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JÚNIA MARA DE CAMPOS BENTO 
OSVALDO LUÍZ LACERDA DE QUEIRÓZ 
 
 
PÓS-GRADUAÇÃO – PSICOPEDAGOGIA E EDUCAÇÃO ESPECIAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA 
AUTISTA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAMPO VERDE - MT 
2017 
 
 
JÚNIA MARA DE CAMPOS BENTO 
OSVALDO LUÍZ LACERDA DE QUEIRÓZ 
 
 
PÓS-GRADUAÇÃO – PSICOPEDAGOGIA E EDUCAÇÃO ESPECIAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA 
AUTISTA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho apresentado ao Curso de Pós-Graduação em 
Psicopedagogia e Educação Especial do Centro 
Integrado de Educação Campo Verde, como requisito 
para obtenção do grau de Especialização. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAMPO VERDE - MT 
2017 
 
 
A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA 
AUTISTA 
 
 
1
Júnia Mara de Campos Bento 
2
Osvaldo Luíz Lacerda de Queiróz 
 
 
RESUMO 
 
 O presente artigo tenta descrever as diferentes fases pelas quais os pais passam antes da 
chegada de uma criança com autismo, uma definição de autismo, as principais características 
e os sinais de alerta que podem indicar que algo está errado no processo de desenvolvimento 
de seus filhos e mostrando a importância do psicopedagogo no trabalho com a família e a 
criança. Mas tomando como ponto de partida o fato de que os pais podem ser co-terapeutas 
através de um processo de formação em que os mesmos podem escolher o tipo de trabalho de 
modo que a intervenção é facilitada. Para isto utilizou-se na metodologia a revisão 
bibliográfica, com abordagem qualitativa, exploratória e descrita que foi eficaz para 
demonstrar de maneira empírica dentro das literaturas científicas a importância da família 
para o desenvolvimento das crianças com autismo. Os resultados obtidos indicaram a 
importância do trabalho do educador especializado em atendimento educacional, visto que 
este profissional possui formação para lidar com crianças com autismo. 
 
 
Palavras chave: Autismo; Crianças com Necessidades Especiais; Desenvolvimento e 
Educação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1Especialização em Psicopedagogia e Educação Especial. 
E-mail: Junia_mara@hotmail.com 
 
2Especialização em Psicopedagogia e Educação Especial. 
E-mail: lacerda_queiroz@hotmail.com 
 
mailto:Junia_mara@hotmail.com
mailto:lacerda_queiroz@hotmail.com
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
 
 
O autismo é diagnosticamente definido como Transtorno do Espectro Autista – TEA, que 
caracteriza distúrbios relacionados à dificuldade em comunicar-se socialmente e na 
apresentação de comportamentos repetitivos. Assim todas as pessoas que possuem esse 
diagnóstico apresentarão essas dificuldades, onde o que as diferenciarão será o grau em que 
elas se mostram em cada individualmente. 
O autismo apresenta-se coligado como uma deficiência de cunho intelectual, certa 
dificuldade na coordenação motora e também dificuldade de atenção. Cada grau de autismo 
pode apresentar dificuldades maiores ou menores relativamente. Alguns terão uma grande 
dificuldade na escola, por exemplo, outros a dificuldade pode ser bem menor. Alguns 
conseguirão ter uma vida relativamente dentro dos ‘’padrões’’ outros não conseguirão nem 
tomar banho sozinho. 
 A ciência considera o autismo um estado permanente, visto que a criança já nasce 
nessa condição e permanecerá nela ao longo de sua vida. Por isso é tão importante a família 
entender sobre o autismo, afim de ajudar no processo de desenvolvimento desta criança. 
É com a afetividade advinda inicialmente e principalmente da família que a criança poderá 
ter um desenvolvimento eficaz. A família precisará mostrar que está comprometida, com o 
bem estar da criança, justando-se as necessidades dentro das rotinas do lar, respeitando os 
limites que a situação exige. 
A família precisa enfrentar a situação e participar ativamente de cada fase de 
desenvolvimento da criança. É preciso aprender primeiro dentro de casa como lidar com as 
limitações que o autista apresenta, tudo isso sem deixar de lado o importante, do tratamento 
clínico que deve existir, porém fazendo com que o lar seja uma extensão desse tratamento, já 
que este é o ambiente mais importante na vida de qualquer pessoa. 
Toda essa situação, tende a ser desgastante para família e paciente, porém é muito 
importante que se saiba lidar com essa situação, já que nenhuma família está completamente 
preparada para compreender o autismo. O que a família espera é que a criança passe a se 
desenvolver de maneira ‘’padrão’’ para sua idade, por isso pode ser difícil compreender essa 
nova realidade que passa a existir. 
 
