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AULA 4 PERFIL DO GERENTE DE PROJETOS EM PROJETOS ÁGEIS Prof. Robson Vettori Ferezin 2 CONVERSA INICIAL Nesta disciplina, você já aprendeu sobre cultura organizacional, cultura ágil e sobre a importância da liderança servidora quando falamos em projetos ágeis e conceitos para formação e estruturação de uma boa equipe ágil. Na aula de hoje, falaremos de uma habilidade fundamental para o bom desempenho do gerente de projetos ágeis: comunicação. A comunicação é o que chamamos de uma soft skill essencial para um líder servidor, pois é por meio dela que nos relacionamos com todos as partes interessadas do projeto e, consequentemente, gerenciamos expectativas, além de se tratar de uma das maiores falhas em projetos. Uma comunicação concisa e assertiva proporciona um melhor alinhamento, entendimento e relacionamento entre as partes envolvidas e é considerada um dos principais pilares de sucesso de um projeto. Veja nos próximos tópicos como a comunicação pode ajudá-lo na gestão de projetos ágeis. TEMA 1 – PROCESSO DE COMUNICAÇÃO A comunicação é o meio pelo qual as relações acontecem e a habilidade de comunicar-se de forma a inspirar ações ou decisões com base em uma conexão com seu interlocutor, com seu público ou com a sua equipe, respeitando os diferentes estilos de cada um, o contexto envolvido. Assim, observar as reações do interlocutor e os padrões de linguagens verbais e não verbais que nos ajudem a perceber suas prioridades e emoções é fundamental para facilitar relacionamentos e, particularmente, realizar uma boa gestão de projetos. Aliado a todas essas habilidades, é necessário salientar que todos esses aspectos devem ser potencializados quando tratamos da comunicação virtual, extensamente utilizada nos dias de hoje. O processo de comunicação pode ser estabelecido pela composição de três grandes elementos: emissor, canal e receptor. De acordo com Chaves (2010), o emissor é o componente que emite a mensagem para o receptor. Por dar origem à comunicação, o emissor conhece o significado pretendido dessa mensagem e deve codificá-la para que seja transmitida pelo canal de comunicação escolhido. A mensagem é tratada como conteúdo, ou seja, aquilo que é dito, escrito ou transmitido por meio de símbolos ou sinais e pode ser transmitida pela voz, texto, desenhos, gestos, movimentos ou expressões faciais. 3 A codificação é a tradução da mensagem ou ideias para uma linguagem que seja entendida pelas outras pessoas, enquanto o canal de comunicação é o meio intermediário da expressão capaz de transmitir mensagens e atingir o receptor para que possa interpretá-la, por exemplo, memorandos, cartas, e-mails, políticas, relatórios, face a face, telefonemas, mensagens de texto, entre outros. O receptor é o destinatário da mensagem, aquele que recebe a informação e a interpreta para promover o feedback, ou seja, para proporcionar a reação ao emissor quando realizar a interpretação da mensagem, além de servir para avaliar o resultado da emissão e a compreensão da informação que foi transmitida. Assim, Chaves (2010) ainda cita que o processo pode ser resumido da seguinte forma: • O emissor é o ponto de partida do processo de comunicação, quem transmite a mensagem; • O receptor é o destinatário da mensagem, quem recebe a mensagem; • O canal é o meio através do qual a mensagem é transmitida; • A mensagem é o conteúdo da comunicação enquanto o código utilizado na transmissão da mensagem é o que dá forma; • O feedback é a informação de retorno que é transmitida em resposta à mensagem inicial. O que possivelmente afeta e interfere na comunicação é chamado de ruído, como distorções em sinais eletrônicos, barulhos, erros de escrita, erros de interpretação, voz baixa ou rouca, distância, falta de atenção, uso de jargões, siglas e códigos não familiares. Figura 1 – Ruído na comunicação Crédito: Pathdoc/Adobe Stock. 