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Entidades do Terceiro Setor
As entidades do terceiro setor contemplam a ação social das organizações destinadas ao trabalho voluntário e as organizações privadas que são constituídas como fundações. As entidades do terceiro setor surgiram a partir de projetos destinados à situação social de grupos ou de pessoas que enfrentam dificuldades, sendo a esses projetos que as organizações passaram a se dedicar.
Legislação
De acordo com Lopes e Prado (2020), a legislação federal apresenta algumas leis que tratam sobre o terceiro setor. São elas:
Lei n.º 9.429/1996
Abrange o prazo de prorrogação para renovar o certificado de entidades de fins filantrópicos e realizar um recadastramento junto ao Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Compreende também a extinção dos atos decorrentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) contrariando órgãos que tinham vantagens na isenção da contribuição social porque não apresentavam a solicitação de renovação do certificado em tempo hábil.
Lei n.º 9.608/1998
Dispões sobre serviços voluntários.
Lei n.º 9.637/1998
Esta lei aborda a qualificação das entidades como organizações sociais, “[...] a criação do Programa Nacional de Publicização, a extinção dos órgãos e entidades que menciona e a absorção de suas atividades por organizações sociais, e dá outras providências” (LOPES; PRADO, 2020).
Lei n.º 9.790/1999
Conforme o Senado Federal (2015), legislação aborda as entidades do terceiro setor, e pode ser consultada também por meio da Lei n.º 9.790/1999 que trata da qualificação da pessoa jurídica de direito privado que não possui finalidade no lucro. Esta lei apresenta quem poderá se enquadrar como organização da sociedade civil de interesse público, ou seja, somente as pessoas jurídicas que contiverem objetivos sociais e normas estatutárias que cumpram os requisitos exigidos pela legislação.
Lei n.º 10.406/2002
Esta lei define as entidades do terceiro setor, e, em seu artigo 44, determina quem são as pessoas jurídicas de direito privado, citando associações, sociedades, fundações, organizações religiosas, partidos políticos e empresas individuais de responsabilidade limitada.
A respeito das associações, dispõem os artigos 56 e 57 da mesma lei:
Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário.
Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto.
Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto.
Parágrafo único. (revogado)
Sobre as fundações, o artigo 66 define que o Ministério Público do estado deve zelar por elas. Quando as fundações estiverem instauradas no Distrito Federal ou em Território, elas serão veladas pelo Ministério Público Federal.
Lei n.º 12.101/2009
Apresenta a certificação das entidades beneficentes de assistência social, normatizando os métodos de isenção referentes às contribuições para a seguridade social, modificando a Lei n.º 8.742/1993, revogando:
[...] dispositivos das Leis nºs 8.212, de 24 de julho de 1991, 9.429, de 26 de dezembro de 1996, 9.732, de 11 de dezembro de 1998, 10.684, de 30 de maio de 2003, e da Medida Provisória nº 2.187-13, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. (LOPES; PRADO, 2020, p. 193)
Lei n.º 13.019/2014
Estabelece regras que abrangem as parcerias voluntárias, as quais podem ou não envolver transferência de recursos financeiros.
Além das leis apresentadas, existem outros decretos que regulamentam as atividades do terceiro setor (LOPES; PRADO, 2020, p. 194). Confira-os a seguir:
Decreto n.º 3.100, de 30 de junho de 1999
Regulamenta a Lei n.º 9.790, de 23 de março de 1999, que dispõe sobre a qualificação de pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, como organizações da sociedade civil de interesse público. Além disso, este decreto institui e disciplina o termo de parceria e dá outras providências.
Decreto n.º 8.242, de 23 de maio de 2014
Regulamenta a Lei n.º 12.101, de 27 de novembro de 2009, para dispor sobre o processo de certificação das entidades beneficentes de assistência social e sobre os procedimentos de isenção das contribuições para a seguridade social.
Decreto n.º 8.726, de 27 de abril de 2016
Regulamenta a Lei n.º 13.019, de 31 de julho de 2014, para dispor sobre regras e procedimentos do regime jurídico das parcerias celebradas entre a administração pública federal e as organizações da sociedade civil.
É importante adquirir conhecimento sobre a legislação que normatiza o terceiro setor, buscando compreender com quais benefícios contam essas entidades em virtude da sua atividade e também entender melhor as exigências que elas devem atender para estarem enquadradas dessa forma.
