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Personificação e Ironia na Literatura

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L N Souza

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Questões resolvidas

Prévia do material em texto

56
Questão 1
 
 Desde pequeno, tive tendência para personificar as
coisas. Tia Tula, que achava que mormaço fazia mal,
sempre gritava: “Vem pra dentro, menino, olha o
mormaço!” Mas eu ouvia o mormaço com M maiúsculo.
5 Mormaço, para mim, era um velho que pegava crianças!
Ia pra dentro logo. E ainda hoje, quando leio que alguém
se viu perseguido pelo clamor público, vejo com estes
olhos o Sr. Clamor Público, magro, arquejante, de preto,
brandindo um guarda-chuva, com um gogó protuberante
10 que se abaixa e levanta no excitamento da perseguição. E
já estava devidamente grandezinho, pois devia contar uns
trinta anos, quando me fui, com um grupo de colegas, a
ver o lançamento da pedra fundamental da ponte
Uruguaiana-Libres, ocasião de grandes solenidades, com
15 os presidentes Justo e Getúlio, e gente muita, tanto assim
que fomos alojados os do meu grupo num casarão que
creio fosse a Prefeitura, com os demais jornalistas do
Brasil e Argentina. Era como um alojamento de quartel,
com breve espaço entre as camas e todas as portas e
20 janelas abertas, tudo com os alegres incômodos e
duvidosos encantos de uma coletividade democrática.
Pois lá pelas tantas da noite, como eu pressentisse, em
meu entredormir, um vulto junto à minha cama, sentei-me
estremunhado* e olhei atônito para um tipo de chiru*, ali
25 parado, de bigodes caídos, pala pendente e chapéu
descido sobre os olhos. Diante da minha muda
interrogação, ele resolveu explicar-se, com a devida calma:
— Pois é! Não vê que eu sou o sereno...
 
QUINTANA, Mário As cem melhores crônicas brasileiras.
*Glossário:
estremunhado: mal-acordado.
chiru: que ou aquele que tem pele morena, traços acaboclados
(regionalismo: Sul do Brasil).
No contexto em que ocorre, a frase “estava devidamente grandezinho, pois devia contar uns trinta anos” (L. 11 e 12) constitui
a) recurso expressivo que produz incoerência, uma vez que não se usa o adjetivo “grande” no diminutivo.
b) exemplo de linguagem regional, que se manifesta também em outras partes do texto, como na palavra “brandindo”.
c) expressão de nonsense (linguagem surreal, ilógica), que, por sinal, ocorre também quando o autor afirma ouvir o M maiúsculo de
“mormaço”.
d) manifestação de humor irônico, o qual, aliás, corresponde ao tom predominante no texto.
e) parte do sonho que está sendo narrado e que é revelado apenas no final do texto, principalmente no trecho “em meu
entredormir”.
Gabarito:
D
Resolução:
O uso da palavra "grandezinho" não é incoerente, nem ilógico, nem exemplo de linguagem regional
(típica do sul do Brasil). Trata-se de um recurso expressivo do narrador para manifestar ironia (o que
acontece em muitos outros momentos do texto), já que os diminutivos são muito utilizados na
linguagem dirigida às crianças e o narrador declara já estar "grande", aos trinta anos. 
Questão 2
 Quando houve a virada do novo milênio, rondava entre nós, os conectados na internet, o medo do
chamado
bug. Temia-se que os computadores entrassem numa espécie de catalepsia em rede, ocasionada por uma
situação
inusitada: os softwares não estariam programados para decodificar os dígitos do ano 2000. As máquinas
como que
parariam no tempo ou, pior, voltariam para trás, no fatídico 1º de janeiro de 00. O risco era o de que a pane
acarretasse
05 reveses econômicos inestimáveis. Conjecturava-se que os bancos, coitados, sofreriam perdas medonhas –
pela
primeira vez! Parecia até sabotagem arquitetada por astutos hackers para promover, se não a redistribuição
de
renda, alguma perda econômica, que fosse, para os aquinhoados pelo destino (e pela herança).
Programadores
acorreram de todos os lados, esbaforidos, para evitar o pior. E o pior não veio. Não veio? 
 Por outro lado, há muitos anos, contingentes expressivos de seres humanos vinham acalentando a
perspectiva
10 de que os avanços tecnológicos nos levariam a trabalhar menos: as máquinas nos serviriam, enquanto
poderíamos
despender o tempo extra resultante dessa servidão a nosso bel-prazer, para o lazer, em idílico “dolce far
niente”. O
melhor da festa viria. Veio?
 É fácil perceber que, em termos de previsões, nossos futurólogos da tecnologia são um fiasco. Nem
bug, nem
“dolce far niente”. O que veio – e parece que para ficar... – é uma espécie de “big bug”, ou, na língua de
Machado de
15 Assis, o grande caos.
 As novas tecnologias estão fazendo muitos de nós trabalharmos sem parar. Se as férias já eram
poucas,
muitas vezes resumidas a parcos dias nas festas de final de ano, agora, ainda por cima (por baixo, por trás e
pelo
lado), são contaminadas pelo vírus da conectividade permanente: celular, iPhone, computador portátil, enfim,
o
escambau, que fica ligado, piscando, vibrando, zunindo, para acabar com nosso sossego. Adeus, fim de
semana,
20 oh! saudosas noites de luar! (ou de céu cinzento, que fossem).
 O que dizer, então, do famigerado e-mail? “Uma maravilha! Agiliza tudo! Facilita a comunicação entre
as
pessoas”, dirão os incautos. Ora, além de não ter diminuído a jornada de trabalho, a tecnologia, por via do e-
mail –
para ficar apenas no nosso exemplo –, está fazendo com que trabalhemos mais horas. Muito mais!
 Se alguém nos envia uma mensagem, antes de tudo, é preciso lê-la.
25 Muitas vezes, respondê-la. Fique-se um dia sem consultar a caixa de mensagens, e elas irão se
acumulando
como coelhos cibernéticos, com suas respostas, cópias e encaminhamentos para terceiros.
 E as tão sonhadas horas extras para o lazer viram pó, ou melhor, viram bits, pois as ocuparemos, até o
fim dos
tempos, somadas a outras horas extras de mais trabalho, para responder os queridos e-mails, copiá-los e
encaminhá-los.
E, depois de tudo, talvez ainda sobre um tempinho para deletá-los ou deles fazermos “backup”.
30 E, se não sobrar, estaremos, como dizer... bem arranjados, porque, ou nosso computador dará uma
pane
qualquer por excesso de informação acumulada, ou então, para evitar o “big bug” pessoal, teremos,
fatalmente, de
limpar as caixas de mensagens, de entrada e de saída, as lixeiras, a parafernália toda.
 Já sei: já é possível deixar os e-mails em sites hospedeiros, com segurança e praticidade. Vai confiar...
 Com tudo isso, o tempo tem se tornado um dos bens mais escassos de nossa era. Em outras palavras: já
se
35 foi o tempo em que se tinha tempo para discutir o tempo, digo, se dia de sol ou de chuva. Agora, basta um
click de
nada, a qualquer hora e em qualquer lugar, e todas as informações estarão disponíveis instantaneamente. O
prazer
da conversa e o esforço prazeroso da busca pela informação? Baubau.
 Já não bastasse o trânsito, que cresce maligno, invadindo as ruas e todas as conversas (falta de
assunto,
viu?!), surrupiando o nosso precioso tempo, agora estamos escravizados pela tirania do e-mail. De repente,
todo
40 mundo acorda de uma longa letargia para olhar o caos urbano, a imobilidade instalada. E alguém ainda
comemora a
possibilidade de não perder tempo no engarrafamento, porque existe celular com e-mail. Que maravilha...
 Onde é que nós vamos parar? Difícil dizer. O fato é que já estamos parando... De minha parte, alheio ao
famigerado boom da indústria automobilística, tenho andado cada vez mais a pé. E tenho andado também
com uma
saudade danada de minha maquininha de escrever, de seu suave tec-tec-tec... tec-tec-tec... Agora, para
completar,
45 vou pegar um punhado de papel vegetal pautado, para escrever, de próprio punho, longas cartas aos amigos,
tudo
com muito vagar, apoderando-me do tempo e de mim mesmo... Adeus, pressa. “Bye, bug”!
Cássio Schubsky. Folha de S. Paulo, 22 de maio de 2008.
"As máquinas como que parariam no tempo ou, pior, voltariam para trás, no fatídico 1º de janeiro de
00." (linhas 03-04)
 
No fragmento acima, a expressão em destaque evidencia
a. comparação. 
b. condicionalidade. 
c. similaridade. 
d. exemplificação
Gabarito:
C
Resolução:
A expressão em destaque tem o sentido de “assim”, “dessa forma”,evidenciando similaridade.
Questão 3
 Quando houve a virada do novo milênio, rondava entre nós, os conectados na internet, o medo do
chamado
bug. Temia-se que os computadores entrassem numa espécie de catalepsia em rede, ocasionada por uma
situação
inusitada: os softwares não estariam programados para decodificar os dígitos do ano 2000. As máquinas
como que
parariam no tempo ou, pior, voltariam para trás, no fatídico 1º de janeiro de 00. O risco era o de que a pane
acarretasse
05 reveses econômicos inestimáveis. Conjecturava-se que os bancos, coitados, sofreriam perdas medonhas –
pela
primeira vez! Parecia até sabotagem arquitetada por astutos hackers para promover, se não a redistribuição
de
renda, alguma perda econômica, que fosse, para os aquinhoados pelo destino (e pela herança).
