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Flávia Furtado Rainha Silveira Rossato RELACIONAMENTO INTERPESSOAL E ÉTICA Relação dos Ícones Atividades Você sabia? Vamos refletir Hora de Praticar Fique Ligado Glossário 2 Sumário Unidade 1: Relacionamento Inter E Intrapessoal ………………………….… 4 Unidade 2: Inteligência Emocional ………………………………………….……… 20 Unidade 3: Gestão De Conflitos …………………………………………………..… 37 Unidade 4: Comunicação Não Violenta ……….…………….……………….…. 55 Unidade 5: Liderança …………………………………………………………..…………. 74 Unidade 6: Motivação ………………….……………………………………..…………... 91 Unidade 7: Ética no Trabalho ………………….………………………..…………... 116 Referências ………………………………………………………………………………..……. 132 3 Unidade 1: Relacionamento Inter E Intrapessoal O que vamos aprender nessa unidade? - Identificar a importância dos relacionamentos interpessoais; - Reconhecer os 5 pilares dos relacionamentos interpessoais; - Identificar técnicas para o aprimoramento das competências relacionais no trabalho; - Identificar o conceito de relacionamento intrapessoal; - Indicar a dimensão Psicológica e o Perfil Comportamental; 4 Relacionamento interpessoal Olá! Que bom estarmos juntos no curso Relacionamento Interpessoal e Ética! Sabemos que em nossa jornada profissional não estamos sozinhos. Na verdade, “nenhum homem é uma ilha”, afirmou o poeta e religioso inglês John Donne. Pensando bem, foi essa capacidade de estar em grupo que permitiu que a gente evoluísse enquanto espécie. Já imaginou o quanto os homens da caverna seriam frágeis se eles não vivessem em grupo? 5 No livro Sapiens – Uma breve história da humanidade, Yuval Harari relata a importância dos grupos para a sobrevivência da nossa espécie. Apesar de não termos sido os animais mais fortes, fomos e somos aqueles que mais souberam se organizar coletivamente, seja para nos alimentar, seja para nos proteger, possibilitando a sobrevivência (HARARI, 2011). Somos seres gregários (que vivem em grupo) por natureza e precisamos dos outros até para entender quem somos. Formamos a nossa personalidade (o conjunto das nossas características), em parte, por meio da nossa bagagem biológica, hereditária. Mas, os outros 50% da nossa personalidade está relacionada às nossas interações sociais, por meio do convívio com as pessoas que convivemos nos diversos grupos que participamos: a nossa família, os nossos amigos, os colegas da escola, do futebol, da igreja, do trabalho... Por isso, saber relacionar conosco e com o próximo é muito importante e é sobre isso que conversaremos. 6 As Habilidades Do Profissional Do Século XXI Já parou para pensar sobre quais são as habilidades mais desejadas pelas empresas em uma seleção de colaboradores? Para te ajudar a responder a este questionamento, veja só esse gráfico: 7 Observe que de acordo com a pesquisa realizada pela Great Place to Work, no ano de 2022, com 2654 respondentes, as competências comportamentais estão em alta quando falamos das competências desejadas pelas empresas (GPTW, 2022). 8 Competências comportamentais, também chamadas de soft skills, são os conhecimentos, as habilidades e as atitudes que expressam o nosso jeito de ser e de nos relacionarmos com as pessoas. Em outras palavras, é a forma como agimos e reagimos diante das diversas situações do nosso cotidiano. Quer exemplos de Competências comportamentais? Liderança, criatividade, motivação, inteligência emocional, boa comunicação, entre outras. Essas competências são muito importantes em todos os aspectos da vida, e, em especial, no trabalho. Outras pesquisas também apontam as competências inter e intrapessoais como muito necessárias nos dias atuais. Veja na imagem abaixo que o relatório do Fórum Econômico Mundial de 2020, destacou as 10 habilidades necessárias para os profissionais do futuro: Atributos e competências pessoais que permitem ao indivíduo melhorar suas interações com os outros e com o mundo ao redor. 9 Você considera que os seus relacionamentos interpessoais são de qualidade? E no trabalho, como estão os seus relacionamentos interpessoais? É importante considerarmos que as relações interpessoais saudáveis auxiliam na criação de um clima organizacional positivo, pois a partir desta habilidade, conseguimos gerenciar melhor os conflitos e lidar com pessoas de os mais variados estilos de personalidade. Observe que quando a nossa capacidade de nos relacionarmos com os outros é prejudicada, temos mais dificuldade de criar conexões e desenvolver vínculos que geram bem-estar e boa convivência. 10 Relacionamento interpessoal é um termo que se refere à relação, ou seja, a ligação entre duas ou mais pessoas que pode acontecer nos contextos pessoal, profissional (de modo presencial ou a distância). Há estudiosos que entendem que a habilidade de nos relacionarmos bem com as pessoas com as quais convivemos é, inclusive, um tipo de inteligência, a inteligência interpessoal. Podemos observar o quanto saber se relacionar é uma habilidade importante para os profissionais do século XXI. Mas, o que quer dizer relacionamento interpessoal? Constatamos, assim, que as organizações querem contar com pessoas que, além do conhecimento técnico, apresentam, também, competência para lidar com pessoas, gerenciar conflitos, ser resiliente, criativo, ter inteligência emocional e se reinventar em cenários de crise. Claro! O mundo está passando por rápidas mudanças e cada vez mais as competências para se relacionar com os outros se tornam essenciais. Mas, para bem relacionarmos com o próximo é preciso nos conhecermos, saber dos nossos pontos fortes e fracos, não é mesmo? Convivemos com diferentes pessoas a todo tempo e todas elas são diferentes. Se, por um lado, a diversidade é inerente à vida e a deixa mais interessante, por outro lado, os relacionamentos se tornam desafiadores. 11 Sabemos que não é fácil conviver com pessoas com diferentes estilos de personalidade, temperamento, desejos, principalmente quando falamos do ambiente de trabalho. Mas, a convivência saudável nos ajuda a nos engajarmos mais nas nossas atividades, a termos um Clima Organizacional saudável e colaborativo. Basta imaginar o quanto é mais prazeroso dividir o mesmo espaço e experiências com colegas empáticos, que conseguem gerenciar as suas emoções e se comunicarem de forma assertiva e conectiva, não é mesmo? E quando não conseguirmos ser empáticos, o que acontece? Veja um exemplo ao lado: 12 Para você refletir: Você se lembra desse caso? O que aconteceu? Na sua opinião, quais competências deveriam ter sido desenvolvidas para que isso não acontecesse? Quem nos dá a resposta é o próprio presidente global do Carrefour, após outra tragédia acontecida em um dos seus supermercados: 13 Viu? É muito importante destacarmos que saber se relacionar de modo saudável não é algo natural! Devemos nos esforçar para desenvolver qualidades que nos conectem com os outros, por meio de uma linguagem compassiva e comportamentos que fomentem relacionamentos saudáveis. Para desenvolvermos relacionamentos interpessoais saudáveis, precisamos estar atentos a estes 4 pilares: 1- Autoconhecimento: capacidade de se conhecer, de entender os seus limites, seus gostos, seus valores e o que te irrita. 2- Empatia: é a competência em que saímos da visão míope e infantil de somente enxergamos a nós e passamos a respeitar o lugar, o jeito de ser e as necessidades dos outros. 3- Assertividade: trata-se da capacidade de nos comunicarmos de forma objetiva, clara e empática, escutando de modo ativo e compreendendo a sua mensagem. É saber se posicionar e se comunicar em diferentes situações. 4- Ética: diz respeito a fazer aquilo que é moralmente correto, auto responsabilizando pelas suas ações. 14 Um livro muito importante para melhorar os nossos relacionamentos interpessoais foi escrito por Dale Carnegie. Ele dá algumas dicas muito importantes. Veja só: 15 Dicas do livro: 1. Seja empático (coloque-se no lugar do outro) e respeite o seu modo deReconhecimento, promoções, responsabilidade por resultados, comprometimento, etc Bom clima, respeito, aceitação, interação com os colegas, superiores e clientes, etc. Segurança no trabalho e pessoal, amparo legal, estabilidade, etc Alimentação, moradia, conforto físico, sexo, descanso, lazer, etc Pense em um motoboy fazendo diversas entregas a jato pelas ruas da cidade, ultrapassando sinais, andando pelo corredor dos carros para garantir um número de viagens que dê para a subsistência da sua família. Essa correria toda pode ser porque ele ganha um valor muito pequeno por cada viagem, o que o obriga a fazer várias corridas. Como o que está em jogo é a compra de alimentos, é difícil para ele colocar a segurança em primeiro lugar. Desta forma, uma necessidade superior somente aparece se as inferiores tiverem sido satisfeitas 103 Agora que vimos a Teoria da Hierarquia de Maslow, pense nas suas necessidades. Sabemos que são elas que ativam a motivação. Reflita quais são as suas necessidades de acordo com os níveis da pirâmide de Maslow: 1. Fisiológicas; 2. Segurança; 3. Sociais; 4. Autoestima; 5. Autorrealização. A Teoria da hierarquia das necessidades de Maslow foi muito questionada, principalmente porque alguns estudiosos não acreditam na hierarquia das necessidades, onde uma necessidade superior apenas seria manifesta se a outra imediatamente inferior fosse contemplada. Assim, atualmente, entendemos que a motivação está ligada não à uma hierarquia das necessidades, mas à expectativa que se tem de receber alguma recompensa positiva após ter desempenhado um comportamento. Sabe quando fazemos um trabalho e acreditamos que seremos reconhecidos pelo chefe? Ou que teremos um aumento salarial? Pois bem! Então, essa teoria é chamada de Teoria da Expectância, e se apoia em 3 elementos: 1. Expectativa: tem a ver com a crença que o aumento do esforço aumentará os resultados que apresentamos; 2. Instrumentalidade: tem a ver com a crença de que o esforço levará a uma recompensa positiva, ou seja, a algo benéfico, como, por exemplo, o aumento do salário, um elogio, etc; 104 3. Valência: está relacionado ao valor que aquela recompensa tem para quem a recebe. Isso quer dizer que o que se ganha deve ser algo desejado (ROBBINS, 2008). Em outras palavras, a partir do prisma dessa teoria, sabemos que para se aumentar a motivação dos trabalhadores é preciso que a organização avalie e reconheça os seus esforços. Tal reconhecimento deve se dar não por meio de premiações genéricas, mas, por meio de recompensas atraentes para o trabalhador. Então, quer dizer que o dinheiro motiva? Ahhh, você pode dizer que ele é o que mais nos motiva a trabalhar! Mas, eu te digo que há outros aspectos mais importantes que o dinheiro, segundo as pesquisas. Mas, não é possível, você diria! 105 Mas, eu te digo que há outros aspectos mais importantes que o dinheiro, segundo as pesquisas. Mas, não é possível, você diria! De acordo com uma pesquisa com 1.500 trabalhadores, o que motiva é (em ordem de importância): 1. Uma atividade em que se possa aprender alguma coisa e escolher suas atribuições. 2. Horário de trabalho flexível e mais tempo livre. 3. Elogios. 4. Mais autonomia e autoridade em seu trabalho. 5. Mais tempo com os chefes. 