Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

CULTURA DE OROFARINGE
Trato respiratório superior Streptococcus pyogenes
Staphylococcus aureus
Grupo CFG
Corynebacterium diphtheriae
Trato respiratório inferior Mycobacterium tuberculosis
Streptococcus pneumoniae
Klebsiella pneumoniae
Haemophilus influenzae
População transitória da orofaringe
Streptococcus α hemolíticos
Neisseria saprófitas
Staphylococcus coagulase negativa
Staphylococcus aureus (ás vezes)
Haemophilus haemolyticus
Difteróides
Algumas enterobactérias (transitório decorrente da dieta)
Anaeróbios (Bacteroides, Actinomyces)
Coleta de secreção de orofaringe
Preparo do paciente Colher antes do desjejum e da higiene oral (caso não seja possível jejum mínimo de duas horas)
1- Inclinar a cabeça do paciente para trás e abrir bem a boca, usando foco de luz.
2- A língua é pressionada com uma espátula para que se possa visualizar as fossas tonsilares e a faringe posterior;
3- Pedir ao paciente que faça um “ah” (levanta a úvula e evita ânsias de vômitos);
4- Evitar tocar na língua e na mucosa bucal. Procurar o material nas áreas com hiperemia próximas aos pontos de supuração ou remover
o pus ou a placa, coletando o material abaixo da placa.
5- Coletar dois swabs, um para confecção imediata da lâmina de bacterioscopia e outro para o cultivo, transportado em meio de
transporte adequado (Stuart).
Corynebacterium diphtheriae
Características Reservatório Incubação Transmissão Identificação
- Bacilos gram + (letras chinesas)
- Resistentes → podendo
suportar calor, frio e
ressecamento
- Aeróbios e pleomórficos
- Imóveis
- Não capsulados e não
esporulados
- Produtor da toxina diftérica
(toxicidade é atribuída à exotoxina)
- Receptor para a toxina nas
células nervosas e cardíacas
- Bactéria não tem poder
invasivo
- É o próprio
doente ou
portador;
- Portador = é
importante na
disseminação do
bacilo, pela
maior frequência
na comunidade e
por ser
assintomático.
- 1 a 6 dias,
podendo ser
mais longo (10
dias).
- Contágio direto
com doentes ou
portadores
(secreções de
rinofaringe)
- Transmissão
direta (objetos
contaminados
pelas secreções
de orofaringe ou
de lesões em
outras
localidades)
Meios não seletivos
Ágar sangue (pequena zona de hemólise)
Meio de Loeffler (aumenta a formação de grânulos
metacromáticos)
Meios seletivos
Ágar sangue com telurito de potássio e
cistina (CT) - (colônias negras)
Meio de Tinsdale (forma um halo acastanhado
marrom)
→ 24-48 horas a 37°C
HEMOCULTURA
Sangue Isento de qualquer tipo de microrganismo
Corrente circulatória Bactérias penetram
Bacteremia Bactérias viáveis no sangue circulante
Origem da bacteremia
Intravascular (primária) Extravascular (secundária)
- Entrada direta na corrente sanguínea > via agulhas, infusões
contaminadas, cateteres ou outros dispositivos vasculares;
- Tendo origem no próprio sistema > endocardite bacteriana, fístulas
arteriovenosas e flebites supurativas;
- Drenagem de pequenos vasos sanguíneos ou linfáticos →
seguindo para a corrente circulatória como consequência de
um foco de infecção definido em outro sítio do organismo;
Porta de entrada mais comuns (origem comunitária e hospitalar)
Dispositivos intravasculares 19% Trato biliar 4%
Trato geniturinário 17% Abscessos intra-abdominal 3%
Trato respiratório 12% Mistura de sítios 8%
Infecções cirúrgicas da pele 5% Sítios incertos 27%
Trato gastrointestinal 5%
Bacteremia representa bactérias ou suas toxinas causando danos ao hospedeiro
Falha nas defesas do hospedeiro em localizar e neutralizar uma
determinada infecção em seu foco primário
Falha médica em remover ou drenar um foco primário
Manifestações clínicas
BACTEREMIA (presença de
bactérias na corrente sanguínea)
SEPSE (bactérias ou suas toxinas causando danos ao hospedeiro)
- Consequente a uma infecção
intravascular, pneumonia, abscesso
hepático;
- Liberação transitória de bactérias no
sangue.
- Inflamação generalizada do próprio organismo contra uma infecção que pode estar localizada
em qualquer órgão;
- A inflamação que surge em locais infectados não é provocada pela bactéria, mas sim pela
resposta imunológica do corpo;
- Condição onde a resposta do organismo ao agente infeccioso se manifesta, por meio de
sinais e sintomas da doença (exemplo a síndrome da resposta inflamatória sistêmica - SRIS)
→ Sintomas: produzidos tanto por toxinas microbianas como por citocinas produzidas por
células inflamatórias.
- Está tradicionalmente ligada a bactérias gram negativas, embora algumas positivas também
causem síndrome séptica
- Infecções ou lesões graves > respostas exacerbadas de Th1 > lesões em órgãos alvo >
insuficiência de múltiplos órgãos e à morte
SUSPEITA de sepse grave ou choque séptico MANIFESTAÇÕES MAIS SÉRIAS
- Independente do foco infeccioso
- Antes da administração da terapia antimicrobiana empírica
→ Coletar para hemocultura
– Choque séptico
– Coagulação intravascular disseminada
– Falência dos órgãos
SUSPEITA de bacteremia clinicamente significativa > FAZER HEMOCULTURA
Sepse clássica Endocardite bacteriana Diagnóstico de certas infecções
Calafrio, febre, prostração, arrepios, hiperventilação >
alcalose respiratória, lesão de pele, mudança no "status"
mental e diarreia.
Febres entéricas (salmoneloses), leptospirose,
brucelose, e febre de origem desconhecida.
Classificação de SEPSE (padrão clínico)
Transitória Intermitente Contínuas ou
persistentes
Bacteremia de escape (“breakthrough”)
- Duração rápida
a) após manipulação de algum
tecido infectado (abscessos,
furúnculos e celulite).
b) procedimentos cirúrgicos que
envolvem tecidos contaminados
ou colonizados (cavidade oral,
cistoscopia, endoscopia,
histerectomia vaginal e
desbridamento de queimaduras);
c) infecções agudas como
pneumonias, meningite,
osteomielite, artrites sépticas
- Ocorre em intervalos
variáveis de tempo com
o mesmo
microrganismo;
→ Processos
infecciosos
relacionados a
abscessos intra
abdominais, pélvicos,
hepáticos, prostáticos
ou outros;
a) característica de
endocardite infecciosa
aguda e subaguda e
outras infecções
intra-vasculares.
b) primeira semana da
febre tifóide, brucelose e
leptospirose
Ocorre mesmo enquanto o paciente esteja
recebendo antibioticoterapia sistêmica
apropriada;
a) Início da terapêutica → concentrações
insuficientes do antimicrobiano
atingidas na corrente sanguínea.
