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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNICARIOCA AS CONTRIBUIÇÕES DO DESENHO INFANTIL RENATA FERNANDES DA COSTA Rio de Janeiro 2019 RENATA FERNANDES DA COSTA AS CONTRIBUIÇÕES DO DESENHO INFANTIL Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro Universitário Carioca, como requisito parcial pra obtenção do grau de Licenciado em Pedagogia. Orientador: Marcos Antonio Silva Rio de Janeiro 2019 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho, a minha mãe que sempre esteve ao lado me apoiando e me dando forças para continuar. AGRADECIMENTOS Agradeço a minha mãe e ao professor Marcos Antonio Silva pela sua orientação para concluir este trabalho. RESUMO Este trabalho teve como objeto de estudo o desenho infantil. Com o objetivo de demonstrar a importância do desenho. Desta forma, é possível afirmar que a realização da pesquisa tem grande relevância e destaca-se por contribuir para contribuir no olhar sobre o desenho. A partir das informações coletadas, foram analisados e discutidos sobre a importância e a contribuição do desenho no processo de ensino-aprendizagem e concluiu-se que o desenho infantil contribui para que possamos entender o que a criança entende de leitura de mundo. Palavras–chave: desenho infantil, ensino-aprendizagem, crianças. LISTA DE FIGURAS Nº da página Figura 1- garatuja 12 Figura 2- pré esquemática 12 Figura 3- esquemática 13 Figura 4- realismo 13 Figura 5- Pseudo naturalismo 13 Figura 6- modo 15 Figura 7- espaço 15 Figura 8- ponto 16 Figura 9- traço 16 Figura 10- pressão 16 Figura 11- pressão 16 Figura 12- forma 17 Figura 13- arquivo pessoal 18 Figura 14- análise do desenho 19 Figura 15- análise do desenho 19 SUMÁRIO Nº da página 1 – INTRODUÇÃO 7 2 – REFERENCIAL TEÓRICO 9 3 – RESULTADOS E DISCUSSÕES 14 4 - CONCLUSÃO 21 5 - REFERÊNCIAS 22 7 1. INTRODUÇÃO O desenho era algo visto como entretenimento e distração para as crianças. Com o passar do tempo, ganhou notoriedade fazendo com que os educadores, pais, psicólogos entre os outros profissionais, tivessem um olhar mais atento sobre o desenho infantil para fazer dele um instrumento de avaliação e acompanhamento do desenvolvimento da criança. Sabe-se que a criança tem dificuldade de expressar o que está sentindo e o desenho é seu meio de falar sobre seus sentimentos, seu entendimento do mundo, seus medos, suas vivências, suas alegrias. Cada desenho nos traz uma história, é sua forma de dialogar com o mundo dos adultos. O processo criativo da criança acontece em momentos de espontaneidade e varia de acordo com a criança, mas existem aspectos no desenho que são comuns que possibilitam observar a evolução do seu grafismo juntamente com a evolução da criança. Na evolução do grafismo, que começa na garatuja (rabiscos) até o realismo de imagens, a criança cria produções únicas nos mostrando seu estágio emocional e perceptivo. Alguns desenhos nos dão a possibilidade de compreender como a criança se sente em relação ao mundo, seus elementos; como o tamanho, as cores, o traçado, a forma como a criança de desenha; são de suma importância para avaliar e compreender o desenho da criança. Deve-se entender que o desenho é um instrumento de comunicação da criança e geralmente funciona como uma válvula de escape remetendo ao seu inconsciente. 1.1. Objetivos OBJETIVO GERAL Compreender a relevância do desenho como um instrumento de comunicação da criança. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Identificar a importância do desenho infantil; Apresentar as principais concepções sobre o desenho infantil; Compreender o desenho como um instrumento de avaliação no desenvolvimento da criança; 1.2. Justificativa 8 O interesse pelo desenho infantil surgiu recentemente na educação. Antigamente era somente para entreter a criança e o desenho infantil não e só para entreter, é algo onde a criança se expressa e transmite aquilo que ela sente e vê, sendo a protagonista de seus trabalhos sem a intervenção no modo que ela desenha. O desenho vem sendo estudado por especialistas para entender como ele contribui no processo de ensino aprendizagem e o que a criança quer dizer nos traços, nos símbolos e nas cores que utiliza no desenho. É encarado como uma linguagem da criança e precisa de uma ampla análise, já que conforme a criança cresce, o desenho evolui e é acrescentado vários signos e símbolos. O tema foi escolhido a partir da experiência em sala de aula como professora, onde todos os dias os alunos desenham de forma livre e com diferentes materiais (lápis de cor, giz de cera, caneta esferográfica e caneta hidrocor). Durante o ano letivo, um desenho por mês é separado para ser avaliada a evolução do grafismo. 