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Enf. Vitor Latorre Mestre em Ciências da Saúde – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) Especialista em Enfermagem Cardiovascular – Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC) Enfermeiro Coordenador da Hemodinâmica – IDPC Enfermeiro Assistencial Hemodinâmica – Hospital do Coração (Hcor) Endocardite Infecciosa e Pericardite Objetivos da aula Discutir os conceitos: Endocardite Infecciosa Pericardite Derrame Pericárdico Tamponamento Cardíaco Papel do Enfermeiro nessas situações Caso Clínico Caso Clínico Endocardite Infecciosa Doença decorrente de infecção do endotélio das válvulas cardíacas, das câmaras cardíacas ou das grandes artérias, ou também das próteses valvares. Endocardite Infecciosa Acometimento valvar Epidemiologia 1 Morbidade: 50 a 60% Mortalidade : 12 a 30 % Países Subdesenvolvidos: Sequelas Reumáticas Países Desenvolvidos: Prolapso Valvar A endocardite infecciosa é um grande desafio de saúde pública. Em 2019, a incidência estimada de EI foi de 13,8 casos por 100.000 indivíduos por ano, e a EI foi responsável por 66.300 mortes em todo o mundo. Fatores de Risco 1 Homem e idade maior que 60 anos Uso de drogas injetáveis Procedimentos odontológicos Má dentição ou infecção dentária Dispositivos intravasculares Classificação de Risco da Endocardite Infecciosa Cardiopatias Congênitas Cianogênicas . Valvulopatia Reumática . Valvopatias aórticas P.C.A. e C.I.V. Coarctação da aorta Próteses valvares Classificação de Risco da Endocardite Infecciosa Prolapso mitral Valvopatia tricúspide Estenose mitral Cardiomiopatia hipertrófica Valvopatia pulmonar Etiologia Staphylococcus aureus Streptococcus viridans Enterococos Staphylococcus coagulase-negativo HACEK Fúngica Endocardite Infecciosa - Patogênese 1 Defeito cardíaco Gradiente de pressão (jato) Lesão Endotelial Depósito de plaquetas e fibrina BACTEREMIA Trombo + Colonização de bactérias Vegetação Fisiopatologia 1 Geralmente, as vegetações tendem a se desenvolver em locais onde o sangue passa de uma área de alta pressão através de um orifício estreito para uma área de pressão mais baixa. Lesão endocárdica, seguida pela aderência focal de plaquetas e fibrina. O complexo plaqueta-fibrina, que é estéril, torna-se infectado por microorganismos que circulam no sangue, O que gera um crescimento microbiano que culmina em um acúmulo de mais plaquetas, fibrina e ativação adicional do sistema de coagulação através da via de coagulação extrínseca. Fisiopatologia 1 Importante saber que a fonte da endocardite pode ser reconhecível (como um abscesso dentário, lesão cutânea infectada ou cateter vascular infectado) ou pode não haver história clara de infecção antecedente. Nesses casos, a origem é frequentemente atribuída a pequenos traumas da mucosa orofaríngea, gastrointestinal ou geniturinária. Quadro Clínico 1 Manifestações gerais: Febre , mal –estar, anorexia, perda de peso, sopro ou modificação das características, sinais de IC Embolias periféricas Manifestações extracardíacas: Hemorragias, Esplenomegalia (incomuns em crianças) Manchas de Roth Manchas de Janeway Nódulos de Osler Complicações Eventos embólicos Abscesso perivalvar Disfunção de Prótese Glomerulonefrite /I.R.A Aneurisma micótico Bacteremia /Fungemia persistente. Diagnóstico 1 Critérios de Duke : Diagnóstico Definitivo Diagnóstico Possível Diagnóstico Improvável ou Rejeitado Critérios de Duke Critérios Maiores Hemoculturas positivas ( 02 ou mais amostras ) Evidência de envolvimento endocárdico ( vegetações , abscesso ou deiscência de prótese ) Critérios de Duke Critérios Menores: Patologia cardíaca predisponente Febre > 38° graus Fenômenos Vasculares Fenômenos Imunológicos Alterações ecocardiográficas Microbiológicas sem preencher critérios maiores Diagnóstico 1 Diagnóstico Possível • 1 critério maior e 1 ou 2 critérios menores. • 3–4 critérios menores. Diagnóstico 1 Diagnóstico Improvável ou Rejeitado: Diagnóstico firme de outra patologia Melhora das manifestações da E.I com menos de 04 dias Nenhuma evidência anatomo-patológica por cirurgia ou autópsia, após 04 semanas de antibióticos Não atende aos critérios definitivos ou possíveis na admissão com ou sem um diagnóstico alternativo firme. 