b) Episódios de escapes tarde → se dão
por drenagem inadequada do foco
infeccioso ou por debilidade das
defesas do hospedeiro
Microrganismos CONTAMINANTES frequentes de hemoculturas Microrganismos CAUSADORES de bacteremia verdadeira
Staphylococcus coagulase negativo Staphylococcus aureus 90%
Corynebacterium sp Streptococcus pneumoniae 90%
Bacillus sp Escherichia coli 90%
Propionibacterium acnes Pseudomonas aeruginosa 90%
Clostridium perfringens Streptococcus grupo viridans 38%
Micrococcus Enterococcus spp 78%
Staphylococcus coagulase negativo 15%
Fatores que contribuem para o INÍCIO DE UMA INFECÇÃO da corrente circulatória
Agentes imunossupressores (corticóides, quimioterápicos, drogas citotóxicas)
Uso de antibióticos de largo espectro que suprime a microbiota normal
Procedimentos invasivos (catéteres e procedimentos endoscópicos)
Procedimentos cirúrgicos extensivos
Prolongada sobrevida de pacientes severamente doentes
Frascos com meio de
cultura
Sistema Hemobac Trifásico Probac do
Brasil
Sistema de coleta fechado Sistema de Hemocultura
Signal
- Compostos por
diferentes tipos de
meios (caldo tríptico de soja,
caldo columbia, caldo infusão
de cérebro-coração e caldo
tioglicolato)
- As combinações de
meio contém Polianetol
Sulfonato de Sódio
(anticoagulante), vácuo e
gás carbônico em
concentrações
adequadas;
- Sistema composto por um laminocultivo
com 3 fases acoplado a parte superior de
um recipiente contendo um caldo
enriquecido;
- Estufa própria responsável por fazer a
inversão periódica do caldo sobre o
laminocultivo.
Fase larga → ágar chocolate
Fase dupla → ágar MacConkey e ágar
Sabouraud
Indicador: a viragem para rosa indica a
presença de CO2 produzido pelo
microrganismo.
- Todos os frascos BACTECnão necessitam de ventilação e
permitem o uso de sistema de
coleta fechada;
- Detecção da fluorescência →
emitida por um sensor nos
frascos com meios de cultura;
- Ultra sensibilidade e
monitoramento em intervalos
de 10 minutos
- Alarmes visuais e sonoros
- Meio elaborado com
nutrientes >> crescimento de
organismos aeróbios,
anaeróbios e microaerófilos,
formando com o metabolismo
celular uma pressão
positiva;
- Detecção: Dispositivo
indicador de crescimento;
- Pressão positiva no frasco
desloca uma quantidade de
mistura sangue/caldo para o
dispositivo
Assepsia da pele para a coleta ALERTA na Coleta Coleta do material
1- Tintura de iodo a 1 ou 2%,
clorexidine alcoólico 0,5% ou polivinil
Pirrolidona Iodo (PVPI) a 10%.
2- Limpar com álcool a 70%
3- As tampas dos frascos dos meios
também são limpos com álcool;
4- Sangue imediatamente nos
frascos e os frascos enviados
imediatamente ao laboratório.
- Feita antes do pico
febril, pois a
bacteremia precede
a febre em cerca de
1 hora;
1- Coletar no mínimo 2 e no máximo 4 amostras o mais
próximo possível do episódio febril;
2- Punção venosa→ uma após a outra em locais diferentes (intervalos de
20-60 minutos entre as coletas)
— 5 a 10 ml em adultos
— 3 a 5 ou 1 a 4 ml em criança
3- Proporção ideal: 1:10 sangue/meio de cultura
→ Monitoramento ou documentar bacteremia contínua em suspeitas
de endocardite e infecção endovascular por dispositivos invasivos =
coleta de hemoculturas em intervalos maiores de 1 a 2 horas;
Informações (ATENTAR-SE)
☒ Colher em seringa com heparina para depois colocar no frasco;
☒ Colher de cateter se tiver acesso venoso;
☒ Troca de agulhas entre a punção de coleta e distribuição do sangue nos frascos de hemocultura;
– Amostras coletadas no pico febril >>>> maioria resultados negativos;
– Cada mililitro de sangue a mais coletado aumenta a positividade em média 3%
– Em pacientes adultos >> mínimo 2 ou no máximo 4 amostras de sangue;
– Em crianças >> 2 amostras de sangue;
– Volume ideal: 10% do volume total do frasco de coleta
Anticoagulante Polianetol Sulfonato de Sódio (SPS) 0,025 a 0,05 ml
Ação inibidora
Para lisozimas
Frente a determinadas concentrações de aminoglicosídeos e polimixinas
Frações do complemento
Parcialmente a fagocitose
Transporte das amostras → Nunca refrigerar o frasco;
→ Manter o frasco em temperatura ambiente e encaminhar o mais rápido possível para o laboratório
Cultivo das amostras
Incubação Realizar 3 subcultivos Observação diária dos frascos Fazer antibiograma
- 7 dias de
incubação a 35ºC
a) Primeiro subcultivo com 24 horas
b) Segundo subcultivo com 48 horas
c) Terceiro com 7 dias
Evidências macroscópicas como:
- Hemólise
- Turbidez
- Produção de gás
- Película de crescimento
Semeadura → colocar uma agulha
na tampa emborrachada do frasco e
gotejar próximo à chama. Semear e
incubar cada placa por 24/48h em
estufa 35ºC
Isolamento e identificação
Meios de cultura utilizados para realização dos subcultivos Identificação
Agar Sangue / EMB
Ágar chocolate enriquecido / Ágar thayer-Martin (Neisseria)
Realizar a identificação segundo esquema de Gram positivo e
Gram negativo.
RESUMÃO DA HEMOCULTURA
1- Coleta (1:10 sangue: meio de cultura)
2- Anticoagulante a 0,05 ml
– aerobiose (BHI – Caldo Columbia)
– anaerobiose (tioglicolato)
— EMB, sangue, chocolate e sabouraud
24 – 48 horas fazer subcultivos
5 – 7 dias se as culturas permanecerem negativas
Período máximo de incubação: 7 dias
Cultura de ponta de cateter
Por que fazer esse tipo de cultura? Positividade no teste Metodologia
- Quando a colonização de um cateter
venoso é responsabilizada como o foco
primário da sepse;
- A extremidade distal do mesmo deve
ser cultivada.