6. Dinheiro (ROBBINS, 2005). Viu só? É claro que é preciso que o salário recebido seja suficiente para custear a alimentação, a saúde e a segurança. Mas, as pesquisas apontam que depois que ele cobre aquelas necessidades primárias que estão na pirâmide de Maslow, o que se ganha a mais já não aumenta os níveis de motivação 106 A equação não é assim: aumenta o salário e consequentemente aumenta os níveis de motivação, sabe? Isto foi constatado pelo psicólogo ganhador do prêmio Nobel de economia, Daniel Kahneman e seu colega Deaton. Isto também vale para o bem estar e a felicidade. Deaton e Kahneman afirmaram que mais dinheiro não, necessariamente, traz mais felicidade, mas ter menos dinheiro, com certeza, está associado à infelicidade (DEATON; KAHNEMAN, 2010). Difícil de entender? Não, não! Já vou te explicar! O dinheiro aumenta a sensação de bem-estar até certo ponto. Na pesquisa dos autores americanos citados acima, a quantia seria 75.000 dólares anuais, o que daria cerca de R$30.000,00 por mês no Brasil. Acima disso, qualquer quantia não faria a pessoa mais feliz. Você pode dizer: mas, eu nem me imagino ganhando tudo isso! Bem, esse valor é muito mais do que ganha a maioria dos brasileiros. Mas, o que queremos dizer é que caso o que você ganha permite que você tenha uma vida digna e satisfaça, ter o salário aumentado não irá fazer com que você se motive mais. 107 Aliás, as pesquisas apontam que o bem-estar é fomentado mais por experiências como: viagens, momentos com a família e com as pessoas que amamos, pelos atos de generosidade e, também, por nosso propósito de vida, que deve ser maior que nós mesmos, que por elementos externos, como aumento salarial ou compra de um bem. Sem contar que a motivação e a satisfação causadas pelo aumento salarial passa depois de um tempo. Você sabia? É que a gente se acostuma com o valor a mais e depois de um tempo volta a ficar desanimado. Isso se chama felicidade hedônica, ou seja, o bem estar e o prazer que vem das coisas externas e tem tempo de validade. Tanto é que Brickman, Coates e Janoff-Bulman (1978), fizeram um estudo comparando os níveis de bem-estar entre os ganhadores de loteria e as pessoas paraplégicas que haviam ficado assim depois de um acidente. 108 Sabia que depois de um tempo, os paraplégicos se sentiam cada dia mais felizes com as suas conquistas diária e os milionários, nem tanto? Ou seja, ganhar na loteria garante o bem-estar por um tempo. Mas, a longo prazo, a pessoa volta ao estado emocional anterior ao prêmio. 109 Outro autor, Pick (2017), defende que a motivação extrínseca (devido a aumento de salário, compra de uma casa, etc) é uma recompensa de efeito de curto prazo, com duração média de 3 a 6 meses. Percebeu? O dinheiro traz bem-estar, satisfação, motivação, por um tempo. Mas, ele não garante o “foram felizes para sempre”. Pense na organização que você trabalha. Para estar motivado você deve ter motivos para estar ali. Mas, a relação com os colegas e com a chefia, os elogios que recebe, o reconhecimento pelo trabalho que realiza, o salário que você recebe pode reforçar os motivos internos que você tem para trabalhar, não é? Sim, todos esses elementos podem atender às necessidades de estima, de ser reconhecido, de estar em grupo, de ter segurança e o sustento da sua família. Tudo isso age como um gatilho para acionar a motivação que está dentro de cada pessoa. Mas, vocês podem se perguntar: Ah, mas se a motivação é algo que está dentro de nós, então, não há nada que se possa fazer para aumentar os níveis de motivação dos trabalhadores de uma organização? A motivação é realmente interna, porque nasce de uma necessidade. Mas, ela pode ser ativada por algo que acontece externamente. 110 A Administração e Seus Vários Aspectos (admcefetmg.blogspot.com) http://admcefetmg.blogspot.com/2008/11/mo-tivao-interna-ou-externa-em-qual.html http://admcefetmg.blogspot.com/2008/11/mo-tivao-interna-ou-externa-em-qual.html http://admcefetmg.blogspot.com/2008/11/mo-tivao-interna-ou-externa-em-qual.html Então, há algo que eu possa fazer para potencializar a minha motivação? Com certeza que sim! 1- Visualize uma meta: onde você está e onde quer chegar? Quem não sabe para onde ir, qualquer caminho serve, já dizia o gato do filme: Alice no país das maravilhas. Visualize-se alcançando aquela meta. Sinta a sensação boa de atingi-la. 2- Seja realista/otimista: encare a vida com positividade. Você já ouviu falar que devemos ver o copo meio cheio ao invés de meio vazio, não é? Siga em frente. O primeiro-ministro da Inglaterra, Winston Churchill, que foi muito importante para a vitória contra os nazistas, certa vez falou: “Sevocê está atravessando o inferno, não pare”. Isto é: continue a andar para sair dele. 3- Premie-se: divida as suas metas em pequenas vitórias e não se esqueça de celebrar o alcance delas. Essa celebração pode não ser algo grandioso, inclusive, pode ser algo que você goste e que te faça bem mas que não demande nenhum dinheiro. Mas, que sinalize para o seu cérebro que aquilo é mérito seu 111 Mas, como nem tudo são flores, alguns fatores podem atrapalhar a motivação dos colaboradores. Vamos a eles? 1. Trabalho monótono, sem desafios e pouco aderente às competências do trabalhador; 2. Falta de clareza nos critérios utilizados nas avaliações, quando não se tem retorno sobre como está o seu desempenho podem minar a motivação no trabalho; 3. Relacionamento com a chefia e os colegas de trabalho; 4. Falta de perspetiva de desenvolvimento e crescimento profissional; 5. A falta de valorização e de reconhecimento por parte da organização. O mais importante, quando falamos sobre motivação é nos auto responsabilizamos por ela. Não podemos terceirizar a responsabilidade pela nossa motivação! 112 Para se sentir mais motivado, é muito importante que encontre o seu propósito (aquilo que dá sentido à sua vida). Pessoas com propósito mais motivadas e mais satisfeitas, têm menos depressão 113 Veja só uma frase de Victor Frankl (1905- 1997), que sofreu bastante em 4 campos de concentração nazista, na Segundo Guerra Mundial, falou sobre buscar um sentido para a vida: “Nós que vivemos nos campos de concentração podemos lembrar de homens que andavam pelos alojamentos confortando os outros, dando o seu último pedaço de pão. Eles devem ter sido poucos em número, mas ofereceram prova suficiente que tudo pode ser tirado do homem, menos uma coisa: a última das liberdades humanas - escolher sua atitude em qualquer circunstância, escolher o próprio caminho.” (VIKTOR FRANKL, 1991) Devemos entender o que nos move, o valor que está no que fazemos e a nossa essência. Para Frankl (1991), devemos responder ao chamado que a vida nos faz e não negar a nossa capacidade de ser para os outros, ou seja servir, ajudar o próximo. Esse chamado é o que nos motiva. SEJAMOS COMO A FLOR DE LÓTUS, QUE ENCONTROU A SUA MISSÃO EM MEIO AO LODO. ISSO A MOTIVA A SAIR DO LAMAÇAL E A FLORESCER TODOS OS DIAS. A flor de lótus possui a semente com maior longevidade e resistência: pode aguentar até 30 séculos. Emerge e se nutre de barro e quando floresce se eleva sobre o lodo, deixando um cheiro hipnotizante. De noite, as pétalas da flor se fecham e ela mergulha sob a água. Ao amanhecer, se levanta novamente sobre a água suja, intacta e sem restos de impureza. 114 115 “As pessoas mais belas com as quais tive a oportunidade de me encontrar são aquelas que conheceram a derrota, conheceram o sofrimento, conheceram a luta, conheceram a perda e encontraram o seu jeito de sair das profundezas.” -Elisabeth Kübler-Ross Unidade 7: Ética no Trabalho Após o estudo desta unidade, você será capaz de: - Reconhecer o conceito básico de ética; - Definir os conceitos relativos à ética profissional; - Identificar as atitudes e comportamentos éticos necessários ao ambiente de trabalho; - Identificar os principais problemas éticos relativos à atividade. 116 Ética no Trabalho Você já ouviu dizer que nem tudo que eu quero eu posso, nem tudo que eu posso eu devo e nem tudo que eu devo eu quero? Sabe por quê? Segundo o filósofo Mário Sérgio Cortella, é porque algumas vezes queremos algo que não é ético. E, então, se você se envergonha de algo que pretende fazer, esse é o sinal de que isso não é ético. Eu quero? Eu devo? Eu posso? Essas são as 3 questões que movem o estudo da ética. A ética é a ciência que estuda os princípios que norteiam o comportamento humano, determinando o que é bom e como devemos agir. A própria origem da palavra ética, que vem de ethos, quer dizer caráter. Aí você já ligou as coisas, não é? A ética busca a reflexão de qual é o melhor jeito de agir para que a vida em sociedade seja melhor. 117 E então você, com certeza, já está bastante entusiasmado com essa aula, pois, sabe o quanto é importante que as nossas ações sejam éticas, não é mesmo? Se a ética define como o homem deve comportar-se ao longo da sua vida, é muito importante que os profissionais reflitam sobre esse assunto. Vamos a um exemplo? Maria Alice é recepcionista da Clínica Humanas, credenciada pelo Detran para realizar os exames médicos e psicológicos, requisitos para a habilitação. Maria Alice recebeu uma proposta de contribuir para um esquema de vendas de carteiras de motorista. Caso ela aceite, ela terá agido com ética? Claro que não! Ser ético no trabalho é agir guiado pelos princípios éticos de fazer o bem e nunca prejudicar o próximo. Alguns desses princípios são universais, ou seja, para todas as pessoas. 118 No caso de Maria Alice aceitar fazer parte deste esquema de vendas de carteiras, ela estaria infringindo alguns princípios que fazem com que a vida em grupo seja possível e boa. Pense em quantos motoristas sem a competência para dirigir estariam nas ruas colocando a vida das pessoas em risco. Outra coisa, sabemos que o que não desejamos para nós, não devemos desejar para os outros, já dizia um filósofo antigo chamado Confúcio,(551-479 a.C.). Caso tivéssemos uma clínica, gostaríamos que nossos colaboradores fizessem esquemas de corrupção. O que o escritor Oscar Wilde (1854-1900) quis dizer com essa frase? Para realizar a nossa reflexão sobre a frase, vamos começar analisando a diferença entre a ética e a moral. 119 Ética e Moral A ética é a reflexão sobre a moral, que, por sua vez, é aquilo que uma determinada cultura acredita ser bom, mau, certo, errado, adequado e inadequado. Esses princípios morais formam o código moral de cada povo. Em sociedade, aprendemos os códigos morais (o que é aceitável e o que não é aceitável naquela sociedade), e isso vai modelando o nosso caráter, que é o conjunto de características que influenciam na forma de agir e reagir de uma pessoa. É aquilo que chamamos de “consciência”. O caráter determina as diferenças individuais e as escolhas éticas que fazemos. Observe que a ética diz respeito aos princípios gerais que independem da região e do contexto. Já a moral refere-se aos códigos de conduta, que podem variar de acordo com a sociedade. 120 Veja só este vídeo. Ele nos ajuda a compreender melhor essa diferença 121 Ética x Moral: Como diferenciar?? || Conceitos, definições || https://www.youtube.com/watch?v=FEASxRw2Gb0&ab_channel=MundodaAdministra%C3%A7%C3%A3o%2F%2FTudosobreADMest%C3%A1aqui https://www.youtube.com/watch?v=FEASxRw2Gb0&ab_channel=MundodaAdministra%C3%A7%C3%A3o%2F%2FTudosobreADMest%C3%A1aqui Agimos com ética quando deixamos nos guiar por alguns valores (princípios) como: 122 Perceberam que nesta discussão já começamos a falar a respeito de ética no trabalho? Ela diz respeito aos princípios que regem o comportamento de um colaborador no trabalho. Por exemplo: Como João Paulo, engenheiro, deve agir no seu trabalho? Com respeito, lealdade à organização, responsabilidade… Esses princípios éticos estão reunidos em um documento chamado Código de Ética Profissional. O Código de Ética Profissional é o conjunto de normas éticas que orienta como se deve agir no trabalho. Este código é elaborado pelos Conselhos, como o Conselho Federal/Regional de Psicologia, de Medicina e de outras profissões, que representam e fiscalizam o exercício da profissão. 123 Apesar de haver códigos de ética de cada profissão, há princípios que são comuns a qualquer área, independente de estar escrito em um código de ética. Seja na profissão, seja na vida pessoal, agir com ética faz com que os nossos relacionamentos intra e interpessoais sejam melhores, com mais qualidades e mais duradouros. Para ilustrar, vamos trazer uma situação cotidiana que acontece nas organizações. Digamos que o próximoferiado cairá em uma quinta-feira e você gostaria de viajar para visitar a sua família no interior. Você fica receoso de pedir ao seu chefe que o libere de trabalhar na sexta-feira. O que você faz, então? a) Reconhece que não poderá viajar? b) Conversa com o seu chefe e pede autorização para emendar o feriado? c) Pega um atestado falso e apresenta na organização? 