4 Como vimos, a comunicação se utiliza de vários canais, cada um deles apresentando vantagens e desvantagens em seu uso. Entre os canais utilizados, podem ser citados os orais, escritos, eletrônicos e digitais. A comunicação oral acontece em uma entrevista face a face, reunião presencial, telefonema ou durante uma apresentação, como conferência ou aula. Nela, a interação entre as partes é grande, o feedback é imediato e há ótimas possibilidades de se expor, debater e convencer. Entretanto, geralmente não existe registro do que foi dito, as emoções podem aflorar e frases podem ser ditas sem que haja reflexão e avaliação prévias. A comunicação escrita é a que aparece em qualquer texto impresso, como documentos, livros, manuais, cartazes, relatórios e folhetos. Esse tipo de comunicação foi escrito e revisado antes de publicado, podendo ser armazenado para consulta posterior, e seu conteúdo não varia, pois é o mesmo para todos os receptores. Entretanto, não há controle total de quem a recebeu, leu e interpretou, além de não permitir feedback imediato ou consulta em caso de dúvida de interpretação. A comunicação por meios eletrônicos e digitais permite a transmissão de um grande volume de informações de maneira veloz e precisa. A internet, o correio eletrônico e a telefonia celular são exemplos dessa forma de comunicação, que se vale da tecnologia dos computadores e das telecomunicações para se concretizar, por meio de mensagem de texto, transmissão de arquivos ou uma videoconferência, com interação entre emissores e receptores, conversando e debatendo em tempo real. No entanto, necessita da existência e adequado funcionamento de uma infraestrutura tecnológica e de apoio que lhe dê suporte. Diversos desafios precisam ser enfrentados pelo gerente de projetos, seja no seu papel e responsabilidade de emissor, seja no de receptor no processo, e podem dificultar a eficácia e os resultados da comunicação. Um dos principais desafios são as barreiras de comunicação, tópico que abordaremos no próximo tema desta aula. TEMA 2 – BARREIRAS DE COMUNICAÇÃO Barreiras são elementos que interferem e distorcem o processo de comunicação, dificultando ou impedindo o correto entendimento entre emissor e receptor. Algumas dessas barreiras de comunicação que gerentes de projetos devem superar incluem indivíduos e grupos com diferentes graus de habilidade e 5 conhecimento técnico, distribuição geográfica das equipes, políticas e regras de poder na organização, além da compreensão das exigências e soluções das diversas partes interessadas. Segundo Chaves (2010), geralmente as barreiras podem ser de conhecimento, comportamentais, organizacionais ou técnicas. 2.1 Barreiras de conhecimento As barreiras de conhecimento incluem o despreparo para lidar com o processo oral ou escrito de comunicação, o uso de linguagem técnica, a falta de conhecimento do assunto abordado, a sobrecarga de informações e o uso de equipamentos e tecnologia não dominados pelo emissor ou pelo receptor. Os gerentes de projetos devem estar cientes de que a equipe técnica e a equipe funcional falam línguas diferentes e que muitas vezes será necessário tomar as precauções apropriadas para evitar qualquer impacto negativo. De acordo com Chaves (2010), boas ideias nesse sentido são as seguintes: • Usar uma terminologia apropriada para cada setor; • Evitar ou explicar os termos que possam causar dúvidas no jargão profissionais; • Usar metáforas adequadas, capazes de exemplificar situações mais complexas ou detalhes técnicos de maneira mais simples ou familiar; • Detalhar toda informação que for nova ou complexa; • Pedir feedback ao receptor para assegurar a compreensão; • Repetir aquilo que não foi compreendido. 2.2 Barreiras comportamentais As barreiras de comportamento passam por desconfiança entre as partes, atitudes hostis ou preconceituosas, ansiedade, desinteresse, omissão intencional de fatosou informações, não saber ouvir, falta de atenção ao assunto e prejulgamentos. Uma das recomendações para minimizar essas barreiras pode ser o uso mais intenso da comunicação face a face, que fornece recursos diferentes daqueles utilizados na comunicação escrita, muito utilizada no gerenciamento de projetos. Esse tipo de abordagem, muito utilizada em projetos ágeis, contribui consideravelmente para que as barreiras comportamentais não sejam empecilhos para o bom fluxo das comunicações. 