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Bases epistemológicas da 
ciência moderna
Prof. Dr. Pedro Bravo
pedro.bravo@ufabc.edu.br
17/02/2025
mailto:pedro.bravo@ufabc.edu.br
Módulo II – “O que foi a 
revolução científica?”
Roteiro
1. “Revolução científica”
2. Noções de filosofia aristotélica
3. Francis Bacon e a ciência moderna
“Revolução científica”
?
“Revolução científica”
•O termo em inglês “scientist” surge apenas no 
século XIX (1833) com William Whewell;
• Antes, “filósofos naturais”. Por quê? O que 
ocorreu?
“Revolução científica”
•Conforme Peter Dear (2019):
➢Revolução científica: século XVII (1601-1700);
➢Renascença científica: séculos XV – XVII;
• “A Revolução Científica não existiu, e este é um 
livro sobre ela” (Shapin, 1996).
“Revolução científica”
•Conforme Peter Dear (2019):
➢Revolução científica: século XVII (1601-1700);
➢Renascença científica: séculos XV – XVII;
• “A Revolução Científica não existiu, e este é um 
livro sobre ela” (Shapin, 1996).
Imagem tradicional da revolução
científica
➢ “os acontecimentos que tiveram lugar por volta do 
século XVII foram suficientemente importantes e sem
precedentes para serem considerados revolucionários;
➢ se tratou de um conjunto único de acontecimentos
sem paralelo noutras partes da história;
➢ surgiu algo decisivamente reconhecível como ciência
moderna” (Bowler & Morus, 2020, p. 53).
Descontinuístas vs. continuístas
•Continuístas: “a ciência moderna deve ser vista 
como um desdobramento do pensamento
científico desenvolvido no período medieval” 
(Silva, 2021).
Descontinuístas vs. continuístas
•Descontinuístas: “a emergência do pensamento
científico moderno significou uma ruptura em
relação ao legado escolástico, e identificam a 
Revolução Científica como um marcador temporal 
dessa transformação” (Silva, 2021);
Descontinuístas vs. continuístas
Alexandre Koyré 
(1892-1964), 
descontinuísta
Pierre Duhem
(1861-1916), 
continuísta
“Revolução científica”
•Nova Astronomia [1609], de Johannes Kepler 
(1571-1630);
•Novum Organum [1620], de Francis Bacon, 
•Duas Novas Ciências [1638], de Galileu.
“Revolução científica”
•“[...] reestruturação profunda e generalizada 
das [1] ideias sobre a natureza, dos [2] 
objetivos adequados do conhecimento sobre 
a natureza e das [3] formas de adquirir esse 
conhecimento” (Dear, 2019).
“Revolução científica”
Ideias sobre a 
natureza
Objetivos adequados 
do conhecimento 
sobre a natureza
Formas de adquirir o 
conhecimento sobre 
a natureza
“Revolução 
científica” 
levou a uma 
mudança das:
“Revolução científica”
• Concepções sobre a natureza embasam 
concepções sobre como investigá-la;
A que(m) Francis Bacon 
se opõe?
Noções de filosofia aristotélica
Petrus 
Apianus, 
Cosmographia 
(1539)
Noções de filosofia aristotélica
•Elementos do mundo sub-lunar: terra, água, ar e 
fogo. Há mudança.
•Elementos do mundo supra lunar: éter. Não há 
mudança.
Noções de filosofia aristotélica
•Classificação das ciências em Aristóteles: 
“[...] a ciência teorética procura o conhecimento
por si só; a ciência prática diz respeito à conduta e 
à bondade na ação, tanto individual como social; e a 
ciência produtiva visa a criação de objetos belos ou
úteis” (Shields, 2023).
Noções de filosofia aristotélica
•Classificação das ciências em Aristóteles:
Teorética
Metafísica Matemática Filosofia 
natural
Prática
Política Ética
Produtiva
Agricultura Medicina Música...
Noções de filosofia aristotélica
•O desprezo filosófico pelo trabalho manual na
Grécia Antiga a partir do século V a.C. (Proctor, 
1991);
Noções de filosofia aristotélica
Aritóteles (981b13-25): “No início, aquele que inventava qualquer 
arte que fosse além das percepções comuns do homem era 
naturalmente admirado pelos homens, não apenas porque havia 
algo de útil nas invenções, mas porque ele era considerado sábio e 
superior aos demais. Mas à medida que mais artes foram 
inventadas, e algumas eram dirigidas às necessidades da vida, 
outras à sua recreação, os inventores das últimas eram 
naturalmente sempre considerados mais sábios do que os 
inventores das primeiras, porque os seus ramos de conhecimento 
não tinham como objetivo a utilidade. Assim, quando todas essas 
invenções já estavam estabelecidas, as ciências que não visam o 
prazer ou as necessidades da vida foram descobertas, e primeiro 
nos lugares onde os homens começaram a ter lazer. É por isso que 
as artes matemáticas foram fundadas no Egipto, porque aí a casta 
sacerdotal podia estar em lazer”. 
