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Fernanda Rodrigues Dor Neuropática 1- Sobre a dor neuropática, entenda: a- conceito Dor neuropática: lesão primária do sistema nervoso periféri co e central. A definição inicial de dor neuropática proposta pela IASP a considerava como “dor iniciada ou causada por lesão primária ou disfunção ou perturbação transitória no sistema nervoso periférico ou central”. Subsequentemente aos questionamentos a essa defi nição por trazer ambiguidades, foi sugerida a definição de dor neuropática como “devida à lesão primária do sistema nervoso periférico ou central”. Essa de finição é mais específica e baseia-se, nos diferentes mecanismos neurofisiopatológicos, deixando o termo disfunção para definir o mecanismo relacionado com condições em que o componente neuropático é associado a uma disfunção e não a uma lesão estabelecida. Nesse con texto, estariam condições como síndrome complexa de dor regional, fibromialgia, dor facial atípica, entre outras. O conceito mais amplo de dor neuropática deve tam bém incluir outras características, como: • Dor e sintomas sensitivos que persistam além do pe ríodo de cura. • Presença de fenômenos sensitivos negativos e positivos. • Presença também de fenômenos motores positivos e ne gativos e de fenômenos autonômicos. b- etiologia / epidemiologia As síndromes neuropáticas periféricas mais comuns e mais pesquisadas são a neuropatia diabética dolorosa, neuralgia pós-herpética, neuralgia de trigêmeo, dor persistente pós-trauma e pós-operatória, síndrome complexa de dor regional, neuropatia na síndrome da imunodeficiência adquirida, dor neuropática oncológica e dor pós-amputação. As síndromes neuropáticas centrais mais comuns incluem a dor central pós-acidente vascular cerebral (AVE), dor pós-lesão medular (trauma ou doença) e esclerose múltipla, menos frequentemente ela ocorre na doença de Parkinson, siringomielia e outras doenças degenerativas. 1 Fernanda Rodrigues A dor neuropática faz parte do repertório das condições crônicas dolorosas que têm prevalência variada. Em estu do recente realizado em 15 países europeus e em Israel, estímou-se uma prevalência de dor crônica em 19%. Entretanto, a prevalência específica de dor neuropática ainda não está estabelecida, com estimativas que vão de 1,5 a 20%, ou 5% na população geral ou 1,5%. Mais re centemente, entretanto, a prevalência de dor neuropática foi estimada em 7 a 8%. Outro aspecto importante é o de que a incidência de dor neuropática tem sido escassamente estudada, e condições específicas têm prevalências variadas, como herpes-zóster com 10%, neuropatia diabé tica dolorosa com 8 e 50% ou dor lombar neuropática com 10 e 19%. Além dos dados sobre porcentagem de dor neuropá tica em algumas doenças, é também importante salientar o impacto dessa condição ao se diminuir a qualidade de vida e se elevarem os custos do tratamento. Outros aspectos de impacto sobre as condições de vida levam em consideração a presença de depressão ou ansiedade, transtorno do sono, questões relacionadas ao trabalho, expectativas do tratamento, necessidades de rea bilitação e disponibilidade de apoio social da família e ami gos e também as comorbidades psiquiátricas. c- tipos Classificação da dor neuropática de acordo com o fator desencadeante: A dor neuropática pode ser classificada em dois grupos: desencadeada por estímulos e independente de estímulos. A dor desencadeada por estímulos caracteriza-se por sinais de hiperalgesia e alodinia, que resultam de estimulação mecânica, térmica ou química. A dor independente dos estímulos (i. e., dor espontânea) pode ser persistente ou paroxística e, em geral, é descrita como penetrante, em pontada ou em queimação. As parestesias (definidas como sensações anormais) e as disestesias (definidas como sensações anormais desagradáveis) podem ser espontâneas ou provocadas. Classificação anatomoetiológica da dor neuropática: A dor neuropática é, geralmente e de forma mais simples, classificada pela etiologia e anatomia. Como se pode ob servar na Tabela 42.1, do ponto de vista etiológico perifé rico, a dor neuropática pode ser devido a neuropatias de diferentes causas, radiculopatias, plexopatias, sendo de origem primária ou secundária. As neuralgias são condi ções, na maior parte das vezes, de natureza idiopática ou disfuncionais. A dor neuropática de origem central tem etiologia vascular, desmielinizante, traumática, tumoral, compressiva, degenerativa, malformativa e imunológica. Além dessa classificação mais simples, há uma tendên cia atual de se classificar a dor neuropática baseada em me canismos. 2 Fernanda Rodrigues d- fisiopatologia Para que as informações nociceptivas sejam processadas corretamente é necessário a integridade das estruturas funcionais dos axônios e estruturas neuronais centrais. A fisiopatologia da DN é heterogênea e complexa, representa um estado de doença neural secundária a alterações da função e anatomia das terminações nervosas, troncos nervosos periféricos, unidades neuronais, vias de condução e do processamento central das informações sensitivas. Ocorrem fenômenos de neuroplasticidade anormais ao longo de todo sistema nervoso, que contribuem para manifestações dolorosas complexas. O termo sensibilização periférica indica alterações na excitabilidade do nervo periférico e do gânglio da raiz dorsal, e a sensibilização central compreende as alterações nos neurônios da medula espinhal, sistema descendente modulador da dor e fenômenos de neuroplasticidade nas estruturas cerebrais. Diferentes lesões histopatológicas podem ocorrer simultaneamente em um mesmo paciente, o que faz com que a classificação baseada em suas formas de apresentação seja melhor do que a baseada em sua etiologia. Mecanismos de sensibilização periférica A DN é caracterizada por dor espontânea (não dependente de estímulo), hiperalgesia (dor exagerada a um estímulo normalmente doloroso) e alodínia (dor em resposta a um estímulo não doloroso). Algumas destas características ocorrem por alterações nos nociceptores e nervos periféricos lesionados. Sensibilização dos nociceptores: Ocorre redução do limiar de ativação dos nociceptores, desencadeada pelos mediadores inflamatórios liberados devido à lesão aguda dos tecidos. Estes nociceptores passam a ser estimulados também por estímulos não dolorosos de baixa intensidade (alodínia) Descargas ectópicas: A lesão dos nervos periféricos determina redução importante do limiar de ativação neuronal, assim impulsos elétricos são desencadeados espontaneamente ou por estímulos normalmente não nocivos (alodinia tátil e hiperalgesia]. 