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Abordagens didático-metodológicas 
nas práticas da oralidade
Apresentação
A criança, quando chega na escola, já passou pelo processo de aquisição da língua e já domina os 
mecanismos da gramática internalizada, pois é capaz de utilizá-la nos diferentes contextos do seu 
cotidiano. Apesar disso, a escola precisa trabalhar a oralidade, pois o aluno aprenderá coisas 
diferentes daquelas que aprende em casa ou na comunidade. A escola não tem a função de ensinar 
a língua oral, mas tem por tarefa o ensino dos seus usos, tanto os orais quanto os escritos. De que 
maneira se pode melhorar o desempenho dos alunos na modalidade oral da língua? Por que 
valorizar as variações linguísticas é tão importante?
Nesta Unidade de Aprendizagem, você verá a importância do trabalho com a oralidade no ensino 
fundamental e médio, o porquê de valorizar a variação linguística e as relações da oralidade com a 
escrita. 
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Relacionar a modalidade oral com a escrita da língua.•
Reconhecer a importância das variações linguísticas e refletir sobre os estigmas linguísticos.•
Analisar as práticas de oralidade para o ensino fundamental e o ensino médio.•
Desafio
As práticas de oralidade têm como função melhorar o desempenho oral do aluno e exigem 
sistemática e preparação para que sejam eficazes e bem-sucedidas. Você é professor de língua 
portuguesa em um escola de ensino fundamental que foi selecionada para participar de uma 
olimpíada entre escolas. Nesse torneio, os alunos deveriam fazer apresentações orais para os 
alunos de outras instituições, que incluíam, entre outras atividades, declamações de poemas e um 
torneio de rap.
Você costuma trabalhar leitura em voz alta com os alunos e acreditava que as atividades em que 
convidava cada aluno para ler um trecho do texto eram suficientes para desenvolver a sua 
oralidade. Porém, durante as atividades do torneio você se deu conta de que seu objetivo não havia 
sido atingido quando os alunos que participaram foram avaliados de forma negativa, ou seja, o 
desempenho foi ineficiente. Diante disso, os alunos voltaram chateados e dispostos a melhorar para 
participar do torneio no ano seguinte.
Você, então, resolveu repensar as suas práticas de oralidade com o objetivo de impulsionar e 
melhorar a oralidade dos seus alunos. Que tipo de metodologia e de atividades você utilizaria para 
trabalhar melhor a oralidade em sala de aula?
Infográfico
Neste infográfico, você vai conhecer as seis principais características da oralidade. Confira!
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Conteúdo do livro
Você já parou para refletir sobre de que forma e com que intensidade as modalidades oral e escrita 
da língua portuguesa se fazem presentes no contexto da sala de aula da Educação Básica no Brasil? 
E, mais, você considera que existe relação entre as duas modalidades e que, de alguma forma, elas 
podem ser entendidas como complementares para o entendimento do funcionamento de uma 
língua e, também, são respectivamente importantes para o aprendizado dessa língua?
Há de se refletir sobre a necessidade de uma maior valorização da língua oral no contexto formal da 
Educação Básica; questão, inclusive, relatada e defendida nos documentos oficiais voltados para a 
educação. Mas, qual a relação entre as duas modalidades e de forma trabalhar com práticas de 
oralidade?
Para buscar o entendimento destas questões que estão sendo postas e para ampliar o seu 
conhecimento sobre abordagens didático-metodológicas nas práticas da oralidade, acesse o 
capítulo a seguir e amplie a sua leitura sobre estas temáticas.
Boa reflexão!
METODOLOGIA DO 
ENSINO DE LIGUAGEM
Nadia Studzinski Estima de Castro
Abordagens 
didático-metodológicas 
nas práticas da oralidade
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Relacionar a modalidade oral com a escrita da língua.
  Reconhecer a importância das variações linguísticas e refletir sobre 
os estigmas linguísticos.
