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PROJETOS PARA O 
DESENVOLVIMENTO 
DE COMPETÊNCIAS 
SOCIOEMOCIONAIS NAS ESCOLAS
2
Michele Aparecida Cerqueira Rodrigues
São Paulo
Platos Soluções Educacionais S.A 
2022
 PROJETOS PARA O DESENVOLVIMENTO DE 
COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS NAS 
ESCOLAS
1ª edição
3
2022
Platos Soluções Educacionais S.A
Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César
CEP: 01418-002— São Paulo — SP
Homepage: https://www.platosedu.com.br/
Head de Platos Soluções Educacionais S.A
Silvia Rodrigues Cima Bizatto
Conselho Acadêmico
Alessandra Cristina Fahl
Camila Braga de Oliveira Higa
Camila Turchetti Bacan Gabiatti
Giani Vendramel de Oliveira
Gislaine Denisale Ferreira
Henrique Salustiano Silva
Mariana Gerardi Mello
Nirse Ruscheinsky Breternitz
Priscila Pereira Silva
Tayra Carolina Nascimento Aleixo
Coordenador
Giani Vendramel de Oliveira
Revisor
Neide Rodriguez Barea
Editorial
Beatriz Meloni Montefusco
Carolina Yaly
Márcia Regina Silva
Paola Andressa Machado Leal
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ 
Rodrigues, Michele Aparecida Cerqueira
Projetos para o desenvolvimento de competências 
socioemocionais nas escolas / Michele Aparecida Cerqueira 
Rodrigues. – São Paulo: Platos Soluções Educacionais S.A., 
2022.
33 p.
ISBN 978-65-5356-128-1
 1. Competências socioemocionais. 2. Projetos 
educacionais. 3. Infância. I. Título.
CDD 344.079
_____________________________________________________________________________ 
 Evelyn Moraes – CRB: 010289/O
R696p 
© 2022 por Platos Soluções Educacionais S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou 
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo 
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de 
informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A.
https://www.platosedu.com.br/
4
SUMÁRIO
Apresentação da disciplina __________________________________ 05
Desenvolvimento das competências socioemocionais _______ 06
Projetos educacionais: estrutura e organização ______________ 16
Desenvolvendo projetos socioemocionais na infância _______ 26
Desenvolvendo projetos socioemocionais na adolescência __ 37
PROJETOS PARA O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊN-
CIAS SOCIOEMOCIONAIS NAS ESCOLAS
5
Apresentação da disciplina
A disciplina Projetos para o desenvolvimento de competências 
socioemocionais nas escolas abordará as etapas para a construção de 
projetos educacionais voltados ao desenvolvimento das competências 
socioemocionais com foco nos estudantes da educação básica, que 
compreende a educação infantil, o ensino fundamental (anos iniciais e 
finais) e o ensino médio. Assim, além de permitir que você se prepare 
para identificar as necessidades do público-alvo, proporcionará 
conhecimentos que favorecerão a construção, a aplicação e a 
avaliação de projetos voltados ao desenvolvimento das competências 
socioemocionais adequadas a determinados públicos. 
Por meio de um estudo divido em quatro Temas, você compreenderá 
as bases teóricas que sustentam a construção de projetos educacionais 
voltados ao desenvolvimento das competências socioemocionais, 
por meio do conhecimento sobre os estilos cognitivo-afetivos e as 
competências socioemocionais com práticas de aplicação em sala de 
aula. Você verá também as etapas da construção de projetos no campo 
da educação, especificamente dos projetos voltados ao desenvolvimento 
das competências socioemocionais nas escolas, e aprenderá a 
estruturar e organizar projetos educacionais de acordo com o perfil dos 
estudantes.
Por fim, você aprenderá como construir projetos que enfoquem o 
desenvolvimento das competências socioemocionais a partir das dez 
competências gerais da Base Nacional Comum Curricular, de maneira 
autônoma, criativa e responsável nos diferentes ciclos da educação 
básica: educação infantil, ensino fundamental (anos iniciais e finais) e 
ensino médio. Bons estudos!
6
Desenvolvimento das 
competências socioemocionais
Autoria: Michele Aparecida Cerqueira Rodrigues
Leitura crítica: Neide Rodriguez Barea
Objetivos
• Compreender as bases teóricas para 
o desenvolvimento das competências 
socioemocionais.
• Compreender as bases teóricas para o 
reconhecimento dos estilos cognitivo-afetivos.
• Estabelecer critérios para relacionar os 
estilos cognitivo-afetivos e as competências 
socioemocionais com as competências gerais da 
Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
7
1. Desenvolvimento das competências 
socioemocionais frente à BNCC
A BNCC trouxe como prioridade a formação integral do sujeito, 
em que ele é visto como protagonista do seu próprio aprendizado, 
o que torna o professor um mediador do processo de ensino 
e aprendizagem. Porém, para isso ser atingido, você precisa 
estar ciente de quais são as habilidades fundamentais a serem 
desenvolvidas em cada estudante.
Para tal, é preciso estudar os aspectos relacionados aos estilos 
de aprendizagem de cada aluno, e as competências e habilidades 
socioemocionais requeridas para atingir a formação plena e a 
promoção de um ambiente escolar mais empático e acolhedor. 
Vamos começar?
1.1 Os estilos cognitivo-afetivos
Cada ser humano é único, assim como seu estilo de aprendizagem. 
Portanto, utilizar as mesmas estratégias de ensino com todos os alunos 
com certeza não é a melhor opção. Com base nisso, estudar os estilos 
cognitivos-afetivos de aprendizagem facilitará o processo de ensino-
aprendizagem em sala de aula.
8
Figura 1 – Estilos de aprendizagem
Fonte: elaborada pela autora.
Por que devemos nos preocupar com os estilos cognitivo-afetivos de 
nossos alunos?
De acordo com Piaget (LA TAILLE; DANTAS; OLIVEIRA, 1992), a 
afetividade é o motivador das ações humanas, enquanto a cognição 
é a compreensão e identificação de desejos que propulsionam as 
ações. Ambas trabalham unidas para atingir as metas e objetivos pré-
estabelecidos pelos indivíduos.
Sendo assim, a análise dos estilos cognitivo-afetivos permite a 
descoberta de novas estratégias para promover uma aprendizagem 
significativa. Para Fagali (2007), essas características se associam às 
inteligências interpessoal e intrapessoal de Howard Gardner, criador da 
Teoria das Inteligências Múltiplas.
A autora vai além e diz que “[...] mais do que múltiplas inteligências, o ser 
humano seria dotado de diferentes estilos de ser-no-mundo, diferentes 
9
formas de aproximação, elaboração e apreensão da realidade” (ABED, 
2014, p. 75). Sob essa perspectiva, temos quatro estilos cognitivos:
Quadro 1 – Estilos cognitivo-afetivos
Estilo Função Modo de 
aprendizado Raciocínio
Sensorial-perceptivo Percepção Concreto Dedutivo
Intuitivo Intuição Criativo Por associações
Subjetivo Sentimento Subjetivo Indutivo
Mental Pensamento Objetivo Dedutivo
Fonte: elaborado pela autora.
Dessa forma, devemos propor atividades de aprendizagem que 
possibilitem atingir o maior número de estilos possíveis, fazendo 
pequenas alterações no contexto. Por exemplo, agrupar os estilos 
sensorial-perceptivos e mental (racional) e intuitivo e subjetivo (emocional) 
facilita a produção das atividades. Utilizar metodologias ativas e atividades 
lúdicas traz a questão afetiva latente, permitindo um melhor aprendizado. 
