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H U M A N P A P I L L O M A V I R U S Ana Karoline Utzig, Carolina Schmokel Bases para diagnostico molecular O papilomavírus humano (HPV) é o principal agente causador do câncer do colo do útero (CCU), encontrado em 99,7% dos casos. Entre os homens é como um vetor silencioso, apenas 1% deles apresenta algum sinal ou sintoma clínico. É importante saber o tipo de HPV que o paciente está infectado para prevenir o desenvolvimento do câncer e sua transmissão. INTRODUÇÃO Ana Karoline No Brasil, o câncer do colo do útero é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre mulheres. (INCA, 2022). EPIDEMIOLOGIA Ana Karoline Estima-se que haja entre 9 e 10 milhões de pessoas infectadas pelo HPV no Brasil e que surjam 700 mil novos casos de infecção por ano. Estudos indicam que cerca de 80% da população sexualmente ativa deve ser infectada pelo vírus em algum momento de sua vida. Classificação e características: Família: Papillomaviridae Gêneros: 5 gêneros principais (alfa, beta, gamma, mu e nu). Morfologia: Genoma: DNA de fita dupla, circular, com cerca de 8.000 pb Proteinas: duas proteínas estruturais: L1 (estabilidade) e L2 (transporte do genoma viral) Envelope: ausente Replicação: núcleo PAPILOMAVÍRUS HUMANO (HPV) D N A C IRC U LA R N Ã O E N VE LO PA D O DNA DE DUPLA FITA CAPSÍDEO ICOSAÉDRICO Microscopia electrónica do vírus do papiloma humano Ana Karoline BAIXO RISCO HPV 6, 11, 40, 42, 43, 44, 54, 61, 70, 72, 81 e 89 PAPILOMAVÍRUS HUMANO (HPV) Lesões de baixo grau e verrugas genitais Lesões de alto grau Carcinoma invasivo 40 infectam a região anogenital ALTO RISCO HPV 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59, 68, 73 e 82 > de 200 tipos de HPV Ana Karoline E6 E7 pRbp53 MECANISMO DE AÇÃO A amplificação do genoma do HPV ocorre nas camadas diferenciadas do epitélio, induz a síntese de DNA em células comprometidas em diferenciação celular. O HPV 16 e 18 são de alto risco porque produzem as oncoproteínas E6 e E7, que desativam os mecanismos naturais de supressão tumoral das células humanas, promovendo o desenvolvimento de câncer. Essa característica os diferencia de tipos de baixo risco, como o HPV 6 e 11, que não possuem essa capacidade de integração genômica e oncogenicidade significativa. Defesa do hospedeiro Ana Karoline Degradação de pRB libera o fator de transcrição E2F p53 é essencial para o reparo do DNA e a indução de apoptose , sua ausência permite a sobrevivência de células com danos no DNA. mRNA mRNA Defesa do hospedeiro Degrada Inativa mecanismos naturais de supressão tumoral das células humanas ProteinaProteina REGIÕES DO GENOMA DO HPV LCR : “central de controle”. Ajuda a regular como e quando o manual do vírus será lido. E6 e E7 : “genes perigosos”. Eles desligam os sistemas de defesa da célula e ajudam o vírus a crescer, podendo levar ao câncer. Inativam (p53 e pRb) E1 e E2 : “ajudantes do vírus”. Eles ajudam a copiar o material genético do HPV (replicação). E4 e E5: E4 auxilia na montagem do vírus, enquanto E5 estimula o crescimento celular, ajudando o vírus a se espalhar. L1 e L2 : São as “cascas protetoras”. Eles formam a estrutura externa do vírus, como se fosse sua armadura. Carol CICLO DO HPV Cérvix normal: Células organizadas e saudáveis. Lesão intraepitelial escamosa (LES): Baixo grau (Grau 1): Infecção inicial com o DNA viral fora do genoma hospedeiro (episomal). Alto grau (Graus 2 e 3): O DNA viral integra-se ao genoma do hospedeiro, com superexpressão das proteínas E6 e E7, causando proliferação celular anormal. Câncer invasivo: Alterações invadem tecidos adjacentes. Carol PREVENÇÃO IPreservativo (Reduz entre 70 e 80% das transmissões do HPV) Vacina: Quadrivalente (6, 11, 16 e 18) - Nonavalente (Gardasil) Bivalente (16,18) - Cervarix 2017: inclusos meninas de 14 e meninos de 11-14 anos. Pacientes imunossuprimidos Tem partículas VLPS - feitas a partir da proteína L1 estrutural A Colposcopia e a citologia oncótica