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FACULDADE FAVENI VALDIRENE GOMES DA COSTA BORGES A INSERÇÃO DAS FAMÍLIAS NOS CONETEXTOS EDUCACIONAIS Santa Cruz do Arari- PA 2023 A INSERÇÃO DAS FAMÍLIAS NOS CONETEXTOS EDUCACIONAIS Valdirene Gomes da Costa Borges, Declaro que sou autor(a) 1 deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também que o mesmo foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja parcial ou integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e corretamente referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de investigações empíricas por mim realizadas para fins de produção deste trabalho. Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de plágio ou violação aos direitos autorais. (Consulte a 3ª Cláusula, § 4º, do Contrato de Prestação de Serviços). RESUMO- O presente artigo tem como finalidade trazer para o debate a questão a escola e família como fonte de aprendizado e ancoradouro, onde os alunos podem se espelhar para se manterem firmes na busca pelo conhecimento. Quando esse caminhar é coletivo, logo a tendência é formar sujeitos que trilhem um caminho do saber sempre voltado pela boa conduta. O diálogo entre família e escola é de extrema importância para o desenvolvimento intelectual dos alunos e também para sanar os diversos problemas que ainda estão presentes em algumas escolas. Ainda é notório os desafios, mas com essa contribuição as escolas podem trabalhar de forma conjunta, sempre se aproximando das famílias, a fim de conhecer a realidade. Na verdade, ambas devem conhecer a realidade uma da outra, pois só assim acontecerá uma educação verdadeira e sempre voltada para a aquisição de conhecimentos da parte dos alunos. Na atualidade, existem muitas configurações de famílias e cabe às escolas acolher com dinamismo, sempre prezando pelo diálogo e pelo apoio em todos os sentidos. A família tem assumido novas perspectivas e a escola também. Por isso, cabe um relacionamento mais profundo, visando sempre o bem estar de cada aluno, que precisa de um acompanhamento mais sério e mais comprometido. Palavras-chave: Família. Escola. Aprendizado. Educação. Valdirene Gomes da Costa Borges 1. INTRODUÇÃO O artigo em questão procurou abordar a questão da participação das famílias na vida escolar de suas proles, de modo que o assunto é bastante pertinente e cabe uma reflexão mais profunda para ver o que é preciso ser feito para que essa participação se torne mais ativa dentro dos contextos escolares. O objetivo geral desse trabalho é identificar como ocorre a participação familiar dentro das escolas e como as escolas acolhem as famílias, tendo um diálogo significativo e sempre voltado para a educação dos alunos. Os objetivos específicos são os seguintes: analisar a questão das famílias e do conhecimento que elas têm da importância de participar da vida escolar de seus filhos; abordar a questão das escolas na participação junta ás famílias e como elas trabalham essa questão; verificar como está sendo feito o diálogo entre famílias e escolas, para o bem de todos os alunos. A metodologia utilizada nessa pesquisa foi a qualitativa, por meio de pesquisas em livros e revistas, que abordam sobre o tema e que trazem reflexões importantes para bem fundamentar este trabalho acadêmico. Cuidadosamente foram selecionados os livros por tema para se chegar a uma conclusão mais concreta. A relevância científica do trabalho é de suma importância, pois ele pode contribuir com os alunos que estão ainda na graduação e que querem saber mais acerca do tema trabalhado. A sociedade de modo geral pode também ter acesso ao tema, pois [e de grande importância para que as famílias entendam a sua participação na escola. Hoje em dia as escolas estão tendo mais exigências e com isso, surgem novos desafios, de modo que nenhuma delas pode atuar com um ensino fora do contexto local. Os acontecimentos que acontecem dentro de uma determinada escola acabam refletindo também dentro da sociedade. Vale destacar que as escolas estão ou deveriam estar envolvidas em ensinar a democracia, pois é um espaço ideal para que ela trabalhe com seus alunos e familiares algumas questões democráticas, que são essenciais para o desenvolvimento da sociedade como um todo. A gestão escolar pode estar à frente de trabalhos que envolvam as famílias, de modo que pode desenvolver atividades e/ou reuniões que aproxime a escola de todas as famílias dos alunos. Dessa forma, a gestão pode ser entendida democrática