Agora, vamos ver quais estratégias funcionam para cada estilo:
Quadro 2 – Estratégias metodológicas por estilo cognitivo-afetivo
Estilo Estratégias 
metodológicas
Preferências de 
aprendizagem
Sensorial-perceptivo Simulação, estudo de 
caso, demonstrações etc.
Fazer
Intuitivo Discussão, debates etc. Observar
Subjetivo Aprendizagem baseada 
em problemas.
Sentir
Mental Atividades práticas, 
laboratórios etc.
Pensar
Fonte: elaborado pela autora.
Tornar-se um professor pesquisador que busca por novas metodologias 
permite o desenvolvimento das suas habilidades e das habilidades 
10
dos alunos.As experiências em sala de aula nos permitem refletir e 
aprimorar as práticas pedagógicas, além de determinar o que é ou não 
bom para cada turma.
O investimento na formação continuada é primordial na construção do 
conhecimento. Para tanto, por que não descobrir o seu estilo cognitivo-
afetivo? Algum dia você já analisou como aprende ou prefere estudar?
Existem vários testes disponíveis na internet para verificar como você 
aprende, mas você também pode fazer anotações que o levem a refletir 
sobre as preferências na hora estudo.
1.2 As competências socioemocionais
As competências socioemocionais podem ser analisadas por meio 
da neurociência, que estuda o comportamento cerebral diante das 
variações emocionais. Essas alterações acontecem no seu cérebro e no 
de qualquer ser humano vivo. Mas por que entender esses processos?
Quando descobrimos os gatilhos que geram determinada reação 
podemos antever possíveis comportamentos nos estudantes, até 
mesmo com relação à aprendizagem. Já reparou que em atividades 
específicas há uma aceitação e motivação maior de alguns alunos e 
outros não?
Isso é extremamente comum, pois dependerá dos estilos de 
aprendizagem de cada um e da sua resposta emocional frente ao 
problema apresentado. Contudo, antes de analisar as competências e 
habilidades socioemocionais, analise as definições de alguns termos que 
iremos utilizar com base nos conceitos apresentados pelo Dr. Richard 
Davidson (2013):
• Estado emocional: é a menor das unidades das emoções e possui 
curta duração.
11
• Humor: sentimento que persiste ao longo de minutos, horas e às 
vezes até dias.
• Traço: característica intrínseca que dura não só dias, mas pode 
permanecer por anos.
• Personalidade: conjunto de qualidades que abarcam específicos 
traços e estilos emocionais.
Ao reconhecer os estilos emocionais conseguimos não só prever a 
reação a determinado acontecimento, mas controlá-la de certa maneira. 
Assim, você conseguirá se adaptar aos acontecimentos assertivamente e 
poderá entender como trabalhar determinada situação com os alunos. 
Davidson (2013) divide o estilo emocional em seis dimensões, a saber:
• Resiliência: velocidade com que nos recuperamos de um 
acontecimento.
• Atitude: quantidade de tempo na qual permanecemos positivos.
• Intuição social: empatia, habilidade para perceber os outros.
• Autopercepção: perceber as reações do corpo para cada emoção 
sentida.
• Sensibilidade ao contexto: adequação das emoções ao meio onde 
vive.
• Atenção: concentração clara e proeminente.
Já os traços referem-se à combinação de estilos:
Quadro 3 – Dimensões dos traços
Traço Combinações
Impulsividade Baixa atenção + baixa percepção
12
Paciência Alta autopercepção + alta sensibilidade ao contexto
Timidez Baixa resiliência + baixa sensibilidade ao contexto
Ansiedade Baixa resiliência + baixa atitude + baixa 
autopercepção + baixa atenção
Otimismo Alta resiliência + alta atitude
Infelicidade cônica Baixa resiliência + baixa atitude
Fonte: elaborado pela autora.
Agora que você já verificou sobre as definições, que tal abordar 
as habilidades e competências da inteligência emocional (IE)? 
Atualmente, o teórico mais citado quando falamos em inteligência 
emocional é Daniel Goleman (2018). O pesquisador afirma que os 
estilos emocionais estão ligados diretamente à IE, à autopercepção e 
à atitude, por exemplo, estão descritas em ambos os conceitos:
Existem conexões claras entre esses estilos baseados no cérebro e as 
competências da inteligência emocional. Autopercepção e atitude são 
ambos estilos emocionais e competências de inteligência emocional. 
A resiliência está no cerne das competências de adaptabilidade e 
equilíbrio emocional da inteligência emocional. As competências de 
relacionamento tão cruciais para uma liderança eficaz dependem, em 
certa medida, da intuição social e da sensibilidade ao contexto. E a 
atenção desempenha um papel essencial para o desenvolvimento de 
outras forças em qualquer competência de inteligência emocional. 
(GOLEMAN, 2018, tradução nossa)
A aprendizagem emocional emerge como proposta educacional, 
inclusive na proposta Educação para o século XXI da UNESCO. As 
habilidades socioemocionais estão presentes nas dez competências 
gerais da BNCC. Em 1994, Goleman e outros teóricos criaram a 
Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning (CASEL) para 
a promoção dessas habilidades nas escolas. Assim, a Aprendizagem 
social e emocional ou Social and Emotional Learning (SEL) baseia-se em 
cinco macrocompetências:
13
Figura 2 – Roda CASEL
Fonte: adaptada de Casel [s.d.].
Essas macrocompetências, por sua vez, possuem subdivisões:
• Autogestão: controle de impulsos, gerenciamento do estresse; 
definição de metas; habilidades organizacionais; autodisciplina, 
automotivação.
• Tomada de decisão responsável: responsabilidade ética, 
identificação de problemas, resolução de problemas, análise de 
situações, avaliação, reflexão.
• Habilidades de relacionamento: comunicação, trabalho em equipe, 
compromisso social, construção de relacionamento.
• Consciência social: entendimento de perspectivas, valorização da 
diversidade, respeito pelos outros, empatia.
14
• Autoconsciência: reconhecimento dos pontos fortes, identificação 
de emoções, autopercepção, autoconfiança, autoeficácia.
Em sala de aula, você pode incentivar conversas sobre as emoções, 
aplicar atividades de socialização, acolher e amparar os alunos quando 
necessário, ensinar a lidar com a frustração e estimular a empatia entre 
os estudantes.
Nesta aula, pudemos compreender que considerar os estilos de 
aprendizagem e as habilidades socioemocionais dos estudantes permite 
ampliar o repertório de estratégias metodológicas, possibilitando o 
desenvolvimento dos estudantes de maneira integral, conforme o que 
consta na BNCC.
Referências
ABED, A. L. Z. O desenvolvimento das habilidades socioemocionais como 
caminho para a aprendizagem e o sucesso escolar de alunos da educação 
básica. São Paulo: MEC, 2014.
ABED, A. L. Z. O desenvolvimento das habilidades socioemocionais como caminho 
para a aprendizagem e o sucesso escolar de alunos da educação básica. Constr. 
Psicopedag., [on-line], v. 24, n. 25, p. 8-27, 2016.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 
2018.
CASEL. What is the CASEL framework? Casel, [s.d.]. Disponível em: https://casel.org/
fundamentals-of-sel/what-is-the-casel-framework/#self-management. Acesso em: 9 
mar. 2022.
DAVIDSON, R. J. O estilo emocional do cérebro: como o funcionamento cerebral 
afeta sua maneira de pensar, sentir e viver. Rio de Janeiro: Sextante, 2013.