Programadores
acorreram de todos os lados, esbaforidos, para evitar o pior. E o pior não veio. Não veio? 
 Por outro lado, há muitos anos, contingentes expressivos de seres humanos vinham acalentando a
perspectiva
10 de que os avanços tecnológicos nos levariam a trabalhar menos: as máquinas nos serviriam, enquanto
poderíamos
despender o tempo extra resultante dessa servidão a nosso bel-prazer, para o lazer, em idílico “dolce far
niente”. O
melhor da festa viria. Veio?
 É fácil perceber que, em termos de previsões, nossos futurólogos da tecnologia são um fiasco. Nem
bug, nem
“dolce far niente”. O que veio – e parece que para ficar... – é uma espécie de “big bug”, ou, na língua de
Machado de
15 Assis, o grande caos.
 As novas tecnologias estão fazendo muitos de nós trabalharmos sem parar. Se as férias já eram
poucas,
muitas vezes resumidas a parcos dias nas festas de final de ano, agora, ainda por cima (por baixo, por trás e
pelo
lado), são contaminadas pelo vírus da conectividade permanente: celular, iPhone, computador portátil, enfim,
o
escambau, que fica ligado, piscando, vibrando, zunindo, para acabar com nosso sossego. Adeus, fim de
semana,
20 oh! saudosas noites de luar! (ou de céu cinzento, que fossem).
 O que dizer, então, do famigerado e-mail? “Uma maravilha! Agiliza tudo! Facilita a comunicação entre
as
pessoas”, dirão os incautos. Ora, além de não ter diminuído a jornada de trabalho, a tecnologia, por via do e-
mail –
para ficar apenas no nosso exemplo –, está fazendo com que trabalhemos mais horas. Muito mais!
 Se alguém nos envia uma mensagem, antes de tudo, é preciso lê-la.
25 Muitas vezes, respondê-la. Fique-se um dia sem consultar a caixa de mensagens, e elas irão se
acumulando
como coelhos cibernéticos, com suas respostas, cópias e encaminhamentos para terceiros.
 E as tão sonhadas horas extras para o lazer viram pó, ou melhor, viram bits, pois as ocuparemos, até o
fim dos
tempos, somadas a outras horas extras de mais trabalho, para responder os queridos e-mails, copiá-los e
encaminhá-los.
E, depois de tudo, talvez ainda sobre um tempinho para deletá-los ou deles fazermos “backup”.
30 E, se não sobrar, estaremos, como dizer... bem arranjados, porque, ou nosso computador dará uma
pane
qualquer por excesso de informação acumulada, ou então, para evitar o “big bug” pessoal, teremos,
fatalmente, de
limpar as caixas de mensagens, de entrada e de saída, as lixeiras, a parafernália toda.
 Já sei: já é possível deixar os e-mails em sites hospedeiros, com segurança e praticidade. Vai confiar...
 Com tudo isso, o tempo tem se tornado um dos bens mais escassos de nossa era. Em outras palavras: já
se
35 foi o tempo em que se tinha tempo para discutir o tempo, digo, se dia de sol ou de chuva. Agora, basta um
click de
nada, a qualquer hora e em qualquer lugar, e todas as informações estarão disponíveis instantaneamente. O
prazer
da conversa e o esforço prazeroso da busca pela informação? Baubau.
 Já não bastasse o trânsito, que cresce maligno, invadindo as ruas e todas as conversas (falta de
assunto,
viu?!), surrupiando o nosso precioso tempo, agora estamos escravizados pela tirania do e-mail. De repente,
todo
40 mundo acorda de uma longa letargia para olhar o caos urbano, a imobilidade instalada. E alguém ainda
comemora a
possibilidade de não perder tempo no engarrafamento, porque existe celular com e-mail. Que maravilha...
 Onde é que nós vamos parar? Difícil dizer. O fato é que já estamos parando... De minha parte, alheio ao
famigerado boom da indústria automobilística, tenho andado cada vez mais a pé. E tenho andado também
com uma
saudade danada de minha maquininha de escrever, de seu suave tec-tec-tec... tec-tec-tec... Agora, para
completar,
45 vou pegar um punhado de papel vegetal pautado, para escrever, de próprio punho, longas cartas aos amigos,
tudo
com muito vagar, apoderando-me do tempo e de mim mesmo... Adeus, pressa. “Bye, bug”!
Cássio Schubsky. Folha de S. Paulo, 22 de maio de 2008.
"Se as férias já eram poucas, [...] agora, ainda por cima (por baixo, por trás e pelo lado), são
contaminadas pelo vírus da conectividade permanente: celular, iPhone, computador portátil, enfim, o
escambau, que fica ligado, piscando, vibrando, zunindo, para acabar com nosso sossego." (linhas 16-
19)
Nas alternativas abaixo, para está sendo empregado com a mesma função do trecho acima,
EXCETO:
a. "[...] se não a redistribuição de renda, alguma perda econômica que fosse, para os aquinhoados
pelo destino (e pela herança)." (linhas 06-07)
b. "Programadores acorreram de todos os lados, esbaforidos, para evitar o pior." (linhas 07-08)
c. "[...] a tecnologia, por via do e-mail − para ficar apenas no nosso exemplo −, está fazendo com
que trabalhemos mais horas" (linhas 22 e 23)
d. "E as tão sonhadas horas extras para o lazer viram pó, ou melhor, viram bits [...]" (linha 27)
Gabarito:
A
Resolução:
 A palavra “para” tem o sentido de finalidade no trecho exemplificado, introduzindo uma oração. Isso
não ocorre na alternativa A.
Questão 4
Você conseguiria ficar 99 dias sem o Facebook?
Uma organização não governamental holandesa está propondo um desafio que muitos poderão
considerar impossível: ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no Facebook. O objetivo é medir o
grau de felicidade dos usuários longe da rede social.
O projeto também é uma resposta aos experimentos psicológicos realizados pelo próprio Facebook. A
diferença neste caso é que o teste é completamente voluntário. Ironicamente, para poder participar,
o usuário deve trocar a foto do perfil no Facebook e postar um contador na rede social.
Os pesquisadores irão avaliar o grau de satisfação e felicidade dos participantes no 33º dia, no 66º e
no último dia da abstinência.
Os responsáveis apontam que os usuários do Facebook gastam em média 17 minutos por dia na
rede social. Em 99 dias sem acesso, a soma média seria equivalente a mais de 28 horas, que
poderiam ser utilizadas em “atividades emocionalmente mais realizadoras”.
Disponível em: . Adaptado.
Examine as passagens do primeiro parágrafo do texto:
• "Uma organização não governamental holandesa está propondo um desafio"
• "O objetivo é medir o grau de felicidade dos usuários longe da rede social."
A utilização dos artigos destacados justifica-se em razão
a) da retomada de informações que podem ser facilmente depreendidas pelo contexto, sendo ambas
equivalentes semanticamente.
b) de informações conhecidas, nas duas ocorrências, sendo possível a troca dos artigos nos
enunciados, pois isso não alteraria o sentido do texto.
c) da generalização, no primeiro caso, com a introdução de informação conhecida, e da especificação,
no segundo, com informação nova.
d) da introdução de uma informação nova, no primeiro caso, e da retomada de uma informação já
conhecida, no segundo.
e) de informações novas, nas duas ocorrências, motivo pelo qual são introduzidas de forma mais
generalizada.
Gabarito:
D
Resolução:
A partir do exame das passagens recortadas pela questão, justifica-se o uso do artigo definido "uma"
para o estabelecimento do referente "ONG", informaçãonova; já o artigo "a", grifado na segunda
passagem, refere-se a "Facebook", retomando esse termo presente no período anterior, informação
conhecida.
Questão 5
Você conseguiria ficar 99 dias sem o Facebook?
Uma organização não governamental holandesa está propondo um desafio que muitos poderão
considerar impossível: ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no Facebook. O objetivo é medir o
grau de felicidade dos usuários longe da rede social.
O projeto também é uma resposta aos experimentos psicológicos realizados pelo próprio Facebook. A
diferença neste caso é que o teste é completamente voluntário. Ironicamente, para poder participar,
o usuário deve trocar a foto do perfil no Facebook e postar um contador na rede social.
Os pesquisadores irão avaliar o grau de satisfação e felicidade dos participantes no 33º dia, no 66º e
no último dia da abstinência.
Os responsáveis apontam que os usuários do Facebook gastam em média 17 minutos por dia na
rede social. Em 99 dias sem acesso, a soma média seria equivalente a mais de 28 horas, que
poderiam ser utilizadas em “atividades emocionalmente mais realizadoras”.
Disponível em: . Adaptado.
Considere os enunciados a seguir para responder à questão.
• [...] ficar 99 dias sem dar nem uma "olhadinha" no Facebook. (1º parágrafo)
• [...] que poderiam ser utilizadas em "atividades emocionalmente mais realizadoras". (4º parágrafo)
Analisando-se o emprego e a estrutura das palavras "olhadinha" e "emocionalmente", é correto
afirmar que os sufixos nelas presentes indicam, respectivamente, sentido de
a) morosidade e intensidade.
b) modo e consequência.
c) rapidez e modo.
d) intensidade e causa.
e) afeto e tempo.