cérvico/vaginal (Papanicolau) são complementares. Carol MÉTODOS DE DIAGNÓSTICO (PAPANICOLAU) É realizado a raspagem da junção escamo-colunar (JEC), Com esse material um esfregaço em lâmina, a qual é corada Analisada no microscópio Verificando há possível vacuolização de células epiteliais (coilocitose). Identificação precoce de anomalias celulares relacionadas a câncer e a infecções, reduzindo a mortalidade das pacientes. Carol MÉTODOS DE DIAGNÓSTICO (PAPANICOLAU) Reduz até 70% a incidência de câncer de colo do útero. Limitações: Taxas de falso-negativos: amostra inadequada Mas não detecta o vírus em si, somente as lesões dele decorrentes. Podem não apresentar sinais ou manifestações subclínicas (visíveis a olho nu) por meses ou anos. Testes moleculares para detecção do DNA viral são extremamente úteis e sensíveis para a resolução desse problema. Carol • Princípio: Detecta DNA viral através de hibridização com sondas específicas (L1/E6/E7). Etapas principais: • DNA é extraído da amostra e hibridizado com sondas específicas (pequenos pedaços de DNA artificial de HPV). • Complexo DNA-anti-DNA é detectado por quimiluminescência. Aplicação: • Identifica grupos de HPVs oncogênicos e não oncogênicos. Limitações: • Não realiza tipagem viral específica. CAPTURA HÍBRIDA É CAPTURADO POR ANTICORPOS HIBRIDIZAÇÃO: SONDAS DE DNA ESPECÍFICAS SE LIGAM AO DNA VIRAL DESNATURAÇÃO DO DNA VIRAL: É SEPARADO EM CADEIAS SIMPLES. ANTICORPOS CONJUGADOS A UMA ENZIMA SE LIGAM ÀS SONDAS DO COMPLEXO. A enzima converte o substrato em um sinal detectável Região L1: mais codifica a principal proteína do capsídeo Regiões E6 e E7: codificam proteínas oncogênicas Carol Detectar a presença do DNA do HPV em uma amostra. Utiliza primers específicos para regiões conservadas do genoma do HPV como os genes L1 - primer GP5+/GP6+ ou gene E6/E7 ) A reação amplifica o DNA viral se ele estiver presente, permitindo que sua existência seja confirmada. Aplicação no diagnóstico do HPV: Usado para detecção inicial do HPV em situações onde apenas a presença ou ausência do vírus é relevante. Deve ser solicitado quando houver laudos inconclusivos, lesões persistentes, pacientes com recidivas e histórico familiar, PCR (REAÇÃO EM CADEIA DA POLIMERASE) Carol PCR (REAÇÃO EM CADEIA DA POLIMERASE) Vantagens: Alta sensibilidade: Detecta pequenas quantidades de DNA viral. Desvantagens: Qualitativa: O PCR convencional apenas informa se o HPV está presente ou ausente, sem quantificar a carga viral. Requer análise adicional: Após a amplificação, é necessário realizar uma eletroforese em gel para visualizar o DNA, o que aumenta o tempo do processo e o risco de contaminação. Pode ser utilizado no manejo de pacientes com ASCUS (Células Escamosas Atípicas de Significado Indeterminado); O screening para HPV de baixo risco não tem nenhuma utilidade Carol PCR-RFLP (Restriction Fragment Length Polymorphism) A detecção do HPV foi realizada por PCR, amplificando a região L1 do genoma viral. Foram usados os primers externos MY09/MY11 (450 pb) e internos GP5+/GP6+ (150 pb). Plasmídeos recombinantes de HPV 6, 16 e 18 serviram como controles positivos, e água deionizada foi usada como controle negativo. Os produtos foram analisados em gel de agarose a 2%, corado com brometo de etídio. A tipificação viral foi feita por PCR-RFLP, com digestão do fragmento de 450 pb pelas enzimas RsaI (GT/AC) e DdeI (C/TNAG), incubadas a 37 °C por 14 horas. Os fragmentos digeridos foram analisados em gel de poliacrilamida a 10%. Os padrões de restrição foram comparados a sequências completas de HPV obtidas do GeneBank, mapeando os primers e os cortes enzimáticos na região L1. Polimorfismo de comprimento de fragmento de restrição Ana Karoline Digestão com a enzima Rsa I de amostras CB HPV positivas. Gel de polocrilamida a 12% contendo brometo de etídio. M: marcador 50 pb, Faixa 1 e 5: HPV 18 (135, 125, 85, 72 e 38 pb) Faixa 2 e 3: HPV 16 6 56 (310, 72 e 70 pb), Faixa 4: HPV 35 (177 , 161,72 e 42 pb), Pista 6: Plasmídeo Branco HPV 18 (135, 125, 85, 72 e 38 pb). Pista 7: pPCR utilizado como controle, sem digestão enzimática (450 pb). Cada poço contém amostras diferentes processadas com a enzima RsaI. A análise compara os fragmentos gerados para identificar o tipo específico de HPV presente. ELETROFORESE / PCR-RFLP M (marcador de peso molecular) contém fragmentos de DNA de tamanhos conhecidos (em pares de bases, ou “pb”) e serve como referência para identificar o tamanho dos fragmentos gerados. Tamanhos destacados. 