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ENGENHARIA CLÍNICA
UNIDADE I
ENGENHARIA CLÍNICA E 
GESTÃO DA TECNOLOGIA 
MÉDICO-HOSPITALAR
Elaboração
Vinicius de Paula Flauzino
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ..........................................................................................................................4
UNIDADE I
ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR .................................5
CAPÍTULO 1 
HISTÓRIA DA ENGENHARIA CLÍNICA ................................................................................... 5
CAPÍTULO 2 
ENGENHARIA CLÍNICA ...................................................................................................... 10
CAPÍTULO 3 
PRÁTICA DA ENGENHARIA CLÍNICA .................................................................................. 19
CAPÍTULO 4 
O SERVIÇO DE ENGENHARIA CLÍNICA, FORMAÇÃO E EDUCAÇÃO CONTINUADA ............... 25
CAPÍTULO 5 
LEGISLAÇÃO APLICADA AOS EQUIPAMENTOS MÉDICOS HOSPITALARES ........................... 35
CAPÍTULO 6 
GESTÃO ESTRATÉGICA DE PESSOAS .................................................................................. 42
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................48
4
INTRODUÇÃO
A engenharia clínica (EC) é uma especialidade da Engenharia Biomédica, responsável 
principalmente pela aplicação e pela implementação de tecnologia médica com o intuito de 
otimizar a prestação de cuidados de saúde. As atividades dos engenheiros clínicos incluem 
treinamento e supervisão de técnicos em equipamentos biomédicos, trabalho junto aos 
órgãos reguladores governamentais em inspeções, auditorias hospitalares e consultoria 
tecnológicas para outros funcionários do hospital (médicos, administradores, TI etc.). 
Os engenheiros clínicos também aconselham os fabricantes de dispositivos médicos sobre 
melhorias prospectivas de projetos com base em experiências clínicas, bem como monitoram 
a progressão do estado da arte para redirecionar os padrões de aquisição hospitalar.
Como a tecnologia biomédica se desenvolveu em direção a sistemas cada vez mais 
complexos e se disseminou em todas as práticas clínicas, o campo da Engenharia Clínica 
também cresceu. Esse crescimento foi acompanhado por uma expansão análoga de 
estudos de engenharia biomédica e clínica em universidades e pelo desenvolvimento de 
habilidades e tarefas de profissionais dessa área. O principal objetivo da EC é apoiar o 
uso da tecnologia biomédica por profissionais de saúde e por organizações hospitalares 
com habilidades apropriadas para alcançar o melhor compromisso entre eficácia/
eficiência clínica, segurança de pacientes e de operadores, qualidade e inovação dos 
cuidados e custos de gerenciamento dos equipamentos.
Existe um esforço para expandir o horizonte de atuação dos engenheiros clínicos, de 
modo que permita influenciarem na trajetória da inovação biomédica. Em seus vários 
papéis, eles formam uma espécie de “ponte” entre os originadores de produtos e os 
usuários finais, combinando as perspectivas de estar próximo ao ponto de uso, ao 
mesmo tempo em que são treinados em design de produto e processo.
Os departamentos de engenharia clínica de grandes hospitais às vezes contratam não 
apenas engenheiros biomédicos, mas também engenheiros de Tecnologia da Informação 
(TI) industriais para ajudar a abordar pesquisas operacionais, fatores humanos, análises 
de custos, segurança etc.
Objetivos
 » Apresentar, discutir e contextualizar o desenvolvimento da Engenharia Clínica.
 » Abordar os equipamentos médico-hospitalares e a especificação de equipamentos 
médicos.
 » Estimular o exercício analítico sobre os indicadores de manutenção.
5
UNIDADE I
ENGENHARIA 
CLÍNICA E GESTÃO 
DA TECNOLOGIA 
MÉDICO-HOSPITALAR
CAPÍTULO 1 
HISTÓRIA DA ENGENHARIA CLÍNICA
Enquanto alguns traçam suas raízes na década de 1940, o termo “engenharia clínica” 
foi usado pela primeira vez em 1969. A primeira referência explícita ao termo aparece 
em um artigo publicado no mesmo ano por Landoll e Cáceres. Cesar A. Caceres, 
um cardiologista, é geralmente creditado por ter sido o primeiro a utilizar o termo 
“Engenharia Clínica”. Naturalmente, o campo mais amplo, a Engenharia Biomédica, 
também tem uma história relativamente recente.
A história da Engenharia Clínica iniciou-se em 1942, em St. Louis, nos Estados Unidos da 
América – EUA, com a criação de curso de manutenção de equipamentos médicos pelo 
exército. Esse curso levou, posteriormente, à implementação da escola de manutenção de 
equipamentos do próprio exército, em Denver/Colorado. Nas décadas seguintes, entre 
1960 e 1970, a intensidade no uso de tecnologias em equipamentos médicos – como 
ultrassom, analisadores químicos de sangue e tomografia – aumentou sobremaneira. 
Embora essa tecnologia pudesse aprimorar o diagnóstico e aperfeiçoar o processo de 
detecção de doenças, seu uso crescente começou a deixar os profissionais preocupados. 
Foram identificados riscos, como a dificuldade de realizar testes, o alto custo de venda 
dos equipamentos e, principalmente, lacunas na legislação sobre segurança, que não 
era suficientemente específica para assegurar que o uso dessas tecnologias produziria 
realmente os efeitos esperados (RAMIREZ, 2000).
No início da década de 1970, o cirurgião Cari Walter, da Harvard Medical School, relatou 
um fato alarmante: estavam morrendo cerca de três pessoas por dia devido a choques 
elétricos relacionados ao uso de equipamentos médicos, ou 1.200 por ano, nos EUA. 
Embora esses dados não tenham sido comprovados, a polêmica apontou a necessidade 
de prestar mais atenção aos equipamentos médicos, sobretudo à segurança elétrica. 
Para que se tenha noção da importância desse cuidado, nesse período, nos EUA, podia-se 
projetar, fabricar e vender equipamentos tão delicados e invasivos, como marcapassos, 
sem autorização prévia do governo ou de outra entidade fiscalizadora.
6
UNIDADE I | ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR
A noção geral da aplicação da engenharia à medicina pode ser rastreada há séculos. O 
trabalho de Stephen Hales, por exemplo, no início do século XVIII, que levou à invenção 
de um ventilador e à descoberta da pressão sanguínea, certamente envolveu a aplicação 
de técnicas de engenharia à medicina. A história recente dessa subdisciplina é um tanto 
errática. No início dos anos 1970, acreditava-se que a Engenharia Clínica era um campo 
que exigiria muitos novos profissionais. As estimativas para os EUA variam de 5.000 a 
8.000 engenheiros clínicos, ou de cinco a dez engenheiros clínicos para cada 250.000 
habitantes, ou um engenheiro clínico por 250 leitos hospitalares.
Além disso, a maioria dos equipamentos não possuía sequer manual de operação 
e manutenção. Diante da identificação do problema que, mesmo não comprovado, 
revelava-se potencialmente perigoso, o governo estadunidense encarregou a Food 
and Drugs Adminstration (FDA) de elaborar normas para registros, venda, inspeções 
e revisões científicas, além de sugerir melhorias práticas no processo de fabricação 
desses produtos. A solução apresentada pelo FDA naquele momento foi classificar os 
equipamentos médicos como medicamentos e submeter sua avaliação e liberação para 
uso de acordo com os mesmos critérios de aprovação dos fármacos.
Rapidamente, a proposta foi inadequada, pois a demora para aprovação, certificação 
e liberação para comercialização estimulou os fabricantes de equipamentos a certificar 
seus produtos por processos menos rigorosos, o que criava duplo problema: além de 
não assegurar a qualidade dos equipamentos, criava-se a falsa ilusão de confiança. 
A certificação pelo FDA exemplifica esse processo, por meio do qual se observava 
apenas se os equipamentos funcionavam de acordo com o que era descrito no manual, 
proibindo venda de equipamentos adulterados ou desmembrados sem que fosse 
verificada sua segurançao trabalho e os custos.
Os administradores podem precisar cortar custos ou eles pedirão ao departamento 
para manter os funcionários. Nesse caso, o gestor do serviço de EC deverá justificar com 
dados os serviços e posições. Alternativamente, a administração pode buscar propostas 
competitivas de fornecedores externos. Os gestores do serviço de EC precisam mostrar seu 
valor com os dados. Destaca-se que se você não puder medi-lo, não poderá gerenciá-lo. 
Departamentos devem estar prontos com dados em tempo real e relatórios para mostrar 
seu valor. Além disso, inclua pesquisas e comentários de clientes em sua justificativa.
34
UNIDADE I | ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR
Os serviços de Engenharia Clínica devem oferecer educação continuada. No nível 
gerencial, é importante o treinamento em comunicação, habilidades interpessoais, 
liderança situacional, solução de problemas, estabelecimento de padrões de funcionários 
e avaliação de resultados, além do trabalho em equipe. Em geral, é uma transição difícil 
do trabalho técnico para a supervisão e os novos gerentes precisam de treinamento e 
de suporte.
A educação da equipe técnica deve abordar áreas fracas ou focar em mudanças no 
campo de atuação, principalmente, treinamento de TI, devido a rápida evolução 
tecnológica. A educação pode ocorrer em sala de aula, no trabalho, on-line, ou baseada 
em CD ou livros. Atualmente, é fácil encontrar em diversas empresas de educação 
que possuem treinamentos em áreas específicas, como imagens, laser, ultrassom, 
ventiladores, esterilizadores, TI e muitas outras áreas de especialidade.
O treinamento específico do dispositivo/equipamento é mais bem negociado 
no momento da compra, pois é possível incluir treinamento durante a vida útil do 
equipamento e para várias pessoas, sem custo adicional etc. O treinamento por 
parte da empresa deverá ocorrer no momento da instalação do equipamento e nos 
primeiros momentos de uso e durante todo o período da garantia. Os colaboradores 
que treinarem, previamente, devem multiplicar a informação e treinar outros colegas, o 
que também pode ser chamado de treinamento cruzado. Essa prática de compartilhar o 
conhecimento é benéfica, pois constrói o trabalho em equipe, dá ao indivíduo a chance 
de mostrar seu valor e aumenta a confiança do empregado diante de um grupo.
35
CAPÍTULO 5 
LEGISLAÇÃO APLICADA AOS EQUIPAMENTOS 
MÉDICOS HOSPITALARES
A Engenharia Clínica é uma área de conhecimento que faz parte da engenharia 
biomédica e sua finalidade é realizar a gestão de tecnologias em saúde, equipamentos 
médico hospitalares (EMH). Conforme foi definido pelo Manual de Regularização 
de Equipamentos Médicos, confeccionado pela Anvisa, em 2021, o EMH são os 
equipamentos utilizados no tratamento de saúde, com objetivo Odontológico, Médico, 
fisioterápico e laboratorial que é utilizado de forma direta ou indireta para terapia, 
diagnóstico, monitorização e reabilitação de seres humanos, e possui também a 
finalidade estética e embelezamento.
Os equipamentos médicos fazem parte da categoria de produtos que estão voltados 
para a saúde. Antigamente, esses insumos eram correlatados em conjunto com 
outros materiais em saúde, como exemplo: órtese, prótese, cateter, entre outros. 
Os equipamentos médicos podem ser classificados como produtos médicos não 
implantáveis, ativos e implantáveis. Mas, no entanto, existem dispositivos médicos não 
ativos como as macas, cadeiras de rodas, mesas cirúrgicas, camas hospitalares, cadeira 
para exames etc. (ANVISA, 2018). 
A normatização é voltada para as características, as especificações, os requerimentos e 
as diretrizes que foram elaboradas para algum, produto, serviço, material ou processo. 
O art. 12, da Lei n. 6.360, que foi criada no dia 23 de setembro de 1976, versa que todo 
o equipamento utilizado na saúde com finalidade odontológica, médica, fisioterápica 
ou laboratorial precisa ser registrado no Ministério da Saúde, com as exceções descritas 
no § 1o do Art. 25 da Lei citada, que embora são dispensados de registro, estão sujeitos 
ao regime da ANVISA e devem ser notificados. A Lei n. 9.782, criada em 26 de janeiro 
de 1999, concedeu ANVISA a competência de controlar, regulamentar e fiscalizar os 
serviços e produtos que possuem risco a saúde pública.