FAGALI, E. Q. A relação afetiva na situação de aprendizagem: diferentes significados 
e formas de atuações. Revista Diálogo Educacional, [s.l.], v. 7, n. 20, p. 51-64, jul. 
2007.
FAGALI, E. Q. Desenvolvimento infantil facilitação do meio (holding): violências, 
resiliência e estilos cognitivo-afetivos. Rev. Psicopedagogia, [s.l.], v. 26, n. 80, p. 175-
187, 2009.
https://casel.org/fundamentals-of-sel/what-is-the-casel-framework/#self-management
https://casel.org/fundamentals-of-sel/what-is-the-casel-framework/#self-management
15
GOLEMAN, D. What‘s Your Emotional Style? Part 2. LinkedIn Pulse, 2018. Disponível 
em: https://www.linkedin.com/pulse/whats-your-emotional-style-part-2-daniel-
goleman. Acesso em: 9 mar. 2022.
LA TAILLE, Y. de; DANTAS, H.; OLIVEIRA, M. K. de. Piaget, Vygotsky e Wallon. São 
Paulo: Summus, 1992.
PIAGET, J.; INHELDER, B. A psicologia da criança. 11. ed. Rio de Janeiro: Bertrand 
Brasil, 1990.
https://www.linkedin.com/pulse/whats-your-emotional-style-part-2-daniel-goleman
https://www.linkedin.com/pulse/whats-your-emotional-style-part-2-daniel-goleman
16
Projetos educacionais: estrutura e 
organização
Autoria: Michele Aparecida Cerqueira Rodrigues
Leitura crítica: Neide Rodriguez Barea
Objetivos
• Compreender as bases teóricas que sustentam a 
construção de projetos educacionais.
• Conhecer as etapas da construçãode projetos no 
campo da educação visando à aprendizagem ativa.
• Desenvolver as competências socioemocionais por 
meio de projetos educativos.
17
1. A importância dos projetos educacionais
Todo mundo, alguma vez na vida, já fez um projeto, seja para pintar a 
casa, para comprar um carro, para viajar etc. Basicamente, um projeto é 
composto pela ideia de algo que será realizado, que pode ser um sonho, 
um desejo, uma necessidade, entre outros. (NOGUEIRA, 2008).
Os projetos são importantes para que os alunos possam desenvolver 
habilidades importantes, como autogestão e trabalho em grupo, de uma 
forma envolvente e prazerosa para eles. A contextualização permite uma 
abordagem onde problemas cotidianos são trazidos à tona, o que facilita 
a compreensão e a aprendizagem.
Então, como é possível aplicá-los em sala? Veremos adiante.
1.1 Tipos de projetos na educação
Em qualquer tipo de projeto é importante compreender as habilidades 
e competências que estão sendo desenvolvidas ao longo do processo 
de realização. Quais são essas habilidades? Podemos citar: aprender a 
seguir instruções, criatividade, trabalho em grupo, empatia, liderança 
etc. Você também pode criar uma lista de avaliação com rubricas pré-
definidas que estejam claras, também, para os estudantes.
Muito provavelmente você já sabe do que se trata, pois é possível encontrar 
várias denominações para eles: aprendizagem baseada em problemas, 
aprendizagem investigativa, aprendizagem por descoberta, STEAM etc. 
Contudo, trata-se da mesma abordagem que permite a resolução prática 
de problemas. Segundo Bender (2014, p. 16), aprendizagem baseada em 
projetos (ABP) pode ser definida como sendo a:
[...] utilização de projetos autênticos e realistas, baseados em uma questão, 
tarefa ou problema altamente motivador e envolvente, para ensinar 
18
conteúdos acadêmicos aos alunos no contexto do trabalho cooperativo 
para a resolução de problemas.
Os projetos podem ou não ter uma meta específica, criada pelo 
professor, ou uma construção feita pelos alunos, incluída no escopo 
dos projetos. Vamos conhecer alguns tipos de projetos que podem ser 
utilizados em sala de aula:
Projetos temáticos ou de trabalho (NOGUEIRA, 2008) - Processo 
coletivo que visa trabalhar um tema específico. Aqui trabalhamos projetos 
desenvolvidos pelos próprios alunos com orientação do professor. A 
construção deles pode ser feita a partir da junção de tarefas de casa e de 
tarefas feitas em sala de aula, o que permite uma longa duração.
Projeto de ensino - Tem desenho majoritariamente dentro de uma 
disciplina específica, porém, pode ser interdisciplinar. Relativo à área 
educacional, eles são desenhados com o intuito de melhorar os processos 
de aprendizagem e possibilitar uma inovação nas práticas pedagógicas.
Projetos de desenvolvimento - É a criação de algum produto, serviço ou 
atividade. Oriundo de empresas, possibilita que os estudantes desenvolvam 
alguma criação com o foco em problemas cotidianos que podem ter 
aplicação prática na comunidade escolar.
Projetos de pesquisa - A principal função é adquirir conhecimento de um 
determinado assunto ou problema. Possibilita que os estudantes deem 
um foco maior a determinado tema, onde eles, por meio de verificação 
experimental, irão encontrar soluções para determinados problemas.
Projeto de intervenção - Propõe a modificação de algo dentro da 
comunidade escolar para resolver um problema específico previamente 
identificado. Possui exclusivamente um caráter de criações que interajam 
com o meio onde o estudante está inserido, ou seja, desenvolve melhorias 
para sanar possíveis dificuldades previamente detectadas.
19
Dessa forma, o que devemos considerar é que a principal diferença 
entre os projetos educacionais e os demais é que o foco da aplicação 
tem um cunho na aprendizagem e no desenvolvimento de habilidades 
e competências nos estudantes. Contudo, a maior parte deles são 
aplicáveis fora da sala de aula, inclusive o de ensino. Você pode, por 
exemplo, utilizá-lo para a formação de novos colaboradores de uma 
organização ou até mesmo da escola.
1.2 Projetos e competências socioemocionais
Mas quais as vantagens em aplicar a ABP na escola?
Inúmeras são as vantagens desde a aquisição e desenvolvimento de 
habilidades e competências socioemocionais até o aprofundamento em 
temas científicos. Para Bacich e Holanda (2020, p. 33), as habilidades do 
século XXI são importantes para a vida do estudante na totalidade.
Os autores completam que, para isso, devemos nos basear em algumas 
premissas: investigação contínua, autenticidade, dar voz e oportunidade 
de escolha ao estudante, reflexão, crítica e revisão, apresentar ao 
público e questões ou problemas motivadores. E isso inclui as metas 
de aprendizagem compostas por conhecimentos fundamentais, 
compreensão e habilidades de sucesso.
As competências socioemocionais estão entre as habilidades para o 
século XXI, onde os estudantes serão preparados de forma integral, ou 
seja, serão desenvolvidas competências e habilidades extraclasse:
Competência socioemocional é a capacidade de entender, gerenciar e 
expressar os aspectos sociais e os aspectos emocionais da vida de uma 
maneira que permita o gerenciamento bem-sucedido de tarefas da vida, 
como aprender, formar relacionamentos, resolver problemas do dia a dia 
e adaptar-se às demandas complexas de crescimento e desenvolvimento. 
(ELIAS et al., 1997 apud BACICH; HOLANDA, 2020, p. 173).
20
Portanto, as habilidades específicas dessa seara são possivelmente 
desenvolvidas durante a confecção dos projetos em sala de aula. A 
autoconsciência, a autogestão, a tomada de decisão responsável, as 
habilidades de relacionamento e a consciência social são tranquilamente 
apresentadas nas atividades por vezes de maneira intrínseca, outras por 
interferência do professor.
Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), todas as dez competências 
gerais incluem alguma socioemocional incutida utilizada para a 
resolução de problemas (BRASIL, 2018).
2. Organizando e estruturando projetos 
educacionais
Qualquer projeto que se preze precisa de organização e estruturação, 
pois essas características são primordiais para a execução. As 
características principais são a indicação de objetivos, temporalidade, 
exclusividade, estabelecimento de recursos e problemas.
Durante o processo, lembre-se que o professor tem papel de mediador 
ou facilitador, ou seja, ele apresenta as informações norteadoras, tira 
dúvidas, dá dicas de melhorias, incentiva a criatividade e o trabalho em 
grupo etc. Para Nogueira (2008, p. 99), o professor facilitador é aquele 
que “auxilia o acesso dos alunos às fontes de conhecimento, como, 
por exemplo, questionando sobre o que eles precisam, e assim, juntos, 
busquem as informações em processos de pesquisa [...]”.
Assim, sua função é definir a intenção com aquela atividade, caso 
contrário, será difícil mensurar o resultado. Tenha em mente o que se 
espera dos alunos, os motivos pelos quais a tarefa está sendo realizada, 
os objetivos a serem alcançados. Por isso, é importante a utilização de 
rubricas como já mencionado anteriormente.
21
2.1 Organização de um projeto
Desenhar o processo de desenvolvimento de uma habilidade ou 
competência é função do professor e cabe a ele escolher a metodologia e 
atividades utilizadas. Para isso, é preciso entender as melhorias a serem 
feitas no processo, como destacam Bacich e Holanda (2020, p. 46):
Os processos de aplicação e avaliação da prática docente servem como 
forma de aprimorar as estratégias que serão empregadas para se alcançar 
os objetivos de aprendizagem em um projeto. Em muitos casos, esses 
aprendizados estão relacionados com a pesquisa-ação, ou seja, um 
processo cíclico, que surge de hipóteses sobre estratégias de trabalho, e 
uma constante reformulação do planejamento e da prática docente.
Ademais, o tipo de organização do projeto é que vai definir as ações 
que serão de responsabilidade do processo, os objetivos e o tipode 
avaliação aplicada. Para isso ser possível, podemos optar por um 
modelo de organização baseado nas especificidades da escola, da turma, 
do conteúdo, das habilidades e das competências socioemocionais que 
serão desenvolvidas e aplicadas. Inicialmente, escolha em qual categoria 
o projeto se encaixa:
Multidisciplinar - Várias disciplinas trabalham o mesmo assunto 
separadamente, não há integração de resultados. Portanto, haverá 
vários projetos de um tema comum.
Figura 1 – Multidisciplinar
Fonte: elaborada pela autora.
Pluridisciplinar - Semelhante à anterior, porém, agora pode haver 
algum tipo de cooperação entre algumas disciplinas. Contudo, os 
projetos permanecem separados.
22
Figura 2 – Pluridisciplinar
Fonte: elaborada pela autora.
Interdisciplinar - Disciplinas distintas trabalham em conjunto em 
um determinado tema com um mesmo produto final. É uma ação 
coordenada com um único objetivo.
Figura 3 – Interdisciplinar
Fonte: elaborada pela autora.
Transdisciplinaridade - Ele transcende o que entendemos por disciplina 
e trabalha de maneira totalmente cooperativa, sem distinção. Todos 
contribuem para um produto final sem divisões aparentes.
Figura 4 – Transdisciplinar
Fonte: elaborada pela autora.
23
Após decidir o estilo de desenvolvimento da aprendizagem, defina os 
objetivos pedagógicos no plano de aula. O tema em si deve considerar a 
questão norteadora que tem por base a atualidade e contextualização. 
Ela pode ser criada pelo professor ou com a ajuda dos alunos, 
analisando o entorno. Por característica, ela não é respondida facilmente 
com uma simples pesquisa, necessita de aprofundamento e deve 
instigar e estimular os estudantes (BACICH; HOLANDA, 2020).
Agora o passo é pesquisar o conteúdo com o intuito de verificar 
as lacunas dos estudantes em relação ao exposto, analisando e 
aprofundando os conceitos que serão necessários para que os 
estudantes executem o projeto. O compartilhamento de informações 
acerca dos resultados encontrados é primordial para que todos 
alcancem uma base acerca do tema (BACICH; HOLANDA, 2020).
A partir daqui, os estudantes já possuem os recursos principais, 
conseguindo aprofundar no tema e estruturar as etapas para criar o 
plano de ação. Veremos isso no próximo tópico.
2.2 Estrutura de um projeto
A estrutura de um projeto é a espinha dorsal de como os processos 
serão executados. Resumidamente, ela é composta da seguinte maneira 
(NOGUEIRA, 2007):
Escolha do tema - Sem ele não há projeto. Pode ser escolhido em 
conjunto com os estudantes, pelo professor ou pela escola. Vai 
depender do tipo de atividades e dos objetivos pedagógicos por trás.
Planejamento - Momento em que o projeto é estruturado, onde 
as ideias principais são apresentadas, as ações são descritas e as 
responsabilidades são definidas. Durante a evolução dessa etapa, os 
estudantes devem responder às perguntas: o quê? (ações), por quê? 
24
(motivo), como? (meio), quando? (temporalidade), quem? (participantes) 
e quais? (recursos).
Execução - As ações descritas anteriormente são colocadas em prática.
Depuração - Adequações poderão ser efetuadas de acordo com o 
andamento das ações e das análises do grupo em relação à produção já 
realizada.
Apresentação - É a finalização do projeto onde serão apresentados os 
resultados do processo por meio das descobertas, hipóteses, criações e 
conclusões obtidas.
Avaliação - A construção apresentada pode ser ou não reformulada 
de acordo com a devolutiva dos participantes do grupo, usuários do 
produto/serviço, professor ou comunidade escolar.
As etapas aqui apresentadas podem ser trabalhadas de maneira única 
ou cíclica, vai depender dos objetivos pedagógicos elencados pelo 
professor. Quanto à avaliação do projeto em si e das competências 
e habilidades adquiridas pelos alunos, fica a critério do professor a 
maneira como ela será aplicada. Por tratar-se de um projeto, aconselha-
se que ela seja parte contínua, durante o processo, aliada à avaliação 
do produto final. A utilização de fichas de observação, individuais ou em 
grupo, ajudam bastante.
Independentemente do tipo ou organização do projeto, o papel do 
professor é um momento em que você orienta as atividades a fim de 
aprimorar as áreas que precisam ser fortalecidas em seus alunos. E 
mais do que isso, uma atividade de aprendizagem baseada em projetos 
oferece uma oportunidade de desenvolver habilidades e competências, 
e hábitos relevantes para a vida futura, seja ela no âmbito profissional 
ou pessoal.
25
Referências
BACICH, L.; HOLANDA, L. STEAM em sala de aula: a aprendizagem baseada em 
projetos integrando conhecimentos na educação básica. Porto Alegre: Penso, 2020.
BENDER, W. N. Aprendizagem baseada em projetos: educação diferenciada para 
o século XXI. Porto Alegre: Penso, 2014.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 
2018.
NOGUEIRA, N. R. Pedagogia dos projetos: etapas, papéis e atores. 4. ed. São Paulo: 
Érica, 2008.
NOGUEIRA, N. R. Pedagogia dos projetos: uma jornada interdisciplinar rumo ao 
desenvolvimento das múltiplas inteligências. 7. ed. São Paulo: Érica, 2007.