- Cultura acima de 15
unidades formadoras de
colônias deve ser
considerado positivo
1- Antissepsia com solução de iodo a 1% a 2%, clorexidine alcoólico
0,5% ou PVPI (Polivinil Pirrolidona Iodo) e o excesso removido com
álcool a 70%
2- Um segmento distal de 5 cm do cateter é cortado, colocado em
frasco estéril e seco, levado ao laboratório imediatamente;
3- O segmento é rolado (5 a 6 vezes) sobre a superfície de uma placa
de ágar sangue, com o auxílio de uma pinça;
4- Incubação: 18-24 horas a 35ºC
5- Realizar o antibiograma
CULTURA DO LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO
LCR
O que é? Produzido LCR normal LCR patológico
Fluído corporal
transparente, incolor e
límpido
Nos ventrículos cerebrais do SNC e
ocupa um espaço no cérebro e na
medula espinhal
- Estéril
- Aspecto aquoso e transparente
- Hemorrágico; Ligeiramente turvo ou
turvo ;
- Purulento ou xantocrômico
Importância do LCR
- Indispensável para o diagnóstico da meningite bacteriana ou por fungos;
- É um transudato (líquidos que passam para o ESPAÇO EXTRACELULAR dos TECIDOS através de uma membrana ou [sob pressão] de tecidos)
- A composição química e citológica do LCR se altera com inflamações cerebrais ou de meninges, isto é, encefalite ou meningite;
- Nas meningites bacterianas, se apresenta turvo, aumento no número de polimorfonucleares (neutrófilos) (>1.000/mL), aumento da
concentração de proteínas (>100 mg/mL) e hipoglicorraquia
- A produção do LCR é diária, ao redor de 500 mL/dia.
- É responsável pelo fornecimento de nutrientes, excreção de produtos do metabolismo, manutenção da homeostase e amortecimento do
SNC
Sinais
1- Rigidez
na nuca
2- Brudzinski 3- Kerning 4- Lasegue
Positivo quando há flexão das
pernas durante flexão passiva
do pescoço
Positivo quando o paciente com o joelho
e quadril fletidos a 90º não consegue
estender o joelho mais de 135º ou
flexiona involuntariamente o outro
quadril
Paciente com membros inferiores
estendidos, faz-se flexão passiva da coxa
sobre a bacia >> Positivo se houver dor na
face posterior do membro
Agentes etiológicos das Meningites Agudas
Recém-nascido Escherichia coli Streptococcus agalactiae Listeria monocytogenes
gota de orvalho”
- A diminuição do tamanho das colônias → diminuição do fator V produzido pelos Staphylococcus aureus.
- O fator X é fornecido pelos eritrócitos de carneiro lisados circundando a estria do Staphylococcus aureus
Listeria monocytogenes Bacilo Gram positivo, pleomórfico, intracelular facultativo + motilidade típica em forma de guarda chuva
Fermentação de ácido a partir da glicose
Hidrólise da esculina positiva IDENTIFICAÇÃO - Meio cromogênico
Hemólise beta - Cromógeno X-glicosídeo (presuntiva de Listeria spp)
- Ele é clivado por beta-glicosidase → comum as espécies de Listeria;
- Quando clivado forma um composto que em presença do oxigênio
atmosférico é oxidado e convertido no corante azul;
- Auréola branca = é formada pela hidrólise da lecitina pela lecitinase
CAMP positivo
DETECÇÃO DE IDENTIFICAÇÃO DE MICOBACTÉRIAS DE IMPORTÂNCIA CLÍNICA
TUBERCULOSE
Cultura para
diagnóstico
Indicação de cultura Baciloscopia (+) após 2
meses de tratamento
Pacientes com necessidade de
retratamento
- Padrão ouro:
Tuberculose pulmonar
(pode adicionar 20% de casos ao
total de TB pulmonar não
confirmados pela baciloscopia) e
extrapulmonar
- Detecta de 10 a 100
bacilos por ml
- Especificidade > 99%;
mais sensível que a
baciloscopia
1- Sintomáticos respiratórios com
baciloscopia negativa
2- Casos com amostras paucibacilares ou
dificuldades de coleta
3- Casos de TB extrapulmonar
4- Pacientes portadores de HIV
5- TB multirresistente (TBMR), recidiva ou
abandono
6- Suspeita de infecções por MNT
7- Casos em instituições fechadas
8- Estudos epidemiológicos e vigilância
de resistência
Indica que o tratamento
não está funcionando como
esperado;
Pode ser por algumas causas:
1- Não tiveram sucesso com o
tratamento padrão (rifampicina,
isoniazida, pirazinamida - RHZ).
2- Têm tuberculose multirresistente
(TBMR)
3- Sofreram recidiva (a doença
voltou).
4- Reiniciaram o tratamento após
abandoná-lo.
Etapas da cultura
1 2 3 4 5
Pré tratamento das
amostras clínicas
Fluidificação e
descontaminação
Semeadura em meio de
cultura
Incubação Leitura e registro dos
resultados
Pré tratamento das amostras clínicas
Em casos de amostras não contaminadas
LCR, líquidos (pleural, sinovial, peritoneal,
pericárdico), sangue e medula óssea;
Amostras contaminadas
Escarro, urina, secreções, lavado brônquico, lavado
gástrico, fragmento de tecido cutâneo
RECOMENDAÇÃO GERAL em relação a
todos os tipos de amostras
- Centrifugar por 15 min a 3.000 x g
(líquidos);
- Inocular diretamente nos meios de
cultura;
- Não necessitam de descontaminação;
- Centrifugar e desprezar o sobrenadante
(escarro, urina, lavado gástrico);
- Macerar até formar uma suspensão
homogênea (fragmentos de tecido);
- Necessitam de descontaminação;
1- Semeadura de metade da amostra
diretamente nos meios de cultura.
2- Descontaminação da outra metade,
conforme o método escolhido, se
necessário.
Agentes fluidificantes e descontaminantes
Função Agentes
a) Liberam
micobactérias do
muco e da fibrina
(fluidificando o
escarro) ou dos
tecidos;
b) Homogenizam a
amostra clínica;
c) Eliminam outros
microrganismos
indesejados.
Hidróxido de
Sódio (NaOH)
- Propriedade alcalina drástica requer concentração e tempo de contato bem observados.
- Concentração usada sozinha é de 4% (alta).
→ em escarro é usado [ ] em até 4%
→ em amostras pulmonares e extrapulmonares não exceder 2%
N-acetil-L-cisteín
a (NALC)
- Agente mucolítico usado em combinação com NaOH.
- Não tem efeito direto sobre micobactérias.
- Permite usar NaOH a 2%, recomendada para amostras paucibacilares e sistemas comerciais
de cultura com meios líquidos.
Ácido Oxálico - Usado para amostras de escarro contaminadas por Pseudomonas sp.
- Utilizado em pacientes com fibrose cística.
- Concentração de uso é 5%.
1 - MÉTODO DE PETROFF MODIFICADO
Soluções usadas + indicação Procedimentos Métodos de neutralização
- 4% de NaOH;
- Misturar com volume igual de escarro,
resultando em uma concentração final
de NaOH de 2% (diluição)
→ Indicação: Escarro espontâneo
a) Centrifugação (separa os
componentes da amostra)
b) Neutralização (essencial após a
centrifugação para evitar efeitos
adversos no crescimento)
(a) Adição de ácido e indicador de pH (vermelho de
Fenol).