1.3. Metodologia Essa pesquisa é de caráter qualitativa, buscando entender o objeto de estudo de maneira que o pesquisador possa descrever o tema da pesquisa através de uma análise profunda e individualizada orientada pelo significado que as pessoas dão aos fenômenos sem quantifica-los. Visando os objetivos, a pesquisa será de cunho exploratória e descritiva. A escolha foi feita a partir dos objetivos do projeto, tendo por finalidade observar, analisar dados levantados aumentando o conhecimento sobre o tema através da construção de hipóteses para explicar os motivos e os processos que está atrás do problema. Os procedimentos escolhidos para esse estudo, é a pesquisa bibliográfica, que procura explicar o problema através de referenciais teóricos como Paulo de Tarso Cheida Sans, Georges Cognet e Rosa Iavelberg, além de artigos científicos. 1.4 Organização do Trabalho Esta pesquisa está organizada em: introdução, onde é explicado como será desenvolvido o tema; referencial teórico, abordando autores que estudam e discutem a importância do desenho infantil; resultados e discussões, levantando alguns exemplos e a importância de o desenho ser estudado por especialistas. 9 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1A IMPORTÂNCIA DO DESENHO INFANTIL Desde de os tempos primórdios, o desenho foi caracterizado como um instrumento de comunicação do ser humano. Os homens através dos desenhos nas paredes das cavernas, se comunicavam uns com os outros, contavam histórias e tudo era feito por meio de traçados com as mãos. Esses desenhos foram sendo aperfeiçoado cada vez mais. O desenho sempre foi considerado se suma importância na sociedade, contribuindo para a comunicação e o nascimento da escrita. No decorrer do tempo, o desenho veio ser um facilitador para a comunicação e o descobrimento do mundo infantil. O desenho é um momento em que a criança coloca no papel aquilo que ela deseja exprimir; seus sentimentos, momentos que vivencia e sua exposição com o mundo exterior expondo seu interior. Iavelberg (2013) destaca que o desenho não deve ser algo sem espontaneidade, nem uma mera cópia ou uma distração para a criança. Mas por que neste momento, está sendo levantado a questão, de que o desenho é importante para se fazer entender a criança? Até a primeira metade do século XIX, o desenho tinha que ser perfeito, igual as imagens reproduzidas pelos adultos. Com o surgimento da escola moderna, o desenho passou por um processo de “libertação” da representatividade real das imagens, possibilitando que a criança se manifeste junto as suas transformações no desenho. A arte e o desenho infantil estão interligados, pois, a arte traz o conceito de que a representação da imagem depende da criança e de seus traços. Iavelberg (2013, p.20) afirma que “ao desenhar, a criança passa por diferentes momentos conceituais que representam a gênese das aprendizagens em desenho, construídaa partir das suas experiências, tanto fora quanto dentro da escola.” Ou seja, o desenho contribui no processo de ensino-aprendizagem da criança, podendo ser observado a evolução dos seus traços. Contribuindo com o conceito de o desenho ser como uma forma de comunicação da criança, Souza (2014) diz que o desenho é de suma importância, para que se entenda, o que e como a criança desenha, e a história que é contada através de seus traços. Segundo Souza (2014), o desenho surge a partir do brincar; onde a criança percebe o seu mundo interior e imaginário, tornando o desenho algo prazeroso. Para a criança, o desenho é um momento descontraído, pois enquanto está ali desenhando, ela conversa, canta, fala e nesses desenhos há sempre uma história a ser contada. A criança, quando ela produz um desenho, está retrata aquilo que está em sua mente, ou seja, transforma aquilo que está em sua imaginação em forma gráfica, deixando um registro do que ela vivenciou, pensou ou gostaria que acontecesse. O desenho da criança, segundo Iavelberg (2013), é ação e pensamento ao mesmo tempo, pois atuam de maneira conjunta com a imaginação, fazendo a criança ver o que produz no desenho. Nesse momento, o corpo todo participa, estabelecendo uma totalidade de ação e emoção, vibrações e sentimentos. Ao desenhar, Rabello (2014) afirma que a criança desencadeia a prática de sua criatividade e sua autonomia para atuar no mundo e suas necessidades. Isso expõe uma realidade em que os adultos fazem uma intervenção no desenho da criança, fazendo-a copiar igual ou a fazer algo parecido com o objeto. Essa intervenção limita a liberdade de expressão e criatividade da criança. 