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Classes de palavras: pronome, numeral e verbo. Apresentação Nesta Unidade de Aprendizagem, trabalharemos com os pronomes, os numerais e os verbos a fim de que possamos ampliar nossos conhecimentos gramaticais acerca dessas três classes de palavras e assim, consequentemente, aprimorar nossas habilidades linguísticas e textuais. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer as classes de palavras: pronomes, numerais e verbos.• Conceituar pronomes, numerais e verbos.• Relacionar e empregar aspectos linguísticos, semânticos e discursivos dos pronomes, numerais e dos verbos em situações concretas de interação verbal, orais ou escritas. • Desafio Para resolver esse desafio você deverá reconhecer a classe de palavras dos verbos e pronomes, bem como relacionar e empregar seus aspectos linguísticos, semânticos e discursivos. Leia: Márcia andava atarefada com os afazeres domésticos para as festas de final de ano. Assim, resolveu contratar uma empregada doméstica para lhe auxiliar nas tarefas. Certa tarde, Márcia, com a ajuda de Cláudia, sua empregada, resolveu dar uma faxina em sua casa. Durante a limpeza na casa, Márcia acabou encontrando objetos que não tinham mais serventia alguma e disse à Cláudia: Cláudia, ponha isso lá fora em qualquer parte. Cláudia atendeu prontamente a patroa fazendo o que ela solicitou. Na frase dita por Márcia, o verbo pôr está acompanhado de complementos. Por que para nós, leitores, o enunciado soa tão vazio de sentido? Para Cláudia não houve dificuldades na construção de sentido para o pedido da patroa. Por quê? Elabore um texto/resposta de no mínimo 10 linhas para a situação acima proposta, contendo análise da situação comunicativa, dado o contexto. Esteja atento ao valor semântico e sintático do verbo pôr e dos pronomes presentes na fala dita por Márcia. Faça uso do Português formal e correção ortográfica. Infográfico Com base no infográfico a seguir, você terá uma visão rápida e dinâmica sobre os elementos em estudo nesta Unidade de Aprendizagem: pronomes, numerais e verbos. Figura 1 Conteúdo do livro Prezados alunos, nas situações de interlocução verbais ou escritas, interagimos fazendo uso das classes gramaticais. Nesta Unidade de Aprendizagem, trabalhamos com as classes gramaticais dos pronomes, verbos e dos numerais. Com o objetivo de expandir seus conhecimentos sobre o assunto, atente para um trecho da apostila Nivelamento de Português. Por meio dele será possível entrar em contato com as classes gramaticais evidenciadas em nossa unidade e desenvolver competências e habilidades que serão muito úteis. Boa leitura. MORFOSSINTAXE I Francisco De Souza Gonçalves Classes de palavras: pronome, numeral e verbo Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer as classes de palavras: pronomes, numerais e verbos. � Conceituar pronomes, numerais e verbos. � Relacionar e empregar aspectos linguísticos, semânticos e discursivos dos pronomes, dos numerais e dos verbos em situações concretas de interação verbal, orais ou escritas. Introdução O estudo das classes de palavras é marcado pela vontade do homem de compreender a realidade na qual está inserido e de tentar, de alguma maneira, controlá-la. Compreender a linguagem, em seus imbricados processos, sempre foi uma preocupação do ser humano. Analisar e ca- tegorizar foram os primeiros caminhos encontrados para compreender os mecanismos da fala e da escrita. Organizar as palavras em classes, mediante suas características, é uma evidência desse ímpeto humano (CUNHA; ALTGOTT, 2004). Neste capítulo, você estudará algumas importantes classes de palavras das quais se ocupa o estudo da morfologia, conhecendo, então, um pouco mais sobre os pronomes, os numerais e os verbos. Pronome A classe dos pronomes é aquela que agrupa palavras cuja função é substituir ou acompanhar o substantivo (nome) em uma oração (AZEVEDO, 2015). Primei- ramente, é possível distinguir dois tipos principais de pronomes: os pronomes substantivos e os pronomes adjetivos. Enquanto os pronomes substantivos exercem papel similar