Noções de filosofia aristotélica
•Qual área falta na classificação de Aristóteles?
➢ A lógica, vista como um instrumento (organon) 
para conhecer e não propriamente uma ciência;
Noções de filosofia aristotélica
•Conhecer cientificamente para Aristóteles (71b9): 
conhecer a causa de algo e que ela é necessária
para explicar o objeto em questão; 
•Ver Angioni (2020) para outras interpretações ;
Noções de filosofia aristotélica
• Teoria das causas (explicações) de Aristóteles:
➢Causa material
➢Causa formal
➢Causa eficiente
➢Causa final 
Noções de filosofia aristotélica
• Causa formal, eficiente e final (télos) 
frequentemente coincidem em objetos naturais;
➢“É preciso um ser humano para gerar um ser 
humano”;
➢Teleologia aristótelica; 
•Nos objetos artificais, a causa eficiente é externa. 
Logo, objetos naturais ≠ objetos artificais
Noções de filosofia aristotélica
• Causa formal, eficiente e final (télos) 
frequentemente coincidem em objetos naturais;
➢“É preciso um ser humano para gerar um ser 
humano”;
➢Teleologia aristótelica; 
•Nos objetos artificais, a causa eficiente é externa. 
Logo, objetos naturais ≠ objetos artificais
Noções de filosofia aristotélica
•Aristóteles (71b16): conhecemos cientificamente 
através de demonstrações, ou seja, silogismos 
científicos
P.1: Todo animal é mortal
P. 2: Todo homem é animal
Concl.: Todo homem é mortal
Noções de filosofia aristotélica
•19 formas válidas de silogismo para Aristóteles;
•O silogismo científico deve provir “de itens 
verdadeiros, primeiros, imediatos, mais 
cognoscíveis que a conclusão, anteriores a ela e 
que sejam causas dela” .
•Como conhecemos tais premissas?
Noções de filosofia aristotélica
• “[...] a partir da sensação, surge recordação – e, a partir
da recordação que ocorre frequentemente a respeito do 
mesmo fato, surge experiência; pois recordações
numericamente múltiplas são uma única experiência. E 
a partir da experiência, ou a partir de todo universal que 
repousa na alma [...] surge princípio de técnica ou de 
ciência – de técnica, se for concernete ao vir a ser, mas, 
de ciência, se for concernente ao que é” (Aristóteles, 
100a3-10).
Recapitulando
https://kahoot.it/
Francis Bacon e a 
ciência moderna
• Francis Bacon (1561-1626);
• Eleito para a câmara dos comuns em
1584; Lorde Chanceler em 1618.
➢Frontispício do Novum Organum 
(1620).
Objetivo adequado da ciência
Objetivo adequado da ciência
•Aforismo LXXXI: “A verdadeira e legítima meta das 
ciências é a de dotar a vida humana de novos
inventos e recursos”
•CXXIX “[...] parece-nos que a introdução de 
notáveis descobertas ocupa de longe o mais alto 
posto entre as ações humanas”;
Objetivo adequado da ciência
•Paracelso (1493-1541) também era crítico da 
negligência de assuntos práticos pela filosofia 
natural tradicional;
• Bacon e a questão do prolongamento da vida;
Objetivo adequado da ciência
•Saber o que é algo equivale a saber como produzi-
lo;
➢ Sem diferença fundamental entre coisas
artificiais e naturais;
Antecipação vs. interpretação da 
natureza
•Aforismos XIX, XXV e XXVI;
Antecipação da natureza Interpretação da natureza
Axiomas mais gerais
Axiomas intermediários 
Dados dos sentidos e particulares Dados dos sentidos e particulares
Axiomas mais gerais
Axiomas intermediários 
Antecipação vs. interpretação da 
natureza
• Aforismo XCV: “Os que se dedicaram às ciências foram ou empíricos 
ou dogmáticos. Os empíricos, à maneira das formigas, acumulam e 
usamas provisões; os racionalistas, à maneira das aranhas, de si 
mesmos extraem o que lhes serve para a teia. A abelha representa a 
posição intermediária: recolhe a matéria prima das flores do jardim e 
do campo e com seus próprios recursos a transforma e digere. Não é 
diferente o labor da verdadeira filosofia, que se não serve unicamente 
das forças da mente, nem tampouco se limita ao material fornecido 
pela história natural ou pelas artes mecânicas, conservado intato na 
memória. Mas ele deve ser modificado e elaborado pelo intelecto. Por 
isso muito se deve esperar da aliança estreita e sólida (ainda não 
levada a cabo) entre essas duas faculdades, a experimental e a 
racional.”
