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1 DIREITO E LEGISLAÇÃO AMBIENTAL 1 Sumário Sumário ........................................................................................................... 1 NOSSA HISTÓRIA .......................................................................................... 3 1. Princípios Próprios do Direito Ambiental ................................................ 4 1. Princípio do Direito Humano Fundamental ao Meio Ambiente Sadio .. 5 Princípio da Interdisciplinaridade ............................................................ 6 Princípio da Precaução (Prudência ou Cautela) ..................................... 6 Princípio da Prevenção........................................................................... 8 Princípio do Universalismo ..................................................................... 9 Princípio do Desenvolvimento Sustentável ........................................... 10 Princípio do Acesso Eqüitativo aos Recursos Naturais ........................ 11 Princípio da Preservação...................................................................... 12 Princípio da Cooperação ...................................................................... 12 Princípio do Limite ................................................................................ 14 Princípio do Poluidor-Pagador .............................................................. 15 Princípio da Informação ........................................................................ 18 Princípio da Responsabilização ............................................................ 19 2. Conceitos Ambentais ............................................................................ 20 3. Legislação Ambiental – Conceito ......................................................... 21 1. Legislação Ambiental Brasileira- Situação atual................................ 21 2. Legislação Ambiental – Documentos ................................................ 21 4. CONSTITUIÇÃO FEDERAL ................................................................. 29 1. Da Significação Geral Dos Enunciados ............................................. 29 2. Da Repartição De Competências ...................................................... 30 5. Política Nacional do Meio Ambiente ..................................................... 34 1. DA POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE - PNMA – LEI FEDERAL nº 6.938, DE 31/08/81. ........................................................................ 34 6. DO SISTEMA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE – SISNAMA ............ 35 1. Dos Instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente ................ 36 7. Instrumentos de Controle Ambiental .................................................... 36 2 1. Do Licenciamento. ............................................................................. 36 2. DA RESOLUÇÃO CONAMA Nº 237, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1997 37 3. Indústria de Produtos Minerais não Metálicos ................................... 38 4. Indústria Mecânica ............................................................................ 39 5. Indústria de Material Elétrico, Eletrônico e Comunicações ............... 39 6. Indústria de Material de Transporte ................................................... 39 7. Indústria de Madeira .......................................................................... 39 8. Indústria de Papel e Celulose............................................................ 40 9. Indústria de Borracha ........................................................................ 40 10. Indústria de Couros e Peles .............................................................. 40 11. Indústria Química .............................................................................. 40 12. Indústria de Produtos de Matéria Plástica ......................................... 41 13. Indústria de Produtos Alimentares e Bebidas.................................... 42 14. Indústria de Fumo ............................................................................. 42 15. Indústrias Diversas ............................................................................ 42 16. Obras Civis ........................................................................................ 43 17. Serviços de Utilidades ....................................................................... 43 18. Transporte, Terminais e Depósitos ................................................... 43 19. Turismo ............................................................................................. 44 20. Atividades Diversas ........................................................................... 44 21. Atividades Agropecuárias .................................................................. 44 22. Uso de Recursos Naturais................................................................. 44 23. Das Licenças Ambientais .................................................................. 45 8. Referências .......................................................................................... 46 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós- Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 4 1. Princípios Próprios do Direito Ambiental O Direito Ambiental é referido como um dos chamados "direitos de terceira geração", juntamente com o direito ao desenvolvimento, o direito à paz, o direito de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade e o direito de comunicação. Este ramo do Direito é formado por uma série de princípios diferenciados daqueles que usualmente servem de pilar para dos demais ramos da ciência jurídica. Alguns doutrinadores se referem ao Direito Ambiental como sendo uma especialização do Direito Administrativo ou ainda, definindo-o como o estudo das normas que tratam das relações do homem com o espaço no qual ele se insere. É, pois, o conjunto de normas que regem as relações entre o homem e o meio ambiente. Os princípios do Direito Ambiental estão voltados para a finalidade básica de proteger a vida em quaisquer das formas em que esta se apresente e, para garantir um padrão de existência digno para os seres humanos, desta e das futuras gerações. O Direito Ambiental tem ainda o propósito de conciliar a pretensão da sociedade de evoluir tecnologicamente e socialmente, com a necessidade de garantir a preservação do equilíbrio ambiental, situação referida na doutrina e na própria legislação ambiental como sustentabilidade. Os princípios jurídicos ambientais podem ser implícitos e explícitos. Explícitos são aqueles que estão claramente escritos nos textos legais e, fundamentalmente, na Constituição da República. Implícitos serão aqueles que decorrem do sistema normativo, em que pese não se encontrem escritos. Isso equivale a dizer que, no ordenamentojurídico brasileiro, deve-se buscar os princípios ambientais, primeiro, em nossa Carta Constitucional, sem prejuízo de alcançá-los nas normas infraconstitucionais e nos fundamentos éticos e valorativos que, antes de tudo, devem nortear as relações entre o homem e as demais formas de vida ou de manifestação da natureza. 5 alguns princípios a que demos destaque, dada a relevância que têm alcançado na doutrina e na jurisprudência e, principalmente, em provas de concursos públicos. São eles: 1. Princípio do Direito Humano Fundamental ao Meio Ambiente Sadio O Princípio do Direito Humano ao Meio Ambiente Sadio tem berço no art. 225, caput da Constituição da República. Este princípio busca garantir a utilização continuidade dos recursos naturais, que apesar de poderem ser utilizados, carecem de 4 proteção, para que também possam ser dispostos pelas futuras gerações. Para tanto é necessário que as atuais gerações tenham o direito de não serem postas em situações de total desarmonia ambiental. Temos o direito de viver em um ambiente sadio e livre de poluição sobre qualquer das formas, sem que sejamos postos diante de situações que acarretem prejuízos à qualidade de vida, em razão de posturas contrárias aos dogmas de preservação do meio ambiente. Trata-se de um dos mais importantes princípios do Direito Ambiental, tanto no âmbito nacional, como no internacional. Tanto é que a Declaração de Estocolmo de 1972 trouxe como direito fundamental do ser humano, a garantia de condições de vida adequadas, em um meio ambiente de qualidade, suficiente para assegurar o bem-estar Este princípio, que reputamos ser o mais importante a sustentar o Direito Ambiental, deve ser lido como um alerta ao aplicador das normas ambientais. Isto porque além de representar uma garantia ao ser humano, representa também a exigência de