Gabarito:
C
Resolução:
Analisando-se o emprego e a estrutura das palavras em foco, podemos afirmar que o sufixo "-inha"
em "olhadinha" indica rapidez da ação realizada pelo internauta, uma breve visita à rede social
Facebook. Por sua vez, o sufixo "-mente" em "emocionalmente" indica modo, sendo este um advérbio
que significa "de modo emocional".
Questão 6
Vontade de punir
Deu no Datafolha que 87% dos brasileiros querem baixar a maioridade penal. Maiorias assim
robustas, que já são raras em questões sociais, ficam ainda mais intrigantes quando se considera
que, entre especialistas, o assunto é controverso. Como explicar o fenômeno?
Estamos aqui diante de um dos mais fascinantes aspectos da natureza. Se você pretende produzir
seres sociais, precisa encontrar um modo de fazer com que eles colaborem uns com os outros e, ao
mesmo tempo, se protejam dos indivíduos dispostos a explorá-los. A fórmula que a evolução
encontrou para equacionar esse e outros dilemas foi embalar regras de conduta em
instintos, emoções e sentimentos que provocam ações que funcionam em mais instâncias do que não
funcionam.
Assim, para evitar a superexploração pelos semelhantes, desenvolvemos verdadeiro horror àquilo
que percebemos como injustiças. Na prática, isso se traduz no impulso que temos de punir quem
tenta levar vantagem indevida. Quando não podemos castigá-los diretamente, torcemos para que
levem a pior, o que, além de garantir o sucesso de filmes de Hollywood, torna a justiça retributiva
algo popular em nossa espécie.
Isso, porém, é só parte do problema. Uma sociedade pautada apenas pelo ideal de justiça soçobraria.
Se cada mínima ofensa exigisse imediata reparação e todos tivessem de ser tratados de forma
rigorosamente idêntica, a vida comunitária seria impossível. A natureza resolve isso com sentimentos
como amor e favoritismo, que permitem, entre outras coisas, que mães prefiram seus próprios filhos
aos de desconhecidos.
Nas sociedades primitivas, bandos de 200 pessoas onde todos tinham algum grau de parentesco, o
sistema funcionava razoavelmente bem. Os ímpetos da justiça retributiva eram modulados pela
empatia familiar. Agora que vivemos em grupos de milhões sem vínculos pessoais, a vontade de
punir impera inconteste.
SCHWARTSMAN, Hélio. Folhaonline, em 24 jun. 2015.
"A fórmula que a evolução encontrou para equacionar esse e outros dilemas foi embalar regras de
conduta em instintos, emoções e sentimentos que provocam ações que funcionam em mais
instâncias do que não funcionam." A que dilema a expressão "esse" se refere?
a) Explicar a divergência entre a opinião dos especialistas e a da sociedade em geral.
b) Criar regras para conter a violência, mesmo que, em geral, não funcionem.
c) Elaborar regras de conduta que minimizem instintos e emoções.
d) Explicar o fenômeno de a grande maioria da população ser favorável à punição de menores.
e) Fazer com que as pessoas sejam boas e, ao mesmo tempo, saibam se defender.
Gabarito:
E
Resolução:
O conectivo "esse" faz referência ao seguinte trecho da frase precedente: "[...] eles colaborem uns
com os outros e, ao mesmo tempo, se protejam dos indivíduos dispostos a explorá-los", ou seja, fazer
com que as pessoas sejam boas e colaborativas, mas, ao mesmo tempo, que saibam se defender,
como se afirma em E.
Questão 7
Uma senhora
 [...]
 A primeira vez que a vi, tinha ela trinta e seis anos, posto só parecesse trinta
e dous, e não
 passasse da casa dos vinte e nove. Casa é um modo de dizer. Não há castelo
mais vasto do que
 a vivenda destes bons amigos, nem tratamento mais obsequioso1 do que o
que eles sabem dar às
 suas hóspedes. Cada vez que D. Camila queria ir-se embora, eles pediam-lhe
muito que ficasse,
5 e ela ficava. Vinham então novos folguedos, cavalhadas, música, dança, uma
sucessão de cousas
 belas, inventadas com o único fim de impedir que esta senhora seguisse o
seu caminho.
 − Mamãe, mamãe, dizia-lhe a filha crescendo, vamos embora, não podemos
ficar aqui toda a vida.
 D. Camila olhava para ela mortificada, depois sorria, dava-lhe um beijo e
mandava-a brincar
 com as outras crianças. Que outras crianças? Ernestina estava então entre
quatorze e quinze
10 anos, era muito espigada2, muito quieta, com uns modos naturais de
senhora. Provavelmente
 não se divertiria com as meninas de oito e nove anos; não importa, uma vez
que deixasse a mãe
 tranquila, podia alegrar-se ou enfadar-se. Mas, ai triste! há um limite para
tudo, mesmo para os
 vinte e nove anos. D. Camila resolveu, enfim, despedir-se desses dignos
anfitriões, e fê-lo ralada
 de saudades. Eles ainda instaram3 por uns cinco ou seis meses de quebra; a
bela dama respondeu-
15 lhes que era impossível e, trepando no alazão4 do tempo, foi alojar-se na casa
dos trinta.
 Ela era, porém, daquela casta de mulheres que riem do sol e dos
almanaques. Cor de leite,
 fresca, inalterável, deixava às outras o trabalho de envelhecer. Só queria o
de existir. Cabelo
 negro, olhos castanhos e cálidos5. Tinha as espáduas e o colo feitos de
encomenda para os
 vestidos decotados, e assim também os braços, que eu não digo que eram os
da Vênus de
20 Milo, para evitar uma vulgaridade, mas provavelmente não eram outros. D.
Camila sabia disto;
 sabia que era bonita, não só porque lho dizia o olhar sorrateiro das outras
damas, como por um
 certo instinto que a beleza possui, como o talento e o gênio. Resta dizer que
era casada, que
 o marido era ruivo, e que os dois amavam-se como noivos; finalmente, que
era honesta. Não o
 era, note-se bem, por temperamento, mas por princípio, por amor ao marido,
e creio que um
25 pouco por orgulho.
 Nenhum defeito, pois, exceto o de retardar os anos; mas é isso um defeito?
Há, não me lembra
 em que página da Escritura6, naturalmente nos Profetas, uma comparação
dos dias com as águas
 de um rio que não voltam mais. D. Camila queria fazer uma represa para seu
uso. No tumulto
 desta marcha contínua entre o nascimento e a morte, ela apegava-se à ilusão
da estabilidade.
30 Só se lhe podia exigir que não fosse ridícula, e não o era. Dir-me-á o leitor
que a beleza vive
 de si mesma, e que a preocupação do calendário mostra que esta senhora
vivia principalmente
 com os olhos na opinião. É verdade; mas como quer que vivam as mulheres
do nosso tempo?
 [...]
ASSIS, Machado de. Obra completa.Rio de Janeiro: José Aguilar, 1962.
1 obsequioso −
gentil
4 alazão − um tipo
de cavalo
2 espigada −
crescida
5 cálidos −
calorosos
3 instar − insistir 6 Escritura − Bíblia
"Não há castelo mais vasto do que a vivenda destes bons amigos, nem tratamento mais obsequioso
do que o que eles sabem dar às suas hóspedes. Cada vez que D. Camila queria ir-se embora, eles
pediam-lhe muito que ficasse, e ela ficava. Vinham então novos folguedos, cavalhadas, música,
dança, uma sucessão de cousas belas, inventadas com o único fim de impedir que esta senhora
seguisse o seu caminho." (l. 2-6)
Observe as formas verbais flexionadas do trecho: as duas primeiras, "há" e "sabem", estão no tempo
presente, ao passo que as restantes estão no tempo pretérito.
Apresente uma justificativa para o emprego de cada um desses diferentes tempos verbais
e reescreva o trecho integralmente, passando todas as formas verbais pretéritas para o
tempo presente, sem alterar os respectivos modos, pessoas e números.
Gabarito:
(Resolução oficial)
Com o tempo presente, o narrador se refere a verdades gerais e atemporais. Com o tempo passado,
ele relata acontecimentos ou episódios situados em alguma época anterior ao momento da narração.
Reescrevendo no tempo presente:
Não há castelo mais vasto do que a vivenda destes bons amigos, nem tratamento mais obsequioso
do que o que eles sabem dar às suas hóspedes. Cada vez que D. Camila quer ir-se embora, eles
pedem-lhe muito que fique, e ela fica. Vêm então novos folguedos, cavalhadas, música, dança, uma
sucessão de cousas belas, inventadas com o único fim de impedir que esta senhora siga o seu
caminho.
Resolução:
 
Questão 8
Verbos
A professora pergunta para a Mariazinha:
– Mariazinha, me dê um exemplo de verbo.
– Bicicreta! – respondeu a menina.
– Não se diz “bicicreta”, e sim “bicicleta”. Além disso, bicicleta não é verbo. Pedro, me diga você um
verbo.
– Prástico! – disse o garoto.
– É “plástico”, não “prástico”. E também não é verbo. Laura, é sua vez: me dê um exemplo correto de
verbo – pediu a professora.
– Hospedar! – respondeu Laura.
– Muito bem! – disse a professora. Agora, forme uma frase com este verbo.