6 2.3 Barreiras organizacionais ou técnicas Estruturas organizacionais inflexíveis ou excessivamente burocráticas, com excesso de regras, padrões e procedimentos, equipamentos de comunicação inacessíveis, inadequados ou ultrapassados e cultura organizacional que desestimule ou desfavoreça o processo de comunicação são bons exemplos de barreiras organizacionais. Segundo Chaves (2010), as principais recomendações para superar as barreiras da comunicação organizacional ou técnica são as seguintes: • Definir exatamente que tipo de informação deve ser enviada para cada parte interessada; • Usar um estilo de redação claro e objetivo em toda comunicação; • Evitar o uso de termos técnicos em excesso, siglas ou jargões; • Observar a clareza, objetividade e construção adequada de frases; • Fazer uso de design apropriado nos recursos audiovisuais, seguir roteiro preparado, utilizar boa linguagem corporal, interagir com a audiência, falar e ouvir nos momentos certos, responder às perguntas e certificar-se de que está sendo compreendido; • Levar em conta que aspectos políticos e estruturas de poder podem influenciar na condução de projetos; • Deixar claras a existência e a disponibilidade de um canal aberto para esclarecimento de dúvidas quando as partes interessadas desejarem; • Considerar que equipes virtuais em projetos podem ser difíceis de gerenciar, o que reforça a necessidade de treinamento e alinhamento dessas equipes quanto ao uso de ferramentas e tecnologia apropriadas; • Avaliar permanentemente e aperfeiçoar as próprias habilidades técnicas e comportamentais ao lidar com o processo de comunicação, incorporando e fazendo uso de lições aprendidas sempre que necessário; • Usar uma estratégia proativa de comunicação que leve em conta a identificação de marcos no projeto, Status Report, progressos significativos e estabelecer um canal de comunicação rápido e direto com o gerente de projetos. Para explorarmos todo o potencial de uma boa comunicação, é preciso ir além de bons conteúdos, de boas técnicas de oratória ou de técnicas de leitura 7 de linguagem corporal. O autoconhecimento e o conhecimento a respeito daqueles com quem nos relacionamos nos permite identificar sinais, talentos naturais e pontos fortes na comunicação bem como oportunidades. Como falamos nas aulas anteriores, a escuta ativa, em seu mais alto nível, representa o melhor cenário possível para uma boa comunicação, pois exige um elevado grau de atenção. Além da escuta ativa, de acordo com Goleman (2011), uma boa relação com o outro se inicia com autoconhecimento, o qual pode ser dividido em 5 esferas: • Habilidades sociais: capacidade de lidar com as emoções dos outros; • Empatia: capacidade de conhecer as emoções dos outros; • Motivação: capacidade de motivar-se; • Autogerenciamento: capacidade de gerenciar as próprias emoções; • Autoconsciência: capacidade de conhecer as próprias emoções. Além do autoconhecimento, a base da comunicação é estabelecida também pelo aprimoramento da habilidade de observação e escuta. Aprender algumas técnicas para estruturar melhor o conteúdo que desejamos transmitir, refletir e compreender mais sobre si mesmo e sobre o outro na forma com que nos comunicamos por meio da nossa linguagem verbal e não verbal pode tornar nossa comunicação mais efetiva e ampliar nossa qualidade de relação. Ainda na linha do autoconhecimento e nas oportunidades para eliminarmos as barreiras, aparece o Thinking Environment, estudo recente e que estabelece a estruturação por meio de componentes que facilitam a comunicação. É uma forma de tratar o outro para catalisar seus pensamentos e pode eficientemente apoiar no processo da comunicação. Quanto mais desses componentes estão presentes no ambiente, seja numa reunião, em um diálogo ou até na interação entre amigos e família, mais se promove o pensamento independente e a comunicação é facilitada. Segundo o site Munzner (Os 10 componentes..., [S.d.]), a relação de componentes que compõem o Thinking Environment e que promovem melhores resultados à comunicação é a seguinte: • Atenção: escutar com respeito palpável e genuíno, sem interrupções; • Igualdade: tratar todos no grupo como iguais na capacidade de pensar. Dar tempo, atenção e a vez igualmente para todos; • Tranquilidade: libertar-se do senso de urgência e inquietação; https://munzner.co/nosso-metodo/ https://munzner.co/nosso-metodo/ 8 • Apreciação: reconhecer genuinamente uma qualidade, uma competência, uma habilidade ou um talento em outra pessoa; • Encorajamento: incentivar a coragem no outro para ultrapassar os limites de suas ideias, eliminando a competição interna e o ímpeto de competir com o pensamento do outro; • Sentimentos: permitir a liberação de sentimentos para restaurar o pensamento, colocando a percepção e a inteligência no processo; • Informação: prover fatos e dados necessários para a comunicação; • Diversidade: acolher o pensamento divergente e a diversidade de identidades em um grupo; • Perguntas Incisivas: remover pressupostos que limitam