Prévia do material em texto
FUNDAÇÃO EDUCACIONAL SERRA DOS ÓRGÃOS CENTRO UNIVERSITÁRIO SERRA DOS ÓRGÃOS CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA RESUMO DO ACLS - ATIVIDADE AV1 ROTATÓRIO DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA 2 ALUNA: MILENA MUNHOZ DE LUCENA MATRÍCULA: 01024582 TURMA: 100 O curso ACLS (Advanced Cardiac Life Support; Suporte Avançado de Vida) é destinado a profissionais de saúde que participam do tratamento de pacientes vítimas de parada cardiorrespiratória ou que apresentam emergências cardiovasculares, como arritmias, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. O treinamento é baseado na simulação de situações reais em estações práticas, nas quais os profissionais podem aprofundar suas competências tanto como líder quanto como membro de uma equipe de atendimento de emergência de alto desempenho. Parada Cardiorrespiratória Antes de falar sobre o fluxograma de atendimento do Suporte Avançado de Vida, é preciso conceituar a parada cardiorrespiratória (PCR). - Definição A parada cardiorrespiratória é a cessação abrupta da atividade mecânica cardíaca, com consequente interrupção da circulação sanguínea e suprimento de O2 para os órgãos vitais. Dessa forma, um paciente em PCR é um paciente inconsciente, SEM pulso e SEM respiração/gasping. - Conceito Crítico Um conceito crítico é o de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) de alta qualidade – é o pilar do tratamento de qualquer ritmo de parada cardiorrespiratória. Dessa forma, ele se resume a compressões e ventilações eficazes. 1) Compressões Frequência: 100 – 120 / min Profundidade: 5 – 6 cm Retorno total do tórax após cada compressão Não pode esquecer de: Minimizar as interrupções nas compressões (feitas para checar o ritmo, checar o pulso etc.), de modo que essas interrupções devem ter, no máximo, 10 segundos; Alternar profissionais a cada 2 minutos para evitar fadiga. 2) Ventilação A ventilação adequada inclui 2 ventilações para cada 30 compressões. Suporte Basico de Vida O Suporte Básico de Vida é o atendimento prestado no ambiente pré-hospitalar. Dessa forma, o Suporte Básico de Vida (SBV) é um protocolo de atendimento no qual se estabelecem o reconhecimento e a realização das manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) com o objetivo de manter a vítima de parada cardiorrespiratória (PCR) viva até a chegada de uma unidade de transporte especializada. Os passos do SBV incluem: 1. Verificar a Segurança da Cena – lembrar de sinalizar (se estiver em uma via pública); 2. Avaliar Consciência – chamar pelo paciente com toques nos ombros; 3. Chamar Serviço Médico de Emergência + DEA/Desfibrilador – se tiver outra pessoa no local, pedir que ela execute essas ações enquanto você (médico) continua com o paciente; 4. Checar Pulso e Movimentos Respiratórios – é feito, atualmente, ao mesmo tempo: a) Avaliar pulso carotídeo por 5 a 10 segundos; e b) Observar movimentação do tórax simultaneamente. 5. Iniciar Ressuscitação Cardiopulmonar – realizando 30 compressões para 2 ventilações; Sempre lembrar que: No ambiente Pré-Hospitalar – fora do hospital, nem sempre haverá um dispositivo de barreira para realizar as ventilações, de modo que, se não houver, não é obrigatório fazer a ventilação (boca a boca). Assim, se não tiver, é possível realizar apenas as compressões durante 2 minutos. Sequência – antigamente, a sequência conhecida era ABC. Entretanto, há muito tempo ela já foi mudada, de modo que a sequência atual preconizada do Suporte Básico de Vida é CAB – é preciso priorizar as compressões para depois se preocupar com vias aéreas. 