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Matemática Financeira 2 AUTORIA Rafaela Rodrigues Oliveira Amaro Olá! Sou licenciada em Matemática e Especialista em Metodologia do Ensino de Matemática; com ampla experiÊncia docente nas esferas do ensino fundamental, médio e superior. Sou apaixonada pelo que faço e pela matemática e adoro lecionar e transmitir sobre essa disciplina fascinante. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! Matemática Financeira 3 ICONOGRAFIA Estes iconográficos irão aparecer toda vez que: INTRODUÇÃO uma nova unidade letiva estiver sendo iniciada, indicando que competências serão desenvolvidas ao seu término; VOCÊ SABIA curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo forem necessárias; DEFINIÇÃO houver necessidade de se apresentar um novo conceito; REFLITA houver necessidade de se chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; NOTA forem necessárias observações ou complementação para o conhecimento; ACESSE for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir a um vídeo, ler um texto, ouvir um podcast, etc.; IMPORTANTE as observações escritas tiverem que ser priorizadas; RESUMINDO for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; EXPLICANDO MELHOR algo precisar ser melhor explicado ou detalhado; SAIBA MAIS um texto, referências bibliográficas e links para fontes de aprofundamento se fizerem necessários; ATIVIDADES quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; TESTANDO chegar o momento ideal para o aluno responder ao enunciado de algumas questões do banco, ou mesmo de forma intempestiva, em meio ao livro didático; Assim vai ficar mais fácil nos comunicarmos. Basta olhar para um desses ícones e você saberá exatamente o que virá logo em seguida. Matemática Financeira 4 INTRODUÇÃO Nas unidades antecedentes a esta, nos familiarizamos com diversos e fundamentais conceitos de Matemática Financeira, sem considerar o contexto da inflação, ou seja, a moeda adotada em nosso país foi considerada estável ao longo do período estabelecido. Não considerar estes efeitos, em um cenário econômico, modifica muito o resultado de uma operação financeira. Com certeza você já ouviu ou leu nos noticiários algo que se refere direto ou indiretamente a inflação. Atualmente, a inflação está teoricamente estável, mas já passamos por períodos de hiperinflação, quando os preços subiam diariamente exponencialmente. Nos anos de 1980 e início da década de 1990, esse era o contexto no qual estávamos inseridos. Nesse período, o valor do dinheiro se alterava rapidamente devido aos efeitos da inflação. Mas, afinal, o que é inflação? O que são os índices de atualização? Taxa aparente e real? Taxa de desvalorização da moeda? Respostas a estas indagações será o roteiro que nos guiará no desenvolvimento desta nossa terceira unidade. Prontos para mais uma imersão na matemática financeira? Vamos lá! Matemática Financeira 5 Competências Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo é auxiliar você no atingimento dos seguintes objetivos de aprendizagem até o findar desta etapa de estudos: 1. Identificar os índices de atualização e inflação. 2. Definir e aplicar técnicas de variações de índices. 3. Reconhecer as taxas de juros – nominal e real. 4. Definir a taxa de desvalorização da moeda. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Toda longa caminhada se inicia pelo primeiro passo! Vamos lá? Ao trabalho! Matemática Financeira 6 Matemática Financeira 7 SUMÁRIO ICONOGRAFIA ............................................................................................... 3 INTRODUÇÃO ................................................................................................ 4 Competências ................................................................................................. 5 1. Índices de atualização e inflação ........................................................... 8 1.1 Índices de atualização ........................................................................ 8 1.2 Índices de inflação ............................................................................ 9 2. Variações de índices ........................................................................ 17 2.1 Correção monetária .......................................................................... 17 3. Taxas de juros: nominal, efetiva, real e aparente ....................................... 23 3.1 Taxa de juros ................................................................................. 23 3.2 Taxa de juros nominal x Taxa de juros efetiva. ......................................... 24 3.3 Taxa de juros aparente x Taxa de juros real. ............................................ 25 4. taxa de desvalorização da moeda ......................................................... 32 4.1 Taxa de desvalorização da moeda ........................................................ 32 REFERÊNCIAS .............................................................................................. 40 Matemática Financeira 8 1. Índices de atualização e inflação INTRODUÇÃO Ao final deste capítulo, você será capaz de entender como funciona os índices de atualização e inflação que estão disponíveis em nosso mercado financeiro, assim como alcançará habilidades que possibilitarão suas respectivas distinções. E então? Motivado para desenvolver esta inédita competência? Então, vamos lá. Avante! 