  Analisar as práticas de oralidade para os ensinos fundamental e médio.
Introdução
Neste capítulo, você vai refletir sobre as aproximações entre textos orais 
e escritos a partir do reconhecimento das características de cada uma 
dessas modalidades. Essa reflexão é importante para que a prática em 
sala de aula, tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio, 
esteja centrada na formação de sujeitos leitores que, a partir do domínio 
da língua oral e escrita, ocupem de forma cidadã os seus espaços na 
sociedade. Ou seja, está em jogo a formação de sujeitos capazes de agir 
a partir da leitura dos diferentes textos que lhes são apresentados nos 
contextos sociais, culturais e econômicos.
Ao longo do capítulo, você vai ver como a modalidade oral se rela-
ciona com a modalidade escrita da língua. Você também vai verificar a 
importância das variações linguísticas e refletir sobre os estigmas linguís-
ticos. Além disso, vai conhecer algumas práticas de oralidade voltadas 
para os ensinos fundamental e médio.
1 As modalidades oral e escrita 
da língua
Os seres humanos são seres sociais e, por isso, utilizam recursos e estratégias 
para interagir de forma a sobreviver no meio em que estão inseridos. Um desses 
recursos é a linguagem: por meio dela, é possível organizar o pensamento e 
exteriorizar as ideias formuladas na mente. Nesse contexto, a língua oral e a 
língua escrita são formas de expressão; elas variam de acordo com as exigências 
impostas pelas mais diversas situações.
Por exemplo, em uma prova dissertativa, você é solicitado a expressar a 
organização do seu pensamento por meio da escrita, respondendo a perguntas 
sobre determinado conhecimento. Nesse caso, você lê, interpreta, sintetiza 
as suas ideias e as transcreve para o papel por meio da língua escrita. Agora, 
em sala de aula, por exemplo, é possível realizar apresentações de seminá-
rios e diálogos de aprendizagem. Nessas situações, a língua oral é o recurso 
acionado para compartilhar pensamentos, opiniões, interpretações e crenças 
sobre determinada temática.
As línguas falada e escrita apresentam singularidades; ou seja, têm 
características que as diferenciam. Mesmo fazendo uso do mesmo sistema 
linguístico de determinado idioma, elas devem ser entendidas a partir das 
suas diferentes características, mas sem necessariamente serem encaradas 
como dois grupos completamente distintos e mutuamente exclusivos. 
É importante frisar que o estudo da modalidade oral da língua é im-
prescindível para entender o funcionamento da escrita (MARCUSCHI; 
DIONISIO, 2007).
A modalidade oral da língua não é apenas um instrumento de comunicação. 
Ela é “[...] uma prática social que produz e organiza as formas de vida, as formas 
de ação e as formas de conhecimento” (MARCUSCHI; DIONISIO, 2007, p. 
14). Assim, a língua oral é mais do que um comportamento dos indivíduos; 
ela é atividade conjunta e trabalho coletivo. Além disso, “[...] contribui de 
forma decisiva para a formação de identidades sociais e individuais” (MAR-
CUSCHI; DIONISIO, 2007, p. 14). Isso tudo aponta para a importância de a 
língua oral estar presente na sala de aula. O trabalho com a língua em sala de 
aula é marcadamente mais enfático na modalidade escrita, mas “[...] é como 
língua oral que se dá seu uso mais comum no dia a dia” (MARCUSCHI; 
DIONISIO, 2007, p. 14).
Abordagens didático-metodológicas nas práticas da oralidade2
Para Marcuschi e Dionisio (2007, p. 15), é importante considerar o seguinte:
[...] a criança, o jovem ou o adulto já sabe falar com propriedade e eficiência 
comunicativa sua língua materna quando entra na escola, e sua fala influen-
cia a escrita, sobretudo no período inicial da alfabetização, já que a fala tem 
modos próprios de organizar, desenvolver e manter as atividades discursivas. 