que o administrador público destine especial atenção à preservação do meio ambiente nas mais diversas formas apresentadas pela legislação ambiental. Neste sentido e, por sua topografia no texto constitucional, o Princípio do Direito Humano Fundamental ao Meio Ambiente Sadio deve ser interpretado como a 6 necessidade de o Estado focar suas ações em medidas de preservação, apenas acolhendo subsidiariamente outras medidas de repressão ou de recomposição dos prejuízos ambientais. Princípio da Interdisciplinaridade O estudo do Direito Ambiental requer o conhecimento daqueles que se dedicam a conhecê-lo, de outros temas que circundam e subsidiam a aplicabilidade dos dispositivos cogentes de natureza ambiental. Como definir que houve o crime de causar poluição previsto no art. 54 da Lei nº 9.605/1998, sem que haja suporte técnico hábil a configurar a incidência do art. 3º, III da Lei nº 6.938/1981? Como poderá o profissional do Direito atestar que há poluição? Será necessária a interferência de profissionais capacitados tecnicamente, que atestarão a ocorrência da poluição. Como definir as medidas técnicas hábeis a recompor a degradação ambiental, requisito para que, na forma do art. 27 da Lei nº 9.605/1998, possa ser oferecida a proposta de transação penal descrita no art. 89 da Lei nº 9.099/1995 quando se tratar de crime de menor potencial ofensivo de natureza ambiental? O apoio técnico e de outras disciplinas que não apenas o Direito serão próprias e necessárias para que se dê suporte à aplicação das normas ambientais. O Direito Ambiental é fundamentalmente interdisciplinar. Princípio da Precaução (Prudência ou Cautela) O Princípio da Precaução, ao lado do Princípio do Direito Humano Fundamental ao Meio Ambiente Sadio representa a grande base de sustentação da manutenção da sadia qualidade de gozo e disposição dos bens ambientais para a atual e para as futuras gerações. 7 O fato é que a efetivação da tutela ambiental deve impor limitações à plena liberdade de manifestação em outros segmentos da sociedade, de modo a que sejam conservadas as condições ambientais necessárias à sadia qualidade de vida. No entanto, antes de impor limitações com o propósito de guardar proteção à tutela do meio ambiente, deve ser garantida a possibilidade ao titular do direito em contraposição ao meio ambiente, demonstrar que adota medidas aptas a garantir a não ocorrência de danos ou mesmo, que venham a reduzir os impactos ambientais negativos. A não demonstração destas circunstâncias e, a falta de solução técnica, de acordo com o estado da arte, capaz de reduzir ou eliminar os impactos ambientais negativos, deve ser própria a dar efetividade ao Princípio de Precaução, no sentido de que não seja permitida a disposição do direito que pode ocasionar prejuízos ao meio ambiente. Este princípio se consubstancia pela adoção de posturas conservadoras, ou seja, na dúvida ou na incerteza, não se deve praticar tal ato ou permitir o uso ou a produção de determinadas substâncias e/ou o desenvolvimento de certa atividades ou implantação do empreendimento. Diante da incerteza científica, tem sido entendido que a prudência é o melhor caminho, evitando-se a ocorrência de danos que, muitas vezes, não poderão ser recuperados. Ou seja, o princípio da precaução orienta que não seja produzida intervenção no meio ambiente antes de se ter a certeza de que ela não se qualifica como adversa, a partir de um juízo de valor sobre a sua qualidade e uma análise do custo/benefício do resultado da intervenção projetada. Nesta linha vejamos precedente do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, tutelando o meio ambiente, mediante a efetivação do Princípio da Precaução no caso em concreto: Meio ambiente – Implantação de usina hidroelétrica – Licença prévia concedida sem a participação do Ibama no processo – Inadmissibilidade – 8 Empreendimento que poderá influenciar diretamente no equilíbrio ecológico de parque nacional – Observância do princípio da precaução – AgIn 2000.01.00.136704-6-GO – 5.ª T. – TRF-1.ª Reg. – rela. Desa. Federal SELENE MARIA DE ALMEIDA (Grifamos) Na dúvida pare! Princípio da Prevenção O Princípio da Prevenção em muito se aproxima do Princípio da Precaução, embora com ele não se confunda. O Princípio da Prevenção se aplica a impactos ambientais já conhecidos e que tenham uma história de informações sobre eles, de modo que a ciência já se debruçou sobre suas conseqüências e apontou a solução técnica apta a reduzir ou eliminá-los. Assim como o Princípio da Precaução, o Princípio da Prevenção será exercido de forma ordinária no curso do processo administrativo de licenciamento ambiental e, em circunstâncias que envolvam impactos ambientais significativos, diante dos resultados do estudo de impacto ambiental, instrumentos de política ambiental. A falta de resposta ao conhecimento já adquirido ensejará a aplicação do Princípio da Precaução, que vimos anteriormente, para negar o desenvolvimento da atividade potencialmente poluidora. Por seu turno, a existência de resposta na ciência apta a reduzir ou eliminar os impactos ambientais negativos, dará efetivação do Princípio da Prevenção. Explica-se: o Princípio da Prevenção exigirá que a solução técnica seja aplicada, para que a Administração Pública possa autorizar o exercício da atividade potencialmente poluidora. Como exemplo podemos citar a construção de uma fábrica que lançará partículas poluentes para a atmosfera por sua chaminé. Neste caso poderá ser exigida a instalação de um filtro tecnicamente selecionado, para que se elimine o grau 9 de contaminação capaz de ocasionar prejuízos à saúde da comunidade vizinha de onde se instalará o empreendimento. Princípio do Universalismo Aja localmente e pense globalmente! A poluição não guarda respeito às fronteiras criadas por convenções do ser humano, os rios e os mares começam e terminam onde a natureza os coloca.De mesma forma, os danos ambientais gerados em determinada localidade podem alcançar extensões diferentes daquelas que inicialmente sustentavam a pretensão do poluidor, na medida em que não há como controlar as conseqüências dos danos ao meio ambiente. Exemplo claro desta característica universalista do meio ambiente é a geração de gases do efeito estufa. A redução da emissão de poluentes empreendida no Brasil tem a capacidade de alcançar regiões muito distantes, na medida em que reduzem a possibilidade global de aumento das temperaturas, ocasionando a minoração dos danos ambientais pelo descongelamento das geleiras. Diante da amplitude dos impactos que podem ser ocasionados pelo não atendimento das normas de natureza ambiental, deve ser validada a vocação universalista do Direito Ambiental, mormente no âmbito internacional. É diante deste cenário e como forma de efetivação do Princípio do Universalismo que surge a necessidade de os Estados nacionais buscarem, no âmbito 7 internacional, ajustes que primem pela preservação do meio ambiente, mediante o estabelecimento de metas de redução dos fatos geradores da poluição. É neste contexto que podemos citar, exemplificativamente, o Protocolo de Quioto , onde os paises mais desenvolvidos assumiram o compromisso de reduzir a emissão de gases poluentes geradores do efeito estufa para a atmosfera. 10 Princípio do Desenvolvimento Sustentável O Princípio do Desenvolvimento Sustentável representa um dos mais importantes princípios do Direito Ambiental, na medida em que dá operabilidade aos demais princípios, como o do Direito Humano ao Meio Ambiente Sadio, da Precaução e da Prevenção. O Princípio do Desenvolvimento Sustentável operacionaliza os demais princípios, pois permite o consensualismos entre as perspectivas de desenvolvimento econômico, tecnológico e social e, garante a preservação dos recursos ambientais para as presente e futuras gerações. Este Princípio tem por berço no caput do art. 225 da Constituição da República. Nada obstante, temos ainda no ordenamento jurídico brasileiro outras normas que apontam este princípio como pilar, como por exemplo, o art. 2º, II, da Lei nº 9.433/97, Lei de Gerenciamento de Recursos Hídricos e o art. 4º, IV, da Lei nº 9.985/2000, Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, sem prejuízo de sua reprodução em outros dispositivos normativos. Em suma, o Princípio do Desenvolvimento Sustentável clama pela coexistência entre o desenvolvimento econômico e da preservação do meio ambiente, compatibilizando ambos princípios, que guardam proteção no corpo da Constituição da República, também, em seu art. 170, caput e inciso VI. 11 Princípio do Acesso Eqüitativo aos Recursos Naturais A Constituição da República, em seu art. 225, destacou o meio ambiente como bem difuso. Neste sentido, mostra-se equivocada qualquer restrição não fundamentada e desarrazoada, que venha a ser imposta ao acesso aos recursos naturais. É portanto inconstitucional, as limitações de acesso e uso dos recursos naturais, desde que seus utilitários ajam no sentido de preservar o meio ambiente. Nada obstante, esclareça-se que existem situações em que a própria Constituição da República reserva caráter privado a determinados bens que à primeira vista poderiam ser listados como públicos. É o que ocorre, por exemplo, em relação art. 26, II da CRFB in fine, que refere a possibilidade de haver ilhas sob o domínio de terceiros. Nestes casos, carece de efetividade o Princípio do Acesso Eqüitativo aos Recursos Naturais, pois em relação àqueles recursos que estiverem nestas ilhas não serão usufruídos por aqueles que sobre elas não tenham domínio. Decerto que a reserva do domínio de bens ambientais, como previsto no inciso II do art. 26 da Constituição da República, merecerá a estipulação de contrapartidas em favor da coletividade, de modo a que sejam compensados os titulares deste bem, pelas restrições que lhes são impostas. Trata-se da efetivação dos Princípio do Poluidor Pagador e do Consumidor Pagador. 