1.1 Índices de atualização Caro aluno(a), como é bom retornar com você nossos estudos! Desta vez, com uma temática que interfere no nosso cotidiano. Os índices de atualização consistem em valores determinados que possibilitam a atualização de um valor, que oportuniza a correção monetária. Castanheira e Macedo (2013) elucidam que correção monetária: É a revisão estipulada pelas partes de um contrato, ou definida por lei, que tem como referência a desvalorização da moeda. De modo mais simples, é viável descrever correção monetária como o ato de realizar ajustes contábeis e financeiros, realizados para demonstrar os preços de compra da moeda que está em circulação no país atualmente, em nosso caso, desde 1994, o Real, comparado ao valor das moedas de outros países, denominado ajuste cambial, índices de inflação ou cotação do mercado financeiro. Bem, mas como esta definição interfere em minha vida? Esta é uma dúvida comum, não é mesmo? Bem, um bom exemplo da incidência desta correção monetária acontece quando você efetua uma compra em euros no cartão de crédito e na data de fechamento de sua fatura, o valor do euro, apresenta diferença, estando mais caro ou mais barato em relação ao valor que estava na data da compra. Essa diferença é denominada correção, isto é, ocorre o ajuste do valor da moeda, da data da compra até o valor da moeda na data atual. Com certeza quem já realizou essas operações cambiais já se atentou a este detalhe durante a compra, se não, se assustou; pois quem tem o hábito de adquirir alguma moeda estrangeira com o cartão de crédito, necessita de um cuidado adicional para não gerar uma fatura com valor muito mais alto do que havia planejado, devido a essa variação. Matemática Financeira 9 É importante ressaltar que este é um conceito muito intercalado a área de economia; uma vez que se refere ao ajuste periódico de alguns valores econômicos, tendo como base o índice de inflação de um período pré-determinado, dispondo como meta a compensação da perda de valor da moeda corrente. VOCÊ SABIA? Em 1994, o Brasil passou pela piorcrise de inflação, denominada hiperinflação. Nessa época, os balanços no Brasil eram demonstrados com alguns ajustes chamados de Correção Monetária de Balanços, conforme a lei 6.404/76. Com o fim da hiperinflação, os ajustes originários dessas atualizações são feitos em razão das altas taxas de juros utilizadas pelas instituições financeiras; e também, em decorrência do câmbio flutuante; este oportuniza grandes oscilações na cotação do dólar americano em relação ao Real. 1.2 Índices de inflação Caro(a) aluno(a), é viável afirmar que todo processo inflacionário possibilita consequências positivas e negativas para investidores e credores; deste modo, avaliar a inflação como boa ou ruim é considerada com uma questão de ponto de vista. Conforme Mathias e Gomes (2007), o Brasil tem uma cultura inflacionária que tende a acomodar os conflitos distributivos e as transferências de renda por meio da própria inflação. Castanheira e Macedo (2013) definem inflação como: Inflação é a deterioração do poder aquisitivo da moeda. Bem, com o passar do tempo, o capital vai perdendo poder aquisitivo, não é mesmo? Um carro que compramos hoje por determinado valor, ao ser revendido, daqui a um...dois...três anos não terá o mesmo preço que hoje é comercializado. Matemática Financeira 10 Figura 1 – Inflação Fonte: Pixabay. É comum apenas consideramos a inflação, quando os valores se elevam gradativamente em determinado período. Porém, as elevações de preços sazonais, isto é a variação de demanda sobre determinado produto e/ou serviço de acordo com a época ou período do ano, como acontece com os preços dos produtos agrícolas que dependem das safras (queda) e na entressafra (alta), não são consideradas inflacionárias. Quer se aprofundar neste tema? Clique aqui e assista ao vídeo O que é inflação?, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em contra partida, também Castanheira e Macedo (2013) afirmam que deflação pode ser descrito como: É o oposto da inflação, ou seja, é um processo de queda nos preços das mercadorias durante um intervalo de tempo. Para nós pode parecer surreal essa definição, mas a verdade é que a deflação acontece praticamente com a mesma frequência da inflação. Um exemplo prático dessa aplicação consiste no lançamento de um modelo novo de celular, esse evento, acarreta uma https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-detalhe-de-midia.html?view=mediaibge&catid=2102&id=2938 Matemática Financeira 11 deflação no preço do modelo que o antecede, uma vez que este é considerado velho e/ou defasado. Basicamente, assim como a inflação, a deflação implica em consequências para a economia como um todo. A deflação considerada boa é consequência do aumento da produção de vários segmentos; uma vez que com mais peças no mercado, a demanda consequentemente também aumenta, pois é mais fácil encontrar determinados itens e, com uma gama maior de possibilidades, assim os preços tendem a cair. SABIA MAIS Em 1993, a inflação no país alcançou uma taxa de 2700% e, após a implantação da nova moeda, o valor da inflação média dos governos seguintes manteve-se constante em 12,6% na presidência de Fernando Henrique Cardoso e 6,3% no mandato de Lula. Estudos apontam que, analisando o Índice Geral de Preços (IGP), foi a partir de 1958 que o aumento descontrolado da inflação iniciou no Brasil, com índices anuais superiores a 30%. O auge aconteceu em 1964, quando a inflação atingiu 86% (MORAES, 2018). Caro (a) aluno(a), como vimos os conceitos de inflação e deflação são opostos em sua concepção, enquanto um eleva o poder de compra o outro o diminui; tais distinções são sinalizadas na figura 2 a seguir: Figura 2 - Inflação versus Deflação. Fonte: Elaborada pela autora (2020). Inflação Deflação Matemática Financeira 12 A inflação de demanda ocorre quando a demanda ultrapassa a produção disponível de algum produto; este fato é comum quando acontece o aumento de produção próximo do emprego de recursos; para ser eliminada, é necessário que a política econômica lance mão de recursos quem estimulem