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Plano de Estudos
• Defnição de Fluência e Disluência.
Objetivos da Aprendizagem
• Compreender a luência na ala;
• Reconhecer a disluência;
• Conhecer as causas da disluência;.
Professor(a) Esp. Ana Paula Taborda do Nascimento
FLUÊNCIAE
DISFLUÊNCIA
UNIDADE
DEFINIÇÃO DE
FLUÊNCIA E
DISFLUÊNCIA
TÓPICO
8FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1
Para compreender o conceito de disuência, é undamental começar discutindo o
conceito de uência na ala. A uência, em termos simples, se reere a uma sequência de
sons da ala que é pronunciada de maneira contínua e clara, de orma que seja acilmente
compreendida pelo ouvinte. Quando essa uência é interrompida ou perturbada de alguma
orma, entramos no território da disuência.
Podemos denir a uência em termos de quatro atores-chave: sincronização respi-
ratória correta, iniciação suave e harmoniosa da fala, sustentação da coluna de ar e vibração
adequada das pregas vocais. Esses elementos contribuem para uma ala contínua e uida.
A uência verbal é o resultado de uma integração harmoniosa entre a pressão de ar
subglótica e a pressão de ar supraglótica, juntamente com a correta resistência das pregas
vocais. Portanto, a coordenação precisa ser pereitamente sincronizada entre os músculos
envolvidos para que a uência na ala seja alcançada.
A uência na ala pode ser caracterizada por quatro parâmetros undamentais:
• Sequência ou Organização Temporal: Refere-se à maneira como os fonemas
são organizados em uma expressão linguística, ou seja, a ordem em que são
pronunciados.
• Duração da Articulação: Indica o tempo necessário para articular cada ele-
mento fonético. Em condições normais, a articulação de cada fonema leva cerca
de 0,3 segundos. No entanto, em situações de tensão ou emoção, esse tempo
pode aumentar ligeiramente.
9FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1
• Velocidade da Articulação: Este parâmetro se relaciona com a rapidez com
que os elementos onéticos são pronunciados. Cada elemento onético tem uma
duração variável, e a velocidade da articulação aeta a uência da ala.
• Ritmo e Prosódia: Isso engloba a cadência, melodia, tonalidade e intensidade
da fala, ou seja, a forma como as palavras e frases são entoadas e entonadas
ao longo da comunicação. Esses aspectos prosódicos desempenham um papel
importante na percepção da uência verbal.
Portanto, a uência na ala é caracterizada pela organização temporal dos onemas,
a duração da articulação, a velocidade da articulação e os aspectos prosódicos que incluem
ritmo, melodia, tonalidade e intensidade. Esses parâmetros combinados desempenham um
papel crucial na compreensão e avaliação da uência da linguagem alada.
De acordo com Escarpa (1995), o pesquisador Fillmore (1979) propôs quatro tipos
de uência, cada um relacionado a dierentes aspectos do uso eetivo da linguagem:
• O primeiro tipo de uência diz respeito à capacidade de alar de orma extensa,
sem interrupções, hesitações ou a necessidade de pensar sobre o que será dito,
tornando a ala quase automática.
• O segundo tipo de uência está ligado à habilidade de dominar os recursos
semânticos e sintáticos da língua, tornando possível a produção de sentenças
coerentes e bem estruturadas.
• O terceiro tipo de uência envolve a capacidade de lidar com uma ampla varie-
dade de tópicos e a habilidade de escolher as palavras apropriadas em diferentes
contextos de maneira eciente.
• O quarto tipo de uência é caracterizado pela capacidade de se expressar de
maneira criativa, usando trocadilhos, metáforas e formas inovadoras de comu-
nicação. Assim, a uência na ala é um conceito multiacetado que envolve a
capacidade de se comunicar de orma ecaz em diversos aspectos, desde a
continuidade da fala até a expressão criativa. A compreensão desses aspectos é
undamental para identicar e entender as disuências na linguagem.
A uência é percebida como um conceito dependente do contexto, é a habilidade de
planejar e expressar a ala de orma simultânea. A uência é como uma impressão no ouvinte
de que os processos psicolinguísticos de planejamento e produção da ala estão ocorrendo
de maneira ácil e eciente, a uência também pode se considerada como uma habilidade
processual automática na produção da ala, que não requer uma atenção ou esorço signi-
cativo por parte do alante. Essa denição também oi adotada por (JAKUBOVICZ, 2009)
10FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1
Andrade (2001) dene a uência como uma ala contínua e suave, e descrevem
como aquela que exige pouco esorço motor, emocional e cognitivo durante a sua produção.
Jakubovicz (1997) argumenta que, além de ser produzida sem esorço, a ala uente deve
ser percebida pelo ouvinte como natural. É importante notar que a literatura apresenta
várias tentativas de caracterização da uência na ala.
No entanto, é essencial ressaltar que a uência na ala não é uma ocorrência cons-
tante. A menos que se trate de uma ala decorada, raramente encontramos uma ala com-
pletamente uente. Os alantes são requentemente interrompidos por desorganizações no
discurso, intencionais ou não, tornando-os requentemente disuentes. (JAKUBOVICZ, 2009)
Portanto, entendemos que a ala comum e espontânea, como aquela em ambientes
familiares, conversas entre amigos, ou situações formais como aulas, discursos, entrevis-
tas de emprego e sermões religiosos, está repleta de disuências. Estas disuências são
consideradas “lapsos normais”, comuns na língua. No entanto, quando essas disuências
ocorrem em excesso, elas podem causar uma impressão negativa no ouvinte, tornando a
ala percebida como “incorreta”. A uência é mais requentemente observada em discursos
controlados, como as falas ensaiadas de atores de teatro, locutores esportivos e radialistas.
É importante notar que, mesmo em situações de ala controlada, como a narração
de eventos esportivos, não estamos isentos de lapsos ou interrupções na comunicação. Por
exemplo, é comum perceber que os comentários eitos por locutores durante uma partida de
utebol são mais suscetíveis a disuências do que a narração propriamente dita. Isso ocorre
porque, durante os comentários, as ideias estão sendo ormuladas em tempo real, o que é
dierente da narração, que geralmente envolve uma ala mais ensaiada e treinada. Mesmo
ouvintes atentos já devem ter notado essas interrupções na fala durante essas situações.
No entanto, de acordo com, (JAKUBOVICZ, 2009) a uência na ala, no sentido
de uma continuidade absoluta e pereita sequência de palavras, é impossível devido à
necessidade de respirar. As pausas para a respiração são inevitáveis e contribuem para
a disuência na ala. Segundo os autores, em média, respiramos a cada cinco segundos,
ou seja, cerca de doze vezes por minuto. Essas pausas para a respiração são naturais e
essenciais para o processo de comunicação oral.
Conorme apontado por(JAKUBOVICZ, 2009) a ala não planejada é um processo
que se desenrola quando é proerida, ou seja, está constantemente em construção. O pla-
nejamento e a verbalização ocorrem simultaneamente durante a interação verbal, dando
origem a uma forma dinâmica e, portanto, descontínua de comunicação. A autora faz uma
analogia interessante, comparando a ala a um lme devido à sua natureza em constante
11FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1
evolução, enquanto o texto escrito é mais estático e se assemelha a um quadro. A des-
continuidade requente no uxo discursivo , é resultado de atores de natureza cognitiva
e interacional, reetindo a natureza viva e em constanteEntrevista com a criança em idade escolar
Perguntas sobre a fala
Perguntas sobre a escola
Fonte: Jakubovicz 2009
1.2 – Tratamento em crianças
Aqui vai um exemplo de uma dentre muitas técnicas de construir uência consiste
em ir introduzindo uma forma diferente de falar passo a passo. Pode-se começar pedindo
que a criança monte um quebra-cabeça ou aça um desenho, mas enquanto isso ela deve
repetir as palavras que o terapeuta irá alar. A intenção de azer o desenho e alar ao
52AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME-
TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA
UNIDADE 3
mesmo tempo, é manter a criança entretida em uma atividade bem relaxada (o desenho ou
jogo de encaixe) enquanto az outra atividade não tão relaxante, como alar. O terapeuta
começa, então, a repetir a repetição de palavras monossilábicas do tipo:
PA – TOM- MAR – PÃO – CÉU – SIM- NÃO – DAR – ETC.
Se a criança tiver a uência, o que é quase certo que ela consiga, pois são palavras
fáceis de falar, pede-se a repetição de dissílabas simples como:
BOLO – SAIA – BICA – BOTA – MATO – FADA – TATU – VASO – ETC.
Se or uente, pedir a repetição de palavras complexas como os grupos consonantais:
PROVA – GRADE – FLAUTA – TREVO – CLUBE – CLASSE – ETC.
O próximo passo é pedir a repetição de frases bem curtas do tipo:
COLHER FLORES – CASA PEQUENA – BATER PALMAS – SAI DA FRENTE –
CORTA O CABELO – LEVANTA O LÁPIS - SOPRA ESSA VELA – ETC.
Se a criança já tem habilidade de leitura, ela começará a ler o material em etapas
progressivas, indo de listas simples para mais complexas. Uma vez que a criança alcan-
ça uência na repetição e leitura, avança para outra ase, que envolve a expressão oral
espontânea. O próximo passo no desenvolvimento da uência é narrar histórias de orma
sequencial. Às vezes, é necessário realizar exercícios para integrar a respiração na rase,
e nesse contexto, a criança é instruída a azer uma pequena inspiração no início da rase,
liberando o ar suavemente ao longo da fala.
ANAMNESE, AVALIAÇÃO
E TRATAMENTO EM
ADULTOS
TÓPICO
53AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME-
TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA
UNIDADE 3
Se avaliar a gagueira em crianças pode ser desaador, o mesmo não se aplica a
adolescentes e adultos. Isso se deve ao ato de que adultos geralmente se autodenominam
como “gagos” e têm plena consciência de sua orma de alar. Ao buscar tratamento, estão
insatisfeitos com sua fala e carregam emoções negativas em relação a isso. Na primeira
entrevista, é crucial fazer perguntas diretas e pertinentes ao problema. Se o paciente de-
monstra timidez ou se recusa a responder de imediato, isso é sintomático, indicando que
não está acostumado a discutir abertamente o problema da “gagueira”. À medida que o
onoaudiólogo, por meio de perguntas especícas, mostra compreensão da gagueira e su-
gere a possibilidade de ajuda, ele transmite conança ao paciente. Ao longo da entrevista,
o paciente começa a se sentir mais à vontade para responder.
A avaliação pode ocorrer em uma ou várias sessões, e o terapeuta deve usar sua
sensibilidade clínica para inferir e tirar conclusões da melhor maneira possível. As diretrizes
da psicoterapia surgirão das respostas e reações evidentes e não evidentes do paciente
a certas perguntas. Se possível, as entrevistas iniciais devem ser gravadas em vídeo. As
respostas e reações do paciente podem ser posteriormente analisadas e discutidas.
Por exemplo, em uma fase posterior do tratamento, é possível voltar à gravação
para que o próprio paciente avalie se suas reações e sensibilidades se modicaram. Per-
guntas sobre a requência da gagueira em dierentes situações e com dierentes ouvintes,
as reações em relação à gagueira e aspectos da personalidade devem, se possível, ser
respondidas com um “SIM” ou “NÃO” ou de maneira muito concisa. É mais fácil interpretar
uma resposta curta do que histórias longas e detalhadas.
54AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME-
TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA
UNIDADE 3
2.2- Anamnese em adultos
• Por que razões veio se consultar? Ou por que só agora veio se tratar da ga-
gueira?
• Você mesmo quis vir ou alguém pediu para você vir?
• Com que idade começou a gaguejar?
• Liga o início da gagueira a alguma causa particular?
• A gagueira começou de modo gradual ou foi de repente? Descreva a gagueira
no seu início.
• Alguém chamou sua atenção quando pequeno em sua maneira de alar?
• Sua maneira de gaguejar se modicou? De que maneira?
• Alguém mais gagueja na família?
• Tem alguma diculdade em certas situações particulares? Por exemplo: alguém
especial, em situação especíca, com certas palavras, com certos sons?
• Procura evitar essas situações, palavras ou pessoas?
• Pode prever quando vai gaguejar?
• O ato de ser gago inuenciou: sua vida social, sua personalidade, e escolha da
carreira, a escolha do trabalho?
Aqui estão algumas das questões para realizar com adultos, deve-se também ava-
liar a requência da gagueira com relação à situação e ouvintes, reações das pessoas com
relação à gagueira e avaliar os aspectos da personalidade. A avaliação também deve seguir
algumas etapas linguísticas. Elas se azem necessárias para o terapeuta car conhecendo
todos os aspectos do problema e se tornar apto a modicá-los.
2.3 – Terapia de gagueira em adultos
O que exatamente o indivíduo que gagueja precisa aprender? É inquestionável que
ele precisa aprender a falar sem gaguejar. Quais aspectos da gagueira precisam desapa-
recer? Uma resposta adequada incluiria a eliminação da respiração anormal, da onação
inadequada e da articulação ragmentada. Uma pergunta adicional surge aqui: será que
a pessoa que gagueja não sabe respirar normalmente, produzir a voz adequadamente e
articular as palavras na sequência correta? Quando ela ala uentemente, e é inegável
que tem ases de uência, ela respira normalmente, produz uma voz adequada e articula
corretamente os sons da ala em sequência. Isso sugere que ela sabe realizar essas três
coisas pereitamente bem. Sabemos que o indivíduo com gagueira é capaz de entrar em
uma loja e pedir algo mesmo gaguejando. Portanto, alar uentemente não é o problema; o
desao está em saber como alar sem gaguejar.
55AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME-
TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA
UNIDADE 3
Tudo indica que a pessoa que gagueja aprendeu a gaguejar, como mostra clara-
mente as fases de desenvolvimento da gagueira, de Bloodstein em 1950. A gagueira é um
contínuo que cada indivíduo desenvolve à sua maneira. São hábitos adquiridos ao longo
dos anos por meio de mecanismos de associação; desde a inância, a pessoa que gagueja
oi condicionada a alar de uma determinada maneira. Mesmo que o adulto não queira mais
alar daquela maneira, ele não consegue, pois aprendeu e está condicionado. Ao aprender
a alar acilmente e sem luta, é possível quebrar o ciclo vicioso, alterar o reorço, inverter o
ciclo vicioso e modicar o curso natural dos acontecimentos.
O método de abordar a gagueira como um aprendizado tem a vantagem de não se
ater às causas, evitando polêmicas nesse sentido, uma vez que a causa não é conhecida.
Dessa orma, o oco é direto e objetivo: eliminar o sintoma que oi aprendido no passado.
Existem diversas atividades que podem ser consideradas aprendizagens, como estudar
outra língua, memorizar um texto, aprender a dirigir um carro, jogar tênis, usar o computa-
dor, entre outras. Algumas atividades podem ser classicadas como ganho ou progresso,
mesmo que sua utilidade não seja imediatamente demonstrável. Nesse grupo estão os
tiques, os maneirismos e certas ormas de gesticular ou alar gaguejando. A aprendizagem
pode ser denida como o progresso alcançado pela prática, embora saibamos que nem
semprecertos comportamentos sejam desejáveis, como é o caso da gagueira.
O enoque de Van Riper em 1971, como um tratamento contínuo ao longo do tempo
para a gagueira, destaca a importância da relação paciente-terapeuta para o sucesso da
terapia. O grande dierencial é a responsabilidade atribuída à pessoa que gagueja. Para
Van Riper 1971, a mudança nos comportamentos de ala não é suciente; é crucial haver
uma mudança nas atitudes. O objetivo geral da terapia não é eliminar a gagueira, mas sim
alcançar dois objetivos especícos:
01.Modicar os movimentos da gagueira com a nalidade de torná-los menos
intensos e requentes.
02.Reduzir o medo da gagueira e os comportamentos de aviltamento associado
ao medo.
Gaguejar é um ciclo vicioso. Quando o indivíduo que gagueja deseja alar, ele se
esorça para evitar a gagueira, gerando uma tensão excessiva nos músculos onoarticula-
tórios e acabando por gaguejar. Essa gagueira leva a mais esforço para evitá-la, resultando
em uma maior tensão muscular e, consequentemente, mais episódios de gagueira, criando
assim um ciclo contínuo.
56AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME-
TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA
UNIDADE 3
A terapia visa modicar essa dinâmica, onde o indivíduo que gagueja tenta alar, o
terapeuta o instrui a parar e identicar quais músculos estão tensos, buscando relaxá-los.
Além disso, o terapeuta encoraja a pessoa a perceber suas ansiedades e medos em relação
à palavra ou à situação de ala que está enrentando, antes de continuar a alar e modicar
toda a sua estrutura de comunicação.
A base da terapia é undamentada em três teorias, que são:
01.Teoria da aprendizagem;
02.Teoria da cibernética ou da propriocepção;
03.Princípios da psicoterapia.
01.A teoria da aprendizagem aplicada à terapia para a gagueira sugere que o
processo visa desfazer os padrões de fala do indivíduo com a gagueira, levan-
do-o a abandonar hábitos antigos e respostas condicionadas. O objetivo é que
a pessoa desenvolva uma nova maneira de responder a situações que antes
desencadearam sua gagueira, promovendo assim uma ala mais uente.
02.Na teoria da cibernética ou da propriocepção, Van Riper 1971, argumenta que,
uma vez que os atos motores da ala são controlados pelo eedback auditivo, o
método de tratamento deve considerar isso. O paciente é incentivado a utilizar
o eedback proprioceptivo em vez do auditivo, o que pode ser acilitado pelo uso
de dispositivos como DAF, mascaramento ou outros que avoreçam o controle
motor pela propriocepção. Mesmo sem dispositivos eletrônicos sosticados, um
simples gravador usado pelo terapeuta para fornecer feedback sobre a fala pode
ser útil. O oco do paciente deve ser nos movimentos dos articuladores, buscando
sentir a anormalidade mais do que ouvi-la. O objetivo é que o paciente busque
um modelo melhor nos movimentos dos articuladores para que os erros possam
ser reconhecidos e corrigidos automaticamente.
03.Os princípios da psicoterapia na abordagem da gagueira destacam que a
maioria dos estudos indica que as pessoas com gagueira são mentalmente
saudáveis. Se houver neurose, ela é considerada secundária às experiências
traumáticas relacionadas à fala. O indivíduo pode sentir-se miserável, inferior,
deprimido ou desajustado devido à gagueira. O foco da psicoterapia, seja condu-
zida por um onoaudiólogo ou psicólogo, é abordar essas questões emocionais
relacionadas à gagueira, visando melhorar o bem-estar mental do paciente.
2.4- Etapas da terapia
Fase de Identicação: Nesta etapa, que envolve a anamnese e a análise das emo-
ções e comportamentos, o terapeuta orienta o paciente na identicação de padrões.
57AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME-
TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA
UNIDADE 3
Fase de Dessensibilização: O objetivo desta fase é reduzir a ansiedade, acalmar o
paciente e eliminar emoções negativas relacionadas à fala. Embora seja difícil alcançar um
estado permanente sem emoções, a dessensibilização aborda medos, vergonhas e frus-
trações associadas à gagueira. Isso é feito através da aceitação e discussão do problema,
reconhecimento da impereição na uência verbal e aprendizado sobre como avaliar as
reações do interlocutor.
Integrar Social e Emocionalmente: A adaptação social e emocional é desaadora
para quem gagueja. O onoaudiólogo deve avaliar a necessidade de psicoterapia ormal,
especialmente se os desajustes emocionais estão ligados à gagueira. A manipulação das
emoções é crucial, e o prossional deve lembrar que todos enrentam problemas pessoais,
muitos dos quais são superados sem ajuda especializada.
Superar Evitações: Ensinar o paciente a enfrentar situações de fala e a não evitar
palavras por medo da gagueira é essencial. Evitar az com que as diculdades pareçam
mais complicadas do que são na realidade. Acalmar-se e Enrentar o Medo: Instruir o
paciente a acalmar-se, demonstrando que é possível gaguejar de orma tranquila, é impor-
tante. Enfrentar o medo é essencial, explorando os sons temidos e fornecendo exercícios
para testar a realidade, como listar palavras iniciadas com o som temido.
Contato Visual e Conança: Manter contato visual e desenvolver alta conança
são elementos-chave. É crucial encorajar o paciente a acreditar que a gagueira pode ser
superada com esorço e apoio, não sendo um problema insolúvel.
Controle Emocional: Ensinar a controlar as emoções é vital. O paciente precisa
entender que as emoções são apenas sentimentos e que ele pode manter a comunicação
focando na ação, não nos sentimentos.
Adaptar ao Estresse: Reconhecer a relação entre gagueira e estresse é fundamen-
tal. Quanto mais se gagueja, mais medo surge, alimentando um ciclo. Aprender a lidar com
o estresse é crucial para reduzir a gagueira.
Construir Hierarquias: Elaborar uma lista de situações de ala diíceis, em conjunto
com o paciente, visa sensibilizá-lo para as reações do interlocutor, promovendo a supera-
ção gradual das diculdades.
58AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME-
TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA
UNIDADE 3
Cada um desses distúrbios possui características distintas e muitas vezes complexas, tornando o diagnós-
tico e dierenciação entre eles um desao. A compreensão dessas condições é essencial para prossionais
de saúde, como onoaudiólogos, no diagnóstico e tratamento adequados.
(Autor 2023)
A importância das contribuições neurosiológicas é signicativa, uma vez que os impulsos provenientes
do sistema muscular desempenham um papel crucial nesse processo automático. Isso ocorre devido ao
eedback refexo originado nos núcleos nervosos que ativam a língua, os lábios e o queixo. Além disso, há
um padrão registrado nas conexões cerebrais especícas para esses movimentos.
(JAKUBOVICZ, 2009, p.190)
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Plano de Estudos
• Diagnóstico e avaliação;
• Abordagens terapêuticas.
Objetivos da Aprendizagem
• Explorar erramentas de avaliação utilizadas na identifcação e
diagnósticos de taquilalia e taquiemia;
• Explorar métodos tradicionais, como terapia de luência, para
tratar taquiemia.
Professor(a) Esp. Ana Paula Taborda do Nascimento
PROGRAMAS DE
TRATAMENTO PARA
ADOLESCENTES E
ADULTOS, TAQUILALIA
E TAQUIFEMIA
UNIDADE
AVALIAÇÃO E
TRATAMENTO
DA DESORDEM
TÓPICO
64PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4
Na unidade em foco, buscamos elucidar a avaliação e odiagnóstico diferencial
da taquiemia e de outros distúrbios da uência da ala. Vericou-se, embasado em es-
tudos, que um dos desaos no diagnóstico e tratamento da taquiemia é sua ocorrência
muitas vezes concomitante com outros distúrbios, sendo alguns relacionados à ala, como
a gagueira, e outros à linguagem, como as diculdades de aprendizagem (WARD, 2006).
Como conclui Gregory (1995), o transtorno da taquiemia evidência claramente quanto às
diculdades de ala, linguagem e aprendizagem têm em comum.
Na gagueira pura, observa-se uma alta requência de interrupções involuntárias na
uência da ala, levando as pessoas que gaguejam a experimentarem uma sensação de
perda de controle (WARD, 2011).
As interrupções na gagueira geralmente assumem a forma de repetições (inten-
sas) de sons, sílabas ou palavras monossílabas; prolongamentos de sons; ou bloqueios de
respiração, ou voz; (WARD, 2006).
Preus (1996) destaca que a taquiemia possui mais semelhanças com as dicul-
dades de aprendizagem do que com a gagueira. Vários pesquisadores armam que a
ocorrência de problemas de taquiemia e diculdade de aprendizagem está principalmente
relacionada a questões de expressão, leitura e escrita. Nas diculdades de aprendizagem,
a velocidade da ala é comparável à dos controles uentes, enquanto a produção de lingua-
gem é perturbada por frases incompletas, problemas na localização de palavras, estruturas
de rases incorretas e distúrbios de leitura (VAN ZAALEN et al., 2009).
Em alguns casos, indivíduos com taquiemia podem desenvolver o medo de alar,
resultado de respostas negativas dos ouvintes (“o que você disse?”, “Não entendi o que
65PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4
você disse”, “Não entendo você”) ou de reações não verbais tensas. Essas respostas dos
ouvintes, sem especicar os sintomas da ala, podem conundir o alante (WARD, 2011)
As reações dos ouvintes evidenciam claramente as inseguranças e apreensões
enrentadas por pessoas com diculdades de ala, resultando em uma hesitação ao se
expressar devido a essas incertezas (WINKELMAN, 1990).
No âmbito das tareas de ala, para dierenciar a taquiemia de outros distúrbios da
fala, a avaliação deve direcionar-se a diferentes aspectos da comunicação e cognição. Este
processo abrange leitura oral, fala espontânea, recontagem de uma história memorizada,
testes de coordenação motora da ala e questionários. A gravação digital de vídeo e áudio
é realizada durante a execução de diversas tarefas de fala, possibilitando análises subse-
quentes de uência, velocidade e articulação inicial (VAN ZAALEN et al., 2009).
No contexto da leitura oral, o nível de material de leitura pode inuenciar o grau de
desordem, portanto, é crucial que o prossional orneça materiais de leitura apropriados
variando em níveis de diculdade. Passagens mais desaadoras, com palavras multissilá-
bicas e frases linguisticamente mais complexas, podem resultar em comportamentos mais
confusos em comparação com passagens menos difíceis, contendo frases curtas com
palavras de uma ou duas sílabas (VAN ZAALEN et al., 2009).
Considerando a taquiemia como uma expressão de uma deciência na automação da
linguagem, a avaliação deve focar em diferentes níveis linguísticos e em diferentes velocidades
de ala (VAN ZAALEN, 2009). Indivíduos com taquiemia requentemente apresentam alhas na
comunicação em níveis elevados de produção linguística, como contar ou recontar narrativas.
Além disso, enrentam diculdades em aspectos pragmáticos da linguagem, como desconsi-
derar o ponto de vista ou conhecimento do ouvinte e interromper requentemente o parceiro
comunicativo (DALY, 1986; MYERS; VAN ZAALEN; WINKELMAN, 2009; WARD, 2006).
Para avaliar essas áreas potencialmente desaadoras da linguagem, sugere-se
que o prossional envolva o paciente em uma conversa descontraída sobre um tema de
grande interesse para ele, abrangendo explicação de um videogame, discussão sobre seu
esporte ou atividade de lazer favorita, ou contando uma história emocionante sobre um
evento recente vivenciado pelo paciente.
O prossional médico deve documentar, no mínimo, 10 minutos desta amostra
de linguagem. Essa amostra deve ser constituída por uma narrativa e não por interações
pontuais, como em uma lista (Van Zaalen et al., 2009; Ward, 2006).
No âmbito da onoaudiologia, tareas que variam desde atividades curtas e estrutu-
radas até aquelas mais longas e menos estruturadas também são cruciais. Exemplos das
primeiras incluem tarefas mecânicas, como a contagem a partir de 100 em intervalos de 3
segundos. Pacientes mais idosos devem ler palavras desaadoras de pronúncia, como “esta-
tístico”, “paralelepípedo” e “tiranossauro”, repetindo essas palavras três vezes consecutivas,
inicialmente em um ritmo confortável e depois em um ritmo de fala mais acelerado. Além dis-
66PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4
so, pacientes mais idosos devem enfrentar palavras com padrões variáveis de acentuação,
como “aplicar” e “aplicar”. Crianças mais jovens, por sua vez, devem nomear imagens (quatro
diferentes de uma vez ou imagens de palavras de duas sílabas) dentro ou fora da mesma
categoria semântica, apresentadas em uma ordem não sequencial (ver gura 1).