3 Fernanda Rodrigues Alteração na expressão dos canais de sódio e cálcio: Os mediadores inflamatórios ativam sinais intracelulares dos nociceptores com aumento dos canais voltagem-dependentes. O aumento dos canais de sódio determina aumento exagerado das descargas espontâneas nas membranas neuronais e corpo neural, responsáveis pela perpetuação da dor. Da mesma forma, após a lesão de fibras nervosas A e C, surgem novos canais δ de cálcio estimuláveis a mínimos estímulos sensoriais, com entrada de cálcio na membrana e consequente despolarização. Outras alterações periféricas: Crescimento neuronal anormal [sprouting ou brotamento) com aumento dos campos receptivos que alimentam a transmissão anormal da dor. Além dos neurônios lesados, os neurônios adjacentes, até então íntegros, passam a disparar espontaneamente, mecanismo conhecido como transmissão efática. Com a lesão neural ocorre ativação dos macrófagos que infiltram nervos e gânglios da raiz dorsal, liberando citocinas pró-inflamatórias, especialmente o fator de necrose tumoral e α consequente atividade ectópica no local. Mecanismos centrais da dor neuropática As alteraçõesdos nociceptores durante a inflamação determinam rapidamente alterações de facilitação nas sinapses do corno posterior da medula espinhal. A atividade persistente dos nervos lesados é o fator desencadeante da sensibilização central medular e cortical, determinando alterações neuroplásticas nas sinapses e o envolvimento de vários moduladores sinápticos, além de alterações de aminoácidos excitatórios. A lesão das fibras nervosas sensoriais, e consequente ativação do fator de crescimento neuronal, estimula o brotamento anormal das fibras A [normalmente proprioceptivas] β com o prolongamento de suas terminações das lâminas III e IV do corno posterior da medula espinhal, onde normalmente se localizam, para a lâmina ll. Este brotamento faz com que estímulos com limiares não dolorosos sejam interpretados na medula espinhal como dor. Além deste fenômeno, o aumento de neurotransmissores no corno dorsal da medula espinhal produz uma despolarização prolongada da membrana pós-sináptica com ativação do receptor N-metil D-aspartato [NMDA]. Em condições normais. o receptor NMDA permanece bloqueado pelo íon magnésio; com a despolarização prolongada, ele permanece aberto permitindo o influxo permanente de sódio e cálcio para a célula, levando à excitação intraneuronal maciça e resposta cada vez maior a estímulos repetitivos nas fibras C (fenômeno de Wind-Up ou de somação temporal). O aumento do cálcio intracelular, além de causar ativação e despolarização da membrana, determina ativação do segundo mensageiro, alterações na expressão gênica e maior excitação neuronal. As células da micróglia, que normalmente representam menos de 20% das células gliais da medula espinhal, proliferam rapidamente após a lesão neuronal, com consequente ativação do sistema imunológico, liberação de citocinas inflamatórias e substâncias citotóxicas (p ex, óxido nítrico), provocando aumento da excitabilidade medular e alterações neuroplásticas. 4 Fernanda Rodrigues Assim como em outros tipos de dor crônica, 0 sistema descendente noradrenérgico, serotoninérgico e opioide inibidor da dor, se torna ineficaz na inibição do estímulo doloroso. O desequilíbrio entre os mecanismos descendentes inibitórios e os descendentes excitatórios tem sido proposto como mecanismo subjacente próprio da dor central. A excitabilidade exagerada e os fenômenos de neuroplasticidade, estendem-se aos neurônios nociceptivos do tálamo e córtex cerebral (somatossensorial e pré-frontal), causando a ampliação e persistência dos estímulos nas estruturas corticais. A dor neuropática acontece quando há algum tipo de lesão ou disfunção no sistema nervoso que altera a forma como os sinais de dor são processados. Normalmente, para sentir dor, nosso corpo precisa de um estímulo doloroso (como um corte ou queimadura), mas na dor neuropática, os nervos começam a disparar sinais de dor mesmo sem um estímulo real ou exageram a dor de estímulos normais. Isso acontece porque há mudanças nas estruturas dos nervos e no cérebro, fazendo com que a dor fique crônica e difícil de tratar. Essas mudanças envolvem fenômenos chamados neuroplasticidade anormal e sensibilização periférica e central. 