 
 
 
 
2. EDUCAÇÃO ESPECIAL 
 
 
 
 A Educação Especial ocupa-se do atendimento e da educação de pessoas com 
deficiência e transtornos globais de desenvolvimento em instituições especializadas. É 
organizada para atender específica e exclusivamente alunos com determinadas necessidades 
especiais. Onde profissionais especializados como educador físico, professor, psicólogo, 
fisioterapeuta, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional trabalham e atuam para garantir tal 
atendimento (NORONHA e PINTO, 2014, p. 3). 
 
Mazzotta afirma (1996) Educação Especial é definida como a modalidade de 
ensino que se caracteriza por um conjunto de recursos e serviços 
educacionais especiais organizados para apoiar, suplementar e, em alguns 
casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a 
educação formal dos educandos que apresentem necessidades educacionais 
muito diferentes das da maioria das crianças e jovens (MAZZOTTA, 1996, 
p.11). 
 
 
 A Educação Especial recebeu maior destaque na LDB nº 9.394/96 do que nas leis 
anteriores. Não podia ser diferente, não só em razão dos impactos das ideias que surgiram 
pelo mundo, como na Conferência de Salamanca, Espanha, em 1994, mas também em razão 
de movimentos que despontavam no Brasil, em decorrência das expressões da democracia e 
dos direitos do cidadão (BRASIL, 2016, p. 27 e 28). 
A LDB nº 5692/71 referia-se ao tratamento especial aos alunos de forma paralela para 
em atraso com deficiência física e mental. A Constituição Federal 1988 fundada a Educação 
Direito de Todos no artigo 205 para o desenvolvimento de pessoas e exercício de cidadania e 
qualificação do Trabalho. Com artigo 206 igualdade e permanência na escola e o artigo 208 é 
dever do estado o acesso do atendimento educacional especializado. O artigo 8º da Lei 
7.853/89 especifica que recusar a inscrição de um aluno em qualquer escola, seja pública ou 
privada, por motivos relacionados a qualquer deficiência, é crime. (BRASIL, 2016, p. 28 e 
29) 
 
 
 
 
 
 
 
3. DEFINIÇÃO DE AUTISMO 
 
 
 
O termo autismo foi introduzido pela primeira vez em 1912 pelo psiquiatra suíço 
Eugen Bleuler (1857-1939) ao descrever o comportamento atípico de pacientes 
esquizofrênicos. A etimologia do termo "autismo" deriva da língua grega que significa por si 
só, e 'ism', um sufixo que denotou ação ou estado. Bleuler observou manifestações clínicas de 
autismo em seus pacientes esquizofrênicos quando se referiam à distância do tempo presente 
que mantiveram. Na verdade, muitos dos pacientes esquizofrênicos observados por Bleuler 
viviam de uma forma retirada e socialmente inacessível, Bleuler tentou integrar o conceito de 
comportamento autista nos critérios diagnosticados da esquizofrenia, mas seu objetivo nunca 
se materializou uma vez que o distúrbio acima está presente apenas em um subgrupo desses 
indivíduos e, portanto, não é considerado um elemento central do autismo (PERISSINOTO, 
2003, p.58). 
Muitas das crianças descritas por Kanner foram diagnosticadas como 
"mentalmente fracas", mas Kanner enfatizou a falta de comprometimento 
cognitivo mas um excelente uso do vocabulário,
uma memória 
extraordinária para eventos passados e uma memória precisa para sequências 
complexas. Kanner concluiu que as crianças estavam sofrendo com o que ele 
descreveu como "autismo da primeira infância", e que, embora seu 
comportamento fosse análogo ao encontrado na esquizofrenia, essas doenças 
apresentavam uma sintomatologia inerentemente diferente (PERISSINOTO, 
2003, p.60). 
 