Indução
•Bacon é contrário à indução por mera enumeração
(aforismo CV);
• “Indução eliminativa”, tábuas (de presença, 
ausência e comparação);
Indução
•A experiência precisa ser organizada para ser útil
para a obtenção de conhecimento;
•Experiência (casual) vs. experimento (deliberado);
•Exemplo: há calor nos raios da Lua? (Smith, 2017)
Indução
•Bacon e sua teoria dos Ídolos (aforismo XXXIX):
➢ Tribo
➢Caverna
➢ Foro
➢ Teatro
A casa de Salomão
• Organização social da produção de conhecimento no 
texto utópico Nova Atlântida (1626): a casa de Salomão;
➢Ciência como empreendimento coletivo;
➢ Financiada;
➢Objetivo: “[...] o conhecimento das causas e 
movimentos secretos das coisas; e a ampliação dos 
limites do império humano, para a efetivação de todas
as coisas possíveis”.
Influência
•Frontíspicio da 
História da Royal 
Society de Thomas 
Sprat (1667).
Referências
ABRANTES, P. Imagens de natureza, Imagens de ciência. São Paulo: Papirus, 1998.
ANGIONI, L. Aristóteles e a necessidade do conhecimento científico. Discurso, v. 50, n. 2, p. 
193–238, 9 dez. 2020.
BOWLER, P. J.; MORUS, I. R. Making Modern Science, 2nd Edition. [s.l.] University of Chicago 
Press, 2020.
DEAR, P. R. Revolutionizing the sciences: European knowledge in transition, 1500-1700. Third 
edition ed. Oxford: macmillan international, Higher Education, 2019.
SHIELDS, C. Aristotle. In: ZALTA, E. (ed.). The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Winter 
2023 Edition). Disponível em: . 
ACesso 02 jul 2024.
SILVA, L. C. K. G. DA. Continuidade e descontinuidade em História da Ciência: reflexões sobre 
a dimensão histórica do debate. História da Historiografia: International Journal of Theory and 
History of Historiography, v. 14, n. 37, p. 282–311, 2021.
SMITH, P. J. Ciência, experimento e história em Bacon. Revista de Filosofia Moderna e 
Contemporânea, v. 5, n. 1, p. 07–36, 3 ago. 2018.
	Slide 1: Bases epistemológicas da ciência moderna
	Slide 2: Módulo II – “O que foi a revolução científica?”
	Slide 3: Roteiro
	Slide 4: “Revolução científica”
	Slide 5: “Revolução científica”
	Slide 6: “Revolução científica”
	Slide 7: “Revolução científica”
	Slide 8: Imagem tradicional da revolução científica
	Slide 9: Descontinuístas vs. continuístas
	Slide 10: Descontinuístas vs. continuístas
	Slide 11: Descontinuístas vs. continuístas
	Slide 12: “Revolução científica”
	Slide 13: “Revolução científica”
	Slide 14: “Revolução científica”
	Slide 15: “Revolução científica”
	Slide 16: A que(m) Francis Bacon se opõe?
	Slide 17: Noções de filosofia aristotélica
	Slide 18: Noções de filosofia aristotélica
	Slide 19: Noções de filosofia aristotélica
	Slide 20: Noções de filosofia aristotélica
	Slide 21: Noções de filosofia aristotélica
	Slide 22: Noções de filosofia aristotélica
	Slide 23: Noções de filosofia aristotélica
	Slide 24: Noções de filosofia aristotélica
	Slide 25: Noções de filosofia aristotélica
	Slide 26: Noções de filosofia aristotélica
	Slide 27: Noções de filosofia aristotélica
	Slide 28: Noções de filosofia aristotélica
	Slide 29: Noções de filosofia aristotélica
	Slide 30: Noções de filosofia aristotélica
	Slide 31: Recapitulando
	Slide 32: Francis Bacon e a ciência moderna
	Slide 33: Objetivo adequado da ciência
	Slide 34: Objetivo adequado da ciência
	Slide 35: Objetivo adequado da ciência
	Slide 36: Objetivo adequado da ciência
	Slide 37: Antecipação vs. interpretação da natureza
	Slide 38: Antecipação vs. interpretação da natureza 
	Slide 39: Indução
	Slide 40: Indução
	Slide 41: Indução
	Slide 42: A casa de Salomão
	Slide 43: Influência
	Slide 44: Referências

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