10 É significativo que as crianças sejam incentivadas para que não haja um desinteresse em desenhar. Para Iavelberg (2013) não se deve limitar a criança no seu processo criativo, pois é nele que a criança deposita sua confiança para que se torne um instrumento de observação e de acompanhamento de aprendizagem da criança: o que ela constrói e os movimentos em relação aos resultados de suas produções. O desenho é como um trabalho do inconsciente, um trabalho de inscrição que Merédieu 1974 apud Souza 2013 destaca como uma possibilidade de usar os traços como uma descoberta da escrita. A partir dos traços e formas, que a criança vai se aperfeiçoando até chegar na escrita em si, que é chamado de garatuja. Considerado como um ato primitivo, mas com sentido do início da construção da linguagem escrita, nos levando a comunicação. 2.1 - AS PRINCIPAIS CONCEPÇÕES DO DESENHO INFANTIL No final do século XIX, o desenho infantil passou a ser um instrumento de observação e pesquisa na pedagogia, psicologia e sociologia. A partir dessas pesquisas, pode-se notar como a criança utiliza o desenho como um instrumento de comunicação e expressão. Citando alguns autores que analisam o desenho infantil, Cognet (2013) faz uma reflexão sobre o conceito de desenho livre. O desenho livre é uma produção sem instruções de como deve ser feito, livre de estereótipos e sem a cobrança ser algo perfeito. Segundo o autor, o desenho livre parece ser algo superficial, pois acredita que a criança raramente encontra condições que realmente tragam a liberdade de expressão, onde ela possa escolher como fazer o desenho, mostrando que essa liberdade é relativa, pois a espontaneidade não se faz presente. O desenho livre é uma expressão, uma manifestação da vida profunda. Através do grafismo o sujeito exprime também suas dificuldades, seus transtornos surgem para nós não dissimulados, o desenho expõe-nos de fato o inconsciente do sujeito, revelando-nos assim seu “clima psicológico” e, portanto, para nós uma fotografia instantânea do estado afetivo. (Dolto 1948 apud Cognet 2011) De acordo com Cognet (2013), todo o estudo sobre o desenho livre começa por uma revisão bibliográfica e cita alguns teóricos que apresentam estudo sobre o desenho. Citando Georges-Henri Luquet (1927), Cognet (2013) traz a ideia de que o realismo é o que melhor define o desenho infantil. Para ele, realismo é algo que o desenho deve ser representado e pelo concreto das coisas. Luquet diferencia o desenho em fase do realismo: realismo fortuito (desenho por imitação, o traço bem como uma representação do objeto), realismo falhado (o desenho é imperfeito, pois a criança não é capaz de limitar seus movimentos), realismo intelectual (a criança desenha o objeto não como vê, mas aquilo que sabe) e o realismo visual (corresponde a um desenho de um adulto, desenha aquilo que vê). As concepções de Sophie Morgenstern (1937) e Françoise Dolto (1948) são similares. Morgenstern (1937) foi a primeira a utilizar o desenho na psican. Ela acredita que a criança expõe suas sinceridades, suas angústias e preocupações de modo simbólico. Dolto (1948) baseia-se no estudo de Morgenstern sobre o desenho, que acredita no desenho livre sendo uma manifestação de vida em que a criança expõe suas dificuldades, seus transtornos e sentimento. As autoras vêm com a ideia de o desenho ser algo psicanalítico, mas Dolto (1948) afirma que nem sempre é possível conhecer profundamente a vida psiquiatria da criança. Em contrapartida ao estudo de Morgenstern e Dolto, Daniel Wildocher (1965) traz a abordagem de que o desenho não deve ser interpretado por si só, mas também pelo ato 11 de criação, que revelam os traços de personalidade. Para Wildocher, o desenho é uma tarefa prazerosa e recorre ao mundo imaginário, elevando o valor expressivo. O autor sugere uma abordagem em três níveis: valor expressivo do desenho (gesto gráfico e a posição do desenho), valor expressivo da cor (está ligada a expressividade através do traço), valor projetivo (psicoafetivo do sujeito) e o valor narrativo (desenho como referência a atualidade, ao mundo exterior, mas também ao imaginário da criança). Para Jacqueline Royer (1995) o desenho é uma linguagem universal independente da época ou lugar. Descreve o desenho infantil como uma espécie de diário que acessa o interior da criança e tem uma compreensão íntima de seu funcionamento psíquico. Royer elabora uma metodologia de interpretação do desenho, baseando-se entre o desenho