O não atendimento das determinações que estão previstas na legislação sanitária são 
caracterizadas como infração à Legislação Sanitária Federal, a empresa infratora está 
sujeita às penalidades previstas na Lei n. 6.437, de 20 de agosto de 1977, e não possui 
prejuízo das sanções de natureza penal ou civil cabíveis na esfera administrativa. No 
âmbito da esfera jurídica, os profissionais que respondem pelas infrações praticadas são 
o responsável técnico e legal, conforme as sanções e infrações previstas no art. 273 que 
está inseria no Decreto-lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal, capítulo 
III, que versa sobre os Crimes contra a Saúde Pública). 
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UNIDADE I | ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR
Vários produtos usados no âmbito da saúde, entre eles os equipamentos hospitalares, 
devem ser regulamentados pela ANVISA. Somente por meio do registro esses aparelhos 
podem ser vendidos ou utilizados, após seguir uma serie de exigência que é prevista 
em lei. Os equipamentos hospitalares possuem diversas formas e formatos, que variam 
de um simples termômetro a um dispositivo de tomografia computadorizada e são 
classificados conforme o risco que pode apresentar para o paciente. Além do processo 
de classificação, é realizado o enquadramento do equipamento para cumprir uma lista 
com 18 regras, que varia conforme a finalidade e indicação de utilização do equipamento 
hospitalar. Somente a partir da avaliação da classificação e do enquadramento nas 
regras é que a Anvisa determinará se a regularização será feita por meio de cadastro 
ou registro desses equipamentos (ANVISA, 2021). 
5.1. Aspectos históricos
Nos últimos anos, a metrologia apresentou grandes avanços, o que permitiu que fossem 
criados aparelhos médicos voltados para indústria, ciência e saúde. Houve um grande 
esforço para desenvolver instrumentos que aferem os sinais e os parâmetros fisiológicos 
com precisão e baixa escala de erros, e, com essa evolução, foi possível realizar diagnósticos 
para prevenir e tratar enfermidades com maior precisão e acurácia (ANVISA, 2018).
Figura 4. Autorização para compra e venda de equipamentos médicos.
Fonte: https://engenhariaclinica.online/images/contato.png.
O desenvolvimento de novas tecnologias passou confiança para equipe profissional 
para desenvolver as suas habilidades laborais, por meio do fornecimento de dados 
37
ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR | UNIDADE I
precisos e fidedignos captados dos pacientes por dispositivos médicos. Os equipamentos 
produzidos devem ser seguros para o paciente e operador, além de apresentar resultados 
com alta precisão para serem comparados com dados internacionais. A validação dos 
riscos e das medidas fisiológicas começaram a receber maior preocupação em 1991, 
por meio de estudos práticos realizados na universidade de Harvard. Nessa pesquisa, 
foi realizada a coleta de dados fisiológico com mais de 30 mil pacientes hospitalizados 
em estado grave. O resultado do estudo apresentou 3,7% dos pacientes sofreram danos 
e 13,6% tiveram incidentes que foram fatais (ANVISA, 2021).
Na década de 1970, foram realizadas algumas contribuições internacionais para calibrar 
dispositivos médicos utilizados no tratamento de câncer. Esses instrumentos possuíam 
risco de morte para os pacientes, pois transmitiam altas doses de radiação. Devido a 
esse problema, a área da medicina desenvolveu métodos para o controle de emissão 
de radiação que são utilizados atualmente.
No ano de 1999, na 21a CGPM (conférence générale des poids et mesures), destacou-se 
necessidade de criação de um parâmetro para medida internacional que consigam ser 
comparadasem todo o mundo, assim como buscar padrões de equivalência. Neste ano, 
foi criada no Brasil a Anvisa, que foi vinculada ao Ministério da Saúde, na qual recebeu a 
responsabilidade de garantir a segurança sanitária dos equipamentos médicos (ANVISA, 
2018).
A Anvisa adaptou o sistema internacional de medidas para equipamentos médicos a 
realidade do Brasil. Desta forma, foi realizado o enquadramento dos dispositivos médicos 
para garantir o controle sanitário, foi criado um modelo sanitário, baseado no perigo 
potencial inerente ao produto, e foi classificado da seguinte maneira:
 » Classe I – baixo risco;
 » Classe II – médio risco;
 » Classe III – alto risco;
 » Classe IV – máximo risco.
Além da definição por classes, há também o enquadramento com total de 18 regras que 
estão descritas na RDC n. 185, de 22 de outubro de 2001, essa norma está associada a 
finalidade e indicação de utilização dos equipamentos médicos, conforme os seguintes 
critérios:
 » não invasivos: artigos 1, 2, 3 e 4;
 » invasivos: artigos 5, 6, 7 e 8;
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UNIDADE I | ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR
 » ativos: artigos 9, 10, 11, 12;
 » regras especiais: artigos 13, 14, 15, 16, 17 e 18.
5.2. Combinação de produtos e equipamentos
No momento em que precisa combinar a utilização de produtos e equipamentos 
médicos, as regras de classificação são usadas de forma distintas, como no caso de 
utilização de hardwares e softwares de suportes lógicos para comandar equipamentos 
que fazem parte da seção de produtos e equipamentos classificados de forma distinta. 
Essa classificação pode ser empregada e válida para equipamentos e tecnologias, 
como a IoT (internet das coisas), muito utilizada na medicina com a finalidade de 
automatizar os processos, por exemplo, rastreabilidade, monitores de temperatura e 
controle de armazenamento. A RDC n. 185, direcionas os equipamentos hospitalares 
que não são utilizados de forma exclusiva para uma parte do corpo humano, precisam 
ser classificados crítico (ANVISA, 2021).
5.2.1. Normas da Anvisa para regularização: cadastro e 
registro
As empresas que realizam a produção e o comércio de equipamentos médicos 
hospitalares precisam iniciar o processo de regularização dos equipamentos hospitalares 
para cadastrar a instituição na Anvisa, além de possuir o certificado de boas práticas 
para a fabricação do produto conforme a RDC n. 39/2013. Porém, essa certificação não 
é obrigatória para a empresa funcionar, mas as boas práticas é um critério de qualidade 
que deve ser seguido para a fabricação e criação de dispositivos como explica a lei 
supracitada. Esse processo apresenta inúmeras práticas que foram estabelecidas como 
“boas práticas”, por exemplo.
 » gerenciamento de riscos;
 » controle, armazenamento e rastreabilidade;
 » controle de qualidade do produto;
 » controles de embalagem;
 » normas internas para instalação;
 » assistência técnica dos equipamentos (ANVISA, 2018).
Vale afirmar que o cumprimento das boas práticas para fabricação na fabricação de 
qualquer dispositivo hospitalar é uma necessidade para manter o padrão de qualidade 
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ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR | UNIDADE I
da instituição de saúde. Embora não seja um processo obrigatório para o funcionamento, 
demonstra o comprometimento da empresa com a qualidade do produto.
5.2.2. Registro do um equipamento médico
O registro do equipamento médico passa por um processo extenso, composto por 
várias etapas como: a regularização da empresa junto à vigilância sanitária, identificação 
sanitária do equipamento, peticionamento eletrônico, erros, incerteza e necessidade de 
calibração de equipamentos médicos.
5.2.3. Regularização da empresa junto à vigilância sanitária
Essa etapa consiste na regularização da empresa, por meio de um processo de avaliação 
realizado pela ANVISA, que solicita a autorização de funcionamento da empresa (AFE) e 
Alvará de Funcionamento, que ambos são emitidos pela vigilância sanitária estadual ou 
municipal. Os documentos são expedidos após passar por uma inspeção sanitária. Quando 
a empresa não consegue essas declarações, não é possível realizar o processo na Anvisa. 
5.2.4. Identificação sanitária do equipamento
A identificação sanitária do equipamento é realizada conforme a Classificação do 
equipamento na RDC n. 185/2001. Alguns equipamentos precisam da emissão de 
relatórios com informações de econômicas. A lista desses dispositivos está na resolução 
da Anvisa n. 3385/2006. Alguns aparelhos precisam passar pelo teste de qualidade do 
INMETRO e possuir um relatório consolidado de testes conforme os padrões da Anvisa 
descritas na IN, n. 8, de 29 de maio de 2007.
5.2.5. Identificação da petição e peticionamento eletrônico
A identificação da petição é parte do processo de registro ou cadastramento do aparelho 
na ANVISA, conforme a sua classificação. O produto pode ser registrado como único 
ou com parte de uma classe específica de dispositivos. O peticionamento eletrônico é 
a última parte realizada para solicitar o registro do equipamento na ANVISA. Essa etapa 
só poderá ser realizada após a conclusões dos passos anteriores (ANVISA, 2021)
5.2.6. Erros, incerteza e necessidade de calibração de 
equipamentos médicos
A confiabilidade do dispositivo é essencial para que o aparelho médico hospitalar seja 
seguro para o paciente e operador. O equipamento precisa de alarmes e sensores que 
indicam os resultados sobre o estado clínico do dispositivo. Os aparelhos médicos que 
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UNIDADE I | ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR
o mensuram alguma grandeza devem ser precisos. O mau funcionamento de qualquer 
instrumento biomédico pode ocasionar danos severos e fatais para os pacientes e aos 
operadores. No Brasil, existe um aumento de ações jurídicas por causa de eventos 
adversos com equipamentos médicos. A importância da calibração nos aparelhos 
médicos pode ser citada pelo seguinte exemplo: um dispositivo de medição da pressão 
arterial é realizada pelo equipamento conhecido por esfigmomanômetro, que deve 
possuir regulamentação técnica do INMETRO. Nesses dispositivos, o erro na aferição 
é de ±3 mmHg. Entretanto, um estudo publicado pelo INMETRO, em Juiz de Fora, São 
Paulo e Rio de Janeiro, apresentou o resultado de 61% dos esfigmomanômetros estavam 
com erros acima de 4 mmHg. Portanto, a falta de calibração de qualquer equipamento é 
capaz de comprometer a veracidade meteorológica que pode ser fatal (ANVISA, 2018).
5.2.7. Resoluções que são aplicadas para os equipamentos 
médicos hospitalares
As principais resoluções que são aplicadas pelas normativas da ANVISA são as seguintes:
 » Resolução RDC n. 185, de 22 de outubro de 2001: aprova o Regulamento 
Técnico que consta no anexo desta Resolução, que trata do registro, da alteração, 
da revalidação e do cancelamento do registro de produtos médicos na Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. 
 » Resolução RDC N. 40, de 26 de agosto de 2015: define os requisitos do cadastro 
de produtos médicos. 
 » Resolução RDC n. 270, de 28 de fevereiro de 2019: dispõe sobre a migração 
do regime de notificação classe de risco II para o regime de notificação dos 
dispositivos médicos de classe de risco I. 
 » Resolução RDC n. 340, de 6 de março de 2020: dispõe sobre as alterações de 
informações nos processos de regularização de dispositivos médicos e dá outras 
providências. 
 » Resolução RDC n. 423, de 16 de setembro de 2020: altera a Resolução de 
Diretoria Colegiada RDC n. 27, de 21 de junho de 2011, a Resolução de Diretoria 
Colegiada RDC n. 36, de 26 de agosto de 2015, e, Resolução de Diretoria Colegiada 
RDC n. 40, de 26 de agosto de 2015, para dispor sobre a extinção do regime de 
notificação classe de risco II e migração dos dispositivos médicos de classe de 
risco II para o regime de notificação. 
 » Instrução Normativa IN n. 74, de 16 de setembro de 2020: estabelece 
os assuntos para alterações de informações apresentadas no processode 
41
ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR | UNIDADE I
regularização de dispositivos médicos na ANVISA, nos termos da Resolução de 
Diretoria Colegiada RDC n. 340, de 6 de março de 2020 (ANVISA, 2018).
42
CAPÍTULO 6 
GESTÃO ESTRATÉGICA DE PESSOAS
A palavra “estratégia”, derivada do substantivo grego estratego, que significa 
“comandante, em-chefe”, foi usado pela primeira vez na língua inglesa em 1656 no 
contexto de gestão. Agora, a palavra “estratégia” substitui o termo tradicional “0 
planejamento de longo prazo” para denotar um padrão específico de decisões e ações 
que são realizadas pelos gestores, a fim de cumprir metas e melhorar o desempenho 
da equipe profissional. 