38 Ana Karoline Genotipagem do HPV: • A enzima de restrição RsaI corta o DNA amplificado de regiões específicas do genoma do HPV (geralmente L1 ou E6/E7), gerando fragmentos de tamanhos diferentes dependendo do genótipo. Fragmentos observados: 310, 72 e 70 pb. Os tamanhos são consistentes com genótipos de alto risco, como HPV 16 ou HPV 56. A diferenciação pode exigir testes complementares. ELETROFORESE / PCR RFLP Fragmentos observados: 177, 161, 72 e 42 pb. Este padrão é específico para o genótipo HPV 35, também considerado de alto risco. Fragmentos observados: 135, 125, 85, 72 e 38 pb. Este padrão corresponde ao genótipo HPV 18, associado a alto risco de câncer do colo do útero. 38 Plasmídeo HPV 18 (controle positivo): Fragmentos observados: 135, 125, 85, 72 e 38 pb. Este controle confirma que os primers e o protocolo de digestão estão funcionando corretamente. Controle sem digestão enzimática (pPCR): Fragmento único observado: 450 pb. Esse fragmento corresponde ao produto de PCR antes da digestão com a enzima RsaI, mostrando o DNA intacto amplificado. Ana Karoline Lane 6, 7 e 8: Controles positivos de diferentes espécies de Leishmania. Cada um apresenta bandas específicas que confirmam a amplificação… Lane 7 e 8: Controles para L. (V.) braziliensis. O marcador de peso molecular (ladder) é usado como referência. Ele mostra bandas de tamanhos conhecidos (50 bp, 150 bp, 300 bp). Serve para medir o tamanho dos fragmentos nas amostras. Lane 1 a Lane 5: DNA de amostras dos cães. Apenas o Cão 1 (Lane 1) apresenta uma banda visível no local esperado (150 bp), indicando um resultado positivo para Leishmania. 1. O que está sendo analisado? • Amostras: Foram coletadas de cinco cães (Cão 1 a Cão 5) e controles com DNA de diferentes espécies de Leishmania (Lanes 6, 7 e 8). • Primer: O primer usado foi o “hsp 70f e 70r”, que amplifica um fragmento específico relacionado ao DNA da Leishmania. • Peso molecular (PM): Um marcador de tamanho molecular foi usado para medir o comprimento dos fragmentos de DNA, expressos em pares de bases (bp). CN (Lane 9): Controle negativo. Não apresenta nenhuma banda, confirmando que não houve contaminação no experimento. Lane 6: Controle para L. (L.) i chagasi. PCR EM TEMPO REAL (q-PCR ou quantitative PCR) • Enquanto amplifica o DNA do HPV é detectado e quantificado de forma simultânea . • Utiliza sondas fluorescentes específicas que emitem luz à medida que o DNA do HPV é amplificado. Isso permite monitorar a reação em tempo real. Primers de L1: Para detectar a maioria dos tipos de HPV. Primers de E6/E7: Específicos para tipos de HPV de alto risco oncogênico (HPV-16, -18, etc.). Sondas TaqMan: Utilizadas em qPCR para garantir alta especificidade. Essas sondas têm uma sequência que é complementar ao DNA alvo e liberam fluorescência quando o DNA é amplificado. Carol PCR EM TEMPO REAL (q-PCR ou quantitative PCR) Aplicação no diagnóstico do HPV: • Diagnósticos mais precisos, como a quantificação da carga viral em infecções persistentes. • Acompanhamento de pacientes com lesões pré-cancerígenas ou câncer. • Estudos epidemiológicos que analisam a prevalência e o comportamento do HPV. Carol Padrão ouro • Pode ser usado para: • Detectar o DNA viral em amostras clínicas. • Quantificar a carga viral, • Avaliar a expressão dos genes E6/E7 (usando RT-qPCR), que são marcadores importantes de infecções com potencial de progressão para câncer. PCR EM TEMPO REAL (q-PCR ou