6. DEA/Desfibrilador – PRIORIDADE! Quando o DEA chega, ele tem prioridade máxima, de modo que, assim que ele chegar, é preciso ligar o aparelho e posicionar as pás no tórax do paciente (são adesivos – é preciso tirar e colar na posição correta). Feito isso, o desfibrilador vai dizer se é um ritmo chocável ou não chocável, de modo que a desfibrilação só é feita em ritmos chocáveis e, depois e chocar, retoma a RCP. Dessa forma, após chegada do DEA, a ordem de ações é: a) Aplicar as pás no tórax desnudo do paciente; b) Interromper a RCP – para avaliar o ritmo do paciente, é preciso interromper as compressões, pois o DEA não consegue avaliar o ritmo se houver alguém comprimindo (ocorre interferência); c) Avaliar o ritmo: Chocável – taquicardia ventricular e fibrilação ventricular: nesses casos, é preciso realizar a desfibrilação e retomar a RCP imediatamente; Não Chocável – atividade elétrica sem pulso e assistolia: é preciso retomar imediatamente a RCP. d) 2 minutos ou 5 ciclos de RCP; e e) Checar novamente o ritmo e nova desfibrilação se apropriada (ritmo chocável). Obs: DEA – o ritmo de parada mais comum no ambiente extra-hospitalar é ritmo chocável, principalmente a fibrilação ventricular e, em sequência, a taquicardia ventricular sem pulso. Assim, é preciso interromper o atendimento quando o DEA chega para poder avaliar o ritmo do paciente. Com o DEA ligado, as pás adesivas são coladas no tórax desnudo do paciente (sempre vai ter o desenho mostrando onde temos que colocar as pás) e o aparelho vai avaliar o ritmo, que será: chocável ou não chocável. Ritmo Chocável = vai aparecer um botãozinho piscando; pedimos para que todo mundo se afaste e disparamos o choque; retomar imediatamente as compressões após o choque. Não Chocável = retomar as compressões imediatamente. 2 minutos ou 5 ciclos de RCP. Após 2 minutos, o DEA vai analisar o ritmo cardíaco de novo – aparece “afaste-se do paciente, analisando ritmo cardíaco”. Sempre devemos nos afastar do paciente no momento da análise e no momento de disparo do choque. Se estivermos comprimindo, vai dar interferência e o aparelho não vai conseguir avaliar. Suporte Avançado de Vida Diferentemente do Suporte Básico de Vida, que é o atendimento prestado no ambiente extra- hospitalar, o Suporte Avançado de Vida é o atendimento prestado no ambiente intra-hospitalar. Dessa forma, existe uma cadeia de sobrevivência contendo 6 elos que são importantes à sobrevida do paciente. Os elos incluem: 1. Reconhecimento e Prevenção Precoces – a maioria dos pacientes dá indícios antes da PCR, de modo que é importante estar atento às modificações importantes dos sinais vitais; 2. Acionamento do Serviço Médico de Emergência; 3. RCP de Alta Qualidade; 4. Desfibrilação – precocemente em ritmos chocáveis; 5. Cuidados Pós-PCR; e 6. Recuperação – elo acrescentado em 2020, faz referência à continuidade do atendimento. 1. Equipe de Reanimação A sugestão de posicionamento de uma equipe de reanimação é que tenham pelo menos 6 pessoas presentes. Dessa forma, elas devem ocupar as seguintes posições: 1 membro vai ser o líder – vai ficar de fora e dar os comandos aos outros membros da equipe; 1 membro responsável pelas compressões; 1 membro responsável pelo desfibrilador; 1 membro responsável pelas ventilações; 1 membro responsável por estabelecer o acesso para administração das medicações; 1 membro para anotar os eventos e cronometrar. Quanto as trocas, o responsável pelas compressões deve trocar com o responsável pelo desfibrilador a cada 2 minutos para evitar fadiga. 