O pai da psiquiatria infantil, Leo Kanner (1894-1981) também pode ser considerado 
o pai do autismo. Após a sua emigração da Áustria para os Estados Unidos em 1924, Kanner 
fundou a Clínica Psiquiátrica da Universidade Johns Hopkins. Em 1938, Kanner iniciou o 
estudo de um grupo de crianças que foram diagnosticadas com esquizofrenia infantil e/ou 
problemas emocionais. Cinco anos depois, Kanner publicou um artigo sobre distúrbios de 
contato afetivo autista em que ele descreveu 11 crianças (8 meninos e 3 meninas, todas 
crianças menores de 11 anos) que sofrem de uma síndrome que pareceu afligir seletivamente 
crianças de pais altamente inteligentes. Kanner descreveu as crianças como mais felizes 
quando estavam sozinhas, vivendo isoladas como em uma casca, mantendo o desejo ansioso e 
obsessivo pela monotonia e com um idioma atormentado por rituais verbais (PERISSINOTO, 
2003, p.62). 
 
 
Ao mesmo tempo que Kanner relatou suas observações, Hans Asperger (1906-1980), 
um pediatra vienense, observou um padrão de comportamento semelhante em quatro crianças 
referidas ao Hospital Universitário de Crianças de Viena. Em 1944, Asperger publicou sua 
tese de doutorado, intitulada: "Psicopatia autista na infância". No mesmo, identificou 
deficiências de comportamento e habilidades que mantiveram uma semelhança com as 
características que Kanner descreveu anteriormente. Embora ele tenha descrito a psicopatia 
autística acima mencionada apenas um ano após o artigo de Kanner ter sido publicado, a 
contribuição de Asperger permaneceu amplamente desconhecida fora da literatura alemã até 
que ela foi traduzida para o inglês em 1981. Uma vez traduzido, ficou claro que os registros 
clínicos de Asperger repetiram os achados relatados por Kanner. Em sua tese, Asperger 
descreveu seus pacientes como isolados, mantendo interesses particulares, sofrendo graves 
dificuldades na integração social, torpeza motora, pobreza emocional, movimentos 
estereotipados, visão estranha, escassez de expressão facial e uso de uma linguagem elaborada 
e idiossincrática (SCHWARTZMAN, 2003, p.103). 
Tanto Kanner como Asperger são considerados pioneiros na pesquisa do autismo, 
pois foram os primeiros a definir a doença como uma entidade clínica distinta e reconhecível 
no campo da psiquiatria infantil. Sem dúvida, é interessante que dois médicos austríacos em 
diferentes continentes, independentemente e ao mesmo tempo, descobriram a mesma doença e 
tenham o mesmo rótulo descritivo. De fato, ambos os autores descrevem seus pacientes com 
sintomas semelhantes: isolamento social com problemas frequentes de comportamento 
agressivo e destrutivo, déficit de linguagem (por exemplo, reversão de pronomes) e tendência 
a inventar palavras. Kanner e Asperger apontaram que os aspectos não-verbais da 
comunicação também foram afetados, incluindo contato visual, falta de gestos expressivos e 
entonação vocal durante a fala. Além disso, cada um deles reconheceu várias outras 
características, como deficiência de imaginação, padrões repetitivos de atividades, 
movimentos corporais estereotipados, fixação em certos objetos, respostas estranhas aos 
estímulos sensoriais, hipersensibilidade ao ruído e habilidades especiais principalmente em 
termos de memorização. Ambos os autores apontam que esses comportamentos autistas eram 
mais comuns nos meninos do que nas meninas. Embora observações relacionadas a padrões 
de comportamento fossem muito similares, e suas interpretações das causas subjacentes eram 
marcadamente diferentes. Kanner estava preocupado com os atributos que ele pensava serem 
compartilhados pelos pais de crianças autistas, ou seja, a falta de um calor materno genuíno 
que levava à concepção de "mães geladeira", uma teoria que dominava a etiologia do autismo 
na década de 1950. No entanto, Asperger considerou o autismo como uma desordem 
 