A definição de gestão estratégica de pessoa (GEP) é o conjunto de decisões e ações 
gerenciais que determinam o desempenho em longo prazo de uma empresa, instituição 
ou organização. A visão da GEP é um conjunto de ações desenvolvida por uma empresa 
para atingir o melhor desempenho da equipe profissional. A gestão estratégica é 
considerada uma atividade contínua que requer um ajuste constante de três grandes 
pontos distintos, que são administração, meio ambiente e disponibilidade de recursos. 
A GEP é um ciclo em dividido em cinco etapas:
 » missão e objetivos;
 » análise ambiental;
 » formulação estratégica;
 » implementação estratégica;
 » avaliação da estratégia.
A primeira etapa no modelo de gestão estratégica começa com os gestores para avaliar 
a missão e os objetivos das instituições de saúde. A missão declara os propósitos de uma 
organização para explicar seus objetivos e proporcionar um senso de direção para a equipe 
multiprofissional. Os objetivos são organizados para alcançar um resultado mensurável.
A análise ambiental é voltada para arrumar ou ajustar os pontos fortes e fracos de uma 
empresa para prevenir ameaças. Os fatores que são mais importantes para o futuro da 
organização são os fatores estratégicos e podem ser resumidos em: força, oportunidade, 
ansiedade e ameaça. 
A formulação estratégica envolve os gestores para avaliar os fatores estratégicos e 
orientar a equipe multiprofissional a atingir as metas e os objetivos das instituições. 
Algumas estratégias são formuladas nos níveis corporativo, empresarial e funcional. 
O termo “escolha estratégica” levanta as seguintes questões: “quem toma as decisões e 
Porque elas são realizadas”. A noção de escolha estratégica também chama a atenção 
para a GEP como um “processo político” em que as decisões e ações sobre a organização 
43
ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR | UNIDADE I
são tomadas por um grupo de gerentes com “poder dominante” dentro da instituição, 
por isto, em um modelo político de GEP, é necessário considerar a distribuição de poder 
dentro das organizações. A perspectiva da escolha estratégica na tomada de decisões 
organizacionais torna o discurso sobre a estratégia “mais concreto” e fornece insights 
importantes sobre como administrar as equipes.
A implementação estratégica é uma área que foca nas técnicas utilizadas pelos gestores 
para implementar as suas estratégias de liderança e gestão de recursos. A liderança é a 
parte mais importante e difícil do processo de implementação estratégica. A avaliação 
de estratégia é uma atividade que determina até que ponto a mudança atingiu o 
desempenho esperado durante um processo de mudança.
Figura 5. Liderança.
Fonte: https://engenhariaclinica.online/images/fila.png.
6.1. Ferramentas para a gestão de pessoas
Existem várias ferramentas na gestão de pessoa que podem ser implantados para 
contribuir na melhora do desempenho da equipe profissional, mas muitas vezes precisam 
de ações em conjunto com os gestores e funcionais. A definição dos objetivos deve 
ser bem clara para todos da equipe multiprofissional, com a finalidade de cumprir e 
alcançar todos os propósitos da instituição. Vejamos, nos tópicos a seguir, quais são as 
ferramentas que o gestor pode usar para alcançar tal desempenho. 
6.1.1. Avaliações de desenvolvimento de desempenho (ADD)
As ADD podem ser usadas na gestão de desempenho das organizações, por meio de 
avaliação realizada mensamente pelos gestores para revisar e identificar os fatores 
44
UNIDADE I | ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR
que impacta diretamente a dinâmica da equipe multiprofissional. As ADD auxiliam os 
gestores a avaliar sobre o desempenho individual de cada integrante da equipe, com a 
finalidade de melhorar a performance profissional de cada indivíduo.
O gestor deve realizar uma avaliação do desempenho anterior da equipe 
multiprofissional, com reuniões construtivas e abertas para encorajar e conduzir a 
melhoria profissional, na qual todos os integrantes da equipe poderão expor ideias e 
opiniões em debates para a melhoria contínua dos processos institucionais. A avaliação 
de desempenho individual é uma ferramenta utilizada para fornecer informações sobre 
a habilidades e competências de cada indivíduo. Porém, este tipo de avaliação não é 
recomendado para surpreender, criticar ou impor objetivos irrealistas. 
6.1.2. Feedback de 360°
Esta abordagem normalmente inclui uma autoavaliação em um processo comum para 
permitir que o indivíduo realize uma própria avaliação de seu desempenho para ser 
comparado com os seus parres durante uma reunião em grupo. O feedback de 360º 
graus é uma abordagem amplamente utilizada como parte do autodesenvolvimento ou 
desenvolvimento da equipe multiprofissional, na qual o gestor utiliza uma ampla visão 
em 360° de todos os indivíduos para alcançar a melhoria profissional de cada membro 
da equipe.
6.1.3. Coaching
O coaching é uma ferramenta importante para ajudar a desenvolver conjunto de 
habilidades e conhecimentos de um indivíduo ou equipe para melhorar o seu 
desempenho profissional. O coaching, muitas vezes, faz parte da aprendizagem do 
indivíduo em desenvolvimento e podem ser abordados na ADD. Ao contrário do processo 
de avaliação de desempenho, Coaching geralmente ocorre ao longo do ano e muitas 
vezes apresenta melhoria no desenvolvimento da equipe multiprofissional. O coaching 
deve ser realizado por meio de uma série de abordagens temáticas para fornecer suporte 
e aconselhamento necessário a todos os indivíduos da equipe profissional. 
6.1.4. Gestão e liderança
A gestão e a liderança são fundamentais para o sucesso de qualquer instituição de 
saúde. Embora os dois sejam semelhantes em alguns aspectos, eles podem envolver 
diferentes tipos de perspectivas, habilidades e comportamentos. Bons gerentes devem 
se esforçar para ser bons líderes, e bons líderes precisam de habilidades de gestão para 
serem e eficazes. Os líderes terão uma visão do que pode ser alcançado e, em seguida, 
comunicarão a sua equipe para desenvolver estratégias para alcançar um objetivo. 
45
ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR | UNIDADE I
Os líderes motivam as pessoas e são capazes de negociar recursos para atingir os seus 
objetivos. Os gerentes garantem que os recursos disponíveis sejam bem-organizados e 
aplicados para produzir os melhores resultados. Em ambientes difíceis e com recursos 
limitados de muitos países de baixa a média renda, um gerente também deve ser um 
líder para obter os melhores resultados. 
6.1.5. Os atributos de um bom líder
Os líderes frequentemente (mas não necessariamente sempre) possuem um senso de 
missão, são carismáticos, capazes de influenciar as pessoas a trabalharem juntas por 
uma causa comum, são decisivos e utilizam uma solução criativa para resolver problemas 
e promover um excelente ambiente de trabalho com bastante energia positiva. 
Os gerentes que possuem essas qualidades de liderança são essenciais para 
administrarem os serviços em qualquer organização hospitalar.
No entanto, os gerentes devem garantir que os processos do dia a dia funcionem 
bem para produzir os resultados desejados. Certos atributos são necessários para 
um gerente realizar umaboa gestão de pessoas, que são: clareza de propósito 
para a execução de tarefas, conhecimento organizacional, habilidade para delegar, 
capacidade de comunicação e negociação. As melhores condições para criar uma boa 
gestão são:
 » gerentes e membros da equipe precisam ser selecionados por mérito; 
 » os gerentes precisam conquistar o respeito de sua equipe e supervisores; 
 » os sistemas de suporte básico deve funcionar bem; 
 » regras e regulamentos claros para administrar a equipe multiprofissional; 
 » suprimentos, equipamentos bem planejados e entregues em tempo hábil;
 » processos financeiros claros e transparentes.
A gestão de pessoas pode ser descrita como a capacidade de realizar um objetivo, por 
meio do trabalho em grupo. Para isto ocorrer, há questões importantes que devem ser 
refletidas antes de tomar qualquer decisão. Então, pergunte-se: 
 » O que exatamente devo fazer como gerente? 
 » Os recursos necessários estarão disponíveis de forma pontual? 
 » Quão livre estou para tomar decisões, por exemplo, consigo mudar o pessoal? 
 » Como posso equilibrar minhas funções administrativas e clínicas?
46
UNIDADE I | ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR
 » Como posso reduzir o tempo gasto nos muitos relatórios de rotina de que preciso 
escrever? 
 » Quais são e onde estão as ferramentas e técnicas para me ajudar a fazer um bom 
trabalho? 
As condições para que ocorra uma gestão eficaz são melhores quando essas questões 
acima são respondidas de forma clara e objetivas para que as tarefas sejam executadas 
da melhor maneira possível. A gestão também floresce no momento em que o gerente 
e a sua equipe concordam sobre objetivos do trabalho que vai ser realizado e podem 
tomar decisões sem correr risco. Liderar e gerir pessoas é vital para todas as organizações 
saúde para melhorar a força de trabalho da equipe multiprofissional. Na verdade, a 
capacidade de liderar não é esperada apenas de gestores e líderes, mas tornou-se uma 
necessidade no mercado de trabalho de profissionais capacitados para gerir pessoas.
As crescentes demandas por profissionais especializados em gestão aumentaram 
significativamente nas empresas e organizações. Os gestores precisam desenvolver 
o perfil de liderança e, ao mesmo tempo, aumentar sua consciência sobre as suas 
responsabilidades no ambiente de trabalho para melhorar o desempenho da equipe 
multiprofissional. A liderança organizacional requer a capacidade do gestor em liderar 
com seu conhecimento, habilidades e atitudes. Isso é visto pelo fato de que os líderes 
sabem como liderar e estão dispostos a sacrificar as preferências pessoais em prol dos 
benefícios e do sucesso organizacional.
Além disso, a necessidade de uma comunicação eficaz das metas e dos objetivos da 
organização é um ingrediente importante na liderança e gestão de pessoas para conduzir 
a equipe multiprofissional ao sucesso organizacional com senso de responsabilidade. 
A importância de liderar e gerenciar pessoas, especialmente para gestor júnior é uma 
boa experiência de aprendizado para melhorar suas habilidades e prepará-los para 
enfrentar responsabilidades maiores, com uma perspectiva flexível para melhorar a sua 
carreira profissional.
O gestor deve ser flexível a mudança, pois faz parte do plano de gestão estratégica das 
organizações de saúde para se adequarem ao mercado de saúde que vive em constante 
transformação. A mudança organizacional é um processo utilizado para organizar e 
adaptar o processo de evolução contínuo nas instituições de saúde, que ocorre por 
meio de fatores internos e externos.
Os fatores internos englobam as mudanças que se relacionam com os processos 
estruturais, estratégicos, centrados e orientado para melhorar alguns pontos críticos 
ou problemáticos dentro de uma organização. Os fatores externos estão voltados para 
47
ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR | UNIDADE I
melhorar o posicionamento da empresa no mercado de saúde, por meio da aderência 
a novos produtos, tecnologias e tendências econômicas. 
Liderar e gerenciar a mudança não é uma tarefa fácil, pois exige bastante 
comprometimento e dedicação da equipe multiprofissional, mas esse processo é o que 
leva uma instituição de saúde alcançar o sucesso organizacional. Para ser um bom líder, 
o gerente deve sempre incentivar a melhoria dos processos e estar sempre disposto a 
mudar. Em outras palavras, o processo de mudança por meio da liderança é importante 
para estabelecer e sustentar uma gestão eficaz nas organizações de saúde. Pois, os 
líderes são fundamentais para moldar o sucesso empresarial e, portanto, a mudança 
deve ser integrada de forma e institucional e se tornar um compromisso a longo prazo 
dos gestores.
48
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Figura
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	Introdução
	UNIDADE I
	Engenharia clínica e gestão da tecnologia médico-hospitalar
	Capítulo 1 
	História da engenharia clínica
	Capítulo 2 
	Engenharia clínica
	Capítulo 3 
	Prática da Engenharia Clínica
	Capítulo 4 
	O serviço de engenharia clínica, formação e educação continuada
	Capítulo 5 
	Legislação aplicada aos equipamentos médicos hospitalares
	Capítulo 6 
	Gestão estratégica de pessoas
	Referênciase eficácia. Isso demonstrou que a norma do FDA apresentava 
falhas graves e precisava ser alterada, além de sinalizar, também, a necessidade de 
legislação governamental específica (PORTO, MARQUES, 2016).
