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W BA 10 00 _V 1. 0 PROJETOS PARA O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS NAS ESCOLAS 2 Michele Aparecida Cerqueira Rodrigues São Paulo Platos Soluções Educacionais S.A 2022 PROJETOS PARA O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS NAS ESCOLAS 1ª edição 3 2022 Platos Soluções Educacionais S.A Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César CEP: 01418-002— São Paulo — SP Homepage: https://www.platosedu.com.br/ Head de Platos Soluções Educacionais S.A Silvia Rodrigues Cima Bizatto Conselho Acadêmico Alessandra Cristina Fahl Camila Braga de Oliveira Higa Camila Turchetti Bacan Gabiatti Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Giani Vendramel de Oliveira Revisor Neide Rodriguez Barea Editorial Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Márcia Regina Silva Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ Rodrigues, Michele Aparecida Cerqueira Projetos para o desenvolvimento de competências socioemocionais nas escolas / Michele Aparecida Cerqueira Rodrigues. – São Paulo: Platos Soluções Educacionais S.A., 2022. 33 p. ISBN 978-65-5356-128-1 1. Competências socioemocionais. 2. Projetos educacionais. 3. Infância. I. Título. CDD 344.079 _____________________________________________________________________________ Evelyn Moraes – CRB: 010289/O R696p © 2022 por Platos Soluções Educacionais S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A. https://www.platosedu.com.br/ 4 SUMÁRIO Apresentação da disciplina __________________________________ 05 Desenvolvimento das competências socioemocionais _______ 06 Projetos educacionais: estrutura e organização ______________ 16 Desenvolvendo projetos socioemocionais na infância _______ 26 Desenvolvendo projetos socioemocionais na adolescência __ 37 PROJETOS PARA O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊN- CIAS SOCIOEMOCIONAIS NAS ESCOLAS 5 Apresentação da disciplina A disciplina Projetos para o desenvolvimento de competências socioemocionais nas escolas abordará as etapas para a construção de projetos educacionais voltados ao desenvolvimento das competências socioemocionais com foco nos estudantes da educação básica, que compreende a educação infantil, o ensino fundamental (anos iniciais e finais) e o ensino médio. Assim, além de permitir que você se prepare para identificar as necessidades do público-alvo, proporcionará conhecimentos que favorecerão a construção, a aplicação e a avaliação de projetos voltados ao desenvolvimento das competências socioemocionais adequadas a determinados públicos. Por meio de um estudo divido em quatro Temas, você compreenderá as bases teóricas que sustentam a construção de projetos educacionais voltados ao desenvolvimento das competências socioemocionais, por meio do conhecimento sobre os estilos cognitivo-afetivos e as competências socioemocionais com práticas de aplicação em sala de aula. Você verá também as etapas da construção de projetos no campo da educação, especificamente dos projetos voltados ao desenvolvimento das competências socioemocionais nas escolas, e aprenderá a estruturar e organizar projetos educacionais de acordo com o perfil dos estudantes. Por fim, você aprenderá como construir projetos que enfoquem o desenvolvimento das competências socioemocionais a partir das dez competências gerais da Base Nacional Comum Curricular, de maneira autônoma, criativa e responsável nos diferentes ciclos da educação básica: educação infantil, ensino fundamental (anos iniciais e finais) e ensino médio. Bons estudos! 6 Desenvolvimento das competências socioemocionais Autoria: Michele Aparecida Cerqueira Rodrigues Leitura crítica: Neide Rodriguez Barea Objetivos • Compreender as bases teóricas para o desenvolvimento das competências socioemocionais. • Compreender as bases teóricas para o reconhecimento dos estilos cognitivo-afetivos. • Estabelecer critérios para relacionar os estilos cognitivo-afetivos e as competências socioemocionais com as competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). 7 1. Desenvolvimento das competências socioemocionais frente à BNCC A BNCC trouxe como prioridade a formação integral do sujeito, em que ele é visto como protagonista do seu próprio aprendizado, o que torna o professor um mediador do processo de ensino e aprendizagem. Porém, para isso ser atingido, você precisa estar ciente de quais são as habilidades fundamentais a serem desenvolvidas em cada estudante. Para tal, é preciso estudar os aspectos relacionados aos estilos de aprendizagem de cada aluno, e as competências e habilidades socioemocionais requeridas para atingir a formação plena e a promoção de um ambiente escolar mais empático e acolhedor. Vamos começar? 1.1 Os estilos cognitivo-afetivos Cada ser humano é único, assim como seu estilo de aprendizagem. Portanto, utilizar as mesmas estratégias de ensino com todos os alunos com certeza não é a melhor opção. Com base nisso, estudar os estilos cognitivos-afetivos de aprendizagem facilitará o processo de ensino- aprendizagem em sala de aula. 8 Figura 1 – Estilos de aprendizagem Fonte: elaborada pela autora. Por que devemos nos preocupar com os estilos cognitivo-afetivos de nossos alunos? De acordo com Piaget (LA TAILLE; DANTAS; OLIVEIRA, 1992), a afetividade é o motivador das ações humanas, enquanto a cognição é a compreensão e identificação de desejos que propulsionam as ações. Ambas trabalham unidas para atingir as metas e objetivos pré- estabelecidos pelos indivíduos. Sendo assim, a análise dos estilos cognitivo-afetivos permite a descoberta de novas estratégias para promover uma aprendizagem significativa. Para Fagali (2007), essas características se associam às inteligências interpessoal e intrapessoal de Howard Gardner, criador da Teoria das Inteligências Múltiplas. A autora vai além e diz que “[...] mais do que múltiplas inteligências, o ser humano seria dotado de diferentes estilos de ser-no-mundo, diferentes 9 formas de aproximação, elaboração e apreensão da realidade” (ABED, 2014, p. 75). Sob essa perspectiva, temos quatro estilos cognitivos: Quadro 1 – Estilos cognitivo-afetivos Estilo Função Modo de aprendizado Raciocínio Sensorial-perceptivo Percepção Concreto Dedutivo Intuitivo Intuição Criativo Por associações Subjetivo Sentimento Subjetivo Indutivo Mental Pensamento Objetivo Dedutivo Fonte: elaborado pela autora. Dessa forma, devemos propor atividades de aprendizagem que possibilitem atingir o maior número de estilos possíveis, fazendo pequenas alterações no contexto. Por exemplo, agrupar os estilos sensorial-perceptivos e mental (racional) e intuitivo e subjetivo (emocional) facilita a produção das atividades. Utilizar metodologias ativas e atividades lúdicas traz a questão afetiva latente, permitindo um melhor aprendizado. Agora, vamos ver quais estratégias funcionam para cada estilo: Quadro 2 – Estratégias metodológicas por estilo cognitivo-afetivo Estilo Estratégias metodológicas Preferências de aprendizagem Sensorial-perceptivo Simulação, estudo de caso, demonstrações etc. Fazer Intuitivo Discussão, debates etc. Observar Subjetivo Aprendizagem baseada em problemas. Sentir Mental Atividades práticas, laboratórios etc. Pensar Fonte: elaborado pela autora. Tornar-se um professor pesquisador que busca por novas metodologias permite o desenvolvimento das suas habilidades e das habilidades 10 dos alunos.As experiências em sala de aula nos permitem refletir e aprimorar as práticas pedagógicas, além de determinar o que é ou não bom para cada turma. O investimento na formação continuada é primordial na construção do conhecimento. Para tanto, por que não descobrir o seu estilo cognitivo- afetivo? Algum dia você já analisou como aprende ou prefere estudar? Existem vários testes disponíveis na internet para verificar como você aprende, mas você também pode fazer anotações que o levem a refletir sobre as preferências na hora estudo. 