e a leitura onde existem três leituras possíveis: a leitura rápida (modo espontâneo de conhecimento), a leitura normativa (situa o autor do grafismo) e a leitura analítica (permite identificar as características do desenho). Cognet (2013) traz Annie Anzieu (2008) com a abordagem em que o desenho conversa com a brincadeira e com a fala. Anzieu, sendo psicanalista, nunca pede para a criança desenhar, e sim coloca à disposição dela lápis, papel, material de modelagem e brinquedos, deixando a criança escolher conforme seu desejo. A partir desse momento pode-se notar que o desenho surge como algo de livre expressão observando o ambiente e o material que faz parte do desenho. Ao citar esses teóricos, Cognet (2013) faz uma observação de como essas teorias são completamente diferentes uma da outra, mas elas acabam complementando o conceito de desenho de cada teoria destacada e mostra que o desenho e sua análise têm várias facetas e maneiras de ser interpretada. Mèredieu (2006) aborda que o desenho é uma linguagem gráfica, contrapondo Cognet (2013) sobre o desenho livre. A criança começa com o desenho informal (não- figuração) que são os rabiscos, borrões. As pesquisas sobre os rabiscos foram feitas por William Preyer, que segundo Mèredieu (2006), são as primeiras manifestações gráficas dos bebês. O rabisco é antes de qualquer coisa, um gesto motor, onde a criança perceber o prazer do efeito que esse gesto tem numa folha. 2.3- A EVOLUÇÃO DO GRAFISMO A representação das imagens diferencia para cada criança, pois cada uma tem seu traço específico. A percepção que ela tem sobre o objeto (cores, formas, detalhes) se une com a sua expressão (traços) transformando aquilo que elavê em algo único. Essas representações mudam de acordo com o desenvolvimento cognitivo e motor da criança e também com a ampliação da sua visão de mundo. Por isso desenho passa por várias fases de evolução. Mèredieu (2006) aborda Marthe Bernson que distingue três estágios do rabisco: Estágio vegetativo motor (por volta dos dezoito meses): é onde acontece a descoberta do desenho a partir de movimentos circulares aleatórios. É aqui nesse estágio que a criança desenha pelo prazer. Estágio representativo (entre dois e três anos): aqui nesse estágio a criança saí do traçado contínuo para o traçado em que experimenta tirar o lápis do papel e começa a explorar a folha com formas ainda circulares. Estágio comunicativo (entre três e quatro anos): nesse estágio, a criança começa a fazer uma imitação do adulto, tentando fazer uma comunicação com os adultos. Luquet, também abordado por Mèredieu (2006), segmentou o grafismo em quatro estágio de evolução: Realismo fortuito: este estágio começa por volta dos dois anos de idade e dá ao fim aos rabiscos. A criança começa a exibir seus traçados e sem nenhuma relação 12 com a realidade. É aonde o desenho da criança começa a ganhar significado e a ser nomeado Realismo fracassado: é por onde a criança, através do seu traçado, descobre seus fracassos e seus sucessos durante o processo de identidade dos objetos e suas formas. Essa fase começa entre três e quatro anos. Realismo intelectual: nessa fase, a criança; com 4 anos; começa a desenhar os objetos de maneira que ela sabe e não como realmente é. Essa fase estende-se até aos 12 anos de idade. Realismo visual: a partir dos 12 anos, ou até antes, o desenho começa a parecer mais com as produções dos adultos marcando o fim do desenho infantil e iniciando o marco do desenho como algo mais sério. Segundo Bombonato, Farago (2016), Piaget divide as fases do desenho em cinco, sendo que cada fase é relacionada a uma etapa de desenvolvimento. A primeira fase do desenho é a garatuja que se divide em desordenada (que são movimentos aleatórios representadas por sinais) e ordenadas (movimentos amplos e circulares). Essa fase está relacionada a etapa sensório-motor (0 a 2 anos) e a pré-operatório motor (de 2 a 7 anos). “A garatuja permite-nos explorar os aspectos instintivos e afetivo que regem o comportamento da criança.” (Crotti, Magni, 2011 p. 18) Garatuja: não é algo concreto, mas imaginário, se pergunta a uma criança o que ela desenhou a ver a explicação que é o papai, mamãe, uma árvore, mas na verdade são apenas traços sem nenhuma relação com a realidade. Nessa fase inicial, é importante que a criança seja incentivada, pois é nessa fase que ela ganha autoconfiança para seguir para as próximas fases. Figura 1- https://projectobrincareaprender.wordpress.com/2015/06/24/o-desenho-infantil-garatuja/ Pré-esquemática (pré-operatória): A criança começa a associar o seu desenho