124 Se você optou pela terceira opção, então, vamos supor que você vá ao médico e simule uma doença. Porém, ao olhar as suas redes sociais, o seu chefe descobre, por fotos, que você gozava de perfeita saúde na cidade dos seus pais. Não deu bom, não é? Com certeza o seu chefe terá dificuldades para confiar novamente em você. Ao fazer isso, você pode perder a confiança dos seus superiores e ainda manchar a sua imagem perante os seus colegas de trabalho. Já pensou como será ruim? Por outro lado, quando cumprimos prazos, quando somos honestos em relação ao que realmente somos capazes de fazer, executamos o serviço com qualidade, entregamos o que prometemos, não levamos nada da organização para casa ou não utilizamos as coisas do trabalho como fosse nossa, estamos sendo éticos. Muitas são as possibilidades de sermos éticos no trabalho. E você: tem tido atitudes éticas no trabalho? 125 Para ajudá-lo nessa reflexão, vamos ler os 10 mandamentos da ética no trabalho? 1. Seja honesto, honrado e digno em qualquer situação; 2. Nunca faça algo que você não possa assumir perante sua equipe, seus superiores, seus subordinados ou o público; 3. Seja humilde, tolerante, flexível e disposto a ouvir críticas e sugestões; 4. Críticas e repreensões devem ser feitas primeiro à pessoa a quem se referem, cara a cara. Se houver o dever de levá-los a mais alguém, que não seja pelas costas; 5. A privacidade do colega, do cliente e de todos os demais é inviolável. Independentemente de questões de propriedade corporativa, mexer na mesa, gaveta, informações ou documentos alheios exige autorização (de norma ou da pessoa envolvida) em qualquer circunstância; 126 Conheça os 10 mandamentos básicos da ética profissional - Capacitação - Mapa da Obra https://www.mapadaobra.com.br/capacitacao/conheca-os-10-mandamentos-basicos-da-etica-profissional/ https://www.mapadaobra.com.br/capacitacao/conheca-os-10-mandamentos-basicos-da-etica-profissional/ https://www.mapadaobra.com.br/capacitacao/conheca-os-10-mandamentos-basicos-da-etica-profissional/ 6. Em ações e discussões internas, assuma sempre seus valores e princípios e as consequências dos atos a que eles conduzirem, mesmo que isso signifique ficar contra a maioria – mas jamais procure obstruir o direito de expressão e voto no posicionamento alheio; 7. Fique longe de fofocas e comentários maldosos, mesmo que pareçam fazer parte da cultura do grupo. Muitas vezes, o simples fato de dar ouvido a elas pode ser suficiente para identificá-lo como o rótulo de fofoqueiro; 8. A relação hierárquica e de equipe não deve considerar amizades nem antipatias. O subordinado amigo deve ao seu chefe o mesmo tratamento que os demais, e o chefe amigo precisa cuidar para jamais privilegiar o subordinado que lhe é próximo. Da mesma forma, antipatias pessoais não têm espaço no ambiente profissional. Reserve-as para seu íntimo e procure oportunidades para superá-la. 9. Sempre dê crédito a quem merece, sem jamais aceitar elogios ou recompensas pelo mérito alheio; 10. Ao errar, reconheça, sem exageros. A atitude esperada é “não foi um erro intencional, vou providenciar para que não ocorra de novo e vou remediar o acontecido”. 127 Mas, você deve estar se perguntando: por que é importante agirmos com ética no trabalho? Agir eticamente melhora o “clima” do ambiente, tornando-o mais saudável e fazendo com as relações sejam mais respeitosas, principalmente em relação às diferenças e a diversidade humana. Assim, os colaboradores terão mais satisfação em relação ao trabalho que realizam. 128 Um ambiente ético é importante porque estimula a cooperação e fomenta o orgulho que os profissionais têm da organização. Isso tudo faz com que as pessoas tenham mais vínculos com o trabalho e tenham menos desejo de sair para trabalhar em outro lugar. Como se vê, há muitas vantagens em ser ético no trabalho, não é? Você quer ser um profissional brilhante? Seja um profissional digno, ético, respeitoso consigo, com os colegas, com os clientes e leal à sua organização. “Crescer como profissional, significa ir localizando-se no tempo e nas circunstâncias em que vivemos, para chegarmos a ser um ser verdadeiramente capaz de criar e transformar a realidade em conjunto com os nossos semelhantes para o alcance de nossos objetivos como profissionais da Educação” (FREIRE, 2001). 129 E então, será que nós temos sido profissionais éticos? Deixo aqui essa reflexão para que ela o acompanhe durante toda a vida. Ela coroa o fechamento desta aula sobre ética profissional, mas, é importante que tenhamos em mente que mais que teoria, a ética se faz na prática, a cada dia, com as nossas atitudes. Estaremos sendo éticos todas as vezes que nos perguntamos: é bom para mim e para o meu próximo? Eu devo? Eu faria isso se estivesse na frente de todos? Eu me orgulharia de lembrar disso daqui a um ou dez anos? Para bem vivermos precisamos estar atentos aos nossos comportamentos, pois eles interferem nos nossos relacionamentos interpessoais. A nossa reflexão não se encerra por aqui. Tenho certeza que o que discutimos nas 7 unidades ressoam ainda mais algum tempo. Alguns, talvez, se lembrarão das reflexões geradas nesse curso durante toda a sua vida! E isso é muito bom! Esperamos que tudo o que abordamos sobre relacionamentos intra e interpessoais o ajude a ser um profissional que enquanto enfrenta as lutas diárias do seu dia a dia possa encontrar o verdadeiro sentido de servir e encontrar nesse propósito a chave da felicidade. 130 Faça por merecer, como muito bem pontuou Mário Sérgio Cortella, na análise do final do filme O resgate Ryan. Viva como se alguém tivesse agarrado na gola da sua camisa em algum dia da sua vida e tivesse dito: Faça por merecer! Viva para ser feliz e para fazer as pessoas ao seu redor melhor do que quando você os encontrou. Isso é ser ético! 131 BERG, Ernesto Artur. Administração de conflitos: abordagens práticas para o dia a dia. 1. ed. Curitiba: Juruá, 2012. BRADBERRY, T. ; GREAVES, J. Inteligência Emocional 2.0. Gráfica 99, Ltda, 2017. DRUCKER, P.F. Administrando para o futuro: os anos 90 e a virada do século. 5ª ed. São Paulo: Pioneira, 1996. FREIRE, Paulo. A pedagogia da libertação em Paulo Freire. São Paulo: Editora UNESP, 2001. GOLEMAN, D. Inteligência Emocional. 82. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995 HARARI, Yuval Noah. Sapiens – Uma Breve História da Humanidade. 29a. Edição. Editora Harper, 2011. HUNTER, J. C. O monge e o Executivo. Tradução: Maria da Conceição Fornos de Magalhães – Rio de Janeiro: Sextante, 2004. Referências 132 Jornal de BRASÍLIA. Presidente global do Carrefour pede revisão do treinamento de funcionários. Disponível em: https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/brasil/presidente-global-do-carrefour-pede-revisao-do- treinamento-de-funcionarios/. Acesso em: 14/07/2022. METRÓPOLE. De terno, advogado pede emprego no sinal e consegue marcar entrevistas. Disponível em: https://www.metropoles.com/distrito-federal/de-terno-advogado-pede-emprego-no-sinal-e-c onsegue-marcar-entrevistas, 2019. Acesso em: 14/07/2022. ONU. Manual de resolução de conflitos, 2001. PICK, D. H. Drive. Alfragide: Lua De Papel, 2017. ROBBINS, Stephen P. Comportamento Organizacional. São Paulo : Pearson Prentice Hall, 2005. ROBBINS, S. P. Comportamento organizacional. 11.ed. São Paulo: 2008 Referências 133 https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/brasil/presidente-global-do-carrefour-pede-revisao-do-treinamento-de-funcionarios/ https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/brasil/presidente-global-do-carrefour-pede-revisao-do-treinamento-de-funcionarios/https://www.metropoles.com/distrito-federal/de-terno-advogado-pede-emprego-no-sinal-e-consegue-marcar-entrevistas https://www.metropoles.com/distrito-federal/de-terno-advogado-pede-emprego-no-sinal-e-consegue-marcar-entrevistas ROSENBERG, Marshall B. Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. Tradução Mário Vilela. São Paulo: Ágora, 2006. World Economic Forum. The Future of Jobs Report. 2020. Disponível em: https://www.weforum.org/reports/the-future-of-jobs-report-2020. Acesso em: 14/07/2022. Referências 134 https://www.weforum.org/reports/the-future-of-jobs-report-2020. Ficha Técnica Instituto Federal de Brasília Reitora Luciana Massukado Pró-Reitora de Ensino - PREN Veruska Ribeiro Machado Diretora de Educação a Distância - DEaD Jennifer de Carvalho Medeiros Equipe de Produção Coordenadora Geral do Projeto EJA Integrada Jennifer de Carvalho Medeiros Coordenadora do Curso Juliana Cunha Passos Autora do Curso Flávia Furtado Rainha Silveira Coordenadora de Produção de Conteúdos para EaD Marina Fontes Borges 135 Orientador Educacional de Aprendizagem Priscila Campos Pereira Designer instrucional Priscila Campos Pereira Produtora Multimídia Erika Ventura Gross Revisão de Texto Elaine Cavalcante Menezes Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacionalser; 2. Seja um bom ouvinte e se interesse pelos outros; 3. Seja gentil e educado com as pessoas. Atraímos as pessoas pela nossa amabilidade; 4. Não tente impor nada. Evite discussões desnecessárias; 5. Tenha disposição para colaborar com os outros; 6. Fuja das fofocas; 7. Desenvolva o controle das suas emoções; 8. Esteja aberto para o novo e a beleza que traz a diversidade; 9. Evite julgamentos (CARNEGIE, 2012) Desafiador, não é? Mas, podemos dar um passo de cada vez. Que tal começar pelo autoconhecimento? É justamente sobre isto que conversaremos a seguir. Saber se relacionar com os outros é muito importante. Mas, antes disso, precisamos nos conhecer. Para nos ajudar nessa jornada, vamos ouvir a música da Legião Urbana chamada “Quase sem querer”? Acesse o link: https://youtu.be/7YDcS_F8nL8 Que tal ouvi-la novamente? Preste muita atenção na letra. 16 https://youtu.be/7YDcS_F8nL8 Percebeu como a letra da música fala de como a pessoa se percebe? Ele diz que está “impaciente e indeciso’’. “E ainda estou confuso. Só que agora é diferente. Estou tão tranquilo. E tão contente”. Viu como essa pessoa fala de como está se sentindo e como ela se vê? Para crescermos e evoluirmos, precisamos nos conhecer. É necessário que a gente tenha consciência de quem somos, por mais que isso seja dolorido. Para nos conhecermos é preciso respondermos a algumas perguntas: Quem sou eu? O que me deixa feliz? O que me deixa triste? O que me irrita? Quais são os meus sonhos? Como eu me sinto agora? Eu dou atenção a todos os pilares da minha vida (família, profissão, sociedade e Eu ou Deus)? Qual é o meu propósito de vida? 17 Mas, por que devo me conhecer? “As pessoas que possuem um profundo entendimento de suas forças e necessidades estão em uma posição muito melhor que aquelas com autoconhecimento limitado ou distorcido.” GARDNER, 2009) O autoconhecimento nos ajuda a nos relacionarmos melhor e com os outros. A partir da consciência de quem somos, do que sentimos e do que nos motiva temos mais ferramentas para melhorarmos a nossa comunicação e estabelecermos relações mais saudáveis, pois assim saberemos dos nossos limites, conseguimos potencializar as nossas qualidade e conseguimos nos conectar melhor com os outros. O autoconhecimento nos ajuda, também, a tomarmos melhores decisões. Porém, não adianta apenas olhar no espelho e achar que se autoconhece. É necessário que a imagem de si mesmo seja verdadeira e corresponda com a realidade. Mas, como fazer isso? 18 Olhe para o espelho: o que você vê? Veja algumas dicas: 1. Tente identificar quais são as emoções mais frequentes (raiva, tristeza, alegria, nojo, ansiedade, excitação, tédio, empatia, encantamento, satisfação, surpresa, encantamento pelo belo, etc); 2. Olhe para si e se pergunte: O que faço de melhor? O que faço de pior? Como as pessoas me veem? 3. Defina os seus objetivos; 4. Saiba o que você valoriza, o que é mais importante na sua vida; 5. Identifique como você tem reagido ao que as pessoas fazem com você. Bom, após as nossas primeiras discussões sobre Relacionamento Interpessoal e Intrapessoal, finalizamos a nossa aula com essa reflexão do neurocientista Pedro Calabrez: 19 “Mesmo estando sozinho, você sempre terá a si mesmo. Essa é a primeira e principal relação que devemos nutrir. Se você não estiver seguro e firme ao lado de si mesmo, ninguém desejará sua companhia - nem mesmo você”. (Pedro Calabrez) Unidade 2: Inteligência Emocional Após o estudo desta unidade, você será capaz de: -Definir o termo "Inteligência Emocional"; - Reconhecer a importância das emoções; - Identificar os 5 pilares da Inteligência Emocional; - Diferenciar as estratégias para o desenvolvimento da Inteligência Emocional. 