nossa capacidade de pensar de forma clara e criativa; • Local: preparar o ambiente físico para que ele seja favorável à comunicação. O desenvolvimento desses componentes exige prática e disciplina. Com o contínuo aperfeiçoamento de suas percepções sobre cada componente, você vai tornar tudo cada vez mais natural e o resultado é visível e sentido pelo outro. TEMA 3 – COMUNICAÇÃO NÃO VERBAL Até agora, focamos na comunicação analisando algumas técnicas para aumentarmos a clareza e a efetividade ao apresentar uma ideia, argumento ou proposta. Neste tema abordaremos a comunicação não verbal, utilizada principalmente por meio das nossas posições corporais. No entanto, de acordo com O´Connor e Seymour (1995), o efeito na comunicação de escolher e organizar bem as palavras e elaborar seu conteúdo responde por apenas 7% e 38% desse efeito, que provém da forma como esse conteúdo é transmitido (tom de voz, ritmo etc.) enquanto 55% se originam da nossa linguagem corporal. Cada gesto ou movimento pode ser uma fonte valiosa de informação sobre a emoção que estamos sentindo naquele momento. Segundo o site SBcoaching (Comunicação..., 2019), em grande parte dos casos, a comunicação não verbal é mais importante do que as palavras faladas ou escritas, pois ela dará pistas por meio da sua postura, gestos, expressões faciais ou corporais, vestimenta, tonalidade e outros aspectos. 9 Uma boa apresentação não é feita apenas composta de slides deslumbrantes e palavras certas. As expressões faciais, posturas e até os gestos que cada orador escolhe também são fundamentais. De acordo com Abrantes (2014), algumas regras básicas para usar a linguagem corporal durante as apresentações podem proporcionar excelentes resultados: faça contato visual, direcione o olhar da audiência, fuja das posturas e gestos que incomodam, busque a neutralidade, seja coerente e escolha o melhor momento para se comunicar em pé ou sentado. Candeloro (2010) explica que a principal vantagem de dominar a linguagem corporal é ter coerência na comunicação e os principais sinais que o corpo pode emitir são: • Abertura: mãos abertas, tirar o casaco ou paletó, aproximar-se, inclinar-se para a frente, descruzar as pernas; • Defesa: braços e pernas cruzados, contato visualreduzido, cabeça baixa, punhos cerrados e posição para trás na cadeira; • Entusiasmo: pequenos sorrisos ou risadas, mãos abertas, braços estendidos, olhos abertos, voz bem modulada e com energia; • Raiva: corpo rígido, punhos cerrados, lábios fechados com força, contato visual continuado, pupilas dilatadas, cenho franzido e respiração rápida; • Suspeita: pouco contato visual, pouco olho no olho e coçar o nariz. • Confiança: mãos atrás da cabeça, cabeça alta com queixo levantado e contato visual firme sem piscar; • Nervosismo: limpar a garganta, morder lábios ou unha, cobrir a boca quando fala, puxar o lóbulo da orelha, brincar com objetos, contorcer mãos, dedos ou lábios; • Avaliação: cabeça levemente inclinada para o lado, sentar-se na ponta da cadeira e inclinar-se para frente, mão na parte da frente do queixo ou bochecha, coçar o queixo ou a barba. Além disso, é possível identificar sinais positivos da comunicação não verbal, como a postura tranquila, aperto seguro das mãos, sorriso, olhar focado, corpo inclinado para frente, mãos abertas e as palmas para cima ao falar e inclinar ou virar a cabeça na direção significa interesse. Por outro lado, também é possível identificar sinais negativos da comunicação, como tensão facial, distração, desvio do olhar, inquietação, afastamento, passar a mão no rosto e braços ou pernas https://exame.com.br/topicos/apresentacoes https://exame.com.br/topicos/linguagem-corporal 10 cruzadas, o que pode demonstrar barreira. Olhar para vários lugares, por exemplo, pode demonstrar falta de interesse. De acordo com o que visualizamos neste tema, o gerente de projetos deve estar atento às comunicações não verbais das partes interessadas para que possa ser assertivo na comunicação e proporcionar melhores resultados para esse processo e consequentemente para o projeto. TEMA 4 – DESAFIOS DE COMUNICAÇÃO PARA OS GERENTES DE PROJETOS Os temas anteriores deste capítulo apresentam algumas questões relacionadas ao processo de comunicação em geral, sob o ponto de vista de sua utilização e importância no gerenciamento dos projetos. O gerenciamento das comunicações estabelece, realiza, monitora e controla o fluxo de informações durante