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Sistema Cardiovascular O sistema cardiovascular inclui: - O coração - bomba propulsora - Vasos sanguíneos - transporte - Sistema Linfático - sistema imune + líquido linfático O coração Órgão tetracavitário que tem como função propelir o sangue pelos vasos do corpo. O coração repousa sobre o diafragma, próximo da linha mediana da cavidade torácica, no mediastino, uma região anatômica que se estende do esterno até a coluna vertebral, da primeira costela até o diafragma e entre os pulmões. Aproximadamente dois terços da massa do coração situam-se à esquerda da linha mediana do corpo. O ápice pontiagudo é formado pela ponta do ventrículo esquerdo (uma câmara inferior do coração) e repousa no diafragma. Está direcionado para a frente, para baixo e para a esquerda. A base do coração é sua face posterior, formada pelos átrios (câmaras superiores) do coração, principalmente pelo átrio esquerdo. A face esternocostal é profunda ao esterno e às costelas. A face diafragmática é a porção do coração entre o ápice e a margem direita e repousa, em grande parte, sobre o diafragma (Figura 20.1b). A margem direita está voltada para o pulmão direito e se estende da face diafragmática até a base. A margem esquerda, também chamada de margem pulmonar, está voltada para o pulmão esquerdo e se estende da base até o ápice. Pericárdio: Membrana/saco trilaminar que envolve e protege o coração. O pericárdio limita o coração à sua posição no mediastino, enquanto permite liberdade suficiente de movimento para contração vigorosa e rápida. O pericárdio consiste em duas partes principais: 1. Pericárdio fibroso: superficial, é um tecido conjuntivo denso não modelado, resistente e inelástico. Evita o estiramento excessivo do coração, fornece proteção e ancora o coração no mediastino. 2. Pericárdio seroso: mais profundo, é uma membrana mais delicada e mais fina, que forma uma camada dupla em tomo do coração. 2.1. A lâmina parietal, externa, do pericárdio seroso, é fundida ao pericárdio fibroso. 2.2. A lâmina visceral, interna, do pericárdio seroso, também chamada de epicárdio, é uma das lâminas da parede do coração e adere firmemente à superfície do coração. Entre as lâminas parietal e visceral do pericárdio seroso encontra-se uma película fina de líquido seroso lubrificante. Esta secreção lubrificante das células do pericárdio, conhecida como líquido pericárdico, reduz o atrito entre as membranas enquanto o coração se move. O espaço que contém uns poucos milímetros de líquido pericárdico é chamado de cavidade do pericárdio. Camadas da parede do coração: A parede do coração consiste em três camadas: o epicárdio (camada externa), o miocárdio (camada intermediária) e o endocárdio (camada interna). - Epicárdio: a camada externa transparente e fina da parede do coração, é também chamado de lâmina visceral do pericárdio seroso. É composto por mesotélio e tecido conjuntivo delicado, que confere à face externa do coração uma textura escorregadia e lisa. - Miocárdio: intermediário, que é o tecido muscular cardíaco, forma aproximadamente 95% do coração, sendo responsável por sua ação de bombeamento. Embora estriado como o músculo esquelético, o músculo cardíaco é involuntário como o músculo liso. As fibras do músculo cardíaco se enrolam diagonalmente em tomo do coração, em feixes. - Endocárdio: mais interno, é uma camada fina de endotélio sobreposto a uma camada fina de tecido conjuntivo, que proporciona um revestimento liso para as câmaras do coração e recobre as valvas cardíacas. O endocárdio é contínuo com o revestimento endotelial dos grandes vasos sanguíneos presos ao coração e minimiza o atrito com a superfície quando o sangue passa pelo coração e vasos sanguíneos. Câmaras do coração: As duas câmaras receptoras superiores são os átrios, e as duas câmaras de bombeamento inferiores são os ventrículos. Na face anterior de cada átrio encontra-se uma estrutura enrugada, saculiforme, chamada de aurícula. Cada aurícula aumenta ligeiramente a capacidade do átrio, de forma que possa armazenar um volume maior de sangue. Além disso, na superfície do coração encontra-se uma série de depressões, chamadas de sulcos, contendo os vasos sanguíneos coronários e uma quantidade variável de gordura. Cada sulco marca o limite