com a oralidade, descrevendo seus traços e formas. É onde a figura humana surge e a criança começa a dar sentido aos movimentos e aos traços tentando imitar a escrita do adulto. Figura 2- https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/desenho-infantil-pre-esquematico/ http://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/desenho-infantil-pre-esquematico/ 13 Esquemática: É nesta fase que a criança começa a associar os símbolos com a realidade. A representação espacial evolui e os elementos começam a criar novas formas montando cenas que conta uma história. A figura humana já começa a ser representada como se estivesse em movimento é esta fase está nas operações concretas (de 7 a 10 anos de idade). Figura 3- http://rafaelalopez22.blogspot.com/2013/01/etapas-do-desenho-da-crianca.html Realismo: É o final das operações concretas. É aqui que a criança fica mais exigente sobre o seu desenho e procura representar aquilo que realmente ela vê, distingue as diferentes características e a colocação dos objetos. Aonde a lógica do desenho aparece. Figura 4- http://mundodapsi.com/porque-as-criancas-desenham-conheca-as-caracteristicas-do-desenho-infantil/ Pseudo naturalismo: O desenho começa a aparecer mais com as produções dos adultos, como algo mais sério e representando os objetos como eles são. Bombonato, Farago (2016) destaca o que nessa fase o desenho tem uma riqueza de elementos na cola criança está sendo bem clara no que ela quer nos contar. Isso acontece nas operações abstratas. Figura 5- https://jisjoaosalaa.blogspot.com/2014/02/evolucao-do-desenho-infantilem-que-fase.html http://rafaelalopez22.blogspot.com/2013/01/etapas-do-desenho-da-crianca.html http://mundodapsi.com/porque-as-criancas-desenham-conheca-as-caracteristicas-do-desenho-infantil/ 14 Sans (2014) traz Viktor Lowelfeld (1976) e suas etapas sobre o grafismo infantil, que estão divididas em fase inicial, a figuração humana, figuração esquemática e figuração realista. Fase inicial: é aonde a criança começa o desenho a partir de rabiscos em linhas simples e curtas. Conforme a coordenação da criança vai se tornando mais firme, ela passa a ter domínio sobre as formas circulares. Para Lowelfeld, na fase inicial, é importante que a criança seja incentivada no seu desenho, pois é aqui, nessa fase que ela ganha autoconfiança para seguir nas próximas fases. Figuração humana: nesta fase, a criança; a partir dos círculos; começa a dar sentido a esses movimentos circulares. Exemplo: o sol, o rosto de uma pessoa. Nesse momento, começa a descoberta do corpo e de uma figura humana mais detalhada. Ela começa pelo rosto e os demais membros do corpo vão sendo inseridos e são cada vez mais detalhados (pés, dedos, orelhas, etc.). Figuração esquemática: é a fase em que a criança descobre a relação do desenho com a realidade. O desenho se torna uma representação real daquilo que a criança vê. A representação espacial evoluí e os elementos são colocados em seus lugares formando uma cena. A figura humana já começa a ser representada como se estivesse em movimento. Também nesta fase, a criança começa a descrever o que desenhou formando assim uma história. Figuração realista: é aonde a lógica do desenho aparece e a criança começa a representar exatamente o que vê com seus próprios traços, mas sem perder o real sentido dos elementos. Nesta fase, a criança faz mais exigente sobre o seu desenho e procura representar aquilo que exatamente ela vê. Os adultos precisam ter um olhar mais amoroso nessa fase, pois a criança fica mais crítica em relação ao seu desenho e com isso ela não valoriza esse momento de expressão. Cada teórico tem sua forma de descrever as etapas de evolução do grafismo, mas todos eles perpassam por garatujas, figuração humana e a representação dos objetos. Os desenhos têm traços que vão ganhando forma até chegar na etapa em que a criança consiga representar exatamente aquilo que vê, mas sem perde sua autenticidade. Muitas vezes, as crianças recebem críticas sobre seu desenho e isso acaba bloqueando a sua espontaneidade. Precisa-se entender que o desenho infantil não tem a obrigação de ser perfeito e sim ser um instrumento em que a criança transmita sua sensibilidade e sua emoção em cada traço. 