1.2 As competências socioemocionais As competências socioemocionais podem ser analisadas por meio da neurociência, que estuda o comportamento cerebral diante das variações emocionais. Essas alterações acontecem no seu cérebro e no de qualquer ser humano vivo. Mas por que entender esses processos? Quando descobrimos os gatilhos que geram determinada reação podemos antever possíveis comportamentos nos estudantes, até mesmo com relação à aprendizagem. Já reparou que em atividades específicas há uma aceitação e motivação maior de alguns alunos e outros não? Isso é extremamente comum, pois dependerá dos estilos de aprendizagem de cada um e da sua resposta emocional frente ao problema apresentado. Contudo, antes de analisar as competências e habilidades socioemocionais, analise as definições de alguns termos que iremos utilizar com base nos conceitos apresentados pelo Dr. Richard Davidson (2013): • Estado emocional: é a menor das unidades das emoções e possui curta duração. 11 • Humor: sentimento que persiste ao longo de minutos, horas e às vezes até dias. • Traço: característica intrínseca que dura não só dias, mas pode permanecer por anos. • Personalidade: conjunto de qualidades que abarcam específicos traços e estilos emocionais. Ao reconhecer os estilos emocionais conseguimos não só prever a reação a determinado acontecimento, mas controlá-la de certa maneira. Assim, você conseguirá se adaptar aos acontecimentos assertivamente e poderá entender como trabalhar determinada situação com os alunos. Davidson (2013) divide o estilo emocional em seis dimensões, a saber: • Resiliência: velocidade com que nos recuperamos de um acontecimento. • Atitude: quantidade de tempo na qual permanecemos positivos. • Intuição social: empatia, habilidade para perceber os outros. • Autopercepção: perceber as reações do corpo para cada emoção sentida. • Sensibilidade ao contexto: adequação das emoções ao meio onde vive. • Atenção: concentração clara e proeminente. Já os traços referem-se à combinação de estilos: Quadro 3 – Dimensões dos traços Traço Combinações Impulsividade Baixa atenção + baixa percepção 12 Paciência Alta autopercepção + alta sensibilidade ao contexto Timidez Baixa resiliência + baixa sensibilidade ao contexto Ansiedade Baixa resiliência + baixa atitude + baixa autopercepção + baixa atenção Otimismo Alta resiliência + alta atitude Infelicidade cônica Baixa resiliência + baixa atitude Fonte: elaborado pela autora. Agora que você já verificou sobre as definições, que tal abordar as habilidades e competências da inteligência emocional (IE)? Atualmente, o teórico mais citado quando falamos em inteligência emocional é Daniel Goleman (2018). O pesquisador afirma que os estilos emocionais estão ligados diretamente à IE, à autopercepção e à atitude, por exemplo, estão descritas em ambos os conceitos: Existem conexões claras entre esses estilos baseados no cérebro e as competências da inteligência emocional. Autopercepção e atitude são ambos estilos emocionais e competências de inteligência emocional. A resiliência está no cerne das competências de adaptabilidade e equilíbrio emocional da inteligência emocional. As competências de relacionamento tão cruciais para uma liderança eficaz dependem, em certa medida, da intuição social e da sensibilidade ao contexto. E a atenção desempenha um papel essencial para o desenvolvimento de outras forças em qualquer competência de inteligência emocional. (GOLEMAN, 2018, tradução nossa) A aprendizagem emocional emerge como proposta educacional, inclusive na proposta Educação para o século XXI da UNESCO. As habilidades socioemocionais estão presentes nas dez competências gerais da BNCC. Em 1994, Goleman e outros teóricos criaram a Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning (CASEL) para a promoção dessas habilidades nas escolas. Assim, a Aprendizagem social e emocional ou Social and Emotional Learning (SEL) baseia-se em cinco macrocompetências: 13 Figura 2 – Roda CASEL Fonte: adaptada de Casel [s.d.]. Essas macrocompetências, por sua vez, possuem subdivisões: • Autogestão: controle de impulsos, gerenciamento do estresse; definição de metas; habilidades organizacionais; autodisciplina, automotivação. • Tomada de decisão responsável: responsabilidade ética, identificação de problemas, resolução de problemas, análise de situações, avaliação, reflexão. • Habilidades de relacionamento: comunicação, trabalho em equipe, compromisso social, construção de relacionamento. • Consciência social: entendimento de perspectivas, valorização da diversidade, respeito pelos outros, empatia. 14 • Autoconsciência: reconhecimento dos pontos fortes, identificação de emoções, autopercepção, autoconfiança, autoeficácia. Em sala de aula, você pode incentivar conversas sobre as emoções, aplicar atividades de socialização, acolher e amparar os alunos quando necessário, ensinar a lidar com a frustração e estimular a empatia entre os estudantes. Nesta aula, pudemos compreender que considerar os estilos de aprendizagem e as habilidades socioemocionais dos estudantes permite ampliar o repertório de estratégias metodológicas, possibilitando o desenvolvimento dos estudantes de maneira integral, conforme o que consta na BNCC. Referências ABED, A. L. Z. O desenvolvimento das habilidades socioemocionais como caminho para a aprendizagem e o sucesso escolar de alunos da educação básica. São Paulo: MEC, 2014. ABED, A. L. Z. O desenvolvimento das habilidades socioemocionais como caminho para a aprendizagem e o sucesso escolar de alunos da educação básica. Constr. Psicopedag., [on-line], v. 24, n. 25, p. 8-27, 2016. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. CASEL. What is the CASEL framework? Casel, [s.d.]