a redução da procura agregada. O IBGE produz dois dos mais importantes índices de preços: o IPCA, considerado o oficial pelo governo federal, e o INPC; sobre estes conheceremos melhor a seguir. Vamos lá? Ambos os índices, o IPCA e o INPC, possuem como propósito a medição da variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumida pela população. O resultado apresenta se os preços aumentaram ou diminuíram, tendo como referência o período de um mês, considerando não apenas a variação de preço de cada item, mas o peso que ele exerce no orçamento familiar. O Quadro 1 a seguir apresenta o valor direcionado a estes índices no mês de janeiro de 2020. Matemática Financeira 13 Quadro 1 - IPCA e INPC registrados em janeiro de 2020 Fonte: IBGE (2020). O Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) engloba uma grande parcela da população, uma vez que aponta a variação do custo de vida médio de famílias que possuem renda mensal de um a quarenta salários mínimos. Matemática Financeira 14 Figura 3 – Variação do IPCA de julho de 1994 a dezembro de 2020 Fonte: IBGE (2020). O IBGE produz e divulga o IPCA desde 1980. Entre 1980 e 1994, ano de implantação do Plano Real, o índice acumulado foi de 13 342 346 717 671,70%! A maior variação mensal do IPCA foi em março de 1990 (82,39%), enquanto a menor variação, em agosto de 1998 (-0,51%). Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) identifica a variação do custo de vida médio apenas de famílias que possuem renda mensal de um a cinco salários mínimos. Mas porque é limitada essa quantidade de renda mensal? Bem, a resposta é porque esses grupos são mais sensíveis às variações de preços, pois os estudos apontam que estes tendem a gastar todo o seu rendimento mensal em itens básicos para a sobrevivência, tais como: alimentação, medicamentos, transporte etc. Quer se aprofundar neste tema? Clique aqui para assistir ao vídeo O que é INPC e IPCA?, criado pelo IBGE. Outros índices também são importantes no contexto econômico, observe na Figura 3 a seguir quem são eles. https://www.youtube.com/watch?time_continue=4&v=JVcDZOlIMBk&feature=emb_logo Matemática Financeira 15 Figura 4 – Índices de inflação Fonte: Elaborado pela autora (2020). Já fomos apresentados aos conceitos referentes aos importantes índices de atualização: o INPC e ao IPCA, agora conheceremos um pouco mais sobre os outros índices de inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E) é calculado pelo IBGE e divulgado ao final de cada trimestre, sendo formado pelas taxas do IPCA-15 de cada mês. Possui como objetivo realizar um balanço trimestral da inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), também medido pelo IBGE, foi constituído com a meta de oferecer a variação dos preços no mercado varejista, mostrando, assim, o incremento do custo de vida da população. Castanheira e Macedo (2011) discorrem sobre outros índices inflacionários costumeiramente utilizados na economia, como: • O Índice Geral de Preços (IGP), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresenta a inflação de preços desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais. Este índice é composto pela média de três índices que refletem a economia: Índice de Preços por Atacado (IPA); Índice de Preços ao Consumidor (IPC); e Índice Nacional de Custos da Construção (INCC). Ín d ic es d e In fl aç ão INPC IPCA IPCA-E IPCA-15 IGP IGP-10 IGP-DI IGP-M IPC-Fipe IPC-S IPC-SP Matemática Financeira 16 • O Índice Geral de Preços 10 (IGP-10) é uma das categorias do IGP. Mensurado pela FGV, ele identifica a inflação de preços desde matérias-primas agrícolas eindustriais até bens e serviços finais. • O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) é também uma versão IGP. Identificado pela FGV, ele registra a inflação de preços desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais. • O Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) é também uma versão do IGP. Mensurado pela FGV, ele registra a inflação de preços desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais. • O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) calcula a variação de preços de produtos e serviços em sete capitais especificas do país. É medido pela FGV. • O Índice de Preços ao Consumidor, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) é medido pela Fipe e mensura, especificadamente, a inflação na cidade de São Paulo. • O Índice de Preços ao Consumidor - São Paulo (IPC-SP) calcula a variação de preços de produtos e serviços da cidade de São Paulo e é medido pela FGV. RESUMINDO E então? Gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a inflação é o nome dado ao aumento dos preços de produtos e serviços diversos; esse valor é calculado pelos índices de preços, que costumeiramente recebem o nome de índices de inflação; os mais utilizados na medição da inflação em nosso país são o INPC e o IPCA; ambos possuem a capacidade de medir a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumida pela população e o resultado apresenta o aumento ou diminuição dos preços de um mês para o outro. O INPC aponta a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal entre um e quarenta salários mínimos, enquanto o INPC verifica a variação do custo de vida médio apenas de famílias com renda mensal de um a cinco salários mínimos, que representa a grande parcela de toda a população. Também conhecemos sobre outros índices que possibilitam a mensuração da inflação sob diferentes aspectos. Matemática Financeira 17 2. Variações de índices INTRODUÇÃO Ao final deste capítulo, você será capaz de entender como calculamos na prática a correção monetária, conforme determinados índices; através destes resultados, será possível estabelecer contratos levando-se em conta a inflação ou a deflação. E então? Motivado para desenvolver esta nova competência? Então vamos lá. Avante! 