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Pós-Graduação_Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental_Fundamentos TeÃ_Âricos da Terapia Comportamental

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Fundamentos 
Teóricos 
da Terapia 
Comportamental 
 
 
Sumário 
 
 
 
 
História da Terapia Cognitivo 6 
A busca do homem pelo autoconhecimento durante a 
história 
As primeiras abordagens cognitivo-comportamentais e 
suas características 
Aaron Beck e o seu modelo de terapia cognitiva 
comportamental 
Os Fundamentos da TCC e seus Princípios 21 
A evolução dos princípios que fundamentam a terapia 
cognitivo-comportamental 
Os princípios que definem a terapia cognitiva 
comportamental 
As Técnicas e Abordagens da TCC 37 
A TCC e os comportamentos disfuncionais dos pacientes 
A Terapia Cognitivo-Comportamental e as suas principais 
técnicas 
As principais abordagens da Terapia Cognitiva 
Comportamental 
 
 
 
 
 
 
 
 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 
 
Sumário 
 
 
 
 
As Ferramentas da TCC e o Papel da Ética na sua Efetivação 52 
Os principais métodos da TCC e suas relações 
terapêuticas 
As ferramentas que contribuem para a efetivação da TCC 
O papel da ética nos procedimentos de terapia cognitiva 
comportamental 
Referências 67 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 
 
 
 
 
 
 
Objetivos Definição 
Para o início do 
desenvolvimento de uma 
nova competência; 
Se houver necessidade 
de se apresentar um novo 
conceito; 
 
Nota Importante 
Quando forem necessárias 
observações ou 
complementações para o 
seu conhecimento; 
As observações escritas 
tiveram que ser priorizadas 
para você; 
 
Explicando Melhor Você Sabia? 
Algo precisa ser melhor 
explicado ou detalhado; 
Curiosidades indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo, se forma necessárias; 
 
Saiba Mais Reflita 
Textos, referências 
bibliográficas e links para 
aprofundamento do seu 
conhecimento; 
Se houver a necessidade 
de chamar a atenção 
sobre algo a ser refletido ou 
discutido sobre; 
 
Acesse Resumindo 
Se for preciso acessar um 
ou mais sites para fazer 
download, assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast; 
Quando for preciso se fazer 
um resumo acumulativo 
das últimas abordagens; 
 
Atividades Testando 
Quando alguma atividade 
de autoaprendizagem for 
aplicada; 
Quando o desenvolvimento de 
uma competência for concluído 
e questões forem explicadas. 
1 
@faculdadelibano_ 
 
História da Terapia 
Cognitivo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Capítulo 1 
 
História da Terapia 
Cognitivo 
 
 
 
Objetivos 
No percurso desse capítulo será entendido como o homem utilizou 
diferentes maneiras de estudo para conhecer efetivamente a si mesmo, 
culminando em pesquisas voltadas para o seu âmbito psicológico que 
buscam entender o que desencadeia o seu comportamento. Sendo 
assim, serão citados pesquisadores relevantes para o ramo da terapia 
cognitivo-comportamental. 
 
A busca do homem pelo autoconhecimento durante a história 
A busca do homem pelo conhecimento acerca de si mesmo, é algo que pode ser 
analisada desde muito tempo da história da humanidade. Na Idade Antiga, por exemplo, 
o pensamento filosófico se desenvolveu nas sociedades ocidentais, como Grécia e 
Roma antigas, como uma maneira de compreender o mundo e o seu funcionamento, 
mas também buscar o pleno entendimento do papel do homem no ambiente no qual 
este se fez inserido. 
Desta forma, pode-se observar o levantamento de diversas questões de cunho existencial, 
que com isso se fizeram essenciais para que os indivíduos que os desenvolveram, 
compreendessem algumas características relevantes das dinâmicas naturais e sociais 
presentes no universo. 
É nesse sentido, portanto, que irão surgir conceitos relevantes, bem como áreas do 
conhecimento que se fazem importantes até os dias de hoje e foram essenciais para 
que as pessoas pudessem, mais tarde, engajar-se no pensamento científico e, dessa 
maneira, buscar a aplicação de métodos e ferramentas adequadas para a condução 
de experimentos que contribuíram para o pleno desenvolvimento de conhecimentos 
em distintos campos. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 
 
 
Pode-se dizer, assim, que o surgimento da filosofia na Antiguidade foi precursor da 
própria manifestação de ciência que, apesar de sofrer certa represália em determinados 
momentos da história humana, se fez indubitavelmente presente nos processos que 
definiram a construção de saberes humanos diversos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 1 
Os diferentes conhecimentos 
desenvolvidos pelo homem 
no decorrer da história. 
FONTE 
Elaborado pelo autor (2023). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Além disso, foi também na Idade Antiga que surgiram alguns dos principais conceitos 
políticos que determinariam a organização das sociedades contemporâneas, tendo 
em vista o resgate dos seus valores mais tarde na Idade Moderna. Nesse sentido, é 
possível compreender que a Grécia é, até os contextos atuais, considerada como o 
berço da democracia que, apesar de ter características particulares ao modelo político 
aplicado nos Estados democráticos do tempo presente, foi de grande importância para 
o desenvolvimento deste como um sistema que permite a participação do povo na 
escolha dos seus próprios representantes políticos e, com isso, na tomada de decisões 
que definem o funcionamento de um determinado país. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 
 
 
É importante considerar, no entanto, que grande parte desses valores e princípios teóricos 
desenvolvidos pelos gregos da Antiguidade foram dispersados após a sua conquista 
por parte dos romanos. Isso se deu, sobretudo, em razão da grande influência que o 
catolicismo exerceu sobre Roma, dando um papel de protagonismo ao pensamento 
religioso que embatia diretamente com o pensamento filosófico e, por esse motivo, 
do pensamento científico. Em decorrência disso, muitos desses conhecimentos 
permaneceram suprimidos, na medida em que a religião católica tomou para si o papel 
de explicar o funcionamento do mundo, bem como as coisas e os seres presentes neste. 
Compreende-se, assim, que existem diversas formas de conhecimento que se diferem 
entre si, tendo distintas formas de serem desenvolvidas e fundamentadas. Além disso, 
também são apresentadas e difundidas por sujeitos com características particulares. 
Nesse caso, o conhecimento filosófico, inicialmente construído a partir dos pensadores 
da Idade Antiga por meio da aplicação da lógica e da razão das dinâmicas do mundo 
como forma de entendê-las, se difere do conhecimento religioso, que ainda depende 
fortemente das explicações sobrenaturais advindas da revelação divina, que comumente 
atinge figuras religiosas. Ambos, ainda, são diferentes do pensamento científico que, 
apesar de ser semelhante à filosofia em determinados aspectos, preza pela experiência 
prática como forma de buscar respostas e desenvolver saberes. 
 
Saiba Mais 
Acesse o link abaixo para assistir ao vídeo “Conhecimento filosófico”, 
publicado pelo canal Prof. Luiz Dias no ano de 2020. Neste se faz possível 
compreender as principais características do pensamento que foi 
fomentado na Grécia Antiga, garantindo a busca do homem por uma 
forma de conhecimento que se utilizava da razão e da lógica para 
responder os seus questionamentos, se distanciando da dependência 
ao sobrenatural do pensamento mítico. 
PROF. Luiz Dias. Conhecimento filosófico. 2020. Disponível em: https:// 
youtu.be/VDofVtI8hkY. Acesso em: 21 de maio de 2023. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 
 
 
É posteriormente, na Idade Moderna, que alguns dos principais conceitos e princípios 
anteriormente construídos pelos cidadãos da Grécia Antigao seu terapeuta, 
passe a desenvolver técnicas que permitam o seu relaxamento e, em decorrência disso, 
promovam a diminuição da intensidade não só dos efeitos negativos que os transtornos 
podem representar para a sua mente, como também essas manifestações que se dão 
no seu corpo físico. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 
 
 
Existem, portanto, diferentes tipos de exercícios de respiração e mesmo atividades físicas, 
como a ginástica ou a ioga, que contribuem para que o corpo se faça devidamente 
relaxado e que podem ser utilizados durante uma manifestação comportamental 
disfuncionais ou mesmo como forma de preveni-los antes do seu acontecimento. 
 
Saiba Mais 
Acesse o link abaixo para assistir ao vídeo “5 minutos de meditação para 
aliviar a ansiedade e estresse”, publicado pelo canal Saúde da Mente 
no ano de 2021. Neste, é possível compreender algumas das principais 
técnicas que podem ser utilizadas para promover o alívio do estresse na 
rotina cotidiana, e também a utilização da meditação como forma de 
garantir a mindfulness do paciente. 
SAÚDE da Mente. 5 minutos de meditação para aliviar a ansiedade e 
estresse. 2021. Disponível em: Acesso em: https://youtu.be/gxXZCl4vA-g. 
25 de maio de 2023. 
 
Como pode ser observado, as técnicas de relaxamento são variáveis, sendo as que 
regulam a respiração do paciente as mais utilizadas e eficazes para prevenir ou tratar 
reações que interferem no bem-estar físico e emocional deste indivíduo. Para tanto, é 
necessário que o próprio terapeuta tenha domínio acerca desse tipo de método, de 
modo a ensinar ao seu paciente a melhor forma de efetivá-lo e, também, o momento 
adequado para performar esse tipo de técnica. Apenas através disso o sujeito pode 
utilizar da própria respiração para regulamentar seu ritmo e frequência, o que também 
beneficia a sua concentração e promove uma melhor oxigenação do corpo, diminuindo, 
ou em determinados casos estabilizando, os sintomas dos transtornos emocionais. 
Dessensibilização 
No decorrer desse módulo, já pode ser observado que os transtornos comportamentais 
que a TCC busca tratar e amenizar nos pacientes costumam ser ocasionado por 
determinadas situações específicas ou, em outros casos, em resposta a um dado 
estímulo que ativa uma crença disfuncional que o sujeito formou durante o seu processo 
de desenvolvimento psicológico e emocional. Dessa forma, é preciso ter um pleno 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 
 
 
conhecimento acerca do tipo de situação, evento ou estímulo que pode resultar nessas 
respostas disfuncionais, de modo a compreender o que serve como gatilho para elas e 
quais os melhores métodos de evitá-la. Dentre as técnicas de tratamento está, portanto, 
a dessensibilização do paciente em vista a esse tipo de situação estimulante. 
Tomando como base isso, a dessensibilização é um procedimento bastante 
delicado que pode ser utilizado como técnica de terapia cognitivo-comportamental 
quando devidamente efetivada por parte do profissional terapeuta com o preparo e 
conhecimento adequado para promover a sua aplicação da melhor forma possível, 
isto é, sem danificar o bem-estar físico e emocional do paciente. Trata-se, portanto, da 
consideração dos eventos ou estímulos que ocasionam os pensamentos disfuncionais 
do indivíduo com transtorno para fazê-lo enfrentar esses aspectos e, dessa forma, 
construir uma resistência em relação a eles. 
Por decorrência do seu caráter sensível, é observável que a dessensibilização deve 
acontecer de forma gradativa. Em decorrência disso, nota-se que o objetivo principal é 
fazer com que o paciente encare aquilo que acarreta o seu sentimento, por exemplo, de 
terror ou tensão, de modo a entender que tal emoção é derivada de um pensamento ou 
crença disfuncional e que aquele aspecto não pode, de fato, feri-lo integralmente. Por 
esse motivo, se caracteriza como um processo lento e desafiador, mas que se mostra 
eficaz quando efetivado de forma correta com o total apoio do profissional capacitado 
na área. 
Questionamento 
Por fim, um dos mais comuns métodos de terapia cognitivo-comportamental é o 
questionamento. Por meio deste, o profissional terapeuta desempenha a finalidade de 
conhecer, efetivamente, o seu paciente e as condições associadas ao seu transtorno. 
Dessa maneira, faz perguntas que permitem que ele e o próprio indivíduo que está em 
consulta entendam as suas particularidades emocionais e comportamentais, utilizando- 
se sobretudo da reflexão acerca das suas respostas. Em vista disso, nota-se que a 
função do questionamento não é fazer com que o terapeuta aponte as soluções para 
os problemas enfrentados pelos pacientes, e sim que ele próprio consiga desenvolver 
uma consciência sobre a sua condição, algo que pode ser facilitado por um roteiro de 
aprendizagem construído pelo psicólogo. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 
 
 
Em razão disso, pode-se observar que existem diferentes abordagens que, por sua vez, 
facilitam o processo de efetivação das terapias cognitivo-comportamentais, garantindo 
que o indivíduo que possui um determinado transtorno em decorrência de crenças e 
esquemas mentais disfuncionais consigam superar as dificuldades advindas destas 
para a sua saúde e bem-estar físico e emocional. Para além disso, a TCC deve garantir 
uma oportunidade para o autoconhecimento desses indivíduos, de modo a entender 
formas de lidar com as suas próprias características cognitivas e comportamentais de 
maneira adequada e, assim, beneficiar sua vida rotineira. 
 
