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FUNDAMENTOS 
DE DIDÁTICA 
AULA 02
Abertura 
Teorias 
pedagógicas 
Olá!
Há diferentes modos de compreensão do mundo, e, em tal relação do conhecimento, 
pressupõem-se dois elementos: o sujeito que quer conhecer e o objeto a ser conhecido. 
Por vezes, defende-se que o conhecimento é transmitido pela família ou pela escola, por 
exemplo. No entanto, de modo contrário, algumas concepções reafirmam que o 
conhecimento não é só transmitido, mas construído, de maneira que, se não fosse 
assim, não haveria acúmulo e evolução dos saberes, das formas de pensar ou 
interpretar o mundo.
Nesta aula você vai aprofundar e identificar características que denotam a concepção 
inatista do conhecimento, bem como vai ter a oportunidade de compreender e 
caracterizar a teoria empirista, verificando as principais particularidades da teoria 
interacionista do conhecimento.
Bons estudos.
REFERENCIAL TEÓRICO
As teorias pedagógicas, ao tentarem compreender de que forma ocorre o conhecimento, 
acabaram por influenciar a forma como a escola pensa e estrutura a educação. Segundo o 
inatismo, por exemplo, o ensino consiste na transmissão do conhecimento, por intermédio 
da exposição de conteúdos organizados de acordo com a lógica do professor, ainda que 
sem significado para os alunos. Para o empirismo, ensinar é modificar o ambiente e 
controlar as estratégias de trabalho para operar as mudanças desejadas nas respostas dos 
alunos. Já para o interacionismo, o ensino precisa valorizar as interações entre os 
indivíduos, os grupos e, a partir destes, os diferentes segmentos da comunidade.
Para saber mais detalhes, leia o capítulo Teorias pedagógicas: um estudo sobre inatismo, 
empirismo e interacionismo, da obra Didática, base teórica desta aula.
Ao finalizar esta leitura, você terá reunido os seguintes aprendizados:
• Identificar as principais características da teoria inatista do conhecimento.
• Descrever a teoria empirista do conhecimento.
• Apontar as principais características e as divisões da teoria interacionista do
conhecimento.
Boa leitura.
Teorias pedagógicas: um 
estudo sobre inatismo, 
empirismo e interacionismo
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Identificar as principais características da teoria inatista do conhecimento.
 Caracterizar a teoria empirista do conhecimento.
 Apontar as principais características e divisões da teoria interacionista 
do conhecimento.
Introdução
Há diferentes modos para se compreender o mundo e, nessa relação do 
conhecimento, pressupõe-se dois elementos: o sujeito que quer conhecer 
e o objeto a ser conhecido. Por vezes, defendemos que o conhecimento 
é transmitido pela família ou pela escola; entretanto, não é apenas isso: 
algumas concepções reafirmam que o conhecimento não é apenas 
transmitido, mas sim construído de maneira que, se não fosse por meio 
desse processo, não haveria acúmulo e evolução dos saberes, das formas 
de pensar ou de interpretar o mundo. 
Neste capítulo, você conhecerá as características que denotam a 
concepção inatista do conhecimento. Além disso, terá a possibilidade 
de compreender e caracterizar a teoria empirista. Por fim, conhecerá 
as principais particularidades da teoria interacionista do conhecimento.
1 Teoria inatista do conhecimento
Pensar a concepção inatista é pensar em algo que busca se fundamentar em uma 
teoria pedagógica baseada nos princípios das fi losofi as racionalista e idealista. 
De acordo com Nunes (1986, p. 25 apud ABREU, 2018, documento on-line): 
O racionalismo se norteia pela crença de que o único meio para se chegar ao 
conhecimento é por intermédio da razão, já que esta é inata, imutável e igual 
em todos os homens. Para o idealismo, o real é confundido com o mundo das 
ideias e significados. Dar realidade às ideias, oferecer respostas ideais (de 
ideias) às questões reais. É a forma de compreender a realidade, na qual o 
espírito vai explicar e produzir a matéria.