Esse aspecto é importante e permite entender um pouco mais as relações 
sistemáticas entre oralidade e escrita esuas inegáveis influências mútuas.
Como você pode notar, as duas modalidades não são excludentes. É pre-
ciso valorizar as duas formas de expressão, sobretudo para o entendimento 
do funcionamento de ambas. Nesse contexto, tornar-se proficiente na língua 
escrita pressupõe a passagem pela língua oral; logo, não há como contestar 
as influências mútuas.
Então, tenha em mente que “[...] a fala pode ser interpretada como uma 
forma de produção textual-discursiva com fins de comunicação na modali-
dade denominada de oral” (MARCUSCHI; DIONISIO, 2007, p. 25). Logo, a 
fala está situada no plano da oralidade e não necessita de outras ferramentas 
que não as disponíveis para o próprio ser humano para que seja realizada. 
Caracteriza-se, portanto, pelo sistema de sons de determinada língua, que 
são sistematicamente organizados, articulados e se tornam significativos para 
um grupo de indivíduos. Na modalidade da língua oral ainda estão incluídos 
aspectos prosódicos e outros recursos utilizados para expressividade, tais 
como: olhares, gestos, expressões, movimentos corporais, etc.
A modalidade escrita da língua é, conforme Marcuschi (2010, p. 27), 
“[...] um modo de produção textual-discursiva para fins comunicativos com 
certas especificidades materiais e se caracteriza por sua constituição gráfica”. 
De acordo com o autor, a escrita pode se manifestar, “[...] do ponto de vista 
da sua tecnologia, por unidades alfabéticas (escrita alfabética), ideogramas 
(escrita ideográfica) ou unidades iconográficas” (MARCUSCHI, 2010, p. 27). 
Portanto, a escrita é uma modalidade que complementa a fala.
Você sabe o que é a prosódia? Ela engloba a entonação, a acentuação, a qualidade da 
voz, o ritmo, a taxa de elocução e a pausa, entre outros aspectos da fala. Tais elementos 
têm correlatos acústicos, perceptivos e fisiológicos (PENHA, 2015).
3Abordagens didático-metodológicas nas práticas da oralidade
2 Variações linguísticas
Como você viu, existe uma relação íntima entre língua e fala. Ambas se in-
fl uenciam de forma mútua. Tendo isso em vista, é necessário barrar, quando 
possível, a superioridade da língua escrita em relação à língua falada no 
contexto da escola. Não há razão para um prestígio mais evidente da língua 
escrita em detrimento da língua falada. Ambas se complementam e se enri-
quecem em um movimento contínuo. Logo:
[...] ambas têm um papel importante a cumprir e não competem. Cada uma 
tem sua arena preferencial, nem sempre fácil de distinguir, pois são atividades 
discursivas complementares. Em suma, oralidade e escrita não estão em com-
petição. Cada uma tem sua história e seu papel na sociedade (MARCUSCHI; 
DIONISIO, 2007, p. 27).
Nesse panorama, outra questão surge: a necessidade de entender a variação 
linguística. Existem diferentes formas de expressão na modalidade oral, e 
“[...] não é aconselhável louvar a oralidade diante da escrita nem aconselhar 
um ou outro tipo de oralidade como o melhor” (MARCUSCHI; DIONISIO, 
2007, p. 27). É imprescindível que a variedade linguística seja discutida na 
sala de aula para que os estudantes entendam que não há superioridade de 
uma forma em detrimento de outra. O que existe são usos diferenciados para 
cada modalidade, mas sem valoração.
O contexto exige do falante a capacidade de entender as exigências impostas, 
por exemplo. Mas isso não significa que uma forma seja certa ou errada, e sim 
que é mais adequada para a necessidade de dado contexto. Por exemplo, em um 
encontro informal de um grupo de indivíduos, em um local descontraído, há 
uma maior marca de informalidade nas trocas que fazem uso da modalidade 
da língua falada. Agora considere, por exemplo, a apresentação de um artigo 
em um congresso internacional de educação; a formalidade na apresentação 
vai ser exigida pelo contexto avaliativo.