– Os pedar da bicicreta é de prástico!
ABAURRE, Maria Luiza e PONTARA, Marcela. Gramática. Texto: análise e construção de sentido.
Volume único. São Paulo: Moderna, 2006. p. 76.
A compreensão do texto leva o leitor a concluir que
a) a professora logrou êxito no seu intuito de ensinar a classe de palavras "verbo".
b) embora os alunos soubessem o assunto, optaram por responder incorretamente.
c) os alunos e a professora demonstram domínio da mesma variedade linguística.
d) a resposta que foi considerada correta pela professora era, na verdade, incorreta.
e) somente Laura respondeu corretamente, o que demonstra seu domínio do assunto. 
Gabarito:
D
Resolução:
A compreensão do texto leva o leitor a concluir que a resposta que foi considerada correta pela
professora era, na verdade, incorreta. Seguindo-se a lógica das respostas incorretas anteriores dos
alunos ("bicicreta", "prástico") e a última resposta da aluna ("Os pedar da bicicreta é de prástico!"),
percebemos que o verbo "hospedar", tido como resposta correta pela professora, correspondia, na
realidade, a uma variante sociolinguística de "os pedais", que constitui um artigo e um substantivo, e
não verbo.
Questão 9
Verbos
A professora pergunta para a Mariazinha:
– Mariazinha, me dê um exemplo de verbo.
– Bicicreta! – respondeu a menina.
– Não se diz “bicicreta”, e sim “bicicleta”. Além disso, bicicleta não é verbo. Pedro, me diga você um
verbo.
– Prástico! – disse o garoto.
– É “plástico”, não “prástico”. E também não é verbo. Laura, é sua vez: me dê um exemplo correto de
verbo – pediu a professora.
– Hospedar! – respondeu Laura.
– Muito bem! – disse a professora. Agora, forme uma frase com este verbo.
– Os pedar da bicicreta é de prástico!
ABAURRE, Maria Luiza e PONTARA, Marcela. Gramática. Texto: análise e construção de sentido.
Volume único. São Paulo: Moderna, 2006. p. 76.
Em se tratando do conteúdo e da construção do humor do texto, analise as proposições a seguir.
I. A professora reprime, em sala de aula, o uso de uma variedade linguística de menor prestígio
social.
II. As formas “bicicreta”, “prástico” e “pedar”, assim como a ausência de marcas de concordância,
indicam que os alunos dominam variedades linguísticas válidas em certos contextos de uso, ainda
que distantes da norma-padrão.
III. O humor do texto reside na falta de originalidade da frase formada por Laura, uma vez que ela
utilizou as respostas fornecidas anteriormente pelos seus colegas.
IV. A professora não se deu conta da semelhança fônica entre o verbo “hospedar” e a expressão “os
pedar”, esta última distante do padrão linguístico socialmente instituído.
Estão corretas, apenas:
a) I e II.
b) I, II e III.
c) I, II e IV.
d) I, III e IV.
e) II e IV 
Gabarito:
C
Resolução:
I. Correta. A professora reprime, em sala de aula, o uso de uma variedade linguística de menor
prestígio social, caracterizada pela troca do fonema do /l/ pelo /r/, assim como a ausência de marcas
de concordância.
II. Correta. As formas “bicicreta”, “prástico” e “pedar”, assim como a ausência de marcas de
concordância, indicam que os alunos dominam variedades linguísticas válidas em certos contextos de
uso,bastante comuns no dialeto caipira, por exemplo, ainda que distantes da norma padrão.
III. Incorreta. O humor do texto não reside na falta de originalidade da frase formada por Laura. O
humor reside no fato de que, a partir da frase formulada por Laura, revela-se que "hospedar" não é
um verbo no infinitivo, mas o segmento nominal "os pedar", revelando que sua resposta à professora,
aparentemente correta, cometia o mesmo erro já repreendido anteriormente.
IV. Correta. A professora não se deu conta da semelhança fônica entre o verbo “hospedar” e a
expressão “os pedar”, esta última distante do padrão linguístico socialmente instituído, pois avalia a
resposta como correta, como um verbo, e parabeniza a aluna.
Questão 10
Verbos
A professora pergunta para a Mariazinha:
– Mariazinha, me dê um exemplo de verbo.
– Bicicreta! – respondeu a menina.
– Não se diz “bicicreta”, e sim “bicicleta”. Além disso, bicicleta não é verbo. Pedro, me diga você um
verbo.
– Prástico! – disse o garoto.
– É “plástico”, não “prástico”. E também não é verbo. Laura, é sua vez: me dê um exemplo correto de
verbo – pediu a professora.
– Hospedar! – respondeu Laura.
– Muito bem! – disse a professora. Agora, forme uma frase com este verbo.
– Os pedar da bicicreta é de prástico!
ABAURRE, Maria Luiza e PONTARA, Marcela. Gramática. Texto: análise e construção de sentido.
Volume único. São Paulo: Moderna, 2006. p. 76.
No texto, o discurso da professora apresenta traços marcantes de sua identidade profissional.
Linguisticamente, esses traços são representados pela (o)
a) delimitação promovida pelos sinais de travessão.
b) linguagem mais formal e pelas sequências injuntivas.
c) amplo emprego de verbos de elocução no texto.
d) presença de sinais de exclamação ao longo do texto.
e) completo apagamento das vozes dos alunos. 
Gabarito:
B
Resolução:
No texto, o discurso da professora apresenta traços marcantes de sua identidade profissional.
Linguisticamente, esses traços são representados pela linguagem mais formal (marcada pela clareza
na exposição, por retomadas objetivas e emprego correto de regência e concordância), empregada
inclusive para corrigir a variante linguística não prestigiada empregada pelo alunos; e pelas
sequências injuntivas, que solicitam dos alunos respostas a suas perguntas, forma comum de
exercitar o conteúdo ensinado (como em "Mariazinha, me dê um exemplo de verbo" e "Agora, forme
uma frase com este verbo").
Questão 11
Vídeos falsos confundem o público e a imprensa
1 Cerca de duas horas depois da divulgação dos
2 atentados de terça-feira (22/03) em Bruxelas,
3 apareceu um vídeo no YouTube, sob a alegação de
4 que seriam imagens do circuito fechado de televisão
5 (CCTV), mostrandouma explosão no aeroporto
6 Zaventem, da cidade. As imagens rapidamente se
7 espalharam pelas redes sociais e foram divulgadas
8 por alguns dos principais sites de notícias. Depois
9 desse, surgiu outro vídeo, supostamente mostrando
10 uma explosão na estação de metrô Maelbeek,
11 próxima ao Parlamento Europeu, e ainda um outro,
12 alegando ser do aeroporto.
13 Entretanto, nenhum dos vídeos era o que alegava
14 ser. Os três vídeos eram gravações de 2011, dois de
15 um atentado ao aeroporto Domodedovo, de Moscou,
16 e um de uma bomba que explodiu numa estação de
17 metrô de Minsk, capital da Belarus.
18 As imagens distorcidas dos clipes do circuito
19 fechado de televisão foram convertidas de cor em
20 preto e branco, horizontalmente invertidas,
21 novamente etiquetadas e postadas como se tivessem
22 surgido dos acontecimentos do dia. Embora a conta
23 do YouTube que compartilhou as imagens com
24 falsos objetivos tenha sido rapidamente tirada do ar,
25 outros veículos as reproduziram dizendo que eram
26 de Bruxelas.
27 Os vídeos ilusórios são exemplos de um
28 fenômeno que vem se tornando cada vez mais
29 comum em quase todas as matérias importantes que
30 tratam de acontecimentos violentos e que ocorrem
31 rapidamente. Reportagens falsas ou ilusórias
32 espalham-se rapidamente pelas redes sociais e são
33 acessadas por organizações jornalísticas
34 respeitáveis, confundindo ainda mais um quadro já
35 incrivelmente confuso.
36 A disseminação e divulgação de falsas
37 informações não têm nada de novo, mas a internet
38 tornou mais fácil plantar matérias e provas falsas e
39 ilusórias, que serão amplamente compartilhadas
40 pelo Twitter e pelo Facebook.
41 Alastair Reid, editor administrativo do site First
42 Draft, que é uma coalizão de organizações que se
43 especializam em checar informações e conta com o
44 apoio do Google, disse que parte do problema é que
45 qualquer pessoa que publique em plataformas como
46 o Facebook tem a capacidade de atingir uma
47 audiência tão ampla quanto aquelas que são
48 atingidas por uma organização jornalística. "Pode
49 tratar-se de alguém tentando desviar
propositalmente
50 a pauta jornalística por motivos políticos, ou
51 muitas vezes são apenas pessoas que querem os
52 números, os cliques e os compartilhamentos porque
53 querem fazer parte da conversa ou da validade da
54 informação", disse ele. "Eles não têm quaisquer
55 padrões de ética, mas têm o mesmo tipo de
56 distribuição."
57 Nesse meio tempo, a rápida divulgação das
58 notícias on-line e a concorrência com as redes sociais
59 também aumentaram a pressão sobre as
organizações
60 jornalísticas para serem as primeiras a divulgar
61 cada avanço, ao mesmo tempo que eliminam
62 alguns dos obstáculos que permitem informações
63 equivocadas.