Nessa perspectiva, os aspectos do conhecimento e da aprendizagem estão 
relacionados com o fato de que o ser humano é um sujeito fechado em si mesmo 
e nasce com potencialidades, dons e aptidões, que serão desenvolvidos de 
acordo com o amadurecimento biológico. Desse modo, ao nascermos, algo 
já está impregnado em nós, em nossa alma. Sendo assim, considerando-se a 
hereditariedade, fica entendido que não há a possibilidade de mudanças, pois 
o ser humano não age efetivamente, nem recebe interferências significativas
do ambiente e do contexto social. Ou seja, após o nascimento, as experiên-
cias não são tão significativas, já que o sujeito nasce pronto, incluindo sua
personalidade, seus valores, seus hábitos, suas atitudes, suas crenças, seus
pensamentos, seus sentimentos, bem como a conduta que terá dali para a
frente em seu meio social.
O sujeito, compreendido como biologicamente determinado desde o seu 
nascimento, remete à ideia de uma possível sociedade harmônica e hierar-
quizada que, inclusive, impossibilita a mobilidade social ou a transformação 
desse sujeito. Sobre esse tema, Leibniz (1988, p. 34) traz outra importante 
contribuição: 
Ocorre que as verdades inatas estão em nosso espírito de maneira virtual, 
mas precisam que os sentidos lhes deem ocasião para que se manifestem 
e possam captar nossa atenção. Pois, embora tenhamos uma infinidade de 
ideias em nosso espírito, é impossível que possamos dar atenção a todas elas 
ao mesmo tempo. Assim, é preciso que elas sejam avivadas pelos sentidos. 
Desta forma, uma pessoa pode chegar puramente por meio do raciocínio sem 
nenhum auxílio da experiência. 
Teorias pedagógicas: um estudo sobre inatismo, empirismo e interacionismo2
Leibniz critica o empirismo de Locke (nada existe na mente que não tenha 
estado nos sentidos) e defende, como Descartes, um inatismo. Ele localiza 
qualidades inatas na alma, como o ser, a percepção e o raciocínio. Nessa 
perspectiva, Leibniz (1988) aponta, inclusive, que as verdades da matemática 
e da geometria seriam de natureza inata, assim como as verdades lógicas. 
O inatismo considera a hereditariedade, ou seja, aquilo que é inato ao sujeito 
(i.e., que nasce com o ser humano). Segundo essa corrente teórica, ao nas-
cermos, já somos concebidos com a herança genética, com as qualidades e 
capacidades básicas necessárias ao ser humano. Assim, consideremos que o 
pensamento inatista recusa a possibilidade de aperfeiçoamento do sujeito, pois 
defende a ideia de que este não tem a capacidades de evoluir ou possibilidades 
de transformação após nascer. 
Portanto, no processo educacional, o papel do professor seria o de facilitar 
que a essência se manifeste, entendendo-se que, quanto menor for a interfe-
rência, maior será a espontaneidade e a criatividade do estudante. De acordo 
com Rego (1996), tal concepção de ser humano tem fundamentado pedagogias 
espontaneístas que subestimam a capacidade intelectual do sujeito, na medida 
em que o sucesso ou o fracasso é atribuído, única e exclusivamente, ao estudante 
e seu desempenho, aptidão, dom ou maturidade.
De certa forma, considerar o inatismo aplicado à educação é tender a 
uma perspectiva imóvel e resignada, pois considera-se que as diferenças e 
dificuldades não são superadas, uma vez que o meio não interfere no desenvol-
vimento do sujeito. E, ainda, pode-se compreender que os resultados obtidos 
com a aprendizagem são exclusivamente do aluno, retirando a participação e 
a responsabilidade do docente e da instituição educacional. 