26
Desenvolvendo projetos 
socioemocionais na infância
Autoria: Michele Aparecida Cerqueira Rodrigues
Leitura crítica: Neide Rodriguez Barea
Objetivos
• Construir projetos que enfoquem o desenvolvimento 
das competências socioemocionais.
• Estruturar projetos a partir das dez competências 
gerais da Base Nacional Comum Curricular.
• Estimular a autonomia, a criatividade e a 
responsabilidade, na primeira e na segunda 
infâncias, por meio de projetos.
27
1. Construindo projetos socioemocionais na 
educação infantil e nos anos iniciais do ensino 
fundamental
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) nos promove uma 
estruturação de conteúdos e habilidades que necessitam ser aplicados 
na educação básica. Entre as habilidades, estão as socioemocionais que 
são importantíssimas para a formação integral do estudante.
Dessa forma, trabalhar com projetos pode ser uma excelente estratégia 
metodológica, pois possibilita a aplicação de mais de uma habilidade ao 
mesmo tempo.
Mas, antes de aprender sobre como aplicá-las, é importante retomar os 
principais aspectos de cada fase do desenvolvimento da infância. Vamos lá?
1.1 Conceitos sobre as infâncias
O ser humano possui fases de desenvolvimento ao longo da vida. A 
divisão etária depende do teórico estudado, uma vez que, para cada 
um deles, as fases estão atreladas ao campo de estudo. Jean Piaget, 
por exemplo, investigou o desenvolvimento cognitivo, Erik Erikson 
dedicou-se a estudar o desenvolvimento psicossocial e Sigmund Freud, o 
desenvolvimento psicossexual
Papalia e Feldman (2013) apresentam oito períodos do desenvolvimento 
humano, de maneira geral: período pré-natal (concepção até 
nascimento), primeira infância (0 a 3 anos), segunda infância (3 a 6 anos), 
terceira infância (6 a 12 anos), adolescência (12 a ≈ 20 anos), vida adulta 
(20 a 40 anos), vida adulta intermediária (40 a 65 anos), vida adulta tardia 
(65 anos em diante).
28
Figura 1 – Fases do desenvolvimento humano
Fonte: https://www.gratispng.com/png-sh16sr/. Acesso em: 22 jan. 2022.
Contudo, a infância é a fase mais importante da vida de qualquer ser 
humano onde são formados os três domínios do desenvolvimento: 
físico (“crescimento do corpo e do cérebro, as capacidades sensoriais, 
as habilidades motoras e a saúde”), cognitivo (“aprendizagem, atenção, 
memória, linguagem, pensamento, raciocínio e criatividade”) e psicossocial 
(“emoções, personalidade e relações sociais”) (PAPALIA; FELDMAN, 2013). 
Vamos fazer um paralelo com as teorias de Piaget e Freud:
Quadro 1 – Comparações entre as etapas de desenvolvimento da 
infância
Papalia e 
Feldman
(2013)
Piaget
(GRUBER; 
VONÈCHE, 1977)
Freud
(1984)
Erikson
(ALVES, 2020)
Primeira infância
0 a 3 anos
Sensório-motor
0 a 2 anos
Fase oral
0 a 1 ano
Fase anal
1 a 3 anos
Confiança x 
Desconfiança
0 a 2 anos
Autonomia x 
Vergonha e Dúvida
2 a3 anos 
Segunda infância
3 a 6 anos
Pré-operatório
2 a 7 anos
Fase fálica
3 a 5 anos
Iniciativa x Culpa
4 a 5 anos
https://www.gratispng.com/png-sh16sr/
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Terceira infância
6 a 12 anos
Operatório concreto
8 a 12 anos
Período de latência
5 anos à puberdade
Diligência x 
Inferioridade
6 a 11 anos
Fonte: elaborado pela autora.
Alguns fatores podem interferir no desenvolvimento como 
hereditariedade, crescimento orgânico, maturação neurofisiológica 
e meio ambiente. As idades apresentadas diferem entre as teorias, 
contudo, em sua maioria, possuem faixa etária similar. Lembre-se que 
os domínios estão sempre interligados, no entanto, é possível que haja 
diferença no desenvolvimento em domínios específicos. Por exemplo, 
a criança pode ter um déficit físico com desenvolvimento cognitivo e 
psicossocial típico.
1.2 Características emocionais
Como vimos no item anterior, o desenvolvimento acontece por fases, 
até mesmo no que se refere ao âmbito emocional (PAPALIA; FELDMAN, 
2013).
1ª infância – As crianças fortalecem os vínculos afetivos com os 
responsáveis e cuidadores, além de ocorrer também o desenvolvimento 
da autoconsciência, da autonomia e das relações interpessoais.
2ª infância – As crianças desenvolvem a compressão das emoções e 
a autoestima, aumentam a autonomia e o autocontrole, reconhecem 
a identidade de gênero e, rompantes de temor, altruísmo e raiva são 
comuns.
3ª infância – As crianças desenvolvem um autoconceito mais complexo 
que pode afetar diretamente a autoestima, a autorregulação e o 
fortalecimento das relações interpessoais.
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Você já ouviu falar em Winnicott? Pediatra e psicanalista inglês, Donald 
Woods Winnicott estudou sobre o desenvolvimento emocional dos 
bebês. A primeira infância, então, é composta por três fases: absoluta 
(o bebê é completamente dependente do ambiente), relativa (o bebê 
começa a entender o ambiente, mas ainda é dependente de um 
cuidador), rumo à independência (o bebê tem relacionamento pleno 
com o meio).
Na segunda e terceira infâncias, podemos nos balizar pela compreensão 
emocional (MOREIRA; ABREU; RIQUE NETO, 2012):
Nível externo (fácil)
Reconhecimento (3 a 4 anos) – Entende e nomeia as emoções básicas.
Lembranças (3 a 6 anos) – Entende o efeito das lembranças nas emoções.
Causa externas (3 a 4 anos) – Entende o efeito das causas externas nas 
emoções.
Nível mental (intermediário)
Crenças (4 a 6 anos) – Entende o efeito das crenças sobre as emoções, 
sejam elas falsas ou verdadeiras.
Desejo (3 a 5 anos) – Entende o efeito dos desejos na reação emocional 
alheia.
Mascaramento (4 a 6 anos) – Entende que existe diferença entre o 
sentimento vivido e o expressado.
Nível reflexivo (difícil)
Moralidade (≈ 8 anos) – Entende os efeitos das emoções em 
comportamentos.
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Regulação (6 a 7 anos) – Cria estratégias para controlar as emoções.
Ambivalência (≈ 8 anos) – Entende que é possível sentir várias emoções 
em uma mesma situação.
Em todas as etapas, há a compreensão das emoções. Assim, podemos 
atrelar cada uma delas ao desenvolvimento de projetos direcionados 
que veremos no próximo item.
2. Como desenvolver projetos socioemocionais 
para crianças
Na seção anterior, resgatamos pesquisadores que se dedicaram a 
estudar as fases do desenvolvimento humano e que destacam a 
evolução das emoções em cada fase. Mas, por que isso é importante?
Quando entendemos como funciona o processo de evolução 
conseguimos adequar as atividades e projetos educacionais de maneira 
apropriada e efetiva. Assim, devemos respeitar até onde podemos 
ir com aquele determinado conteúdo, evitando incompreensões e 
frustrações. Agora, que tal aprender a criar projetos para desenvolver as 
emoções? Vamos lá!
Educação infantil (0 a 6 anos)
 a. Termômetro das emoções
Objetivo: permitir que as crianças identifiquem e reflitam sobre o que 
sentem.