. Disponível em: https://casel.org/ fundamentals-of-sel/what-is-the-casel-framework/#self-management. Acesso em: 9 mar. 2022. DAVIDSON, R. J. O estilo emocional do cérebro: como o funcionamento cerebral afeta sua maneira de pensar, sentir e viver. Rio de Janeiro: Sextante, 2013. FAGALI, E. Q. A relação afetiva na situação de aprendizagem: diferentes significados e formas de atuações. Revista Diálogo Educacional, [s.l.], v. 7, n. 20, p. 51-64, jul. 2007. FAGALI, E. Q. Desenvolvimento infantil facilitação do meio (holding): violências, resiliência e estilos cognitivo-afetivos. Rev. Psicopedagogia, [s.l.], v. 26, n. 80, p. 175- 187, 2009. https://casel.org/fundamentals-of-sel/what-is-the-casel-framework/#self-management https://casel.org/fundamentals-of-sel/what-is-the-casel-framework/#self-management 15 GOLEMAN, D. What‘s Your Emotional Style? Part 2. LinkedIn Pulse, 2018. Disponível em: https://www.linkedin.com/pulse/whats-your-emotional-style-part-2-daniel- goleman. Acesso em: 9 mar. 2022. LA TAILLE, Y. de; DANTAS, H.; OLIVEIRA, M. K. de. Piaget, Vygotsky e Wallon. São Paulo: Summus, 1992. PIAGET, J.; INHELDER, B. A psicologia da criança. 11. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1990. https://www.linkedin.com/pulse/whats-your-emotional-style-part-2-daniel-goleman https://www.linkedin.com/pulse/whats-your-emotional-style-part-2-daniel-goleman 16 Projetos educacionais: estrutura e organização Autoria: Michele Aparecida Cerqueira Rodrigues Leitura crítica: Neide Rodriguez Barea Objetivos • Compreender as bases teóricas que sustentam a construção de projetos educacionais. • Conhecer as etapas da construçãode projetos no campo da educação visando à aprendizagem ativa. • Desenvolver as competências socioemocionais por meio de projetos educativos. 17 1. A importância dos projetos educacionais Todo mundo, alguma vez na vida, já fez um projeto, seja para pintar a casa, para comprar um carro, para viajar etc. Basicamente, um projeto é composto pela ideia de algo que será realizado, que pode ser um sonho, um desejo, uma necessidade, entre outros. (NOGUEIRA, 2008). Os projetos são importantes para que os alunos possam desenvolver habilidades importantes, como autogestão e trabalho em grupo, de uma forma envolvente e prazerosa para eles. A contextualização permite uma abordagem onde problemas cotidianos são trazidos à tona, o que facilita a compreensão e a aprendizagem. Então, como é possível aplicá-los em sala? Veremos adiante. 1.1 Tipos de projetos na educação Em qualquer tipo de projeto é importante compreender as habilidades e competências que estão sendo desenvolvidas ao longo do processo de realização. Quais são essas habilidades? Podemos citar: aprender a seguir instruções, criatividade, trabalho em grupo, empatia, liderança etc. Você também pode criar uma lista de avaliação com rubricas pré- definidas que estejam claras, também, para os estudantes. Muito provavelmente você já sabe do que se trata, pois é possível encontrar várias denominações para eles: aprendizagem baseada em problemas, aprendizagem investigativa, aprendizagem por descoberta, STEAM etc. Contudo, trata-se da mesma abordagem que permite a resolução prática de problemas. Segundo Bender (2014, p. 16), aprendizagem baseada em projetos (ABP) pode ser definida como sendo a: [...] utilização de projetos autênticos e realistas, baseados em uma questão, tarefa ou problema altamente motivador e envolvente, para ensinar 18 conteúdos acadêmicos aos alunos no contexto do trabalho cooperativo para a resolução de problemas. Os projetos podem ou não ter uma meta específica, criada pelo professor, ou uma construção feita pelos alunos, incluída no escopo dos projetos. Vamos conhecer alguns tipos de projetos que podem ser utilizados em sala de aula: Projetos temáticos ou de trabalho (NOGUEIRA, 2008) - Processo coletivo que visa trabalhar um tema específico. Aqui trabalhamos projetos desenvolvidos pelos próprios alunos com orientação do professor. A construção deles pode ser feita a partir da junção de tarefas de casa e de tarefas feitas em sala de aula, o que permite uma longa duração. Projeto de ensino - Tem desenho majoritariamente dentro de uma disciplina específica, porém, pode ser interdisciplinar. Relativo à área educacional, eles são desenhados com o intuito de melhorar os processos de aprendizagem e possibilitar uma inovação nas práticas pedagógicas. Projetos de desenvolvimento - É a criação de algum produto, serviço ou atividade. Oriundo de empresas, possibilita que os estudantes desenvolvam alguma criação com o foco em problemas cotidianos que podem ter aplicação prática na comunidade escolar. Projetos de pesquisa - A principal função é adquirir conhecimento de um determinado assunto ou problema. Possibilita que os estudantes deem um foco maior a determinado tema, onde eles, por meio de verificação experimental, irão encontrar soluções para determinados problemas. Projeto de intervenção - Propõe a modificação de algo dentro da comunidade escolar para resolver um problema específico previamente identificado. Possui exclusivamente um caráter de criações que interajam com o meio onde o estudante está inserido, ou seja, desenvolve melhorias para sanar possíveis dificuldades previamente detectadas. 19 Dessa forma, o que devemos considerar é que a principal diferença entre os projetos educacionais e os demais é que o foco da aplicação tem um cunho na aprendizagem e no desenvolvimento de habilidades e competências nos estudantes. Contudo, a maior parte deles são aplicáveis fora da sala de aula, inclusive o de ensino. Você pode, por exemplo, utilizá-lo para a formação de novos colaboradores de uma organização ou até mesmo da escola. 1.2 Projetos e competências socioemocionais Mas quais as vantagens em aplicar a ABP na escola? Inúmeras são as vantagens desde a aquisição e desenvolvimento de habilidades e competências socioemocionais até o aprofundamento em temas científicos. Para Bacich e Holanda (2020, p. 33), as habilidades do século XXI são importantes para a vida do estudante na totalidade. Os autores completam que, para isso, devemos nos basear em algumas premissas: investigação contínua, autenticidade, dar voz e oportunidade de escolha ao estudante, reflexão, crítica e revisão, apresentar ao público e questões ou problemas motivadores. E isso inclui as metas de aprendizagem compostas por conhecimentos fundamentais, compreensão e habilidades de sucesso. As competências socioemocionais estão entre as habilidades para o século XXI, onde os estudantes serão preparados de forma integral, ou seja, serão desenvolvidas competências e habilidades extraclasse: Competência socioemocional é a capacidade de entender, gerenciar e expressar os aspectos sociais e os aspectos emocionais da vida de uma maneira que permita o gerenciamento bem-sucedido de tarefas da vida, como aprender, formar relacionamentos, resolver problemas do dia a dia e adaptar-se às demandas complexas de crescimento e desenvolvimento. (ELIAS et al., 1997 apud BACICH; HOLANDA, 2020, p. 173). 20 Portanto, as habilidades específicas dessa seara são possivelmente desenvolvidas durante a confecção dos projetos em sala de aula. A autoconsciência, a autogestão, a tomada de decisão responsável, as habilidades de relacionamento e a consciência social são tranquilamente apresentadas nas atividades por vezes de maneira intrínseca, outras por interferência do professor. Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), todas as dez competências gerais incluem alguma socioemocional incutida utilizada para a resolução de problemas (BRASIL, 2018). 