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O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO IMPACTOS NA QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR

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O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 1 
 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS 
NA QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. 
 
Simone Helen Drumond Ischkanian 
Gladys Nogueira Cabral 
Giane Demo 
Natali Maria Serafim 
Thamirys Patricia Ramos da Costa 
Damião de Souza Santos 
A sobrecarga de trabalho no ensino médio refere-se ao aumento de responsabilidades e à extensão 
da carga horária dos professores, com reflexos tanto na qualidade do ensino quanto no bem-estar 
dos educadores. Este artigo examina os principais desafios enfrentados pelos professores do 
ensino médio, incluindo a sobrecarga de atividades administrativas e a pressão para melhorar o 
desempenho dos alunos em exames de avaliação nacional. O estudo também investiga as 
consequências dessa intensificação no equilíbrio entre a vida profissional e pessoal dos docentes, 
propondo políticas públicas e estratégias institucionais que visem valorizar o papel do professor e 
oferecer suporte adequado para melhorar suas condições de trabalho. 
Palavras-chave: Sobrecarga docente; exames nacionais; desempenho estudantil; equilíbrio vida-
profissional; políticas públicas; suporte ao professor; condições de trabalho docentes. 
 
The workload overload in high school refers to the increase in responsibilities and the extension of 
teachers' working hours, with repercussions on both the quality of education and the well-being of 
educators. This article examines the main challenges faced by high school teachers, including the 
overload of administrative tasks and the pressure to improve student performance in national 
assessment exams. The study also investigates the consequences of this intensification on the 
balance between teachers' professional and personal lives, proposing public policies and 
institutional strategies aimed at valuing the role of the teacher and providing adequate support to 
improve their working conditions. 
Keywords: Teacher overload; national exams; student performance; work-life balance; public 
policies; teacher support; working conditions. 
 
La sobrecarga de trabajo en la educación secundaria se refiere al aumento de responsabilidades y a 
la extensión de la jornada laboral de los docentes, con repercusiones tanto en la calidad de la 
enseñanza como en el bienestar de los educadores. Este artículo examina los principales desafíos 
enfrentados por los profesores de educación secundaria, incluyendo la sobrecarga de tareas 
administrativas y la presión para mejorar el desempeño de los estudiantes en los exámenes de 
evaluación nacional. El estudio también investiga las consecuencias de esta intensificación en el 
equilibrio entre la vida profesional y personal de los docentes, proponiendo políticas públicas y 
estrategias institucionales que busquen valorar el rol del docente y proporcionar el apoyo 
adecuado para mejorar sus condiciones laborales. 
Palabras clave: sobrecarga docente; exámenes nacionales; desempeño estudiantil; equilibrio vida-
profesional; políticas públicas; apoyo al docente; condiciones laborales docentes. 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 2 
 
1. INTRODUÇÃO 
A sobrecarga de trabalho docente tem se configurado como um dos principais desafios 
enfrentados pelos professores no ensino médio no Brasil, com reflexos significativos na qualidade 
de ensino e no bem-estar dos educadores. 
A intensificação das tarefas, somada à pressão por resultados em avaliações nacionais e à 
escassez de recursos e apoio institucional, compromete a atuação dos docentes e compromete sua 
saúde mental e física (ALVES; PINTO, 2011; ARAÚJO; PINHO; MASSON, 2019). Segundo 
Barbosa (2018), essa sobrecarga, frequentemente associada à precarização das condições de 
trabalho, tem gerado consequências negativas tanto para o educador quanto para a própria 
educação, revelando a necessidade urgente de políticas públicas que ofereçam suporte efetivo aos 
professores. 
O contexto atual das escolas brasileiras, de acordo com a análise de Hargreaves (1995), 
evidencia que a sobrecarga não se limita à carga horária de ensino, mas também inclui atividades 
administrativas excessivas, falta de materiais adequados e a necessidade de levar trabalho para 
casa, o que compromete o descanso e a vida familiar dos profissionais. A intensificação do 
trabalho, como aponta Garcia e Anadon (2009), tem levado muitos docentes a uma verdadeira 
"autointensificação", onde as jornadas se tornam cada vez mais extenuantes, sem a devida 
compensação salarial ou apoio institucional. Nesse sentido, políticas públicas que promovam a 
valorização salarial e a melhoria das condições de trabalho se tornam essenciais. 
A formação continuada e o acesso a tecnologias educacionais são aspectos fundamentais 
para o desenvolvimento profissional dos docentes, como ressaltam Tardif e Lessard (2008). O 
Ministério da Educação (2022) tem promovido algumas iniciativas para a implementação do novo 
ensino médio, mas a efetiva transformação das condições de trabalho docente no Brasil depende 
da implementação de políticas públicas mais robustas, que garantam o suporte necessário para os 
professores. A reflexão sobre a precarização do trabalho docente, abordada por Kuenzer (2021) e 
Piovezan e Dal Ri (2019), é crucial para entender a fundo a dinâmica que afeta a qualidade de 
ensino e as condições de vida desses profissionais. 
A sobrecarga de trabalho no ensino médio brasileiro, um fenômeno crescente que afeta 
tanto a qualidade do ensino quanto o bem-estar dos educadores. A intensificação das 
responsabilidades docentes, somada a uma carga horária excessiva e à pressão por resultados em 
avaliações nacionais, tem gerado um cenário de grande desgaste para os professores, afetando 
diretamente sua saúde mental e física. A literatura sobre o tema aponta que a acumulação de 
tarefas administrativas, a falta de materiais e recursos adequados e a constante exigência de que os 
docentes levem trabalho para casa, muitas vezes em jornadas que se estendem de segunda a 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 3 
 
segunda, são fatores que agravam esse quadro (ALVES; PINTO, 2011; ARAÚJO; PINHO; 
MASSON, 2019). 
O contexto destaca a necessidade urgente de políticas públicas que não apenas 
reconheçam as dificuldades enfrentadas pelos educadores, mas que também proponham soluções 
efetivas para melhorar suas condições de trabalho. 
A valorização salarial real do professor é um dos pilares fundamentais para garantir a 
qualidade do ensino e o bem-estar dos educadores. Não basta uma melhoria pontual ou simbólica, 
mas sim uma revisão profunda da estrutura remuneratória dos docentes, que seja compatível com a 
importância da função educacional e com as responsabilidades que o cargo exige. 
A disparidade salarial entre professores de diferentes regiões e redes de ensino é um 
reflexo da negligência histórica com a categoria, e essa desigualdade precisa ser resolvida por 
meio de um reajuste real e significativo. 
O uso adequado dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação 
Básica (FUNDEB) é crucial para proporcionar melhores condições de trabalho e infraestrutura nas 
escolas. O FUNDEB é um instrumento essencial de financiamento da educação básica, mas sua 
aplicação muitas vezes carece de uma gestão mais eficiente, transparente e focada nas reais 
necessidades dos profissionais da educação. 
A destinação desses recursos deve ser priorizada para a melhoria das condições de ensino 
e aprendizado, garantindo que os professores tenham acesso a materiais didáticos adequados, 
infraestrutura escolar de qualidade e, principalmente, condições para o seu desenvolvimento 
profissional contínuo. 
O FUNDEBde 
trabalho excessiva que os professores enfrentam, associada à falta de valorização de suas funções. 
A sobrecarga de atividades administrativas, a pressão constante por resultados nos exames 
nacionais, como o ENEM, e a implementação de novas metodologias sem o suporte necessário 
para sua efetiva aplicação, são apenas algumas das questões que geram descontentamento entre os 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 25 
 
educadores. Essa rotina desgastante acaba por comprometer a qualidade do ensino, pois o docente, 
sobrecarregado, não consegue se dedicar adequadamente ao desenvolvimento de práticas 
pedagógicas que atendam às necessidades de seus alunos. 
É importante ressaltar que os documentos e diretrizes da reforma do Ensino Médio 
preveem uma formação integral do sujeito, onde os aspectos curriculares e pedagógicos são 
abordados de forma holística. No entanto, muitos desses documentos, ao enfatizarem a 
importância da formação integral, falham em considerar que a implementação desses preceitos 
depende diretamente das condições de trabalho dos professores. 
A formação do sujeito de acordo com os ideais propostos pela reforma não pode ser 
dissociada das condições em que os educadores se encontram, pois são essas condições que 
determinam, em grande parte, o sucesso ou fracasso das políticas educacionais, ou seja, a 
viabilidade da reforma está intimamente relacionada à valorização do profissional docente e ao 
fornecimento de recursos adequados para o seu trabalho. 
Dentro do grupo de WhatsApp, os professores discutem, por exemplo, como a 
implementação do Novo Ensino Médio tem sido marcada pela falta de clareza em relação às 
mudanças curriculares, bem como pela ausência de uma formação continuada efetiva para os 
docentes. Em muitos casos, os educadores são chamados a se adaptar a novas exigências sem o 
devido preparo ou suporte, o que gera um ambiente de insegurança e frustração. 
A pressão para que os alunos obtenham bons resultados em exames como o ENEM 
contribui para a intensificação da carga de trabalho dos professores, que se veem obrigados a 
dedicar mais tempo ao preparo de seus alunos para os testes, em detrimento de práticas 
pedagógicas que favoreçam um aprendizado mais profundo e significativo. 
Ao participar desse grupo de profissionais, Natali Maria Serafim e outros educadores têm 
buscado não só expor suas dificuldades, mas também propor alternativas e soluções para as 
questões que afetam o Ensino Médio. 
A troca de experiências tem sido fundamental para que os docentes possam refletir 
coletivamente sobre o que está sendo feito e como as políticas públicas podem ser ajustadas para 
atender melhor às necessidades dos alunos e dos próprios profissionais da educação. 
O grupo, portanto, se configura como uma importante rede de apoio e resistência, onde as 
críticas à reforma ganham visibilidade e se tornam uma forma de pressionar por mudanças que 
considerem as condições reais de trabalho dos professores. Essa rede vai além de uma mera troca 
de informações ou opiniões; ela representa uma ação coletiva de professores que estão 
comprometidos não apenas com a sua própria carreira, mas, principalmente, com o futuro dos 
alunos. 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 26 
 
Os professores, ao se unirem em torno dessa causa, demonstram que estão profundamente 
preocupados com o impacto das reformas no cotidiano escolar e nas perspectivas de aprendizagem 
dos estudantes. 
É essencial destacar que os professores não são apenas profissionais que se preocupam 
com sua estabilidade ou com a manutenção de suas condições de trabalho. Ao contrário, eles são, 
em grande parte, vocacionados para a educação, dedicando-se cotidianamente à formação de 
jovens, com um olhar atento ao futuro de cada um deles. Em suas práticas diárias, os docentes não 
apenas transmitem conteúdos, mas também orientam, incentivam e acompanham os alunos em 
suas trajetórias de vida. Por isso, ao repensarem a reforma do Novo Ensino Médio, eles não estão 
apenas criticando um modelo que impacta diretamente sua rotina de trabalho, mas sim refletindo 
sobre as consequências dessas mudanças para a formação integral dos estudantes, para o 
desenvolvimento pessoal e social deles, e para a construção de uma sociedade mais justa e 
igualitária. 
A preocupação com o futuro dos alunos é um dos motores principais que impulsionam 
essas críticas. Os professores reconhecem que, sem condições adequadas de trabalho, sem 
formação continuada, sem valorização profissional e sem infraestrutura escolar de qualidade, não 
será possível garantir que os alunos tenham acesso a um ensino realmente transformador. Eles 
sabem que os estudantes, especialmente aqueles de escolas públicas, enfrentam múltiplos desafios 
em seu percurso educacional e que qualquer reforma deve ser pensada levando em conta essas 
realidades. Quando os docentes se mobilizam, portanto, não o fazem por um interesse pessoal ou 
corporativo, mas por uma dedicação inabalável ao bem-estar e ao sucesso dos alunos, buscando 
garantir a eles as melhores oportunidades de aprendizado e de preparação para o futuro. 
A rede de apoio formada pelos professores não é apenas um espaço de resistência contra 
as imposições da reforma do Novo Ensino Médio, mas também um ambiente de solidariedade e 
construção coletiva, onde são discutidas soluções para os problemas estruturais da educação. Ao 
promover essa união, os docentes fortalecem sua capacidade de agir de forma mais assertiva, 
ampliando sua voz e influenciando as políticas educacionais. É, portanto, uma rede que, além de 
criticar, busca ativamente transformar a realidade educacional brasileira, sempre com o foco 
voltado para a qualidade da educação oferecida e para a valorização do papel essencial que os 
professores desempenham no processo de formação dos cidadãos do futuro. 
A pressão por mudanças que considerem as condições reais de trabalho dos professores é 
uma demanda legítima e urgente, que visa garantir que os docentes possam desempenhar sua 
função com dignidade e eficácia. 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 27 
 
