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V. 01, N.02 Jul./Dez. 2023 A IMPORTÂNCIA DAS EMOÇÕES NA APRENDIZAGEM ESCOLAR THE IMPORTANCE OF EMOTIONS IN SCHOOL LEARNING LA IMPORTANCIA DE LAS EMOCIONES EL APRENDIZAJE ESCOLAR Marco Antonio da Silva https://orcid.org/0009-0006-8197-4772 Marinalva de Sousa Barbosa https://orcid.org/0009-0000-4351-5432 38 Resumo: O tema em estudo neste artigo é a importância das emoções na aprendizagem escolar com o objetivo de refletir sobre a importância das emoções na aprendizagem escolar motivado pela questão: as emoções são importantes para a aprendizagem escolar? A abordagem metodologia fixou-se na pesquisa bibliográfica em livros e artigos que exploram “emoções” associadas a “aprendizagem”. O texto está estruturado em quatro sessões: emoções e aprendizagem escolar; o impacto das emoções nas relações educacionais; estratégias para integrar emoções na educação; o ensino religioso e o desenvolvimento emocional. Este estudo demonstrou que as emoções desempenham um papel fundamental na motivação e no desempenho dos estudantes, enfatizando a necessidade de abordagens pedagógicas que integrem as emoções de maneira eficaz. Palavras-chave: Educação Infantil. Perspectiva Inclusiva. Diversidade. Desenvolvimento Integral. Abstract: The theme under study in this article is the importance of emotions in school learning with the aim of reflecting on the importance of emotions in school learning motivated by the question: are emotions important for school learning? The methodology approach was based on bibliographic research in books and articles that explore "emotions" associated with "learning". The text is structured in four sections: emotions and school learning; the impact of emotions on educational relationships; strategies for integrating emotions into education; religious education and emotional development. This study demonstrated that emotions play a key role in student motivation and performance, emphasizing the need for pedagogical approaches that integrate emotions effectively. Keywords: Emotions. School learning. Strategies. Religious Education. Resumen: El tema que se estudia en este artículo es la importancia de las emociones en el aprendizaje escolar con el objetivo de reflexionar sobre la importancia de las emociones en el aprendizaje escolar motivado por la pregunta: ¿son importantes las emociones para el aprendizaje escolar? El enfoque metodológico se basó en la investigación bibliográfica en libros y artículos que exploran las "emociones" asociadas al "aprendizaje". El texto está estructurado en cuatro apartados: emociones y aprendizaje escolar; el impacto de las emociones en las relaciones educativas; estrategias para integrar las emociones en la educación; la educación religiosa y el desarrollo emocional. Este estudio demostró que las emociones juegan un papel clave en la motivación y el rendimiento de los estudiantes, enfatizando la necesidad de enfoques pedagógicos que integren las emociones de manera efectiva. Palabras-clave: Emociones. Aprendizaje escolar. Estrategias. Educación religiosa. 1. INTRODUÇÃO A educação transcende a mera transmissão de conhecimento, sendo intrinsecamente entrelaçada com a esfera emocional. As emoções desempenham um papel substancial na assimilação de informações por parte dos alunos, na motivação intrínseca e nas dinâmicas interpessoais que estabelecem com seus instrutores e colegas. Este artigo empreenderá uma análise sobre como as emoções desempenham uma função essencial na esfera da aprendizagem escolar, e delineará estratégias pelas 39 quais educadores podem de forma estratégica e intencional integrar a compreensão emocional no contexto do ambiente educacional. De acordo com Damásio (2000, citado por Silva 2017), as emoções são sistemas complexos de reações químicas e neurais que formam padrões. Essas emoções desempenham algum tipo de função reguladora, contribuindo de diversas maneiras para criar circunstâncias vantajosas para o organismo em que se manifestam. Elas estão intrinsecamente ligadas à vida do organismo, especificamente ao seu corpo, e desempenham um papel crucial na assistência ao organismo