Como destacado anteriormente, a recontagem de histórias é uma parte crucial da
avaliação, pois é nesse nível mais elevado que a comunicação pode alhar. O clínico deve
atentar para a capacidade do paciente de parafrasear a história, mantendo os pontos-chave
da narrativa em uma sequência lógica, com a gramática da história preservada, estrutura
silábica, palavras e rases adequadas, pausas apropriadas e inteligibilidade de ala. Aspec-
tos pragmáticos também devem ser observados.
Outro componente da avaliação consiste na imitação de frases de extensão cres-
cente (até 20 palavras para adultos e adolescentes, até 14 palavras para crianças de 10
anos e até 10 palavras para crianças de 8 anos). Essa tarefa proporciona informações
sobre as habilidades de memória auditiva e o nível de complexidade linguística no qual a
comunicação do cliente é interrompida (Van Zaalen et al., 2009).
FIGURA 1 - CATEGORIA DE SEMÂNTICA
Fonte:MORENO, M. GARCÍA, E., 2003.
Nadesordemcomunicativa, o componente emocional abrangeo impacto dodiscurso
na percepção do próprio alante. Como mencionado anteriormente, quando alguém não se
sente compreendido repetidamente, pode surgir o medo de se comunicar. Um paciente que
avalia positivamente seu discurso e culpa o ouvinte por não compreender adequadamente.
67PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4
A ansiedade na comunicação pode surgir quando não há uma conexão entre a expressão
verbal do falante e a reação do ouvinte. O temor da comunicação pode desenvolver-se de
maneira inconsciente, tornando-se um problema latente na desordem. O fonoaudiólogo
deve estar ciente de que uma autoimagem positiva pode ser alterada quando o indivíduo
associa a resposta do ouvinte à sua fala.
A taquiemia é uma condição multidimensional que envolve a avaliação complemen-
tar de dimensões individuais, como velocidade e uência, a m de determinar a gravidade
geral da desordem. O Programa de Avaliação de Taquiemia (CLASP), uma erramenta
gratuita desenvolvida por Bakker (2005) para calcular a porcentagem de tempo de fala
desordenado, é útil nesse contexto. O diagnóstico dierencial da taquiemia é um desao,
dada a escassez de pesquisas abrangentes. No entanto, autores como Bakker (2005) e St.
Louis e McCafrey (2005) sugerem que a taquiemia pura pode ocorrer em 5% a 16% das
crianças disuentes. Weiss (1964) destacou uma proporção de 7% de taquiemia pura em
comparação com 21% de gagueira pura. Preus (1992) analisou sete projetos de pesquisa,
identicando a taquiemia-gagueira em grupos de gagos.
Há uma hipótese de que a incidência de taquiemiaaumenta durante a adolescência
devido ao crescimento natural da velocidade de fala. Os adolescentes podemperder o controle
da fala, tornando-a menos compreensível. Algumas desordens podem passar despercebidas
até o início da adolescência, por volta dos 10 anos, quando as demandas de comunicação
atingem um ponto crítico, especialmente em indivíduos predispostos à desordem. Boey
(2000) observa que, geralmente, a velocidade de ala diminui no início da idade adulta.
A avaliação da produção da estrutura das frases deve ocorrer em ambientes
controlados, como clínicas, e em situações menos controladas fora delas, a análise de
transcrições escritas de cada situação de fala para avaliar a produção da estrutura da
frase. Estruturas de sentença corretas, produzidas imediatamente ou após reformulação
em resposta ao monitoramento interno, são pontuadas como gramaticalmente corretas na
primeira tentativa (após a exclusão de repetições) ou na segunda tentativa (após a exclusão
de disuências normais),(WARD, 2011).
Pausas adicionais ou não linguísticas são requentemente mencionadas na literatu-
ra sobre taquiemia como um ponto de preocupação no planejamento de pausas linguísticas
precisas (Daly & Cantrell, 2006). A duração média de uma pausa geralmente varia entre
0,5 e 1,0 segundos (Van Zaalen & Winkelman, 2009), desempenhando um papel essencial
na respiração, formulação da linguagem do falante e compreensão da linguagem pelo
ouvinte. A velocidade rápida de fala está diretamente associada a pausas mais curtas e/ou
a um menor número de pausas (Levelt, 1989). A taquiemia é caracterizada por uma alta
68PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4
variabilidade na duração das pausas, podendo ser muito curtas ou ocorrer em quantidade
insuciente (Levelt, 1989).
Alguns pesquisadores, como St. Louis et al. (2003, 2007), excluem uma compo-
nente linguística de sua denição de taquiemia devido à presença de casos em que não
há sintomas relacionados à linguagem. Embora seja reconhecido que as diculdades no
planejamento linguístico podem estar envolvidas na desordem (Ward, 2006), dados conclu-
sivos sobre a desordem como um todo ainda estão pendentes.
Os comportamentos desordenados tornam-se mais evidentes em situações de
conversa mais inormais, espontâneas e extensas (Van Zaalen et al., 2008). Muitas vezes,
os pais ou parceiros de pessoas com taquiemia relatam que a ala do indivíduo é signica-
tivamente melhor dentro da clínica em comparação com situações de conversa relaxadas
(Daly, 1996; Op ‘t Ho & Uys, 1974; Van Zaalen & Winkelman, 2009; Weiss, 1964).
É mais provável que o médico observe a desordem de orma “descontrolada”
quando o cliente não está ciente de que está sendo observado, como durante interações
naturais, por exemplo, entre pais e lhos, ou entre adultos e parceiros, quando o médico
está ausente da sala.
Pessoas com taquiemia geralmente têm consciência de seus problemas de ala em
geral, embora muitas vezes não percebem os sintomas no momento em que ocorrem. Jet
skis, requentemente, reconhecem sua rapidez, disuências, ininteligibilidade e problemas
de pausa ao ouvirem suas falas gravadas. No entanto, a resposta a esses problemas durante
a fala pode ser limitada pelo ritmo das interações verbais em tempo real. A leitura em voz alta
de um texto desconhecido ou a expressão em uma língua estrangeira demandam um alto
nível de atenção, enquanto a leitura repetitiva da mesma história pode reduzir o oco na ala,
resultando em mais erros desordenados. Ao contrário da gagueira, onde a repetição reduz
requentemente a requência, na taquiemia, o médico deve examinar cuidadosamente os
contextos linguísticos nos quais os erros aumentam ou diminuem em clientes individuais.
A comparação do número de erros de leitura, coarticulação ou palavras telescópicas em
contextos que exigem ou não um alto nível de concentração na ala pode ornecer insights
sobre o impacto da atenção na ala do indivíduo (Van Zaalen & Winkelman, 2009).
O receio da comunicação é uma manifestação comum em pessoas com desordens
de ala, levando alguns indivíduos a evitar alar em determinadas situações. A identicação
das palavras ou situações mais desaadoras para o paciente pode ser realizada por meio
de uma lista de vericação de situações de ala, como o SSC no Behavior Assessment
Battery (Brutten & Vanryckeghem, 2006).
69PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4
Em relação à consciência dos sintomas ou distúrbios da ala, é observado que
pessoas com taquiemia geralmente estão cientes de seus problemas de ala, mas nem
sempre no momento em que os sintomas ocorrem. Jet skis reconhecem requentemente a
rapidez, as disuências, a ininteligibilidade e os problemas de pausa ao ouvirem gravações
de suas próprias falas. A falta de resposta imediata a esses problemas durante a fala pode
ser atribuída à natureza acelerada das interações verbais em tempo real, que não propor-
ciona o tempo de reexão proporcionado pela audição de uma gravação da própria ala.
A leitura em voz alta de um texto desconhecido ou a expressão em uma língua
estrangeira demanda um alto nível de atenção, resultando em um aumento do foco na
fala. Por outro lado, a repetição contínua da mesma história diminui o nível de atenção à
fala, levando a mais erros desordenados. Essa dinâmica difere da gagueira, onde leituras
repetidas muitas vezes resultam em uma diminuição da requência da gagueira. Dado que
a gaguez e a taquiemia requentemente coexistem, é crucial que o médico examine cuida-
dosamente os contextos linguísticos nos quais os erros aumentam ou diminuem em cada
indivíduo. (Ver gura 2).
FIGURA 2 – LEITURA EM VOZ ALTA
Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/procurar/imagens
Na avaliação da desordem, é útil solicitar ao cliente que critique seu próprio discur-
so durante várias tarefas gravadas. Utilizando uma escala de avaliação de 5 pontos, tanto
o médico quanto o cliente podem julgar simultaneamente as amostras gravadas em cada
uma das principais dimensões da fala e linguagem do cliente. A comparação das avaliações
do cliente e do médico proporciona uma compreensão mais aprofundada da consciência
dos sintomas do cliente (Brutten & Vanryckeghem, 2006).
70PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4
1.1 Tratamento da taquifemia
O estudo e tratamento da taquiemia apresentam desaos signicativos, principal-
mente devido à natureza multiacetada da desordem. Um ponto crítico que requer consi-
deração e investigação é entender até que ponto os sintomas diversos da taquiemia são
especícos ou comuns a essa condição em si (Weiss, 1964).
Quando se aborda o tratamento da taquiemia, uma abordagem sistêmica destaca
a importância de considerar as diferentes partes do sistema de fala e linguagem como um
todo integrado. Essa abordagem é particularmente relevante para o tratamento da taqui-
femia devido à sua natureza multifacetada, interativa e complexa. Uma vantagem dessa
abordagem é que a terapia direcionada a uma dimensão, como o controle da requência,
pode trazer benefícios para outras dimensões.
A taxa relacionada à capacidade de codicação de uma pessoa é uma variável
abrangente que inuencia a sincronia e a sinergia entre as várias partes do sistema de
comunicação. A codicação reere-se à ormulação das unções da ala e da linguagem,
enquanto a decodicação reere-se à extremidade receptora da cadeia de comunicação.
Essa compreensão da inter-relação dessas partes do sistema é crucial para um tratamento
ecaz da taquiemia (Weiss, 1964).
A produção da linguagem falada inclui: aspectos pré-linguísticos (intenções, men-
sagens pré-verbal), regulação do discurso (como um registro de discurso mantido mutua-
mente por um falante e um ouvinte), formulação da linguagem (seleção lexical e construção
sintática), operação onológicas, especicaçõesonéticas, e o controle motor do sistema de
produção de ala gerar padrões acústicos. (Kent, 2000).
Diversas técnicas são empregadas para modicar ou modular comportamentos
relacionados à taquiemia. Abordaremos algumas dessas técnicas a seguir, ocadas em
melhorar a articulação, clareza e inteligibilidade geral da fala:
01.Abordagens para Melhorar a Articulação e Clareza:
• Utilizar uma abordagem mais precisa e denitiva dos articuladores;
• Empregar uma execução mais ampla dos gestos articulatórios commovimentos
exagerados, inicialmente visando registrar o feedback sensorial associado a uma
postura articulatória precisa e rme;
• Dar atenção especial às terminações de palavras, sílabas átonas em palavras
multissilábicas e encontros consonantais, uma vez que esses contextos onológi-
cos requentemente resultam em comportamentos conusos;
• Enatizar sílabas tônicas para proporcionar maior oportunidade de melhor arti-
culação e variações prosódicas.
71PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4
02.Abordagens para Melhorar a Organização Linguística, Envolvendo Funções
Executivas:
• As funções executivas, responsáveis por regular emoções e comportamentos
para alcançar objetivos apropriados ao contexto, englobam atividades cerebrais
como inibir impulsos, mudar, monitorar, planejar e organizar respostas (Westby e
Watson, 2004).
• Estas habilidades executivas são undamentais para assegurar que as priorida-
des adequadas sejam atribuídas aos elementos-chave durante a comunicação.
Os primeiros pensamentos são relevantes, mas pensamentos posteriores podem
não ser relevantes para uma determinada estratégia em relação ao pensamento original.
Enquanto ou mesmo pensar, minha mente pode e de ato se desvia para outros assun-
tos totalmente não relacionados. Embora eu tente muito estabilizar meus pensamentos,
palavras, etc., e projetá-los, eles podem não ser projetados da mesma orma que oram
planejados (sic) e a frase resultante (sic) pode estar fora de contexto (WARD, 2011)
• Estar familiarizado com as partes essenciais da história para organizar os pen-
samentos em uma conversa prolongada;
• Ter imagens das partes principais que precisam ser incluídas na história;
• Aprender a identicar as dierentes partes da gramática da história à medida
que outra pessoa conta uma história;
• Aprender a colocar as cartas na sequência para contar uma história adequada;
• Gravar e transcrever a própria ala utilizando a Análise Sistemática de Disuên-
cias: as partes pretendidas da mensagem (ou seja, as partes que transmitem
informações) são sublinhadas, todas as outras partes, como comportamentos
labirínticos (por exemplo, interjeições, frases incompletas) não estão sublinha-
das; o ato de ouvir e analisar a própria ala ajuda a sensibilizar o paciente para a
inormatividade, clareza e eciência geral da linguagem.
03.Abordagens para Aprimorar a Prosódia:
A perspectiva “sistêmica” destaca a interconexão entre as diversas acetas da co-
municação. Por exemplo, ao aplicar terapia para estimular maiores variações prosódicas,
ocando o aprimoramento das sílabas tônicas, observa-se também beneícios na taxa, com
o aumento da duração da sílaba tônica e a melhoria na clareza da ala. Isso resulta em uma
maior modulação dos articuladores, incluindo o aumento do volume. A vantagem abrangen-
te dessas variações prosódicas, através do destaque linguístico, contribui para realçar os
72PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4
contornos semânticos e pragmáticos da comunicação. Algumas atividades que avorecem
o desenvolvimento de variações prosódicas incluem:
• Leitura de textos e poesias;
• Ênase nas sílabas tônicas;
• Leitura de peças teatrais;
• Variação na entonação ao expressar uma rase, como “é ótimo ver você”, para
transmitir diferentes emoções ou intenções pragmáticas, como sinceridade, sar-
casmo, raiva, inteligência, humor ou tristeza.