externo entre duas câmaras do coração. - Sulco coronário: profundo, circunda a maior parte do coração e marca o limite externo entre os ventrículos inferiores e os átrios superiores. - Sulco interventricular anterior: sulco raso na face anterior do coração que marca o limite entre os ventrículos direito e esquerdo. - Sulco interventricular posterior: continuação do sulco interventricular anterior. Marca o limite entre os ventrículos na face posterior do coração. Átrio Direito: Forma a margem direita do coração, recebendo o sangue proveniente de três veias: - Veia cava superior; - Veia cava inferior; - Seio coronário. A espessura média do átrio direito é de aproximadamente 2 a 3 mm. As paredes anterior e posterior do átrio direito são muito diferentes. A parede posterior é lisa; a parede anterior é enrugada, por causa da presença de cristas musculares chamadas de músculos pectíneos, que também se estendem até a aurícula. Entre o átrio direito e o átrio esquerdo encontra-se uma divisão fina, chamada de septo interatrial. Uma característica proeminente deste septo é uma depressão oval, chamada de fossa oval, que é o resquício do forame oval, uma abertura no septo interatrial do coração fetal que, normalmente, se fecha logo após o nascimento. O sangue passa do átrio direito para o ventrículo direito através de uma valva chamada de valva tricúspide, porque consiste em três folhetos ou cúspides. É também chamada de valva atrioventricular direita. As vaias do coração são compostas de tecido conjuntivo denso recoberto pelo endocárdio. Ventrículo Direito: O ventrículo direito tem uma espessura média de aproximadamente 4 a 5 mm. Forma a maior parte da face anterior do coração. O interior do ventrículo direito contém uma série de cristas formadas por feixes elevados de fibras musculares cardíacas chamadas de trabéculas cárneas. As válvulas da valva atrioventricular direita estão conectadas a cordões tendinosos, as cordas tendíneas, que, por sua vez, estão conectadas a trabéculas cárneas coniformes chamadas de músculos papilares. Internamente, o ventrículo direito é separado do ventrículo esquerdo por uma divisão chamada de septo interventricular. O sangue passa do ventrículo direito, pela valva do tronco pulmonar, para uma grande artéria, chamada de tronco pulmonar, que se divide nas artérias pulmonares direita e esquerda. As artérias sempre levam o sangue para longe do coração. Átrio Esquerdo: O átrio esquerdo tem aproximadamente a mesma espessura do átrio direito Forma a maior parte da base do coração, recebendo o sangue proveniente dos pulmões, através das quatro veias pulmonares. O interior do átrio esquerdo possui uma parede posterior lisa. Como os músculos pectíneos estão confinados à aurícula do átrio esquerdo, a parede anterior do átrio esquerdo também é lisa. O sangue passa do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo pela valva atrioventricular esquerda (bicúspide ou mitral) que, como seu nome sugere, possui duas válvulas (cúspides). Ventrículo Esquerdo: O ventrículo esquerdo é a câmara mais espessa do coração, medindo em média de 10 a 15 mm, e forma o ápice do coração. O ventrículo esquerdo contém trabéculas cárneas e possui cordas tendíneas que ancoram as válvulas da valva atrioventricular esquerda aos músculos papilares. O sangue passa do ventrículo esquerdo, pela valva da aorta, para a parte ascendente da aorta. Um pouco de sangue da aorta flui para as artérias coronárias, que são ramos da parte ascendente da aorta e levam o sangue até a parede do coração. O restante do sangue passa para o arco da aorta e para a parte descendente da aorta (partes torácica ou abdominal da aorta). → Os ramos do arco e da parte descendente da aorta levam o sangue para todo o corpo.OBS: Durante a vida fetal, um vaso sanguíneo temporário, chamado de canal arterial, desvia o sangue do tronco pulmonar para a aorta.Por essa razão, apenas uma pequena quantidade de sangue entra nos pulmões fetais não operacionais. O canal arterial, normalmente, se fecha logo após o nascimento, deixando um remanescente conhecido como ligamento arterial, que liga o arco da aorta ao tronco pulmonar. Função e Espessura do Miocárdio: A espessura do miocárdio das quatro câmaras varia de acordo com a função de cada câmara. Os átrios com paredes finas