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ATOS E EVANGELHOS 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Marlon Ronald Fluck 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
EVANGELHOS E ATOS DOS APÓSTOLOS 
Nesta disciplina pesquisaremos os Evangelhos e Atos dos Apóstolos. Em 
uma primeira abordagem apresentaremos uma introdução aos Evangelhos 
Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) e as tendências interpretativas desses três 
evangelhos. 
Introdução aos Evangelhos sinóticos 
Na geração posterior ao apóstolo Paulo, a Igreja tratou de dar forma aos 
quatro evangelhos para edificar sua fé baseada na identidade entre o Cristo 
exaltado e o Jesus terreno e crucificado. A história das tradições, o caráter 
literário e o caráter teológico desempenharão então um papel relevante na 
constituição dos quatro evangelhos (Childs 2011, p. 269). 
A partir da década de 1920 surgiu o consenso de que os evangelhos não 
são biografias no sentido historiográfico atual da vida de Jesus. Sua intenção se 
adequava mais à dimensão querigmática como testemunhos de fé, formas de 
proclamação primitiva sobre a salvação em Cristo, construídas a partir tradição 
oral. (CHILDS, 2011, p. 270). 
A Igreja cristã reconheceu desde o início haver apenas um evangelho, 
mesmo que ele fosse visto a partir de quatro ângulos distintos: o evangelho 
segundo (e não de) Marcos, ou segundo cada um dos quatro evangelistas. Nos 
primeiros séculos depois de Cristo, aliás, Marcos quase não era mencionado. 
Ele era visto como um sintetizador de Mateus. Desde o século XIX, no entanto, 
a tradição sinótica geralmente tem sido estudada a partir da ótica da primazia 
cronológica de Marcos. 
Mais de 97% das palavras de Marcos encontram paralelo em Mateus; 
mais de 88%, em Lucas. Por isso, faz mais sentido pensar que Mateus 
e Lucas apropriaram-se de grande parte do material de Marcos, 
expandindo-o com seus próprios dados, do que imaginar que Marcos 
abreviou Mateus e/ou Lucas com a omissão de quantidade tão grande 
de material. (...) Marcos é o termo médio entre os três. (Carson; Moo; 
Morris, 1997, p. 37) 
Os estudos atuais partem dessa primazia cronológica de Marcos, 
enquanto nos primeiros séculos depois de Cristo este evangelho quase não era 
mencionado. Nos treze primeiros séculos, somente três comentários sobre 
 
 
3 
Marcos foram escritos. Até o século XIX, ele não era valorizado, tendo-o apenas 
como um resumo de Mateus. Somente no século XX isso mudou. (COOK; 
FOULKES, 1990, p.11). 
A teoria mais seguida advoga a existência de uma fonte comum, que tem 
sido intitulada “Q” (de “Quelle”, palavra alemã que significa “fonte”). A opinião da 
maioria é que 
Q representa uma tradição ou grupo em particular dentro da 
diversificada história do cristianismo palestinense da primeira geração. 
A relação deste grupo com o que se tornou o cristianismo tradicional 
não é clara. Para alguns estudiosos, Q representa o movimento original 
de Jesus, que continuou com o estilo de vida de Jesus e crítica social 
após sua morte, pelos discípulos de Jesus que não afirmaram a 
ressurreição e não viam significado salvífico em sua morte, e que 
estavam alienados do que se tornou a igreja cristã. Outros estudiosos 
consideram Q como uma expressão fé cristã, dentro da emergente 
igreja primitiva, que tinha outros documentos – kerigmáticos, e mais 
cristológicos e eclesiológicos – de modo que construir uma 
“comunidade Q” com base em um documento hipotético é uma 
aventura histórica. Alguns argumentam que a história e o caráter da 
“comunidade Q” podem ser correlacionadas com as camadas 
presumidas em Q, de modo que a história da comunidade que o 
produziu pode ser construída em pormenores. Outros estudiosos 
concordam que o grupo ou os grupos por trás de Q estavam 
provavelmente em desenvolvimento, mudando a comunidade, mas 
que os detalhes desta história não podem ser construídos. Assim, 
embora a maioria concorde que Q lança luz sobre o cristianismo 
palestinense/movimento de Jesus pré-70, a metodologia e os 
resultados são muito controversos. 
Teologia? Podemos falar de uma “teologia de Q”? A opinião da maioria: 
podemos, mas os numerosos estudos chegam a conclusões 
divergentes, especialmente quanto ao fato de que Q pressupunha a 
teologia kerigmática da morte/ressurreição de Jesus, que se torna 
dominante ou representa uma alternativa a essa teologia. Parece estar 
claro, porém, que os mestres que compilaram/compuseram Q, 
consideraram Jesus como o Filho do Homem, que tinha exercido a 
autoridade divina durante seu tempo na terra, que tinha apresentado a 
interpretação definitiva da vontade de Deus por sua exposição da Torá, 
que tinha sido elevado até o céu e que voltaria em breve para julgar o 
mundo, por esta norma. (Boring, 2016, p. 912-913). 
Os teóricos do surgimento dos evangelhos partiam da compreensão que 
eles não surgiram de um esboço da vida ou do ministério de Jesus, mas sim da 
proclamação de que Jesus era o Cristo, sendo que eles refletem ocasiões e 
necessidades diversas da parte dos seus leitores. As investigações em torno da 
fonte “Q” nos evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) aparecem nas 
discussões do final do século XIX até os anos 1930. (Childs, 2011, p. 271-273). 
O que se definiu, no entanto, é que Mateus e Lucas conheciam a fonte “Q”, mas 
Marcos não (Boring, 2016, p. 913). 
 