A defesa do ensino de qualidade, que considere as especificidades locais e as reais 
necessidades das escolas e alunos, é um compromisso constante dos profissionais da educação. Ao 
se unir e compartilhar suas experiências e críticas, o grupo fortalece o movimento por uma 
educação mais justa e equitativa, onde os professores, como agentes transformadores da 
sociedade, possam atuar de forma plena e eficaz. 
As discussões também apontam para a necessidade urgente de reavaliar os critérios de 
avaliação e os métodos de medição da qualidade da educação. O foco excessivo em exames como 
o ENEM, que acaba por ser a principal métrica de avaliação do ensino médio no país, ignora as 
diversas realidades das escolas públicas, onde as condições de ensino são muitas vezes precárias. 
A formação integral dos alunos, conforme preconizado pela reforma, exige um olhar atento sobre 
a realidade do ambiente escolar e sobre os desafios enfrentados pelos professores. Sem as 
condições adequadas de trabalho, incluindo apoio psicológico, formação continuada e redução da 
carga administrativa, a implementação da reforma tende a ser falha e desigual. 
Dessa forma, o debate gerado dentro desse grupo de WhatsApp reflete uma inquietação 
legítima dos profissionais da educação, que sentem que as mudanças propostas pelo Novo Ensino 
Médio, se não forem acompanhadas de um cuidado com as condições de trabalho dos docentes, 
podem acabar agravando as desigualdades educacionais já existentes. É fundamental que qualquer 
política pública voltada para a educação leve em consideraçãoa voz dos professores, que são os 
principais agentes de transformação do sistema educacional. 
O Novo Ensino Médio, para ser eficaz, precisa ser acompanhado de medidas que 
garantam a valorização do professor, a melhoria das condições de ensino e a democratização do 
acesso à educação de qualidade, não apenas por meio de reformas curriculares, mas também pela 
transformação das condições de trabalho que possibilitem a realização desse ideal. 
A autora Natali Maria Serafim destaca que: 
“A participação deste grupo de produção, que possuía representantes de diversos 
segmentos da educação do estado de Santa Catarina, nas discussões, leituras, produção e 
revisão de textos, por diversas vezes chegava-se às questões de como o que estava sendo 
produzido iria se materializar em sala de aula, sabendo-se das condições do trabalho 
docente. Juntamente com outra colega de profissão, liderei a construção de um texto 
intitulado „memorial‟, que foi lido ao grande grupo de produção (200 integrantes), que 
trazia nossas angústias como professoras atuantes em sala de aula. Concordávamos e 
contribuímos com tudo que estava sendo discutido, sabíamos da necessidade da formação 
integral, tendo como princípio formativo a diversidade. No entanto, o ideário era distante 
das nossas condições de trabalho, condições que muitas vezes impossibilitam a finalidade 
do nosso trabalho”. (SERAFIM, 2025, escritos fidedignos da autora) 
 
Os professores, ao longo da implementação do Novo Ensino Médio, frequentemente se 
veem como meras "peças em um jogo de tabuleiro" de uma reforma que não leva em consideração 
suas necessidades, desafios diários ou a realidade das escolas. 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 28 
 
O grupo de trabalho tem consciência de que um dos desafios principais é aproximar o que 
propõe teórica e metodologicamente das salas de aula e da gestão escolar, ou seja, 
dialogar diretamente com professores, coordenadores pedagógicos, especialistas e 
diretores, no sentido de contribuir com a reflexão sobre as atuais demandas educacionais 
em suas práticas pedagógicas. (SANTA CATARINA, 2014, p.21) 
 
Esse modelo de reforma, ao buscar uma suposta modernização do sistema educacional, 
acaba se tornando uma carga adicional para os educadores, que já enfrentam uma sobrecarga de 
trabalho com o planejamento de novas aulas, adaptação de conteúdos e a implementação de 
práticas pedagógicas ainda desconhecidas. Com componentes curriculares novos, dos quais os 
professores não possuem conhecimento dos conteúdos que precisam trabalhar (componente 
curricular eletivo), exige-se mais dedicação do professor, além de horas de estudo e planejamento. 
Esses profissionais não conseguem ter estabilidade em uma única escola, principalmente após a 
redução das aulas para as quais possuem formação. 
O governo tem imposto uma série de burocracias trabalhistas, sem, no entanto, 
proporcionar uma estrutura adequada para que os professores possam desempenhar seu papel de 
maneira eficaz. As exigências administrativas e a crescente quantidade de tarefas fora da sala de 
aula, como o preenchimento de relatórios, elaboração de documentos e participação em reuniões 
que muitas vezes não são produtivas, acabam sobrecarregando os docentes. Essas exigências 
burocráticas consomem um tempo precioso que poderia ser dedicado ao planejamento de aulas, à 
pesquisa e à interação direta com os alunos, que são, de fato, as atividades mais relevantes para o 
processo de ensino-aprendizagem. 
Não há um plano claro e estruturado de valorização financeira que reconheça 
adequadamente a função do professor, um profissional que assume um papel central na formação 
dos jovens e na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A falta de incentivo 
financeiro, quando não acompanhada por condições de trabalho favoráveis, contribui para o 
aumento do desânimo e da insatisfação entre os docentes, levando muitos a abandonarem a 
profissão ou a se afastarem emocionalmente do exercício de suas funções. A remuneração, em 
muitos casos, não é condizente com a carga horária, as responsabilidades assumidas e os desafios 
enfrentados dentro e fora da sala de aula. 
Em adição a isso, a ausência de um programa consistente de capacitação e formação 
continuada para os professores é uma falha crítica no sistema educacional. A constante evolução 
dos métodos pedagógicos, das tecnologias educacionais e das demandas do mercado de trabalho 
exige que os docentes se mantenham atualizados, o que não ocorre devido à falta de investimentos 
governamentais nessa área. Sem um processo contínuo de formação profissional, muitos 
professores acabam desatualizados em relação às práticas pedagógicas mais eficazes e aos 
recursos disponíveis para melhorar o ensino. Isso acaba limitando a capacidade dos professores de 
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QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 29 
 
atender às necessidades diversificadas dos alunos, especialmente em um contexto de Reforma do 
Novo Ensino Médio, onde as exigências curriculares aumentaram. 
O desgaste físico e emocional dos profissionais da educação é um reflexo direto da 
pressão constante que enfrentam para suprir essas lacunas, sem o apoio adequado. Muitos 
professores sentem-se exaustos e desmotivados, devido à combinação de longas jornadas de 
trabalho, estresse constante, falta de reconhecimento e a sobrecarga de responsabilidades. Isso 
impacta não apenas a qualidade de vida dos educadores, mas também a qualidade do ensino 
oferecido aos estudantes, que são, em última instância, os mais afetados por essas condições 
adversas. 
A ausência de políticas de apoio que envolvam a saúde mental e o bem-estar dos 
professores contribui para esse cenário, tornando o trabalho docente cada vez mais difícil de ser 
sustentado. 
A falta de uma estrutura sólida e de políticas públicas adequadas não só prejudica o 
desenvolvimento profissional dos docentes, mas também compromete o futuro da educação 
brasileira como um todo. Para que o sistema educacional consiga realmente formar cidadãos 
críticos e bem preparados, é fundamental que o governo priorize investimentos em educação, com 
foco em uma valorização efetiva da carreira docente, em programas de capacitação contínua, e na 
redução das sobrecargas burocráticas que impedem o pleno exercício da profissão. Somente com 
essas ações será possível criar um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo para os 
educadores, com reflexos positivos na qualidade do ensino e no desempenho dos alunos. 
 
Pode-se compreender a reforma do Ensino Médio analisando seu contexto: 
No que diz respeito à Reforma do Ensino Médio, observamos que ela se deu sob a 
alegação de que seus indicadores de qualidade, medidos por exames de larga escala, são 
pífios e que o Ensino Médio não correspondia à expectativa dos jovens. Na esteira dessa 
discussão, uma Comissão Especial do Congresso Nacional elaborou um relatório que 
ensejou no Projeto de Lei (PL) Nº 6.840/2013 e apresentou a proposta inicial de reforma 
educacional (BRASIL, 2013). Formalmente abandonado pouco tempo depois, por ter sido 
parcialmente derrotado por movimentos de resistência, esse PL representava a gestação 
de um projeto que nasceria três anos depois. No ano de 2016, após o impeachment da 
presidenta Dilma Rousseff, [...] a quebra da institucionalidade democrática foi o estopim 
para que um conjunto de medidas tão ilegítimas quanto o governo que assumiu viessem à 
tona. (SILVA, 2018, p. 41) 
A ausência de investimentos significativos na formação de professores e no oferecimento 
de recursos materiais, como tecnologias educacionais adequadas, transforma os educadores em 
peças de um sistema que, embora proponha a inovação, falha em dar suporte real para essa 
inovação. 
O DESAFIO DA SOBRECARGADOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 30 
 
Produzindo as condições políticas necessárias para a retomada da onda conservadora nas 
políticas educacionais, alicerçadas na ideologia neoliberal e em perspectivas 
antidemocráticas, excludentes e comprometidas com o fortalecimento da dualidade 
estrutural na formação dos jovens brasileiros. (SILVA; POSSAMAI; MARTINI, 2020, p. 
3) 
Nas análises realizadas por diversos autores sobre a reforma do Ensino Médio, conclui-se que há 
uma ênfase no currículo como a solução para todos os problemas da educação brasileira, 
negligenciando, porém, as condições de trabalho essenciais para sua implementação eficaz. Assim, 
a garantia da universalização da educação acaba se tornando uma questão secundária. 
 