Tipos de entidades do terceiro setor
Conforme o Ministério Público do Paraná (MPPR, 2019), as entidades do terceiro setor são compostas por pessoas jurídicas de direito privado que não têm fins lucrativos. Essas entidades apresentam atividade de interesse social e podem gerar sobras financeiras durante o exercício social, no entanto, sua finalidade não pode ser essa.
Com relação aos excedentes financeiros, destaca-se que as entidades do terceiro setor não podem fazer a distribuição dos lucros, como ocorre nas empresas com finalidade lucrativa, mas podem aplicar o lucro na sua atividade.
De acordo com o MPPR (2019), entre os tipos de entidades do terceiro setor estão:
Cooperativas e organizações religiosas
São consideradas entidades do terceiro setor, desde que atuem focadas no interesse social, ou seja, gerando vantagens aos membros das comunidades e também à sociedade.
A figura evidencia a união das mãos de várias pessoas, circundando o símbolo do cooperativismo, demonstrando que contêm interesse social e que buscam prestar serviços refletindo em toda a sociedade.
Associações
Caracterizam-se por serem um grupo de integrantes com os mesmos interesses.
As associações são formadas mediante a união entre pessoas que se preparam para executar atividades e não têm fins lucrativos. Nas associações, os associados precisam ter os mesmos direitos, ainda que o estatuto estabeleça algumas classes com vantagens especiais.
De acordo com a Associação Brasileira de Terapeutas Capilares e Cabeleireiros (ABRATECC, 2019), as associações têm como principais objetivos:
· Fortalecimento da capacidade de ações por meio da união de esforços conjuntos
· Disponibilização de soluções coletivas para tirar dúvidas
· Condições mais favoráveis para os associados
· Realização de cursos para o fortalecimento da categoria
· Promoção e participação de ações de caráter filantrópico e humanitário, mantendo íntegra a ética da profissão
· Aquisição de matérias e mercadorias em forma de cooperação
· Entre outros benefícios, uma associação é não estar sozinho, é ter com quem contar.
Fundações
De acordo com o Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO, 2019), as fundações são caracterizadas pela “[...] existência de um patrimônio comprometido com a realização de um objetivo de cunho social”. Dessa forma, elas não se destacam em virtude da união de pessoas. Além disso, as fundações são acompanhadas continuamente pelo Ministério Público, no seu surgimento e durante toda sua trajetória.
As fundações são consideradas um conjunto de bens, que devem ser fiscalizados constantemente pelos dirigentes com o intuito de assegurar que o objetivo social seja cumprido sem que ocorram desvios.
Conforme o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) é o Ministério Público quem autoriza a formação de uma fundação:
Por outro lado, a instituição de uma Fundação depende da autorização do Ministério Público ao qual cabe aprovar a minuta do estatuto e avaliar se o patrimônio destinado para uma fundação é suficiente para aqueles fins.
As Fundações estão sujeitas a um regulamento especial desde oseu nascimento até sua extinção, previsto pelo Código Civil (arts. 62/69), Código de Processo Civil (arts. 1199/1204) e Lei de Registros Públicos (arts. 114/120).
Gestão no terceiro setor
De acordo com Melo (2017), a gestão nas entidades do terceiro setor é importante, pois direciona a entidade da posição em que ela se encontra para onde ela quer chegar futuramente por meio das ações traçadas.
O caminho é incerto, mas é com a utilização de estratégias que a entidade ficará mais próxima daquilo que ela pretende. Com uma avaliação do indicador de desempenho é possível analisar os resultados que estão sendo alcançados e, se preciso, traçar novas metas.
O planejamento busca prever e reduzir assim incertezas, mas somente com os indicadores esses resultados serão mais precisos.
Setor privado
As entidades enquadradas no setor privado pensam estrategicamente para se manterem ativas no mercado tão competitivo.
Organizações não governamentais
São dotadas de falta de planejamento e, por consequência, pela inexistência de definição de resultados esperados.
Para o planejamento estratégico eficaz, é preciso que as entidades do terceiro setor entendam suas ações. Entretanto, percebe-se que as entidades têm dificuldade na sistematização das suas ações, no que se refere à análise da compreensão de qual mudança gerou o resultado dessas ações e da disseminação do resultado interna e externamente.