ao do substantivo, substituindo-o, os pronomes adjetivos acompanham ou modificam um substantivo ou um pronome substantivo. Os pronomes são flexionáveis em gênero, em número e de acordo com a pessoa do discurso. Exemplos: Ele era meu padrinho. (pronome substantivo) Minha caneta é azul, aquelas canetas são azuis. (pronome adjetivo) Classificação dos pronomes Os pronomes podem ser classificados de acordo com a função que exercem. Pronomes pessoais — Esse tipo de pronome é utilizado para representar as pessoas do discurso (1ª, 2ª ou 3ª, tanto do singular quanto do plural). Há os pronomes pessoais do caso reto e os pronomes pessoais do caso oblíquo. Os primeiros podem exercer função sintática de sujeito; são eles: eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas. Já os pronomes pessoais do caso oblíquo são aqueles que, numa oração, podem complementar os verbos: me, mim, comigo, nos, conosco; te, ti, contigo, vos, convosco; o, a, lhe, se, si, consigo, os, as, lhes, etc. Pronomes de tratamento — São pronomes que indicam o tratamento for- mal ou informal que é dado a um indivíduo (você, Vossa Excelência, Vossa Majestade, Eminência, Vossa Magnificência, etc.). Pronomes relativos — São aqueles usados para referir-se a um termo anterior- mente mencionado, sem precisar repeti-lo (que, cuja, cujo, o qual, as quais, quem, etc.). Flexionam-se em gênero e número, de acordo com o substantivo. Pronomes demonstrativos — Pronomes utilizados para situar algo no tempo e no espaço (este, isto, isso, aquilo, etc.). Pronomes possessivos — São aqueles que expressam uma relação de posse (meu, minha, teu, sua, nosso, vosso, etc.). Flexionam-se de acordo com o gênero, o número e a pessoa do discurso a que se referem. Pronomes indefinidos — São aqueles que substituem ou acompanham um nome, expressando de modo vago ou impreciso, a quantidade daquilo que representam (alguém, ninguém, qualquer, quaisquer, etc.). Classes de palavras: pronome, numeral e verbo2 Pronomes interrogativos — São os pronomes utilizados para a elaboração de interrogações. Geralmente, um pronome relativo converte-se em interrogativo para a construção de perguntas (quem, que, qual, etc.). Numeral Como o próprio nome já enuncia, nessa classe agrupam-se os termos que dizem respeito aos números. Essas palavras são instrumentalizadas para quantificar substantivos ou indicar posições numéricas ou ordinais de algo ou alguém. A representação gráfica do numeral pode se dar de forma simbólica, pelo número, ou em sua escrita por extenso (CEGALLA, 2004). O que difere o numeral um do artigo um é que, no contexto semântico, o artigo indica uma indefinição do substantivo, enquanto o numeral indica a quantidade do substantivo. Classificação dos numerais Convencionou-se classificar os numerais da seguinte forma: Cardinal — A forma mais comum, observada quando o numeral indica a quantidade do substantivo ou é utilizado para contabilizar alguma coisa. Um, três, cinco, quatro, dois. Podem cair mil à tua esquerda, Dez mil à tua direita (Livro de Salmos na Bíblia Sagrada) 3Classes de palavras: pronome, numeral e verbo Ordinal — Ocorre quando o falante ou o narrador deseja ordenar ou sequenciar alguma coisa. Terceiro, décimo-segundo, enésimo, quinquagésimo-sétimo. Quando o segundo sol chegar, para realinhar as órbitas dos planetas (O segundo sol — Nando Reis) Multiplicativo — É utilizado quando se necessita enunciar cômputos multiplicativos. Triplo, dupla, dobro, sêxtuplo, décuplo, duodécuplo, tercio décuplo. Nem centavo, nem milhão Nem o dobro, nem metade Nem a prata, nem o ouro Nem o Euro, nem o Dólar Nem fortuna, nem esmola Nada do que eu conheço paga o preço de viver sem liberdade (Tudo certo — Gabriel o Pensador) Fracionário — Aparece na fala ou no textoquando o interlocutor necessita enunciar a parte de um todo ou as porções fracionadas deste. Classes de palavras: pronome, numeral e verbo4 Terço, quinto, oitavo, sexto, um terço, três quartos. Quem sabe eu ainda sou uma garotinha, Esperando o ônibus da escola sozinha Cansada com minhas meias três quartos Rezando baixo pelos cantos Por ser