Em maio de 1976, foi aprovada uma lei sobre equipamentos médicos, que exigia que os 
2 mil fabricantes estadunidenses indicassem a segurança e a eficácia dos seus produtos 
em protocolos e manuais para submetê-los à aprovação da FDA. Cabe destacar 
que, ainda na década de 1970, foi criada essa categoria profissional e certificado o 
primeiro engenheiro clínico. O profissional se tornou responsável pelo gerenciamento 
dos equipamentos hospitalares e treinamento dos profissionais que utilizariam 
essas tecnologias nas instituições, realizando consertos, verificando a segurança e o 
desempenho, além de avaliar as especificações técnicas para aquisição. Os engenheiros 
não substituiriam os médicos, mas avaliariam a tecnologia, controlariam o processo de 
automação e ajustariam os sistemas de comunicação para auxiliá-los a desempenhar 
as atividades clínicas.
7
ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR | UNIDADE I
Na década seguinte, o papel do engenheiro clínico se consolidou e se expandiu, deixando 
de ser somente o responsável técnico pela manutenção dos equipamentos dos hospitais, 
tornando-se o profissional que deveria participar ativamente nas áreas de transferência 
de tecnologia e avaliação tecnológica, bem como o gerenciamento dessas atividades.
A partir daí, e cada vez mais, a Engenharia Clínica passou a incorporar funções 
relacionadas ao planejamento estratégico da aquisição de tecnologias em saúde, bem 
como de todos os aspectos relativos a sua utilização. Esse campo do conhecimento 
abrangeu, posteriormente, atribuições diversas, como assessoria técnica à pesquisa 
clínica, envolvendo equipamentos e colaboração com o comitê de ética hospitalar nas 
questões referentes ao uso da tecnologia em saúde. No Brasil, as atividades relacionadas 
à Engenharia Clínica, por um longo período, estiveram restritas à realização de 
manutenções corretivas (ou consertos), o que retardou a consolidação de um processo 
mais amplo e qualificado dessa área.
A percepção sobre a grande importância da Engenharia Clínica só surgiu em 1989, 
quando o Ministério do Bem-Estar Social e o da Previdência Social estimou que 20% 
a 40% dos equipamentos médicos em todo o país estavam desativados por falta de 
conserto, peças de reposição, suprimentos ou ainda, por falta de instalação. A quantidade 
de equipamentos fora de uso representava perda estimada entre 1 e 2 bilhões de reais.
Verificou-se também que, além do desperdício decorrente desse percentual elevado de 
equipamentos parados, quando a manutenção era realizada, somente era feita pelos 
próprios fabricantes. Os hospitais eram afetados diretamente por esse quadro alarmante 
e, então, diversas instituições tentaram criar equipes internas de manutenção. Tais 
equipes, porém, esbarraram em problemas persistentes, como falta de recursos humanos 
capacitados, além de peças para substituição (devido à burocracia para importar e ao 
monopólio de fabricantes). Essas dificuldades experimentadas por diversas instituições 
em todo o país evidenciaram a necessidade de se criar e formalizar grupos de Engenharia 
Clínica (PORTO; MARQUES, 2016).
Tal proposta vinha ao encontro da iniciativa, do ano de 1987, idealizada no Estado de 
São Paulo, a qual unificou os serviços públicos e estabeleceu políticas que integravam 
pesquisa, desenvolvimento e regulamentação em todo o ciclo de vida útil dos aparelhos. 
O projeto ficou sob responsabilidade de um grupo multidisciplinar, que também 
implantou uma rede de manutenção e gerenciamento tecnológico. Entre os anos de 1993 
e 1995, o Ministério da Saúde financiou cursos anuais de especialização em Engenharia 
Clínica, que foram implantados em instituições de ensino superior, como a Universidade 
de Campinas (Unicamp), a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal da 
Paraíba (UFPB) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS).
8
UNIDADE I | ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR
O fato de engenheiros brasileiros começarem a obter certificações para exercer a 
especialidade contribuiu para consolidar a atividade. Nesse período, também foi 
estabelecida a central de referência técnica, dentro do Centro de Engenharia Biomédica 
(CEB) na Unicamp, que já existia desde 1883. Esse centro tinha como objetivo coletar 
documentação técnica, normas, legislações e regulamentações de fabricantes de 
equipamentos biomédicos, nacionais e internacionais, de associações governamentais 
e não governamentais de países da Europa e dos EUA, para fornecer esse material para 
as instituições nacionais de saúde.
Em 1994, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) apresentou as primeiras 
normas baseadas em parâmetros internacionais de segurança dos equipamentos 
eletromédicos. Também nessa época, o governo publicou diversas portarias 
estabelecendo um prazo de até 36 meses para que os fabricantes e revendedores de 
equipamentos eletromédicos realizassem a certificação de seus produtos em laboratórios 
credenciados pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e 
Qualidade Industrial) e o registro junto à Vigilância Sanitária (PORTO; MARQUES, 2016).
As medidas voltadas para normalizar tanto a produção quanto a venda de equipamentos, 
assim como para garantir sua segurança, demonstram a crescente percepção da 
importância da Engenharia Clínica ao longo das últimas décadas. Todas as unidades 
de saúde que contenham equipamentos para diagnóstico e tratamento possuem a 
necessidade de formalizar e implementar o serviço desse ramo da engenharia, apesar 
de tal exigência só ter ficado clara com a Resolução da Diretoria Colegiada – RDC 
ANVISA 2/2010, que especificamente trata do regulamento técnico para implementação 
e utilização das tecnologia em saúde, bem como estabelece os requisitos mínimos de 
seu gerenciamento nos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS).
1.1. Histórico no Brasil
Além da estimativa do prejuízo com falta de conserto, peças de reposição, suprimentos 
ou até instalação de equipamentos médicos no Brasil, o Ministério do Bem-Estar e da 
Previdência Social havia constatado, em 1989, que os fabricantes eram os principais 
responsáveis pela manutenção dos equipamentos médicos, porém nem sempre tais 
fabricantes, assim como seus representantes, eram bem-intencionados. Na tentativa de 
estabelecer seus grupos internos para manutenção de equipamentos, muitos hospitais 
se deparavam com os seguintes problemas:
 » Escassez de recursos humanos treinados, especialmente para o gerenciamento 
do serviço de EC. 
 » Ausência e ignorância acerca da existência de documentação sobre segurança 
dos equipamentos.
9
ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR | UNIDADE I
 » Falta de cooperação de fabricante e seus representantes, que dificultavam a 
aquisição das peças de reposição e a respectiva documentação técnica.
 » Difícil importação de peças ou equipamentos de testes devido à elevada burocracia 
governamental existente.
Assim, evidenciou-se a necessidade da criação de grupos de Engenharia Clínica em 
todo o país e a criação de uma política de equipamentos que integrasse pesquisa, 
desenvolvimento e regulamentação e que contemplasse todas as fases do ciclo-devida 
desses produtos. Não havia no Brasil nenhuma legislação específica a respeito do 
desempenho e segurança dos equipamentos médicos. Desde 1994, a ACCE, um dos 
órgãos de certificação norte-americanos, passou a permitir que engenheiros clínicos 
brasileiros obtivessem a certificação daquela instituição, o que estabelecia um padrão de 
qualidade que deveria ser seguido pelos engenheiros clínicos no Brasil. Nesse mesmo 
ano, após muitas discussões e votações, foi aprovada a norma nacional NBR IEC 601-1, 
que dispõe sobre a segurança dos equipamentos eletromédicos.
Na mesma época,o governo federal publicou uma série de portarias e, com a utilização 
dos critérios de segurança, passou a exigir a certificação dos produtos médicos. Até 
então, apesar do Ministério da Saúde ter como obrigação, estabelecida por lei desde 
o ano de 1973, avaliar a qualidade dos produtos, realizando diagnóstico antes mesmo 
de autorizar que sejam comercializados, nenhum controle dos equipamentos e de seus 
suprimentos era realizado.
Isso nos mostra que, no Brasil, já existia uma maior preocupação com a segurança 
dos equipamentos médicos. No entanto, a Engenharia Clínica em nosso país ainda 
sofria de alguns males, como a falta de informações confiáveis, ao contrário de 
países desenvolvidos, como os EUA, que já contavam com registros do histórico dos 
equipamentos e desempenho dos programas. A análise de custos envolvidos com a 
engenharia clínica e a implementação de programas efetivos de manutenção preventiva 
não tinham como ser realizadas e isso restringia a evolução de tal engenharia para um 
estágio de gerenciamento tecnológico.
Além disso, havia a falta de cooperação de médicos e administradores hospitalares, 
que ainda enxergavam o engenheiro clínico como um profissional que apenas realizava 
a manutenção dos equipamentos, não utilizando todo o potencial de trabalho desse 
profissional. A pouca documentação técnica a respeito do assunto levava a uma escassez 
de metodologias de ação adaptadas à realidade nacional.
10
CAPÍTULO 2 
ENGENHARIA CLÍNICA
Um engenheiro clínico é definido pela American College of Clinical Engineering (ACCE) 
como “um profissional que apoia e promove o atendimento ao paciente, aplicando 
habilidades de engenharia e de administração à tecnologia de assistência médica”. 
Essa definição foi adotada, pela primeira vez, pelo Conselho de Diretores da ACCE, em 
13 de maio de 1991. A engenharia clínica também é reconhecida como um ramo da 
Engenharia Biomédica.
A definição da ACCE foi formulada de forma tão ampla que não é evidente que 
“engenheiro clínico” seja uma subcategoria da engenharia biomédica. Muitas vezes, 
os termos são usados de forma intercambiável e alguns hospitais referem-se a seus 
departamentos, tanto como “engenharia clínica” como “engenharia biomédica”. À 
área de engenharia clínica e tecnologia de equipamentos biomédicos, assim como 
as profissões relacionadas, foram recentemente desenvolvidas. Os EUA são um país 
pioneiro e desenvolveram essa área; atualmente possuem mais de 7.000 técnicos de 
equipamentos biomédicos certificados.
No Brasil, é uma área que possui, principalmente, profissionais oriundos da área de 
Engenharia, porém não se restringe somente a esses, pois diversos profissionais ligados 
à área de TI e até mesmo profissionais da área de saúde têm demonstrado interesse 
nessa área. Profissionais não oriundos da área de engenharia costumam se especializar 
na área de engenharia clínica para realizar a gestão desse setor, não necessariamente 
atuando de forma direta na manutenção dos equipamentos, mas, sim, na gestão dos 
contratos, na contratação de mão de obra especializada, no controle de indicadores, na 
participação em licitações etc. Diversas empresas que prestam serviços de Engenharia 
Clínica em nosso país pertencem a profissionais das mais diversas áreas, os quais 
investem nesse campo devido à grande demanda por parte de instituições de saúde. 
Desse modo, fica evidente que a área de Engenharia Clínica ainda é pouco explorada 
em nosso país.
A ética faz parte de todos os campos e da personalidade de todas as profissões. Nesse 
sentido, a declaração sobre ética para a engenharia clínica, do ACCE, aborda:
 » Esforçar-se para evitar que uma pessoa seja colocada em risco de lesão devido a 
dispositivos perigosos ou defeituosos.
 » Representar exatamente seu nível de responsabilidade, autoridade, experiência, 
conhecimento e educação.
 » Revelar quaisquer conflitos de interesse que possam afetar as informações 
fornecidas ou recebidas.
11
ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR | UNIDADE I
 » Proteger a confidencialidade das informações de qualquer fonte.
 » Trabalhar para melhorar a prestação de cuidados de saúde a todos os que dela 
necessitam.
 » Trabalhar em direção à contenção de custos pela melhor utilização da tecnologia.
Os profissionais da área de engenharia clínica são quase universalmente chamados 
de “técnicos em equipamentos biomédicos”, independentemente do nome do 
departamento em que possam trabalhar. O termo engenheiro biomédico, em geral 
mais abrangente, engloba os engenheiros que trabalham no projeto primário de 
dispositivos médicos para fabricantes, na produção e no desenvolvimento original de 
equipamentos, enquanto engenheiros clínicos geralmente trabalham em hospitais, 
resolvendo problemas muito próximos de onde os equipamentos são realmente usados, 
ou seja, em um ambiente de atendimento ao paciente. Em alguns países, como a Índia, 
os engenheiros clínicos são treinados e incentivados a inovar e encontrar soluções 
tecnológicas para as necessidades clínicas.
Nos países desenvolvidos, o profissional responsável por cuidar de perto dessa evolução 
tecnológica, dentro do sistema de saúde, é denominado de engenheiro biomédico ou 
de engenheiro clínico. Essa profissão surgiu, como já mencionado, nos EUA, na década 
de 1960, em função da rápida proliferação dos equipamentos médicos, originários dos 
centros de pesquisas acadêmicas.