(b) Solução de Tampão Fosfato pH 6,8.
(c) Água destilada estéril.
Passo a passo do método de Petroff
1 2 3 4 5 - Neutralização 6
Transferir 5 ml
de amostra,
deixando
escorrer o
escarro
pela parede
interna do tubo;
Adicionar NaOH
4%, na quantidade
correspondente ao
mesmo volume da
amostra e agitar
com vortex;
Tubos na estufa
36 ± 1ºC por 15
minutos, para
fluidificação-desc
ontaminação
Completar até o
volume de 30 ml
ou 50 ml com
água destilada
estéril ou Solução
Tampão Fosfato
pH 6,8
Gotejar a solução neutralizante
até o material apresentar a cor
amarela âmbar. A cor amarela
âmbar (mudança do pH para a
faixa entre 6,5 e 7,2 e que a
amostra está adequada para ser
semeada)
Centrifugar a
3.000 x g por 15
min e descartar o
sobrenadante +
semear o
sedimento
2- MÉTODO DE N-ACETIL-L-CISTEÍNA-HIDRÓXIDO DE SÓDIO (NALC-NaOH)
Soluções usadas + indicação Meios de cultura Passo a passo
- Solução depurante contendo:
N-acetil-L-cisteína (NALC) → agente de
liquefação + NaOH → agente descontaminante (2%)
→ Indicação: todas as amostras,
principalmente as paucibacilares
- Lowenstein Jensen
(LJ) e Middlebrook
7H10 (sólidos)
- Middlebrook 7H9
(líquido)
1- Adicionar a solução depurante no escarro
2- Centrifugar por 15 min
3- Escarro + Solução depurante + Solução tampão fosfato Ph 6,8
4- Centrifugar por 15 min
5- Desprezar sobrenadante
6- Semear 0,1 mL do sedimento no LJ
7- Baciloscopia concentrada
3 - MÉTODO DE OGAWA - KUDOH
Soluções usadas + indicação Meios de cultura Passo a passo
- NaOH → agente descontaminante (4%)
→ Indicação: Escarro espontâneo
- Ogawa-Kudoh (OK)
(meio levemente acidificado
pH 6,4)
1- Utilizar swab de algodão→ embebido na parte purulenta do
escarro→ colocado em NaOH 4% por até 2 minutos.
2- Depois é semeado (zig-zag) diretamente em meio de OK
Meios de cultura
Tipos Uso dos meios líquidos Sistemas comerciais
Sólido Base de ovos ou ágar Amostras
paucibacilares
Sangue, LCR e macerados de tecidos Utilizam meios líquidos
especiais
desenvolvidos a partir
do Middlebrook 7H9.Líquido Mais enriquecidos (adequados para
amostras paucibacilares e outros usos)
Subcultivos e
armazenamento
Subcultivos e conservação de cepas
em freezer
Incubação
Temperatura padrão Temperatura específica
35ºC a 37ºC→ maioria das micobactérias, incluindo
Mycobacterium tuberculosis
25ºC a 30ºC→ Mycobacterium marinum, M. ulcerans, e M. haemophilum.
40ºC a 42ºC→ Mycobacterium avium e M. xenopi.
ÁGAR LOWENSTEIN JENSEN (LJ)
Utilidade Composição Inoculação Interpretação Recomendações
- Isolamento
primário das
micobactérias
- Mycobacterium
tuberculosis
- Mycobacterium
avium
Satisfatório para o
teste de niacina
(que é positivo para
Mycobacterium
tuberculosis)
Fosfato monopotássico 1,2
g
Sulfato de magnésio 0,12 g
Citrato de magnésio 0,3g
L-asparagina 1,8 g
Fécula de batata 15,g
Glicerol 6,0 mL
Verde malaquita 0,2
Água destilada estéril 320
mL;
Ovos de galinha frescos 500
mL
1) Descontaminação (Petroff,
NALC, Lauryl sulfato de sódio)
2) Semear 5 gotas ou mais,
cobrindo bem a superfície do
meio;
3) Manter o tubo inclinado com
a tampa semi aberta até secar
bem o inóculo;
4) Depois de seco o inóculo,
rosquear os tubos e incubar
por 60 dias à 35ºC;
5)Semanalmente, abrir as
tampas próximo ao bico de
Bunsen para ventilar os
cultivos e observar a presença
ou não de crescimento;
Cor
original
Verde claro - Por ser um meio rico em proteínas
→ bactérias proteolíticas podem
contaminar o meio, liquefazendo-o
(por isso deve-se fazer uma leitura com 24
horas de incubação para tirar as culturas que
possam ter contaminado)
- Não usar ovos velhos + quebrar
um por vez;
- Não liberar culturas negativas com
tempo inferior a 60 dias de
incubação pois as micobactérias
desenvolvem-se lentamente;
- Fazer um esfregaço do
crescimento e corar pela técnica de
Ziehl para confirmarser um BAAR,
pois alguns contaminantes podem
crescer com pigmento amarelo;
Positivo Colônias
amarelas
Negativ
o
Ausência
de
cresciment
o
ÁGAR MIDDLEBROOK 7H-9 (líquido)
Utilidade Composição Inoculação Interpretação
- Cultivo de
micobactérias em
meio líquido;
- Isolamento de
bactérias do sangue
e de materiais
paucibacilares, como
líquor, líquido pleural,
biópsias;
- Formado de dois complementos
a)ADCO (Albumina, Dextrose,
Catalase e Ácido oleico)
b)PANTA (Polimixina B,
Anfotericina B, Ácido Nalidíxico,
Trimetoprim e Azlocilina)
→ a albumina protege as micobactérias
de substâncias tóxicas, e o glicerol
fornece uma fonte adicional de carbono.
- Inóculo de 5 ml de
amostra
Volumes de inferiores a 2,5 mL
podem resultar em culturas
falsos-negativas
Cor original: âmbar claro
Positivo: M. tuberculosis cresce em forma de
"cordas" ou "flocos"
(agregados que não turvam o meio e se
concentram no fundo do tubo;
→ no fundo, há uma sílica com um componente
fluorescente que detecta o desenvolvimento
através do consumo de O2 e o traduz em
unidades de crescimento.
Pré requisitos para identificação das espécies
Culturas em meio sólido Culturas em meio líquido
1- Confirmação da Pureza;
2- A cultura deve ter pelo menos 20 colônias para realizar
todos os testes;
3- Se houver menos colônias recomenda-se um subcultivo da
cultura original;
4- Verificar a morfologia e pigmentação das colônias → identifica
também se há mistura de duas espécies de micobactérias;
1- Não é possível observar morfologia e pigmentação;
2- A identificação se inicia pelas características microscópicas;
3- Se houver grande quantidade de BAAR, semear diretamente;
4- Realizar testes bioquímicos após subcultivo do meio líquido;
5- Se houver poucos bacilos, incubar por mais dias ou centrifugar a
cultura para concentrar os bacilos e inocular nos meios de testes.