a partir do momento que valoriza essas questões, de possibilitar ás famílias uma abertura mais próxima e também mais dinâmica. Infelizmente a atuação de algumas escolas tem deixado a desejar. São poucas as escolas que trabalho em parceria com o grupo aqui citado e isso não é bom para os alunos, que muitas vezes não tem apoio da escola, tampouco das famílias. Vale destacar que algumas famílias aos poucos foi se organizando, participando das esferas sociais e educacionais. É na família que os alunos têm o primeiro acesso à educação e as escolas devem sempre levar isso em consideração. Quando as escolas abrem espaço para a atuação das famílias, logo é possível ver que a educação muda e que os alunos aprendem de maneira dinâmica e sempre participativa. Para que a sociedade seja mais participativa é de extrema importância que haja essa participação de pais, filhos e escola, uma vez que a boa convivência dentro de vários contextos depende muito de como uma escola trabalha essa participação dos pais dentro do estabelecimento de ensino. De acordo com Oliveira e Araújo (2010, p. 02): “A família é considerada a primeira agência educacional do ser humano e é responsável, principalmente, pela forma com que o sujeito se relaciona com o mundo”. Não basta somente a contribuição da escola na vida dos alunos, é preciso que as famílias também participem a fim de que a educação seja mais eficaz e mais comprometida. No seio familiar os alunos aprendem alguns valores, tais como: identidade, caráter, ética, moral, etc. Por esta razão, quanto mais as escolas envolvem as famílias nas suas atividades, mais os alunos aprendem, gerando assim bons cidadãos. Faz-se necessário que aconteça uma parceria entre escolas e famílias, mesmo que ambas tenham um método de formação, porém quando essa parceria ocorre esses métodos podem ser úteis para o bom aprendizado dos alunos. Uma necessita da outra para ajudar na construção dos conhecimentos de muitos alunos. Nesse sentido, cada instituição (escola e família) podem contribuir significativamente na educação das crianças, adolescentes e jovens, que esperam por uma educação de qualidade e com práticas pedagógicas diversificadas. 2. DESENVOLVIMENTO 3. O TRABALHO DAS ESCOLAS E DAS FAMÍLIAS, JUNTAS PELA APRENDIZAGEM Freire (1996) e Libâneo (2001) são os autores que mais abordam alguns problemas referentes à aprendizagem no Brasil, e grande parte desses problemas segundo eles, são por culpa dos alunos. Muitos gestores e educadores pensam assim, mas o problema não está somente nos alunos, mas na escola, no estado, nas famílias, etc. Erroneamente alguns pais e educadores fazem julgamentos errados acerca do comportamento humano. Todos os tipos que problemas que estão ligados ao comportamento humano, onde a família não apresenta nenhuma dinâmica para sanar tais problemas que muitas vezes se agravam dentro da sociedade e com isso, a vida de muitos alunos é atrasada em termos de aprendizado. As escolas tambémmuitas vezes não apresentam dinâmicas que possam mudar a realidade dos alunos e quando apresentam são muito superficiais. A Constituição Federal (Brasil, 1988, p.111) em seu artigo 205 diz o seguinte: [...] A Educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Infelizmente muitas escolas ainda apresentam um espaço meio contraditório, onde se encontram submissão e subversão, obediência e libertação, resistência e resignação (Giroux, 1986). É comum ainda encontrar em algumas escolas um pouco de ideologia que vai totalmente contra as regras sociais, afetando assim a convivência das famílias e dos alunos dentro do seu espaço (Gramsci, 2001). A educação deve ir além dos muros da escola e atingir também as famílias, que devem fazer parte da educação dos seus filhos. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de nº 9.394/96(LDB 9394/96) diz o seguinte no Título I: “Art. 1º. “A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais” (BRASIL, 1996). A educação não é somente responsabilidade das escolas, mas é também responsabilidade das famílias. Para que isso aconteça, é de fundamental importância que haja uma contribuição significativa entre as duas partes. O estado também deve incentivar isso, criando projetos que visem essa união, pensando no bem-estar dos alunos, que precisam de um ensino mais fundamentado e participativo. As famílias, as escolas e o estado são responsáveis em transmitir uma educação de qualidade para os alunos. O desenvolvimento de cada aluno depende muito dessa