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES 3.1. Características do desenho infantil Sabe-se que ao desenhar, a criança expressa aquilo que ela pensa e sente, transmitindo mensagens que são importantes, por isso deve-se ter um olhar mais atento à essas produções para entendermos mais sobre a criança. De acordo com os autores citados no referencial teórico, existem alguns aspectos importantes que se deve observar no desenho, que são: o modo, a forma como a criança segura um lápis, o espaço que ela 15 utiliza para realizar o desenho, o ponto de início do desenho, o traço, a pressão exercida sobre o papel e a forma que o desenho toma. Crotti, Magni (2011)explica esses aspectos importantes do desenho. Modo: é importante observar como a criança segura o lápis. Crotti e Magni (2011) afirmam que é de suma importância ensinar a criança a segurar o lápis de forma correta, mas sem forçá-la, isso estimulará sua psicomotricidade. Figura 6- Crotti e Magni, 2013, p. 27 Espaço: quando o espaço da folha está completamente preenchido, indica confiança e desejos de crescer. Se estiver pouco preenchido, mostra uma criança teimosa, tímida. Figura 7- Crotti e Magni, 2011, p. 30 Ponto de início: a criança deveria começar o desenho no centro da folha, mostrando como ela está situada no mundo exterior. Nos primeiros anos de vida é natural que a criança comece a desenhar no meio, pois ela se sente como centro do universo. Quando ela começa em outros pontos da folha, representa uma inibição ou uma timidez. 16 Figura 8- Crotti e Magni, 2011, p. 32 Traço: pode ser seguro, mostrando sua liberdade de explorar o desenho. Ou pode ser trêmulo, esse desenho pode mostrar algum medo da reprovação dos adultos sobre o seu desenho. Figura 9- Crotti e Magni, 2011, p. 33 Pressão: ligeiro ou marcado. O traço ligeiro nos mostra uma criança com uma sensibilidade particular tendenciado para a timidez e a inibição. O traço marcado nos revela uma criança com muita energia e a necessidade de um espaço amplo. Figura 10- traço marcado Figura 11- traço ligeiro Fonte: Crotti e Magni, 2011, p. 36 Fonte: Crotti e Magni, 2011, p. 37 Forma: as formas, os ângulos, os traços, as linhas são expressões de como a criança se situa no mundo, como ela se percebe e como ela vai se desenvolvendo. 17 Figura 11- Crotti e Magni, 2011, p. 41 A partir desses aspectos, os desenhos ganham analises em que podemos acompanhar seu desenvolvimento, como a criança se relaciona com os pais e amigos, com o mundo a sua volta. As crianças, em seus desenhos, estão a todo instante nos mostrando como ela representa a família. Analisar um desenho não é a mesma coisa que interpretá-lo. A análise é um enfoque de extrema técnica e a interpretação é o resultado dessa análise. Há vários elementos que ajudam a entender o desenho infantil: as cores, as formas, a figura humana, a casa, elementos da natureza, animais, entre outros. Para Bédard (2013, p.8) “o desenho representa, em parte, a mente consciente, mas também, e de uma maneira mais importante, faz referência ao inconsciente. ”, é exatamente isso que análise do desenho tenta nos mostrar, o inconsciente da criança, mostrando aquilo que ela tem dificuldade em nos mostrar. Existem quatro tipos de testes que a psicopedagogia ou psicologia aplica no momento de análise do desenho através de testes projetivos. Teste do personagem: ao desenhar uma figura humana, a criança representa a si mesmo, percebendo seu esquema corporal e dos desejos que o acompanham. É possível visualizar a semelhança entre a figura desenhada e as características do desenhista. O teste de personagem possibilita fazer uma ideia do crescimento psicofísico da criança e de sua evolução gráfica. “A figura humana é o objeto predominante nos desenhos de todas as idades da infância e em quase todos os países.” (COGNET, 2013, p. 129) Teste da árvore: o teste da árvore é considerado uma ferramenta para se fazer entender aspectos escondidos da personalidade da criança, conflitos internos e caráter. A árvore simboliza o eu, ou seja, representa a própria pessoa que desenha. Os aspectos que se deve levar em consideração nesse teste são as raízes, o tronco e a copa. Teste da casa: esse teste está ligado aos laços emocionais da criança, representa o modo de vida, a relação com os seus pais, o seu papel na família. Segundo Crotti e Magni (2011), a casa é um elemento que sempre está presente nos desenhos infantis, mesmo que não seja reconhecida na fase da garatuja. A casa se relaciona com o rosto materno, que é a figura mais importante para a criança. Teste da família: permite compreender quais acontecimentos positivos ou negativos influenciam no crescimento da criança, por exemplo, o nascimento de um irmão, as conquistas da irmã mais velha ou mais nova, criando um sentimento 18 de inferioridade ou um medo de ser abandonada por uns dos pais. Nesse teste, a linguagem do desenho venha a favorecer o entendimento sobre o que a