todo o ciclo de vida dos projetos ágeis e é fundamental para o sucesso deles. Assim, é importante que todas as comunicações em projetos sejam realizadas segundo processos organizados e disciplinados, capazes de gerar informações corretas e completas, colocadas nos momentos adequados à disposição das pessoas certas para que realizem suas tarefas, como estabelecido no plano do projeto. O Guia PMBOK (PMI, 2017) trata o gerenciamento de comunicações em projetos como uma área do conhecimento que permite a geração, coleta, distribuição armazenamento, recuperação e disponibilização das informações do projeto na forma e no prazo apropriados por meio de três processos: • Planejar as comunicações: seu objetivo é a determinação das necessidades de informação e de comunicação das partes interessadas no projeto; • Gerenciar as comunicações: objetiva tornar as informações necessárias disponíveis no tempo e da maneira que os interessados desejam; • Monitorar as comunicações: monitora e controla as comunicações para assegurar que as necessidades de informação das partes interessadas sejam atendidas. O processo de comunicação em projetos deve ser ajustado não só ao ambiente organizacional no qual o projeto está inserido, mas também ao tipo de natureza de cada projeto que está sendo desenvolvido. A diversidade de características dos projetos de engenharia, desenvolvimento de software, 11 infraestrutura de TI, arquitetura, entre outros, apresenta requisitos específicos que devem ser considerados no gerenciamento da comunicação. Quando falamos em projetos ágeis, a comunicação face a face e visual é exponenciada, em função da proximidade da equipe, do alto nível de interação, das reuniões de planejamento, reuniões diárias, reuniões de retrospectivas ou ainda reuniões de revisão, uma vez que indivíduos e interações devem se sobressair a processos e ferramentas. O gerente de projetos e a sua equipe se comunicam com as partes interessadas em vários momentos: para levantamento de necessidades e requisitos, para negociação, para apresentação e entrega de resultados dos trabalhos, para posicionamentos do desempenho do projeto, entre outros. Segundo Chaves (2010), os pontos críticos a seguir devem ser observados para que os gerentes e as equipes possam desenvolver gradativamente as habilidades e a experiência imprescindíveis para uma maior eficácia na comunicação em projetos são: • Identificar o público-alvo da comunicação: a correta identificação do público-alvo é o primeiro passo para saber o que deve ser produzido, para quem e em que quantidade e formato. A formatação e a necessidade de informação devem ser adequadas ao público; • Determinar os objetivos da comunicação: a avaliação das necessidades de informação das partes envolvidas no projeto deve levar em conta a necessidade, características, valores, crenças e objetivos das pessoas e organizações que a receberão; • Preparar a mensagem: o conteúdo e a forma devem ser bem estruturados, abordar os assuntos principais e citar fontes; • Selecionar os meios de comunicação: a escolha dos meios deve levar em conta a facilidade de acesso e eficácia em cada situação; • Capacitar-se para o uso: a comunicação em projetos ocorre em entrevistas, reuniões, palestras, relatórios e com o auxílio frequente de computadores. Assim, o domínio e o uso correto do idioma, de técnicas de apresentação, de habilidades de comunicação, bem como as facilidades que a tecnologia oferece são de grande utilidade para que o receptor entenda corretamente as mensagens; 12 • Avaliar os resultados da comunicação: ao término de cada comunicação efetuada é importante avaliar o impacto e os resultados que ela gerou para que sejam realizados ajustes e melhorias para as próximas comunicações. Ainda que uma comunicação eficaz seja chave para o sucesso de um projeto, atividades formais de comunicação representam consumo de tempo e esforço. Assim, devemos considerar, no plano de comunicação, o cronograma, as restrições de recursos e a carga administrativa global incidente sobre as partes interessadas do projeto para que possamos balancear, por exemplo, os requisitos de informação com o tempo para preparação de relatórios. Não é recomendável permitir que as atividades de reporte interfiram nas atividades produtivas do projeto ou que sejam impactadas pelo tempo dedicado a reuniões e apresentações. TEMA 5 – COMUNICAÇÃO EM PROJETOS ÁGEIS A gestão da comunicação no ambiente de