12 Princípio da Preservação O Princípio da Preservação do Meio Ambiente está vinculado à idéia de proteção e conservação da boa qualidade do meio ambiente, de modo a garantir existência digna. Consiste em uma decorrência lógica e direta do dever imposto a todos - Poder Público e coletividade – de manter o meio ambiente ecologicamente equilibrado1. O contexto de preservação do meio ambiente não se sustenta apenas de primados conservadores. É necessário e efetivado por normas legais de proteção ambiental, que haja a responsabilização pela prática de condutas contrárias à conservação do meio ambiente. Neste contexto temos, por exemplo, a previsão constitucional inserta no §3º do art. 225, de responsabilização administrativa, cível e penal daqueles que adotarem condutas contrárias à garantia de preservação do meio ambiente. Princípio da Cooperação O Princípio da Cooperação poderia ser lido como consectário do Princípio do Universalismo, na medida em que sua efetivação garantirá a redução das medidas agressivas ao bem ambiental. Conforme esclarecido quando da análise do Princípio do Universalismo, é importante considerar que as conseqüências benéficas e maléficas da gestão ambiental não conhece fronteiras. A contaminação perpetrada no Brasil pode gerar conseqüências no solo africano e vice-versa. É neste sentido que o Princípio da Cooperação se mostra apto a corroborar com posturas de preservação do meio ambiente. 1 CRFB, art. 225, caput. 13 Nada obstante, em razão da soberania própria dos Estados, é necessário que a cooperação seja articulada e consensada por meio de ajustes plurilaterais ou bilaterais. É neste contexto que verificamos a celebração de convenções internacionais com o objeto de preservação do meio ambiente. Temos por exemplo a Declaração da RIO/92, que em seus enunciados 9, 12, 13 e 24 abarca o Princípio da Cooperação entre Estados, como instrumento de solução de questões relacionadas ao meio ambiente. Nada obstante a possibilidade de ajuste internacional para garantir a preservação do meio ambiente, temos que internamente, em sede constitucional, o Princípio da Cooperação ganhou especial proteção. A Constituição da República outorgou a todos os entes da federação competência comum para a defesa do meio ambiente42 . Na verdade, como anteriormente esclarecemos, não se trata de mera outorga de competência, mas sim, a imposição de um poder-dever, dada a inderrogabilidade da obrigação de preservar o meio ambiente, conferida aos entes da federação. Neste sentido, é importante destacar que Supremo Tribunal Federal 3 , provocado a se manifestar sobre a efetivação do Princípio da Cooperação, diante de conflito entre os entes federativos no exercício da competência para o licenciamento ambiental, decidiu que não deveria haver o exercício pleno de apenas um dos entes da federação no procedimento de licenciamento ambiental, mas sim, a complementaridade deste procedimento, pela atuação de todos os que de alguma forma possam ser atingidos pela atividade potencialmente poluidora. No mesmo sentido tem sido o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, conforme se extrai da decisão proferida no Recurso Especial nº 588022/SC, 1ª Turma, 2 Art. 23, incisos VI, VII, IX e XI da CRFB. 3 AC 981/BA - BAHIA. Rel. Min. Sepúlveda Pertence 14 tendo como Relator o Min. José Delgado, na qual se decidiu que poderia haver a duplicidade do licenciamento ambiental por entes federativos diferentes. Além dos citados precedentes de jurisprudência, no sentido de afirmar a incidência do Princípio da Cooperação, temos que o simplesfato de a Constituição da República ter estatuído que a defesa do meio ambiente como dever de todos, já traz a idéia da necessidade de haver cooperação entre todos, pessoas físicas ou jurídicas, de direito privado ou público, no sentido de que seja garantida a preservação do meio ambiente. Princípio do Limite O princípio do limite é fundamentando pelas disposições do inciso V do §1º do artigo 225 da Lei Fundamental. Nada obstante, sua caracterização exige respaldo na Lei nº 6.938/81, que em seu art. 3º aponta os conceitos próprios de Direito Ambiental. Dentre os conceitos apontados no art. 3º da Lei nº 6.938/1981, o mais contundente é o de poluição, apontado no inciso III do referido artigo. Isto porque o limite da atuação com vistas à preservação do meio ambiente estará justamente na possibilidade de caracterização da ocorrência de poluição. O limite da atuação livre é a postura que causa poluição. Mas quais serão os limites de tolerabilidade, de modo a que não se caracterize a ocorrência poluição? É neste momento que se verifica a interdisciplinaridade do Direito Ambiental. As ciências que interagem com o Direito Ambiental, como a engenharia, a geologia e biologia é que serão norte para que se estabeleça o limite de interferência da atividade potencialmente poluidora no meio ambiente gerando, por conseguinte, padrões gerais de comportamento. A título de exemplo podemos citar que a ninguém é desconhecido que o arremesso de papel em via pública ocasiona poluição. Que o despejo de esgoto em córregos é prejudicial ao meio ambiente. Estes são padrões-limite que pelo estado da arte já nos são notórios. Não obstante, a potabilidade da água é determinada por padrões outros, que não são definidos diante de conhecimentos do homem médio. É exigida a inteiração 15 de outras ciências para que se determine quais são os limites de potabilidade da água e ainda, se tais limites foram atendidos. A imposição do limites de tolerabilidade de interferência no meio ambiente são determinados por normas de fundo técnico, sendo papel da Administração Pública, diante de seu poder-dever de proteção ambiental garantir o atendimento aos limites estabelecidos. A violação dos limites fixados é o que se denomina, na dicção do inciso III do art. 3º da Lei nº 6.938/1981 de poluição. A observância dos padrões de tolerância é o que dá efetividade ao Princípio do Limite, como ícone da garantia da preservação do meio ambiente. Princípio do Poluidor-Pagador Antes de adentrarmos na análise propriamente dita do Princípio do PoluidorPagador, é importante espancar alguns conceitos nefastos que pairam sobre ele. A efetivação do Princípio do Poluidor-Pagador não revela a possibilidade de existir um direito subjetivo de pagar para poder poluir. Primeiro porque não há norma que garanta um direito neste sentido, qual seja pagar para poluir e em segundo lugar, porque não há a possibilidade de transacionar com o direito ao meio ambiente equilibrado e sadio. O grande embaraço à descaracterização do Princípio do Poluidor-Pagador como o direito de pagar para poder poluir foi justamente a edição da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que sem eu art. 366 trouxe o instituto da compensação ambiental. Como veremos adiante ao tratarmos do licenciamento ambiental e suas características, a compensação ambienta é imposição da obrigação, instituída no curso do procedimento de licenciamento ambiental, de depositar no fundo das unidades de conservação ambiental, valor não inferior a meio por cento do valor total do empreendimento, como forma de compensar os significativos impactos ambientais que serão gerados pela atividade poluidora. 