uma menina má Quem sabe o príncipe virou um chato Que vive dando no meu saco Quem sabe a vida é não sonhar. (Malandragem — Cássia Eller) Coletivo — Lança-se mão desse tipo de numeral quando se precisa expressar um conjunto de algo. Dúzia, cento, dezena. O homem disse para o amigo: — Breve irei a tua casa e levarei minha mulher. O amigo enfeitou a casa e quando o homem chegou com a mulher, soltou uma dúzia de foguetes. (Sociedade — Carlos Drummond de Andrade) A língua é dinâmica e fluida, e a criatividade do falante é infinita. Dessa forma, o emprego dos numerais pode se dar de diversas formas. Para designar a sucessão de papas, de reis, de imperadores, dos séculos e de partes de alguma obra, são utilizados 5Classes de palavras: pronome, numeral e verbo os números ordinais até o décimo; depois, são empregados os números cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo. Quando se trata de leis, decretos e portarias, a gramática preconiza o uso do numeral ordinal até o nono, e do cardinal a partir do dez. Para os dias do mês, utilizam-se os cardinais, com exceção da indicação do primeiro dia, que é feita tradicionalmente pelo ordinal “primeiro”. Flexões do numeral De maneira geral, o numeral pode flexionar-se em gênero (feminino e mascu- lino) e número (singular e plural), de acordo com o substantivo que o determina, ou seja, pode flexionar-se de acordo com sua indicação quantitativa e com seu gênero (AZEVEDO, 2015). Os numerais cardinais são majoritariamente invariáveis. Todavia, em alguns casos, podem variar em gênero (um/uma, dois/ duas, duzentos/duzentas, trezentos/trezentas) e número (um/uns, milhão/ milhões). No caso dos numerais ordinais, as flexões são mais frequentes, ocor- rendo em função do substantivo que os determina. Podem ser de gênero e/ou de número (segundo/segunda/segundos/segundas). Os numerais multiplicativos são invariáveis quando desempenham função substantiva, ou seja, quando substituem um substantivo; se atuam em função adjetiva, podem-se flexionar em gênero e número (As senhoras leiloaram o dobro das joias para obter atenções triplas). Os numerais fracionários também podem variar em gênero e em número (um terço/dois terços/a terça parte, um oitavo/sete oitavos). Os numerais coletivos são inflexionáveis em gênero, mas flexionam-se em número (uma dúzia, duas dúzias, um milheiro). Verbo As palavras que pertencem a essa classe gramatical são aquelas que possuem conteúdo semântico de ação (pôr, comer), estado (permanecer, ser), fenômeno da natureza (anoitecer, trovejar) ou ocorrência (aconteceu, sucedeu). Na sintaxe, esses termos têm a função de núcleo do predicado de uma oração. Os verbos podem flexionar-se de inúmeras maneiras, já que sua conjugação é realizada por meio das variações de pessoa, número, tempo, modo, voz e aspecto (ALMEIDA, 2009). A estruturação de um verbo se dá a partir de três elementos básicos: radi- cal, vogal temática e desinências. O radical é a parte fundamental do verbo, Classes de palavras: pronome, numeral e verbo6 uma base a partir da qual ele se edifica morfologicamente. Ele contém a significação do termo. Radical: AND- (and-ar), CORR- (corr-er), PART- (part-ir). A vogal temática é a partícula que se une ao radical, a fim de que este possa se ligar às desinências e, desta maneira, promover a conjugação dos verbos. Ao produto da junção do radical à vogal temática, dá-se nome de tema (tema = radical + vogal temática). Tema: ANDA- (anda-r), CORRE- (corre-r), PARTI- (parti-r). É a vogal temática que determinará a conjugação a qual o verbo pertence: na primeira conjugação, agrupam-se os verbos cuja vogal temática é -A — falar, amar, beijar, dançar —; na segunda conjugação, estão os verbos cuja vogal temática são -E ou -O — correr, ler, ter, pôr —; finalmente, na terceira conjugação, figuram os verbos cuja vogal temática é -I — partir, definir, ir. A gramática organiza os verbos em três grupos de flexões, as quais denominamos conjugações. Esses grupos identificam-se pelas vogais temáticas -A, -E/-O e -I, respec- tivamente. Essas conjugações servem para indicar o paradigma, isto é, o modelo pelo qual são conjugados os verbos regulares. 