2. Passos Diferente do que ocorre no SBV, no ACLS não há o primeiro passo de verificar a segurança da cena, uma vez que se trata de um ambiente intra-hospitalar, ou seja, um ambiente seguro. Dessa forma, os passos incluem: Avaliar Consciência – o 1º passo inclui realizar estímulo tátil, tocando os ombros do paciente, e verbal, chamando seu nome (se o paciente estiver irresponsivo vou para o 2º passo). Equipe de PCR + Carrinho de Parada – o 2º passo inclui chamar a equipe e o carrinho de parada. Quando o carrinho de parada chegar, ele vai vir com desfibrilador, com uma tábuade compressão e com todos os medicamentos e equipamentos que serão necessários em uma PCR. Pulso e Movimentos Respiratórios – o 3º passo inclui checagem do pulso e dos movimentos respiratórios do paciente. Isso deve ser feito por um período de 5 a 10 segundos – se, durante esse tempo, o paciente não tiver pulso e não respirar, inicia-se as compressões (RCP) enquanto o carrinho de parada não chega. Ressuscitação Cardiopulmonar – o 4º passo é a iniciação da ressuscitação cardiopulmonar, que deve ocorrer até a chegada do desfibrilador. Como já visto, elas deverão ser realizadas em: 30 compressões para 2 ventilações (feitas com o ambu); Desfibrilador – após chegada do desfibrilador, é preciso fazer a avaliação do ritmo. Dessa forma, da mesma forma que o DEA possuía prioridade máxima, o desfibrilador também vai exigir essa prioridade – é preciso descobrir qual o ritmo do paciente (chocável ou não). 3. Avaliação do Ritmo A primeira checagem de ritmo vai ser através das pás do desfibrilador, apenas pelo posicionamento correto delas no tórax do paciente – simplesmente porque posicioná-las no tórax é muito mais rápido do que colocar os eletrodos de monitorização. A. Ritmo Chocável A taquicardia ventricular e a fibrilação ventricular são os únicos ritmos que permitem a desfibrilação. Em casos de taquicardia ventricular, é preciso sempre checar pulso, pois é possível que o paciente esteja com pulso durante a taquicardia ventricular e só é possível desfibrilar um paciente sem pulso. Já a fibrilação ventricular sempre vai ser chocável, pois o paciente com esse ritmo nunca vai ter pulso – sempre vai precisar desfibrilar. B. Ritmos não Chocáveis Incluem a atividade elétrica sem pulso e a assistolia. 4. Administração de Drogas A. Epinefrina A epinefrina vai possuir ação vasoconstritora para redistribuir o fluxo sanguíneo, priorizando os órgãos-alvo. Esse medicamento é comum a TODOS os tipos de parada cardiorrespiratória, ou seja, vai ser utilizada tanto nos ritmos chocáveis quanto nos não chocáveis. Comum a todos os ritmos de PCR; 1 mg em bolus (não apresenta dose máxima); Intervalo: 3 a 5 minutos (dica: “ciclo sim, ciclo não”); • Obs.: Encaixar a Droga no Ciclo – como o ciclo dura 2 minutos, fazendo a epinefrina em “ciclo sim, ciclo não”, esse intervalo é respeitado (fazendo a epinefrina de 4 em 4 minutos). Após a 2ª desfibrilação se ritmo chocável; Assim que possível em ritmos não chocáveis. B. Amiodarona A amiodarona é um antiarrítmico que só pode ser utilizado em ritmos chocáveis. A amiodarona é um fármaco do grupo dos antiarrítmicos da classe III de amplo espectro e um potente vasodilatador, de modo que seu mecanismo de ação envolve prolongar o intervalo QRS no eletrocardiograma, prolongando o potencial de ação e diminuindo a frequência cardíaca. Assim, aumenta a irrigação do coração pelos vasos coronários. Somente para ritmos chocáveis; 1ª dose 300 mg → 2ª dose 150 mg (dose máxima de 450 mg) em bolus – só pode ser utilizada em 2 ciclos; Após a 3ª desfibrilação (dica: intercalar com epinefrina); Lidocaína pode substituir a amiodarona. • Obs.: Lidocaína – se não houver amiodarona no hospital de atendimento, é possível substituir por lidocaína. Para isso, a dose de lidocaína é de 1 a 1,5 mg/kg na 1ª dose e de 0,5 a 0,75 mg/kg na 2ª dose (igual a amiodarona, a dose cai pela metade na 2º dose). 