O prossional de saúde deve identicar de orma distinta quando as diculdades
no uxo da ala derivam de problemas motores, diculdades na construção linguística ou
de uma combinação de ambos. Os próprios pacientes desejam realizar essa distinção em
relação às suas interrupções na uência, uma vez que compreendam a dierença. Um
indivíduo com gagueira compartilhou comigo o seguinte: “Eu entendo o que quero dizer
quando gaguejou, mas simplesmente não consigo produzir sons. Quando estou conuso,
eu não sei exatamente o que quero dizer, mas continuo alando de qualquer maneira. Na
desorganização, muitos pensamentos vêm até mim ao mesmo tempo”.
• Transcrever a própria ala, isso dá ao paciente amostras de uência auditiva e
escrita da sua comunicação e permite que o paciente aça uma autocrítica sobre
o grau em ou a mensagem é interrompida, ou interrompida por interjeições, frases
incompletas e revisões. Discuta com tais disuências prejudicam a “continuidade”
e a ecácia geral do discurso; (ver gura 3).
FIGURA 3- TRANSCREVER A PRÓPRIA FALA
Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/procurar/imagens
• Concentra-se em palavras e rases que são essenciais para a base de inorma-
ções da mensagem;
73PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4
• Discutir com o paciente que existe uma interação sinérgica entre uência e
habilidades de processamento da linguagem.
04.Abordagens para gestão do discurso
Em alguns casos, a terapia pode precisar enfocar o manejo da comunicação para
otimizar a proximidade e os efeitos contingenciais das trocas verbais. Excessos na fala,
especialmente ao abordar inormações que o interlocutor já possui, podem inringir os prin-
cípios da contingência pragmática.
• Tomar consciência dos próprios padrões de discurso e contar o número de
interrupções ou saída pela tangente;
• Faça uma dramatização de uma conversa que exija uma diminuição do ritmo,
como quando o melhor amigo de alguém está proundamente triste;
• Fique atento ao eedback do ouvinte.
05.Atividades terapêuticas que visam trazer todo o sistema de comunicação em
sincronia e sinergia
As seguintes atividades terapêuticas servem bem como atividades culminantes em
grupo ou com atividades para transferir a manutenção de habilidades aprendidas.
• Enquetes e peças teatrais, aumentar a consciência dos turnos dos dierentes
oradores, reduzir a probabilidade de interromper alguém se os versos da peça
teatral forem lidos ou recitados durante a representação.
• Poesia, os poemas devem ser lidos e recitados com sentimento, interpretação e
drama, dierentes versões do poema impõem certo ritmo e cadência para cultivar
variações prosódicas.
• Regência musical, o cliente dita o andamento de uma música, os integrantes do
grupo cantarem, o paciente escolhe qual música qual música tocar para ilustrar
as variações de ritmo;
• Apresentação em sala de aula, acentuam a necessidade de tornar a fala clara,
coerente e coesa, oportunidade de levar em consideração o feedback não verbal
do público para modular a apresentação;
• O paciente pode se beneciar de vários grupos de apoio ou aconselhamento,
para lidar com questões de qualidade de vida decorrentes do impacto da desor-
dem na sensação de bem-estar em ambientes sociais, acadêmicos e de trabalho.
TAQUILALIA
TÓPICO
74PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4
A intervenção é fundamentada na aplicação de diversas técnicas utilizadas para o
tratamento de distúrbios de uência. Incluem-se exercícios respiratórios e de relaxamento,
com destaque para o treino conhecido como relaxamento progressista de (WARD, 2011).
Além disso, são empregadas atividades que visam acilitar a correta articulação, como
massagens, gestos, praxias, faciais, orofaciais, exercícios de posicionamento e repetição.
O programa também incorpora técnicas especícas para reduzir o uxo da ala, tor-
nando-a mais lenta e livre de imprecisõesarticulatórias, como a técnica de monitoramento,
feedback e autocorreção a partir de um texto lido, assim como técnicas de transição da
leitura à linguagem oral. Adicionalmente, são aplicadas técnicas destinadas a normalizar
a ansiedade e a auxiliar na gestão adaptativa de situações conitantes, destacando-se a
técnica de dessensibilização sistemática.
2.1- Tratamento da taquilalia
O objetivo é simplicar a ala, ajustar a unção respiratória, aumentar a mobilidade
ao falar e melhorar a agilidade motora nos órgãos envolvidos na articulação imprecisa dos
fonemas, adaptando o tom muscular, principalmente na fonação.
Durante as sessões, são fornecidas orientações para a prática de exercícios de
respiração e relaxamento em casa. O tratamento busca reeducar a fala, ajustar a respira-
ção e o tônus muscular por meio de exercícios de coordenação respiratória e relaxamento.
O paciente é orientado a conscientizar-se da própria respiração, praticando diferen-
tes técnicas, como inspiração nasal profunda, retenção de ar e expiração pela boca, entre
75PROGRAMAS DE TRATAMENTO PARA ADOLESCENTES E ADULTOS, TAQUILALIA E TAQUIFEMIAUNIDADE 4
outras. O relaxamento progressivo de Jacobson é utilizado para relaxar os músculos da
ace e pescoço, seguindo passos especícos.
Além disso, são realizados exercícios para promover a mobilidade oral, massagens
no rosto, nariz, lábios e pescoço, e práticas para adquirir agilidade e coordenação necessá-
rias à articulação. Também são incluídos exercícios articulatórios com fonemas imprecisos,
combinando várias técnicas para tratar distúrbios de uência verbal, juntamente com ativi-
dades para facilitar a articulação correta da criança. (MORENO e GARCÍA, 2003)
Ambos os distúrbios destacam a importância de uma abordagem integrada que considere diferentes as-
pectos da comunicação, incluindo unção motora, linguística e emocional. O tratamento pode variar e re-
quentemente envolve uma combinação de técnicas para abordar as complexidades desses distúrbios da
fuência da ala.
Fonte: autor 2023.
A complexidade da taquifemia e a taquilalia abrange a importância de uma avaliação e tratamento dessa
condição. A variedade de técnicas terapêuticas apresentadas evidencia a necessidade de personalização do
tratamento, levando em consideração as características individuais de cada paciente.
Fonte: autor 2023.
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(JAKUBOVICZ, 2009).
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disuências comuns são consideradas perturbações não prejudiciais na comunicação. Os
autores apresentam três motivos para estudar a disuência comum (JAKUBOVICZ, 2009).
Primeiro, a disuência na ala é considerada normal, como indicado pelos dados
dos autores, que revelam que, em média, de seis a dez disuências podem ocorrer a cada
100 palavras. Na maioria das vezes, essas disuências são praticamente imperceptíveis
para os ouvintes.
Além disso, as disuências introduzem novo conteúdo lexical por meio de repe-
tições, correções e outros enômenos. Ferreira e Bailey (2004) apontam que esse novo
conteúdo pode resultar em enunciados a-gramaticais, abrindo possibilidades para estudos
adicionais. Por exemplo, eles mencionam que o ragmento “Em que museu ca?” contém
conteúdo não gramatical devido à repetição de “é isso” embora essa alha não prejudique a
compreensão humana. Isso sugere que existem outros meios para distinguir essas rupturas
do restante do discurso.
Por último, o terceiro motivo para estudar as disuências comuns é que os meca-
nismos sintáticos, como o “analisador,” podem auxiliar na compreensão da estrutura em
que essas disuências são incorporadas. Por exemplo, em uma correção do tipo “você vai
colocar – você deve deixar cair a bola” no nível descritivo, a sintaxe integra a sequência
“você vai colocar” como parte do enunciado, de modo que o sistema linguístico não descon-
sidera as expressões que não estão sintaticamente corretas na sentença. Isso ressalta a
complexidade da análise das disuências na comunicação e sua importância na compreen-
são da linguagem falada.
A disuência na ala, se reere a interrupções e hesitações durante a comunicação
verbal. Essas interrupções podem ocorrer independentemente de alguém ser considerado
um locutor disuente (gago) ou não. Existem dierentes classicações para a disuência,
algumas associadas a distúrbios neurológicos e outras relacionadas ao ritmo da ala.
A identicação da disuência muitas vezes depende do julgamento do ouvinte, que
pode ter seus próprios critérios para determinar o que é considerado uma ala uente.
Alguns podem considerar o uso requente de palavras como “eh” ou “ne” como sinais de
disuência, enquanto outros podem achar isso normal e não associado à gagueira.
12FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1
Para esclarecer as interrupções na ala, precisamos observar os termos que indi-
cam gagueira:
IMAGEM 1 - SERÁ QUE É GAGUEIRA?
Fonte: https://clipi.com.br/2016/10/24/sera-que-e-gagueira
A) Repetição: Isso pode envolver a repetição de sílabas ou rases, que pode ocor-
rer de 1 a 5 vezes. Às vezes, a distinção entre a repetição de sílabas e palavras pode ser
ambígua, mas qualquer quebra na uência é considerada uma repetição.
B) Pausas: Pausas na fala podem ocorrer por diversos motivos, como espera para
chamar a atenção do ouvinte, circunstâncias externas, momentos de reexão para escolher
as palavras, pausas involuntárias ou a inserção de interjeições.
C) Interjeições: Isso inclui a inserção de sons, palavras ou frases curtas no discurso,
como “ah”, “hum”, “eh”, “bem”, “né”, entre outros.
D) Bloqueio: Envolve bloqueios na ala causados por esorço ísico súbito ou tensão.
O texto também menciona uma classicação das disuências eita por Johnson em 1959,
que inclui categorias como interjeições, repetições de sons, palavras e rases, revisões de
rases, rases incompletas, palavras quebradas e sons prolongados.
O autor Johnson (1959) realizou um estudo que resultou na classicação de oito
categorias de disuências, que incluem.
Interjeições, como “ah!”, “bem!”, “ai!”, “tá!”, “né!”, entre outras.
Repetição de sons, exemplicado por “p-p-p-parque.”
Repetição de palavras, como “eu, eu, eu ui ao parque.”
Repetição de frases, por exemplo, “eu ia, eu ia, eu ia dizer isso mesmo.”
Revisão de rases, como “eu ia, eu ui ao parque e você não estava lá.”
Frases incompletas, ilustradas por “eu ia… depois que cheguei, lá voltei.”
Palavras partidas, representadas por “eu f- (pausa) ui para casa da minha amiga.”
Sons prolongados, como “s, s s s saiu de perto.”
13FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1
Contudo, observa-se que a classicação de Johnson inclui elementos que não
se alinham com a maioria das denições de gagueira, como revisões de palavras, rases
incompletas e interjeições, que são mais típicas da disuência normal na ala. Isso levanta
a questão de discernir o que é considerado normal em comparação com a disuência rela-
cionada à gagueira.
Além disso, apresenta-se uma classicação das disuências eita por Hill (1955),
que distingue entre disuências típicas e atípicas:
» Disuência típica envolve interjeições, hesitações na ala, palavras inacabadas,
revisões de frases e repetição de palavras (no mínimo 2 vezes).
» Disuências atípicas incluem repetição de palavras (3 ou mais vezes), repetição
de sílabas, repetição de sons, prolongamentos e bloqueios.
Em 1959, o pesquisador Johnson (1959) realizou um estudo na Universidade de
Minnesota, onde examinou 68 meninos e 23 meninas com idades de 2 anos e meio e 8 anos.
Ele agrupou crianças que tinham gagueira com crianças que não tinham gagueira da mesma
faixa etária e analisou vários aspectos, cujos resultados estão resumidos no Quadro 1.
A conclusão de Johnson oi que as crianças com gagueira apresentaram mais
interrupções na uência da ala do que as crianças sem gagueira na maioria dos aspectos
analisados. No entanto, não oram encontradas dierenças signicativas em alguns aspec-
tos, como o uso de interjeições, a revisão de frases e frases incompletas.
importante observar que a pesquisa de Johnson comparou crianças em duas aixas
etárias muito dierentes no que diz respeito ao desenvolvimento da linguagem. Crianças de
2 a 4 anos estão nos estágios iniciais da aprendizagem da linguagem, enquanto as crianças
de 6 a 8 anos já passaram por estágios anteriores de desenvolvimento e estão em um
estágio mais avançado no uso da linguagem.
QUADRO 1 – PARÂMETROS E RESULTADOS
Tipo de disuência Crianças gagas Crianças não-gagas
Interjeições 3,62 3,13
Repetição de sílaba 5,44 0,61
Repetição de palavras 4,28 1,07
Repetição de frases 1,14 0,61
Revisão de frase 1,30 1,43
Frases incompletas 0,34 0,23
Palavras partidas 0,12 0,04
Prolongamentos 1,67 0,16
Fonte: Johnson (1959)
14FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1
Quando uma criança inicia sua jornada na escola aos 7 anos, ela está começando
a aprender a ler e escrever, ou seja, está no início do processo de alfabetização. Isso é uma
ase importante em que ela está compreendendo a estrutura da língua.
Em 2003, uma pesquisadora chamada Jakubovicz teve uma ideia interessante. Ela
decidiu investigar como as crianças lidam com os momentos em que têm diculdade para
alar uidamente. Ela dividiu as crianças em dois grupos: um com 3 e 4 anos de idade e
outro com 6 e 7 anos. Nenhum dos participantes tinha histórico de gagueira, e seus pais
responderam a perguntas sobre como as crianças se comunicavam.
Em seguida, Jakubovicz pediu para que as crianças contassem uma história, como
a da Chapeuzinho Vermelho ou dos Três Porquinhos. Ela gravou esses relatos, transcreveu
e analisou apenas 100 palavras ditas por cada criança. Os resultados dessa análise estão
resumidos em um quadro, Quadro 2.
