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SOCIOLOGIA CLÁSSICA
Professor Me. Jorge Alberto de Figueiredo
 REITOR Prof. Ms. Gilmar de Oliveira
 DIRETOR DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Ms. Daniel de Lima
 DIRETORA DE ENSINO EAD Prof. Dra. Geani Andrea Linde Colauto 
 DIRETOR FINANCEIRO EAD Prof. Eduardo Luiz Campano Santini
 DIRETOR ADMINISTRATIVO Guilherme Esquivel 
 SECRETÁRIO ACADÊMICO Tiago Pereira da Silva
 COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Prof. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Prof. Ms. Luciana Moraes
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Ms. Jeferson de Souza Sá
 COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
 COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE GESTÃO E CIÊNCIAS SOCIAIS Prof. Dra. Ariane Maria Machado de Oliveira
 COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE T.I E ENGENHARIAS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento
 COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE SAÚDE E LICENCIATURAS Prof. Dra. Katiúscia Kelli Montanari Coelho 
 COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS Luiz Fernando Freitas
 REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling 
 Caroline da Silva Marques
 Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante 
 Eduardo Alves de Oliveira
 Jéssica Eugênio Azevedo
 Kauê Berto
 Marcelino Fernando Rodrigues Santos
 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO André Dudatt
 Carlos Firmino de Oliveira
 Vitor Amaral Poltronieri
 ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO Carlos Eduardo da Silva
 DE VÍDEO Carlos Henrique Moraes dos Anjos 
 Yan Allef 
 
 FICHA CATALOGRÁFICA
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
F475s Figueiredo, Jorge Alberto de
 Sociologia clássica / Jorge Alberto de Figueiredo.
 Paranavaí: EduFatecie, 2023.
 83 p.: il. Color.
 
1. Sociologia. 2. Revolução industrial. I. Centro 
 Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a
 Distância. III. Título. 
 
 CDD: 23. ed. 301
 
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
As imagens utilizadas neste material didático 
são oriundas dos bancos de imagens 
Shutterstock .
2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
https://www.shutterstock.com/pt/
3
AUTOR
Professor Me. Jorge Alberto de Figueiredo 
● Graduado em História pela Universidade Paranaense-UNIPAR (2001).
● Graduado em Estudos Sociais pela Faculdade Estadual de Educação Ciências 
 e Letras de Paranavaí (1992) atualmente UNESPAR (Universidade Estadual 
 do Paraná).
● Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Maringá -UEM- (2006).
● Atuou como Docente na UNESPAR - Campus Paranavaí (2010-2012).
● Atuou como Docente no Curso de Urbanismo e Arquitetura na UNIPAR-
 Universidade Paranaense, Campus de Paranavaí.
● Atuou como Supervisor do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à 
 Docência (PIBID-CAPES) UNESPAR - Campus-Paranavaí.
● Docente na Secretaria de Educação do Estado do Paraná nas Séries Finais do 
 Ensino Fundamental.
● Produtor de Materiais Didáticos e vídeos Aulas ( UNIPAR, VG Consultoria e 
● Palestrante sobre: Educação e Cidadania, Ética, Política, Sociedade e 
 Democracia, Educação, Liberdade, e Igualdade.
● Psicanalista.
● Sexólogo e Terapeuta Sexual.
Ampla experiência na área educacional com atuação docente no Ensino Funda-
mental Anos Finais, Ensino Médio, Ensino Superior e Pós-Graduação. Palestrante. 
 
 CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/6431299440510394
http://lattes.cnpq.br/6431299440510394 
4
Seja muito bem-vindo(a)!
Sejam bem-vindos (as) ao nosso curso de Sociologia Política. A partir de agora 
partiremos para uma viagem no tempo para buscar nas nossas experiências históricas e 
algumas explicações para conhecermos os conceitos e os fatos históricos para constituição 
do mesmo no passado recente do Brasil.
Em nosso ponto inicial da viagem sobre a sociologia política, abordaremos o concei-
to básico do que é a sociologia política. Além de visualizar a Filosofia Política em Maquiavel. 
Um pensador que demonstra passo a passo de como se fazer a política. Seguiremos nosso 
estudo, identificando o conceito básico de Ciência Política. Por fim, terminaremos nosso 
capítulo conhecendo os conceitos de Políticas Públicas e Política Social.
Na segunda unidade, nosso foco será o conceito de Elite e os pressupostos his-
tóricos. Passaremos também pela definição de Elitismo. Conhecendo personagens como 
Gaetano Mosca, Vilfredo Pareto e Robert Michels. Que descortinarão nossos olhos sobre o 
tema proposto. Continuaremos nossa viagem apresentando a denúncia contra a Elite com 
uma forte crítica à elite liberal.
Já na Unidade III, teremos como objetivo de conhecimento: o conceito de Estado e o 
bem-estar social, enfatizando seu compromisso com as políticas públicas. Seguiremos nosso 
estudo compreendendo a responsabilidade do Estado enquanto regulador e responsável pela 
economia e política nacional. Contextualizando o processo da dimensão da política enquanto 
órgão competente quanto às responsabilidades junto ao Estado de direito democrático. Então 
terminaremos o capítulo problematizando as questões que envolvem o bem-estar social e 
influência do neoliberalismo nas políticas públicas na sociedade contemporânea.
Enfim, finalizaremos nossa aventura na Unidade IV com uma questão polêmica. Mas 
extremamente necessária no campo da sociologia política. Vale ressaltar que nesse mo-
mento de nosso estudo, será necessário abandonar toda e qualquer ideologia existente em 
nossas entranhas, para que o processo de ensino e aprendizagem alcance seu objetivo. 
Vale ressaltar que abordaremos a Compreensão do Brasil Contemporâneo. Passando pelo 
Neoliberalismo de Fernando Henrique Cardoso e conhecendo o fenômeno chamado “Lu-
lismo”. Seguiremos nossa viagem conhecendo a hegemonia e a nova classe média. Para 
que atrelado a isso, tudo possamos conhecer sobre as manifestações populares a partir 
de 2013. Debatendo, assim, se foi Impeachment ou Golpe? Por fim, faremos uma breve 
viagem na crise do Governo Dilma ao “Bolsonarismo”.
Assim, chegaremos ao fim dessa viagem. Espero que seu horizonte de expectativas 
seja modificado e novos horizontes sejam acrescentados, uma vez que todos nós, brasilei-
ros, necessitamos ter uma visão aberta, principalmente com fatos históricos, abandonado 
os achismos da fake News e das redes sociais.
Muito obrigado e bom estudo!
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
SUMÁRIO
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. . . . . . . . . . . . . . . . 
. . .PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
Na fase superior da sociedade comunista, quando tiver desaparecido a es-
cravidão dos indivíduos à divisão do trabalho, e, com ela, a oposição entre o 
trabalho intelectual e o trabalho manual; quando o trabalho não for somente 
um meio de vida, mas a primeira necessidade vital; quando, com o desenvol-
vimento dos indivíduos em todos os aspectos, crescerem também as forças 
produtivas e jorrarem abundantemente os mananciais da riqueza coletiva, só 
então poder-se-á ultrapassar totalmente o estreito horizonte do direito bur-
guês, e a sociedade poderá escrever em seu estandarte: de cada um, se-
gundo a sua capacidade; a cada um segundo as suas necessidades (MARX, 
1975, p. 16).
 A contribuição de Marx nesse sentido é de grande importância, mesmo nos tempos 
contemporâneos, pois refere-se ao fato da Sociologia aceitar o metodologia dialética do 
materialismo histórico, com a formação e a explicação da gênese, conciliação e dinâmica da 
sociedade capitalista exposta na grande obra O Capital (1885-1905), que só foi publicada 
para acesso ao público após seu falecimento. A dialética de Marx faz uma análise minuciosa 
do processo histórico, influenciando o pensamento filosófico de Hegel (1770-1831) juntamente 
com a colaboração de seu amigo Engels (1820-1895).
 Marx busca, a partir da crítica do contexto social de sua época, aclarar a história 
das sociedades com base no processo de produção econômico-material, ou seja, afirma 
que a realidade social é avaliada como uma soma concreta na abordagem metodológica do 
materialismo histórico, cujo termo não é atribuição de Marx. Assim, o pensador descreve que:
A maioria de seus membros era, naturalmente, operários e representantes re-
conhecidos da classe operária. A Comuna não seria um organismo parlamen-
tar, mas uma corporação de trabalho, executiva e legislativa ao mesmo tem-
po. Em vez de continuar sendo um instrumento do governo central, a política 
foi despojada imediatamente de seus atributos políticos e convertida em ins-
trumento da Comuna, responsável ante ela e revogável a qualquer momento. 
O mesmo se fez com os funcionários dos demais ramos da administração. 
Desde os membros da Comuna para baixo, todos os que desempenhavam 
cargos públicos devem desempenhá-los com salários de operários [...] os 
cargos públicos deixaram de ser propriedade privada dos testas de ferro do 
governo central (MARX, 1975, p. 507-508).
 Enfrentando dificuldades financeiras críticas daqueles que não concordavam com 
sua tese, Marx com um empenho dialético distingue a presença da ideologia no processo 
de averiguação e faz da sua teoria uma constituição de categorias conceituais que possam 
conter a revelação mais simples. Em sua obra Contribuição à Crítica da Economia Política 
(1859), no capítulo Método da Economia Política, Marx explana que a categoria população, 
como criada na obra do filósofo escocês Adam Smith (1723-1790), para chegar à riqueza 
das nações, oculta trabalho humano, a mais simples das camadas, também desenvolve 
teorias sobre o processo de acumulação e o valor do trabalho, conhecido como mais-valia. 
37
UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
Seus pensamentos estavam além de seu tempo, o trabalho humano é o único meio 
de produção capaz de acrescentar valor aos bens produzidos, uma vez que os outros são 
elementos materiais de produção, a terra, o ar, as ferramentas, as máquinas, o dinheiro, os 
equipamentos, e a infraestrutura. A menção ao conjunto nos diz respeito às teorias serem 
opiniões inter-relacionadas, compatíveis, de mútua-explicação que, ao prover explicações 
sobre a realidade, apresentam a marca da metodologia que os move. 
38
UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA 39
Cândido (apud SOUTO MAIOR, 2003) delimita sua periodização da Sociologia no Brasil em dois períodos 
que considera como bem configurados: de 1880 a 1930, seria o primeiro e 1940 o segundo, sendo que 
de 1930 a 1940 teríamos uma fase intermediária de transição. Afirma Cândido: No primeiro, é praticada 
por intelectuais não especializados, interessados principalmente em formular princípios teóricos ou inter-
pretar de modo global a sociedade brasileira. Além disso, não se registra o seu ensino, nem a consciência 
da pesquisa empírica sobre aspectos delimitados da realidade presente. Depois de 1930 ela penetra no 
ensino secundário e superior, começa a ser invocada como instrumento de análise social, dando lugar ao 
aparecimento de um número apreciável de cultores especializados, devendo-se notar que os primeiros 
brasileiros de formação universitária adquirida no próprio país formaram-se em 1936. O decênio de 1930, 
rico e decisivo, pode ser considerado fase transitória para o atual período que, iniciado mais ou menos em 
1940, corresponde à consolidação e generalização da disciplina como disciplina universitária e atividade 
socialmente reconhecida, assinalada por uma produção regular no campo da teoria, da pesquisa e da 
aplicação.
CÂNDIDO, Antônio. A Sociologia no Brasil. In: ENCICLOPÉDIA Delta Larousse. Rio de Janeiro: Delta, [1959]. 
p. 2216- 2232.
É injusto que toda a sociedade contribua para custear uma despesa cujo benefício vai apenas uma parte 
dessa sociedade. 
Adam Smith 
40
CONSIDERAÇÕES FINAIS
UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
Antes de toda e qualquer busca de conhecimento é essencial encontrar referenciais 
teóricos que lhe proporcionam segurança para fundamentar sua aprendizagem, assim , 
construímos a unidade com os filósofos clássicos, que por intermédio de suas experiências, 
do conhecimento empírico, buscaram aperfeiçoar o que era pertinente para a época.
Haja vista que se analisar a linha do tempo, um foi servindo de alicerce para o outro, 
no que tange aprimoramento científico. Como grandes estudiosos, algumas divergências, 
mas, que não eram vistas como desconstrução, muito ao contrário, hipóteses refutadas e 
reconstruídas. Podemos contrapor com os dias atuais, se todos respeitassem as opiniões 
contrárias e a partir delas, desencadeasse um novo olhar: significativo e oportuno.
Aprendemos que as metodologias, conceitos, ideias, surgem sempre diante de 
dilemas que são necessários mudanças. A sociologia tem um papel de estudar a sociedade 
e buscar orientar quando for preciso, encontrar caminhos para uma vida social coletiva e 
com qualidade. Tarefa fácil? Não, justamente por ser uma diversidade de pensamentos, 
grupos com filosofia de vida diferente e que muitas vezes não se respeitam.
A defesa da sociologia em prol da classe trabalhadora é prudente, pois os incentiva 
a enriquecer seus conhecimentos para que tenha noção de seus direitos e deveres diante 
de uma sociedade capitalista. Compreender sobre as políticas públicas que regem,nossas 
vidas e nossa responsabilidade social diante das penúrias causadas pela eficiência do 
sistema que gera a pobreza e o caos social. 
Quiçá em épocas passadas quando nossos professores tentaram passar esse co-
nhecimento, nossa maturidade não era suficiente. Hoje estas questões estão entrelaçadas 
em nosso cotidiano. Como o conhecimento é algo flexível, questionável, podemos mudar a 
história, objetivando uma relação mais amena em sociedade e uma vida digna para todos. 
41
LEITURA COMPLEMENTAR
UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
Revisitando os clássicos: as contribuições de Karl Marx, Émile Durkheim e 
Max Weber para a sociologia da educação
Resumo: O presente ensaio consta de uma apresentação introdutória da sociologia 
clássica sobre o tema da educação que, após o pensamento de Durkheim viria a adquirir sta-
tus de disciplina autônoma, passando-se a denominar-se sociologia da educação. O objetivo 
principal consistiu de uma retomada das principais contribuições da sociologia clássica para 
a disciplina, destacando as principais ideias do pensamento de Karl Marx, Émile Durkheim 
e Max Weber. Tal estudo partiu de uma revisão da literatura clássica e especializadasobre 
os autores em perspectiva no sentido de problematizar as principais teses e compreender as 
possibilidades e limites que elas suscitam às investigações contemporâneas deste campo 
investigativo. Considerando o amplo repertório temático da plêiade em perspectiva, optamos 
por apresentar não um quadro sistemático das principais ideias, mas de exercitar o pensa-
mento acerca desta relação tomando como ponto de partida a leitura dos clássicos. Temas 
como: a divisão do trabalho; relações entre educação e trabalho; ideologia; função social da 
educação; fato social; coerção social; desencantamento do mundo; racionalização do mundo; 
burocratização; dentre outros, compõe o corpo desta introdução. 
https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/porescrito/article/view/34614. 
Acesso 07/10/2022
 