A concepção vivencial/espontaneísta de educação defende a ideia de que aprender 
um conteúdo experimentando situações escolares em que o aluno esteja diretamente 
envolvido ocorre aleatoriamente, sem exigência. Assim, essa concepção de educação 
está voltada, muitas vezes, para uma prática perigosa do educador, sem compromisso 
com a educação, ou seja, “levando com a barriga”. Portanto, temos de tomar cuidado 
para que o professor não seja um mero reprodutor do aparelho ideológico do estado 
(DIAS; OLIVEIRA;FREITAS, 2011; LINDOLFO, 2011).
3Teorias pedagógicas: um estudo sobre inatismo, empirismo e interacionismo
2 Teoria empirista do conhecimento
A teoria empirista se confi gura, principalmente, como uma corrente fi -
losófi ca que reafi rma as vivências e experiências do ser humano como 
responsáveis, de fato, pela construção das aprendizagens e das ideias 
existentes na humanidade e no mundo. Essa concepção é caracterizada, 
inclusive, pelos aspectos que envolvem o conhecimento científi co, ou seja, 
o momento em que os saberes são adquiridos pelas percepções e pelas
sensações. Nessa perspectiva, observa-se que as ideias se originam por
meio da percepção e do contato com os objetos do conhecimento; esse
contato, portanto, ocorre por meio dos sentidos.
Assim, pode-se compreender o empirismo como uma corrente epistemo-
lógica que aponta que todo conhecimento é resultado de uma experiência e, 
por esse motivo, é uma consequência dos nossos sentidos. Nesse aspecto, a 
experiência estabelece o valor, a origem e os limites do conhecimento.
O principal teórico do empirismo foi o filósofo inglês John Locke 
(1632–1704), que defendeu e reafirmou a ideia de que a mente humana é uma 
“folha em branco” ou uma “tábula rasa” em que são gravadas impressões 
externas à medida que temos nossas experiências. Dessa forma, o pensador 
não considerava a existência de ideias natas, nem de um conhecimento 
universal.
Por se tratar de uma corrente teórica oposta ao racionalismo/inatismo, o 
empirismo estabelece críticas à metafísica e aos conceitos de causa e substância. 
De certo modo, essa corrente de pensamento defende que todo o processo do 
conhecer, do saber e do agir se dá pela experiência, pelas vivências e pela 
tentativa e erro.
A palavra metafísica deriva da antologia de trabalhos de Aristóteles, μετάφυσικά 
(metàphysiká), indicando que aqueles trabalhos foram compilados após os trabalhos 
sobre a física. Aristóteles referia-se a esses trabalhos como “filosofia primeira”, a fim de 
ressaltar a primazia teórica de seu conteúdo em relação àqueles abordados na física. 
Críticos entenderam que a palavra metafísica poderia ser reinterpretada como “a ciência 
do mundo para além da física” e encontraram razões intrínsecas para justificar o uso 
do termo “metafísica” para referir-se a esse tipo de trabalho, de forma que o termo se 
instaurou e sobrevive até hoje (ARISTÓTELES, 1969).
Teorias pedagógicas: um estudo sobre inatismo, empirismo e interacionismo4
Sobre o empirismo, Hessem (1987, p. 68) aponta que:
Este atribui o conhecimento à experiência e, neste caso, considera-se que a realidade 
é construída pela via dos sentidos, não havendo conhecimentos inatos e tampouco 
verdades a priori, e mesmo os conceitos abstratos e universais partem de fatos 
concretos. Assim sendo: “A consciência cognoscente não tira os seus conteúdos da 
razão; tira-os exclusivamente da experiência. O espírito humano está por natureza 
vazio; é uma tábula rasa, uma folha em branco em que a experiência escreve”.
Na mesma vertente de pensamento de John Locke, existiram outros vários 
autores de grande destaque mundial na formação e na discussão do conceito 
do empirismo, são eles:
 Aristóteles;
 Francis Bacon;
 Thomas Hobbes;
 Robert Boyle;
 David Hume;
 John Stuart Mill;
 Nicolau Maquiavel.