A engenharia clínica é uma especialidade dentro da engenharia biomédica, responsável 
principalmente pela aplicação e pela implementação de tecnologia médica para otimizar a 
prestação de cuidados de saúde. Os papéis dos engenheiros clínicos incluem o treinamento 
e a supervisão de técnicos em equipamentos biomédicos, trabalhando com reguladores 
governamentais em inspeções/auditorias hospitalares e servindo como consultores 
tecnológicos para outros funcionários do hospital (médicos, enfermeiros, administradores, 
TI etc.). 
Figura 1. Engenharia Clínica.
Fonte: https://engenhariaclinica.online/images/concerto.png. 
12
UNIDADE I | ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR
Os engenheiros clínicos (EC) também aconselham os fabricantes de dispositivos médicos 
sobre melhorias prospectivas de projetos com base em experiências clínicas, bem 
como monitoram a progressão do estado da arte para redirecionar os padrões de 
aquisição hospitalar. De acordo Ramirez (2000), o foco dos engenheiros clínicos deve ser 
a implementação prática da tecnologia, influenciando a trajetória da inovação biomédica. 
Dentro as suas diversas atribuições, devem formar uma espécie de “ponte” entre os 
originadores de produto e os usuários finais. Os departamentos de engenharia clínica 
de grandes hospitais possuem profissionais formados em diversas áreas para ajudar a 
abordar pesquisas operacionais, fatores humanos, análises de custos, segurança etc.
Na década de 1970, a EC alcançou significativa presença no mercado norte-americano, 
continente que é considerado como berço da engenharia clínica que conhecemos, 
basicamente devido a três aspectos, segundo Bronzino (1995):
 » As administrações profissionais, convencidas de que para aumentar o volume das 
operações e/ou serviços nos seus sistemas hospitalares deveriam dividir o país 
em distritos de engenharia biomédica, com um engenheiro biomédico chefe que 
supervisionasse todas as atividades de todos os engenheiros dos hospitais de 
cada distrito.
 » A criação de departamentos de engenharia clínica nos grandes centros médicos 
e hospitais a partir de 300 leitos.
 » A engenharia clínica foi um dos aspectos-chave da qualificação da assistência 
médica por meio da criação de novas tecnologias ou da melhoria das tecnologias 
já existentes
No Brasil, inicialmente, a EC ficou restrita à realização de manutenções corretivas, que 
são realizadas somente quando o funcionamento do equipamento é interrompido. A 
importância dessa área só foi reconhecida em 1989, quando o Ministério do Bem-Estar 
Sociale o da Previdência Social, após analisar diversas instituições hospitalares, estimou 
que 20% a 40% dos equipamentos médicos em nosso país não funcionavam devido 
à falta de manutenção, suprimentos, peças de reposição ou por falta de instalação 
(BESKOW, 2001).
Os profissionais que atuam no ramo da EC devem aplicar e desenvolver seus 
conhecimentos de forma a proporcionar uma melhoria nos cuidados dispensados 
ao paciente. Boa parte dos hospitais do nosso sistema de saúde possui apenas um 
engenheiro elétrico, ou um engenheiro civil, ou mesmo um arquiteto, para cuidar 
das instalações físicas ou prediais do hospital, negligenciando a área voltada aos 
equipamentos biomédicos, ou deixando-os a cargo dos próprios fabricantes, o que 
aumenta os custos hospitalares.
13
ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR | UNIDADE I
E de quem é a responsabilidade sobre as tecnologias de saúde, os equipamentos 
médicos, bem como a resolução de problemas gerenciais relativos aos equipamentos? 
Dentro dos estabelecimentos de saúde, o responsável pela Engenharia Clínica responde 
pelas tecnologias de saúde e por tudo o que a elas se refere. No Brasil, profissionais 
especialistas nessa área surgiram há pouco tempo, o que nos proporcionou um atraso, 
de aproximadamente 30 anos, em relação aos EUA e à Europa. Sendo assim, nota-se o 
grande espectro potencial de trabalho de profissionais ligados a essa “nova” área no 
sistema de saúde brasileiro.
Nos países europeus e na América do Norte, essa atividade se iniciou principalmente 
pela necessidade de segurança no uso da tecnologia, em especial a segurança elétrica, 
com a finalidade de prevenir queimaduras e choques elétricos fatais. Em nosso país, 
os aspectos financeiros foram determinantes para a introdução da Engenharia Clínica, 
considerando o elevado custo de manutenção dos equipamentos e de seus acessórios. 
O descontrole do custo dessa manutenção, a baixa qualidade técnica da mão de obra, 
decorrente da insuficiência de profissionais capacitados e a falta de uma política clara 
para o setor foram os fatores que dificultaram a introdução dessa engenharia no Brasil 
(FERNANDES et al., 2017).
O problema da qualificação técnica só pode ser resolvido com educação adequada. 
Os Ministérios da Educação e da Saúde uniram-se e começaram a oferecer cursos de 
Engenharia Clínica, no nível de pós-graduação, em algumas universidades brasileiras, 
objetivando melhorar a qualificação técnica da área e criar nos hospitais os serviços 
dessa área. Formalmente, o mercado de Engenharia Clínica ainda é muito incipiente no 
Brasil. As primeiras iniciativas surgiram em meados dos anos 1980, com a chegada de 
profissionais oriundos de centros de formação acadêmica (COPPE/UFRJ, UNICAMP, USP, 
dentre outras), que estabeleceram as primeiras empresas voltadas para essa área, ou 
que foram contratados por hospitais de visão mais ampla e moderna. Até então, esse 
mercado era totalmente dominado por empresas de representação técnica, as quais 
apenas prestavam serviços de manutenção que nem sempre atendiam seus clientes com 
o esperado padrão de qualidade. Hoje, infelizmente, constatamos que essa situação 
ainda persiste, porém em menor quantidade.
A dificuldade para superar a grande barreira da implantação de um serviço de Engenharia 
Clínica está na falta de consciência das contribuições econômicas e financeiras que uma 
adequada gestão de tecnologia pode trazer para o ambiente hospitalar. Até mesmo em 
instituições de saúde em que já existam uma equipe de engenheiros clínicos, muitas 
vezes estão restritas somente às questões eminentemente técnicas, que se envolvem 
muito pouco em outras questões como, por exemplo, a financeira, o tempo de máquina 
parada ou lucro cessante, a distribuição dos custos por setor, dentre outras. Basicamente, 
14
UNIDADE I | ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR
não existem dados oficiais em território nacional que possam ser utilizados como fonte 
segura de informação para a apresentação adequada de um quadro atual da implantação 
da EC no Brasil.
Considerando os mais de 6.000 hospitais brasileiros, encontramos serviços de 
Engenharia Clínica em apenas poucos hospitais privados, hospitais universitários de 
maior complexidade e em alguns institutos especializados. Além disso, boa parte desses 
hospitais possuem uma clara defasagem entre o número de serviços existentes de EC 
e a capacidade hospitalar com base tecnológica. No sistema público, somente grandes 
hospitais localizados em capitais costumam contar com uma equipe de EC.
No ambiente atual, gerenciar esse parque tecnológico de intensa competição e regulação, 
com uma ampliação dos direitos dos usuários em relação à qualidade dos serviços 
médicos prestados, assim como os constantes progressos no desenvolvimento de 
novos equipamentos, conferem à área de Engenharia Clínica uma função absolutamente 
relevante e estratégica no desempenho global de uma instituição hospitalar. A presença 
de profissionais especializados é importante para que seja possível acompanhar mais 
de perto a qualidade e os custos da manutenção dos equipamentos.
Algumas instituições hospitalares brasileiras, para implantar esse serviço, encontraram 
como solução a contratação de empresas especializadas em Engenharia Clínica. Essas 
empresas, especializadas na gestão de tecnologias de saúde, possuem experiência na 
elaboração de fluxos e padrões operacionais, com o objetivo de dotar o hospital com as 
ferramentas necessárias e adequadas para uma gestão dos equipamentos biomédicos, 
de maneira transparente e acessível aos usuários, aos operadores e aos gestores.
O corpo de profissionais dessas empresas possui treinamento especializado, o que resolve 
o problema do desconhecimento técnico ocasionado pela rápida evolução tecnológica. A 
ética de mercado deve sempre ser levada em consideração pois, em função da carência 
técnica nessa área, algumas empresas que representam comercialmente grandes marcas e 
que sabem consertar os equipamentos podem migrar para dentro da instituição hospitalar. 
Tais empresas garantem fazer EC, no entanto, cobram um contrato extra para realizar a 
manutenção somente dos próprios equipamentos, deixando de lado equipamentos de 
outras marcas (RAMIREZ; CALIL, 2000).
Também não é raro encontrarmos a mesma pessoa ou empresa desempenhando 
ambas as funções, ou seja, a de consertar e fornecer. Porém, isso não é aconselhável, 
principalmente quando existem diversas marcas diferentes de equipamentos dentro da 
instituição, pois existe uma tendência forte deste profissional consertar os equipamentos 
de forma seletiva, ou seja, somente aqueles fornecidos pelo profissional/empresa titular 
do contrato de EC da instituição. A constituição de um serviço próprio de engenharia 
15
ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR | UNIDADE I
clínica é uma solução na qual os profissionais são contratados diretamente pelas 
instituições hospitalares. Apesar da implantação mais demorada desse serviço, face à 
complexidade desse trabalho e à carência de profissionais no mercado, os benefícios 
em médio e longo prazo serão consideráveis.
Grande parte dos hospitais que possuem equipe de EC é composta de hospitais privados, 
que possuem um elevado poder de custeio e de investimento, o que lhes confere 
um posicionamento forte junto ao mercado fornecedor de equipamentos. Como a 
EC é o setor responsável por todo o ciclo vital da tecnologia e não somente pela 
manutenção dos equipamentos médico-hospitalares, é esperado que tal setor participe 
do processo de aquisição, de recebimento, de testes de aceitação e funcionamento, de 
treinamento, de manutenção, de alienação e de todos os demais assuntos referentes 
aos equipamentos biomédicos.
Em síntese, pode-se dizer que o responsável pela Engenharia Clínica deve colaborar 
com conhecimento técnico e informação que serão utilizados para aumentar cada vez 
mais a intensidade de uso dos equipamentos, prolongandoao máximo sua vida útil. Em 
nosso país, devido à carência de profissionais nessa área, o trabalho desse setor deveria 
ser focado no gerenciamento dos equipamentos e não na execução da manutenção. 
Assim, os profissionais, principalmente os especialistas na área, poderiam empregar a 
inteligência para, de início, planejar e organizar o setor e, na sequência, partir para a 
execução da manutenção técnica necessária (contratando mão de obra especializada), 
que é o problema mais evidente para alguns gestores.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) determina que os profissionais de 
Engenharia Clínica sejam responsáveis pelo desempenho adequado dos equipamentos, 
pelo treinamento de usuários, pelo desenvolvimento de projetos, pela inserção e uso 
de novas tecnologias, assim como pela desativação desses recursos. Entende-se que 
a finalidade principal desses profissionais é garantir plena disponibilidade e perfeito 
funcionamento dos equipamentos eletromédicos, de forma a garantir a eficácia 
dos diagnósticos e outros procedimentos, e a segurança dos pacientes. Devido ao 
constante surgimento de novas tecnologias, o equipamento médico tem princípios 
de funcionamento complexos, tornando indispensável a presença de profissionais 
especializados e capacitados para assessorar, do ponto de vista técnico, o corpo clínico 
no gerenciamento das novas tecnologias associadas aos serviços de saúde.