7Classes de palavras: pronome, numeral e verbo As desinências são elementos que, juntamente ao tema (radical + vogal temática), facultam as conjugações. Podem ser de dois tipos: � Modo-temporais: indicam o modo e o tempo em que uma ação ocorre. � Número-pessoais: indicam o número e a pessoa. Andávamos va → desinência que indica o tempo pretérito perfeito do modo indicativo mos → desinência que indica 1ª pessoa do plural (nós) Correrei re → desinência que indica tempo futuro do presente do modo indicativo i → desinência que indica de 1ª pessoa do singular (eu) Partamos a → desinência que indica o tempo presente do modo subjuntivo mos → desinência de 1ª pessoa do plural Para se conjugar um verbo, é preciso levar em conta as seguintes flexões: 1. Pessoa: 1ª (eu, nós); 2ª (tu, vós) e 3ª (ele, eles). 2. Número: singular (eu, tu, ele) e plural (nós, vós, eles). 3. Tempo: presente, pretérito e futuro. 4. Modo: indicativo, subjuntivo e imperativo. 5. Voz: voz ativa, voz passiva e voz reflexiva. Classificação dos verbos A classe dos verbos é a que tem o maior número de flexões em nossa língua. Os verbos podem ser classificados como regulares, irregulares, defectivos ou abundantes. Essa classificação toma por critério as flexões verbais, e não o significado dos verbos. Estes flexionam-se em número (singular e plural), pessoa (1ª, 2ª e 3ª), modo (indicativo, subjuntivo, imperativo), tempo (presente, pretérito, futuro) e voz (ativa, passiva, reflexiva) (AZEVEDO, 2015). Classes de palavras: pronome, numeral e verbo8 Verbos regulares — Verbos cujo radical não se altera; seguem um modelo de conjugação. Exemplos: falar, torcer, tossir. Verbos irregulares — Verbos cujo radical altera-se na conjugação; não se- guem um paradigma de conjugação como os regulares. As irregularidades aparecem no radical, nas terminações ou em ambos. Exemplos: dar, caber, medir. Observação: se a alteração do radical é muito profunda, esses verbos passam a ser chamados de verbos anômalos, casos dos verbos ser e vir. Verbos defectivos — Verbos que não se conjugam em todas as pessoas, tempos e modos. Essas pessoas nas quais os verbos não se flexionam simplesmente inexistem. Os verbos defectivos podem ser de três tipos: � Impessoais: aqueles que indicam, especialmente, fenômenos da natureza. Só podem ser conjugados na 3ª pessoa do singular, já que não possuem sujeito. Exemplos: chover, trovejar, amanhecer. � Unipessoais: aqueles que definem sons feitos por animais. São conjugados na 3ª pessoa do singular ou do plural. Exemplos: ladrar, miar. � Pessoais: verbos que não são conjugados em todos os tempos e todas as pessoas do discurso. Exemplos: banir, falir, reaver. A linguagem conotativa permite que esses verbos sejam usados em outras pessoas do discurso, já que outorga a aplicação deles a situações que envolvam seres humanos: Eu ladrei, mas não pude morder: o divórcio saiu. 9Classes de palavras: pronome, numeral e verbo Verbos abundantes — São aqueles que permitem ao falante duas ou mais maneiras de flexão. Exemplos: aceitado/aceito, inserido/inserto, segurado/ seguro. Compreender melhor as classes gramaticais, como o numeral, o pronome e o verbo é de suma importância para o estudo da língua portuguesa, especialmente para os estudos da morfologia vernácula. Os pronomes e os numerais, como acessórios linguísticos, complementam o sentido das sentenças. Os verbos são o cerne das orações, a alma das línguas,os termos que dão movimento e vida aos textos (CUNHA; ALTGOTT, 2004). ALMEIDA, N. T. Gramática de língua portuguesa para concursos, vestibulares, ENEM, colégios técnicos e militares. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. AZEVEDO, R. Português básico. Porto Alegre: Penso, 2015. CEGALLA, D. P. Nova minigramática da língua portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2004. CUNHA, A.; ALTGOTT, M. A. A. Para compreender Mattoso Camara. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004. Leituras recomendadas CIPRO NETO, P. Gramática da língua portuguesa. 