64 Uma página na web não só pode ser atualizada de
65 maneira a eliminar qualquer vestígio de uma
66 mensagem falsa, mas, quando muitas pessoas
67 apenas se limitam a registrar qual o website em que
68 estão lendo uma reportagem, a ameaça à reputação
69 é significativamente menor que no jornal impresso.
70 Em muitos casos, um fragmento de informação, uma
71 fotografia ou um vídeo são simplesmente bons
72 demais para checar.
73 Alastair Reid disse: "Agora talvez haja mais
74 pressão junto a algumas organizações para agirem
75 rapidamente, para clicar, para ser a primeira... E há,
76 evidentemente, uma pressão comercial para ter
77 aquele vídeo fantástico, aquela foto fantástica, para
78 ser de maior interesse jornalístico, mais
compartilhável
79 e tudo isso pode se sobrepor ao desejo de ser
80 certo)."
JACKSON, Jesper. Tradução Jo Amado. Disponível em:
.
Publicado originalmente no jornal The Guardian, 23 mar. 2016. Acesso em: 30 mar. 2016. Adaptado.
De acordo com o texto, é incorreto afirmar que
a) a reputação de um jornal impresso é mais vulnerável do que a de uma página na web quanto à
divulgação de notícias falsas.
b) interesses comerciais podem ser razões para a divulgação precipitada de fotos e vídeos na rede.
c) as organizações jornalísticas deveriam ter exclusividade na divulgação de fatos violentos, como
atos terroristas.
d) falsas notícias são facilmente divulgadas e compartilhadas nas redes sociais por motivos diversos.
e) as organizações jornalísticas de credibilidade também são responsáveis pela divulgação de notícias
falsas.
Gabarito:
C
Resolução:
No texto, não há informação que ampare a declaração de que a divulgação de fatos violentos deveria
constituir exclusividade das organizações jornalísticas – o que se afirma é que, prejudicialmente, sob
a pressão de serem os mais rápidos em divulgar fatos novos ou em publicar conteúdo atraente,
jornais renomados acabam preterindo a veracidade dos fatos.
Questão 12
Vídeos falsos confundem o público e a imprensa
1 Cerca de duas horas depois da divulgação dos
2 atentados de terça-feira (22/03) em Bruxelas,
3 apareceu um vídeo no YouTube, sob a alegação de
4 que seriam imagens do circuito fechado de televisão
5 (CCTV), mostrando uma explosão no aeroporto
6 Zaventem, da cidade. As imagens rapidamente se
7 espalharam pelas redes sociais e foram divulgadas
8 por alguns dos principais sites de notícias. Depois
9 desse, surgiu outro vídeo, supostamente mostrando
10 uma explosão na estação de metrô Maelbeek,
11 próxima ao Parlamento Europeu, e ainda um outro,
12 alegando ser do aeroporto.
13 Entretanto, nenhum dos vídeos era o que alegava
14 ser. Os três vídeos eram gravações de 2011, dois de
15 um atentado ao aeroporto Domodedovo, de Moscou,
16 e um de uma bomba que explodiu numa estação de
17 metrô de Minsk, capital da Belarus.
18 As imagens distorcidas dos clipes do circuito
19 fechado de televisão foram convertidas de cor em
20 preto e branco, horizontalmente invertidas,
21 novamente etiquetadas e postadas como se tivessem
22 surgido dos acontecimentos do dia. Embora a conta
23 do YouTube que compartilhou as imagens com
24 falsos objetivos tenha sido rapidamente tirada do ar,
25 outros veículos as reproduziram dizendo que eram
26 de Bruxelas.
27 Os vídeos ilusórios são exemplos de um
28 fenômeno que vem se tornando cada vez mais
29 comum em quase todas as matérias importantes que
30 tratam de acontecimentos violentos e que ocorrem
31 rapidamente. Reportagens falsas ou ilusórias
32 espalham-se rapidamente pelas redes sociais e são
33 acessadas por organizações jornalísticas
34 respeitáveis, confundindo ainda mais um quadro já
35 incrivelmente confuso.
36 A disseminação e divulgação de falsas
37 informações não têm nada de novo, mas a internet
38 tornou mais fácil plantar matérias e provas falsas e
39 ilusórias, que serão amplamente compartilhadas
40 pelo Twitter e pelo Facebook.
41 Alastair Reid, editor administrativo do site First
42 Draft, que é uma coalizão de organizações que se
43 especializam em checar informações e conta com o
44 apoio do Google, disse que parte do problema é que
45 qualquer pessoa que publique em plataformas como
46 o Facebook tem a capacidade de atingir uma
47 audiência tão ampla quanto aquelas que são
48 atingidas por uma organização jornalística. "Pode
49 tratar-se de alguém tentando desviar
propositalmente
50 a pauta jornalística por motivos políticos, ou
51 muitas vezes são apenas pessoas que querem os
52 números, os cliques e os compartilhamentos porque
53 querem fazer parte da conversa ou da validade da
54 informação", disse ele. "Eles não têm quaisquer
55 padrões de ética, mas têm o mesmo tipo de
56 distribuição."
57 Nesse meio tempo, a rápida divulgação das
58 notícias on-line e a concorrência com as redes sociais
59 também aumentaram a pressão sobre as
organizações
60 jornalísticas para serem as primeiras a divulgar
61 cada avanço, ao mesmo tempo que eliminam
62 alguns dos obstáculos que permitem informações
63 equivocadas.
64 Uma página na web não só pode ser atualizada de
65 maneira a eliminar qualquer vestígio de uma
66 mensagem falsa, mas, quando muitas pessoas
67 apenasse limitam a registrar qual o website em que
68 estão lendo uma reportagem, a ameaça à reputação
69 é significativamente menor que no jornal impresso.
70 Em muitos casos, um fragmento de informação, uma
71 fotografia ou um vídeo são simplesmente bons
72 demais para checar.
73 Alastair Reid disse: "Agora talvez haja mais
74 pressão junto a algumas organizações para agirem
75 rapidamente, para clicar, para ser a primeira... E há,
76 evidentemente, uma pressão comercial para ter
77 aquele vídeo fantástico, aquela foto fantástica, para
78 ser de maior interesse jornalístico, mais
compartilhável
79 e tudo isso pode se sobrepor ao desejo de ser
80 certo)."
JACKSON, Jesper. Tradução Jo Amado. Disponível em:
.
Publicado originalmente no jornal The Guardian, 23 mar. 2016. Acesso em: 30 mar. 2016. Adaptado.
Marque a opção que não constitui causa de divulgação de informações falsas na internet por
organizações jornalísticas respeitáveis, de acordo com o texto.
a) A rapidez com que as informações são divulgadas on-line.
b) A pressão para serem as primeiras a divulgar as novidades.
c) A concorrência com as redes sociais.
d) A credibilidade despertada pela boa qualidade das imagens falsas.
e) A impossibilidade de retirada de algo já veiculado.
Gabarito:
E
Resolução:
De acordo com o texto, a impossibilidade de retirada de algo já veiculado é consequência da
divulgação de informações falsas, e não sua causa.
Questão 13
Vídeos falsos confundem o público e a imprensa
1 Cerca de duas horas depois da divulgação dos
2 atentados de terça-feira (22/03) em Bruxelas,
3 apareceu um vídeo no YouTube, sob a alegação de
4 que seriam imagens do circuito fechado de televisão
5 (CCTV), mostrando uma explosão no aeroporto
6 Zaventem, da cidade. As imagens rapidamente se
7 espalharam pelas redes sociais e foram divulgadas
8 por alguns dos principais sites de notícias. Depois
9 desse, surgiu outro vídeo, supostamente mostrando
10 uma explosão na estação de metrô Maelbeek,
11 próxima ao Parlamento Europeu, e ainda um outro,
12 alegando ser do aeroporto.
13 Entretanto, nenhum dos vídeos era o que alegava
14 ser. Os três vídeos eram gravações de 2011, dois de
15 um atentado ao aeroporto Domodedovo, de Moscou,
16 e um de uma bomba que explodiu numa estação de
17 metrô de Minsk, capital da Belarus.
18 As imagens distorcidas dos clipes do circuito
19 fechado de televisão foram convertidas de cor em
20 preto e branco, horizontalmente invertidas,
21 novamente etiquetadas e postadas como se tivessem
22 surgido dos acontecimentos do dia. Embora a conta
23 do YouTube que compartilhou as imagens com
24 falsos objetivos tenha sido rapidamente tirada do ar,
25 outros veículos as reproduziram dizendo que eram
26 de Bruxelas.
27 Os vídeos ilusórios são exemplos de um
28 fenômeno que vem se tornando cada vez mais
29 comum em quase todas as matérias importantes que
30 tratam de acontecimentos violentos e que ocorrem
31 rapidamente. Reportagens falsas ou ilusórias
32 espalham-se rapidamente pelas redes sociais e são
33 acessadas por organizações jornalísticas
34 respeitáveis, confundindo ainda mais um quadro já
35 incrivelmente confuso.
36 A disseminação e divulgação de falsas
37 informações não têm nada de novo, mas a internet
38 tornou mais fácil plantar matérias e provas falsas e
39 ilusórias, que serão amplamente compartilhadas
40 pelo Twitter e pelo Facebook.