2.1. Áreas de atuação da Engenharia Clínica
Dentro dos EAS, praticamente todas as áreas assistenciais possuem relacionamento 
com o pessoal do serviço de Engenharia Clínica, na qual se observa o leque de ações e 
16
UNIDADE I | ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR
pessoas no relacionamento do profissional. Essa rede de contatos exige que o engenheiro 
clínico possua outras habilidades, além do conhecimento técnico. Dentre todas as 
características importantes no segmento de serviços, é necessário que esse profissional 
seja comunicativo, simpático, seguro e tenha capacidade de se relacionar bem com as 
pessoas. Para avaliar o espectro de trabalho associado a essa nova atividade, apresentamos, 
a seguir, algumas atuações do engenheiro clínico dentro da instituição de saúde:
 » realizar o controle do patrimônio dos equipamentos médico-hospitalares e seus 
componentes;
 » auxiliar na aquisição e realizar a incorporação das novas tecnologias;
 » treinar pessoal para manutenção (técnicos) e operação dos equipamentos 
(operadores);
 » indicar, elaborar e controlar os contratos de manutenção preventiva/corretiva;
 » executar a manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos médico-
hospitalares, no âmbito da instituição;
 » controlar e acompanhar os serviços de manutenção executados por empresas 
externas;
 » estabelecer medidas de controle e segurança do ambiente hospitalar, no que se 
refere aos equipamentos médico-hospitalares;
 » elaborar projetos de novos equipamentos ou modificar os existentes, de acordo 
com as normas vigentes (pesquisa);
 » estabelecer rotinas que aumentem a vida útil dos equipamentos médico-
hospitalares;
 » auxiliar nos projetos de informatização, relacionados a equipamentos médico-
hospitalares.
 » implantar e controlar a qualidade dos equipamentos de medição, inspeção e 
ensaios, item 4.11 da ISO-9002, referente aos equipamentos médico-hospitalares;
 » calibrar e ajustar os equipamentos médico-hospitalares, de acordo com padrões 
reconhecidos;
 » identificar equipamentos médico-hospitalares obsoletos;
 » emitir relatórios de produtividade de todos os aspectos envolvidos com a gerência 
e manutenção dos equipamentos médico-hospitalares – conhecidos como 
indicadores de qualidade e/ou desempenho (FERNANDES et al., 2017).
17
ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR | UNIDADE I
2.1.1. Atribuições da Engenharia Clínica
É atribuída ao setor de Engenharia Clínica a responsabilidade por todos os procedimentos 
que envolvem os equipamentos médico-hospitalares. Nesse sentido, verifica-se como 
exemplos o acompanhamento de sua vida útil, a participação do processo de licitação 
em caso de estabelecimentos públicos, o fornecimento de treinamento aos usuários e 
aos técnicos de manutenção, o gerenciamento dos contratos de Manutenção Corretiva 
e Manutenção Preventiva, assim como a avaliação da obsolescência dos equipamentos 
médico-hospitalares.
No que tange à solicitação de atendimentos de manutenção, ao ser identificado um 
problema de funcionalidade em algum equipamento médico-hospitalar, o profissional 
responsável pelo setor solicitante entra em contato com o setor de Engenharia Clínica de 
forma imediata. Esse contato pode ser feito via telefone, via sistemas informatizados ou 
até mesmo pessoalmente, em casos mais urgente, dependendo de cada Estabelecimento 
Assistencial de Saúde (alguns estabelecimentos não podem manter os custos de um 
sistema informatizado, de modo que adotam o telefone como única forma de abertura 
de chamado).
A partir daí, é aberto um chamado de manutenção corretiva no setor de Engenharia 
Clínica, e só então os técnicos responsáveis se dirigirem ao local solicitado. Dando 
continuidade ao fluxo da solicitação, a manutenção pode ou não ser feita pelo técnico 
ou por alguém da equipe de EC. Isso somente ocorrerá caso o equipamento não tenha 
contratos de manutenção, não esteja na garantia e sua manutenção possa ser realizada 
internamente. Se o serviço for realizado por alguém da equipe interna de manutenção 
do EAS, será preenchida uma Ordem de Serviço (OS) para fins de controle, indicando o 
serviço realizado, o equipamento, por quem foi realizado, a data de realização, dentre 
outras informações necessárias.
Após o preenchimento da OS, o chamado é cadastrado como finalizado e resolvido. 
Esse é o fluxo padrão para realização de manutenção de qualquer EAS. O controle desse 
documento e o controle de chamados podem ser feitos manualmente, em planilhas do 
Excel, ou em sistemas informatizados, dependendo de cada EAS.
Outra importante atribuição do setor é a elaboração de rotinas de manutenção e de 
cronogramas de manutenções preventivas, tais como inspeção geral, troca de peças e 
acessórios, lubrificação, calibração, testes de desempenho e de segurança com o intuito 
de aumentar a vida útil e a segurança oferecida pelo equipamento.
O cronograma de manutenções é baseado nas recomendações do fabricante do 
equipamento, quando existentes, e devem estar de acordo com as rotinas pré-
18
UNIDADE I | ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR
estabelecidas pelos órgãos de fiscalização. É de competência do setor, também, o 
cadastro dos equipamentos adquiridos e o controle da saída e entrada desses produtos 
para manutenções externas e para outras finalidades.
Na maioria dos casos, esses sistemas englobam tanto o cadastro e controle de chamados 
de manutenção quanto de ordens de serviço e do inventário. Em alguns casos, englobam 
também o cadastro de contratos de manutenção, de empresas prestadoras de serviços 
e de cronogramas de manutenções corretivas e preditivas (FERNANDES et al., 2017).
19
CAPÍTULO 3 
PRÁTICA DA ENGENHARIA CLÍNICA
3.1. O Mercado de dispositivos médicos
Em dezembro de 2018, o mercado de dispositivos médicos era de US$ 23 bilhões. Destes, R$ 
5 bilhões corresponde a equipamentos de diagnóstico por imagem. O mercado de ultrassom, 
por exemplo, começou a crescer em 1994 e, em 1998, o mercado anual era de cerca de US $ 
80 a US $ 104 milhão. A taxa de crescimento anual foi em torno de 40% e representou 80% 
do volume de o mercado de dispositivos médicos na América Latina (TERRA et al., 2014).
3.1.1. Indústria de dispositivos médicos
A indústria brasileira de dispositivos médicos é representada pela Associação da Indústria 
de Dispositivos e Equipamentos Médicos (ABIMO). ABIMO foi criada em 1962 por 25 
empresas. Ela é dividida em cinco grupos: equipamento hospitalar médico, odontologia, 
radiologia e imagem médica, laboratório, implante e suprimentos.Em 2016, as empresas 
associadas à ABIMO tinham o seguinte perfil:
 » 80,6% das empresas eram de capital interno e 19,4% de capital estrangeiro
 » 39,7% eram pequenos em tamanho, 45,5% eram médios e 14,8% eram grandes
Entre 2010 e 2016, a participação na ABIMO de pequenas empresas diminuiu de 47,1% 
para 39,7%, enquanto a participação de grandes empresas passou de 4,4% para 14,8%. 
A receita do mercado foi a seguinte:
 » 1994: US$ 1,31 bilhão.
 » 1995: US$ 1,44 bilhão.
 » 1996: $1,96 bilhão.
 » 1997: US$ 2,30 bilhões.
Em 2017, 93,9% das vendas eram internas, e o restante era exportações. Em 2013, ABIMO 
tinha 430 membros. Atualmente, ela conta com 243 membros. Eles compõem 80% do 
mercado nacional. Ao todo, eles fabricam os produtos para equipar cerca de 80% a 85% 
de um geral hospital. Muitos dos membros da ABIMO existem há mais de 100 anos. No 
ano 2010, o ABIMO ficou da seguinte forma:
 » A seção comentei R$ 3.450.000.000 e exportou R$ 149.901.439.
 » A composição do capital das empresas da ABIMO foi de 80% nacional e 20% 
estrangeiro e misto.
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UNIDADE I | ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR
 » 28% das empresas eram pequenas; 68,7% eram médias; e 3,3% eram grandes.
 » A base de clientes foi de 48% do setor privado; 44,3% do governo; e 7,7% unificado 
Sistema único de Saúde (SUS).
 » 46 (22,5%) das empresas que fizeram produtos certificados pelas normas NBR-IEC; 
 » 125 empresas não possuíam certificação ISO; 71 (34,80%) possuíam certificação 
ISO 9000; e 8 (3,93%) possuía certificação ISO 14000.
 » A ABIMO gerou 37.679 empregos diretos, dos quais 21,4% foram para profissionais 
com faculdade; 48,2% foram para aqueles com ensino médio; e 30,3% foram para 
aqueles com outras qualificações (DYRO, 2004).
Figura 2. Engenheiro clínico.
Fonte: https://engenhariaclinica.online/images/manutencao.png.
3.1.2. Problemas
Um dos problemas fundamentais encontrados durante a década de 1980 foi a falta 
de políticas claras para o planejamento e a administração de equipamentos médicos, 
especialmente para as tecnologias inovadoras. Alguns dos problemas que eram mais 
difíceis de resolver eram os seguintes:
 » formas de gerenciar equipamentos e dispositivos médicos, que vão desde simples, 
como termômetros, para tomógrafos;
 » formas de apresentar dados sobre segurança e eficácia em cada nova tecnologia;
 » formas de obter avaliação pré-mercado de alguma tecnologia;
21
ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR | UNIDADE I
 » formas de obter dados sobre a expectativa de vida dos equipamentos;
 » a quantidade de dinheiro que um país deve investir em tecnologia de saúde;
 » o tipo de tecnologia (por exemplo, medicamentos, procedimentos, equipamentos 
e tecnologia administrativa) e informações para investimento no mercado 
interno;
 » os custos para operar equipamentos médicos em todo um país;
 » custos de substituição de cada tecnologia (TERRA, 2014).
Entre 1988 e 1990, as autoridades brasileiras começaram a estudar e entender esse 
problema de planejamento e administração de equipamentos médicos. A forte 
participação em reuniões internacionais que consideraram este tema de impacto global. 
O Brasil começou a promover a troca de informações, comunicação e cooperação 
com outros países. As autoridades brasileiras entenderam que a falta de mão de 
obra especializada era um problema sério e que ações corretivas devem ser tomadas. 
E surgiram as seguintes recomendações:
 » o treinamento deve ser realizado para resolver problemas relacionados à gestão 
de equipamentos de saúde;
 » o desenvolvimento da mão de obra qualificada de EC deve ser prioridade nacional;
 » atenção especial com a reformulação de políticas para a criação e o 
desenvolvimento de mão de obra, além de fortalecer e fornece suporte à 
informação;
 » o treinamento altamente especializado deve ser realizado em nível global e estar 
sempre vinculado a uma oficina para desenvolver a prática clínica;
 » criar programas de controle e treinamento para diminuir e minimizar problemas 
com dispositivos médicos (DYRO, 2004).
De 1991 a 2000, os resultados dos esforços da década anterior começaram a aparecer. 
Em 1991, seis engenheiros brasileiros foram formados na Primeira universidade de EC em 
Washington, nos Estados Unidos da América. No mesmo ano, foi criada a Faculdade de 
Tecnologia no Brasil com um programa de 3 anos que capacita profissionais chamados 
de “tecnólogos de saúde”, que são capazes de operar e manter equipamentos médicos. 
Desde 1994, esta faculdade treinou aproximadamente 28 novos tecnólogos em saúde 
a cada semestre.
Em 1992, o Ministério da Saúde publicou um Termo de Referência para treinamentos 
técnicos de manutenção em dispositivos médicos. Esse documento descreveu 
22
UNIDADE I | ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR
a importância do técnico de equipamentos biomédicos para a manutenção dos 
equipamentos e propuseram uma estratégia para qualificar profissionais da saúde, 
que apresentou o seguinte cenário: 
O mercado mundial de equipamentos médicos em 1998, com a 
venda de mais de US$ 36,1 bilhões, informa que 5% a 10% do valor 
do equipamento precisa ser gasto em manutenção e chega ao valor 
de aproximadamente US $ 2,7 bilhões em despesas anuais. Como 
consequência do crescimento da base instalada e do aumento 
da complexidade tecnológica dos equipamentos, os gastos com 
manutenção nesses países cresceram 50% nos últimos cinco anos (1988-
1992). No Brasil, a base instalada de equipamentos que operam nas 
instituições de saúde pública é de quase US $ 6 bilhões, representam 
uma com manutenção de US $ 450 milhões, que correspondem a 3,5% 
do Orçamento da União (TERRA, 2014).
Entre 1993 e 1994, quatro universidades federais e estaduais iniciaram o programa de 
formação para EC no Brasil. Esses cursos são programas de tempo integral que duraram 
12 Meses. Aproximadamente 160 engenheiros clínicos se formaram em dois anos. 
Durante a década de 1990, outras iniciativas foram criadas como:
 » Reforço dos programas de mestrado e doutorado em engenharia biomédica.
 » Criação e consolidação de escolas técnicas para EC.