A referida lei coloca holofotes sobre a política curricular do Ensino Médio e retira do 
centro das discussões a universalização da última etapa da Educação Básica e a 
valorização dos profissionais, centrais na Lei nº 13.005 de 25 de junho de 2014 (BRASIL, 
2014), que aprovou o Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2014-2024. 
(COSTA; SILVA, 2022, p.1) 
A reforma do Ensino Médio brasileiro, promovida em 2017 pelo Ministério da Educação, 
tem como objetivo tornar o currículo mais flexível, de forma a melhor atender aos interesses dos 
alunos dessa etapa. A reforma se apoia em duas principais justificativas: a baixa qualidade do 
Ensino Médio ofertado no país e a necessidade de torná-lo mais atrativo aos alunos, considerando 
os elevados índices de abandono e reprovação. Segundo Ferretti (2018), a solução dada pela 
reforma aos problemas levantados, 
[...] é equivocada por atribuir o abandono e a reprovação basicamente à organização 
curricular, sem considerar os demais aspectos envolvidos: 
 • infraestrutura inadequada das escolas (laboratórios, bibliotecas, espaços para EF e 
atividades culturais) carreira dos professores, incluindo salários, formas de contratação, 
não vinculação desses a uma única escola 
• ignora-se, também, que o afastamento de muitos jovens da escola e particularmente do 
Ensino Médio pode decorrer da necessidade de contribuir para a renda familiar, além de, 
premidos pelos constantes apelos da mídia e, por extensão, de integrantes dos grupos a 
que pertencem, buscarem recursos para satisfazer necessidades próprias à sua idade e 
convivência social. Em estudo para a Unicef, Volpi (2014) evidencia que os adolescentes 
por ele pesquisados apontaram como causas do abandono escolar, além das questões 
curriculares, a violência familiar, a gravidez na adolescência, a ausência de diálogo entre 
docentes, discentes e gestores e a violência na escola. (FERRETTI, 2018, p.27) 
 
A proposta do ensino híbrido, que também vem sendo progressivamente implantada no 
Brasil, agrava ainda mais esse quadro. Embora tenha sido apresentada como uma solução moderna 
para adaptar a educação à realidade tecnológica do século XXI, o ensino híbrido também carece 
de um planejamento consistente. Na prática, ele exige que os professores se adaptem a novas 
ferramentas e metodologias sem uma formação adequada para isso, muitas vezes precisando 
gerenciar tanto aulas presenciais quanto online, o que implica uma carga de trabalho ainda maior. 
Para muitos educadores, a integração de tecnologias no ensino é vista como uma forma de 
"facilitar" o processo educacional, mas, na realidade, adiciona camadas complexas de 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 31 
 
responsabilidade sem que haja, por parte do governo, o fornecimento de equipamentos de 
qualidade, como computadores ou plataformas adequadas, ou mesmo de uma infraestrutura digital 
que suporte adequadamente o ensino remoto e híbrido. 
O ensino híbrido, que exige tanto dos professores quanto dos alunos, carece de um 
suporte efetivo, o que acaba gerando um ambiente de ensino ainda mais desorganizado e 
ineficiente. A interação entre as duas modalidades, presencial e online, nem sempre é harmônica e, 
sem a devida preparação e equipamentos, os educadores se veem desamparados. 
A falta de uma política pública que contemple a valorização financeira do professor e a 
adequação do ambiente de trabalho ao novo modelo educacional, compromete o sucesso dessa 
iniciativa. 
Os professores, que já enfrentam desafios com a falta de recursos, veem-se 
sobrecarregados pela necessidade de estar constantemente atualizados e preparados para lidar com 
um cenário educacional em constante mudança, mas sem o devido apoio financeiro e logístico. 
Assim, tanto o Novo Ensino Médio quanto o ensino híbrido revelam um retrocesso para a 
educação no Brasil, pois não há uma real valorização do professor nem o investimento necessário 
para a implementação de mudanças eficazes. A reforma educacional, embora apresente boas 
intenções em sua essência, acaba se tornando mais uma imposição que não leva em consideração 
as condições reais das escolas e a sobrecarga de trabalho dos educadores. Esse cenário evidencia 
uma falta de comprometimento do governo com a educação de qualidade e com a real valorização 
de seus profissionais, os quais, sem o suporte adequado, se tornam vítimas de um sistema que, ao 
invés de promover melhorias, exacerba suas dificuldades cotidianas. 
O excesso de tarefas burocráticas, como a elaboração de planos de ensino detalhados e o 
acompanhamento das novas exigências de avaliação, prejudica a qualidade do trabalho 
pedagógico. Além disso, muitos professores não se sentem adequadamente preparados para lidar 
com as mudanças, o que aumenta ainda mais a frustração e o distanciamento dos objetivos da 
reforma. Como observam Darós et al. (2023), "a falta de capacitação e de recursos adequados 
acaba criando um cenário de desmotivação entre os profissionais, que se sentem desvalorizados e 
despreparados." 
Essa sobrecarga de trabalho e a falta de apoio profissional têm gerado um efeito negativo 
não apenas nos professores, mas também nos estudantes. O modelo de ensino, ao exigir uma 
maior autonomia dos alunos, não tem oferecido o suporte necessário, o que resulta em um 
distanciamento das práticas pedagógicas que atendem às realidades do aluno brasileiro. O MEC 
(2022) afirma que o Novo Ensino Médio visa preparar os estudantes para um mundo de 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
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possibilidades, mas, na prática, a realidade escolar ainda enfrenta enormes dificuldades estruturais 
e uma carência de recursos materiais e humanos adequados. 
A análise da reforma do Ensino Médio no Brasil, conforme discutido por Ferretti (2018), 
evidencia uma crítica à concepção de qualidade da educação proposta pela reforma e suas 
implicações para o sistema educacional brasileiro, especialmente para os alunos da rede pública. A 
proposta de reforma, que foca em uma mudança curricular e na ampliação de uma abordagem de 
ensino voltada para a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), tem sido 
questionada não apenas em relação à sua efetividade, mas também por reforçar desigualdades 
educacionais preexistentes, particularmente no que diz respeito ao acesso às condições adequadas 
de ensino e aprendizagem. 
Uma das principais críticas à reforma é a ênfase no currículo como solução para os 
problemas da educação brasileira, sem, contudo, considerar as condições de trabalho dos 
professores e as estruturas das escolas, que são fundamentalmente diferentes entre as redes pública 
e privada. 
As escolas públicas, em grande parte, enfrentam desafios históricos relacionados à 
infraestrutura, à escassez de recursos pedagógicos e à sobrecarga de trabalho dos docentes, o que 
limita diretamente a qualidade do ensino oferecido. Ao focar apenas na reformulação curricular e 
na ampliação da carga horária de disciplinas,a reforma ignora a necessidade urgente de melhorar 
essas condições de ensino, que são determinantes para a aprendizagem dos estudantes. 
A utilização do ENEM como principal parâmetro de avaliação da qualidade do Ensino 
Médio. O ENEM, ao se tornar uma exigência central para o ingresso nas universidades, tem 
levado a uma preparação intensiva por parte de alunos e escolas, especialmente com o aumento da 
comercialização dos "cursinhos" preparatórios. Esses cursinhos, que se multiplicam em todo o 
país, tornam-se uma indústria que explora a desesperada busca dos estudantes por boas notas no 
exame, criando uma divisão ainda mais acentuada entre os alunos da rede pública e os da rede 
privada. 
Os alunos das escolas privadas, que geralmente têm acesso a esses cursinhos 
preparatórios, possuem uma vantagem significativa. Enquanto isso, os alunos da rede pública, que 
muitas vezes não têm condições financeiras para pagar pelos cursinhos, ficam em uma posição de 
desvantagem. A competição desigual no ENEM reflete a profunda desigualdade social e 
educacional que ainda permeia o Brasil, onde o acesso à educação de qualidade está intimamente 
ligado à classe social e à região do país. 
Essa "desvantagem cruel", como pode ser chamada, é visível nas disparidades nos 
resultados do ENEM. Alunos de escolas públicas, especialmente das mais periféricas, têm, 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 33 
 
historicamente, resultados muito inferiores em comparação aos alunos de escolas privadas, uma 
vez que a falta de acesso a recursos, como material didático de qualidade e orientação pedagógica 
especializada, prejudica seu desempenho. A ausência de suporte psicológico e pedagógico, 
somada às condições estruturais precárias das escolas públicas, coloca esses alunos em uma 
posição ainda mais difícil quando se comparam aos alunos das escolas privadas, que 
frequentemente contam com recursos e apoio adicionais. 
A comercialização dos cursinhos preparatórios, que muitas vezes se tornam uma 
alternativa única para os alunos da rede pública, contribui para a perpetuação da desigualdade 
educacional no Brasil. Ao invés de o sistema educacional ser reformulado para fornecer uma 
educação igualitária e de qualidade para todos, a sociedade acaba sendo levada a um sistema em 
que o sucesso educacional depende mais do acesso a recursos financeiros e ao mercado de 
cursinhos do que da qualidade do ensino oferecido nas escolas. 
A reforma do Ensino Médio, conforme abordada por Ferretti (2018), não enfrenta 
adequadamente as disparidades estruturais do sistema educacional brasileiro e acaba por reforçar 
as desigualdades existentes, especialmente no que se refere à preparação para o ENEM e à 
comercialização dos cursinhos preparatórios. A falta de atenção às condições de ensino nas 
escolas públicas e a crescente privatização do acesso à educação de qualidade perpetuam um ciclo 
de desigualdade que prejudica os alunos mais vulneráveis, deixando-os em uma desvantagem 
cruel em relação aos estudantes das escolas privadas. 
O Novo Ensino Médio, ao invés de ser um avanço na educação, tem mostrado, em muitos 
aspectos, um retrocesso. A falta de um planejamento eficaz e a implementação apressada da 
reforma têm prejudicado tanto os professores quanto os alunos, que não encontram no novo 
modelo as condições necessárias para o aprendizado efetivo e a valorização da profissão. Como 
destaca Darós et al. (2023), "a participação dos professores no processo de mudança e a escuta 
ativa de suas necessidades são fundamentais para o sucesso de qualquer reforma educacional." 
3. CONCLUSÃO 
A sobrecarga de trabalho docente no Ensino Médio é um desafio complexo e 
multifacetado, que impacta diretamente tanto a qualidade do ensino quanto o bem-estar dos 
educadores. O aumento da carga de responsabilidades, aliado a condições de trabalho precárias e a 
pressão por resultados em exames nacionais, como o ENEM, tem levado os professores a uma 
constante sobrecarga emocional e física. Esse cenário não apenas compromete a saúde dos 
docentes, mas também diminui sua capacidade de oferecer um ensino de qualidade, afetando 
negativamente o aprendizado dos estudantes. 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 34 
 
É urgente que o Brasil adote políticas públicas que, de fato, valorizem o trabalho docente, 
com ênfase em salários justos e condições de trabalho adequadas. O pagamento de salários 
condizentes com a responsabilidade e a complexidade do trabalho de ensinar é uma medida 
fundamental para garantir que os profissionais da educação se sintam respeitados e motivados. A 
formação continuada deve ser incentivada, mas sem a imposição de tarefas adicionais que 
agravam a sobrecarga. Além disso, o investimento em infraestrutura escolar e recursos 
pedagógicos adequados, como tecnologias e materiais de apoio, é crucial para que os professores 
possam desempenhar seu trabalho de maneira mais eficiente e com maior qualidade. 
É necessário que as políticas públicas no Brasil se distanciem de medidas paliativas e 
busquem soluções concretas e estruturais para a valorização dos educadores. A implementação de 
medidas que assegurem salários justos, melhores condições de trabalho, apoio emocional e 
psicológico, e o fornecimento de recursos adequados são passos essenciais para combater a 
sobrecarga e garantir um ambiente mais saudável e produtivo para o ensino. Somente com uma 
valorização real da profissão docente será possível construir um sistema educacional que 
realmente ofereça aos alunos as condições para seu pleno desenvolvimento, ao mesmo tempo em 
que cuida do bem-estar daqueles que desempenham o papel fundamental de educadores. 
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2019.também deve ser usado para garantir o pagamento adequado dos educadores, 
com progressões salariais que reflitam o tempo de serviço e as qualificações dos professores, sem 
cair na armadilha de progressões falsas ou meramente burocráticas que não promovem o real 
reconhecimento do trabalho docente. 
A implementação de progressões reais na carreira docente, que impliquem em avanços 
concretos para os professores, com base em critérios justos e transparentes, como desempenho, 
tempo de serviço e aperfeiçoamento profissional. 
As progressões devem ir além de mudanças superficiais ou gestos políticos que busquem 
apenas agradar a curto prazo. 
É necessário que as políticas de progressão de carreira atendam às necessidades reais dos 
educadores, proporcionando um crescimento sustentado que valorize o compromisso, a 
qualificação e o impacto dos docentes no processo educacional. Chega de políticas que promovem 
o “professor panelinha” ou que se pautam pelas decisões de políticos do momento, sem um 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 4 
 