As principais abordagens da Terapia Cognitivo-Comportamental 
Tomando conhecimento das principais técnicas que garantem o cumprimento da terapia 
cognitivo-comportamental como uma forma de tratar transtornos psicoemocionais 
e assegurar a qualidade de vida dos sujeitos que possuem algum deles, é possível 
compreender, também, a importância desse tipo de atividade terapêutica para a saúde 
desses indivíduos, analisando as formas pelas quais ela pode ser dada. Em adição a 
isso, se percebe também que a TCC pode ser marcada por diferentes abordagens que, 
por sua vez, possuem características particulares e cumprem com diferentes objetivos 
terapêuticos. 
Dentre as diferentes concepções que se fazem presentes na TCC pode ser citada, 
portanto, as contextuais. Essas, por sua vez, correspondem às abordagens que se dão por 
intermédio de técnicas que permitem que os indivíduos mudem os seus pensamentos 
e reações disfuncionais em relação a estímulos internos ou externos que se fazem 
presentes no seu dia a dia. Dessa maneira, o objetivo é considerar como o contexto 
desses comportamentos errôneos podem ser levados em conta durante os processos 
terapêuticos e, com base no que já foi estudado nesta disciplina, os pensamentos 
disfuncionais podem derivar de diferentes qualidades da rotina de uma pessoa, tais 
como: 
• Contexto sociocultural; 
• Ambiente físico; 
• Relação com outras pessoas. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 
 
 
Em decorrência disso, as abordagens contextuais levam em consideração, em suma, 
aquilo que ocasiona o comportamento disfuncional do paciente, para que este possa 
ser devidamente reconhecido, analisado e confrontado por parte desse indivíduo com 
o apoio e intermediação do profissional terapeuta. 
Nesse sentido, se uma disfunção psicoemocional deriva de questões como a relação 
desse sujeito com o seu parceiro, por exemplo, este pode se inserir em uma Terapia 
Integrativa Comportamental de Casais, que visa investigar a origem de tal disfunção 
para que, então, o casal possa, em conjunto, buscar uma solução adequada. Por outro 
lado, uma Terapia Comportamental Dialética tem por objetivo principal favorecer a 
participaçãodesse sujeito em atividades terapêuticas que visam melhorar a sua relação 
com a própria vida de forma individual. 
Tomando conhecimento disso, se faz possível compreender que as abordagens 
contextuais podem desempenhar diferentes objetivos, tendo cada uma delas as 
suas especificidades metodológicas. Apesar disso, estas também podem ter, como 
ferramenta de apoio, a utilização das técnicas terapêuticas já discutidas anteriormente 
nesse mesmo capítulo, como uma forma de garantir o engajamento do paciente nas 
atividades que promovem a manutenção da sua saúde psicoemocional, bem como a 
preservação do seu bem-estar físico. Sendo assim, entende-se que a TCC contextual 
acontece por meio da colaboração conjunta entre terapeuta e paciente, de modo a 
assegurar o autoconhecimento acerca da sua condição individual e as melhores formas 
de lidar com esta sem prejudicar a si mesmo e as suas relações interpessoais. 
Em adição a isso, existe também as concepções cognitivas que, por sua vez, ajudam 
a construir a base da TCC como uma ferramenta terapêutica que busca manter a 
qualidade de vida dos sujeitos com transtornos originados de pensamentos disfuncionais. 
Estas, por sua vez, têm como principal característica a união entre o behaviorismo 
radical, já discutido em capítulos anteriores desse mesmo módulo, com os métodos 
terapêuticos cognitivos que, em razão disso, buscam considerar como a aprendizagem 
pode influenciar nas características psicológicas e emocionais das pessoas. Com base 
nisso, pode-se notar que existem diferentes aspectos que garantem a efetivação dessas 
abordagens, observe: 
Dessa forma, compreende-se que as abordagens cognitivas são uma extensão direta 
dos métodos de terapia cognitivo-comportamental, na medida em que busca averiguar 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 
 
 
padrões no comportamento, pensamentos e crenças disfuncionais dos pacientes que 
podem resultar em transtornos emocionais ou de personalidade mais graves. Com 
isso, também pode ser observado que a sua efetivação se dá através de técnicas que 
se aproximam grandemente daquelas que já foram estudadas previamente nesse 
capítulo, na medida em que buscam a efetiva união das teorias cognitivas com a 
determinação comportamental de cada sujeito. 
Vejamos a seguir com mais detalhes como se dão, de fato, essas concepções na prática 
terapêutica comportamental: 
I. A mudança de hábitos, como forma de observar que atitudes cotidianas do 
indivíduo afetam diretamente no seu bem-estar emocional e pode originar 
comportamentos disfuncionais, de modo a evitá-las e substituí-las por ações mais 
saudáveis e funcionais; 
II. A identificação dos fatores e estímulos que podem se caracterizar como gatilhos 
para os comportamentos ou pensamentos disfuncionais, visando entender quais 
são estes e que tipo de sintoma ele pode desencadear no paciente para que, então, 
o seu tratamento seja devidamente efetivado por meio da própria conscientização 
do indivíduo; 
III. O monitoramento do comportamento do paciente, tendo em vista que este facilita 
o mapeamento dos seus sintomas, bem como das atitudes e pensamentos 
disfuncionais e, assim sendo, permite que o terapeuta e o paciente identifiquem 
com mais facilidade o seu transtorno e o efeito que este possui na manutenção do 
seu cotidiano; 
IV. A educação psicológica do paciente, como uma maneira de fazer com que este 
tenha um entendimento factual acerca da sua condição, transtorno e atitudes 
disfuncionais, facilitando com que este tenha um maior autoconhecimento e, 
assim, compreenda as melhores formas de lidar com si mesmo quando encarado 
com os sintomas; 
V. O controle do estresse, que pode ser efetivado por técnicas de respiração e 
relaxamento muscular, na medida em que este equivale a um dos principais efeitos 
associados aos transtornos emocionais e que pode, ainda, originar problemas 
mais graves, como ataques de pânico e ansiedade; 
VI. A dessensibilização sistemática, algo que já foi avaliado anteriormente neste 
capítulo e que promove o contato, de maneira gradativa, do paciente com as 
situações e estímulos que desencadeiam o seu comportamento ou pensamento 
disfuncional, tendo como objetivo principal fazer com que este encare, de fato, 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 
 
 
Resumindo 
E aqui se encerra o desenvolvimento do terceiro capítulo desse módulo. 
As informações disponibilizadas até aqui ficaram bem fixadas na sua 
mente? Não vai sair daqui com nenhuma dúvida, não é? Pensando nisso, 
foi reservado esse momento para resumir os novos conhecimentos 
elencados no decorrer desse capítulo. Preparado? Então vamos lá. 
Inicialmente, foi discutido como a terapia cognitivo-comportamental 
pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes 
que possuem um determinado transtorno emocional. Sendo assim, foi 
observado que existem diferentes técnicas que permitem a efetivação da 
TCC, que se dão sobretudo a partir do pleno registro dos sintomas e suas 
características particulares, do alívio do estresse durante pensamentos 
e ações disfuncionais, da dessensibilização acerca dos gatilhos que os 
desencadeiam e outras atividades que se dão por intermédio da relação 
entre paciente e terapeuta. Adicionalmente a isso, foram estudadas as 
principais concepções que fundamentam a TCC, sendo a contextual 
aquela que considera a influência dos contextos do paciente na sua 
saúde e bem-estar emocional e a cognitiva aquela que busca promover 
o autoconhecimento acerca da sua própria condição como forma de 
beneficiar a sua melhora. 
4 
 
 
 
@faculdadelibano_ 
 
 
 
 
 
As ferramentas 
da TCC e o papel 
da ética na sua 
efetivação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Capítulo 4 
 
As ferramentas da TCC e 
o papel da ética na sua 
efetivação 
 
 
 
Objetivos 
No decorrer da exposição do conteúdo deste capítulo, serão elencadas 
as principais ferramentas que podem ser utilizadas como forma de 
garantir a efetivação da terapia cognitivo-comportamental. Em adição 
a isso, também será compreendida a relação entre estes procedimentos 
terapêuticos e a ética, demonstrando como esta afeta a relação entre 
terapeuta e cliente. 
 
Os principais métodos da TCC e suas relações terapêuticas 
No decorrer desse módulo, foi possível compreender o que é a terapia cognitivo- 
comportamental e como essa pode ser caracterizada como uma medida de tratamento 
de determinados transtornos emocionais e de personalidade que, por sua vez, pode 
representar um caráter disfuncional para o comportamento, pensamentos e atitude 
dos pacientes do campo da psicologia. 
Dessa forma, pode-se entender que esse tipo de terapia ainda pode contar com diferentes 
técnicas que facilitam a sua plena aplicação como medida de melhoria da qualidade de 
vida e cotidiano dos sujeitos que, em razão das suas particularidades psicoemocionais, 
possuem atitudes e crenças errôneas, mas que podem ser devidamente corrigidas com 
o acompanhamento adequado. 
Em vista disso, foi analisado, no capítulo anterior, algumas dessas principais técnicas e 
como estas podem ser colocadas em prática como medidas que facilitam a melhoria da 
qualidade de vida dos sujeitos em tratamento cognitivo-comportamental. É importante, 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As ferramentas da TCC e o papel 
da ética na sua efetivação 
Capítulo 4 
 
 
com isso, que essas técnicas promovam não apenas o entendimento de um indivíduo 
com transtorno psicoemocional acerca da sua própria condição, como também as 
maneiras adequadas de lidar com elas, minimizando os sintomas que estas podem 
ter, bem como os pensamentos disfuncionais que podem originar, afetando tanto o 
seu âmbito psicológicoe físico. Assim sendo, percebe-se que tais medidas terapêuticas 
ainda podem estar integradas em concepções contextuais e cognitivas da TCC. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 13 
Algumas das 
principais ações 
que podem ser 
efetivadas pelas 
técnicas de TCC. 
FONTE 
Elaborado pelo 
autor (2023). 
 
 
 
 
 
 
 
Sendo assim, existem alguns princípios do tratamento terapêutico cognitivo- 
comportamental que devem ser considerados durante a sua efetivação, levando em 
conta, também, as especificidades do paciente e suas condições. Antes de mais nada, 
é preciso que o indivíduo conheça o seu próprio transtorno, seus sintomas e os possíveis 
eventos e estímulos que podem os desencadear. Para tanto, a conversação com o 
terapeuta e a investigação de maneiras de lidar com essas questões é essencial, algo 
que pode ser facilitado por meio de um devido registro escrito dessas qualidades. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As ferramentas da TCC e o papel 
da ética na sua efetivação 
Capítulo 4 
 
 
Além disso, utilizar métodos de alívio do estresse pode se mostrar indispensável para a 
prevenção e o combate dos sintomas disfuncionais que podem atingir até mesmo o 
funcionamento do corpo físico do sujeito em processo de tratamento. 
Tomando como base isso, é possível perceber que existem diferentes métodos que 
podem contribuir para a efetivação de diferentes objetivos dentro da terapia cognitivo- 
comportamental. Estes, por sua vez, partem do pressuposto de que os transtornos 
emocionais interferem não apenas nos aspectos individuais da vida do paciente, como 
também representam consequências consideráveis para a manutenção dos seus 
relacionamentos com os demais sujeitos ao seu redor. Sendo assim, muitas das terapias 
voltadas para o seu tratamento tendem a focar no seu próprio autoconhecimento e 
formas de lidar com o seu transtorno particular. Apesar disso, também existem métodos 
dedicados para sanar os déficits presentes nas relações interpessoais que este mantém 
com as outras pessoas que se fazem presentes na sua vida de forma cotidiana. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 13 
Os aspectos do 
cotidiano de 
um indivíduo 
beneficiados 
pelo tratamento 
de transtornos 
emocionais pela 
TCC. 
FONTE 
Elaborado pelo 
autor (2023). 
 
 
 
 
 
Cada um desses tipos de terapia possuem as suas características particulares, 
acontecendo por intermédio de métodos que buscam atingir objetivos específicos, 
mas que compartilham a similaridade de garantir a melhoria da qualidade de vida dos 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As ferramentas da TCC e o papel 
da ética na sua efetivação 
Capítulo 4 
 
 
indivíduos com transtornos emocionais ou outros problemas psicológicos originados 
das crenças disfuncionais, já esclarecidas anteriormente nesse módulo. 
Pensando nisso, vejamos as principais destas e as suas principais qualidades, de modo 
a entender como e quando elas podem ser devidamente aplicadas: 
• Terapia comportamental dialética: Se dá por meio da plena comunicação entre o 
paciente e o terapeuta, de modo a compreender melhor a sua condição cognitivo- 
comportamental e, com isso, entender quais são as características que definem o 
seu transtorno emocional e como os seus pensamentos disfuncionais podem ser 
originados, de modo a averiguar a melhor forma de evitá-los ou driblá-los quando 
necessário. Além disso, esse tipo de terapia costuma focar no estabelecimento de 
medidas que garantem uma vida confortável e satisfatória para o paciente nos seus 
diferentes contextos; 
• Terapia baseada em mindfulness: Semelhantemente a anterior, a terapia que visa 
a manutenção do caráter de mindfulness do paciente é um outro método bastante 
eficaz no tratamento de transtornos psicoemocionais. Esta, por sua vez, tem o principal 
objetivo de garantir que o indivíduo em processo de tratamento esteja ciente e incluso 
no seu presente. Isso, por sua vez, faz com que este consiga perceber e interpretar 
os estímulos ao seu redor de maneira adequada, buscando se desprender de 
situações passadas que possivelmente originaram crenças disfuncionais que, sem a 
mindfulness, ditariam suas ações de maneira igualmente disfuncional; 
• Terapia com foco em compaixão: Também relevante para o âmbito terapêutico 
cognitivo-comportamental está o método de terapia que foca no desenvolvimento e 
manutenção da compaixão como um aspecto indispensável para a qualidade de vida 
de um indivíduo. A intenção é, nesse tipo de metodologia, fazer com que o indivíduo em 
processo de tratamento considere os demais sujeitos ao seu redor como dignos de 
respeito, o que favorece grandemente as suas relações interpessoais. Adicionalmente 
a isso, o próprio bem-estar emocional do sujeito também é beneficiada, na medida 
em que este adquire uma maior autoestima e consegue expressar seus sentimentos 
da maneira adequada; 
• Terapia de aceitação e compromisso: Essa metodologia terapêutica, por sua 
vez, é de grande importância para a projeção de vida do indivíduo, levando em 
consideração os seus planos para o futuro nos diferentes âmbitos da sua vida. Sendo 
assim, tem por finalidade central promover a autoaceitação desse sujeito e o seu 
maior contato com os seus sentimentos, também permitindo a identificação de 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As ferramentas da TCC e o papel 
da ética na sua efetivação 
Capítulo 4 
 