Separação das espécies do M. tuberculosis das MNT (culturas com crescimento de 3 a 4 semanas)
COMPLEXO MYCOBACTERIUM TUBERCULOSIS (CMTB) MICOBACTÉRIAS NÃO TUBERCULOSAS
Pigmentação ausente ausente/presente
Formação de corda + –
Crescimento em JL – +/-
Teste da Niacina +/- -/+
Análise MACROSCÓPICA das culturas
Mycobacterium tuberculosis (CMTB) Micobactérias não tuberculosas (MNT)
Pigmentação Morfologia Imagem Pigmentação Morfologia
Acromógena
(sem pigmento)
- Cor creme;
- Rugosa com aspecto de couve-flor.
Pigmentada ou acromógena Lisa ou rugosa
Esfregaço e coloração de Ziehl-Neelsen
1- Confirmar se a
cultura é composta
por BAAR.
2- Verificação da Morfologia:
Analisar a morfologia dos bacilos e a
formação de corda, o que pode indicar
a presença do Complexo Mycobacterium
tuberculosis;
3- Checagem de Contaminação:
- Confirmar se a cultura não está contaminada por
outras bactérias ou fungos.
- Se contaminada, realizar a descontaminação.
4- Detecção de
Culturas Mistas
Análise microscópica da cultura
Bacilos CMTB BACILOS MNT
- Tamanho entre 3-4 μm
- Ausência de emulsificação (visíveis pequenos grumos da colônia)
- Apresentam-se em paliçada adquirindo um aspecto de corda (mais
comum em meio líquido) ou grumos aglomerados assemelhando-se a
um borrão de corantes;
- Fácil emulsificação;
- Bacilos de tamanho menor que 2 μm (cocobacilos) ou maiores
que 5 μm
- A maioria das MNT não forma corda, exceto M. kansasii, M
fortuitum e M. chelonae.
⊗⊗⊗ A análise microscópica nem sempre identifica a mistura de duas espécies bacterianas → por isso faz-se a suspensão bacteriana
Suspensão bacteriana
Preparo da suspensão Uniformização do inóculo (para testes
bioquímicos e de sensibilidade)
Unidades de
colônias
Contaminação da cultura
1) Preparar a suspensão bacteriana
utilizando Solução de Tween 80 a 0,1%
em vez de água destilada.
2) Diluir a suspensão a 10⁻⁶.
3) Semear com alça em placa de Petri
com meio Middlebrook 7H10 ou 7H9
acrescido de OADC.
4) Incubar a 36 ± 1ºC até detectar
crescimento.
5) Isolar colônias e fazer subcultivos dos
diferentes tipos.
1) Transferir colônias da cultura usando
uma alça descartável estéril de 10 μl.
2) Colocar as colônias em um tubo
contendo 5-6 pérolas de vidro e 2 ml de
Água destilada
estéril.
3) Homogeneizar a mistura em agitador
mecânico por 10 segundos.
4) Deixar em repouso por 10 minutos
para sedimentação dos aerossóis.
A suspensão
deve conter
10⁵ unidades
formadoras de
colônias por
ml.
- Se a cultura estiver
contaminada por outras
bactérias ou fungos:
→ Substituir a Água destilada
por 2 ml de Solução de Ácido
oxálico a 3%.
→ Deixar agir por 2 minutos
antes de inocular nos meios.
→ Realizar testes bioquímicos
com colônias do subcultivo
descontaminado.
Inibição do crescimento em meio LJ-PNB (as espécies CTMB não crescem neste meio, apenas as MNT)
Adição de uma gota da
suspensão bacteriana em cada
tubo de cultura
Posição da gota Leitura e interpretação IMPORTANTE
SABER!
→ Tubo de Controle: Contém
meio de Lowenstein-Jensen (LJ).
→ Tubo de LJ-PNB: Contém
meio de Lowenstein-Jensen
suplementado com
p-nitrobenzoato (PNB) 500
µg/ml.
A gota deve ser colocada
no ápice do meio de
cultura, na parte superior
do tubo e escorrer
lentamente até o fundo do
tubo, sem interferir no
processo.
- Comparação do crescimento com o tubo
controle;
Positivo (resistente): presença de crescimento
no meio
→ M. fortuitum ou M. avium
Negativo (sensível): ausência de crescimento no
meio
→ M. tuberculosis
As espécies CTMB
não crescem neste
meio, apenas as
MNT.
Teste da Niacina
Niacina Teste Fundamento do teste
- É produzida como um subproduto
metabólico por todas as
micobactérias;
— a maioria das espécies possui uma
enzima que converte a niacina livre em
ribonucleotídeo de niacina
- M. tuberculosis não possui essa
enzima, e a niacina se acumula no
meio de cultura (ocorre um bloqueio na
via metabólica do NAD)
- Deve ser realizado
para as espécies de
crescimento lento,
acromógena e a cultura
deve ter entre 4 e 5
semanas de
crescimento em meio
sólido, com pelo menos
50 colônias.
- São usadas fitas comerciais com cloramina
e tiocianato de potássio acidificado e
ácido p-aminosalicílico (PAS).
- Esses reagentes combinados → formam e
liberam cloreto de cianogênio;
- O cloreto cianogênico reage com o PAS
na presença de niacina, produzindo uma cor
amarela.
M. tuberculosis = +
M. bovis = –
Diferenciação das espécies do complexo M. tuberculosis
Preferências quanto a fonte de carbono
Meio LJ com PIRUVATO DE SÓDIO Meio LJ com GLICEROL
M. bovis, M microti, M caprae e M. pinnipedii Mycobacterium tuberculosis e Mycobacterium africanum
Teste de Inibição de crescimento
Meios Espécies inibidas Diferenciação
Meio Hidrazida do Ácido Tiofeno 2-Carboxílico
(TCH)
M. bovis, M. africanum, M. microti, M.tuberculosis Entre M. bovis e M. tuberculosis
Meio Estreptomicina (SM) Outras espécies do CMTB, menos M.canetti De M. canetti das outras
espécies do CMTB
Meio Cicloserina (CS) Outras espécies do CMTB, menos M. bovis-BCG De M. bovis-BCG das outras
espécies do CMTB
Preferência de oxigênio
Técnica realizada com meio de Middlebrook 7H9 ou Kirchner contendo 0,1% de ágar
Leitura e interpretação Controle de referência
Aeróbio Microaerófilo Aeróbio Microaerófilo
Crescimento próximo à superfície; Crescimento em forma de anel abaixo da superfície (pode se estender) M. tuberculosis M. bovis
Pirazinamidase (PZAse)
Isolados bacterianos sensíveis à PZA possuem a enzima pirazinamidase
PZA — pirazinamidase—> ácido pirazinóico e amônia
Procedimento Interpretação POSITIVO NEGATIVO
1) Aplicar uma grande
quantidade do crescimento
bacteriano sobre a superfície do
meio, utilizando uma alça
bacteriológica.