planejamento de longo prazo que envolva a categoria de forma efetiva e os capacite para uma 
educação de qualidade. 
A valorização do professor não pode ser um projeto de interesses eleitoreiros, mas uma 
estratégia sólida e permanente para melhorar a educação pública no Brasil. 
É fundamental que as políticas públicas se voltem para o fortalecimento da carreira 
docente, não apenas com aumentos salariais, mas com o reconhecimento genuíno do trabalho do 
professor, com o uso adequado dos recursos disponíveis e com progressões reais que garantam 
condições dignas de trabalho e de desenvolvimento profissional. 
A educação brasileira só avançará quando os professores forem verdadeiramente 
valorizados, com autonomia, respeito e as condições necessárias para desempenharem suas 
funções com excelência. 
A implementação de políticas que garantam um melhor suporte material, como o 
fornecimento de recursos tecnológicos e a redução de tarefas administrativas, pode aliviar 
significativamente a sobrecarga dos docentes. Além disso, a valorização salarial e a criação de 
programas de formação continuada são elementos essenciais para a retenção de professores 
qualificados e para o aprimoramento da qualidade do ensino (GARCI; ANADON, 2009; TARDIF; 
LESSARD, 2008). 
O cenário educacional brasileiro também enfrenta desafios adicionais devido à reforma 
do ensino médio, que, conforme argumentam ISCHKANIAN e SERAFIM (2025), representa um 
retrocesso significativo em relação às políticas educacionais anteriores. A implementação do novo 
ensino médio, sem a devida estruturação e planejamento, pode agravar ainda mais as condições de 
trabalho dos professores, ao exigir um modelo de ensino que demanda mais tempo de preparação e 
adaptação. As mudanças no currículo, a introdução de novas metodologias e o aumento da carga 
de trabalho administrativa sem um correspondente aumento de recursos ou apoio institucional 
contribuem para a intensificação do trabalho docente e para o comprometimento do equilíbrio 
entre vida profissional e pessoal dos educadores. 
A adoção de políticas públicas eficazes é fundamental para reverter esse quadro de 
sobrecarga e precarização do trabalho docente. 
A transformação das condições de trabalho dos professores é um passo imprescindível 
para a melhoria da qualidade da educação no Brasil. Para isso, é necessário que o governo e as 
instituições educacionais compreendam a complexidade dos desafios enfrentados pelos docentes e, 
com base nessa compreensão, implementem estratégias que não apenas aliviem as pressões 
diárias, mas também proporcionem um ambiente de trabalho mais saudável e sustentável. 
 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 5 
 
2. DESENVOLVIMENTO 
Urge a necessidade de olhar para o professor não apenas como um transmissor de 
conteúdo, mas como o profissional fundamental que ensina e educa a todos, com o poder de 
transformar vidas e sociedades. O papel do professor vai muito além de simplesmente repassar 
informações – ele é responsável por fomentar o pensamento crítico, desenvolver habilidades 
socioemocionais e preparar os jovens para os desafios do futuro. Esse olhar deve se traduzir em 
uma valorização real e efetiva, principalmente no aspecto salarial. A remuneração do professor 
não deve ser tratada como um simples custo, mas como um investimento essencial na formação da 
cidadania e no desenvolvimento da educação de qualidade. 
Quando um professor é bem remunerado, ele se sente reconhecido e respeitado em sua 
profissão, o que impacta diretamente na sua motivação e disposição para o trabalho. Um docente 
bem remunerado tem mais condições de exercer sua função com dignidade, comprometimento e 
qualidade, sem a preocupação constante com dificuldades financeiras ou com a sobrecarga de 
atividades que comprometem sua saúde física e mental. Como argumentam ISCHKANIAN e 
SERAFIM (2025), a valorização salarial é crucial para a melhoria das condições de trabalho no 
contexto educacional brasileiro, pois um profissional desvalorizado financeiramente sofre não 
apenas em termos materiais, mas também em termos psicológicos, o que impacta sua atuação em 
sala de aula e a qualidade do ensino que ele é capaz de proporcionar. 
É importante ressaltar que a valorização salarial deve ser acompanhada de políticas que 
garantam condições adequadas para o desenvolvimento contínuo dos professores, como o acesso à 
formação continuada e a implementação de progressões salariais reais. A 
 remuneração justa não só favorece a atração e a retenção de bons profissionais, mas 
também proporciona um ambiente mais saudável para o trabalho docente, contribuindo para a 
redução do estresse e da sobrecarga, que são questões centrais enfrentadas pelos educadores no 
Brasil. Em um cenário em que o sistema educacional está em constante transformação, como é o 
caso do Novo Ensino Médio (ISHKANIAN; SERAFIM, 2025), a melhoria das condições de 
trabalho dos professores se torna ainda mais urgente. O novo modelo, com suas demandas 
adicionais de adaptação, exige um professor preparado e motivado, o que só será possível se 
houver uma valorização sincera e efetiva do seu papel na educação. 
A valorização do professor não pode ser vista como um ato isolado, mas como parte de 
uma estratégia ampla de melhoria do sistema educacional. Ao garantir melhores condições 
salariais, materiais e de formação, o país investe no futuro de seus alunos e, consequentemente, no 
futuro da sociedade como um todo. A transformação que o Brasil precisa na educação começa, 
indiscutivelmente, com a valorização de seus professores. 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 6 
 
A remuneração adequada reflete não apenas o respeito pelo trabalho dos educadores, mas 
também é um dos principais fatores para a elevação dos índices de qualquer política educacional. 
Quando o profissional da educação é valorizado financeiramente, sua motivação e sua 
qualidade de vida são diretamente impactadas de forma positiva, resultando em um desempenho 
melhor nas suas funções. Como destacado por diversos estudiosos, como Alves e Pinto (2011), a 
valorização do docente é essencial para que ele possa exercer um papel ativo no desenvolvimento 
do processo de ensino-aprendizagem, além de ser crucial para a atração e retenção de bons 
profissionais na carreira docente. Professores bem remunerados têm mais condições de buscar 
aperfeiçoamento profissional contínuo, manter sua saúde física e mental em equilíbrio, e, 
consequentemente, oferecer uma educação de melhor qualidade aos estudantes. 
Para enfrentar o desafio da sobrecarga docente no ensino médio, é necessário que as 
políticaspúblicas adotem uma visão holística sobre o papel do educador. A sobrecarga de 
trabalho, que se reflete na intensificação de suas tarefas, na pressão por resultados em avaliações 
nacionais e na escassez de recursos materiais e humanos, não pode ser tratada de maneira isolada. 
A valorização salarial deve ser encarada como um dos pilares fundamentais para garantir que o 
professor tenha condições de desempenhar seu trabalho com qualidade, o que, por sua vez, 
impacta diretamente na qualidade do ensino e no bem-estar do educador. 
2.1 IMPACTOS NA QUALIDADE DO ENSINO 
A sobrecarga de trabalho docente no ensino médio tem implicações diretas na qualidade 
do ensino oferecido aos estudantes. Quando os professores enfrentam uma carga excessiva de 
responsabilidades, como a preparação de aulas, a realização de atividades administrativas, a 
correção de provas e a necessidade de lidar com uma série de demandas externas, como exames 
nacionais, sua capacidade de dedicar atenção individualizada aos alunos diminui 
consideravelmente. Segundo Silva, Possamai e Martini (2020), a intensificação do trabalho 
docente não apenas sobrecarrega os educadores, mas também compromete o tempo e a qualidade 
do acompanhamento pedagógico, essencial para que os estudantes possam realmente compreender 
o conteúdo e desenvolver suas habilidades de maneira eficaz. 
A pressão para cumprir uma quantidade excessiva de tarefas administrativas pode levar à 
falta de tempo e energia para a elaboração de aulas criativas e inovadoras. Como observa Tardif e 
Lessard (2008), a qualidade do trabalho pedagógico depende diretamente da capacidade do 
professor de criar estratégias de ensino que favoreçam a interação e o engajamento dos alunos. 
Com o aumento da carga de trabalho, os docentes frequentemente se veem forçados a adotar 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 7 
 
métodos pedagógicos mais tradicionais e mecânicos, o que limita as possibilidades de um ensino 
dinâmico e eficaz. 
A sobrecarga de trabalho também pode impactar negativamente a relação dos professores 
com seus alunos. Silva e Costa (2022) destacam que a falta de tempo para estabelecer vínculos 
mais estreitos com os estudantes compromete a qualidade da aprendizagem e a formação integral 
dos jovens. O distanciamento entre professor e aluno, que resulta da sobrecarga, afeta a 
capacidade de personalizar o ensino e de atender às necessidades específicas de cada estudante. 
Isso, por sua vez, contribui para o aumento das desigualdades educacionais e para a falta de 
motivação dos alunos. 
A avaliação do desempenho docente, como apontado por Zatti e Minhoto (2019), muitas 
vezes se baseia em resultados que são fortemente influenciados pela pressão por produtividade, o 
que pode levar à distorção da percepção sobre a eficácia real do processo de ensino. A qualidade 
do ensino não pode ser medida apenas pelos números ou pelas notas obtidas nos exames, mas pela 
capacidade do professor de transformar o aprendizado de seus alunos em uma experiência 
significativa. Quando os professores estão sobrecarregados, sua habilidade de inovar e 
personalizar suas abordagens pedagógicas é severamente limitada, prejudicando, portanto, a 
qualidade do ensino oferecido. 
A sobrecarga de trabalho dos docentes no ensino médio não só impacta diretamente a sua 
saúde e bem-estar, mas também compromete a qualidade do ensino. A falta de tempo para planejar 
aulas criativas, a impossibilidade de dedicar atenção individualizada aos alunos e a adoção de 
métodos pedagógicos menos eficazes são consequências diretas dessa sobrecarga, que resulta na 
limitação das possibilidades de aprendizagem dos estudantes. Para reverter esse quadro, é 
essencial que sejam implementadas políticas públicas que ofereçam suporte aos professores, 
garantindo melhores condições de trabalho e valorizando a função docente de maneira integral. 
2.2 O INVESTIMENTO EM INFRAESTRUTURA ESCOLAR E EQUIPAMENTOS 
ADEQUADOS 
O investimento em infraestrutura escolar e em equipamentos adequados para os 
professores é fundamental para garantir um ambiente de ensino eficiente e de qualidade. A 
sobrecarga de trabalho docente muitas vezes é ampliada pela falta de recursos básicos, como 
computadores pessoais e ferramentas tecnológicas, essenciais para o planejamento e a execução 
das aulas de forma eficaz. Políticas públicas que garantam o fornecimento de tais materiais são 
essenciais para melhorar a produtividade dos educadores e otimizar o processo de ensino. Quando 
os professores têm acesso a recursos tecnológicos adequados, conseguem preparar aulas mais 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 8 
 