 
reações disfuncionais no exato momento em que estas acontecem, o que torna o 
seu tratamento igualmente mais fácil; 
• Terapia comportamental de casais: A terapia de casais, também relevante no âmbito 
das terapias cognitivo-comportamentais, tem por objetivo levar em consideração 
as relações pessoais que o paciente possui, em específico com os seus pares. 
Desse modo, se utiliza da análise das qualidades cotidianas do casal como forma 
de identificar e averiguar incompatibilidades e, com isso, promover uma melhor 
convivência entre estes levando em consideração as dificuldades advindas de um 
possível transtorno psicoemocional e o impacto que estas possuem na sua relação; 
• Terapia analítica funcional: Finalmente, mas igualmente relevante para a 
compreensão dos diferentes métodos de terapia cognitivo-comportamental 
está a terapia analítica funcional. Esta tem, portanto, o papel de reconhecer os 
comportamentos problemáticos dos indivíduos, comumente originados das crenças 
disfuncionais ou como sintoma de transtornos emocionais, de modo a corrigi-los. Em 
razão disso, se utiliza sobretudo da relação do paciente com as demais pessoas ao 
seu redor como forma de melhorar as suas atitudes, o que inclui a própria relação 
com o terapeuta, essencial para a efetivação de todas as atividades terapêuticas 
estudadas até aqui. 
Tomando conhecimento disso, é possível analisar que essas diferentes metodologias 
terapêuticas podem ser devidamente utilizadas por parte da terapia cognitivo- 
comportamental, como um esforço para melhorar não apenas o conhecimento e 
relação que o indivíduo que desempenha atitudes disfuncionais consigo mesmo, como 
também os seus relacionamentos interpessoais, importantes para a sua devida inserção 
na sociedade e manutenção da sua vida. 
É indispensável, assim, que a presença do terapeuta durante esses processos se 
mantenha como um aspecto central dos tratamentos psicoemocionais, tendo em vista 
que é função deste promover a sua efetivação de maneira adequada, utilizando-se dos 
seus conhecimentos teóricos e práticos para definir as melhores estratégias de ação 
para beneficiar a qualidade de vida do paciente que possui um determinado transtorno 
emocional. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As ferramentas da TCC e o papel 
da ética na sua efetivação 
Capítulo 4 
 
 
As ferramentas que contribuem para a efetivação da TCC 
Tendo observado as informações desenvolvidas no decorrer dessecapítulo, é possível 
avaliar como a terapia cognitivo-comportamental é um importante método terapêutico 
para o tratamento de indivíduos com transtornos emocionais, visando compreender os 
seus sintomas e relação com os pensamentos e atitudes disfuncionais do paciente para 
que, então, se possa averiguar uma maneira adequada de tratá-lo e, assim, oferecer 
benefícios para a sua vida e para os demais sujeitos que se fazem presentes ao seu 
redor de forma cotidiana. 
Nesse sentido, foram observados os principais métodos da TCC que, por sua vez, 
apresentam características, formas de efetivação e objetivos particulares, agregando 
em diferentes âmbitos da vida do indivíduo tratado. 
 
Acesse 
Para compreender melhor como a TCC pode ser devidamente 
efetivada, utilizando-se de diferentes ferramentas que contribuem 
para o seu cumprimento e, assim, para o benefício do dia-a-dia dos 
pacientes, acesse o link abaixo e assista ao vídeo “TERAPIA COGNITIVA 
COMPORTAMENTAL”, publicado pelo canal Dra. Ana Beatriz Barbosa no 
ano de 2022. 
DRA. Ana Beatriz Barbosa. TERAPIA COGNITIVA COMPORTAMENTAL. 2022. 
Disponível em: https://youtu.be/QjE3mulfTdc. Acesso em: 25 de maio de 
2023. 
 
Tomando como base isso, é possível observar que os diferentes métodos da TCC 
acontecem por meio da participação ativa do terapeuta no seu cumprimento, como o 
indivíduo necessário para orientar o paciente acerca dos aspectos que definem o seu 
comportamento disfuncional, bem como as melhores formas de lidar com este. 
Assim sendo, essas medidas terapêuticas se dão, sobretudo, através da relação 
colaborativa entre o profissional da área da psicologia e o seu paciente, visando os 
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Capítulo 4 
 
 
caminhos mais adequados para garantir a sua participação nos seus meios sociais 
e interações interpessoais, sem que estas sejam grandemente prejudicadas pela sua 
condição individual e, assim, prejudique a manutenção da qualidade de vida do sujeito 
em tratamento. 
Existem, portanto, diferentes aspectos do paciente que devem ser devidamente 
considerados por parte do terapeuta no momento de analisar como os seus pensamentos 
disfuncionais são caracterizados, que tipos de estímulos os desencadeiam e quais 
estratégias podem ser formadas, em conjunto, para evitá-los. 
Tudo isso só se faz possível, ainda, pela aplicação de um método de recolhimento dessas 
informações, algo que deve ser feito previamente e durante a primeira consulta desse 
indivíduo, de modo a averiguar com precisão o que define o seu transtorno emocional 
e como exatamente este afeta a manutenção das suas atividades pessoais e sociais 
cotidianamente. Sendo assim, nota-se que isso pode acontecer, de maneira mais 
assertiva e eficaz, por intermédio de um formulário que tem por função recolher tais 
especificidades acerca do sujeito em processo de tratamento pela TCC. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 15 
Os detalhes particulares a serem considerados pelo terapeuta durante a 
efetivação da TCC. 
FONTE 
Elaborado pelo autor (2023). 
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Terapia Comportamental 
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Capítulo 4 
 
 
O formulário que busca recolher e organizar tais informações acerca do paciente e sua 
condição psicoemocional, por sua vez, pode se dar de maneiras diferentes. Inicialmente, 
é esperado que este preencha um questionário escrito, demonstrando antes mesmo 
da consulta quais são as suas principais queixas, sintomas e aspectos disfuncionais 
individualmente identificáveis. 
Em seguida, quando estabelecido, de fato, o primeiro contato com o profissional do 
ramo da psicologia, é comum que aconteça uma entrevista, onde este irá expressar, 
oralmente, as suas reclamações e informações que já conhece sobre a sua própria 
condição. 
A partir disso, o psicólogo consegue estreitar as possibilidades para um diagnóstico 
assertivo e, com isso, considerar as alternativas de tratamento mais eficazes com base 
nessas particularidades. 
Em razão disso, observa-se que, desde o momento em que o terapeuta analisa a queixa 
do paciente, é necessário prestar atenção em determinadas qualidades que definem o 
seu relato e, a partir disso, podem definir efetivamente o seu tipo de transtorno e como 
a sua vida é afetada pelos pensamentos disfuncionais advindos deste. O objetivo é, 
afinal, chegar a uma conclusão objetiva e confiante, na medida em que é só com base 
nesta que se pode averiguar os passos a serem tomados para desenvolver um bom 
tratamento, aplicando as técnicas da TCC como forma de melhorar o bem-estar do 
cliente. 
Sabendo disso, é possível perceber que acerca da queixa do cliente deve-se considerar: 
 
I. Como o paciente define o seu problema e o seu processo de desenvolvimento; 
II. Como o problema apresentado pelo paciente interfere na manutenção da sua 
vida; 
III. Quais são os sentimentos e emoções que se associam a esse problema, com que 
frequência estes se dão e se eles possuem um caráter disfuncional; 
IV. Qual a reação do paciente quando encarado com esse problema; 
V. Quais são as atitudes que o paciente mantém para evitar o problema e os 
sentimentos e pensamentos disfuncionais que se associam a este. 
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Capítulo 4 
 
 
Dessa maneira, a entrevista, que pode ser facilitada por meio da utilização de um formulário 
pré-estabelecido com perguntas que contemplem as questões anteriormente citadas, 
se constitui como um momento indispensável para o entendimento do paciente e a sua 
condição específica. Em decorrência disso, é durante esse processo que o terapeuta 
pode, desde então, considerar alternativas de um diagnóstico que será eventualmente 
alcançado após o contato com informações mais específicas acerca do cotidiano do 
sujeito em consulta, seus pensamentos disfuncionais e como estes afetam o seu dia a 
dia. 
É importante considerar, também, que o formulário de entrevista pode ser essencial para 
que o próprio paciente já comece a pensar acerca das suas próprias características 
particulares e como essas são influenciadas pelo seu comportamento disfuncional. 
Como já discutido nesse módulo, o autoconhecimento é um dos pilares para a devida 
efetivação da terapia cognitivo-comportamental e, sendo assim, quando o sujeito é 
confrontado a discorrer sobre os aspectos disfuncionais que este identifica durante o 
cumprimento da sua rotina, bem como os sentimentos e reações que se associam a 
estes, se torna mais fácil atingir um conhecimento assertivo acerca de si mesmo. 
Isso não significa, necessariamente, que o indivíduo que está apenas iniciando o seu 
processo de tratamento irá automaticamente, concluir de maneira assertiva o seu 
próprio diagnóstico. Tão pouco irá saber sobre as melhores formas de lidar com o seu 
transtorno emocional e, assim, promover a melhoria da sua qualidade de vida e das 
suas relações interpessoais de maneira individual. 
Esses aspectos se caracterizam, afinal, como parte de um processo terapêutico que, 
como já mencionado a priori nesse capítulo, depende da colaboração entre terapeuta 
e paciente, de modo a compreender com mais detalhes as especificidades da sua 
condição, o efeito que esta tem para a manutenção da sua vida rotineira e como tratá- 
la. Apesar disso, essa consciência acerca de si mesmo se caracteriza como o primeiro 
passo para um tratamento de qualidade e a entrevista pode ser essencial ao agregar 
tal consciência. 
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Terapia Comportamental 
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Capítulo 4 
 
 
Você Sabia? 
Adicionalmente a isso, existem outros aspectos que podem ser de 
grande importância para esse entendimentoinicial acerca do paciente, 
que também podem ser revisitados no decorrer do cumprimento do 
tratamento, de modo a avaliar possíveis mudanças e evoluções no que 
diz respeito às suas especificidades particulares. Dentre estes, podem 
ser citados os valores que esse indivíduo estabelece para a sua própria 
vida e as qualidades que agregam nesta, tais como as suas relações 
sociais e familiares, a sua relação com o estudo e o trabalho, dentre 
outros aspectos que definem a sua vida cotidiana. Com isso, é possível 
também compreender onde estão as suas prioridades e como o seu 
transtorno emocional interfere nestas, de modo a impedir o seu devido 
alcance. 
 
Por outro lado, também é relevante compreender a flexibilidade e inflexibilidade 
psicológica desse indivíduo, isto é, quais são as características psicoemocionais dele que 
devem ser trabalhadas para promover o seu afastamento das atitudes e pensamentos 
disfuncionais e quais são as que ele próprio já possui uma maior flexibilidade e consegue, 
por si mesmo, promover uma mudança comportamental positiva e benéfica para a sua 
vivência. 
É nesse contexto, portanto, que métodos terapêuticos como a terapia de aceitação e de 
compromisso, por exemplo, facilitam a compreensão que este possui das suas atitudes 
negativas e pode, em conjunto com o terapeuta, buscar estratégias para superá-las. 
Percebe-se, com isso, que existem outros tipos de ferramentas que o terapeuta pode 
se utilizar durante a efetivação das atividades da TCC, de modo a analisar melhor 
essas características do seu paciente e, através disso, conhecê-lo de maneira efetiva 
e promover o tratamento de modo adequado, levando em consideração as suas 
características particulares. 
O uso de uma tabela para registrar os eventos e pensamentos disfuncionais do indivíduo, 
como já exemplificado em capítulos anteriores deste módulo, é um desses recursos que 
contribui para que o profissional compreenda os avanços do seu cliente, mas também 
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Capítulo 4 
 
 
ajuda o próprio paciente a identificar esses comportamentos errôneos e buscar 
alternativas para evitá-lo. Em razão disso, desempenhar o exercício de compreensão 
acerca de um transtorno emocional e seus sintomas, também pode ser facilitado por 
meio de uma projeção acerca das medidas cabíveis para evitá-los. 
 