2. Organizando e estruturando projetos educacionais Qualquer projeto que se preze precisa de organização e estruturação, pois essas características são primordiais para a execução. As características principais são a indicação de objetivos, temporalidade, exclusividade, estabelecimento de recursos e problemas. Durante o processo, lembre-se que o professor tem papel de mediador ou facilitador, ou seja, ele apresenta as informações norteadoras, tira dúvidas, dá dicas de melhorias, incentiva a criatividade e o trabalho em grupo etc. Para Nogueira (2008, p. 99), o professor facilitador é aquele que “auxilia o acesso dos alunos às fontes de conhecimento, como, por exemplo, questionando sobre o que eles precisam, e assim, juntos, busquem as informações em processos de pesquisa [...]”. Assim, sua função é definir a intenção com aquela atividade, caso contrário, será difícil mensurar o resultado. Tenha em mente o que se espera dos alunos, os motivos pelos quais a tarefa está sendo realizada, os objetivos a serem alcançados. Por isso, é importante a utilização de rubricas como já mencionado anteriormente. 21 2.1 Organização de um projeto Desenhar o processo de desenvolvimento de uma habilidade ou competência é função do professor e cabe a ele escolher a metodologia e atividades utilizadas. Para isso, é preciso entender as melhorias a serem feitas no processo, como destacam Bacich e Holanda (2020, p. 46): Os processos de aplicação e avaliação da prática docente servem como forma de aprimorar as estratégias que serão empregadas para se alcançar os objetivos de aprendizagem em um projeto. Em muitos casos, esses aprendizados estão relacionados com a pesquisa-ação, ou seja, um processo cíclico, que surge de hipóteses sobre estratégias de trabalho, e uma constante reformulação do planejamento e da prática docente. Ademais, o tipo de organização do projeto é que vai definir as ações que serão de responsabilidade do processo, os objetivos e o tipode avaliação aplicada. Para isso ser possível, podemos optar por um modelo de organização baseado nas especificidades da escola, da turma, do conteúdo, das habilidades e das competências socioemocionais que serão desenvolvidas e aplicadas. Inicialmente, escolha em qual categoria o projeto se encaixa: Multidisciplinar - Várias disciplinas trabalham o mesmo assunto separadamente, não há integração de resultados. Portanto, haverá vários projetos de um tema comum. Figura 1 – Multidisciplinar Fonte: elaborada pela autora. Pluridisciplinar - Semelhante à anterior, porém, agora pode haver algum tipo de cooperação entre algumas disciplinas. Contudo, os projetos permanecem separados. 22 Figura 2 – Pluridisciplinar Fonte: elaborada pela autora. Interdisciplinar - Disciplinas distintas trabalham em conjunto em um determinado tema com um mesmo produto final. É uma ação coordenada com um único objetivo. Figura 3 – Interdisciplinar Fonte: elaborada pela autora. Transdisciplinaridade - Ele transcende o que entendemos por disciplina e trabalha de maneira totalmente cooperativa, sem distinção. Todos contribuem para um produto final sem divisões aparentes. Figura 4 – Transdisciplinar Fonte: elaborada pela autora. 23 Após decidir o estilo de desenvolvimento da aprendizagem, defina os objetivos pedagógicos no plano de aula. O tema em si deve considerar a questão norteadora que tem por base a atualidade e contextualização. Ela pode ser criada pelo professor ou com a ajuda dos alunos, analisando o entorno. Por característica, ela não é respondida facilmente com uma simples pesquisa, necessita de aprofundamento e deve instigar e estimular os estudantes (BACICH; HOLANDA, 2020). Agora o passo é pesquisar o conteúdo com o intuito de verificar as lacunas dos estudantes em relação ao exposto, analisando e aprofundando os conceitos que serão necessários para que os estudantes executem o projeto. O compartilhamento de informações acerca dos resultados encontrados é primordial para que todos alcancem uma base acerca do tema (BACICH; HOLANDA, 2020). A partir daqui, os estudantes já possuem os recursos principais, conseguindo aprofundar no tema e estruturar as etapas para criar o plano de ação. Veremos isso no próximo tópico. 2.2 Estrutura de um projeto A estrutura de um projeto é a espinha dorsal de como os processos serão executados. Resumidamente, ela é composta da seguinte maneira (NOGUEIRA, 2007): Escolha do tema - Sem ele não há projeto. Pode ser escolhido em conjunto com os estudantes, pelo professor ou pela escola. Vai depender do tipo de atividades e dos objetivos pedagógicos por trás. Planejamento - Momento em que o projeto é estruturado, onde as ideias principais são apresentadas, as ações são descritas e as responsabilidades são definidas. Durante a evolução dessa etapa, os estudantes devem responder às perguntas: o quê? (ações), por quê? 24 (motivo), como? (meio), quando? (temporalidade), quem? (participantes) e quais? (recursos). Execução - As ações descritas anteriormente são colocadas em prática. Depuração - Adequações poderão ser efetuadas de acordo com o andamento das ações e das análises do grupo em relação à produção já realizada. Apresentação - É a finalização do projeto onde serão apresentados os resultados do processo por meio das descobertas, hipóteses, criações e conclusões obtidas. Avaliação - A construção apresentada pode ser ou não reformulada de acordo com a devolutiva dos participantes do grupo, usuários do produto/serviço, professor ou comunidade escolar. As etapas aqui apresentadas podem ser trabalhadas de maneira única ou cíclica, vai depender dos objetivos pedagógicos elencados pelo professor. Quanto à avaliação do projeto em si e das competências e habilidades adquiridas pelos alunos, fica a critério do professor a maneira como ela será aplicada. Por tratar-se de um projeto, aconselha- se que ela seja parte contínua, durante o processo, aliada à avaliação do produto final. A utilização de fichas de observação, individuais ou em grupo, ajudam bastante. Independentemente do tipo ou organização do projeto, o papel do professor é um momento em que você orienta as atividades a fim de aprimorar as áreas que precisam ser fortalecidas em seus alunos. E mais do que isso, uma atividade de aprendizagem baseada em projetos oferece uma oportunidade de desenvolver habilidades e competências, e hábitos relevantes para a vida futura, seja ela no âmbito profissional ou pessoal. 25 Referências BACICH, L.; HOLANDA, L. STEAM em sala de aula: a aprendizagem baseada em projetos integrando conhecimentos na educação básica. Porto Alegre: Penso, 2020. BENDER, W. N. Aprendizagem baseada em projetos: educação diferenciada para o século XXI. Porto Alegre: Penso, 2014. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. NOGUEIRA, N. R. Pedagogia dos projetos: etapas, papéis e atores. 4. ed. São Paulo: Érica, 2008. NOGUEIRA, N. R. Pedagogia dos projetos: uma jornada interdisciplinar rumo ao desenvolvimento das múltiplas inteligências. 7. ed. São Paulo: Érica, 2007. 