41 Alastair Reid, editor administrativo do site First
42 Draft, que é uma coalizão de organizações que se
43 especializam em checar informações e conta com o
44 apoio do Google, disse que parte do problema é que
45 qualquer pessoa que publique em plataformas como
46 o Facebook tem a capacidade de atingir uma
47 audiência tão ampla quanto aquelas que são
48 atingidas por uma organização jornalística. "Pode
49 tratar-se de alguém tentando desviar
propositalmente
50 a pauta jornalística por motivos políticos, ou
51 muitas vezes são apenas pessoas que querem os
52 números, os cliques e os compartilhamentos porque
53 querem fazer parte da conversa ou da validade da
54 informação", disse ele. "Eles não têm quaisquer
55 padrões de ética, mas têm o mesmo tipo de
56 distribuição."
57 Nesse meio tempo, a rápida divulgação das
58 notícias on-line e a concorrência com as redes sociais
59 também aumentaram a pressão sobre as
organizações
60 jornalísticas para serem as primeiras a divulgar
61 cada avanço, ao mesmo tempo que eliminam
62 alguns dos obstáculos que permitem informações
63 equivocadas.
64 Uma página na web não só pode ser atualizada de
65 maneira a eliminar qualquer vestígio de uma
66 mensagem falsa, mas, quando muitas pessoas
67 apenas se limitam a registrar qual o website em que
68 estão lendo uma reportagem, a ameaça à reputação
69 é significativamente menor que no jornal impresso.
70 Em muitos casos, um fragmento de informação, uma
71 fotografia ou um vídeo são simplesmente bons
72 demais para checar.
73 Alastair Reid disse: "Agora talvez haja mais
74 pressão junto a algumas organizações para agirem
75 rapidamente, para clicar, para ser a primeira... E há,
76 evidentemente, uma pressão comercial para ter
77 aquele vídeo fantástico, aquela foto fantástica, para
78 ser de maior interesse jornalístico, mais
compartilhável
79 e tudo isso pode se sobrepor ao desejo de ser
80 certo)."
JACKSON, Jesper. Tradução Jo Amado. Disponível em:
.
Publicado originalmente no jornal The Guardian, 23 mar. 2016. Acesso em: 30 mar. 2016. Adaptado.
No primeiro período do sexto parágrafo, a palavra que constitui pronome relativo, exceto em
a) [...] que é uma coalizão [...] (l. 42)
b) [...] que se especializam [...] (l. 42-43)
c) [...] que parte do problema [...] (l. 44)
d) [...] que publique em plataformas [...] (l. 45)
e) [...] que são atingidas por uma organização jornalística [...] (l. 47-48)
Gabarito:
C
Resolução:
A oração "que parte do problema" é a única opção em que o pronome "que" não constitui pronome
relativo, mas sim conjunção integrante que introduz essa oração subordinada substantiva objetiva
direta, a qual tem função de complementar o sentido do verbo "dizer" da oração principal que a
antecede. Nas alternativas restantes, o termo "que" é sempre pronome relativo, referindo-se ao
termo que o antecede (respectivamente, "First Draft", "organizações", "qualquer pessoa", "aquelas").
Questão 14
Vivendo e...
 Eu sabia fazer pipa e hoje não sei mais. Duvido que
 se hoje pegasse uma bola de gude conseguisse
 equilibrá-la na dobra do dedo indicador sobre a unha
do
 polegar, quanto mais jogá-la com a precisão que
tinha
5 quando era garoto. [...]
 Juntando-se as duas mãos de um determinado jeito,
 com os polegares para dentro, e assoprando pelo
 buraquinho, tirava-se um silvo bonito que inclusive
 variava de tom conforme o posicionamento das
mãos.
10 Hoje não sei mais que jeito é esse. Eu sabia a fórmula
 de fazer cola caseira. Algo envolvendo farinha e água
e
 muita confusão na cozinha, de onde éramos expulsos
 sob ameaças. Hoje não sei mais. A gente começava a
 contar depois de ver um relâmpago e o número a
que
15 chegasse quando ouvia a trovoada, multiplicado por
 outro número, dava a distância exata do relâmpago.
 Não me lembro mais dos números. [...]
 Lembro o orgulho com que consegui, pela primeira
 vez, cuspir corretamente pelo espaço adequado
entre
20 os dentes de cima e a ponta da língua de modo que o
 cuspe ganhasse distância e pudesse ser mirado. Com
 prática, conseguia-se controlar a trajetória elíptica da
 cusparada com uma mínima margem de erro. Era
puro
 instinto. Hoje o mesmo feito requereria complicados
25 cálculos de balística, e eu provavelmente só acertaria
a
 frente da minha camisa. Outra habilidade perdida.
 Na verdade, deve-se revisar aquela antiga frase. É
 vivendo e .................... . Não falo daquelas coisas que
 deixamos de fazer porque não temosmais as
condições
30 físicas e a coragem de antigamente, como subir em
 bonde andando – mesmo porque não há mais bondes
 andando. Falo da sabedoria desperdiçada, das artes
 que nos abandonaram. Algumas até úteis. Quem
nunca
 desejou ainda ter o cuspe certeiro de garoto para
35 acertar em algum alvo contemporâneo, bem no olho,
e
 depois sair correndo? Eu já.
VERÍSSIMO, Luís F. Comédias para se ler na escola.
A palavra que o cronista omite no título, substituindo-a por reticências, ele a emprega no último
parágrafo, na posição marcada com pontilhado. Tendo em vista o contexto, conclui-se que se trata da
palavra
a) desanimando.
b) crescendo.
c) inventando.
d) brincando.
e) desaprendendo.
Gabarito:
E
Resolução:
A alternativa correta é a E. Para fazer tal escolha seria preciso identificar que, a partir da observação
de episódios vividos desde a infância até a vida adulta, o cronista encara uma máxima construída por
ele em uma operação de inversão do lugar-comum "vivendo e aprendendo" – "vivendo e
desaprendendo", que tem um efeito cômico resultante.
Questão 15
Vivendo e...
 Eu sabia fazer pipa e hoje não sei mais. Duvido que
 se hoje pegasse uma bola de gude conseguisse
 equilibrá-la na dobra do dedo indicador sobre a unha
do
 polegar, quanto mais jogá-la com a precisão que
tinha
5 quando era garoto. [...]
 Juntando-se as duas mãos de um determinado jeito,
 com os polegares para dentro, e assoprando pelo
 buraquinho, tirava-se um silvo bonito que inclusive
 variava de tom conforme o posicionamento das
mãos.
10 Hoje não sei mais que jeito é esse. Eu sabia a fórmula
 de fazer cola caseira. Algo envolvendo farinha e água
e
 muita confusão na cozinha, de onde éramos expulsos
 sob ameaças. Hoje não sei mais. A gente começava a
 contar depois de ver um relâmpago e o número a
que
15 chegasse quando ouvia a trovoada, multiplicado por
 outro número, dava a distância exata do relâmpago.
 Não me lembro mais dos números. [...]
 Lembro o orgulho com que consegui, pela primeira
 vez, cuspir corretamente pelo espaço adequado
entre
20 os dentes de cima e a ponta da língua de modo que o
 cuspe ganhasse distância e pudesse ser mirado. Com
 prática, conseguia-se controlar a trajetória elíptica da
 cusparada com uma mínima margem de erro. Era
puro
 instinto. Hoje o mesmo feito requereria complicados
25 cálculos de balística, e eu provavelmente só acertaria
a
 frente da minha camisa. Outra habilidade perdida.
 Na verdade, deve-se revisar aquela antiga frase. É
 vivendo e .................... . Não falo daquelas coisas que
 deixamos de fazer porque não temos mais as
condições
30 físicas e a coragem de antigamente, como subir em
 bonde andando – mesmo porque não há mais bondes
 andando. Falo da sabedoria desperdiçada, das artes
 que nos abandonaram. Algumas até úteis. Quem
nunca
 desejou ainda ter o cuspe certeiro de garoto para
35 acertar em algum alvo contemporâneo, bem no olho,
e
 depois sair correndo? Eu já.
VERÍSSIMO, Luís F. Comédias para se ler na escola.
Considere as seguintes substituições propostas para diferentes trechos do texto:
I. "o número a que chegasse" (L. 14-15) = o número a que alcançasse.
II. "Lembro o orgulho" (L. 18) = Recordo-me do orgulho.
III. "coisas que deixamos de fazer" (L. 28-29) = coisas que nos descartamos.
IV. "não há mais bondes" (L. 31) = não existe mais bondes.
A correção gramatical está preservada apenas no que foi proposto em
a) I.
b) II.
c) III.
d) II e IV.
e) I, III e IV.
Gabarito:
B
Resolução:
A alternativa correta é a B, pois a substituição II é a única em que a correção gramatical está
preservada. Em I, o correto seria "o número que alcançasse"; em III, "coisas que nos descartamos";
em IV, "não existem mais bondes".
Questão 16
Volta às origens. Conheça trechos das versões originais das histórias
 Animais que falam, princesas que sofrem,
 reis e rainhas, fadas madrinhas, gigantes. As
 histórias se passam em um lugar longínquo,
 muitas começam com “era uma vez” e os
05 personagens têm nomes simples, às vezes
 apelidos. E, como se fosse mágica, o leitor
 mergulha em um mundo onde tudo é possível: um
 pé de feijão pode crescer até o céu e um tapete,
 voar.