na preservação da vida. Considerando que as emoções compõem o que é ser humano e pelas exigências de educação integral, os estudiosos motivaram-se a estudar a relação das emoções com a aprendizagem conduzidos pelo questionamento: as emoções são importantes para a aprendizagem escolar? Isto posto, este estudo objetiva refletir sobre a importância das emoções na aprendizagem escolar. Esta abordagem envolve estudos em psicologia e educação que levou a organização do texto em sessões que abordam a relação das emoções e aprendizagem escolar, o impacto das emoções nas relações educacionais, as estratégias para integrar emoções na educação e a contribuição do componente curricular Ensino Religioso para o desenvolvimento emocional dos estudantes. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEORICA 2.1 Emoções e Aprendizagem Escolar Emoções são uma parte essencial da experiência humana. Elas não estão separadas do processo de aprendizagem; na verdade, estão profundamente interligadas. Estudos demonstraram que emoções positivas podem aumentar a motivação para aprender, melhorar a memória e facilitar a concentração. Por outro lado, emoções negativas, como o medo ou o estresse, podem inibir a capacidade de aprendizado. Portanto, reconhecer e lidar com as emoções dos alunos é crucial para promover um ambiente de aprendizagem eficaz. 40 O cotidiano escolar refere-se ao conjunto de práticas constrangidas no quadro de uma estrutura institucional que inclui os atores envolvidos nas relações educativas, em um tempo e espaço dominados por significados hegemônicos, mas não sujeitos a eles (Scortegagna, 2016). A educação é um dos fatores que mais influencia o avanço e o progresso das pessoas e das sociedades. Além de proporcionar conhecimento, a educação enriquece a cultura, o espírito, os valores e tudo o que nos caracteriza como seres humanos. A educação é necessária em todos os sentidos. Alcançar melhores níveis de bem-estar social e crescimento econômico; nivelar as desigualdades econômicas e sociais; promover a mobilidade social das pessoas; ter acesso a melhores níveis de emprego; elevar as condições culturais da população; ampliar as oportunidades para os jovens; revigorar os valores cívicos e seculares que fortalecem as relações das sociedades; para o progresso democrático e o fortalecimento do Estado de direito; para a promoção da ciência, tecnologia e inovação (Fonseca, 2016). A educação sempre foi importante para o desenvolvimento, mas adquiriu maior relevância no mundo atual, que passa por profundas transformações, motivadas em parte pelo avanço vertiginoso da ciência e de suas aplicações, bem como pelo desenvolvimento não menos acelerado dos meios de comunicação e informação tecnologias (Metring; Sampaio, 2020). Após muitos anos de valorização dos aspectos cognitivos e do ensino voltado para as competências cógnitas, os teóricos passaram a questionar o conceito de inteligência. Howard Gardner defende a teoria das inteligências múltiplas (Gardner, 1995), mas foram Salovey e Mayer (1997 apud Souza, 2022)) quem introduziram o conceito de inteligência emocional. Segundo os autores, a inteligência emocional faz com que o indivíduo seja capaz de perceber, valorizar e expressar emoções com precisão; de acessar e/ ou gerar sentimentos quando eles facilitam o pensamento, além de compreender a emoção e regulá-la para potencializar o crescimento emocional e intelectual. Salovey e Mayer (1990 apud Souza, 2022) já defendiam que o desenvolvimento emocional impacta diretamente no desenvolvimentocognitivo. Esta visão é importante e aponta para a importância das emoções para a aprendizagem escolar. 41 Daniel Goleman (1995) popularizou a inteligência emocional e redefine o que é ser inteligente. A soft skill de Goleman destaca aspectos intrapessoais como autoconsciência, autocontrole, automotivação e aspectos interpessoais como empatia e habilidades sociais. Atualmente, a palavra de ordem é educação integral compreendida como aquela que desenvolve competências socioemocionais além das tradicionais competências cognitivas. Em 2018, A Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2018) prima por educação integral e estipula as dez competências gerais para serem desenvolvidas ao longo da educação escolar básica. Entretanto, Barbosa (2023) questiona a missão de desenvolver a educação integral e considerando a dificuldade posta aos professores, investiga os estudos sobre competências socioemocionais. 