3. ed. São Paulo: Scipione, 2008. DICIONÁRIO Priberam da língua portuguesa. c2018. Disponível em: . Acesso em: 5 jan. 2019. HOUAISS, A.; VILLAR, M. S. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2017. LIMA, R. Gramática normativa da língua portuguesa. 49. ed. Rio de Janeiro: José Olym- pio, 2011. Classes de palavras: pronome, numeral e verbo10 Conteúdo: Dica do professor No vídeo a seguir, veremos algumas especificidades de cada uma das classes gramaticais em estudo em nossa Unidade de Aprendizagem: pronomes, numerais e verbos. Será enfatizada, também, a importância dominar com proficiência essas classes gramaticais para o sucesso de nossos processos comunicativos. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/610bf5a6c079cd76eea4c08485017242 Exercícios 1) Leia o texto a seguir. Inimigos – Luis Fernando Veríssimo O apelido de Maria Teresa, para o Norberto, era “Quequinha”. Depois do casamento sempre que queria contar para os outros uma de sua mulher, o Norberto pegava sua mão carinhosamente, e começava: Pois a Quequinha... E a Quequinha, dengosa, protestava. Ora, Beto! Com o passar do tempo, o Norberto deixou de chamar a Maria Teresa de Quequinha. Se ela estivesse ao seu lado e ele quisesse se referir a ela, dizia: A mulher aqui... Ou, às vezes: Esta mulherzinha... Mas nunca mais Quequinha. (O tempo, o tempo. O amor tem mil inimigos, mas o pior deles é o tempo. O tempo ataca em silêncio. O tempo usa armas químicas.). Com o tempo, Norberto passou a tratar a mulher por “Ela”. Ela odeia o Charles Bronson. Ah, não gosto mesmo. Deve-se dizer que o Norberto, a esta altura, embora a chamasse de Ela, ainda usava um vago gesto da mão para indicá-la. Pior foi quando passou a dizer “essa aí” e a apontar com o queixo. Essa aí... E apontava com o queixo, até curvando a boca com um certo desdém. (O tempo, o tempo. O tempo captura o amor e não o mata na hora. Vai tirando uma asa, depois a outra...) Hoje, quando quer contar alguma coisa da mulher, o Norberto nem olha na sua direção. Faz um meneio de lado com a cabeça e diz: Aquilo... De que maneira o uso dos pronomes contribui para a construção do efeito de humor que se pode observar nesse texto? A) A alteração do uso dos pronomes, ao longo do texto, provoca a pressuposição da criação de um sentimento de desdém para com a segunda pessoa do discurso. B) A alteração do uso dos pronomes promove um valor semântico de formalidade, crescente ao longo do texto. C) A alteração do uso dos pronomes ao longo do texto provoca a pressuposição de um sentimento de descaso crescente para com a terceira pessoa do discurso. D) A alteração do uso dos pronomes promove no texto um valor semântico de informalidade, que deve permear os discursos coloquiais íntimos. E) A alteração do uso dos pronomes ocasiona, ao longo do texto, a construção de um valor semântico de euforia. 2) Leia a seguir. Conceito em disputa por Edgard Murano A palavra “jogabilidade” funciona bem na prática dos jogos, mas deixa de lado o viés imersivo que é característica do gênero. Nos chamados games studies - disciplina que estuda os jogos eletrônicos, seu design, seu papel na sociedade, entre outros aspectos - a “jogabilidade” é um conceito em disputa. Em outras palavras, não há uma unanimidade sobre o sentido desse neologismo, tão novo quanto a própria indústria dos videogames. Trata-se de uma tradução do inglês gameplay ou playability, e utilizada pelos jogadores brasileiros para designar o quão “jogável” é um jogo; ou, ainda, se ele responde bem à interação dos jogadores, proporcionando-lhes uma experiência fluida e divertida, sem desestimulá-los com um alto grau de dificuldade nem tampouco aborrecê-los com facilidades em excesso.