10 Conforme atravessaram os séculos, os contos
 de fadas foram ganhando nova roupagem. A
 narrativa central permaneceu, mas, em geral, eles
 se tornaram mais leves, açucarados. Na versão
 original de Chapeuzinho Vermelho, por exemplo,
15 o Lobo come a Vovó e a menina − e não há nem
 sombra dos caçadores.
 O mesmo aconteceu com a história da Rainha
 Má que tenta a todo custo acabar com a vida da
 enteada, apontada pelo Espelho como a mulher
20 mais bela do reino. Criado entre os séculos 16 e
 17, o conto foi reescrito pelos irmãos Jacob
 (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786-1859) e
 ganhou o mundo com a versão de Walt Disney
 para o cinema, em 1937. Mas, nesse caso, foi o
25 americano quem colocou o açúcar.
 Na versão dos irmãos Grimm de Branca de
 Neve, cujo texto está sendo relançado pela
 Geração Editorial, após receber do caçador
 pulmões e fígado de um javali, a madrasta pede ao
30 cozinheiro que ferva os órgãos e os come
 pensando que fossem da moça.
 A Rainha Má tenta matar a enteada não uma,
 mas três vezes. Primeiro, vai à casa dos sete anões
 e, disfarçada de vendedora, oferece laços para
35 espartilho. Branca de Neve deixa que a senhora
 coloque a fita, e ela a aperta com tanta força que
 faz a garota desmaiar. Depois, a rainha tenta
 matá-la com um pente envenenado para,
 finalmente, lançar mão de sua estratégia mais
40 conhecida: a maçã cheia de veneno.
 O fim da história também é mais dramático.
 Não há o famoso beijo e o “então viveram felizes
 para sempre”. Branca de Neve volta à vida
 quando, ao ser carregada pelos servos do príncipe,
45 um deles tropeça e, com o solavanco, um pedaço
 de maçã envenenada sai da garganta da moça.
 A madrasta é convidada para o casamento de
 Branca de Neve com o príncipe, e os dois se
 vingam da rainha cruel fazendo com que ela calce
50 sapatos de ferro aquecidos sobre carvões em brasa
 e dance. [...]
REIS, Bia. Volta às origens. Estado de S. Paulo, 8 jul. 2012. Disponível em:
. Acesso em: 15 ago. 2012. Adaptado.
Assinale o que for correto a respeito do uso dos pronomes relativos no texto.
01) Em “cujo texto está sendo relançado” (l. 27), o pronome relativo “cujo” tem como antecedente
“Geração Editorial” (l. 28).
02) A construção “foi o americano quem colocou o açúcar” (linhas 24-25) poderia ser reescrita como
“o americano colocou o açúcar”. A construção com o verbo “ser” e o pronome relativo “quem” é
utilizada para dar destaque ao sujeito.
04) Em “Animais que falam, princesas que sofrem” (l. 1), as orações introduzidas pelo pronome
relativo “que” poderiam ser substituídas por adjetivos: animais falantes, princesas sofredoras.
08) Em “Rainha Má que tenta a todo custo acabar com a vida da enteada” (l. 17-19), o pronome
relativo “que” retoma o termo “Rainha Má” e introduz uma oração subordinada adjetiva restritiva.
16) O pronome relativo “onde” deve ser utilizado para indicação de lugar, como em “mundo onde
tudo é possível” (l. 7), ou para indicação de tempo, como na modificação feita no trecho do texto:
“volta à vida onde, ao ser carregada pelos servos do príncipe, um deles tropeça” (Observação: o
trecho original encontra-se nas l. 43-45).
Gabarito:
02 + 04 + 08 = 14
Resolução:
1) Incorreto. "Cujo" estabelece uma relação de posse entre "versão dos irmãos Grimm" e texto: o
texto da versão dos irmãos Grimm...
2) Correto. Não haveria prejuízo para o sentido do texto se o verbo "ser" e o pronome relativo "quem"
fossem suprimidos. Vale notar a função apresentacional do verbo ser que introduz o sujeito na
oração.
4) Correto. As frases menciondas são frases adjetivas, ou seja, desempenham a função de adjetivos e
podem ser substituídas por eles.
8) Correto. A frase iniciada pelo pronomerelativo "que" retoma e especifica o referente "Rainha Má",
particulazando-o.
16) Incorreto. Ainda que seja amplamente empregado no português brasileiro para indicar tempo, o
pronome relativo "onde" deve ser empregado apenas para retomar a ideia de lugar.
Questão 17
Volta às origens. Conheça trechos das versões originais das histórias
 Animais que falam, princesas que sofrem,
 reis e rainhas, fadas madrinhas, gigantes. As
 histórias se passam em um lugar longínquo,
 muitas começam com “era uma vez” e os
05 personagens têm nomes simples, às vezes
 apelidos. E, como se fosse mágica, o leitor
 mergulha em um mundo onde tudo é possível: um
 pé de feijão pode crescer até o céu e um tapete,
 voar.
10 Conforme atravessaram os séculos, os contos
 de fadas foram ganhando nova roupagem. A
 narrativa central permaneceu, mas, em geral, eles
 se tornaram mais leves, açucarados. Na versão
 original de Chapeuzinho Vermelho, por exemplo,
15 o Lobo come a Vovó e a menina − e não há nem
 sombra dos caçadores.
 O mesmo aconteceu com a história da Rainha
 Má que tenta a todo custo acabar com a vida da
 enteada, apontada pelo Espelho como a mulher
20 mais bela do reino. Criado entre os séculos 16 e
 17, o conto foi reescrito pelos irmãos Jacob
 (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786-1859) e
 ganhou o mundo com a versão de Walt Disney
 para o cinema, em 1937. Mas, nesse caso, foi o
25 americano quem colocou o açúcar.
 Na versão dos irmãos Grimm de Branca de
 Neve, cujo texto está sendo relançado pela
 Geração Editorial, após receber do caçador
 pulmões e fígado de um javali, a madrasta pede ao
30 cozinheiro que ferva os órgãos e os come
 pensando que fossem da moça.
 A Rainha Má tenta matar a enteada não uma,
 mas três vezes. Primeiro, vai à casa dos sete anões
 e, disfarçada de vendedora, oferece laços para
35 espartilho. Branca de Neve deixa que a senhora
 coloque a fita, e ela a aperta com tanta força que
 faz a garota desmaiar. Depois, a rainha tenta
 matá-la com um pente envenenado para,
 finalmente, lançar mão de sua estratégia mais
40 conhecida: a maçã cheia de veneno.
 O fim da história também é mais dramático.
 Não há o famoso beijo e o “então viveram felizes
 para sempre”. Branca de Neve volta à vida
 quando, ao ser carregada pelos servos do príncipe,
45 um deles tropeça e, com o solavanco, um pedaço
 de maçã envenenada sai da garganta da moça.
 A madrasta é convidada para o casamento de
 Branca de Neve com o príncipe, e os dois se
 vingam da rainha cruel fazendo com que ela calce
50 sapatos de ferro aquecidos sobre carvões em brasa
 e dance. [...]
REIS, Bia. Volta às origens. Estado de S. Paulo, 8 jul. 2012. Disponível em:
. Acesso em: 15 ago. 2012. Adaptado.
Assinale o que for correto em relação à flexão e à formação de palavras no texto.
01) Os vocábulos “reescrito” (l. 21), “relançado” (l.27) e “receber” (l. 28) têm em comum o prefixo
“re-”, que indica repetição.
02) No vocábulo “açucarados” (l. 13), o sufixo “-ado” forma um adjetivo a partir do substantivo
“açúcar”.
04) O vocábulo “envenenado” (l. 38) é formado a partir de “envenenar”, em que há adição
simultânea de prefixo e de sufixo: en + veneno + ar.
08) Em “Animais que falam” (l. 1), a desinência número-pessoal “-m” indica que se trata de forma da
terceira pessoa do plural.
16) O vocábulo “personagens” (l. 5), embora possa ter referentes tanto do sexo masculino
(“príncipe”, por exemplo) quanto do sexo feminino (“princesa”), é tratado pela autora do texto como
sendo do gênero masculino pela anteposição do artigo “os”.
Gabarito:
02 + 04 + 08 + 16 = 30
Resolução:
01) Incorreto. Somente nos dois primeiros casos encontra-se o prefixo "re-" com o sentido de
repetição. Quanto ao vocábulo "receber", a sílaba "re" faz parte do radical e não pode ser considerada
um prefixo.
02) Correto. Nesse caso, o sufixo "-ado" forma o adjetivo que indica que algo tem o gosto ou a
propriedade doce do açúcar. No contexto, tem valor pejorativo.
04) Correto. Esse vocábulo só pode ser formado a partir da adição simultânea do prefixo e do sufixo
ao radical.
08) Correto. A desinência "-m", do verbo liga-se ao sujeito "animais".
16) Correto. Nesse caso, o artigo determina que "personagens" é um substantivo de gênero
masculino.
Questão 18
Quantas pessoas em sua casa não economizam porque pensam
que o que elas gastam não é o suficiente para acabar com a água
do mundo? Agora multiplique pelo número de casas da sua rua, seu
bairro, sua cidade, seu país, do mundo todo, pensando da mesma
maneira.
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Acerca de alguns recursos linguísticos utilizados no texto, analise as proposições a seguir.
I. O enunciado "Quer levar a culpa por isso?" se configura como uma pergunta dirigida a
qualquer leitor do texto.