Materiais: papel cartolina, lápis de cor, um pregador de roupa ou clips.
32
Desenvolvimento: cada criança deve cortar o papel em formato de 
retângulo, semelhante a um marcador de livros. Peça que elas desenhem 
uma escala com cinco traços e na frente de cada um deles um emoji com 
emoções diferentes. Você pode padronizar uma escala que vai de emoções 
mais positivas para as mais negativas. Todos os dias eles devem marcar a 
emoção que estão sentindo com a ajuda do pregador ou do clip. Peça que 
deixem o termômetro em cima da carteira.
 b. Histórias com emoção
Objetivo: reconhecer as emoções nos outros e em si mesmo.
Materiais: livro paradidático, de preferência escolhido em conjunto com 
as crianças.
Desenvolvimento: durante a leitura das histórias, faça pausas quando 
possível, e pergunte aos alunos como os personagens se sentem nas 
situações contadas. Você também pode antever as perguntas antes de 
dar o desfecho: “Como será que a chapeuzinho irá se sentir ao encontrar 
o lobo?”
 c. Música das emoções
Objetivo: reconhecer as emoções internas causadas por estímulo 
auditivo.
Materiais: músicas variadas.
Desenvolvimento: coloque diversas músicas para os alunos ouvirem, em 
cada uma delas pergunte: “Como você se sente ao ouvir essa música? 
Por quê?”
 d. O bom samaritano
Objetivo: trabalhar a empatia e o relacionamento interpessoal.
33
Materiais: papel e lápis.
Desenvolvimento: explique aos alunos a importância de ajudar os 
outros. Pergunte se eles costumam ajudar alguém, se a resposta for 
positiva, complemente com quem e como. Diga que eles terão como 
missão durante uma semana ajudar uma pessoa. Todos os dias eles 
devem fazer a seguinte anotação: nome de quem ajudou, como ajudou e 
como se sentiu. Na segunda-feira seguinte, após a semana da atividade, 
faça uma roda de conversa para colher as impressões.
Ensino fundamental anos iniciais (6 a 11 anos)
 a. Baralho da calma
Objetivo: praticar a autogestão emocional.
Materiais: papel, lápis de cor, tesoura e régua.
Desenvolvimento: cada criança fará uma carta do jogo de baralho. Peça 
que elas cortem um retângulo em formato de carta de baralho. De um 
lado escreva “Eu posso me acalmar quando...” e do outro a estratégia 
para se acalmar: balanço os pés, pensando no que dizer, contando até 
10, respirando fundo etc. O baralho pronto deve ficar na sala de aula, 
disponível para os alunos e quando alguém se sentir nervoso pega uma 
das cartas do baralho e faz a ação descrita.
 b. Meditando
Objetivo: praticar atividades de relaxamento, entrando em contato 
com o interior, permitindo que os pensamentos fluam livremente sem 
julgamentos.
Desenvolvimento: pratique meditação com os alunos. Inicie perguntando 
se eles já ouviram falar e abre espaço para que eles apresentem suas 
conclusões. Explique que ele serve para nos conectarmos com nós 
34
mesmos a partir de exercícios de respiração. Caso você não entenda 
ou nunca tenha feito meditação, leia o artigo Meditação para crianças: 
como ensinar seus filhos a perceber a mente disponível no blog Vittude 
(BATTISTELLI, 2018).
 c. Mudando a história
Objetivo: praticar a empatia e o autoconhecimento.
Materiais: livro paradidático, de preferência escolha junto com os alunos.
Desenvolvimento: durante a leitura das histórias, faça pausas quando 
possível, e pergunte aos alunos o que eles fariam se estivessem no lugar 
dos personagens. Analise as diferentes situações durante a aula.
 d. Me dá uma ajuda?
Objetivo: incentivar as relações interpessoais, autoconhecimento e 
empatia.
Desenvolvimento: incentive os alunos a sempre que precisarem de ajuda 
levantarem a mão. Quando isso acontecer, peça que eles expliquem do 
que precisam e verifique quem pode ajudá-los.
 e. Diário da gratidão
Objetivo: permitir o autoconhecimento, a gratidão e o existencialismo.
Materiais: caderno pequeno, lápis de cor.
Desenvolvimento: no começo do ano, peça que os alunos customizem 
seu diário da gratidão como quiserem. Nele, eles devem escrever dois 
motivos pelos que são gratos e o porquê, diariamente.
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 f. Varal dos sonhos
Objetivo: permitir o desenvolvimento de um projeto de vidapor meio do 
autoconhecimento.
Materiais: papel, lápis de cor.
Desenvolvimento: peça que as crianças desenhem o seu maior sonho 
no papel. Depois disso, pendure os desenhos produzidos em um varal 
dentro da sala de aula. Ao final da atividade, peça que os estudantes 
descrevam sobre como foi desenvolver a atividade.
Além dessas atividades você pode criar projetos temáticos falando 
de propósito de vida, sonhos, pertencimento, bullying, solidariedade, 
diversidade, preconceito, violência, amizade, família etc. Abra espaço 
para que as emoções possam ser expostas e nomeadas. Em situações 
de discórdia em sala, incentive a conversa e a comunicação não 
violenta.
Isso fará com que os estudantes se desenvolvam e entendam 
quais são os limites próprios e os dos demais colegas. Isso ajuda a 
incentivar a empatia, as relações interpessoais, o trabalho em grupo, o 
autoconhecimento, entre outras habilidades socioemocionais.
Espero que você tenha aproveitado bastante esta Leitura Digital e possa 
refletir como o papel do professor é importante hoje em dia, apoiando 
os alunos no desenvolvimento das competências socioemocionais.
Referências
ALVES, L. M. Erik Erikson: os estágios psicossociais do desenvolvimento. Ensaios 
e Notas, jun. 2020. Disponível em: https://ensaiosenotas.com/2020/06/13/erik-
erikson-os-estagios-psicossociais-do-desenvolvimento/. Acesso em: 14 mar. 2022.
https://ensaiosenotas.com/2020/06/13/erik-erikson-os-estagios-psicossociais-do-desenvolvimento/
https://ensaiosenotas.com/2020/06/13/erik-erikson-os-estagios-psicossociais-do-desenvolvimento/
36
BATTISTELLI, J. Meditação para crianças: como ensinar seus filhos a perceber a 
mente. Vittude, 2018. Disponível em: https://www.vittude.com/blog/meditacao-
para-criancas-como-ensinar-seus-filhos-perceber-mente/. Acesso em: 14 mar. 2022.
FREUD, S. Resumo das obras completas. São Paulo: Livraria Atheneu, 1984.
GRUBER, H. E.; VONÈCHE, J. J. The essential Piaget. London: Routledge e Kegan 
Paul, 1977.
Moreira, P. de L.; Abreu, E. L. de; Rique Neto, J. Influência da idade e do contexto 
socioeducacional na compreensão emocional de crianças. Estudos de Psicologia, 
Campinas, v. 29, n. 1, p. 761-767, 2012.
PAPALIA, E. D.; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento Humano. 12. ed. Porto Alegre: 
AMGH, 2013.
https://www.vittude.com/blog/meditacao-para-criancas-como-ensinar-seus-filhos-perceber-mente/
https://www.vittude.com/blog/meditacao-para-criancas-como-ensinar-seus-filhos-perceber-mente/
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Desenvolvendo projetos 
socioemocionais na adolescência
Autoria: Michele Aparecida Cerqueira Rodrigues
Leitura crítica: Neide Rodriguez Barea
Objetivos
• Construir projetos que enfoquem o desenvolvimento 
das competências socioemocionais.