20 Inteligência Emocional Seguimos a nossa segunda Unidade. O tema de hoje é Inteligência Emocional. No nosso dia a dia profissional é comum ouvirmos os gestores de pessoas, (aqueles que contratam, treinam e avaliam os colaboradores) que, geralmente, se contrata pelo currículo e se demite pela falta de competências ligadas ao relacionamento interpessoal. Isso significa dizer que somente as competências técnicas (o conhecimento e as habilidades relacionadas à área de estudo, como, por exemplo, saber digitar, fazer uma planilha ou um relatório) não são suficientes. É preciso algo a mais. E sabe do que eles falam? Daquelas competências subjetivas que têm a ver com o seu relacionamento e com o outro. Uma dessas competências é a Inteligência Emocional, considerada a mais importante do século XX! 21 22 Observe que a Inteligência Emocional é a capacidade de identificar, lidar e expressar as próprias emoções e as dos outros indivíduos, além de ter controle sobre os impulsos e ser capaz de se automotivar, mesmo quando o contexto está desfavorável (GOLEMAN, 1995). Foi Daniel Goleman que popularizou o termo Inteligência Emocional. Em 1995, ele publicou um livro muito conhecido. Fica a dica de leitura! Para o “pai da Inteligência Emocional”, o QI (Quociente Intelectual) representa apenas 20% da explicação do sucesso de uma pessoa. E os outros 80%? Ficam a cargo da Inteligência Emocional, ou seja, o QE (Quociente Emocional). Já de acordo com a Consultoria TalentSmart, 58% do desempenho de qualquer profissional Relacionamento Interpessoal e Ética 15 advém da Inteligência Emocional (BRADBERRY; GREAVES, 2017). Assim, fica claro que a Inteligência Emocional nos ajuda a superar as nossas limitações, permitindo que aproveitemos todo nosso potencial. A Inteligência Emocional está alicerçada em 5 pilares, sendo eles: 23 Fonte: https://blog.aaainovacao.com.br/inteligencia-emocional/ https://blog.aaainovacao.com.br/inteligencia-emocional/ Acerca do primeiro pilar, basta lembrar que discutimos muito a respeito de Autoconhecimento na Unidade 1, lembra-se? Autoconhecimento Autoconhecimento diz respeito à capacidade de reconhecer os seus pontos fortes, os seus pontos fracos, as suas emoções e os seus pensamentos. Isso irá auxiliá-lo a ter comportamentos mais conscientes. 25 Autorregulação O pilar da está ligado à saber expressar as suas emoções e saber controlá-la. Essa gestão emocional é um sinal de maturidade emocional. Com certeza, você já deve ter vivenciado momentos em que não conseguiu se expressar de maneira objetiva, calma e de forma racional. Depois que tudo passou, você teve a impressão que foi ‘atropelado’ pelas suas emoções . Mas, espere! Isto não tem nada a ver com “engolir sapo”. Você pode e deve falar o que te incomoda, mas, cuidado para que você não seja refém das próprias emoções. Lembre-se: você deve estar no controle das emoções e não o contrário! Na verdade, não temos controle sobre o que o outro diz, mas, somos totalmente responsáveis pelas minhas reações diante do que o outro me falou. 26 As emoções são reações físicas e emocionais provocadas por um estímulo. Imagine, por exemplo, que você está em uma praia e percebe que está vindo em sua direção um tubarão. Como você reage? 27 https://br.pinterest.com/pin/444800900679414748/ https://br.pinterest.com/pin/444800900679414748/ Com certeza o seu coração acelera, a sua respiração fica acelerada, as suas pupilas dilatam, a sua boca seca. Além disso, o sangue se concentra em algumas áreas e deixa de lado o sistema digestório, o que faz com que o seu intestino dê aqueles sinais de que algo vem por aí. Estas respostas físicas que o seu corpo vivenciou ao ver um tubarão são chamadas de emoções. Não existem emoções negativas. Todas elas são importantes e necessárias para a nossa sobrevivência. Por exemplo: o que seria de nós se não tivéssemos a emoção do nojo? Provavelmente comeríamos coisas estragadas, o que nos faria muito mal. E a tristeza? Se não for exagerada e por um tempo prolongado, pode nos ajudar a refletir sobre a nossa vida. Já o medo nos ajuda a nos livrar do perigo. A raiva, de forma moderada e controlada, nos ajuda a reparar as injustiças. Entendeu?28 Você já assistiu ao filme DivertidaMente? Essa animação traz a história dos personagens que representam as emoções básicas, são elas: a raiva, o nojo, a tristeza, a surpresa, a alegria e o medo (Temos 5 personagens, mas a Alegria e a surpresa são representadas por um só personagem). Assista ao vídeo “Já nascemos com as emoções”. Pense sobre a importância das emoções em nossa vida. 29 Todos Nós Já Nascemos Com Emoções! https://youtu.be/wmLnPulXlNw Voltemos aos 5 pilares. Motivação Interna A Motivação interna está relacionada à habilidade que temos de manter o foco e perseguir os nossos objetivos. É ser otimista como nos falou Mário Sérgio Cortella. 30 https://www.mensagens10.com.br/mensagem/16110 Mario Sergio Cortella - Otimismo e esperança #SHORTS - YouTube Após ver o vídeo, reflita: você tem conseguido florescer e fazer o melhor com as condições que tem? Este é um aspecto importante da Inteligência Emocional. https://www.mensagens10.com.br/mensagem/16110 https://www.youtube.com/shorts/hLklHVF9Acs https://www.youtube.com/shorts/hLklHVF9Acs Empatia Agora, chegou a vez da Empatia! Você já ouviu a expressão: “antes de julgar a minha vida, calce os meus sapatos”? Calçar os sapatos de alguém é o que podemos chamar de empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar de outras pessoas e sentir como elas, provavelmente, estão sentindo. Isso nos possibilita tentar entender seu ponto de vista e os seus motivos. Assim, conseguimos nos conectar melhor com as pessoas, criando laços e entendendo melhor as suas necessidades, o que pode gerar um Clima Organizacional mais favorável. 31 Relacionamentos Interpessoais Por fim, o quinto pilar refere-se a construir Relacionamentos Interpessoais saudáveis, que quer dizer criar redes de apoio e de amizades. Mas isso não tem a ver, necessariamente, em ter grande número de amigos, mas, ter amizades verdadeiras nos ajuda a permanecermos mais saudáveis e mais felizes. Você sabia disso? Em um estudo realizado durante 76 anos, por pesquisadores da Universidade de Harvard nos Estados Unidos, acompanhando, inicialmente, mais de 700 jovens durante toda a vida, monitorando seu estado mental, físico e emocional, constatou que as pessoas que têm uma rede de amigos de qualidade não somente vivem mais, mas, vivem melhor. 32 Quer saber mais sobre esse estudo? Assista ao TED do atual diretor da pesquisa, Robert Waldinger, chamado: “O que torna uma vida boa? Lições do estudo mais longo sobre a felicidade”. 33 Robert Waldinger: O que torna uma vida boa? Lições do estudo mais longo sobre a felicidade | TED Talk https://www.ted.com/talks/robert_waldinger_what_makes_a_good_life_lessons_from_the_longest_study_on_happiness?language=pt https://www.ted.com/talks/robert_waldinger_what_makes_a_good_life_lessons_from_the_longest_study_on_happiness?language=pt Mas, como desenvolver a Inteligência Emocional? Vamos às algumas dicas: 1- Autoconsciência: ter uma visão realista dos seus pontos fortes e fracos, do que te tira do sério, de quais são os gatilhos que te deixam nervoso e/ou feliz. Como fazer: Peça 3 pessoas da sua confiança e que lhe querem bem para lhe dizer como ela te vê. Leia livros de desenvolvimento, se possível, faça terapia, participe de grupos de apoio. 2- Tirar o foco de si e conseguir enxergar o outro: interessar-se por conhecer as motivações, os valores e a história dos outros. Tentar ser mais empático. Como fazer? Tente se perguntar: Como ele está se sentindo? Qual ou quais necessidades não estão sendo atendidas que o levou a agir assim? Como eu me sentiria se estivesse no lugar dele? 3- Evite explosões emocionais: conheça o que te irrita e não seja tão reativo. Lembre-se: ser sincero não quer dizer ser mal educado. Como fazer? Afastar-se um pouco do problema para “oxigenar” a mente e tentar se acalmar e pensar em outras soluções, fazer exercícios físicos, reconhecer as emoções (quais reações físicas - frio na barriga, rosto queimando, enjoo, entre outras). 34 4- Escute ativamente: ouça com atenção e procure se colocar disponível para compreender e não para responder a pessoa. Evite julgamentos e não interrompa a fala do outro. 5- Desenvolva resiliência: resiliência é a capacidade de se reerguer após as crises. Para ser resiliente é preciso entender o seu propósito, que representa os seus objetivos. Por exemplo: Para que você estuda? Para poder dar uma vida melhor para a minha família, para ter um diploma. Assim, conseguimos ter força para enfrentar os desafios diários. Sobre o propósito, Nietzsche já dizia: “quem tem um porquê enfrenta qualquer como”. Precisamos, também, assumir as rédeas da nossa própria vida, ou seja, nos responsabilizamos por chegar lá, sem nos vitimizarmos. 6- Seja grato: a Psicologia Positiva já constatou que agradecer pelo que se tem, focando no que deu certo, faz com que as pessoas experimentem emoções positivas. Isto porque: “quem não é grato pelo que tem vive como se nada tivesse”. Pense sobre isso! 7- Pratique a generosidade: a generosidade está ligada à compaixão, gentileza e colaboração com o próximo. São atos de bondade e altruísmo que, de acordo com a Psicologia Positiva, trazem benefícios para quem recebe e para quem os pratica. A pessoa generosa é mais feliz, mais engajada e a sua vida tem mais significado. Como fazer? Esteja atento e não perca a oportunidade de praticar pequenos gestos que podem colaborar com o próximo. Sinta a sensação de bem estar que eles geram 35 Viktor Frankl (1905 - 1997), um psiquiatra austríaco, foi prisioneiro em 3 campos de concentração nazista na Segunda Guerra Mundial, simplesmente por ser judeu. Sua esposa grávida e alguns dos seus familiares foram mortos em outros campos. Ele nos ensinou muito sobre como devemos reagir nos momentos difíceis. 36 Fonte: https://www.pensador.com/frase/MjM1ODM1OA/ https://blogs.opovo.com.br/artesanatodamente/2018/06/29/a-sabedoria-pratica-de-viktor-frankl/ Ele dizia que para sobreviver ao sofrimento dos Campos de Concentração, ele se imaginava, no futuro, fazendo o que ele mais gostava e se encontrando com as pessoas que ele mais amava. Ele percebia que as pessoas que morriam ali eram justamente aquelas que não tinham um propósito (uma meta para o futuro). Mas, isso, sem perder de vista o presente. Veja só o que ele dizia: https://www.pensador.com/frase/MjM1ODM1OA/ https://blogs.opovo.com.br/artesanatodamente/2018/06/29/a-sabedoria-pratica-de-viktor-frankl/ Viu como o propósito é algo que nos mantém vivos e motivados? Se temos uma missão mais importante que nós mesmos, conseguimos superar os obstáculos da vida. Mas, se não sabemos para quê estamos vivendo aquilo, logo sucumbiremos. E você, tem motivos para quê lutar? Qual o motivo de estar aqui, fazendo este curso? Por que (ou, por quem) você acorda cedo todos os dias? 37 Propósito O motivo mais forte que te mantém de pé e te impede de desistir. Para concluir, sabemos que a Inteligência Emocional é caracterizada pela forma como nos adaptamos ao mundo e a como reagimos ao que nos acontece. Essa competência nos ajuda a superar os momentos difíceis, lidar de maneira madura e sábia com os problemas e os conflitos, e, ainda, a construir relacionamentos saudáveis. Unidade 3: Gestão De Conflitos Após o estudo desta unidade, você será capaz de: -Reconhecer as naturezas dos conflitos; - Diferenciar os conflitos funcionais X disfuncionais; e - Indicar as principais estratégias para a gestão de conflitos. 