26 Desenvolvendo projetos socioemocionais na infância Autoria: Michele Aparecida Cerqueira Rodrigues Leitura crítica: Neide Rodriguez Barea Objetivos • Construir projetos que enfoquem o desenvolvimento das competências socioemocionais. • Estruturar projetos a partir das dez competências gerais da Base Nacional Comum Curricular. • Estimular a autonomia, a criatividade e a responsabilidade, na primeira e na segunda infâncias, por meio de projetos. 27 1. Construindo projetos socioemocionais na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) nos promove uma estruturação de conteúdos e habilidades que necessitam ser aplicados na educação básica. Entre as habilidades, estão as socioemocionais que são importantíssimas para a formação integral do estudante. Dessa forma, trabalhar com projetos pode ser uma excelente estratégia metodológica, pois possibilita a aplicação de mais de uma habilidade ao mesmo tempo. Mas, antes de aprender sobre como aplicá-las, é importante retomar os principais aspectos de cada fase do desenvolvimento da infância. Vamos lá? 1.1 Conceitos sobre as infâncias O ser humano possui fases de desenvolvimento ao longo da vida. A divisão etária depende do teórico estudado, uma vez que, para cada um deles, as fases estão atreladas ao campo de estudo. Jean Piaget, por exemplo, investigou o desenvolvimento cognitivo, Erik Erikson dedicou-se a estudar o desenvolvimento psicossocial e Sigmund Freud, o desenvolvimento psicossexual Papalia e Feldman (2013) apresentam oito períodos do desenvolvimento humano, de maneira geral: período pré-natal (concepção até nascimento), primeira infância (0 a 3 anos), segunda infância (3 a 6 anos), terceira infância (6 a 12 anos), adolescência (12 a ≈ 20 anos), vida adulta (20 a 40 anos), vida adulta intermediária (40 a 65 anos), vida adulta tardia (65 anos em diante). 28 Figura 1 – Fases do desenvolvimento humano Fonte: https://www.gratispng.com/png-sh16sr/. Acesso em: 22 jan. 2022. Contudo, a infância é a fase mais importante da vida de qualquer ser humano onde são formados os três domínios do desenvolvimento: físico (“crescimento do corpo e do cérebro, as capacidades sensoriais, as habilidades motoras e a saúde”), cognitivo (“aprendizagem, atenção, memória, linguagem, pensamento, raciocínio e criatividade”) e psicossocial (“emoções, personalidade e relações sociais”) (PAPALIA; FELDMAN, 2013). Vamos fazer um paralelo com as teorias de Piaget e Freud: Quadro 1 – Comparações entre as etapas de desenvolvimento da infância Papalia e Feldman (2013) Piaget (GRUBER; VONÈCHE, 1977) Freud (1984) Erikson (ALVES, 2020) Primeira infância 0 a 3 anos Sensório-motor 0 a 2 anos Fase oral 0 a 1 ano Fase anal 1 a 3 anos Confiança x Desconfiança 0 a 2 anos Autonomia x Vergonha e Dúvida 2 a3 anos Segunda infância 3 a 6 anos Pré-operatório 2 a 7 anos Fase fálica 3 a 5 anos Iniciativa x Culpa 4 a 5 anos https://www.gratispng.com/png-sh16sr/ 29 Terceira infância 6 a 12 anos Operatório concreto 8 a 12 anos Período de latência 5 anos à puberdade Diligência x Inferioridade 6 a 11 anos Fonte: elaborado pela autora. Alguns fatores podem interferir no desenvolvimento como hereditariedade, crescimento orgânico, maturação neurofisiológica e meio ambiente. As idades apresentadas diferem entre as teorias, contudo, em sua maioria, possuem faixa etária similar. Lembre-se que os domínios estão sempre interligados, no entanto, é possível que haja diferença no desenvolvimento em domínios específicos. Por exemplo, a criança pode ter um déficit físico com desenvolvimento cognitivo e psicossocial típico. 1.2 Características emocionais Como vimos no item anterior, o desenvolvimento acontece por fases, até mesmo no que se refere ao âmbito emocional (PAPALIA; FELDMAN, 2013). 1ª infância – As crianças fortalecem os vínculos afetivos com os responsáveis e cuidadores, além de ocorrer também o desenvolvimento da autoconsciência, da autonomia e das relações interpessoais. 2ª infância – As crianças desenvolvem a compressão das emoções e a autoestima, aumentam a autonomia e o autocontrole, reconhecem a identidade de gênero e, rompantes de temor, altruísmo e raiva são comuns. 3ª infância – As crianças desenvolvem um autoconceito mais complexo que pode afetar diretamente a autoestima, a autorregulação e o fortalecimento das relações interpessoais. 30 Você já ouviu falar em Winnicott? Pediatra e psicanalista inglês, Donald Woods Winnicott estudou sobre o desenvolvimento emocional dos bebês. A primeira infância, então, é composta por três fases: absoluta (o bebê é completamente dependente do ambiente), relativa (o bebê começa a entender o ambiente, mas ainda é dependente de um cuidador), rumo à independência (o bebê tem relacionamento pleno com o meio). Na segunda e terceira infâncias, podemos nos balizar pela compreensão emocional (MOREIRA; ABREU; RIQUE NETO, 2012): Nível externo (fácil) Reconhecimento (3 a 4 anos) – Entende e nomeia as emoções básicas. Lembranças (3 a 6 anos) – Entende o efeito das lembranças nas emoções. Causa externas (3 a 4 anos) – Entende o efeito das causas externas nas emoções. Nível mental (intermediário) Crenças (4 a 6 anos) – Entende o efeito das crenças sobre as emoções, sejam elas falsas ou verdadeiras. Desejo (3 a 5 anos) – Entende o efeito dos desejos na reação emocional alheia. Mascaramento (4 a 6 anos) – Entende que existe diferença entre o sentimento vivido e o expressado. Nível reflexivo (difícil) Moralidade (≈ 8 anos) – Entende os efeitos das emoções em comportamentos. 31 Regulação (6 a 7 anos) – Cria estratégias para controlar as emoções. Ambivalência (≈ 8 anos) – Entende que é possível sentir várias emoções em uma mesma situação. Em todas as etapas, há a compreensão das emoções. Assim, podemos atrelar cada uma delas ao desenvolvimento de projetos direcionados que veremos no próximo item. 2. Como desenvolver projetos socioemocionais para crianças Na seção anterior, resgatamos pesquisadores que se dedicaram a estudar as fases do desenvolvimento humano e que destacam a evolução das emoções em cada fase. Mas, por que isso é importante? Quando entendemos como funciona o processo de evolução conseguimos adequar as atividades e projetos educacionais de maneira apropriada e efetiva. Assim, devemos respeitar até onde podemos ir com aquele determinado conteúdo, evitando incompreensões e frustrações. Agora, que tal aprender a criar projetos para desenvolver as emoções? Vamos lá! Educação infantil (0 a 6 anos) a. Termômetro das emoções Objetivo: permitir que as crianças identifiquem e reflitam sobre o que sentem. Materiais: papel cartolina, lápis de cor, um pregador de roupa ou clips. 