1 Válvulas nativas varia entre 2 e 6 semanas Válvulas protéticas pelo menos 6 semanas Prevenção 1 Limpeza dentária duas vezes ao dia Desinfecção de feridas. Antibióticos curativos para qualquer foco de infecção bacteriana. Sem automedicação com antibióticos. Medidas rigorosas de controle de infecção para qualquer procedimento de risco. Desencorajamento de piercing e tatuagem. Limitação de cateteres de infusão e procedimentos invasivos. Higiene cutânea rigorosa, incluindo tratamento otimizado de doenças crônicas da pele. 1 ESC 2023 Guidelines on the Management of Endocarditis. Profilaxia ESC 2023 Guidelines on the Management of Endocarditis. Atuação DO ENFERMEIRO Avaliação e Monitoramento Administração e Monitoramento de Medicamentos Educação do Paciente e Família Prevenção de Complicações Processo de Enfermagem Endocardite Infecciosa Pericardite EPIDEMIOLOGIA Pericardite Estimativas baseadas em dados internacionais sugerem uma incidência entre 27 e 49 casos por 100.000 pessoas por ano. Sendo mais comum em homens jovens e de meia-idade. Homens com idades entre 16 e 65 anos apresentaram maior risco de pericardite do que mulheres na população geral. A pericardite aguda causou 0,20% de todas as admissões cardiovasculares. 5% dos casos de dor toracica que não são IAM. 1 a 6% dos estudos em autopsias. anatomia Saco fibroso que envolve o coração Envoltório externo (pericárdio fibroso) Envoltório interno (pericárdio seroso) Dupla camada: parietal e visceral Líquido pericárdico Proteção mecânica Lubrificação e redução do atrito Efeito hemodinâmico sobre os átrios e ventrículos Função do Pericárdio Causas da pericardite Arq Bras Cardiol 2013, 100(4 supl. 1) 1-36 FISIOpatoLOGIA Início da Inflamação Resposta Inflamatória Acúmulo de Líquido Pericárdico Exsudato Inflamatório Natureza do Exsudato: Dor e Atrito Pericárdico Dor Torácica Atrito Pericárdico fisiopatologia Início da Inflamação Desencadeantes Resposta Inflamatória Acúmulo de Líquido Pericárdico Exsudato Inflamatório Dor e Atrito Pericárdico Fatores de risco Infecções Doenças autoimunes Infarto do miocárdio Procedimentos cardíacos Insuficiência renal Câncer Traumas Uso de certos medicamentos Pericardite Aguda Incessante Crônica Constritiva DIAGNóSTICO pericardite European Heart Journal (2015) European Heart Journal (2015) Pericardite aguda - Definição Processo inflamatório do pericárdio Doença primária x secundária Períodosubjacente ou doença sistêmica A radiografia de tórax é geralmente normal em pacientes com pericardite aguda eXAMES COMPLEMENTARES Hemograma: Leucocitose e linfocitose nos quadros virais. Anemia deve alertar para quadros secundários Marcadores de Necrose miocárdica: a elevação de CKMB e Troponina deve sugerir miopericardite ou pericardite pós IAM Ecocardiograma: importante para detectar a presença de derrame pericárdico, sinais de tamponamento ou alterações de contratilidade segmentar Ressonância magnética: padrão ouro para o diagnóstico Pericardite aguda Tratamento Autolimitada European Heart Journal (2015) Pericardite aguda - PROGNÓSTICO A maioria dos pacientes com pericardite aguda (geralmente aqueles com pericardite viral ou idiopática presumida) tem um bom prognóstico a longo prazo. Tamponamento cardíaco raramente ocorre em pacientes com pericardite idiopática aguda, e é mais comum em pacientes com uma etiologia subjacente específica, como malignidade, TB ou pericardite purulenta. Pericardite