pareceria, porém o que se observa é que algumas escolas não sabem como lidar com as famílias, nem o estado sabe lidar com essas questões que envolvem a educação em seus mais variados contextos. Não é somente o estado que tem seu papel na educação, mas as famílias e as escolas devem estreitar os laços se quiserem que os alunos tenham uma formação sólida e baseada nos princípios éticos e morais. Quando isso acontece, o desenvolvimento dos alunos é sem dúvida notório, pois o trabalho em conjunto reforça a vontade que cada aluno tem em adquirir conhecimentos. As escolas são ou deveriam ser espaços onde os valores sejam cultivados, ensinados e transmitidos e isso deveria chegar às famílias que devem ou deveriam dar continuidade em casa. Quando as escolas e as famílias trabalham em conjunto, fica mais fácil até construir e entrar na dinâmica das normas de convivência. As escolas em seus mais variados contextos são os espaços onde se cultiva também os valores sociais (Parolin, 2007). As escolas têm um papel que é de fundamental importância que é a questão da reelaboração dos conhecimentos dos alunos, pois assim, elas acabam dando continuidade na educação que eles recebem na família. Nesse sentido, as instituições de ensino devem trabalhar conscientizando cada aluno acerca do seu papel dentro da sociedade, de modo que cada um possa exercer sua cidadania com consciência e liberdade. Para que ocorra uma aproximação entre as escolas e as famílias, quem deve tomar a iniciativa são as escolas, uma vez que muitos pais não têm familiaridade com as características de um processo de ensino, visto que ele aborda a questão cognitivo, afetivo, moral e social. Algumas famílias pensam que apenas os educadores são responsáveis pela educação de suas proles e com isso, acabam se distanciando das escolas, deixando apenas que elas tomem espaço na educação dos alunos. As instituições de ensino têm carência das famílias, que devem contribuir significativamente com a educação dos discentes. Todas as famílias devem se sentir ativas, ajudando na construção do conhecimento de seus filhos e fazendo-os adentrar por um caminho que leva ao verdadeiro aprendizado. Escolas e famílias devem se unir, se quiserem que os alunos se desenvolvam a nível de conhecimento e a nível humano. Segundo Arroyo (2000, p.166): [...] os aprendizes se ajudam uns aos outros a aprender, trocando saberes, vivências significados, culturas. Trocando questionamentos seus, de seu tempo cultural, trocando incerteza, perguntas, mais do que respostas, talvez, mas trocando. Quando as escolas e as famílias interagem, logo o processo de aprendizado pode ir aos poucos se desenvolvendo, levando em consideração as várias realidades que os alunos vivem, bem como seus respectivos contextos. O sucesso educacional de muitos alunos depende dessa parceria, que só traz benefícios para a sociedade. Vasconcelos (1994, p.94) diz o seguinte: A família e a escola mudaram muito. Antes a família era cúmplice da escola. Hoje deposita suas funções e delega suas responsabilidades a ela, porém a crítica. Cada vez mais os alunos vêm para a escola com menos limites trabalhados pela família. Tanto escolas quanto famílias, devem sempre priorizar o aprendizado dos alunos, levando em consideração que o aprendizado só ocorre mediante essa parceria. A sociedade passa a ter bons sujeitos quando a educação é transformadora e liberta sempre. A inserção das famílias dentro das escolas é de suma importância para os alunos se sintam seguros e possam vencer os desafios com ousadia e coragem. 4. A IMPORTÂNCIA DO DIÁLOGO ENTRE AS ESCOLAS E AS FAMÍLIAS Todas as escolas estão inseridas em um determinado contexto, de modo que há uma diversidade que deve ser considerada no processo de ensino aprendizagem. Para que os alunos possam se desenvolver é necessário que as famílias entrem em diálogo com as escolas. Quando a aprendizagem acontece, logo os valores tornam-se visíveis, sanando os problemas e os conflitos sociais. As escolas, são espaços físicos onde cada aluno aprende a questão da maturidade psicológica, social e cultural, que são fatores essenciais que um sujeito pode ter para conviver bem dentro da sociedade. Piaget (2007, p.50) diz o seguinte: Uma ligação estreita e continuada entre os professores e os pais leva, pois, muita coisa mais que a uma informação mútua: este intercâmbio acaba resultando em ajuda recíproca e, frequentemente, em aperfeiçoamento real dos métodos. Ao aproximar a escola da vida ou das preocupações profissionais dos pais, e ao proporcionar, reciprocamente, aos pais um interesse pelas coisas da escola, chega- se a uma divisão de responsabilidades [...]