No entanto, existe muito preconceito linguístico no Brasil. Mesmo que 
todos “[...] os falares estejam em ordem”, sejam compreensíveis e façam uso 
do mesmo código da língua; “[...] nem todos eles têm a mesma reputação 
social” (MARCUSCHI; DIONISIO, 2007, p. 27). Trabalhar com a variação 
linguística possibilita a redução do preconceito linguístico, que, de acordo 
com Bagno (2003), reflete preconceito social, pois representa uma forma de 
discriminação das diferenças.
Abordagens didático-metodológicas nas práticas da oralidade4
A variação linguística é um movimento natural e comum a todas as línguas. 
Por exemplo, considere um falante de português brasileiro que habita o extremo 
sul do País e outro indivíduo que habita o extremo norte: a língua portuguesa 
é comum aos dois, mas há variação no uso dela, com recursos expressivos, 
palavras diferenciadas, estruturas diversas, recursos prosódicos característicos 
de cada região, etc. Isso significa que uma das versões é “mais correta” do que 
a outra? Não, absolutamente. O que existe é variação; considerar uma variante 
“mais correta” do que a outra consiste em preconceito linguístico e social.
A variação acontece em todas as línguas: inglês na Inglaterra e inglês nos 
Estados Unidos, francês na França e francês no Canadá, etc. Assim, valorizar 
as diferentes formas de expressão da língua representa enriquecimento para o 
ensino, amplitude da criatividade no uso do idioma em sua modalidade oral, 
além, evidentemente, de respeito pelas diferenças.
Quer saber mais sobre preconceito linguístico? Assista ao vídeo disponível no link 
a seguir, em que o professor Marcos Bagno explica esse conceito.
https://qrgo.page.link/hwh78
A variação presente na modalidade oral da língua é mais intensa do que 
a presente na escrita, pois nesta última há mais normas explícitas e padrões 
ditados por gramáticas e manuais. A língua escrita apresenta normas orto-
gráficas rígidas, além de algumas regras de textualização que a diferenciam 
da fala. Contudo, isso não quer dizer que não há variação na língua escrita.
Nesse contexto, considere o que afirma Marcuschi e Dionisio (2007, p. 16):
[...] a variação tem um limite que não pode ser ignorado. Mesmo quando tomada 
como um conjunto de práticas discursivas, a língua constitui-se de um sistema 
de regras que lhe subjaz e deve ser obedecido. Do contrário, as pessoas não 
se entenderiam. Se cada um pudesse fazer o que quisesse e construísse os 
textos a seu bel-prazer, isso não daria certo porque não propiciaria a interação 
entre os interlocutores. Existem, portanto, regras a serem observadas tanto na 
fala como na escrita, mas essas regras são bastante elásticas e não impedem 
a criatividade e a liberdade na ação linguística das pessoas.
5Abordagens didático-metodológicas nas práticas da oralidade
Mesmo na variação, é preciso atentar à produção significativa na língua, 
seja ela escrita ou falada, para que o objetivo da comunicação seja alcançado 
em todos os contextos e na interação entre as pessoas. Por isso, o domínio 
do maior número possível de variações é importante para os sujeitos. Dessa 
forma, se estabelece o domínio das possibilidades de uso das variações de 
acordo com as exigências de cada contexto. Ou seja, a pessoa amplia a sua 
atuação cidadã a partir da interpretação das diferentes situações comunicati-
vas e, consequentemente, da sua capacidade e da sua habilidade de produzir 
comunicação efetiva.