38 Gestão de Conflitos Todos nós já nos envolvemos em um conflito, não é mesmo? O conflito é próprio da convivência humana, pois as pessoas têm diferentes ideias, valores, interesses e motivações. Mas, mesmo ele sendo inerente à vida humana, será que podemos tirar proveito dos conflitos? Será possível gerenciar os conflitos, de modo que eles não sejam momentos de explosões de raiva, ofensas e rupturas? Eu te digo que sim! Segundo Berg (2012, p.18), “compreender o conflito,e saber lidar com ele, é fundamental para o seu sucesso pessoal e profissional”. Diante da importância dos conflitos e da sua gestão para o nosso desenvolvimento e das relações as quais fazemos parte, a nossa missão nesta unidade, é: 39 1 Compreender as naturezas dos conflitos; 2 Diferenciar os conflitos funcionais x disfuncionais e as diferentes visões de conflito; 3 Conhecer as principais estratégias para a gestão de conflitos. 40 Conflito caracteriza-se por um impasse ou tensão que nasce quando uma das partes percebe que a outra parte afeta ou está próximo de afetar algo que ela tem interesse ou considera importante (ROBBINS, 2008). Percebeu? O conflito é a oposição que nasce de um desacordo entre as pessoas. É comum quando falamos em conflito pensemos em brigas e agressões. Mas, o conflito tem diversas maneiras de se manifestar. Cada pessoa reage de uma forma e tem seu jeito de lidar com ele. Os conflitos podem ser de vários tipos. Em relação ao conteúdo do conflito, Robbins (2008), classificou os 3 tipos que podem surgir no ambiente de trabalho. Veja quais são eles: 1- Conflito de Tarefa: são aqueles conflitos que surgem de situações concretas do trabalho, como, por exemplo, quem fará o quê, quem trabalhará no domingo na escala dessa semana, entre outros. 2- Conflito de Relacionamento: diz respeito às discordâncias que surgem nas relações interpessoais, visto que cada pessoa tem um jeito de ser; 3- Conflito de Processo: quando a discordância se dá devido a desacordos quanto à forma de fazer algo. 41 Quanto ao nível de abrangência, ou seja, quem ele atinge, os conflitos podem ser: 1- Conflito intrapessoal: envolve apenas uma pessoa e acontece internamente no indivíduo. Pode ocorrer porque uma pessoa passa por problemas físicos ou psicológicos e começa a ter conflitos internos. Para isso, é muito importante que a pessoa procure terapia e ajuda especializada. Ainda, esse tipo de conflito pode ocorrer porque algo externo, como uma situação, por exemplo, entra em desacordo com os valores e princípios de alguém. Por exemplo: uma pessoa valoriza muito a honestidade, mas, pensa em não denunciar um colega corrupto porque tem medo de retaliações. Por isso, ele entra em conflito consigo: contar ou não contar para o chefe? Ou, outra pessoa é bastante engajada com questões relacionadas à inclusão. Mas, como não tinha outras vagas disponíveis, estacionou na vaga reservada para pessoas com deficiências. Isto pode gerar conflitos internos pela divergência entre os seus valores e o seu comportamento. 42 https://www.storyboardthat.com/pt/les son-plans/gest%C3%A3o-de-conflitos -e-resolu%C3%A7%C3%A3o/tipos-d e-conflitos https://www.storyboardthat.com/pt/lesson-plans/gest%C3%A3o-de-conflitos-e-resolu%C3%A7%C3%A3o/tipos-de-conflitos https://www.storyboardthat.com/pt/lesson-plans/gest%C3%A3o-de-conflitos-e-resolu%C3%A7%C3%A3o/tipos-de-conflitos https://www.storyboardthat.com/pt/lesson-plans/gest%C3%A3o-de-conflitos-e-resolu%C3%A7%C3%A3o/tipos-de-conflitos https://www.storyboardthat.com/pt/lesson-plans/gest%C3%A3o-de-conflitos-e-resolu%C3%A7%C3%A3o/tipos-de-conflitos 2- Conflito interpessoal: ocorre entre duas pessoas por divergência de valores, diferenças de personalidades ( jeito de ser e características de cada um), bem como diferenças de informações e de percepções. 3- Conflito Intergrupal: pode acontecer entre grupos distintos de pessoas porque os recursos são escassos e limitados, fazendo com que grupos e pessoas entrem em conflitos. Para exemplificar este tipo de conflito, podemos trazer o exemplo da guerra entre Ucrânia e Rússia, que disputam território. O recurso territorial é limitado, não é mesmo? Apenas um país pode ter as terras que eles desejam. Então, eles entram em disputa. No trabalho também é a mesma coisa. Digamos que há um cargo de coordenação de operações muito desejado por todos, pois a remuneração é alta. Cinco colaboradores disputam o mesmo cargo e entram em conflito para ocupá-lo Nós sabemos que temos valores, motivações, interesses e opiniões diferentes. Na verdade, vemos o mundo com as nossas lentes, que são formadas pela nossa personalidade (as nossas características biológicas e sociais). Isto faz com que tenhamos percepções diferentes sobre a realidade. Ao mesmo tempo que essas lentes nos ajudam a compreender o mundo e a tomar decisões, elas podem gerar desvios perceptivos, como, por exemplo, o preconceito e os estereótipos. 43 Quer um exemplo? Eu nasci em Minas Gerais e já ouvi muitas piadas sobre o fato do mineiro ser “pão duro”. Você já ouviu isso também? Mas, será que todos os mineiros são assim? Podemos estereotipar um grupo por uma característica apenas? Os preconceitos e os estereótipos causam problemas muito sérios que podem levar até mesmo a violências e genocídios, como aconteceu com os judeus na Segunda Guerra Mundial. Por isso, a Organização das Nações Unidas - ONU, em seu Manual de resolução de conflitos, alerta que precisamos estar atentos aos nossos preconceitos e à forma como percebemos o mundo. Ainda, precisamos entender que cada um tem crenças e jeito de ser diferente. Ademais, para gerenciar as nossas percepções e os conflitos que daí surgirem, é preciso estar aberto à diversidade e, também, estar dispostos a considerar as peculiaridades das pessoas com respeito e empatia. Isto é um exercício diário, mas que nos ajuda a sermos seres humanos melhores e a melhorar as nossas relações interpessoais (ONU, 2001). 44 Fonte: https://www.psicomotricidadepositiva.com.br/ percepcao-como-percebemos-o-mundo/ https://www.psicomotricidadepositiva.com.br/percepcao-como-percebemos-o-mundo/ https://www.psicomotricidadepositiva.com.br/percepcao-como-percebemos-o-mundo/ Mas, peraí! Temos a ideia de que os conflitos são sempre negativos. Esse tipo de pensamento representa uma visão antiga sobre os conflitos. No passado, os estudiosos acreditavam que os conflitos deveriam ser evitados e que eles sempre geram problemas. 45 Atualmente, acredita-se que os conflitos são naturais e próprios da convivência humana. Aliás, o mais importante é saber que na visão atual, os conflitos podem ser positivos e, até necessários, pois podem gerar mudanças para melhor e estimulam a criatividade e a criação de novas ideias. Nesse caso, os conflitos são considerados como funcionais, ou seja, auxiliam na expressão de desejos e dificuldades, no alcance dos objetivos e constroem mudanças positivas. Podemos entender melhor este tipo de conflito com um exemplo. Vamos pensar em uma situação onde você e o seu colega de trabalho entraram em conflito porque cada um queria que a sua ideia fosse implementada a fim de aumentar as vendas. Digamos que isso tenha gerado novos processos de marketing e de propaganda, baseado nos resultados daquelas discussões que vocês tiveram e isso tenha aumentando e muito as vendas. Viu só como um conflito pode ser funcional e levar a mudanças positivas? 46 Mas, claro, os conflitos não são sempre positivos. Situações de conflito podem ser negativas quando não há um efetivo gerenciamento e toda aquela situação atrapalha o bom relacionamento entre as pessoas e as equipes, resultando em desmotivação e problemas de comunicação e convivência. Neste caso, esses conflitos são disfuncionais, pois não geram resultados positivos. 47 Fonte: https://www.cnmp.mp.br/portal/images/stories/Comissoes/CSCCEAP/Di %C3%A1logos_e_Media%C3%A7%C3%A3o_de_Conflitos_nas_Escola s_-_Guia_Pr%C3%A1tico_para_Educadores.pdf Então, observe que a gestão de conflitos não objetiva acabar com os conflitos, mas, resolvê-los de modo funcional, de tal forma a tomá-lo uma oportunidade de crescimento e de aprendizagem. https://www.cnmp.mp.br/portal/images/stories/Comissoes/CSCCEAP/Di%C3%A1logos_e_Media%C3%A7%C3%A3o_de_Conflitos_nas_Escolas_-_Guia_Pr%C3%A1tico_para_Educadores.pdf https://www.cnmp.mp.br/portal/images/stories/Comissoes/CSCCEAP/Di%C3%A1logos_e_Media%C3%A7%C3%A3o_de_Conflitos_nas_Escolas_-_Guia_Pr%C3%A1tico_para_Educadores.pdfhttps://www.cnmp.mp.br/portal/images/stories/Comissoes/CSCCEAP/Di%C3%A1logos_e_Media%C3%A7%C3%A3o_de_Conflitos_nas_Escolas_-_Guia_Pr%C3%A1tico_para_Educadores.pdf E como podemos gerenciar os conflitos? Podemos adotar uma estratégia de acordo com a situação. Assim, podemos nos retirar da situação conflituosa, quando, por exemplo, os ânimos estiverem exaltados ou notamos que não temos chances de ganhar a disputa. Ou, podemos suavizar a situação conflituosa, buscando harmonia, se o que for mais importante é o bom clima organizacional, a manutenção do relacionamento ou se o que está gerando conflito não for tão importante, isto porque estaremos renunciando aos nossos interesses. Podemos, ainda, fazer concessões quando é melhor cedermos em algum ponto para manter o relacionamento ou ambas as partes precisam de alguma vitória. Podemos, também, agir de modo colaborativo, em um encontro face a face, ou, ainda, podemos impor a nossa opinião, de maneira coercitiva, de modo não cooperativo, onde um irá ganhar e o outro irá perder. Isto acontece principalmente quando não temos a expectativa de voltar a conviver com aquela pessoa. 48 Não há uma estratégia que seja melhor que a outra. Tudo irá depender da situação e do padrão de relacionamento das partes, além de onde e o que se quer. O fato é que devemos observar a situação e tentar compreender quais as necessidades, as visões e as percepções das pessoas que estão envolvidas. Devemos, ainda, tentar compreender as partes do conflitos que são manifestas e as que estão latentes, ou seja, aquilo que não foi dito. 49 Então, vamos a alguns pontos para gerenciar os conflitos no trabalho? 1- Focar no presente: não traga assuntos mal resolvidos do passado que podem tirar o foco no que realmente importa. Foque na solução do momento presente. 2- Cuidado com a comunicação: a forma de nos expressarmos pode gerar conflitos pois, entre o que uma pessoa fala e como ela é entendida pode haver uma grande abismo. Há alguns fatores que dificultam muito esse entendimento. Por exemplo, o uso de palavras de uma área específica, ou seja, os famosos jargões. Já percebeu quantas siglas são usadas na área da gestão? Top of mind, networking” são alguns desses jargões. Devemos buscar nos comunicar de maneira clara e objetiva. Para ter certeza que a outra pessoa entendeu, você pode perguntar a ela o que ele compreendeu sobre aquilo que foi falado. 3- Evite fofocas: falar de alguém para outra não resolverá o problema. Você sabia que o nosso cérebro gosta de fofocas? A fofoca estimula o nosso sistema de recompensa do nosso cérebro. As pesquisas apontam que o cérebro libera os hormônios do prazer quando se depara com uma fofoca. Acredita? Mas, não é porque o nosso sistema de recompensa é ativado e sentimos prazer até mesmo quando estão falando do nosso melhor amigo que iremos fofocar. 50 A fofoca faz muito mal para o seu autor e para a reputação de quem estamos falando. Além disso, o clima no trabalho fica muito ruim. Aliás, algo muito importante a ser realçado é que a fofoca revela muito mais sobre quem fala do que de quem se fala. Veja só o que Freud, o famoso psiquiatra austríaco, pai da Psicanálise, nos fala sobre a fofoca: 51 https://pics.me.me/o-homem-edono-do-que-cala-e -escravo-do-que-10364318.png https://pics.me.me/o-homem-edono-do-que-cala-e-escravo-do-que-10364318.png https://pics.me.me/o-homem-edono-do-que-cala-e-escravo-do-que-10364318.png 4- Foque na solução e não no problema: evite ficar remoendo o problema, o que aconteceu, apontando culpados e realçando os “defeitos” e as características das pessoas. Direcione a sua atenção para formas de solucionar aquele problema. Compartilhe essa disposição em buscar soluções resolutivas. 