16 A questão foi levada à apreciação do Supremo Tribunal Federal na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 3378/DF, tendo como Relator o Min. Carlos Ayres de Britto. A decisão não enfrentou as questões sobre o direito de pagar para poluir, no entanto, manteve, em caráter liminar, a possibilidade de cobrança da compensação ambiental, sob o argumento de que se tratava de expressão do Princípio do PoluidorPagador. A nosso ver não se trata do direito de pagar para poluir, mas sim, da antecipação da indenização devida à coletividade, pelos danos ambientais que serão causados pela atividade que, apesar de suas características, é necessária aos interesses da coletividade. Não obstante, frise-se, também não foi esta a posição adotada pelo STF na ADI nº 3387/DF. Entendemos que na verdade o Princípio do Poluidor-Pagador tem representatividade em razão da natureza do meio ambiente, bem difuso. Daí a necessidade daquele que de maneira individualizada se utiliza dos recursos ambientais, em compensar a coletividade por seus desfrute. Como o meio ambiente é bem de todos, deve ser eqüitativamente utilizado. No entanto, existirão situações em que os valores em ponderação exigirão que a utilização dos recursos naturais seja outorgada a uma única pessoa, com o propósito de salvaguardar outros interesses tão ou mais importantes, que a necessidade de no caso em concreto, proteger o meio ambiente. Diante desta hipótese, é razoável que aquele que se utiliza dos recursos naturais de forma individualizada seja chamado a compensar a coletividade por não poder dispor do bem ambiental. O instrumento constitucionalmente garantido para dar corpo ao Princípio do Poluidor-Pagador é o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto 17 Ambiental4 , sem prejuízo do suporte de outras soluções técnicas apontadas pelas normas ambientais, como por exemplo, o Estudo de Impacto de Vizinhança5. Questão que se apresenta como de suma importância quando se analisa o Princípio do Poluidor-Pagador, é justamente a possibilidade de escassez dos bens ambientais. A regulação intervencionista do Estado em relação ao meio não guardar contornos apenas diante da possibilidade de afetação à qualidade de vida, em uma visão antropocentrista do Direito Ambiental. Temos também a necessidade de avaliação do valor do bem ambiental e das conseqüências que sua escassez pode ocasionar para os mercados, gerando por conseguinte desestabilizações incomensuráveis nas economias dos diversos países. Daí decorrem perguntas que instigam a evolução tecnológica como qual será a forma de plantio e de cultivares a ser adotada diante da escassez de água? Como funcionarão as industrias que depender deste bem ambiental no seu processo de produção? Quais serão os impactos macroeconômicos da falta de água no planeta? Quantificar o bem ambiental, de modo a demonstrar o valor que ele possui foi uma das formas utilizadas pelo legislador infraconstitucional, para demonstrar o custo da proteção ambiental e incentivar a economia dos recursos naturais. É o que vemos no art. 19 da Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos e que busca trazer, na cobrança para utilização do bem ambiental água, as considerações: a) gerar no usuário o reconhecimento de que a água é um bem econômico, b) que a água tem um valor; c) incentivar a racionalização do uso da água; d) captar recursos financeiros para custear programas que tenham por propósito a preservação dos recursos hídricos. 4 Art. 225, § 1º, inciso IV da CRFB e Resolução CONAMA nº 1, de 23 de janeiro de 1986. 5 Art. 23, inciso IX da CRFB e arts. 2º, IV, 4º, VI e 36 da Lei nº 10.257/2001, Estatuto da Cidade. 18 Como se vê, pela expressão da Lei nº 9.433/1997, a efetivação do Princípio do Poluidor-Pagador não tem por pressuposto permitir que se perpetre a poluição, sob o argumento de que houve o justo pagamento para tanto. A Lei nº 9.433/1997 traz sim, a justa medida da utilização de mecanismos econômicos, que levem à necessidade de conscientização da importância da preservaçãodos recursos ambientais, no caso, a água. É clara expressão do Princípio do PoluidorPagador, nos termos que é apontado neste trabalho. Princípio da Informação O meio ambiente tem natureza jurídica difusa. E, como tal, pertence a toda coletividade que dele pode dispor, sem que, no entanto, ocasione-lhes prejuízos. Para que seja possível aproveitar os recursos ambientais e ainda, exercer o poder-dever de protegê-lo paras as presente e futuras gerações, é necessário que seja permitido à coletividade em toda sua extensão, conhecer quais são as medidas que são conduzidas pelo Poder Público e por particulares, com vistas à proteção do meio ambiente. A informação é o primeiro instrumento de proteção do meio ambiente. Trata- se de subespécie do Princípio da Publicidade, orientando a preservação do meio ambiente. Encontra apoio no inciso VI do § 1º do art. 225 da CRFB, que informa como instrumento de efetivação do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, a educação ambiental e a conscientização pública. Trata-se de Princípio com vocação acessória em relação aos demais princípios. De modo a conferir efetividade ao Princípio da Informação, nada obstante sua referência em outros diplomas legais, a edição da Lei nº 10.650/2003, em 14 de abril de 2003, conferiu clara positivação a este princípio, no sentido de exigir que todos os atos administrativos ambientais de relevância coletiva sejam públicos, mediante 19 disposição nos mais diversos meios de comunicação, tais como jornais e rede mundial de computadores Entretanto, apesar de a Lei nº 10.650/2003 apontar todos os elementos hábeis a permitir seu atendimento pelos órgãos ambientais e demais entes legitimados à tutela do meio ambiente, não temos nos deparado com o cumprimento desta norma. Princípio da Responsabilização Nada obstante a referência constitucional que se extrai deste princípio pela interpretação do §3º do art. 225 da CRFB, temos algumas reservas quanto à sua efetivação, as quais são melhor esclarecidas quando é tratada a questão da responsabilidade cível ambiental. O Princípio da Responsabilização traz a nota de que o poluidor deverá responder por suas ações ou omissões em detrimento da preservação do meio ambiente, de modo a que sejam desmotivadas condutas contrárias ao bem ambiental e que seja garantida a obrigação de recomposição dos danos causados. A efetivação do Princípio da Responsabilização impede que o custo da utilização individualizada desastrosa do bem ambiental venha a ser suportada por toda a coletividade. Deve o aplicador do Direito deve buscar sempre, como primeira razão, a recomposição do dano ambiental, de modo a que a sejam restabelecidas as condições ambientais iniciais. Em não sendo possível a completa reparação do dano ambiental, situação que corresponde, pelo prisma técnico e não jurídico, à grande maioria dos casos, deve haver a compensação pelo equivalente, ou seja, admite-se a substituição da obrigação de fazer ou de não fazer, pelo pagamento de indenização em valor equivalente ao justo para a compensação pelos danos ambientais causados. 20 2. Conceitos Ambentais Os conceitos que elegemos como fundamentais dentro do contexto ambiental, ressalvando a importância dos demais, são: a) Meio Ambiente: Art. 3º, I da Lei 6938/81 - é o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas (Art. 3°, I da Lei n° 6.938/81). b) Risco Ambiental: O risco ambiental pode ser definido como a possibilidade de ocorrência de degradação ambiental em virtude da atividade antrópica no meio ambiente, ou seja, a possibilidade de alteração adversa das características do meio ambiente. c) Poluição: Consiste na degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que, direta ou indiretamente, prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; afetem desfavoravelmente a biota; afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos (Art. 3°, III da Lei n° 6.938/81). d) Agente Poluidor: É a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental (Art. 3°, IV da Lei n° 6.938/81). e) Dano Ambiental: Poluição – art. 3º, III da Lei n° 6938/81 - o dano ambiental consiste em qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetem a saúde, a segurança, o bem estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota (fauna e flora de uma determinada região); 21 as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e, enfim, a qualidade dos recursos ambientais. 3. Legislação Ambiental – Conceito Conjunto de regulamentos jurídicos especificamente dirigidos às atividades que afetam a qualidade do meio ambiente ./SHANE apud Interim Mekong Committee, 1982. 