1. Sensibilização Periférica – O que acontece nos nervos afetados? Quando um nervo é lesionado, ele começa a funcionar de forma desregulada, tornando-se hipersensível. Isso pode levar a três sintomas principais da dor neuropática: ● Dor espontânea → ocorre sem necessidade de estímulo. ● Hiperalgesia → um estímulo que já deveria causar dor provoca uma dor muito mais intensa do que o normal. ● Alodínia → um estímulo que normalmente não causa dor (como um toque leve) passa a ser doloroso. Essas mudanças ocorrem por alguns mecanismos: a) Sensibilização dos nociceptores Os nociceptores (sensores de dor) nos nervos lesionados ficam mais fáceis de ativar. Isso ocorre porque as substâncias inflamatórias liberadas após a lesão diminuem o limiar de ativação do nervo, ou seja, ele dispara sinais de dor com muito menos estímulo do que antes. b) Descargas ectópicas Os nervos danificados começam a disparar sinais elétricos de dor sozinho, sem precisar de estímulos. Isso acontece porque eles perdem a regulação do seu limiar de ativação. c) Alteração dos canais de sódio e cálcio ● Canais de sódio: Aumentam muito, tornando os nervos hiperativos e gerando descargas espontâneas. ● Canais de cálcio: Aparecem em locais onde normalmente não 5 Fernanda Rodrigues existiam, permitindo que o nervo gere sinais de dor até com estímulos leves. d) Outras mudanças nos nervos lesionados ● Sprouting (brotamento anormal) → Os nervos começam a crescer descontroladamente, aumentando a área sensível à dor. ● Transmissão efática → Nervos saudáveis próximos ao nervo lesionado também começam a disparar sozinhos, aumentando ainda mais a dor. ● Ativação do sistema imune → Células chamadas macrófagos invadem os nervos e liberam substâncias inflamatórias (como TNF-alfa), que aumentam a irritação e a dor. 2. Sensibilização Central – O que acontece na medula e no cérebro? As mudanças nos nervos periféricos afetam o processamento da dor no sistema nervoso central, levando a uma sensibilização ainda maior. a) Hipersensibilidade na medula espinhal Os neurônios da medula que processam a dor ficam hiperativos. Isso acontece porque os nervos lesados continuam mandando sinais de dor, e o sistema nervoso central se adapta aumentando a sensibilidade dessas conexões. b) Brotamento anormal das fibras A As fibras A (responsáveis por sensações normais como tato e pressão) começam a crescer para áreas da medula espinhal onde só deveriam estar as fibras C (que transmitem dor). Isso faz com que sensações normais, como toque, sejam interpretadas como dor intensa. c) Ativação do receptor NMDA e Wind-Up ● O receptor NMDA, que normalmente fica bloqueado, passa a funcionar sem controle, permitindo um fluxo constante de cálcio e sódio para dentro dos neurônios. ● Isso causa uma excitação exagerada dos neurônios da medula, um fenômeno chamado Wind-Up, no qual estímulos repetitivos causam uma dor cada vez maior e persistente. d) Ativação da micróglia e do sistema imunológico Células do sistema imunológico (micróglia) são ativadas e liberam substâncias inflamatórias que aumentam ainda mais a sensibilidade da medula à dor. 3. Desregulação dos mecanismos de controle da dor Nosso corpo tem um sistema inibitório que normalmente regula a dor, envolvendo neurotransmissores como noradrenalina, serotonina e opioides naturais. Na dor neuropática, esse sistema falha, e os sinais de dor se tornam ainda mais intensos. Além disso, a dor se espalha para regiões do cérebro como o tálamo e o córtex somatossensorial, o que contribui para a persistência e amplificação da dor, tornando-a crônica. Resumo Final ● A dor neuropática ocorre quando os nervos sofrem uma lesão ou disfunção, gerando dor espontânea e hipersensibilidade. 6 Fernanda Rodrigues ● Sensibilização periférica → Os nervos lesionados se tornam hiperativos e disparam dor sozinhos. ● Sensibilização central → O cérebro e a medula espinhal ficam hiperativos, amplificando a dor e tornando-a persistente. ● O sistema de controle da dor fica ineficaz, permitindo que os sinais de dor se espalhem sem bloqueios. 🔹 Conclusão: A dor neuropática é causada por uma desregulação total do sistema de dor do corpo, tornando qualquer estímulo doloroso mais intenso e até criando dor sem necessidade de estímulo real. e- quadro clínico A apresentação clínica da DN é semelhante nas diferentes etiologias. A dor paroxística ou persistente, independente de estímulo, é característica deste tipo de patologia. Os descritores verbais são importantes na caracterização da DN e são referidos como queimação, calor, choques elétricos, dormência, agulhadas,alfinetadas, câimbras, aperto, porém, muitos pacientes apresentam dificuldade na caracterização da sua dor. A dor pode ser espontânea,frequentemente episódica e súbita e, em alguns casos, contínua ou evocada. A dor evocada pode ser iniciada por estímulos inócuos [roçar da roupa, brisa do ar, alterações de temperatura etc), ou desproporcional a um estímulo nociceptivo. Os sintomas e sinais da DN podem ser negativos [perda sensitiva) ou positivos (sensações evocadas anormais ou exageradasj”. ● Sinais positivos: Os fenômenos positivos são diversos e representam a combinação de dor evocada e sensações, manifestando-se geralmente como respostas exageradas aos estímulos. ● Alodínia: Resposta dolorosa a estímulos que normalmente não causam dor, constituindo assim uma anormalidade qualitativa. Pode ser mecânica (tátil), térmica [calor e frio) e aos movimentos. A alodínia mecânica e térmica normalmente traduzem alterações cutâneas. A alodínia mecânica pode ser induzida por estímulos pontiagudos (alodínea mecânica estática] ou, mais comumente, por estímulos suaves na região (por exemplo, passar levemente um algodão na pele). ● Hiperalgesia: Resposta dolorosa desproporcional a um estímulo doloroso, representando, portanto, uma alteração quantitativa. A hiperalgesia e a alodínea normalmente coexistem e, apesar de estarem presentes também em lesão tecidual e inflamação, nos casos de dor crônica representam sinais patognomônicos de DN. ● Hiperpatia: É caracterizada por anormalidades temporais onde estímulos inócuos repetitivos desencadeiam dor. ● Sinais negativos: São caracterizados pela diminuição ou perda da sensibilidade a estímulos leves, vibração, picada de agulha e sensações térmicas. A alteração da sensibilidade ao toque e à picada de agulha indicam disfunção das fibras A e A . β δ 7 Fernanda Rodrigues ● Hipoestesia: Perda da sensação normal a estímulos não dolorosos. ● Hipoalgesia: Perda da sensação à picada