5- Escute ativamente: ouça com atenção e evite julgamentos. Não interrompa a fala do outro. A interrupção, além de irritar o outro, mostra para ele que aquilo que ele está dizendo não é importante. Algumas vezes, escutamos tentando formular em nossa mente a resposta. Mas, para gerenciar os conflitos, precisamos escutar para compreender e não para responder. 6- Análise da situação: procure compreender as necessidades por trás daquele conflito e o que realmente está em jogo. Foque no presente e não se esqueça: nunca permita que haja acusações e violências. Se os ânimos estiverem esquentando, é melhor suspender as discussões 7- Procure gerenciar as suas emoções: na unidade 2, conversamos bastante a respeito da importância de controlar as nossas emoções e não deixar que elas nos controlem. Evite que as discussões sejam levadas para o lado pessoal 52 8- Se for preciso, marque conversas individuais: deixe claro, em conversas individuais, que as pontuações não são pessoais, mas, são direcionadas ao comportamento e expresse as desvantagens para todos. 9- Tenha resiliência: resiliência é a capacidade de se reerguer após as crises. Não se lamente ou leve para o lado pessoal. O seu lado adulto deve entender que os conflitos são Relacionamento Interpessoal e Ética 31 parte da vida e que são oportunidades de melhorias. Precisamos, também, assumir as rédeas dos nossos comportamentos e nos responsabilizamos pela parte que nos cabe, sem nos vitimizarmos. 10- Estimule o diálogo: promova e facilite a troca respeitosa de informações, visando levantar os prós e os contra, os pontos e os contrapontos, focando sempre na resolução do problema e não nas pessoas. 11- Atente-se à sua postura: muitas vezes, o nosso jeito de posicionar o nosso corpo, os nossos gestos e o nosso tom de voz demonstram agressividade, desdém e julgamentos e o pior, nós não percebemos. Peça a um amigo de confiança para fazer uma análise da postura que você tem adotado diante de momentos conflituosos. Após esse diagnóstico, mude o que for preciso. 53 12- Aceite que as pessoas têm visões de mundo diferentes: como vimos, cada um enxerga o mundo com as suas lentes e nas empresas se encontram pessoas das mais variadas regiões, estilos de vida, valores familiares. Então, devemos desenvolver a empatia, colocando-nos no lugar dos outros, o que o levará a uma melhor compreensão dos problemas.dotado diante de momentos conflituosos. Após esse diagnóstico, mude o que for preciso. 54 Fonte: Brainly.com.br Então, vamos ser o exemplo de gestão de conflitos que as pessoas precisam seguir? https://brainly.com.br/tarefa/17563283 Unidade 4: Comunicação Não Violenta Após o estudo desta unidade, você será capaz de: - Reconhecer a relação entre a comunicação e a qualidade dos relacionamentos; - Reconhecer os julgamentos como elemento da comunicação alienante; - Identificar os princípios da Comunicação não violenta; - Identificar os 4 pilares da Comunicação não violenta; - identificar as características de uma linguagem empática e que gere conexão. 55 Comunicação Você já teve a sensação de falar e não ser entendido pelo outro? Isso pode acontecer porque, muitas vezes, a forma como nos comunicamos soa, para o outro, como arrogante ou agressivo, o que acaba gerando muitos problemas nos relacionamentos. Mas, a abordagem da Comunicação não violenta pode nos ajudar a nos comunicar de forma mais eficaz. Você já ouviu falar no Poeta Gentileza? 56 https://www.colombo.com.br/blog/estilo-de-vida/gentileza-ge ra-gentileza-a-historia/ https://www.colombo.com.br/blog/estilo-de-vida/gentileza-gera-gentileza-a-historia/ https://www.colombo.com.br/blog/estilo-de-vida/gentileza-gera-gentileza-a-historia/ A sua missão de vida, dizia ele desde os 13 anos, era espalhar a mensagem de amor por onde passava. Ele começou a cumprir o seu legado em dezembro de 1961, após o incêndio no Gran Circus Norte-Americano, na cidade de Niterói no Rio de Janeiro, (que culminou na morte de 500 pessoas). Na ocasião, ele se mudou para o terreno onde antes era o circo, plantou jardim e horta sobre as cinzas. Foi um consolador voluntário, que confortou os familiares das vítimas da tragédia com suas palavras de bondade.Nos anos seguintes, Gentileza passou a andar pelas ruas do Rio de Janeiro espalhando a sua mensagem de amor e respeito ao próximo. É dele a frase que foi estampada em muitos muros e viadutos do Rio: Gentileza gera gentileza. Não sei se você sabe, mas, Marisa Monte escreveu uma linda música sobre o Poeta Gentileza. Aprecie a letra sem moderação: 57 Marisa Monte - Gentileza (Videoclip) https://youtu.be/mpDHQVhyUrY A comunicação não violenta se apoia justamente nesta ideia de que somos naturalmente bons e compassivos, mas, ao longo da nossa vida, desenvolvemos uma linguagem, alienante, repleta de julgamentos, comparações e busca por culpados, que muito machucam e ofendem. Mas, é importante destacar aqui que a Comunicação não violenta não defende que devemos negligenciar o nosso bem estar e “engolir sapos”. Pelo contrário, devemos estar atentos, também, com as nossas necessidades e sentimentos e assim, podemos, inclusive, discordar sem brigar. Para entender melhor o que é a Comunicação não violenta, vamos começar explicitando o seu conceito? 58 Para refletir: Você concorda com o poeta Gentileza? Você acredita que se utilizarmos uma linguagem que gera conexão, ao invés de julgamentos, podemos vivenciar relacionamentos melhores? Para Rosenberg (2006), a Comunicação não violenta é uma abordagem de comunicação que se fundamenta em desenvolver habilidades que fortalecem a conexão e a compaixão entre as pessoas, mesmo em condições difíceis. Por meio dessa abordagem, aprendemos a nos comunicar com empatia e respeito, de modo a compreender as necessidades que se encontram por trás de todo o conflito. Para Marshall Rosenberg, a chave para a resolução de muitos conflitos pode estar na forma como falamos, ouvimos e compreendemos as necessidades por trás dos atos dos outros. Para ele, todo ato violento é uma expressão trágica de uma necessidade não atendida. Observe que todos temos necessidades, e, na verdade, há algumas delas que são universais, como a necessidade de ser amado, de ser compreendido, de se saciar-se, de ter segurança, entre outras. Nesta perspectiva, assumimos a responsabilidade pelos nossos sentimentos, pois, como vimos, eles são frutos das nossas interpretações e visões de mundo. Assim, entendemos que todas as pessoas têm necessidades e sentimentos. Comunicar, então, é nos conectar aos nossos sentimentos e necessidades e estabelecer uma ponte com as necessidades e sentimentos dos outros. 59 60 Comunicação não violenta, capítulo 10: expressando a raiva plenamente - O Espaço - Comunicação não-violenta (oespaco.net) https://oespaco.net/2018/11/comunicacao-nao-violenta-expressando-raiva.html https://oespaco.net/2018/11/comunicacao-nao-violenta-expressando-raiva.html Veja que utilizar a abordagem da Comunicação não violenta é também cuidar de nós, das nossas necessidades, evitando auto julgamento e culpabilização, pois isso nos distancia das nossas reais necessidades. O chacal, nessa imagem, faz o jogo da culpa. Ele é aquele chicote que usamos contra nós mesmos, pois, muitas vezes somos o nosso próprio carrasco, onde nós mesmos nos culpamos e nos depreciamos. Isto é uma violência que praticamos contra a nossa pessoa! A girafa é o símbolo da Comunicação não violenta. Esta foi uma forma de Rosenberg (2006), o pai da Comunicação não violenta, representar o tipo de linguagem compassiva, que gera conexão, ao invés de violência, julgamentos e ofensas. Sabe por que ele escolheu a girafa? Ela é o mamífero que tem o maior coração e por isso, pode representar a compassividade, o amor, a bondade e o respeito. É, também, o animal com o maior pescoço, para observar a situação sem julgamentos, por cima. Já as grandes orelhas representam a necessidade de ouvirmos com empatia. 61 Observe neste desenho o quanto a girafa representa os princípios da Comunicação não violenta: 62Comunicação Não-Violenta :: www.novocontexto.com.br https://www.novocontexto.com.br/cnv/ Já a linguagem do chacal é a expressão da comunicação alienante, violenta, que procura sempre culpados, que busca acusar e depreciar o outro e a si. A linguagem do tipo chacal ativa sempre o desejo de revidar e nos defender e, por isso, quase sempre acaba mal. A linguagem do chacal quer mudar o outro, controlar, punir e ser dona da verdade. É uma linguagem de acusação, leva tudo para o pessoal, sempre encontra um culpado que, adivinhem, é o outro. 63 Comunicação não violenta: uma linguagem de paz num mundo de conflitos - Missionárias SSpS Brasil https://blog.ssps.org.br/comunicacao-nao-violenta--uma-linguagem-de-paz-num-mundo-de-conflitos https://blog.ssps.org.br/comunicacao-nao-violenta--uma-linguagem-de-paz-num-mundo-de-conflitos De acordo com Marshall, devemos estar por inteiro quando nos comunicamos com as pessoas, desenvolvendo a escuta ativa, procurando identificar as necessidades não atendidas de ambas as partes, buscando compreender e ser compreendido (ROSENBERG, 2006). Não se busca mudar ou influenciar as pessoas com a Comunicação não violenta, mas, gerar compreensão e acolhimento por meio da compaixão, empatia e autenticidade. Para tanto, vale a pergunta ao lado: 64 https://www.facebook.com/cendidesenvolvimentohumano/ph otos/se-voc%C3%AA-pudesse-comer-suas-palavras-voc%C 3%AA--seria-nutrido-ou-envenenado-alguns-dize/20210023 54843889/ https://www.facebook.com/cendidesenvolvimentohumano/photos/se-voc%C3%AA-pudesse-comer-suas-palavras-voc%C3%AA--seria-nutrido-ou-envenenado-alguns-dize/2021002354843889/ https://www.facebook.com/cendidesenvolvimentohumano/photos/se-voc%C3%AA-pudesse-comer-suas-palavras-voc%C3%AA--seria-nutrido-ou-envenenado-alguns-dize/2021002354843889/ https://www.facebook.com/cendidesenvolvimentohumano/photos/se-voc%C3%AA-pudesse-comer-suas-palavras-voc%C3%AA--seria-nutrido-ou-envenenado-alguns-dize/2021002354843889/ https://www.facebook.com/cendidesenvolvimentohumano/photos/se-voc%C3%AA-pudesse-comer-suas-palavras-voc%C3%AA--seria-nutrido-ou-envenenado-alguns-dize/2021002354843889/ Você deve estar se perguntando: Como desenvolver uma comunicação não violenta? Marshall nos apresenta 4 etapas para isso. Quer saber quais são elas? 1- Observação: nesta primeira etapa, é necessário observar a situação. Mas, essa observação deve se ater às ações concretas e não à sua interpretação. Quando interpretamos abrimos espaço para julgamentos. 2- Sentimento: em seguida, é necessário identificar qual sentimento foi despertado pela situação. Como você se sente? Está alegre, assustado, grato, magoado, enciumado, ofendido? 3- Necessidades: a maioria dos conflitos surgem de necessidades não atendidas. Mas, quais necessidades são essas? Bem, elas podem ser muitas: segurança, consideração, harmonia, paz, aceitação, conforto, reconhecimento, descanso, higiene, entre outras. Essas necessidades representam as nossas motivações, ou seja, o por que agimos assim. Assim, é muito importante que você identifique as suas necessidades e as dos outros 65 4- Pedido: transforme as suas necessidades em pedidos claros. Enfoque o que você deseja que a outra pessoa faça, mas faça isso de forma compassiva. Use sempre uma linguagem positiva ao invés de uma que utilize a palavra não. Exemplo: Peço que coloque a toalha molhada no varal. Ao invés de: Não jogue a toalha molhada em cima da cama. Mas, atenção! Cuidado para não transformar pedidos em exigências 66 Para ilustrar os quatro passos da Comunicação não violenta, veja este exemplo, de acordo com Rosenberg (2006): 67 Você já deve ter observado que, quando nos baseamos nessa abordagem, praticamos a empatia como forma de nos conectar ao que o outro diz. Mas, há frases e atitudes que minam a escuta empática. Por isso, devemos ter muito cuidado para não: 1- Dar conselhos: Quando alguém nos conta um problema e logo queremos dar um conselho, sem a pessoa pedir. 