. O sistema escolar envolve uma grande variedade de pessoas e não pode faltar em hipótese alguma as famílias, que são as primeiras educadoras. A interação entre escolas e famílias colaboram para o desenvolvimento intelectual de todos os alunos. São ambientes onde se cultivam os valores sociais e culturais, bem como se constroem laços afetivos. Maldonado, 2002 apud Jardim (2006, p.20) afirma o seguinte: Todavia, se a família coloca-a na escola, mas não a acompanha pode gerar na criança um sentimento de negligência e abandono em relação ao seu desenvolvimento. “Por falta de um contato mais próximo e afetuoso, surgem as condutas caóticas e desordenadas, que se refletem em casa e quase sempre, também na escola em termo de indisciplina e de baixo rendimento escolar. É de extrema importância que todas as escolas estejam em sintonia com as famílias, pois só assim o desenvolvimento dos alunos será totalmente eficaz. As instituições de ensino complementam a educação que os alunos já trazem de casa, tornando-se lugares agradáveis onde reine sempre a afetividade, o companheirismo e a vontade de trilhar o caminho que leva ao verdadeiro aprendizado. É correto afirmar que as escolas não deveriam viver sem as famíliasdos alunos, nem as famílias deveriam viver sem as escolas, uma vez que ambas se completam e ajudam na formação integral de cada aluno. Quando as famílias se aproximam das escolas, logo a tendência é ter resultados significativos no desenvolvimento dos alunos. Os pais devem ter um diálogo não só com a gestão escolar, mas também com os educadores que estão presentes na vida diária de cada aluno. Ainda existem muitas carências no diálogo entre escolas e famílias e são poucas aquelas que mantém esse relacionamento. Para que isso seja sanado, as escolas devem cultivar ações concretas que visem a aproximação das famílias com a realidade escolar. Maldonado (1997, p.11) faz a seguinte consideração: Por falta de um contato mais próximo e afetuoso, surgem as condutas caóticas e desordenadas, que se reflete em casa e quase sempre, também na escola em termo de indisciplina e de baixo rendimento escolar. As crianças, adolescente e jovens sempre aprendem as questões que envolvem a lógica, mas por outro lado, não conseguem lidar com fracassos e algumas falhas que venham acontecer, segundo a visão de CURY (2003). Aprender resolver contas matemáticas e não aprender a lidar com suas emoções, deixa-os na vulnerabilidade sentimental, de modo que só a presença das famílias e das escolas, podem ajudá-los a conhecer um pouco de si. Na sociedade atual existe a necessidade de se construir relações entre escolas e famílias. Não pode faltar o diálogo para que os filhos tenham uma educação fundamentada e sempre voltada para os bons costumes. É nas escolas que os alunos aprendem a se relacionar bem uns com os outros e fora da escola cultivam o hábito de se relacionar bem com as famílias e a sociedade em geral. De acordo com Cury (2003, p. 26): Seus filhos não precisam de gigantes, precisam de seres humanos. Não precisam de executivos, médicos, empresários, administradores de empresa, mas de você, do jeito que você é. Adquira o hábito de abrir o seu coração para os seus filhos e deixá-los registrar uma imagem excelente de sua personalidade. As instituições de ensino devem ou deveriam sempre dar total apoios às famílias dos alunos, mantendo um diálogo ético e coerente com a realidade. Os pais se esforçam gradativamente para oferecer uma educação de qualidade aos seus filhos, prezando pelo aprimoramento cultural, afetivo e participativo. Cury (2002, p.95) diz o seguinte: Estamos na era da admiração. Ou seus filhos o admiram ou você não terá influência sobre eles. A verdadeira autoridade e o sólido respeito nascem através do diálogo. O diálogo é uma perola oculta no coração. Ela é tão cara e tão acessível. Cara, porque ouro e prata não compram; acessível, porque o mais miserável dos homens pode encontrá-la. O Brasil tem evoluído muito em termos de educação pública, mas falta evoluir nas questões que envolvem escolas e famílias, pois os alunos só vão entrar no mundo das transformações se houver essa parceria significativa. O diálogo é essencial para que exista uma aproximação das famílias com a escola. Sem isso, pode se considerar que a educação dos alunos não será