constritiva pode ocorrer em espessamento fibroso > calcificação do pericárdio > restrição do enchimento capilar > redução do DC. Baseado na associação de sinais e sintomas de insuficiência cardíaca direita e enchimento diastólico prejudicado por um ou mais métodos de imagem. Incluindo ecocardiografia, TC, RMC e cateterismo cardíaco. Pericardite constritiva - Diagnóstico Características específicas: Dissociação das pressões intratorácica e intracardíaca Acentuação da interdependência ventricular Inspiração>redução pressão intratorácica>redução proporcional pressão intracardíaca>aumenta retorno venoso Na pericardite: redução menor da pressão intracardíaca Pericardite constritiva - Diagnóstico Pericardite constritiva Rx tórax (Calcificação pericárdica) Espessamento pericárdico Avaliação da espessura: ETE, TC, RM Pericardite constritiva - Avaliação ecocardiograma Diametro da VCI e colapsibilidade com a inspiração Espessura do pericárdio Volume e função atrial e ventricular Variação dos fluxos de entrada dos ventrículos com a respiração TDI na diferenciação com miocardite restritiva Pericardite constritiva - Avaliação ecocardiograma Pericardite constritiva - clínica Sinais e sintomas de insuficiência cardíaca direita com função ventricular direita e esquerda preservada na ausência de doença miocárdica Congestão venosa, hepatomegalia, derrames pleurais e ascite podem ocorrer. O comprometimento hemodinâmico do paciente pode ser adicionalmente agravado por uma disfunção sistólica devido à fibrose miocárdica ou atrofia em casos mais avançados. Fadiga, edema periférico, falta de ar e inchaço abdominal. Pericardite constritiva - Tratamento Embora o pilar do tratamento de casos crônicos permanentes seja a cirurgia de pericardiectomia, a terapia medicamentosa pode ter um papel em pelo menos três condições. Terapia das etiologias específicas (ou seja, pericardite tuberculosa) pode ser útil para a progressão para constrição. Medicamentos anti-inflamatórios pode resolver a constrição transitória que ocorre em 10–20% dos casos em poucos meses Controlar os sintomas de congestão em casos avançados e quando a cirurgia é contraindicada ou de alto risco Derrame pericárdico O saco pericárdico normal contém 10–50 ml de fluido pericárdico; Qualquer processo patológico causa uma inflamação com a possibilidade de aumento da produção de fluido pericárdico; Derrame pericárdico - Classificacões Com seu início Agudo Crônico quando dura > 3 meses Distribuição Circunferencial Impacto hemodinâmico Loculado Nenhum Tamponamento cardíaco Efusivo-constritivo Tamanho Leve 20 mm Geralmente realizado por ecocardiografia; Permite a avaliação semiquantitativa do tamanho do derrame pericárdico e seus efeitos hemodinâmicos. Derrame pericárdico - DIAGNÓSTICO Derrame pericárdico - DIAGNÓSTICO Derrame pericárdico - DIAGNÓSTICO Derrame pericárdico - DIAGNÓSTICO Derrame pericárdico - DIAGNÓSTICO Derrame pericárdico - clínica Se o fluido pericárdico estiver se acumulando rapidamente, como após ferimentos ou perfurações iatrogênicas, o prognóstico é ruim. Por outro lado, um acúmulo lento de fluido pericárdico permite a coleta de um grande derrame em dias a semanas antes que um aumento significativo na pressão pericárdica cause sintomas e sinais Derrame pericárdico - clínica Dispneia ao esforço progredindo para ortopneia, Dor torácica e/ou plenitude. Sintomas ocasionais adicionais devido à compressão local Náusea (diafragma) Disfagia (esôfago) Rouquidão (nervo laríngeo recorrente) Soluços (nervo frênico) Derrame pericárdico - clínica O exame físico pode ser absolutamente normal em pacientes sem comprometimento hemodinâmico. Derrame pericárdico - TRATAMENTO Direcionada à etiologia tanto quanto possível. Em cerca de 60% dos casos, o derrame está associado a uma doença conhecida e o tratamento essencial é o da doença