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N O Ç Õ ES D E A D M IN IS TR A Ç Ã O F IN A N C EI R A E O R Ç A M EN TÁ R IA 357 � A segunda fase consiste no lançamento. Segun- do o art. 53 da Lei nº 4.320/1964, lançamento é ato da repartição competente, que verifica a procedência do crédito fiscal e a pessoa que lhe é devedora e inscreve o débito desta. Por outro lado, nos termos do art. 142 do Código Tribu- tário Nacional, lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrên- cia do fato gerador da obrigação corresponden- te, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujei- to passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Assim, pode ser dito que o lançamento refe- re-se à atividade estatal de escrituração dos futuros débitos dos contribuintes de impostos diretos, cotas ou contribuições prefixadas ou decorrentes de outras fontes de recursos, efe- tuados pelos órgãos competentes que verificam a procedência do crédito a natureza da pessoa do contribuinte quer seja física, quer seja jurí- dica e o valor correspondente à respectiva esti- mativa. Enfim, o lançamento é a legalização da receita pela sua instituição e a respectiva inclu- são no orçamento. z Arrecadação: corresponde à entrega, realiza- da pelos contribuintes ou devedores, aos agentes arrecadadores ou bancos autorizados pelo ente, dos recursos devidos ao Tesouro. Assim, quando o contribuinte vai ao banco pagar o boleto do IPTU, por exemplo, ocorre a arrecadação. Vale destacar que, segundo o art. 35 da Lei nº 4.320/1964, pertencem ao exercício financeiro as receitas nele arrecadadas, o que representa a adoção do regime de caixa para o ingresso das receitas públicas. A arrecadação ocorre somente uma vez, sendo seguida pelo recolhimento. Quando um ente arre- cada para outro ente, cumpre-lhe apenas entregar- -lhe os recursos pela transferência dos recursos, não sendo considerada arrecadação, quando do recebimento pelo ente beneficiário. z Recolhimento: é a transferência dos valores arre- cadados à conta específica do Tesouro, responsá- vel pela administração e controle da arrecadação e programação financeira, observando o Princí- pio da Unidade de Caixa representado pelo con- trole centralizado dos recursos arrecadados em cada ente, conforme previsto no art. 56 da Lei nº 4.320/1964: Art. 56 O recolhimento de todas as receitas far-se- -á em estrita observância ao princípio de unidade de tesouraria, vedada qualquer fragmentação para criação de caixas especiais. Os estágios da receita pública estão dispostos con- forme a ordem cronológica em que ocorrem os fenô- menos econômicos. Esses estágios são estabelecidos levando-se em consideração o modelo do orçamento brasileiro. Assim, a ordem inicia com a previsão e ter- mina com o recolhimento. DÍVIDA ATIVA Dívida ativa é a denominação que se dá ao con- junto de créditos tributários e não tributários em favor da Fazenda Pública que não foram pagos no prazo devido e, por isso, inscritos pelo órgão ou enti- dade competente, após a devida apuração de liquidez e certeza. Assim, é considerada uma fonte potencial de entrada no Caixa do Tesouro e é reconhecida contabil- mente no ativo. Não se deve confundir a dívida ativa com a dívida pública, uma vez que esta representa as obrigações do ente público com terceiros e é reconhe- cida contabilmente no passivo. O art. 39 da Lei nº 4.320/1964 dispõe: Art. 39 Os créditos da Fazenda Pública, de nature- za tributária ou não tributária, serão escriturados como receita do exercício em que forem arrecada- dos, nas respectivas rubricas orçamentárias. § 1º - Os créditos de que trata este artigo, exigíveis pelo transcurso do prazo para pagamento, serão inscritos, na forma da legislação própria, como Dívida Ativa, em registro próprio, após apurada a sua liquidez e certeza, e a respectiva receita será escriturada a esse título. [...] Dívida Ativa Tributária é o crédito da Fazenda Pública decorrente de créditos tributários não pagos pelos contribuintes, e incluem os respectivos adicio- nais e multas. Por outro lado, a Dívida Ativa não Tri- butária são os demais créditos da Fazenda Pública, como aqueles provenientes de empréstimos compul- sórios, contribuições estabelecidas em lei, multa de qualquer origem ou natureza, exceto as tributárias, foros, laudêmios, aluguéis ou taxas de ocupação, custas processuais, preços de serviços prestados por estabelecimentos públicos, indenizações, reposições, restituições, alcances dos responsáveis definitiva- mente julgados, bem assim os créditos decorrentes de obrigações em moeda estrangeira, de sub-rogação de hipoteca, fiança, aval