 » A Comissão Internacional de Certificação certificou nove engenheiros clínicos 
brasileiros, e foi criado um Conselho Brasileiro de Examinadores para Certificação 
da Engenharia Clínica.
 » Foram organizadas muitas reuniões relacionadas à engenharia clínica.
 » Publicados pelo menos quatro livros relativos à engenharia clínica.
A Reorganização do Sistema Único de Saúde (REFORSUS), criada no final de 1996 por 
meio de um contrato de empréstimo de US$ 650 milhões com o governo brasileiro, o 
Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial (BIRD), foi investida 
para a recuperação da infraestrutura física de saúde do Brasil. O REFORSUS investiu da 
seguinte forma:
 » compra de equipamentos médicos, instalações hospitalares e unidades móveis;
 » execução de obras de reforma; 
 » criação e conclusão dos estabelecimentos de saúde; 
 » projetos para a melhoria do sistema de administração da saúde nacional.
23
ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR | UNIDADE I
Para operar corretamente, a REFORSUS organizou uma equipe com profissionais de 
saúde, incluindo engenheiros clínicos, para avaliar as necessidades e especificar e 
selecionar equipamentos médicos e instalações hospitalares nas instituições selecionadas 
para este projeto (DYRO, 2004). 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) foi criada pela Lei n. 9782, em 26 de 
janeiro de 1999. É uma agência reguladora caracterizada pela independência administrativa, 
estabilidade no emprego para seus gestores e autonomia financeira. Na estrutura da 
administração Federal, é vinculada ao Ministério da Saúde. A ANVISA começou um 
intensivo programa para desenvolver agentes especializados em vigilância sanitária 
para trabalhar na avaliação dos dispositivos e equipamentos médicos. Muitos desses 
agentes eram engenheirose possuem formação ou especialização em engenharia clínica.
3.1.3. Emprego
O Brasil atualmente está mais bem preparado do que era há 20 anos. Hoje, o mercado 
de trabalho dos engenheiros clínicos brasileiros é amplo e diversificado.
3.1.4. Hospitais
Os engenheiros clínicos que trabalham em hospitais são engenheiros ou tecnólogos de 
saúde que fizeram cursos especializados em engenharia clínica. Seus deveres variam de 
acordo com a instituições onde eles trabalham, mas, em geral, incluem aqueles definidos 
pelo American College de Engenharia Clínica. Eles geralmente se reportam diretamente 
à administração do hospital, cuja responsabilidade é fornecer decisões de apoio que 
envolvem equipamentos médicos ou instalações hospitalares. Poucos engenheiros 
clínicos têm a oportunidade para atuar exclusivamente com equipamentos médicos 
(TERRA, 2014).
3.1.5. Indústria
Normalmente, a indústria oferece aos engenheiros clínicos oportunidades para atuar na 
área de manutenção. Alguns engenheiros que possuem habilidades gerenciais também 
atuam em áreas administrativas destas organizações. O desenvolvimento de novos 
equipamentos às vezes é feito por engenheiros clínicos, embora seja mais comum ter 
essa atividade realizada por engenheiros biomédicos. Além da manutenção, a área de 
vendas também está disponível para engenheiros clínicos e para os tecnólogos de saúde.
3.1.6. Universidades
Outra opção para engenheiros clínicos, engenheiros biomédicos e tecnólogos em saúde 
é trabalhar em universidades. Entre outras funções, eles apoiam e realizam pesquisas 
24
UNIDADE I | ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR
levando a novos procedimentos. É um ambiente muito procurado entre os tecnólogos 
em saúde. Cerca de 35% dos recém-formados, juntamente com 30% daqueles que já 
estão formados e ativos no mercado de trabalho, buscam pós-graduação em engenharia 
biomédica e especialização em engenharia clínica (TERRA, 2014).
3.1.7. Consultoria
As atividades de consultoria em engenharia clínica tiveram um aumento considerável 
em relação aos últimos cinco anos. Esse fato demonstra que hospitais, indústrias de 
saúde, instituições de ensino, empresas de saúde e os profissionais envolvidos na 
administração das tecnologias médicos hospitalares são muito mais conscientes dos 
problemas e desperdício de recursos que se seguirá se eles fizerem as decisões erradas. 
Os engenheiros clínicos, neste segmento de mercado, atuam como mediadores nos 
processos de decisão. Eles servem como interfaces objetivas, traduz as necessidades dos 
fornecedores para os consumidores dessas tecnologias. O engenheiro clínico oferece 
suporte para as decisões certas e investimento de recursos na área da saúde.
3.1.8. Empresas
Muitos engenheiros clínicos, observando a necessidade dos hospitais, atendem a 
essas necessidades. Alguns trabalharam de forma independente como consultores, 
outros formaram empresas. Esses engenheiros clínicos estão atualmente engajados 
em consultoria, manutenção de equipamentos biomédicos, validação de processos e 
equipamentos e vendas. Hoje, o Brasil tem apenas alguns profissionais em empresas de 
engenharia clínica. No entanto, por causa da especialização e o surgimento desta nova 
profissão, várias empresas foram criadas em diversos estados brasileiros. 
3.1.9. Venda
A venda de equipamentos médicos tornou-se altamente especializada, a ponto deque 
as indústrias estão contratando bastante engenheiros clínicos para desempenhar essa 
função. O engenheiro clínico em vendas deve entender sobre os aspectos técnicos do 
produto, operação de equipamentos, interações fisiológicas, análise de custos (por 
exemplo, depreciação, amortização e locação) e aplicações clínicas (DYRO, 2004). 
25
CAPÍTULO 4 
O SERVIÇO DE ENGENHARIA CLÍNICA, FORMAÇÃO 
E EDUCAÇÃO CONTINUADA
É compreendido como serviço de engenharia clínica todas as atividades cujo resultado 
visa manter o adequado funcionamento dos equipamentos médicos do hospital, 
atendendo aos índices de disponibilidade para uso, previsto no plano de equipamentos, 
sem expor o paciente e/ou seu acompanhante aos riscos gerados por seu mecanismo 
de funcionamento. Suas atividades principais são: gerenciamento dos equipamentos e 
mobiliários assistenciais, manutenção, conservação e/ou recuperação dos equipamentos 
mobiliários, visando a segurança dos pacientes. A manutenção pode ser definida, 
basicamente, como:
 » Manutenção preventiva: ocorre com planejamento, com o objetivo claro e 
específico de manter o equipamento em bom estado de funcionado e calibração, 
de modo que falhas e danos sejam evitados.
 » Manutenção preditiva: consiste em prevenir falhas nos equipamentos por meio 
da checagem de diversos parâmetros, visando a operação do equipamento pelo 
maior tempo possível, initerruptamente.
 » Manutenção corretiva: ocorre sem planejamento e exige ação imediata, com 
intervenção da equipe, para que o equipamento retome imediatamente sua 
operação ou para que haja a sua substituição, quando for necessário um longo 
tempo para conserto.
 » Calibração: conjunto de operações, sob condições específicas, comparando a 
relação entre valores indicados por instrumentos previamente calibrados. Isso 
garante a veracidade dos parâmetros por meio de rastreabilidade. O setor de 
engenharia clínica, portanto, deve contar com uma rígida rotina de verificação 
de todos os equipamentos, planejamento das manutenções para garantia da 
disponibilidade dos ativos, além de uma equipe treinada para realizar rapidamente 
o suporte operacional requisitado pela equipe assistencial.
4.1. Competências da Engenharia Clínica
 » Preparar toda a mão de obra necessária para operação do setor, bem como todos 
os materiais e equipamentos (incluindo os equipamentos de proteção individuais 
e os coletivos) que contemplem a prestação dos serviços.
 » Assegurar a contratação de profissionais devidamente capacitados para 
desempenho das devidas funções.
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UNIDADE I | ENGENHARIA CLÍNICA E GESTÃO DA TECNOLOGIA MÉDICO-HOSPITALAR
 » Garantir treinamento periódico para toda a equipe, com o intuito de garantir a sua 
adequação às novas tecnologias presentes no mercado, aos novos instrumentos 
e aos novos procedimentos de manutenção.
 » Elaborar um Plano de Manutenção Preventiva, Corretiva e Calibração contendo 
todas as ações corretivas, preventivas, rotinas, metodologia de aplicação de 
recursos, capacitação técnica, organograma contendo a estruturação da equipe, 
periodicidade de ações de manutenção, medição de resultados, entre outros 
quesitos de relevância para a prestação do serviço.
 » Responsabilizar-se tecnicamente pela gestão de manutenção dos equipamentos 
do parque tecnológico compreendido pelo hospital.
 » Disponibilizar sistema informatizado de gerenciamento de manutenção com 
módulo de abertura de ordens de serviço pelo usuário e geração de histórico de 
manutenção de equipamentos.
 » Em caso de retirada de equipamento ou manutenção programada, deve-se avisar 
com antecedência o setor de agendamento do hospital para que todos os exames 
e/ou procedimentos, por ventura agendados para aqueles equipamentos, sejam 
remanejados e/ou reagendados com antecedência.
 » Providenciar equipamentos em número adequado para uso coletivo e individual, 
assim como equipamentos de proteção coletiva e individual e demais materiais 
que sejam necessários para a perfeita realização dos serviços, além de mantê-los 
em perfeita condição de uso e operação.
 » Fornecer equipamentos de teste e calibração de equipamentos eletromédicos para 
auxiliar nas manutenções realizadas pelo setor de Engenharia Clínica, bem como 
realizar calibrações conforme o plano de manutenção compreendido no hospital.
 » Elaborar os planos de educação continuada para operadores, a fim de garantir uma 
eficiente utilização dos equipamentos por meio de orientação dos funcionários 
do hospital.
 » Elaborar e atualizar anualmente o plano Diretor de Investimentos e Atualização 
Tecnológica, a fim de garantiras práticas de depreciação, reinvestimento e upgrade 
de equipamentos.
 » Realizar os relatórios periódicos de avaliação do parque tecnológico em que seja 
possível verificar informações sobre manutenção e custos.
 » Desenvolver indicadores de desempenho dos equipamentos e de qualidade dos 
serviços prestados.
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 » Registrar, por escrito, todos os materiais e equipamentos fornecidos aos 
funcionários.
 » Cumprir todos os postulados legais cabíveis a esse serviço, tanto em âmbito federal, 
estadual, municipal e todas as normas do poder concedente.
 » Verificar as atividades desempenhadas e acompanhar a prestação de serviços dos 
profissionais, ficando sob sua responsabilidade o crivo referente à qualidade dos 
serviços realizados.
Figura 3. Setor de engenharia clínica.
Fonte: https://engenhariaclinica.online/images/local.png. 
4.2. Detalhamento do serviço de engenharia clínica
Obrigatoriamente, o profissional de engenharia clínica deve manter sob sua detenção 
todos os manuais técnicos e do usuário dos equipamentos do hospital, assim como o 
registro atualizado do equipamento na ANVISA, planos, descritivos, plantas, instalações 
e todos os documentos referentes aos equipamentos nos quais realizará manutenção. 
Todos os equipamentos hospitalares e mobiliários assistenciais serão submetidos à 
equipe de engenharia clínica. Entretanto, todo e qualquer ativo existente no hospital 
deverá ser inventariado com tag identificador que permita sua fácil localização.
Além do seu código representativo, o inventário deverá contemplar todas as informações 
possíveis do produto, possibilitando o preenchimento de uma ficha técnica do 
equipamento. Isso proporcionará, posteriormente, a existência do histórico de falhas, 
consertos, trocas de peças, meia-vida e outros dados de relevância para caracterização 
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do parque tecnológico do hospital. Para cada equipamento individualizado ou grupo 
de equipamentos (quando aplicável), deverão ser identificados e facilmente localizados 
os seguintes dados de cada ativo:
 » plano de manutenção preventiva;
 » plano de manutenção preditiva;
 » plano de calibração, indicando a periodicidade e os parâmetros de calibração, 
segundo a indicação do fabricante;
 » plano de garantia do equipamento em que conste, claramente, tudo o que pode 
ou não ser incluído nos serviços do fornecedor;
 » plano de distribuição do equipamento na unidade de saúde com registro dos 
usuários (enfermeira, médico, auxiliar, entre outros);
 » descritivo técnico de cada equipamento, contendo suas características e 
configurações;
 » custo de aquisição do equipamento com a data base da compra;
 » estimativa de diminuição da meia-vida;
 » previsão de substituição do equipamento;
 » histórico de manutenção do equipamento, possibilitando comparação da 
depreciação normal versus a depreciação projetada para o equipamento.