2- Fazer julgamentos moralizantes: Lembre-se que os nossos valores são nossos e as outras pessoas têm os seus próprios valores.Por isso, não devemos querer submeter os outros aos nossos valores, pois a crítica é um julgamento com base naquilo que acreditamos ser certo. Mas, essa é a sua régua, entendeu? Julgar o outro apenas faz com que ele se afaste ou se defenda, pois elas geram sentimentos como culpa e vergonha. Devemos observar sem julgar. 3- Fazer comparações: As comparações são julgamentos porque usamos como parâmetro o que acreditamos ser correto. Mas, já pensou que o que acredita ser o certo tem a ver com as suas lentes, ou seja, tem a ver com a sua história de vida e pode não corresponder, necessariamente, com a realidade? As comparações geram muita ansiedade e frustração, dificultando a conexão com o sofrimento do outro. 68 Por exemplo, quando, na tentativa de ajudar, alguém nos conta que está em um impasse porque fez algo. E logo falamos: Nossa, mas como você foi capaz de fazer isso? A pessoa se sente péssima, não é mesmo? 4- Disputar qual o sofrimento é maior: Muitas vezes, em situações de dor, tudo o que não precisamos é que o outro conte uma outra situação que lhe aconteceu, disputando qual foi o sofrimento maior, dizendo: isso não foi nada, no meu caso foi muito pior! 5- Consolar: Outra atitude que não colabora para a conexão é o outro nos consolar, nos colocando na posição de coitadinho. Na verdade, quando alguém nos procura para conversar sobre algo que lhe aconteceu, devemos acolhê-lo, ficar do lado, escutar de forma ativa, estando ali por inteiro. Evitando estas atitudes que descrevemos anteriormente. Veja o que descreve Rosenberg (2006), no livro “Comunicação não-violenta Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais” sobre a consolação: 69 “No livro, quando coisas ruins acontecem com pessoas boas, o rabino Harold Kushner descreve quanto foi doloroso para ele, quando seu filho estava morrendo, ouvir as palavras que as pessoas ofereciam no intuito de fazê-lo sentir-se melhor. Ainda mais dolorosa foi a constatação de que durante vinte anos ele estivera dizendo as mesmas coisas a outras pessoas em situação semelhante!” Nas situações de dor somos impelidos a dizer alguma coisa. - “Foi melhor para ele!” - “Assim ele não sofre mais”. - “A família estava sofrendo muito!” Mas, isso acaba fazendo o outro se sentir pior, pois impede que estejamos presentes. 6- Não se responsabilizar pela culpa: A abordagem da Comunicação não violenta nos convida a não terceirizar a responsabilidade pelo que sentimentos. Na verdade, o que as outras pessoas dizem e fazem pode ser o estímulo, mas nunca a causa dos nossos sentimentos. 7- Encerrar o assunto: Esse é outro comportamento que impacta a escuta empática. Pense como é ruim quando você procura alguém para desabafar e ele logo diz: Vai passar! E acaba ali a conversa 70 Quer exemplos de frases que bloqueiam a escuta empática da qual falamos anteriormente? 71 Depois de já refletirmos bastante sobre os princípios da Comunicação não violenta, que tal praticarmos um pouquinho? Veja essas duas falas. A primeira não usa os princípios da Comunicação não violenta. A segunda já utiliza os princípios dessa abordagem: 72 E você, topa assumir o compromisso de praticar a comunicação empática e compassiva? 73 Num mundo em que você pode ser o que quiser, seja gentil. - Simplesmente Sereníssima (serenissimabh.blogspot.com) Terminamos por aqui refletindo sobre essa frase de Marshall Rosenberg. Você concorda com ela? Toda violência é o resultado das... Marshall B. Rosenberg - Pensador http://serenissimabh.blogspot.com/2019/10/num-mundo-em-que-voce-pode-ser-o-que.html http://serenissimabh.blogspot.com/2019/10/num-mundo-em-que-voce-pode-ser-o-que.html https://www.pensador.com/frase/MjM0MjM0Mw/ Unidade 5: Liderança Após o estudo desta unidade, você será capaz de: - Reconhecer a relação entre a comunicação e a qualidade dos relacionamentos; - Reconhecer os julgamentos como elemento da comunicação alienante; - Identificar os princípios da Comunicação não violenta; - Identificar os 4 pilares da Comunicação não violenta; - Identificar as características de uma linguagem empática e que gere conexão. 74 Liderança Provavelmente, ao longo da sua vida você já conviveu com pessoas que influenciavam o comportamento das outras pessoas. Pode ser que essa pessoa não ocupasse um cargo, mas, ela inspirava e motivava os outros. Pode ser que você mesmo seja essa pessoa. Essa habilidade da qual falamos tem um nome: Liderança. Mas, nem sempre esta competência foi considerada a chave do sucesso de uma organização como é entendida nos tempos atuais. Era mais comum do que hoje, víamos chefes sisudos, distantes dos seus subordinados. Na verdade, se acreditava que quanto menos se envolvesse com o lado humano dos membros da equipe, melhor. Mas, atualmente, sabe-se que os líderes que obtêm maior sucesso são aqueles que demonstram abertura para com seus liderados. Pensando na importância que o líder tem para a condução das pessoas na direção do atingimento dos objetivos da organização, conversaremos bastante a respeito de liderança nesta unidade. 75 Já que estamos falando de inspiração, apresentamos a vocês um trecho do filme: O resgate do soldado Ryan. Trata-se de um filme emocionante, dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Tom Hanks que retrata uma missão dada ao capitão John Miller, que é interpretado por Tom Hanks, na Segunda Guerra Mundial. Ele e os seus soldados têm que resgatar com vida o soldado James Ryan, que é o caçula de 4 irmãos, sendo que os outros já haviam morrido nos combates da guerra. O capitão, então, consegue influenciar os seus soldados em prol dessa missão. Veja só 76 Exemplo de Comportamento da Liderança https://www.youtube.com/watch?v=_iyr-vQjIv0&ab_channel=consultoriatriunfo Unidade 5: Liderança Após o estudo desta unidade, você será capaz de: - Reconhecer a relação entre a comunicação e a qualidade dos relacionamentos; - Reconhecer os julgamentos como elemento da comunicação alienante; - Identificar os princípios da Comunicação não violenta; - Identificar os 4 pilares da Comunicação não violenta; - Identificar as características de uma linguagem empática e que gere conexão. 77 Liderança Provavelmente, ao longo da sua vida você já conviveu com pessoas que influenciavam o comportamento das outras pessoas. Pode ser que essa pessoa não ocupasse um cargo, mas, ela inspirava e motivava os outros. Pode ser que você mesmo seja essa pessoa. Essa habilidade da qual falamos tem um nome: Liderança. Mas, nem sempre esta competência foi considerada a chave do sucesso de uma organização como é entendida nos tempos atuais. Era mais comum do que hoje, víamos chefes sisudos, distantes dos seus subordinados. Na verdade, se acreditava que quanto menos se envolvesse com o lado humano dos membros da equipe, melhor. Mas, atualmente, sabe-se que os líderes que obtêm maior sucesso são aqueles que demonstram abertura para com seus liderados. Pensando na importância que o líder tem para a condução das pessoas na direção do atingimento dos objetivos da organização, conversaremos bastante a respeito de liderança nesta unidade. 78 Já que estamos falando de inspiração, apresentamos a vocês um trecho do filme: O resgate do soldado Ryan. Trata-se de um filme emocionante, dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Tom Hanks que retrata uma missão dada ao capitão John Miller, que é interpretado por Tom Hanks, na Segunda Guerra Mundial. Ele e os seus soldados têm que resgatar com vida o soldado James Ryan, que é o caçula de 4 irmãos, sendo que os outros já haviam morrido nos combates da guerra. O capitão, então, consegue influenciar os seus soldados em prol dessa missão. Veja só 79 Exemplo de Comportamento da Liderança https://www.youtube.com/watch?v=_iyr-vQjIv0&ab_channel=consultoriatriunfo Você consegue identificar alguns traços de liderança do capitão John Miller? O estilo do capitão vai ao encontro do que descreveu Peter Druck, sobre olíder: “A única definição de líder é alguém que possui seguidores. Popularidade não é liderança. Resultados sim. Os líderes são bastantes visíveis. Portanto, servem de exemplo. Liderança não quer dizer posição, privilégios, títulos ou dinheiro. Significa Responsabilidade” 80 liderança. Pinguim - Ética&Negócios (eticaenegocios.com) https://eticaenegocios.com/sample-page/lideranca-pinguim/ https://eticaenegocios.com/sample-page/lideranca-pinguim/ Assim, a Liderança pode ser conceituada como: Liderança é a influência que conduz as pessoas a seguirem em um determinado objetivo. Pode-se dizer, em outras palavras, que é a habilidade de conduzir as pessoas a fazerem o que é necessário ser feito. “Liderança é a habilidade de influenciar as pessoas para trabalharem com entusiasmo a fim de atingir as metas para o bem comum, com um caráter que inspira confiança”. James Hunter O líder é alguém que tem habilidades que podem ser aprendidas ao longo do tempo. Por muitos anos, acreditava-se que a pessoa já nascia líder ou que ela tinha traços especiais que a distinguiam das outras pessoas. Era como aquela música da personagem Gabriela, de Jorge Amado: “Eu nasci assim, eu cresci assim. Gabriela…” 81 Mas, as pesquisas atuais entendem que a liderança é uma habilidade que pode ser aprendida ao longo do tempo. O que será o diferencial é a vontade para aprender, para encontrar o seu propósito e a disposição para desenvolver-se intelectualmente e emocionalmente. “Para ser um líder, você tem que fazer as pessoas quererem te seguir, e ninguém quer seguir alguém que não sabe onde está indo” Joe Namath - ex-jogador de futebol americano que atuou nas décadas 1960 e 1970 - tornou-se um ícone da American Football League jogando pelo New York Jets na maior parte de sua carreira. Eleito para o Hall da fama em 1985 82 Quando nos referimos à liderança, logo pensamos naqueles que têm cargos e que ocupam posição de proa nas empresas. Mas, será que somente essas pessoas exercem a liderança? Não! Aqueles que influenciam as pessoas a atingirem determinados objetivos podem não ocupar nenhum cargo, isso porque temos dois tipos de liderança: 1- Líder formal: É aquele investido em cargo de hierarquia superior e que lhe dá poder e autoridade sobre os demais colaboradores. Sua autoridade foi atribuída pelo cargo que ocupa. 2- Liderança informal: O líder informal não tem um cargo formal, mas, mesmo assim, exerce influência sob os demais membros da equipe. Sabe aquele colega que nunca foi um diretor ou coordenador, mas, os seus colegas o procuram para aconselhar-se com ele ou para pedir opinião? Este é o líder informal. Esta distinção é muito importante porque, como vimos, não é necessário ocupar um cargo ou posições de destaque para ser um líder. Na verdade, nem todo aquele que ocupa um cargo é líder 83 Isto pode acontecer porque um coordenador ou um diretor pode ser um chefe e não um líder. Veja só a diferença: Aposto que você já teve um chefe assim, não é? Aliás, precisamos conversar sobre uma coisa muito importante: nas empresas, é necessário investir na formação de todos, pois, mesmo nos cargos operacionais, as competências ligadas à liderança são muito importantes e contribuem para o sucesso da organização. 