 
hereditária da personalidade, sublinhando assim uma base genética para a condição 
(SCHWARTZMAN, 2003, p.104). 
As comparações do que era então conhecido como Autismo da Primeira Infância de 
Kanner e Síndrome de Asperger produziram diferenças significativas entre as duas condições. 
O autismo, de acordo com Kanner, era evidente em crianças de seis meses de idade, enquanto 
Asperger argumentava que sua síndrome raramente era diagnosticada antes do terceiro ano de 
vida. Mais recentemente, o consenso médico sustenta que as deficiências na comunicação não 
verbal e na interação social são distintas para ambas as condições e que a aquisição de 
competências linguísticas define diferenças significativas entre elas. O autismo de Kanner foi 
associado ao aparecimento de uma fala tardia ou ao mudismo seletivo, enquanto as crianças 
com Síndrome de Asperger podiam aprender um uso adequado da gramática e do vocabulário, 
embora o conteúdo fosse frequentemente pobre e inapropriado em contexto de 
desenvolvimento social. Segundo Asperger, seus pacientes muitas vezes aprenderam a falar 
em vez de caminhar, e a caminhada ocorreu mais tarde do que o normal. Em contraste, as 
observações de Kanner indicaram que a caminhada se desenvolveu normalmente ou mesmo 
antes da média, enquanto a fala se desenvolveu mais tarde ou nunca. Esses traços distintivos 
entre o autismo infantil de Kanner e a Síndrome de Asperger levaram pesquisadores 
diferentes a se perguntarem se as duas condições eram mais do que as variedades da mesma 
anormalidade subjacente (patologia) ou se eram realmente duas entidades separadas 
(SCHWARTZMAN, 2003, p.105). 
 
3.1 Sintomas de crianças com autismo 
 
Atualmente uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos médicos é o atraso no 
diagnóstico, embora haja crescente conscientização entre os médicos e a sociedade em geral. 
Existem certos fatores que dificultam o diagnóstico precoce, como a variabilidade individual 
de cada criança, a variabilidade ao longo do desenvolvimento, o medo dos médicos (eles são 
crianças de aparência normal e até mesmo algumas crianças têm habilidades hipertróficas) e a 
ausência de critérios de diagnósticos acordados para crianças muito pequenas (menores de 
três anos). Além disso, muitos profissionais pediátricos não possuem treinamento 
especializado nessas características e precisam de mais familiarização com ferramentas de 
diagnóstico (SCHIMIDT; BOSA, 2007, p.12). 
Primeiros meses de vida: 
 
 
As crianças nascem com algumas habilidades. Eles gostam de olhar rostos, 
imitar, ter certa sincronia motora e um grito que é informativo do que 
acontece com eles. As crianças pequenas são ditas "comunicativas em vez de 
intencionais" e de natureza social. As crianças antes de nove meses já podem 
seguir a aparência de sua mãe (SCHIMIDT; BOSA, 2007.p. 23). 
 
 
Nessas primeiras idades já existem alguns sinais iniciais de autismo. O mais antigo é 
o contato com os olhos pobres, é um contato visual reduzido, o sorriso é escasso, eles não 
respondem ao nome deles, não há acompanhamento visual muitas vezes são "muito calmos", 
crianças "não exigentes". 
 
Posteriormente, sinais como a não imitação ou a simbolização (alimentação 
dos pais, bonecas, colocando-os para dormir.), ausência de cuidados 
compartilhados, a ausência de interação com os outros (compartilhando com 
outras crianças) ou dedicando poucas aparências às pessoas (SCHIMIDT; 
BOSA, 2007, p. 23). 
 
 
Estes são déficits iniciais que persistem ao longo do tempo, provavelmente porque 
eles têm que ver com o aprendizado social que é alterado. 
Entre 18 e 36 meses de idade 
Segundo Schimidt e Bosa (2007), entre os 18
e os 36 meses de idade, podem ser 
percebidos sinais como: 
- Surdez aparente, nenhuma resposta a chamadas ou direções. Ele parece ouvir 
algumas coisas e outras não. 
- Ele não percebe os membros da família ao redor da casa ou levanta os braços 
quando está no berço para ser pego. ”Parece nos ignorar”. 
- Quando é tirado do berço não sorri nem está feliz em ver o adulto. 
- Não apontar seu dedo para compartilhar experiências ou perguntar. 
- Ele tem dificuldade com o contato com os olhos, ele quase nunca faz, e quando ele 
olha, há momentos em que ele parece "olhar através", como se não houvesse nada na frente 
dele. 
- Ele não olha as pessoas ou o que estão fazendo. 
- Quando ele cai, ele não chora nem busca conforto. 
- É excessivamente independente. 
 