5. Fluxograma de Atendimento A. Ritmos Chocáveis É importante lembrar que, no ritmo chocável, a 1ª desfibrilação não tem medicação – a epinefrina só entra após a 2ª desfibrilação. Assim, após 1ª desfibrilação, retoma-se a RCP e pede-se para o membro da equipe responsável por estabelecer o acesso conseguir esse acesso (para administrar a medicação no próximo ciclo, se necessário). - Obs.: Acesso de Parada – feito em acesso venoso periférico. Se não conseguir, faz-se acesso intraósseo. Em casos de PCR, não há tempo para fazer acesso venoso central. Além disso, a 1ª desfibrilação serve também para monitorizar o paciente, colocando os eletrodos de monitorização no tórax (pessoa responsável pelo desfibrilador que posiciona os eletrodos). Dessa forma, ao invés de precisar sempre posicionar as pás para avaliar o ritmo do paciente, com os eletrodos posicionados o ritmo aparece automaticamente no desfibrilador, de modo que só vai ser preciso pegar as pás quando, de fato, dor preciso desfibrilar. Após 2 minutos da 1ª desfibrilação, é preciso que a equipe toda pare o que está fazendo para olhar o monitor e avaliar o ritmo (não dá para avaliar o ritmo durante a ressuscitação cardiopulmonar, porque dá interferência e muda o traçado). Se mantiver uma FV ou uma TV sem pulso, realiza-se a 2ª desfibrilação. Uma vez realizada a 2ª desfibrilação, estamos no 2º ciclo: administra-se a epinefrina 1 mg em bolus e retoma- se a RCP por mais 2 minutos. Passados 2 minutos, a mesma coisa: pede para afastar a equipe e avalia o ritmo – se mantiver um ritmo chocável, realiza-se a 3ª desfibrilação. Da mesma forma, realizada a 3ª desfibrilação, estamos no 3º ciclo: administra-se a amiodarona 300 mg e retoma-se a RCP por mais 2 minutos. Se mantiver o ritmo chocável ao fim do ciclo, deve-se repetir o que já foi feito: 4º ciclo → epinefrina 1 mg; 5º ciclo → amiodarona 150 mg. Entretanto, após o 5º ciclo não se administra mais amiodarona, de modo que os próximos ciclos serão feitos apenas com epinefrina (1 com epinefrina e 1 sem medicação nenhuma – alternando). RESUMO PCR EM FV/TVSP 1ª Desfibrilação Apenas RCP 2ª Desfibrilação RCP + 1 mg de epinefrina 3ª Desfibrilação RCP + 300 mg de amiodarona 4ª Desfibrilação RCP + 1 mg de epinefrina 5ª Desfibrilação RCP + 150 mg de amiodarona 6ª Desfibrilação RCP + 1 mg de epinefrina 7ª Desfibrilação Só RCP 8ª Desfibrilação RCP + 1 mg de epinefrina Obs.: A Partir da 8ª – 1 ciclo com epinefrina, 1 ciclo sem epinefrina, e assim vai. B. Ritmos Não Chocáveis Se for um ritmo não chocável (assistolia ou atividade elétrica sem pulso), retomaremos imediatamente as compressões. Dessa forma, já que não tem choque, inicia-se o 1º ciclo pela RCP, monitoriza-se o paciente com os eletrodos, pede-se para o membro da equipe conseguir o acesso venoso e administra-se epinefrina já no 1º ciclo. Após 2 minutos, avalia-se o ritmo: se o paciente mantiver o ritmo não chocável, retoma-se a RCP e não faz nenhum medicamento nesse 2º ciclo. Lembrar: não existe amiodarona no ritmo não chocável. Repete isso: ciclo sim, ciclo não com epinefrina. RESUMO PCR EM AESP/ASSISTOLIA 1º Ciclo Retomar a RCP após verificar que é um ritmo não chocável Obter acesso intravenoso/intraósseo Administrar 1 mg de epinefrina assim que possível - Dica – 1 ciclo sim, 1 ciclo não (~4 min) Avaliação Após 2 min de RCP – avaliar ritmo: não chocável? 2º Ciclo Retomar RCP por 2 min (sem epinefrina) Avaliação Após 2 min de RCP – avaliar ritmo: não chocável? 3º Ciclo Retomar RCP por 2 min + 1 mg de epinefrina Avaliação Após 2 min de RCP – avaliar ritmo: não chocável? 