criança está enfrentando, seus problemas, suas angústias, seus medos. Os elementos contidos no desenho da criança eles se complementam com a história que a criança conta. É importante ressaltar que a interpretação do desenho não deve ser feita como está desenhado, é preciso entender o que ele está transmitindo. Com base nos autores citados, o desenho é a expressão concretas dos seus sentimentos e emoções, mas também daquilo que ela vivencia e o que ocorre com ela. A partir do momento que a criança utiliza o desenho como instrumento para verbalizar algo, devemos estar atentos e observar o que os elementos querem nos dizer. Como dito acima, o desenho é utilizado como teste projetivo. No exemplo abaixo, foi interpretado um desenho de uma mulher com 25 anos. Foi pedido a Fernanda (nome fictício) que desenhasse sua família, uma árvore e sua casa (conhecido como teste HTP). Figura 12- arquivo pessoal A fonoaudióloga na escola na qual Fernanda trabalha fez uma interpretação do desenho, mostrando um pouco de sua personalidade. Pode-se notar que o primeiro membro da família que foi desenhado foi a mãe e é a que tem mais importância na vida da Fernanda. Há alguns anos, a mãe da Fernanda teve um problema gravíssimo de saúde e a partir disso a mãe assumiu um papel mais importante na vida dela que antes era ocupado pelo pai, que ainda é representado pelo sol, mostrando que a figura paterna é presente em sua vida. Fernanda é uma pessoa restrita a amizades e podemos notar isso pelo tamanho de sua casa, entre outros elementos. Apesar de ser um desenho de um adulto, podemos observar que os elementos e a interpretação do mesmo são independentes de idade e é utilizado com instrumento da psicanálise. Abaixo veremos alguns exemplos, cujo os desenhos são utilizados como instrumento de comunicação da criança. O primeiro desenho é de um menino que foi abusado desde de muito pequeno por seu pai. 19 Figura 13- https://www.psicologiasdobrasil.com.br/11-desenhos-de-criancas-indefesas-que-indicam-que-elas-sofreram-abuso- sexual/ Aqui nesse desenho T. representa seu pai como um demônio que sempre estava alcoolizado e era viciado em jogos. Figura 14- https://www.psicologiasdobrasil.com.br/11-desenhos-de-criancas-indefesas-que-indicam-que-elas-sofreram-abuso- sexual/ Em seu desenho E. desenha sua mãe e sua avó no tamanho grande, que representa que E. está sendo protegida por elas e se sente segura ao lado das duas. No canto esquerdo embaixo, ela desenha o pai bem pequeno, representando-o abusando dela. http://www.psicologiasdobrasil.com.br/11-desenhos-de-criancas-indefesas-que-indicam-que-elas-sofreram-abuso- http://www.psicologiasdobrasil.com.br/11-desenhos-de-criancas-indefesas-que-indicam-que-elas-sofreram-abuso- 20 É importante frisar que os desenhos feitos por essas crianças, foram representados por momentos de trauma vivenciados por elas. O desenho está presente no cotidiano escolar numa forma de algo livre, mas também é utilizado como instrumento de avaliação de diferentes profissionais para diferentes vivências das crianças. A análise dos desenhos e a interpretação são completamente diferentes. Mas por que? Porque a análise é uma conclusão da interpretação, ou seja, a partir do momento que um profissional utiliza o desenho da criança, ele começa a entender os tamanhos dos elementos, como a criança representou aquilo que foi pedido, as cores, a posição dos elementospara que o profissional possa investigar o que a criança está querendo nos dizer, ou às vezes não querem dizer nada, é apenas um desenho. O desenho é uma conclusão do subconsciente da criança, comparando com a interpretação dos sonhos, o desenho traz à tona o subconsciente da criança juntamente com o consciente, e a interpretação é feita em forma de história. Com a interpretação do desenho, é relevante entender que a análise do desenho não deve ser feita no cotidiano, e sim com ajuda de especialistas e profissionais que entendem como o desenho atua na vida psíquica da criança. Cada profissional lida com uma linha de pesquisa diferente uma da outra, como dito no referencial teórico, existem inúmeros pesquisadores e métodos de análise que são adotados para diferentes terapias e entendimento da criança. Não se deve interferir ou limitar a criança no seu processo criativo, deve-se incentivar e estimular a criar, além disso, precisa acolher e entender a relação efetiva do desenho, criatividade e a criança. Esse recurso é um meio para que o professor possa acompanhar e observar o desenvolvimento e compreender que o desenho ao meio de aprendizagem do aluno. Desenho não