 
- Ele reage de forma desproporcional a alguns estímulos (é muito sensível a alguns 
sons ou texturas). 
- Não reage quando chamado pelo nome. 
- Ele prefere jogar sozinho. 
- Ele não diz adeus. 
- Ele não sabe jogar com brinquedos. 
A partir de 36 meses 
- Ele tende a ignorar as crianças de sua idade, não brinca com elas, nem busca 
interação. 
- Ele apresenta um jogo repetitivo e usa objetos e jogos de forma inadequada; como 
objetos constantemente girando, tocando com pedaços de papel na frente dos olhos, alinhando 
objetos. 
Você pode ter movimentos estereotipados ou repetitivos, como movimentos de mão, 
pulando, balançando, ponta no pé. 
- Ausência de linguagem, isso é repetitivo, e sem significado aparente, com tom de 
voz inadequado. Ele não diz coisas que ele disse antes. 
- Não há imitação. 
- Evita olhar e tocar. 
- Ele parece confortável quando está sozinho e tem dificuldade em aceitar mudanças 
em sua rotina. 
- Tem acessos incomuns a certos objetos. 
- Está no seu mundo. 
Segundo os mesmos autores a desordem autista é descrito como uma forma de 
desordens do desenvolvimento profundo caracterizada por: 
a. - O prejuízo qualitativo da interação social recíproca. 
b. - O prejuízo qualitativo na atividade de comunicação verbal e não verbal 
imaginária. 
c. - A restrição marcado no repertório de atividades e interesses. 
 
3.2 Processo educativo para a criança e sua família 
 
 
 
Os pais de uma criança com autismo têm de enfrentar uma série de dificuldades, 
entre elas a emocional. A presença na família de uma criança com deficiência se torna um 
fator potencial que pode trabalhar, de forma significativa, a dinâmica familiar. Uma vez 
diagnosticada com o transtorno, os pais têm que passar por uma mudança de atitude, que 
envolve um processo de aprendizagem longa e dolorosa com um alto grau de estresse, que 
também exigem aconselhamento profissional qualificado (KORTMANN, 2003. p. 57). 
Este tipo de distúrbio trás aos pais problemas emocionais característicos. 
Considerando os problemas descritos acima, quando a criança é pequena (geralmente o 
diagnóstico não é realizado antes da idade de 1-2 anos), os pais têm dificuldade em 
compreender a certas atitudes como: 
- Por que a criança chora constantemente por nenhuma razão aparente? 
- Por que não aproveitar a comida da mesma forma como as crianças da mesma 
idade? 
- Por que tem comportamentos repetitivos? 
- Por que não aceitar o contato físico ou permanecem isolados na maioria das vezes? 
O papel dos pais é de suma importância na integração social da criança, só então será 
uma convivência melhor que permita manter a família unida. Isso porque os comportamentos 
apresentados por crianças com autismo são um fator perturbador no ambiente, e muitas vezes 
são a causa da desintegração das unidades familiares. O comportamento da criança, por si só, 
afeta o ambiente (KORTMANN, 2003, p. 68). 
 
A base do processo educativo para crianças com autismo, é baseado na 
detecção precoce e da implementação de programas de intervenção 
comportamental. O tratamento comportamental envolve a aplicação 
sistemática de princípios de aprendizagem ao comportamento humano: os 
princípios derivados da análise experimental do comportamento (ciência que 
visa identificar e compreender as leis que regem a fatores ambientais de 
comportamento). Uma vez identificados, essas leis são usadas para alterar o 
comportamento dos indivíduos; uma prática conhecida como a modificação 
do comportamento (KORTMANN, 2003, p. 70). 
 