II. No enunciado "Quer levar a culpa por isso?", o pronome "aponta" para a imagem que está
retratada no texto.
III. No texto que é apresentado junto a imagem, os pronomes possessivos em "sua rua, seu
bairro, sua cidade, seu país" fazem referência ao termo "pessoas", no trecho: "Quantas pessoas em
sua casa [...]".
IV. O segmento "do mundo todo" é semanticamente equivalente a "de todo o mundo". 
Estão corretas:
a) I e III, apenas. 
b) II e III, apenas. 
c) I, II e IV, apenas.
d) III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.
Gabarito:
C
Resolução:
I. Correta. A linguagem publicitária dirige-se a um público amplo, entretanto, utiliza uma linguagem
"no singular", particularizada, como se falasse com um leitor específico, para aproximar-se de
qualquer leitor e assim conseguir adesão.
II. Correta. Neste caso, ocorre uma referência exofórica (exterior ao texto) de modo que o sentido da
pergunta depende da associação dos aspectos verbal e não verbal.
III. Incorreta. O pronome possessivo "sua" refere-se ao leitor do texto.
IV. Correta. Neste caso, não há diferenças de sentido entre as duas expressões.
Questão 19
As descontroladas
 As primeiras mulheres que passaram na calçada da Rio Branco chamavam-se
melindrosas.
 Eram um tanto afetadas, com seu vestido de cintura baixa e longas franjas, mas a
julgar por uma
 caricatura célebre de J. Carlos tinham sempre uma multidão de almofadinhas
correndo atrás. O
 mundo, cem anos depois, mudou pouco no essencial. Diz-se agora que o homem
"corre atrás do
5 prejuízo". De resto, porém, a versão nacional do assim caminha a humanidade
segue o mesmo
 cortejo de sempre pela Rio Branco — com o detalhe que as mulheres trocaram as
franjas pelo
 cós baixo da calça da Gang. E, evidentemente, não são mais chamadas de
melindrosas.
 Elas já atenderam por vários nomes. Uma "uva" era aquela que, de tão suculenta
e bem-feita
 de curvas, devia abrir as folhas de sua parreira e deliciar os machos com a
eternidade de sua
10 sombra. Há cem anos as mulheres que circulam pela Rio Branco já foram
chamadas de tudo e,
 diga-se a bem da verdade, algumas atenderam. Por aqui passou o "broto", o
"avião", o "violão", a
 "certinha", o "pedaço", a "deusa", a "boazuda", o "pitéu", a "gata" e tantas outras
que podem não
 estar mais no mapa, como as mulatas do Sargentelli, mas já estão no Houaiss
eletrônico. Houve
 um momento que, de tão belas, chegaram a ficar perigosas. Chamavam-nas
"pedaço de mau
15 caminho" ou "chave de cadeia". Algumas, de carne tão tenra, eram "frangas".
 Havia, de um modo geral, um louvor respeitoso na identificação de cada um
desses tipos que
 sucederam as melindrosas. Gosto de lembrar daquela, ali pelo início dos 60, que
era um "suco".
 Talvez porque sucedesse o tipo de "uva" e fosse tão aperfeiçoada no inevitável
processo de evolução
 da espécie que já viesse sem casca e, principalmente, sem os caroços. Sempre
prontinhas para
20 beber. De uns tempos para cá, quando se pensava que na esquina surgiria um
vinho de safra
 especial, a coisa avinagrou. As mulheres ficam cada vez mais lindas mas os
homens,na hora de
 homenageá-las, inventam rótulos de carinho duvidoso. O "broto", o "violão" e o
"pitéu" na versão
 arroba ponto com 2000 era a "popozuda". Depois, software 2001, veio a
"cachorra", a "sarada".
 Pasmem: era elogio. Algumas continuavam atendendo.
25 Agora está entrando em cena, perfilada num funk do grupo As Panteras — um
rótulo que,
 a propósito, notou a evolução das "gatas" —, a mulher do tipo "descontrolada".
(...). Não é
 exatamente o que o almofadinha lá do início diria no encaminhamento do eterno
processo
 sedutivo, mas, afinal, homem nenhum também carrega mais almofadas para se
sentar no 
 bonde. Sequer bondes há. Já fomos "pães". Muito doce, não pegou. Somos todos
lamentáveis
30 "tigrões" em nossa triste sina de matar um leão por dia.
 Elas mereciam verbetes melhores, que se lhes ajustassem perfeitos, redondos,
como a tal
 calça da Gang. A língua das ruas anda avacalhando com as nossas "minas", para
usar a última
 expressão em que as mulheres foram saudadas com delicadeza e exatidão —
dentro da mina,
 afinal, cabe tanto a pepita de ouro como a cavidade que se enche de pólvora para
explodir e
35 destruir tudo o que estiver em cima.
 A deusa da nossa rua, que sempre pisou os astros distraída, não passa hoje de
"tchutchuca
 marombada" ou "popozuda descontrolada". É pouco para quem caminha nas
pedrinhas
 portuguesas como se São Pedro fosse sobre as águas bíblicas. Algumas delas,
uvas do vinho
 sagrado, santas apenas no aguardo da beatificação vaticana, provocando ainda
maior alvoroço,
 alumbramento e estupefação dos sentidos.
SANTOS, Joaquim Ferreira dos. O que as mulheres procuram na bolsa: crônicas. Rio de Janeiro:
Record, 2004.
Observe os verbos destacados nas passagens a seguir, todos no singular: 
 
Há cem anos as mulheres que circulam pela Rio Branco já foram chamadas de tudo (l. 10) 
Sequer bondes há. (l. 29) 
Por aqui passou o "broto", o "avião", (...) e tantas outras que podem não estar mais no mapa, (l. 11-
13) 
dentro da mina, afinal, cabe tanto a pepita de ouro como a cavidade que se enche de pólvora (l. 33-
34) 
 
Explique, com base nas regras de concordância da norma padrão, por que, nesses exemplos, o
verbo haver fica sempre no singular, e por que passar e caber poderiam estar no
plural: passaram e cabem.
Gabarito:
(Resolução oficial)
A língua padrão contém formas que não se encontram – ou são raras – na fala cotidiana. O verbo
"haver", empregado para exprimir tempo que passou, é uma delas. Com este valor, é impessoal – não
tem sujeito – e se usa na terceira pessoa do singular. Os verbos "passar" e "caber", no entanto, são
pessoais e ocorrem no singular ou no plural, concordando com o respectivo sujeito. Quando este vem
posposto, o verbo pode concordar com o núcleo mais próximo. É o que acontece nos exemplos da
questão.
Questão 20
Viagem interior de Kerouac
Adaptações literárias representam um risco enorme e Walter Salles sabe bem disso. Seu longa de
estreia, A grande arte (1992), não escapou do fiasco apesar de roteirizado pelo mesmo Rubem
Fonseca, que escreveu o livro. Na década seguinte, Salles foi ainda mais ousado, dessa vez com
melhor resultado, ao adaptar para o sertão nordestino a prosa de Ismail Kadaré, cujo primoroso
romance Abril despedaçado se passava nas montanhas da Albânia. Em 2004, ele trabalhou com o
roteirista porto-riquenho Jose Rivera em Diários de motocicleta, baseado nas notas de viagem de Che
Guevara e nas memórias de Alberto Granado.
A experiência bem-sucedida fez com que a parceria com Rivera fosse reeditada em mais um road
movie, só que as semelhanças entre Diários e Na estrada, dois filmes sobre jovens amigos
aventureiros, são menores do que parecem. Enquanto em um, suas vidas são mudadas para sempre
pela paisagem humana da América Latina, no outro, as estradas norte-americanas servem apenas
como rota de fuga e deslocamento, jamais como elemento transformador. É justamente este um dos
aspectos que mais pode desagradar aos cultuadores da obra de Kerouac: ao condensar o livro, o
roteiro deixou de lado boa parte dos momentos em que se bota o pé na estrada.
JANOT, Marcelo. O Globo, 13 jul. 2012. Adaptado.
Considere as afirmações sobre os seguintes trechos do texto:
I. "Seu longa de estreia": encontra-se, em um dos vocábulos desse trecho, um exemplo de derivação
imprópria, que é um dos processos de formação de palavras.
II. "só que as semelhanças entre Diários e Na Estrada": a expressão destacada tem valor
adversativo.
III. "um dos aspectos que mais pode desagradar": o verbo poder dessa frase deveria estar no plural,
de acordo com a norma culta.
Está correto o que se afirma em
a) II e III.
b) I.
c) III.
d) I e II.
e) II.
Gabarito:
D
Resolução:
I. Correta. Derivação imprópria é o processo pelo qual uma palavra muda de classe gramatical. Um
exemplo seria "longa", palavra que pode ser classificada como adjetivo, mas que no texto é
empregada como substantivo sinônimo de "filme" referindo-se à expressão "longa-metragem"
II. Correta. "Só que" introduz uma nova informação no texto que se opõe ao pressuposto da
semelhança entre dos dois filmes. Dessa forma, essa expressão adquire um valor adversativo, e
poderia ser substituída por conjunções como "no entando" ou "contudo"
III. Incorreta. O verbo "poder" está flexionado corretamente, pois se refere a apenas um dos aspectos
do filme. Assim, sua flexão deve ser no singular.

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