O papel da ética nos procedimentos de terapia cognitivo- 
comportamental 
Tomando conhecimento acerca dos principais métodos e ferramentas que podem 
ser utilizados por parte de um profissional do campo da psicoterapia para promover o 
tratamento de transtornos emocionais, se faz necessário compreender, também, como 
essas ações terapêuticas devem ser devidamente efetivadas, de modo a preservar 
a aplicação da ética no ambiente profissional e durante a relação entre paciente e 
terapeuta. 
Para tanto, é preciso ter um pleno conhecimento acerca do conceito de ética e como 
esta pode se fazer indispensavelmente presente nos contextos da psicologia como uma 
forma de beneficiar as suas atividades. 
Antes de mais nada, se faz preciso considerar a diferença, de fato, entre ética e 
moralidade, de modo a analisar como esses dois conceitos se fazem efetivamente 
presentes não apenas nas relações que se dão no ambiente de terapia, como também 
nas mais diferentes atividades cotidianas que se dão na vida em sociedade. 
É importante analisar que, enquanto a moral é definida por um conjunto de regras de 
um determinado contexto sociocultural e, por decorrência disso, são impostas a todos 
os seus participantes como forma de garantir a convivência interpessoal mútua, a ética 
é algo que parte do interior do indivíduo. Sendo assim, entende-se por ética aquilo que se 
caracteriza como um conjunto de valores que um sujeito possui e que, por isso, promove 
o respeito deste para com os demais sujeitos ao seu redor, o próprio ambiente em si e 
as demais qualidades que o cercam. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As ferramentas da TCC e o papel 
da ética na sua efetivação 
Capítulo 4 
 
 
Você Sabia? 
Por meio do link abaixo, assista ao vídeo “Qual a diferença entre ética 
e moral? A filosofia explica!”, Publicado pelo canal A Filosofia Explica no 
ano de 2020. Através deste, é possível compreender com mais detalhes 
a definição desses dois conceitos que, por sua vez, se fazem importantes 
para a plena análise da inserção da ética nos contextos clínicos nos 
quais a terapia cognitivo-comportamental se faz presente e, com isso, 
entender como esta é relevante para a manutenção da relação entre o 
profissional psicoterapeuta e seu paciente. 
A Filosofia Explica. Qual a diferença entre ética e moral? A filosofia explica! 
2020. Disponível em: https://youtu.be/qS2BFJ6On_o. Acesso em: 25 de 
maio de 2023. 
 
Tomando como base isso, também é possível avaliar que a ética se faz presente na rotina 
terapêutica proporcionada na TCC, na medida em que assegura não só uma interação 
respeitosa entre o terapeuta e seu paciente, como também uma melhor compreensão 
da importância desse tipo de tratamento para a vida dos indivíduos com transtornos 
emocionais. Percebe-se, assim, que se os pensamentos disfuncionais advindos dessas 
condições psicológicas afetam diretamente o senso de valores que um sujeito possui, 
não só para consigo mesmo, como também para os demais indivíduos ao seu redor, 
estes ainda influenciam grandemente no seu senso ético e, portanto, as atitudes que 
determinam a sua vivência em sociedade. 
Nesse contexto, Abib (2001) evidencia que o psicólogo behaviorista Burrhus Frederic 
Skinner considera que a efetivação da terapia comportamental deve acontecer 
através da consideração do comportamento moldado pelas convivências diretas dos 
pacientes, e não necessariamente pelo comportamento determinado pelas regras 
do contexto social no qual este se insere. Isso significa que, para o norte-americano 
o que deve ser estudado por parte do profissional terapeuta para entender, de fato, a 
condição disfuncional do cliente e as melhores formas de lidar com esta não é através 
do julgamento moral, na medida em que estes promovem uma alienação ocasionada 
da coerção social. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
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Capítulo 4 
 
 
Assim sendo, se faz necessário considerar, no lugar disso, as particularidades de cada 
sujeito em tratamento, levando em conta como as suas especificidades de identidade 
podem influenciar no seu comportamento e, então, apontar formas de evitar a sua 
disfuncionalidade. 
Em adição a isso, Skinner (1975), também evidencia a importância do papel do paciente 
no seu próprio processo de tratamento. Em decorrência disso, estabelece princípios 
que iriam servir como fundamentos essenciais da TCC, já discutidos neste módulo, na 
medida em que discorre acerca da importância de tornar o indivíduo em tratamento 
como o principal sujeito desse processo, buscando compreender a sua própria condição 
e, a partir disso, desenvolver métodos de lidar com esta e, eventualmente, suprir os 
pensamentos disfuncionais, melhorando o seu próprio comportamento. 
É por isso, portanto, que o psicólogo norte-americano considera que o terapeuta 
não deve ajudar demasiadamente o seu paciente, de modo a não criar um nível de 
dependência entre eles que se sustenta no fato de que este último dependerá sempre 
da ajuda do primeiro. 
Considerando tal pressuposto, é possível perceber que o papel do terapeuta se faz, 
sobretudo, elencado em uma função de orientação das ações a serem tomadas pelo 
paciente para melhorar a sua própria vida. Dessa forma, o profissional se caracteriza como 
um indivíduo que tem por finalidade direcionar o sujeito em tratamento a caminhos que 
permitam o seu pleno crescimento individual e, com isso, a sua maturidadenecessária 
para lidar com os obstáculos que são colocados pelo seu próprio transtorno emocional. 
O terapeuta não é necessariamente, portanto, o indivíduo responsável por ditar aquilo 
que o sujeito tratado deve ou não fazer, se distanciando de um posicionamento de agente 
de controle social. Por esse motivo, como evidenciado anteriormente, se afasta de um 
caráter de imposição moral e se aproxima, no lugar, de uma noção ética de ajudar o 
próximo a atingir hábitos saudáveis e psicologicamente benéficos para a manutenção 
da sua vida cotidiana. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As ferramentas da TCC e o papel 
da ética na sua efetivação 
Capítulo 4 
 
 
Resumindo 
E com isso, fica concluído o desenvolvimento do quarto e último 
capítulo deste módulo. Deu para compreender todas as informações 
que foram disponibilizadas no corpo deste capítulo? É importante que 
nenhuma dúvida fique no ar e, por isso, resolvemos fazer um breve 
resumo do conteúdo que foi elencado até aqui, que tal? Então vamos 
lá. Primeiramente, foi visto que a terapia cognitivo-comportamental 
pode ser desempenhada com objetivos distintos a depender do caso 
de cada paciente e, por decorrência disso, também faz uso de métodos 
e ferramentas específicas que buscam efetivar, de fato, esses objetivos. 
Dessa maneira, existem terapias que buscam proporcionar desde a 
melhoria das capacidades emocionais do sujeito em tratamento, até 
promover as condições adequadas para que este tenha relações 
interpessoais significativas e eficientes. Adicionalmente a isso, é também 
importante considerar o papel da entrevista para facilitar o trabalho 
do terapeuta, bem como da ética como uma forma de garantir uma 
relação entre este profissional e seu paciente de maneira adequada e 
mutuamente respeitosa. 
Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental 
Referências 
 
 
 
Abib, J. Teoria moral de Skinner e desenvolvimento humano. Psicologia: Reflexão e Crítica, 
14, 107-117, 2001. 
A Filosofia Explica. Qual a diferença entre ética e moral? A filosofia explica! 2020. Disponível 
em: https://youtu.be/qS2BFJ6On_o. Acesso em: 25 de maio de 2023. 
BBC News Brasil. O que é a teoria da evolução de Charles Darwin e o que inspirou suas 
ideias revolucionárias. 2019. Disponível em: https://youtu.be/ambANBIHjCI. Acesso em: 26 
de maio de 2023. 
BECK, A. T. et al. Terapia cognitiva da depressão (S. Costa, Trad.). Porto Alegre: Artmed, 
1997. 
BECK, A. T. The past and future of cognitive therapy. The Journal of psychotherapy practice 
and research, v. 6, n. 4, p. 276, 1997. 
Clark D. A., Beck A. T., Alford B. A. Scientific foundations of cognitive theory and therapy of 
depression. New York: Wiley; 1999. 
DIEGO Falco. Como a TCC trabalha com o Transtorno Bipolar? 2019. Disponível em: https:// 
youtu.be/FW_ugVoGUoM. Acesso em: 25 de maio de 2023. 
Dobson K. S. Handbook of cognitive-behavioral therapies. 2nd ed. New York: Guilford Press, 
2001. 
DRA. Ana Beatriz Barbosa. TERAPIA COGNITIVA COMPORTAMENTAL. 2022. Disponível em: 
https://youtu.be/QjE3mulfTdc. Acesso em: 25 de maio de 2023. 
LIPP, M. E. N., MALAGRIS, L. O treino cognitivo do controle da raiva. Rio de Janeiro: Editora 
Cognitiva, 2010. 
PROF. Luiz Dias. Conhecimento filosófico. 2020. Disponível em: https://youtu.be/VDofVtI8hkY. 
 Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Referências 
 
 
 
Acesso em: 21 de maio de 2023. 
SAÚDE da Mente. 5 minutos de meditação para aliviar a ansiedade e estresse. 2021. 
Disponível em: Acesso em: https://youtu.be/gxXZCl4vA-g. 25 de maio de 2023. 
Skinner, B. F. The ethics of helping people. Criminal Law Bulletin, 11, 623-636, 1975.vão ser resgatados, 
contribuindo para uma série de mudanças que impactaram grandemente o mundo 
ocidental, suas sociedades e as dinâmicas que se faziam presentes nestas. 
Em razão disso, é possível compreender que durante esse momento o pensamento 
religioso passa a perder sua hegemonia na sociedade europeia, sobretudo como 
impacto de movimentos que marcaram o chamado Renascimento desse continente, 
isto é, o abandono sobretudo de qualidades como o teocentrismo, de modo a posicionar 
o próprio homem como o centro do seu universo. 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 2 
O processo que 
define a transição do 
teocentrismo medieval 
para o antropocentrismo 
moderno. 
FONTE 
Elaborado pelo autor 
(2023). 
 
 
Sendo assim, desde características cotidianas mais comportamentais dos gregos da 
Antiguidade; como o hábito de praticar esportes e valorizar a sua estética corporal, até 
aspectos que definiram a sua filosofia e a busca por conhecimento, foram resgatados 
pelo homem europeu moderno, que agora não se satisfazia apenas pelas respostas 
divinas oferecidas, em sua maioria, pelas escrituras sagradas católicas. É nesse contexto, 
portanto, que o pensamento científico se desenvolve e passa a ganhar espaço de 
proeminência nas sociedades europeias, na medida em que os estudiosos passaram a 
utilizar-se de aspectos como a observação e a experiência para compreender o mundo, 
seus seres e fenômenos, e assim, o próprio ser humano. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 
 
 
As primeiras abordagens cognitivo-comportamentais e suas 
características 
Tendo compreendido como o pensamento científico foi fortemente influenciado pelos 
princípios filosóficos desenvolvidos na civilização grega da Antiguidade Ocidental, 
é possível analisar que este foi por muito tempo suprimido pelas doutrinas religiosas, 
sobretudo católicas, que dominaram a forma do homem em manter contato com o 
próprio conhecimento acerca de si mesmo e das coisas que o cercam de maneira 
cotidiana. 
É a ascensão do pensamento e métodos científicos, portanto, que ocasiona a perda 
da hegemonia e relevância da religião como forma de atingir a resposta de todas as 
coisas, oferecendo novas maneiras do homem de buscar o saber, também aprendendo 
a desenvolvê-lo por meio da ciência empírica e experimental, importante para a 
obtenção de conhecimento até a contemporaneidade. 
É a partir desse contexto, então, que surgem os primeiros fundamentos que culminaram 
na utilização do empirismo para desenvolver meios do homem de estudar o seu próprio 
comportamento e as suas características psicoemocionais na Idade Contemporânea. 
A teoria evolucionista proposta pelo biólogo naturalista britânico, Charles Darwin 
(1809-1822), foi de indubitável importância para o autoconhecimento do homem e sua 
própria origem, tomando como ponto de partida a comparação com o aprendizado 
animal e como o entendimento acerca deste poderia ser, assim, aplicado nos estudos 
antropológicos que, por sua vez, buscam compreender o homem de um ponto de vista 
biológico e sociocultural. 
Por consequência disso, no decorrer do século XX, foram desenvolvidos métodos 
de estudo que tinham por objetivo utilizar animais como forma de compreender o 
comportamento humano, algo que era fundamentado no evolucionismo darwinista que 
determinava o homem como derivado de uma espécie animal inferior. 
Lipp e Malagris (2010) evidenciam que houve uma intensa contribuição das ideias 
propostas por Darwin no desenvolvimento dessas metodologias de estudo que, assim, 
traçaram um paralelo entre os comportamentos animais e humanos, sendo precursores 
dos estudos cognitivos-comportamentais. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 
 