tão eficaz e encontrará muitos desafios. Spodek e Saracho (1998, p. 167) afirmam que: O envolvimento dos pais na educação das crianças tem uma justificativa pedagógica e moral, bem como legal [...] Quando os pais iniciam uma parceria com a escola, o trabalho com as crianças pode ir além da sala de aula, e as aprendizagens na escola e em casa possam se complementares mutuamente. É indispensável que escolas e famílias mantenham sempre os laços de relacionamentos, visando sempre a qualidade do ensino na vida dos alunos. A função educativa das escolas deve sempre priorizar cada educando que vem de realidades diferentes, pois assim, a aprendizagem torna-se mais eficaz e mais participativa na vida diária. Engajar as famílias é essencial para continuar o processo de aprendizagem em casa, visando sempre a qualidade de vida de cada sujeito que quer um futuro melhor para a sua vida. Garcia (2006, p.12) afirma o seguinte: A parceria entre a família e a escola é de suma importância para o sucesso no desenvolvimento intelectual, moral e na formação do indivíduo na faixa etária escolar. Afinal, por que até hoje em pleno século XXI a escola reclama da pouca ou insignificante participação da família na escola, na vida escolar de seus filhos? Seria uma confusão de papéis? Onde estaria escondido o ponto central desse dilema que se arrastam anos e anos? Não é tarefa das escolas e das famílias tentarem resolver todos os males que acontecem dentro da sociedade, mas elas podem amenizar as maldades que existem dentro de vários contextos, oferecendo uma educação de qualidade, baseada nos valores que regem a sociedade. A mudança depende muito dessas duas instituições, uma vez que elas devem sempre estar voltadas para os bons ensinamentos, apontando o caminho certo. 5. FAMÍLIA E ESCOLA: UM NOVO CAMINHO, UMA NOVA PERSPECTIVA Na atualidade tem surgido muitos debates acerca dos novos caminhos e das novas perspectivas que as famílias devem tomar para escolarizar bem seus filhos, em parceria com as instituições de ensino. Estudos sociológicos apontas duas perspectivas, de acordo com a visão de Henriot-Van Zanten, 1996 apud Nogueira (2005, p.7): Aqueles que sublinham o caráter utilitarista das práticas familiares, acentuando as condutas de investimento que buscam a rentabilidade econômica e ocupacional dos produtos da escolarização (diploma, distinção profissional) e aqueles que acentuam a dimensão identitária das ações das famílias que encontram sua lógica na mobilização em favor da constituição da identidade social e da aquisição de qualidades morais requeridas para uma boa integração a certos meios sociais. Esses estudos sociológicos decerto serviu para ter um olhar mais intrafamiliar, trazendo uma contribuição para se tentar compreender como as famílias devem agir para garantir uma educação que faça a diferença na vida de seus filhos. As práticas que levam à socialização contribuem para o amadurecimento social de cada indivíduo, desde que as famílias e as escolas acompanhem esse amadurecer, a fim de seja feito com seriedade. Souza (2009, p.17) faz a seguinte abordagem: Sendo assim, faz-se necessário que a escola repense sua prática pedagógica para melhor atender a singularidade de seus alunos, o que a obriga a uma parceria com a família, de forma a atingir seus objetivos educativos. As responsabilidades da escola hoje vão além de simples transmissora de conhecimento científico. Sua função é muito mais ampla e profunda. Tem como tarefa árdua, educar a criança para que ela tenha uma vida plena e realizada, além de formar o profissional, contribuindo assim para melhoria da sociedade em questão. A configuração de família vai sofrendo alterações pelo fato de ir mudando no decorrer da história e hoje em dia, existem muitas famílias que não são compostas apenas de homem e mulher. As escolas devem estar atentas e a partir dessas novas perspectivas acolher cada uma delas, independente da sua configuração. Por outro lado, a classe social das famílias não é a mesma e isso pode afetar um pouco nessa aproximação das escolas, pois muitas delas pensam que seus filhos não irão ter um futuro melhor e com isso, acabam ficando paradas e com medo de se aproximar das escolas. López (2002, p. 77) afirma que os pais: Devem manter contatos periódicos com os professores para ter conhecimento constante do processo educativo; - Prestar a colaboração que lhes for exigida por parte dos professores para tornar mais coerente e eficaz a atuação escolar, tanto