ou outra garantia, de contratos em geral ou de outras obrigações legais. Deste modo, verificado o não recebimento do cré- dito no prazo de vencimento, cabe ao órgão ou enti- dade de origem do crédito encaminhá-lo ao órgão ou entidade competente para sua inscrição em dívida ativa, com observância dos prazos e procedimentos estabelecidos. A inscrição do crédito em dívida ativa configura fato contábil permutativo (não aumenta o Patrimô- nio Líquido do ente público). DESPESA PÚBLICA CONCEITO Como já vimos, a atividade estatal está vinculada ao dispêndio de recursos com o objetivo de satisfazer às necessidades sociais, sendo que esses dispêndios devem obedecer às decisões deliberadas e estabeleci- das no âmbito do Poder Legislativo, por meio da Lei Orçamentária Anual (LOA). Assim, o orçamento, que é um instrumento de pla- nejamento de qualquer entidade, seja pública ou pri- vada, uma vez que representa o fluxo de ingressos e aplicação de recursos em determinado período, para 358 o setor público, passa a ser de vital importância, pois é a LOA que fixa a despesa pública autorizada para um exercício financeiro. A despesa orçamentária pública é o conjunto de dispêndios realizados pelos entes públicos para o fun- cionamento e manutenção dos serviços públicos pres- tados à sociedade. Em termos de importância, a despesa pública demanda mais atenção da sociedade, uma vez que o gasto desordenado pode implicar desequilíbrio orça- mentário e afetar a saúde financeira do Estado por muitos anos. Além disso, em um país como o Bra- sil, com tanta desigualdade social, é natural que as demandas por ações do governo superem os recursos disponíveis. Ou seja, políticas populistas que procu- rem atender todas as demandas da sociedade podem não ser factíveis, uma vez que a realidade das receitas públicas limita as despesas públicas. Os dispêndios, assim como os ingressos, são tipifi- cados em orçamentários e extraorçamentários. Nos termos do art. 35 da Lei nº 4.320/1964: Art. 35 Pertencem ao exercício financeiro: I - as receitas nêle arrecadadas; II - as despesas nêle legalmente empenhadas. Portanto, despesa orçamentária é toda transa- ção que depende de autorização legislativa, na forma de consignação de dotação orçamentária, para ser efetivada. Dispêndio extraorçamentário é aquele que não consta na lei orçamentária anual, compreendendo determinadas saídas de numerários decorrentes de depósitos, pagamentos de restos a pagar, resgate de operações de crédito por antecipação de receita e recursos transitórios. Além do conceito acima, é necessário saber que, para fins contábeis, a despesa orçamentária pode ser classificada quanto ao impacto na situação patrimo- nial líquida em: z Despesa Orçamentária Efetiva: é aquela que, no momento de sua realização, reduz a situação líqui- da patrimonial da entidade. Constitui fato contá- bil modificativo diminutivo. A despesa corrente, geralmente, é uma despesa orçamentária efetiva, como, por exemplo, pagamento de salários de fun- cionários públicos. Entretanto, é necessário tomar cuidado, pois existem casos de despesas correntes não efetivas, como, por exemplo, a despesa com a aquisição de materiais para estoque e a despe- sa com adiantamentos, que representam fatos permutativos; z Despesa OrçamentáriaNão Efetiva: é aquela que, no momento da sua realização, não reduz a situa- ção líquida patrimonial da entidade. Constitui fato contábil permutativo. Geralmente, as despesas de capital se enquadram como despesa orçamentária não efetiva, entretanto, há despesas de capital que são efetivas como, por exemplo, as transferências de capital, que causam variação patrimonial diminuti- va e, por isso, classificam-se como despesa efetiva. CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO A NATUREZA Como já dissemos no tópico anterior, a saúde financeira do ente federativo está intimamente ligada ao controle da despesa pública, assim é natural que ela seja analisada de várias formas. Nesse sentido, o instrumento legal que orienta a classificação da des- pesa pública é o Manual Técnico de Orçamento (MTO), editado pela Secretaria de Orçamento Federal (SOF), juntamente com o Manual de Despesa Nacional e o Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público. Existem diversas classificações que você precisa conhecer, pois este assunto é bastante cobrado nos concursos públicos. Tentaremos facilitar e esque- matizar as classificações para que você possa enten- der melhor e, mais importante, acertar as questões. Vamos lá? ESTRUTURA DA PROGRAMAÇÃO ORÇAMENTÁRIA Segundo o Manual Técnico de Orçamento (2020, p. 23): A