Neste processo desempenha um papel importante a informação que fornecem aos 
pais, aconselhamento profissional e serviços de referência disponíveis na comunidade para 
tratar o seu filho e apoio familiar (ASSUNÇÃO; COELHO, 1999, p 62). 
O trabalho é duro. Pais enfrentam perda de criança "ideal" inicial que tinha formado 
em sua mente. Essa imagem é distorcida pela imagem real, o que desencadeia uma série de 
 
 
sentimentos como negação, tristeza, culpa, frustração, raiva e lágrimas, até que o problema 
seja aceito (ALVES, 2009, p.58). 
 
3.3.1 Atitude da família frente ao autismo 
 
 
A fase de negação é caracterizada por confusão e descrença (que está acontecendo 
com eles não é possível), que se manifestam com a pergunta: "Por que eu?". Aqui começa 
uma longa viagem por diferentes profissionais, esperando que um diga-lhe que há um erro nos 
diagnósticos iniciais. 
Na maioria dos casos, o termo autismo em si não significa nada para os pais, pois 
eles não têm conhecimento sobre a síndrome ou suas projeções futuras. Desinformação, 
juntamente com a sensação de dor que o pai e a mãe estão sentindo, levá-los a experimentar 
raiva com a perda de "filho ideal" (WILLIAMS, 2008, p. 28). 
 
Segundo PERISSINOTO, 2009 um sentimento muito comum que aparece é 
o medo. Principalmente, se os pais não têm orientação profissional 
adequada, ou se a criança não tem a intervenção precoce, sentimentos 
gerados de medo para um futuro para o qual não tenho resposta. "E Agora o 
que vai acontecer?". Esta incerteza aparece sobre o ambiente educacional, a 
culpa surge nos pais, porque eles acreditam que são a causa do problema e 
começam a mergulhar na história da família por uma resposta que não 
conseguem encontrar. (PERISSINOTO, 2009, p.33) 
 
A rejeição da criança e tudo o que os rodeia, juntamente com sentimentos de tristeza 
e vergonha que os pais muitas vezes sentem torna-se uma constância, onde pode chegar ao 
aparecimento de depressão profunda apesar de preocupação, estes sentimentos são normais, e 
fazem parte do processo de ajuste para os seres humanos que é uma situação dolorosa como a 
do autismo (WILLIAMS, 2008, p.45). 
Durante estas fases a sucessão de grupos de apoio
3
 para ajudar a atender as 
necessidades dos pais são obrigatórios; de modo a permitir-lhes compreender os eventos de 
forma racional e eficaz para ajudar os seus filhos e outros membros da família, começando a 
entender melhor os ajustes a serem feitos. 
 
 
3
Grupos de apoio são espaço onde as pessoas se reúnem, para conversarem a respeito de algum problema 
específico e para se ajudarem mutuamente. 
 
 
3.3.2 Problemas que os pais enfretam 
 
 
Segundo Perissinoto, (2009) nos lares onde uma criança com autismo vive, existem 
mais problemas familiares do que naquelas famílias onde as crianças com necessidades 
educativas especiais são apresentados; no entanto, este não é um fator determinante para a 
ordem familiar ser perturbada, mas existem outros aspectos associados que o afeta, como a 
estabilidade emocional de cada um dos membros da família, educação dos pais e 
principalmente o processo de aceitação da criança (PERISSINOTO, 2009, p. 59 e 62). 
 
As barreiras sociais são outro impedimento sendo a rejeição por amigos, 
professores e diretores de escolas, que, com medo de que eles tem por falta 
de conhecimento sobre o que fazer ou como orientá-los em tarefas 
educativas aumentam a insegurando dos pais (WILLIAMS, 2008, p. 61). 
 