2.2 O Impacto das Emoções nas Relações Educacionais A Educação a Distância (EAD) é uma modalidade educacional que tem sido moldada pela evolução das tecnologias e pela necessidade de flexibilização do ensino A psicologia educacional surgiu com o século XX, paralelamente ao desenvolvimento da psicologia, como uma ciência autônoma, derivada da psicologia geral, e seu objetivo era contribuir para a educação os avanços que surgiram no campo da experimentação com processos de aprendizagem, conhecimento sobre desenvolvimento infantil e estudos diferenciais e, posteriormente, sobre os processos cognitivos envolvidos na aprendizagem escolar (Illeris, 2013). [...] a psicopedagogia procura reunir e integrar os estudos do desenvolvimento, das estruturas, das funções e das disfunções do cérebro, ao mesmo tempo que estuda os processos psicocognitivos responsáveis pela aprendizagem e os processos psicopedagógicos responsáveis pelo ensino” (Metring e Sampaio, 2020, p. 05). O sucesso que a psicologia educacional teve na tarefa de fornece um modelo científico de abordagem aos processos educacionais foi a origem do fato de que cinquenta anos depois, “o fenômeno educacional gradualmente passou a lidar com todos os problemas e aspectos relevantes”, O que fez com que seu conteúdo se expandisse enormemente e seus limites se embaçassem, perdendo parcialmente sua identidade inicial. A busca por essa identidade perdida teria motivado posteriormente a psicologia 42 educacional a adotar abordagens interdisciplinares, assumindo como objeto de estudo alguns aspectos do currículo escolar, como programas de ensino, influência do ambiente escolar ou características organização do sistema educacional e formação de professores (Bossa, 2006). É notório que a psicopedagogia, tem se apresentado no contexto educacional como promissora ao relacionar saberes, que vão desde os mais diversos comportamentos, pensamentos, emoções, movimentos e principalmente a efetividade, ao fornecer melhorias na qualidade de vida do indivíduo. Assim, a função geradora do profissional em neuropsicopedagogia é buscar tratamentos efetivos para variados distúrbios, transtornos ou doenças, que prejudicam principalmente sonhos de alunos, pais e professores na Educação Básica (Metring; Sampaio, 2020, p. 07). A psicologia educacional interessou-se pela família como fator determinante no desenvolvimento afetivo. Outro exemplo foi a influência de correntes comportamentais, cujas contribuições foram aplicadas às metodologias de ensino como um processo unilateral, que passou do professor para a criança (Santos et al, 2017). A psicologia psicanalítica, por sua vez, mostrou a importância do desenvolvimento emocional inicial e da identificação das figuras parentais (Bossa, 2006). Outra pesquisa aponta que: Com as transformações percebidas ao longo dos anos, o campo da Neurologia, Psicologia e Pedagogia, áreas que estabeleceram relações com a Neurociências, consequentemente tornando-se em psicopedagogia, tem buscado fomentar em estudos e pesquisas em prol das funções desse profissional e de indivíduos que sofrem com distúrbios neuronais. Numa visão mais abrangente, pode-se dizer que essa junção tornou-se em uma ciência que analisa o sistema nervoso e sua atuação no comportamento humano, tendo como principal enfoque, a aprendizagem por meio da práxis. Assim, procura fazer inter-relações entre os estudos das neurociências com os conhecimentos da Psicologia Cognitiva e da Pedagogia. As áreas do conhecimento que antes agiam independentes uma das outras, começaram a fazer relações, denominado neuroeducação, promovendo desta forma a identificação, diagnóstico, reabilitação e prevenção frente às dificuldades e distúrbios das aprendizagens dos estudantes da Educação Básica (Scortegagna, 2016, p.09). Destas ciências aporta-se que ser capaz de experimentar emoções positivas