de agulha. É muito comum em neuropatias periféricas e frequentemente coexiste com dor espontânea intensa, em queimação. Podem ocorrer déficits motores com perda de força motora, paralisia e perda de reflexos, como por exemplo, no pós-AVE e desmielinização aguda. f- diagnóstico 1. Como a dor neuropática é diagnosticada? O diagnóstico é principalmente clínico, ou seja, feito com base na conversa com o paciente (anamnese) e no exame físico. O médico busca entender: ● Onde dói? ● Como é a dor? (exemplo: queimação, choque, formigamento) ● Quanto dói? (intensidade) ● Quando aparece? (periódica ou constante) ● Impacto na vida do paciente (sono, humor, atividades diárias) ● Resposta a tratamentos anteriores Além disso, existem escalas padronizadas para ajudar a identificar a dor neuropática e acompanhar a resposta ao tratamento. Principais escalas usadas no diagnóstico ● LANSS: primeira escala para diferenciar dor neuropática de dor comum. ● DN4: uma das mais utilizadas no Brasil. ● NPSI: foca na intensidade da dor e resposta ao tratamento. Características como formigamento, queimação e choque elétrico são típicas da dor neuropática e aparecem na maioria das escalas. 2. Exame físico da dor neuropática Diferente do exame neurológico convencional, o exame da DN busca identificar sinais anormais na região do nervo lesionado, como: ● Hipoestesia → sensibilidade reduzida ao toque, calor ou frio ● Hiperalgesia → resposta exagerada a um estímulo doloroso 8 Fernanda Rodrigues ● Alodínia → dor ao toque leve, que normalmente não causaria dor Esses testes são simples, feitos à beira do leito e não exigem equipamentos complexos. 3. Exames complementares: quando são necessários? Os exames são usados para: ● Identificar lesões ou doenças que causam a dor neuropática ● Diferenciar a DN de outras condições, como fibromialgia Principais exames usados 1. Eletroneuromiografia (ENMG) → Avalia nervos periféricos, mas não detecta lesões em fibras finas. 2. Teste de quantificação sensitiva (TQS) → Mede resposta a estímulos térmicos e mecânicos. 3. Potencial evocado a laser → Mede a resposta do cérebro a estímulos dolorosos. 4. Biópsia de pele → Avalia as fibras nervosas na epiderme. 5. Imagens (radiografia, tomografia, ressonância magnética) → Investigam compressões ou alterações estruturais nos nervos. Exames mais avançados, como ressonância magnética funcional e PET scan, ainda são usados apenas em pesquisas. Resumo didático ● O diagnóstico da DN é clínico, baseado na história do paciente e exame físico. ● Escalas padronizadas ajudam a diferenciar a dor neuropática de outros tipos de dor. ● Exames físicos simples podem indicar alterações na sensibilidade. ● Exames complementares são úteis para detectar lesões nervosas e descartar outras doenças, mas não substituem a avaliação clínica. g- tratamento 1. Por que o tratamento da DN é difícil? A dor neuropática é complexa porque os pacientes: ✔ Precisam de doses mais altas de medicamentos. ✔ Não sentem tanto alívio da dor como os pacientes com dor nociceptiva. ✔ Muitas vezes usam medicamentos sem eficácia comprovada ou em doses inadequadas. ✔ Sofrem com efeitos colaterais que podem levar ao abandono do tratamento. Além disso, a maioria dos estudos foi feita com pacientes com neuropatia diabética e neuralgia pós-herpética, então não se sabe se os mesmos tratamentos funcionam bem para outras formas de DN. 9 Fernanda Rodrigues 2. Como os medicamentos para DN são escolhidos? Os estudos avaliam os remédios baseando-se em dois fatores: 📌 NNT (Number Needed to Treat) → Quantas pessoas precisam usar um remédio para que uma delas sinta melhora significativa. Quanto menor, melhor. 📌 NNH (Number Needed to Harm) → Quantas pessoas precisam usar o remédio antes que uma delas tenha um efeito colateral grave. Quanto maior, melhor. Os estudos modernos também consideram a qualidade de vida, sono e saúde mental dos pacientes, tornando o tratamento mais eficaz. 3. Quais são os principais tratamentos? Os especialistas internacionais desenvolveram diretrizes e chegaram a um consenso: 💊 Primeira linha de tratamento (opções iniciais mais recomendadas): ● Antidepressivos tricíclicos (ADT) → Ex.: amitriptilina. ● Ligantes de canais de cálcio α2-δ → Ex.: gabapentina e pregabalina. ● Inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) → Ex.: duloxetina e venlafaxina. ● Carbamazepina → Para neuralgia do trigêmeo. ● Lidocaína tópica → Para dor neuropática localizada. 💊 Segunda linha de tratamento (quando a primeira linha não funciona bem): ● Tramadol e opioides → Devem ser usados com cuidado, pois podem causar dependência e aumentar a sensibilidade à dor com o tempo. ● Quando opioides são recomendados na primeira linha? ○ Em pacientes com câncer. ○ Quando a dor é aguda ou muito intensa. ○ Como opção temporária até que outros remédios façam efeito. 4. O tratamento pode combinar medicamentos? Sim! Alguns estudos mostraram que combinar medicamentos pode ser mais eficaz e causar menos efeitos colaterais. Exemplo: 🔹 Gabapentina + opioide → Melhor alívio da dor com menos efeitos colaterais do que usar um deles sozinho. 🔹 Gabapentina + antidepressivo tricíclico → Também pode ser uma boa combinação. 5. Quando recorrer a tratamentos invasivos? Se os remédios não funcionarem, pode-se tentar técnicas mais avançadas: 🔹 Neuroestimulação da medula espinhal → Para dor lombar neuropática grave. 🔹 Estimulação do córtex motor → Para dor neuropática central, como pós-derrame (AVE). 🔹 Infusão subaracnóidea → Administração direta de opióides, anestésicos ou outros remédios na medula espinhal, mas com poucas evidências de eficácia. 10 Fernanda Rodrigues 6. O tratamento deve ser multidisciplinar! Além dos remédios, os pacientes devem receber: ✅ Terapiafísica e exercícios → Mantêm a função do corpo e reduzem a dor. ✅ Terapia comportamental e psicoterapia → Ajudam no controle emocional da dor. 