2.1 Correção monetária A correção monetária teve origem no Brasil em 16 de julho de 1964, pela Lei nº 4.357 intermediada pela origem da Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional (ORTN), cujo valor seria reajustado por mês em virtude das oscilações de preços de determinados bens e serviços, evidenciados pelos índices que são calculados pela Fundação Getúlio Vargas (CASTANHEIRA; MACEDO, 2013). É importante ressaltar que a correção monetária associada aos juros pode ser aplicada em diversas situações, bastando que exista alguma decisão judicial instituída que precisará da devida atualização dos valores financeiros. A correção monetária, quanto aos tributos, passou a ser: • Obrigatória sua incidência sobre o valor original dos bens do ativo imobilizado das pessoas jurídicas. • Permitida sobre o custo de aquisição do imóvel, na venda por pessoa física. • Obrigatória sobre débitos fiscais decorrentes do não recolhimento na data de vencimento. Existem tabelas de atualizações monetárias judiciais que possuem como objetivo preservar o poder aquisitivo da moeda, mediante determinados critérios utilizados pelas diferentes esferas da Justiça, seja pela aplicação da Lei e da doutrina, ou ocorre pela aplicação do entendimento jurisprudencial dos Tribunais Superiores. Há também as tabelas extrajudiciais, que podem ser usadas um só indexador ou vários encadeados, Matemática Financeira 18 permitindo também a atualização de obrigações contratuais em geral, não contratuais, como tabelas do INPC, da TR, do IGP-M etc. Conforme Castanheira e Serenato (2011), dois são os procedimentos usados para a aplicação da correção monetária aos planos de pagamentos no Brasil: a) Prefixada – determina-se uma taxa de juro contratual, independentemente do comportamento futuro da inflação; neste contexto, a taxa de juro real de cada período e a taxa de inflação deve ser agregada em uma única taxa, que denominamos de taxa prefixada. Como exemplo de aplicação do modelo prefixado no mercado financeiro, temos os papéis de renda fixa e crédito direto ao consumidor; b) Pós-fixada – neste modelo, a correção monetária tem seu valor conhecido com o passar do tempo, à medida que os índices oficiais do governo são divulgados; assim, os saldos devedores, as parcelas de juros e a amortização são corrigidas conforme a inflação. Como exemplo desta modalidade pós-fixado, é possível citar os contratos com correção pelo IGPM e os contratos em moeda estrangeira. Hoje, a correção monetária é determinada pelo Conselho Federal de Contabilidade e trata-se de um Princípio Fundamental da Contabilidade. Antes de ser controlada pelo Conselho Federal, a determinação dos valores acontecia pelo Governo Federal e era chamada de Correção Monetária de Balanço. Em 1994, como medida para conter a inflação que na época era muito elevada, houve a mudança de quem deveria estabelecer os valores associados aos índices. A correção monetária, que será indicada por 𝐶𝑀 em um determinado período, é encontrado através da variação percentual entre o índice no final do período previamente indicado e o índice encontrado no final do período anterior, matematicamente, a relação que possibilita tal cálculo é fornecida por: Fórmula: 𝑪𝑴 = 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒆 𝒑𝒆𝒓𝒊𝒐𝒅𝒐 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒂𝒅𝒐 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒆 𝒑𝒆𝒓𝒊𝒐𝒅𝒐 𝒂𝒏𝒕𝒆𝒓𝒊𝒐𝒓 − 𝟏 No entanto, quando os índices de correção monetária se referem a vários períodos, o cálculo da correção monetária é determinado pela seguinte fórmula: Matemática Financeira 19 Fórmula: 𝑪𝑴𝒎 = (𝟏 + 𝑪𝑴𝒕) 𝟏 𝒏⁄ − 𝟏 Onde: • 𝐶𝑀𝑚 = Correção monetária média. • 𝐶𝑀𝑡 = Correção monetária do período. • 𝑛 = Período. Vamos resolver juntos um exemplo para compreendermos na prática a utilização destas relações. Exemplo: Determine a correção monetária referente ao primeiro semestre de 2019 e a média mensal de inflação; admita os dados do IPC da Fipe, conforme o Quadro 2, apresentado a seguir: Quadro 2 – IPC de dez./2018 a jun./2019 Período Mensal (%) Índice Dezembro/2018 - 100 Janeiro/2019 0,58 100,58 Fevereiro/2019 0,54 101,12 Março/2019 0,51 101,63 Abril/2019 0,29 101,92 Maio/2019 -0,02 101,90 Junho/2019 0,15 102,05 Fonte: elaborado pela autora (2020). Inicialmente, devemos retirar os dados do enunciado, que neste caso estão disponibilizados na tabela: • 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒆 𝒑𝒆𝒓𝒊𝒐𝒅𝒐 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒂𝒅𝒐 = 𝟏𝟎𝟐, 𝟓 • 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒆 𝒑𝒆𝒓𝒊𝒐𝒅𝒐 𝒂𝒏𝒕𝒆𝒓𝒊𝒐𝒓 = 𝟏𝟎𝟎 Logo: 𝑪𝑴 = 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒆 𝒑𝒆𝒓𝒊𝒐𝒅𝒐 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒂𝒅𝒐 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒆 𝒑𝒆𝒓𝒊𝒐𝒅𝒐 𝒂𝒏𝒕𝒆𝒓𝒊𝒐𝒓 − 𝟏 Matemática Financeira 20 CM = 102,5 100 − 1 CM = 1,025 − 1 = 0,025 CM = 2,5% ao semestre Logo, a correção monetária referente ao semestre analisado foi de 2,5%. Já a média mensal da inflação é obtida por: 𝑪𝑴𝒎 = (𝟏 + 𝑪𝑴𝒕) 𝟏 𝒏⁄ − 𝟏 𝐶𝑀𝑚 = (1 + 0,025) 1 6⁄ − 1 𝐶𝑀𝑚 = (1,025) 1 6⁄ − 1 𝐶𝑀𝑚 ≅ 0,0041 = 0,41% Assim, a correção monetária média referente ao semestre foi de 0,41%. Exemplo: Calcule a correção monetária e a média mensal referente ao período de abril/2019 a dezembro/2019, considerando os dados do INPC do IBGE, conforme a tabela apresentada a seguir: Quadro 3 – INPC de abr./2018 a dez./2019 Período Mensal (%) Índice abril/2019 - 100 maio/2019 0,15 100,15 junho/2019 0,01 100,16 julho/2019 0,10 100,26 agosto/2019 0,12 100,38 setembro/2019 -0,05 100,33 outubro/2019 0,04 100,37Novembro/2019 0,54 100,91 Dezembro/2019 1,22 102,13 Matemática Financeira 21 Fonte: Elaborado