3 Práticas de oralidade para os ensinos 
fundamental e médio
Agora, você deve estar se perguntando: de que forma trabalhar a oralidade 
no ensino fundamental e no ensino médio? De acordo com Marcuschi (2010, 
p. 16), “[...] uma vez adotada a posição de que lidamos com práticas de letra-
mento e oralidade, será fundamental considerar que as línguas se fundam em 
usos e não o contrário”. Isso quer dizer que não serão “[...] primeiramente 
as regras da língua nem a morfologia os merecedores de nossa atenção, mas 
os usos da língua, pois o que determina a variação da linguística em todas 
as suas manifestações são os usos que fazemos da língua” (MARCUSCHI, 
2010, p. 16).
Nessa perspectiva, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) voltadospara o ensino fundamental propõem a seguinte reflexão (BRASIL, 1997, 
documento on-line):
Apesar de apresentadas como dois sub-blocos, é necessário que se compreenda 
que leitura e escrita são práticas complementares, fortemente relacionadas, 
que se modificam mutuamente no processo de letramento — a escrita trans-
forma a fala (a constituição da “fala letrada”) e a fala influencia a escrita (o 
aparecimento de “traços da oralidade” nos textos escritos). São práticas que 
permitem ao aluno construir seu conhecimento sobre os diferentes gêneros, 
sobre os procedimentos mais adequados para lê-los e escrevê-los e sobre as 
circunstâncias de uso da escrita.
No contexto do ensino fundamental, é possível propor que os alunos pro-
duzam e gravem textos orais para que, posteriormente, sejam desenvolvidas 
atividades de reconhecimento de tópicos relacionados com entonação, pontu-
ação na fala, velocidade da fala, recursos expressivos, etc. Da mesma forma, 
Abordagens didático-metodológicas nas práticas da oralidade6
o professor pode aproveitar o trabalho com as produções orais para refletir 
sobre a transposição do texto oral para o texto escrito, tratando, por exemplo, 
da produção de parágrafos em cada uma das modalidades.
Fávero et al. (2000) sugerem outra estratégia de trabalho: a identificação das 
marcas de oralidade em gêneros textuais diversos, como no texto jornalístico 
e na poesia. Outra atividade dinâmica em sala de aula compreende a leitura 
de um mesmo texto por pessoas diferentes. A atividade pode ser estruturada 
da seguinte forma: o professor seleciona um texto e divide a turma em dois 
grupos; cada grupo estuda o texto e debate a forma de apresentá-lo oralmente; 
em seguida, os grupos apresentam os textos; por fim, o professor conduz um 
diálogo sobre as diferenças e semelhanças na leitura oral do mesmo texto.
Tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio, é possível trabalhar com 
diferentes atividades para a construção do conhecimento sobre variação linguística, 
modalidade escrita e modalidade oral da língua. Um cuidado importante é variar 
a seleção de textos de acordo com a faixa etária de cada etapa de formação.
Considerando o contexto do ensino médio e a temática da oralidade, os 
PCN apresentam a seguinte reflexão (BRASIL, 2000, documento on-line):
Nas práticas sociais, o homem cria a linguagem verbal, a fala. Na e com a 
linguagem, o homem produz e transforma espaços produtivos. A linguagem 
verbal é um sementeiro infinito de possibilidades de seleção e confrontos 
entre agentes sociais coletivos. A linguagem verbal é um dos meios que o 
homem possui para representar, organizar e transmitir de forma específica 
o pensamento.
O ato da fala pressupõe uma competência social de utilizar a língua de acordo 
com as expectativas em jogo. No ato interlocutivo, o contexto verbal relaciona-
-se com o extraverbal e vice-versa.
O trabalho no contexto do ensino médio, no sentido de uma prática que 
possibilite a continuidade do que se realizou no ensino fundamental, deve 
estar centrado nos diferentes textos e no trabalho oral com eles. Por exemplo, 
o professor de língua portuguesa pode selecionar um livro (em conjunto com o 
professor de literatura) para trabalhar escrita e oralidade. Uma excelente obra 
literária para trabalhar com variação linguística, estrangeirismos, neologismos, 
sinônimos, oralidade e escrita é Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães 
Rosa. O desafio da leitura na íntegra do original pode ser solicitado à turma, 
para que depois o professor organize um clube do livro, por exemplo, em que 
os alunos se reúnem para dialogar sobre as temáticas apontadas. Além disso, 
o professor pode aproveitar essas trocas para refletir, em conjunto com os 
alunos, sobre preconceito linguístico e preconceito social.