https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/porescrito/article/view/34614
42
MATERIAL COMPLEMENTAR
UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
LIVRO
Título: Sociologia Clássica: Marx, Durkheim e Weber
Autor: Carlos Eduardo Sell
Editora: Vozes 
Sinopse: Toda narrativa deste livro está envolto de pensamen-
to sociológico, enfatizando as teorias sociológicas, moderna e 
política retratando problemas e desafios da realidade social 
e apresenta uma análise reflexiva, acerca dos teóricos Marx, 
Durkheim e Weber, possibilitando uma análise da modernidade.
FILME / VÍDEO 
Título: Daens: Um grito de Justiça
Ano: 1993
Sinopse: O filme permite trabalhar muitos aspectos da teoria 
Marxista, prevista nos conteúdos estruturantes “O Surgimento 
da Sociologia e as Teorias Sociológicas” e “Trabalho, produção 
e classes sociais”. Por retratar as primeiras rebeliões dos tra-
balhadores das indústrias no século XIX, possibilita discussões 
sobre: desigualdades da sociedade capitalista; exploração do 
proletariado pela burguesia; exploração das mulheres e crian-
ças nas fábricas; a insalubridade das condições de trabalho do 
proletariado no século XIX; as extensas jornadas de trabalho; 
a extração da mais-valia; Socialismo e Movimento Socialista; 
Movimento Operário; o papel da Igreja frente a “ameaça” do 
Socialismo e partidos políticos de orientação socialista.
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Plano de Estudos
• Tocqueville: Democracia, Liberdade e Igualdade.
• Tocqueville: Vida e Conceitos.
• Lutas e Desigualdades.
• Homem e Trabalho.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar vida e obra sobre 
 Tocqueville;
• Compreender os conceitos ligados à democracia, 
 liberdade e igualdade;
• Estabelecer a importância da concepção sobre 
 desigualdade e trabalho para o homem em meio às 
 lutas diárias.
3UNIDADEUNIDADE
DEMOCRACIADEMOCRACIA
 Professor Me. Jorge Alberto de Figueiredo
44
INTRODUÇÃO
UNIDADE 3 DEMOCRACIA
Que bom podermos seguir mais uma etapa estudando conteúdos que agregam muito 
ao nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Os filósofos clássicos que vimos são alguns 
de muitos outros que foram surgindo frente às temáticas prudentes para cada momento. Por-
tanto, discutiremos sobre Alexis de Tocqueville, o pensador se refere à democracia, liberdade 
e igualdade, princípios básicos pretendidos na luta de classe, desde o início da Revolução 
Industrial e Francesa. Assim, estudaremos também sua vida, ideias e conceitos.
 Ler Tocqueville é estudar sobre a liberdade e igualdade, o que significa ler sobre a 
democracia. A crítica constante realizada no século XIX pelos pensadores políticos levou a 
considerar tais temas como simples abstrações generalizantes em virtude de ainda pairar 
lembranças do feudalismo. Tocqueville não escapa a essa moda, pois é dessa forma que 
ele vai se referir às ideias de Rousseau e da filosofia política do século XVIII, questões que 
dão embasamento para sua análise é a virtude, que se exprime claramente no ponto de 
partida e chegada de seus estudos sobre a democracia.
Seguiremos explanando sobre as lutas e desigualdades acometidas pelas revolu-
ções contextualizando até os dias atuais, para que possamos perceber se houve ou não 
avanços e quais pontos precisamos aprimorar para uma evolução em prol da coletividade. 
Nessa premissa, o homem em seu condicionamento individual ou coletivo busca sempre 
alcançar êxito, mas qual a relação homem e trabalho no contexto sociológico?. A busca 
pela sobrevivência diante da globalização oportuniza um novo formato ao trabalho tendo 
em vista a contemporaneidade. O homem sempre se adapta diante das transformações, 
mas cabe compreendermos se o homem acompanha essas constantes mudanças e as 
possíveis consequências. 
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45
 1
TOCQUEVILLE:
DEMOCRACIA,
LIBERDADE E
IGUALDADE
TÓPICO
UNIDADE 3 DEMOCRACIA
Dezesseis anos antes do nascimento de Tocqueville, iniciava-se na França, sua terra 
natal, a Revolução que abalaria o Antigo Regime e mexeria com os alicerces da sociedade 
ocidental da época. Antes de ser um fenômeno puramente francês, a Revolução pertenceu 
ao mundo. Simbolicamente, a França penetrava na cena contemporânea e no seu topo se 
encontrava a burguesia triunfante. Apontada como marco divisório da História, a Revolução 
Francesa foi um fenômeno complexo que incluiu várias revoluções no processo revolucionário.
 Essas pequenas revoluções ligavam-se a camadas sociais mais diversas, por 
vezes se contrapondo, mas sempre interligadas. Observemos a seguir:
Diversos historiadores apontam a Revolta Aristocrática, acentuada de 1786 a 
1789, como um movimento cujo desenvolvimento acabou favorecendo o de-
sencadear da Revolução Burguesa, predominante ao longo de todo o período 
revolucionário. Desde 1789, porém, iniciou-se também a Revolução Popular 
de caráter urbano e tendo nos “sans-culottes”, sobretudo de Paris, a van-
guarda da massa pauperizada; sua influência como força de pressão ou de 
apoio da Revolução Burguesa, fez-se presente em momento diverso, mas as 
conquistas populares foram efêmeras. Houve ainda a Revolução Campone-
sa, cuja violência e amplitude acarretaram o “Grande Medo”; essencialmente 
dirigida contra a opressão e os privilégios feudais, tendeu a se esvaziar na 
medida em que se supriram os direitos feudais e se faz a partilha das grandes 
propriedades feudais, permitindo a formação de numerosa classe de peque-
nos proprietários rurais (HOBSBAWM, 2004, p.120).
Não obstante, a complexidade do processo revolucionário, a Revolução Francesa 
deve ser entendida no quadro geral das Revoluções Burguesas: a ideologia revolucionária 
foi burguesa, a direção do movimento revolucionário permaneceu sempre nas mãos da 
burguesia, o Estado criado entendia aos interesses econômicos burgueses. Por conse-
guinte, ainda que não sendo exclusivamente, mas essencialmente burguesa, a Revolução 
Francesa estava ali dentro da era da burguesia triunfante. 
Além disso, ela representou a crise final do Antigo Regime, cujas estruturas foram 
abolidas e substituídas por outras apropriadas ao novo Estado burguês capitalista.Essa cri-
se a qual nos referimos aconteceu em três níveis: o econômico, o social e o político. A crise 
econômica foi estrutural e conjuntural. Do ponto de vista estrutural, representou o colapso 
do feudalismo, subvertido pelo crescimento demográfico e pelo desenvolvimento de forças 
de produção capitalista. Soma-se a isto uma conjuntura marcada por crises econômicas, 
aprofundando as contradições da sociedade. 
Assim foi que a agricultura, base da economia francesa, viu sua subprodução agra-
vada por fenômenos climáticos que acarretaram más colheitas e, em consequência, a maior 
elevação dos preços dos gêneros alimentícios, com isso acarretando a sua alimentação e 
a miséria das classes populares. Além do mais, um desastroso tratado comercial com a 
Inglaterra (Tratado Eden-Ryneval de 1786, assegurando baixos direitos de importação aos 
tecidos e produtos metalúrgicos ingleses em troca de tarifas preferenciais ao vinho francês 
exportado para a Inglaterra) afetou profundamente a indústria manufatureira francesa inca-
paz de concorrer com a indústria inglesa já na fase da Revolução Industrial.
 Sucedendo falências e uma onda de desemprego, subemprego e queda dos salá-
rios, justamente quando o custo de vida estava em elevação. Paralelamente à fermentação 
social que ocorria, a Monarquia debatia-se em grave crise financeira, devido aos gastos 
com as guerras em que se empenhava e às despesas decorrentes de uma corte suntuosa. 
Daí a convocação dos Estados Gerais por Luiz XVI, buscando uma solução para a crise 
financeira. Interessante lembrar que foi esta decisão de Luiz XVI que proporcionou a primei-
ra vitória revolucionária. Como podemos observar na citação:
Cerca de seis semanas após a abertura dos Estados Gerais, os Comuns, 
ansiosos por evitar a ação do rei, dos nobres e do clero constituíram-se eles 
mesmos, e todos os que estavam preparados para se juntarem a eles nos 
termos que ditasse, em Assembléia Nacional com direito de reformar a cons-
tituição. Foi feita uma tentativa contra-revolucionaria que os levou a formular 
suas exigências praticamente nos termos da Câmara dos Comuns Inglesa. 
O Absolutismo atingiu seus estertores, conforme Mirabeu, um brilhante e de-
sacreditado ex-nobre, disse ao rei: “vóis sois um estranho nesta assembléia 
e não tendes o direito de se pronunciar aqui” (HOBSBAWM,2005, p.92, 93)
46
A crise também foi social, como dissemos acima, pois a estrutura social legal (a 
sociedade permanecia dividida em três Estados ou Ordens: o Clero, integrando o primeiro 
Estado; A Nobreza formando o Segundo Estado; e o Povo, comportando inúmeras classes 
reunidas no Terceiro Estado) não correspondia mais à realidade existente. Chefiado pela 
burguesia, o terceiro Estado contrapunha-se aos privilégios das classes parasitárias. Nos 
campos, os camponeses em situações de miséria tinham que pagar tributos absurdos ao 
clero, aos dízimos e à decadente nobreza. Nas cidades perambulavam pelas ruas umas 
massas de desempregados (os “sans-culottes” que sustentaram as grandes jornadas po-
pulares da Revolução).
 Em relação à política, a crise instalou-se porque o Absolutismo mostrava-se 
incapaz de conter a aristocracia e de proceder às reformas necessárias. A própria base 
do poder era atacada pelos filósofos da “razão”: ao “direito divino” dos Reis opunha-se a 
soberania do povo; à religião de Estado contrapunha-se a liberdade de consciência: ao 
dirigismo econômico do Mercantilismo apresentava-se a liberdade econômica. A burguesia, 
consciente de sua força e de seu poder econômico, apesar das limitações existentes, já 
ambicionava o poder político. Analisando Hobsbawm:
A burguesia dos penúltimos 25 anos do século XIX era esmagadoramente “li-
beral”, não necessariamente num sentido partidário (embora, como já vimos, 
os partidos liberais prevalecessem), mas num sentido ideológico. Acredita-
va no capitalismo, empresa privada competitiva, tecnologia, ciência e razão. 
Acreditava no progresso, numa certa forma de governo representativo, numa 
certa quantidade de liberdades e direitos civis, desde que compatíveis com 
a regra da lei e com o tipo de ordem que mantivesse os pobres no seu lugar. 
Acreditava na cultura como um adendo à religião, que às vezes substituía --- 
em casos extremos substituindo a frequência ritual à igreja pela ida à ópera 
--- teatros e concertos. Acreditava na carreira aberta ao empreendimento e 
talento, e as próprias vidas de seus membros provavam esses méritos. Como 
já vimos, nesse tempo a fé tradicional e puritana nas virtudes da moderação 
e abstenção encontrava dificuldades no caminho de sua realização mas tal 
fracasso não era muito lamentado (HOBSBAWM, 2005, p.53).
 E as circunstâncias favoreceram seus intentos quando o Rei Luiz XVI, premido 
pelo déficit orçamentário e optando pela demissão de ministros que propunha reformas 
fiscais (Turgot, Necker, Calonne, Brienne) a se impor à resistência da nobreza (Revolta 
Aristocrática), convocou os Estados Gerais, possibilitando assim, como dissemos anterior-
mente, o Início da Revolução.
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 2 TOCQUEVILLE:
VIDA E OBRA
TÓPICO
UNIDADE 3 DEMOCRACIA
 Tocqueville nasceu no dia 11 termidor do ano XII (29 de Julho de 1805), em Paris, 
sua família sempre esteve ligada à nobreza francesa. Seus pais, de origem nobre, eram 
Hervé Louis Fraçois Jean Boaventura Clerel e Louise Marie Le Peletir Rosanbo. A família 
Clerel, ramo paterno de Tocqueville, provinha de uma nobreza normanda muito antiga. Um 
antepassado seu, Guillume Clarel, foi companheiro de lutas de Guilherme, o conquistador e 
muito provavelmente deu origem à família inglesa dos Clarell. Outro ramo da família Clarel 
ou Clerel estabeleceu-se a partir do século XII na região de Caux, tendo legado seus bens 
à Abadia de Jumièges. Em fins do século XIV essa família deslocou-se para o leste. 
Assim, em 1590, uma parte da família Clerel estabeleceu-se no Cotentin, no feudo 
de Auville, pertencente à paróquia de Tocqueville, da qual os Clerel tomariam o nome em 
1661, após a solução favorável da disputa pela qual outra família, os Laverrier, pretendia a 
posse do mesmo feudo. No século XVIII, a família Tocqueville, graças a uma hábil política 
matrimonial, conquistou indiscutível preeminência social nos quadros da nobreza: o avô 
paterno de Aléxis, Bertrand Bonaventure, chamado de cavaleiro de Tocqueville casou-se 
com Catherine de Damas-Crux, pertencente a uma antiga família Forez, cujas veias corria o 
sangue de São Luís e de César Borgia, tendo sido considerada pelo genealogista Beaujon 
uma das mais antigas e importantes do “reino”. A mãe de Aléxis, Louise Marie Lê Peletir 
Rosambo, era neta por parte materna do ex-conselheiro real Malesherbes e filha de Ro-
sambo, ex-presidente da Câmara do Parlamento de Paris.
UNIDADE 3 DEMOCRACIA
Seus avós maternos foram guilhotinados no período do terror durante a Revolu-
ção Francesa, o que não aconteceu com seu pai Hervé Boneventure graças ao fim deste 
período. Tocqueville iniciou sua formação intelectual em Paris sob a orientação de um 
preceptor, o abade Lesuer. Em 1821, o jovem Tocqueville deu continuidade a seus estudos 
com o curso de retórica no Liceu de Metz, cidade onde o conde Hervé era prefeito. Naquela 
época, graças às múltiplas leituras, especialmente das obras de Jean-Jacques Rousseau 
e Voltaire, que realizou na biblioteca da prefeitura municipal, Tocqueville se distanciou da 
fé e da moral tradicionais e teve lugar seu primeiro romance, que duraria cinco anos com a 
jovem Rosalie Malye, filha do arquivista local.
 Em 1823 Tocqueville iniciou seus estudos na Faculdade de Direito da Universidade 
de Paris, obtendo o título de licenciado em 1826. O currículo da faculdade, após as reformas 
reacionárias de 1822 --- que pretendiam banir as abordagensfilosóficas e humanísticas em 
prol da ênfase no estudo de Direito Romano e de conhecimento positivos e usuais --- era 
bastante pobre se comparado ao que tinha vigência anteriormente, inspirado nas reformas 
de Royer-Collard (1819). Esse ensino reduzia-se aos institutos de Justiniano e as Pandec-
tas, ao comentário do Código Civil, ao procedimento civil e penal, e ao direito comercial. 
Certamente, pesou mais na formação de Tocqueville preocupado com a compreensão dos 
grandes movimentos históricos e sociais, a influência de suas leituras de juventude as 
quais, além de Rousseau e Voltaire, deve ter lido os autores que achava na biblioteca 
paterna: Montesquieu, Buffon, Mably, Reynal, Chateaubriand. 
Pesou de forma decisiva, na formação de seu raciocínio, a influência de Guizot. Em 
1829 e 1830, nosso autor frequentou os cursos de Guizot, ministrados na Sorbonne sobre a 
história da França. O jovem Tocqueville foi um ouvinte atento, que tomava notas das expo-
sições e ensinos ali ministrados. Em contrapartida, Tocqueville como um estudante crítico e 
que tinha visto in loco as atribulações sofridas pela sua família no período da Revolução e 
posteriormente a ela, encontrava dificuldade em aceitar a ideia de Guizot de superar o ciclo 
revolucionário num regime fundado apenas no voto censitário. Não se pode negar que a 
influência de Guizot foi decisiva em Tocqueville, apesar das dissensões que acabamos de 
mencionar. O centro dessa influência consistia na insistência do velho doutrinário Guizot 
em colocar para as jovens gerações o respeito ao passado, para estabelecer a unidade 
da Nação ao longo dos séculos. Pierre Rosanvallon destacou de forma clara a finalidade 
perseguida por Guizot e os demais doutrinários.
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Tocqueville assimilou a herança do doutrinário, principalmente a de Guizot. Mas 
também cresceu em outros aspectos, a defesa da liberdade, que no pensamento daqueles se 
traduziu num certo formalismo que pretendia garantir as conquistas revolucionárias, apenas 
para a burguesia comodamente instalada no poder. Para Tocqueville (2001), a liberdade 
constitui imperativa categórica para ser consolidada e garantida a todos os franceses. Assim, 
Tocqueville vai ao encontro da democracia, que vivencia de fato na América, por meio do 
caminho da defesa da liberdade.
Pelos serviços prestados pela sua família à corte francesa, o jovem Tocqueville foi 
nomeado juiz e auditor nas cortes de Versalhes. Em 1827, com 22 anos de idade, serviu 
ao governo dos Bourbons, no momento em que esta monarquia encaminhava-se para ser 
destronada. Com a morte de Luiz XVIII em 1824, sobe ao trono o seu irmão, conde de 
Artois, que recebe o título real de Carlos X. Neste momento histórico havia na França três 
tendências dominantes entre os partidos: os ultra-realistas, em sua maioria emigrada que 
haviam deixado o país em 1789 e buscavam recuperar os privilégios perdidos, liderados 
pelo irmão do rei, o Conde de Artois; liberais ou independentes, coligação heterogênea, 
com republicanos e bonapartistas, que queriam preservar as conquistas revolucionárias, 
liderados por La Fayette; e os constitucionalistas de centro, que pretendiam a aplicação 
estrita da Carta Constitucional liderados por Guizot.
A viagem de Tocqueville à América foi de grande valor dentro de seus planos, pois 
além de elaborar junto com Beaumont o relatório proposto sobre o sistema penitenciário, 
nosso autor publicou em 1835 a primeira parte da sua mais importante obra, A Democracia 
na América, em seu complemento de 1840, Tocqueville continuou a analisar a questão da 
democracia.
 