Se olharmos para o Quadro 2, podemos notar uma dierença na uência da ala
entre as idades de 3-4 anos e 6-7 anos. Isso sugere que, à medida que a criança cresce
e amadurece, ela tende a superar as diculdades na ala, cando apenas com pequenas
interrupções e repetições de palavras. Portanto, parece que a capacidade de alar uente-
mente é uma conquista que ocorre à medida que a criança adquire e pratica a linguagem.
Outro ponto importante é que, em crianças com idades entre 3 e 7 anos, conside-
ra-se aceitável que 12 a 15% de suas alas tenhamalguma diculdade na uência. Valores
acima desse intervalo indicam que a criança está enrentando diculdades na ala que não
são típicas e que precisam ser observadas com mais atenção.
A disuência apresenta dierentes classicações atribuídas a essas interrupções na
comunicação verbal. Os autores, em geral, concordam quanto à descrição das maniesta-
ções visíveis da gagueira, mas as divergências surgem principalmente no que diz respeito
às diversas causas associadas a esse enômeno.
QUADRO 2 – PARÂMETROS E RESULTADOS
Idades 3-4 6-7
Repetição da sílaba 0,5 0,6
Repetição da palavra 2,7 2,3
Repetição da frase 1,3 0,9
Frases abordadas 2,6 1,8
Interjeições 8,2 6,5
Total das disuências 15,3% 12,1%
Fonte: Johnson (1959)
15FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1
As teorias que explicam a gagueira podem ser divididas em três grupos principais:
orgânicas, psicológicas e sociais.
• Teorias Orgânicas: Essas teorias requentemente relacionam a gagueira a
causas neurológicas, como a epilepsia, afasia, disfunção cerebral mínima, lesões
cerebrais, dominância cerebral, incoordenação motora, retardo na mielinização
das áreas corticais relacionadas à fala, ou a problemas sensoriais e perceptivos,
como a teoria de feedback auditivo retardado. Elas também consideram causas
congênitas, hereditárias, traumáticas, inecciosas, endócrinas, alérgicas, orgâni-
cas, cardiovasculares e metabólicas.
• Teorias Psicológicas: Essas teorias sugerem que a gagueira pode ser um
sintoma de conitos intrapsíquicos, como conitos entre o desejo de alar e a-
tores inconscientes que impedem o sujeito de se expressar. Também exploram
conitos relacionados a alar ou não alar.
• Teorias Sociais: Abordam a causa da gagueira não no indivíduo, mas nas di-
nâmicas de suas relações com outras pessoas. Além disso, existe a categoria de
Teorias de Aprendizagem, que descrevem a gagueira como um hábito adquirido
durante o desenvolvimento da criança. Segundo essas teorias, a disuência nor-
mal da fala pode ser reforçada de maneira negativa, levando ao desenvolvimento
da gagueira.
Em resumo, embora haja um consenso entre os autores sobre os aspectos obser-
váveis da gagueira, as divergências surgem principalmente na tentativa de identicar suas
causas subjacentes. As teorias podem ser agrupadas nas categorias orgânicas, psicológi-
cas, sociais e de aprendizagem, cada uma oerecendo uma perspectiva única sobre esse
enômeno complexo.
Existem várias teorias sobre as causas da gagueira. Algumas delas não se con-
centram em ideias de condicionamento, mas sim na inuência do ambiente e de pessoas
signicativas na vida da criança que gagueja.
Teoria de Wendell Johnson: Wendell Johnson (1961) acreditava que a gagueira é
causada em grande parte pelo julgamento inadequado das pausas normais na ala de uma
criança como sendo gagueira. Quando os pais e pessoas importantes na vida da criança
começam a corrigi-la de maneira excessiva, isso pode interferir no desenvolvimento normal
da fala e, na verdade, causar a gagueira.
Teoria de Bloodstein: Segundo esta teoria, a gagueira resulta de experiências pas-
sadas de diculdades na ala. Ou seja, se uma pessoa teve problemas anteriores ao alar,
isso pode contribuir para o desenvolvimento da gagueira (BLOODSTEIN, 1975)
16FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1
Pesquisa de Van Riper: Van Riper conduziu uma pesquisa na qual encontrou um
número signicativo de pessoas que eram consideravelmente disuentes na ala, mas nunca
se preocuparam com o fato de serem gagas, e não foram julgadas por outras pessoas como
sendo gagas. Ele observou que essas pessoas tiveram pais e proessores compreensivos
durante a inância. Isso sugere que o apoio e a compreensão na inância podemdesempenhar
um papel importante na prevenção da gagueira. Ele se concentra nas relações interpessoais
e no processo de aprendizagem. Van Riper observa que as pessoas que gaguejam geral-
mente não gaguejam quando estão sozinhas, alando com crianças, animais, cantando ou
representando. Isso sugere que a gagueira pode estar relacionada a problemas emocionais
causados pelas circunstâncias em que a pessoa está alando (RIPER, 1971)
Teoria de Sheehan: Ela sugere que a gagueira pode ser causada por conitos inter-
nos na mente da pessoa e por problemas nas relações com outras pessoas, especialmente
quando os pais não aceitam a maneira como a criança ala. A não aceitação az a criança
se sentir culpada, o que pode causar conito. Essa teoria também considera que a gagueira
pode ser causada por problemas na forma como a pessoa se apresenta aos outros, mais
do que ser apenas um problema de ala, é um problema de identidade (SHEEHAN, 1970).
Teoria de Wishner: Ela acredita que a gagueira pode ser desencadeada quando a
criança não é aceita por causa de pequenos problemas de ala, o que a az sentir ansiedade,
pena e vergonha. Esses sentimentos podem levar a uma luta antecipatória, onde a pessoa
começa a esperar gaguejar, o que realmente az a gagueira acontecer. Depois de gaguejar,
a pessoa se sente aliviada da ansiedade, o que pode reorçar o padrão (WISHNER, 1950).
Em resumo, essas teorias exploram diferentes aspectos do desenvolvimento da
gagueira, com ênase na inuência do ambiente e das interações com pessoas signicati-
vas. Elas nos ajudam a entender que a maneira como as pausas na ala são percebidas e
tratadas na inância, bem como experiências passadas com a ala, podem desempenhar
um papel crucial no desenvolvimento da gagueira, essas teorias tentam explicar por que as
pessoas gaguejam, e cada uma delas aborda a gagueira de maneira um pouco diferente.
Algumas pessoas argumentam que as questões psicológicas desempenham um pa-
pel na gagueira. Isso signica que a gagueira pode ser resultado ou um sintoma de problemas
que ocorrem dentro da mente da pessoa. Vamos explorar alguns desses possíveis problemas:
• Conitos internos: Às vezes, as pessoas podem enrentar um conito interno,
onde desejam alar, mas algo no nível inconsciente as impede de azê-lo. Pode
ser como se houvesse uma luta dentro da mente entre o desejo de falar e algo
mais que as impede.
17FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1
• Conito emocional: Outra ideia é que a gagueira pode ser causada por coni-
tos emocionais intensos. Isso signica que sentimentos opostos ou contraditórios
podem estar causando interrupções na fala. Pode ser como se houvesse uma
batalha entre sentimentos opostos que prejudicam a capacidade de alar uen-
temente.
• Desejo de falar, às vezes não falar: Algumas pessoas podem experimentar
um conito duplo, onde desejam alar, mas também têm medo de alar. Isso pode
resultar em momentos de silêncio e ansiedade, onde a pessoa ca dividida entre
sua vontade de se expressar e o medo de fazer isso.
Outros fatores psicológicos, como necessidades sexuais não resolvidas e agressi-
vidade reprimida, também podem desempenhar um papel na gagueira. Esses sentimentos
não resolvidos podem ser liberados de maneira incontrolável durante a fala, causando
interrupções. A ideia é que a gagueira pode estar relacionada a conitos internos e emocio-
nais, bem como a outros atores psicológicos não resolvidos, que aetam a capacidade da
pessoa de alar uentemente.
Os aspectos psicológicos e emocionais relacionados à gagueira, são os esforços
ísicos durante a ala, ansiedade, tensão, medo de alar, conitos em relação ao ato de alar,
alterações siológicas e mudanças no comportamento social devido à gagueira.
IMAGEM 2 - HOMEM PESQUISANDO
Fonte:PEXELS.Disponivelecm:https://www.pexels.com/pt-br/foto/homem-formal-entediado-assistindo-laptop-na-mesa-3760811/
Há mais de 60 anos, os cientistas começaram a estudar a causa genética da ga-
gueira. No início, eles notaram que a gagueira parecia ocorrer mais requentemente em
amílias, sugerindo que poderia ser transmitida de pais para lhos. No entanto, também
18FLUÊNCIA E DISFLUÊNCIAUNIDADE 1
observaram que a gagueira só se maniestava em algunsmembros da amília quando havia
inuência de atores ambientais.
Mais tarde, foi sugerido um novo modelo de transmissão genética da gagueira,
propondo que a condição poderia resultar da interação de vários genes, um modelo deno-
minado poligênico. Assim, ao invés de ser causada por um único gene, a gagueira pode
ser inuenciada pela contribuição de múltiplos genes, tornando o quadro genético mais
complexo do que se pensava anteriormente (JAKUBOVICZ, 2009)
A explicação sobre como a gagueira pode ser transmitida, destacando a inuência de
atores genéticos e ambientais. Segundo eles, a gagueira é maniestada quando há uma predis-
posição genética e exposição a situações ambientais desencadeadoras (JAKUBOVICZ, 2009).
De maneira geral, se olharmos para diferentes grupos de pessoas, os riscos de ga-
gueira são dierentes dependendo de quão próximas são as relações amiliares. A gagueira
é mais comum entre parentes de primeiro grau, como pais e lhos, do que entre parentes
mais distantes, como primos.
Experiências de fuência e disfuência da ala podem variar muito de pessoa para pessoa. Portanto, a aten-
ção à comunicação ecaz e o apoio às necessidades individuais são aspectos importantes a serem conside-
rados em qualquer discussão sobre esse tema.
Fonte: O autor (2023).
A fuência é uma abstração metodológica, baseada na leitura ensaiada ou prossional de um texto escrito,
ou em textos orais decorados e ensaiados. O sujeito fuente é abstrato e integra-se em algum estilo de ala
ou de comportamento social. No entanto, é com esta abstração ou esta ilusão necessária, em termos de
recortes epistemológicos, que se têm constituído os corpora analisados por modelos linguísticos.
Fonte: (SCARPA, 2006, p. 174).
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Plano de Estudos
• Características da gagueira do desenvolvimento;
• Compreensão da gagueira e suas causas;
• Compreensão da gagueira neurogênica;
• Fatores psicológicos envolvidos na gagueira;
• Defnição de taquilalia e taquiemia.
Objetivos da Aprendizagem
• Compreende os conceitos básicos;
• Identifcar as causas;
• Dierenciar entre os distúrbios.
Professor(a) Esp. Ana Paula Taborda do Nascimento
GAGUEIRA DO
DESENVOLVIMENTO,
GAGUEIRA NEUROGÊNICA,
GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA.
UNIDADE
24GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA
UNIDADE 2
FASES DO
DESENVOLVIMENTO
DA GAGUEIRA
TÓPICO
Muitas crianças começam a gaguejar entre os 2 e 5 anos de idade. É comum
pensar que a gagueira passa por dierentes ases de desenvolvimento ao longo do tempo.
Inicialmente, a gagueira pode ser simples, com pequenas repetições e prolongamentos ao
falar. Conforme a criança cresce, a gagueira pode se tornar mais complexa e severa, com
bloqueios e períodos de uência diminuindo.
No entanto, é importante notar que crianças que recebem tratamento para a gagueira
desde o início não necessariamente seguem esse padrão. Quando tratadas precocemente,
a gagueira tende a evoluir da complexidade para a simplicidade e pode perder parte de sua
severidade. Por outro lado, crianças não tratadas desde o início podem ver a gagueira se
tornar mais complexa com o tempo.
A gagueira pode evoluir de simples para complexa à medida que a criança cresce,
mas o tratamento precoce pode ajudar a reverter esse processo, tornando a gagueira me-
nos complexa e severa.
O quadro 1 mostra a porcentagem de crianças que possuem maneiras de gaguejar
dierentes. O quadro oi elaborado por (WARD; SCOTT, 2011)
Foi eito um estudo que alcançou as idades de 2 a 16 anos. O número de sujeitos
pesquisados em cada aixa etária está no quadro (N =), em um total de 418 sujeitos. Não
oi um longitudinal, o que quer dizer que não nos dá ideia de como o comportamento da
gagueira se modicou em uma criança especíca.
Segundo as descobertas de Blodstein (1960), a gagueira tem uma essência que
envolve pequenas repetições e prolongamentos ao alar, e essa essência tende a diminuir
com o tempo. À medida que as pessoas envelhecem, é observado que essas repetições e
prolongamentos se tornam menos requentes.
25GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA
UNIDADE 2
Por outro lado, os bloqueios ou momentos em que a ala ca presa, que são carac-
terísticas da gagueira mais severa, tendem a aumentar à medida que a gagueira progride.
Além disso, os sintomas associados, como maneirismos na fala, também tendem a se
tornar mais evidentes.
Contrariando o que se poderia esperar, a uência da ala, ou seja, osmomentos em que
a pessoa ala sem gaguejar, tende a diminuir à medida que a gagueira se torna mais severa.
É interessante observar que situações e palavras diíceis de pronunciar geralmente começam
a ser mais problemáticas por volta dos 6-7 anos e se tornam mais diíceis com o tempo. As
antecipações sobre quando ocorrerá a gagueira e as substituições de palavras geralmente
aparecem mais tarde, por volta dos 8-9 anos, indicando que a criança começa a ter emoções
como medo e ansiedade depois que a gagueira se desenvolveu. O comportamento de evitar
alar começa a surgir quando as crianças têm cerca de 4 a 5 anos e progride à medida que
a gagueira se desenvolve. Isso sugere que, no início, a gagueira não está ligada a emoções.