dinâmicas e personalizadas, utilizando diferentes mídias e plataformas para envolver os alunos de 
maneira mais eficaz. 
De acordo com Kuenzler (2021), a precarização das condições de trabalho docente, 
incluindo a falta de infraestrutura e equipamentos adequados, agrava ainda mais a já 
sobrecarregada rotina dos professores. O autor destaca que a escassez de recursos e a falta de 
atualização tecnológica nas escolas não apenas dificultam a execução de um trabalho pedagógico 
de qualidade, mas também contribuem para o esgotamento dos docentes. Esses desafios tornam-se 
ainda mais evidentes quando se observa que o trabalho docente é muitas vezes visto como uma 
tarefa que exige não só dedicação, mas também a adaptação constante a novas exigências 
educacionais sem o devido suporte. 
Lima (2010) afirma que a carga de trabalho docente está diretamente relacionada à 
infraestrutura disponível, já que os professores são frequentemente exigidos a realizar múltiplas 
funções que exigem recursos que não são fornecidos pelas escolas. Isso faz com que os 
educadores levem trabalho para casa, resultando em um desequilíbrio entre a vida profissional e 
pessoal. Sem uma infraestrutura adequada, o trabalho docente se torna mais intensivo e 
fragmentado, impactando negativamente o processo educacional. 
A falta de recursos tecnológicos e materiais pedagógicos adequados impede que os 
professores acompanhem as rápidas transformações do mundo digital, limitando suas 
possibilidades de integrar novas metodologias e abordagens pedagógicas nas aulas. Marglin 
(1980) discute como a divisão do trabalho e o parcelamento das tarefas no contexto educacional 
impactam diretamente a capacidade do educador de ser criativo e de adotar práticas pedagógicas 
mais inovadoras. O desenvolvimento de um trabalho docente de qualidade exige que o professor 
tenha acesso a tecnologias que possibilitem a personalização do ensino, atendendo de maneira 
mais eficaz às necessidades dos alunos. 
Investir na infraestrutura escolar não se limita apenas a fornecer equipamentos 
tecnológicos, mas envolve a criação de ambientes de aprendizagem mais acolhedores, seguros e 
adequados às demandas atuais. Ambientes bem equipados, com espaços adequados para a 
realização de atividades práticas e teóricas, também são fundamentais para promover um ensino 
mais eficaz. As escolas precisam ser vistas como ambientes de desenvolvimento, não apenas para 
os alunos, mas também para os educadores, que devem ser capacitados e ter suas condições de 
trabalho respeitadas. 
Miranda e Arancibia (2017) ressaltam a importância de repensar o vínculo entre a 
educação e o mundo do trabalho, destacando a necessidade de melhorar as condições de trabalho 
dos professores como forma de fortalecer a educação de maneira geral. O investimento em 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 9 
 
infraestrutura escolar, aliado a políticas públicas que promovam a valorização dos educadores, é 
um passo essencial para garantir que os professores possam desenvolver suas funções com 
qualidade,criando um ciclo virtuoso de melhoria no ensino e aprendizado. 
A melhoria das condições de trabalho docente, através do fornecimento adequado de 
equipamentos e da atualização das infraestruturas escolares, é crucial para a eficácia do ensino. A 
adoção de políticas públicas que priorizem esses investimentos não só apoia o trabalho docente, 
mas também contribui para a construção de um ambiente educacional mais inclusivo, inovador e 
capaz de atender às necessidades dos alunos. 
2.3 A MELHORIA SALARIAL E VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL 
A melhoria salarial e a valorização profissional dos professores são fundamentais para o 
fortalecimento da educação no Brasil. Embora a função docente seja essencial para o 
desenvolvimento da sociedade, os professores muitas vezes enfrentam condições de trabalho 
precárias, o que pode impactar diretamente a qualidade do ensino. Portanto, políticas públicas que 
visem melhorar a remuneração dos professores não apenas reconhecem a importância dessa 
profissão, mas também garantem que os educadores possam exercer suas funções com dignidade e 
dedicação. 
Como destaca Piovezan e Dal Ri (2019), a flexibilização e intensificação do trabalho 
docente têm sido uma característica crescente nos últimos anos, especialmente no Brasil e em 
Portugal. Muitos professores são sobrecarregados com turmas numerosas, jornadas de trabalho 
excessivas e a constante pressão por resultados. Em um cenário como esse, a valorização salarial 
se torna ainda mais crucial. Um salário justo não só melhora a qualidade de vida do educador, mas 
também contribui para sua motivação, incentivando-o a se dedicar mais ao ensino e a buscar 
aperfeiçoamento profissional. A desvalorização salarial, por outro lado, pode levar ao desânimo, à 
alta rotatividade de professores e à perda de profissionais qualificados, que buscam melhores 
oportunidades em outras áreas. 
O uso adequado do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação 
Básica) é outro fator crucial para garantir uma remuneração justa aos educadores e melhorar as 
condições de trabalho nas escolas. Este fundo foi criado para proporcionar recursos para a 
educação básica, mas sua gestão muitas vezes carece de eficiência e transparência. 
A destinação dos recursos do FUNDEB deve ser mais estratégica, com foco nas reais 
necessidades dos educadores, garantindo que as escolas tenham infraestrutura adequada e 
materiais didáticos de qualidade, além de investir no desenvolvimento profissional dos docentes. 
O fundo também deve ser usado para garantir que os professores recebam salários condizentes 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 10 
 
com suas qualificações e tempo de serviço, sem cair na armadilha das progressões salariais 
meramente burocráticas, que não refletem o real reconhecimento do trabalho docente. 
Em relação ao financiamento, a aplicação dos recursos do FUNDEB deve garantir a 
implementação de políticas de valorização salarial que realmente reconheçam o esforço dos 
professores, promovendo progressões salariais baseadas no mérito e na experiência, além de 
buscar formas de corrigir distorções salariais entre os diferentes estados e municípios. Isso é 
especialmente importante em um contexto onde a "uberização" do trabalho docente, conforme 
observa Silva (2019), tem se intensificado, com muitos professores sendo contratados de forma 
temporária ou em regimes de trabalho precarizados, sem garantias de progressão salarial ou 
benefícios adequados. 
A progressão salarial deve ser um instrumento de valorização, refletindo não apenas a 
experiência, mas também o desempenho do docente e suas qualificações contínuas. No entanto, 
como observa Seligmann-Silva (1994), o desgaste mental do trabalho, associado ao baixo salário e 
à falta de apoio institucional, pode levar ao esgotamento dos professores. 
A precarização das condições de trabalho docente, em combinação com a falta de 
valorização financeira, contribui para o aumento do estresse e da insatisfação profissional, 
afetando diretamente a qualidade do ensino. A melhoria salarial deve estar acompanhada de uma 
estratégia para combater a desmotivação, criando um ambiente de trabalho mais respeitoso e 
profissional, no qual os educadores se sintam reconhecidos e apoiados. 
O investimento em capacitação e formação continuada, aliado a uma remuneração justa, 
são passos essenciais para garantir que os professores possam se manter atualizados e bem 
preparados para enfrentar os desafios do ensino moderno. 
A melhoria salarial e a valorização profissional não podem ser tratadas como aspectos 
isolados, mas como componentes essenciais de uma política pública mais ampla, que busque 
garantir a qualidade da educação e o bem-estar dos profissionais envolvidos. Investir na educação 
significa investir nos professores, proporcionando-lhes melhores condições de trabalho, recursos 
adequados e, principalmente, o reconhecimento da importância de sua função na sociedade. 
 
2.4 A FORMAÇÃO CONTINUADA E REDUÇÃO DE TAREFAS EXTRA-ESCOLAR 
A formação continuada dos professores é uma necessidade fundamental para garantir que 
eles se mantenham atualizados com as novas metodologias e práticas pedagógicas. No entanto, 
para que essa formação seja eficaz e não sobrecarregue ainda mais os docentes, é necessário que 
as políticas públicas estejam focadas em criar programas de aperfeiçoamento profissional que 
sejam equilibrados, flexíveis e acessíveis. Os programas de formação não podem resultar em uma 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 11 
 
carga adicional de trabalho fora do horário escolar, o que poderia prejudicar ainda mais o bem-
estar dos professores e aumentar a sobrecarga que muitos já enfrentam, especialmente em relação 
às tarefas extra-escolares. 
O estudo de Ischkanian e Serafim (2025) sobre o novo ensino médio alerta para a 
necessidade de políticas que não sobrecarreguem ainda mais os professores, que já enfrentam 
desafios significativos em suas práticas pedagógicas diárias. A adoção de programas de formação 
contínua deve ser vista como uma oportunidade de crescimento profissional, mas sem que isso 
represente um fardo a mais para o docente, comprometendo seu tempo pessoal e sua saúde. 
É essencial que as políticas públicas também se concentrem na redução das tarefas 
administrativas que os professores frequentemente levam para casa. Essas atividades, muitas 
vezes, consomem o tempo que poderia ser destinado ao descanso, à família e ao cuidado da saúde 
mental e física. A sobrecarga de trabalho extra-escolar é uma das principais causas do estresse e 
do burnout entre os professores, o que pode afetar sua motivação e o desempenho no trabalho. 
Ivo e Hypólito (2015) discutem como as políticas gerenciais em educação têm imposto 
aos professores uma carga de trabalho excessiva, incluindo tarefas administrativas que distanciam 
o educador do seu principal objetivo: o ensino e o desenvolvimento dos alunos. Esse fenômeno, 
conhecido como a "burocratização" do trabalho docente, tem levado muitos professores a se 
sentirem desvalorizados e exaustos. A redução dessas tarefas fora da sala de aula é um passo 
importante para garantir que os professores tenham tempo para se concentrar no planejamento de 
aulas, no desenvolvimento de estratégias pedagógicas e, o mais importante, para o cuidado com 
sua saúde física e mental. 
A implementação de políticas que busquem diminuir a carga de tarefas extra-escolares 
não só melhora o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal dos educadores, mas também 
contribui para a manutenção de sua saúde mental, fundamental para que possam continuar 
desempenhando suas funções com qualidade. De acordo com Jacomini e Penna (2016), a 
valorização da carreira docente envolve, entre outras ações, a criação decondições de trabalho que 
proporcionem aos professores tempo e espaço para sua formação contínua, bem como para o 
descanso e a recuperação de suas energias. 
A formação continuada, ao ser inserida de forma planejada e com atenção ao tempo do 
professor, e a redução das tarefas administrativas são componentes essenciais de um ambiente de 
trabalho saudável para o docente. Essas ações são cruciais para garantir a qualidade de vida dos 
professores e, consequentemente, a qualidade do ensino oferecido aos alunos. As políticas 
públicas precisam, portanto, priorizar esses aspectos, considerando a carga de trabalho dos 
educadores como um fator determinante para a eficácia do processo educativo. 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 12 
 
2.6 O PAPEL DO ENSINO HIBRIDO NO ENSINO MÉDIO POR DAMIÃO DE SOUZA 
SANTOS, IMPACTOS NA QUALIDADE DE ENSINO 
A implementação do ensino híbrido no ensino médio, conforme proposto por Damião de 
Souza Santos, pode desempenhar um papel crucial na redução da sobrecarga dos professores, 
proporcionando uma maneira mais equilibrada e eficaz de organizar as atividades pedagógicas. 
A Educação Híbrida surge como um processo inovador de ensino, com a proposta de 
integrar métodos presenciais e tecnológicos para aprimorar a aprendizagem. Essa abordagem não 
só moderniza o ensino, mas também insere tanto estudantes quanto professores na era digital, 
permitindo o uso consciente das tecnologias e explorando suas potencialidades. Ao incorporar 
essas ferramentas de forma estratégica, o ensino se torna mais dinâmico e adaptado às 
necessidades da sociedade contemporânea, o que é destacado em Moran e Bacich: 
 
Híbrido significa misturado, mesclado, blended. A educação sempre foi misturada, 
híbrida, sempre combinou vários espaços, tempos, atividades, metodologias, públicos. 
Esse processo, agora, com a mobilidade e a conectividade, é muito mais perceptível, 
amplo e profundo: é um ecossistema mais aberto e criativo. Podemos ensinar e aprender 
de inúmeras formas, em todos os momentos, em múltiplos espaços. Híbrido é um 
conceito rico, apropriado e complicado. Tudo pode ser misturado, combinado, e podemos, 
com os mesmos ingredientes, preparar diversos “pratos”, com sabores muito diferentes 
(MORAN, 2015, p. 22) 
 