🔹 Resumo prático: O tratamento da dor neuropática deve ser individualizado, começando com os medicamentos de primeira linha, podendo evoluir para combinações de medicamentos ou tratamentos invasivos nos casos mais difíceis. Além disso, uma abordagem multidisciplinar melhora os resultados! REFERÊNCIA: Tratado da dor Volume 1 (página: 689) 2- Compreenda os mecanismos da neuromodulação da dor. A princípio, o controle da dor não se dá por um sistema de supressão da dor, mas é parte de uma ampla função do sistema nervoso central (SNC) em que estímulos concorrentes e necessidades são priorizados. Surpreendentemente, essas influências descendentes sobre os neurônios do corno posterior podem ser tanto inibitórias quanto facilitatórias. O equilíbrio entre a inibição e a facilitação pode ser alterado para atender a diferentes necessidades comportamentais, emocionais e fisiopatológicas. A percepção da dor decorre da interação entre mecanismos pró-nociceptivos e antinociceptivos. Esses mecanismos parecem estar presentes em todas as estações de processamento da informação dolorosa, da periferia ao córtex. Estímulos nocivos, fenômenos inflamatórios ou compressões neurais atuam como mecanismos pró-nociceptivos. 11 Fernanda Rodrigues Todos modulam a dor quando a experimentam. Ao esfregar um ponto doloroso ou quando se tenta fazer a mente “esquecer” a dor, ocorre, na verdade, a modulação da experiência dolorosa. Esses são exemplos de inibição descendente do sinal de entrada. Em contrapartida, estados emocionais, inflamação e uso crônico de fármacos podem exacerbar a experiência dolorosa. Esses são exemplos da facilitação descendente do sinal de entrada. Na medula, os neurônios nociceptivos de segunda ordem, além de receberem projeções dos neurônios nociceptivos provenientes da periferia, também recebem projeções de interneurônios inibitórios, que, por sua vez, são ativados por fibras aferentes Aβ que conduzem estímulos táteis. Assim, uma estimulação sensorial pode inibir, ao menos parcialmente, a informação nociceptiva. Esse mecanismo foi descrito na década de 1960, por Melzack e Wall, e ficou conhecido como a “Teoria do portal de controle da dor” (ou teoria da comporta). Acredita-se que este seja um dos mecanismos de atuação dos aparelhos de estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS). Projeções descendentes supramedulares também são capazes de modular a informação nociceptiva que alcança os neurônios de segunda ordem na medula. Vale destacar que “modular” pode significar inibir ou facilitar. Obs. São clássicos os exemplos de soldados ou atletas que, sob o estresse momentâneo, não percebem que estão gravemente feridos. De maneira inversa, medo, ansiedade e depressão podem exacerbar a dor, evidenciando o papel da atividade cortical na sua modulação. Uma das projeções descendentes têm origem nos neurônios do locus ceruleus, cujos axônios alcançam o corno posterior da medula e ali liberam norepinefrina. A norepinefrina inibe a liberação de substância P pelos neurônios aferentes primários antes de eles fazerem sinapse com os neurônios de segunda ordem (inibição pré-sináptica). Outra projeção descendente tem origem na substância cinzenta periaquedutal (PAG). A estimulação elétrica dessa região produz inibição seletiva da dor, sem prejuízo das demais modalidades sensoriais. Entretanto, poucos neurônios da PAG projetam-se diretamente à medula. De fato, a PAG faz conexões excitatórias com o núcleo magno da rafe, do qual partem projeções serotoninérgicas que inibem, diretamente ou por meio de interneurônios, secretores de opioides, os neurônios de segunda ordem das lâminas I, II e V. Entendendo melhor… A dor não é apenas um simples "alarme" do corpo, mas sim um fenômeno complexo, controlado por diferentes mecanismos no Sistema Nervoso Central (SNC). A percepção da dor pode ser bloqueada ou intensificada dependendo das necessidades do corpo. 12 Fernanda Rodrigues 1. A dor não é apenas “suprimida” pelo corpo ● O SNC não apenas desativa a dor, mas regula sua intensidade dependendo da situação. ● O controle da dor envolve equilíbrio entre dois mecanismos: ○ Pró-nociceptivos (aumentam a dor) → Exemplos: inflamação, pressão sobre um nervo. ○ Antinociceptivos (reduzem a dor) → Exemplos: distração, relaxamento, estímulos táteis. ● O cérebro pode tanto inibir quanto facilitar a dor, dependendo do contexto emocional e fisiológico. 2. Como o corpo modula a dor? ● Um exemplo simples de modulação ocorre quando esfregamos um local dolorido: isso diminui a percepção da dor, pois ativa fibras nervosas que enviam sinais de “toque” ao cérebro, competindo com o sinal da dor. ● Da mesma forma, situações emocionais influenciam a dor: ○ Estresse e medo podem aumentar a sensação dolorosa. ○ Adrenalina e concentração (como em soldados ou atletas) podem reduzir a percepção da dor. 3. A "Teoria do Portal" e a Inibição da Dor ● Nos anos 1960, Melzack e Wall desenvolveram a Teoria do Portal da Dor: ○ O cérebro pode fechar um “portão” para impedir que sinais de dor cheguem à consciência. ○ Estímulos não dolorosos (como toque e pressão) podem competir com a dor e reduzi-la. ○ Isso explica por que o TENS (Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea) ajuda a aliviar a dor. 4. Controle Descendente da Dor (Quando o Cérebro Ativa o Freio da Dor) O cérebro pode modular a dor de duas maneiras principais: A) Via do Locus Ceruleus (Noradrenalina) → "Freio" Pré-Sináptico ● Os neurônios do locus ceruleus liberam norepinefrina na medula espinhal. ● Essa substância impede a liberação da substância P, que é responsável por transmitir o sinal da dor. ● Isso reduz a dor antes mesmo de o sinal ser processado no cérebro. B) Via da Substância Cinzenta Periaquedutal (PAG) → Inibição com Opioides ● A PAG é um centro no cérebro que bloqueia a dor de forma seletiva. ● Ela ativa o núcleo magno da rafe, que libera serotonina. 