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 3 LUTAS
E
DESIGUALDADES
TÓPICO
UNIDADE 3 DEMOCRACIA
A desigualdade social advém das diferenças que visualmente são evidentes. Quan-
tas vezes você se deparou com alguém próximo ou até mesmo vendo pelas redes sociais, 
pessoas que compraram algo que você tanto sonha, em um piscar de olhos e até em 
quantidades, enquanto nós levamos anos para adquirir e muitas vezes até caiu de moda 
quando alcançamos essa oportunidade. Isso denota a desigualdade social, as diferenças 
de acordo com os padrões de vida que diferencia nosso acesso a coisas simples que 
deveriam ser condições básicas para todos.
Essa discrepância social é notória quando tentamos ter acesso a saúde, moradia, 
educação, trabalhos, ganhos salariais, transporte. Se analisarmos o viés político no Brasil, 
desde seus primórdios, fica explicito que a exploração sempre esteve presente, podemos 
citar fatos históricos, como a escravidão dos negros e revolução industrial. Atualmente, 
conseguimos entender que a administração dos recursos públicos configuram uma engre-
nagem que não funciona. Enquanto a política tem como objetivo o enriquecimento próprio, 
o uso da máquina pública com interesse da minoria a desigualdade persevera. Em síntese:
(...) a despeito do crescente processo de democratização, com mais competi-
ção política, acesso à informação e participação social no processo decisório, 
o problema persiste e o combate às desigualdades vem apresentando resul-
tados abaixo do esperado. Se o campo de estudo avançou nas investigações 
acerca do diagnóstico, de suas origens e seus efeitos deletérios à economia 
e sociedade, como se explica essa situação paradoxal de amplo reconheci-
mento do problema e baixa capacidade de resolução? Uma estratégia analíti-
ca alternativa para abordar a questão é analisar como a sociedade entende e 
se posiciona sobre o problema, suas causas e soluções possíveis (LAVINAS 
et al., 2014, p. 45).
Não há outra explicativa para que os serviços básicos quais a população merece 
e tem por direito são negados, destacamos novamente o quanto é importante a sociedade 
se inteirar e participar dos movimentos sociais, pois muitos deles exigem os direitos que 
temos constituídos em Lei (Constituição Federal), mas que muitas vezes desconhecemos. 
Podemos mencionar algumas desigualdades mais graves no Brasil, sendo elas: alimen-
tação, saneamento básico, ensino de péssima qualidade, pouca formação profissional, 
desemprego, saúde pública, mortalidade infantil, violência, entre outros.
Quantos de nós nos deparamos com revistas, propagandas, até mesmo livros didá-
ticos, com uma bela mesa de refeição e toda família perfeita em volta reunida. Uma visão 
ideal, mas a realidade não se aplica a todos, em muitas mesas a fartura não é evidente, 
quando há o que comer, mas é mais fácil mostrar o que enche os olhos e impulsiona o 
sistema capitalista por meio do consumismo, do que expor a pobreza e gerar polêmicas por 
alguns dias. Hoje pensar em família é repensar a construção dessa ideia, pois o “modelo” 
que regia os padrões transformou-se. 
Em cidades e estados vemos as grandes belezas de prédios, centros comerciais, 
que nos preenchem os olhos, nos atrai para as grandes maravilhas que o sistema capitalista 
promove. Conforto e qualidade de vida. Quando caminhamos um pouco mais, encontramos 
uma outra realidade como se estivéssemos em outra localidade. Desestrutura, saneamento 
básico precário, cabendo às pessoas que ali habitam uma situação de abandono. As con-
sequências se sintetizam muitas vezes na saúde pública, pois muitas doenças são opor-
tunistas e se aproveitam da situação precária que sucumbe na dificuldade de se manter a 
higiene do local e si próprio. E assim, seguiríamos com muitos exemplos, em todas as áreas 
que a sociedade ocupa. 
A desigualdade traz suas consequências, pois o indivíduo fica restrito às questões 
ligadas à cultura e história. Perceba como a falta de conhecimento, ocasionada pela difi-
culdade que as pessoas possuem de estudar, ofuscam a necessidade conhecer a história, 
assim, aprender a lutar pelas suas ideias de forma coletiva. Um só lutando, existe força, 
imaginem milhares de pessoas,formando uma força motriz. Quando a minoria, que apren-
demos ser a maioria em quantidade, compreender esta potencialidade, o resultado será 
visível politicamente. Umas das únicas formas de mudar essa questão é por meio do voto. 
Pois 80% do patrimônio privado do Brasil está na mão de apenas 10% das pessoas mais 
ricas. O poder centralizado nas mãos de alguns. O autor descreve que:
52
No Brasil analisa a percepção de setores da elite nacional sobre a pobreza e 
a desigualdade, a partir de dados de survey e entrevistas em profundidade. 
Os resultados da pesquisa indicam que a elite brasileira demonstra grande 
preocupação com a pobreza e a desigualdade, sendo vistos, inclusive, como 
desafio à consolidação democrática do país. No entanto, o paradoxo surge 
na medida em que essa mesma elite não se vê como parte do problema e 
credita no Estado e na sua ‘falta de vontade’ boa parte da responsabilida-
de pela pobreza e desigualdade. No âmbito das soluções, setores do topo 
da sociedade brasileira tendem a depositar as fichas nos investimentos em 
educação, como uma panaceia, o que, de acordo com Reis (2000), reflete a 
crença de que a melhoria das condições de vida dos pobres deveria vir sem 
custos diretos aos não pobres (REIS, 2000, p .44).
Podemos classificar a desigualdade em quatro eixos: econômica, racial, regional e 
de gênero. Pela distribuição de renda entendemos o quão difícil é equiparar essa balança 
financeira. Vejamos a diferença salarial do homem e da mulher em um mesmo setor 
de trabalho (desigualdade de gênero), compare o salário dos políticos com os demais 
trabalhadores, observe os valores distribuídos entre patrão e empregado. As 
oportunidades salariais para as etnias negras, pardos, brancos e amarelos são muito 
discrepantes, estabelecendo um pré-conceito de que a cor mede o nível de inteligência. 
Isso é tão real que podemos basear--nos na necessidade de cotas raciais para as 
instituições a nível de contratação. Se não houvesse, não contratariam?
A diferença de crescimento econômico de região para região, de cidade para cida-
de, de estado para estado, se dá pelas características regionais. Neste item vale a pena 
reforçar que as pessoas devem questionar, cobrar, fiscalizar, exigir melhorias, mas sempre 
de forma coletiva e pacífica. E a desigualdade de gênero é precisa no mercado de trabalho, 
as mulheres ganham, de acordo com os dados do IBGE, cerca de ¾ a menos em relação 
aos homens, em relação à educação, de acordo com a UNESCO (Organização das Nações 
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), as mulheres representam em média 700 
milhões de adultos que não possuem a mínima habilidade de ler e escrever, o envolvimento 
político é mínimo (2020). A violência doméstica tem se agravado contra a mulher, hoje 
amparada pela Lei Maria da Penha. 
A existência da desigualdade social não é característica apenas do Brasil, até por-
que faz parte da relação que a sociedade estabelece para as transformações necessárias, 
impulsionando lugares desiguais. Entretanto, essa premissa no Brasil é absurdamente 
discrepante, chegando a muitos brasileiros viverem abaixo da linha da pobreza. Sempre é 
preciso nos questionar, porque tal situação se encontra tão agravante, a sociedade precisa 
ter consciência das transformações sociais necessárias e que essas mudanças só ocorre-
rão se a coletividade falar mais alto.
UNIDADE 3 DEMOCRACIA 53
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TÓPICO
UNIDADE 3 DEMOCRACIA
 4 HOMEM E
O TRABALHO
Quando entendemos que o trabalho e o homem foram grandes desafios para so-
ciologia contraponto às mudanças no mundo do trabalho, sucinta que grandes avanços 
obtivemos em nossos estudos. Essa temática dispõe que sempre houve um lugar central 
na vida da sociedade, pelas suas devidas necessidades, então um grupo de pessoas que 
convivem em espaços comuns. Para uns caracteriza a necessidade de sobreviver; para 
outros, enriquecer, isso é visto claramente na relação de produção, fruto da Revolução 
Industrial. Kanaane (1999) diz que o trabalho pode ser considerado como o processo entre 
a Natureza e o homem, por meio do qual este realiza, regula e controla, mediante a sua 
própria ação, o intercâmbio de matérias com a Natureza.
Embora saibamos de todos os avanços nos quais nos beneficiamos pela Revolução 
Industrial, há uma necessidade de mudança de mentalidade, para que possamos usufruir 
destas organizações sociais sem causar danos, seja ele para as pessoas, meio ambiente ou 
qualquer outro. Um ciclo, veja bem, com as máquinas, operários foram trocados para que a 
produção fosse maior. Com as produções em altas escalas, o desejo pelo consumo aumen-
tou. E, consequentemente, houve uma mecanização do trabalho. Assim explica o autor: 
A mecanização do trabalho levou à sua divisão e à simplificação das opera-
ções, substituindo os ofícios tradicionais por tarefas semi-automatizadas e 
repetitivas, que poderiam ser executadas por pessoas sem qualquer qualifi-
cação profissional e com facilidade de controle por parte de uma supervisão 
(CHIAVENATO, 2000, p.45)
 Nas teorias de Marx, ele denota de forma objetiva essa afirmativa, pois um dos 
pontos de discussão do autor em relação ao capitalismo é a questão da lei da mais valia, 
alicerçada pelas organizações no emprego da força do trabalhador. Assim, o operário vende 
sua força de trabalho e em troca tem seu salário, entretanto, o lucro obtido pelo patrão não 
é repassado. O que fica claro quando falamos de mudança mental sobre o assunto, pois 
ainda seguindo a teoria de Marx, não há como dissociar ciência e ideologia, pois para ele 
ideologia fazia parte da ciência.
Weber (2000), um cientista social, considerava que a sociologia era uma ciência 
propriamente de conduta humana tal como precisamente uma conduta social. Ele não 
negava a devida importância e/ou existência dos fenômenos sociais, mas enaltece a neces-
sidade de entender as reais intenções e motivações que os indivíduos buscavam vivenciar 
devidas situações sociais. “Há uma separação entre política e ciência, pois a esfera da 
política é irracional, influenciada pela paixão, e a esfera da ciência é racional, imparcial e 
neutra.” (Weber, 2011).
Vamos refletir sobre o trabalho considerando o trabalhador e a sua relação no mun-
do do trabalho, numa perspectiva histórica. Se considerarmos a existência de diversos tipos 
de sociedade, precisamos também considerar as variações de organizações no ambiente 
social. Tendo como premissa que o homem é o único ser que exerce essa prática. Nessa 
conjuntura, qual a postura correta do trabalhador em sua opinião? O homem não deve ser 
omisso e alienado frente ao processo político, social e econômico, mas um cidadão agente 
do processo de trabalho capaz de interagir e agir neste setor. 
Como você entende o trabalho? Na antiguidade, o trabalho era impuro e desprezível, 
cabia aos escravos essa funcionalidade. Na idade média, o trabalho era servidão. Essas 
concepções passaram a ter outra conotação com João Calvino e sua Reforma protestante. 
Para ele, todo sucesso relacionado ao trabalho deveria ser obtido por ética religiosa do 
trabalho, devendo ser praticado com honestidade e sobriedade, o que agradaria a Deus, ou 
seja, o trabalho era considerado como uma “bênção divina”, apenas os escolhidos teriam 
sucesso. Para conhecimento: 
O calvinismo recebeu o nome de João Calvino , (1509-1564) que exerceu 
uma influência internacional no desenvolvimento da doutrina da Reforma 
Protestante, à qual se dedicou com a idade de 25 anos, quando começou a 
escrever os Institutos da religião Cristã em 1534 (publicado em 1536). Esta 
obra, que foi revista várias vezes ao longo da sua vida, em conjunto com a 
sua obra pastoral e uma coleção massiva de comentários sobre a Bíblia, são 
a fonte da influência permanenteda vida de João Calvino no protestantismo 
(MOTTA, 1986, p,65).
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Havia diferença na sociedade feudal da sociedade capitalista. Na primeira os tra-
balhadores conheciam seus trabalhos, dominavam essa produção e depois, começaram 
a vender sua mão de obra em troca de pagamento e seu trabalho passou a ser fragmen-
tado desconhecendo o processo. Tempo e espaço eram outros, o relógio passou a ser 
protagonista desta história, pois começou a quantificar as horas de trabalho, uma nova 
disciplina exigia dos trabalhadores. Atualmente, esse compasso das horas tem propiciado 
que grande número de trabalhadores em sua atividade laboral se torne “escravos” e doen-
tes. Na sociedade industrial o pretendido era padronizar mercadorias e trabalho. Com a 
sociedade pós-industrial o que se visava era uma qualidade de vida, o trabalho intelectual, 
a descaracterização do tempo. E assim: 
A sociedade pós-industrial teve início com o aparecimento das indústrias, 
com o aumento da expectativa de vida das pessoas, com o constante cresci-
mento da tecnologia; provém de um conjunto de situações provocadas pelo 
advento da indústria, tais como o aumento da vida média da população, o 
desenvolvimento tecnológico, a difusão da escolarização e difusão da mídia 
(OLIVEIRA, 1999, p 31).
Podemos dizer que a era pós-industrial é conhecida também como a era da in-
formação e do conhecimento. Se observarmos após a Revolução Industrial, as técnicas 
para maior produção foram sendo potencializadas, dando espaço para a tecnologia, que 
de forma sistêmica se reinventa diariamente, assim, as pessoas estão sendo substituídas 
por máquinas e robôs, podemos ver explicitamente quando chegamos ao banco e os cai-
xas eletrônicos estão exercendo a função de pessoas. Claro que em contraponto surge a 
necessidade de novos profissionais, entretanto, com qualificações cada vez maiores. Para 
Santos (2001): 
O desemprego crescente torna-se crônico. A pobreza aumenta e as classes mé-
dias perdem em qualidade de vida. O salário médio tende a baixar. A fome e o 
desabrigo se generalizam em todos os continentes. Novas enfermidades como a 
SIDA se instalam e velhas doenças, supostamente extirpadas, fazem seu retorno 
triunfal (SANTOS, 2001, p. 31).
Consequentemente, a globalização proporciona um aumento de consumo, um vo-
lume maior de informações, desenvolvimento tecnológico, redução de direitos trabalhistas 
e aumento da concorrência entre empresas. A globalização intensifica o conhecimento, 
pois há a troca de informação para crescimento de todos. Então conseguimos ter aqui duas 
vertentes que beneficia a todos com as trocas de conhecimento, mas a disparidade está 
no potencial de consumo de cada lugar. Sabe-se que a globalização não traz prosperidade 
a todos, ainda existem inúmeras pessoas excluídas, sem oportunidade e sem qualificação 
profissional. Há muito trabalho para que a sociologia continue a contribuir para que a socie-
dade encontre o espaço legítimo entre o homem e o trabalho. 
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Podemos dizer que a globalização é um processo econômico e social que estabelece uma integração entre 
os países e as pessoas do mundo todo e que, por meio deste processo, as pessoas, os governos e as empre-
sas trocam idéias, realizam transações financeiras e comerciais e espalham aspectos culturais pelos quatro 
cantos do planeta, que deveria gerar muitos empregos. Porém, a parcela da força de trabalho disponível 
que se encontra sem emprego denomina-se desemprego. Trata-se de um fenômeno social observado prin-
cipalmente em países subdesenvolvidos cujas economias não conseguem suprir o crescimento populacio-
nal. Um agravante desse fenômeno é a crescente mecanização e informatização dos processos de trabalho, 
excluindo cargos que antes eram desempenhados por pessoas e que agora o são por máquinas. 
ANTUNES, Ricardo. Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. 6. ed. 
São Paulo: Boitempo, 2002.
As atitudes definem predisposições para com determinados aspectos do mundo – as pessoas têm atitudes 
em relação ao seu trabalho, a sua organização, aos seus colegas e a sua remuneração. As atitudes fornecem 
a base emocional das relações interpessoais e da identificação da pessoa com os outros. As atitudes estão 
organizadas e próximas ao núcleo da personalidade, mas estão sujeitas à mudança, são influenciadas pelo 
ambiente. As atitudes são afirmações avaliadoras – favoráveis ou desfavoráveis – em relação a objetos, 
pessoas ou eventos e refletem como um indivíduo se sente em relação a alguma coisa. 
KANAANE, Roberto. Comportamento humano nas organizações. São Paulo: Atlas, 1999. 
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
UNIDADE 3 DEMOCRACIA
A ciência política de Tocqueville é esclarecida como consequente de uma epistemo-
logia e um ideal ético igualitário que só podem resultar num máximo respeito às liberdades 
individuais. A Democracia Liberal segundo Tocqueville é a única possibilidade de realização 
do ideal cristão de semelhança entre os homens. Imbuído de profunda consciência moral, 
Tocqueville sentiu-se no dever de dedicar sua vida à concretização de sua teoria social. 
O compromisso do intelectual de divulgar seu saber é, segundo Tocqueville, tão intenso 
quanto forem as perspectivas de melhoras sociais decorrentes dele. 
Tocqueville tinha a visão de uma democracia harmônica da igualdade com a liber-
dade e acreditava firmemente que a solução só se daria na medida em que os cidadãos 
devessem estar sempre alerta e ativos na defesa da liberdade e que ele próprio procure 
lutar em defesa de seus ideais. Sua vida política é um exemplo claro desta luta. Vivendo 
desde o seu nascimento, em um ambiente marcado por transformações sociais ocorridas 
pela Revolução Francesa, vê as revoluções em geral com certa desconfiança, mas é capaz 
também de analisá-las em alguns pontos de suas obras como necessárias e prevê-las em 
determinados momentos.
Houve grandes avanços históricos que causaram significativas melhoras tanto 
individual quanto para o coletivo, porém, a necessidade de evoluirmos no sentido de grupo, 
com respeito frente às diferenças, seja de ideias ou qualquer outra. Quando falamos de ho-
mem e trabalho, entendemos que cada vez mais a sociedade busca um conforto em meio 
a necessidade de sobrevivência. O homem sempre se adapta diante das transformações, 
mas nem todos estão aptos para acompanhar, uma seleção natural entre outros é o que de 
fato muitas vezes acontece. 
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LEITURA COMPLEMENTAR
UNIDADE 3 DEMOCRACIA
TRABALHO COMO CATEGORIA DO HOMEM E DAS RELAÇÕES SOCIAIS 
RESUMO: O artigo busca caracterizar o trabalho na concepção marxista a partir de 
seu método de construção dialética teórica. O movimento real do objeto, quando em contato 
com o pesquisador, se reproduz de maneira ideal, em seu pensamento. Verificou-se que a 
categoria Trabalho foi sendo construída ao longo de anos de reflexão feitos por Marx, e que 
foi sendo desenvolvido sob múltiplas determinações, com a relação de produção, o lucro, a 
mais valia, a alienação e a consciência criativa. Dessa forma pode ser compreendida como 
mercadoria que se comercializa em uma tensão dialética de explorações e conquistas. 
Palavras-Chave: Trabalho. Método de Marx. Construção teórica. 
https://www.joinpp.ufma.br/jornadas/joinpp2017/pdfs/eixo2/trabalhocomocatego-
riadohomemedasrelacoessociais.pdf 
 