com frequência e menos frequentemente emoções negativas determina o grau de felicidade que sentimos em nossas vidas. Portanto, a escola deve ser um lugar onde as emoções positivas prevalecem e onde você aprende como promovê-las. Já que o ser humano tende a colocar em prática aqueles comportamentos que o fazem se sentir bem e evitar aqueles que o fazem se sentir mal. As emoções nos fornecem informações fundamentais para tomar decisões, nos relacionarmos com outras pessoas ou estarmos cientes de 43 nossas necessidades ou interesses. Ser capaz de experimentar emoções positivas com frequência e menos frequentemente emoções negativas determina o grau de felicidade que sentimos em nossas vidas. As teorias atuais não hesitam em reconhecer que o ser humano possui uma tripla dimensão: física, psíquica e socioafetiva. A educação busca um desenvolvimento harmonioso nessas dimensões, portanto, não podemos falar de educação se não falamos de desenvolvimento integral, ou seja, de equilíbrio em nosso bem-estar físico, mental e socioafetivo. A relevância das emoções nas relações interpessoais dentro do contexto escolar é enfatizada pela literatura acadêmica. Ansiedade, mau humor e depressão são fatores que impactam negativamente o processo de aprendizagem, inibindo a eficiente assimilação e processamento de informações (Goleman, 2011). Em contraste, a motivação positiva, caracterizada por sentimentos como entusiasmo e confiança na conquista de metas, desempenha um papel vital na promoção do aprendizado eficaz. Estudos recentes, como o de Albino e Barros (2021), concluem que é imperativo que os professores atuem como agentes estimuladores das inteligências múltiplas em sala de aula. Isso implica em oferecer oportunidades educacionais significativas que considerem as diversas aptidões dos alunos, fomentando uma abordagem mais individualizada e sensível às emoções dos estudantes, promovendo, assim, relações interpessoais mais saudáveis e produtivas no ambiente escolar. As relações entre professores e alunos são fundamentais para o sucesso acadêmico. A empatia e o apoio emocional dos educadores podem fazer uma diferença significativa na vida dos estudantes. Um ambiente escolar onde os alunos se sentem emocionalmente seguros e apoiados tende a ser mais propício para o aprendizado. Portanto, é essencial que os educadores estejam cientes das emoções dos alunos e se esforcem para criar conexões emocionais positivas. 2.3 Estratégias para Integrar Emoções na Educação A educação, principalmente escolar, tinha como foco o desenvolvimento de habilidades cognitivas e negligenciado a educação afetivo-emocional. Afetividade, emoções, sentimentos e paixões desempenham um papel importante em nossas vidas. 44 Eles estão biologicamente enraizados em nossa natureza e são parte de nós, gostemos ou não. Pesquisas têm mostrado consistentemente como asemoções desempenham um papel crucial na aprendizagem. Estudos de caso e pesquisas empíricas têm demonstrado que abordar as emoções dos alunos resulta em melhorias significativas no desempenho acadêmico e no bem-estar emocional. Barbosa (2023) Essas evidências reforçam a importância de considerar as emoções como parte integrante da educação. Existem diversas estratégias que os educadores podem adotar para incorporar as emoções na sala de aula. Barbosa (2023) localizou artigos que exploram as estratégias de desenvolvimento das competências socioemocionais que abordam [...] resolução de situação problema no componente curricular Matemática, o treinamento de Pedagogia Teatral que pode ser associada ao componente Arte, criação de dinâmicas inovados e promotoras de ambientes de aprendizagem para o bem-estar, desenvolvimento da resiliência através do relato de experiência, implementação de seminários temáticos nas aulas de Linguagens à luz do desenvolvimento das competências socioemocionais, replicações de programas de Aprendizagem SocioEmocional, desenvolvimento das capacidades ou competências socioemocionais com o auxílio da Janela de Johari nos processos de ensino e aprendizagem, conteúdos e estratégias de ensino-aprendizagem relacionados às competências socioemocionais, uma intervenção