1. Legislação Ambiental Brasileira- Situação atual A nova Lei de Crimes Ambientais (Lei 9605/98) infelizmente não trouxe benefício algum à proteção dos animais silvestres brasileiros. O crime não foi tipificado, ou seja, teoricamente a quem for pego vendendo 5 coleirinhas, por exemplo, a 2 reais cada um, será aplicada pena semelhante ou igual a quem for pego com 500 filhotes de papagaio. Em função das penas previstas na lei serem inferiores a 2 anos, o julgamento ocorre através dos juizados especiais criminais, sendo o traficante de animais beneficiado pela Lei 9.099, que é referente aos juizados especiais criminais. Desta forma o traficante jamais poderá ir para a cadeia, e sua pena será restrita, normalmente, ao pagamento de algumas cestas básicas à comunidade ou à prestação de serviços também à comunidade - procedimentos estes que estão muito distantes da reparação do dano causado. 2. Legislação Ambiental – Documentos Manifesto em Defesa da Reforma Tributária Ambiental; O alcance da legislação territorial; Tabelas: O Alcance Territorial da Legislação Territorial; Projeto de Lei do Senado nº 100 , de 13 de março de 2007; 22 LEI N° 8.961, DE 18 DE AGOSTO DE 2008. Despacho Nº 580, de 1º de agosto de 2008; Decreto nº 6.527, de 1º de agosto de 2008; Instrução Normativa 183, de 17 de julho de 2008; Instrução Normativa 184, de 17 de julho de 2008; Portaria 21, de 17 de julho de 2008; Relatório do TCU de Auditoria Operacional; Portaria No- 145 , De 2 de junho de 2008; Decreto Nº 6.321, de 21 de dezembro de 2007; INSTRUÇÃO NORMATIVA No- 44, DE 18 DE FEVEREIRO DE 2008; Instrução Normativa sobre o embargo de área desmatada; Portaria nº 28, de 24 de janeiro de 2008; RESOLUCAO 3.545; INSTRUÇÃO NORMATIVA No- 1, DE 29 DE FEVEREIRO DE 2008; Íntegra do decreto Nº 6.321, assinado pelo presidente Lula e pela ministra Marina Silva (Meio Ambiente) em 21 de dezembro de 2007; Projeto de Lei que altera o Código Florestal; Certificação Ambiental - Uma estratégia para a conservação da Floresta Amazônica; Decisão de Ação Civil Pública - Assentamentos irregulares; 23 Versão 3.0 de Minuta de Decreto para regulamentação da Lei de Gestão de Florestas Públicas. Documento de Origem Florestal - Perguntas e respostas; Projeto de Lei da Câmara no. 62, de 2005; Decreto de 02 de janeiro de 2006; Resolução Conama 001/86; Emendas do Senado ao PL de Gestão de Florestas Públicas; Projeto de lei nº 4.776, de 06 de julho de 2005 - Gestão de Florestas Públicas; Aplicação da Lei de Crimes Ambientais pela Justiça Federal no setor florestal do Pará; Decreto de 18 de fevereiro de 2005 do Presidente da República;Medida Provisória No 239, de 18 de fevereiro de 2005 - Acrescenta artigo à Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000, que regulamenta o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal e institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. Decreto de 8 de novembro de 2004 - Dispõe sobre a criação da Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, em Altamira, PA; Decreto de 8 de novembro de 2004 - Dispõe sobre a criação da Reserva Extrativista Verde para Sempre, em Porto de Moz, PA; Decreto de 15 de março de 2004 - Altera o Decreto de 3 de julho de 2003, que cria o Grupo Permanente de Trabalho Interministerial para propor medidas para redução dos índices de desmatamento na Amazônia Legal; Decreto de 15 de março de 2004 - Cria Grupo de Trabalho para coordenar a implementação do Plano de Desenvolvimento Sustentável para a Região de Influência da Rodovia BR-163; 24 Decreto de 3 de janeiro de 2004 - Cria a Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Brasileira; Decreto 4.864, de 24 de outubro de 2003 - Acresce e revoga dispositivos do Decreto 3.240 que dispõe sobre a criação do Programa Nacional de Florestas; Decreto de 23 de outubro de 2003 - Cria o Comitê Nacional daz Zonas Úmidas; Portaria 56, de 7 de outubro de 2003 - Institui o Centro Nacional de Apoio ao Manejo Florestal - Cenaflor; Instrução Normativa No 7, de 22 de agosto de 2003 - Sobre o manejo florestal sustentável do mogno; Portaria 303, de 30 de julho de 2003 - Resolve que as autorizações para desmatamento na Amazônia Legal serão concedidas mediante o Licenciamento Ambiental em Propriedade Rural, a partir de 1 de julho de 2004; Decreto de 3 de julho de 2003 - Institui Grupo Permanente de Trabalho Interministerial para propor medidas contra o desmatamento na Amazônia; Decreto de 3 de julho de 2003 (Republicado no dia 07 de julho de 2003) - Institui Grupo Permanente de Trabalho Interministerial sobre o desmatamento na Amazônia; Decreto 4.722, de 5 de junho de 2003 - Estabelece critérios para a exploração do mogno; Portaria 558, de 8 de maio de 2003 - Destina à Roraima contribuição financeira para melhoria nas ações emergenciais de combate aos incêndios florestais e assistência à população atingida; Decreto 4.684, de 28 de abril de 2003 - Promulga o Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Federal da Alemanha sobre Cooperação Financeira para a Execução de Projetos para a Preservação das Florestas Tropicais (1997-2000). 25 Instrução Normativa nº 1, de 23 de abril de 2003 - Institui o Sistema Integrado de Monitoramento e Controle dos Recursos e Produtos Florestais-SISPROF Lei Nº 10.650, de 16 de abril de 2003 - Dispõe sobre o acesso público aos dados e informações ambientais existentes nos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente - Sisnama Portaria IBAMA 18, de 11 de abril de 2003 - Cria o Conselho Consultivo da Floresta Nacional do Jamari (RO); Portaria Ibama Nº 19, de 11 de abril de 2003 - Institui a Declaração de Acompanhamento e Avaliação de Plano de Manejo Florestal Sustentável - DAAPMF, que deverá ser apresentada pelos responsáveis técnicos dos Planos de Manejo Florestal Sustentável; Portaria Nº 152, de 28 de março de 2003 - Institui Grupo de Trabalho para estabelecer a segunda fase do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil; Decreto nº 4.593, de 13 de fevereiro de 2003 - Suspende a exploração da espécie Mogno por 150 dias; Decreto nº 4.592, de 11 de fevereiro de 2003 - Acresce parágrafo ao art. 47-A do Decreto no 3.179, de 21 de setembro de 1999, que dispõe sobre a especificação das sanções aplicáveis às condutas e atividades lesivas ao meio ambiente; Projeto de Lei que "Altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998"; Projeto de Lei que "Altera a Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000"; Projeto de Lei que "Dispõe sobre o processo administrativo disciplinar." Portaria 161, de 24 de dezembro de 2002 - Aprova o Plano de Manejo da Estação Ecológica de Anavilhanas; 26 Portaria 162, de 24 de dezembro de 2002 - Aprova o Plano de Manejo da Estação Ecológica Juami-Japurá; Portaria 164, de 24 de dezembro de 2002 - Aprova o Plano de Manejo do Parque Nacional da Serra do Divisor; Portaria 168, de 24 de dezembro de 2002 - Aprova o Plano de Manejo da Reserva Biológica de Uatumã; Portaria 621, de 9 de outubro de 2002 - Institui Comissão Técnico-Científica para formular projeto de pesquisa para o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e cercanias; Decreto de 19 de setembro de 2002 - Amplia os limites da Reserva Biológica de Uatumã, no Amazonas; Decreto de 19 de setembro de 2002 - Cria a Floresta Nacional do Jatuarana, no Amazonas; Decreto de 19 de setembro de 2002 - Cria a Reserva Extrativista do Cazumbá- Iracema, no Acre; Decreto de 22 de agosto de 2002 - Cria o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá; Decreto nº 4.339, de 22 de agosto de 2002 - Institui princípios e diretrizes para a implementação da Política Nacional de biodiversidade; Decreto nº 4.340, de 22 de agosto de 2002 - Regulamenta artigos da Lei nº 9.985, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza - SNUC; Portaria Nº 408, de 16 de agosto de 2002, instituindo o Comitê de Programa de Áreas Protegidas da Amazônia - ARPA; 27 Decreto nº 4.335, de 14 de agosto 2002 - Suspende a exploração do mogno na Amazônia por seis meses; Decreto 4.326, de 8 de agosto de 2002 - Institui, no âmbito do Ministério do Meio Ambiente, o Programa Áreas Protegidas da Amazônia - ARPA; Decreto de 16 de julho de 2002, cria a Reserva Extrativista do Rio Jutaí, no Amazonas; Decreto nº 4.297, de 10 de julho de 2002 - Sobre os critérios para o Zoneamento Ecológico-Econômico do Brasil; INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº5, de 18.03.02, sobre uso de imagens de Unidades de Conservação, com formulário para SOLICITAÇÃO DE LICENÇA PARA A REALIZAÇÃO DE FILMAGENS, GRAVAÇÕES E PRODUÇÕES FOTOGRÁFICAS; INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº3, de 04.03.02, publicada em 06.03.02, sobre conversão para uso do solo (reedição da IN 003, de 10.05.01, publicada em 14.05.01); Portaria 94, de 04.03.02, publicada em 06.03.02, instituindo o Sistema de Licenciamento Ambiental Único em propriedade rurais da Amazônia Legal; Resolução Nº 289, de 25 de outubro de 2001 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) do Ministério do Meio Ambiente; Ibama - INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 17, DE 19 DE OUTUBRO DE 2001 - Normas e precauções para a utilização das florestas e da