https://www.joinpp.ufma.br/jornadas/joinpp2017/pdfs/eixo2/trabalhocomocategoriadohomemedasrelacoessociais.pdf 
https://www.joinpp.ufma.br/jornadas/joinpp2017/pdfs/eixo2/trabalhocomocategoriadohomemedasrelacoessociais.pdf 
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MATERIAL COMPLEMENTAR
UNIDADE 3 DEMOCRACIA
LIVRO
Título: Da Democracia na América Alexis de Tocqueville
Autor: Alexis de Tocqueville
Editora: Vide Editorial
Sinopse: Um sobrevivente da Revolução Francesa, o livro relata 
sua vida e suas obras. Um intelectual a um retratista fiel de sua 
época, retratando a questão da liberdade e da igualdade e com 
rumos da políticafrancesa nos idos de 1830 a 1848. 
FILME / VÍDEO
Título: Spartacus 
Ano: 1960
Sinopse: são retratados os esforços de um gladiador que se 
revolta contra a opressão dos nobres romanos. Ele organiza 
uma rebelião de trabalhadores, durante o Império Romano, 
para reivindicar melhores condições de trabalho, a conquista 
de uma vida mais digna e respeito ao ser humano trabalhador, 
na época submetido ao regime de escravidão.
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Plano de Estudos
•	Contexto	Sociológico	e	a	Revolução	Industrial.
•	Sociologia	e	Responsabilidade	Social.
• Sociologia: Pobreza e os Direitos Sociais.
• Sociologia e a Importância das Políticas Públicas.
Objetivos da Aprendizagem
•	Compreender	a	importância	da	Revolução	Industrial;
• Entender os preceitos da responsabilidade com 
 a sociedade;
• Conceituar a pobreza a ausência da aplicabilidade
 dos direitos Sociais;
• Compreender o que são Políticas Públicas.
4UNIDADEUNIDADE
REVOLUÇÃOREVOLUÇÃO
INDUSTRIALINDUSTRIAL
 Professor Me. Jorge Alberto de Figueiredo
62
INTRODUÇÃO
Quantos conteúdos interessantes e atuais iremos aprender nesta Unidade IV, mui-
tos temas já ouvimos dizer ou já estudamos, mas relembrar e aprofundar alguns assuntos 
são primordiais para alcançarmos o objetivo de ampliar nossas fontes do conhecer cada 
vez mais. Um dos assuntos está relacionado à Revolução Industrial, graças a ela muitas 
mudanças oportunizaram o conforto que temos atualmente, mas também consequências 
sociais boas e ruins.
As mudanças sociais geradas deixaram clara a necessidade da responsabilidade 
social. Se pensarmos apenas de forma individual, será que alcançaremos o progresso tão 
esperado de nossa nação brasileira? Quando falamos sobre responsabilidade, precisamos 
compreender qual nosso posicionamento frente a essas mudanças, pois fazemos parte 
desta sociedade.
No contexto social sociológico, quando ficamos ausentes de responsabilidade social 
não buscamos agir em sociedade, conhecimento das políticas públicas, perdendo nossos 
direitos e adquirindo cada vez mais deveres e, de forma inconsequentemente, gerando 
a pobreza. Mas o que é pobreza? Entender nosso papel sempre é esclarecedor, porque 
deixamos de ser telespectadores e passamos a atuar como protagonistas. Isso nos faz 
progredir, à medida que avançamos aprendemos e amadurecemos cada vez mais. 
Pois bem, convido você para aprendermos sobre todas as temáticas desta unidade, 
sempre com um olhar reflexivo, que faça você evoluir intelectualmente, nos redirecionando 
para melhorar nossas condutas sempre que possível. 
UNIDADE 4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
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A Revolução Industrial e a Revolução Francesa ocasionaram muita instabilidade eco-
nômica e mudanças sociais que são consideradas fatores relevantes para as concepções de 
Auguste Comte sobre sociologia. Convido você para relembrar estes fatos tão significativos. 
Houve por volta do século XVIII, um momento de grandes transformações que trouxeram 
consequências positivas e negativas para a humanidade, as produções deixavam de ser 
manuais, sendo substituídas pelas máquinas.
Explorando demasiadamente os recursos naturais, bem como os trabalhadores, 
denominados operários. Tudo teve início quando a máquina à vapor foi desenvolvida, que 
deu vida aos maquinários da época, como o aproveitamento do vapor da água que era 
aquecida pelo carvão e produzia energia para as inovações que a Ciência já desenvolvia.
Não existe uma data correta que marque a Revolução Industrial, devido a muitas 
distorções, então prefiro estabelecer que esse momento foi denotado pelo desenvolvimento 
tecnológico que possibilitou a mudança no estilo de vida, do pensar e do agir de toda a huma-
nidade. Quando falamos de mudança na forma de pensar e agir, destaco que essa premissa 
deve ser constante, pois aprendemos cada dia, não temos nossas certezas mantidas para 
sempre, porque não existe verdade absoluta para todo o sempre. Podemos afirmar que:
63
 1
CONTEXTO
SOCIOLÓGICO
E A REVOLUÇÃO
INDUSTRIAL
TÓPICO
UNIDADE 4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
A Revolução Industrial significou algo mais do que a introdução da máquina 
a vapor, ela representou o triunfo da indústria capitalista que foi, pouco a 
pouco, concentrando as máquinas, as terras e as ferramentas e mentes sob 
seu controle, convertendo, assim, grandes massas humanas em simples tra-
balhadores privados de posses e explorados. Estava aí instalada a sociedade 
capitalista, que foi dividida em: – sociedade de burgueses – donos dos meios 
de produção; – proletários – possuidores apenas de sua força de trabalho; 
– funcionários do Estado e uma classe média composta de vários estratos 
contrários à discussão política (COSTA, 1998).
 Os burgueses tinham o intuito sempre de obtenção de lucros, o mercado têxtil 
trouxe máquinas que teciam fios com grande rapidez, depois o dinheiro em abundância 
começou a ser investido para produção de estradas de ferro, surge locomotivas sempre 
com o objetivo de expansão nas rotas de vendas, agilizando no transporte como também 
na quantidade. A burguesia enriqueceu não apenas pela quantidade de produtos vendi-
dos, mas pela mão de obra barata. O enriquecimento de poucos ainda faz parte de nossa 
realidade, entretanto, houve mudanças que garantem nossos direitos, o que nos falta é a 
compreensão, pois na Unidade III falamos sobre o impacto e as consequências dos direitos 
humanos no contexto da sociologia, o que nos ofertou ampliar nossos conhecimentos. 
Antes do processo industrial todo o trabalho era manual, que definia em lentidão e 
poucas quantidades e, consequentemente, pouco lucro. Com a mão de obra em demasia, 
com as máquinas, continua a necessidade de operários, mas em menor número, talvez 
assim o conceito desemprego tenha sido empregado. Neste período não havia nenhuma 
constituição que defendesse os empregados em relação aos salários e direitos, o que 
atualmente temos proteção dos direitos trabalhistas, para alcançarmos o que temos foi 
necessário todo esse processo social. Foi perceptível que:
Ainda em consequência da rápida industrialização e urbanização, aumenta-
ram tragicamente a prostituição, o suicídio, o alcoolismo, o INFANTICÍDIO, a 
criminalidade etc. Um dos fatos de maior importância relacionados com a Re-
volução Industrial é o aparecimento do PROLETARIADO e o papel histórico 
que este desempenharia na sociedade capitalista. A revolta dos trabalhado-
res pôde ser percebida com a destruição das máquinas, os atos de sabota-
gem e explosão de oficinas e os roubos e crimes, evoluindo para a criação 
de associações livres, como a formação de sindicatos (COSTA, 1998, p.80).
O sistema capitalista consiste em um sistema produtivo, mas sempre com vínculo 
particular, sem divisão de lucro, objetivando acumular o capital. O rico cada vez mais 
rico e o pobre cada vez mais pobre. Esse sistema proporciona o incentivo a ciências e 
áreas afins para que compreenda a sociedade e alavanquenovas tecnologias, mas em 
contrapartida escancara a divisão de classes. Se tratando de ciência, a Sociologia, como 
uma obra histórica, encontra-se em constante transformação em virtude da concepção do 
conhecimento. Curiosamente:
64UNIDADE 4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Em 1812 um industrial conhecido como Mr. Smith, dono de uma tecelagem no 
distrito inglês de Hiddenfield, recebeu uma carta assinada por Ludd, amea-
çando incendiar sua fábrica, junto com a casa, caso o mesmo não jogasse 
fora suas máquinas de tear. Com essa carta teve início a fase de descoberta 
do Movimento Ludista, que aterrorizou a Inglaterra de 1811 a 1818. Liderados 
por Ned Ludd, que se intitulava capitão ou general, bandos de homens com 
máscaras negras ou com o rosto pintado de fuligem atacavam as fábricas 
de tecidos de Nottingham, e depois qualquer classe de indústria que tivesse 
máquinas trabalhando. Um anúncio anônimo afixado nas ruas de Clermont, 
França, em 1818, dizia o seguinte: “Não queremos destruir a vossa fortuna, 
mas se não arranjardes maneira de nos dardes trabalho, não poderemos 
deixar de atentar contra vós e contra as máquinas. (...) Se ao fi m de 8 dias 
não retirardes as lãs das máquinas para dar trabalho a 500 pessoas que vos 
batem à porta e para as quais nem sequer vos dignais olhar, não vos espantei 
se virdes um levantamento cair sobre vós e sobre as máquinas, de tal modo 
sofremos, pobre operários, por nós e nossos filhos.” (COSTA, 1998, p.76).
Descontentamento sempre houve e sempre haverá, isso conseguimos ler nas 
contextualidade de cada pensador. Segundo Robert Merton (1970, p.33), os pensadores re-
querem releituras para que suas bases teórico-metodológicas continuem atualizadas com o 
passar do tempo, fazendo com que suas ideias avancem sob o aspecto de novas análises. 
Em Sociologia temos alguns sociólogos considerados clássicos. Dentre eles apontamos o 
francês Émile Durkheim (1858-1917), o alemão Max Weber (1864-1920) e, por último, o 
cientista econômico alemão Karl Marx (1818-1883), dentre outros.
Esses clássicos são de grande importância para o estudo da Sociologia, pois 
descrevem a realidade social e nos mostram os movimentos e conflitos, suas causas e 
consequências em uma sociedade contemporânea ainda ligada ao passado. Esses autores 
europeus estudaram a sociedade europeia no contexto em que viviam tentando compreen-
der as crises sociais presente no sistema capitalista. É importante ressaltar que cada um 
desses pensadores olharam os problemas sociais do seu ponto de vista, mas tendo a 
mesma preocupação para saná-los. 
65UNIDADE 4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
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Talvez algumas temáticas como responsabilidade social lhe chamem atenção 
por estar inserida no contexto sociológico. Mas se refletirmos, na grande diversidade que 
estamos acometidos não apenas de pessoas e ideias, conceitos, metas, focos, consiga 
compreender a importância de cada um de nós e na responsabilidade social que devemos 
assumir perante nós mesmos. Não há como apenas reclamar, sem agir e fazer constituir 
nossos direitos sem assumir nossas responsabilidades, que inicia no micro ( nossa família), 
até o macro (o mundo). Tudo tem seu tempo para progresso.
Desta forma, é crucial a compreensão sobre a sociologia clássica, refletir princi-
palmente sobre a fundamentação teórica que norteia a trajetória de Durkheim, Weber e 
Marx. Concluiremos como tudo nesta vida que houve muitas teorizações significativas, 
mas também bases teóricas que não eram pertinentes, mas cruciais para a construção da 
sociologia clássica, que possibilitou os contextos sociológicos atuais. Fatos que marcaram 
época, momentos, que impactaram uma nação, com o conhecimento atual, não seria da 
mesma forma, ou seja, é importante pensar que cada momento tem sua própria consolida-
ção histórica. Assim, evitamos julgamentos e entendemos que: 
Todas as disciplinas intelectuais têm fundadores, mas apenas as ciências so-
ciais têm a tendência de reconhecer a existência de “clássicos”. Os clássicos, 
eu afirmaria, são fundadores que ainda falam para nós com uma voz que é 
considerada relevante. Eles não são apenas relíquias antiquadas, mas po-
dem ser lidos e relidos com proveito, como fonte de reflexão sobre problemas 
e questões contemporâneas (GIDDENS, 1998, p.15).
66
 2 SOCIOLOGIA E
RESPONSABILIDADE
SOCIAL
TÓPICO
UNIDADE 4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Podemos exemplificar da seguinte maneira: Quando você quer mudar algo seja 
em suas vestimentas, sua casa, o que considera é ver como era, como é, e como gostaria 
que ficasse, mas sempre tentando acompanhar além de suas ideias, todos os parâmetros 
atuais da modernidade. Desta forma, são os sociólogos contemporâneos que mesmo tendo 
suas ideias convictas precisam reflexionar sobre a base construtiva do clássico.
Podemos considerar que sociologia clássica, destaca-se pelo momento de auto-
matização da filosofia e por intermédio das transformações propiciadas pela Revolução 
Francesa e Industrial, vai buscando conhecer os grupos sociais quais existiam e suas 
vertentes direcionadas a evolução da sociedade do momento. Neste contexto, a razão era 
a “chave” para conhecer as leis naturais, que tinha como objetivo substituir as explicativas 
filosóficas e religiosas, inclusive o senso comum. Assim:
Deve-se entender por Sociologia (no sentido aqui aceito desta palavra em-
pregada com tantos significados): uma ciência que pretende entender a ação 
social, interpretando-a, para, dessa maneira, explicá-la casualmente no seu 
desenvolvimento e efeitos. Por “ação” entende-se uma conduta humana (um 
fazer externo ou interno, seja em omitir ou permitir) sempre que o sujeito ou 
os sujeitos da ação deem a ela um sentido subjetivo. A “ação social”, portan-
to, é uma ação na qual o sentido pensado por um sujeito ou sujeito toma por 
referência a conduta de outros (...) (WEBER, 2011, p.51).
A partir do aprimoramento do conhecimento, dando espaço para o conhecimento 
científico, o peso da responsabilidade social aumenta, não podendo a coletividade alegar 
ignorância daquilo que a sociologia clássica nos acrescenta em nossa evolução. Quando 
falamos em sociedade nos remete a pensar em responsabilidade que nos coloca no pata-
mar de discutir ideias, acompanhar as mudanças em todos os cenários, sejam eles político, 
social, econômico ou nas demais esferas, cada qual dentro de seu limite de conhecimento. 
Pois ele é algo mutável, ou seja, tudo o que aprendemos se transforma, isso acontece 
porque também mudamos, a sociedade muda, tudo ao nosso redor se modifica, assim 
podemos dizer que não existe uma verdade absoluta.
O conhecimento está necessariamente imbuído no campo da atividade práti-
ca do homem, mas para garantir o êxito desta atividade ele deve relacionar-
-se necessariamente com a realidade objetiva que existe fora do homem e 
serve de objeto a essa atividade (KOPNIN, 1978, p.125). 
Vamos associando nosso conhecimento e organizando em nosso dia a dia, porque 
adquirimos consciência plena e passa ser habitual colocar em prática em nosso trabalho, 
comportamentos, de acordo com nossa realidade. É prioritário afirmar que um mesmo co-
nhecimento pode ser ensinado para um grupo de pessoas, entretanto o grau de maturidade 
de cada um que irá mediar como cada fará uso em seu cotidiano. Por meio das experimen-
tações, de empírica no cotidiano, levantamos hipóteses, que são testadas para comprovar 
as nossas certezas. No meio científico é a mesma coisa, diferenciando as exigências de 
métodos e estratégias frente a cada pesquisa. O conhecimento advém associado a vivên-
cias experiência de vida, a aplicabilidade da teoria na prática.
67UNIDADE 4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
O conhecimento surge, de acordo com que o homem precisa de buscar soluções 
para sanar suas necessidades, como não vivede forma isolada aprende com seus pares, 
cada aprendizagem deriva daquilo que que se busca saber, pois temos os conhecimentos 
empírico, sociológico, científico, religioso e filosófico. O autor define que:
A Sociologia constrói — o que já foi pressuposto várias vezes como óbvio 
— conceitos de tipos e procura regras gerais dos acontecimentos. Nisso con-
trapõe-se à História, que busca a análise e interpretação causal das ações, 
formações e personalidades individuais culturalmente importantes (WEBER, 
2000, p. 12).
O conhecimento sociológico é a complexidade do estudo sobre a sociedade, suas 
condições de existência que produz conhecimento no decorrer de sua historicidade, seu obje-
tivo maior é compreender e entender sobre as relações sociais, como são constituídas, como 
se estruturam. De acordo com essa conduta, podemos afirmar que a sociologia se define com 
o conhecimento científico, ou seja, sociólogos busca por intermédio da observação, pesquisas 
reais, entrevistas, questionários sempre com objetividade, para compreender qual a relação 
das transformações com os fatos políticos, econômicos, sociais, tecnológicos entre outros.
A sociologia busca aprimorar o conhecimento sobre a sociedade, atribuindo suas 
pesquisas a temas relevantes como mundo do trabalho, cultura e indústria cultural, meio 
de comunicação, tecnologia e cultura em massa, ideologia, cidadania, movimentos sociais, 
desigualdades sociais, identidade de gênero, sempre mantendo neutralidade. Nossa res-
ponsabilidade social deve estar atrelada justamente ao aprimoramento de nossos conheci-
mentos, evoluir nossos conceitos, para que nas tomadas de decisões que são necessárias 
para o desenvolvimento da coletividade, saibamos pensar enquanto grupo social, pois 
quanto mais agirmos na individualidade, mais propenso será a falta de êxito.
68UNIDADE 4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
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Pobreza! Uma palavra simples, mas com grandes possibilidades de análise. O que 
é pobreza para você? Quando analisamos a imagem acima, podemos pensar que a pobre-
za está relacionada apenas à parte econômica, mas ela não se restringe a isso. Existem 
outros tipos, a pobreza cultural é um exemplo. Podemos concluir que pobreza é tudo aquilo 
que falta em demasia, deixando em estado de decadência. Todos os tipos de pobreza 
tendem a levar o indivíduo a se entregar para o acaso. Sem perspectiva de melhora, de 
crescimento, impulsionado por não dizer um retrocesso ou estagnação no processo de 
evolução de uma sociedade. Contudo:
Pobreza é fome, é falta de abrigo. Pobreza é estar doente e não poder ir ao 
médico. Pobreza é não poder ir à escola e não saber ler. Pobreza é não ter 
emprego, é temer o futuro, é viver um dia de cada vez. Pobreza é perder o 
seu filho para uma doença trazida pela água não tratada. Pobreza é falta de 
poder, falta de representação e liberdade (JAMUR, 2000, p.34).
Quanto mais pobre, menos instruído. Quanto mais pessoas sem instrução, mais 
fácil a manipulação. Podemos aqui fazer uso de uma frase, qual desconheço o autor “O 
trabalho dignifica o homem”, de fato o teor não traz discussão, mas a forma em que o tra-
balhador muitas vezes vê o trabalho, apenas como seu dever, sem possibilidade de direitos 
ou com poucas possibilidades, vemos então os “trabalhadores escravos”, as correntes são 
o relógio que remete a quanto mais horas trabalhadas, mais valorização, mais ganho e não 
pensa que futuramente pode ocasionar as doenças laborais presentes nos dias atuais. 
69
 3 SOCIOLOGIA:
POBREZA E
DIREITOS SOCIAIS
TÓPICO
UNIDADE 4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Tanto as temáticas pobreza quanto dos direitos são estudadas desde a sociolo-
gia clássica, com denominações diversas, mas como as mesmas essências. Mas essas 
mazelas que existem simbolizam que o poder nas mãos de poucos pode ser uma arma 
impetuosa. O que é poder pra você? Você gostaria de ter poder? O que faria se assim o 
tivesse? Saberia lidar com as demandas originadas dele? Existe um ditado popular que 
diz “quer conhecer uma pessoa, dê-lhe poder”. O nosso assunto de hoje, na dimensão 
sociológica, faz muito sentido. Atrelado ao poder, vem grandes responsabilidades e um 
compromisso com o qual você está se colocando à disposição para obtê-lo. 
Para Weber, “poder é toda probabilidade de impor a própria vontade numa relação 
social, mesmo contra resistência, seja qual for o fundamento dessa probabilidade” (WEBER, 
2000, p.33). Existem três formas de poderes: político, econômico e ideológico. Todos cami-
nham de forma conjunta ou isoladamente. O poder econômico está canalizado na classe 
dominante, interpondo a classe operária. Regra geral do capitalismo que dita tendências, 
que faz girar todo mercado consumidor, em todos os ramos, alimentícios, vestuários, entre 
outros. Assim, fica explícito a relação existente entre poder e dominação na visão de Weber: 
Dominação, no sentido muito geral de poder, isto é, de possibilidade de impor 
ao comportamento de terceiros a vontade própria, pode apresentar-se nas 
formas mais diversas. Pode-se, por exemplo, como ocorreu ocasionalmente, 
compreender os direitos que a lei concede ao indivíduo, contra um ou vários 
outros, como o poder de dar ordens ao devedor ou ao não-autorizado, inter-
pretando-se, portanto, todo o cosmo do direito privado moderno como des-
centralização da dominação nas mãos dos “autorizados” pela lei (WEBER, 
1995, p. 188).
O poder no campo ideológico pode ter a capacidade de grandes mudanças rele-
vantes em prol de todos ou pode desfavorecer a minoria, com informações que trariam 
benefícios para a maioria. A segunda alternativa é o que mais vem ocorrendo no Brasil. 
Influenciando comportamentos, utilizando as redes sociais, meios de comunicação diversos 
e por intermédio da educação. É muito interessante pensarmos o quanto a sociologia e a 
filosofia tem o compromisso de esclarecer essas questões ideológicas, sem envolver com 
questões partidárias. 
O poder político são as argumentações que os que se interessam em ingressar 
no meio político usam para persuadir e influenciar os eleitores para a conquista do voto. E 
quando eleito, faz uso do seu poder em propiciar ações em prol da existência humana ou 
apenas com interesse próprio. O homem precisa ser racional e ativo. Thompson, retrata 
essa contextualização:
70UNIDADE 4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
O que descobrimos (em minha opinião) está num termo que falta: ‘experiên-
cia humana’. E esse, exatamente, o termo que Althusser e seus seguidores 
desejam expulsar, sob injúrias, do clube do pensamento, com o nome de ‘em-
pirismo’. Os homens e mulheres também retornam como sujeitos, dentro des-
te termo não como sujeitos autônomos, ‘indivíduos livres’, mas como pessoas 
que experimentam suas situações e relações produtivas determinadas como 
necessidades e interesses e como antagonismos, e em seguida ‘tratam’ essa 
experiência e sua cultura (as duas outras expressões excluídas pela prática 
teórica) das mais complexas maneiras (sim, ‘relativamente autônomas’) e em 
seguida (muitas vezes, mas nem sempre, através das estruturas de classe 
resultantes) agem, por sua vez, sobre sua situação determinada (THOMP-
SON, 1981, p. 182). 
Quando falamos de poder na gestão pública fica mais evidente, pois o controle so-
cial é a imposição de uma autoridade muitas vezes não alcançada, prevalecendo a coação 
para com os indivíduos. Tudo faz parte do sistema e essa conduta reflete na sociedade. Por 
sistema, segundo Eribon compreende-se que é: 
um conjunto de relações que se mantêm, se transformam, independente-
mente das coisas que os ligam. Foi possível provar, por exemplo, que os 
mitos romanos, escandinavos, célticos mostravam deuses e heróis muito 
diferentes uns dos outros, mas que a organização que os ligava (e essas 
culturas se ignoravam mutuamente),suas hierarquias, suas rivalidades, suas 
traições, seus contratos, suas aventuras obedeciam a um sistema único ( 
ERIBON,1996, p.141).
Weber define três tipos importantes de dominação: 
Carismática: quando a liderança se dá em virtude das qualidades pessoais do 
indivíduo, transmitindo aos liderados a imagem de herói ou profeta. Ela “apoia-
-se na autoridade não racionalmente nem tradicionalmente fundamentada de 
personalidades concretas” Tradicional: quando o líder domina pelo fato de pos-
suir um direito que foi adquirido ou herdado. A posição autoritária pessoal deste 
tem em comum com a dominação burocrática, pois está a serviço de finalida-
des objetivas, a continuidade de sua existência, o “caráter cotidiano” . Racional-
-legal: como em uma burocracia, essa dominação se dá através de leis, regras, 
regulamentações e procedimentos que validam o poder. Este poder, por sua 
vez, é consentido entre os líderes (WEBER, 1999, p. 23). 
O poder é um instrumento de mudança e depende muito de quem o detém. Assim, 
a conduta ética para fazer uso é essencial. O poder não pode corromper a pessoa, para que 
não seja um arma em suas mãos, que impõe a destruição de si mesma e dos que estão ao 
seu redor, capaz de gerar um avanço no sistema econômico ou pobreza em demasia.
71UNIDADE 4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
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Todos já ouvimos falar sobre políticas públicas, mas entender de fato é outra his-
tória. O conjunto de ações e normas (prestação de serviços, regulamentações, provisão, 
entre outros), todas desenvolvidas pelo Estado visando a garantia dos direitos, garantidos 
democraticamente e descrito na Constituição Federal, com objetivos de criar medidas e 
programas que garantam uma qualidade de vida melhor para as pessoas. Beneficiando a 
todos nas diversas áreas, educação, saúde, saneamento básico, cultura, esporte, lazer etc. 
Constatamos que:
Do ponto de vista teórico-conceitual, a política pública em geral e a política 
social em particular são campos multidisciplinares, e seu foco está nas ex-
plicações sobre a natureza da política pública e seus processos. Por isso, 
uma teoria geral da política pública implica a busca de sintetizar teorias 
construídas no campo da sociologia, da ciência política e da economia. As 
políticas públicas repercutem na economia e nas sociedades, daí por que 
qualquer teoria da política pública precisa também explicar as inter-relações 
entre Estado, política, economia e sociedade. Tal é também a razão pela qual 
pesquisadores de tantas disciplinas – economia, ciência política, sociologia, 
antropologia, geografia, planejamento, gestão e ciências sociais aplicadas 
– partilham um interesse comum na área e têm contribuído para avanços 
teóricos e empíricos (JAMUR, 2000,p.45).
Podemos ainda afirmar que as diversas definições e modelos sobre políticas 
públicas, mas as principais características são: permitir distinguir entre o que o governo 
pretende fazer e o que, de fato, faz. O envolvimento de vários protagonistas para tomada de 
decisão é abrangente e não se limita às leis e regras, é uma ação intencional, com objetivos 
a serem alcançados, a política pública embora apresente alguns resultados a curto prazo, 
é centrada em ações de longo prazo e envolve processos subsequentes após sua decisão 
e proposição, ou seja, implica também implementação, execução e avaliação.
72
 4
SOCIOLOGIA E A 
IMPORTÂNCIA
DAS POLÍTICAS
PÚBLICAS
TÓPICO
UNIDADE 4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Para que o Brasil consiga êxito em suas ações relacionadas às políticas públicas, 
os indivíduos precisam exercer seu engajamento social, acompanhar as mudanças e opi-
nar, isto é, ser cidadão em sua plenitude. Mas o Brasil precisa caminhar muito para atingir o 
ápice da cidadania, os pensamentos coletivos precisam ser considerados. A individualidade 
se faz presente nas ações, nos comportamentos. Exercer a cidadania é pensar em si, mas 
também ser solícito em prol dos outros. Um crescer com perspectivas futuras. Mas para que 
possamos prosseguir, convido você para compreendermos o que é democracia e revisar a 
concepção de cidadania. Assim, conseguiremos enxergar os encontros e desencontros e 
fazer de fato a democracia ser uma “arma” em nosso favor. 
Já mencionamos anteriormente, mas para que não haja dúvidas, no contexto socio-
lógico, cidadania são regras, normas que formam um conjunto de direitos e também deveres, 
nas esferas civis, sociais e políticas, que caracterizam como os cidadãos devem ser regidos. 
Podemos exemplificar: os direitos e deveres são o maestro de uma grande orquestra, dão 
os comandos. E os músicos dos mais variados instrumentos são os cidadãos que precisam 
estar antenados à música (dia a dia) para que se obtenha uma apresentação com mérito.
Quando falamos de democracia, sabemos o quanto esse termo tem sido discutido 
na atualidade, por interesses políticos, ou não, a palavra tem sido empregada nas mais 
diversas áreas. Você sabe definir democracia? De acordo Giddens, podemos conceituar da 
seguinte forma:
[..] a democracia é vista genericamente como o sistema político mais capaz 
de garantir a igualdade política, proteger a liberdade individual, defender o 
interesse comum, ir ao encontro das necessidades dos cidadãos, promover 
o autodesenvolvimento moral e possibilitar a tomada de decisão efetiva que 
leve em conta os interesses de todos (1998, p.426).
A democracia deveria garantir a igualdade política, fato esse que estamos viven-
ciando claramente que não há essa igualdade, quiçá a proteção da liberdade de cada 
indivíduo, vejamos que nem mesmo a liberdade de expressão, os interesses são cada vez 
mais individualizados. Entender a moralidade desse contexto é muito conflituoso, pois ética 
e moral são atribuídos fora de uso para muitos. 
Assim, se democracia é um regime governamental, supõe-se que os cidadãos ao 
exercer seus direitos deveriam tomar decisões formal ou informal, tendo como vozes os 
representantes eleitos, o que caracterizaria um ato democrático. O objetivo maior da de-
mocracia é permitir o envolvimento dos indivíduos em debates que propõem diretrizes para 
a sociedade e essa participação traria significativamente um crescimento intelectual, social, 
político, cultural etc. O sentimento de pertencimento que faz as pessoas se envolverem. 
“Se os direitos civis garantem a vida em sociedade, se os direitos políticos garantem a 
participação no governo, os direitos sociais garantem a participação coletiva” (SANTOS, 
1996, p.10). Afirma o autor que: 
73UNIDADE 4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
É razoável supor que caminhos diferentes afetem o produto final, afetem o 
tipo de cidadão, e, portanto, de democracia, que se gera. Isto é particularmen-
te verdadeiro quando a inversão da sequência é completa, quando os direitos 
sociais passam a ser a base da pirâmide. [...] uma consequência importante é 
a excessiva valorização do Poder Executivo. [...] A ação política nessa visão 
é sobretudo orientada para a negociação direta com o governo, sem passar 
pela mediação da representação. (SANTOS, 1996, p. 221).
Fica explícito que a democracia só se consolida quando o direito abrange a todos. 
Denota-se que a desigualdade social é um exemplo de como a democracia não alcança a 
todos, visto que o desemprego, educação precária, falta de saneamento básico, sistema de 
saúde precária expõem os conflitos de todas as esferas. Você havia pensado que a falta de 
democracia impede todo ato de cidadania e traz como fruto um caos social? 
Sim. Um caos social, uma sociedade que não tem o direito de participação e não 
foi educada a ser, não consegue vislumbrar um caminho de oportunidades. Ficando preso 
no passado ou no momento presente. Para que possamos estruturar e dar significado não 
apenas em nossa vida, mas ao coletivo, é necessário almejar, traçar metas. . . . . . . . . . . . . 
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Plano de Estudos
• Sociologia;
• Sociologia Clássica: Origem e Desenvolvimento;
• Sociologia Clássica: Métodos e Conceitos;
• Contribuições da Sociologia Clássica.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar Sociologia
• Compreender a gênese e o desenvolvimento da 
 Sociologia Clássica;
• Explicitar sobre a metodologia e conceitos da 
 Sociologia Clássica;
• Estabelecer a importância das contribuições da 
 Sociologia Clássica.
1UNIDADEUNIDADE
SOCIOLOGIASOCIOLOGIA
 Professor Me. Jorge Alberto de Figueiredo
7
INTRODUÇÃO
Que bom poder contribuir com sua aprendizagem, de forma muito didática, mas muito 
bem elucidada, iremos compreender nessa Unidade I o quão importante é a sociologia e a 
construção teórica de um sociólogo. Haja vista ser uma área de estudo e/ou trabalho muito 
dinâmica e rica em diversidade e, quando remetemos a estas características tão peculiares, 
para que chegássemos às teorizações atuais, partimos do princípio da sociologia clássica. 
Nosso olhar deve ser direcionado para a época em que a sociologia clássica foi 
concebida, bem como todos os acontecimentos em seu entorno. Muitas atitudes em sua 
vida, seja ela profissional ou pessoal que você tomou, hoje se pudesse ter a chance de agir 
de outra forma, assim faria, não é mesmo? O que mudou? Sua maturidade, pautada em sua 
experiência de vida. Desta mesma forma, aprenderemos que a sociologia surgiu mediante 
algumas necessidades e que a condução dos fatos eram alicerçados pelas experiências 
cabíveis para a época. 
Já aconteceu com você de estar assistindo algum filme, uma novela e alguma pes-
soa chega no meio e não consegue compreender o final? Pois bem, estudar a sociologia 
na atualidade e não compreender como ela surgiu, seus primeiros passos, não te dará uma 
visão de toda a linha do tempo, que contribui para seu aprimoramento. Como descreve Albert 
Einstein: “ A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”. 
Compreender o intuito da denominação da sociologia clássica nos impulsiona a 
entender as bases originárias para o surgimento e desenvolvimento, como tudo em nosso 
redor. Não existe acaso, dentro de uma lógica para tudo há uma explicativa, neste contexto, 
não se faz diferente. Com o estudo clássico da sociologia as metodologias e conceitos 
foram estruturados. Certamente, muitas hipóteses foram refutadas com o objetivo de 
consolidação das teorias dos filósofos da época. Os conhecimentos trouxeram grandes 
contribuições, pois de acordo com a evolução da sociedade, novas maneiras de conceber 
as mudanças sociais deram espaço para a continuidade destes estudos. Então vamos 
juntos ampliar nossa mente!
UNIDADE 1 SOCIOLOGIA
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 1 SOCIOLOGIA
TÓPICO
UNIDADE 1 SOCIOLOGIA
Ao aprender sobre a história da Sociologia e sua relevância enquanto disciplina es-
colar, é fundamental refletirmos sobre alguns pontos para seguir com mais conhecimentos 
que se agregam ao grande quebra-cabeça do sistema educacional e, assim, possibilitar 
uma análise crítica e construtiva sobre as diretrizes legais para a implementação e perma-
nência da disciplina no ambiente institucional.
A Sociologia, que está inserida na área de Ciências Sociais, é crucial na atualidade, 
pois estamos vivenciando momentos de grandes mudanças em todas as esferas: sociais, 
culturais, econômicas, educacionais e religiosas. Essa disciplina tem como um dos objetivos 
estudar a conduta das pessoas, tendo como base de pesquisa o meio e a forma em que se 
conectam independente dos padrões sociais e instituições.
Também uma das suas características, além da descrita acima, é contribuir le-
vantando problemas, questões, conflitos, para que outras ciências tais como: Ciência 
política que estuda os sistemas políticos, os quais estão intrínsecos às relações de poder, 
a Antropologia que pesquisa o homem e a humanidade pautada nas questões culturais e 
econômicas. E a sociologia propriamente dita, que pesquisa os relacionamentos sociais 
existentes em uma sociedade, para que possam direcionar propostas com o intuito de 
melhorar a sociedade. Essa luta de classe era defendida por Marx, que:
Desde o ponto de vista da Sociologia, foi um dos mais importantes criadores de 
um projeto de transformação radical da estrutura social, projeto este de supe-
ração das condições de opressão de classe. Para a realização deste projeto, 
além do amadurecimento das condições estruturais propícias, exige-se tam-
bém uma práxis revolucionária das classes exploradas (SCHERER-WARREN, 
1984, p. 35 apud PICOLOTTO, 2007, p. 157).
UNIDADE 1 SOCIOLOGIA
Podemos então destacar que há várias evidências que denotam a necessidade de 
refletir sobre o momento que estamos inseridos, deixemos de lado nossas escolhas pessoais 
enquanto política e religião para que possamos ter um olhar objetivando construir conceitos, 
ideias para agregar valor ao nosso cotidiano. Primeiramente, o conhecimento é o que fará toda 
a diferença para uma mudança significativa. Apenas diferencie conhecimento de informação, 
pois o primeiro é pautado em estudos, pesquisas e o segundo é o vemos por exemplo nas 
redes sociais, quais nem tudo é verdade, mas estratégias do sistema capitalista para alcançar 
seus objetivos, nos usando como “massa de manobra”. Contudo a : 
Sociologia é a ciência que estuda a vida social humana. A Sociologia é con-
siderada uma ciência por estar voltada para explicações de fenômenos, fi-
cando ao lado da Psicologia e da Antropologia, todas chamadas Ciências 
Humanas por terem como finalidade o melhor conhecimento do homem. A 
Psicologia enfoca os comportamentos individuais, enquanto a Sociologia 
aborda os comportamentos coletivos. A Sociologia contribui para a realização 
do ideal formulado pelos seus fundadores, que é a participação de todos os 
homens no controle de suas condições sociais de vida (COSTA, 1998, p.58).
De forma relevante, a sociologia tem o papel de buscar argumentos para compreen-
der as ações e reações que acontecem no mundo para solucionar ou mediar problemas que 
possam acometer gerações futuras. Um exemplo bem preciso, que podemos considerar, 
é quando você busca conhecer sua árvore genealógica, seus antepassados, sua história, 
neste contexto compreendendo o passado, o presente fica consistente e estruturado e, 
consequentemente, seu futuro também será.O autor define que:
A Sociologia constrói — o que já foi pressuposto várias vezes como óbvio 
— conceitos de tipos e procura regras gerais dos acontecimentos. Nisso con-
trapõe-se à História, que busca a análise e interpretação causal das ações, 
formações e personalidades individuais culturalmente importantes (WEBER, 
1991, p. 12).
Assim, fica claro como a sociologia age e quantos campos há para serem investiga-
dos, vivemos em uma comunidade gigante e com grandes diferenças, para que possamos 
viver de forma harmônica é fundamental o conhecimento e sistematicamente o respeito.
Pensando assim, cada indivíduo não pode agir da maneira que bem entender, 
viver em sociedade é respeitar regras e normas, ao construirmos coletivamente condutas, 
leis, diretrizes, ações, estamos pensando de forma coletiva e agregando valor a todos de 
maneira substancial.
 Educacionalmente, não foi diferente, veremos na sequência de nossa unidade 
como de forma lenta, mas concreta, as leis foram sendo criadas oportunizando a todos o 
direito de igualdade. E aos poucos a evolução ao que se refere em destacar o aluno, como 
fonte central do processo de aprendizagem. Muitas são as tentativas e descobertas que 
dinamizaram a História, sucedendo desafios e conquistas.
9
UNIDADE 1 SOCIOLOGIA
Cabee planos para o 
dia de amanhã. Isso deve acontecer não apenas em perspectiva de um país, mas enquanto 
seres individuais. Redimensionando nossas vidas pessoais, pois a cada dia aprendemos 
um pouco. Então, amanhã podemos ser melhor!
Analisando as perspectivas históricas conseguimos também entender que houve 
progresso, ao que se refere a questões democráticas no Brasil, ações políticas que tentam 
ser transparentes, mostrando a sociedade como as ações são direcionadas, de que forma 
o dinheiro público é utilizado, alguns projetos, a sociedade é convidada a participar, ou seja, 
aos poucos a objetividade proeminente da democracia e da cidadania vão tomando rumos. 
É grande responsabilidade dos indivíduos acompanharem essa transformação e 
exigir seus direito de opinar, o papel do cidadão é se fazer presente e não deixar passar 
despercebido as ideias, pensamentos e também não menos importante, saber ouvir, respei-
tar as ideias do outro, que podem ser contrárias, mas possuem seus devidos valores. Tanto 
a cidadania como a democracia tem como singular a participação do indivíduo. Mesmo com 
encontros e desencontros, o Brasil precisa se reinventar!
74UNIDADE 4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
75UNIDADE 4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL 75
A Revolução Industrial foi um dos períodos mais cruciais para o estilo de vida que temos hoje. Foi uma 
época em que muitas pessoas não tem tanto conhecimento, especialmente a respeito da sua importância 
histórica. Um dos grandes acontecimentos históricos dos últimos séculos foi a Revolução Industrial. Muitas 
das comodidades que temos hoje, só temos graças as comunidades que se baseavam principalmente na 
agricultura, onde as produziam apenas o que suas famílias consumiam e que foram para o desenvolvimen-
to das indústrias. Saiba sobre as dez curiosidades sobre a Revolução Industrial.
Fonte: https://olhaqueinteressante.com.br/curiosidades-da-revolucao-industrial/ . Acesso em 10/10/2022
A pobreza não é um acidente. Assim como a escravidão e o Apartheid, a pobreza foi criada pelo homem e 
pode ser removida pelas ações dos seres humanos. 
 