7Abordagens didático-metodológicas nas práticas da oralidade
Em relação às normativas vigentes, também é importante destacar a Base 
Nacional Comum Curricular (BNCC). Nesse documento, consta o conjunto 
orgânico e progressivo de aprendizagens consideradas essenciais para serem 
desenvolvidas ao longo das etapas da educação básica. Na BNCC, a oralidade é 
tratada de forma enfática. A primeira referência ao termo “oralidade” apresenta 
as seguintes orientações (BRASIL, 2017, documento on-line):
Ampliam-se também as experiências para o desenvolvimento da oralida-
de e dos processos de percepção, compreensão e representação, elementos 
importantes para a apropriação do sistema de escrita alfabética e de outros 
sistemas de representação, como os signos matemáticos, os registros artísticos, 
midiáticos e científicos e as formas de representação do tempo e do espaço. 
Os alunos se deparam com uma variedade de situações que envolvem conceitos 
e fazeres científicos, desenvolvendo observações, análises, argumentações e 
potencializando descobertas.
O texto do documento defende que as experiências das crianças devem 
ser valorizadas de acordo com contextos familiares, sociais e culturais. Isso 
pode ser feito a partir do trabalho com as memórias dos sujeitos, da noção de 
pertencimento a um grupo e da interação com as mais diversas tecnologias 
de informação e comunicação, que estimulam a curiosidade e a formulação 
de perguntas (BRASIL, 2017). Dessa forma, a modalidade da língua oral, em 
parceria com a língua escrita, deve ter como objetivo:
O estímulo ao pensamento criativo, lógico e crítico, por meio da cons-
trução e do fortalecimento da capacidade de fazer perguntas e de avaliar 
respostas, de argumentar, de interagir com diversas produções culturais, 
de fazer uso de tecnologias de informação e comunicação (BRASIL, 2017, 
documento on-line).
Por meio dessa abordagem, os alunos ampliam “[...] a compreensão de si 
mesmos, do mundo natural e social, das relações dos seres humanos entre si e 
com a natureza” (BRASIL, 2017, p. 58). De acordo com a BNCC, o componente 
de língua portuguesa deve:
[...] proporcionar aos estudantes experiências que contribuam para a ampliação 
dos letramentos, de forma a possibilitar a participação significativa e crítica 
nas diversas práticas sociais permeadas/constituídas pela oralidade, pela escrita 
e por outras linguagens (BRASIL, 2017, documento on-line). 
Abordagens didático-metodológicas nas práticas da oralidade8
Portanto, para a BNCC (BRASIL, 2017), as escolas devem trabalhar com 
eixos de integração, os quais são correspondentes às práticas de linguagem. 
São eles:
  oralidade;
  leitura/escuta;
  produção (escrita e multissemiótica);
  análise linguística/semiótica (envolve conhecimentos linguísticos — 
sobre o sistema de escrita, o sistema da língua e a norma-padrão —, 
textuais, discursivos e sobre os modos de organização e os elementos 
de outras semioses).
Dessa forma, o documento está alinhado com as propostas de valorização 
das experiências e de integração entre língua oral e escrita, o que funciona 
como estratégia para o desenvolvimento do trabalho com a língua portu-
guesa. Nesse contexto, o documento indica que o trabalho com a língua 
oral compreende:
As práticas de linguagem que ocorrem em situação oral com ou sem contato 
face a face, como aula dialogada, webconferência, mensagem gravada, spot 
de campanha, jingle, seminário, debate, programa de rádio, entrevista, decla-
mação de poemas (com ou sem efeitos sonoros), peça teatral, apresentação de 
cantigas e canções, playlist comentada de músicas, vlog de game, contação de 
histórias, diferentes tipos de podcasts e vídeos, dentre outras. Envolve também 
a oralização de textos em situações socialmente significativas e interações e 
discussões envolvendo temáticas e outras dimensões linguísticas do trabalho 
nos diferentes campos de atuação (BRASIL, 2017, documento on-line).