levam sangue, sob baixa pressão, até os ventrículos adjacentes. Visto que os ventrículos bombeiam o sangue sob grande pressão, por distâncias maiores, suas paredes são mais espessas. Embora os ventrículos direito e esquerdo atuem como duas bombas separadas, que simultaneamente ejetam volumes iguais de sangue, o lado direito apresenta uma carga de trabalho muito menor. O ventrículo direito bombeia sangue por uma distância menor até os pulmões, sob baixa pressão, e a resistência ao fluxo sanguíneo é pequena. O ventrículo esquerdo bombeia sangue por distâncias maiores, para outras partes do corpo, e a resistência ao fluxo sanguíneo é maior. Portanto, o ventrículo esquerdo trabalha muito mais do que o ventrículo direito para manter a mesma intensidade de fluxo sanguíneo. Por isso, a parede muscular do ventrículo esquerdo é consideravelmente mais espessa do que a do ventrículo direito. Observe também que o perímetro do lume (espaço) do ventrículo esquerdo é aproximadamente circular, em contraste com o do ventrículo direito, que é relativamente semilunar. Esqueleto fibroso do coração: Além do tecido muscular cardíaco, a parede do coração contém tecido conjuntivo denso que forma o esqueleto fibroso do coração. Essencialmente, o esqueleto fibroso consiste em quatro anéis de tecido conjuntivo denso que circundam as valvas do coração, unem-se uns aos outros e se fundem com o septo interventricular. Além de formar a fundação estrutural para as valvas do coração, o esqueleto fibroso evita o estiramento excessivo das valvas à medida que o sangue passa por elas. Atua, também, como um ponto de inserção para os feixes de fibras musculares cardíacas e age como um isolante elétrico entre os átrios e os ventrículos. Valvas do Coração e Circulação do Sangue Conforme cada câmara do coração se contrai, empurra um volume de sangue para o ventrículo ou para fora do coração por uma artéria. As valvas se abrem e se fecham em resposta às alterações de pressão quando o coração se contrai e relaxa. Cada uma das quatro valvas ajuda a assegurar o fluxo unidirecional do sangue, abrindo-se para deixar passar o sangue e fechando- se para evitar seu refluxo. Operação das Valvas Atrioventriculares (AV): Localizadas entre um átrio e um ventrículo. Quando uma valva AV está aberta, as extremidades arredondadas das válvulas projetam-se em direção ao ventrículo. Quando os ventrículos estão relaxados, os músculos papilares estão relaxados, as cordas tendíneas estão frouxas e o sangue se movimenta de uma pressão mais elevada, nos átrios, para uma pressão mais baixa, nos ventrículos, através das valvas atrioventriculares abertas. Quando os ventrículos se contraem, a pressão do sangue empurra as válvulas para cima, até que suas margens se encontrem e fechem a abertura. Ao mesmo tempo, os músculos papilares também se contraem, o que puxa e retesa as cordas tendíneas, evitando a eversão das válvulas da valva (abertura na direção dos átrios) em resposta à pressão ventricular alta. Se as valvas atrioventriculares ou as cordas tendíneas forem danificadas, o sangue pode regurgitar (fluir de volta) para os átrios quando os ventrículos se contraírem. Operação das Valvas Arteriais( (Aórtica e Pulmonar): As valvas do tronco pulmonar e da aorta são conhecidas como as valvas semilunares, porque consistem em três válvulas em forma de lua crescente. Cada uma é fixada na parede arterial por meio de sua margem externa convexa. As valvas arteriais permitem a ejeção do sangue do coração para as artérias, mas evitam o fluxo retrógrado do sangue para os ventrículos. As margens livres das válvulas se projetam no lume da artéria. Quando os ventrículos se contraem, a pressão aumenta dentro das câmaras. As valvas arteriais se abrem quando a pressão nos ventrículos excede a pressão das artérias, permitindo a ejeção do sangue dos ventrículos para o tronco pulmonar e para a aorta. À medida que os ventrículos relaxam, o sangue começa a fluir de volta, em direção ao coração. Esse fluxo de retomo do sangue preenche as válvulas da valva, fazendo com que as valvas arteriais se fechem mais firmemente. OBS: Surpreendentemente, por acaso, não existem valvas guardando as junções entre as veias cavas e o átrio direito ou entre as veias pulmonares e o átrio esquerdo. Na realidade, à medida que