subjacente. Quando o derrame pericárdico está associado à pericardite, o tratamento deve seguir o da pericardite. Quando um derrame pericárdico se torna sintomático sem evidência de inflamação ou quando os anti-inflamatórios empíricos não são bem-sucedidos, a drenagem do derrame deve ser considerada. Punção do pericárdio Tamponamentocardíaco - Definição É o acúmulo de líquido pericárdico, sangue, pus ou ar dentro do espaço pericárdico que ocasiona uma elevação da pressão intrapericárdica, restringindo o enchimento cardíaco e reduzindo o débito cardíaco. Tamponamento cardíaco - CLÍNICA Taquicardia; Hipotensão; Pulso paradoxal; Aumento da pressão venosa jugular; Sons cardíacos abafados; Diminuição da voltagem eletrocardiográfica com alternância elétrica; Silhueta cardíaca aumentada na radiografia de tórax com derrames de acúmulo lento. Tamponamento cardíaco Tamponamento cardíaco - diagnóstico Sinais de tamponamento podem ser identificados por ecocardiografia: TC e RMC são frequentemente menos prontamente disponíveis e geralmente desnecessárias, a menos que a ecocardiografia Doppler não seja viável. Tamponamento cardíaco - diagnóstico Tamponamento cardíaco - diagnóstico Tamponamento cardíaco - diagnóstico Tamponamento cardíaco - tratamento Drenagem do fluido pericárdico, preferencialmente por pericardiocentese por agulha, com o uso de orientação ecocardiográfica ou fluoroscópica, e deve ser realizado sem demora em pacientes instáveis. Alternativamente, a drenagem é realizada por uma abordagem cirúrgica, especialmente em algumas situações como pericardite purulenta ou em situações urgentes com sangramento no pericárdio. Punção do pericárdio Atuação DO ENFERMEIRO Identificar Fatores de Risco e Prevenção Monitoramento e Controle dos Sinais Vitais Administração de Medicamentos Preparo para procedimento invasivo Educação e planejamento de alta PROCESSO DE ENFERMAGEM Referências Delgado V, Ajmone Marsan N, de Waha S, Bonaros N, Brida M, Burri H, et al. 2023 ESC Guidelines for the management of endocarditis: Developed by the task force on the management of endocarditis of the European Society of Cardiology (ESC). Endorsed by the European Association for Cardio-Thoracic Surgery (EACTS) and the European Association of Nuclear Medicine (EANM). Eur Heart J. 2023;44(39):3948-4042. doi: 10.1093/eurheartj/ehad193. Adler Y, Charron P, Imazio M, Badano L, Barón-Esquivias G, Bogaert J, et al. 2015 ESC Guidelines for the diagnosis and management of pericardial diseases: The Task Force for the Diagnosis and Management of Pericardial Diseases of the European Society of Cardiology (ESC) Endorsed by: The European Association for Cardio-Thoracic Surgery (EACTS). Eur Heart J. 2015;36(42):2921-64. Obrigado(a)! image5.png image6.png image7.svg image7.png image17.svg | PRESENCIAL + ONLINE image13.png image8.png image10.svg image9.png image12.svg image10.png image14.svg image11.png image12.png image14.png image15.jpeg image16.jpeg image17.png image18.jpeg image19.png image20.png image21.png image22.jpeg image23.jpeg image24.jpeg image25.jpeg image26.png image27.jpeg image28.jpeg image29.jpeg image30.png image31.jpeg image32.png image33.jpeg image34.png image35.jpeg image36.jpeg image37.png image38.jpeg image39.png image40.jpeg image41.png image42.png image43.jpeg image44.jpeg image45.jpeg image3.png image46.jpeg image47.jpeg image48.png image49.jpeg image50.png image51.png image52.jpeg image53.jpeg image54.png image55.jpeg image60.png image61.jpeg image62.jpeg image63.jpeg image64.png image69.png image72.png image73.jpeg image74.png image75.jpeg image83.jpeg image84.jpeg image85.jpeg image86.jpeg image87.jpeg image88.jpeg image89.png image90.png image91.jpeg image92.png image93.jpeg image94.jpeg image95.png image96.png image97.jpeg image98.jpeg image99.gif image100.jpeg image101.jpeg image2.png