deveria mais ser lido como antes, o olhar não mais o dominar a, não mais buscaremos nele o prazer de abarcar o mundo; ele será recebido, nos dirá a respeito como uma fala decisiva, despertar em nós o profundo arranjo que nos instalam em nosso corpo e através dele no mundo, terá a marca de nossa finitude, mas assim, e exatamente por isso, nos conduzirá a substância secreta do objeto do qual só tínhamos, a pouco tempo, o invólucro. (MERLEAU-POTY, 2002, p. 186 apud SANS, 2014, p. 60) 21 4 CONCLUSÃO Conclui-se que a criança utiliza o desenho como uma forma de expressar os seus sentimentos e emoções. Cada elemento; um traço, uma árvore, um rabisco; nos contam uma história sobre suas experiências no mundo. Porém, para algumas crianças, o desenho é um recurso para ela se comunicar ou pedir socorro. Através do desenho, principal meio de comunicação da criança, podemos acompanhar o seu desenvolvimento motor e até identificar um problema. O desenho não é como um teste, mas sim como uma forma de diálogo da criança, para que se entenda o porquê e como a criança desenha. Nota-se que a criança vai se desenvolvendo e juntamente com a criança, seus traços e seu desenho vão se ampliando Toda produção gráfica produzida pela criança é como um trabalho do inconsciente, um trabalho de inscrição do desejo. Essas produções gráficas permitem que seja observado o que a criança desenha e o posição dela em relação aos resultados de suas produções. É preciso ter um olhar atento para compreender o que a criança traz de bagagem e utiliza-la como meio de construção de conhecimento. Importante frisar que o desenho é considerado, segundo autores citados, como um processo criativo da criança. Não se deve interferir no desenho, pois é nesse momento que a criança deposita sua confiança, transformando o desenho como um artifício de transmissão de sentimentos. 22 5 REFERÊNCIAS BOMBONATO, Gisele Aparecida; FARAGO, Alessandra Corrêa. As etapas do desenho infantil segundo autores contemporâneos. Cadernos de Educação: Ensino e Sociedade, 3 (1): 171-195. São Paulo, 2016. Disponível em: http://unifafibe.com.br/revistasonline/arquivos/cadernodeeducacao/sumario/40/3004201 6104546.pdf COGNET, Georges. O desenho livre. In: Georges Cognet. Compreender e interpretar desenhos infantis. Tradução de Stephania Matousek. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013. Cap. 2, pp. 27-44. CORREIA, Catia Campos. O desenho na avaliação pedagógica e psicopedagógica. Volume 8, Nº 2. Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: http://inseer.ibict.br/cafsj/index.php/cafsj/article/viewFile/150/131. Acesso em: 29/09/2019, às CROTTI, Evi; MAGNI, Alberto. Garatujas: rabiscos e desenhos. A linguagem secreta das crianças. São Paulo: Editora Isis Ltda., 2013. Pp. 25-164 IAVELBERG, Rosa. O desenho infantil e sua história. In: Rosa Iavelberg. Desenho na educação infantil. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2013. Cap. 1, pp. 14-35 SANS, Paulo de Tarso Cheida. Pedagogia do Desenho Infantil. 4ª edição. Campinas: Alínea, 2014. Pp. 40- 58 SEABRA, D. de C.; AGUAIAR, H. H. G. da C.; SANTOS, Márcia de S. dos; FERNANDES, S. C.; RIBEIRO, W. M. S. G. O desenho como prática educativa na educação infantil: um salto qualitativo na aprendizagem. Minas Gerais, Pedagogia em Ação, v. 1, n. 1, p. 1-141, jan./jun. 2009 – Semestral. Disponível: . Acesso em 01de outubro de 2018, às 16:20. SOUZA, Audrey Setton Lopes de. O desenho como instrumento diagnóstico: reflexões a partir da psicanálise. Boletim de psicologia, vol.61 no.135 São Paulo jul. 2011. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0006- 59432011000200007. Acesso em 01 de outubro de 2018, às 16:45. http://unifafibe.com.br/revistasonline/arquivos/cadernodeeducacao/sumario/40/3004201 http://unifafibe.com.br/revistasonline/arquivos/cadernodeeducacao/sumario/40/3004201 http://inseer.ibict.br/cafsj/index.php/cafsj/article/viewFile/150/131 http://inseer.ibict.br/cafsj/index.php/cafsj/article/viewFile/150/131 http://periodicos.pucminas.br/index.php/pedagogiacao/article/view/649/663 http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0006- CENTRO UNIVERSITÁRIO UNICARIOCA Orientador: Marcos Antonio Silva DEDICATÓRIA AGRADECIMENTOS RESUMO SUMÁRIO 1.1. Objetivos OBJETIVO GERAL OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1.2. Justificativa 1.3. Metodologia 1.4 Organização do Trabalho 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 - AS PRINCIPAIS CONCEPÇÕES DO DESENHO INFANTIL 2.3- A EVOLUÇÃO DO GRAFISMO 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES 4 CONCLUSÃO 5 REFERÊNCIAS