proibição ou limitação do corte de espécies ameaçadas de extinção; Medida Provisória 2.166-67, de 24 de agosto 2001 - Altera e acresce dispositivos à Lei 4.771, que institui o Código Florestal, bem como altera a Lei 9.393, que dispõe sobre o ITR; 28 Lei Complementar Nº 233, de 06 de junho de 2000. Dispõe sobre o Zoneamento Socioeconômico-Ecológico do Estado de Rondônia; Programa Nacional de Florestas - Decreto No 3.420, de 20 de abril de 2000; Portaria 88, dé 6 de outubro de 1999 - Proíbe a obtenção de terras rurais em áreas de floresta primária na Floresta Amazônia, Mata Atlântica e Pantanal Mato- Grossense; ANA - Agência Nacional de Águas; Base de Dados de Legislação Ambiental - Lema - Ibama; Código Florestal; Decreto de Criação do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas; Instituto Ambiental Vidágua - Legislação Ambiental; Íntegra das principais leis ambientais; Justificativa para a criação do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas; Legislação Federal; Lei de Crimes Ambientais; Licenciamento Ambiental - Ibama; Relação dos Dispositivos das Constituições Estaduais sobre o Meio Ambiente e Legislação Ambiental dos Nove Estados da Amazônia; SNUC - Sistema Nacional de Unidades de Conservação; SNUC - Texto final doSistema Nacional de Unidades de Conservação; SNUC - Vetos e justificativas; Lei Complementar Estadual - 3819/95 - Código Ambiental do Mato Grosso; 29 4. CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO MEIO AMBIENTE O Direito Ambiental encontra seu conteúdo normativo destacado no Capítulo VI, da Constituição Federal de 1988, em seu único artigo – art. 225 com seus Parágrafos e incisos. Eis o texto do “Caput”, do Art. 225: “Art. 225: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo – se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. 1. Da Significação Geral Dos Enunciados ➩ Poder Público - é a expressão genérica que se refere a todas as entidades territoriais públicas. ➩ Direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado – pertence a todos, incluindo aí as gerações presentes e as futuras, sejam brasileiros ou estrangeiros. ➩ Dever de defender o meio ambiente e preservá – lo – é imputado ao Poder Público e à coletividade. ➩ Meio ambiente é bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida – é um bem que não está na disponibilidade particular de ninguém, nem de pessoa privada, nem de pessoa pública. ➩ Processos ecológicos – são aqueles que asseguram as condições necessárias para uma adequada interação biológica. ➩ Prover o manejo ecológico das espécies – significa lidar com as espécies de modo a conservá–las, recuperá – las, quando for o caso. ➩ Prover o manejo dos ecossistemas – significa cuidar do equilíbrio das relações entre a comunidade biótica e o seu habitat. ➩ Preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético – quer dizer preservar todas as espécies, através do fator caracterizante e diferenciador da imensa quantidade de espécies vivas do País. 30 ➩ Definir espaços territoriais e seus componentes – significa estabelecer a delimitação da área ecologicamente relevante, onde o uso do patrimônio, ali inserido, ficará condicionado às disposições constantes de Lei. ➩ Estudo Prévio de Impacto Ambiental – constitui um instrumento de prevenção de degradações irremediáveis. ➩ Promover a Educação Ambiental – significa, no futuro, o exercício de práticas consciente. 2. Da Repartição De Competências A definição de competências é de fundamental importância para que possamos saber quais as entidades responsáveis pela fiscalização de determinadas áreas da sociedade. Tal competência é definida na Constituição Federal de 1988, onde estão discriminadas as atribuições conferidas a cada ente federado. Segundo o ilustre Procurador Edis Milaré, essas competências desdobram– se em dois segmentos: I – AS COMPETÊNCIAS ADMINISTRATIVAS (ou de execução de tarefas) – que conferem ao Poder Público o desempenho de atividades concretas, através do exercício do seu poder de polícia; II – AS COMPETÊNCIAS LEGISLATIVAS – que tratam do poder outorgado a cada ente federado para elaboração das leis e atos normativos. Na repartição de competências legislativas aplica–se o Princípio da Predominância do Interesse, cabendo à União legislar sobre as matérias de interesse nacional, aos Estados as de interesse regional, enquanto aos Municípios as de interesse meramente local. Da Competência Administrativa – A proteção do meio ambiente como um todo, bem como o combate a poluição em qualquer de suas formas, a preservação das florestas, da flora e da fauna, e a exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios, estão incluídas entre as matérias de Competência Comum (art. 23, incs. III, VI e VII). Esta competência comum de que trata o art. 23, na realidade se refere a uma cooperação administrativa e conforme nos ensina o mestre JOSÉ CRETELLA “Competência Comum é cooperação administrativa, tendo em vista o equilíbrio do 31 desenvolvimento do bem – estar, em âmbito nacional, entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios...”. Conforme preceitua o Parágrafo Único do citado artigo, Lei Complementar irá estabelecer a forma como as instâncias de poder cuidarão das matérias elencadas no art. 23. Enquanto esta Lei não sair, a responsabilidade pela proteção do meio ambiente é comum e solidária, ou seja, todos são co-responsáveis. A problemática está em saber, em cada caso concreto de competência comum, a que ente público está afeto o poder de polícia ambiental. Adotamos, neste caso, a sábia interpretação do ilustre Paulo Régis Rosa da Silva, o qual nos ensina que a regra do art. 23 da Constituição Federal/88, deve ser interpretada da seguinte forma: a) “matérias de interesse local, isto é, que não extrapolem os limites físicos do Município, devem ser administradas pelo executivo Municipal”; b) “quando a matéria extrapola os limites físicos do Município, ou seja, os seus efeitos não ficam confinados na área física do Município ou envolvam mais de um Município, desloca – se a competência do executivo Municipal para o executivo Estadual”; c) “tratando – se de bens públicos estaduais e de questões ambientais supramunicipais, a competência será do executivo Estadual”; d) “nas hipóteses em que as matérias envolvam problemas internacionais de poluição transfronteiriça ou duas ou mais unidades federadas brasileiras, a competência será do Executivo Federal”. 32 DA COMPETÊNCIA LEGISLATIVA - O art. 24 e incisos I, VI e VII da CF/88, determina competir à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: florestas, caça, pesca, fauna, conservação, defesa do meio ambiente e dos recursos naturais, proteção ao meio ambiente e controle da poluição, proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico. Podemos observar que este artigo não explicita a competência legislativa do Município, o que pode levar à conclusão precipitada de que o Município não tem competência legislativa em matéria ambiental. Porém, ao observarmos os artigos 23, 30 e 225 da CF/88, não teremos nenhuma margem de dúvida de que o Município poderá legislar em matéria ambiental. No Âmbito Da Competência Concorrente. A competência concorrente implica que a União deve estabelecer parâmetros gerais a serem observados pelos Estados e Municípios. A União legislará e atuará em face de questões de interesse nacional, e as suas normas devem servir de referencial para os Estados e Municípios. Os Estados legislarão diante de problemas regionais, devendo observar os princípios e fundamentos genéricos previstos pela legisla ção federal. Os Municípios legislarão apenas quando o interesse for estritamente local, devendo observar os princípios e fundamentos genéricos previstos pela legislação federal. Ressaltamos que, caso a União não legisle sobre normas gerais, poderão os Estados ocupar os espaços em branco, exercendo a Competência Legislativa Plena para atender às suas peculiaridades. Contudo, a superveniência de Lei Federal sobre normas gerais suspende a Lei Estadual no que lhe for contrário. 33 Sinteticamente temos: REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIA EM MATÉRIA ADMINISTRATIVA (Constituição Federal de 1988) Figura 1-repartição de competência em matéria Administrativa REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIA LEGISLATIVA (Constituição Federal de 1988) Figura 2-Repartição de Competência Legislativa 34 5. Política Nacional do Meio Ambiente 1. DA POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE - PNMA – LEI FEDERAL nº 6.938, DE 31/08/81. A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento sócio - econômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana (art. 2º, da Lei Federal nº 6.938/81).Visando um melhor entendimento, o mencionado diploma legal, nos fornece algumas definições (art. 3º, da Lei Federal nº 6.938/81): ➩ Meio Ambiente - o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas. ➩ Degradação da Qualidade Ambiental - a alteração adversa das características do meio ambiente. ➩ Poluição - a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que, direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem - estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. ➩ Poluidor - a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental. 