Na ciência, diante dos saberes científicos, o empirismo é considerado quando 
falamos no método científico tradicional, que emerge do empirismo filosófico e 
reafirma que as teorias, os estudos e as pesquisas científicas devem ser baseados 
na observação do mundo, bem como na experimentação, em vez de na intuição 
ou na fé, como aconteceu em tempos passados. O empirismo é considerado 
uma parte fundamental do método científico, visto que considera que todas as 
hipóteses e teorias devem ser testadas em oposição às observações do mundo 
atual. Apesar de sensorial, ele atua para além do raciocínio a priori ou da intuição. 
O empirismo e o inatismo/racionalismo: correntes 
filosóficas opostas
O racionalismo aborda o tema do conhecimento a partir das ciências exatas, 
ao passo que o empirismo dá mais importância às ciências experimentais. 
De acordo com o racionalismo, o conhecimento é alcançado fazendo-se um 
bom uso da razão, e não dos sentidos, pois a informação obtida por meio dos 
sentidos pode estar errada, já que é possível haver engano naquilo que se ouve 
ou se vê. Já o empirismo dá origem a outras duas ideias: a ideia simples, sobre 
5Teorias pedagógicas: um estudo sobre inatismo, empirismo e interacionismo
a qual não se pode estabelecer distinções (p. ex., cores, texturas, etc.), e a ideia 
complexa, que seriam associações das ideias simples. Isso daria origem ao 
conceito abstrato do que é matéria. 
John Locke foi um filósofo britânico do século XVII que exerceu grande influência no republi-
canismo clássico, na teoria liberal e, seguindo a tradição de Sir Francis Bacon, no empirismo e 
no iluminismo escoceses. Além disso, Locke foi o primeiro a definir a identidade do ser como 
continuidade da consciência, abrindo caminho para o debate moderno acerca da identidade 
e do ser, que viria a originar o campo de estudo que hoje chamamos de “filosofia da mente”.
Locke argumentou em favor da tese de que haveria duas formas pelas quais as ideias 
poderiam surgir: pela sensação e pela reflexão. As ideias provenientes da sensação 
são aquelas que surgem do contato direto com os objetos, já aquelas que surgem por 
reflexão são relativas à percepção das ideias adquiridas pela sensação. Essas ideias foram, 
ainda, subdivididas em duas categorias: as ideias simples e as complexas (MACIEL, 2018).
O Quadro 1, a seguir, apresenta as principais características das teorias 
empirista e inatista.
Empirismo Inatismo
Conhecimento
A fonte do conhecimento 
está na experiência. O 
conhecimento vem de fora, 
por meio dos sentidos. O co-
nhecimento evolui à medida 
que o sujeito adquire novas 
experiências.
O conhecimento é pré-formado, e 
as estruturas mentais se atualizam. 
Assim, à medida que o ser humano 
amadurece, vai reorganizando 
sua inteligência pelas percepções 
que tem da realidade, tornando-se 
apto a realizar aprendizagens cada 
vez mais complexas.
Aprendizagem
Mudança de comportamento 
resultante do treino e da 
experiência.
A aprendizagem consiste no 
armazenamento das informações 
prontas, acabadas, por meio da 
memória.
 Quadro 1. Principais características das teorias empirista e inatista 
(Continua)
Teorias pedagógicas: um estudo sobre inatismo, empirismo e interacionismo6
3 Teoria interacionista do conhecimento
A teoria interacionista é uma corrente pedagógica que considera e defende a ideia 
de que os fatores orgânicos e ambientais são fundamentais para o desenvolvimento 
do sujeito, considerando, inclusive, os aspectos objetivos e subjetivos desse sujeito. 
Os pensadores e discípulos do interacionismo acreditam em uma complexa 
combinação de fatores e influências que, segundo essa concepção, podem 
favorecer o processo de aprendizagem. Assim, o sujeito não é compreendido 
como um ser passivo, muito pelo contrário, é incentivado a ser o seu próprio 
agente de transformação, autor e protagonista de sua própria história, de 
seu próprio percurso. Nessa perspectiva, o sujeito deve utilizar diferentes 
objetos e suas inúmeras significações para conhecer, aprender, compreender 
e, consequentemente, se desenvolver e progredir. 