Nelson Mandela
https://olhaqueinteressante.com.br/curiosidades-da-revolucao-industrial/ 
76
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao findar desta Unidade IV, consideramos que de forma significativa aprendemos 
contextos passados, com grande repercussão em nossos dias. Assim tudo que apren-
demos pode ser mudado, mas seu contexto sempre será base para novas descobertas. 
Desta forma as duas revoluções que contribuíram para significativas mudanças sociais que 
favoreceram para o surgimento da sociologia, foi a Revolução Francesa que tinha como 
lema a busca pela igualdade, visando garantir direito a todos e a Revolução Industrial que 
trouxe inovações além do que a máquina a vapor, traz um novo estilo de vida. 
Diante de tantas mudanças temos uma sociedade do consumo sendo formada 
e um sistema capitalista vigente, como todo progresso tem resultados positivos, existe o 
outro lado também aumentaram tragicamente a prostituição, o suicídio, o alcoolismo, o a 
criminalidade entre outras coisas. O trabalho sociológico acompanhando as alterações, 
as transformações vê a importância da responsabilidade social, ao compreender que o 
indivíduo precisa estar atento, garantindo por meio de sua participação em decisões. 
Acompanhando ações adotadas nas políticas públicas para que os projetos saiam 
do papel, e cheguem de fato a que de fato foi criada, garantindo assim os direitos aos cida-
dãos, estes já garantidos, mas que se a cidadania não fizer presente de forma democrática, 
se depender de muitos protagonistas não sairá do papel.
As diferentes realidades sociais, nos destaca na linha sociológica que os grupos 
vão se reconstruindo, se reinventando buscando o espaço qual se sinta pertencente, nesta 
mesma premissa desde o que aprendemos com as revoluções, a luta vem sendo para 
erradicar a pobreza, não apenas a econômica, mas toda aquela que impulsiona para que a 
pobreza permaneça e impeça o progresso moral e intelectual dos homens. 
UNIDADE 4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
77
LEITURA COMPLEMENTAR
Muito Além da Revolução: os aspectos políticos e sociais da maior revolução 
da idade moderna
Resumo: Antes de representar uma mudança no processo de produção de merca-
dorias e, posteriormente, na industrialização deste processo, a Revolução Industrial trouxe 
uma verdadeira mudança nas relações sociais e no modo de se viver na Europa Ocidental 
a partir do século XVIII. O trabalho, antes feito de modo artesanal, praticamente familiar, em 
que o patrão mais se assemelhava a um pai do que propriamente um patrão, ganhou ares 
totalmente adversos. Agora, a jornada de trabalho se fixava no tempo e o relógio passou 
a ser utilizado de forma quase que escravista. As antigas corporações de ofício perderam 
a vez para as grandes fábricas e os trabalhadores, que antes tinham a noção de todo 
o processo de produção e que, até certo ponto, tinham um modo de produção bastante 
flexível, passaram a ficar alienados e escravos da produtividade. Se antes os indivíduos 
trabalhavam de acordo com sua disponibilidade, com a Revolução Industrial a vida social 
ficaria em segundo plano, e a vida laboral dava lugar a uma grande massa de trabalhadores 
cada vez mais dependentes dos capitalistas, os donos dos meios de produção. O presente 
estudo analisa o contexto histórico-social da Revolução Industrial e os impactos que ela 
trouxe para a vida da coletividade da época. A História é a ciência do presente, pois parte da 
análise e da compreensão do passado para que possamos entender melhor nosso agora e, 
a partir disso, construir um futuro melhor.
https://jus.com.br/artigos/31268/muito-alem-da-revolucao . Acesso 10/10/2022
UNIDADE 4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
https://jus.com.br/artigos/31268/muito-alem-da-revolucao
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MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
Título: Direitos Humanos e Pobreza
Autor: Fernando Antônio de Freitas Lima
Editora: Dialética
Sinopse: O livro apresenta investigações que podem contribuir 
em como o direito internacional dos direitos humanos pode 
cooperar para minimizar a pobreza no Brasil, tendo a globa-
lização como fator de influência, objetivando a utilização dos 
direitos humanos, como instrumento para redução da pobreza 
no Brasil. 
FILME / VÍDEO
Título: O Doador de Memórias
Ano: 2014
Sinopse: Uma pequena comunidade vive em um mundo apa-
rentemente ideal, sem doenças nem guerras, mas também 
sem sentimentos. Uma pessoa é encarregada de armazenar 
estas memórias, de forma a poupar os demais habitantes do 
sofrimento e também guiá-los com sua sabedoria. Essa função 
muda em determinado tempo, sendo transferida para pessoas 
com grande responsabilidade. 
UNIDADE 4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
79
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83
Prezado (a) aluno (a), caminhamos sempre em busca de potencializar nossa apren-
dizagem que interfere gradativamente em nosso pensar em nosso agir. Não somos mais os 
mesmo que iniciamos a jornada de estudos. Evoluímos a cada conhecimento adquirido o 
que acrescenta não apenas nos requisitos profissionais mais no pessoal também. Aprender 
significa progresso em nossas ideias, em nossos conceitos e temos sempre a necessidade 
de repassar o que aprendemos, principalmente por meio de nossas ações. 
Neste material, de maneira didática resgatamos sobre a sociologia, sua origem e 
desenvolvimento, métodos e conceitos e as contribuições sociológicas para os dias atuais. 
Embora estamos falando sobre a sociologia clássica, traçar paralelos com os dias atuais, 
nos fez compreender de fato sua devida importância, pois a sociedade sempre está se 
reestruturando, para sentir-se pertencente a um grupo. Entendemos que essas mudanças 
não são prioritárias nos dias atuais, sempre existirão. 
Destacamos também a importância dos filósofos clássicos nossa base de apren-
dizagem Auguste Comte, Èmile Durkheim, Max Weber e Karl Marx cada qual com suas 
singularidades, mas que buscavam o progresso da humanidade por intermédio do conhe-
cimento, da racionalidade. Um dos princípios básicos era acreditar que os indivíduos têm 
total capacidade de conquistar sua liberdade, com objetivos sociais coletivos. 
Levantamos sobre a vida de Alexis de Tocqueville, por se tratar de combatente 
da Revolução Francesa, que defendia o Estado democrático, primando pela igualdade e 
liberdade, suas teorias são em partes parecidas com os filósofos clássicos estudados. O en-
tendimento que as lutas e as desigualdades são questões históricas e necessários grandes 
estudos sociológicos para a compreensão de estratégias para a amenizar essa problema 
que impulsiona o homem ao trabalho e que em grande parte o retorno não proporciona uma 
dignidade para sua sobrevivência. 
Ao pensarmos que desde a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, houve 
uma mudança na forma de organização da sociedade, a necessidade de buscar seu próprio 
sustento, a necessidade de melhorar tecnologicamente as indústrias, fatores não muito 
distintos das temáticas atuais, o que gera uma essencialidade para a compreensão da 
responsabilidade de todos os indícios para com o progresso ou retrocesso de nosso país, 
garantindo nossos direitos, fiscalizando as políticas públicas a fim de erradicar a pobreza 
tão eminente em nosso redor. A partir de agora acreditamos que você já está preparado 
para seguir em frente desenvolvendo ainda mais suas habilidades para buscar engajamento 
neste contexto de busca de espaço social. 
 
Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigado!
CONCLUSÃO GERAL
ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE
 Praça Brasil , 250 - Centro
 CEP 87702 - 320
 Paranavaí - PR - Brasil 
TELEFONE (44) 3045 - 9898
	Site UniFatecie 3: 
	Botão 11: 
	Botão 10: 
	Botão 9: 
	Botão 8: 
	Unidade 1: 
	Unidade 2: 
	Unidade 3: 
	Unidade 4:entendermos que a Filosofia tem como objetivo ensinar o homem a pensar 
o mundo, a vida e os fatos de forma profundamente analítica e questionadora, na procura 
das razões primeiras de tudo, entretanto, a Sociologia ensina a pensar o grupo social e as 
razões que o levam a tomar atitudes muitas vezes consideradas irracionais. A Sociologia 
pode ser considerada uma resposta intelectual, frente principalmente à Revolução Indus-
trial, uma forma moderna de pensar que busca a compreensão, até então não alicerçada 
pelo conhecimento científico, que seria o mundo real e social. 
 
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 2
SOCIOLOGIA
CLÁSSICA:
ORIGEM E
DESENVOLVIMENTO
TÓPICO
UNIDADE 1 SOCIOLOGIA
Para darmos seguimento, é necessário compreender sobre qual era o momento 
histórico que desencadeou os impulsos para as mudanças ocorridas. A Sociologia surge 
como consequência das grandes transformações proporcionadas pelas grandes revolu-
ções do século XVIII, isso porque trouxeram grandes problemas sociais, beirando um caos. 
A Sociologia surge como uma ciência da crise, ou seja, diante de uma necessidade de 
transformação em prol do coletivo e tinha como objetivo organizar a sociedade. 
As mudanças ocasionaram uma transformação enorme na economia e na política, 
consequentemente na forma de pensar de produção e relacional quanto a sociedade. A 
Revolução Francesa buscava um emaranhado de mudanças políticas que trouxesse uma 
ordem na sociedade, consolidando os ideais de liberdade e igualdade para todos. 
Reflita como é fundamental a sociedade organizada. Se analisarmos a atualidade 
conseguimos vislumbrar melhor essa praticidade. Aqui não estamos mencionando ques-
tões partidárias, mas de equidade. É óbvio que a igualdade entre todos não é algo, ao meu 
ver, alcançável. Explico: Estamos em nível diferente, cultural, social, essa diferença é que 
gera as transformações. Porém, a desigualdade não precisa ser tão cruel. Mas como visto, 
essas temáticas estarão sempre em pauta. 
A sociologia surgiu no momento em que os indivíduos se viram envolvidos nas mu-
danças causadas pelas revoluções e que queriam compreender não apenas as condições 
de emergência, mas todas as possíveis consequências. Coincidentemente, nesse mesmo 
momento histórico, há a desagregação da sociedade feudal, a consolidação da sociedade 
capitalista. Você lembra o que é feudalismo e mercantilismo? 
UNIDADE 1 SOCIOLOGIA
Vamos relembrar para que você possa compreender melhor a razão do surgimento 
da sociologia. Na sociedade feudal, era basicamente medida a riqueza das pessoas em 
quantidade de terras. Quanto mais possuía, mais rico era, ou seja, uma economia agrária. 
A evolução das cidades era um ponto no qual não tinha nenhuma importância. Existia algu-
mas trocas de produtos, mas entre os senhores feudais, raramente essas trocas envolviam 
dinheiro. Portanto, podemos dizer que feudalismo é: 
Um sistema de organização econômica, social e política baseado nos víncu-
los de homem a homem, no qual uma classe de guerreiros especializados 
– os senhores -, subordinados uns aos outros por uma hierarquia de vínculos 
de dependência, domina uma massa campesina que explora a terra e lhes 
fornece com que viver (LE GOFF, Jacques. 1991, p.29).
Outra importante definição sobre esse sistema é a de Marc Bloch:
Feudalismo é um campesinato mantido em sujeição; uso generalizado do 
serviço em vez de salário (..); a supremacia de uma classe de guerreiros es-
pecializados; vínculos de obediência e proteção que ligam homem a homem 
e, dentro da classe guerreira, assumem forma específica, denominada vas-
salagem; fragmentação da autoridade – levando inevitavelmente à desordem 
e, em meio a tudo isso, a sobrevivência de outras formas de associações, 
família e estado. (BLOCH, Marc. In: LOYN, H.R. Dicionário da Idade Média. 
2003, p. 144)
Seguindo o contexto, a partir da segunda metade da Idade Média o comércio 
começou a ser mais valorizado e, consequentemente, as cidades começaram a crescer. 
Isso devido à produção excedente agrícola e artesanal, a necessidade de desenvolvimento 
de técnicas melhores e ferramentas agrícolas. As Cruzadas também contribuíram, pois 
necessitavam de provisões para manter seus exércitos. 
Os habitantes se dedicavam ao artesanato e ao comércio. O que já começou a 
gerar divisão de trabalho “cidade e campo”, para manter a subsistência dos moradores lo-
cais. O crescimento populacional impulsionou para o crescimento das produções agrícolas 
e novas terras para o plantio. Que por sua vez, atraiu camponeses que passaram a cultivar 
e trocar seus produtos no valor do arrendamento das terras. Assim, terras improdutivas 
passaram a ser produtivas. Em meados do século XV, na maior parte da Europa ocidental, 
os arrendamentos em dinheiro foram substituídos por trabalho servil e muitos camponeses 
conseguiram suas emancipações. Na interpretação de Marx:
Os primeiros mercantilistas consideravam o comércio mundial e os ramos 
particulares do trabalho nacional que nele desembocam diretamente como 
“as únicas fontes autênticas da riqueza ou do dinheiro”. Era uma época em 
que a maior parte da produção nacional evoluiu ainda segundo formas feu-
dais, nas quais os produtores encontravam as fontes da sua própria subsis-
tência imediata: “Os produtos não se transformavam em mercadorias, nem, 
por isso mesmo, em moeda; não entravam no metabolismo geral da socie-
dade; não apareciam, portanto, como a materialização do trabalho geral abs-
trato (1968, p.67).
12
UNIDADE 1 SOCIOLOGIA
O Mercantilismo surgiu no final do século XV, com a expansão marítima e do siste-
ma colonial trouxe muitas riquezas proporcionando um grande avanço no setor comercial, 
pois envolvia a Europa e a Ásia e buscavam sempre novas colônias, que tiveram seu 
protagonismo no quesito de fornecimento de metais preciosos para as grandes metrópoles. 
Essa expansão desenvolveu o mercantilismo que tinha um conjunto de regras, princípios 
e práticas que eram adotadas por chefes de Estado europeus, que tinham como objetivo 
gerar sempre mais riquezas e assim fortalecer o Estado. Assim: 
O mercantilismo tem de entender-se no contexto histórico em que surgiu. Ele 
foi a doutrina e a prática econômicas dos estados nacionais no período que 
decorreu entre o séc. XVI e meados do séc. XVIII, o período histórico do desen-
volvimento dos capitalismos nacionais, em pleno florescimento do chamado 
‘capitalismo comercial’. Nesse período de transição, o mercantilismo enqua-
drou-se nas exigências e nos valores do processo que preparou as condições 
para o desenvolvimento do capitalismo industrial ( MARX,1968, p.96)
Todas as políticas adotadas tinham um objetivo de conseguir ouro e prata de forma 
acumulativa, mantendo comércio com outros países e sempre um saldo positivo na balança 
comercial, ou seja, o valor das exportações superando os valores de importações. Para 
isso, tinha medidas que incentivaram o desenvolvimento das indústrias no país. Nessa épo-
ca também desenvolveu-se uma forma de empréstimo que seria uma maneira de acumular 
capital que havia sido emprestado cobrando juros exorbitantes. A sociedade foi mudando 
sua forma de agir, pensar e se desenvolvendo. Nessa premissa, a sociologia foi crucial para 
alcançarmos a dinâmica que temos na atualidade. 
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 3
SOCIOLOGIA
CLÁSSICA:
MÉTODOS E 
CONCEITOS
TÓPICO
UNIDADE 1 SOCIOLOGIA
Quais os aspectos que os sociólogos tomam como base para o estudo da socieda-
de? Existe uma regra? Só para revisarmos, cada sociólogo diante de sua época histórica tem 
sua dinâmica de pesquisa, que compreende métodos e conceitualização. Essa diferençade 
pensamento entre eles é que dá vida às novas pesquisas e as tornam interessantes, pois 
fica aberta a possibilidade de debater e construir novas discussões. De acordo com Castro:
A Sociologia, como ciência social, “estuda as estruturas sociais, o compor-
tamento social e as variações das sociedades, suas formas e seus fatores”. 
Preocupa-se com a descrição e explicação do comportamento social global 
e estuda as formas fundamentais da convivência humana: contatos sociais, 
distância social, isolamento, individualização, cooperação, competição, con-
trole, divisão do trabalho, integração social (2002, p.34). 
Não existe regra. Porque não existe sociedade e/ou grupos iguais e, justamente 
pela diversidade deste, também há que se considerar a individualidade do pesquisador, do 
sociólogo. Entenda que quando falamos sobre concepções coletivistas representadas na 
sociologia por Marx e Durkheim e que foram contrapostas pelo individualismo metodológi-
co, representado por Max Weber, temos as principais diferenças entre essas concepções, 
que são significativas ao conceber métodos e conceitos. 
Para Weber, a definição de individualismo são fenômenos coletivos produzidos por 
pessoas, que devem ser explicados por situações, orientações e crenças dos atores indivi-
duais. Nesse ponto, muitas vezes há manipulação em massa, ou seja, muitos envolvidos, 
mas sem ter conhecimento da objetividade da luta. O objeto sociológico é o estudo da 
ação, todo comportamento ao qual o ator atribui significado subjetivo. 
UNIDADE 1 SOCIOLOGIA
Assim, esse indivíduo tem consciência de suas ações, o porquê e para quê. Isso 
pode, de certa forma, definir o poder: capacidade de um ator de impor sua vontade aos 
outros. Pois o poder possibilita o exercício da influência sobre a conduta de outrem em uma 
relação social. Bobbio, define poder da seguinte forma: 
Em seu significado mais geral, a palavra Poder designa a capacidade ou 
possibilidade de agir, de produzir efeitos. Tanto pode ser referida a indivíduos 
e a grupos humanos como a objetos ou a fenômenos naturais (como na ex-
pressão Poder calorífico, Poder de absorção (1995, p. 933).
 O uso dos pressupostos metodológicos (individualistas ou coletivistas) influi na 
definição do objeto, na delimitação de unidades de análise e na elaboração de conceitos e 
de teorias. A definição de coletivismo pode ser entendida quando a totalidade é maior que 
a soma das partes, precedendo sobre seus componentes individuais. As possíveis expli-
cações estão pautadas nas leis que governam o sistema ou nas determinações individuais 
que afetam indivíduos ocupando papéis ou posições socialmente definidas. Assim, o objeto 
da sociologia passa a ser o estudo das estruturas societárias definidas como totalidades. 
Nesse contexto, o poder passa a ser quando há capacidade de uma classe impor, coer-
citivamente, seu modelo de ordem sobre a sociedade como um todo. Do ponto de vista 
metodológico, de acordo com Magalhães: 
Uma questão central para a delimitação do campo tem sido a das unidades de 
análise das ciências sociais. As divergências em relação a esta questão, na 
teoria sociológica clássica, são representadas na dicotomia: individualismo 
versus coletivismo metodológico. Esta polêmica, segundo Magalhães (1998), 
tem suas raízes nas abordagens iluministas e românticas sobre o conheci-
mento que se desenvolveram nos séculos XVIII e XIX. O iluminismo buscava 
o universal, as regularidades, e afirmava a identidade entre os homens. Já o 
romantismo buscava as particularidades, o inconstante, e afirmava a dimen-
são da diversidade (1998, p.47)
Porém, existem maneiras de conduzir as pesquisas considerando formas de or-
ganização social, estrutura e papéis sociais e culturais. As formas de organização social 
são um quesito crucial para a sociologia, pois tem como centro observador o grupo social. 
Podemos sintetizá-lo como grupo de pessoas com um mesmo padrão, com interesses 
singulares e tentam buscar suas identidades sociais se reproduzindo, comportamentos, 
vestuários, formas de se comunicar, alimentação entre outros exemplos. Portanto:
O comportamento humano pode ser definido como reações dos indivíduos 
e respostas que estes apresentam a um estímulo específico, sendo determi-
nado pelo conjunto de características ambientais (adquiridas) e hereditárias 
(genéticas), com absorção das pressões exercidas pelo meio ambiente (KA-
NAANE,1999, p.65).
15
UNIDADE 1 SOCIOLOGIA
A cultura e a sua formação, ou seja, conjunto de valores que unificam e dão identifi-
cação ao grupo que podemos chamar de estereótipos, os quais são pertencentes quanto às 
aparências. Isso sobre influências internas e externas e fomentam a cultural real e a ideal. 
A cultura ideal é pautada no conhecimento científico, vinculado à cultura erudita, ao saber 
escolar. Mas a cultura real está entrelaçada ao senso comum da cultura do povo das massas. 
Observe que a cultura de massa é produzida pela mídia com objetivos sempre capitalistas.
Estrutura e papéis sociais, ao contrário do que parece, nem sempre os indivíduos 
têm a capacidade de controlar seus próprios comportamentos. Funcionamos socialmente 
de forma hierárquica, desta maneira se compõe a estrutura social, cada qual ocupa seu 
espaço de acordo. E cada qual se comporta de acordo com sua ocupação. Entretanto, 
o conflito de papéis tem o poder de desarticular e desestruturar os grupos sociais, o que 
inevitavelmente causa danos individuais e para a coletividade. 
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 4 CONTRIBUIÇÕES
DA SOCIOLOGIA
CLÁSSICA
TÓPICO
UNIDADE 1 SOCIOLOGIA
O conhecimento é algo mutável, ou seja, tudo o que aprendemos se transforma, 
isso acontece porque também mudamos, a sociedade muda, tudo ao nosso redor se modi-
fica. Assim, podemos dizer que não existe uma verdade absoluta. Como isso ocorre? Por 
meio das experimentações, de empírica no cotidiano, também levantamos hipóteses que 
são testadas para comprovar as nossas certezas. No meio científico é a mesma coisa, dife-
renciando as exigências de métodos e estratégias frente a cada pesquisa. Bem claramente, 
conseguimos compreender as contribuições deixadas pela sociologia clássica. 
Mesmo sendo conceitos pré-estabelecidos a um certo tempo, entendemos que a 
cada momento as metodologias para novas aprendizagens se diferenciam. Você já ouviu 
falar em enciclopédias? Há algumas décadas elas eram usadas como fonte de pesquisa, 
hoje devem estar empoeiradas em bibliotecas. Não perderam sua essência, mas novos 
recursos ganharam uma propulsão nas pesquisas. A mídia, as comunicações, a internet e 
o celular trouxeram inovações muito mais rápidas e atualizadas quase que diariamente. Na 
visão de Kohn e Moraes: 
A sociedade transita hoje no que se convencionou denominar Era Digital. Os 
computadores ocupam espaço importante e essencial no atual modelo de 
sociabilidade que configura todos os setores da sociedade, comércio, polí-
tica, serviços, entretenimento, informação e relacionamentos. Os resultados 
desse processo são evidentes, sendo que essas transformações mudaram o 
cenário social na busca pela melhoria e pela facilitação da vida e das práticas 
dos indivíduos. (2007, p. 05)
UNIDADE 1 SOCIOLOGIA
Entretanto, houve uma “inundação” de informações, automaticamente a dificuldade de 
entender as mensagens implícitas foram contundentes, muitas informações promovidas pelas 
redes sociais têm objetivos gerados pelo sistema capitalista, de caráter consumista. E as infor-
mações, conteúdos políticos, sociais, culturais, religiosos, qual a verdade? Assim, conseguimos 
diferenciar quando entendemos a divergência conceitual de informação e conhecimento.
Informação é uma junção de dados organizados que passam a ser referência sobre 
algo, seja ela acontecimento, fato ou fenômeno.Ela ocorre por intermédio da comunicação 
e/ou publicidade. Sendo uma das formas de obter conhecimento. Portanto, ter informação 
não significa ter conhecimento. As informações muitas vezes nos chamam atenção no 
momento que ouvimos, sequencialmente não faz parte de nossos hábitos e/ou conduta.
[...] as competências para aproveitar plenamente a sociedade da informação. 
É essencial, portanto, desenvolver as capacidades e garantir a familiarização 
com as tecnologias da informação e comunicação (TCIs). Estas tecnologias 
podem contribuir para a educação de todos no mundo inteiro [...] (ACCART, 
2012, p. 05).
O conhecimento advém associado à vivências, experiência de vida, à aplicabilidade 
da teoria na prática. Vamos associando nosso conhecimento e organizando em nosso dia a 
dia, porque adquirimos consciência plena e passa ser habitual colocar em prática em nosso 
trabalho e comportamentos, de acordo com nossa realidade. É prioritário afirmar que um 
mesmo conhecimento pode ser ensinado para um grupo de pessoas, entretanto, o grau de 
maturidade de cada um que irá mediar como cada fará uso em seu cotidiano.
O conhecimento surge, de acordo que o homem precisa de buscar soluções para 
sanar suas necessidades, como não vive de forma isolada aprende com seus pares, cada 
aprendizagem deriva daquilo que que se busca saber, pois temos os conhecimentos empí-
rico, sociológico, científico, religioso e filosófico. O autor define que:
A Sociologia constrói — o que já foi pressuposto várias vezes como óbvio 
— conceitos de tipos e procura regras gerais dos acontecimentos. Nisso con-
trapõe-se à História, que busca a análise e interpretação causal das ações, 
formações e personalidades individuais culturalmente importantes (WEBER, 
1991a, p. 12).
O conhecimento sociológico é a complexidade do estudo sobre a sociedade, suas 
condições de existência que produz conhecimento no decorrer de sua historicidade, seu 
objetivo maior é compreender e entender sobre as relações sociais, como são constituídas, 
como se estruturam. De acordo com essa conduta, podemos afirmar que a sociologia se 
define com o conhecimento científico, ou seja, sociólogos busca por intermédio da ob-
servação, pesquisas reais, entrevistas, questionários sempre com objetividade, para com-
preender qual a relação das transformações com os fatos políticos, econômicos, sociais, 
tecnológicos entre outros.
18
UNIDADE 1 SOCIOLOGIA
A sociologia busca aprimorar o conhecimento sobre a sociedade, atribuindo suas 
pesquisas a temas relevantes como mundo do trabalho, cultura e indústria cultural, meio 
de comunicação, tecnologia e cultura em massa, ideologia, cidadania, movimentos sociais, 
desigualdades sociais, identidade de gênero, sempre mantendo neutralidade. Quando 
aprendemos de forma ao decorrer de nossa vida cotidiana colocar em prática para superar 
os desafios diários, adquirimos o conhecimento e a cada obstáculo que precisamos ultra-
passar, novamente buscamos seja por meio de vivências, leituras, informações individuais 
e coletivas, voltamos a aprimorar nossas ações, o ser humano é capaz de adaptar-se 
sempre. Bem, se esse é nosso privilégio enquanto seres dotados de inteligência, devemos 
objetivas buscar nosso progresso individual e coletivo. 
 
