamatória. As cistites agudas podem ser classificadas em: a. Catarral: observa-se mucosa hiperêmica e edema de submucosa, com a superfície mucosa estando recoberta por exsudato catarral. A urina está turva. Histologicamente observa-se degeneração e descamação do epitélio e infiltrado inflamatório leucocitário. b. Hemorrágica c. Fibrinosa ou diftérica: ocorre em processos inflamatórios severos. Macroscopicamente observa-se espessamento da mucosa, com crostas amarelo-escuras e friáveis. Pode ocorrer necrose com ulcerações e rupturas. As cistites crônicas podem ser classificadas em: a. Foliculares: observa-se a presença de nódulos branco-acinzentados na mucosa, circundados por um halo hiperêmico ou hemorrágico. Histologicamente os nódulos são agregados linfocitários. b. Polipóide: observa-se espessamento da mucosa com presença de pólipos formados por tecido conjuntivo, epitélio e células inflamatórias. Caso haja ruptura o animal desenvolve hematúria (sangue na urina) intermitente. c. Cistite micótica: ocorre quando fungos oportunistas colonizam a mucosa vesical. É vista em animais com infecções bacterianas crônicas e imunossuprimidos. d. Hematúria enzoótica: é uma alteração provocada pela ingestão da planta Pteridium aquilinum (samambaia), que tem como princípio ativo um glicosídeo denominado ptaquilosídeo que causa hipoplasia da medula óssea e trombocitopenia. Toda a planta é tóxica, mas a brotação é a fase mais tóxica. A hematúria enzoótica é a fase crônica da intoxicação e acomete bovinos com mais de 4 anos de idade, em diferentes épocas do ano. Clinicamente os animais apresentam hematúria intermitente ou contínua, além de emagrecimento, mucosas pálidas e queda na produção leiteira. O quadro pode persistir por até 1 ano, até que o animal morre de caquexia. Macroscopicamente as vísceras estão pálidas, conteúdo urinário vermelho e as vezes com coágulos sangüíneos. O epitélio da bexiga está espessada e com múltiplos nódulos que histologicamente revelam ser neoplasias como papilomas, adenocarcinomas, carcinomas epidermóides e hemangiomas. Urolitíase VER APOSTILA ANEXA BIBLIOGRAFIA CONSULTADA Carlton W. W. & McGavin M. D. 1995. Patologia Veterinária Especial de Thomson. Ed. ArtMed. Porto Alegre, RS. Jubb K. V. F., Kennedy P. C. & Palmer N. 1993. Pathology of domestic animals. 4 th ed. Academic Press. San Diego. Kumar N., Abbas A. 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