2) Incubar a 36 ± 1ºC por 6 dias.
- Adiciona-se 1 ml de
solução de sulfato
ferroso amoniacal a
1% em cada tubo;
- Refrigerar por 3
horas
TESTE POSITIVO = formação de um
anel rosa abaixo da superfície do ágar
→ sensibilidade à PZA
TESTE NEGATIVO = ausência do anel
rosa → indicando resistência à PZA.
M. tuberculosis M. bovis-BCG
Redução do nitrato
Detecta a capacidade da micobactéria de reduzir o nitrato (NO3-) a nitrito (NO2-) pela ação da enzima nitrato-redutase
Redução Formaçãodos nitritos Procedimento Identificação Confirmação
- Espécies que
produzem a
nitrato-redutase
reduzem o nitrato a
nitrito em
condições
anaeróbicas para
obter oxigênio do
nitrato para seu
metabolismo.
- Nitritos formados
reagem com ácido
acético ou clorídrico,
desenvolvendo
coloração rosa quando
adicionado
sulfanilamida e
naftiletilenodiamina –
reação de Griess
- Transfere-se uma alça
cheia de crescimento
bacteriano das culturas
teste e dos controles de
referência para o tubo
contendo o substrato
de nitrato de sódio 22
mM.
- Incubar a 36 ± 1ºC por
2 horas.
+/- = negativo
1+ = negativo
2+ = negativo
3+ = positivo
4+ = positivo
5+ = positivo
Algumas micobactérias reduzem nitrito
(NO2-) a amoníaco (NH3) (falsos negativos);
– Adicionar-se zinco em pó (nos tubos que não
mostraram mudança de cor após os reagentes)
a) se o tubo tiver nitrato = mudança de cor
para vermelho, indicando que é um
verdadeiro negativo;
b) se a cor não mudar = nitrato
já foi reduzido a nitrito e, além disso, o
nitrito foi reduzido a amoníaco (indicando
resultado positivo real para a redução do nitrato)
Teste de urease
Hidrólise da uréia Útil na
identificação
Procedimentos Leitura após 2 e 18 horas de
incubação
Algumas espécies são
capazes de hidrolisar
a uréia, detectada pela
mudança de pH da
solução.
- M. bovis
- M. bovis-BCG
- Inocular um tubo contendo 0,5 ml da Solução
Uréia-indol com uma alça de crescimento
bacteriano da cultura teste e das culturas dos
controles de referência.
- Incubar a 36 ± 1ºC.
- Teste Positivo: Mudança de cor de
amarela para rosa.
- Teste Negativo: Sem alteração de cor
(amarelo).
RESUMÃO DA DIFERENCIAÇÃO DAS ESPÉCIES DO COMPLEXO
Meio LJ com piruvato de sódio M. bovis, M microti, M caprae e M. pinnipedii
Meio LJ com glicerol Mycobacterium tuberculosis e M. africanum
Meio TCH (inibição) M. bovis, M. africanum, M. microti, M.tuberculosis
Meio SM (inibição) Outras espécies do CMTB, menos M.canetti
Meio CS (inibição) Outras espécies do CMTB, menos M. bovis-BCG
Preferência de oxigênio M. tuberculosis = aeróbios M. bovis = microaerófilos
PZAse M. tuberculosis = positivo M. bovis - BCG = negativo
Nitrato M. tuberculosis = positivo (18h) M. bovis e bovis-BCG = negativo
Urease M. bovis e bovis-BCG = positivo
IDENTIFICAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO DAS MICOBACTÉRIAS NÃO TUBERCULOSAS
Classificação de Runyon (1958) → temperatura ótima de crescimento 36-37ºC
Fotocromógenas Escotocromógenas Acromógenas Crescimento rápido
- Crescimento lento
- Pigmento amarelo somente
quando expostas a luz
- Crescimento lento
- Desenvolvem pigmento tanto
na luz como no escuro
- Crescimento lento
- Não produzem pigmento
- Crescimento rápido
- Colônias podem ser
pigmentadas ou não
M. kansasii, M. marinum M. gordonae, M. szulgai M. avium, M. terrae M. fortuitum, M. chelonae
TEMPO DE CRESCIMENTO
Definição com base em três testes MEIO LJ ÁGAR COMUM E SAUTON
- Tempo de crescimento em JL
- Crescimento em ágar comum
- Crescimento em Sauton com ácido pícrico 0,2%
Crescimento rápido: após 7 dias Crescimento rápido: em ambos os meios
Crescimento lento: ausência Crescimento lento: ausência em ambos
TESTE DE ARILSULFATASE
Reação da enzima Identificação Procedimento Leitura
- A arilsulfatase hidrolisa compostos
dissulfato potássico de fenolftaleína.
- A fenolftaleína liberada é detectada
pela cor rosa após adição de carbonato
de sódio.
Espécies
acromógenas de
crescimento rápido
e M. xenopi.
- Inocular 5 gotas da suspensão nos tubos para
teste de arilsulfatase (3 e 14 dias).
- Incubar a 36 ± 1ºC.
— Após 3 dias, adicionar 4 gotas de Solução de
Carbonato de Sódio 2N ao tubo de 3 dias.
— Após 14 dias, adicionar 4 gotas de Solução de
Carbonato de Sódio 2N ao tubo de 14 dias.
POSITIVO= rosa a
vermelho
NEGATIVO= incolor
HIDRÓLISE DO TWEEN 80
Detecção Princípio do teste Identificação Leitura
- Detecta a enzima esterase
(capaz de hidrolisar o Tween
80 em glicerol e ácidos graxos)
- O meio contém tween 80 e o
indicador de pH neutral red.
- Se a micobactéria produzir esterase, essa enzima vai
hidrolisar o Tween 80, liberando ácidos graxos.
- A produção de ácidos graxos altera o pH do meio, o
que é detectado pelo indicador de pH. Nesse caso, o
Neutral Red muda de cor conforme o meio fica mais
ácido.
Positivo: Alteração da cor
de âmbar para
rosa/vermelho.
Negativo: Meio
permanece âmbar
Identificar
micobactérias
de crescimento
lento.
β-GALACTOSIDASE OU TESTE ONPG
Princípio do teste Leitura
- O substrato ONPG entra facilmente na célula bacteriana,
mesmo na ausência da permease de lactose.
- Se a enzima β-galactosidase estiver presente, ela hidrolisa o
ONPG em dois compostos:
a) Galactose
b) Orto-nitrofenol (de cor amarela)
A liberação de orto-nitrofenol indica um
teste positivo → Isso significa que a
bactéria possui a enzima
β-galactosidase, capaz de hidrolisar
galactosídeos simples como o ONPG.