pela autora (2020). Identificando os dados disponibilizados na tabela: • 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒆 𝒑𝒆𝒓𝒊𝒐𝒅𝒐 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒂𝒅𝒐 = 𝟏𝟎𝟐, 𝟏𝟑 • 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒆 𝒑𝒆𝒓𝒊𝒐𝒅𝒐 𝒂𝒏𝒕𝒆𝒓𝒊𝒐𝒓 = 𝟏𝟎𝟎 Logo: 𝑪𝑴 = 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒆 𝒑𝒆𝒓𝒊𝒐𝒅𝒐 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒂𝒅𝒐 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒆 𝒑𝒆𝒓𝒊𝒐𝒅𝒐 𝒂𝒏𝒕𝒆𝒓𝒊𝒐𝒓 − 𝟏 CM = 102,13 100 − 1 CM = 1,0213 − 1 = 0,0213 CM = 2,13% Assim, a correção monetária referente ao semestre analisado foi de 2,13%. Já a média mensal da inflação é obtida por: 𝑪𝑴𝒎 = (𝟏 + 𝑪𝑴𝒕) 𝟏 𝒏⁄ − 𝟏 𝐶𝑀𝑚 = (1 + 0,0213) 1 9⁄ − 1 𝐶𝑀𝑚 = (1,0213) 1 6⁄ − 1 𝐶𝑀𝑚 ≅ 0,0035 = 0,35% Assim, a correção monetária média referente ao semestre foi de 0,35%. O aplicativo Calculadora do Cidadão, do Banco Central do Brasil, possibilita a simulação das operações de suas finanças, com base nas informações disponibilizadas pelo próprio usuário. As simulações de cálculos de serviços financeiros são realizadas com base nas informações fornecidas. Com esse recurso, é possível fazer correções monetárias, com emprego de séries históricas de taxas e indicadores financeiros armazenados no Banco Central do Brasil; além de poder comparar o custo de pagar parte da fatura de seu cartão (crédito rotativo) com outros tipos de crédito. Matemática Financeira 22 Para usufruir desta facilidade, clique aqui. RESUMINDO Gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a correção ou atualização monetária é a revisão estipulada pelas partes de um contrato previamente estabelecido, ou definida por lei, que tem como referência a desvalorização da moeda. A correção monetária pode ser calculada por uma relação específica, que considera a variação percentual entre o índice no final do período previamente indicado e o índice encontrado no final do período anterior, assim como a correção monetária média também é determinada por uma fórmula específica que leva em conta correção monetária média, a correção monetária do período e o período em questão. Matemática Financeira 23 3. Taxas de juros: nominal, efetiva, real e aparente INTRODUÇÃO Ao final deste capítulo, você será capaz de compreender a definição de taxa de juros nominal e real, assim como aprender a resolver diferentes exercícios relacionados a estes conceitos. E então? Motivado para desenvolver esta inédita competência? Então vamos lá. Avante! 3.1 Taxa de juros Estimado (a) aluno (a), você provavelmente já ouviu falar ou leu em algum lugar algo relacionado à taxa de juros, não é mesmo? Embora seja um termo popular, nem todos sabem exatamente o que são taxas de juros. E afinal, como calculá-las? Qual a finalidade delas? Matematicamente, taxa de juros consiste na razão entre os juros pagos ou recebidos no fim de um determinado período, e o capital inicialmente emprestado; sendo representado por um valor numérico, obtido pelo quociente entre os capitais, e tempo considerado. Basicamente, a taxa de juros está diretamente relacionada à diferença entre o valor emprestado e o valor devolvido. Nota: Na resolução de problemas com o uso das fórmulas, a taxa de juros deve estar na forma unitária. Quando utilizamos a calculadora financeira HP 12C, a taxa deve ser inserida na forma percentual, já no Excel são aceitos os dois formatos. Na especulação de operações financeiras, utilizamos dois tipos de taxas que são úteis para a comparação de índices; essa subdivisão é descrita pela figura 2, a seguir. Matemática Financeira 24 Figura 5 - Categorias de taxas de juros Fonte: Elaborado pela autora (2020). A taxa bruta é gerada tomando como referência os valores presente e futuro do capital utilizado, desconsiderando o desconto do imposto devido; já a taxa liquida é encontrada baseada nos valores presente e futuro, admitindo o desconto do imposto devido. 3.2 Taxa de juros nominal x Taxa de juros efetiva. É comum questionarmos sobre a taxa anexada a determinada operação financeira e a resposta costuma diferenciar quanto ao período de capitalização; não entendeu? Leia a seguir algumas afirmações para chegarmos juntos a uma mesma conclusão. I. 140% ao semestre com capitalização mensal. II. 16% ao mês com capitalização mensal. III. 300% ao ano com capitalização trimestral. IV. 1250% ao ano com capitalização bimestral. V. 250% ao semestre com capitalização semestral. O que estas informações têm em comum? E de incomum? Bem, observe que nos discursos apresentados em I, III e IV, o período de formação e a incorporação dos juros são diferentes, ora, na asserção I o juro é semestral com capitalização mensal; na asserção III, o juro é anual com capitalização trimestral e por fim, na asserção IV, o juro é anual com capitalização também bimestral. Para todos esses contextos que apresentam essa relação, denominamos de taxa efetiva, que de acordo com Castanheira e Macedo (2013), pode ser descrita como: Taxa de Juros Taxa Bruta Taxa Líquida Matemática Financeira 25 A taxa nominal é quando o período de formação e incorporação dos juros ao Capital não coincide com aquele a que a taxa está referida. Em contra partida, quando avaliamos as afirmações restantes, isto é, as II e V, o período de formação e a incorporação dos juros são iguais; observe que na asserção II o juro é mensal com capitalização mensal e na asserção V o juro é semestral com capitalização semestral; para esta condição é destinado o nome de taxa efetiva, que Castanheira e Macedo definem por: a taxa efetiva é quando o período de formação e incorporação dos juros ao Capital coincide com aquele a que a taxa está referida. A taxa nominal é muito utilizada em diversas transações do mercado financeiro e se caracteriza por não utilizar