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A sociologia é o estudo científico da vida humana, de grupos sociais, de sociedades inteiras e do mundo hu-
mano. É uma atividade fascinante e instigante, pois seu tema de estudo é o nosso próprio comportamento 
como seres sociais. O âmbito da sociologia é extremamente amplo, variando da análise de encontros pas-
sageiros entre indivíduos nas ruas à investigação de relações internacionais e formas globais de território. 
GIDDENS, Anthony. Sociologia/ Anthony Giddens; tradução: Ronaldo Cataldo Costa; revisão técnica: 
Fernando Coutinho Cotanda.- 6. Ed.- Porto Alegre: Penso 2012, p.19. 
A história da sociedade até nossos dias é a história da luta de classes. 
 
Karl Marx
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
UNIDADE 1 SOCIOLOGIA
Para o entendimento de todo e qualquer conhecimento é fundamental ter ciência 
das palavras bases e fundamentá-las no contexto. Desta forma, nesta Unidade I, procura-
mos embasar o conceito de sociologia, origem e desenvolvimento, métodos e conceitos e 
evidentemente suas contribuições. A sociologia surgiu da necessidade de acompanhar a 
evolução individual e coletiva, as mudanças sociais ocasionadas pelo momento histórico. 
A Revolução Francesa e a Revolução Industrial trouxeram expressivas considera-
ções para a transformação da sociedade, quando sua premissa era a igualdade entre todos. 
Em meio a luta de classes era necessário a garantia dos direitos. Atualmente temos nossos 
direitos e deveres estabelecidos, mas sabemos que nem sempre foi assim. E quando falamos 
em mudança e lutas pelos ideais sociológicos entendemos que demanda tempo e esforço.
Os métodos e conceitos tinham suas construções pautadas no conhecimento em-
pírico e contrapondo com as necessidades, todas as resoluções foram assertivas, mesmo 
muitas não sendo eficientes, mas era o que o conhecimento da época trazia de melhor so-
lução. Entretanto, nosso estudo com base nas metodologias passadas, enriquecem nosso 
aprendizado, por servirem de base de construção para novas estratégias.
Tudo precisa de estudo, análise, traçar metas e objetivos. A sociologia traz essa 
grande contribuição por intermédio do mapeamento das pessoas em consonância com 
seus grupos, suas dinâmicas. Quanto maior o número populacional, maior a necessidade 
de se encontrar mentiras de convivências pautadas no diálogo, no respeito mútuo. Diante 
de tantas carências seja, elas sociais, econômicas, religiosas, culturais, há muito o que se 
consolidar por meio da sociologia. 
21
LEITURA COMPLEMENTAR
UNIDADE 1 SOCIOLOGIA
A concepção de representações na sociologia clássica
Resumo: O presente estudo analisa a concepção de representações sociais nos 
autores da Sociologia Clássica. Iniciando pela análise de obras de Émile Durkheim, em 
seguida pelas obras de Karl Marx e por último, obras de Max Weber. Pretende-se ainda 
discutir aspectos particulares de cada concepção de representação presentes nas respec-
tivas teorias sociológicas, e verificar a conexão principalmente com os respectivos métodos 
e objetos de estudo.
https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/27294 aces-
so 10/10/2022 .Acesso 10/10/2022
https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/27294 acesso 10/10/2022 
https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/27294 acesso 10/10/2022 
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MATERIAL COMPLEMENTAR
UNIDADE 1 SOCIOLOGIA
LIVRO
Título: Por Uma Nova Sociologia Clássica : Re-unindo Teoria 
Social, Filosofia Moral e os Studies
Autor: Alain Caillé Frédéric Vandenberghe
Editora: Vozes 
Sinopse: O Livro aponta uma nova junção teórica estruturada 
para eliminar a ruptura como a especialização e a profissiona-
lização em demasia, bem como seus resultados nocivos, no 
contexto das ciências sociais. Os textos trazem uma reflexão 
discursiva com onze sociólogos de renome mundial que pro-
põem uma nova articulação entre teoria social, os chamados 
Studies, e as filosofias política e moral. Tendo como premissa o 
resgate da teoria social clássica, reconsidera o legado de Marx 
e articulações sobre as teorias da reciprocidade, do care e do 
reconhecimento. 
FILME / VÍDEO
Título: Crash - No Limite 
Ano: 2005
Sinopse: Neste filme tão envolvente, há várias histórias, o local 
que se passa as narrativas são sempre em Los Angeles. O obje-
tivo é descrever contextos dramáticos que expõem as dificulda-
des e fragilidades existentes nos enlaces das relações sociais, 
evidenciando a organização e os papéis sociais. Evidenciando 
o viés que corresponde aos “Direitos, Cidadania e Movimentos 
Sociais”, permitindo compreendermos toda a emblemática 
apresentaçãopela Sociologia. 
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Plano de Estudos
• Auguste Comte
• Émile Durkheim
• Max Weber
• Karl Marx
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar as teorias dos 
	 principais	filósofos	clássicos;
• Compreender os tipos de conceitos 
	 referenciando	cada	clássico;
• Estabelecer a importância dos 
	 conceitos	sociológicos	clássicos.
2UNIDADEUNIDADE
PRINCIPAISPRINCIPAIS
CLÁSSICOS CLÁSSICOS 
DA SOCIOLOGIADA SOCIOLOGIA
 Professor Me. Jorge Alberto de Figueiredo
24
INTRODUÇÃO
UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
A cada conteúdo que aprendemos, cada qual com sua particularidade, filtramos aquilo 
que achamos mais pertinente para nossa construção teórica, se você quis buscar novos conhe-
cimentos, podemos estabelecer sua atitude com a afirmativa de Émile Durkheim: “ É preciso 
sentir necessidade da experiência, da observação, ou seja, a necessidade de sair de nós 
próprios para aceder à escola das coisas, se as queremos conhecer e compreender” (2000). 
Um modo simples de contextualizar a frase acima pode se equipar quando nossos 
pais, professores, queriam nos ensinar algo que naquele momento não achávamos ne-
cessário, não víamos uma razão que assim nos estimulava a aprender. Entretanto, a vida 
encarrega de nos oportunizar com momentos necessários, sem chance para escolhas, 
então nos sentimos motivados a aprender ou necessitados em aprender. 
Ao estudar na Unidade II os filósofos mais importantes no contexto da Sociologia 
Clássica: Auguste Comte, Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx, podemos entender que 
a partir da necessidade de entendimento, tendo grupos sociais como fontes observatórias, 
foram principiados ensaios teóricos para a construção da sociologia clássica.
Isso acontece conosco quando temos que mudar nossa concepção de como vemos 
e entendemos muitas coisas, pois carregamos, de certa forma, informações de nossos pais 
e ao convivermos com os grupos ao nosso redor vamos estabelecendo nossas próprias 
convicções que nem todas duram. Afinal, todo conhecimento é flexível e não existe uma 
verdade absoluta. Vamos aguçar nossa curiosidade por intermédio do conhecimento, assim 
podemos compreender melhor a sociedade.
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 1 AUGUSTE
COMTE
TÓPICO
UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
Todos o conhecem como pai da sociologia e positivista. Entretanto, vamos conhecer 
um pouco de sua biografia. Nasceu em Montpellier, França, em 1798, sua denominação é 
de fato Isidore Auguste Marie François Xavier Comte, trazia consigo o entendimento que a 
ciência seria necessária para a construção da sociedade, nesta premissa a sociologia foi 
se instaurando bem como a teoria positivista. Comte, pela influência de outros filósofos, 
compreendia que existiam leis sociais, que caminhavam para o aperfeiçoamento humano.
A sociologia é uma ciência natural, então a tese da unidade analítica e meto-
dológica tinha coerência; ele assimilou o paradigma científico predominante 
porque as ciências naturais estavam progredindo de tal maneira que seria 
inconcebível para um intelectual imerso naquela cultura científica propor a 
criação de uma ciência que desprezasse o esquema metodológico das ciên-
cias naturais, considerado o único método científico válido (COMTE, 1978, p. 
73-103).
Comte foi considerado o pai da sociologia por compreender a necessidade de mu-
danças sociais e, consequentemente, o comportamento das pessoas, que seria necessário 
estudar a sociedade compreendendo como ela muda, se adapta, se interage, para, de 
certa forma, mantê-la organizada. Uma curiosidade se apresenta por ser incentivador da 
Revolução Francesa, que estudaremos mais adiante. Para ele:
O positivismo surgiu do interesse de Comte em libertar o homem das crenças 
religiosas e da especulação metafísica, calcada na objetividade, de tal forma 
que a sociedade deveria ser encarada como objeto de pura observação e 
considerava pura pretensão a busca pela verdade absoluta ou a ideia de 
sociedade justa. Como veremos, Comte se vinculou a todo aquele grupo de 
sua geração que pretendeu reformar a sociedade e organizá-la sobre novas 
bases. O positivismo foi uma destas correntes de pensamento que disputou 
os corações e as mentes opondo-se ao liberalismo e ao socialismo (CONCEI-
ÇÃO, 2006, p. 45).
UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
A primeira teorização sobre o positivismo também foi de incumbência de Comte. Sua 
concepção era que o positivismo era a mais perfeita organização, pautado na observação 
e compreensão da natureza, sempre categorizado de forma científica. Nessa concepção, 
a corrente positivista seria integrada entre ciência e política, objetivando a melhoria da 
sociedade. Em seu entendimento, o que seria melhor para a sociedade? As diferenças 
sempre existirão, a necessidade de alterações de padrões, sejam eles culturais, sociais, 
religiosos, que mudam o comportamento das pessoas, vistas em suas vestimentas, em 
suas falas. Causando divisões ou melhor seria agrupamentos.
Mas de fato, independente do tempo histórico, o melhor para a sociedade é o respeito 
entre todos. Até mesmo mencionado por Conceição (2006), não existe verdade absoluta, por-
que estamos sempre inovando e a verdade são hipóteses que podem ser refutadas ou não. A 
exemplo, podemos afirmar quantas teorias não são mais verdadeiras. Estudiosos continuam 
a estudar e alterar as verdades do momento. Comte nos explicita que:
O estudo das leis que regem o universo e o comportamento social não é 
visto, enfim, como um exercício intelectual desconectado da realidade, sendo 
que o princípio fundamental da sociologia positiva, para ele, é, pelo contrário, 
a capacidade de previsão racional, científica, dos fenômenos sociais, basea-
da na subordinação contínua das diversas concepções sociais às invariáveis 
leis naturais (1978, v. 4, p. 164).
 Quando falamos de sociedade justa, o que você pensa a esse respeito? O que 
você define como justiça? Impossível pensar em justiça sem ter em mente que a mesma 
existe para a garantia dos direitos e deveres. Ser justo é agir com rigor diante das leis, sem 
diferenciações étnicas, econômicas, sociais, entre outras. O estudo com critérios rigorosos 
como Comte atribui, possibilita que por meio do conhecimento a justiça sempre prevaleça. 
A escrita na bandeira nacional “ordem e progresso” tem influências do positivismo, pois 
entende que a ciência é a única forma de conhecimento verdadeiro.
Mas quais as características mais relevantes do positivismo? Sabendo que sua 
base era pautada na teoria política, moral e filosofia, com cunho na ciência, objetivando 
uma ordem na sociedade, tinha como premissa a ordem com toda a rigorosidade neces-
sária com o intuito de que houvesse um crescimento moral e social. Cabe salientar que o 
positivismo sempre defendia a ideia de que o conhecimento científico era a única fonte de 
um conhecimento real, daí todo o embasamento teórico da física, por exemplo.
Parao Brasil, o positivismo alimentou a praticidade sobre a evolução das ideias, 
que transformam conceitos e trazem mudanças significativas para toda a sociedade. En-
tretanto, quando falamos sobre crescimento moral e social, nos vem a seguinte indagação: 
Evoluímos nesses princípios? O que você acha? Imagino que você deve pensar que não! 
Mas evoluímos, claro que não como poderia ter sido. Veja que barbáries que eram prati-
cadas em nome da moral, da organização social, hoje não existem. É afirmativo dizer que:
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UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
[...] o espírito positivo leva sempre a estabelecer exata harmonia elementar 
entre as ideias de existência e as ideias de movimento, donde resulta mais 
especialmente, no que respeita aos corpos vivos, a correlação permanente 
das ideias de organização com as ideias de vida e, em seguida, graças a uma 
última especialização peculiar ao organismo social, a solidariedade contínua 
das ideias de ordem com as ideias de progresso. Para a nova filosofia, a 
ordem constitui sem cessar a condição fundamental do progresso e, recipro-
camente, o progresso vem a ser a meta necessária da ordem; como no me-
canismo animal, o equilíbrio e a progressão são mutuamente indispensáveis, 
a título de fundamento ou destinação (COMTE, 1978, p. 69).
Há entraves sociais e morais ainda? Muito, a ganância e a ignorância do homem 
o faz caminhar a passos lentos para o progresso. A valorização das ciências, retratada por 
Comte, nos beneficia nos dias atuais e assim será sempre, a área que mais se desenvolve 
é a da medicina, uma das que menos tem progredido é a da educação. Um dos lemas do 
positivismo era “O amor por princípio e a ordem por base, o progresso por fim”, o que faz 
muito sentido de acordo com o que aprendemos até o momento. 
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 2 ÉMILE
DURKHEIM
TÓPICO
UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
Entender um pouco da biografia do sociólogo colabora para a compreensão sobre 
sua linha de pensamento. David Émile Durkheim foi sociólogo, antropólogo, cientista políti-
co, psicólogo social e filósofo. Natural de Épinal, na França, nasceu em 15 de abril de 1858, 
em uma família tradicional de sacerdotes judaicos (rabinos). Foi estudante do Liceu Louis-
-Le-Grand e na Escola Normal Superior de Paris, instituições consideradas clássicas. Essa 
formação foi crítica de Durkheim que, segundo ele, essas escolas tinham muita formação 
literária e pouca formação científica. Foi considerado um dos mais importantes arquitetos 
da ciência social moderna.
Durkheim estudou Direito, Economia e Filosofia. Foi discípulo de Herbert Spencer 
em seus estudos de Ciências da Natureza e Biologia. Spencer foi um filósofo, biólogo e 
antropólogo, assim, seguia essas características da maioria dos representantes do libe-
ralismo. Vale ressaltar que Spencer era um apreciador das obras de Charles Darwin e 
costumeiramente fazia o uso da expressão “sobrevivência do mais apto'', justamente pelas 
leis evolucionistas. Herbert Spencer defende o evolucionismo que direciona a engrenagem 
da sociedade, tinha o objetivo de formar adultos competitivos. Por ter tido experiência em 
momentos com significativos avanços científicos, o que impulsionou a buscar a evolução 
das ciências humanas. 
[...] a filosofia é o saber totalmente unificado, e na evolução deve buscar-se 
a lei fundamental do universo. O primeiro estado universal é massa homogê-
nea, informe confusa. É a fase nebulosa, que se diferencia pela condensação, 
que dá origem ao sistema planetário em que a Terra se integra, inicialmente 
em estado ígneo. Pela marcha contínua do homogêneo para o heterogêneo, 
os seres tornam-se cada vez mais diferenciados e complexos. A sua existên-
cia, relacionada com os meios de conservação, desenvolve-se submetida a 
permanente luta, em que triunfam os mais aptos (SPENCER, 1939, p.8-9).
UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
Esses estudos variados levaram Durkheim a procurar modelos biológicos e sociais 
próximos e também a ter um olhar diferenciado para a Antropologia. Essa união de fatores 
procedeu a formulação da teoria dos fatos sociais, que assegura a preferência do juízo 
de fatos gerais que baliza as sociedades (como leis), os quais seriam maiores e mais 
facilmente explicáveis que as questões individuais psicológicas. Para Durkheim, o conceito 
de fatos sociais são estruturas que tendem a se repetir em diferentes sociedades, mostran-
do-se elementos rígidos, mas que consolidam o rigor científico necessário para o trabalho 
sociológico. Assim:
Todavia, desse ponto de vista, não haveria por assim dizer nenhum acon-
tecimento humano que não pudesse ser chamado de social. Cada indiví-
duo bebe, dorme, come, raciocina e a sociedade tem todo o interesse em 
que estas funções se exerçam de modo regular. Porém, se todos esses fa-
tos fossem sociais, a Sociologia não teria objeto próprio e seu domínio se 
confundiria com o da Biologia e da Psicologia. Na verdade, porém, há em 
toda sociedade um grupo determinado de fenômenos com caracteres níti-
dos, que se distingue daqueles estudados pelas outras ciências da natureza 
(DURKHEIM, 2001, p. 48).
A maior ambição do pensador na época era instituir um campo de estudos das 
Ciências Sociais totalmente independente, que não dependesse das esferas de outras 
ciências, como a Biologia e a Psicologia, e não estar amarrado aos modelos demasiada-
mente abstratos da Filosofia que Auguste Comte tinha deixado ao trabalho sociológico. 
Durkheim adota por pressuposição que a sociedade é governada por leis e uma ciência que 
dela se alargue deve chegar à formulação de amplas generalizações que a esclareçam. 
Assim, sugere a teoria da coesão ou da solidariedade social, evidenciando que o princípio 
da integração decorre da sociedade, cujo funcionamento aproxima-se à estabilidade. 
O sistema social, na sua compreensão, é ordenado em comparação com o organis-
mo vivo que conclui ser saudável a sociedade quando ocorre coerência entre suas partes, 
ou patológica, se qualquer convulsão lhe retirar o equilíbrio. A concepção de Durkheim da 
realidade social é, portanto, orgânica e funcionalista: cada uma das partes, identificadas 
com as instituições sociais ou os indivíduos, aprova uma função, cumpre uma obrigação 
específica que responde pela saúde de um todo. 
 Na pesquisa que Durkheim realizou para escrever o livro O suicídio, ele cultiva as 
direções do seu método sociológico, calhando tipos de suicídio (egoísta, altruísta, anômico) 
e ordenando leis da coesão social, como quando avalia alta no caso de suicídio altruísta, 
no qual indivíduos tacam fogo às roupas em protesto e justificação de grandes causas so-
ciais. Para entender as evidências dos fatos sociais com rigor científico, coloca regras para 
a investigação sociológica, basicamente: apartar as pré-noções e tratar os fatos sociais 
como lances. Como afirma, "o conjunto de crenças e dos sentimentos comuns à média dos 
membros de uma mesma sociedade forma um sistema determinado, que tem vida própria; 
podemos chamá-lo de 'consciência coletiva'" (DURKHEIM, 2008, p. 50).
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UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
 Nessa primeira sociedade, ocorre um fenômeno que Durkheim (2000) designou 
consciência coletiva, no sentido de preservar os costumes e tradições comuns que preen-
chem o governo sobre as consciências individuais. Durkheim distingue nas sociedades 
modernas a vivência da solidariedade orgânica, pela ocorrência dos indivíduos e grupos 
serem diferentes e desenvolverem relações de interdependência para viver. Nomeia essa 
complexidade das relações sociais com a sociedade industrial, onde a separação do traba-
lho social desempenha o papel de controle e avaliza a integração. 
A consciência coletiva constitui o "conjunto das crenças e dos sentimentos 
comuns à média dosmembros de uma mesma sociedade, formando um sis-
tema determinado com vida própria". A consciência coletiva é capaz de coagir 
ou constranger os indivíduos a se comportarem de acordo com as regras de 
conduta prevalecentes. A consciência coletiva habita as mentes individuais e 
serve para orientar a conduta de cada um de nós. Mas a consciência coletiva 
está acima dos indivíduos e é externa a eles. O fato de que os fenômenos 
individuais devem ser explicados a partir da coletividade e não o contrário 
(DURKHEIM, 2008).
 Ou seja, a divisão do trabalho determina a solidariedade orgânica porque cria entre 
os homens um aparelho de direitos e deveres, um estado de atrelamento do indivíduo em 
relação à sociedade, tornando-se o alicerce da ordem moral. Em uma visão otimista da 
história, Durkheim depositava a necessidade de consenso social e enxergava na educação 
uma criação integradora por mostrar para as novas gerações as qualidades essenciais para 
a sobrevivência da sociedade, habituando-se ao sistema de normas morais, como escreve 
em sua obra “Educação e Sociologia”.
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 3 MAX
WEBER
TÓPICO
UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
Biograficamente faz-se importante destacar que Maximilian Karl Emil Weber, na-
tural da cidade de Munique, Alemanha, nasceu em 21 de abril de 1864. Em sua formação 
acadêmica foi jurista e economista, também é considerado como intelectual e fundador da 
Sociologia. Weber é um dos fundadores da sociologia moderna, entretanto, seus escritos 
em outras áreas são muito difundidos, tais como: Ciências Econômicas, Filosofia, Direito, 
Ciência Política e Administração. 
Graduou-se na Universidade Humboldt de Berlim e depois trabalhou nas Univer-
sidades de Freiburg de Heidelberg, de Viena, muito conhecida e bem quista na sociedade 
Alemã da época. Foi consultor do lado alemão na confecção do Tratado de Versalhes (1919) 
e fez parte da comissão encarregada de redigir a Constituição da República de Weimar. A 
partir de 1893, lecionou em muitas universidades da Alemanha. Mas entre 1898 a 1906, 
ficou licenciado em decorrência de crises depressivas, então neste período dedicou-se a 
viagens e trabalhos de pesquisas.
Dentre as suas obras destacam-se: “A ética protestante e o espírito do capitalismo” 
(1905), dando início para suas ponderações sobre a sociologia da religião. Nessa premis-
sa, trabalhava com o intuito de explicitar os tipos ideais da burguesia, a ética protestante 
e o capitalismo industrial, vindo a estudar a moralidade constituída por algumas seitas 
calvinistas entre o século XVI e XVII.
UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
Compreendia que a Sociologia é a ciência que pretende explicar a ação social, com 
seus desenvolvimentos e efeitos. Com essa sugestão, determina a fundamentação básica do 
que titulou método compreensivo, partindo da visão de ação social e de compreensão. No 
entendimento do autor: 
Em todos os lugares - à exceção dos pequenos cantões rurais em que os 
detentores do poder são periodicamente eleitos - a empresa política se põe, 
necessariamente, como empresa de interesses. Quer dizer que um número 
relativamente restrito de homens interessados pela vida política e desejosos 
de participar do poder aliciam seguidores, apresentam-se como candidato ou 
apresentam a candidatura de protegidos seus, reúnem os meios financeiros 
necessários e se põem à caça de sufrágios. Sem essa organização, não há 
como estruturar praticamente as eleições em grupos políticos amplos. Equi-
valem essas palavras a afirmar que, na prática, os cidadãos dividem-se em 
elementos politicamente ativos e em elementos politicamente passivos (WE-
BER, 2011, p. 103-104).
Com um raciocínio mais flexível do que parece apresentar, em seus escritos Weber 
utiliza-se da história e, ao detalhar com muita maestria suas pesquisas, ele nos apresenta 
uma ampla explanação da cultura ocidental, pela visão da formação e da expansão do 
capitalismo no mundo. Os seus conceitos sociológicos que estão formulados em sua obra 
“Economia e sociedade (1922)” resume o seu zelo sobre o assunto nos livros que a prece-
deram, especialmente na obra “A ética protestante e o espírito do capitalismo (1904-1905)” 
e na obra “A ética econômica das religiões universais (1915)”. 
Weber, por meio de suas pesquisas, também evidenciou que a reforma protestante 
havia desenvolvido, em alguns países ocidentais, uma cultura social mais potencializadora 
para o desenvolvimento econômico capitalista. O marco inicial da Reforma Protestante 
aconteceu em 31 de outubro de 1517, quando o monge Martinho Lutero afixou suas 95 
teses na porta da catedral de Wittenberg. A intenção de Lutero era apontar as falhas e 
contradições na Igreja Católica. Os protestantes não ficam estagnados quanto à questão 
educativa e são fundamentais para a formação da pedagogia que encontramos até hoje.
 Lutero via claramente a importância fundamental da educação universal para 
a Reforma e a preconizou insistentemente em suas pregações. O ensino de-
veria chegar a todo o povo, nobre e plebeu, rico e pobre; deveria beneficiar 
meninos e meninas – avanço notável; finalmente, o Estado deveria decretar 
leis para frequência obrigatória […] Era opinião de Lutero, ainda, que o Es-
tado tinha o dever de obrigar os seus súditos a enviar seus filhos à escola, 
da mesma forma que compelia todos eles a prestar serviço militar para sua 
defesa e prosperidade. Consequentemente, a educação deveria ser mantida 
e dirigida pelo Estado (CONCEIÇÃO, 2006, p. 79).
Duas conferências publicadas em 1919 merecem atenção dos cientistas sociais e 
Weber possui duas importantes obras para o entendimento de seu pensamento sociológico 
“O ofício e a vocação do cientista e o ofício e a vocação do político” e “Ensaio sobre o 
sentido da neutralidade axiológica nas ciências sociológicas e econômicas”. Ao ler Weber 
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UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
nota-se o zelo metodológico que ele teve para garantir cientificamente todo o cuidado como 
investigador. Não se preocupa em alcançar a objetividade científica pela desobrigação do 
pesquisador e deixa transparente o papel da subjetividade na produção do conhecimento. 
Para Weber (2011), o sujeito cognoscente é parte do processo de concepção da 
realidade, ou seja, compreender é o mesmo que segurar o sentido de uma ação social. Busca 
nesse sentido a ênfase dos fenômenos estudados, ainda que não estejam presentes na ação.
 Assim, entender o sentido da ação resulta em chegar a acepção que o sujei-
to, ou os sujeitos da ação atribuem a ela, orientando-se pelo comportamento 
de outros. Observa-se que, Weber amplia um recurso metodológico chamado 
“construção de tipos ideais”, ou seja, os conceitos que organiza para explicar 
a realidade aplicam-se, para um dado período histórico, à situação investi-
gada. Sociologia (no sentido aqui entendido desta palavra empregada com 
tantos significados diversos) significa: uma ciência que pretende compreen-
der interpretativamente a ação social e assim explicá-la causalmente em seu 
curso e em seus efeitos (WEBER, 2000, p. 03).
 Weber constrói alguns tipos ideias da sociedade como burocracia, dominação e 
capitalismo ocidental, que diz importância à capacidade do cientista capturar o conjugado 
de valores de uma época, de uma cultura, e entender o que é expressivo para uma socie-
dade no seu tempo. Todos os tipos ideais construídos por Weber – como “ética protestante” 
e “espírito do capitalismo”, com os quais avalia a conexão de sentido ou a afinidade entre 
a conduta moral rígida do próprio do ethos da cultura religiosa calvinista do século XVIII. 
Para o autor, o sujeito da ação (indivíduo, grupo social, instituição) guia-se em 
relação à conduta de outros (indivíduos, grupos, instituições), seja agindo sabidamenteconduzido por fins (objetivos sólidos mesmo não explícitos) ou sendo guiado por valores 
(morais, culturais, religiosos); ou aceitando-se conduzir por sentimentos (medo, cólera, 
inveja), ou ainda, norteando a sua ação pela tradição (traços culturais de condutas coletivas 
que conservam a experiência do grupo). Os tipos ideais de ação social não são de caráter 
excludentes e se exibem de forma concomitante.
Segundo Weber, a realidade é infinita e a finita mente humana é capaz de per-
ceber dessa realidade apenas uma pequena parcela. Essa concepção de realidade é 
acompanhada de muita responsabilidade sobre os ombros do cientista, o qual estes devem 
coordenar intelectualmente e uma das formas para execução e fazer a construção de tipos 
ideais, no sentido de ideias, não de padrões. A grandeza histórica do fato social é valorizada 
como um leque de probabilidades, de escolhas subjetivas, pertencendo ao pesquisador, na 
construção conceitual da Sociologia.
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UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
 Dessa maneira, chega-se à racionalidade atualizada no capitalismo ocidental 
como presença histórica cuja ação é preponderantemente racional e a na obra de Weber 
surge a racionalidade como início organizativo no âmbito da sociedade moderna, que o faz 
perfilhar no processo de secularização a expressão da racionalização social. A maioria de 
seus estudos foi alocado para o capitalismo e do chamado procedimento de racionalização 
e desencantamento do mundo.
Suas análises também deram frutos importantes no campo da economia. Para 
Weber, a declaração “desencantamento do mundo” se refere ao progresso técnico que 
obedece uma lógica que lhe foge ao controle, a ponto de a conduta racional vir a se tornar 
irracional com o processo histórico. Primeiramente, Weber não tinha confiança quanto à 
racionalidade que dava sentido aos pensadores sobre iluminismo, os mesmos apoiavam-se 
da ideia que a mente e a sociedade direcionaram a racionalidade científica.
No domínio da realidade política, o tributo de Weber sobre o fenômeno da domi-
nação – seja racional, tradicional ou carismática, como tipos ideais puros – coloca lucidez 
na questão da autoridade e de sua legitimidade, ao abordar o poder nas condições da 
ação humana preparada à obediência no confronto com os dominadores que pretendem 
apreender o poder legítimo. 
A ambição de legitimação da Sociologia dos dominadores, ou seja, o seu reco-
nhecimento e aceitação sociais são mais apreciados por Weber que o próprio exercício da 
dominação. Assim, Weber identifica que no procedimento de racionalização o fenômeno 
burocrático e este como um sistema de administração e organização que se alarga a uma 
racionalização total em termos de eficácia, esse poder burocrático e impessoal seria o 
peculiar Estado Moderno.
 