Assim, é importante considerar as condições de produção dos textos orais, 
a compreensão de textos nessa modalidade e os efeitos de sentido provocados 
pelos usos dos recursos linguísticos.
Por fim, considere que essas são apenas algumas sugestões para que você reflitasobre o trabalho com a oralidade em sala de aula. É importante que você, como 
futuro professor, aproprie-se desses conceitos e construa uma prática voltada para 
o incentivo à leitura e para a formação de leitores proficientes. Atividades como 
as listadas não exigem recursos tecnológicos, pois eles não estão disponíveis em 
todos os espaços, mas possibilitam a participação ativa dos alunos e a construção 
individual e coletiva de conhecimento por meio de textos escritos e orais.
9Abordagens didático-metodológicas nas práticas da oralidade
Quer ampliar os seus conhecimentos sobre fala e escrita? Acesse o link a seguir e assista 
a um vídeo em que o professor Luiz Antônio Marcuschi trata desse tema.
https://qrgo.page.link/GxUjG
BAGNO, M. A norma culta: língua & poder na sociedade brasileira. São Paulo: Parábola, 
2003.
BRASIL. Ministério da Educação. Base nacional comum curricular. Brasília: MEC, 2017. 
Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_
versaofinal_site.pdf. Acesso em: 06 fev. 2020.
BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio. Brasília: SEF, 2000. Disponível 
em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/14_24.pdf. Acesso em: 06 fev. 2020.
BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa. Brasília: SEF, 1997. Disponível 
em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro02.pdf. Acesso em: 06 fev. 2020.
FÁVERO, L. L. et al. Oralidade e escrita: perspectivas para o ensino de língua materna. 
São Paulo: Cortez, 2000.
MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cor-
tez, 2010.
MARCUSCHI, L. A.; DIONISIO, A. P. (org.). Fala e escrita. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
PENHA, L. A importância da prosódia na avaliação de qualidade e na compreensão e 
compreensibilidade da fala interpretada simultaneamente. 2015. 150 f. Dissertação (Mes-
trado) – PUCSP, São Paulo, 2015. Disponível em: https://sapientia.pucsp.br/bitstream/
handle/13755/1/Layla%20Penha.pdf. Acesso em: 06 fev. 2020.
Leituras recomendadas
FALA e escrita - parte 01. [S. l.: s. n.], 2011. 1 vídeo (10 min). Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=XOzoVHyiDew. Acesso em: 06 fev. 2020.
MARCOS Bagno - PNAIC UFSCAR Entrevistas. [S. l.: s. n.], 2016. 1 vídeo (28 min). Disponível 
em: https://www.youtube.com/watch?v=UbdSNWv9XDQ. Acesso em: 06 fev. 2020.
Abordagens didático-metodológicas nas práticas da oralidade10
Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
11Abordagens didático-metodológicas nas práticas da oralidade
 
Dica do professor
O vídeo apresenta sugestões de como trabalhar a oralidade em sala de aula. Confira!
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/f9ac9bb58d8a319f93d3368973e3995a
Exercícios
1) Assinale a alternativa CORRETA sobre a relação entre a oralidade e a escrita:
A) A língua é composta pelas modalidades oral e escrita, e cada uma delas apresenta 
características próprias e particularidades, que não, necessariamente, são as mesmas.
B) As características da oralidade podem ser transportadas para a escrita.
C) O nível de monitorização é o mesmo nas duas modalidades, que obedecem às regras da 
norma culta.