 
Dessa maneira, compreende-se que os primeiros estudos cognitivo-comportamentais 
tiveram por objetivo, inicialmente, observar as características fisiológicas dos animais 
como forma de compreender a dos homens e, com isso, compreender efetivamente os 
aspectos que definiam a sua psicologia. 
Nesse sentido, podem ser citados o fisiologista russo Ivan Pavlov (1849-1936) e o psicólogo 
americano Edward L. Thorndike (1874-1949) como os pioneiros dos estudos que se fariam 
essenciais para o desenvolvimento dos métodos que resultariam nos tratamentos 
cognitivo-comportamentais através, sobretudo, das técnicas de condicionamento. 
Exemplo: 
O método de estudo dos comportamentos animais, por meio do condicionamento, 
se dá pela aplicação de situações que causam uma reação do espécime estudado. 
Por decorrência disso, Pavlov, por exemplo, conduziu seus experimentos sobretudo 
com cachorros, para entender como estes reagiriam a determinados estímulos 
incondicionados, como a salivação em vista a um alimento, que se caracteriza como 
um estímulo incondicionado, ou a um determinado som, que é um estímulo neutro, que 
esteja associado ao incondicionado. É por esse motivo, portanto, que um cão pode 
identificar quando seu dono oferece comida, mesmo sem mostrá-la. 
Por outro lado, Thorndike, sendo influenciado por Pavlov, desempenhou as suas pesquisas 
com gatos, de modo a entender como as suas ações podem ser determinadas por 
determinados condicionamentos. Desse modo, ele enxergou que tais estímulos, 
como proposto pelo método pavloviano, podem fazer com que os animais tomem 
determinadas atitudes que, em outros momentos, podem se repetir ou não a depender 
da consequência que foi gerada por estas. Assim, esses sujeitos buscaram entender 
as características psicopatológicas presentes nos humanos por meio da chamada Lei 
do Efeito, algo que foi explorado com maior proeminência pelo psicólogo americano 
B. F. Skinner (1904-1990), que criou um novo modelo de condicionamento, sendo este o 
condicionamento operante, que determina que o esforço do estímulo provocado pode 
aumentar a chances de haver uma resposta por parte do ser que foi estimulado. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 3 
Os condicionamentos desenvolvidos 
por Pavlov e Skinner. 
FONTE 
Elaborado pelo autor (2023). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em paralelo a isso, John B. Watson (1878-1958), que também foi fortemente influenciado 
pelos estudos pavlovianos, desenvolveu o que foi chamado de Behaviorismo em 1913, 
na medida em que utilizou dos conhecimentos adquiridos nos estudos acerca da 
psicologia animal para buscar a predicação, entendimento e controle do seu próprio 
comportamento. 
Com isso, Watson ainda considerou que o homem era caracterizado como uma 
continuidade dos animais irracionais, algo que não só se pautava na teoria evolucionista 
de Darwin, como também desconsiderava a existência de um limite que separava o ser 
humano dos demais animais dentro do âmbito comportamental. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 
 
 
É importante destacar, no entanto, que outros estudiosos contemporâneos consideravam 
que a consciência humana agia como uma linha que o particularizava dos animais 
irracionais, algo que Watson não trata nesse mesmo sentido. 
Em vista disso, se faz importante considerar que Watson não rejeita de fato, a noção 
de que a consciência humana existe. Do contrário, reconhece a sua presença, mas a 
considera como algo subjetivo e incapaz de ser devidamente examinada de um ponto 
de vista científico. 
Adicionalmente a isso, o psicólogo americano desempenha as suas pesquisas 
ao conduzir experiências com ratos, diferentemente dos demais pesquisadores 
anteriormente citados, que trabalhavam sobretudo com animais domésticos maiores, 
desenvolvendo a análise experimental do comportamento que mais tarde, daria origem 
ao behaviorismo em um caráter mais radical, propondo que o comportamento secaracteriza, de forma exclusiva, como uma resposta a diferentes estímulos externos. 
Após isso, o behaviorismo abriria espaço para o desenvolvimento, também, do 
neobehaviorismo que marcou, acima de tudo, a fase que compreendeu as décadas de 
1930 até 1950. 
Foi a partir desse momento, em que foi formada uma teoria da aprendizagem que, por 
sua vez, levava em consideração a mediação cognitiva das pessoas como relevante 
para o seu processo de aprendizagem, tendo em vista que as suas capacidades de 
cognição correspondem às habilidades desses sujeitos de desenvolverem novos 
conhecimentos. Em razão disso, houveram diferentes pesquisadores que contribuíram 
grandemente para o desempenho das teorias e metodologias utilizadas pelos estudiosos 
comportamentais neobehavioristas, que acreditavam que o comportamento também 
poderia estar devidamente associado às características cognitivas das pessoas. 
Além disso, mesmo após a década de 1950, outros pesquisadores também deixaram 
suas contribuições para essa linha teórica, expandindo os trabalhos desenvolvidos pelos 
principais teóricos behavioristas. No entanto, é fato, que a partir do final dos anos 1960 
até os primórdios da década de 1970, houve um proeminente movimento de insatisfação 
de psicólogos e pesquisadores das características psicológicas humanas acerca do 
grande enfoque que era colocado nos seus aspectos comportamentais, deixando de 
lado outras particularidades também relevantes. É nesse contexto, então, que surge a 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 
 
 
necessidade de desenvolver pesquisas acerca das capacidades cognitivas das pessoas 
e a sua influência na psicologia. 
Por decorrência disso, passou-se a entender a cognição humana como aspectos 
fundamentais para a mediação dos estímulos já trabalhados pelos pesquisadores através 
do condicionamento. Dessa maneira, Hawton et al. (1997) discute que essas abordagens 
foram devidamente aplicadas por consequência de tentativas de acrescentar conceitos 
cognitivos que já existiam e eram considerados desde o neobehaviorismo. Em acréscimo 
a isso, os pesquisadores desse período se mostravam descontentes com o caráter 
restrito do modelo de condicionamento que determinava o comportamento como, 
apenas, uma resposta aos estímulos externos que eram aplicados em um determinado 
ser. 
Com isso, os métodos terapêuticos psicodinâmicos já não atendiam às demandas 
expostas pelos pesquisadores da época, tendo a sua plena eficácia questionada por estes, 
enquanto seus modelos ainda passavam a serem rejeitados. Foram essas qualidades 
que deram origem, então, ao que pode ser chamado de uma revolução cognitiva, onde 
os traços e aspectos da cognição das pessoas deveriam ser plenamente considerados 
na hora de estudar e analisar as suas características psicológicas, tendo em vista que 
a sua capacidade de aprendizagem interfere diretamente nas suas respostas aos 
estímulos externos, que não dependem exclusivamente do comportamento do indivíduo 
estimulado. 
Em razão disso, Albert Bandura (1929-2021) foi um dos principais psicólogos responsáveis 
por criticar o modelo de estudo da psicologia humana através do condicionamento 
operante, desenvolvendo as suas próprias ideias que contribuíram para a solidificação 
da revolução cognitiva e a consideração da aprendizagem como determinante nos 
comportamentos humanos. 
Sendo assim, Bandura indicou que o condicionamento se mostrava falho ao considerar 
que o indivíduo só consegue aprender a tomar decisões após sucedê-lo na resposta 
a um determinado estímulo. Desse modo, seria apenas por meio da tentativa que se 
poderia aprender, o que desconsiderava o aprendizado por meio da observação. 
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Terapia Comportamental 
História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 
 
 
Você Sabia? 
O modelo de Bandura foi denominado de modelação e se fez 
importante para o movimento mediacional que contribuiu para os 
estudos da psicologia humana. Neste, o americano evidenciou que a 
aprendizagem não acontece apenas por meio das tentativas, erros 
e acertos, mas também pela observação de um modelo que pode 
evidenciar as respostas e, dessa forma, promover o desenvolvimento de 
conhecimentos sem a reprodução do comportamento. Com base nessa 
ideia, se um determinado sujeito observa um terceiro responder de tal 
maneira a um estímulo, originando uma consequência negativa, este 
pode optar por ter uma resposta diferente, na medida em que já sabe o 
resultado que a resposta do colega atingiu, mesmo sem experimentá-la 
pessoalmente. 
 
Tomando como base isso, é possível entender que os estudos de Bandura se fizeram 
essenciais para a plena compreensão das dinâmicas que definem o comportamento 
humano, sobretudo em razão das suas pesquisas voltadas para a compreensão 
do processamento de informações por parte do homem, seja este propiciado pelas 
tentativas ou pela simples observação de um modelo que as exerce. 
Além deste, Donald H. Meichenbaum propôs pesquisas acerca do treinamento 
autoinstrucional, o que o caracteriza como um dos primeiros psicólogos a buscar entender 
o comportamento humano por meio de um método de estudo inteiramente cognitivo, 
considerando que este pode ser influenciado por mudanças em autoinstruções feitas 
pelo próprio indivíduo (Hawton et al, 1997). 
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Terapia Comportamental 
História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 
 
 
Importante 
Também importante para o desenvolvimento de estudos e modelos 
de compreensão da psicologia humana por meio de características 
cognitivas e comportamentais, foi o psicólogo norte-americano 
Albert Ellis (1913-2007). Este, por sua vez, desenvolveu um método 
terapêutico denominado, nos dias atuais, de terapia racional-emotiva- 
comportamental. De acordo com este, as respostas emocionais das 
pessoas são resultantes da sua visão acerca de um determinado 
acontecimento, e não necessariamente dos aspectos que definem o 
acontecimento em si. Em razão disso, Borba (2005) evidencia que, de 
acordo com o método elaborado por Ellis, as emoções e, por consequência, 
as atitudes de uma determinada pessoa são diretamente influenciadas 
pelas suas especificidades cognitivas e crenças individuais. 
 
Seguindo esse pensamento, portanto, o psicólogo conseguiu desenvolver doze crenças 
que, para ele, são irracionais, mas se fazem comumente presentes na mente dos 
indivíduos que são condicionados a determinadas situações no seu dia-a-dia. Dessa 
maneira, são essas crenças particulares que embasam a interpretação que o sujeito 
tem dos eventos cotidianos e, com isso, permitem que este tenha uma determinada 
resposta emocional que se adequa com a sua vivência e experiências. 
Assim sendo, Ellis propõe, em suas sessões de terapia, que as crenças irracionais que 
definem as reações emocionais dos pacientes sejam devidamente identificadas e 
analisadas, ainda promovendo uma discussão que tem por finalidade contestar a 
efetividade dessas reações, questionando se estas podem ser alteradas. 
Consequentemente, Rangé (2001) discute que o modelo racional-emotiva- 
comportamental de Ellis tem por função fazer com que o paciente entenda as suas 
próprias crenças irracionais, buscando atingir as melhores formas de lidar com estas e 
as respostas emocionais originadas delas. 
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Terapia Comportamental 
História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 
 
 
Aaron Beck e o seu modelo de terapia cognitivo-comportamental 
Com base no que foi discutido no decorrer desse capítulo até aqui, foi possível 
compreender como os modelos terapêuticos que buscam compreender e manejar os 
comportamentos humanos foram, inicialmente, desenvolvidos desde o século XX, na 
medida em que, por consequência da disseminação da teoria evolucionista, diversos 
psicólogos passaram a analisar os animais como forma de entender a própria psicologia 
humana.Mais tarde, as características cognitivas particulares a cada indivíduo passaram 
a ser, também, consideradas nos estudos que tentam entender, de fato, os seus aspectos 
psicológicos. Com isso, houveram diversas contribuições que culminaram na terapia 
cognitivo-comportamental cujo principal modelo pode ser elaborado por Aaron Beck 
(1921-2021). 
É importante considerar, portanto, que os avanços propostos por outros psicólogos e 
pesquisadores precursores ou mesmo contemporâneos de Beck foram essenciais para 
a melhor compreensão da psicologia humana e como esta está associada com a 
capacidade de aprendizagem e memorização, com as respostas emocionais de cada 
indivíduo e outros aspectos individuais que definem as suas atitudes cotidianas. Apesar 
disso, o norte-americano se mostrou insatisfeito com os resultados obtidos através da 
psicanálise, sobretudo com aqueles dos seus pacientes que tinham depressão, o que o 
impulsionou a buscar a elaboração de um novo modelo cognitivo, em 1967, que, então, 
permitiria melhor entender as características psicoemocionais desses indivíduos e as 
melhores formas de lidar com estas. 
Em decorrência disso, Beck (1997) constatou que os pensamentos individuais de cada 
sujeito podem ter consequências diretas nas suas manifestações emocionais e, por 
extensão, no seu comportamento. De acordo com o seu modelo, o pensamento é 
caracterizado como um processamento cognitivo acerca de um determinado evento 
e, assim, influencia as atitudes e afetos desempenhados pelo indivíduo atingido por 
este. Nesse sentido, Beck desenvolveu a sua terapia cognitiva como um processo 
psicoterapêutico que se organiza em um modelo educacional e, por isso, faz uso dos 
aspectos cognitivos e comportamentais dos pacientes. Para tanto, ele propõe o exercício 
de aprendizagem, como uma tarefa de casa, como forma de promoção do tratamento 
terapêutico. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 1 
A influência que a cognição 
exerce no comportamento 
humano. 
FONTE 
Elaborado pelo autor (2023). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em decorrência da grande valorização do processo de aprendizagem como forma de 
promover o tratamento psicoterapêutico dos pacientes com depressão, o modelo de Beck 
é, comumente, denominado de terapia cognitiva, como já evidenciado anteriormente. No 
entanto, o psicólogo não ignora a relevância do comportamento como um importante 
aspecto do tratamento, na medida em que ainda faz uso de estratégias elaboradas no 
âmbito da terapia comportamental. 
Pode-se dizer, com isso, que a terapia de Beck é fundamentada por meio de uma união 
de modelos desses dois métodos, daí a caracterização de uma terapia cognitivo- 
comportamental, importante ao considerar os aspectos de aprendizagem, emoção e 
comportamento dos pacientes e como estes podem interferir diretamente no seu bem- 
estar psicológico: “O terapeuta pode estar conduzindo terapia cognitiva embora esteja 
utilizando predominantemente técnicas comportamentais ou abreativas” (BECK et al., 
1997, p. 86). 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 
 