no campo acadêmico estrito como no mais amplo das atitudes e dos hábitos de comportamento que se pretende fomentar como parte do projeto educacional da escola. As mudanças acontecem todos os dias ealgumas famílias são fruto dessas alterações que vão sendo feitas. O sistema escolar também muda e com isso, alguns tendem a ser mais inovadores, outros permanecem na mesmice e com um ensino atrasado, que afeta a vida de muitos alunos. Cabe aqui escolas e famílias estreitar laços de aproximação, levando em consideração que o que está em jogo é a vida dos seus filhos. As famílias acabam sendo importantes para a aprendizagem, não importa qual a sua configuração ou sua posição social. Em meados do século XX, surgem novas mudanças que abalam um pouco as escolas e as famílias, exigido novas formas de convivência e socialização. Nesse sentido, essas duas instituições passam por um novo processo de adaptação social, visando sempre a transmissão de um conhecimento pautado nos valores sociais e normas sociais. Em cada avanço social as famílias vão tendo uma nova configuração. Infelizmente algumas ficam para traz porque não conseguem acompanhar a evolução do tempo e do contexto. De acordo com Nogueira (2005, p.11): Na medida em que [...] há uma maior preocupação com a felicidade e o desenvolvimento da criança, onde os educadores não se atêm exclusivamente ao desenvolvimento cognitivo da criança, na medida em que a escola utiliza uma pedagogia invisível e em que a socialização aí feita tem vindo a ser menos neutra, mais personalizada, o território afetivo da família é, de qualquer forma, invadido [pela escola]. As escolas devem sem dúvida, conhecer a realidade familiar de cada aluno, para que as práticas pedagógicas tenham efeito dentro da sala de aula e fora dela. A vida familiar de cada aluno deve ser conhecida, pois as vezes é carregada de crises, separações conjugais, doenças, desempregos, etc. Hoje em dia algumas escolas juntos com as famílias conseguem trabalhar temas relacionados até a sexualidade e isso vai aos poucos inserido os alunos dentro da sociedade a fim de que possam viver plenamente a essência de ser humano. Ferreira (2007, p.89) fala que: A importância da família é inquestionável, e sem a orientação na sua tarefa educacional para uma colaboração efetiva e evidente, a escola fracassará na sua função social. A escola hoje deixou de desempenhar tão somente a sua tarefa inicial de transmitir o conhecimento acumulado pela humanidade. A família transfere progressivamente os poderes educacionais dos pais para os professores e a escola, sem perceber que a função é insubstituível na educação da criança, sobre tudo para sua estabilidade emocional. Os pais entraram em uma nova perspectiva que é o trabalho, deixando para as escolas a tarefa de ensinar. Mas, é bom levar em consideração que a tarefa de educar não é somente das escolas, sendo que ambos devem estar totalmente alinhados em prol da educação de seus filhos. Segundo Orsi (2003, p.68): A família se modifica através dos tempos, mas em termos conceituais, é um sistema de vínculos afetivos onde deverá ocorrer o processo de humanização. A transformação histórica do contexto sócio-cultural resulta de um processo em constante evolução ao qual a estrutura familiar vai se moldando. Aos poucos, cada família vai se modificando e buscando melhorias e qualidade de vida e não deixam de fora a boa educação de seus filhos. Marconi e Lakatos (2008, p.154) dizem que “[...] a família é considerada uma unidade social básica e universal. Básica, porque dela depende a sociedade; universal, pois em todas as sociedades humanas encontra-se, de uma forma ou de outra, a família”. Se as famílias compreenderem que são uma extensão do ser social, decerto cada o processo de educação de seus filhos estaria mais fundamentado. As escolas devem promover diálogos que façam com que as famílias entrem nessa dinâmica de mudança e abracem novas causas que envolvam a educação. Setton (2002, p.5) fala o seguinte: Fenômeno universal é possível afirmar que a família é uma instituição que evolui conforme as conjunturas socioculturais. Não é um agente social passivo. Sua história recente revela um poder de adaptação e uma constante resistência em face das mudanças em cada período. Os modelos de famílias sempre vão passando por mudanças e em cada período se observar uma nova configuração, com suas demandas e que vão exigir das escolas uma nova postura diante dos vários contextos que existem. Os