Positivo: Alteração da cor
de incolor para amarelo.
Negativo: Sem alteração da
cor.
REDUÇÃO DO TELURITO DE POTÁSSIO
Reação de redução Procedimento Leitura
- Micobactérias podem reduzir o
telurito de potássio a telurito
metálico, formando um precipitado
preto.
- Inocular uma gota da suspensão em meio Middlebrook
7H9.
- Incubar a 36 ± 1ºC por 7 dias.
- Adicionar 2 gotas de Solução de Telurito e reincubar
por mais 3 dias.
Positivo: Formação de precipitado
preto metálico.
Negativo: Ausência de precipitado ou
presença de precipitado marrom.
CAPTAÇÃO DO FERRO
Reação de redução Procedimento Leitura
- Captação do citrato férrico e reduzi-lo a
óxido de ferro.
- Inocular uma gota da suspensão no tubo com
LJ contendo citrato férrico amoniacal.
- Incubar a 36 ± 1ºC por 14 dias.
Positivo: Colônias adquirem cor marrom
metálica escura.
Negativo: Sem alteração de cor.
UTILIZAÇÃO DOS SUBSTRATOS INOSITOL, MANITOL E CITRATO DE SÓDIO
Princípio Procedimento Leitura
- Capacidade de micobactérias
acromógenas de crescimento rápido
de usar substratos específicos como
fonte de carbono.
- Diluir a suspensão bacteriana em água estéril até
não haver turbidez visível.
- Inocular 0,1 ml em tubos com Citrato de Sódio,
Inositol, Manitol e um tubo controle.
- Incubar a 36 ± 1ºC por 14 dias.
Positivo: Crescimento no tubo controle e
nos meios contendo substratos.
Negativo: Crescimento no controle, mas
ausência nos meios testes.
Mecanismos gerais de resistência
Resistência das M. tuberculosis ocorre exclusivamente por mutações.
- Mutações no Gene-Alvo: Reduzem a afinidade da droga pela enzima alvo.
- Inibição de Enzimas Ativadoras: Mutações inibem enzimas que ativam drogas.
- Aumento da Expressão de Proteínas-Alvo: Aumento na expressão de proteínas
que a droga visa inibir.
- Redução do Acúmulo Intracelular da Droga: Dificuldade na entrada da droga ou
aumento de sua remoção à célula.
- Modificação Química da Droga: Inativação da droga por modificação química.
Micobactérias não tuberculosas (MNT)
apresentam resistência natural a diversas
drogas, possivelmente devido à estrutura da
parede celular.
Tratamento e impacto na resistência
Esquema E-I Esquema E-III Tratamento da TBMR
Para casos novos, utilizando:
- INH (Isoniazida)
- RMP (Rifampicina)
- PZA(Pirazinamida)
Para casos de falha ao E-I, acrescenta-se
- BEM (Etionamida)
- SM (Estreptomicina)
- ETH (Etambutol)
Esquemas especiais com drogas de segunda linha
sob supervisão da Vigilância Epidemiológica.
MICOBACTÉRIAS DE IMPORTÂNCIA MÉDICA
Classificação das espécies Características gerais
Complexo M. tuberculosis Micobactérias Não causadoras de Tuberculose (MNT) - Bacilos aeróbios
- Não esporulados
- Imóveis
- Crescem a uma temperatura de 35°C a 37°C ;
- De crescimento lento (12 a 24h )
M. tuberculosis
M. bovis
M. africanum
M. canetti
M. microti
M. pinnipedi
M. caprae
M. avium
M. kansasii
M. intracellulare
M. abscessos
Características estruturais das micobactérias
Parede celular Membrana
citoplasmática
Cromossomos Ribossomos Grânulos de
Polifosfato
Vacúolos
lipídicos
Mesossomo
s
- Rico em lipídios +
ácidos micólicos
- Contribui para a
resistência à
descoloração por
soluçõesálcool-
ácidas (BAAR -
Bacilos Álcool-Ácido
Resistentes) →
ligação dos lipídios
com a Fucsina;
- Envolve o citoplasma e
controla o transporte de
substâncias, nutrientes e
água.
- Participa do processo
respiratório e produção de
energia.
- Sintetiza pigmentos
carotenóides e niacina,
usados na identificação
fenotípica das espécies.
- Codifica todas
as características
e informações
necessárias para
a sobrevivência e
multiplicação
da micobactéria.
- Envolvidos na
biossíntese
celular.
- Produzem
enzimas como a
que reduz nitrato
a nitrito, usada na
identificação de
Mycobacterium
tuberculosis.
- Armazenam
polifosfatos para
atividades
energéticas e
multiplicação bacilar.
- Aparecem como
pequenos grãos
escuros
nas extremidades do
bacilo.
- Armazenam
lipídios para
necessidades
metabólicas
das células.
- Associados à
membrana
celular.
- Essenciais
para a divisão
celular e
atividades
enzimáticas.
Micobactérias Não Tuberculosas (MNT) e sua relevância clínica
Fontes ambientais Doenças Infecções em humanos Infecções pulmonares Doença disseminada
- Água, solo, poeira e
materiais vegetais.
- Microbiota epidérmica e dos
TR e TGI.
- Micobacterioses - Podem afetar qualquer
tecido ou sistema.
- Comum em pacientes
imunocomprometidos.
- Causadas por MNT de
crescimento lento e
rápido
- Portadores de HIV
- Associada a MNT de
crescimento lento
Infecções Relacionadas a Procedimentos Invasivos
Espécies envolvidas Procedimentos
M. fortuitum
M. abscessus
M. chelonae
- Cirurgias estéticas, oftalmológicas e cardíacas
- Acupuntura
- Práticas de pedicure
- Uso de medicamentos injetáveis
Complexo Mycobacterium Tuberculosis
Espécies Transmissão Evolução Diagnóstico precoce Diagnóstico da tuberculose
- M. tuberculosis:
principal agente da
tuberculose humana;
- M. bovis: doença em
bovinos, humanos e
outros mamíferos;
- M. africanum:
encontrado na África;
- M. microti: patogênica
para roedores
De pessoa a
pessoa por
aerossóis
durante a
expectoração
Crônica
- Acomete mais
pulmões
- Pode atingir
outros órgãos
ou ocorrer de
forma
disseminada
Fundamental para
interrupção da cadeia
de transmissão
- Baciloscopia (Exame Direto): Pesquisa de
Bacilo Álcool Ácido Resistente (BAAR)
a) Rápida e de fácil execução
b) Identificação pronta de pacientes bacilíferos
c) Normas do Programa Nacional de Controle da
Tuberculose (PNCT):
- Realização em 24 hrs = ambulatórios
- Realização em 4 horas = urgências e
emergências hospitalares
Condições essenciais para amostras clínicas
1- Indicação correta para pesquisa de
micobactérias
2- Seleção da amostra mais
representativa
3- Cuidados na coleta, transporte,
acondicionamento e recepção
AMOSTRAS COMUNS - Baciloscopia e cultura são métodos frequentes utilizados
Tuberculose pulmonar Tuberculose extrapulmonar
- Escarro (espontâneo ou induzido)
- Lavado brônquico
- Lavado broncoalveolar
- Fragmento de tecido pulmonar (biópsia pulmonar)
- Aspirado transtraqueal
- Lavado gástrico
- Urina;
- Líquidos: pleural, sinovial, peritoneal, pericárdico, ascítico e LCR.