Cada equipamento deverá possuir o seu plano de manutenção individual, de acordo 
com a tecnologia nele existente, a frequência de uso, as características construtivas, 
a operação, a sensibilidade dos seus componentes, o número de blocos funcionais, o 
número de diferentes usuários, a utilização de insumos, entre outros fatores que podem 
intervir no funcionamento do aparelho. O plano de manutenção preventiva deverá ser 
executado conforme protocolo estabelecido nos prazos predeterminados, obedecendo 
rigorosamente a todos os procedimentos descritos, assim como a todas as premissas 
definidas anteriormente à prestação do serviço, visando otimizar o uso dos equipamentos 
no aspecto funcional e atribuindo segurança a todos os procedimentos realizados no 
hospital. Isso contribui para a redução da parada de equipamentos, perda de exames e, 
consequentemente, proporciona o aumento da meia-vida de cada equipamento, gerando 
menores gastos financeiros com reparação de equipamentos e equipamentos parados. 
Nessa perspectiva, o plano de manutenção preventiva deverá conter:
 » plano das atividades de verificação, medição e checagem, presentes na rotina de 
avaliação dos equipamentos;
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 » relatório contendo o resultado de todas as verificações e base padrão de todos os 
parâmetros dos equipamentos para sua adequação à normalidade;
 » instruções de segurança para o técnico de manutenção, contemplando, inclusive 
a relação de Equipamento de Proteção Individual (EPI) que deve ser utilizada para 
cada procedimento;
 » plano de substituição de peças, contendo todos os parâmetros básicos para troca 
de produtos que apresentem desgaste por uso;
 » frequência da atividade de manutenção preventiva, contemplando o período fixo 
e/ou variável de tempo necessário para a próxima manutenção preventiva.
 » identificação do profissional submetido à realização daquela tarefa.
Em caso de equipamento em mal estado de uso, retirar o equipamento a fim de realizar 
manutenções corretivas, com autorização do líder do setor e, no caso de setor de 
diagnóstico, que exija agendamento prévio, emitir comunicado informando sobre a 
realização da manutenção, de forma que permita a remarcação de procedimentos que 
seriam realizados pelo equipamento. É importante informar uma previsão do período de 
manutenção, pois isso pode ser questionado pelos profissionais envolvidos na utilização 
do equipamento e até mesmo pelos usuários.
O Plano de Calibração deverá ser executado para otimizar o uso dos equipamentos no 
aspecto funcional e atribuir segurança a todos os procedimentos realizados no hospital. 
O objetivo é reduzir a parada de equipamentos, perda de exames e, consequentemente, 
proporcionar o aumento da meia-vida de cada equipamento, gerando menores gastos 
financeiros com reparação de equipamentos ou por conta de equipamentos parados. 
O Plano de Manutenção Preditiva deverá proporcionar ao hospital os seguintes 
benefícios:
 » redução dos custos de manutenção e estoque sobressalentes;
 » diminuição de despesas extras geradas por quebra de equipamentos;
 » aumento da meia-vida dos equipamentos;
 » aumento da produtividade de exames e procedimentos, por intermédio do 
desempenho das máquinas.
A manutenção corretiva deverá ocorrer de forma rápida e, em casos de equipamentos 
com alto impacto ao paciente ou com alto índice de uso, deverá ocorrer de maneira 
emergencial, informando a necessidade da prontidão dos funcionários do setor para 
auxiliarem, se necessário. Os equipamentos de grande porte (ressonância magnética, 
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tomografia, hemodinâmica, raio-x etc.) deverão, obrigatoriamente, possuir contrato 
de manutenção com o seu fornecedor ou com empresas especializadas, detentoras de 
certificação para realização dos serviços.
4.3. Começando um departamento de Engenharia 
Clínica
Por que os hospitais precisam de um serviço de Engenharia Clínica? Entre algumas 
razões básicas, citamos:
 » requisitos das comissões de segurança para inspeções de equipamentos médicos, 
serviço de emergência de equipamentos médicos críticos, tratamento de incidentes 
de equipamentos etc.;
 » a necessidade de verificar o funcionamento dos dispositivos e lidar com os 
problemas dos equipamentos de forma eficaz, habilidosa e rápida é necessária 
para um atendimento de qualidade ao paciente;
 » serviços de Engenharia Clínica economizam dinheiro versus equipamentos sob 
serviço do fabricante, seja por contrato ou por tempo e serviço de materiais;
 » os serviços de consulta sobre avaliação de dispositivos médicos, seleção, 
investigação de incidentes, atividades de segurança do paciente e outras áreas 
são de alto valor.
Muitos desses serviços podem ser fornecidos por empresas terceirizadas, prestadores 
de serviços independentes e fabricantes que oferecem serviços de vários fornecedores. 
Os departamentos de ECdevem atuar com o objetivo de diminuir o tempo em que o 
equipamento fica inutilizável. Os fatores para serem considerados ao iniciar um serviço 
de EC incluem:
 » a demografia do hospital: tamanho, ensino ou comunidade, independente ou 
parte de uma rede;
 » estrutura financeira do departamento de EC;
 » expectativas para o serviço de todo o equipamento ou subconjunto;
 » compreensão da alta administração sobre o valor da gestão integral de tecnologia 
em saúde.
O gerenciamento de ativos e a manutenção de equipamentos médicos é um papel 
fundamental para a EC. Os passos para iniciar uma função desse ramo de engenharia 
em um hospital são:
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 » Determinar o inventário de itens de equipamentos médicos. O inventário é um 
aspecto muito importante no início de um departamento de EC. É necessário elaborar 
o inventário de todos os dispositivos médicos e determinar se outras áreas também 
podem ser de responsabilidade do departamento (como TI, comunicações etc.).
 » Manter um inventário físico, pois os ativos do hospital ou os registros financeiros 
são vagos e as tags de ativos podem ser colocadas nos itens. Uma nomenclatura 
padronizada deve ser usada. Os resultados são carregados com mais eficiência 
diretamente em um notebook durante o inventário físico. A entrada de dados inclui 
o tipo, o fabricante, o modelo, o número de série, a condição, a localização e o 
departamento do proprietário. O dispositivo deve ser marcado com um número 
de controle único, código de barras ou tag com a tecnologia RFID (identificação 
por radiofrequência ou Radio-Frequency Identification, em inglês).
 » Determinar os requisitos de manutenção, regulamentação e suporte para cada item.
 » Combinar cada dispositivo com todos os aspectos atuais de manutenção e suporte: 
fornecedores, custos, serviços, contratos etc. Você normalmente terá que auditar 
contas a pagar para obter todas as informações.
 » Avalie os serviços e custos atuais com os requisitos de cada item e todas as opções 
razoáveis: tempo e materiais, fornecedor externo ou interno, contratos de serviço 
e todos os atributos (obtenha cotações de fornecedores). Alguns exemplos podem 
ser somente peças, serviço completo, vidraria e manutenção seguro, locação, 
reagente etc.
 » Entreviste a equipe para determinar a qualidade dos serviços, desejos e expectativas 
atuais.
 » Determine o melhor mix de suporte a equipamentos e defina-o em termos 
financeiros e funcionais, combinando o suporte com o equipamento. Normalmente, 
isso envolve a eliminação de contratos de serviços caros do fabricante.
 » Analise as necessidades de carga de trabalho e de pessoal técnico como, por 
exemplo, imagem, TI, laboratório ou outra especialidade, equipamento de teste/
reparo, espaço, peças de estoque, mobiliário, sistema de gerenciamento de 
equipamentos computadorizados, suporte administrativo e outros fatores internos.
 » Avaliação do suporte atual de outros aspectos do gerenciamento de tecnologias 
de saúde no hospital e demais necessidades – consultoria de planejamento de 
tecnologia, suporte à segurança do paciente: recalls, avaliação de incidentes, 
relatórios de segurança dos equipamentos, educação, projetos especiais, suporte 
de instalações, suporte de TI etc.
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 » Determinar os custos totais para o melhor método de fornecimento de serviços. Um 
exemplo de uma planilha mostrando os contratos a serem mantidos, colocados sob o 
seguro de manutenção, eliminados e a economia gerada pela gestão dos contratos.
 » Desenvolver proposta com um sólido resumo executivo, alta integridade de dados, 
sólida análise e justificativa e criatividade em um pacote atraente.
 » Apresentar à alta gerência do hospital uma descrição concisa e preparada para 
responder aos possíveis questionamentos.
A análise da carga de trabalho deve levar em consideração a produtividade esperada. A 
produtividade é expressa como uma porcentagem: tempo produtivo dividido pelo tempo 
total de trabalho. O tempo de trabalho é o tempo total, menos as férias, os feriados e o 
tempo de doença. Treinamento, reuniões de equipe, limpeza de lojas, viagens e tempo 
administrativo, por exemplo, inserindo dados de trabalho no computador, podem ou 
não ser incluídos como parte do tempo produtivo.
4.4. Responsabilidades dos membros da equipe de 
Engenharia Clínica
 » Diretor/Gestor: tem a responsabilidade geral sobre todo o gerenciamento e 
gestão do setor de EC e lida com atividades administrativas e representação do 
departamento.
 » Supervisor de Serviços Técnicos: supervisiona a manutenção, as instalações, 
atualizações etc. Supervisores normalmente gerenciam de 5 a 10 funcionários.
 » Profissional generalista: tem o foco no atendimento ao paciente ou equipamento 
biomédico, radiologia, laboratório clínico, respiratório, diálise, TI ou outros 
especialistas.
Uma formação técnica em manutenção e cursos específicos, normalmente oferecidos 
pelos fabricantes e fornecedores dos equipamentos, habilitarão um profissional 
interessado na manutenção do equipamento, diretamente envolvido na resolução da 
maioria das AS abertas. Já o diretor/gestor deve ser oriundo da área de engenharia ou 
saúde e possuir especialização em engenharia clínica. O supervisor pode ter a mesma 
formação do diretor/gestor, porém, é mais comum encontrarmos profissionais graduados 
em algum curso de engenharia. Diretores/Gestores e supervisores também precisam 
de formação básica em processos gerenciais, negociação etc.
O espaço do departamento de EC deve incluir uma alimentação elétrica adequada 
(saídas de 110, 220 volts), gases medicinais, linhas telefônicas, conexões de computador, 
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peças e armazenamento de manuais, excelente iluminação, bancadas e outros móveis 
adequados, encanamento entre outros recursos. O tamanho do espaço depende do 
equipamento trabalhado. Por exemplo, raios-x portáteis ou ventiladores requerem um 
espaço maior.
O equipamento de teste e de reparo deve incluir voltímetros digitais, osciloscópio, 
analisador de segurança elétrica e simuladores e analisadores com base nas necessidades 
do equipamento. Equipamentos especializados para medições ambientais, como um 
analisador de espectro ou analisador de energia elétrica, podem ser necessários.
O estoque de peças depende de requisitos emergentes, estoque, taxas de falha, tempo 
de entrega do fornecedor e necessidades do cliente. Baterias, cabos e outras partes 
comuns são normalmente estocadas. Ao atender locais fora do departamento, a logística 
é diferente, assim como os recursos, tais como veículos, equipamentos de teste e outros 
recursos de viagem.
Uma vez que todos os números estejam dentro e o plano esteja solidificado, é melhor 
apresentar os resultados em um formato de plano de negócios para a administração. Isso 
inclui uma declaração de missão e visão do novo departamento e como ele se encaixaria 
nas metas gerais dos hospitais, assim como uma página de resumo executivo, serviços, 
custos iniciais e contínuos por um período de pelo menos três anos e cronogramas.
O plano deve ser apresentado com credibilidade e clareza, com uma explicação concisa 
sobre a origem dos dados de custo, comparações com alternativas e uma discussão 
dos benefícios de valor agregado da gestão de tecnologia em saúde. Se houver acordo, 
assegure-se de que você siga em tudo o que foi prometido. Se surgirem problemas, é 
muito importante justificar as mudanças e manter a comunicação constante.
As responsabilidades de gerenciamento e administração do departamento de EC incluem 
recrutamento e retenção, definição de salários e benefícios, avaliação da competência 
e correspondência ao trabalho, avaliação do desempenho, orientação e motivação, 
resolução de disputas e adoção de medidas disciplinares. Os departamentos de EC 
precisam acompanhar todo

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