quantitative PCR) Vantagens: Quantificação precisa: Alta sensibilidade e especificidade: devido ao uso de sondas específicas. Mais rápido: sem necessidade de eletroforese. Desvantagens: Custo elevado: Requer equipamentos sofisticados e sondas fluorescentes, tornando-o mais caro. Técnica avançada: Exige maior expertise técnica no design de sondas e na interpretação dos resultados. Carol PCR EM TEMPO REAL (PCR MULTIPLEX) • O PCR multiplex permite detectar múltiplos genótipos de HPV em uma única reação. • Utiliza vários pares de primers, cada um específico para diferentes tipos de HPV (por exemplo, os de alto risco, como HPV 16 e 18, e os de baixo risco, como HPV 6 e 11). • É uma técnica qualitativa, mas também pode ser combinada com qPCR para detecção e quantificação simultâneas. Aplicação no diagnóstico do HPV: • Principalmente em painéis de genotipagem, que identificam quais tipos de HPV estão presentes. • Importante para rastreamento populacional e programas de saúde pública. Ana Karoline PCR EM TEMPO REAL (PCR MULTIPLEX) Vantagens: Eficiência: Detecta vários tipos de HPV em uma única reação, economizando tempo e reagentes. Diagnóstico detalhado: Ajuda na genotipagem, que é essencial para identificar infecções causadas por tipos de alto risco (associados ao câncer). Personalização do tratamento: Saber quais tipos de HPV estão presentes pode guiar decisões clínicas. Desvantagens: Mais complexa: O design dos primers precisa ser otimizado para evitar interferências (overlap) entre as diferentes reações. Menos quantitativa: Na forma convencional, o PCR multiplex não quantifica a carga viral. Ana Karoline • 50 anos • Relata dor abdominal inferior e tumor ovariano • Solicitam: BH, Tempos de Coagulação, QS, CA-125, HPV28 e Esfregaços PAP • Tipo de amostra: Exsudato Cérvico-Vaginal CASO CLINICO Ana Karoline DIAGNÓSTICO MOLECULAR (PCR MULTIPLEX) Ana Karoline Técnica Objetivo Vantagens Quando usar Quando usar PCR Detectar presença de DNA viral Simples, Barato, alta sensibilidade Apenas qualitativa; análise adicional necessária Usado na triagem em laboratórios. qPCR Detectar e quantificar DNA viral Quantitativa, rápida, alta sensibilidade e especificidade Custo elevado, maior complexidade Carga viral, estudos de progressão ou controle clínico PCR multiplex Detectar múltiplos genótipos de HPV Diagnóstico abrangente, eficiente Técnica complexa, otimização necessária Identificar vários tipos de HPV em uma única reação Ana Karoline COMPARAÇÃO DIAGNÓSTICO MOLECULAR IMPORTÂNCIA DOS MÉTODOS DIAGNÓSTICOS • PCR e PCR em Tempo Real: • Diagnóstico mais preciso para HPV de alto risco, essencial na triagem do câncer no colo do útero. • Identificação precoce reduz mortalidade e melhora prognóstico. • Captura Híbrida: • Método complementar útil em triagem inicial. • Melhor utilizado em combinação com citologia para maior eficácia. Conclusão: • A escolha do método depende dos objetivos clínicos: triagem, diagnóstico precoce ou monitoramento. • PCR em tempo real é o método mais avançado para diagnóstico molecular do HPV, devido à sua precisão e eficiência. REFERÊNCIAS Microbiologia médica. Murray, Rosenthal, Pfaller. 8 edição. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151741/ cfi/6/2!/4/4/2/2@0.00:63.2 Microbiologia médica básica. Patrick R. Murray. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151758/ cfi/6/2!/4/2/2/2@,0:0.00 https://www.evolution.com.br/product/9788535290370 International Committee on Taxonomy of Viruses (ICTV). Consulta em nov/2019. Fields, Bernard N; Knipe, David M; Howley, Peter M. Fields virology. Philadelphia : Wolters Kluwer Health. 6th ed. 2013. https://www.evolution.com.br/product/9788535290370 International Committee on Taxonomy of Viruses (ICTV). Consulta em nov/2019. Fields, Bernard N; Knipe, David M; Howley, Peter M. Fields virology. Philadelphia : Wolters Kluwer Health. 6th ed. 2013. https://talk.ictvonline.org/ictv-reports/ictv_online_report/dsdna-viruses/w/papillomaviridae