D) A fala e a escrita têm as mesmas funções, papéis e relevância dentro da sociedade.
E) A fala tem por objetivo a comunicação, e a escrita está ligada à função social do sujeito.
2) Sobre a valorização das variedades linguísticas no trabalho em sala de aula, podemos afirmar 
que:
A) Os usos e as funções da língua são comandados pelas regras da norma culta, que devem ser 
obedecidas em todos os contextos de fala.
B) A língua é uma manifestação essencialmente social e se constitui em uma ferramenta de 
identificação dos indivíduos.
C) É papel da escola dar primazia à língua escrita culta, pois as manifestações falada popular são 
consideradas secundárias.
D) O preconceito linguístico acontece com as pessoas que não se atentam às regras da norma 
culta ao falar.
E) A escola tem a função de ensinar as variações mais prestigiadas da língua e de coibir o uso 
das variações menores.
Observe as afirmativas: 
I - Os diferentes sotaques, as diferenças de vocabulário, a entonação de voz e outras 
características podem ser exploradas por meio do uso de músicas de artistas de várias 
regiões e do rádio em sala de aula. 
II - Atividades de leitura em voz alta são indicadas para o desenvolvimento da oralidade. 
3) 
III - Transposições para a escrita de textos orais produzidos pelos alunos podem ser usadas 
para que os mesmos percebam que as características da oralidade vão desaparecendo à 
medida que se torna mais monitorada na escrita. Assinale a alternativa CORRETA:
A) Todas as afirmativas estão corretas.
B) Estão corretas I e II.
C) Estão corretas I e III.
D) Todas as afirmativas estão incorretas.
E) Estão corretas II e III.
4) Sobre as atividades de sala de aula indicadas para o desenvolvimento da oralidade, assinale a 
alternativa CORRETA:
A) A leitura em voz alta constitui uma atividade de oralidade, assim como as discussões em 
grupo e as correções de exercícios em voz alta.
B) O ensino da oralidade deve ser centrado nos conteúdos conceituais da gramática normativa.
C) É por meio das atividades de transcrição que o aluno poderá verificar que tanto a oralidade 
quanto a escrita obedecem às mesmas regras.
D) As atividades de escuta têm vários objetivos, como a compreensão do texto oral, sua análise, 
envolvendo questões linguísticas, prosódicas, gestuais e extratextuais, a compreensão das 
formas de comportamento nas interações orais, a obtenção de modelos de gêneros orais para 
futuras produções, a tomada de notas, a retextualização e a análise da relação oral-escrito a 
partir de transcrição.
E) O ensino da oralidade na escola vem ficando em segundo plano, pois os alunos a aprendem 
na família e na comunidade e, quando chegam na escola, não encontram muitas novidades.
5) Observe a afirmação: "As práticas de ensino de língua portuguesa, durante muito tempo, 
foram direcionadas pela ______________, o que resultava em um ensino onde predominava a 
_____________ como um fim em si mesma e que não levava em conta os conhecimentos do 
aluno em relação à ______________." Assinale a alternativa que completa corretamente as 
lacunas:
A) Ortografia - metalínguística - Gramática Implícita.
B) Gramática Normativa - metalinguística - ortografia.
C) Gramática Implícita - ortografia - metalinguística.
D) Gramática Implícita - metalinguística - Gramática Normativa.
E) Gramática Normativa - metalinguística - Gramática Implícita.
Na prática
Você é professor de língua portuguesa em uma escola de ensino médio. A escola resolveu 
promover um evento musical em que os alunos teriam a oportunidade de mostrar os seus talentos, 
cantando ou tocando algum instrumento, em que toda a comunidade seria convidada. 
 
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Oralidade e letramento: diálogos na escola.
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Fala e Escrita - Parte 03.
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https://www.youtube.com/embed/c_8pQ0534tY?ecver=1
https://www.youtube.com/embed/UqSfGyR1ERA?ecver=1

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