Na abordagem interacionista, os processos de aprendizagem estão total-
mente interligados e se atravessam, se inter-relacionam, se misturam e, nesse 
movimento constante, se complementam, atribuindo ao sujeito a responsa-
bilidade por seu processo de aprendizagem e, portanto, de construção do 
conhecimento. De acordo com Davis e Oliveira (1990, p. 36): 
 Fonte: Adaptado de Equipe Clorophila – Elmara (2018, documento on-line). 
Empirismo Inatismo
Ensino
Ensinar é modificar o am-
biente, controlar as estratégias 
de trabalho para operar as 
mudanças desejadas nas 
respostas dos alunos.O ensino consiste na transmissão 
do conhecimento por intermé-
dio da exposição de conteúdos 
organizados de acordo com a 
lógica do professor, ainda que sem 
significado para os alunos.
Avaliação
Avaliar é medir a quantidade 
de respostas modificadas, 
da mudança operada no 
comportamento do aluno e 
de respostas aprendidas.
A avaliação consiste em medir 
quantas das informações passadas 
foram retidas na memória pelos 
alunos. O grau de aprendizagem é 
medido pelo estoque de informa-
ções acumuladas.
 Quadro 1. Principais características das teorias empirista e inatista 
(Continuação)
7Teorias pedagógicas: um estudo sobre inatismo, empirismo e interacionismo
A concepção Interacionista de desenvolvimento apoia-se na ideia de interação 
entre organismo e meio, e vê a aquisição de conhecimento como um processo 
construído pelo indivíduo durante toda a sua vida, não estando pronto ao nascer 
nem sendo adquirido passivamente graças às pressões do meio. 
Confira, a seguir, os principais pensadores da corrente pedagógica do 
interacionismo.
 Jean Piaget (1896–1980): para ele, a criança é ativa e age esponta-
neamente no meio. Ela é estruturalmente diferente do adulto, mas
funcionalmente igual. Ou seja, as suas estruturas mentais são próprias
ao seu nível de desenvolvimento, que é marcado por estágios. É pelo
contato com o mundo que seus conhecimentos são construídos. Pia-
get dedicou-se à investigação e à compreensão do desenvolvimento
cognitivo, e sua teoria ficou conhecida como construtivismo. Houve
um ponto primordial para o desenvolvimento das ideias de Piaget:
explicar a forma pela qual o ser humano atinge o conhecimento, o que
o distingue fundamentalmente das outras espécies vivas. No entanto,
essa é uma questão tipicamente filosófica. Entre a energia, o rigor
dos métodos biológicos e a filosofia, Piaget foca em uma lacuna que
precisa ser preenchida. Com isso, a psicologia do desenvolvimento
assumiria, no futuro, o papel de mediadora entre os dois campos de
estudo (FERRARI, 2008).
 Lev Semionovitch Vygotsky (1896–1934): valoriza a mesma ação–inte-
ração de Piaget, porém situada em um contexto socio-histórico-cultural.
É por meio da relação com os mais experientes e da força da linguagem
que o sujeito se apropria ativamente do conhecimento social e cultural
do meio em que está inserido. Ou seja, as influências e mudanças são
recíprocas a ele e ao meio em que se encontra. Para esse pensador, as
habilidades cognitivas e as formas de se estruturar o pensamento do
sujeito não são determinadas por fatores congênitos. São, na verdade,
resultado das atividades praticadas de acordo com os hábitos sociais
da cultura em que ele se desenvolve. Esse processo é fundamental para
a interiorização do conhecimento — ou transformação dos conceitos
espontâneos e científicos — por meio do método de tornar intrapsíquico
o que antes era interpsíquico. Como consequência, a história da socie-
dade na qual a criança se desenvolve e a história pessoal dela são fatores
cruciais que determinarão a sua forma de pensar (FERRARI, 2008).