35 ➩ Recursos Ambientais - a atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo e os elementos da biosfera, a fauna e a flora. Da Responsabilidade Objetiva. A Política Nacional do Meio Ambiente consagra um Princípio muito importante quanto à responsabilidade do poluidor. Em questões ambientais ela é objetiva, isto é, independente da existência de dolo (intenção de causar o dano) ou culpa (negligência, imperícia ou imprudência). O poluidor é responsável pelos danos causados ao Meio Ambiente e a terceiros, devendo repará-los, isto porque, como bem diz o Prof. Paulo Affonso Leme Machado “a atividade poluente acaba sendo uma apropriação pelo poluidor dos direitos de outrem, pois, na realidade, a emissão poluente representa um confisco do direito de alguém em respirar ar puro, beber água saudável e viver com tranqüilidade”. 6. DO SISTEMA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE – SISNAMA O art. 6º, da Lei de Política Nacional do Meio Ambiente – PNMA, determina quais os Órgãos e entidades que constituirão o Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA, senão vejamos: “ Art. 6º Os órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, bem como as fundações instituídas pelo Poder Público, responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade ambiental, constituirão o Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA, assim estruturado: I - Órgão Superior: - O Conselho de Governo, com a função de assessorar o Presidente da República na formulação da política nacional e nas diretrizes governamentais para o meio ambiente e os recursos ambientais; II – Órgão Consultivo e Deliberativo – O Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, com a finalidade de assessorar, estudar e propor ao Conselho de 12 Governo, diretrizes de políticas governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais e deliberar, no âmbito de sua competência, sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida; III - Órgão Central: a Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República, com a finalidade de planejar, coordenar, supervisionar e controlar, como órgão federal, a Política Nacional e as diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente; 36 IV - Órgão Executor: O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, com a finalidade de executar e fazer executar, como órgão federal, a política e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente; V - Órgãos Seccionais: são órgãos ou entidades estaduais responsáveis pela execução de programas, projetos e pelo controle e fiscalização de atividades capazes de provocar a degradação ambiental; VI -Órgãos locais: os órgãos ou entidades municipais, responsáveis pelo controle e fiscalização dessas atividades, nas suas respectivas jurisdições”. 1. Dos Instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente Acresça-se, que a referida Lei Federal nº 6.938/81, ao elencar os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, arrola, dentre eles (art.9º): ➩ O estudo de impacto ambiental, o que foi fortalecido pela CF/88, que dispõe no art. 225, § 1º, que é poder – dever do Poder Público, exigi-lo; ➩ O zoneamento ambiental; ➩ O licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras. 7. Instrumentos de Controle Ambiental 1. Do Licenciamento. O art. 10, da Lei Federal nº 6.938/81, trata do licenciamento ambiental, definindo as atividades e os empreendimentos, que dependerão de prévio licenciamento. “Art. 10: A construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, considerados efetiva e potencialmente poluidores, bem como os capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento de órgão estadual competente, integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, em caráter supletivo, sem prejuízo de outras licenças exigíveis”. 37 2. DA RESOLUÇÃO CONAMA Nº 237, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1997 O art. 1º, da Resolução CONAMA nº 237/97, nos dá as seguintes definições: ➩ Licenciamento Ambiental - procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais considerados efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso. ➩ Licença Ambiental - ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente, estabelece as condições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou jurídica, para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades utilizadoras dos recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental. ➩ Estudos Ambientais - são todos e quaisquer estudos relativos aos aspectos ambientais relacionados à localização, instalação, operação e ampliação de uma atividade ou empreendimento, apresentado como subsídio para a análise da licença requerida, tais como: relatório ambiental, plano e projeto de controle ambiental, relatório ambiental preliminar, diagnóstico ambiental, plano de manejo, plano de recuperação da área degradada e análise preliminar de risco. ➩ Impacto Ambiental Regional - é todo e qualquer impacto que afete diretamente (área de influência direta do projeto), no todo ou em parte, o território de dois ou mais Estados. 38 – Das Atividades e Empreendimentos que Estão Sujeitos ao Licenciamento Ambiental O § 1º, do art. 2º da RESOLUÇÃO CONAMA nº 237/97, trata das atividades e empreendimentos que estão sujeitos ao licenciamento ambiental, e que são: ANEXO I ATIVIDADES OU EMPREENDIMENTOS SUJEITOS AO LICENCIAMENTO AMBIENTAL Extração e Tratamento de Minerais ➩ Pesquisa mineral com guia de utilização; ➩ Lavra a céu aberto, inclusive de aluvião, com ou sem beneficiamento; ➩ Lavra subterrânea com ou sem beneficiamento; ➩ Lavra garimpeira; ➩ Perfuração de poços e produção de petróleo e gás natural. 3. Indústria de Produtos Minerais não Metálicos ➩ Beneficiamento de minerais, não metálicos, não associados à extração; ➩ Fabricação e elaboração de produtos minerais não metálicos tais como: produção de material cerâmico, cimento, gesso, amianto e vidro, entre outros. Indústria Metalúrgica ➩ Fabricação de aço e de produtos siderúrgicos; ➩ Produção de fundidos de ferro e aço/ forjados / arames / relaminados comou sem tratamento de superfície, inclusive galvanoplastia; ➩ Metalurgia dos metais não-ferrosos, em formas primárias e secundárias, inclusive ouro; ➩ Produção de laminados / ligas / artefatos de metais não-ferrosos com ou sem tratamento de superfície, inclusive galvanoplastia; 39 ➩ Relaminação de metais não - ferrosos, inclusive ligas; ➩ Produção de soldas e anodos; ➩ Metalurgia de metais preciosos; ➩ Metalurgia do pó, inclusive peças moldadas; ➩ Fabricação de estruturas metálicas com ou sem tratamento de superfície, inclusive galvanoplastia; ➩ Fabricação de artefatos de ferro / aço e de metais não-ferrosos com ou sem tratamento de superfície, inclusive galvanoplastia; ➩ Têmpera e cementação de aço, recozimento de arames, tratamento de superfície. 4. Indústria Mecânica ➩ Fabricação de máquinas, aparelhos, peças, utensílios e acessórios com ou sem tratamento térmico e/ou de superfície. 5. Indústria de Material Elétrico, Eletrônico e Comunicações ➩ Fabricação de pilhas, baterias e outros acumuladores; ➩ Fabricação de material elétrico, eletrônico e equipamentos para telecomunicação e informática; ➩ Fabricação de aparelhos elétricos e eletrodomésticos. 6. Indústria de Material de Transporte ➩ Fabricação e montagem de veículos rodoviários e ferroviários, peças e acessórios; ➩ Fabricação e montagem de aeronaves; ➩ Fabricação e reparo de embarcação e estruturas flutuantes. 7. Indústria de Madeira ➩ Serraria e desdobramento de madeira; 40 ➩ Preservação de madeira; ➩ Fabricação de chapas, placas de madeira aglomerada, prensada e compensada; ➩ Fabricação de estruturas de madeira e de móveis. 8. Indústria de Papel e Celulose ➩ Fabricação de celulose e pasta mecânica; ➩ Fabricação de papel e papelão; ➩ Fabricação de artefatos de papel, papelão, cartolina, cartão e fibra prensada. 9. Indústria de Borracha ➩ Beneficiamento de borracha natural; ➩ Fabricação de câmara de ar e fabricação e recondicionamento de pneumáticos; ➩ Fabricação de laminados e fios de borracha; ➩ Fabricação de espuma de borracha e de artefatos de espuma de borracha, inclusive látex. 