os átrios se contraem, uma pequena quantidade de sangue flui de volta dos átrios para esses vasos. No entanto, o fluxo retrógrado é minimizado por um mecanismo diferente; quando o músculo atrial se contrai, comprime e praticamente faz com que os pontos de entrada venosos entrem em colapso. Circulação Pulmonar e Sistêmica: Na circulação pós-natal (após o nascimento), o coração, em cada batida, bombeia o sangue para dois circuitos - a circulação pulmonar e a circulação sistêmica. Os dois circuitos estão dispostos em série: a saída de um se torna a entrada do outro, como se ligássemos duas mangueiras. O lado esquerdo do coração é a bomba para a circulação sistêmica, recebendo sangue rico em oxigênio, vermelho vivo, dos pulmões. O ventrículo esquerdo ejeta sangue para a aorta . A partir da aorta, o sangue se divide em correntes separadas, entrando progressivamente nas artérias sistêmicas menores, que levam o sangue a todos os órgãos do corpo - exceto os sacos aeríferos (alvéolos) dos pulmões, que são irrigados pela circulação pulmonar. Nos tecidos sistêmicos, as artérias dão origem a arteríolas, de diâmetro menor, que finalmente levam aos extensos leitos dos capilares sistêmicos. A troca de nutrientes e gases ocorre através das finas paredes dos capilares. O sangue cede 02 (oxigênio) e capta CO (dióxido de carbono). Na maioria dos casos, o sangue flui por apenas um capilar e, em seguida, entra em uma vênula sistêmica. As vênulas levam sangue desoxigenado (pobre em oxigênio) para longe dos tecidos e se fundem para formar veias sistêmicas maiores. Finalmente, o sangue flui de volta para o átrio direito. O lado direito do coração é a bomba para a circulação pulmonar; recebe todo o sangue desoxigenado, vermelho-escuro, que retorna da circulação sistêmica. O sangue ejetado do ventrículo direito flui para o tronco pulmonar, que se ramifica nas artérias pulmonares, que levam o sangue para os pulmões direito e esquerdo. Nos capilares pulmonares, o sangue cede C02, que é exalado, e capta 02 inalado. O sangue recém-oxigenado, em seguida, flui para as veias pulmonares e retoma ao átrio esquerdo. Circulação Coronária: Os nutrientes não se difundem rápido o suficiente do sangue nas câmaras do coração para suprir todas as camadas de células que formam a parede do coração. Por essa razão, o miocárdio possui sua própria rede de vasos sanguíneos, a circulação coronária ou cardíaca. As artérias coronárias se originam a partir da parte ascendente da aorta e circundam o coração, como uma coroa circunda a cabeça. Enquanto o coração se contrai, pouco sangue flui nas artérias coronárias, porque elas são fechadas por compressão. Quando o coração relaxa, no entanto, a pressão alta do sangue na aorta impulsiona o sangue pelas artérias coronárias, pelos capilares e, em seguida, pelas veias do coração. → Artérias Coronárias: Duas artérias coronárias, direita e esquerda, se originam a partir da parte ascendente da aorta e fornecem sangue oxigenado para o miocárdio. A artéria coronária esquerda passa inferiormente à aurícula esquerda, dividindo-se em ramos circunflexo e interventricular anterior. - Ramo interventricular anteriorou “artéria descendente anterior esquerda": encontra- se no sulco interventricular anterior e fornece sangue oxigenado para as paredes dos dois ventrículos. - Ramo circunflexo: se situa no sulco coronário e distribui sangue oxigenado para as paredes do ventrículo esquerdo e do átrio esquerdo. A artéria coronária direita fornece pequenos ramos (Ramos atriais) para o átrio direito, continuando abaixo da aurícula direita, e termina se dividindo em ramos marginal direito e interventricular posterior. - Ramo interventricular posterior: acompanha o sulco interventricular posterior e irriga as paredes dos dois ventrículos com sangue oxigenado. - Ramo marginal direito: no sulco coronário, leva sangue oxigenado para o miocárdio do ventrículo direito. A maioria das partes do corpo recebe sangue dos ramos de mais de uma artéria e, em locais onde duas ou mais artérias irrigam a mesma região, geralmente, elas se conectam. → Essas conexões, chamadas de anastomoses, fornecem rotas alternativas, chamadas de circulações colaterais, para que o sangue chegue a um tecido ou órgãos específicos. O miocárdio contém muitas anastomoses que conectam