No entanto, muitas vezes, o conceito de Ensino Híbrido é reduzido a uma simples 
combinação de aulas presenciais e online, o que limita a compreensão de sua verdadeira proposta. 
A Educação Híbrida vai além dessa visão simplista, envolvendo uma transformação pedagógica 
mais profunda, com o uso das tecnologias como um meio de personalizar e enriquecer a 
aprendizagem. Nesse sentido, o modelo busca não apenas a adaptação ao ambiente digital, mas 
uma reestruturação do processo educativo, alinhando-o às exigências da sociedade digital e às 
demandas do mercado de trabalho atual. 
O conceito de Ensino Híbrido está fundamentado na ideia de que a aprendizagem não 
ocorre de uma única forma e é um processo contínuo. Essa modalidade educacional busca integrar 
o melhor de duas realidades distintas: o ensino online e o presencial. Em termos simples, o Ensino 
Híbrido estabelece uma conexão entre o ensino tradicional, em sala de aula, e o aprendizado 
realizado em ambientes digitais, onde as tecnologias são utilizadas como ferramentas 
complementares ao processo educativo. 
Uma dessas qualidades é a autenticidade, o que significa que o educador deve ser genuíno 
e real, e não apenas uma figura impessoal que transmite conteúdo de maneira mecanicista. O 
professor deve se apresentar como um ser humano, algo mais do que um transmissor de 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 13 
 
conhecimento, criando uma conexão verdadeira com os alunos e indo além da simples função de 
"passar informações". 
O apreço pelo aluno também se destaca como um aspecto fundamental. O educador deve 
valorizar os sentimentos, as opiniões e as perspectivas dos estudantes, sendo capaz de se colocar 
no lugar deles, compreendendo suas realidades e, assim, criando um ambiente de aprendizagem 
mais empático e eficaz. 
Esse tema se torna ainda mais relevante no contexto educacional brasileiro, onde a 
implementação do Ensino Híbrido pode ser uma solução importante para reduzir a sobrecarga dos 
professores. Ao equilibrar atividades presenciais com interações digitais, o modelo permite que os 
docentes possam planejar suas aulas de maneira mais flexível, distribuindo melhor seu tempo e 
otimizando sua carga de trabalho. No entanto, para que essa abordagem seja eficaz, é fundamental 
que haja uma implementação cuidadosa, com investimentos adequados em infraestrutura e 
formação docente. 
O ensino híbrido, ao combinar métodos presenciais e online, permite que o docente 
aproveite a flexibilidade da tecnologia para otimizar sua carga de trabalho, ao mesmo tempo que 
preserva o espaço físico para interações significativas com os alunos. Essa abordagem se 
configura como uma solução para a sobrecarga de tarefas administrativas e pedagógicas que 
muitos educadores enfrentam, ao permitir uma distribuição mais equilibrada do tempo entre o 
ensino digital e presencial. 
Quando o professor é capaz de compreender as reações internas dos estudantes, ele 
adquire uma percepção sensível de como o processo de ensino e aprendizagem ocorre. Isso amplia 
as possibilidades de proporcionar uma aprendizagem mais significativa para os alunos. 
A convergência entre os ambientes presenciais e virtuais tem mostrado como dois 
espaços de aprendizagem, que historicamente se desenvolveram de forma independente, a 
tradicional sala de aula e os modernos ambientes virtuais, podem se complementar de maneira 
eficaz. 
O objetivo do Ensino Híbrido, portanto, é aproveitar as vantagens de ambas as 
modalidades, levando em consideração aspectos como custo, objetivos educacionais, contexto, 
adequação pedagógica e o perfil dos alunos. Essa abordagem combina atividades assíncronas, 
baseadas em tecnologia, com práticas síncronas e presenciais. Em outras palavras, mistura o 
ensino a distância, onde o aluno tem autonomia para estudar no seu próprio ritmo, usando recursos 
digitais, com o aprendizado presencial, no qual o estudante interage com o grupo e o professor, 
promovendo o diálogo e o aprendizado colaborativo. Assim, essas duas modalidades se 
complementam, proporcionando experiências diferentes de aprendizagem. 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 14 
 
No modelo híbrido, a concepção é que alunos e professores ensinem e aprendam em 
lugares e momentos distintos. No Ensino Superior, por exemplo, isso está relacionado a uma 
metodologia de ensino a distância (EaD), onde o modelo presencial se combina com o ensino 
remoto. Em algumas situações, determinadas disciplinas são trabalhadas de forma presencial, 
enquanto outras são realizadas a distância. Esse conceito inicial do Ensino Híbrido evoluiu para 
incorporar uma gama mais ampla de estratégias pedagógicas inovadoras. 
A utilização de recursos digitais pode reduzir a pressão sobre os professores, permitindo 
que eles forneçam materiais complementares online e proponham atividades que os estudantes 
podem realizar fora do horário de aula. Isso cria uma divisão mais eficiente da carga de trabalho, 
aliviando a necessidade de dedicar longas horas extras preparando aulas presenciais e materiais 
didáticos. Ao mesmo tempo, as interações presenciais podem ser enriquecidas, concentrando-se 
em discussões, resolução de dúvidas e atividades práticas que exigem a presença do professor. 
Essa combinação tem o potencial de melhorar a qualidade do ensino, tornando-o mais dinâmico e 
acessível aos alunos, ao mesmo tempo em que proporciona ao educador uma formamais 
gerenciável de conduzir o processo de ensino-aprendizagem. 
Entretanto, para que o ensino híbrido seja realmente eficaz na redução da sobrecarga 
docente e na melhoria da qualidade do ensino, é essencial que haja um suporte adequado por parte 
das políticas públicas. Em primeiro lugar, a formação continuada dos professores é fundamental. 
Como o ensino híbrido exige habilidades específicas, como o manejo de plataformas digitais e a 
criação de conteúdos interativos online, os educadores precisam ser adequadamente treinados. 
Programas de formação devem ser implementados, garantindo que todos os docentes tenham 
acesso a capacitações que os ajudem a integrar as tecnologias de forma eficaz em suas práticas 
pedagógicas. HYPÓLITO (2020) destaca a importância de que a formação docente seja adaptada 
às mudanças nas práticas educacionais, e isso inclui o uso de novas tecnologias e abordagens 
pedagógicas. 
Conforme Horn e Staker (2015, p. 54), 
 
O ensino híbrido é um programa de educação formal no qual um estudante aprende, pelo 
menos em parte, por meio da aprendizagem on-line, sobre o qual tem algum tipo de 
controle em relação ao tempo, ao lugar, ao caminho e/ou ao ritmo e, pelo menos em parte, 
em um local físico, supervisionado, longe de casa. 
 
A valorização do professor é um dos pilares essenciais para que qualquer iniciativa 
educacional tenha sucesso, especialmente no contexto brasileiro. O ensino híbrido, ao combinar o 
aprendizado presencial e online, oferece um potencial significativo para modernizar e expandir a 
educação no país. No entanto, para que essa abordagem funcione de maneira eficaz, é fundamental 
que as políticas públicas invistam não apenas na infraestrutura necessária, mas também na 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 15 
 
valorização dos docentes, garantindo que eles tenham as condições adequadas para exercer sua 
função. 
O professor, como agente central desse processo, precisa ser capacitado, reconhecido e 
adequadamente remunerado para lidar com as novas demandas do ensino híbrido. Isso inclui a 
oferta de formação continuada para que ele se sinta seguro e preparado para utilizar tecnologias de 
forma eficiente, além de garantir que ele tenha acesso a dispositivos tecnológicos adequados, 
como computadores, tablets e outros recursos essenciais para a execução de suas atividades tanto 
no ambiente presencial quanto no digital. 
Sem a valorização profissional, o uso de novas metodologias pedagógicas, como o ensino 
híbrido, pode se tornar uma tarefa ainda mais árdua e ineficaz. A sobrecarga de trabalho e a falta 
de recursos para os educadores podem minar o impacto positivo que o ensino híbrido poderia ter, 
comprometendo a qualidade do ensino. Por isso, é imprescindível que os investimentos em 
infraestrutura tecnológica para o ensino híbrido sejam acompanhados de políticas públicas que 
priorizem a valorização do professor, garantindo que ele tenha as condições adequadas para 
ensinar com excelência e contribuir para o sucesso educacional no Brasil. 
O uso do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB) 
pode ser um instrumento chave para garantir esses investimentos, mas é necessário que a aplicação 
dos recursos seja transparente e focada na real necessidade dos docentes e estudantes, conforme 
defendido por HIRATA (2011), que aponta a precarização do trabalho docente como um dos 
desafios a ser combatido. 
A introdução do ensino híbrido no novo modelo do ensino médio pode, portanto, ser uma 
estratégia valiosa para aliviar a sobrecarga docente, melhorar a qualidade de ensino e oferecer uma 
experiência de aprendizado mais flexível e interativa. No entanto, para que isso aconteça de 
maneira efetiva, é necessário um compromisso robusto com a formação dos professores e com o 
fornecimento de recursos tecnológicos adequados. 
A implementação do ensino híbrido deve ser apoiada por políticas públicas que priorizem 
o desenvolvimento profissional e o bem-estar dos educadores, garantindo que eles tenham as 
ferramentas necessárias para integrar o digital ao ensino de forma eficaz, sem que isso 
sobrecarregue ainda mais sua rotina de trabalho. 
O ensino híbrido tem se destacado como uma das principais inovações pedagógicas do 
século XXI, principalmente no contexto do ensino médio. Essa modalidade combina o ensino 
presencial tradicional com o aprendizado online, permitindo que os alunos se beneficiem do 
melhor dos dois mundos: a interação direta com o professor e os colegas em sala de aula, somada 
à flexibilidade do aprendizado remoto. A implementação do ensino híbrido, conforme destacado 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 16 
 
por Damião de Souza Santos, tem o potencial de promover uma transformação significativa na 
qualidade do ensino, oferecendo uma abordagem mais personalizada e adaptada às necessidades 
de cada estudante. 
A proposta de ensino híbrido no ensino médio visa à utilização de tecnologias para tornar 
o processo de aprendizagem mais dinâmico e eficiente. A integração de ambientes virtuais de 
aprendizagem com o ensino presencial proporciona aos alunos maior autonomia, ao mesmo tempo 
em que mantém a orientação constante do educador. Santos enfatiza que, ao adotar essa 
abordagem, os professores podem otimizar seu tempo e seu trabalho pedagógico, além de 
estimular o envolvimento ativo dos estudantes no processo de aprendizagem. Ao misturar 
momentos de aula presencial com o uso de ferramentas digitais, o ensino híbrido cria um ambiente 
mais colaborativo e interativo, essencial para o desenvolvimento do aprendizado no contexto 
contemporâneo. 
Simone Helen Drumond Ischkanian, em sua análise sobre a educação disruptiva, destaca 
que o ensino híbrido pode ser considerado uma forma de "inovação disruptiva" no sistema 
educacional. Essa inovação vai além de simples mudanças tecnológicas, buscando transformar a 
estrutura e a metodologia do ensino, alinhando-se às novas necessidades do século XXI. 
O conceito de blended learning (ensino misto) permite que a educação se aproxime mais 
das exigências do mercado de trabalho e das habilidades exigidas na sociedade digitalizada. 
Ischkanian argumenta que, ao proporcionar uma combinação entre métodos tradicionais e 
modernos, o ensino híbrido prepara os estudantes para um mundo em que a adaptação a novas 
tecnologias e métodos de trabalho será cada vez mais necessária. 
Os impactos do ensino híbrido na qualidade de ensino dependem de uma série de fatores, 
incluindo o investimento em infraestrutura adequada, formação contínua dos professores e um 
planejamento cuidadoso de como as tecnologias serão integradas ao currículo. É essencial que as 
escolas invistam em recursos tecnológicos e capacitação docente para garantir que o uso dessas 
ferramentas seja eficiente, é fundamental que os educadores recebam o suporte necessário para 
lidar com a transição para esse modelo e para adaptar suas práticas pedagógicas à realidade digital, 
garantindo que a tecnologia seja um meio para melhorar a aprendizagem e não um fim em si 
mesma. 
O ensino híbrido, ao se configurar como uma inovação disruptiva, tem o potencial de 
aprimorar significativamente a qualidade do ensino médio no Brasil. Ao combinar flexibilidade, 
personalização e tecnologia, ele cria novas oportunidades de aprendizado para os alunos e amplia 
as possibilidades pedagógicas para os educadores. No entanto, seu sucesso dependerá do 
compromisso do poder público em garantir recursos, capacitação docente e uma infraestrutura que 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 17 
 