32 Desenvolvimento: cada criança deve cortar o papel em formato de retângulo, semelhante a um marcador de livros. Peça que elas desenhem uma escala com cinco traços e na frente de cada um deles um emoji com emoções diferentes. Você pode padronizar uma escala que vai de emoções mais positivas para as mais negativas. Todos os dias eles devem marcar a emoção que estão sentindo com a ajuda do pregador ou do clip. Peça que deixem o termômetro em cima da carteira. b. Histórias com emoção Objetivo: reconhecer as emoções nos outros e em si mesmo. Materiais: livro paradidático, de preferência escolhido em conjunto com as crianças. Desenvolvimento: durante a leitura das histórias, faça pausas quando possível, e pergunte aos alunos como os personagens se sentem nas situações contadas. Você também pode antever as perguntas antes de dar o desfecho: “Como será que a chapeuzinho irá se sentir ao encontrar o lobo?” c. Música das emoções Objetivo: reconhecer as emoções internas causadas por estímulo auditivo. Materiais: músicas variadas. Desenvolvimento: coloque diversas músicas para os alunos ouvirem, em cada uma delas pergunte: “Como você se sente ao ouvir essa música? Por quê?” d. O bom samaritano Objetivo: trabalhar a empatia e o relacionamento interpessoal. 33 Materiais: papel e lápis. Desenvolvimento: explique aos alunos a importância de ajudar os outros. Pergunte se eles costumam ajudar alguém, se a resposta for positiva, complemente com quem e como. Diga que eles terão como missão durante uma semana ajudar uma pessoa. Todos os dias eles devem fazer a seguinte anotação: nome de quem ajudou, como ajudou e como se sentiu. Na segunda-feira seguinte, após a semana da atividade, faça uma roda de conversa para colher as impressões. Ensino fundamental anos iniciais (6 a 11 anos) a. Baralho da calma Objetivo: praticar a autogestão emocional. Materiais: papel, lápis de cor, tesoura e régua. Desenvolvimento: cada criança fará uma carta do jogo de baralho. Peça que elas cortem um retângulo em formato de carta de baralho. De um lado escreva “Eu posso me acalmar quando...” e do outro a estratégia para se acalmar: balanço os pés, pensando no que dizer, contando até 10, respirando fundo etc. O baralho pronto deve ficar na sala de aula, disponível para os alunos e quando alguém se sentir nervoso pega uma das cartas do baralho e faz a ação descrita. b. Meditando Objetivo: praticar atividades de relaxamento, entrando em contato com o interior, permitindo que os pensamentos fluam livremente sem julgamentos. Desenvolvimento: pratique meditação com os alunos. Inicie perguntando se eles já ouviram falar e abre espaço para que eles apresentem suas conclusões. Explique que ele serve para nos conectarmos com nós 34 mesmos a partir de exercícios de respiração. Caso você não entenda ou nunca tenha feito meditação, leia o artigo Meditação para crianças: como ensinar seus filhos a perceber a mente disponível no blog Vittude (BATTISTELLI, 2018). c. Mudando a história Objetivo: praticar a empatia e o autoconhecimento. Materiais: livro paradidático, de preferência escolha junto com os alunos. Desenvolvimento: durante a leitura das histórias, faça pausas quando possível, e pergunte aos alunos o que eles fariam se estivessem no lugar dos personagens. Analise as diferentes situações durante a aula. d. Me dá uma ajuda? Objetivo: incentivar as relações interpessoais, autoconhecimento e empatia. Desenvolvimento: incentive os alunos a sempre que precisarem de ajuda levantarem a mão. Quando isso acontecer, peça que eles expliquem do que precisam e verifique quem pode ajudá-los. e. Diário da gratidão Objetivo: permitir o autoconhecimento, a gratidão e o existencialismo. Materiais: caderno pequeno, lápis de cor. Desenvolvimento: no começo do ano, peça que os alunos customizem seu diário da gratidão como quiserem. Nele, eles devem escrever dois motivos pelos que são gratos e o porquê, diariamente. 35 f. Varal dos sonhos Objetivo: permitir o desenvolvimento de um projeto de vidapor meio do autoconhecimento. Materiais: papel, lápis de cor. Desenvolvimento: peça que as crianças desenhem o seu maior sonho no papel. Depois disso, pendure os desenhos produzidos em um varal dentro da sala de aula. Ao final da atividade, peça que os estudantes descrevam sobre como foi desenvolver a atividade. Além dessas atividades você pode criar projetos temáticos falando de propósito de vida, sonhos, pertencimento, bullying, solidariedade, diversidade, preconceito, violência, amizade, família etc. Abra espaço para que as emoções possam ser expostas e nomeadas. Em situações de discórdia em sala, incentive a conversa e a comunicação não violenta. Isso fará com que os estudantes se desenvolvam e entendam quais são os limites próprios e os dos demais colegas. Isso ajuda a incentivar a empatia, as relações interpessoais, o trabalho em grupo, o autoconhecimento, entre outras habilidades socioemocionais. Espero que você tenha aproveitado bastante esta Leitura Digital e possa refletir como o papel do professor é importante hoje em dia, apoiando os alunos no desenvolvimento das competências socioemocionais. Referências ALVES, L. M. Erik Erikson: os estágios psicossociais do desenvolvimento. Ensaios e Notas, jun. 2020. Disponível em: https://ensaiosenotas.com/2020/06/13/erik- erikson-os-estagios-psicossociais-do-desenvolvimento/. Acesso em: 14 mar. 2022. https://ensaiosenotas.com/2020/06/13/erik-erikson-os-estagios-psicossociais-do-desenvolvimento/ https://ensaiosenotas.com/2020/06/13/erik-erikson-os-estagios-psicossociais-do-desenvolvimento/ 36 BATTISTELLI, J. Meditação para crianças: como ensinar seus filhos a perceber a mente. Vittude, 2018. Disponível em: https://www.vittude.com/blog/meditacao- para-criancas-como-ensinar-seus-filhos-perceber-mente/. Acesso em: 14 mar. 2022. FREUD, S. Resumo das obras completas. São Paulo: Livraria Atheneu, 1984. GRUBER, H. E.; VONÈCHE, J. J. The essential Piaget. London: Routledge e Kegan Paul, 1977. Moreira, P. de L.; Abreu, E. L. de; Rique Neto, J. Influência da idade e do contexto socioeducacional na compreensão emocional de crianças. Estudos de Psicologia, Campinas, v. 29, n. 1, p. 761-767, 2012. PAPALIA, E. D.; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento Humano. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. https://www.vittude.com/blog/meditacao-para-criancas-como-ensinar-seus-filhos-perceber-mente/ https://www.vittude.com/blog/meditacao-para-criancas-como-ensinar-seus-filhos-perceber-mente/ 37 Desenvolvendo projetos socioemocionais na adolescência Autoria: Michele Aparecida Cerqueira Rodrigues Leitura crítica: Neide Rodriguez Barea Objetivos • Construir projetos que enfoquem o desenvolvimento das competências socioemocionais. • Criar projetos estruturados a partir das dez competências gerais da Base Nacional Comum Curricular. • Estimular a autonomia, a criatividade e a responsabilidade, na primeira e na segunda infâncias, por meio de projetos. 38 1. Construindo projetos socioemocionais nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio Partir do pressuposto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), onde as habilidades socioemocionais estão presentes em todas as competências gerais. Dessa forma, para atingir, de maneira efetiva, essas habilidades a aprendizagem precisa ser contextualizada. Para isso, a inclusão de projetos nas práticas pedagógicas é interessante. Especificamente no ensino médio, com a nova configuração, muitos municípios disponibilizaram aos seus professores materiais de apoio para o desenvolvimento dos projetos de vida e itinerários formativos. Que tal conhecermos mais sobre projetos na adolescência? 