13 Fernanda Rodrigues ● A serotonina ativa neurônios que liberam opioides naturais (endorfinas e encefalinas), bloqueando o sinal da dor. 5. Como Emoções e Situações Influenciam a Dor ● Exemplos de inibição da dor: ○ Um soldado gravemente ferido em combate pode não sentir dor na hora, pois seu cérebro está priorizando a sobrevivência. ○ Os atletas podem se machucar durante uma competição e só perceber a dor depois. ● Exemplos de facilitação da dor: ○ Estresse, ansiedade e depressão agravam a dor, pois o cérebro diminui o bloqueio natural da dor. ○ Pessoas ansiosas podem sentir mais dor porque seu cérebro está mais focado no desconforto. Resumindo: ● O controle da dor não é só um simples bloqueio, mas sim um sistema regulador do SNC. ● O cérebro pode tanto diminuir quanto aumentar a percepção da dor. ● A Teoria do Portal explica como estímulos táteis podem competir com a dor e reduzi-la. ● O cérebro usa substâncias como norepinefrina, serotonina e opioides para modular a dor. ● Fatores emocionais (medo, ansiedade, estresse) podem intensificar ou suprimir a dor. 3- Entenda a síndrome dolorosa complexa regional. 1. O que é a SDRC? A SDRC é uma síndrome que engloba várias doenças associadas à dor crônica, como a Distrofia Simpática Reflexa e a Causalgia. O paciente sente dor em queimação, que piora com estímulos simples como toque, movimento e variação de temperatura. 2. Quem pode ter SDRC? ● Incidência: Menos de 2% da população. ● Idade média: 41 anos. ● Mais comum em mulheres (3 mulheres para cada homem). ● Causas principais: ○ 65% após trauma (como quedas ou acidentes). ○ 19% pós-operatório. ○ 2% após processos inflamatórios. ○ 4% poroutras razões, como punção venosa. 3. Como a SDRC acontece? (Fisiopatologia) A síndrome acontece por uma resposta anormal do sistema nervoso a uma lesão. Algumas teorias explicam isso: ● Aumento da sensibilidade dos nervos à dor. ● Desregulação do sistema nervoso simpático, que pode liberar substâncias como a norepinefrina, causando dor intensa. ● Mudanças no córtex cerebral, tornando o cérebro mais sensível à dor. 14 Fernanda Rodrigues ● Imobilização prolongada pode piorar a condição. 4. Como se manifesta a SDRC? ● Dor intensa (parecida com uma queimação). ● Piora da dor com estímulos leves (como toque e temperatura). ● Edema e alterações de cor da pele (no início quente e avermelhada, depois azulada e inchada). ● Alterações motoras: Dificuldade de movimentar o membro afetado. ● Atrofia: Se não tratada, pode levar a perda de músculos, unhas e pele fina. 5. Diagnóstico O diagnóstico é clínico e de exclusão, ou seja, feito analisando os sintomas e descartando outras doenças parecidas, como: ● Trombose venosa profunda. ● Neuropatia diabética. ● Síndrome do túnel do carpo. ● Doenças reumatológicas. 6. Tratamento O tratamento precisa ser iniciado o mais cedo possível para evitar complicações. Ele é multidisciplinar, envolvendo médicos, fisioterapeutas e psicólogos. ● Primeira linha (início do tratamento): ○ Analgesia (uso de antidepressivos tricíclicos, gabapentina, opioides e capsaicina tópica). ○ Fisioterapia intensiva, evitando imobilização. ● Se a resposta for inadequada: ○ Bloqueios nervosos (injeção para aliviar a dor). ○ Estimulação nervosa transcutânea. ○ Técnicas de relaxamento e psicoterapia. ● Casos graves: ○ Simpatectomia precoce (cirurgia para bloquear o sistema nervoso simpático). ○ Neuromodulação ou baclofeno intratecal (para dor intensa e distonia). ○ Amputação (raro e apenas como última opção). Referência: Síndrome Dolorosa Regional Complexa: atualização Revista Médica de Minas Gerais https://www.rmmg.org › exportar-pdf 4- Discorra a fisiopatologia da dor do membro fantasma. A dor do membro fantasma ocorre mais comumente após amputação de um membro, embora também possa ocorrer após enucleação do globo ocular, remoção da mama ou amputação do pênis. Em geral inicia-se na primeira semana após a amputação, mas pode demorar meses ou até anos a manifestar-se. É do tipo neuropático, sendo a secção dos nervos mistos e sensoriais, no ato da amputação, seu substrato fisiopatológico. Obs. Tais pacientes, não infrequentemente, apresentam também a chamada dor do coto, que é diferente da dor do membro fantasma, a qual parece ser decorrente da hiperexcitabilidade do neuroma formado na extremidade proximal do nervo seccionado. 15 https://www.rmmg.org/exportar-pdf/1117/v19n4s3a27.pdf https://www.rmmg.org/exportar-pdf/1117/v19n4s3a27.pdf https://www.rmmg.org/exportar-pdf/1117/v19n4s3a27.pdf https://www.rmmg.org/exportar-pdf/1117/v19n4s3a27.pdf https://www.rmmg.org/exportar-pdf/1117/v19n4s3a27.pdf Fernanda Rodrigues A dor fantasma é uma dor que surge depois da amputação de uma extremidade ou da retirada de órgãos, situação em que o paciente sente a sensação e dor no local correspondente ao membro ou órgão amputado, como se ele ainda estivesse presente. Isso acontece porque existe um registro do “mapa corporal” no cérebro que não desaparece com a retirada de uma parte do corpo. Na ausência do órgão, o nervo correspondente que enviava sinais sobre a sua posição é seccionado e isso provoca uma “avalanche” de estímulos em direção à medula e ao cérebro provocando desorganização das informações nos neurônios. Além disso, as repercussões emocionais da própria amputação, o seu significado e suas consequências ajudam a piorar o problema. Classicamente, a formação de neuromas e a proliferação de terminais nervosos livres dentro do tecido de cicatrização do coto foi proposto como sendo responsáveis pelo aparecimento de dor fantasma. Alguns argumentos adicionais sustentam a hipótese de que os membros fantasma são originados por mecanismos periféricos ou