projetos faz-se necessária para gerenciar, principalmente e especialmente, as expectativas das partes interessadas no decorrer do ciclo de vida do projeto. Para projetos ágeis é importante estar em alinhamento com o valor do Manifesto Ágil: “Indivíduos e interações sobre processos e ferramentas”, logo, é viável simplificar o método e priorizar a comunicação face a face para buscar o máximo de alinhamento entre a equipe do projeto e demais partes interessadas. Ainda quando falamos em comunicação em projetos ágeis, a metodologia sugere uma comunicação aberta e honesta. Outro fator a ser considerado para um projeto ter uma boa comunicação ágil é que a informação precisa estar disponível a todos os envolvidos no projeto, ser de fácil acesso e simples. De acordo com Massari (2018), outro detalhe importante é priorizar a comunicação com via de mão dupla, ou seja, eliminando barreiras na comunicação. Ele cita como exemplo de comunicação com via de mão dupla o acesso direto entre cliente e equipe, sem ser obrigatório utilizar como intermediador o gerente de projetos. A metodologia ágil permite que todos os profissionais envolvidos com o projetoestejam cientes sobre o que está sendo produzido em todos os momentos do processo, realizando suas atividades em uma mesma direção e um mesmo propósito. Isso se dá por meio das reuniões de planejamento, reuniões diárias 13 durante as sprints, reuniões de revisão, reuniões de retrospectiva, painéis, quadros e gráficos visuais que favorecem a interação entre os membros, incentivam o autocontrole e podem ser facilmente consultados pelo gerente de projetos. Os formatos de comunicação a seguir são comumente utilizados em projetos ágeis e, segundo o Guia Ágil (PMI, 2017b), possuem as seguintes propostas: • Burndown: gráfico que permite acompanhar diariamente se as atividades ou histórias de usuário estão sendo concluídas dentro do tempo definido para a sprint e o rumo do projeto ao longo do tempo; • Burnup: gráfico que mostra o trabalho concluído e permite que a equipe veja o que realizaram, o que a ajuda a avançar para a próxima etapa. • Quadro Kanban: a comunicação efetiva em projetos ágeis passa pelo Backlog (lista de atividades a serem realizadas no projeto) priorizado e com informações suficientes para que o time consiga entender o que deve ser feito. Este quadro é útil para dar visibilidade às atividades do projeto que fazem parte da sprint e em que fase cada atividade se encontra ao longo desse ciclo. É possível afirmar que o efetivo ciclo de informação, garantido pela comunicação direta, verdadeira e eficaz permite uma reação rápida a modificações que possam acontecer ao longo do projeto. Note que, em projetos ágeis, a comunicação informal é mais valorizada do que a comunicação formal, porém isso não significa que ela não exista. É importante identificar a necessidade de quando deve ser utilizada e fazer uso das diversas ferramentas que podem ser incorporadas ao processo. Dessa forma, concluímos esta aula. Espero que este capítulo possa ter ajudado a observar, desenvolver e aprimorar as habilidades e conhecimentos necessários a uma boa comunicação em projetos ágeis. 14 REFERÊNCIAS ABRANTES, T. 7 dicas de linguagem corporal para apresentações. Exame, 9 mar. 2014. Disponível em: . Acesso em: 15 mar. 2021. CAMARGO, R.; RIBAS, T. Gestão Ágil de projetos: as melhores soluções para suas necessidades. São Paulo: Saraiva Educação, 2019. CANDELORO, R. Abordagem: como entrar em sintonia usando rapport e realizar vendas mais persuasivas. Curitiba: Quantum, 2010. CARNEGIE, D. Como falar em público e encantar as pessoas. Tradução de Ângelo Lessa. Rio de Janeiro: Sextante, 2020. CHAVES, L. E. et al. Gerenciamento da comunicação em projetos. 2. ed. Rio de Janeiro: Ed. da FGV, 2010. COMUNICAÇÃO não verbal: o que é, importância, dicas e exemplos. SBCoaching, S.d. Disponível em: . Acesso em: 15 mar. 2021. GASPARINI, C. Como entender melhor a linguagem corporal no trabalho? Exame, 31 out. 2014. Disponível em: . Acesso em: 15 mar. 2021. GOLEMAN, D. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. Tradução de Marcos Santarrita. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. MASSARI, V. L. Gerenciamento Ágil de projetos. Rio de Janeiro: Brasport, 2018. O'CONNOR, J.; SEYMOUR, J. Introdução à programação neurolinguística: como entender e influenciar as pessoas. São Paulo: Summus, 1995. 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