o regime de capitalização composta em seu cálculo; já a taxa de juros efetiva é muito popular entre nós, brasileiros, pois é comum ver esse termo incorporado em diversas transações do mercado financeiro, principalmente em títulos de capitalização 3.3 Taxa de juros aparente x Taxa de juros real. Será que seria correto afirmar que as aparências enganam, quando trabalhamos com juros? Bem, a resposta é sim! Costumeiramente, somos enganados ao acreditar que certa quantia de dinheiro, quando aplicados numa poupança, em um único mês, rendeu 1,5% ao mês. Mas porque esta afirmação é uma ilusão? Bem, dentro deste percentual está incluída a inflação do período considerado; assim retirado essa diferença, o rendimento, na verdade, é bem inferior ao afirmado. Assim, considerando a dinâmica do mercado em que estamos inseridos, no qual vimos que a inflação é um componente a ser considerado, vamos conhecer juntos sobre dois conceitos fundamentais na matemática financeira: a taxa de juros aparente e a taxa de juros real. Vamos lá? A definição de taxa aparente é elaborada por Castanheira e Macedo (2013) como: É a taxa que não contabiliza a inflação do período. Essa taxa é a que é contratada ou declarada em uma operação financeira. Por exemplo, se um banco lhe oferece um fundo de investimento que remunera 23% ao ano, esta é a taxa nominal. Matemática Financeira 26 A taxa nominal de juros é usada para demonstrar os efeitos da inflação no período analisado, tendo por base os fundos financeiros (empréstimos). É a taxa efetiva corrigida pela taxa inflacionária do período da operação, podendo ser inclusive negativa. No outro extremo, a taxa real é descrita por Castanheira e Macedo (2013) como: É a taxa que utiliza a inflação do período. A taxa real de juros, em contra partida, é a taxa que realmente gera lucro ao investidor, pois é a taxa que remunera acima da inflação. É importanteressaltar que a taxa real pode ser positiva ou negativa, no caso de a correção realizada sobre o capital tenha sido inferior a inflação inserida no período (ASSAF NETO, 2012). . Figura 6 - Composição da taxa real Fonte: Elaborado pela autora (2020). EXPLICANDO MELHOR Os rendimentos financeiros são os responsáveis pela correção de capitais investidos mediante uma determinada taxa de juros. As taxas de juros, assim, são corrigidas pelo governo conforme os índices inflacionários referentes a um período. Todo esse processo ocorre, no intuito de corrigir a desvalorização dos capitais aplicados durante uma crescente alta da inflação. Taxa Aparente Inflação Taxa Real Matemática Financeira 27 As taxas real e aparente relacionam-se mediante a seguinte demonstração matemática, baseada inicialmente em um período em que não houve inflação(1) e em outro, em que o capital no qual foi acrescido da taxa real (𝑖)e da taxa de inflação(𝐼)(2), logo: (1) 𝑀 = 𝐶 ∙ (1 + 𝑖𝑎) (2) 𝑀 = 𝐶 ∙ (1 + 𝑖) ∙ (1 + 𝐼) Igualando as expressões (1) 𝑒 (2)). 𝐶 ∙ (1 + 𝑖𝑎) = 𝐶 ∙ (1 + 𝑖) ∙ (1 + 𝐼) (1 + 𝑖𝑎) = (1 + 𝑖) ∙ (1 + 𝐼) Que pode ser reescrito, de maneira mais fácil da seguinte formula: 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑟𝑒𝑎𝑙 = 1 + 𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑎𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 1 + 𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑖𝑛𝑓𝑙𝑎çã𝑜 Observe que se a taxa de inflação for nula, ou seja, igual a zero, as taxas de juros nominal e real serão coincidentes, isto é, terão o mesmo índice percentual. Mas e na prática, como essa relação é trabalhada em situações cotidianas? Vamos lá?! Juntos desvendaremos mais este conceito. Exemplo: Em uma aplicação financeira em que a taxa aparente foi de 32% ao ano, durante um ano em que a taxa de inflação ficou definida em 10,75%, qual foi a taxa real de juros? Identificando as informações do enunciado: • 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑟𝑒𝑎𝑙 = ? • 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑖𝑛𝑓𝑙𝑎çã𝑜 = 10,75% = 0,1075 • 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑎𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 = 32% = 0,32 Agora, substituindo os dados na relação entre as taxas, obtemos: 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑟𝑒𝑎𝑙 = 1 + 𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑎𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 1 + 𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑖𝑛𝑓𝑙𝑎çã𝑜 Matemática Financeira 28 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑟𝑒𝑎𝑙 = 1 + 0,32 1 + 0,1075 = 1,32 1,1075 = 1,1987 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑟𝑒𝑎𝑙 = 1,1987 − 1 = 0,1987 = 19,87% Assim, é possível afirmar que a taxa real de juros neste período foi de 19,87%. No cálculo manual da taxa real é sempre necessário subtrair do resultado um, fato este relacionado à equivalência de 100% ou seja, 100 100 = 1. Cálculo pela calculadora HP–12C 1 ENTER 0,32 1 ENTER 0,1035 + 1 – Exemplo: Encontre a taxa de rendimento real de determinada aplicação, cuja taxa aparente ficou definida em 5,25% mensal em um mês em que a taxa de inflação fixou em 8,1%. Identificando as informações do enunciado: • 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑟𝑒𝑎𝑙 = ? • 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑖𝑛𝑓𝑙𝑎çã𝑜 = 8,1% = 0,081 • 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑎𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 = 5,25% = 0,0525 Agora, substituindo os dados na relação entre as taxas, obtemos: 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑟𝑒𝑎𝑙 = 1 + 𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑎𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 1 + 𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑖𝑛𝑓𝑙𝑎çã𝑜 Matemática Financeira 29 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑟𝑒𝑎𝑙 = 1 + 0,0525 1 + 0,081 = 1,0525 1,081 = 0,9736 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑟𝑒𝑎𝑙 = 0,9736 − 1 = −0,0264 = −2,64% Observe que o resultado da taxa real foi negativo; tal informação indica que houve prejuízo para o aplicador neste período. Logo, é possível afirmar que no período determinado a taxa real foi de -2,64%. Cálculo pela calculadora HP–12C 1 ENTER 0,0525 1 ENTER 0,0,081 + 1 - NOTA Observe que no cálculo da taxa real e /ou taxa aparente devem sempre estar na mesma unidade de tempo, ou seja, se a taxa aparente for anual a taxa de inflação correspondente também deve ser anual; se a taxa aparente for semestral, a taxa de inflação também deve ser contabilizada semestralmente. Exemplo: Um investidor adquiriu um título de renda fixa por RS 10.000,00 e o resgatou pela quantia de R$ 15.130,00, após um período de seis meses. Determine a taxa de retorno real desse investimento considerando uma taxa de inflação para o período de 25% a.s.? Reconhecendo as informações do enunciado: • 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑟𝑒𝑎𝑙 = ? • 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑖𝑛𝑓𝑙𝑎çã𝑜 = 25% = 0,25 • 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑎𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 = ? • 𝑃𝑉 = 10.000 • 𝐹𝑉 = 15.130 Matemática Financeira 30 • 𝑛 = 6 𝑚𝑒𝑠𝑒𝑠 = 1 𝑠𝑒𝑚𝑒𝑠𝑡𝑟𝑒 Observe que o solicitado é a determinação da taxa real, no entanto é preciso encontrar a taxa aparente para substituir na relação existente; para tal tarefa recorremos à fórmula de juros compostos que já fomos apresentados na unidade inicial. Logo: 𝐹𝑉 = 𝑃𝑉(1 + 𝑖)𝑛 15.130 = 10.000(1 + 𝑖)1 15130 10000 = 1 + 𝑖 1,513 = 1 + 𝑖 𝑖 = 1,513 − 1 = 0,513 % 𝑎. 𝑠. De posse dessa informação, basta substituir os dados na relação entre as taxas aparente e real, encontramos: 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑟𝑒𝑎𝑙 = 1 + 𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑎𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 1 + 𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑖𝑛𝑓𝑙𝑎çã𝑜 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑟𝑒𝑎𝑙 = 1 + 0,513 1 + 0,25 = 1,513 1,25 = 1,2104 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑟𝑒𝑎𝑙 = 1,2104 − 1 = 0,2104 = 21,04% Logo, a taxa real incidida nessa transação financeira, sob as condições estabelecidas equivale a 21,04%. Cálculo pela calculadora HP–12C 15130 CHS FV 10000 PV 1 n i Matemática Financeira 31 2 ENTER 0,0525 2 ENTER 0,0,081 + 1 - RESUMINDO Gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido sobre os conceitos de taxa aparente e taxa real, assuntos recorrentes no mundo das finanças e dos investimentos. A taxa real positiva é a que possibilita a um investidor aumentar seu capital. Como taxa aparente, consideramos aquela que está inserida nas operações correntes. Já a taxa real é o rendimento ou custo de uma operação, seja de aplicação ou de captação calculadas, depois de extraídos os efeitos inflacionários. No caso da taxa real de juros, o efeito inflacionário não existe, por isso ela tende a ser menor que a taxa aparente; este fato ocorre porque ela é formada através da correção da taxa efetiva pela taxa de inflação do período da operação. Matemática Financeira 32 4. taxa de desvalorização da moeda INTRODUÇÃO Ao final deste capítulo, você será capaz de compreender a definição formal de taxa de desvalorização da moeda, assim como conhecerá e exercitara a fórmula matemática que possibilita seu cálculo. E então? Pronto? Motivado para desenvolver esta nova competência? Então vamos lá. Avante! 4.1 Taxa de desvalorização da moeda A taxa de desvalorização da moeda possui como fator impactante a inflação, sendo essa a engrenagem que movimenta a determinação desse parâmetro, observe a figura 4 a seguir com essa representação. Figura 7 - Composição da taxa de desvalorização da moeda Fonte: Elaborado pela autora (2020). A relação matemática que possibilita a determinação da taxa de desvalorização da moeda é dada por: Taxa de Desvalorização da Moeda Inflação Inflação Matemática Financeira 33 Fórmula: 𝑇𝐷𝑀 = 𝐼𝑁𝐹 1+𝐼𝑁𝐹 Onde: • 𝑇𝐷𝑀 = Taxa de desvalorização da moeda. • 𝐼𝑁𝐹 = Taxa de inflação. É importante ressaltar que, quanto maior for a taxa de inflação, consequentemente maior será a taxa de desvalorização da moeda; isto é, quanto maior for a taxa de desvalorização da moeda, menor será o poder de compra do cidadão. Por isso, identificamos que ao se ter um aumento geral nos preços de bens e serviços, nosso poder aquisitivo diminui cada vez, o que ocasiona diminuição do nosso poder de compra. O Banco Central é uma autarquia que exerce suas funções com autonomia, sem subordinação a outro órgão do poder público. Foi instituído em 1964 e é a instituição responsável por garantir a estabilidade econômica do país, por meio da manutenção do poder de compra da moeda e da regulação do sistema financeiro brasileiro.Exemplo: Considerando 12,11% a inflação em determinado período, determine a taxa de desvalorização da moeda que determinou este resultado negativo no poder de compra da moeda. Dados do exercício: • 𝑇𝐷𝑀 =? • 𝐼𝑁𝐹 = 12,11% = 0,1211 Agora, substituindo as informações, encontramos: 𝑇𝐷𝑀 = 𝐼𝑁𝐹 1 + 𝐼𝑁𝐹 𝑇𝐷𝑀 = 0,1211 1 + 0,1211 𝑇𝐷𝑀 ≅ 0,1080 = 10,80% Matemática Financeira 34 Assim, é possível afirmar que com uma inflação de 12,11%% há uma redução do poder de compra da moeda igual a 10,8%, isto é, com este percentual de evolução dos preços as pessoas adquirem 10,8% a menos de bens e serviços que costumam consumir. Exemplo: A taxa de inflação de determinado país ficou definida em 4,25% em 2019; considerando esse contexto, qual foi a taxa de desvalorização da moeda (TDM) neste período? Dados do exercício: • 𝑇𝐷𝑀 =? • 𝐼𝑁𝐹 = 4,25% = 0,0425 Agora, substituindo as