 
Desde então, surgiram novos teóricos do campo da psicologia humana e terapeutas 
que aderiram ao método da terapia cognitivo-comportamental (TCC) e, com isso, 
passaram a utilizar dos seus modelos como forma de orientar os seus pacientes, bem 
como desenvolver estudos que buscam entender com mais qualidade a psicologia do 
homem. 
Se faz possível avaliar, dessa maneira, a indubitável relevância que Beck teve no 
desenvolvimento de parâmetros que seriam utilizados em um novo ramo dos estudos 
terapêuticos e, ainda, permitiriam a maior compreensão da mente humana, sobretudo 
no que diz respeito ao seu comportamento e resposta a estímulos do meio externo. 
Tal abordagem ainda se desenvolveu, em paralelo, como um aspecto importante de 
intervenções clínicas voltadas para as características cognitivo-comportamentais dos 
pacientes atendidos. Se faz possível avaliar, em decorrência disso, que a TCC evoluiu 
para além do modelo conceitual primordial proposto por Beck, na medida em que outros 
terapeutas e estudiosos da área aplicaram os seus conceitos iniciais para construírem 
os seus próprios modelos de modo a atingir objetivos particulares. Nos contextos 
contemporâneos, existem distintos modelos de terapia cognitivo-comportamental que 
podem ser aplicadas até mesmo em pacientes com condições mais graves que os que 
foram inicialmente estudados por Beck. 
Apesar dessas inerentes particularidades, é irrefutável que os distintos modelos que 
se inserem no âmbito da TCC são detentores de características em comum que não 
se distanciam, em sua totalidade, dos conceitos propostos pelo modelo inicial de 
Beck. Em razão disso, pode-se avaliar que a base dos métodos de terapia cognitivo- 
comportamental ainda fundamenta esses novos modelos que consideram que a 
cognição do indivíduo éinfluenciadora do seu comportamento, podendo ser devidamente 
analisada e medida, e que o comportamento desse sujeito pode ser alterado em razão 
de uma mudança cognitiva (DOBSON, 2001). 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 
 
 
Resumindo 
Tendo em vista o conteúdo abordado até aqui, fica possível concluir 
o desenvolvimento do primeiro capítulo desse módulo. Deu para 
compreender as informações dispostas até aqui? Para garantir, 
reservamos esse momento para resumir tudo o que foi posto no 
decorrer desse capítulo, vamos lá? Primeiramente, foi evidenciado que 
a jornada humana pela busca sobre si mesmo é um processo antigo 
que, de início, foi marcado por explicações míticas até o surgimento 
do pensamento filosófico que permitiu a utilização da lógica e da 
razão para atingir respostas acerca do universo e seus componentes. É 
nesse sentido, portanto, que vai ser desenvolvida a ciência que, dentre 
as suas diferentes funções, serviu para que o homem entendesse 
melhor a si mesmo. Com isso, surge a psicologia que tem por função 
principal promover a compreensão da mente humana e, com o passar 
dos anos, os diversos tipos de terapia e estudos que visam entender o 
comportamento das pessoas levando em consideração suas emoções 
e capacidade cognitiva. Assim, são desenvolvidos diferentes modelos 
de terapia cognitivo-comportamental como forma de compreender, 
de fato, as características psicológicas desses indivíduos e as melhores 
formas de lidar com estas. 
2 
@faculdadelibano_ 
 
 
 
 
 
Os fundamentos 
da TCC e seus 
princípios 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Capítulo 2 
 
Os fundamentos da TCC e 
seus princípios 
 
 
 
Objetivos 
Durante a leitura desse capítulo, você irá compreender quais são os 
princípios que definem a atuação do profissional terapeuta na efetivação 
dos procedimentos da terapia cognitivo-comportamental. Sendo assim, 
também será visto como as atividades desse tipo de tratamento são 
fundamentadas como forma de melhorar a qualidade de vida dos 
pacientes. 
 
A evolução dos princípios que fundamentam a terapia 
cognitivo-comportamental 
No capítulo anterior, foi evidenciado como o homem busca conhecimento desde os 
primórdios da sua existência, mas os métodos utilizados por este para adquirir as 
informações necessárias para a garantia da sua sobrevivência, bem como para o 
suprimento da sua curiosidade, foi efetivamente mudado com o passar dos anos. 
Dessa forma, se fez possível observar que cada um dos indivíduos que se organizam em 
sociedade precisa desenvolver habilidades de aprendizagem, de modo a assegurar não 
apenas a obtenção de tudo que precisa para manter a sua rotina diária, como também 
promover a sua constanteevolução por meio da agregação de valores, saberes e 
informações que permitem o seu desenvolvimento como um sujeito pensante. 
Em decorrência disso, se faz possível observar que o pensamento mitológico se fez 
fortemente presente no cotidiano do homem desde o período pré-histórico, na medida 
em que este entregou ao sobrenatural aquilo que não conseguia explicar de forma 
racional. Isso muda, no entanto, com o advento da filosofia que, no mundo ocidental, 
teve seu surgimento marcado na Grécia Antiga. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 
 
 
Com isso, os pensadores que dedicavam a sua vida a questionar as características 
que definiam o mundo e seus seres passaram a valorizar mais os conceitos de razão 
e lógica, buscando entender o funcionamento do universo por meio destes e, sendo 
assim, se desprendendo cada vez mais da total confiança nas respostas mitológicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 5 
A evolução do conhecimento do homem no decorrer da história da humanidade. 
FONTE 
Elaborado pelo autor (2023). 
 
 
É importante considerar, apesar disso, que a mitologia não se fez completamente 
extinta durante esse momento, voltando a ter uma força ainda maior com a ascensão 
do catolicismo na Europa, sobretudo em razão das conquistas propiciadas pelo povo 
romano ainda na Antiguidade. 
Em razão disso, é possível avaliar que o conhecimento religioso se caracteriza como uma 
forma particular do saber, apresentando diversas semelhanças com o saber mitológico 
e, por isso, se distanciando da lógica e da racionalidade do pensamento filosófico. 
Apenas mais tarde, principalmente na Idade Moderna, os valores da filosofia grega 
seriam resgatados, dando origem à ciência como uma forma de explicar o mundo por 
meio de métodos como a observação e a experiência, não mais se contentando com 
as respostas divinas acerca, por exemplo, da origem e do funcionamento do universo. 
Tais aspectos influenciaram diretamente, também, no entendimento que o homem 
tinha sobre a própria humanidade. Com o surgimento da filosofia e, posteriormente, da 
ciência, o interesse do ser humano sobre si mesmo, sua origem e papel no universo se 
fez um aspecto central dos seus estudos rotineiros. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 
 
 
Nesse sentido, a partir do Renascimento, o teocêntrismo abre espaço para um 
antropocentrismo que, como o próprio nome sugere, posiciona o homem no centro 
do universo e, assim sendo, da busca pelo saber como o próprio objeto de estudo. 
Tal fenômeno deu origem, mais tarde, a teorias que buscavam entender melhor a 
humanidade e como esta se faz organizada. 
Nesse sentido, a teoria da evolução proposta por Charles Darwin foi uma das principais 
contribuições para o desenvolvimento de novos conhecimentos que contribuíram para 
a compreensão do homem de um ponto de vista biológico. 
Em paralelo a isso, houveram também avanços em estudos sociais que, por sua 
vez, buscavam analisar efetivamente as dinâmicas da humanidade, levando em 
consideração as características da sociedade, a sua plena organização e a inserção 
dos diferentes indivíduos em sua rotina cotidiana. Em decorrência disso, o estudo acerca 
do homem pode ser expandido em diferentes abordagens e pontos de vista que, em 
conjunto, permitiram que este entendesse a si mesmo. 
 
 
Saiba Mais 
Acesse o link abaixo para assistir ao vídeo “O que é a teoria da evolução 
de Charles Darwin e o que inspirou suas ideias revolucionárias”, publicado 
pelo canal BCC News Brasil no ano de 2019, para compreender melhor as 
características da teoria evolucionista desenvolvida pelo cientista Charles 
Darwin, de modo a entender, também, como esta foi fundamentada por 
este e que ideias garantiram o desenvolvimento do seu pensamento. 
BBC News Brasil. O que é a teoria da evolução de Charles Darwin e o que 
inspirou suas ideias revolucionárias. 2019. Disponível em: https://youtu. 
be/ambANBIHjCI. Acesso em: 26 de maio de 2023. 
 
No cenário psicológico, é indubitável que surgiram diferentes pesquisas, estudos e teorias 
que, pautados sobretudo em aspectos acerca da biologia e da socialização humana, 
tentaram entender o funcionamento da mente humana. 
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Terapia Comportamental 
Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 
 
 
Por consequência, surgiram modelos que buscam compreender melhor essas 
características e, dessa maneira, entender quais são os aspectos psicológicos de um 
indivíduo que podem influenciar no seu comportamento, levando em consideração, 
ainda, como este pode ser afetado por estímulos exteriores, isto é, que se fazem 
presentes no ambiente no qual esse sujeito se insere durante a sua rotina diária e, com 
isso, interferem na manutenção do seu dia-a-dia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 6 
As principais 
particularidades 
consideradas pelos 
modelos de terapia 
desenvolvidos ao 
longo da história. 
FONTE 
Elaborado pelo autor 
(2023). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em razão disso, inicialmente foram aplicados os conhecimentos adquiridos em 
experimentos feitos para analisar o comportamento animal no próprio homem. Mais tarde, 
enxerga-se a necessidade de estudar a psicologia humana de maneira independente, 
tendo em vista que, apesar da teoria darwinista defender que o homem evoluiu de um 
ser irracional inferior, a consciência humana separa tal espécie dos demais seres vivos e, 
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Terapia Comportamental 
Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 
 
 
por esse motivo, o entendimento da sua mente não pode acontecer da mesma maneira. 
Em paralelo, diversos psicólogos também buscaram elaborar estudos que facilitassem 
a compreensão da mente dos seus pacientes e, desse modo, oferecer alternativas de 
tratamentos para melhorar, efetivamente, a sua qualidade de vida. 
 
Os princípios que definem a terapia cognitivo-comportamental 
Como pode ser observado com as discussões fomentadas no decorrer desse módulo, 
a busca do homem pelo autoconhecimento foi algo que fez parte do seu cotidiano 
durante diferentes momentos da história da humanidade, na medida em que este 
enxergou métodos distintos para obter informações relevantes acerca de si mesmo, seu 
papel no mundo e as suas características físicas, sociais e emocionais. 
Dessa forma, a psicologia surge como um campo do conhecimento destinado para 
compreender os aspectos que definem a mente humana e, com isso, promover meios 
de garantir a saúde psicológica dos indivíduos em sociedade, analisando o que pode 
interferir no seu bem-estar e comportamento. 
Em razão disso, foram desenvolvidos diversos métodos e modelos de estudo que 
serviriam a principal função de facilitar o entendimento da mente humana e, ainda, atingir 
soluções para os problemas que podem atingi-la e, com isso, expressar consequências 
consideráveis para o indivíduo impactado e sua capacidade de responder aos 
estímulos ao qual este é submetido no decorrer da sua vida cotidiana. Dentre esses 
métodos se destacou, assim, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) que, como já 
avaliado no decorrer desse módulo, buscou considerar as características cognitivas e 
a capacidade de aprendizagem das pessoas, de modo a entender a sua influência no 
seu comportamento e aspectos psicológicos. 
Apesar dessas diferenças, que iremos abordar com mais detalhes no decorrer desse 
capítulo, a TCC possui alguns princípios que se fazem comum às suas diferentes técnicas 
e, sendo assim, partem do pressuposto de que a mente humana possui determinadas 
características padronizadas que devem ser consideradas na hora de avaliar o 
comportamento dos indivíduos e, com isso, analisar as melhores formas de normalizá- 
lo quando demonstra resultados insatisfatórios. 
FundamentosTeóricos da 
Terapia Comportamental 
Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 
 
 
Em razão disso, compreende-se que uma das qualidades centrais da TCC, dentro da 
abordagem do processamento de informações, é que a forma como cada pessoa 
capta e processa aspectos da realidade ao seu redor interfere diretamente no seu 
comportamento e sentimentos. 
 
Importante 
Tomando como base isso, é possível compreender que um dos princípios 
da TCC se encontra no seu objetivo principal, que se fez presente 
desde os primeiros modelos desenvolvidos por parte dos sujeitos que 
levaram em conta as características cognitivas na análise e melhoria do 
comportamento humano, sendo este a reestruturação de pensamentos 
distorcidos. Em vista disso, é observável que os métodos da terapia 
cognitivo-comportamental são aplicados, efetivamente, em sujeitos 
cuja percepção dos eventos que acontecem no seu entorno pode 
resultar em ações que são consideradas erráticas, não só do ponto de 
vista social, que diz respeito à reação dos demais indivíduos ao seu redor, 
como também de uma visão psicológica, devidamente propiciada por 
profissionais dedicados a esse ramo do estudo da saúde humana. 
 
Tais comportamentos erráticos, por sua vez, devem ser considerados por parte dos 
profissionais terapeutas e devidamente analisados, de modo a averiguar se estes são 
resultados de possíveis transtornos emocionais e psicológicos que, assim sendo, afetam 
a efetiva qualidade de vida do indivíduo que os possui, na mesma medida em que 
pode representar consequências negativas consideráveis para o seu bem-estar físico, 
emocional e até mesmo social. 
O objetivo da TCC, nesse contexto, é promover uma mudança positiva para tal sujeito, 
propondo o uso de técnicas terapêuticas que garantem, de fato, a sua inserção na 
sociedade, de modo a conseguir encarar os eventos cotidianos presentes nesta de 
maneira adequada e sem a deterioração da sua saúde emocional. 
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Terapia Comportamental 
Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 
 
 
Considerando tais informações, é preciso ter o pleno conhecimento acerca de 
determinados termos que são assim, de indiscutível relevância para a compreensão 
dos princípios da TCC. Inicialmente, avalia-se que os teóricos desse modelo de terapia 
consideram que as pessoas possuem pensamentos automáticos que, por sua vez, 
se diferem daqueles que acontecem por meio de um fluxo normal resultante de 
pensamentos racionais ou por associação. 
Nesse contexto, é possível compreender que os pensamentos automáticos acontecem 
de forma espontânea, como uma interpretação natural de um determinado evento ou 
aspecto que se faz presente no ambiente que cerca o indivíduo pensante. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 7 
Esquema de 
representação 
da distinção 
entre os tipos de 
pensamentos 
humanos. 
FONTE 
Elaborado pelo 
autor (2023). 
 