ramos de uma determinada artéria coronária ou se estendem entre os ramos de artérias coronárias diferentes. As anastomoses formam desvios para o sangue arterial, caso uma via principal fique obstruída. Portanto, o músculo do coração pode receber oxigênio suficiente mesmo se uma de suas artérias coronárias estiver parcialmente obstruída. → Veias do Coração: Após a passagem do sangue pelas artérias da circulação coronária, ele flui para os capilares, nos quais libera oxigênio e nutrientes para o músculo do coração e coleta dióxido de carbono e resíduos e, em seguida, segue para as veias. A maior parte do sangue desoxigenado proveniente do miocárdio drena para um grande seio vascular no sulco coronário, na face posterior do coração, chamado de seio coronário(Um seio vascular é uma veia com paredes finas, que não possui músculo liso para alterar seu diâmetro.). O sangue desoxigenado no seio coronário drena para o átrio direito. As principais tributárias que levam o sangue para o seio coronário são as seguintes: - Veia cardíaca magna: no sulco interventricular anterior, que drena as áreas do coração irrigadas pela artéria coronária esquerda (ventrículos direito e esquerdo e átrio esquerdo) - Veia interventricular posterior: no sulco interventricular posterior, que drena as áreas irrigadas pelo ramo interventricular posterior da artéria coronária direita (ventrículos direito e esquerdo) - Veia cardíaca parva: no sulco coronário, que drena o átrio direito e o ventrículo direito - Veias anteriores do ventrículo direito: que drenam o ventrículo direito e se abrem diretamente no átrio direito Quando o bloqueio de uma artéria coronária priva o músculo do coração de oxigênio, a reperfusão, o restabelecimento do fluxo sanguíneo, pode danificar ainda mais o tecido. Esse efeito surpreendente é decorrente da formação de radicais livres do oxigênio, originários da reintrodução do oxigênio. → radicais livres são moléculas eletricamente carregadas, que possuem um elétron não pareado. Essas moléculas muito reativas e instáveis produzem reações em cadeia que levam ao dano celular e à morte. Débito Cardíaco Embora o coração tenha fibras auto rítmicas que lhe permitem batimentos independentes, seu funcionamento é governado por eventos que ocorrem por todo o corpo. Todas as células corporais precisam receber certa quantidade de sangue oxigenado, a cada minuto, para manter a saúde e a vida. Quando as células estão metabolicamente ativas, como durante o exercício, captam ainda mais oxigênio do sangue. Durante os períodos de repouso, as necessidades metabólicas das células ficam reduzidas e a carga de trabalho do coração diminui. Débito cardíaco (DC) é o volume de sangue ejetado pelo ventrículo esquerdo (ou pelo ventrículo direito) na aorta (ou no tronco pulmonar) a cada minuto. O débito cardíaco é igual ao volume sistólico (VS), o volume de sangue ejetado pelo ventrículo durante cada contração, multiplicado pela frequência cardíaca (FC), o número de batimentos por minuto: DC = VS x FC No homem adulto comum em repouso, o volume sistólico é, em média, de 70 mL/batimento, e a frequência cardíaca é de aproximadamente 75 batimentos/min. Assim, o débito cardíaco médio é: DC = 70mL/batimento x 75 batimentos/min = 5.250 mL/min ou 5,25 L/min Esse volume é próximo do volume total de sangue, que é de aproximadamente 5 litros, no homem adulto comum. Portanto, todo o volume sanguíneo flui pelas circulações pulmonar e sistêmica a cada minuto. Os fatores que aumentam o volume sistólico ou a frequência cardíaca normalmente aumentam o DC.→ Ex: Durante exercício moderado o volume sistólico pode aumentar até 100 mL/batimento, e a frequência cardíaca para 100 batimentos/min. Nesse caso, o débito cardíaco seria de 10 L/min. Durante exercício intenso (mas ainda não máximo), a frequência cardíaca pode acelerar para até 150 batimentos/mi- nuto e o volume sistólico pode aumentar até 130 mL/batimento, resultando em um débito cardíaco de 19,5 L/minuto. Reserva cardíaca é a diferença entre o débito cardíaco máximo da pessoa e o débito cardíaco em repouso. A pessoa média apresenta uma reserva cardíaca de quatro ou cinco vezes o valor de repouso. Atletas de elite de provas de resistência podem ter reservas cardíacas de sete a oito vezes o seu DC em repouso. Pessoas com doenças cardíacas graves podem ter pequena ou nenhuma reserva cardíaca, o que limita sua capacidade de executar até mesmo as mais simples tarefas da vida cotidiana. 