informações, encontramos: 𝑇𝐷𝑀 = 𝐼𝑁𝐹 1 + 𝐼𝑁𝐹 𝑇𝐷𝑀 = 0,0425 1 + 0,0425 𝑇𝐷𝑀 ≅ 0,0408 = 4,08% Logo, com uma inflação de 4,25% há uma redução do poder de compra da moeda igual a 4,08%, isto é, com este percentual de evolução dos preços as pessoas adquirem 4,08% a menos de bens e serviços que costumam consumir. Exemplo: A moeda nacional de determinado país fechou o ano de 2019 com uma taxa de desvalorização da moeda de 8,3%. Considerando a relação existente entre a taxa de desvalorização da moeda e a inflação, determine a respectiva taxa de inflação para o mesmo período. Informações do exercício: • 𝑇𝐷𝑀 = 8,3% = 0,083 • 𝐼𝑁𝐹 =? Agora, substituindo as informações, encontramos: Matemática Financeira 35 𝑇𝐷𝑀 = 𝐼𝑁𝐹 1 + 𝐼𝑁𝐹 0,083 = 𝐼𝑁𝐹 1 + 𝐼𝑁𝐹 0,083(1 + INF) = 𝐼𝑁𝐹 0,083 + 0,083𝐼𝑁𝐹 = 𝐼𝑁𝐹 0,083 = 𝐼𝑁𝐹 − 0,083𝐼𝑁𝐹 0,083 = 0,917𝐼𝑁𝐹 𝐼𝑁𝐹 = 0,083 0,917 𝐼𝑁𝐹 ≅ 0.0905 = 9,05% Assim, é possível afirmar que uma redução do poder de compra da moeda igual a 8,3%, foi ocasionada por uma inflação igual a 9,05%. Exemplo: Para a moeda nacional de certo país, ficou fixado como taxa de desvalorização da moeda o valor de 10,4%. Considerando a relação existente entre a taxa de desvalorização da moeda e a inflação, determine a taxa de inflação para o respectivo período. Informações do exercício: • 𝑇𝐷𝑀 = 10,4% = 0,104 • 𝐼𝑁𝐹 =? Agora, substituindo as informações, encontramos: 𝑇𝐷𝑀 = 𝐼𝑁𝐹 1 + 𝐼𝑁𝐹 0,104 = 𝐼𝑁𝐹 1 + 𝐼𝑁𝐹 0,104(1 + INF) = 𝐼𝑁𝐹 0,104 + 0,104𝐼𝑁𝐹 = 𝐼𝑁𝐹 Matemática Financeira 36 0,104 = 𝐼𝑁𝐹 − 0,104𝐼𝑁𝐹 0,104 = 0,896𝐼𝑁𝐹 𝐼𝑁𝐹 = 0,104 0,896 𝐼𝑁𝐹 ≅ 0.1161 = 11,61% Logo, é viável afirmar que uma redução do poder de compra da moeda igual a 10,4%, foi ocasionada por uma inflação igual a 11,61%. Âncora cambial é o nome destinado a um instrumento de política econômica que visa atrelar a moeda nacional a uma moeda estrangeira forte (geralmente o dólar americano), buscando com isso a estabilização da moeda nacional. Neste contexto de valorização/ desvalorização da moeda nacional, é importante conceituarmos a taxa de câmbio, que consiste na relação entre as moedas correntes de dois ou mais países, além disso, ela disponibiliza informações sobre as transações comerciais e relações de troca entre as nações. Essa taxa é expressa por um preço, um valor que se distingue na hora da compra e da venda. A Figura 8, a seguir, apresenta o gráfico da variação da taxa de câmbio no ano de 2018. Observe: Matemática Financeira 37 Figura 8 - Taxa de câmbio Real/Dólar Fonte: SINFACRS (2018). A taxa de câmbio pode ser classificada em três categorias, como apresentado na Figura 9, a seguir: Matemática Financeira 38 Figura 9 – Categorias das taxas de câmbio Fonte: Elaborado pela autora (2020). Ainda conforme Assaf Neto (2012), cada subdivisão desta taxa de câmbio pode ser descritas como: • Taxa de câmbio fixa – o Banco Central estabelece um preço fixo de uma moeda estrangeira em moeda nacional. A conversão de moeda nacional em moeda estrangeira, e vice-versa, é garantida pelo Banco Central àquele preço. Essa modalidade de taxa é utilizada com o intuito de estabilizar o valor de uma moeda ao fixá-lo diretamente sob uma taxa pré-determinada em relação à moeda âncora, que é mais estável e predominante internacionalmente. • Taxa de câmbio flutuante – as taxas mudam livremente ou sob a lei da oferta e demanda do mercado. O governo não interfere no mercado cambial, uma vez que o objetivo consiste em valorizar ou desvalorizar a taxa de câmbio. A única interferência do Banco Central consiste em evitar variações muito grandes nas cotações, ou mesmo influenciar na taxa de câmbio. Taxa de Câmbio Fixa FlutuanteAtrelada Matemática Financeira 39 • Taxa de câmbio atrelada – o regime de câmbio atrelado, consiste em um misto entre o câmbio flutuante e o câmbio fixo. Nesse regime a taxa de câmbio se altera todos os dias dentro de bandas fixadas pelo governo. O Banco Central intervém no mercado para manter o preço da moeda no contexto das bandas determinadas. Ressalta-se que para que esse regime funcione corretamente, é necessário que o Banco Central tenha reservas internacionais suficientes para estabelecer as operações de compra e venda de moeda, mesmo em períodos de crises. VOCÊ SABIA? O coeficiente de Pass-Through está relacionado ao câmbio, à inflação, aos juros e, portanto, ao crescimento econômico. Basicamente, ele fornece o tamanho do repasse das variações cambiais para os preços, indicando o quanto um aumento ou declínio na taxa de câmbio faz a inflação crescer ou decrescer. É uma estimativa precária, nem sempre muito confiável, mas que tem uma função crucial para a tomada de decisões pelo Banco Central. Baseado neste coeficiente que o Banco Central projeta a inflação futura, por consequência, esse parâmetro permite que o Banco Central aumente ou diminua as taxas de juros. RESUMINDO Gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a taxa de desvalorização da moeda avalia o quanto o nosso dinheiro se desvalorizou perante o tempo, indicando um acréscimo ou decréscimo em nosso poder de compra; descobrimos também que essa taxa depende unicamente do valor associado à inflação do período analisado. Ainda neste contexto econômico, aprendemos mais sobre a taxa de câmbio que se caracteriza por apresentar a relação entre as moedas correntes de dois ou mais países, além disso, ela disponibiliza informação sobre as transações comerciais e relações de troca entre as nações; essa taxa pode ser classificada em taxa de câmbio fixa, taxa de câmbio flutuante e taxa de câmbio atrelada. Matemática Financeira 40 REFERÊNCIAS ASSAF NETO, A. Matemática Financeira e suas aplicações. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2012. BAUER, U. R. Matemática Financeira Fundamental. São Paulo: Atlas, 2003. 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