espinais. Pessoas que tenham sofrido muita dor antes da amputação, como nas situações de má circulação que geram várias tentativas de tratamento antes de decidir pelo procedimento, a dor fantasma tende a ser pior. A aplicação de anestésicos locais no coto faz desaparecer temporariamente as sensações fantasma, e a remoção cirúrgica dos neuromas reduz temporariamente a dor fantasma. Entendendo melhor... A denominação “membro fantasma” descreve o bem conhecido fenômeno em que o amputado continua a relatar uma percepção consciente do membro ausente. A expressão dor do membro fantasma é agora comumente utilizada para descrever dores que são referidas ao membro que não existe mais. A ideia de que a dor pode ser sentida no membro fantasma implica que estão envolvidos mecanismos centrais. Então, a maquinaria central para o processamento de informações sensoriais somáticas não está parada nem desativada, mesmo na ausência de estímulos periféricos. Obs. O processamento sensorial central continua a operar independentemente da periferia. Uma hipótese explicativa da dor do membro fantasma aventa que impulsos do tronco de nervos lesados por amputação, ou de células dos gânglios da raiz dorsal correspondentes, geram sinais que são transmitidos para o SNC, no qual são interpretados como provenientes do membro ausente. A dor do membro fantasma é uma sensação dolorosa que ocorre em um membro ou órgão que já foi amputado. O paciente sente dor como se essa parte do corpo ainda estivesse presente, mesmo depois de sua remoção. 16 Fernanda Rodrigues 1. Como isso acontece? Nosso cérebro mantém um mapa corporal que registra a posição e sensação de cada parte do corpo. Quando um membro é amputado, esse mapa não desaparece imediatamente, e o cérebro continua interpretando sinais como se ele ainda estivesse lá. Além disso, os nervos que antes transmitiam sinais dessa parte do corpo são cortados na amputação. Isso pode gerar um excesso de sinais desorganizados que viajam pela medula espinhal até o cérebro, fazendo com que o paciente ainda sinta o membro—e muitas vezes com dor. 2. Diferença entre dor do membro fantasma e dor do coto ● Dor do membro fantasma: Sensação dolorosa no membro ausente, causada por reorganização no cérebro e impulsos nervosos descontrolados. ● Dor do coto: Dor na região amputada, associada à formação de neuromas (crescimento anormal de nervos cortados na cicatriz). 3. Fatores que influenciam a dor fantasma 🔹 Pessoas que tiveram muita dor antes da amputação (como em casos de má circulação) têm maior risco de sentir dor fantasma. 🔹 O estado emocional do paciente pode piorar a dor (ansiedade, depressão e medo). 🔹 Aplicação de anestésicos locais no coto pode interromper temporariamente a dor fantasma. 🔹 Cirurgia para remover os neuromas pode aliviar a dor, mas geralmente de forma temporária. 4. A "Ilusão Fantasma" e o Papel do Cérebro ● Mesmo sem o membro, o cérebro ainda processa sensações como se ele estivesse lá. Isso significa que a rede neural que sentia o membro continua ativa, mesmo sem estímulos periféricos. ● Essa é uma prova de que a dor pode ser sentida sem que haja uma parte do corpo real para gerar o estímulo. 🔹 Hipótese principal: O cérebro recebe sinais vindos dos nervos cortados ou dos gânglios da raiz dorsal e os interpreta como sendo do membro ausente. Resumo Final 📌 Dor do membro fantasma ocorre porque o cérebro ainda mantém um registro do membro amputado e continua processando sinais nervosos. 📌 Os nervos cortados durante a amputação geram sinais desorganizados, que o SNC interpreta como dor no membro ausente. 📌 Fatores emocionais e experiências prévias de dor influenciam a intensidade da dor fantasma. 📌 O processamentosensorial central não para, mesmo sem estímulos periféricos, explicando por que sentimos dor em algo que não existe mais. REFERÊNCIAS: 1. Entendendo a dor [recurso eletrônico] / coordenação, Newton Barros ; organizador, Newton Barros. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Artmed, 2014. 2. Semiologia médica / Celmo Celeno Porto ; coeditor Arnaldo Lemos Porto. - 8. ed. - Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2019. 3. DOR. Órgão de expressão oficial da ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA PARA O ESTUDO DA DOR (APED). Volume 12, Número 1, 2004. ISSN: 0872-4814. Volume monotemático dedicado ao Simpósio III sobre Dor. 17 Fernanda Rodrigues 4. Principios de neuroci ́ ências [recurso eletrônico] / Editores, Eric R. Kandel ... [et al.] ; tradução : Ana Lúcia Severo Rodrigues ... [et al.] ; revisão técnica : Carla Dalmaz, Jorge Alberto Quillfeldt. – 5. ed. – Porto Alegre : AMGH, 2014. 5- Conceitue os seguintes termos: a- anestesia Anestesia = perda total da sensibilidade. Anestesia é um termo derivado do grego que significa “sem sensação” e é comumente utilizado para indicar condições que permitem aos pacientes serem submetidos a vários procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos sem sentirem dor. Mais importante, esse bloqueio da dor e/ou consciência é reversível. A anestesia é mais comumente descrita como anestesia geral, isto é, perda de consciência induzida por medicamento, durante a qual o paciente não pode ser acordado, até mesmo por estímulos nociceptivos e que, frequentemente, exige controle da via aérea. A anestesia também pode ser administrada sem indução de inconsciência, por bloqueio regional, anestesia local assistida com monitoramento anestésico (MA) ou sedação consciente. Resumindo… A anestesia é o estado de total ausência de dor durante uma operação, um exame diagnóstico, um curativo. Ela pode ser geral, isto é, para o corpo todo, ou parcial (também chamada regional), quando apenas uma região do corpo é anestesiada. Sob o efeito de uma anestesia geral, você ficará dormindo; já numa anestesia local você pode ficar