suporte adequadamente essa mudança, criando um ambiente educacional mais inclusivo e 
preparado para os desafiosdo futuro. 
2.7 A PRESSÃO POR RESULTADOS EM EXAMES NACIONAIS 
A pressão por resultados em exames nacionais, como o ENEM, tem sido uma questão 
recorrente no cenário educacional brasileiro, gerando intensificação no trabalho dos professores, 
especialmente no ensino médio. Essas avaliações são vistas como indicadores cruciais do 
desempenho das escolas e da qualidade da educação, o que coloca uma grande responsabilidade 
sobre os educadores. O impacto dessa pressão pode ser observado em diversas áreas, incluindo a 
rotina dos professores, a gestão do tempo e o aumento da carga de trabalho. 
O ENEM e outras avaliações nacionais não apenas exigem que os alunos estejam bem 
preparados, mas também que os professores adaptem seus métodos de ensino para atender às 
exigências desses exames, muitas vezes com foco na memorização e resolução de questões 
objetivas. Esse cenário leva a uma intensificação das atividades pedagógicas, com os educadores 
sendo constantemente desafiados a melhorar os resultados dos alunos, o que agrava a sobrecarga 
de trabalho. Garcia e Anadon (2009) destacam que essa intensificação do trabalho docente é um 
reflexo da pressão por resultados, que implica na exigência de um desempenho cada vez mais 
elevado por parte dos educadores. 
A pressão por resultados, que se reflete tanto nas escolas quanto nas famílias e 
comunidades, acaba por criar um ambiente de trabalho cada vez mais estressante para os docentes. 
Além da carga de preparação de aulas, correção de atividades e participação em reuniões 
pedagógicas, os professores precisam dedicar tempo extra à preparação para os exames, focando 
principalmente em conteúdos específicos que serão cobrados nas provas. Isso resulta em um ciclo 
de autointensificação, onde os próprios professores se veem obrigados a aumentar ainda mais sua 
carga de trabalho para atender a essas demandas, muitas vezes sem o devido reconhecimento ou 
suporte institucional. Guerreiro et al. (2016) observam que os professores enfrentam uma 
sobrecarga de trabalho, com impacto direto em sua saúde física e mental, e uma crescente pressão 
para melhorar os resultados acadêmicos. 
A pressão por resultados pode afetar a saúde mental e física dos educadores, uma vez que 
eles são continuamente cobrados por desempenhos cada vez mais altos, enquanto enfrentam 
condições de trabalho frequentemente desfavoráveis, como falta de recursos, sobrecarga de alunos 
e jornadas extensas. Esse contexto pode levar ao desgaste do profissional e, consequentemente, ao 
comprometimento da qualidade do ensino, pois a pressão excessiva pode diminuir a capacidade 
dos docentes de inovar e de adotar práticas pedagógicas mais eficazes e criativas, como destacado 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 18 
 
por Hargreaves (1995, 2005), que aponta a intensificação do trabalho docente como um fator que 
prejudica a qualidade da educação. 
É essencial que as políticas públicas educacionais reconheçam o impacto da pressão por 
resultados em exames nacionais sobre a carga de trabalho dos professores e busquem soluções 
para equilibrar essa demanda. A valorização do trabalho docente, o investimento em formação 
contínua e em melhores condições de trabalho, além de uma abordagem mais holística na 
avaliação da qualidade educacional, são passos fundamentais para reduzir a sobrecarga dos 
professores e garantir um ambiente de aprendizagem mais saudável e produtivo. 
2.8 OS DESAFIOS NA GESTÃO DO TEMPO E EQUILÍBRIO VIDA PROFISSIONAL E 
PESSOAL DO PROFESSOR 
A sobrecarga de trabalho docente tem se configurado como um dos principais obstáculos 
para os professores conseguirem equilibrar suas responsabilidades profissionais com suas vidas 
pessoais e familiares. A intensificação das demandas, decorrente da pressão para alcançar 
melhores resultados acadêmicos, da gestão de turmas numerosas e da implementação de novas 
políticas educacionais, como o Novo Ensino Médio, exige que os docentes dediquem mais horas 
ao trabalho, frequentemente comprometendo o tempo destinado à família e ao descanso. 
Esse cenário de sobrecarga reflete-se diretamente na saúde e bem-estar dos educadores, 
uma vez que, como observam Araújo, Pinho e Masson (2019), a pressão constante para atender às 
múltiplas responsabilidades profissionais gera estresse, ansiedade e cansaço físico e mental. 
Muitos professores acabam por levar trabalho para casa, onde continuam planejando aulas, 
corrigindo atividades e preparando conteúdos, o que resulta na diminuição da qualidade de vida 
fora do ambiente escolar. Isso impacta a sua capacidade de manter um equilíbrio saudável entre o 
trabalho e a vida pessoal, afetando também as relações familiares e o cuidado com a saúde. 
A intensificação do trabalho docente, associada à escassez de recursos, como defende 
Barbosa (2018), pode gerar um ciclo de desgaste que prejudica não apenas o desempenho 
profissional, mas também a saúde mental e física dos professores. Com isso, muitos profissionais 
se veem forçados a sacrificar seu bem-estar pessoal e familiar para atender às demandas do 
sistema educacional, o que compromete sua qualidade de vida e sua capacidade de se engajar de 
forma plena com os alunos. 
A pressão por resultados, tanto no cumprimento de metas educacionais quanto nos 
exames nacionais, tem um impacto adicional sobre o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. 
De acordo com Alves e Pinto (2011), a carga de trabalho cada vez maior e a remuneração 
deficiente agravam esse cenário, levando muitos docentes a se afastarem das atividades 
extracurriculares e do lazer para compensar a falta de tempo. Este fenômeno está intimamente 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 19 
 
ligado à precarização das condições de trabalho, o que, conforme Boris (2014), amplia ainda mais 
as desigualdades entre o trabalho doméstico e o trabalho remunerado, especialmente para as 
professoras, que muitas vezes precisam lidar com as expectativas de desempenho no trabalho e as 
responsabilidades familiares simultaneamente. 
Para que a educação no Brasil possa avançar e proporcionar melhores resultados, é 
fundamental que se implementem políticas públicas que considerem as condições de trabalho dos 
professores, incluindo uma melhor distribuição das responsabilidades profissionais e um maior 
reconhecimento do valor do trabalho docente. Isso envolve, entre outras medidas, o investimento 
em formação contínua, o aumento da remuneração, a oferta de infraestrutura adequada e o apoio 
para a gestão do tempo, possibilitando que os educadores consigam conciliar suas vidas pessoais 
com as exigências profissionais. 
 
2.9 POLÍTICAS PÚBLICAS EFICAZES PARA APOIAR OS PROFESSORES: QUANDO 
O BRASIL IMPLEMENTARÁ MUDANÇAS REAIS? 
 
As políticas públicas voltadas para a educação no Brasil têm se mostrado insuficientes 
para aliviar a sobrecarga de trabalho dos professores, que enfrentam uma realidade de exaustão e 
sobrecarga, refletindo diretamente na qualidade do ensino. A falta de apoio estrutural, de 
investimentos adequados e a pressão por resultados em exames nacionais, como o ENEM, exigem 
uma reflexão crítica sobre a necessidade de mudanças reais na gestão educacional. As políticas 
públicas atuais precisam não apenas garantir uma remuneração mais justa para os professores, mas 
também proporcionar melhores condições de trabalho, que incluam o desenvolvimento de 
programas de formação continuada e o fornecimento adequado de recursos tecnológicos. 
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE, 2012) destaca a 
precarização das condições de trabalho dos professores, com muitas escolas públicas carecendo de 
infraestrutura básica. Além disso, a sobrecarga de trabalho e a intensificação das atividades, como 
apontam os estudos de Dal Rosso (2010),geram um ciclo de exaustão física e mental nos 
docentes, impactando diretamente na sua saúde e no seu desempenho profissional. A precarização 
do trabalho também é observada na demissão de educadores em licença saúde, como relatado pelo 
CPERS-Sindicato (2019), o que agrava ainda mais o cenário de estresse e cansaço que os 
professores enfrentam. 
Para que as políticas públicas se tornem eficazes, é necessário que haja uma alocação 
adequada de recursos, tanto financeiros quanto materiais. O investimento em infraestrutura é 
crucial para garantir um ambiente de trabalho digno e funcional. Além disso, a implementação de 
programas de formação continuada, como sugerido por Cunha (2010), é uma estratégia 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 20 
 
fundamental para a atualização dos docentes frente às novas metodologias de ensino e tecnologias 
educacionais, sem que isso acarrete uma sobrecarga adicional de trabalho. 
A formação dos professores deve estar em sintonia com as exigências do sistema 
educacional e, como defendem Ischkanian e Serafim (2025), o novo Ensino Médio precisa ser 
repensado para que sua implementação não seja uma carga adicional sobre os educadores. As 
reformas educacionais, quando mal implementadas, podem agravar ainda mais a pressão sobre os 
docentes, gerando mais trabalho e, consequentemente, prejudicando a qualidade do ensino. A 
reforma do Ensino Médio, conforme Ferretti (2018), carece de uma análise mais profunda sobre 
suas implicações na prática pedagógica e nas condições de trabalho dos professores. 
Em um cenário ideal, as políticas públicas deveriam priorizar a melhoria das condições 
de trabalho dos professores, garantindo que tenham tempo e recursos adequados para se dedicarem 
à sua profissão sem comprometer sua saúde ou sua vida pessoal. Isso inclui a revisão das 
estratégias de gestão do tempo, oferecendo aos professores a possibilidade de um equilíbrio entre a 
vida profissional e pessoal, como apontam os estudos de Ferreira (2019) e Dal Rosso (2006). 
As autoras Ischkanian e Serafim (2025), destacam que a implementação concreta de tais 
políticas requer a participação ativa dos educadores, que devem ser ouvidos na construção de 
soluções para os problemas enfrentados nas escolas. Somente com um olhar atento às 
necessidades reais dos professores e um comprometimento sério do poder público será possível 
alcançar mudanças que realmente promovam a valorização e a melhoria da educação no Brasil. 
 