compreensão do orçamento exige o conhecimento de sua estrutura e sua organização, implementadas por meio de um sistema de classificação estrutu- rado. Esse sistema tem o propósito de atender às exigências de informação demandadas por todos os interessados nas questões de finanças públicas, como os poderes públicos, as organizações públicas e privadas e a sociedade em geral. Complicado? A definição acima quer dizer que a classificação da despesa leva em conta a estrutura da organização onde ela será aplicada, classificando-a tanto no aspecto organizacional quanto no aspecto orçamentário/financeiro. Segundo o Manual Técnico de Orçamento (2020, p.23), “o orçamento público está organizado em programas de trabalho, que contêm informações qualitativas e quantitativas, sejam físicas ou financeiras”. Vamos primeiro analisar as informações qualitati- vas, quais sejam: classificação por esfera orçamentá- ria, classificação institucional, classificação funcional e classificação programática. E, em seguida, passare- mos a analisar as informações quantitativas: IDOC, IDUSO, Fonte de Recursos, Natureza da Despesa e Identificador de Resultado Primário. Classificação Qualitativa A classificação qualitativa está ligada ao tipo de orçamento praticado no Brasil, que é o Orçamento Programa, o qual está relacionado ao planejamento e expressa o compromisso das ações do governo com a sociedade. Segundo o Manual Técnico de Orçamento (2020, p. 23) O programa de trabalho, que define qualitativa- mente a programação orçamentária, deve res- ponder, de maneira clara e objetiva, às perguntas clássicas que caracterizam o ato de orçar, sendo, do ponto de vista operacional, composto dos seguin- tes blocos de informação: classificação por esfera, classificação institucional, classificação funcional, estrutura programática e principais informações do Programa e da Ação. N O Ç Õ ES D E A D M IN IS TR A Ç Ã O F IN A N C EI R A E O R Ç A M EN TÁ R IA 359 BLOCOS DA ESTRUTURA ITEM DA ESTRUTURA PERGUNTA A SER RESPONDIDA Classificação por Espera Esfera Orçamentária Em qual Orçamen- to ? Classificação Institucional Órgão Quem é o responsá- vel por fazer ?Unidade Orçamentária Classificação Funcional Função Em que áreas de despesas a ação governamental será realizada Subfunção Estrutura Programática Programa O que será desen- volvido para alcan- çar o objetivo do programa ? Informações Principais da Ação Ação O que está desen- volvido para alcan- çar o objetivo do programa? Descrição O que é feito ? para que é feito ? Forma de Im- plementação Como é feito ? Produto O que será produzi- do ou prestado ? Unidade de Medida Como é Mensura- do ? Subtítulo Onde é feito ? Onde está o benefi- ciário do gasta ? Classificação da despesa por Esfera Orçamentária A classificação por esfera orçamentária tem como objetivo a evidenciação do “local” onde está inserida a despesa. Mas qual seria esse “local”? Veja que a nossa Constituição, no art.165 §5º deter- mina que: § 5º A lei orçamentária anual compreenderá: I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da admi- nistração direta e indireta, inclusive fundações ins- tituídas e mantidas pelo Poder Público; II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; III - o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fun- dos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público. Ou seja, a Lei Orçamentária compreenderá os orçamentos fiscais, de investimento e da seguridade social. A classificação por esfera orçamentária irá identificar se a despesa pertence ao Orçamento Fiscal (F), da Seguridade Social (S) ou de Investimento das Empresas Estatais (I). Classificação Institucional Na classificação institucional, busca-se identificar o órgão e unidade orçamentária responsáveis pela execução da despesa. Compreende dois níveis hie- rárquicos, quais sejam, órgão orçamentário e unidade orçamentária. O código da classificação institucional compõe-se de cinco dígitos, sendo os dois primeiros reservados à identificação do órgão orçamentário e os demais à UO: 1º 2º 3 4º 5º Órgão Orçamentário Unidade Orçamentária Codificação da classificação institucional. Fonte: MTO (2020) Importante ressaltarmos que um órgão orçamen- tário ou unidade orçamentária (UO) não correspon- de necessariamente a uma estrutura administrativa (ex.: fundos especiais, transferências aos Estados e Municípios, reservas de contingência etc.). As dotações orçamentárias, especificadas por cate- goria de programação em seu menor nível, são con- signadas às UOs, que são aquelas responsáveis pela concretização das ações. Classificação Funcional da Despesa A