 
 
 
 
Adicionalmente a isso, compreende-se que, para os sujeitos que desempenham um 
pensamento automático, é comum considerá-lo como uma interpretação verdadeira 
que, dessa forma, é inquestionável. Em decorrência disso, é comum que esses indivíduos 
nem ao menos percebam que a sua resposta a um determinado acontecimento se 
caracteriza como tal, não havendo a manutenção de um olhar analítico acerca do seu 
próprio comportamento originado desse pensamento. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 
 
 
Apesar disso, Beck defende que é possível, de fato, notar a presença de pensamentos 
automáticos, bem como focar neste e promover a sua avaliação, de modo a compreender 
se este corresponde, verdadeiramente, a uma interpretação genuína do fenômeno 
que o originou por meio da reflexão ou se é resultante de uma determinada distorção 
cognitiva. 
Fazer esse exercício individualmente, no entanto, não é sempre tão fácil, daí a importância 
da terapia para contribuir nesse processo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 7 
O processo 
cognitivo- 
comportamental 
que resulta em 
reações e emoções 
disfuncionais. 
FONTE 
Elaborado pelo 
autor (2023). 
 
 
 
 
 
 
Por esse motivo, quando o pensamento de um sujeito é marcado por alguma distorção 
cognitiva, este se faz enraizado em pensamentos disfuncionais de considerável 
profundidade que, de acordo com os profissionais desse ramo da saúde, podem ser 
denominados de esquemas. Os esquemas, por sua vez, são caracterizados por serem 
estruturas cognitivas de longa duração, permanecendo armazenadas na mente de um 
indivíduo e se associando a estímulos, ideias ou experiências vividas por ele (ALFORD, 
BECK & CLARK, 1999). 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 
 
 
Com isso, esses esquemas também podem influenciar no desenvolvimento de novas 
informações comportamentais que ditam as reações, interpretações e respostas 
do sujeito em relação a outros fenômenos. Observe melhor através do esquema 
exemplificado anteriormente. 
Percebe-se, dessa forma, que cada sujeito costuma desenvolver, através de suas 
experiências individuais, crenças que ditam o seu comportamento e resposta emocional 
aos estímulos exteriores ao seu corpo. 
Essas primeiras crenças básicas, por sua vez, ainda são responsáveis pela formação 
de outras ideias que se relacionam entre si e, dessa forma, constrói o repertório 
comportamental do indivíduo, ajudando a formar as suas respostas automáticas. É 
através da persistência dessas crenças, básicas ou derivadas destas, que se formam 
um esquema, caracterizado como uma estrutura cognitiva de longa duração que 
incorpora tais crenças. 
Em acréscimo a isso, crenças que se fazem errôneas podem também ser incorporadas 
nessas estruturas cognitivas e, dessa maneira, ditar o pensamento, comportamento e 
reação de uma pessoa, resultando em erros cognitivos. 
 
Você Sabia? 
Consequentemente, nota-se que os esquemas são formados no processo 
de desenvolvimento de todas as pessoas de maneira precoce e, por 
decorrência disso, atuam na filtração de informações, conhecimentos, 
experiências e estímulos pelos quais estas passam e processam. 
Tomando como base isso, é possível compreender que as crenças 
formadas no decorrer do crescimento de cada sujeito advém das suas 
experiências individuais, bem como da observação de experiências tidas 
por outros indivíduos que se fazem presentes no seu cotidiano, algo que, 
como já visto no capítulo anterior desse módulo, pode ser essencial para 
a formação dos aspectos comportamentais de cada pessoa. 
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Terapia Comportamental 
Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 
 
 
Levando em consideração esse contexto, é indispensável considerar que o ambiente no 
qual um sujeito em processo de formação, ainda na fase de infância, passa os seus anos 
formativos é de grande importância para a construção dos seus esquemas cognitivos 
que, por sua vez, irão ter uma inquestionável influência no seu comportamento. Sendo 
assim, uma criança que permanece a maior parte de sua infância em um local que 
favorece a manutenção de experiências saudáveis terá, também, um esquema bem 
ajustado que, em decorrência disso, assegura uma interpretação dos eventos que 
acontecem ao seu redor de forma realista. 
Em paralelo, indivíduos que não tiveram um desenvolvimento cognitivo-emocional 
adequado podem adquirir esquemas mal ajustados, resultando assim em distorções 
cognitivas que podem culminar em transtornos emocionais. Fora isso, também é possível 
notar que os esquemas possuem algumas propriedades relevantes que ditam o seu 
funcionamento, tais como: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 7 
As principais 
características 
que caracterizam 
os esquemas 
cognitivos. 
FONTE 
Elaborado pelo 
autor (2023). 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia ComportamentalOs fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 
 
 
Nesse sentido, essas características podem definir quando e como os esquemas podem 
ser ativados, levando em consideração que estes podem se fazer inativos no decorrer da 
vida de um indivíduo e, com isso, só serem devidamente ativados em um determinado 
momento específico. 
Isso costuma acontecer, portanto, quando o sujeito experiência uma determinada 
situação que se faz semelhante àquela que resultou no desenvolvimento do esquema 
no passado e, por decorrência disso, pode representar a formação de pensamentos 
que, apesar de não estarem necessariamente associados com a realidade, se fazem 
presentes na mente do indivíduo quando este é confrontado com uma determinada 
situação que o aproxima da situação que, durante o seu crescimento, deu origem ao 
esquema e seus aspectos individuais. 
Dessa forma, se um determinado esquema que um indivíduo tem se associa, por 
exemplo, as suas relações interpessoais, é comum que este seja ativado em interações 
que exigem o contato direto e íntimo com outras pessoas, o que pode resultar em 
pensamentos negativos que, quando não reconhecidos, analisados e tratados da 
maneira correta podem levar a transtornos mais graves no futuro. Em contrapartida, 
também pode existir a noção, por exemplo, de que um determinado sujeito depende de 
um terceiro para conseguir manter a sua própria felicidade. Daí, as crenças nucleares 
disfuncionais podem resultar em crenças condicionais que, por sua vez, ocasionam um 
alto nível de dependência desse sujeito a outros. 
Por decorrência disso, se faz possível perceber que os esquemas, quando ativados, 
podem influenciar diretamente na capacidade que um indivíduo tem de raciocinar 
e, dessa maneira, averiguar uma avaliação adequada das situações nas quais é 
colocado. Isso, por sua vez, representa consequências consideráveis no que diz respeito 
a maturação emocional desses sujeitos que, em razão da falta de cuidado com os 
esquemas e as crenças disfuncionais desde cedo, podem desenvolver problemas 
maiores que impedem a sua devida socialização e habilidade de lidar com os eventos 
que se dão cotidianamente na sua vida diária. 
É comum, em vista disso, que as pessoas que possuem esses esquemas busquem 
estratégias para manobrá-los momentaneamente e, desse modo, controlar o seu 
próprio comportamento, mas o cuidado com essas crenças individuais deve ir além 
disso e acontecer a longo prazo, ou sua situação pode acabar por piorar. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 
 
 
Adicionalmente a isso, também pode ser observado que existe uma condição de 
interdependência entre o afeto e os aspectos cognitivos das pessoas, tendo consciência 
que uma distorção do processo de aprendizagem de um determinado indivíduo pode 
representar consequências diretas para as suas particularidades emocionais, algo que, 
ainda, pode também se dá no sentido oposto, onde as emoções afetam ativamente a 
cognição desse sujeito. 
Em decorrência disso, a terapia cognitivo-comportamental também se faz baseada 
na hipótese de que as crenças disfuncionais que um sujeito pode desenvolver no 
decorrer de sua vida representam uma influência relevante para as suas emoções e, 
por decorrência disso, podem resultar em distúrbios emocionais que interferem na sua 
qualidade de vida, como o próprio estresse e outros problemas mais graves. 
Tomando conhecimento disso, também se percebe que um sujeito que apresenta 
alguma deficiência cognitiva, no que diz respeito à formação das suas crenças individuais 
e, por consequência, irão ter também características emocionais particulares que se 
relacionam aos acontecimentos que levaram a formação dessas crenças. 
Quando um sujeito associa um trauma ao seu próprio fracasso, por exemplo, a perda 
em qualquer âmbito de sua vida acaba por trazer mudanças comportamentais 
que se traduzem em tristeza, solidão social e falta de aptidão para desempenhar 
mesmo atividades simples do seu cotidiano, seja por medo de falhar de novo ou por 
descontentamento da falha anteriormente cometida que impede a superação das 
suas dificuldades ou a transferência para uma outra tarefa distinta. 
Por outro lado, esquemas que são construídos a partir de crenças que estejam 
associados com um sentimento de perigo, é comum que as emoções desencadeadas 
por estes representem um valor de ansiedade que, em decorrência disso, induz o sujeito 
a direcionar a sua atenção para o possível evento perigoso que acionou tal reação. Em 
razão disso, é comum que os indivíduos que apresentam crenças disfuncionais acerca 
desse tipo de situação também se façam inclinados a ter interpretações exageradas 
dos acontecimentos a sua volta, ocasionando reações que não estão inteiramente 
proporcionais para o que este está enfrentando. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 
 
 
Isso, por sua vez, pode culminar em episódios de alta ansiedade que prejudicam a 
capacidade dessa pessoa de lidar com possíveis imprevistos, mesmo que estes não 
representem um perigo de fato para si e detenham um caráter ambíguo ou mesmo 
neutro. 
O indivíduo que executa esse tipo de reação a um determinado estímulo, no entanto, 
tende a acreditar que este advém de um comportamento de segurança que, no final das 
contas, serve para preservar o seu bem-estar e saúde, sejam estes físicos ou emocionais. 
Apesar disso, é observável que essas atitudes ainda derivam de um comportamento 
disfuncional que prejudica, de fato, a sua vivência cotidiana na busca por um escapismo 
para evitar encarar, realmente, o perigo em questão. 
É a partir disso que se formam, muitas vezes, os transtornos de ansiedade, tendo em vista 
que a capacidade de identificar e reagir ao perigo se faz presente, na mente humana, 
em todas as etapas do processamento da informação, isto é, pode ser percebido, 
interpretado e lembrado. 
Finalmente, há também as crenças que se associam com estímulos que desencadeiam 
a vergonha, comumente associada a situações de humilhação e injustiça. Nesse caso, é 
comum que o sujeito que possui algum transtorno cognitivo-comportamental responda 
através da raiva como um sentimento forte que representa a sua insatisfação para com 
esse tipo de situação. 
Por consequência disso, é comum que a sua reação seja interpretada, por si mesmo, como 
uma retaliação à determinada injustiça e, por esse motivo, o próprio sujeito considera 
as suas atitudes, mesmo que verbal ou fisicamente violentas, como um mecanismo de 
autodefesa que, em decorrência disso, assegura a sua própria segurança e diminui, em 
tese, o sentimento de vergonha e humilhação. 
Dessa forma, é possível observar que os transtornos de personalidade, que também 
afetam indivíduos em razão dos seus esquemas construídos a partir de crenças 
disfuncionais, podem derivar dos conteúdos que advêm das suas características 
disfuncionais. Como resultado disso, é comum que esses conteúdos sejam motivados 
em razão de estímulos que acontecem de forma externa ao indivíduo, o que inclui o 
próprio uso de drogas lícitas ou ilícitas que afetam os seus aspectos psicológicos e 
emocionais, bem como por fatores internos. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 
 
 
Dentre os conteúdos cognitivos que se dão de maneira disfuncional podem ser citados, 
então: 
• Abandono; 
• Busca por tratamento especial; 
• Deficiência; 
• Dependência; 
• Vulnerabilidade cognitiva. 
Cada um desses, por sua vez, ocasionam uma mudança no processamento de 
informações dos indivíduos com transtornos de personalidade, resultando na produção 
de um conteúdo cognitivo que se associa ao transtorno específico que aquele sujeito 
possui e, em decorrência disso, possui o seu próprio conjunto de crenças que se dão 
de maneira disfuncionale interfere diretamente na forma desse sujeito de lidar com os 
estímulos que esse encontra no seu dia-a-dia. 
Beck foi, assim, de grande importância para o desenvolvimento desse modelo que 
analisa a vulnerabilidade dos seus pacientes a desenvolver tais transtornos e, com 
isso, concluiu que sujeitos com tendências autônomas tendem a ter, por exemplo, 
maior vulnerabilidade à depressão, tendo em vista que adquirem um comportamento 
deprimido quando a sua autonomia é efetivamente ameaçada. 
Por outro lado, sujeitos dependentes se tornam mais vulneráveis à depressão em 
decorrência da ameaça às suas relações com os demais indivíduos que se fazem 
presentes na sua rotina cotidiana. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 
 
 
Resumindo 
Concluímos, aqui, a leitura desse segundo capítulo. Ficou tudo 
compreendido, não é? É de suma importância para a absorção dos 
seus conhecimentos que nenhuma dúvida seja mantida. Por isso, que 
tal resumir tudo o que foi visto até aqui e revisar o que foi aprendido? 
Então vamos lá! No início do capítulo, foi denotado que a terapia 
cognitivo-comportamental (TCC) surge da busca do homem por 
maneiras de entender a própria mente humana e desenvolver métodos 
e estratégias para melhorá-la. Assim sendo, os princípios da TCC se 
dão pelo entendimento de que, durante o processo de crescimento 
de cada sujeito, crenças são formadas em suas mentes em razão das 
suas experiências ou aprendizagem por observação e estas, por sua 
vez, originam crenças secundárias. Dessa forma, existem crenças que 
se dão de maneira disfuncional e, por isso, originam comportamentos e 
emoções desadequadas de um determinado indivíduo, afetando a sua 
capacidade de executar suas tarefas cotidianas e construir relações 
interpessoais de qualidade. Com isso, entende-se que é objetivo da TCC 
sanar os problemas advindos dos transtornos resultantes de esquemas 
de crenças cognitivas disfuncionais, garantindo a qualidade de vida do 
sujeito em tratamento. 
3 
@faculdadelibano_ 
 
 
 
 
 
As técnicas e 
abordagens da TCC 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Capítulo 3 
 
As técnicas e abordagens da 
TCC 
 
 
 
Objetivos 
No percurso deste capítulo, será estudada como a terapia cognitivo- 
comportamental pode favorecer a qualidade de vida dos indivíduos com 
transtornos emocionais. Para tanto, será compreendidas as técnicas 
utilizadas para promover a sua efetivação, bem como as abordagens 
que a fundamentam. 
 