de corrida de orientação relacionada ao componente Educação Física e o desenvolvimento de competências socioemocionais no componente Ensino Religioso (Barbosa, 2023, p. 157). O uso de histórias, música, arte e outras ferramentas pode envolver emocionalmente os alunos, tornando o conteúdo mais significativo e memorável. Além disso, a inclusão da educação socioemocional no currículo pode ajudar os alunos a desenvolver habilidades emocionais essenciais, como a empatia e a resolução de conflitos. O desenvolvimento emocional da criança é uma questão complexa, difícil de definir, devido às múltiplas ligações que a esfera afetiva tem com os restantes processos físicos e mentais da criança. As emoções desempenham um papel importante na vida de uma criança. Eles agregam prazer às suas experiências cotidianas, servem como motivação para a ação. As respostas afetivas estão ligadas a todas as situações e relações humanas: com os pais, com o meio ambiente, com o grupo de pares, no trabalho ou na sala de aula, na atividade sexual, social e moral, nos processos cognitivos, etc. Eles condicionam todas as áreas da vida de uma pessoa (Ferreira, 2009). 45 Por meio de emoções como alegria, tristeza, raiva, ciúme, medo e outros o sujeito expressa grande parte de sua vida afetiva. Sem emoção o ser humano seria máquina e, portanto, insensíveis. Embora as emoções e sentimentos tenham que ser ocultadas por muito tempo, hoje fazem parte da motivação e, em certos momentos, podem ser definidores do nosso comportamento, transmitindo o nosso estado de espírito sem palavras (Silva, 2017). 2.4 Estratégias para Integrar Emoções na Educação Pesquisas têm mostrado consistentemente como as emoções desempenham um papel crucial na aprendizagem. Estudos de caso e pesquisas empíricas têm demonstrado que abordar as emoções dos alunos resulta em melhorias significativas no desempenho acadêmico e no bem-estar emocional. Essas evidências reforçam a importância de considerar as emoções como parte integrante da educação. Zortéa Perini & Bergmann (2020) ao explanar sobre como as competências socioemocionais foram contempladas no Currículo do Espírito Santo, na área de conhecimento Ensino Religioso, chegou à conclusão de que “[...] foi possível compreender que o Ensino Religioso, quando trabalhado atrelado às competências socioemocionais, pode contribuir com a formação do caráter dos alunos, [...]”. O Ensino Religioso, abordado dentro de uma perspectiva não confessional e pública, só se materializou legalmente enquanto disciplina do sistema educacional brasileiro a partir do disposto no Artigo 33 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)7, uma vez que este componente curricular “é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo”8. Somente após a homologação da LDB, os conteúdos de cunho religioso abordados na educação básica passaram a ser expostos sob viés laico e pluralista. E, no que se refere às competências socioemocionais, a LDB discorre, ao longo de seu texto, a necessidade de se estabelecer aprendizagens basilares, além da aplicação dos conteúdos básicos e mínimos para a formação discente (Zortéa Perini & Bergmann, 2020, pp. 21-22). O ensino religioso, conforme estabelecido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), desempenha um papel relevante no desenvolvimento das competências socioemocionais dos estudantes. Ao ser abordado de forma não confessional e pública, o ensino religioso proporciona oportunidades para que os alunos compreendam e respeitem 46 a diversidade cultural religiosa do Brasil. Isso promove a empatia e a tolerância, duas competências socioemocionais essenciais. Além disso, ao explorar as crenças e valores de diferentes religiões, os alunos podem desenvolver habilidades de comunicação, pensamento crítico e resolução de conflitos, contribuindo para o crescimento de sua inteligência emocional. A LDB, ao enfatizar a necessidade de aprendizagens basilares e a aplicação de conteúdos mínimos, também reconhece a importância de uma educação que vai além do conhecimento acadêmico, destacando a relevância do desenvolvimento socioemocional dos estudantes para sua formação integral (Zortéa Perini & Bergmann, 2020). Portanto, o ensino religioso, quando abordado de maneira pluralista e laica, pode ser um recurso valioso para o desenvolvimento das competências socioemocionais dos alunos. 