1. Regulação do VS: Um coração sadio bombeia todo o sangue que entrou em suas câmaras durante a diástole prévia. → Em outras palavras, quanto mais sangue retomar ao coração durante a diástole, mais sangue será ejetado na sístole seguinte. Em repouso, o volume sistólico é 50 a 60% do volume diastólico final, porque 40 a 50% do sangue permanecem nos ventrículos após cada contração (volume sistólico final). Três fatores importantes regulam o volume sistólico e asseguram que os ventrículos direito e esquerdo bombeiem volumes iguais de sangue: 1. A pré-carga, o grau de estiramento do coração antes da contração; 2. A contratilidade, a intensidade da força de contração das fibras musculares ventriculares individuais; 3. A pós-carga, a pressão que deve ser excedida antes que ocorra a ejeção de sangue dos ventrículos. 1.2. Pré-carga: o efeito do estiramento Uma pré-carga (estiramento) maior das fibras musculares cardíacas antes da contração aumenta sua força de contração. A pré-carga é comparada ao estiramento de um elástico. Quanto mais o elástico é esticado, com mais força retomará. →Dentro de certos limites, quanto mais o coração encher durante a diástole, maior será a força de contração durante a sístole. Esta relação é conhecida como a lei de Frank-Starling para o coração. A pré-carga é proporcional ao volume diastólico final (VDF) (o volume de sangue que enche os ventrículos no final da diástole). Normalmente, quanto maior o VDF, mais forte será a contração seguinte. Dois fatores-chave determinam o VDF: 1. A duração da diástole ventricular; 2. O retorno venoso, o volume de sangue que retorna para o ventrículo direito. Quando a frequência cardíaca aumenta, a duração da diástole diminui. → Menor tempo de enchimento significa um VDF menor, e os ventrículos podem contrair-se antes de estarem adequadamente cheios. → Inversamente, quando o retomo venoso aumenta, um volume maior de sangue flui para os ventrículos, aumentando o VDF. Quando a frequência cardíaca excede aproximadamente 160 batimentos/minuto, o volume sistólico, normalmente, diminui em consequência do menor tempo de enchimento. → Com frequências cardíacas tão altas, o VDF é menor e a pré-carga diminui. → Pessoas com baixas frequências cardíacas em repouso têm, normalmente, grandes volumes sistólicos em repouso, porque o tempo de enchimento é prolongado e a pré-carga é maior. A lei de Frank-Starlingpara o coração equaliza o débito dos ventrículos direito e esquerdo, mantendo o mesmo volume de sangue fluindo pelas circulações pulmonar e sistêmica. Se o lado esquerdo do coração bombeia um pouco mais de sangue do que o lado direito, o volume de sangue que retoma para o ventrículo direito (retomo venoso) aumenta. O aumento do VDF provoca uma contração mais intensa do ventrículo direito no batimento seguinte, equilibrando os dois lados. 1.3. Contratilidade O segundo fator que influencia o volume sistólico é a contratilidade miocárdica, a força de contração para qualquer pré- carga. As substâncias que aumentam a contratilidade são agentes inotrópicos positivos, enquanto aquelas que diminuem a contratilidade são agentes inotrópicos negativos. Assim, para uma pré-carga constante, o volume sistólico aumenta quando um agente inotrópico positivo está presente. 1.4. Pós-carga A ejeção de sangue pelo coração começa quando a pressão no ventrículo direito excede a pressão no tronco pulmonar (aproximadamente 20 mmHg) e quando a pressão no ventrículo esquerdo excede a pressão na aorta (aproximadamente 80 mmHg). Nesse ponto, a pressão mais elevada nos ventrículos faz com que o sangue force a abertura das valvas arteriais. A pressão que precisa ser superada antes que uma valva arterial se abra é chamada de pós-carga. Um aumento da pós-carga produz diminuição do volume sistólico de modo que mais sangue permanece nos ventrículos ao fim da sístole. As condições que aumentam a pós-carga incluem a hipertensão (pressão arterial elevada) e o estreitamento (estenose) das artérias por aterosclerose. 