 
4 
Há, portanto, inter-relações entre os textos escritos dos evangelhos, 
especialmente entre Mateus, Marcos e Lucas, os chamados sinóticos. Mesmo 
que haja teorias do século XIX que defendam que “nenhum dos evangelistas 
estava ciente do trabalho dos outros”, todos eram dependentes de coleções de 
fontes. No entanto, há uma interdependência literária dos Evangelhos (Boring, 
2016, p. 875). Agostinho já defendia que os evangelistas usaram seus 
predecessores. Marcos era, então, visto como abreviador de Mateus, e Lucas 
como utilizador dos dois. (Boring, 2016, p. 877). 
Eusébio, bispo de Cesareia, mencionou Papias, que havia escrito por 
volta do ano 110 d.C., como o primeiro a mencionar Marcos como autor do 
evangelho, que não tinha conhecido Jesus, mas que havia sido discípulo de 
Pedro. Alegou que Marcos havia ouvido de Pedro aquilo que relatou sobre Jesus. 
(Eusébio, 2008, p. 92) 
Marcos contém mais vocábulos semitas do que qualquer um dos outros 
três evangelhos. O autor explicou costumes e tradições judaicas, bem como 
usou latinismos e expressões que transcreveu ao grego koinê. A probabilidade 
é que o evangelho tenha sido escrito entre os anos 65 e 69 d.C., não sendo claro 
se foi redigido em Roma ou na região da Galileia. Ele teceu os episódios que 
descreve em narração contínua, apressada, um tanto entrecortada, se valendo 
de ganchos para amarrar as seções que compõem o texto. (Cook; Foulkes, 1990, 
p. 22-24). 
Marcos quer que seu escrito ajude a esclarecer algumas tensões 
existentes na realidade das comunidades cristãs, quais sejam: a contradição 
entre a divindade e humanidade de Jesus Cristo; a contradição entre o Jesus 
vitorioso e o Cristo da cruz; a contradição entre ensino ortodoxo e discipulado 
vivencial; a contradição entre a religiosidade centrada na igreja e a missão 
voltada para o mundo. Marcos apresenta o Jesus do caminho, que várias vezes 
se detém para trazer uma mensagem, e ele ensina mais pelos seus atos do que 
através de palavras, o que contrasta com a forma de escribas e fariseus agirem. 
As igrejas têm de entender que o caminho do discipulado passa pela cruz, pois 
o Jesus crucificado é que é o Senhor da Igreja. (Cook; Foulkes, 1990, p. 29-30). 
Hoje se tem a convicção de que Marcos está “mais próximo do estilo oral”, 
incluindo expressões próprias do aramaico (Boring, 2016, p. 880), a língua falada 
nas casas. Por outro lado, em Marcos não aparecem relatos das aparições de 
Jesus após sua ressurreição, enquanto em Mateus e Lucas elas aparecem. O 
 
 
5 
grego de Marcos também não é sofisticado. (Boring, 2016, p. 881-883). O 
aramaico é tido como língua corrente no tempode Jesus na Palestina, sobretudo 
na Judeia. As palavras de Jesus têm um pano de fundo aramaico. (Jeremias, 
1977, p. 22-23). 
Muitos teólogos do século XIX se surpreenderam ao perceber o pequeno 
papel desempenhado pelo Jesus terreno na teologia de Paulo. Os quatro 
evangelhos vão apresentar tradições do Jesus histórico no contexto da 
promessa sobre o Messias apresentada no Antigo Testamento. Assim sendo, 
cada evangelho expõe de maneira surpreendentemente distinta a 
relação do Cristo exaltado com o Jesus terreno, e o faz a partir de uma 
perspectiva teológica diversa. Marcos acentuou o mistério que rodeava 
a vida terrena de Jesus, porque os seus discípulos não entendiam que 
o Filho do homem tivera que sofrer. Mateus sublinhou a presença do 
Senhor exaltado da Igreja, que cumpriu a promessa dada pela 
Escritura de um Messias e cujos ensinamentos seguiam vigentes para 
seus seguidores. Lucas descrevia um Jesus que cumpria a promessa 
dada no Antigo Testamento de um salvador dos pobres, e cujo espírito 
seguia sendo o guia para a nascente Igreja dos gentios. João testificou 
a unidade eterna do Filho de Deus com o Pai, que se traduz na 
comunhão do Filho com os que permanecem fiéis, no amor, a seus 
mandamentos. (Childs, 2011, p. 277). 
 O caráter dos evangelhos tem mais a função de testemunho do que de 
biografias de Jesus. As tentativas de reconstrução de uma biografia histórico-
crítica da vida de Jesus geraram confusão entre testemunho e fonte. Os 
evangelhos visam entender Jesus Cristo como o cumprimento da promessa 
divina feita a Israel (Childs, 2011, p. 279-282). 
Evangelhos sinóticos – tendências interpretativas 
Nesta aula você conhecerá como se desenvolveu a literatura denominada 
Evangelhos sinóticos. 
Clemente mostra como a Igreja de Roma adotou Pedro e Paulo como par 
apostólico. Lucas-Atos é a literatura que consolida ambas as tradições 
(BORING, 2016, p. 738). 
Paulo é que estabeleceu as cartas como forma de instrução cristã. As 
cartas se tornaram, assim, o meio de instrução. A escola joanina conhecia as 
epístolas e os evangelhos. O apocalipse reflete o sistema epistolar paulino. 
O corpo paulino foi a primeira literatura do Novo Testamento que surgiu. 
Os evangelhos ainda não existiam na sua forma escrita. Eles surgiram somente 
 