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 4 KARL
MARX
TÓPICO
UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
Um dos filósofos mais conhecidos, revolucionário alemão, natural da cidade de Tré-
veris na região da Renânia na antiga Prússia, Karl Heinrich Marx nasceu no dia 05 de maio 
de 1818, conhecido em todo mundo como Filósofo, Historiador, Jornalista e Economista, 
conforme defende algumas linhas de pensamento.
Inventou bases doutrinárias comunistas que criticavam o capitalismo. É intencional 
informar até para compreender as argumentações de Marx, seu pai era advogado e con-
selheiro judicial, sua descendência era judia e, consequentemente, era perseguido pelo 
Guilherme III que mantinha seu governo absolutista.
Destaca-se e pelos seus estudos da ideologia Socialista, qual a sua reputação é 
muito conhecida e discutida. Em virtude das dificuldades sociais de sua época, emigrou 
para Inglaterra instalando-se na cidade de Londres onde se casou e constituiu a sua famí-
lia. Adepto e defensor do Socialismo científico, Marx desenvolveu suas teorias econômicas 
após exaustiva análise do sistema capitalista e do trabalho. 
Escreveu vários livros durante sua vida, destacando-se “O Manifesto do Comunis-
ta”, o livro retrata duras críticas ao capitalismo e mostra de forma minuciosa o movimento 
operário, evidenciando a luta de classes, o intuito desta escrita era para que houvesse a 
união de todos da mesma classe (1848). O “O Capital” (1867–1894), considerado um dos 
estudos mais complexos e dinâmicos sobre o capitalismo, faz uma reflexão crítica abordan-
do todo o funcionamento econômico capitalista, evidenciando a exploração do trabalhador, 
alertando sobre a exploração no trabalho.
UNIDADE 2 PRINCIPAIS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
Antes de sua ida para a Inglaterra, Marx estudou nas universidades de Bonn e 
Berlim. Marx havia se aliado aos hegelianos de esquerda pautados nas questões sociais e 
necessidade de transformações na classe burguesa. Para seus sustentos e terminar seus 
estudos, trabalhou no jornal Zeitung, um ambiente tido como radical na época com sua 
sede na cidade de Colônia. 
 Foi neste ambiente que Marx começou a desenvolver a teoria da concepção mate-
rialista da história. Perseguido pelos que eram contra suas ideias, muda-se para a França 
estabelecendo-se em Paris em 1843, trabalhando em outros jornais radicais onde conheceu 
Friedrich Engel, um grande empresário industrial, que desde a infância se preocupava com 
a pobreza dos funcionários da indústria de seu pai. Foi um grande jornalista e teve o nome 
conhecido neste meio, por atacar a religião de forma contundente. Podendo afirmar que:
 Sendo o Estado uma instituição meramente transitória, que é utilizada na luta, 
na revolução, para submeter os adversários pela violência, é um absurdo falar 
de Estado popular livre: enquanto o proletariado ainda necessitar do Estado, 
não o necessitará no interesse da liberdade, mas para submeter os seus ad-
versários, e tão logo que for possível falar-se de liberdade, o Estado como tal 
deixará de existir. (ENGELS, Friedrich. 1875”. In: Op. Cit., Vol. 2, p 232.)
Em 1949, sofria assim novas perseguições, agora pelo governo da França na pes-
soa François Guizot. Sua família integrava a burguesia e eram protestantes, em sua vida 
pública influenciou a ampliação de escolas públicas. Marx é expulso da França exilando-se 
em Londres. Lá deu continuidade em seus estudos e na elaboração de suas teorias eco-
nômicas e sociais. Fez campanhas para a divulgação do Socialismo tornando-se uma das 
figuras mais significativas e emblemáticas no campo dos estudos sociológicos, fundando 
Associação Internacional dos Trabalhadores. Como afirma Engels:
Desse modo, o socialismo já não aparecia como a descoberta casual dum ou 
outro intelecto genial, mas como o produto necessário da luta entre as duas 
classes formadas historicamente (...). A sua missão já não era elaborar um 
sistema o mais perfeito possível da sociedade, mas investigar o processo 
histórico econômico de que, forçosamente, tinham que resultar essas classes 
e o seu conflito, descobrindo os meios para a solução na situação econômica 
assim criada (...). Com efeito, o socialismo anterior criticava o modo de produ-
ção capitalista e as suas consequências, mas não conseguia explicá-lo nem 
podia, portanto, destruí-lo ideologicamente; nada mais lhe restava senão re-
pudiá-lo, pura e simplesmente, como mau (Engels, 1875 , p. 53).
 No contexto da sociedade capitalista moderna, na metade do século XIX, o pen-
samento filosófico-político de Marx expõe várias grandezas e a Sociologia, desde o início 
do século XX, aproximou-se deste conhecimento, agrupando ao seu referencial teórico 
um conjugado de concepções explicativas do fato social. A menção ao conjunto nos diz 
respeito às teorias serem opiniões inter-relacionadas, compatíveis, de mútua-explicação 
que, ao prover explicações sobre a realidade, apresentam a marca da metodologia que os 
move. Mas para Marx: 
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UNIDADE 2

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