classificação funcional leva em considera- ção funções e subfunções, buscando responder ao seguinte questionamento: em que áreas da despesa a ação será realizada? Essa classificação foi instituída pela Portaria nº 42/1999 do então Ministério do Orça- mento e Gestão. Esta classificação funcional é independente da classificação programática, de aplicação comum e obrigatória a todos os entes da federação, é formada por cinco dígitos. Os dois primeiros correspondentes à função e os três últimos à subfunção: 1º 2º 3 4º 5º Função Subfunção Codificação da funcional institucional. Fonte: MTO (2020) Para o seu exame, lembre-se que a função é o maior nível de agregação das diversas áreas de atua- ção do setor público e reflete a própria competên- cia institucional do órgão. A subfunção é o nível de agregação imediatamente inferior à função. Veja um exemplo: 10 - FUNÇÃO SAÚDE 301 – subfunção – Atenção Básica 304 – subfunção – Vigilância Sanitária Subfunções podem ser combinadas de forma matricial com outras funções, desde que realmen- te relacionadas. Por exemplo, a subfunção “131 – Comunicação Social” poderá ser combinada com as funções “20- Agricultura” ou “25 – Energia” ou ainda 360 com quaisquer funções que tenham em seu escopo a Comunicação Social. Mas atenção à função Encargos Especiais (função 28). Trata-se de um caso específico, no qual poderão ser englobadas somente as suas funções típicas: 28 – Encargos Especiais 841 – Refinanciamento da Dívida Interna 842 – Refinanciamento da Dívida Externa 843 – Serviço da Dívida Interna 844 – Serviço da Dívida Externa 845 – Outras Transferências 846 – Outros Encargos Especiais 847 – Transferências para a Educa- ção Básica Função 28 – encargos especiais e subfunções. Fonte: MTO (2020) EstruturaProgramática Todas as ações do orçamento são organizadas em programas. Mas o que é um programa? Segundo a Portaria MOG nº 42/99, art. 2º, a): Art. 2º Para os efeitos da presente Portaria, enten- dem-se por: a) Programa, o instrumento de organização da ação governamental visando à concretização dos objetivos pretendidos, sendo mensurado por indi- cadores estabelecidos no plano plurianual; Ou seja, trata-se do instrumento de organização da ação governamental, em linha com o nível estra- tégico da gestão. Veja como o programa está alocado no mapa estratégico do PPA (plano plurianual 2020 -2023): Mapa estratégico. Fonte: PPA 2020-2023 Observe que o programa, situado na dimensão tática do mapa, tem a função de articular um conjun- to de ações suficientes para atender as diretrizes do PPA. Segundo o Manual Técnico de Orçamento (2020), os programas são Temáticos (quando envolve ações governamentais para entrega de bens e serviços à sociedade) e de Gestão, Manutenção e Serviços ao Estado (quando envolve as ações destinadas ao apoio, à gestão e à manutenção da atuação governamental). Cabe, ainda, diferenciar programas de ações e de loca- lizadores de gastos: z Programas: articula um conjunto de ações que concorrem para a concretização de um objetivo comum. z Ação: operações das quais resultam produtos (bens e serviços) que contribuem para atender o objetivo do programa. z Localizador de Gasto: indicação da localização física das ações. A diferenciação conceitual acima será representa- da na estrutura programática da União composta de 12 dígitos, em três partes iguais: X X X X X X X X X X X X Programa Ação Localizador de Gasto Cabe agora compreendermos a classificação e codificação das Ações. Como vimos, as ações são ope- rações que resultam em bens ou serviços, que contri- buem para atender ao objetivo de um programa. São três os tipos de ações: z Atividade: conjunto de operações que se realizam de modo contínuo e permanente (processo de ope- ração de um hospital). z Projeto: conjunto de operações limitadas no tem- po (ex.: a construção de um hospital). z Operação especial: despesas que não contribuem para manutenção, expansão ou aperfeiçoamento das ações do governo. Não há geração de produto direto e não há contraprestação direta na forma de bens ou serviços. Em relação à classificação, as ações são identifica- das seguindo a lógica abaixo: 1º 2º 3 4º 5º 6º 7º Numérico Alfanuméricos Numéricos AÇÃO SUBTÍTULO Codificação das Ações Orçamentárias. Fonte: MTO (2020) O primeiro dígito da ação determinará se corres- ponde a um projeto, atividade ou operação especial: 1º DÍGITO TIPO DE AÇÃO 1, 3, 5 ou 7 Projeto 2, 4, 6 ou 8 Atividade 0 Operação Especial Codificação da Ação. Fonte: MTO (2020) ETAPAS E ESTÁGIOS Durante o processo orçamentário, a despesa passa por três etapas: planejamento, execução e controle e avaliação.