84 Essas são algumas características de um líder: ● O discurso é coerente com a prática; ● Buscam resultados; ● Tem metas claras e as comunica; ● Inspira confiança, pois é íntegro com os seus valores; ● Mostra à equipe a vantagem de se alcançar as metas; ● Corre riscos calculados; ● Tem autoconfiança, mas, atenção! Isso não significa ser não arrogante e saber tudo. É saber como pode contribuir com as outras pessoas para atingir os objetivos; ● Age de forma realista mas com positividade, buscando alcançar os objetivos. Sabe aquela pessoa que consegue encher as oportunidades por trás dos problemas? Este é o líder! ● Valoriza soluções criativas 85 ● Inteligência emocional - conseguem gerenciar as emoções e analisar as situações com objetividade; ● É o exemplo - Hoje em dia não há espaço para aquelas pessoas que falam discursos bonitos, mas, na prática, ele mesmo não faz nada daquilo. ● Comunicam-se de forma clara; ● Sabem dar e receber feedbacks; ● Motiva a sua equipe; ● Auto-motivam e se autodesenvolver; ● São resilientes (sabem se reerguer após uma crise); ● São bons solucionadores de conflitos 86 Já sabemos que o líder não nasce líder. A liderança não é algo inato, visto que ela pode ser desenvolvida por pessoas que, inicialmente, não apresentam essa característica. Mas, atualmente, como a ciência explica a liderança? Muitas teorias, ao longo do tempo, tentaram explicar a liderança. Já tivemos estudiosos que tentaram definir os estilos dos líderes, como a Teoria Situacional: o estilo de liderança se adequa ao contexto. 1. Capacidade de interpretar o ambiente: a escuta ativa, o conhecimento das atividades. 2. Utiliza o estilo que funciona naquele determinado ambiente e momento. 3. Utiliza-se de diversas formas de liderar, adaptando-a de acordo com o perfil de cada profissional 87 Muitas teorias, ao longo do tempo, tentaram explicar a liderança. Já tivemos estudiosos que tentaram definir os estilos dos líderes. Essas teorias são chamadas comportamentais. Entre essas, há uma teoria conhecida como Três estilos de liderança, que definiu que os líderes adotavam um desses estilos. Vamos saber quais são? 1. Autocrático: quando o líder centraliza em si as decisões; 2. Liberal: quando o líder interfere pouco, deixando o poder de decisão a cada indivíduo; 3. Democrático: quando o líder organiza os liderados de forma que as decisões sejam feitas em conjunto. 1- Autocrático: O líder adepto a este estilo fixa as diretrizes e determina as tarefas sem qualquer participação do grupo. Ele é dominador, é pessoal nos elogios e nas críticas ao trabalho de cada subordinado. Quando está na sua presença, o grupo fica bastante tenso. O foco aqui é totalmente nos resultados e nada no bem estar das pessoas. 88 2- Democrático: O líder, neste estilo, desenvolve bom relacionamento interpessoal com os seus subordinados. Ele não exerce autoridade, mas é um dos membros do grupo. O papel do líder é o de assistir e estimular e não o de impor. É o grupo que define as técnicas para atingir os objetivos. Neste caso, o líder é um apoio. As tarefas são importantes, mas, procura-se atingi-las a partir das decisões dos membros do grupo, aliando o atingimento das metas e o bem estar dos participantes. 3- Liberal: O líder, neste estilo, desenvolve bom relacionamento interpessoal com os seus subordinados. Ele não exerce autoridade, mas é um dos membros do grupo. O papel do líder é o de assistir e estimular e não o de impor. É o grupo que define as técnicas para atingir os objetivos. Neste caso, o líder é um apoio. O foco não é nas tarefas, mas no bem estar dos membros do grupo. 89 Você, provavelmente, deve estar se perguntando: Qual o estilo de liderança mais adequado? Eu te respondo: Não há um estilo mais adequado. Ah, professora, mas, o estilo democrático é tão humano de democrático! Mas, vamos pensar juntos. Digamos que o Instituto Federal de Brasília esteja pegando fogo e a diretora resolva convocar uma assembleia para definir os planos de evacuação do prédio. Ela envia um e-mail a todos e aguarda o tempo necessário para todos tomarem a melhor decisão. Qual o risco disso dar ruim? Muito alto, não é mesmo? Nesse caso, ela precisará ser autocrática, tomando decisões sozinha, dando ordens, impondo e comandando. É preciso evacuar logo o local! Assim é no dia a dia das organizações. Cada situação e cada estilo de subordinado exige um estilo de liderança. Por vezes, será preciso adotar um estilo mais liberal, visto que a equipe já está esgotada. Por outras, deverá ser mais diretivo, focando na tarefa a ser realizada. Entendeu? 90 É isto que diz a teoria situacional de liderança, muito aceita nos dias atuais. A partirdesse enfoque, sabe-se que o líder deve ter a capacidade de interpretar o ambiente, por meio da observação e da escuta ativa. Assim, ele utiliza o estilo que funciona naquele determinado ambiente e momento. A ordem do dia é flexibilidade de adaptar o seu estilo de liderança ao contexto. 91 Fácil não é! Mas, vale a pena se desafiar a desenvolver a liderança. O mundo está precisando de líderes fortes e ao mesmo tempo empático e compassivo. É por isso que as grandes universidades do mundo têm desenvolvido essas competências. Quer dar o primeiro passo? 92 Saiba: desenvolver competências de liderança significa investir em empatia, resiliência, escuta ativa, flexibilidade, coerência entre o que se fala e o que se faz, automotivação, gestão das emoções… Enfim, tenho certeza que ao se educação para ser um líder não somente a organização sairá ganhando, mas, você também. Para finalizar as discussões da unidade, leia a reportagem acessando o link: G1 - Jovens usam a internet para ensinar redação, inglês e matemática - notícias em Educação (globo.com). Por fim, ressalto a seguinte reflexão extraída da reportagem: “As universidades daqui sempre dizem que estão procurando não só os melhores alunos, mas as melhores pessoas. Eles querem gente ativa e apaixonada, que vai fazer a diferença no campus da universidade e no mundo depois que se formar”. - Larissa Maranhão, aprovada na Harvard University. 93 G1 - Jovens usam a internet para ensinar redação, inglês e matemática - notícias em Educação (globo.com) https://g1.globo.com/educacao/noticia/2013/01/jovens-usam-internet-para-ensinar-redacao-ingles-e-matematica.html https://g1.globo.com/educacao/noticia/2013/01/jovens-usam-internet-para-ensinar-redacao-ingles-e-matematica.html https://g1.globo.com/educacao/noticia/2013/01/jovens-usam-internet-para-ensinar-redacao-ingles-e-matematica.html https://g1.globo.com/educacao/noticia/2013/01/jovens-usam-internet-para-ensinar-redacao-ingles-e-matematica.html Unidade 6: Motivação Após o estudo desta unidade, você será capaz de: - Conceituar o termo motivação e diferenciar do termo satisfação. - Reconhecer as características da Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow; - Identificar meios de fomento para alcançar a motivação. 94 Motivação Para esquentarmos os motores, que tal conhecermos duas histórias incríveis de garra, superação e persistência? “De terno, advogado pede emprego nas ruas de Brasília”. Em razão do desemprego desde o início do ano, ele recorreu à busca por trabalho no semáforo da W3 Norte. Desde esta terça-feira, 4, já recebeu algumas ligações e conseguiu marcar entrevistas” (METRÓPOLES, 2019). 95 Agora, veja uma outra história tão interessante quanto essa. A incrível história do Panyee Futebol Clube 96 Esta é a história real do Panyee Futebol Clube, que fica em uma ilha na Tailândia, chamada Koh Panyee. Antes deles, os esportes mais populares eram o campeonato de barcos e o maior peixe pescado. Com muita luta e persistência, são hoje um dos melhores times do sul da Tailândia. A incrível história do Panyee F.C. https://www.youtube.com/watch?v=zvtz4uVxOnk&ab_channel=VPAUrbanismo O que esses dois casos têm em comum? Vou te responder já! Eles retratam duas histórias reais de pessoas que estavam muito motivadas. Sim! A motivação é o que faz com que os indivíduos dêem o melhor de si e façam o possível para conquistar o que desejam. Quer saber mais sobre isso? Certamente, em seu dia a dia, você já ouviu falar muito sobre motivação. Muitas pessoas dizem: não estou motivada a ir trabalhar! Aquela empresa não motiva ninguém! Será que é possível motivar alguém? O que será mesmo motivação? Mas, tenho que te falar uma coisa: muita gente utiliza a palavra motivação de maneira equivocada, até mesmo confundindo-a com estar satisfeito ou interessado em algo. Então, para esclarecermos de vez, vamos compreender o que é motivação 97 Inspiração e motivação, qual a diferença? (perolainstituto.com.br) https://perolainstituto.com.br/2022/02/25/inpiracao-e-motivacao/ A palavra motivação significa a força que leva alguém a agir de determinada maneira = força impulsionadora. É o motivo que uma pessoa tem para fazer algo. Robbins (2005), disserta que a motivação é o processo responsável pela a intensidade, a direção e a persistência dos esforços de uma pessoa para alcançar uma determinada meta. Então, podemos supor que a motivação são as forças internas que mobilizam o indivíduo para atingir determinado objetivo. A motivação surge como resposta a um estado de necessidade interna. Veja só! No caso dos meninos do Panyee F. C., não podemos duvidar que eles estavam muito motivados, ou seja, eles tinham motivos claros que os levavam a se esforçarem para jogar futebol. Por isso, construíram uma quadra cujos pregos machucavam os seus pés, jogavam descalços, mesmo diante das chacotas dos moradores. O que os fazia seguir em frente, com garra, mesmo diante das dificuldades, era a vontade de jogar futebol e depois, de serem campeões 98 Então, vamos utilizar esse exemplo para lhe explicar que a motivação tem 3 elementos: 1. INTENSIDADE – É o esforço que os meninos empenharam para treinar e ganhar o campeonato. Eles jogavam muito para atingirem os seus objetivos. 2. DIREÇÃO – É a meta que eles estabeleceram, como, por exemplo, ganhar o campeonato de futebol. 3. PERSISTÊNCIA – Percebeu que os meninos do Panyee F. C não se deixavam abater? Nem quando estavam perdendo o jogo eles desistiram e deixaram de lutar. Foram muito persistentes e continuaram realizando a atividade até conseguir alcançar seu objetivo. Bem, mas, precisamos esclarecer que satisfação é algo diferente de motivação! Satisfação é o estado emocional positivo ou de prazer, por exemplo, quando você fala: no meu trabalho sinto-me satisfeito com meus colegas. Mas, a motivação tem a ver com os motivos que me levam a ir trabalhar todos os dias. 99 O que você faz de maneira intensa, que tem um motivo claro para ser realizado e que você persiste porque aquela meta é importante para você? Viu? Estas são ações que você faz com motivação! Algumas vezes, pensamos que a motivação é externa. Mas, ela é interna, algo da pessoa, que nasce de uma necessidade. Por exemplo, quando acordamos cedo para ir trabalhar fazemos isto porque temos várias motivações, como ganhar dinheiro, viajar, ter uma vida melhor, não é mesmo? Então, no máximo, os estímulos externos podem ser gatilhos, mas, a motivação nasce de necessidades internas. 100 Para reflexão: O que você faz que te deixa motivado? Depois que discutimos a respeito da motivação interna e externa, vamos seguir adiante com a teoria de Abraham Harold Maslow (1908- 1970). Você já ouviu falar nele? Ele foi um psicólogo americano que descobriu em suas pesquisas que a nossa motivação tem a ver com a satisfação das nossas necessidades. E essas necessidades estão dispostas das mais básicas para as mais complexas. À medida que o homem satisfaz suas necessidades básicas como: comer, beber, por exemplo, outras mais elevadas predominam (ROBBINS, 2005). 101 https://www.facebook.com/saoleopoldomandic/photos/a.255 457467816431/4315286108500193/?type=3 https://www.facebook.com/saoleopoldomandic/photos/a.255457467816431/4315286108500193/?type=3 https://www.facebook.com/saoleopoldomandic/photos/a.255457467816431/4315286108500193/?type=3 Essa teoria é chamada de Teoria da hierarquia das necessidades de Maslow. Viu que as necessidades que estão na base da pirâmide são aquelas mais básicas e estão ligadas com nossas necessidades fisiológicas e de segurança? Se essas necessidades não estão satisfeitas, você não tem motivação para aquelas mais superiores, como ter reconhecimento do chefe, ter autonomia e aceitação dos colegas. 102 N ec es si da de s bá si ca s N ec es si da de s de cr es ci m en to Desafios mais complexos, trabalho mais criativo, autonomia, participação nas decisões