Teorias pedagógicas: um estudo sobre inatismo, empirismo e interacionismo8
Interacionismo e educação: algumas características
 O conhecimento é considerado como construção histórica e social dinâ-
mica, fruto de uma construção coletiva, que necessita de contexto para 
ser entendido e interpretado. Ou seja, conhecimento é uma construção
coletiva e uma assimilação pessoal.
 A aprendizagem está relacionada a esse desenvolvimento. Na troca
com outros sujeitos e consigo mesmo é que se dá a aprendizagem e que 
conhecimentos, papéis e funções sociais são internalizados. Isso permite,
portanto, a constituição de conhecimento e da própria consciência.
 O ensino precisa valorizar as interações entre indivíduos e grupos e
destes com os diferentes segmentos da comunidade.
 A avaliação deverá centrar-se na dinâmica das relações que se estabele-
cem no espaço da comunidade, da escola e da sala de aula. O bom aluno
é aquele que participa, desafia, investiga e contribui com os diversos
grupos, soma com o outro, critica, toma decisões e desenvolve compor-
tamentos democráticos (EQUIPE CLOROPHILA – ELMARA, 2018).
ABREU, A. Inatismo. 2018. Disponível em: . Acesso em: 08 ago. 2018.
ARISTÓTELES. Metafísica. Porto Alegre: Globo, 1969.
DAVIS, C. L. F.; OLIVEIRA, Z. M. R. Psicologia na educação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1990. v. 1.
DIAS, T. P.; OLIVEIRA, P. A.; FREITAS, M. L. P. F. O método vivencial no campo das habi-
lidades sociais: construção histórico-conceitual e sua aplicação. Estudos e Pesquisas 
em Psicologia, Rio de Janeiro, v. 11, n. 2, p. 472-487, ago. 2011. Disponível em: . 
Acesso em: 08 ago. 2018.
EQUIPE CLOROPHILA - ELMARA. Conhecimento, sujeito, ensino, aprendizagem e ava-
liação. [2010]. Disponível em: . Acesso em: 08 ago. 2018.
FERRARI, M. Jean Piaget, o biólogo que colocou a aprendizagem no microscópio. 2008. 
Disponível em: . Acesso em: 08 ago. 2018.
9Teorias pedagógicas: um estudo sobre inatismo, empirismo e interacionismo
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
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local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
HESSEN, J. Teoria do conhecimento. São Paulo: Arménio Amado Martins Fontes, 1987.
LEIBNIZ, G. Novos ensaios sobre o entendimento humano. São Paulo: Nova Cultural, 1988. 
(Coleção Os Pensadores). 
LINDOLFO. 2011. Concepções de ensinoaprendizagem. 2011. Disponível em: . Acesso em: 08 ago. 2018.
MACIEL, W. John Locke. [2018]. Disponível em: . Acesso em: 08 ago. 2018. 
REGO, T. C. R. A indisciplina e o processo educativo: uma análise na perspectiva 
Vygotskyana. In: AQUINO, J. G. (Org.). Indisciplina na escola. 11. ed. São Paulo: Summus, 
1996.
Teorias pedagógicas: um estudo sobre inatismo, empirismo e interacionismo10
PORFÓLIO
Um bom professor não sabe apenas teorias, embora elas sejam muito importantes. 
Entender as diferentes concepções de aprendizagem não significa apenas ler o que 
diferentes teóricos e pensadores falaram ou escreveram sobre o ensino e a 
aprendizagem, mas, sim, buscar melhor compreender a prática educativa vigente, de 
forma que, ao refletir sobre ela, seja possível agir para transformá-la.
Pesquise as características das três teorias pedagógicas com relação às suas 
práticas e descreva aquela com a qual você mais se identifica.
PESQUISA
PRINCIPAIS TEORIAS DE APRENDIZAGEM: um resumo das teorias que são utilizadas
https://www.youtube.com/watch?v=LKzUV_SWha4
Neste vídeo, veremos um pouco das principais teorias, como comportamentalismo, 
epistemologia genética, cognitivismo, dentre outras.

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