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Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Sumário História da Terapia Cognitivo 6 A busca do homem pelo autoconhecimento durante a história As primeiras abordagens cognitivo-comportamentais e suas características Aaron Beck e o seu modelo de terapia cognitiva comportamental Os Fundamentos da TCC e seus Princípios 21 A evolução dos princípios que fundamentam a terapia cognitivo-comportamental Os princípios que definem a terapia cognitiva comportamental As Técnicas e Abordagens da TCC 37 A TCC e os comportamentos disfuncionais dos pacientes A Terapia Cognitivo-Comportamental e as suas principais técnicas As principais abordagens da Terapia Cognitiva Comportamental CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO Sumário As Ferramentas da TCC e o Papel da Ética na sua Efetivação 52 Os principais métodos da TCC e suas relações terapêuticas As ferramentas que contribuem para a efetivação da TCC O papel da ética nos procedimentos de terapia cognitiva comportamental Referências 67 CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO Objetivos Definição Para o início do desenvolvimento de uma nova competência; Se houver necessidade de se apresentar um novo conceito; Nota Importante Quando forem necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; Explicando Melhor Você Sabia? Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; Curiosidades indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forma necessárias; Saiba Mais Reflita Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; Acesse Resumindo Se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; Quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; Atividades Testando Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; Quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas. 1 @faculdadelibano_ História da Terapia Cognitivo Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Capítulo 1 História da Terapia Cognitivo Objetivos No percurso desse capítulo será entendido como o homem utilizou diferentes maneiras de estudo para conhecer efetivamente a si mesmo, culminando em pesquisas voltadas para o seu âmbito psicológico que buscam entender o que desencadeia o seu comportamento. Sendo assim, serão citados pesquisadores relevantes para o ramo da terapia cognitivo-comportamental. A busca do homem pelo autoconhecimento durante a história A busca do homem pelo conhecimento acerca de si mesmo, é algo que pode ser analisada desde muito tempo da história da humanidade. Na Idade Antiga, por exemplo, o pensamento filosófico se desenvolveu nas sociedades ocidentais, como Grécia e Roma antigas, como uma maneira de compreender o mundo e o seu funcionamento, mas também buscar o pleno entendimento do papel do homem no ambiente no qual este se fez inserido. Desta forma, pode-se observar o levantamento de diversas questões de cunho existencial, que com isso se fizeram essenciais para que os indivíduos que os desenvolveram, compreendessem algumas características relevantes das dinâmicas naturais e sociais presentes no universo. É nesse sentido, portanto, que irão surgir conceitos relevantes, bem como áreas do conhecimento que se fazem importantes até os dias de hoje e foram essenciais para que as pessoas pudessem, mais tarde, engajar-se no pensamento científico e, dessa maneira, buscar a aplicação de métodos e ferramentas adequadas para a condução de experimentos que contribuíram para o pleno desenvolvimento de conhecimentos em distintos campos. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 Pode-se dizer, assim, que o surgimento da filosofia na Antiguidade foi precursor da própria manifestação de ciência que, apesar de sofrer certa represália em determinados momentos da história humana, se fez indubitavelmente presente nos processos que definiram a construção de saberes humanos diversos. FIGURA 1 Os diferentes conhecimentos desenvolvidos pelo homem no decorrer da história. FONTE Elaborado pelo autor (2023). Além disso, foi também na Idade Antiga que surgiram alguns dos principais conceitos políticos que determinariam a organização das sociedades contemporâneas, tendo em vista o resgate dos seus valores mais tarde na Idade Moderna. Nesse sentido, é possível compreender que a Grécia é, até os contextos atuais, considerada como o berço da democracia que, apesar de ter características particulares ao modelo político aplicado nos Estados democráticos do tempo presente, foi de grande importância para o desenvolvimento deste como um sistema que permite a participação do povo na escolha dos seus próprios representantes políticos e, com isso, na tomada de decisões que definem o funcionamento de um determinado país. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 É importante considerar, no entanto, que grande parte desses valores e princípios teóricos desenvolvidos pelos gregos da Antiguidade foram dispersados após a sua conquista por parte dos romanos. Isso se deu, sobretudo, em razão da grande influência que o catolicismo exerceu sobre Roma, dando um papel de protagonismo ao pensamento religioso que embatia diretamente com o pensamento filosófico e, por esse motivo, do pensamento científico. Em decorrência disso, muitos desses conhecimentos permaneceram suprimidos, na medida em que a religião católica tomou para si o papel de explicar o funcionamento do mundo, bem como as coisas e os seres presentes neste. Compreende-se, assim, que existem diversas formas de conhecimento que se diferem entre si, tendo distintas formas de serem desenvolvidas e fundamentadas. Além disso, também são apresentadas e difundidas por sujeitos com características particulares. Nesse caso, o conhecimento filosófico, inicialmente construído a partir dos pensadores da Idade Antiga por meio da aplicação da lógica e da razão das dinâmicas do mundo como forma de entendê-las, se difere do conhecimento religioso, que ainda depende fortemente das explicações sobrenaturais advindas da revelação divina, que comumente atinge figuras religiosas. Ambos, ainda, são diferentes do pensamento científico que, apesar de ser semelhante à filosofia em determinados aspectos, preza pela experiência prática como forma de buscar respostas e desenvolver saberes. Saiba Mais Acesse o link abaixo para assistir ao vídeo “Conhecimento filosófico”, publicado pelo canal Prof. Luiz Dias no ano de 2020. Neste se faz possível compreender as principais características do pensamento que foi fomentado na Grécia Antiga, garantindo a busca do homem por uma forma de conhecimento que se utilizava da razão e da lógica para responder os seus questionamentos, se distanciando da dependência ao sobrenatural do pensamento mítico. PROF. Luiz Dias. Conhecimento filosófico. 2020. Disponível em: https:// youtu.be/VDofVtI8hkY. Acesso em: 21 de maio de 2023. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 É posteriormente, na Idade Moderna, que alguns dos principais conceitos e princípios anteriormente construídos pelos cidadãos da Grécia Antigao seu terapeuta, passe a desenvolver técnicas que permitam o seu relaxamento e, em decorrência disso, promovam a diminuição da intensidade não só dos efeitos negativos que os transtornos podem representar para a sua mente, como também essas manifestações que se dão no seu corpo físico. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 Existem, portanto, diferentes tipos de exercícios de respiração e mesmo atividades físicas, como a ginástica ou a ioga, que contribuem para que o corpo se faça devidamente relaxado e que podem ser utilizados durante uma manifestação comportamental disfuncionais ou mesmo como forma de preveni-los antes do seu acontecimento. Saiba Mais Acesse o link abaixo para assistir ao vídeo “5 minutos de meditação para aliviar a ansiedade e estresse”, publicado pelo canal Saúde da Mente no ano de 2021. Neste, é possível compreender algumas das principais técnicas que podem ser utilizadas para promover o alívio do estresse na rotina cotidiana, e também a utilização da meditação como forma de garantir a mindfulness do paciente. SAÚDE da Mente. 5 minutos de meditação para aliviar a ansiedade e estresse. 2021. Disponível em: Acesso em: https://youtu.be/gxXZCl4vA-g. 25 de maio de 2023. Como pode ser observado, as técnicas de relaxamento são variáveis, sendo as que regulam a respiração do paciente as mais utilizadas e eficazes para prevenir ou tratar reações que interferem no bem-estar físico e emocional deste indivíduo. Para tanto, é necessário que o próprio terapeuta tenha domínio acerca desse tipo de método, de modo a ensinar ao seu paciente a melhor forma de efetivá-lo e, também, o momento adequado para performar esse tipo de técnica. Apenas através disso o sujeito pode utilizar da própria respiração para regulamentar seu ritmo e frequência, o que também beneficia a sua concentração e promove uma melhor oxigenação do corpo, diminuindo, ou em determinados casos estabilizando, os sintomas dos transtornos emocionais. Dessensibilização No decorrer desse módulo, já pode ser observado que os transtornos comportamentais que a TCC busca tratar e amenizar nos pacientes costumam ser ocasionado por determinadas situações específicas ou, em outros casos, em resposta a um dado estímulo que ativa uma crença disfuncional que o sujeito formou durante o seu processo de desenvolvimento psicológico e emocional. Dessa forma, é preciso ter um pleno Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 conhecimento acerca do tipo de situação, evento ou estímulo que pode resultar nessas respostas disfuncionais, de modo a compreender o que serve como gatilho para elas e quais os melhores métodos de evitá-la. Dentre as técnicas de tratamento está, portanto, a dessensibilização do paciente em vista a esse tipo de situação estimulante. Tomando como base isso, a dessensibilização é um procedimento bastante delicado que pode ser utilizado como técnica de terapia cognitivo-comportamental quando devidamente efetivada por parte do profissional terapeuta com o preparo e conhecimento adequado para promover a sua aplicação da melhor forma possível, isto é, sem danificar o bem-estar físico e emocional do paciente. Trata-se, portanto, da consideração dos eventos ou estímulos que ocasionam os pensamentos disfuncionais do indivíduo com transtorno para fazê-lo enfrentar esses aspectos e, dessa forma, construir uma resistência em relação a eles. Por decorrência do seu caráter sensível, é observável que a dessensibilização deve acontecer de forma gradativa. Em decorrência disso, nota-se que o objetivo principal é fazer com que o paciente encare aquilo que acarreta o seu sentimento, por exemplo, de terror ou tensão, de modo a entender que tal emoção é derivada de um pensamento ou crença disfuncional e que aquele aspecto não pode, de fato, feri-lo integralmente. Por esse motivo, se caracteriza como um processo lento e desafiador, mas que se mostra eficaz quando efetivado de forma correta com o total apoio do profissional capacitado na área. Questionamento Por fim, um dos mais comuns métodos de terapia cognitivo-comportamental é o questionamento. Por meio deste, o profissional terapeuta desempenha a finalidade de conhecer, efetivamente, o seu paciente e as condições associadas ao seu transtorno. Dessa maneira, faz perguntas que permitem que ele e o próprio indivíduo que está em consulta entendam as suas particularidades emocionais e comportamentais, utilizando- se sobretudo da reflexão acerca das suas respostas. Em vista disso, nota-se que a função do questionamento não é fazer com que o terapeuta aponte as soluções para os problemas enfrentados pelos pacientes, e sim que ele próprio consiga desenvolver uma consciência sobre a sua condição, algo que pode ser facilitado por um roteiro de aprendizagem construído pelo psicólogo. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 Em razão disso, pode-se observar que existem diferentes abordagens que, por sua vez, facilitam o processo de efetivação das terapias cognitivo-comportamentais, garantindo que o indivíduo que possui um determinado transtorno em decorrência de crenças e esquemas mentais disfuncionais consigam superar as dificuldades advindas destas para a sua saúde e bem-estar físico e emocional. Para além disso, a TCC deve garantir uma oportunidade para o autoconhecimento desses indivíduos, de modo a entender formas de lidar com as suas próprias características cognitivas e comportamentais de maneira adequada e, assim, beneficiar sua vida rotineira. As principais abordagens da Terapia Cognitivo-Comportamental Tomando conhecimento das principais técnicas que garantem o cumprimento da terapia cognitivo-comportamental como uma forma de tratar transtornos psicoemocionais e assegurar a qualidade de vida dos sujeitos que possuem algum deles, é possível compreender, também, a importância desse tipo de atividade terapêutica para a saúde desses indivíduos, analisando as formas pelas quais ela pode ser dada. Em adição a isso, se percebe também que a TCC pode ser marcada por diferentes abordagens que, por sua vez, possuem características particulares e cumprem com diferentes objetivos terapêuticos. Dentre as diferentes concepções que se fazem presentes na TCC pode ser citada, portanto, as contextuais. Essas, por sua vez, correspondem às abordagens que se dão por intermédio de técnicas que permitem que os indivíduos mudem os seus pensamentos e reações disfuncionais em relação a estímulos internos ou externos que se fazem presentes no seu dia a dia. Dessa maneira, o objetivo é considerar como o contexto desses comportamentos errôneos podem ser levados em conta durante os processos terapêuticos e, com base no que já foi estudado nesta disciplina, os pensamentos disfuncionais podem derivar de diferentes qualidades da rotina de uma pessoa, tais como: • Contexto sociocultural; • Ambiente físico; • Relação com outras pessoas. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 Em decorrência disso, as abordagens contextuais levam em consideração, em suma, aquilo que ocasiona o comportamento disfuncional do paciente, para que este possa ser devidamente reconhecido, analisado e confrontado por parte desse indivíduo com o apoio e intermediação do profissional terapeuta. Nesse sentido, se uma disfunção psicoemocional deriva de questões como a relação desse sujeito com o seu parceiro, por exemplo, este pode se inserir em uma Terapia Integrativa Comportamental de Casais, que visa investigar a origem de tal disfunção para que, então, o casal possa, em conjunto, buscar uma solução adequada. Por outro lado, uma Terapia Comportamental Dialética tem por objetivo principal favorecer a participaçãodesse sujeito em atividades terapêuticas que visam melhorar a sua relação com a própria vida de forma individual. Tomando conhecimento disso, se faz possível compreender que as abordagens contextuais podem desempenhar diferentes objetivos, tendo cada uma delas as suas especificidades metodológicas. Apesar disso, estas também podem ter, como ferramenta de apoio, a utilização das técnicas terapêuticas já discutidas anteriormente nesse mesmo capítulo, como uma forma de garantir o engajamento do paciente nas atividades que promovem a manutenção da sua saúde psicoemocional, bem como a preservação do seu bem-estar físico. Sendo assim, entende-se que a TCC contextual acontece por meio da colaboração conjunta entre terapeuta e paciente, de modo a assegurar o autoconhecimento acerca da sua condição individual e as melhores formas de lidar com esta sem prejudicar a si mesmo e as suas relações interpessoais. Em adição a isso, existe também as concepções cognitivas que, por sua vez, ajudam a construir a base da TCC como uma ferramenta terapêutica que busca manter a qualidade de vida dos sujeitos com transtornos originados de pensamentos disfuncionais. Estas, por sua vez, têm como principal característica a união entre o behaviorismo radical, já discutido em capítulos anteriores desse mesmo módulo, com os métodos terapêuticos cognitivos que, em razão disso, buscam considerar como a aprendizagem pode influenciar nas características psicológicas e emocionais das pessoas. Com base nisso, pode-se notar que existem diferentes aspectos que garantem a efetivação dessas abordagens, observe: Dessa forma, compreende-se que as abordagens cognitivas são uma extensão direta dos métodos de terapia cognitivo-comportamental, na medida em que busca averiguar Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 padrões no comportamento, pensamentos e crenças disfuncionais dos pacientes que podem resultar em transtornos emocionais ou de personalidade mais graves. Com isso, também pode ser observado que a sua efetivação se dá através de técnicas que se aproximam grandemente daquelas que já foram estudadas previamente nesse capítulo, na medida em que buscam a efetiva união das teorias cognitivas com a determinação comportamental de cada sujeito. Vejamos a seguir com mais detalhes como se dão, de fato, essas concepções na prática terapêutica comportamental: I. A mudança de hábitos, como forma de observar que atitudes cotidianas do indivíduo afetam diretamente no seu bem-estar emocional e pode originar comportamentos disfuncionais, de modo a evitá-las e substituí-las por ações mais saudáveis e funcionais; II. A identificação dos fatores e estímulos que podem se caracterizar como gatilhos para os comportamentos ou pensamentos disfuncionais, visando entender quais são estes e que tipo de sintoma ele pode desencadear no paciente para que, então, o seu tratamento seja devidamente efetivado por meio da própria conscientização do indivíduo; III. O monitoramento do comportamento do paciente, tendo em vista que este facilita o mapeamento dos seus sintomas, bem como das atitudes e pensamentos disfuncionais e, assim sendo, permite que o terapeuta e o paciente identifiquem com mais facilidade o seu transtorno e o efeito que este possui na manutenção do seu cotidiano; IV. A educação psicológica do paciente, como uma maneira de fazer com que este tenha um entendimento factual acerca da sua condição, transtorno e atitudes disfuncionais, facilitando com que este tenha um maior autoconhecimento e, assim, compreenda as melhores formas de lidar com si mesmo quando encarado com os sintomas; V. O controle do estresse, que pode ser efetivado por técnicas de respiração e relaxamento muscular, na medida em que este equivale a um dos principais efeitos associados aos transtornos emocionais e que pode, ainda, originar problemas mais graves, como ataques de pânico e ansiedade; VI. A dessensibilização sistemática, algo que já foi avaliado anteriormente neste capítulo e que promove o contato, de maneira gradativa, do paciente com as situações e estímulos que desencadeiam o seu comportamento ou pensamento disfuncional, tendo como objetivo principal fazer com que este encare, de fato, Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 Resumindo E aqui se encerra o desenvolvimento do terceiro capítulo desse módulo. As informações disponibilizadas até aqui ficaram bem fixadas na sua mente? Não vai sair daqui com nenhuma dúvida, não é? Pensando nisso, foi reservado esse momento para resumir os novos conhecimentos elencados no decorrer desse capítulo. Preparado? Então vamos lá. Inicialmente, foi discutido como a terapia cognitivo-comportamental pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes que possuem um determinado transtorno emocional. Sendo assim, foi observado que existem diferentes técnicas que permitem a efetivação da TCC, que se dão sobretudo a partir do pleno registro dos sintomas e suas características particulares, do alívio do estresse durante pensamentos e ações disfuncionais, da dessensibilização acerca dos gatilhos que os desencadeiam e outras atividades que se dão por intermédio da relação entre paciente e terapeuta. Adicionalmente a isso, foram estudadas as principais concepções que fundamentam a TCC, sendo a contextual aquela que considera a influência dos contextos do paciente na sua saúde e bem-estar emocional e a cognitiva aquela que busca promover o autoconhecimento acerca da sua própria condição como forma de beneficiar a sua melhora. 4 @faculdadelibano_ As ferramentas da TCC e o papel da ética na sua efetivação Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Capítulo 4 As ferramentas da TCC e o papel da ética na sua efetivação Objetivos No decorrer da exposição do conteúdo deste capítulo, serão elencadas as principais ferramentas que podem ser utilizadas como forma de garantir a efetivação da terapia cognitivo-comportamental. Em adição a isso, também será compreendida a relação entre estes procedimentos terapêuticos e a ética, demonstrando como esta afeta a relação entre terapeuta e cliente. Os principais métodos da TCC e suas relações terapêuticas No decorrer desse módulo, foi possível compreender o que é a terapia cognitivo- comportamental e como essa pode ser caracterizada como uma medida de tratamento de determinados transtornos emocionais e de personalidade que, por sua vez, pode representar um caráter disfuncional para o comportamento, pensamentos e atitude dos pacientes do campo da psicologia. Dessa forma, pode-se entender que esse tipo de terapia ainda pode contar com diferentes técnicas que facilitam a sua plena aplicação como medida de melhoria da qualidade de vida e cotidiano dos sujeitos que, em razão das suas particularidades psicoemocionais, possuem atitudes e crenças errôneas, mas que podem ser devidamente corrigidas com o acompanhamento adequado. Em vista disso, foi analisado, no capítulo anterior, algumas dessas principais técnicas e como estas podem ser colocadas em prática como medidas que facilitam a melhoria da qualidade de vida dos sujeitos em tratamento cognitivo-comportamental. É importante, Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As ferramentas da TCC e o papel da ética na sua efetivação Capítulo 4 com isso, que essas técnicas promovam não apenas o entendimento de um indivíduo com transtorno psicoemocional acerca da sua própria condição, como também as maneiras adequadas de lidar com elas, minimizando os sintomas que estas podem ter, bem como os pensamentos disfuncionais que podem originar, afetando tanto o seu âmbito psicológicoe físico. Assim sendo, percebe-se que tais medidas terapêuticas ainda podem estar integradas em concepções contextuais e cognitivas da TCC. FIGURA 13 Algumas das principais ações que podem ser efetivadas pelas técnicas de TCC. FONTE Elaborado pelo autor (2023). Sendo assim, existem alguns princípios do tratamento terapêutico cognitivo- comportamental que devem ser considerados durante a sua efetivação, levando em conta, também, as especificidades do paciente e suas condições. Antes de mais nada, é preciso que o indivíduo conheça o seu próprio transtorno, seus sintomas e os possíveis eventos e estímulos que podem os desencadear. Para tanto, a conversação com o terapeuta e a investigação de maneiras de lidar com essas questões é essencial, algo que pode ser facilitado por meio de um devido registro escrito dessas qualidades. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As ferramentas da TCC e o papel da ética na sua efetivação Capítulo 4 Além disso, utilizar métodos de alívio do estresse pode se mostrar indispensável para a prevenção e o combate dos sintomas disfuncionais que podem atingir até mesmo o funcionamento do corpo físico do sujeito em processo de tratamento. Tomando como base isso, é possível perceber que existem diferentes métodos que podem contribuir para a efetivação de diferentes objetivos dentro da terapia cognitivo- comportamental. Estes, por sua vez, partem do pressuposto de que os transtornos emocionais interferem não apenas nos aspectos individuais da vida do paciente, como também representam consequências consideráveis para a manutenção dos seus relacionamentos com os demais sujeitos ao seu redor. Sendo assim, muitas das terapias voltadas para o seu tratamento tendem a focar no seu próprio autoconhecimento e formas de lidar com o seu transtorno particular. Apesar disso, também existem métodos dedicados para sanar os déficits presentes nas relações interpessoais que este mantém com as outras pessoas que se fazem presentes na sua vida de forma cotidiana. FIGURA 13 Os aspectos do cotidiano de um indivíduo beneficiados pelo tratamento de transtornos emocionais pela TCC. FONTE Elaborado pelo autor (2023). Cada um desses tipos de terapia possuem as suas características particulares, acontecendo por intermédio de métodos que buscam atingir objetivos específicos, mas que compartilham a similaridade de garantir a melhoria da qualidade de vida dos Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As ferramentas da TCC e o papel da ética na sua efetivação Capítulo 4 indivíduos com transtornos emocionais ou outros problemas psicológicos originados das crenças disfuncionais, já esclarecidas anteriormente nesse módulo. Pensando nisso, vejamos as principais destas e as suas principais qualidades, de modo a entender como e quando elas podem ser devidamente aplicadas: • Terapia comportamental dialética: Se dá por meio da plena comunicação entre o paciente e o terapeuta, de modo a compreender melhor a sua condição cognitivo- comportamental e, com isso, entender quais são as características que definem o seu transtorno emocional e como os seus pensamentos disfuncionais podem ser originados, de modo a averiguar a melhor forma de evitá-los ou driblá-los quando necessário. Além disso, esse tipo de terapia costuma focar no estabelecimento de medidas que garantem uma vida confortável e satisfatória para o paciente nos seus diferentes contextos; • Terapia baseada em mindfulness: Semelhantemente a anterior, a terapia que visa a manutenção do caráter de mindfulness do paciente é um outro método bastante eficaz no tratamento de transtornos psicoemocionais. Esta, por sua vez, tem o principal objetivo de garantir que o indivíduo em processo de tratamento esteja ciente e incluso no seu presente. Isso, por sua vez, faz com que este consiga perceber e interpretar os estímulos ao seu redor de maneira adequada, buscando se desprender de situações passadas que possivelmente originaram crenças disfuncionais que, sem a mindfulness, ditariam suas ações de maneira igualmente disfuncional; • Terapia com foco em compaixão: Também relevante para o âmbito terapêutico cognitivo-comportamental está o método de terapia que foca no desenvolvimento e manutenção da compaixão como um aspecto indispensável para a qualidade de vida de um indivíduo. A intenção é, nesse tipo de metodologia, fazer com que o indivíduo em processo de tratamento considere os demais sujeitos ao seu redor como dignos de respeito, o que favorece grandemente as suas relações interpessoais. Adicionalmente a isso, o próprio bem-estar emocional do sujeito também é beneficiada, na medida em que este adquire uma maior autoestima e consegue expressar seus sentimentos da maneira adequada; • Terapia de aceitação e compromisso: Essa metodologia terapêutica, por sua vez, é de grande importância para a projeção de vida do indivíduo, levando em consideração os seus planos para o futuro nos diferentes âmbitos da sua vida. Sendo assim, tem por finalidade central promover a autoaceitação