1.1 Conceitos sobre a adolescência O desenvolvimento humano é composto por oito fases (PAPALIA; FELDMAN, 2013) das quais temos o período pré-natal (concepção até nascimento), três infâncias (compreendidas entre 0 e 12 anos), a adolescência (de 12 a aproximadamente 20 anos) e a vida adulta, também dividida em três fases (20 anos até a morte). A adolescência é o período em que ocorrem mudanças bruscas e profundas no desenvolvimento físico (crescimento e maturidade reprodutiva), cognitivo (imaturidade parcial permanece em algumas atitudes), pensamento abstrato, preparação para a vida adulta) e psicossocial (busca pela identidade, influência de pares) (PAPALIA; FELDMAN, 2013). Vários teóricos estudaram as fases de cada uma dessas vertentes, como observamos no quadro a seguir: 39 Quadro 1 – Comparações entre as etapas de desenvolvimento da adolescência Papalia e Feldman (2013) Piaget (GRUBER; VONÈCHE, 1977) Freud (1984) Erikson (ALVES, 2020) Adolescência 12 a ≈ 20 anos Operatório Formal A partir dos 12 anos Fase genital Puberdade à vida adulta Identidade x Confusão de Identidade 12 a 18 anos Fonte: elaborado pela autora. Há várias classificações diferentes quanto à faixa etária. A Organização Mundial da Saúde (OMS) entende o período da adolescência entre 10 e 19 anos; no Estatuto da Criança e do Adolescente, a adolescência aparece na idade entre 12 e 18 anos. Aqui usaremos a escala de Papalia e Feldman (2013), semelhante à dos outros teóricos estudados, que compreende a faixa dos 12 a aproximadamente 20 anos. Alguns autores ao invés de idade utilizam puberdade para se referir ao início da fase da adolescência. Ela se refere ao período de transição entre a infância e a adolescência, pode ocorrer entre 8 e 13 anos e se dá por mudanças como menarca nas meninas, e alteração de voz nos meninos, entre outras características específicas. Independentemente da classificação, a época da adolescência propicia descobertas, na vida sexual e social, principalmente. Contudo, os adolescentes assumem maiores riscos com altas taxas de mortalidade e suicídio. Em épocas de redes sociais virtuais e relações pessoas mais instáveis, o professor é um dos personagens mais importantes na vida do jovem e a ele (o professor) cabe um papel de atenção e ação frente a situações críticas. Se você notar algo diferente com seus alunos, é importante acionar seus pares (professores) e seus superiores (coordenadores, orientadores, diretores) para monitorar e agir frente a situações mais delicadas e 40 críticas. Comumente, os adolescentes tendem a se comunicar com pessoas fora do ambiente familiar quando há conflitos em casa. Fique atento para fazer os devidos encaminhamentos. Vamos analisar as características emocionais. 1.2 Características emocionais Você se lembra como agia quando era jovem? Possivelmente de maneira impulsiva, já que essa é uma das características dessa fase. Há uma ebulição afetiva devido à quantidade de novidades que ocorrem ao mesmo tempo. Além disso, o cérebro permanece em formação, afetando as decisões e gerando tomadas impulsivas em todos os âmbitos da vida. As emoções são expressas mais instintivamente do que na fase adulta. É como se eles continuassem crianças em alguns aspectos, porém, desenvolvidos em outros. A partir dos 14 anos as semelhanças com os adultos começam a aparecer, é exatamente próximo à fase do ensino médio onde é o momento em que se recomenda iniciar um estudo para a construção do projeto de vida (PAPALIA; FELDMAN, 2013). O estresse pode aparecer gerando doenças mentais como depressão e ansiedade ou transtornos alimentares (anorexia, bulimia). O jovem toma um número maior de decisões do que o normal, algumas delas para o restante da vida. Assim, é importante reforçar a autoestima, a empatia e o autocontrole, que são algumas das competências socioemocionais. Desse modo, a criação de projetos que permitam o desenvolvimento dessas habilidades é crucial. Segundo pesquisa feita pelo Instituto de Neurociência UC Gardner, nos Estados Unidos, a quantidade de progesterona e estrogênio oscilante liberado na adolescência pode, entre outras coisas, gerar crises de enxaqueca nas meninas. A boa notícia é que a progesterona age como 41 amenizador delas, a enxaqueca é fator crítico, pois em casos mais graves impossibilitao convívio social normal (SOARES, 2017). Os valores sociais e a moral estão evoluindo e tendem a se fortalecer nessa etapa. Os adolescentes podem ter questionamentos em relação a esses temas e colocar em xeque hábitos que até então eram comuns. O embate com a família pode, então, ocorrer com frequência. Para dar suporte aos jovens, podemos: 1. Fortalecer a comunicação: já que ela, por vezes, mostra-se afetada. 2. Falar abertamente sobre as emoções para eles entenderem que isso não é uma fraqueza. 3. Nutrir a autorregulação e gerenciar o estresse por meio de atividades de relaxamento e mindfulness. 4. Reconhecer as opiniões dos adolescentes e sua experiência de vida. 5. Impor limites sociais, morais e tecnológicos. 6. Expor as diferenças sobre expectativas versus realidade. 7. Conversar sobre todas as diversidades: de cultura às de gênero. 8. Deixar que ele experimente outras perspectivas. 1.3 Como desenvolver projetos socioemocionais para adolescentes O desenvolvimento de projetos socioemocionais para a adolescência pode partir das dores e dúvidas dos jovens, o professor pode e deve oportunizar momentos para que os adolescentes tragam temas interessantes para aprofundamento, debate e pesquisa. Temas como mundo do trabalho, combate às drogas e à violência, desigualdades 42 sociais, diversidade, identidade de gênero são exemplos para a criação de projetos engajadores. A seguir, vamos conhecer alguns projetos voltados à adolescência que enfocam o desenvolvimento das competências socioemocionais: Projeto: gravidez na adolescência Ponto de partida: em 2017, o Ministério da Saúde divulgou que entre os anos de 2005 e 2015 nasceram 547.564 crianças de mães com idade entre 10 e 19 anos sendo a maior taxa de natalidade na região Norte com 25,58% seguida por 21,30% no Nordeste, 17,51% no Centro-Oeste, 15,39% no Sul e 15% no Sudeste. Por consequência, há um índice maior de evasão escolar das meninas, probabilidade de bebês prematuros etc. Assim, isso se torna um problema tanto social quanto de saúde pública (BRITO, 2017). Objetivo: conscientizar os jovens sobre os riscos de uma gravidez na adolescência. Material de apoio: cartilha Primeira Infância e Gravidez na Adolescência, disponível no site Primeira Infância. Atividades: a escolha da atividade depende do perfil do alunado, pode ser teatro, grupos de discussão, estudos de caso, vídeos, campanhas educativas, exposições orais, produção de texto, documentários etc. Projeto: transtornos alimentares Ponto de partida: os transtornos alimentares são comuns na adolescência, principalmente pela influência das mídias sociais e do ambiente familiar. Na maior parte dos casos, concomitante aparecem transtornos mentais como ansiedade e depressão. Além disso, eles causam problemas na saúde e prejuízos sociais, por vezes irreparáveis, morte e suicídio (GONÇALVES, 2013). 