 
Marquezine; Almeida; Omore e Tanaka, (2003) citam algumas das reações mais 
comuns em casais antes
da chegada de uma criança com necessidades especiais, e 
argumentam que a incapacidade de uma pessoa dentro da família, pode aumentar ou diminuir 
o relacionamento entre o casal. Esses pesquisadores também levaram em conta outros fatores 
que afetam a crise, como o nível cultural e econômico, a estabilidade emocional dos pais, a 
presença ou ausência de mais crianças e da gravidade da deficiência. Quanto ao nível de 
gravidade, Schwartzman, (2003) realizou estudos que concluiu que quanto maior o grau de 
gravidade dos problemas em crianças, será maior o nível de estresse gerado nos pais. 
Isso nos leva a pensar que, se os pais recebem apoio profissional na forma de 
formação, de modo a permitir-lhes gerir melhor o comportamento de seus filhos, os níveis de 
estresse vai cair consideravelmente e isso vai ajudá-los a viver com este problema. Portanto, é 
necessário ter (sob a orientação de profissionais neste campo) programas bem estruturados 
que vai dar aos pais a oportunidade de aprender as habilidades básicas que lhes permitam 
interagir melhor com seus filhos, com outros membros da família e o seu grupo social 
(MARQUEZINE; ALMEIDA; OMORE; TANAKA, 2003, p.11). 
 
 
 
 
 
 
 
2. PSICOPEDAGOGIA PREVENTIVA E O AUTISMO 
 
Psicopedagogia é como o próprio nome indica a confluência de duas disciplinas: 
psicologia e pedagogia. A primeira dedicada à compreensão do assunto e seus processos 
mentais e o segundo tem como objetivo estudar educação. Portanto, este pode ser resumido 
como: educação abordado a partir de psicologia. 
Como se expressa em Muller, (1993) a psicopedagogia lida com as características 
educacionais da aprendizagem humana: como aprendizagem se seus vários fatores, como 
reconhecer e tratá-los, o que fazer para prevenir, e como promover processos de 
aprendizagem que fazem sentido. 
 
A identidade da Psicopedagogia, em nossa compreensão está ou deve ser 
buscada ou encontrada no seu próprio nome. Nesse sentido, toda vez que um 
profissional da pedagogia realiza esta ação levando em conta aspectos 
psicológicos nela envolvidos, comporta-se como um psicopedagogo. Por 
outro lado, toda vez que um profissional da psicologia realiza esta ação 
levando em conta aspectos pedagógicos nela envolvidos, comporta- se como 
um psicopedagogo. (SCOZ, 1992, p. 35) 
 