2.10 O NOVO ENSINO MÉDIO: UM RETROCESSO NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 
POR NATALI MARIA SERAFIM 
O Novo Ensino Médio, instituído pela reforma educacional no Brasil, tem sido alvo de 
intensos debates sobre seus impactos na qualidade da educação e nas condições de trabalho dos 
docentes. A proposta de flexibilização curricular, que visa atender às demandas do mercado de 
trabalho e proporcionar uma formação mais personalizada aos estudantes, tem gerado 
questionamentos quanto à sua efetividade e aos resultados para a educação pública no país. 
Diversos autores têm abordado as implicações dessa reforma, destacando tanto suas falhas 
estruturais quanto as promessas não cumpridas de melhoria no ensino médio brasileiro. 
A análise realizada por autores como Darós et al. (2023), Ferretti (2018) e Silva, 
Possamai e Martini (2020) revela que a reforma, apesar de sua intenção de modernização, pode ser 
considerada um retrocesso. A flexibilização do currículo, que busca oferecer itinerários 
formativos, acaba por ignorar a realidade das escolas públicas, muitas das quais carecem de 
infraestrutura e recursos adequados. As condições de trabalho dos professores também são 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 21 
 
negligenciadas, o que resulta em sobrecarga de tarefas, sem o devido suporte pedagógico e 
profissional. Nesse contexto, a proposta não leva em conta as desigualdades regionais e sociais 
que afetam diretamente a educação, agravando ainda mais as disparidades entre escolas públicas e 
privadas, além de sobrecarregar os docentes, que enfrentam um cenário de precarização e falta de 
valorização. 
A importância das políticas públicas no processo de formação dos estudantes e na 
construção de uma educação de qualidade é, portanto, um ponto central dessa discussão. A 
implementação de uma reforma eficaz exige investimentos sólidos em infraestrutura escolar, 
valorização dos profissionais da educação e o desenvolvimento de políticas públicas que 
considerem as reais condições de trabalho dos professores e as necessidades das escolas. Como 
afirmam Silva e Costa (2022), é essencial que as políticas educacionais sejam adaptadas para 
promover a permanência dos alunos e o sucesso escolar, não apenas no papel, mas também na 
prática, por meio de um suporte institucional e governamental consistente. 
A análise crítica da reforma do Novo Ensino Médio e suas implicações para a educação 
brasileira aponta a necessidade urgente de repensar as políticas educacionais, levando em 
consideração as especificidades regionais e as condições estruturais do sistema educacional, para 
garantir uma formação mais justa e equitativa para todos os estudantes. No entanto, essa reflexão 
não pode se limitar apenas às mudanças curriculares ou às diretrizes pedagógicas propostas pela 
reforma. Um aspecto fundamental que precisa ser destacado e priorizado é a valorização do 
profissional da educação, um fator que, infelizmente, tem sido negligenciado em muitas das 
discussões sobre a reforma. 
O docente é, sem dúvida, o pilar central do processo educacional. São os professores que 
estão na linha de frente, enfrentando a realidade das escolas, lidando diretamente com os desafios 
diários de ensino e aprendizagem. No entanto, apesar de sua importância indiscutível, os 
profissionais da educação continuam sendo sistematicamente desvalorizados, seja pela 
precarização das condições de trabalho, pela sobrecarga de atividades, seja pela falta de 
reconhecimento e investimento na formação contínua. A reforma do Novo Ensino Médio, ao 
intensificar a carga horária, sem o devido suporte institucional e a capacitação necessária, só 
agrava esse cenário. 
Para que as políticas educacionais se tornem realmente eficazes e transformadoras, é 
essencial que se invista de forma significativa na valorização dos professores. Isso inclui a 
melhoria nas condições de trabalho, com a garantia de um ambiente adequado, o apoio pedagógico 
necessário e a redução das tarefas burocráticas que sobrecarregam os docentes. Além disso, é 
preciso assegurar que os professores tenham acesso a uma formação continuada de qualidade, que 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 22 
 
os capacite a lidar com as novas exigências do currículo, sem perder de vista o contexto real das 
escolas e das necessidades dos estudantes. 
A valorização do professor não se resume ao aumento salarial, embora este também seja 
um ponto importante. Ela envolve, sobretudo, o reconhecimento do seu papel como agente 
transformador da sociedade e a garantia de que ele tenha os recursos e as condições necessárias 
para desempenhar sua função com dignidade. Quando os professores são bem apoiados e 
valorizados, todo o sistema educacional ganha, refletindo positivamente na qualidade do ensino e, 
consequentemente, no sucesso dos estudantes. 
Ao repensar as políticas educacionais, deve-se compreender que a valorização do docente 
é um componente essencial para a construção de uma educação de qualidade. Só assim será 
possível garantir uma formação mais justa, equitativa e, sobretudo, eficaz, que não apenas atenda 
às exigências do mercado de trabalho, mas que prepare os alunos de forma integral para os 
desafios do futuro, sem aprofundaras desigualdades educacionais já existentes. 
O Novo Ensino Médio, implementado com a proposta de flexibilização curricular e 
adaptação às necessidades do mercado de trabalho, tem gerado sérias críticas tanto entre 
professores quanto entre estudantes. Segundo o Ministério da Educação (MEC, 2022), o objetivo 
da reforma é proporcionar uma formação mais personalizada para os alunos, aumentando as 
possibilidades de escolha dentro de um currículo diversificado e permitindo que eles se 
aprofundem em áreas de seu interesse. No entanto, essa flexibilidade, sem uma base sólida de 
apoio e estrutura, tem gerado um efeito inverso, afetando negativamente tanto a qualidade do 
ensino quanto a motivação dos docentes. 
A reforma do Ensino Médio no Brasil, implementada com o objetivo de modernizar e 
tornar o ensino mais alinhado às necessidades do século XXI, tem sido alvo de críticas que 
destacam um possível retrocesso em diversos aspectos. A proposta do Novo Ensino Médio, que 
altera profundamente a estrutura curricular e propõe novas diretrizes para a formação dos 
estudantes, tem gerado controvérsias, especialmente entre os profissionais da educação. 
A principal crítica, conforme abordada por Natali Maria Serafim, é que a reforma, ao 
priorizar mudanças curriculares sem considerar as condições de trabalho dos professores e a 
realidade das escolas, acaba por agravar as desigualdades no sistema educacional brasileiro. 
A proposta de flexibilizar o currículo e criar itinerários formativos para os alunos pode 
até ser vista como uma tentativa de diversificação do ensino, mas, na prática, ela ignora o fato de 
que muitas escolas públicas não possuem a infraestrutura necessária para implementar essas 
mudanças de forma eficiente, o modelo do Novo Ensino Médio exige dos docentes uma adaptação 
O DESAFIO DA SOBRECARGA DOCENTE NO ENSINO MÉDIO: IMPACTOS NA 
QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 23 
 
que, em muitos casos, não é acompanhada de formação continuada adequada e de suporte 
institucional. 
A reforma não leva em consideração que a intensificação das demandas, como a 
ampliação da carga horária e a necessidade de adaptação ao novo currículo, ocorre em um 
contexto de precarização do ensino público. Professores, frequentemente sobrecarregados com 
atividades administrativas e falta de apoio pedagógico, acabam tendo sua capacidade de ensinar 
comprometida. O foco excessivo no desempenho dos alunos em exames como o ENEM, sem o 
devido suporte às condições de trabalho dos docentes, contribui para o desgaste físico e emocional 
dos profissionais, prejudicando a qualidade do ensino oferecido. 
Serafim também aponta para o fato de que a reforma não resolve, de fato, os problemas 
estruturais do Ensino Médio brasileiro. As disparidades entre as escolas públicas e privadas se 
tornam ainda mais evidentes com a implementação do Novo Ensino Médio. A falta de recursos 
nas escolas públicas, a escassez de materiais didáticos adequados e a ausência de programas de 
formação contínua para os professores dificultam a realização dos objetivos propostos pela 
reforma. Ao mesmo tempo, as escolas privadas, que têm acesso a recursos financeiros e 
pedagógicos, conseguem adaptar-se mais facilmente às novas exigências curriculares, criando um 
abismo ainda maior entre as realidades educacionais do Brasil. 
A autora ressalta que o Novo Ensino Médio, ao não considerar a realidade dos docentes e 
dos estudantes, acaba por contribuir para a manutenção de uma educação excludente. O discurso 
de modernização e flexibilização do currículo, em muitos casos, esconde o fato de que o sistema 
educacional, especialmente o público, carece de investimentos em infraestrutura, formação de 
professores e valorização profissional. A proposta de flexibilização curricular e itinerários 
formativos, sem uma base sólida de apoio e recursos, não pode ser vista como uma verdadeira 
solução para os problemas enfrentados pelas escolas públicas. 
A crítica de Natali Maria Serafim aponta que o Novo Ensino Médio, ao invés de 
representar um avanço, pode ser interpretado como um retrocesso em muitos aspectos. A falta de 
atenção às condições de trabalho dos professores e a ausência de investimentos reais na educação 
pública contribuem para o agravamento das desigualdades educacionais no país. Para que a 
reforma seja efetiva, é necessário que se estabeleçam políticas públicas que valorizem o trabalho 
docente, invistam na infraestrutura das escolas e promovam a formação continuada dos 
educadores. Somente assim será possível garantir uma educação de qualidade para todos os 
estudantes, independentemente da rede de ensino em que estão inseridos. 
O MEC (2022) argumenta que a implementação do Novo Ensino Médio visa tornar os 
estudantes mais preparados para os desafios do mundo contemporâneo, com foco nas 
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QUALIDADE DE ENSINO E NO BEM-ESTAR DO EDUCADOR. Página 24 
 
competências e habilidades exigidas pelo mercado de trabalho e pela sociedade. Contudo, a crítica 
de muitos professores é que a carga de trabalho aumentou consideravelmente devido à exigência 
de novos planos de aula e à adaptação das atividades pedagógicas. Isso se soma à burocracia 
imposta pelas novas normas, que, ao invés de simplificar o processo educativo, acabam 
sobrecarregando os educadores e prejudicando o tempo dedicado ao ensino de fato. 
Segundo a autora Natali Maria Serafim, a materialização do trabalho docente diverge 
muito do que os documentos oficiais almejam para a educação do estado, a autora destaca que: 
 
“Acompanhando a materialização do trabalho docente, orientando e observando os 
planejamentos, observando o aprendizado dos alunos, planejando formações e nas 
discussões nestas formações e diariamente na escola, pude acompanhar e vivenciar de 
forma mais intensa as consequências da intensificação do trabalho docente, 
principalmente do Ensino Médio noturno. Os professores, em sua maioria, possuem 
também uma carga horária no período diurno, assumem aulas em diversas escolas, não 
conseguem ter uma estabilidade em uma única escola, as próprias equipes de professores 
não se conhecem, muito menos conseguem realizar um planejamento em conjunto. A 
equipe gestora, também defasada em pessoal, não consegue fazer essa intermediação 
entre os professores. A formação integral dos alunos, a superação do etapismo com um 
percurso formativo curricular planejado de forma coletiva, fica muito aquém do almejado 
pelos documentos elaborados para a educação de Santa Catarina.” (SERAFIM, 2025 
escritos fidedignos da autora) 
 
Devido a uma carga intensa de trabalho acompanhada de burocracias, o professor não 
consegue acompanhar as discussões realizadas sobre a educação. Na implementação do Novo 
Ensino Médio, por exemplo, poucos acompanharam as formações e os objetivos e finalidades dos 
componentes curriculares, muito menos conseguiram colocar em prática em suas aulas o que está 
presente no Currículo Base do Território Catarinense. 
A análise crítica da reforma do Ensino Médio, conforme discutida por diversos autores, é 
ainda mais enriquecida quando consideramos a participação ativa de profissionais da educação no 
debate sobre suas implicações. Um exemplo disso é o envolvimento da autora, Natali Maria 
Serafim, que faz parte de um grupo de discussão no WhatsApp composto por cerca de 200 
profissionais da educação. Nesse espaço, educadores de diferentes regiões do Brasil têm se 
reunido para debater as críticas ao Novo Ensino Médio e refletir sobre as condições de trabalho 
dos docentes, que muitas vezes são desvalorizadas em diversos aspectos. Esse grupo serve como 
um ponto de encontro para os profissionais expressarem suas angústias e compartilhar suas 
experiências sobre o impacto da reforma no cotidiano escolar. 
As discussões dentro deste grupo de WhatsApp frequentemente abordam a carga

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