4º Ciclo Retomar RCP por 2 min (sem epinefrina) - Obs.: Continuação – 1 ciclo com epinefrina, 1 ciclo sem epinefrina, e assim vai. Assistolia Lembrar: é a linha reta. Entretanto, em todas as vezes que estivermos diante de uma linha reta, é preciso confirmar que é uma assistolia – pois nem sempre vai ser. Dessa forma, é preciso sempre: 1. Checar que os cabos estão todos conectados; 2. Exemplo: eletrodo solta do tórax do paciente durante a RCP. O que ocorre? Vamos ver uma linha reta no monitor, porém não é uma assistolia e sim um eletrodo solto.Checar se os eletrodos estão posicionados corretamente; 3. Checar o ganho (amplitude) – é o zoom do traçado, de modo que é preciso aumentar o ganho ao máximo, que é o 2N, pois com ganhos pequenos é possível confundir os ritmos. Exemplo: confundir uma fibrilaçãoventricular fina com uma assistolia, caso o ganho esteja baixo. Dessa forma, com o ganho em 2N, é possível diferenciar esses ritmos. 4. Checar a derivação (trocar as derivações, analisando mais de uma, para ter certeza de que não é nenhuma interferência do aparelho). Abaixo é mostrada a ilustração dos locais, no desfibrilador, em que se ajusta a derivação e o ganho (desenho como se fosse um ECG: troca a derivação; e desenho como se fosse uma escadinha: troca o ganho) Causas Reversiveis Consistem nos famosos 5Hs e 5 Ts: 5Hs 5Ts Hipovolemia Trombose Coronária (IAM) Hipóxia Trombose Pulmonar (TEP Hipotermia Tensão por Pneumotórax H+ (Acidose) Tamponamento Cardíaco Hipo/Hipercalemia Toxinas É preciso, sempre, tentar identificar a causa provável de parada cardiorrespiratória – através de uma boa anamnese, dos fatores de risco e histórico do paciente. Fazendo isso, aumenta-se muito a sobrevida do paciente, pois uma vez identificada a causa, é possível agir sobre ela durante o ACLS. Cuidados Pos Parada Na edição de 2010, a American Heart Association decidiu incluir os cuidados pós- parada cardíaca (PCR) como uma das etapas do atendimento no ACLS. Essa etapa não só foi mantida, como atualizada e reforçada em 2015. Podemos citar alguns motivos para essa iniciativa. Primeiro, os primeiros minutos após o retorno da circulação espontânea (RCE) são de alto risco para uma nova parada. O paciente com frequência está comatoso, ventilando mal e hipotenso, com necessidade de intervenção imediata. Além disso, a PCR pode ocorrer fora do ambiente da terapia intensiva, em setores que nem sempre estão com protocolos preparados para lidar com paciente crítico. Poderia ocorrer o erro de se priorizar o transporte ao CTI ao invés de priorizarem a estabilização clínica. Dessa forma, afastamos a equipe, olhamos o monitor e verificamos a atividade elétrica. A primeira coisa a se fazer é checar o pulso, pois pode ser uma atividade elétrica sem pulso ou pode ser retorno da circulação espontânea (o paciente voltou). Se for RCE, é preciso checar responsividade e consciência (nível neurológico do paciente), pois caso ele esteja comatoso/não respira espontaneamente, é preciso intubar (isso se ele já não estiver intubado). Assim, o primeiro passo após o RCE é a estabilização dos sinais vitais, com determinação do nível de consciência/capacidade de proteção da via aérea, oxigenação e pressão arterial. A seguir, são indicados procedimentos que visam determinar a causa da PCR (“5H5T”) e reduzir o risco tanto de recidiva como de sequelas. Comatoso/Sem Drive Respiratório Via aérea definitiva e capnografia (monitoramento em tempo real da concentração ou pressão parcial de CO2 nos gases respiratórios expirados pelo paciente durante a ventilação pulmonar mecânica. Com relação a intubação vai depender do caso. Exemplo: durante a PCR não tem nenhum membro da equipe