A TCC e os comportamentos disfuncionais dos pacientes 
Durante o desenvolvimento desse módulo, foi possível compreender como as 
características cognitivas podem influenciar diretamente no comportamento de um 
determinado indivíduo. Isso significa dizer, portanto, que a capacidade de aprendizagem 
das pessoas, bem como aquilo que estas aprendem no decorrer das suas vidas é um 
elemento decisivo no estabelecimento das suas características comportamentais, na 
medida em que define, de fato, como cada sujeito pode reagir aos estímulos presentes 
na sua vida rotineira. 
Adicionalmente a isso, é possível avaliar, também, que existem diferentes modelos 
de análise cognitivo-comportamental que visa não só entender essa relação, como 
promover medidas que favoreçam a manutenção do bem-estar psicológico e emocional 
de cada pessoa. 
Em decorrência disso, foi observado em capítulos anteriores desse módulo que os 
comportamentos de cada pessoa são diretamente influenciados pelas suas crenças, 
ou seja, aquilo que define o seu repertório mental acerca de como reagir e se comportar 
em vista a diferentes tipos de situações que são colocadas no seu dia-a-dia. Tomando 
conhecimento disso, é possível entender, ainda, que uma grande parte das crenças 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 
 
 
se fazem construídas no decorrer do processo de crescimento de cada pessoa, 
sendo influenciadas pelas situações e estímulos que esta experencia pessoalmente 
ou, também, observa em indivíduos ao seu redor que influenciam nas suas próprias 
respostas. Observe: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 10 
O processo de 
desenvolvimento dos 
transtornos emocionais 
como consequência de 
crenças disfuncionais. 
FONTE 
Elaborado pelo autor 
(2023). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em adição a isso, se faz compreensível que o conjunto de crenças de um sujeito que afetam 
diretamente o seu comportamento e forma de responder a determinados eventos da 
sua vida rotineira compreende aos chamados esquemas que, por sua vez, organizam 
crenças semelhantes para que o sujeito estabeleça, mesmo que de forma inconsciente, 
formas de lidar com as situações cotidianas que apresentam caráter semelhante ou 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 
 
 
distinto. Apesar de grandemente útil para a manutenção da vida das pessoas, existem 
também crenças que se dão de forma disfuncional, isto é, não se fazem inteiramente 
conectadas com a realidade e são fruto direto de ideias ou experiências concebidas 
erroneamente durante o processo de crescimento de um determinado sujeito e, com 
isso, formam esquemas que resultam em comportamentos igualmente disfuncionais. 
Tomando como base isso, é possível reafirmar como a compreensão acerca das 
características cognitivas de um determinado sujeito, que são definidas pelo seu 
processo de aprendizagem que se inicia desde os seus primeiros anos de vida, pode ser 
essencial para entender, realmente, os aspectos comportamentais desses sujeitos. 
Em razão disso, um conjunto de crenças disfuncionais, que resultam em comportamentos 
que não são adequados deve, ainda, ser devidamente reconhecido por parte do indivíduo 
que as possui, de modo a garantir a correção dessa disfunção e, dessa forma, corrigir a 
sua própria resposta aos estímulos que se dão de maneira cotidiana no seu dia-a-dia. 
Do contrário, a depender de aspectos como a intensidade dessas crenças, esta pode 
resultar em transtornos comportamentais graves, que interferem na capacidade do 
sujeito de se inserir na vida em sociedade cotidiana. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 11 
Elementos do cotidiano de um 
sujeito que podem ser afetados 
pelos transtornos emocionais. 
FONTE 
Elaborado pelo autor (2023). 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 
 
 
Quando essas crenças disfuncionais passam despercebidas pelo sujeito que as mantém, 
é indubitável que o seu comportamento passa a se demonstrar de maneira inadequada 
para os estímulos presentes no seu dia-a-dia, o que pode resultar em problemas mais 
graves e, com isso, afetar a capacidade desse sujeito de cumprir de forma individual 
com as suas atividades ou, ainda, estabelecer uma boa relação interpessoal com os 
demais indivíduos ao seu redor. 
Daí, então, a importância da terapia cognitivo-comportamental como uma forma 
de encarar essas disfunções psicológicas e emocionais e, desse modo, promover a 
manutenção da qualidade de vida do paciente afetado. 
 
A Terapia Cognitivo-Comportamental e as suas principais técnicas 
Como evidenciado pelas discussões fomentadas até aqui, a terapia cognitiva- 
comportamental (TCC) é essencial para estabelecer métodos que buscam a melhoria 
da qualidade de vida dos pacientes com algum transtorno emocional ou psicológico 
através da consideração acerca de como os seus aspectos de aprendizagem influenciam 
diretamente nas suas reações para com os estímulos presentes no seu dia-a-dia. 
Sendo assim, observa-se que existem diferentes modelos e técnicas que se fazem 
importantes para aferir a TCC e, por isso, é importante compreenderos principais destes 
e suas particularidades, de modo a avaliar como eles garantem o benefício do sujeito 
com transtorno e, dessa maneira, promove a manutenção da sua saúde psicológica e 
emocional. 
Existem, portanto, diversos problemas que derivam de crenças disfuncionais e os 
esquemas formados por estas que afetam diretamente a capacidade do indivíduo de 
se comunicar e interagir com as outras pessoas ao seu redor, bem como de manter um 
comportamento adequado em face a imprevistos ou outros tipos de situação que se 
fazem inerentemente presentes na sua rotina. 
Esses comportamentos erráticos, por sua vez, podem ser ocasionados por determinados 
eventosespecíficos, quesãoconsideradoscomogatilhosparaasaçõescomportamentais 
do indivíduo que, sendo assim, podem estar associados com determinadas emoções e, 
em vista disso, representar sentimentos de ansiedade, tristeza ou pânico. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 
 
 
Acesse 
Para compreender melhor como a TCC pode ser executada para 
tratar de transtornos de personalidade que afetam a manutenção do 
cotidiano do paciente, acesse o link abaixo e assista ao vídeo “Como 
a TCC trabalha com o Transtorno Bipolar?”, Publicado pelo canal Diego 
Falco no ano de 2019. Neste, é possível compreender com mais detalhes o 
processo tratamento por meio das concepções terapêuticas cognitivos- 
comportamentais. 
DIEGO Falco. Como a TCC trabalha com o Transtorno Bipolar? 2019. 
Disponível em: https://youtu.be/FW_ugVoGUoM. Acesso em: 25 de maio 
de 2023. 
 
É importante, com isso, conhecer quais são os principais aspectos que definem esses 
transtornos emocionais para que eles possam ser devidamente identificados. Somente 
a partir da adequada identificação por parte de um profissional adequado é que este 
pode buscar as soluções para esse tipo de comportamento, o que inclui a própria 
aplicação da TCC como uma forma de reduzir os seus sintomas e efeitos negativos e, 
em decorrência disso, permitir que o indivíduo consiga suprir esses comportamentos 
negativos, assim como as emoções e sentimentos inadequados que estão associados 
a um determinado tipo de situação, estímulo ou memória. Para isso, é necessário que 
este conheça, também, quais são as principais técnicas envolvidas na efetivação desse 
tipo de terapia e como cada uma delas funciona. 
Nesse sentido, é importante considerar que a TCC não desempenha um objetivo único, 
sendo este o de melhorar os comportamentos disfuncionais de um determinado 
paciente, de modo a melhorar os seus transtornos psicoemocionais. Para além disso, 
é importante que o tratamento se faça com a finalidade principal de proporcionar a 
melhoria da qualidade de vida desse indivíduo e, para que isso se faça devidamente 
possível, é necessário que o terapeuta tenha em mente que além de reduzir os efeitos 
negativos desses transtornos, se faz indispensável que o paciente também tenha a 
oportunidade de desenvolver e manter novos comportamentos, tendo estes um caráter 
mais saudável. 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 12 
Os objetivos que podem 
ser atingidos por meio dos 
métodos da TCC. 
FONTE 
Elaborado pelo autor (2023). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em razão disso, é possível observar que a terapia que se dá por meio da consideração 
dos aspectos cognitivos e comportamentais do paciente deve ter como função central 
proporcionar a esse sujeito a oportunidade de melhorar, efetivamente, a sua vida e 
superar os limites e obstáculos que são impostos pelos seus próprios transtornos. 
Por esse motivo, nota-se que os métodos da TCC não começam e terminam na sessão 
terapêutica, também precisando se estender para o efetivo cotidiano do indivíduo 
em tratamento. Por isso, é importante a aplicação de técnicas que facilitam o seu 
cumprimento. Pensando nisso, veremos a seguir as principais dessas técnicas e suas 
características, de modo a entender como essas podem ser aplicadas e com quais 
objetivos terapêuticos elas podem cumprir e, devidamente, se relacionar. 
Análise dos pensamentos disfuncionais 
Um dos principais aspectos que definem um determinado transtorno psicológico são o 
surgimento de pensamentos disfuncionais que, como já evidenciado no capítulo anterior 
desse mesmo módulo, resultam de crenças errôneas que foram construídas pela mente 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 
 
 
do indivíduo no decorrer do seu desenvolvimento e determinam, até mesmo durante a 
vida adulta, a sua forma de encarar determinados estímulos e situações. Quando esses 
pensamentos não são devidamente reconhecidos e, com isso, evitados por parte do 
sujeito, é comum que estes evoluam e afetem, efetivamente, o seu comportamento e, 
por isso, originam transtornos mais graves. 
Dessa maneira, é importante que o sujeito consiga fazer uma plena análise desses 
pensamentos, algo que de início pode ser difícil de efetivar de forma individual, mas que 
com a ajuda do profissional terapeuta vai, gradativamente, se tornando mais fácil. Isso 
pode, ainda, ser facilitado por meio da construção de um registro escrito, por exemplo, 
que serve para anotar todos os detalhes de um determinado pensamento ou reação 
disfuncional, de modo a permitir que o sujeito compreenda as suas características e a 
influência destes no seu comportamento. 
Vejamos um exemplo de como esse registro pode ser construído através da tabela 
abaixo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TABELA 1 
Exemplo de registro de pensamentos disfuncionais e suas características. 
FONTE 
(Elaborado pelo autor, 2023) 
Fundamentos Teóricos da 
Terapia Comportamental 
As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 
 
 
Em razão disso, por meio do registro escrito, o terapeuta pode ter um melhor 
acompanhamento do transtorno do paciente e seus pensamentos disfuncionais que 
influenciam diretamente no seu comportamento associado a tal condição emocional. 
Adicionalmente a isso, também se percebe que o ato de escrever e analisar as suas 
próprias características comportamentais contribui para que o paciente em si 
compreenda a sua condição, reconhecendo esses pensamentos que se dão de forma 
disfuncional e buscando entender meios de lidar com estes sem prejudicar, de fato, o 
seu bem-estar. 
Com isso, nota-se que existem diferentes características que podem ser incluídas nesse 
tipo de tabela comportamental, o que inclui aspectos como o momento exato quando 
a disfunção de pensamento aconteceu, facilitando a análise da sua frequência e, com 
isso, o melhor entendimento acerca do que a desencadeou. Além disso, também podem 
ser incluídas as principais características acerca desse tipo de pensamento e a reação 
que ele ocasiona, tais como a sua intensidade e que tipo de atitude ele influencia no 
paciente, facilitando uma maior compreensão sobre como prevenir comportamentos 
errôneos em decorrência dele. Tudo isso contribui, portanto, para uma TCC de qualidade. 
Relaxamento 
Dentre os diferentes transtornos comportamentais que podem afetar a rotina de um 
indivíduo, existem aqueles que, como já analisado anteriormente nesse mesmo módulo, 
podem resultar na expressão de sentimentos associados ao pânico e à ansiedade. Em 
razão disso, o indivíduo pode ter, não apenas a sua saúde emocional comprometida 
momentaneamente em razão de um episódio desses transtornos, como também o 
seu bem-estar físico, na medida em que é comum que estes ocasionam impactos no 
próprio corpo, como a falta de ar, tremores no corpo, tensões nos músculos e outras 
manifestações que, como observável, vão além do âmbito psicoemocional do indivíduo. 
Sendo assim, é importante, também, que o sujeito, em conjunto com

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