desse sujeito e o seu maior contato com os seus sentimentos, também permitindo a identificação de Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As ferramentas da TCC e o papel da ética na sua efetivação Capítulo 4 reações disfuncionais no exato momento em que estas acontecem, o que torna o seu tratamento igualmente mais fácil; • Terapia comportamental de casais: A terapia de casais, também relevante no âmbito das terapias cognitivo-comportamentais, tem por objetivo levar em consideração as relações pessoais que o paciente possui, em específico com os seus pares. Desse modo, se utiliza da análise das qualidades cotidianas do casal como forma de identificar e averiguar incompatibilidades e, com isso, promover uma melhor convivência entre estes levando em consideração as dificuldades advindas de um possível transtorno psicoemocional e o impacto que estas possuem na sua relação; • Terapia analítica funcional: Finalmente, mas igualmente relevante para a compreensão dos diferentes métodos de terapia cognitivo-comportamental está a terapia analítica funcional. Esta tem, portanto, o papel de reconhecer os comportamentos problemáticos dos indivíduos, comumente originados das crenças disfuncionais ou como sintoma de transtornos emocionais, de modo a corrigi-los. Em razão disso, se utiliza sobretudo da relação do paciente com as demais pessoas ao seu redor como forma de melhorar as suas atitudes, o que inclui a própria relação com o terapeuta, essencial para a efetivação de todas as atividades terapêuticas estudadas até aqui. Tomando conhecimento disso, é possível analisar que essas diferentes metodologias terapêuticas podem ser devidamente utilizadas por parte da terapia cognitivo- comportamental, como um esforço para melhorar não apenas o conhecimento e relação que o indivíduo que desempenha atitudes disfuncionais consigo mesmo, como também os seus relacionamentos interpessoais, importantes para a sua devida inserção na sociedade e manutenção da sua vida. É indispensável, assim, que a presença do terapeuta durante esses processos se mantenha como um aspecto central dos tratamentos psicoemocionais, tendo em vista que é função deste promover a sua efetivação de maneira adequada, utilizando-se dos seus conhecimentos teóricos e práticos para definir as melhores estratégias de ação para beneficiar a qualidade de vida do paciente que possui um determinado transtorno emocional. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As ferramentas da TCC e o papel da ética na sua efetivação Capítulo 4 As ferramentas que contribuem para a efetivação da TCC Tendo observado as informações desenvolvidas no decorrer dessecapítulo, é possível avaliar como a terapia cognitivo-comportamental é um importante método terapêutico para o tratamento de indivíduos com transtornos emocionais, visando compreender os seus sintomas e relação com os pensamentos e atitudes disfuncionais do paciente para que, então, se possa averiguar uma maneira adequada de tratá-lo e, assim, oferecer benefícios para a sua vida e para os demais sujeitos que se fazem presentes ao seu redor de forma cotidiana. Nesse sentido, foram observados os principais métodos da TCC que, por sua vez, apresentam características, formas de efetivação e objetivos particulares, agregando em diferentes âmbitos da vida do indivíduo tratado. Acesse Para compreender melhor como a TCC pode ser devidamente efetivada, utilizando-se de diferentes ferramentas que contribuem para o seu cumprimento e, assim, para o benefício do dia-a-dia dos pacientes, acesse o link abaixo e assista ao vídeo “TERAPIA COGNITIVA COMPORTAMENTAL”, publicado pelo canal Dra. Ana Beatriz Barbosa no ano de 2022. DRA. Ana Beatriz Barbosa. TERAPIA COGNITIVA COMPORTAMENTAL. 2022. Disponível em: https://youtu.be/QjE3mulfTdc. Acesso em: 25 de maio de 2023. Tomando como base isso, é possível observar que os diferentes métodos da TCC acontecem por meio da participação ativa do terapeuta no seu cumprimento, como o indivíduo necessário para orientar o paciente acerca dos aspectos que definem o seu comportamento disfuncional, bem como as melhores formas de lidar com este. Assim sendo, essas medidas terapêuticas se dão, sobretudo, através da relação colaborativa entre o profissional da área da psicologia e o seu paciente, visando os Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As ferramentas da TCC e o papel da ética na sua efetivação Capítulo 4 caminhos mais adequados para garantir a sua participação nos seus meios sociais e interações interpessoais, sem que estas sejam grandemente prejudicadas pela sua condição individual e, assim, prejudique a manutenção da qualidade de vida do sujeito em tratamento. Existem, portanto, diferentes aspectos do paciente que devem ser devidamente considerados por parte do terapeuta no momento de analisar como os seus pensamentos disfuncionais são caracterizados, que tipos de estímulos os desencadeiam e quais estratégias podem ser formadas, em conjunto, para evitá-los. Tudo isso só se faz possível, ainda, pela aplicação de um método de recolhimento dessas informações, algo que deve ser feito previamente e durante a primeira consulta desse indivíduo, de modo a averiguar com precisão o que define o seu transtorno emocional e como exatamente este afeta a manutenção das suas atividades pessoais e sociais cotidianamente. Sendo assim, nota-se que isso pode acontecer, de maneira mais assertiva e eficaz, por intermédio de um formulário que tem por função recolher tais especificidades acerca do sujeito em processo de tratamento pela TCC. FIGURA 15 Os detalhes particulares a serem considerados pelo terapeuta durante a efetivação da TCC. FONTE Elaborado pelo autor (2023). Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As ferramentas da TCC e o papel da ética na sua efetivação Capítulo 4 O formulário que busca recolher e organizar tais informações acerca do paciente e sua condição psicoemocional, por sua vez, pode se dar de maneiras diferentes. Inicialmente, é esperado que este preencha um questionário escrito, demonstrando antes mesmo da consulta quais são as suas principais queixas, sintomas e aspectos disfuncionais individualmente identificáveis. Em seguida, quando estabelecido, de fato, o primeiro contato com o profissional do ramo da psicologia, é comum que aconteça uma entrevista, onde este irá expressar, oralmente, as suas reclamações e informações que já conhece sobre a sua própria condição. A partir disso, o psicólogo consegue estreitar as possibilidades para um diagnóstico assertivo e, com isso, considerar as alternativas de tratamento mais eficazes com base nessas particularidades. Em razão disso, observa-se que, desde o momento em que o terapeuta analisa a queixa do paciente, é necessário prestar atenção em determinadas qualidades que definem o seu relato e, a partir disso, podem definir efetivamente o seu tipo de transtorno e como a sua vida é afetada pelos pensamentos disfuncionais advindos deste. O objetivo é, afinal, chegar a uma conclusão objetiva e confiante, na medida em que é só com base nesta que se pode averiguar os passos a serem tomados para desenvolver um bom tratamento, aplicando as técnicas da TCC como forma de melhorar o bem-estar do cliente. Sabendo disso, é possível perceber que acerca da queixa do cliente deve-se considerar: I. Como o paciente define o seu problema e o seu processo de desenvolvimento; II. Como o problema apresentado pelo paciente interfere na manutenção da sua vida; III. Quais são os sentimentos e emoções que se associam a esse problema, com que frequência estes se dão e se eles possuem um caráter disfuncional; IV. Qual a reação do paciente quando encarado com esse problema; V. Quais são as atitudes que o paciente mantém para evitar o problema e os sentimentos e pensamentos disfuncionais que se associam a este. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As ferramentas da TCC e o papel da ética na sua efetivação Capítulo 4 Dessa maneira, a entrevista, que pode ser facilitada por meio da utilização de um formulário pré-estabelecido com perguntas que contemplem as questões anteriormente citadas, se constitui como um momento indispensável para o entendimento do paciente e a sua condição específica. Em decorrência disso, é durante esse processo que o terapeuta pode, desde então, considerar alternativas de um diagnóstico que será eventualmente alcançado após o contato com informações mais específicas acerca do cotidiano do sujeito em consulta, seus pensamentos disfuncionais e como estes afetam o seu dia a dia. É importante considerar, também, que o formulário de entrevista pode ser essencial para que o próprio paciente já comece a pensar acerca das suas próprias características particulares e como essas são influenciadas pelo seu comportamento disfuncional. Como já discutido nesse módulo, o autoconhecimento é um dos pilares para a devida efetivação da terapia cognitivo-comportamental e, sendo assim, quando o sujeito é confrontado a discorrer sobre os aspectos disfuncionais que este identifica durante o cumprimento da sua rotina, bem como os sentimentos e reações que se associam a estes, se torna mais fácil atingir um conhecimento assertivo acerca de si mesmo. Isso não significa, necessariamente, que o indivíduo que está apenas iniciando o seu processo de tratamento irá automaticamente, concluir de maneira assertiva o seu próprio diagnóstico. Tão pouco irá saber sobre as melhores formas de lidar com o seu transtorno emocional e, assim, promover a melhoria da sua qualidade de vida e das suas relações interpessoais de maneira individual. Esses aspectos se caracterizam, afinal, como parte de um processo terapêutico que, como já mencionado a priori nesse capítulo, depende da colaboração entre terapeuta e paciente, de modo a compreender com mais detalhes as especificidades da sua condição, o efeito que esta tem para a manutenção da sua vida rotineira e como tratá- la. Apesar disso, essa consciência acerca de si mesmo se caracteriza como o primeiro passo para um tratamento de qualidade e a entrevista pode ser essencial ao agregar tal consciência. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As ferramentas da TCC e o papel da ética na sua efetivação Capítulo 4 Você Sabia? Adicionalmente a isso, existem outros aspectos que podem ser de grande importância para esse entendimentoinicial acerca do paciente, que também podem ser revisitados no decorrer do cumprimento do tratamento, de modo a avaliar possíveis mudanças e evoluções no que diz respeito às suas especificidades particulares. Dentre estes, podem ser citados os valores que esse indivíduo estabelece para a sua própria vida e as qualidades que agregam nesta, tais como as suas relações sociais e familiares, a sua relação com o estudo e o trabalho, dentre outros aspectos que definem a sua vida cotidiana. Com isso, é possível também compreender onde estão as suas prioridades e como o seu transtorno emocional interfere nestas, de modo a impedir o seu devido alcance. Por outro lado, também é relevante compreender a flexibilidade e inflexibilidade psicológica desse indivíduo, isto é, quais são as características psicoemocionais dele que devem ser trabalhadas para promover o seu afastamento das atitudes e pensamentos disfuncionais e quais são as que ele próprio já possui uma maior flexibilidade e consegue, por si mesmo, promover uma mudança comportamental positiva e benéfica para a sua vivência. É nesse contexto, portanto, que métodos terapêuticos como a terapia de aceitação e de compromisso, por exemplo, facilitam a compreensão que este possui das suas atitudes negativas e pode, em conjunto com o terapeuta, buscar estratégias para superá-las. Percebe-se, com isso, que existem outros tipos de ferramentas que o terapeuta pode se utilizar durante a efetivação das atividades da TCC, de modo a analisar melhor essas características do seu paciente e, através disso, conhecê-lo de maneira efetiva e promover o tratamento de modo adequado, levando em consideração as suas características particulares. O uso de uma tabela para registrar os eventos e pensamentos disfuncionais do indivíduo, como já exemplificado em capítulos anteriores deste módulo, é um desses recursos que contribui para que o profissional compreenda os avanços do seu cliente, mas também Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As ferramentas da TCC e o papel da ética na sua efetivação Capítulo 4 ajuda o próprio paciente a identificar esses comportamentos errôneos e buscar alternativas para evitá-lo. Em razão disso, desempenhar o exercício de compreensão acerca de um transtorno emocional e seus sintomas, também pode ser facilitado por meio de uma projeção acerca das medidas cabíveis para evitá-los. O papel da ética nos procedimentos de terapia cognitivo- comportamental Tomando conhecimento acerca dos principais métodos e ferramentas que podem ser utilizados por parte de um profissional do campo da psicoterapia para promover o tratamento de transtornos emocionais, se faz necessário compreender, também, como essas ações terapêuticas devem ser devidamente efetivadas, de modo a preservar a aplicação da ética no ambiente profissional e durante a relação entre paciente e terapeuta. Para tanto, é preciso ter um pleno conhecimento acerca do conceito de ética e como esta pode se fazer indispensavelmente presente nos contextos da psicologia como uma forma de beneficiar as suas atividades. Antes de mais nada, se faz preciso considerar a diferença, de fato, entre ética e moralidade, de modo a analisar como esses dois conceitos se fazem efetivamente presentes não apenas nas relações que se dão no ambiente de terapia, como também nas mais diferentes atividades cotidianas que se dão na vida em sociedade. É importante analisar que, enquanto a moral é definida por um conjunto de regras de um determinado contexto sociocultural e, por decorrência disso, são impostas a todos os seus participantes como forma de garantir a convivência interpessoal mútua, a ética é algo que parte do interior do indivíduo. Sendo assim, entende-se por ética aquilo que se caracteriza como um conjunto de valores que um sujeito possui e que, por isso, promove o respeito deste para com os demais sujeitos ao seu redor, o próprio ambiente em si e as demais qualidades que o cercam. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As ferramentas da TCC e o papel da ética na sua efetivação Capítulo 4 Você Sabia? Por meio do link abaixo, assista ao vídeo “Qual a diferença entre ética e moral? A filosofia explica!”, Publicado pelo canal A Filosofia Explica no ano de 2020. Através deste, é possível compreender com mais detalhes a definição desses dois conceitos que, por sua vez, se fazem importantes para a plena análise da inserção da ética nos contextos clínicos nos quais a terapia cognitivo-comportamental se faz presente e, com isso, entender como esta é relevante para a manutenção da relação entre o profissional psicoterapeuta e seu paciente. A Filosofia Explica. Qual a diferença entre ética e moral? A filosofia explica! 2020. Disponível em: https://youtu.be/qS2BFJ6On_o. Acesso em: 25 de maio de 2023. Tomando como base isso, também é possível avaliar que a ética se faz presente na rotina terapêutica proporcionada na TCC, na medida em que assegura não só uma interação respeitosa entre o terapeuta e seu paciente, como também uma melhor compreensão da importância desse tipo de tratamento para a vida dos indivíduos com transtornos emocionais. Percebe-se, assim, que se os pensamentos disfuncionais advindos dessas condições psicológicas afetam diretamente o senso de valores que um sujeito possui, não só para consigo mesmo, como também para os demais indivíduos ao seu redor, estes ainda influenciam grandemente no seu senso ético e, portanto, as atitudes que determinam a sua vivência em sociedade. Nesse contexto, Abib (2001) evidencia que o psicólogo behaviorista Burrhus Frederic Skinner considera que a efetivação da terapia comportamental deve acontecer através da consideração do comportamento moldado pelas convivências diretas dos pacientes, e não necessariamente pelo comportamento determinado pelas regras do contexto social no qual este se insere. Isso significa que, para o norte-americano o que deve ser estudado por parte do profissional terapeuta para entender, de fato, a condição disfuncional do cliente e as melhores formas de lidar com esta não é através do julgamento moral, na medida em que estes promovem uma alienação ocasionada da coerção social. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As ferramentas da TCC e o papel da ética na sua efetivação Capítulo 4 Assim sendo, se faz necessário considerar, no lugar disso, as particularidades de cada sujeito em tratamento, levando em conta como as suas especificidades de identidade podem influenciar no seu comportamento e, então, apontar formas de evitar a sua disfuncionalidade. Em adição a isso, Skinner (1975), também evidencia a importância do papel do paciente no seu próprio processo de tratamento. Em decorrência disso, estabelece princípios que iriam servir como fundamentos essenciais da TCC, já discutidos neste módulo, na medida em que discorre acerca da importância de tornar o indivíduo em tratamento como o principal sujeito desse processo, buscando compreender a sua própria condição e, a partir disso, desenvolver métodos de lidar com esta e, eventualmente, suprir os pensamentos disfuncionais, melhorando o seu próprio comportamento. É por isso, portanto, que o psicólogo norte-americano considera que o terapeuta não deve ajudar demasiadamente o seu paciente, de modo a não criar um nível de dependência entre eles que se sustenta no fato de que este último dependerá sempre da ajuda do primeiro. Considerando tal pressuposto, é possível perceber que o papel do terapeuta se faz, sobretudo, elencado em uma função de orientação das ações a serem tomadas pelo paciente para melhorar a sua própria vida. Dessa forma, o profissional se caracteriza como um indivíduo que tem por finalidade direcionar o sujeito em tratamento a caminhos que permitam o seu pleno crescimento individual e, com isso, a sua maturidadenecessária para lidar com os obstáculos que são colocados pelo seu próprio transtorno emocional. O terapeuta não é necessariamente, portanto, o indivíduo responsável por ditar aquilo que o sujeito tratado deve ou não fazer, se distanciando de um posicionamento de agente de controle social. Por esse motivo, como evidenciado anteriormente, se afasta de um caráter de imposição moral e se aproxima, no lugar, de uma noção ética de ajudar o próximo a atingir hábitos saudáveis e psicologicamente benéficos para a manutenção da sua vida cotidiana. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As ferramentas da TCC e o papel da ética na sua efetivação Capítulo 4 Resumindo E com isso, fica concluído o desenvolvimento do quarto e último capítulo deste módulo. Deu para compreender todas as informações que foram disponibilizadas no corpo deste capítulo? É importante que nenhuma dúvida fique no ar e, por isso, resolvemos fazer um breve resumo do conteúdo que foi elencado até aqui, que tal? Então vamos lá. Primeiramente, foi visto que a terapia cognitivo-comportamental pode ser desempenhada com objetivos distintos a depender do caso de cada paciente e, por decorrência disso, também faz uso de métodos e ferramentas específicas que buscam efetivar, de fato, esses objetivos. Dessa maneira, existem terapias que buscam proporcionar desde a melhoria das capacidades emocionais do sujeito em tratamento, até promover as condições adequadas para que este tenha relações interpessoais significativas e eficientes. Adicionalmente a isso, é também importante considerar o papel da entrevista para facilitar o trabalho do terapeuta, bem como da ética como uma forma de garantir uma relação entre este profissional e seu paciente de maneira adequada e mutuamente respeitosa. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Referências Abib, J. Teoria moral de Skinner e desenvolvimento humano. Psicologia: Reflexão e Crítica, 14, 107-117, 2001. A Filosofia Explica. Qual a diferença entre ética e moral? A filosofia explica! 2020. Disponível em: https://youtu.be/qS2BFJ6On_o. Acesso em: 25 de maio de 2023. BBC News Brasil. O que é a teoria da evolução de Charles Darwin e o que inspirou suas ideias revolucionárias. 2019. Disponível em: https://youtu.be/ambANBIHjCI. Acesso em: 26 de maio de 2023. BECK, A. T. et al. Terapia cognitiva da depressão (S. Costa, Trad.). Porto Alegre: Artmed, 1997. BECK, A. T. The past and future of cognitive therapy. The Journal of psychotherapy practice and research, v. 6, n. 4, p. 276, 1997. Clark D. A., Beck A. T., Alford B. A. Scientific foundations of cognitive theory and therapy of depression. New York: Wiley; 1999. DIEGO Falco. Como a TCC trabalha com o Transtorno Bipolar? 2019. Disponível em: https:// youtu.be/FW_ugVoGUoM. Acesso em: 25 de maio de 2023. Dobson K. S. Handbook of cognitive-behavioral therapies. 2nd ed. New York: Guilford Press, 2001. DRA. Ana Beatriz Barbosa. TERAPIA COGNITIVA COMPORTAMENTAL. 2022. Disponível em: https://youtu.be/QjE3mulfTdc. Acesso em: 25 de maio de 2023. LIPP, M. E. N., MALAGRIS, L. O treino cognitivo do controle da raiva. Rio de Janeiro: Editora Cognitiva, 2010. PROF. Luiz Dias. Conhecimento filosófico. 2020. Disponível em: https://youtu.be/VDofVtI8hkY. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Referências Acesso em: 21 de maio de 2023. SAÚDE da Mente. 5 minutos de meditação para aliviar a ansiedade e estresse. 2021. Disponível em: Acesso em: https://youtu.be/gxXZCl4vA-g. 25 de maio de 2023. Skinner, B. F. The ethics of helping people. Criminal Law Bulletin, 11, 623-636, 1975.vão ser resgatados, contribuindo para uma série de mudanças que impactaram grandemente o mundo ocidental, suas sociedades e as dinâmicas que se faziam presentes nestas. Em razão disso, é possível compreender que durante esse momento o pensamento religioso passa a perder sua hegemonia na sociedade europeia, sobretudo como impacto de movimentos que marcaram o chamado Renascimento desse continente, isto é, o abandono sobretudo de qualidades como o teocentrismo, de modo a posicionar o próprio homem como o centro do seu universo. FIGURA 2 O processo que define a transição do teocentrismo medieval para o antropocentrismo moderno. FONTE Elaborado pelo autor (2023). Sendo assim, desde características cotidianas mais comportamentais dos gregos da Antiguidade; como o hábito de praticar esportes e valorizar a sua estética corporal, até aspectos que definiram a sua filosofia e a busca por conhecimento, foram resgatados pelo homem europeu moderno, que agora não se satisfazia apenas pelas respostas divinas oferecidas, em sua maioria, pelas escrituras sagradas católicas. É nesse contexto, portanto, que o pensamento científico se desenvolve e passa a ganhar espaço de proeminência nas sociedades europeias, na medida em que os estudiosos passaram a utilizar-se de aspectos como a observação e a experiência para compreender o mundo, seus seres e fenômenos, e assim, o próprio ser humano. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 As primeiras abordagens cognitivo-comportamentais e suas características Tendo compreendido como o pensamento científico foi fortemente influenciado pelos princípios filosóficos desenvolvidos na civilização grega da Antiguidade Ocidental, é possível analisar que este foi por muito tempo suprimido pelas doutrinas religiosas, sobretudo católicas, que dominaram a forma do homem em manter contato com o próprio conhecimento acerca de si mesmo e das coisas que o cercam de maneira cotidiana. É a ascensão do pensamento e métodos científicos, portanto, que ocasiona a perda da hegemonia e relevância da religião como forma de atingir a resposta de todas as coisas, oferecendo novas maneiras do homem de buscar o saber, também aprendendo a desenvolvê-lo por meio da ciência empírica e experimental, importante para a obtenção de conhecimento até a contemporaneidade. É a partir desse contexto, então, que surgem os primeiros fundamentos que culminaram na utilização do empirismo para desenvolver meios do homem de estudar o seu próprio comportamento e as suas características psicoemocionais na Idade Contemporânea. A teoria evolucionista proposta pelo biólogo naturalista britânico, Charles Darwin (1809-1822), foi de indubitável importância para o autoconhecimento do homem e sua própria origem, tomando como ponto de partida a comparação com o aprendizado animal e como o entendimento acerca deste poderia ser, assim, aplicado nos estudos antropológicos que, por sua vez, buscam compreender o homem de um ponto de vista biológico e sociocultural. Por consequência disso, no decorrer do século XX, foram desenvolvidos métodos de estudo que tinham por objetivo utilizar animais como forma de compreender o comportamento humano, algo que era fundamentado no evolucionismo darwinista que determinava o homem como derivado de uma espécie animal inferior. Lipp e Malagris (2010) evidenciam que houve uma intensa contribuição das ideias propostas por Darwin no desenvolvimento dessas metodologias de estudo que, assim, traçaram um paralelo entre os comportamentos animais e humanos, sendo precursores dos estudos cognitivos-comportamentais. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 Dessa maneira, compreende-se que os primeiros estudos cognitivo-comportamentais tiveram por objetivo, inicialmente, observar as características fisiológicas dos animais como forma de compreender a dos homens e, com isso, compreender efetivamente os aspectos que definiam a sua psicologia. Nesse sentido, podem ser citados o fisiologista russo Ivan Pavlov (1849-1936) e o psicólogo americano Edward L. Thorndike (1874-1949) como os pioneiros dos estudos que se fariam essenciais para o desenvolvimento dos métodos que resultariam nos tratamentos cognitivo-comportamentais através, sobretudo, das técnicas de condicionamento. Exemplo: O método de estudo dos comportamentos animais, por meio do condicionamento, se dá pela aplicação de situações que causam uma reação do espécime estudado. Por decorrência disso, Pavlov, por exemplo, conduziu seus experimentos sobretudo com cachorros, para entender como estes reagiriam a determinados estímulos incondicionados, como a salivação em vista a um alimento, que se caracteriza como um estímulo incondicionado, ou a um determinado som, que é um estímulo neutro, que esteja associado ao incondicionado. É por esse motivo, portanto, que um cão pode identificar quando seu dono oferece comida, mesmo sem mostrá-la. Por outro lado, Thorndike, sendo influenciado por Pavlov, desempenhou as suas pesquisas com gatos, de modo a entender como as suas ações podem ser determinadas por determinados condicionamentos. Desse modo, ele enxergou que tais estímulos, como proposto pelo método pavloviano, podem fazer com que os animais tomem determinadas atitudes que, em outros momentos, podem se repetir ou não a depender da consequência que foi gerada por estas. Assim, esses sujeitos buscaram entender as características psicopatológicas presentes nos humanos por meio da chamada Lei do Efeito, algo que foi explorado com maior proeminência pelo psicólogo americano B. F. Skinner (1904-1990), que criou um novo modelo de condicionamento, sendo este o condicionamento operante, que determina que o esforço do estímulo provocado pode aumentar a chances de haver uma resposta por parte do ser que foi estimulado. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 FIGURA 3 Os condicionamentos desenvolvidos por Pavlov e Skinner. FONTE Elaborado pelo autor (2023). Em paralelo a isso, John B. Watson (1878-1958), que também foi fortemente influenciado pelos estudos pavlovianos, desenvolveu o que foi chamado de Behaviorismo em 1913, na medida em que utilizou dos conhecimentos adquiridos nos estudos acerca da psicologia animal para buscar a predicação, entendimento e controle do seu próprio comportamento. Com isso, Watson ainda considerou que o homem era caracterizado como uma continuidade dos animais irracionais, algo que não só se pautava na teoria evolucionista de Darwin, como também desconsiderava a existência de um limite que separava o ser humano dos demais animais dentro do âmbito comportamental. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 É importante destacar, no entanto, que outros estudiosos contemporâneos consideravam que a consciência humana agia como uma linha que o particularizava dos animais irracionais, algo que Watson não trata nesse mesmo sentido. Em vista disso, se faz importante considerar que Watson não rejeita de fato, a noção de que a consciência humana existe. Do contrário, reconhece a sua presença, mas a considera como algo subjetivo e incapaz de ser devidamente examinada de um ponto de vista científico. Adicionalmente a isso, o psicólogo americano desempenha as suas pesquisas ao conduzir experiências com ratos, diferentemente dos demais pesquisadores anteriormente citados, que trabalhavam sobretudo com animais domésticos maiores, desenvolvendo a análise experimental do comportamento que mais tarde, daria origem ao behaviorismo em um caráter mais radical, propondo que o comportamento secaracteriza, de forma exclusiva, como uma resposta a diferentes estímulos externos. Após isso, o behaviorismo abriria espaço para o desenvolvimento, também, do neobehaviorismo que marcou, acima de tudo, a fase que compreendeu as décadas de 1930 até 1950. Foi a partir desse momento, em que foi formada uma teoria da aprendizagem que, por sua vez, levava em consideração a mediação cognitiva das pessoas como relevante para o seu processo de aprendizagem, tendo em vista que as suas capacidades de cognição correspondem às habilidades desses sujeitos de desenvolverem novos conhecimentos. Em razão disso, houveram diferentes pesquisadores que contribuíram grandemente para o desempenho das teorias e metodologias utilizadas pelos estudiosos comportamentais neobehavioristas, que acreditavam que o comportamento também poderia estar devidamente associado às características cognitivas das pessoas. Além disso, mesmo após a década de 1950, outros pesquisadores também deixaram suas contribuições para essa linha teórica, expandindo os trabalhos desenvolvidos pelos principais teóricos behavioristas. No entanto, é fato, que a partir do final dos anos 1960 até os primórdios da década de 1970, houve um proeminente movimento de insatisfação de psicólogos e pesquisadores das características psicológicas humanas acerca do grande enfoque que era colocado nos seus aspectos comportamentais, deixando de lado outras particularidades também relevantes. É nesse contexto, então, que surge a Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 necessidade de desenvolver pesquisas acerca das capacidades cognitivas das pessoas e a sua influência na psicologia. Por decorrência disso, passou-se a entender a cognição humana como aspectos fundamentais para a mediação dos estímulos já trabalhados pelos pesquisadores através do condicionamento. Dessa maneira, Hawton et al. (1997) discute que essas abordagens foram devidamente aplicadas por consequência de tentativas de acrescentar conceitos cognitivos que já existiam e eram considerados desde o neobehaviorismo. Em acréscimo a isso, os pesquisadores desse período se mostravam descontentes com o caráter restrito do modelo de condicionamento que determinava o comportamento como, apenas, uma resposta aos estímulos externos que eram aplicados em um determinado ser. Com isso, os métodos terapêuticos psicodinâmicos já não atendiam às demandas expostas pelos pesquisadores da época, tendo a sua plena eficácia questionada por estes, enquanto seus modelos ainda passavam a serem rejeitados. Foram essas qualidades que deram origem, então, ao que pode ser chamado de uma revolução cognitiva, onde os traços e aspectos da cognição das pessoas deveriam ser plenamente considerados na hora de estudar e analisar as suas características psicológicas, tendo em vista que a sua capacidade de aprendizagem interfere diretamente nas suas respostas aos estímulos externos, que não dependem exclusivamente do comportamento do indivíduo estimulado. Em razão disso, Albert Bandura (1929-2021) foi um dos principais psicólogos responsáveis por criticar o modelo de estudo da psicologia humana através do condicionamento operante, desenvolvendo as suas próprias ideias que contribuíram para a solidificação da revolução cognitiva e a consideração da aprendizagem como determinante nos comportamentos humanos. Sendo assim, Bandura indicou que o condicionamento se mostrava falho ao considerar que o indivíduo só consegue aprender a tomar decisões após sucedê-lo na resposta a um determinado estímulo. Desse modo, seria apenas por meio da tentativa que se poderia aprender, o que desconsiderava o aprendizado por meio da observação. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 Você Sabia? O modelo de Bandura foi denominado de modelação e se fez importante para o movimento mediacional que contribuiu para os estudos da psicologia humana. Neste, o americano evidenciou que a aprendizagem não acontece apenas por meio das tentativas, erros e acertos, mas também pela observação de um modelo que pode evidenciar as respostas e, dessa forma, promover o desenvolvimento de conhecimentos sem a reprodução do comportamento. Com base nessa ideia, se um determinado sujeito observa um terceiro responder de tal maneira a um estímulo, originando uma consequência negativa, este pode optar por ter uma resposta diferente, na medida em que já sabe o resultado que a resposta do colega atingiu, mesmo sem experimentá-la pessoalmente. Tomando como base isso, é possível entender que os estudos de Bandura se fizeram essenciais para a plena compreensão das dinâmicas que definem o comportamento humano, sobretudo em razão das suas pesquisas voltadas para a compreensão do processamento de informações por parte do homem, seja este propiciado pelas tentativas ou pela simples observação de um modelo que as exerce. Além deste, Donald H. Meichenbaum propôs pesquisas acerca do treinamento autoinstrucional, o que o caracteriza como um dos primeiros psicólogos a buscar entender o comportamento humano por meio de um método de estudo inteiramente cognitivo, considerando que este pode ser influenciado por mudanças em autoinstruções feitas pelo próprio indivíduo (Hawton et al, 1997). Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 Importante Também importante para o desenvolvimento de estudos e modelos de compreensão da psicologia humana por meio de características cognitivas e comportamentais, foi o psicólogo norte-americano Albert Ellis (1913-2007). Este, por sua vez, desenvolveu um método terapêutico denominado, nos dias atuais, de terapia racional-emotiva- comportamental. De acordo com este, as respostas emocionais das pessoas são resultantes da sua visão acerca de um determinado acontecimento, e não necessariamente dos aspectos que definem o acontecimento em si. Em razão disso, Borba (2005) evidencia que, de acordo com o método elaborado por Ellis, as emoções e, por consequência, as atitudes de uma determinada pessoa são diretamente influenciadas pelas suas especificidades cognitivas e crenças individuais. Seguindo esse pensamento, portanto, o psicólogo conseguiu desenvolver doze crenças que, para ele, são irracionais, mas se fazem comumente presentes na mente dos indivíduos que são condicionados a determinadas situações no seu dia-a-dia. Dessa maneira, são essas crenças particulares que embasam a interpretação que o sujeito tem dos eventos cotidianos e, com isso, permitem que este tenha uma determinada resposta emocional que se adequa com a sua vivência e experiências. Assim sendo, Ellis propõe, em suas sessões de terapia, que as crenças irracionais que definem as reações emocionais dos pacientes sejam devidamente identificadas e analisadas, ainda promovendo uma discussão que tem por finalidade contestar a efetividade dessas reações, questionando se estas podem ser alteradas. Consequentemente, Rangé (2001) discute que o modelo racional-emotiva- comportamental de Ellis tem por função fazer com que o paciente entenda as suas próprias crenças irracionais, buscando atingir as melhores formas de lidar com estas e as respostas emocionais originadas delas. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 Aaron Beck e o seu modelo de terapia cognitivo-comportamental Com base no que foi discutido no decorrer desse capítulo até aqui, foi possível compreender como os modelos terapêuticos que buscam compreender e manejar os comportamentos humanos foram, inicialmente, desenvolvidos desde o século XX, na medida em que, por consequência da disseminação da teoria evolucionista, diversos psicólogos passaram a analisar os animais como forma de entender a própria psicologia humana.Mais tarde, as características cognitivas particulares a cada indivíduo passaram a ser, também, consideradas nos estudos que tentam entender, de fato, os seus aspectos psicológicos. Com isso, houveram diversas contribuições que culminaram na terapia cognitivo-comportamental cujo principal modelo pode ser elaborado por Aaron Beck (1921-2021). É importante considerar, portanto, que os avanços propostos por outros psicólogos e pesquisadores precursores ou mesmo contemporâneos de Beck foram essenciais para a melhor compreensão da psicologia humana e como esta está associada com a capacidade de aprendizagem e memorização, com as respostas emocionais de cada indivíduo e outros aspectos individuais que definem as suas atitudes cotidianas. Apesar disso, o norte-americano se mostrou insatisfeito com os resultados obtidos através da psicanálise, sobretudo com aqueles dos seus pacientes que tinham depressão, o que o impulsionou a buscar a elaboração de um novo modelo cognitivo, em 1967, que, então, permitiria melhor entender as características psicoemocionais desses indivíduos e as melhores formas de lidar com estas. Em decorrência disso, Beck (1997) constatou que os pensamentos individuais de cada sujeito podem ter consequências diretas nas suas manifestações emocionais e, por extensão, no seu comportamento. De acordo com o seu modelo, o pensamento é caracterizado como um processamento cognitivo acerca de um determinado evento e, assim, influencia as atitudes e afetos desempenhados pelo indivíduo atingido por este. Nesse sentido, Beck desenvolveu a sua terapia cognitiva como um processo psicoterapêutico que se organiza em um modelo educacional e, por isso, faz uso dos aspectos cognitivos e comportamentais dos pacientes. Para tanto, ele propõe o exercício de aprendizagem, como uma tarefa de casa, como forma de promoção do tratamento terapêutico. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 FIGURA 1 A influência que a cognição exerce no comportamento humano. FONTE Elaborado pelo autor (2023). Em decorrência da grande valorização do processo de aprendizagem como forma de promover o tratamento psicoterapêutico dos pacientes com depressão, o modelo de Beck é, comumente, denominado de terapia cognitiva, como já evidenciado anteriormente. No entanto, o psicólogo não ignora a relevância do comportamento como um importante aspecto do tratamento, na medida em que ainda faz uso de estratégias elaboradas no âmbito da terapia comportamental. Pode-se dizer, com isso, que a terapia de Beck é fundamentada por meio de uma união de modelos desses dois métodos, daí a caracterização de uma terapia cognitivo- comportamental, importante ao considerar os aspectos de aprendizagem, emoção e comportamento dos pacientes e como estes podem interferir diretamente no seu bem- estar psicológico: “O terapeuta pode estar conduzindo terapia cognitiva embora esteja utilizando predominantemente técnicas comportamentais ou abreativas” (BECK et al., 1997, p. 86). Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 Desde então, surgiram novos teóricos do campo da psicologia humana e terapeutas que aderiram ao método da terapia cognitivo-comportamental (TCC) e, com isso, passaram a utilizar dos seus modelos como forma de orientar os seus pacientes, bem como desenvolver estudos que buscam entender com mais qualidade a psicologia do homem. Se faz possível avaliar, dessa maneira, a indubitável relevância que Beck teve no desenvolvimento de parâmetros que seriam utilizados em um novo ramo dos estudos terapêuticos e, ainda, permitiriam a maior compreensão da mente humana, sobretudo no que diz respeito ao seu comportamento e resposta a estímulos do meio externo. Tal abordagem ainda se desenvolveu, em paralelo, como um aspecto importante de intervenções clínicas voltadas para as características cognitivo-comportamentais dos pacientes atendidos. Se faz possível avaliar, em decorrência disso, que a TCC evoluiu para além do modelo conceitual primordial proposto por Beck, na medida em que outros terapeutas e estudiosos da área aplicaram os seus conceitos iniciais para construírem os seus próprios modelos de modo a atingir objetivos particulares. Nos contextos contemporâneos, existem distintos modelos de terapia cognitivo-comportamental que podem ser aplicadas até mesmo em pacientes com condições mais graves que os que foram inicialmente estudados por Beck. Apesar dessas inerentes particularidades, é irrefutável que os distintos modelos que se inserem no âmbito da TCC são detentores de características em comum que não se distanciam, em sua totalidade, dos conceitos propostos pelo modelo inicial de Beck. Em razão disso, pode-se avaliar que a base dos métodos de terapia cognitivo- comportamental ainda fundamenta esses novos modelos que consideram que a cognição do indivíduo éinfluenciadora do seu comportamento, podendo ser devidamente analisada e medida, e que o comportamento desse sujeito pode ser alterado em razão de uma mudança cognitiva (DOBSON, 2001). Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental História da Terapia Cognitivo Capítulo 1 Resumindo Tendo em vista o conteúdo abordado até aqui, fica possível concluir o desenvolvimento do primeiro capítulo desse módulo. Deu para compreender as informações dispostas até aqui? Para garantir, reservamos esse momento para resumir tudo o que foi posto no decorrer desse capítulo, vamos lá? Primeiramente, foi evidenciado que a jornada humana pela busca sobre si mesmo é um processo antigo que, de início, foi marcado por explicações míticas até o surgimento do pensamento filosófico que permitiu a utilização da lógica e da razão para atingir respostas acerca do universo e seus componentes. É nesse sentido, portanto, que vai ser desenvolvida a ciência que, dentre as suas diferentes funções, serviu para que o homem entendesse melhor a si mesmo. Com isso, surge a psicologia que tem por função principal promover a compreensão da mente humana e, com o passar dos anos, os diversos tipos de terapia e estudos que visam entender o comportamento das pessoas levando em consideração suas emoções e capacidade cognitiva. Assim, são desenvolvidos diferentes modelos de terapia cognitivo-comportamental como forma de compreender, de fato, as características psicológicas desses indivíduos e as melhores formas de lidar com estas. 2 @faculdadelibano_ Os fundamentos da TCC e seus princípios Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Capítulo 2 Os fundamentos da TCC e seus princípios Objetivos Durante a leitura desse capítulo, você irá compreender quais são os princípios que definem a atuação do profissional terapeuta na efetivação dos procedimentos da terapia cognitivo-comportamental. Sendo assim, também será visto como as atividades desse tipo de tratamento são fundamentadas como forma de melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A evolução dos princípios que fundamentam a terapia cognitivo-comportamental No capítulo anterior, foi evidenciado como o homem busca conhecimento desde os primórdios da sua existência, mas os métodos utilizados por este para adquirir as informações necessárias para a garantia da sua sobrevivência, bem como para o suprimento da sua curiosidade, foi efetivamente mudado com o passar dos anos. Dessa forma, se fez possível observar que cada um dos indivíduos que se organizam em sociedade precisa desenvolver habilidades de aprendizagem, de modo a assegurar não apenas a obtenção de tudo que precisa para manter a sua rotina diária, como também promover a sua constanteevolução por meio da agregação de valores, saberes e informações que permitem o seu desenvolvimento como um sujeito pensante. Em decorrência disso, se faz possível observar que o pensamento mitológico se fez fortemente presente no cotidiano do homem desde o período pré-histórico, na medida em que este entregou ao sobrenatural aquilo que não conseguia explicar de forma racional. Isso muda, no entanto, com o advento da filosofia que, no mundo ocidental, teve seu surgimento marcado na Grécia Antiga. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 Com isso, os pensadores que dedicavam a sua vida a questionar as características que definiam o mundo e seus seres passaram a valorizar mais os conceitos de razão e lógica, buscando entender o funcionamento do universo por meio destes e, sendo assim, se desprendendo cada vez mais da total confiança nas respostas mitológicas. FIGURA 5 A evolução do conhecimento do homem no decorrer da história da humanidade. FONTE Elaborado pelo autor (2023). É importante considerar, apesar disso, que a mitologia não se fez completamente extinta durante esse momento, voltando a ter uma força ainda maior com a ascensão do catolicismo na Europa, sobretudo em razão das conquistas propiciadas pelo povo romano ainda na Antiguidade. Em razão disso, é possível avaliar que o conhecimento religioso se caracteriza como uma forma particular do saber, apresentando diversas semelhanças com o saber mitológico e, por isso, se distanciando da lógica e da racionalidade do pensamento filosófico. Apenas mais tarde, principalmente na Idade Moderna, os valores da filosofia grega seriam resgatados, dando origem à ciência como uma forma de explicar o mundo por meio de métodos como a observação e a experiência, não mais se contentando com as respostas divinas acerca, por exemplo, da origem e do funcionamento do universo. Tais aspectos influenciaram diretamente, também, no entendimento que o homem tinha sobre a própria humanidade. Com o surgimento da filosofia e, posteriormente, da ciência, o interesse do ser humano sobre si mesmo, sua origem e papel no universo se fez um aspecto central dos seus estudos rotineiros. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 Nesse sentido, a partir do Renascimento, o teocêntrismo abre espaço para um antropocentrismo que, como o próprio nome sugere, posiciona o homem no centro do universo e, assim sendo, da busca pelo saber como o próprio objeto de estudo. Tal fenômeno deu origem, mais tarde, a teorias que buscavam entender melhor a humanidade e como esta se faz organizada. Nesse sentido, a teoria da evolução proposta por Charles Darwin foi uma das principais contribuições para o desenvolvimento de novos conhecimentos que contribuíram para a compreensão do homem de um ponto de vista biológico. Em paralelo a isso, houveram também avanços em estudos sociais que, por sua vez, buscavam analisar efetivamente as dinâmicas da humanidade, levando em consideração as características da sociedade, a sua plena organização e a inserção dos diferentes indivíduos em sua rotina cotidiana. Em decorrência disso, o estudo acerca do homem pode ser expandido em diferentes abordagens e pontos de vista que, em conjunto, permitiram que este entendesse a si mesmo. Saiba Mais Acesse o link abaixo para assistir ao vídeo “O que é a teoria da evolução de Charles Darwin e o que inspirou suas ideias revolucionárias”, publicado pelo canal BCC News Brasil no ano de 2019, para compreender melhor as características da teoria evolucionista desenvolvida pelo cientista Charles Darwin, de modo a entender, também, como esta foi fundamentada por este e que ideias garantiram o desenvolvimento do seu pensamento. BBC News Brasil. O que é a teoria da evolução de Charles Darwin e o que inspirou suas ideias revolucionárias. 2019. Disponível em: https://youtu. be/ambANBIHjCI. Acesso em: 26 de maio de 2023. No cenário psicológico, é indubitável que surgiram diferentes pesquisas, estudos e teorias que, pautados sobretudo em aspectos acerca da biologia e da socialização humana, tentaram entender o funcionamento da mente humana. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 Por consequência, surgiram modelos que buscam compreender melhor essas características e, dessa maneira, entender quais são os aspectos psicológicos de um indivíduo que podem influenciar no seu comportamento, levando em consideração, ainda, como este pode ser afetado por estímulos exteriores, isto é, que se fazem presentes no ambiente no qual esse sujeito se insere durante a sua rotina diária e, com isso, interferem na manutenção do seu dia-a-dia. FIGURA 6 As principais particularidades consideradas pelos modelos de terapia desenvolvidos ao longo da história. FONTE Elaborado pelo autor (2023). Em razão disso, inicialmente foram aplicados os conhecimentos adquiridos em experimentos feitos para analisar o comportamento animal no próprio homem. Mais tarde, enxerga-se a necessidade de estudar a psicologia humana de maneira independente, tendo em vista que, apesar da teoria darwinista defender que o homem evoluiu de um ser irracional inferior, a consciência humana separa tal espécie dos demais seres vivos e, Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 por esse motivo, o entendimento da sua mente não pode acontecer da mesma maneira. Em paralelo, diversos psicólogos também buscaram elaborar estudos que facilitassem a compreensão da mente dos seus pacientes e, desse modo, oferecer alternativas de tratamentos para melhorar, efetivamente, a sua qualidade de vida. Os princípios que definem a terapia cognitivo-comportamental Como pode ser observado com as discussões fomentadas no decorrer desse módulo, a busca do homem pelo autoconhecimento foi algo que fez parte do seu cotidiano durante diferentes momentos da história da humanidade, na medida em que este enxergou métodos distintos para obter informações relevantes acerca de si mesmo, seu papel no mundo e as suas características físicas, sociais e emocionais. Dessa forma, a psicologia surge como um campo do conhecimento destinado para compreender os aspectos que definem a mente humana e, com isso, promover meios de garantir a saúde psicológica dos indivíduos em sociedade, analisando o que pode interferir no seu bem-estar e comportamento. Em razão disso, foram desenvolvidos diversos métodos e modelos de estudo que serviriam a principal função de facilitar o entendimento da mente humana e, ainda, atingir soluções para os problemas que podem atingi-la e, com isso, expressar consequências consideráveis para o indivíduo impactado e sua capacidade de responder aos estímulos ao qual este é submetido no decorrer da sua vida cotidiana. Dentre esses métodos se destacou, assim, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) que, como já avaliado no decorrer desse módulo, buscou considerar as características cognitivas e a capacidade de aprendizagem das pessoas, de modo a entender a sua influência no seu comportamento e aspectos psicológicos. Apesar dessas diferenças, que iremos abordar com mais detalhes no decorrer desse capítulo, a TCC possui alguns princípios que se fazem comum às suas diferentes técnicas e, sendo assim, partem do pressuposto de que a mente humana possui determinadas características padronizadas que devem ser consideradas na hora de avaliar o comportamento dos indivíduos e, com isso, analisar as melhores formas de normalizá- lo quando demonstra resultados insatisfatórios. FundamentosTeóricos da Terapia Comportamental Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 Em razão disso, compreende-se que uma das qualidades centrais da TCC, dentro da abordagem do processamento de informações, é que a forma como cada pessoa capta e processa aspectos da realidade ao seu redor interfere diretamente no seu comportamento e sentimentos. Importante Tomando como base isso, é possível compreender que um dos princípios da TCC se encontra no seu objetivo principal, que se fez presente desde os primeiros modelos desenvolvidos por parte dos sujeitos que levaram em conta as características cognitivas na análise e melhoria do comportamento humano, sendo este a reestruturação de pensamentos distorcidos. Em vista disso, é observável que os métodos da terapia cognitivo-comportamental são aplicados, efetivamente, em sujeitos cuja percepção dos eventos que acontecem no seu entorno pode resultar em ações que são consideradas erráticas, não só do ponto de vista social, que diz respeito à reação dos demais indivíduos ao seu redor, como também de uma visão psicológica, devidamente propiciada por profissionais dedicados a esse ramo do estudo da saúde humana. Tais comportamentos erráticos, por sua vez, devem ser considerados por parte dos profissionais terapeutas e devidamente analisados, de modo a averiguar se estes são resultados de possíveis transtornos emocionais e psicológicos que, assim sendo, afetam a efetiva qualidade de vida do indivíduo que os possui, na mesma medida em que pode representar consequências negativas consideráveis para o seu bem-estar físico, emocional e até mesmo social. O objetivo da TCC, nesse contexto, é promover uma mudança positiva para tal sujeito, propondo o uso de técnicas terapêuticas que garantem, de fato, a sua inserção na sociedade, de modo a conseguir encarar os eventos cotidianos presentes nesta de maneira adequada e sem a deterioração da sua saúde emocional. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 Considerando tais informações, é preciso ter o pleno conhecimento acerca de determinados termos que são assim, de indiscutível relevância para a compreensão dos princípios da TCC. Inicialmente, avalia-se que os teóricos desse modelo de terapia consideram que as pessoas possuem pensamentos automáticos que, por sua vez, se diferem daqueles que acontecem por meio de um fluxo normal resultante de pensamentos racionais ou por associação. Nesse contexto, é possível compreender que os pensamentos automáticos acontecem de forma espontânea, como uma interpretação natural de um determinado evento ou aspecto que se faz presente no ambiente que cerca o indivíduo pensante. FIGURA 7 Esquema de representação da distinção entre os tipos de pensamentos humanos. FONTE Elaborado pelo autor (2023). Adicionalmente a isso, compreende-se que, para os sujeitos que desempenham um pensamento automático, é comum considerá-lo como uma interpretação verdadeira que, dessa forma, é inquestionável. Em decorrência disso, é comum que esses indivíduos nem ao menos percebam que a sua resposta a um determinado acontecimento se caracteriza como tal, não havendo a manutenção de um olhar analítico acerca do seu próprio comportamento originado desse pensamento. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 Apesar disso, Beck defende que é possível, de fato, notar a presença de pensamentos automáticos, bem como focar neste e promover a sua avaliação, de modo a compreender se este corresponde, verdadeiramente, a uma interpretação genuína do fenômeno que o originou por meio da reflexão ou se é resultante de uma determinada distorção cognitiva. Fazer esse exercício individualmente, no entanto, não é sempre tão fácil, daí a importância da terapia para contribuir nesse processo. FIGURA 7 O processo cognitivo- comportamental que resulta em reações e emoções disfuncionais. FONTE Elaborado pelo autor (2023). Por esse motivo, quando o pensamento de um sujeito é marcado por alguma distorção cognitiva, este se faz enraizado em pensamentos disfuncionais de considerável profundidade que, de acordo com os profissionais desse ramo da saúde, podem ser denominados de esquemas. Os esquemas, por sua vez, são caracterizados por serem estruturas cognitivas de longa duração, permanecendo armazenadas na mente de um indivíduo e se associando a estímulos, ideias ou experiências vividas por ele (ALFORD, BECK & CLARK, 1999). Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 Com isso, esses esquemas também podem influenciar no desenvolvimento de novas informações comportamentais que ditam as reações, interpretações e respostas do sujeito em relação a outros fenômenos. Observe melhor através do esquema exemplificado anteriormente. Percebe-se, dessa forma, que cada sujeito costuma desenvolver, através de suas experiências individuais, crenças que ditam o seu comportamento e resposta emocional aos estímulos exteriores ao seu corpo. Essas primeiras crenças básicas, por sua vez, ainda são responsáveis pela formação de outras ideias que se relacionam entre si e, dessa forma, constrói o repertório comportamental do indivíduo, ajudando a formar as suas respostas automáticas. É através da persistência dessas crenças, básicas ou derivadas destas, que se formam um esquema, caracterizado como uma estrutura cognitiva de longa duração que incorpora tais crenças. Em acréscimo a isso, crenças que se fazem errôneas podem também ser incorporadas nessas estruturas cognitivas e, dessa maneira, ditar o pensamento, comportamento e reação de uma pessoa, resultando em erros cognitivos. Você Sabia? Consequentemente, nota-se que os esquemas são formados no processo de desenvolvimento de todas as pessoas de maneira precoce e, por decorrência disso, atuam na filtração de informações, conhecimentos, experiências e estímulos pelos quais estas passam e processam. Tomando como base isso, é possível compreender que as crenças formadas no decorrer do crescimento de cada sujeito advém das suas experiências individuais, bem como da observação de experiências tidas por outros indivíduos que se fazem presentes no seu cotidiano, algo que, como já visto no capítulo anterior desse módulo, pode ser essencial para a formação dos aspectos comportamentais de cada pessoa. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 Levando em consideração esse contexto, é indispensável considerar que o ambiente no qual um sujeito em processo de formação, ainda na fase de infância, passa os seus anos formativos é de grande importância para a construção dos seus esquemas cognitivos que, por sua vez, irão ter uma inquestionável influência no seu comportamento. Sendo assim, uma criança que permanece a maior parte de sua infância em um local que favorece a manutenção de experiências saudáveis terá, também, um esquema bem ajustado que, em decorrência disso, assegura uma interpretação dos eventos que acontecem ao seu redor de forma realista. Em paralelo, indivíduos que não tiveram um desenvolvimento cognitivo-emocional adequado podem adquirir esquemas mal ajustados, resultando assim em distorções cognitivas que podem culminar em transtornos emocionais. Fora isso, também é possível notar que os esquemas possuem algumas propriedades relevantes que ditam o seu funcionamento, tais como: FIGURA 7 As principais características que caracterizam os esquemas cognitivos. FONTE Elaborado pelo autor (2023). Fundamentos Teóricos da Terapia ComportamentalOs fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 Nesse sentido, essas características podem definir quando e como os esquemas podem ser ativados, levando em consideração que estes podem se fazer inativos no decorrer da vida de um indivíduo e, com isso, só serem devidamente ativados em um determinado momento específico. Isso costuma acontecer, portanto, quando o sujeito experiência uma determinada situação que se faz semelhante àquela que resultou no desenvolvimento do esquema no passado e, por decorrência disso, pode representar a formação de pensamentos que, apesar de não estarem necessariamente associados com a realidade, se fazem presentes na mente do indivíduo quando este é confrontado com uma determinada situação que o aproxima da situação que, durante o seu crescimento, deu origem ao esquema e seus aspectos individuais. Dessa forma, se um determinado esquema que um indivíduo tem se associa, por exemplo, as suas relações interpessoais, é comum que este seja ativado em interações que exigem o contato direto e íntimo com outras pessoas, o que pode resultar em pensamentos negativos que, quando não reconhecidos, analisados e tratados da maneira correta podem levar a transtornos mais graves no futuro. Em contrapartida, também pode existir a noção, por exemplo, de que um determinado sujeito depende de um terceiro para conseguir manter a sua própria felicidade. Daí, as crenças nucleares disfuncionais podem resultar em crenças condicionais que, por sua vez, ocasionam um alto nível de dependência desse sujeito a outros. Por decorrência disso, se faz possível perceber que os esquemas, quando ativados, podem influenciar diretamente na capacidade que um indivíduo tem de raciocinar e, dessa maneira, averiguar uma avaliação adequada das situações nas quais é colocado. Isso, por sua vez, representa consequências consideráveis no que diz respeito a maturação emocional desses sujeitos que, em razão da falta de cuidado com os esquemas e as crenças disfuncionais desde cedo, podem desenvolver problemas maiores que impedem a sua devida socialização e habilidade de lidar com os eventos que se dão cotidianamente na sua vida diária. É comum, em vista disso, que as pessoas que possuem esses esquemas busquem estratégias para manobrá-los momentaneamente e, desse modo, controlar o seu próprio comportamento, mas o cuidado com essas crenças individuais deve ir além disso e acontecer a longo prazo, ou sua situação pode acabar por piorar. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 Adicionalmente a isso, também pode ser observado que existe uma condição de interdependência entre o afeto e os aspectos cognitivos das pessoas, tendo consciência que uma distorção do processo de aprendizagem de um determinado indivíduo pode representar consequências diretas para as suas particularidades emocionais, algo que, ainda, pode também se dá no sentido oposto, onde as emoções afetam ativamente a cognição desse sujeito. Em decorrência disso, a terapia cognitivo-comportamental também se faz baseada na hipótese de que as crenças disfuncionais que um sujeito pode desenvolver no decorrer de sua vida representam uma influência relevante para as suas emoções e, por decorrência disso, podem resultar em distúrbios emocionais que interferem na sua qualidade de vida, como o próprio estresse e outros problemas mais graves. Tomando conhecimento disso, também se percebe que um sujeito que apresenta alguma deficiência cognitiva, no que diz respeito à formação das suas crenças individuais e, por consequência, irão ter também características emocionais particulares que se relacionam aos acontecimentos que levaram a formação dessas crenças. Quando um sujeito associa um trauma ao seu próprio fracasso, por exemplo, a perda em qualquer âmbito de sua vida acaba por trazer mudanças comportamentais que se traduzem em tristeza, solidão social e falta de aptidão para desempenhar mesmo atividades simples do seu cotidiano, seja por medo de falhar de novo ou por descontentamento da falha anteriormente cometida que impede a superação das suas dificuldades ou a transferência para uma outra tarefa distinta. Por outro lado, esquemas que são construídos a partir de crenças que estejam associados com um sentimento de perigo, é comum que as emoções desencadeadas por estes representem um valor de ansiedade que, em decorrência disso, induz o sujeito a direcionar a sua atenção para o possível evento perigoso que acionou tal reação. Em razão disso, é comum que os indivíduos que apresentam crenças disfuncionais acerca desse tipo de situação também se façam inclinados a ter interpretações exageradas dos acontecimentos a sua volta, ocasionando reações que não estão inteiramente proporcionais para o que este está enfrentando. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 Isso, por sua vez, pode culminar em episódios de alta ansiedade que prejudicam a capacidade dessa pessoa de lidar com possíveis imprevistos, mesmo que estes não representem um perigo de fato para si e detenham um caráter ambíguo ou mesmo neutro. O indivíduo que executa esse tipo de reação a um determinado estímulo, no entanto, tende a acreditar que este advém de um comportamento de segurança que, no final das contas, serve para preservar o seu bem-estar e saúde, sejam estes físicos ou emocionais. Apesar disso, é observável que essas atitudes ainda derivam de um comportamento disfuncional que prejudica, de fato, a sua vivência cotidiana na busca por um escapismo para evitar encarar, realmente, o perigo em questão. É a partir disso que se formam, muitas vezes, os transtornos de ansiedade, tendo em vista que a capacidade de identificar e reagir ao perigo se faz presente, na mente humana, em todas as etapas do processamento da informação, isto é, pode ser percebido, interpretado e lembrado. Finalmente, há também as crenças que se associam com estímulos que desencadeiam a vergonha, comumente associada a situações de humilhação e injustiça. Nesse caso, é comum que o sujeito que possui algum transtorno cognitivo-comportamental responda através da raiva como um sentimento forte que representa a sua insatisfação para com esse tipo de situação. Por consequência disso, é comum que a sua reação seja interpretada, por si mesmo, como uma retaliação à determinada injustiça e, por esse motivo, o próprio sujeito considera as suas atitudes, mesmo que verbal ou fisicamente violentas, como um mecanismo de autodefesa que, em decorrência disso, assegura a sua própria segurança e diminui, em tese, o sentimento de vergonha e humilhação. Dessa forma, é possível observar que os transtornos de personalidade, que também afetam indivíduos em razão dos seus esquemas construídos a partir de crenças disfuncionais, podem derivar dos conteúdos que advêm das suas características disfuncionais. Como resultado disso, é comum que esses conteúdos sejam motivados em razão de estímulos que acontecem de forma externa ao indivíduo, o que inclui o próprio uso de drogas lícitas ou ilícitas que afetam os seus aspectos psicológicos e emocionais, bem como por fatores internos. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 Dentre os conteúdos cognitivos que se dão de maneira disfuncional podem ser citados, então: • Abandono; • Busca por tratamento especial; • Deficiência; • Dependência; • Vulnerabilidade cognitiva. Cada um desses, por sua vez, ocasionam uma mudança no processamento de informações dos indivíduos com transtornos de personalidade, resultando na produção de um conteúdo cognitivo que se associa ao transtorno específico que aquele sujeito possui e, em decorrência disso, possui o seu próprio conjunto de crenças que se dão de maneira disfuncionale interfere diretamente na forma desse sujeito de lidar com os estímulos que esse encontra no seu dia-a-dia. Beck foi, assim, de grande importância para o desenvolvimento desse modelo que analisa a vulnerabilidade dos seus pacientes a desenvolver tais transtornos e, com isso, concluiu que sujeitos com tendências autônomas tendem a ter, por exemplo, maior vulnerabilidade à depressão, tendo em vista que adquirem um comportamento deprimido quando a sua autonomia é efetivamente ameaçada. Por outro lado, sujeitos dependentes se tornam mais vulneráveis à depressão em decorrência da ameaça às suas relações com os demais indivíduos que se fazem presentes na sua rotina cotidiana. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Os fundamentos da TCC e seus princípios Capítulo 2 Resumindo Concluímos, aqui, a leitura desse segundo capítulo. Ficou tudo compreendido, não é? É de suma importância para a absorção dos seus conhecimentos que nenhuma dúvida seja mantida. Por isso, que tal resumir tudo o que foi visto até aqui e revisar o que foi aprendido? Então vamos lá! No início do capítulo, foi denotado que a terapia cognitivo-comportamental (TCC) surge da busca do homem por maneiras de entender a própria mente humana e desenvolver métodos e estratégias para melhorá-la. Assim sendo, os princípios da TCC se dão pelo entendimento de que, durante o processo de crescimento de cada sujeito, crenças são formadas em suas mentes em razão das suas experiências ou aprendizagem por observação e estas, por sua vez, originam crenças secundárias. Dessa forma, existem crenças que se dão de maneira disfuncional e, por isso, originam comportamentos e emoções desadequadas de um determinado indivíduo, afetando a sua capacidade de executar suas tarefas cotidianas e construir relações interpessoais de qualidade. Com isso, entende-se que é objetivo da TCC sanar os problemas advindos dos transtornos resultantes de esquemas de crenças cognitivas disfuncionais, garantindo a qualidade de vida do sujeito em tratamento. 3 @faculdadelibano_ As técnicas e abordagens da TCC Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental Capítulo 3 As técnicas e abordagens da TCC Objetivos No percurso deste capítulo, será estudada como a terapia cognitivo- comportamental pode favorecer a qualidade de vida dos indivíduos com transtornos emocionais. Para tanto, será compreendidas as técnicas utilizadas para promover a sua efetivação, bem como as abordagens que a fundamentam. A TCC e os comportamentos disfuncionais dos pacientes Durante o desenvolvimento desse módulo, foi possível compreender como as características cognitivas podem influenciar diretamente no comportamento de um determinado indivíduo. Isso significa dizer, portanto, que a capacidade de aprendizagem das pessoas, bem como aquilo que estas aprendem no decorrer das suas vidas é um elemento decisivo no estabelecimento das suas características comportamentais, na medida em que define, de fato, como cada sujeito pode reagir aos estímulos presentes na sua vida rotineira. Adicionalmente a isso, é possível avaliar, também, que existem diferentes modelos de análise cognitivo-comportamental que visa não só entender essa relação, como promover medidas que favoreçam a manutenção do bem-estar psicológico e emocional de cada pessoa. Em decorrência disso, foi observado em capítulos anteriores desse módulo que os comportamentos de cada pessoa são diretamente influenciados pelas suas crenças, ou seja, aquilo que define o seu repertório mental acerca de como reagir e se comportar em vista a diferentes tipos de situações que são colocadas no seu dia-a-dia. Tomando conhecimento disso, é possível entender, ainda, que uma grande parte das crenças Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 se fazem construídas no decorrer do processo de crescimento de cada pessoa, sendo influenciadas pelas situações e estímulos que esta experencia pessoalmente ou, também, observa em indivíduos ao seu redor que influenciam nas suas próprias respostas. Observe: FIGURA 10 O processo de desenvolvimento dos transtornos emocionais como consequência de crenças disfuncionais. FONTE Elaborado pelo autor (2023). Em adição a isso, se faz compreensível que o conjunto de crenças de um sujeito que afetam diretamente o seu comportamento e forma de responder a determinados eventos da sua vida rotineira compreende aos chamados esquemas que, por sua vez, organizam crenças semelhantes para que o sujeito estabeleça, mesmo que de forma inconsciente, formas de lidar com as situações cotidianas que apresentam caráter semelhante ou Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 distinto. Apesar de grandemente útil para a manutenção da vida das pessoas, existem também crenças que se dão de forma disfuncional, isto é, não se fazem inteiramente conectadas com a realidade e são fruto direto de ideias ou experiências concebidas erroneamente durante o processo de crescimento de um determinado sujeito e, com isso, formam esquemas que resultam em comportamentos igualmente disfuncionais. Tomando como base isso, é possível reafirmar como a compreensão acerca das características cognitivas de um determinado sujeito, que são definidas pelo seu processo de aprendizagem que se inicia desde os seus primeiros anos de vida, pode ser essencial para entender, realmente, os aspectos comportamentais desses sujeitos. Em razão disso, um conjunto de crenças disfuncionais, que resultam em comportamentos que não são adequados deve, ainda, ser devidamente reconhecido por parte do indivíduo que as possui, de modo a garantir a correção dessa disfunção e, dessa forma, corrigir a sua própria resposta aos estímulos que se dão de maneira cotidiana no seu dia-a-dia. Do contrário, a depender de aspectos como a intensidade dessas crenças, esta pode resultar em transtornos comportamentais graves, que interferem na capacidade do sujeito de se inserir na vida em sociedade cotidiana. FIGURA 11 Elementos do cotidiano de um sujeito que podem ser afetados pelos transtornos emocionais. FONTE Elaborado pelo autor (2023). Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 Quando essas crenças disfuncionais passam despercebidas pelo sujeito que as mantém, é indubitável que o seu comportamento passa a se demonstrar de maneira inadequada para os estímulos presentes no seu dia-a-dia, o que pode resultar em problemas mais graves e, com isso, afetar a capacidade desse sujeito de cumprir de forma individual com as suas atividades ou, ainda, estabelecer uma boa relação interpessoal com os demais indivíduos ao seu redor. Daí, então, a importância da terapia cognitivo-comportamental como uma forma de encarar essas disfunções psicológicas e emocionais e, desse modo, promover a manutenção da qualidade de vida do paciente afetado. A Terapia Cognitivo-Comportamental e as suas principais técnicas Como evidenciado pelas discussões fomentadas até aqui, a terapia cognitiva- comportamental (TCC) é essencial para estabelecer métodos que buscam a melhoria da qualidade de vida dos pacientes com algum transtorno emocional ou psicológico através da consideração acerca de como os seus aspectos de aprendizagem influenciam diretamente nas suas reações para com os estímulos presentes no seu dia-a-dia. Sendo assim, observa-se que existem diferentes modelos e técnicas que se fazem importantes para aferir a TCC e, por isso, é importante compreenderos principais destes e suas particularidades, de modo a avaliar como eles garantem o benefício do sujeito com transtorno e, dessa maneira, promove a manutenção da sua saúde psicológica e emocional. Existem, portanto, diversos problemas que derivam de crenças disfuncionais e os esquemas formados por estas que afetam diretamente a capacidade do indivíduo de se comunicar e interagir com as outras pessoas ao seu redor, bem como de manter um comportamento adequado em face a imprevistos ou outros tipos de situação que se fazem inerentemente presentes na sua rotina. Esses comportamentos erráticos, por sua vez, podem ser ocasionados por determinados eventosespecíficos, quesãoconsideradoscomogatilhosparaasaçõescomportamentais do indivíduo que, sendo assim, podem estar associados com determinadas emoções e, em vista disso, representar sentimentos de ansiedade, tristeza ou pânico. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 Acesse Para compreender melhor como a TCC pode ser executada para tratar de transtornos de personalidade que afetam a manutenção do cotidiano do paciente, acesse o link abaixo e assista ao vídeo “Como a TCC trabalha com o Transtorno Bipolar?”, Publicado pelo canal Diego Falco no ano de 2019. Neste, é possível compreender com mais detalhes o processo tratamento por meio das concepções terapêuticas cognitivos- comportamentais. DIEGO Falco. Como a TCC trabalha com o Transtorno Bipolar? 2019. Disponível em: https://youtu.be/FW_ugVoGUoM. Acesso em: 25 de maio de 2023. É importante, com isso, conhecer quais são os principais aspectos que definem esses transtornos emocionais para que eles possam ser devidamente identificados. Somente a partir da adequada identificação por parte de um profissional adequado é que este pode buscar as soluções para esse tipo de comportamento, o que inclui a própria aplicação da TCC como uma forma de reduzir os seus sintomas e efeitos negativos e, em decorrência disso, permitir que o indivíduo consiga suprir esses comportamentos negativos, assim como as emoções e sentimentos inadequados que estão associados a um determinado tipo de situação, estímulo ou memória. Para isso, é necessário que este conheça, também, quais são as principais técnicas envolvidas na efetivação desse tipo de terapia e como cada uma delas funciona. Nesse sentido, é importante considerar que a TCC não desempenha um objetivo único, sendo este o de melhorar os comportamentos disfuncionais de um determinado paciente, de modo a melhorar os seus transtornos psicoemocionais. Para além disso, é importante que o tratamento se faça com a finalidade principal de proporcionar a melhoria da qualidade de vida desse indivíduo e, para que isso se faça devidamente possível, é necessário que o terapeuta tenha em mente que além de reduzir os efeitos negativos desses transtornos, se faz indispensável que o paciente também tenha a oportunidade de desenvolver e manter novos comportamentos, tendo estes um caráter mais saudável. Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 FIGURA 12 Os objetivos que podem ser atingidos por meio dos métodos da TCC. FONTE Elaborado pelo autor (2023). Em razão disso, é possível observar que a terapia que se dá por meio da consideração dos aspectos cognitivos e comportamentais do paciente deve ter como função central proporcionar a esse sujeito a oportunidade de melhorar, efetivamente, a sua vida e superar os limites e obstáculos que são impostos pelos seus próprios transtornos. Por esse motivo, nota-se que os métodos da TCC não começam e terminam na sessão terapêutica, também precisando se estender para o efetivo cotidiano do indivíduo em tratamento. Por isso, é importante a aplicação de técnicas que facilitam o seu cumprimento. Pensando nisso, veremos a seguir as principais dessas técnicas e suas características, de modo a entender como essas podem ser aplicadas e com quais objetivos terapêuticos elas podem cumprir e, devidamente, se relacionar. Análise dos pensamentos disfuncionais Um dos principais aspectos que definem um determinado transtorno psicológico são o surgimento de pensamentos disfuncionais que, como já evidenciado no capítulo anterior desse mesmo módulo, resultam de crenças errôneas que foram construídas pela mente Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 do indivíduo no decorrer do seu desenvolvimento e determinam, até mesmo durante a vida adulta, a sua forma de encarar determinados estímulos e situações. Quando esses pensamentos não são devidamente reconhecidos e, com isso, evitados por parte do sujeito, é comum que estes evoluam e afetem, efetivamente, o seu comportamento e, por isso, originam transtornos mais graves. Dessa maneira, é importante que o sujeito consiga fazer uma plena análise desses pensamentos, algo que de início pode ser difícil de efetivar de forma individual, mas que com a ajuda do profissional terapeuta vai, gradativamente, se tornando mais fácil. Isso pode, ainda, ser facilitado por meio da construção de um registro escrito, por exemplo, que serve para anotar todos os detalhes de um determinado pensamento ou reação disfuncional, de modo a permitir que o sujeito compreenda as suas características e a influência destes no seu comportamento. Vejamos um exemplo de como esse registro pode ser construído através da tabela abaixo: TABELA 1 Exemplo de registro de pensamentos disfuncionais e suas características. FONTE (Elaborado pelo autor, 2023) Fundamentos Teóricos da Terapia Comportamental As técnicas e abordagens da TCC Capítulo 3 Em razão disso, por meio do registro escrito, o terapeuta pode ter um melhor acompanhamento do transtorno do paciente e seus pensamentos disfuncionais que influenciam diretamente no seu comportamento associado a tal condição emocional. Adicionalmente a isso, também se percebe que o ato de escrever e analisar as suas próprias características comportamentais contribui para que o paciente em si compreenda a sua condição, reconhecendo esses pensamentos que se dão de forma disfuncional e buscando entender meios de lidar com estes sem prejudicar, de fato, o seu bem-estar. Com isso, nota-se que existem diferentes características que podem ser incluídas nesse tipo de tabela comportamental, o que inclui aspectos como o momento exato quando a disfunção de pensamento aconteceu, facilitando a análise da sua frequência e, com isso, o melhor entendimento acerca do que a desencadeou. Além disso, também podem ser incluídas as principais características acerca desse tipo de pensamento e a reação que ele ocasiona, tais como a sua intensidade e que tipo de atitude ele influencia no paciente, facilitando uma maior compreensão sobre como prevenir comportamentos errôneos em decorrência dele. Tudo isso contribui, portanto, para uma TCC de qualidade. Relaxamento Dentre os diferentes transtornos comportamentais que podem afetar a rotina de um indivíduo, existem aqueles que, como já analisado anteriormente nesse mesmo módulo, podem resultar na expressão de sentimentos associados ao pânico e à ansiedade. Em razão disso, o indivíduo pode ter, não apenas a sua saúde emocional comprometida momentaneamente em razão de um episódio desses transtornos, como também o seu bem-estar físico, na medida em que é comum que estes ocasionam impactos no próprio corpo, como a falta de ar, tremores no corpo, tensões nos músculos e outras manifestações que, como observável, vão além do âmbito psicoemocional do indivíduo. Sendo assim, é importante, também, que o sujeito, em conjunto com