2. Regulação da frequência cardíaca O débito cardíaco depende da frequência cardíaca e do volume sistólico. Os ajustes da frequência cardíaca são importantes no controle em curto prazo do débito cardíaco e da pressão arterial. O nó sinoatrial (NSA) inicia a contração e, se agir por si mesmo, estabelece uma frequência cardíaca constante de aproximadamente 100 batimentos/minuto. Contudo, os tecidos necessitam de fluxo sanguíneo com diferentes volumes, sob condições diversas. Durante o exercício, por exemplo, o débito cardíaco aumenta para suprir os tecidos ativos, com aumentos nas quantidades de oxigênio e de nutrientes. O volume sistólico pode diminuir se o miocárdio ventricular for danificado ou se o volume sanguíneo for reduzido por sangramento. Nesses casos, os mecanismos homeostáticos mantêm um débito cardíaco adequado aumentando a frequência cardíaca e a contratilidade. Entre os diversos fatores que contribuem para a regulação da frequência cardíaca, os mais importantes são a divisão autônoma do sistema nervoso e os hormônios liberados pela medula da glândula suprarrenal (epinefrina e norepinefrina). 2.1. Regulação autónoma da frequência cardíaca A regulação do coração pelo sistema nervoso se origina no centro cardiovascular no bulbo (medula oblonga). Esta região do tronco encefálico recebe influxos de uma variedade de receptores sensoriais e dos centros encefálicos superiores, como o sistema límbico e o córtex cerebral. O centro cardiovascular, em seguida, dirige o efluxo apropriado aumentando ou diminuindo a frequência dos impulsos nervosos nos ramos simpáticos e parassimpáticos da DASN. Mesmo antes do início da atividade física, especialmente sob condições competitivas, a frequência cardíaca pode aumentar. Esse aumento antecipatório ocorre porque o sistema límbico envia impulsos nervosos para o centro cardiovascular no bulbo. Conforme a atividade física começa, os proprioceptores que estão monitorando a posição dos membros e dos músculos enviam impulsos nervosos com uma frequência maior para o centro cardiovascular. Esse influxo proprioceptivo é um estímulo importante para o rápido aumento da frequência cardíaca que ocorre no início da atividade física. Outros receptores sensoriais que fornecem influxos para o centro cardiovascular incluem os quimiorreceptores, que monitoram as variações químicas do sangue, e os barorreceptores, que monitoram o estiramento das principais artérias e veias provocado pela pressão do sangue que flui por elas. Os importantes barorreceptores situados no arco da aorta e nas artérias carótidas detectam as variações da pressão arterial e fornecem influxos para o centro cardiovascular quando há mudança na pressão arterial. Os neurônios simpáticos se estendem do bulbo até a medula espinal. Da região torácica da medula espinal, os nervos aceleradores cardíacos simpáticos se estendem até o nó SA, o nó AV e para a maior parte do miocárdio. Os impulsos nos nervos aceleradores cardíacos promovem a liberação de norepinefrina que se combina a receptores beta-1 nas fibras musculares cardíacas. Essa interação tem dois efeitos distintos: 1. Nas fibras do nó SA (e do nó AV) a norepinefrina acelera a frequência das despolarizações espontâneas, de modo que esses marcapassos produzam impulsos com maior rapidez e a frequência cardíaca aumente; 2. Nas fibras contráteis, nos átrios e nos ventrículos, a norepinefrina aumenta a entrada de Ca2+, por meio dos canais lentos de Ca2+ controlados por voltagem, aumentando, assim, a contratilidade. Como resultado, um maior volume de sangue é ejetado durante a sístole. Com aumento moderado da frequência cardíaca, o volume sistólico não diminui, porque a maior contratilidade compensa a pré-carga diminuída. Todavia, com estimulação simpática máxima a frequência cardíaca pode chegar a 200 batimentos/minuto, em uma pessoa com 20 anos de idade. Com uma frequência cardíaca tão alta, o volume sistólico é menor do que aquele em repouso, em virtude do tempo de enchimento muito menor . A frequência cardíaca máxima diminui com a idade; em regra, subtraindo-se sua idade de 220 tem-se boa estimativa de sua frequência cardíaca máxima, em batimentos/minuto. Os impulsos nervosos parassimpáticos chegam ao coração via nervos vagos (X) direito e esquerdo. Axônios vagais terminam no nó SA, nó AV e miocárdio atrial. Os axônios liberam acetilcolina, que diminui a frequência cardíaca, reduzindo a frequência das