alunos que vivem dentro dessas famílias merecem passar por uma educação que priorize a vida como um todo. Para que isso aconteça, escolas e famílias devem sempre trabalhar em conjunto trazendo novas perspectivas para sanar os problemas que ainda persistem o avanço do aprendizado. De acordo com Setton (2002, p.5): O modelo familiar, já há algumas décadas, vive transformações graduais, mas extremamente profundas, dado que a inserção da mulher no mercado de trabalho e o aumento dos níveis de separação de casais contribuem para a emersão de um novo padrão de convivência e referência identitárias. Cada novo desabrochar de uma família a escola deve acompanhar, de modo que possa oferecer o melhor possível para transformar a vida de cada aluno. Nesse sentido, essa contribuição é muito significativa tanto para a escola quanto para a família. . 6. CONCLUSÃO A pesquisa trouxe uma abordagem significativa acerca da relação que as escolas e as famílias devem ter, a fim de que os alunos tenham um aprendizado significativo e coerente coma realidade em que vivem. Ambas são de extrema importância, uma vez que são referência na vida dos educandos e podem fazer a diferença na aquisição de conhecimentos. Cada família precisa ter a consciência que sua participação na vida educacional dos filhos é de suma importância para o bom desenvolvimento intelectual, cognitivo e social. As escolas e as famílias são as primeiras responsáveis na transmissão dos valores, que são essenciais para fundamentar o processo de ensino aprendizagem. Não se pode separar famílias da escola, uma vez que ambas não podem viver sem a outra, pois assim, os alunos tendem a usufruir de uma educação de qualidade, visando também a sua maturidade afetiva, social e cultural. Educar significa tornar os alunos cidadãos e donos do próprio destino, pois o comportamento dentro da sociedade vai depender muito de como a escola entra em parceria com os pais. Muitas vezes acontece que as famílias só chamadas para dentro das escolas quando ocorre algum conflito envolvendo seus filhos. Outras vezes são chamadas por causa das notas baixas. Isso não deveria acontecer, pois as escolas deveriam dar mais espaço para que as famílias pudessem adentrar para somar forças, visando o aprendizado coerente dos alunos. A relação entre as famílias e a escola é de suma importância, para que os alunos consigam evoluir em termos de conhecimento e queiram permanecer nas escolas por livre e espontânea vontade. Quando essa parceria ocorre, o processo de ensino se torna mais eficaz e produtivo, de modo que a sociedade passa também a se beneficiar dessa parceria, uma vez que os sujeitos podem ser mais ativos. A segurança dos alunos depende muito dessa aproximação, pois assim as práticas pedagógicas tendem a evoluir sempre. Todas as famílias e as escolas não podem deixar de estar sempre em diálogo, pois só assim o desenvolvimento dos alunos será eficaz e transformador. O desempenho escolar dos educandos vai depender dessa relação entre família e escola, visando sempre o bem estar de todos que fazem parte da educação. As escolas só poderão conhecer as famílias se abrirem suas portas, de modo que cada uma se sinta bem acolhida e posso participar ativamente de suas atividades. Cada realidade é diferente e carrega também seus desafios. Dessa forma, não existe uma fórmula mágica que possa efetivar a aproximação das famílias com as escolas. Esse é um diálogo que deve ser formado entre gestores, educadores, alunos,etc. Famílias e escolas devem conhecer a realidade uma da outra, de modo que a interação ocorra de modo mais dinâmico e participativo, sem receio de julgamentos prévios. Sem diálogo não existe mudança e sem educação não existem sujeitos decentes. REFERÊNCIAS ARROYO, Miguel G. Ofício de Mestre: imagem e auto imagens. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. BRASIL, Lei nº 9.9393/96, de 1996 – Estabelece as Diretrizes da Educação Nacional. BRASIL, Constituição 1988. República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, Centro Gráfico, 1988. ____________. Lei nº 9394/96. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: Senado Federal, Centro Gráfico, 1996. CURY, Augusto Jorge. Pais Brilhantes, professores fascinantes. 9. Ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2003. FERREIRA, Mercira Rosa. Escola e família: instituições em mudança rumo à parceria? In: JOSÉ FILHO, Mário; DALBERIO, Osvaldo (Org.). 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