• Criar projetos estruturados a partir das dez 
competências gerais da Base Nacional Comum 
Curricular.
• Estimular a autonomia, a criatividade e a 
responsabilidade, na primeira e na segunda 
infâncias, por meio de projetos.
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1. Construindo projetos socioemocionais nos 
anos finais do ensino fundamental e no ensino 
médio
Partir do pressuposto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), 
onde as habilidades socioemocionais estão presentes em todas as 
competências gerais. Dessa forma, para atingir, de maneira efetiva, 
essas habilidades a aprendizagem precisa ser contextualizada.
Para isso, a inclusão de projetos nas práticas pedagógicas é interessante. 
Especificamente no ensino médio, com a nova configuração, muitos 
municípios disponibilizaram aos seus professores materiais de apoio 
para o desenvolvimento dos projetos de vida e itinerários formativos.
Que tal conhecermos mais sobre projetos na adolescência?
1.1 Conceitos sobre a adolescência
O desenvolvimento humano é composto por oito fases (PAPALIA; 
FELDMAN, 2013) das quais temos o período pré-natal (concepção 
até nascimento), três infâncias (compreendidas entre 0 e 12 anos), 
a adolescência (de 12 a aproximadamente 20 anos) e a vida adulta, 
também dividida em três fases (20 anos até a morte).
A adolescência é o período em que ocorrem mudanças bruscas e 
profundas no desenvolvimento físico (crescimento e maturidade 
reprodutiva), cognitivo (imaturidade parcial permanece em algumas 
atitudes), pensamento abstrato, preparação para a vida adulta) e 
psicossocial (busca pela identidade, influência de pares) (PAPALIA; 
FELDMAN, 2013). Vários teóricos estudaram as fases de cada uma 
dessas vertentes, como observamos no quadro a seguir:
39
Quadro 1 – Comparações entre as etapas de desenvolvimento da 
adolescência
Papalia e 
Feldman
(2013)
Piaget
(GRUBER; 
VONÈCHE, 1977)
Freud
(1984)
Erikson
(ALVES, 2020)
Adolescência
12 a ≈ 20 anos
Operatório Formal
A partir dos 12 anos
Fase genital
Puberdade à 
vida adulta
Identidade x 
Confusão de 
Identidade
12 a 18 anos
Fonte: elaborado pela autora.
Há várias classificações diferentes quanto à faixa etária. A Organização 
Mundial da Saúde (OMS) entende o período da adolescência entre 10 
e 19 anos; no Estatuto da Criança e do Adolescente, a adolescência 
aparece na idade entre 12 e 18 anos. Aqui usaremos a escala de Papalia 
e Feldman (2013), semelhante à dos outros teóricos estudados, que 
compreende a faixa dos 12 a aproximadamente 20 anos.
Alguns autores ao invés de idade utilizam puberdade para se referir 
ao início da fase da adolescência. Ela se refere ao período de transição 
entre a infância e a adolescência, pode ocorrer entre 8 e 13 anos e se 
dá por mudanças como menarca nas meninas, e alteração de voz nos 
meninos, entre outras características específicas.
Independentemente da classificação, a época da adolescência propicia 
descobertas, na vida sexual e social, principalmente. Contudo, os 
adolescentes assumem maiores riscos com altas taxas de mortalidade 
e suicídio. Em épocas de redes sociais virtuais e relações pessoas mais 
instáveis, o professor é um dos personagens mais importantes na vida 
do jovem e a ele (o professor) cabe um papel de atenção e ação frente a 
situações críticas.
Se você notar algo diferente com seus alunos, é importante acionar seus 
pares (professores) e seus superiores (coordenadores, orientadores, 
diretores) para monitorar e agir frente a situações mais delicadas e 
40
críticas. Comumente, os adolescentes tendem a se comunicar com 
pessoas fora do ambiente familiar quando há conflitos em casa. Fique 
atento para fazer os devidos encaminhamentos. Vamos analisar as 
características emocionais.
1.2 Características emocionais
Você se lembra como agia quando era jovem?
Possivelmente de maneira impulsiva, já que essa é uma das 
características dessa fase. Há uma ebulição afetiva devido à quantidade 
de novidades que ocorrem ao mesmo tempo. Além disso, o cérebro 
permanece em formação, afetando as decisões e gerando tomadas 
impulsivas em todos os âmbitos da vida. As emoções são expressas mais 
instintivamente do que na fase adulta.
É como se eles continuassem crianças em alguns aspectos, porém, 
desenvolvidos em outros. A partir dos 14 anos as semelhanças com os 
adultos começam a aparecer, é exatamente próximo à fase do ensino 
médio onde é o momento em que se recomenda iniciar um estudo para 
a construção do projeto de vida (PAPALIA; FELDMAN, 2013).
O estresse pode aparecer gerando doenças mentais como depressão e 
ansiedade ou transtornos alimentares (anorexia, bulimia). O jovem toma 
um número maior de decisões do que o normal, algumas delas para o 
restante da vida. Assim, é importante reforçar a autoestima, a empatia 
e o autocontrole, que são algumas das competências socioemocionais. 
Desse modo, a criação de projetos que permitam o desenvolvimento 
dessas habilidades é crucial.
Segundo pesquisa feita pelo Instituto de Neurociência UC Gardner, nos 
Estados Unidos, a quantidade de progesterona e estrogênio oscilante 
liberado na adolescência pode, entre outras coisas, gerar crises de 
enxaqueca nas meninas. A boa notícia é que a progesterona age como 
41
amenizador delas, a enxaqueca é fator crítico, pois em casos mais graves 
impossibilitao convívio social normal (SOARES, 2017).
Os valores sociais e a moral estão evoluindo e tendem a se fortalecer 
nessa etapa. Os adolescentes podem ter questionamentos em relação a 
esses temas e colocar em xeque hábitos que até então eram comuns. O 
embate com a família pode, então, ocorrer com frequência.
Para dar suporte aos jovens, podemos:
1. Fortalecer a comunicação: já que ela, por vezes, mostra-se afetada.
2. Falar abertamente sobre as emoções para eles entenderem que 
isso não é uma fraqueza.
3. Nutrir a autorregulação e gerenciar o estresse por meio de 
atividades de relaxamento e mindfulness.
4. Reconhecer as opiniões dos adolescentes e sua experiência de vida.
5. Impor limites sociais, morais e tecnológicos.
6. Expor as diferenças sobre expectativas versus realidade.
7. Conversar sobre todas as diversidades: de cultura às de gênero.
8. Deixar que ele experimente outras perspectivas.
1.3 Como desenvolver projetos socioemocionais para 
adolescentes
O desenvolvimento de projetos socioemocionais para a adolescência 
pode partir das dores e dúvidas dos jovens, o professor pode e deve 
oportunizar momentos para que os adolescentes tragam temas 
interessantes para aprofundamento, debate e pesquisa. Temas como 
mundo do trabalho, combate às drogas e à violência, desigualdades 
42
sociais, diversidade, identidade de gênero são exemplos para a 
criação de projetos engajadores. A seguir, vamos conhecer alguns 
projetos voltados à adolescência que enfocam o desenvolvimento das 
competências socioemocionais:
Projeto: gravidez na adolescência
Ponto de partida: em 2017, o Ministério da Saúde divulgou que entre 
os anos de 2005 e 2015 nasceram 547.564 crianças de mães com idade 
entre 10 e 19 anos sendo a maior taxa de natalidade na região Norte 
com 25,58% seguida por 21,30% no Nordeste, 17,51% no Centro-Oeste, 
15,39% no Sul e 15% no Sudeste. Por consequência, há um índice maior 
de evasão escolar das meninas, probabilidade de bebês prematuros etc. 