10. Indústria de Couros e Peles ➩ Secagem a salga de couros e peles; ➩ Curtimento e outras preparações de couros e peles; ➩ Fabricação de artefatos diversos de couros e peles; ➩ Fabricação de cola animal. 11. Indústria Química ➩ Produção de substâncias e fabricação de produtos químicos; ➩ Fabricação de produtos derivados do processamento de petróleo, de rochas betuminosas e da madeira; ➩ Fabricação de combustíveis não derivados de petróleo; 41 ➩ Produção de óleos / gorduras / ceras vegetais-animais / óleos essenciais vegetais e outros produtos da destilação da madeira; ➩ Fabricação de resinas e de fibras e fios artificiais e sintéticos e de borracha e látex sintéticos; ➩ Fabricação de pólvora / explosivos / detonantes / munição para caça- desporto, fósforo de segurança e artigos pirotécnicos; ➩ Recuperação e refino de solventes, óleos minerais, vegetais e animais; ➩ Fabricação de concentrados aromáticos naturais, artificiais e sintéticos; ➩ Fabricação de preparados para limpeza e polimento, desinfetantes, inseticidas, germicidas e fungicidas; ➩ Fabricação de tintas, esmaltes, lacas, vernizes, impermeabilizantes, solventes e secantes; ➩ Fabricação de fertilizantes e agroquímicos; ➩ Fabricação de produtos farmacêuticos e veterinários; ➩ Fabricação de sabões, detergentes e velas; ➩ Fabricação de perfumarias e cosméticos; ➩ Produção de álcool etílico, metanol e similares. 12. Indústria de Produtos de Matéria Plástica ➩ Fabricação de laminados plásticos; ➩ Fabricação de artefatos de material plástico. Indústria Têxtil, de Vestuários, Calçados e Artefatos de Tecidos ➩ Beneficiamento de fibras têxteis, vegetais, de origem animal e sintéticos; ➩ Fabricação e acabamento de fios e tecidos; ➩ Tingimento, estamparia e outros acabamentos em peças do vestuário e artigo diversos de tecidos; 42 ➩ Fabricação de calçados e componentes para calçados. 13. Indústria de Produtos Alimentares e Bebidas ➩ Beneficiamento, moagem, torrefação e fabricação de produtos alimentares; ➩ Matadouros, abatedouros, frigoríficos, charqueadas e derivados de origem animal; ➩ Fabricação de conservas; ➩ Preparação de pescados e fabricação de conservas de pescado; ➩ Preparação, beneficiamento e industrialização de leite e derivados; ➩ Fabricação e refinação do açúcar; ➩ Refino / preparação de óleo e gorduras vegetais; ➩ Produção de manteiga, cacau, gorduras de origem animal para alimentação; ➩ Fabricação de fermentos e leveduras; ➩ Fabricação de rações balanceadas e de alimentos preparados para animais; ➩ Fabricação de vinhos e vinagre; ➩ Fabricação de cervejas, chopes e maltes; ➩ Fabricação de bebidas não alcoólicas, bem como engarrafamento e gaseificação de águas minerais; ➩ Fabricação de bebidas alcoólicas. 14. Indústria de Fumo ➩ Fabricação de cigarros / charutos / cigarrilhas e outras atividades de beneficiamento do fumo. 15. Indústrias Diversas ➩ Usinas de produção de concreto; ➩ Usinas de asfalto; ➩ Serviços de galvanoplastia. 43 16. Obras Civis ➩ Rodovias, ferrovias, hidrovias, metropolitanos; ➩ Barragens e diques; ➩ Canais para drenagem; ➩ Retificação de curso de água; ➩ Abertura de barras, embocaduras e canais; ➩ Transposição de bacias hidrográficas; ➩ Outras obras de arte. 17. Serviços de Utilidades ➩ Produção de energia term oelétrica; ➩ Transmissão de energia elétrica; ➩ Estações de tratamento de água; ➩ Interceptores, emissários, estação elevatória e tratamento de esgoto sanitário; ➩ Tratamento e destinação de resíduos industriais (líquidos e sólidos); ➩ Tratamento / disposição de resíduos especiais tais como: de agroquímicos e suas embalagens usadas e de serviço de saúde, entre outros; ➩ Tratamento e destinação de resíduos sólidos urbanos, inclusive aqueles provenientes de fossas; ➩ Dragagem e derrocamentos em corpos d’água; ➩ Recuperação de áreas contaminadas ou degradadas. 18. Transporte, Terminais e Depósitos ➩ Transporte de cargas perigosas; ➩ Transporte por dutos; ➩ Marinas, portos e aeroportos; 44 ➩ Terminais de minérios, petróleo e derivados e produtos químicos; ➩ Depósitos de produtos químicos e produtos perigosos. 19. Turismo ➩ Complexos turísticos e de lazer, inclusive parques temáticos e autódromos. 20. Atividades Diversas ➩ Parcelamento do solo; ➩ Distrito e pólo industrial. 21. Atividades Agropecuárias ➩ Projeto agrícola; ➩ Criação de animais; ➩ Projetos de assentamentos e de colonização. 22. Uso de Recursos Naturais ➩ Silvicultura; ➩ Exploração econômica da madeira ou lenha e subprodutos florestais; ➩ Atividade de manejo de fauna exótica e criadouro de fauna silvestre; ➩ Utilização do patrimônio genético natural; ➩ Manejo de recursos aquáticos vivos; ➩ Introdução de espécies exóticas e/ou geneticamente modificadas; ➩ Uso da diversidade biológica pela biotecnologia. 45 23. Das Licenças Ambientais DOS TIPOS DE LICENÇA (Abordagem no Âmbito Federal) O Poder Público, no exercício de sua competência de controle, expedirá as seguintes licenças: (art. 19, do Dec. Federal nº 99.274/90). I - Licença Prévia (LP) – na fase preliminar do planejamento de atividade, contendo requisitos básicos a serem atendidos nas fases de localização, instalação e operação, observados os planos municipais, estaduais ou federais de uso do solo. II - Licença de Instalação (LI) – autorizando o início da implantação, de acordo com as especificações constantes do Projeto Executivo aprovado; e III. - Licença de Operação (LO) - autorizando, após as verificações necessárias, o início da atividade licenciadae o funcionamento de seus equipamentos de controle de poluição, de acordo com o previsto nas Licenças Prévia e de Instalação. 46 8. Referências AGUIAR, Armando Ramos de Aguiar, Direito do Meio Ambiente e Participação Popular, IBAMA, Brasília - 1994. ANTUNES, Paulo de Bessa, Curso de Direito Ambiental, 2ª ed., Renovar, Rio - 1992. APOSTILA DE DIREITO AMBIENTAL ROGERIO SANTANA DA SILVA, Advogado no Estado do Rio de Janeiro, Coordenador e Professor da Pós- Graduação em Direito do Petróleo da Universidade Cândido Mendes – Centro, Rio de Janeiro – RJ, Professor de Direito Ambiental do Curso Ênfase - Rio de Janeiro – RJ, Professor de Direito Econômico do Curso CEPAD, Especializado em Direito Econômico Internacional pela PUC-RJ e em Direito do Petróleo, Gás Natural e Energia pela UCAM - Centro. Advogado da Petrobras Distribuidora S.A. – BR, onde exerce a função de Coordenador de Direito Ambiental. BENJAMIN, Antônio Herman (Coordenador), Dano Ambiental: prevenção, reparação e repressão (vários artigos), Edit. Revista dos Tribunais, São Paulo - 1993. BENJAMIN, Antônio Herman (fundador), Direito Ambiental Revista 5, Ano 2, Edit. Revista dos Tribunais, São Paulo, 1997. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988, CAPÍTULO VI-DO MEIO AMBIENTE, Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê- lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações. Disponível em https://amazonia.org.br/,acessado em 07 de março de 2020,às 09h 43min; Disponível em https://www.jurisite.com.br/wordpress/wp- 47 content/uploads/2017/03/direito_ambiental.pdf, acessado em 07 de março de 2020,as 08h21min; FARIAS, Bernadete Ferreira, Lições de Direito Ambiental (para aluno de graduação), Edit. CAMPGRAF - 1998. FILHO, Wanderley Rebello e Christianne Bernardo, Guia Prático de Direito Ambiental, Edit. Lumen Juris, 2ª Edição, Rio de Janeiro, 1999. FREITAS, Vladimir Passos de Freitas, Gilberto Passos de, Crimes Contra a Natureza, Edit. RT, São Paulo - 1990. FREITAS, Vladimir Passos de, Direito Administrativo e Meio Ambiente, 2ª ed., Edit. Juruá, Curitiba - 1998. FREITAS, Vladimir Passos de, (organizador), Direito Ambiental em Evolução, Edit. Juruá Curitiba, 1998. LEI Nº 6.938, DE 31 DE AGOSTO DE 1981 Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. MACHADO, Paulo Affonso Leme, Ação Civil Pública (ambiente, consumidor, patrimônio cultural) e Tombamento, Edit. Revista dos Tribunais, São Paulo – 1986 MACHADO, Paulo Affonso Leme, Direito Ambiental Brasileiro, 7ª ed., Edit. Malheiros, São Paulo - 1998. MACHADO, Paulo Affonso Leme, Estudos de Direito Ambiental, Edit. Malheiros, São Paulo - 1994 MANUAL de Diretrizes Para Avaliação de Impactos Ambientais, CPRH/GTZ, Edit. Bip Comunicação e Arte, Recife - 1998. 48 MANUAL de Fiscalização Ambiental, CPRH/GTZ, Edit. Bip Comunicação e Arte, Recife - 1998. MANUAL de Licenciamento Ambiental, CPRH/GTZ, Edit. Bip Comunicação e Arte, Recife - 1998. MAZZELLI, Hugo Nigro, A Defesa dos Interesses Difusos em Juízo, 7ª ed., Edit. Saraiva, São Paulo - 1995. MEIRELLES, Hely Lopes, Mandado de Segurança e Ação Popular, 17ª ed., Edit. Malheiros - 1996. MUKAI, Toshio, Direito Ambiental Sistematizado, 1ª ed., Edit. Forense Universitária, Rio de Janeiro - 1992. SILVA, José Afonso da, Direito Ambiental Constitucional, 2ª ed., Edit. Malheiros, São Paulo - 1995.