Em resumo, os dados indicam que a gagueira não permanece constante ao longo
dos anos. Pelo contrário, ela muda com o tempo à medida que o medo de alar e o estresse
de se comunicar se desenvolvem.
Com base em suas pesquisas, Blodstein (1960) ormulou o que ele descreveu como
“ases da gagueira”. Ele percebeu que o desenvolvimento da gagueira segue um padrão
típico, mas não é universal, ou seja, varia de pessoa para pessoa. Blodstein identicou
quatro ases que representam um contínuo, no qual alguns indivíduos se enquadram em
uma das fases e outros estão em uma fase de transição.
QUADRO 1- PORCENTAGEM DE CRIANÇAS QUE POSSUEMMANEIRAS DIFERENTES DE
GAGUEJAR.
IDADES
2-3
N = 30
4-5
N = 74
6-7
N = 79
8-9
N= 60
10-11
N = 79
12-13
N = 47
14-15
N = 49
Pequena repetições 30% 34% 28% 37% 30% 9% 8%
Prolongamentos 43% 32% 18% 18% 11% 4% 4%
Contatos presos 40% 32% 44% 45% 53% 51% 53%
Sintomas associados 33% 39% 57% 58% 57% 64% 65%
Períodos uentes 47% 45% 27% 10% 10% 9% -
Situações difíceis de falar 27% 67% 71% 75% 72%
Achar as palavras difíceis
de falar
82% 62% 72% 73%
Antecipação da gagueira 38% 45% 62% 71%
Substituição de palavras 48% 65% 66% 83%
Evitar falar 5% 11% 17% 28% 40% 45%
Fonte: (JAKUBOVICZ, 1997)
1.1 – Fase l (Inicio entre 2 e 6 anos)
A gagueira em crianças possui características especícas:
26GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA
UNIDADE 2
• Episódica:A gagueira tende a ocorrer em episódios, ou seja, em determinados
períodos. Às vezes, a ala ui pereitamente, sem qualquer gagueira. Durante
essa fase, uma grande parte das crianças apresenta recuperação espontânea, o
que signica que a gagueira desaparece sem a necessidade de tratamento.
• Desencadeantes: A criança gagueja quando está excitada, aborrecida, tem
muito a dizer ao mesmo tempo, ou está sob pressão para se comunicar. Nessas
situações, as repetições na fala são mais proeminentes.
• Repetições predominantes: Na gagueira infantil, a predominância recai nas
repetições de sons ou sílabas. Em alguns casos, a repetição é o único sintoma
visível. Geralmente, as repetições ocorrem no início das palavras. 4. Início da
rase: Há uma tendência para a gagueira ocorrer no início de uma rase. Algumascrianças só gaguejam na primeira palavra da frase.
• Palavras especícas: As palavras que tendem a desencadear a gagueira são
requentemente pronomes, conjunções, artigos e preposições.
• Comportamento da Criança: Nessa faixa etária, as crianças normalmente
não se preocupam com a gagueira nem são conscientes das repetições que
ocorrem na ala. Algumas podem car rustradas e reagir de dierentes maneiras,
como parar de alar ou azer birras, quando se sentem incapazes de se comunicar
ecazmente devido à gagueira.
1.2 - Fase II (início aos 4 anos até a idade adulta)
Características:
• Crônica: A gagueira, em idades posteriores, é requentemente considerada
crônica, o que signica que ocorre com poucos ou muito poucos momentos de
ala uente.
• Autoconceito negativo:Acriança que gagueja nessa ase tende a se ver como
alguém que gagueja, o que pode levar a um conceito negativo de si mesma em
relação à fala.
• Ampliação dos tipos de palavras afetadas:Agagueira é observada em diver-
sas categorias gramaticais, incluindo substantivos, verbos, adjetivos e advérbios.
• Menos gagueira no início das palavras: Há menos tendência para a gagueira
ocorrer no início das palavras, e mais fragmentação de palavras pode ser notada.
Menos repetições de sílabas: As repetições de sílabas são menos comuns nesta fase,
embora a criança possa já ter desenvolvido um autoconceito de “gago”. No entanto, a
criança geralmente não demonstra preocupação com as diculdades na ala.
• Aumento da gagueira sob estresse ou excitação:A gagueira pode aumentar
quando a criança está excitada ou precisa alar mais rapidamente. Isso se torna
mais sintomático nesta fase.
27GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA
UNIDADE 2
A gagueira em idades posteriores é requentemente crônica, aetando várias ca-
tegorias de palavras, com menos repetições de sílabas, mas um autoconceito negativo
associado à gagueira e uma tendência a piorar sob estresse ou excitação.
1.3 – Fase III (início aos 8 anos até a idade adulta)
Características:
• Gatilhos Especícos:A gagueira geralmente começa e termina em resposta a
certas situações, como falar ao telefone, falar alto na sala de aula, conversar com
pessoas desconhecidas ou fazer compras.
• Diculdade com Sons: Algumas palavras ou sons se tornam mais difíceis de
pronunciar do que outros durante a gagueira. Substituição de Palavras: Pode
haver substituição de palavras durante a fala gaguejada, onde a pessoa tenta
evitar palavras difíceis.
• Medo de Sons: Às vezes, há um medo de sons ou onemas especícos que
podem causar a gagueira.
• Antecipação: A pessoa pode antecipar que vai gaguejar, o que pode aumentar
a ocorrência da gagueira.
• Não Evitar a Fala: Geralmente, não é comum que a pessoa evite alar ou evitar
situações de comunicação devido à gagueira.
• Falta de Embaraço: Aqueles que gaguejam normalmente não experimentam
um forte medo ou embaraço em relação à sua fala.
1.4 – Fase IV (dos10 anos até a idade adulta)
Características:
• Antecipação da Gagueira: A pessoa muitas vezes prevê que vai começar a
gaguejar antes mesmo de falar.
• Medo de Palavras e Sons: Existe um medo associado a certas palavras, sons
e situações sociais que podem desencadear a gagueira.
• Substituição de Palavras: A substituição requente de palavras que a pessoa
considera difíceis de pronunciar é comum.
• Evita situações na Fala: Pessoas com gagueira costumam evitar situações
de ala, evitando alar em público ou evitando situações de comunicação social.
• Medo e Vergonha: A gagueira pode causar medo de falar e vergonha durante
a comunicação.
• Sensibilidade às Reações do Outro: A pessoa que gagueja tende a ser sen-
sível às reações e julgamentos dos ouvintes.
28GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA
UNIDADE 2
• Gagueira Crônica:A gagueira, em muitos casos, pode se tornar uma condição
crônica, persistindo ao longo do tempo.
Vamos a mais exemplos, as conexões entre a habilidade de alar, as emoções
e o processo de pensamento. Considere uma criança de 3 a 4 anos que volta da escola
empolgada para compartilhar suas experiências com os pais. Ela deseja contar tudo de
uma vez, e nesse contexto, tanto sua capacidade cognitiva quanto sua habilidade motora
são aetadas, resultando em hesitações, repetições e bloqueios na ala.
Agora, imagine essa mesma criança em ambientes amiliares nos quais todos ao
seu redor dominam a linguagem melhor do que ela. Isso pode criar um sentimento de alta
de oportunidade para falar, expectativas de se expressar bem e ansiedade, afetando tanto
sua cognição quanto sua motricidade
Além disso, considere adolescentes e adultos em sala de aula, enfrentando a tarefa
de apresentar um seminário. Essas situações podem gerar insegurança, ansiedade, pres-
são e expectativas, todas essas emoções podem intererir na uidez da ala, prejudicando
o pensamento e a motricidade, resultando em interrupções durante a apresentação.
É fundamental ressaltar, considerando os exemplos mencionados anteriormente,
que não podemos estabelecer de antemão (como alguns azem) o limite entre a gagueira
considerada natural e aquela que é considerada anormal. Devemos abordar a produção da
ala com uma compreensão das inuências motoras, emocionais e cognitivas, sem precon-
ceitos, e começar a desenvolver uma perspectiva cientíca própria na área de Fonoaudio-
logia em relação às características da produção da fala individual. Isso nos permitirá afastar
as denições pré-concebidas sobre o que é considerado normal e patológico na uência da
fala, evitando idealizações da atividade de falar e o estigma associado à gagueira
29GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA
UNIDADE 2
GAGUEIRA
NEUROGÊNICA
TÓPICO
Agagueira neurogênica é um termo criado porWARD e SCOTT (2011) para descre-
ver a alta de uência na ala que resulta de danos no sistema nervoso central. Acredita-se
que a gagueira neurogênica seja o tipo mais comum de gagueira adquirida.
Diversos termos têm sido usados para reerir-se à gagueira resultante de danos no
sistema nervoso central. Algumas alternativas menos comuns, e talvez não recomendáveis,
incluem “gagueira neurológica”
Esses rótulos se referem à natureza ou à localização da lesão cerebral subjacente,
como a gagueira associada ao acidente vascular cerebral e a gagueira cortical. Esses rótu-
los podem ser apropriados para descrever casos nos quais a gagueira está relacionada a
um acidente vascular cerebral ou a uma lesão cerebral em uma região especíca.
O mecanismo siopatológico da gagueira neurogênica ainda não é completamente
compreendido. Ela pode estar associada a diversas patologias e lesões em diferentes áreas
do cérebro. A gagueira neurogênica não está necessariamente ligada a danos em uma
área especíca do cérebro, mas pode envolver várias estruturas neurológicas que azem
parte da rede neural da ala. Essas estruturas podem incluir os quatro lobos de ambos os
hemisférios cerebrais, a substância branca, os gânglios da base e o tálamo cerebral.
Agagueira neurogênica, na maioria dos casos, é resultado de um acidente vascular
cerebral. Ela não está limitada a uma lesão em uma região especíca do cérebro, mas é
resultado da complexa rede de conexões gânglio-corticais e cortiço-basais, que envolvem
várias áreas cerebrais, incluindo o córtex frontal inferior, córtex temporal superior, córtex
30GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA
UNIDADE 2
intraparietal, gânglios da base e suas interconexões na substância branca por meio do
fascículo longitudinal superior e da cápsula interna. Essas áreas desempenham um papel
crucial na rede neural sensorial e motora envolvida na produção da fala. Portanto, uma ou
mais lesões nessa rede podem desencadear a gagueira neurogênica, mas não estão ne-
cessariamenterelacionadas ao número de lesões no cérebro ou à gravidade da gagueira.
Além de lesões traumáticas, a gagueira neurogênica pode ter outras causas, como
cistos, neoplasias, doenças degenerativas (como Parkinson e esclerosemúltipla), meningites,
síndrome de Guillain-Barré, HIV, epilepsia e o uso excessivo de certos medicamentos. Essas
condições podem causar disuências na ala, conhecidas como gagueira armacológica.
2.1 – Sintomatologia da gagueira neurogênica
Agagueira neurogênica está comumente relacionada a eventos cerebrovasculares,
ou, em certos casos, pode surgir vários meses após o diagnóstico de um problema médico.
Os sintomas da gagueira neurogênica são detalhados na Tabela 1- Sintomas da gagueira
neurogênica.
TABELA 1. SINTOMAS DA GAGUEIRA NEUROGÊNICA
Repetição de sílabas e sons, enquanto os bloqueis são menos requentes
As disuências são quase tão comuns com palavras substantivas como com palavras
não substantivas
O falante pode parecer preocupado com a gagueira, mas não demonstra ansiedade em temos
de repetições ou prolongamentos, e os bloqueios aparecem em qualquer lugar de uma pala-
vra ou enunciado, ao contrário da posição inicial da palavra na gagueira do desenvolvimento
Os sintomas secundários raramente ocorrem, mesmo que ocorram caretas aciais, piscar
e cerrar os punhos, não está vinculado a momentos de disuências
Não há efeito de adaptação
Há consistência na gagueira nas dierentes tareas de ala (conversação, explicação,
repetição e leitura)
As pessoas requentemente apresentam sinais adicionais de aasia e disartria
Fonte: (JANUZOVIC; SINANOVIC; MAJIC, 2021)
Agagueira neurogênica pode levar a uma autoimagem negativa, sentimentos de inapti-
dão social e, como resultado, ao isolamento social. Isso, por sua vez, tem um impacto negativo
na qualidade de vida da pessoa. Portanto, identicar a gagueira neurogênica demaneira precisa
e rápida pode ajudar a reduzir ou até mesmo evitar essas diculdades na comunicação.
31GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA
UNIDADE 2
GAGUEIRA
PSICOGÊNICA
TÓPICO
A gagueira psicogênica costuma estar associada a questões psicológicas ou
traumas emocionais. Anteriormente, era referida como “gagueira histérica”, embora esse
termo não seja mais utilizado em estudos mais recentes. Outra designação anteriormente
utilizada é “gagueira traumática” (WARD; SCOTT, 2011).
Não existe um consenso claro em relação à gagueira psicogênica, e o termo
é geralmente reservado para casos nos quais a alta de uência na ala está
claramente relacionada a uma psicopatologia diagnosticada (ASHA, 1999).
No entanto, Baumgartner (1999) argumenta que a presença de psicopatologia
nem sempre é necessária para que a gagueira seja considerada psicogênica.
Alguns especialistas deendem a distinção entre a disuência com e sem psicopa-
tologia comprovada, desde que haja justicativas sólidas para essa dierenciação. Aqueles
que excluem a disuência sem psicopatologia diagnosticada da denição de gagueira psi-
cogênica armam que nesses casos os sintomas continuam a se desenvolver da mesma
orma que na gagueira que se inicia na inância sem qualquer evento traumático.
Em casos com psicopatologia comprovada, os sintomas geralmente não continuam
a se desenvolver, mas nem todos os pacientes com gagueira e um diagnóstico psiquiátrico
apresentam recuperação completa. (WARD; SCOTT, 2011)
Em outros casos, pode ser diícil obter um diagnóstico psiquiátrico, pois o paciente
pode optar por não se submeter a uma avaliação psiquiátrica.
32GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA
UNIDADE 2
Segundo a perspectiva do autor Baumgartner (1999), o rótulo de gagueira psico-
gênica poderia ser aplicado em situações nas quais existam evidências de que a origem
da alta de uência na ala está relacionada a atores psicológicos ou traumas emocionais.
É importante ressaltar que a simulação da gagueira, ou seja, ngir ter gagueira, não
se enquadra na categoria de gagueira psicogênica. A simulação envolve a exageração dos
sintomas com o objetivo de obter algum tipo de benefício, como evitar situações desagra-
dáveis. Em contraste, as pessoas com gagueira psicogênica produzem disuências na ala
de forma consciente e intencional, devido a fatores emocionais ou psicológicos.
33GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA
UNIDADE 2
DIFERENÇA DA
GAGUEIRA PSICOGÊNICA
E NEUROGÊNICA
TÓPICO
A distinção entre gagueira psicogênica e neurogênica é um desao devido à escassez
de inormações na literatura disponível. O diagnóstico dierencial entre gagueira neurogênica
e psicogênica é complicado para os prossionais de saúde, uma vez que os sintomas podem
ser semelhantes ou se sobrepor. Algumas das características da gagueira psicogênica e neu-
rogênica que podem ser úteis no processo de dierenciação são apresentadas na Tabela 2.
TABELA 2. CARACTERÍSTICAS DA GAGUEIRA INDICANDO POSSÍVEL GAGUEIRA PSICOGÊNICA/
NEUROGÊNICA.
Gagueira psicogênica Gagueira neurogênica
Súbito – ormas Início repentino
Incomuns deuências, como repetição múlti-
plas de todos os fonemas, seguidas de caretas
faciais, acenos de cabeça e movimentos seme-
lhantes a tremores
Repetições, prolongamento, bloqueio em todas
as posições das palavras
A consistência da gagueira por meio de dieren-
tes tareas de ala, o signicado simbólico do
transtorno atual
Repetições, prolongamentos, bloquei em todas
as posições da palavra
As disuências ocorrem durante a ala em qual-
quer lugar de uma palavra ou enunciado
Consistência da gagueira através de dierentes
tarefas da fala
Uma pessoa pode ser indiferente ao seu dis-
curso
Disuências ocorrem durante a ala em qualquer
lugar de uma palavra ou enunciado
Qualidade de voz bizarra
Uma pessoa muitas vezes anto tem consciên-
cia do transtorno, mas pode car rustrada com
sua fala
Dados anamnésicos indicam história de pro-
blemas emocionais (transtorno de personalida-
de, transtorno de estresse pós-traumático, de-
pendência de drogas, ansiedade ou depressão)
O diagnóstico de psicopatologia não é necessário
34GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA
UNIDADE 2
Apessoa da impressão de aderir a determinado
padrão de disuência e continua gaguejando
em condições que melhoram a uência e du-
rante a imitação de movimentos mímicos
Após expressar informações emocionai, ocorre
melhora repentina da uência
Após um curto período é observado um pro-
gresso rápido e satisfatório
Piora dos sintomas ao realizar tarefas mais
simples
Piora da gagueira durante a releitura do mesmo
texto
Movimentos bizarros como: cabeça e olhos e
sinais de ansiedade não relacionados com a
produção da fala
Construções gramaticais incomuns
A existência de um episódio ocasional de ga-
gueira ou gagueira em situação especíca.
Fonte: (BOLSEL, 2014)
35GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA
UNIDADE 2
TAQUILALIA
TÓPICO
A taquilalia reere-se ao tempo da ala. A ala taquilálica é atropelada no tempo,
uma palavra agrupada com a outa. É um problema associado a uma disfunção no sistema
nervoso central. O ritmo da ala é muito mais rápido do que o normal, e a ala é desorga-
nizada. A sequência dos sons está alterada, tornando a linguagem incompreensível. Não
há consciência do problema nem componentes emotivos envolvidos. Se houver tensão
muscular, ela será imperceptível.
Ao mesmo tempo, a Classicação Internacional de Doenças reconhece a taquilalia
como a ocorrência de uma taxa de elocução ou articulação (velocidade da ala) tão elevada
que aeta consideravelmente a capacidade de compreensão da mensagem. Nesses casos,
não há um aumento notável no número de hesitações ou disuências comuns, como gague-
jo, e não são observadas outras alterações na linguagem, como diculdades na estruturadas frases ou problemas na organização do discurso mais amplo, tornando-o confuso.
36GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA
UNIDADE 2
TAQUIFEMIA
TÓPICO
A taquiemia é um distúrbio da uência verbal no qual uma pessoa ala em uma
velocidade alta, rápida e irregular, resultando em uma fala desorganizada e confusa. Isso
leva a mudanças nas sílabas, como omissões e pausas desnecessárias, e também pode
distorcer os sons da fala.
Os onoaudiólogos geralmente concordam que a taquiemia e a gagueira são dois
distúrbios distintos da uência. No entanto, a pesquisa sobre a taquiemia tem sido limitada,
e um desao no diagnóstico e tratamento dessa condição é que ela muitas vezes ocorre
em combinação com outros distúrbios, alguns relacionados à ala/linguagem e outros não.
O diagnóstico dierencial entre taquiemia e gagueira é complicado, uma vez que
esses transtornos compartilham características semelhantes e requentemente coexistem.
A taquiemia ocorre principalmente em situações de ala não uente.
O termo “taquiemia” abrange uma variedade de sintomas e características que se ma-
niestam em graus variados nas pessoas aetadas. Nenhum único aspecto isolado é suciente
para determinar o diagnóstico; é a combinação de certos traços que dene essa condição.
Alguns autores sugerem que a taquiemia pode envolver não apenas problemas de ala, mas
também comportamento motor não verbal, traços de personalidade e décits de atenção.
A pesquisa sobre a taquiemia é importante não apenas para aprimorar os métodos
de tratamento, mas também para fornecer insights valiosos sobre os processos normais
subjacentes à ala, linguagem e atenção. Compreender a taquiemia é undamental para
o estudo da gagueira, pois esses distúrbios são requentemente interligados, embora
contrastantes. É importante observar que a taquiemia é um distúrbio heterogêneo, o que
signica que pode ter causas e subgrupos dierentes.
37GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA
UNIDADE 2
A taquiemia é associada a uma área especíca no cérebro, localizada na parede
medial do lobo rontal esquerdo, no córtex que ca entre os hemisérios cerebrais.
FIGURA 1. A PAREDEMEDIAL DO HEMISFÉRIO ESQUERDO.
Fonte: (WARD; SCOTT, 2011)
A gura 1 mostra as regiões propostas para constituir um centro executivo para a
produção de discurso estão marcadas em cinza: o cogACC, O PreSMA e a SMA propria-
mente dito, com divisão aproximada do ACC adicionada, com base e revisão de dados de
vários estudos (WARD; SCOTT, 2011).
Isso sugere que o córtex rontal medial desempenha um papel undamental na produ-
ção da fala espontânea, trabalhando em conjunto com as áreas tradicionais de fala e linguagem
no hemisério esquerdo, como as áreas de Wernicke e Broca. Acredita-se que o córtex medial
tenha uma função de coordenação na fala espontânea, envolvendo motivação para falar, pla-
nejamento de frases, recuperação de palavras, elementos sintáticos e código fonológico das
regiões laterais do córtex, além de executar a sequência motora e monitorar a saída da ala.
As regiões-chave envolvidas na taquiemia parecem ser, o córtex cingulado anterior (ACC), o
pré-SMA e o próprio SMA, junto com a contribuição dos circuitos dos gânglios basais.
O ACC é visto como tendo funções semelhantes a um “executivo central”, desem-
penhando um papel central na atenção intencional e no monitoramento de erros de alto
nível. O ACC, juntamente com o pré-SMA, desempenha um papel crítico na montagem da
rase, desde o sequenciamento até a seleção de palavras e ormas de palavras. O tempo
de articulação é controlado principalmente pela SMA, com o suporte dos gânglios basais e,
em grande parte, através de conexões auditivas com o ACC e o SMA.
38GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA
UNIDADE 2
FIGURA 2 ALÇAS DOS GÂNGLIOS DA BASE, EM CORTE TRANSVERSAL DE UM ÚNICO
HEMISFÉRIO.
Fonte: (MORENO; BAAMONDE, 2003).
A gura esquemática mostra uma alça motora começando e terminando na área
motora suplementar (SMA), passando pelo putâmen (parte do corpo estriado) e pelo tála-
mo. A gura também mostra a cauda do núcleo caudado (parte do corpo estriado) em corte
transversal. ACC: córtex cingulado anterior.
6.1 – Sintomas e características da taquifemia
Os sintomas da taquiemia a outros distúrbios neurológicos e sugeriu que a taquie-
mia é resultado de uma disfunção no sistema dos gânglios da base. O neurologista.
Os traços de desordem cerebral após danos ou doenças cerebrais geralmente
ocorrem após lesões no sistema dos gânglios da base, como no caso da doença de Parkin-
son. Os sintomas motores da ala na taquiemia geralmente envolvem uma alta velocidade
de ala, articulação inadequada com conusão na mistura de sons e erros na sequência de
fonemas, como “gleen glass” em vez de “grama verde” ou “bo gack” em vez de “voltar”.
Além disso, a prosódia da ala é requentemente reduzida. Em muitos casos, esses
sintomas são altamente inuenciados pela atenção, e a ala pode temporariamente parecer
normal quando um gravador é ativado). (WARD; SCOTT, 2011).
39GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA
UNIDADE 2
DIFERENÇAS ENTRE
TAQUILALIA E
TAQUIFEMIA
TÓPICO
A taquilalia e a taquiemia são dois distúrbios de ala que envolvem a velocidade e
o ritmo da produção da fala, mas existem algumas diferenças fundamentais entre eles:
Taquilalia:
• Denição: Taquilalia reere-se a uma condição em que a ala é produzida a
uma velocidade anormalmente rápida.
• Fluência: Geralmente, as pessoas com taquilalia têm uma ala uente e sem
interrupções signicativas, mas a velocidade é anormalmente alta.
• Causas: Pode ser causada por fatores neurológicos, como uma lesão cerebral
ou distúrbio neurológico.
• Controle: Geralmente, as pessoas com taquilalia têm controle adequado sobre
a articulação das palavras, mas a taxa de produção é aumentada.
• Taquiemia:
• Denição: A taquiemia é um distúrbio de ala caracterizado por uma ala rápi-
da, incoerente e requentemente interrompida.
• Fluência: As pessoas com taquiemia tendem a apresentar interrupções na ala,
como bloqueios ou repetições de sons, ou palavras, devido à velocidade excessiva.
• Causas: Pode ser causada por fatores emocionais ou psicológicos, como an-
siedade ou estresse.
• Controle:A taquiemia pode resultar em uma perda de controle sobre a uência
da fala, levando a interrupções e repetições.
Em resumo, a principal dierença entre taquilalia e taquiemia está na uência da ala.
Taquilalia se reere a uma ala rápida, mas normalmente uente, enquanto a taquiemia en-
volve uma ala rápida e requentemente desordenada, com interrupções e repetições. Ambos
os distúrbios podem ter causas dierentes, com a taquilalia muitas vezes associada a atores
neurológicos e a taquiemia requentemente ligada a atores psicológicos ou emocionais.
40GAGUEIRA DO DESENVOLVIMENTO, GAGUEIRA NEUROGÊNICA, GAGUEIRA PSICOGÊNICA,
TAQUILALIA, TAQUIFEMIA
UNIDADE 2
Dizer que uma pessoa é fuente, apresenta uma ala com fuência, implica a pressuposição de uma ala
com disfuências livres de comprometimento de julgamentos, do sujeito e do outro, na ala. Neste sentido,
armar que não existe fuência (ou que não existe fuência absoluta) torna-se também um contrassenso,
dentro de uma perspectiva que assume o posto de observação da língua a partir de seu uso social e
concreto, já que a fuência é sempre composta por disfuência. (SANTOS, 2015, p.28)
Cada um desses distúrbios possui características distintas e muitas vezes complexas, tornando o diagnós-
tico e dierenciação entre eles um desao. A compreensão dessas condições é essencial para prossionais
de saúde, como onoaudiólogos, no diagnóstico e tratamento adequados.
(Autor 2023)
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Plano de Estudos
• Importância da anamnese na avaliação da luência;
• Desenvolver habilidades de entrevista para coletar inormações relevantes;
• Método de avaliação, como escalas, questionários e observação;
• Identifcação de sintomas e características dos distúrbios da luência;
• Técnicas de gravação de amostra de ala;
• Prática na coleta de amostras de ala de pacientes;
• Taxa de articulação, pausas, prolongamentos e outros parâmetros;
• Analise quantitativa e qualitativa da luência;
• Abordagens terapêuticas.
Objetivos da Aprendizagem
• Aprimorar Habilidades de Avaliação;
• Dominar técnicas de coletas de Amostras de ala;
• Identifcar Parâmetros da Fluência;
• Desenvolver Planos de Tratamento Personalizados;
• Avaliar a efcácia do tratamento..
Professor(a) Esp. Ana Paula Taborda do Nascimento
AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA,
ANAMNESE, COLETA E ANÁ-
LISE DE AMOSTRAS DE FALA,
PARÂMETROS DA FLUÊN-
CIA, TRATAMENTO DOS
DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA.
UNIDADE
46AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME-
TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA
UNIDADE 3
Avaliação e Tratamento em Crianças: Enoque na Observação e Orientação aos
Pais, a avaliação em crianças é descrita como iniciando com a observação direta da intera-
ção entre pais e lho, seguida de uma entrevista para discutir as observações. A necessida-
de de abordar crenças dos pais sobre a hereditariedade da gagueira é destacada, visando
tranquilizá-los quanto à sua não culpabilidade.