despolarizações espontâneas nas fibras autorrítmicas. Como apenas umas poucas fibras vagais inervam o músculo ventricular, as variações na atividade parassimpática têm pouco ou nenhum efeito sobre a contratilidade dos ventrículos Existe um equilíbrio permanentemente variável entre as estimulações simpática e parassimpática do coração. Em repouso, predomina a estimulação parassimpática. A frequência cardíaca em repouso - aproximadamente 75 batimentos/minuto - é, em geral, mais baixa do que a frequência autorrítmica do nó SA (aproximadamente 100 batimentos/minuto). Com estimulação máxima pela parte parassimpática, o coração diminui a frequência em até 20 ou 30 batimentos/minuto, ou pode, até mesmo, parar momentaneamente. 2.2 Outros fatores na regulação da frequência cardíaca Idade, sexo, estado físico e temperatura corporal também influenciam a frequência cardíaca em repouso. Uma criança recém-nascida tem, provavelmente, frequência cardíaca acima de 120 batimentos/minuto; a frequência, em seguida, declina gradualmente ao longo de sua vida. As mulheres adultas, frequentemente, têm frequências cardíacas ligeiramente mais altas que os homens adultos, embora o exercício regular tenda a diminuir a frequência cardíaca em repouso nos dois sexos Uma pessoa fisicamente bem preparada pode chegar, até mesmo, a apresentar bradicardia, a frequência cardíaca em repouso abaixo de 50 batimentos/ minuto. Este é o efeito benéfico do treinamento de resistência, porque o coração que bate mais lentamente é mais eficiente no uso da energia do que aquele que bate mais rapidamente. O aumento na temperatura corporal, como ocorre durante a febre ou no exercício extenuante, faz com que o nó SA dispare impulsos com maior rapidez, aumentando, desse modo, a frequência cardíaca. A temperatura corporal baixa diminui a frequência cardíaca e a força da contração. Durante o reparo cirúrgico de certas anormalidades cardíacas, é útil reduzir a frequência cardíaca do pacientepor hipotermia, na qual o corpo da pessoa é, deliberadamente, resfriado até uma temperatura central baixa. A hipotermia reduz o metabolismo, o que diminui as necessidades de oxigênio dos tecidos, permitindo que o coração e o encéfalo resistam, por curtos períodos de tempo, à interrupção ou à redução do fluxo sanguíneo, durante o ato cirúrgico. Exercício x Coração: Independentemente do nível de condicionamento físico de uma pessoa, de qualquer idade, o seu condicionamento cardiovascular pode ser melhorado pelo exercício regular. Alguns tipos de exercício são mais eficazes que outros para melhorar a saúde do sistema circulatório. A aeróbica, qualquer atividade que trabalhe os grandes músculos do corpo por, pelo menos, 20 minutos, aumenta o débito cardíaco e acelera a intensidade do metabolismo. Três a cinco sessões por semana são, normalmente, recomendadas para a melhora da saúde do sistema circulatório. → Marcha rápida, correr, andar de bicicleta, esqui cross-country e natação são exemplos de atividades aeróbicas. O exercício contínuo aumenta a demanda por oxigênio dos músculos. Se a demanda vai ser atendida depende, basicamente, da adequação do débito cardíaco e do funcionamento apropriado do sistema respiratório. Após várias semanas de treinamento, uma pessoa sadia aumenta seu débito cardíaco máximo, aumentando, dessa forma, a intensidade máxima de oferta de oxigênio para os tecidos. A oferta de oxigênio também aumenta porque os músculos esqueléticos desenvolvem mais redes capilares em resposta ao treinamento prolongado. Durante uma atividade extenuante, um atleta bem treinado consegue alcançar débito cardíaco duas vezes superior ao de uma pessoa sedentária, em parte porque o treinamento provoca hipertrofia (aumento) do coração. Muito embora o coração do atleta bem treinado seja maior, o débito cardíaco em repouso é quase o mesmo de uma pessoa sadia destreinada, porque o volume sistólico está aumentado, enquanto a frequência cardíaca está diminuída. A frequência cardíaca em repouso do atleta treinado, muitas vezes, é de apenas 40 a 60 batimentos/minuto (bradicardia de repouso). O exercício regular também ajuda a reduzir a pressão arterial, a ansiedade e a depressão; a controlar o peso; e a aumentar a capacidade do corpo de dissolver coágulos sanguíneos, aumentando a atividade fibrinolítica.