Assim, isso se torna um problema tanto social quanto de saúde pública 
(BRITO, 2017).
Objetivo: conscientizar os jovens sobre os riscos de uma gravidez na 
adolescência.
Material de apoio: cartilha Primeira Infância e Gravidez na Adolescência, 
disponível no site Primeira Infância.
Atividades: a escolha da atividade depende do perfil do alunado, pode 
ser teatro, grupos de discussão, estudos de caso, vídeos, campanhas 
educativas, exposições orais, produção de texto, documentários etc.
Projeto: transtornos alimentares
Ponto de partida: os transtornos alimentares são comuns na 
adolescência, principalmente pela influência das mídias sociais e do 
ambiente familiar. Na maior parte dos casos, concomitante aparecem 
transtornos mentais como ansiedade e depressão. Além disso, eles 
causam problemas na saúde e prejuízos sociais, por vezes irreparáveis, 
morte e suicídio (GONÇALVES, 2013).
43
Objetivo: discutir os transtornos alimentares em jovens quanto às suas 
características e fatores de risco.
Material de apoio: cartilha Atenção à saúde do adolescente 
disponibilizada pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais em 2006.
Atividades: a escolha da atividade depende do perfil do alunado, 
pode ser teatro, grupos de discussão, estudos de caso, vídeos, 
campanhas educativas, exposições orais, produção de texto, 
documentários etc.
Projeto: transtornos mentais
Ponto de partida: de acordo com a Revista Veja, a maioria dos 
transtornos mentais ocorrem em média aos 14 anos. A ansiedade 
costuma aparecer aos 13 anos e a anorexia aos 17. A Organização 
Mundial da Saúde estima que 264 milhões de pessoas possuem 
depressão e outras 284 milhões, ansiedade (BRITO, 2021).
Objetivo: discutir os transtornos mentais em jovens quanto às suas 
características e fatores de risco.
Material de apoio: cartilha Saúde Mental de Adolescentes criada pela 
Unicef em parceria com o Instituto Vita Alere.
Atividades: a escolha da atividade depende do perfil do alunado, pode 
ser teatro, grupos de discussão, estudos de caso, vídeos, campanhas 
educativas, exposições orais, produção de texto, documentários etc.
Projeto: mercado de trabalho
Ponto de partida: a população de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil é 
grande, mais de 47 milhões de pessoas. Porém, problemas como altas 
taxas de desemprego, proliferação do trabalho informal, insegurança e 
instabilidade familiar interferem na carreira. A geração Nem-nem (nem 
44
trabalha e nem estuda) cresceu entre 2012 e 2020, representando 29,3% 
do total de jovens. (ROSAS, 2021).
Objetivo: preparar os jovens para o mercado de trabalho através do 
desenvolvimento de competências socioemocionais.
Material de apoio: Cartilha do adolescente trabalhador criada pelo 
Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais em parceria com a Rede 
Cidadã.
Atividades: a escolha da atividade depende do perfil do alunado, pode 
ser teatro, grupos de discussão, estudos de caso, vídeos, campanhas 
educativas, exposições orais, produção de texto, documentários etc.
Projeto: bullying
Ponto de partida: a Faculdade de Medicina de São Paulo revela que 
cerca de 29% dos 2700 adolescentes entrevistados dizem já ter sofrido 
algum tipo de bullying, 15% ter cometido bullying e, o mais grave, 19% 
ter cometido atos de violência contra os pares. A maioria do público que 
sofreu bullying se declara não hétero ou com algum tipo de deficiência. 
Houve uma prevalência do uso de drogas depressoras entre as vítimas 
que sofreram bullying ou violência.
Objetivo: refletir sobre as consequências acarretadas pelo bullying, 
atuando preventivamente.
Material de apoio: cartilha Bullying não é brincadeira criada pela 
Promotoria de Justiça da Infância e da Adolescência de João Pessoa na 
Paraíba.
Atividades: a escolha da atividade depende do perfil do alunado, pode 
ser teatro, grupos de discussão, estudos de caso, vídeos, campanhas 
educativas, exposições orais, produção de texto, documentários etc.
45
Projeto: violência sexual
Ponto de partida: a violência sexual deixa traumas para toda a vida. 
Em 2019, o Disque Denúncia teve um aumento de 14% nos registros 
de violação dos direitos da criança e do adolescente. Especificamente, 
73% dos casos de violência sexual ocorrem na casa da vítima ou do 
suspeito, ou seja, são praticadas por pessoas conhecidas do jovem 
(BRASIL, 2020).
Objetivo: refletir sobre as consequências acarretadas pela violência 
sexual, atuando preventivamente.
Material de apoio: cartilha Não podemos fechar os olhos criada pelo 
Governo do Rio de Janeiro.
Atividades: a escolha da atividade depende do perfil do alunado, pode 
ser teatro, grupos de discussão, estudos de caso, vídeos, campanhas 
educativas, exposições orais, produção de texto, documentários etc.
Qualquer projeto desenvolvido com adolescentes deve priorizar temas 
relacionados ao contexto. Essa fase promove mudanças importantes 
e que por vezes não são entendidas pelos próprios jovens. Cabe aos 
professores essa missão. Liderança, relacionamento interpessoal, 
empatia, solidariedade são competências socioemocionais fundamentais 
para a formação de jovens éticos, saudáveis emocionalmente e 
protagonistas.
Apresente os temas, debata sobre as frustrações e anseios dos alunos, 
a partir dos dados levantados, desenvolva projetos motivadores e 
factíveis, independentemente da disciplina que você leciona. Trabalhe 
em conjunto se achar necessário. A dica é: apenas haja e ajude os jovens 
a se encontrarem, em meio ao turbilhão de mudanças.
46
Referências
ALVES, L. M. Erik Erikson: os estágios psicossociais do desenvolvimento. Ensaios 
e Notas, jun. 2020. Disponível em: https://ensaiosenotas.com/2020/06/13/erik-
erikson-os-estagios-psicossociais-do-desenvolvimento/. Acesso em: 14 mar. 2022.
BRASIL. Ministério divulga dados de violência sexual contra crianças e 
adolescentes. Notícias [online]. Brasília: Governo Federal, 2020.
BRITO, D. Gravidez precoce ainda é alta, mostram dados. Especial cidadania 
[online]. Brasília: Jornal do Senado, 2017.
BRITO, S. Estudo:Maioria dos transtornos mentais surge aos 14 anos. Ciência 
[online]. São Paulo: Revista Veja, 2021.
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https://ensaiosenotas.com/2020/06/13/erik-erikson-os-estagios-psicossociais-do-desenvolvimento/
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	Sumário
	Apresentação da disciplina
	Desenvolvimento das competências socioemocionais
	Objetivos
	1. Desenvolvimento das competências socioemocionais frente à BNCC
	Referências
	Projetos educacionais: estrutura e organização
	Objetivos
	1. A importância dos projetos educacionais
	2. Organizando e estruturando projetos educacionais
	Referências
	Desenvolvendo projetos socioemocionais na infância
	Objetivos
	1. Construindo projetos socioemocionais na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamen
	2. Como desenvolver projetos socioemocionais para crianças
	Referências
	Desenvolvendo projetos socioemocionais na adolescência
	Objetivos
	1. Construindo projetos socioemocionais nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio
	Referências

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