experiente para intubar rápido e a ventilação está sendo muito eficiente com o ambu. Nesse caso (obviamente se a causa da PCR não for hipóxia), é melhor esperar do que intubar correndo, pois existem casos em que ao priorizar a técnica de intubar e o que ocorre é que se perde muito tempo de compressão (lembrar: tempo preconizado de 10 segundos). Entretanto, se houver um membro da equipe muito experiente em intubação, se a ventilação com o ambu estiver sendo ineficaz ou se a causa da PCR for hipóxia, terá que intubar. Dessa forma: SEMPRE avaliar cada caso. Já nos casos de intubação durante a PCR o esquema seria ao invés de 30 compressões para 2 ventilações, é preciso realizar compressões durante todo o ciclo (direto por 2 minutos). Além disso, a ventilação deverá ser feita da seguinte forma: 1 ventilação a cada 6 segundos – perde essa sincronia compressão/ventilação. Manter PAS 90 mmHg Quando o paciente volta, é preciso sempre buscar por causas de choque e avaliar a pressão do paciente, de modo que: - Hipotensão: PAS 90 mmHg e PAM 65 mmHg – tratar a hipotensão com: (1) administração de soro, aumentando o volume sanguíneo; ou (2) administração de drogas vasoativas: aminas vasoativas. Obs.: Soro – é possível fazer para alguns pacientes, porém em outros não. Ex.: paciente com congestão pulmonar, insuficiência cardíaca ou insuficiência renal: não é possível fazer volume, de modo que a conduta será administração de aminas vasoativas (noradrenalina). Avaliar ECG → IAM → Reperfusão Após RCE, é preciso realizar exames no paciente: no mínimo, pedir um ECG de 12 derivações. Se o ECG demonstrar IAM com supra de ST, significa que a coronária do paciente está ocluída, de modo que é preciso restabelecer o fluxo dessa coronária. Isso pode ser feito por meio de 2 procedimentos, que são: a angioplastia primária (preferível: é quando se utiliza um balão para inflar a placa que está fechando o fluxo sanguíneo, pressionando-a contra a parede desse vaso) ou a trombólise (trombolítico para dissolver o coágulo, quando não houver hemodinâmica disponível). Solicitar Exames Laboratoriais e RX de Tórax É importante pedir todos os exames laboratoriais e realizar o raio X de tórax, para diagnósticos diferenciais, avaliação de congestão etc. Encaminhar para UTI/Hemodinâmica Caso o paciente esteja no pronto socorro ou enfermaria, é preciso encaminhá-lo para a UTI. Caso seja IAM, é preciso pedir uma vaga na hemodinâmica (se tiver essa disponibilidade). Protocolo de Controle da Temperatura (Comatoso) O protocolo de controle da temperatura em pacientes comatosos é muito importante, de modo que a temperatura corporal desses pacientes deve ser rigorosamente controlada. Deve- se manter esses pacientes com temperatura entre 32 e 36o, pois isso previne danos neurológicos (reduz metabolismo cerebral e consumo de oxigênio). Assim, se escolhe uma temperatura-alvo entre 32 e 36 e mantém-se o paciente nessa temperatura por, pelo menos, 24 horas. - Obs.: Hipotermia Terapêutica – antigamente esse protocolo era chamado de hipotermia terapêutica, pois a temperatura-alvo era de 32 a 34 graus. Porém, como mudou para 32 a 36 e 36 não é hipotermia, mudou-se o termo para controle direcionado de temperatura. 1) Compressões Retorno total do tórax após cada compressão 3. RCP de Alta Qualidade; B. Amiodarona Após a 3ª desfibrilação (dica: intercalar com epinefrina); RESUMO PCR EM FV/TVSP B. Ritmos Não Chocáveis RESUMO PCR EM AESP/ASSISTOLIA Assistolia Comatoso/Sem Drive Respiratório Manter PAS 90 mmHg Avaliar ECG → IAM → Reperfusão Solicitar Exames Laboratoriais e RX de Tórax Encaminhar para UTI/Hemodinâmica Protocolo de Controle da Temperatura (Comatoso)