Tratamento em Crianças: Estratégias Graduais para Construir Fluência o tratamen-
to em crianças é ilustrado com um exemplo prático, introduzindo uma abordagem gradual
para construir uência. O texto destaca a importância de envolver a criança em atividades
relaxantes enquanto prática ala, passando por dierentes níveis de complexidade.
Anamnese, Avaliação e Tratamento em Adultos: Desaos e Abordagens Terapêu-
ticas, o texto aborda a complexidade da avaliação e tratamento em adultos, ressaltando a
consciência dos próprios sintomas pelos pacientes. Questões relevantes para a anamnese
em adultos são apresentadas, explorando a história da gagueira, sua relação com o estres-
se e seu impacto na vida social e prossional.
Terapia de Gagueira emAdultos: Enoque na Mudança de Comportamentos e Atitu-
des. A terapia em adultos é discutida com base em três teorias: aprendizagem, cibernética
(propriocepção) e psicoterapia. O texto enfatiza a mudança de comportamentos e atitudes
como objetivos-chave, visando modicar padrões de ala adquiridos ao longo do tempo. A
importância do controle emocional, adaptação ao estresse e construção de hierarquias de
diculdades são destacadas nas dierentes ases da terapia.
Em resumo, a anamnese da gagueira emcrianças e adultos envolve uma compreen-
são holística, explorando fatores genéticos, ambientais, comportamentais e emocionais. O
texto destaca a importância da prevenção, observação cuidadosa, orientação aos pais e
abordagens terapêuticas adaptativas para enrentar essa condição de maneira abrangente.
Está preparado(a)?! Então vem comigo!
Bons estudos!
ANAMNESE DE
GAGUEIRA EM
CRIANÇAS
TÓPICO
47AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME-
TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA
UNIDADE 3
Não há dúvida de que a gagueira tem início na inância e, ao longo dos anos, sua
intensidade tende a aumentar. A questão da hereditariedade da gagueira também surge, com
estudos indicando que cerca de 60% dos casos podem ter uma base genética. No entanto,
ainda alta compreender como os genes inuenciam a ala de uma criança a ponto de desenca-
dear a gagueira. Além disso, a explicação para casos comprovados de cura ou remissão total
de gagueira, especialmente em crianças, permanece um desao, considerando que existem
traços genéticos, como a cor dos olhos ou dos cabelos, que não são aetados pelo ambiente.
A possibilidade de a gagueira ser um gene recessivo e se sorer inuências do am-
biente é uma incerteza. Tudo indica que a hereditariedade é apenas uma das inuências,
conorme evidenciado em estudos nos quais, mesmo entre gêmeos idênticos, alguns pares
não apresentavam gagueira. Isso sugere que atores ambientais também desempenham
um papel. A fala, sendo uma atividade motora sensível, pode ser facilmente afetada pela
emoção e inuências ambientais. Mudanças de ambiente regional demonstram a rápida
assimilação do modo de alar da região, indicando que irmãos criados no mesmo ambiente
podem inuenciar mutuamente suas maneiras de alar, tornando a gagueira de um poten-
cialmente “contagiante” para o outro.
Em última análise, pode haver atores desconhecidos ou diversos elementos que
predispõem um indivíduo à gagueira. Em alguns casos, fatores circunstanciais podem
desencadear a gagueira em crianças predispostas, enquanto em outros, a predisposição
pode estar presente, mas o ambiente pode contribuir para a uência da ala, ou vice-versa.
Eva Lauer conduziu uma pesquisa cujos resultados oram apresentados no I
Congresso Internacional de Prossionais em Fonoaudiologia em 1983 e posteriormente
publicados no Jornal Brasileiro de Reabilitação, no ano 4, número 15, volume IV, em 1984.
48AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME-
TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA
UNIDADE 3
O estudo tinha como objetivo identicar possíveis dierenças auditivas entre a gagueira
siológica, também conhecida como disuência normal, e a gagueira como uma entidade
já declarada e reconhecida.
Os pesquisadores observaram que a gagueira siológica não estava relacionada
à gagueira já estabelecida. A gagueira manifesta, ao contrário, desenvolver-se a partir de
uma disuência normal que se intensica ao longo do tempo, iniciando-se quando os pais
ou o ambiente começam a pressionar a criança para modicar sua maneira de alar.
A pesquisa envolveu a gravação de discursos espontâneos de crianças com idades
entre 3 e 6 anos. Critérios oram estabelecidos para auxiliar na dierenciação entre disuên-
cia normal e gagueira declarada. As crianças selecionadas incluíam aquelas em tratamento
onoaudiológico, aquelas não consideradas gaguejantes pelos pais e o irmão gêmeo de
uma criança julgada como tendo gagueira. Assim, havia duas crianças uentes, sendo uma
delas o irmão gêmeo. As idades das crianças variaram entre 3 anos e 6 meses, 4 anos, 5
anos e 9 meses, e 5 anos e 9 meses.
A análise da disuência oi realizada em ambiente clínico durante interações te-
rapeuta-criança, seja em situações de jogo ou conversas informais. Em todos os casos
estudados, apenas 100 palavras foram transcritas e analisadas (Quadro 1.1).
QUADRO 1 – COMPARATIVO DAS QUATRO CRIANÇAS ESTUDADAS
Disuência
Total nas duas
Crianças gagas
Total nas duas
Crianças uentes
Repetição de sílabas, de palavras e de frases
Pausas
Prolongamentos
31
5
23
13
2
8
Fonte: Jakubovicz, 2009
Na análise qualitativa, observou-se que o irmão gêmeo que gagueja apresenta
variações na tonalidade da voz, indo de um tom grave a agudo em algumas ocasiões. A
análise quantitativa revelou que o irmão gago repete, em média, quatro vezes a mesma
palavra, enquanto seu irmão uente repete no máximo duas vezes. No total, o primeiro
apresenta mais do que o dobro de disuências do que o segundo, o que provavelmente
levou a mãe a considerar um lho como gago e o outro como uente.
Os resultados chamaram a atenção, pois nenhum dos quatro sujeitos poderia ser
considerado uente na verdadeira acepção da palavra. A pesquisa conduzida por Jakubo-
viczR. e Lauer Eva (1983) oi considerada válida e útil, embora com dados ainda insu-
cientes. O estudo inicial pode ser visto como um passo primordial para uma investigação
mais aproundada, considerando aspectos adicionais, como um número maior de sujeitos
avaliados e uma análise psicolinguística mais detalhada.
Os dados coletados proporcionaram a base para algumas conclusões sobre uência,
disuência siológica e gagueira do desenvolvimento. Recomenda-se analisar minuciosamen-
49AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME-
TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA
UNIDADE 3
te o discurso de crianças cujos pais estão preocupados com sua fala, prestando atenção à
presença de tensão vocal e ao número excessivo de repetições, bloqueios e prolongamentos.
Intervenções terapêuticas devem ocorrer ao perceber sinais de alerta, pois há uma boa chance
de evitar o aumento das disuências e tornar a gagueira mais resistente ao tratamento.
Quanto à pesquisa sobre uência e disuência em crianças em idade de aquisição,
as pesquisadoras (Lauer E. e Jakubovicz R.) perceberam que haviam surgido mais ques-
tionamentos do que respostas. Isso levou à conclusão de que uma nova pesquisa seria
necessária para explorar abordagens diferentes na compreensão da gagueira infantil.
Ao abordar as concepções sobre a gagueira inantil, dierentes especialistas têm visões
divergentes, criando incertezas sobre o que as pessoas realmente conhecem sobre o tema. A
questão de dar ouvidos aos pais que buscam esclarecimentos sobre a gagueira é levantada. É
salientado que a escuta deve ser desprovida de conceitos preestabelecidos, e é crucial ajudar
as amílias a lidar com o problema, sem discriminar qualquer queixa apresentada.
Os pais, muitas vezes, não compreendem exatamente o que signica ser uente,
conundindo uência com outros distúrbios da ala. A necessidade de inormação precoce
sobre o desenvolvimento da linguagem, os sinais de preocupação válidos e a importância
de procurar prossionais qualicados, como onoaudiólogos, são destacadas. A prevenção
é considerada undamental no início do quebra-cabeça da gagueira inantil, apesar das
incertezas e questões levantadas ao longo do texto. Questionário quadro 2.
QUADRO 2 – QUESTIONÁRIO INDIRETO
1- Quando seu lho está alando, o que lhe chama mais atenção?
( ) O assunto que ele ala ( ) Sua maneira de alar
2 – Você costuma comparar a maneira de alar do seu lho com a de outras crianças?
( ) Sim ( ) Não
Por quê? ____________________________________________________
3 – Já se preocupou, ou está preocupada com a maneira de alar de seu lho?
( ) Sim ( ) Não ( ) Talvez
Por quê? _____________________________________________________
4 – Você acha que os problemas de ala passam com o tempo?
( ) Sim ( )Não
Por quê? ______________________________________________________
5 – Quando seu lho demora para terminar de alar, você costuma completar para ele?
( ) A palavra ( ) A frase ( ) Não completa
Por quê? ______________________________________________________
6 – Levando em consideração os itens abaixo, qual deles você acha que interere mais
na uência?
( ) Repetir as palavras ( ) Fazer pausas muito longas
( ) Bloquear a respiração ( ) Prolongar as palavras
Outros itens não citados anteriormente: _____________________________
50AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME-
TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA
UNIDADE 3
7 – Quando seu lho não está uente, você costuma usar rases do tipo:
( ) Calma! ( ) Pare e fale mais devagar
( ) Respire undo e ale ( ) Não entendi nada do que você alou. Repita!
Cite outra rase que você usa: _________________________________________
8 – Você considera seu lho uente?
( ) Sim ( ) Não
Por quê? ______________________________________________________
9 – Você considera seu lho gago?
( ) Sim ( ) Não
Por quê?______________________________________________________
Fonte: Jakubovicz 2009
1.1 Avaliação para crianças
A avaliação para determinar a necessidade de tratamento ou não deve iniciar com
a criança e os pais em uma sala, observando como eles reagem e interagem. A observação
ideal é realizada de forma indireta, por meio de um espelho unidirecional ou por gravação
de vídeo. É possível registrar a interação entre pais e lho para análise posterior.
Após a observação, sem a presença da criança, realiza-se uma entrevista com
os pais para discutir as observações eitas. A abordagem mais ecaz para apresentar as
questões é mostrar aos pais a gravação ou vídeo obtido, permitindo que eles percebam por
si mesmos as áreas que podem precisar de ajustes. Preerencialmente, é melhor que os
pais vejam ou ouçam as situações que podem estar contribuindo para as diculdades da
criança em vez de serem informados diretamente.
Por exemplo, se or observado que os pais alam em nome da criança, interrompem
excessivamente sua ala, completam suas rases ou demonstram desconorto quando a
criança gagueja, é importante mostrar e discutir esses comportamentos. A conclusão de
que tais práticas podem ser prejudiciais é preerível que surjam dos pais, não do terapeuta,
evitando que eles se sintam culpados ou ansiosos em relação à gagueira da criança.
Os pais também tendem a pensar que esses problemas são hereditários. É crucial
abordar essa crença, explicando que a gagueira pode ocorrer independentemente de os
pais serem gagos ou não, e que a hereditariedade ainda não oi comprovada. É importante
tranquilizar os pais, armando que não são culpados pela gagueira do lho, já que outros
pais podem agir de maneira semelhante, e seus lhos não apresentam esse problema.
Destaca-se que algumas crianças são mais vulneráveis e sensíveis que outras, e é possível
que o lho esteja dentro dessa categoria (Quadro 3).
51AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ANAMNESE, COLETA E ANÁLISE DE AMOSTRAS DE FALA, PARÂME-
TROS DA FLUÊNCIA, TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS DA FLUÊNCIA
UNIDADE 3
QUADRO 3 – PERGUNTAS QUE OS PAIS SE DEVEM FAZER (AUTOANALISE)
- Será que nós estamos irritados ou revoltados por nosso lho ter esse problema?
- Será que alamos com nosso lho de orma muito complicada, ou muito rápida, ou mes-
mo alamos demasiado, e, então, ele acha que deve nos imitar e também alar complica-
do, rápido ou demasiado?
- Será que estamos pressionando nosso lho, quando azemos muitas perguntas a ele ou
pedimos que ele nos conte muitas coisas?
- Será que, quando nosso lho nos ala, o interrompemos demais, viramos a cabeça, não
prestamos atenção ao assunto que ele nos traz, ou, então, nos retiramos enquanto ele
está falando?
- Será que temos eito muitas críticas a ele, dado punições demais, ou eito ele sentir que
não é suciente bom?
- Será que ele sabe que nós gostamos muito dele e que ele é muito importante para nós?
- Será que nós não deixamos nosso lho car zangado quando isso é preciso. Não deixa-
mos ele ser criança ou extravasar seus sentimentos quando há necessidade?
- Será que em nossa casa o ambiente é muito excitante, as brincadeiras são muito ten-
sas, há muitos lmes que transmitem ansiedade?
- Será que nós temos esperado muita coisa de nosso lho, cobrando demais dele, exigido
além do que ele pode nos dar?
- Será que nosso lho percebe que nós camos aborrecidos ou preocupados quando ele
ala gaguejando? Será que ele pensa que, por causa disso, nós não gostamos dele?
Fonte: Jakubovicz, 2009.
Para efetivamente prevenir o problema da gagueira, é fundamental realizar avalia-
ções e tomar decisões adequadas. Se a gagueira já estiver presente, é necessário realizar
terapia com a criança e fornecer orientações aos pais.
No caso de não haver gagueira instalada, é importante orientar os pais e revisar
a criança periodicamente para uma nova avaliação. O Quadro 4 destaca a avaliação e o
tratamento direto com a criança.
QUADRO 4 AVALIAÇÃO E TRATAMENTO DIRETO COM A CRIANÇA
Histórico da criança
Histórico da gagueira

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