43 Objetivo: discutir os transtornos alimentares em jovens quanto às suas características e fatores de risco. Material de apoio: cartilha Atenção à saúde do adolescente disponibilizada pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais em 2006. Atividades: a escolha da atividade depende do perfil do alunado, pode ser teatro, grupos de discussão, estudos de caso, vídeos, campanhas educativas, exposições orais, produção de texto, documentários etc. Projeto: transtornos mentais Ponto de partida: de acordo com a Revista Veja, a maioria dos transtornos mentais ocorrem em média aos 14 anos. A ansiedade costuma aparecer aos 13 anos e a anorexia aos 17. A Organização Mundial da Saúde estima que 264 milhões de pessoas possuem depressão e outras 284 milhões, ansiedade (BRITO, 2021). Objetivo: discutir os transtornos mentais em jovens quanto às suas características e fatores de risco. Material de apoio: cartilha Saúde Mental de Adolescentes criada pela Unicef em parceria com o Instituto Vita Alere. Atividades: a escolha da atividade depende do perfil do alunado, pode ser teatro, grupos de discussão, estudos de caso, vídeos, campanhas educativas, exposições orais, produção de texto, documentários etc. Projeto: mercado de trabalho Ponto de partida: a população de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil é grande, mais de 47 milhões de pessoas. Porém, problemas como altas taxas de desemprego, proliferação do trabalho informal, insegurança e instabilidade familiar interferem na carreira. A geração Nem-nem (nem 44 trabalha e nem estuda) cresceu entre 2012 e 2020, representando 29,3% do total de jovens. (ROSAS, 2021). Objetivo: preparar os jovens para o mercado de trabalho através do desenvolvimento de competências socioemocionais. Material de apoio: Cartilha do adolescente trabalhador criada pelo Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais em parceria com a Rede Cidadã. Atividades: a escolha da atividade depende do perfil do alunado, pode ser teatro, grupos de discussão, estudos de caso, vídeos, campanhas educativas, exposições orais, produção de texto, documentários etc. Projeto: bullying Ponto de partida: a Faculdade de Medicina de São Paulo revela que cerca de 29% dos 2700 adolescentes entrevistados dizem já ter sofrido algum tipo de bullying, 15% ter cometido bullying e, o mais grave, 19% ter cometido atos de violência contra os pares. A maioria do público que sofreu bullying se declara não hétero ou com algum tipo de deficiência. Houve uma prevalência do uso de drogas depressoras entre as vítimas que sofreram bullying ou violência. Objetivo: refletir sobre as consequências acarretadas pelo bullying, atuando preventivamente. Material de apoio: cartilha Bullying não é brincadeira criada pela Promotoria de Justiça da Infância e da Adolescência de João Pessoa na Paraíba. Atividades: a escolha da atividade depende do perfil do alunado, pode ser teatro, grupos de discussão, estudos de caso, vídeos, campanhas educativas, exposições orais, produção de texto, documentários etc. 45 Projeto: violência sexual Ponto de partida: a violência sexual deixa traumas para toda a vida. Em 2019, o Disque Denúncia teve um aumento de 14% nos registros de violação dos direitos da criança e do adolescente. Especificamente, 73% dos casos de violência sexual ocorrem na casa da vítima ou do suspeito, ou seja, são praticadas por pessoas conhecidas do jovem (BRASIL, 2020). Objetivo: refletir sobre as consequências acarretadas pela violência sexual, atuando preventivamente. Material de apoio: cartilha Não podemos fechar os olhos criada pelo Governo do Rio de Janeiro. Atividades: a escolha da atividade depende do perfil do alunado, pode ser teatro, grupos de discussão, estudos de caso, vídeos, campanhas educativas, exposições orais, produção de texto, documentários etc. Qualquer projeto desenvolvido com adolescentes deve priorizar temas relacionados ao contexto. Essa fase promove mudanças importantes e que por vezes não são entendidas pelos próprios jovens. Cabe aos professores essa missão. Liderança, relacionamento interpessoal, empatia, solidariedade são competências socioemocionais fundamentais para a formação de jovens éticos, saudáveis emocionalmente e protagonistas. Apresente os temas, debata sobre as frustrações e anseios dos alunos, a partir dos dados levantados, desenvolva projetos motivadores e factíveis, independentemente da disciplina que você leciona. Trabalhe em conjunto se achar necessário. A dica é: apenas haja e ajude os jovens a se encontrarem, em meio ao turbilhão de mudanças. 46 Referências ALVES, L. M. Erik Erikson: os estágios psicossociais do desenvolvimento. Ensaios e Notas, jun. 2020. Disponível em: https://ensaiosenotas.com/2020/06/13/erik- erikson-os-estagios-psicossociais-do-desenvolvimento/. Acesso em: 14 mar. 2022. BRASIL. Ministério divulga dados de violência sexual contra crianças e adolescentes. Notícias [online]. Brasília: Governo Federal, 2020. BRITO, D. Gravidez precoce ainda é alta, mostram dados. Especial cidadania [online]. Brasília: Jornal do Senado, 2017. BRITO, S. Estudo:Maioria dos transtornos mentais surge aos 14 anos. Ciência [online]. São Paulo: Revista Veja, 2021. FREUD, S. Resumo das Obras Completas. São Paulo: Livraria Atheneu, 1984. GONÇALVES, J. A. et al. Transtornos alimentares na infância e na adolescência. Revista Paulista de Pediatria, [s.l.], v. 31, n. 1, p. 96-103, 2013. GRUBER, H. E.; VONÈCHE, J. J. The essential Piaget. London: Routledge e Kegan Paul, 1977. PAPALIA, E. D., FELDMAN, R. D. Desenvolvimento Humano. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. ROSAS, H. Jovens: inserção no mercado de trabalho, pandemia e o ensino profissionalizante. Educação, Futura [online]. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 2021. SOARES, V. Oscilação hormonal em meninas interfere em crises de enxaqueca. Ciência e Saúde [online]. Brasília: Correio Braziliense, 2017. https://ensaiosenotas.com/2020/06/13/erik-erikson-os-estagios-psicossociais-do-desenvolvimento/ https://ensaiosenotas.com/2020/06/13/erik-erikson-os-estagios-psicossociais-do-desenvolvimento/ 47 Sumário Apresentação da disciplina Desenvolvimento das competências socioemocionais Objetivos 1. Desenvolvimento das competências socioemocionais frente à BNCC Referências Projetos educacionais: estrutura e organização Objetivos 1. A importância dos projetos educacionais 2. Organizando e estruturando projetos educacionais Referências Desenvolvendo projetos socioemocionais na infância Objetivos 1. Construindo projetos socioemocionais na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamen 2. Como desenvolver projetos socioemocionais para crianças Referências Desenvolvendo projetos socioemocionais na adolescência Objetivos 1. Construindo projetos socioemocionais nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio Referências