As estratégias aplicadas ao terceiro setor não são muito divulgadas. É de conhecimento que tais entidades contêm características que exigem adaptação de métodos de gestão, buscando complementar aspectos imprescindíveis à sua evolução.
O terceiro setor se depara diariamente com novos desafios do mercado e, por esse motivo, busca inserir-se à realidade do mercado no qual está incluído. Para tanto, é necessário o uso da ferramenta balanced scorecard (BSC), além da análise de indicadores financeiros.
O uso do BSC por organizações não governamentais possibilita verificar a atuação em dimensões financeiras e não financeiras. As perspectivas do BSC são instituídas embasadas nos indicadores, tanto internos quanto externos, a fim de que eles possam nortear a organização para que ela visualize seus objetivos frente a cada perspectiva (MELO, 2017).
Órgãos fiscalizadores
Conforme o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP, 2020), o Tribunal de Contas é responsável pela avaliação do portal de transparência das instituições, analisando as informações apresentadas, como, por exemplo, a localização das entidades, os contatos e horários de atendimento ao público geral etc.
Figura 2 – Fiscalização do terceiro setor
Fonte: TECESP, 2020.
A figura apresenta o símbolo do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, demonstrando por meio dele a fiscalização realizada sobre as entidades do terceiro setor.
As entidades do terceiro setor são fiscalizadas sem aviso prévio, avaliando, além da legalidade, a qualidade referente ao recurso aplicado nos gastos com políticas e serviços públicos. As fundações serão fiscalizadas pelo Ministério Público do estado onde elas estiverem inseridas. No entanto, se estenderem a atividade por mais de um estado, caberá a responsabilidade, em cada um deles, ao respectivo Ministério Público (TCESP, 2020).
O artigo 62 da Lei n.º 10.406/2002 define os critérios usados para a criação de uma fundação. Veja a seguir quais são esses critérios:
Artigo 62 da Lei n.º 10.406/2002
Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la.
Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins de: (Redação dada pela Lei nº 13.151, de 2015)
I – assistência social; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015)
II – cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015)
III – educação; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015)
IV – saúde; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015)
V – segurança alimentar e nutricional; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015)
VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; (Incluído
pela Lei nº 13.151, de 2015)
VII – pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015)
VIII – promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015)
IX – atividades religiosas; e (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015)
Segundo o Instituto Cerbel Desenvolvimento Humano (ICDH), a criação de uma entidade do terceiro setor, uma fundação, por exemplo, ocorre, de acordo com o Código Civil Brasileiro, pelo seu fundador, que designa conforme testamento os bens livres e que sejam capazes de dar continuidade nos fins estatutários. Posterior à sua criação, a fundação passa a ter personalidade própria e distinta do seu fundador.
Para criar uma organização sem fins lucrativos, alguns passos são importantes, como, por exemplo:
· É preciso fazer uma convocação para reunir e mobilizar pessoas que tenham alguma relação com a organização que se busca fundar. A convocação é necessária para que seja cumprida a seguinte pauta:
a) Apresentar o motivo da criação da entidade
b) Estabelecer os integrantes de um comitê, ou seja, da comissão de preparação das próximas reuniões, definindo as tarefas de cada um e suas responsabilidades
c) Criar uma comissão de redação do estatuto social, a fim de preparar uma proposta de estatuto para ser presentado à assembleia geral para análise e aprovação
· É necessário criar uma assembleia geral de formação da entidade, que convocará os interessados.
· Outro passo é a distribuição do estatuto pela comissão aos participantes.
· Na sequência está a posse da diretoria, que deverá seguir o que foi aprovado por meio do estatuto.
· Para o registro legal, é preciso reunir a documentação da entidade e encaminhar ao Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas. É necessário considerar também o pagamento de taxas, o registro no Livro de Atas, os estatutos e apresentar um extrato que evidencie esses valores, sendo aprovados no Diário Oficial.
· Os passos apresentados são essenciais para a abertura de uma entidade do terceiro setor. A Lei n.º 10.406/2002 destaca, no artigo 65, que, em caso de o estatuto não ser elaborado conforme o prazo assinado pelo fundador, ou se não houver um prazo, ficará ao encargo do Ministério Público, em até cento e oitenta dias, a sua aprovação.
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