- Secreções ganglionares e de nódulos.
- Fragmentos de tecidos: biópsias cutâneas, de ossos e de órgãos.
- Secreções purulentas de pele, nariz, ouvido, olhos, garganta.
- Sangue e aspirado de medula
- Aspirados de gânglios e de tumores
Sítios estéreis
Sangue, aspirado de medula óssea, biópsias de gânglios linfáticos, baço, fígado
ESCARRO ESPONTÂNEO (amostra de origem pulmonar)
Pontos
relevantes
Boa amostra Coleta e manuseio
do escarro
Orientações para uma boa coleta
- Amostra mais
utilizada para o
isolamento de
micobactérias;
- Principal para
diagnóstico da
tuberculose
pulmonar;
- Alta riqueza
bacilar e fácil
obtenção.
1- Proveniente da árvore
brônquica após esforço
de tosse.
2- Não deve conter apenas
saliva ou secreções nasais.
3- Volume ideal: 5 a 10 ml
4- Contém necrose,
secreções
broncopulmonares e
orofaríngeas.
- Manter refrigerado
(2ºC – 8ºC) por 5 a
7 dias sem perda
de viabilidade
- Transporte fora da
luz solar
→ Coletar duas amostras
→ Janelas abertas para direcionar o ar para fora. Porta fechada
durante a coleta.
→ Material Mucopurulento determina uma boa qualidade da
amostra.
1ª= Logo quando o paciente sintomático respiratório procurar
atendimento. Não é necessário jejum + boca limpa e sem
resíduos de alimentos.
2ª= Coletar na manhã seguinte; a amostra é mais rica em bacilos
porque é composta da secreção acumulada na árvore brônquica
por toda a noite + paciente deve está em jejum e realizar
bochecho.
ESCARRO INDUZIDO (amostra de origem pulmonar)
Pontos relevantes Método Coleta e manuseio
- Recomendado quando o paciente tem
pouca secreção ou dificuldade em
coletar escarro espontaneamente.
- É realizado com apoio do profissional
treinado na Unidade de Saúde
equipada com sala especial.
- Nebulização com solução salina
hipertônica (5 ml de NaCl 3%).
- 5 a 20 minutos, preferencialmente
com nebulizador ultra-sônico.
- Fluidificação da secreção e
indução da tosse.
- Indicar no pote de coleta que a amostra foi obtida por
indução.
- É um material menos viscoso e semelhante à saliva.
- É útil para pacientes em tratamento e pacientes com
Aids.
- Conservado sob refrigeração e proteção contra luz solar
Continuação das amostras de origem pulmonar
Lavado Brônquico ou
Broncoalveolar (LBA)
Aspirado
transtraqueal
Lavado gástrico
É realizado por equipe
especializada, durante a
exploração broncoscópica (utilizando
broncofibroscópio).
- Volume ideal: mais de 5 ml
- Coletado em frasco estéril
- Transporte: temperatura ambiente
- Tempo máximo de transporte: 4
horas
- Coleta-se o maior
volume possível em
recipiente estéril,
por equipe médica
especializada.
- Transportar à
temperatura
ambiente.
- Requer hospitalização do paciente.
- Coleta realizada logo após o paciente acordar, antes de se levantar e
comer.
- Indicado para crianças que deglutem o escarro.
- Injeção de 10 a 15 ml de soro fisiológico com sonda nasogástrica fina.
- Lavagem gástrica após 30 minutos.
- Coletar pelo menos duas amostras em dias consecutivos.
- Utilizar frasco estéril contendo solução tampão de carbonato de sódio a
10% para neutralizar o suco gástrico.
Amostras de origem extrapulmonar
Urina - Coletada na primeira micção do dia, em frascos estéreis
- Volume mínimo: 40 ml
- Transportados em até 15 min
Líquido corporal asséptico - Coletado em grandes volumes, em frascos estéreis
- Transportados em até 15 min
LCR - Diagnóstico de meningite tuberculosa
- Coletado por punção lombar
- Volume mínimo de 5 ml
Sangue - Coletado sem anticoagulante (meio de cultura estiver disponível), ou com anticoagulante (exceto EDTA);
- Transportado imediatamente ao laboratório, temperatura ambiente.
Medula óssea - Em casos disseminados
- Frascos estéreis com anticoagulante (exceto EDTA)
- Fragmentos guardados em soro fisiológico ou água destilada estéril, sem conservantes.
Pus e secreções purulentas - Coletado em: a)Punção = cavidades fechadas b)Swab = cavidades abertas
- Transporte deve ser realizado em até 2 horas
Biópsias - Frascos estéreis com água destilada ou solução salina, sem conservantes
- Transportados em até 15 minutos
- Em caso de suspeita de tuberculose pleural → biópsia de pleura
Controle de qualidade das amostras
Condições
específicas
Problemas comuns Aspectos físicos
do escarro
Aspectos visuais do escarro
Cada tipo de
amostra requer
condições especiais
de coleta, frascos,
conservação e
transporte.
- Amostras não identificadas
- Transporte prolongado
- Frascos inadequados,
quebrados ou com vazamento
- Amostras incompatíveis com
a hipótese clínica
- Partículas sólidas
ou purulentas
produzidas pelos
pulmões
- Expele-se com a
tosse
- Saliva
- Mucopurulento
- Sanguinolento (contém menos bacilos, pois o sangue tem pouco
contato com a lesão)
- Liquefeito
Saliva e Muco Nasal → não são ideais para exame, mas não
devem ser desprezados, pois podem conter bacilos.
BACILOSCOPIA
Características principais Sensibilidade Número mínimo de BAAR
- Pesquisa de Bacilo
Álcool-Ácido Resistente
(BAAR) em esfregaço de
mostra clínica, corado por
metodologiapadronizada;
- Baixo custo e eficaz na
detecção de casos
bacilíferos de tuberculose
pulmonar
- Realizada em pacientes
com tosse e expectoração por
mais de três semanas
- Geralmente baixa (25% a
65%) em comparação com a
cultura → aumenta se realizar
mais de uma por paciente
(80%)
- Considerando o tipo de
lesão, número de amostras e
técnica do microscopista, a
sensibilidade pode alcançar
90% para identificar casos
de TB infecciosos
Nº bacilos observados em
campos
[ ] de bacilos por
ml
ρ de um
resultado +
0 em 100 ou +

Mais conteúdos dessa disciplina