(...). (TAVARES, Bráulio, 2011, p.27. Adaptado). Pronomes são substitutos versáteis. Evitam que falas e escritos se tornem enfadonhos. Um único pronome refere-se a infinitos entes, pessoas, coisas, sensações e conceitos. No trecho “Em outras palavras não há uma unanimidade sobre o sentido desse neologismo, tão novo quanto a própria indústria dos videogames”, o pronome desse estabelece dentro do contexto: A) Uma retomada textual por meio da organização do discurso, fazendo alusão a pessoas ou coisas que participam dele. B) Uma argumentação textual, criando assim relações de causa e consequência no contexto. C) Uma conclusão da oração na qual ele se encontra inserido. D) Uma substituição textual por meio da supressão do termo “jogos”, o que provoca a retomada de uma expressão anterior. E) Uma substituição do termo "videogames". Leia a seguir. Ai Se eu te Pego pegou... Há tempos uma canção popular não fazia tanto sucesso como o hit chiclete Ai Se eu te Pego, interpretada pelo paranaense Michel Teló e de autoria de Sharon Acioly e Antonio Dyggs. 3) Não bastasse o sucesso nacional da música, cujo vídeo-clip já ultrapassou 100 milhões de visualizações no YouTube, agora é a vez do refrão cair na boca do público estrangeiro. Ai Se eu te Pego ganhou versão em inglês (Of If I Catch You), em polonês (Slodka, que significa 'doce'), em italiano, e desbancou artistas como Adele, Rihana e o grupo Coldplay nas paradas de sucesso internacionais. O hit ganhou até uma paródia em hebraico, além de ter embalado a coreografia de soldados israelenses. De quebra, alunas brasileiras de um curso de fonoaudiologia resolveram verter a música para a língua brasileira de sinais. (Revista Língua Portuguesa, 2012, p.07. Adaptado). O título da música 'Ai Se eu te Pego' nos remete a um dos modos verbais da língua portuguesa e à sua conotação semântica. Assinale a alternativa que indica esse modo verbal e sua função. A) Indicativo, afirmando que a música “pegou”, ou seja, alcançou sucesso internacional. B) Imperativo, sugerindo que a música irá atingir a todos que a ouvirem, de maneira irremediável. C) Subjuntivo. Sugerindo probabilidade pela utilização da partícula “se”. D) Subjuntivo, sugerindo hipótese; ou seja, pelo título podemos perceber que a música pode ou não fazer sucesso. E) Indicativo, ressaltando a ideia de que uma hipótese pode ser levantada com base no título da música. 4) Leia o miniconto de Dalton Trevisan (111 ais, 2008): -Nunca tomei um copo d'água sem dar metade a ela, que no fim me traiu. O texto é iniciado por um travessão indicando a fala de um personagem. Para entender o sentido dessa fala, somos levados a pressupor informações sobre o personagem que fala e o contexto da fala. As pressuposições são facilitadas por uma pista textual deixada pelo autor. Assinale a alternativa que indica tal pista. A) Ocultação dos nomes dos personagens com o intuito de criar um clima de mistério. B) Utilização de uma linguagem curta, prática e inovadora para transmitir a mensagem. C) Utilização do pronome de terceira pessoa do singular na forma feminina. D) Uso da linguagem coloquial 'pra' ao invés da linguagem formal 'para'. E) Inexistência de título, o que torna o texto mais impessoal, portanto, mais próximo dos leitores. 5) O uso semântico dos verbos é um recurso para que o enunciador expresse sua intenção comunicativa de maneira eficiente. Observe os períodos a seguir. I) Delegado suspeita que o criminoso ESTEJA ligado ao tráfico. II) Delegado suspeita queo criminoso ESTÁ ligado ao tráfico. A inversão da forma verbal do verbo “estar” (esteja/ está) provoca: A) Redução da ideia de hipótese conotada pelo verbo “suspeitar”. B) Não há alteração na intenção da fala, pois o verbo é o mesmo (estar) em ambos os períodos. C) Aumento da ideia de probabilidade evocada pelo verbo “suspeitar”. D) Alteração drástica do sentido básico do enunciado que, com a modificação do verbo, ganha um sentido completamente oposto ao inicial. E) Construção de períodos diferentes, mas com significados exatamente iguais. Na prática Com base nos conhecimentos adquiridos, veja uma situação em que o pronome se faz presente em nosso dia a dia. Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Leitura e Produção Textual. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! DECOLE - Desenvolvendo Competências de Letramento Emergente Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Leitura e Ortografia - Além dos primeiros passos Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!