3. METODOLOGIA Neste estudo optou-se por utilizar uma abordagem metodológica de compilação pautada em pesquisa bibliográfica para levantar a importância das emoções na aprendizagem escolar. Foi realizado o levantamento da literatura acerca do tema com as palavras chaves “emoção” associada a “aprendizagem” em livros e artigos, visto que os pesquisadores estão realizando estudo de doutorado sobre estratégias de desenvolvimento das competências socioemocionais e sobre Formação docente em Ensino Religioso. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste estudo, explorou-se a interseção complexa entre emoções e aprendizagem escolar, através do qual foi possível refletir sobre o impacto das emoções nas relações educacionais, sobre as estratégias para integrar as emoções de maneira eficaz na educação e sobre a influência do ensino religioso no desenvolvimento emocional dos estudantes. Nossas descobertas revelaram insights significativos, tanto do ponto de vista teórico quanto prático, que contribuem para o entendimento aprofundado dessa área crucial da educação. 47 Do ponto de vista teórico, este estudo destacou a importância das emoções no processo de aprendizagem. Demonstrou-se que as emoções desempenham um papel fundamental na motivação, memória, atenção e tomada de decisões dos estudantes. Além disso, evidenciamos que as relações educacionais são profundamente influenciadas pelas emoções dos educadores e dos alunos, enfatizando a necessidade de promover ambientes emocionalmente seguros e positivos nas escolas. No que diz respeito às contribuições práticas, ofereceu-se um conjunto de estratégias pedagógicas para integrar as emoções de maneira mais eficaz na educação. Essas estratégiasincluem o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, o uso de abordagens centradas no aluno, a promoção da empatia e da comunicação emocional, bem como a criação de espaços de apoio emocional. A implementação dessas práticas pode contribuir para um ambiente educacional mais enriquecedor e eficaz. No entanto, é fundamental reconhecer a necessidade de continuar investigando essa área para aprimorar a eficácia da educação e promover o bem-estar emocional dos estudantes e desenvolver a educação integral. Primeiramente, a pesquisa se baseou principalmente em revisões bibliográficas e estudos existentes, que revelou poucas produções em alguns aspectos em estudo. Além disso, a complexidade das emoções torna difícil a quantificação precisa de seu impacto na aprendizagem e nas relações educacionais. Portanto, recomenda-se a realização de pesquisas empíricas adicionais para validar os achados teóricos. Sugere-se ainda uma a investigação mais aprofundada dos mecanismos neurobiológicos subjacentes às emoções e à aprendizagem, bem como a avaliação do impacto de intervenções específicas no desenvolvimento emocional dos estudantes. Além disso, é importante explorar como diferentes contextos culturais podem influenciar a interação entre emoções e educação. De modo geral as reflexões realizadas oferecem insights teóricos e práticos valiosos comprovando a importância das emoções na aprendizagem escolar. O estudo demonstrou que as emoções desempenham um papel fundamental na motivação e no desempenho dos estudantes, enfatizando a necessidade de abordagens pedagógicas que integrem as emoções de maneira eficaz no processo de aprendizagem. 48 REFERÊNCIAS ALBINO, L. M. de S., BARROS, S. G. A teoria das inteligências múltiplas de Gardner e sua contribuição para a educação. Revista Acadêmica Educação e Cultura em Debate, v. 7, n.1, p. 148-168. 2021. Disponível em: https://revistas2.unifan.edu.br/index.php/RevistaISE/article/view/683. Acesso em: 06 out 2023. BARBOSA, M. de S. O que dizem os estudos sobre competências socioemocionais: uma revisão de literatura. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 08, Ed. 07, v. 4, p. 141-169. Julho de 2023. ISSN: 2448-0959. 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