 
Disciplina acima mencionada, tem vários campos de ação que pode evoluir 
profissional como psicólogo educacional, saúde institucional de educação, trabalho e clínica; 
cada um tem certas características específicas e realizam processos diferenciados. 
Neste caso psicologia educacional é tratada de forma preventiva, sendo a definição 
explícita em um dicionário que a prevenção "é o resultado de uma ação concreta para evitar, 
que envolva tomar medidas de precaução necessárias e adequadas para a missão de combater 
qualquer dano ou prejuízo que possa ocorrer." 
Além disso, Goldstone, (2009) afirma que a prevenção é um conjunto de atividades 
que visam identificar especificamente grupos vulneráveis de alto risco e as medidas que 
podem ser tomadas de forma a prevenir o aparecimento de problema. 
Particularmente neste projeto, que foi concebido para evitar as dificuldades para 
finalizar o processo de instrução; para o qual é necessário para implantar a psicologia 
preventiva. Baseando em Muller, (1993) ajuda a prevenir o insucesso escolar e melhorar os 
resultados de aprendizagem sistemática através da participação em projetos comunitários, 
mídia, tarefa conselhos para professores e pais, incluindo orientação profissional no sistema 
de ensino a partir de níveis iniciais, os planos para recreação e uso do tempo de lazer, na 
aprendizagem ao longo da vida e educação de crianças e jovens autistas. 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
Este trabalho tem por finalidade contribuir com informações na construção do 
processo de adaptação familiar em consonância com as necessidades especiais apresentada 
pela criança autista em cada grau de especificidade dentro do quadro autístico, que pode ser 
manifesto por diversas formas como: Síndrome de Asperger, autismo atípico, entre outros, 
para enfrentar esta realidade é necessária a aceitação e o apoio por parte dos integrantes 
familiar. Portanto sabemos que nem sempre foi sucesso esse tipo de adaptações, devido as 
múltiplas negatividades que os pais sofrem ao receber um filho nessa qualidade. E louvável a 
preocupação dos educadores para em busca de informações em acompanhar e lidar com essas 
especificidades qual hoje atinge um público de 1% da sociedade mundial. Para se desenvolver 
um trabalho de sucesso vê-se na família o ponto de partida para progresso, embora a rejeição 
e não aceitação está visível nos pais, irmãos ou até mesmo no meio de convivências, tem-se 
por objetivo fortalecer essa relação, para que alcance bom resultado. 
Estar preparados para atender os autistas engloba defender qualidade de vida 
assegurando-os o direito de toda necessidade básica para viver e desenvolver, é neste contexto 
que entra a conscientização para apoiar a família e dar suporte educativo, clínico, ou 
psicológico. Em virtude do que foi mencionado durante todo este trabalho, vale enfatizar que 
a família é o principal elo entre o autista e seu desenvolvimento sócio-cultural. Embora vivem 
períodos de grandes transformação social, e inserção de valores étnicos nacionais, creio que 
possíveis mudanças em prol do desempenho educativo das crianças autistas pode acontecer 
evoluir positivamente, tendo no núcleo familiar toda base necessária para progredir e inserir o 
autista como capaz de contribuir com a construção de uma nova sociedade crítica reflexiva. 
 A família exerce papel importante na vida do autista, que proporcionando um bom 
tratamento, sabendo lidar e promovendo uma boa qualidade de vida para criança com 
autismo, a averiguação das mudanças no cotidiano e na dinâmica familiar e dificuldades 
geralmente enfrentadas pela família tende a melhorar. No entanto, os pais não podem esperar 
que os profissionais tomem a responsabilidade para si, devem assumir parte do compromisso 
em cuidar, tratar dos seus filhos autistas. Assim sendo, esperamos que este artigo tenha 
contribuído para o estabelecimento de convicções e, sobretudo, de novas questões que possam 
nos mobilizar na busca de alternativas e práticas inovadoras, beneficiando a família do autista. 
 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
Apesar das grandes dificuldades no desenvolvimento cognitivo, social e emocional 
de crianças com autismo, todas elas têm a capacidade de aprender. A ajuda dos pais é de 
suma importância, eles exigem tempo, muita paciência e profissionais experientes que 
conhecem os melhores métodos para que apreendam. Da mesma forma os estilos de pais 
podem influenciar negativamente ou positivamente seus filhos. 
É por isso que para ajudar crianças com este tipo de problema as famílias devem 
estar totalmente envolvidas, levando em conta a qualidade de vida. Para fazer isso, devemos 
nos afastar dos modelos de intervenção com uma visão clínica e com base nos déficits das 
crianças, para receber o modelo centrado na família, dando suporte no ambiente natural da 
criança, família e levando em conta a individualidade de cada sistema familiar. 
 A qualidade de vida das pessoas com autismo tem sido mal estudada e investigada, 
tanto em termos de situação pessoal como de família. Há poucas referências especificamente 
relacionadas com a qualidade de vida das pessoas com autismo, embora haja uma série de 
tentativas de proporcionar melhores condições de vida para adolescentes e adultos autistas. 
O desafio que se apresenta hoje resulta de termos nos privado do convívio e atuação 
com as crianças com autismo, esta criança precisa ser incluída na família e depois na 
sociedade escolar. O maior desafio da família do autismo é interagir e relacionar-se 
normalmente com as pessoas e as situações do dia a dia. Desta
maneira, pode se alcançar o 
impossível rompendo barreiras e acreditando em seus potenciais, este pensamento age em 
defesa do desenvolvimento escolar e rendimento educativo dos alunos especiais, valorizando 
toda conquista realizada compartilhada ao longo dos anos por diversas lutas promovidas por 
entidades públicas e privadas nacionais e internacionais como pelas ações governamentais, 
recebendo direito de estar incluso na sociedade. 
 É necessário formular uma nova teoria da qualidade de vida das pessoas com autismo, 
que atendam às características específicas do aspecto autista. Do mesmo modo, é necessário 
realizar investigações que permitam conhecer e valorizar adequadamente a qualidade de vida 
da pessoa autista e de sua família. Os resultados desses estudos devem nos fornecer 
informações relevantes tanto para melhorar nossas práticas profissionais quanto para torná-las 
mais preventivas e pré-ativas (menos restritivas), além de sugerir melhorias nos serviços de 
saúde e educação, recursos disponíveis e políticas sociais específicas projetadas para pessoas 
com autismo e para dar suporte as suas famílias. 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
 
 
 
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