dormindo ou acordado, conforme a conveniência do caso. b- analgesia Analgesia = perda ou ausência de sensibilidade à dor. Os analgésicos agem em diferentes níveis do sistema nervoso bloqueando a passagem do estímulo ou fortalecendo os mecanismos de resistência à dor. O ácido acetilsalicílico e os anti-inflamatórios bloqueiam a produção de prostaglandinas (os amplificadores da dor). Os opioides (codeína, morfina) e os antidepressivos reforçam a via descendente que bloqueia o sinal de dor. A administração de analgésicos deve obedecer a uma escala conforme o tipo e a intensidade da dor. Em 1982, um grupo de especialistas reunidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) organizou uma lista de analgésicos, classificando-os conforme sua potência e recomendando seu uso conforme a intensidade da dor (fraca, moderada e forte), numa graduação representada por uma “escada” com três degraus. Denominou-se escada analgésica da OMS, a qual no primeiro degrau estão os analgésicos para dor fraca, no segundo aqueles destinados a dores moderadas e no terceiro os analgésicos para dor forte. Esse estudo foi destinado ao ali ́vio da dor no câncer, sendo que várias pesquisas posteriores demonstraram que a utilização de analgésicos, de acordo com esse método, possibilita o alívio da dor em mais de 80% dos casos. Resumindo… A analgesia é definida como bloqueio ou erradicação da sensação de dor ou outros estímulos nocivos. 18 Fernanda Rodrigues c- alodinia Alodinia. Sensação desagradável provocada pela estimulação tátil de uma área com limiar aumentado de excitabilidade (região parcialmente desaferentada). Muitas vezes, os pacientes relatam esta sensação da seguinte maneira: “O simples contato da roupa ou do lençol é extremamente doloroso.” d- hiperalgesia Hiperalgesia. Resposta exagerada aos estímulos aplicados em uma região com limiar de excitabilidade reduzida. Pode manifestar-se sob a forma de dor a estímulos inócuos ou dor intensa a estímulos leves ou moderados. Tipos de hiperalgesia. Primária que ocorre em uma área lesionada e se deve à sensibilização local dos nociceptores. Secundária, que se localiza em torno da área lesada e parece ocorrer após sensibilização dos neurônios do corno dorsal, decorrente da estimulação repetitiva e prolongada das fibras C. 6- Defina a simpatectomia e suas indicações. Definição de Simpatectomia A simpatectomia é um procedimento cirúrgico que envolve a interrupção ou remoção de parte do sistema nervoso simpático, responsável por controlar funções automáticas do corpo, como sudorese, fluxo sanguíneo e respostas à dor. Ela pode ser realizada por diferentes métodos, incluindo: 🔹 Simpatectomia química – uso de substâncias para bloquear temporariamente o nervo. 🔹 Simpatectomia cirúrgica – remoção ou corte definitivo do nervo simpático. 19 Fernanda Rodrigues 🔹 Simpatectomia torácica endoscópica – método minimamente invasivo para interromper os nervos simpáticos no tórax. Indicações da Simpatectomia A simpatectomia é indicada em condições em que há hiperatividade do sistema nervoso simpático, como: ✔ Hiperidrose primária (suor excessivo) – especialmente em mãos, axilas ou rosto, quando tratamentos clínicos falham. ✔ Síndrome Dolorosa Regional Complexa (SDRC) – para reduzir a dor neuropática em pacientes resistentes a outros tratamentos. ✔ Fenômeno de Raynaud grave – quando há vasoconstrição extrema, causando isquemia nos dedos das mãos e pés. ✔ Eritromelalgia – doença que causa crises de vermelhidão e dor intensa nas extremidades. ✔ Algumas formas de dor crônica neuropática – em casos onde há hiperatividade simpática contribuindo para a dor. ✔ Úlceras isquêmicas resistentes ao tratamento – em pacientes com má circulação devido a vasoespasmos graves. Efeitos colaterais e riscos ⚠ Efeito compensatório – aumento da sudorese em outras partes do corpo. ⚠ Hipotensão postural – redução da pressão arterial ao mudar de posição. ⚠ Alterações na termorregulação – dificuldade em controlar a temperatura corporal. ⚠ Dor neuropática persistente – pode ocorrer em alguns casos após o procedimento. Resumo Final 📌 A simpatectomia desativa parte do sistema nervoso simpático, sendo usada principalmente para tratar hiperidrose, dor crônica e distúrbios vasculares graves. 📌 Embora seja eficaz, pode ter efeitos colaterais irreversíveis, como sudorese compensatória e alterações na regulação da pressão arterial. 📌 A decisão pelo procedimento deve ser bem avaliada, pois nem todos os casos apresentam benefícios definitivos. 20 1. Como a dor neuropática é diagnosticada? Principais escalas usadas no diagnóstico 2. Exame físico da dor neuropática 3. Exames complementares: quando são necessários? Principais exames usados Resumo didático 1. Por que o tratamento da DN é difícil? 2. Como os medicamentos para DN são escolhidos? 3. Quais são os principais tratamentos? 💊 Primeira linha de tratamento (opções iniciais mais recomendadas): 💊 Segunda linha de tratamento (quando a primeira linha não funciona bem): 4. O tratamento pode combinar medicamentos? 5. Quando recorrer a tratamentos invasivos? 6. O tratamento deve ser multidisciplinar! 1. A dor não é apenas “suprimida” pelo corpo 2. Como o corpo modula a dor? 3. A "Teoria do Portal" e a Inibição da Dor 4. Controle Descendente da Dor (Quando o Cérebro Ativa o Freio da Dor) 5. Como Emoções e Situações Influenciam a Dor 1. O que é a SDRC? 2. Quem pode ter SDRC? 3. Como a SDRC acontece? (Fisiopatologia) 4. Como se manifesta a SDRC? 5. Diagnóstico 6. Tratamento Síndrome Dolorosa Regional Complexa: atualização 1. Como isso acontece? 2. Diferença entre dor do membro fantasma e dor do coto 3. Fatoresque influenciam a dor fantasma 4. A "Ilusão Fantasma" e o Papel do Cérebro Resumo Final Definição de Simpatectomia Indicações da Simpatectomia Efeitos colaterais e riscos Resumo Final