 
6 
cerca de 20 anos depois. Com isso, localizamos os evangelhos a partir do final 
dos anos 60 d.C. 
Clemente (escrita cerca de 96 d.C.) pressupõe uma coleção completa de 
escritos paulinos. Os evangelhos foram transmitidos primeiramente de forma 
oral. Os quatro evangelhos são o resultado da tradição oral produzida pela Igreja 
Primitiva. “A ligação entre Jesus e os Evangelhos é a comunidade cristã que 
coletou, preservou e interpretou esses materiais como expressão de uma fé vital” 
(Boring, 2016, p. 855). 
Vejamos então aspectos centrais no conteúdo dos evangelhos sinóticos 
e que estão presentes nos três primeiros evangelhos: 
TEMA 1 – REINO DE DEUS 
“Rei” (Basileús), no mundo grego, denomina o rei legítimo, diferindo da 
ideia de usurpador (Túranos). A ideia de rei redentor se vincula à fé no Messias. 
Todos os governantes terrenos são reis, mas não são divinos. Os filhos do reino 
são colocados acima dos reis terrenos, se bem que vão ser obrigados a 
comparecer perante eles (Mt 10.18). Cristo é rei dos judeus no Novo Testamento 
(Mt 3.2; Mc 15.2), o rei prometido a Israel (Mt 27.42; Mc 15.32). Entra como tal 
em Jerusalém (Mt 21.5). (Schmidt, 2003, p. 103) 
O reino de Cristo não terá fim (Lc 1.33). Deus entregou seu reino a Cristo 
(Lc 22.29). Os discípulos comerão e beberão no seu reino (Lc 22.30). O ladrão 
crucificado com Cristo pediu que esse se lembrasse dele quando entrasse no 
seu reino (Lc 23.42). 
O reino (Mt 13.43; 25.34; 26.29; Lc 12.32) não surge do esforço humano. 
Ele pertence aos pobres de espírito (Mt 5.3) e aos perseguidos (Mt 5.10). O reino 
é conectado com a retidão (Mt 6.33). 
O termo é usado para designar a soberania real de Deus, aparecendo 27 
vezes em Mateus, 13 em Marcos e 12 em Lucas (Jeremias, 1977, p. 54). 
O reino de Deus não se acolhe com prepotência, mas com a simplicidade 
de uma criança (Marcos 10.42-45). O evangelho segundo Marcos destaca a 
conflitividade da mensagem de Jesus. 
Em todas as referências nos evangelhos sinóticos, 
O reino é diferente, tal como se faz presente agora mesmo de maneira 
avassaladora nos sinais que se dão no ministério de Jesus. Neste 
sentido o reino é a catástrofe cósmica da apocalíptica (Mc 13; 14.25), 
se bem que Jesus recusa descrever as coisas do fim, rechaça por 
 
 
7 
inaplicável a zombaria dos saduceus (Mc 12.25-26), e não quer dar os 
sinais que as pessoas pedem (Lc 17.20-21: o reino não vem com sinais 
espetaculares, senão que está ‘entre’ e ‘no meio’ de nós). Com o reino, 
Jesus não promete a glória política para Israel, senão a salvação para 
o mundo. Permanece ainda certo privilégio para Israel (Mt 19.29), 
porém os judeus não têm um direito particular (cf. Rm 2). O reino não 
se alcança mediante os ganhos éticos individualistas, senão mediante 
a participação como membro na comunidade, a qual está amparada 
pela promessa. Por outro lado, o acesso ao reino não vem – como seria 
na mentalidade grega – com o exercício espiritual, os êxtases, nem a 
ascese. As descrições antropomórficas lhe fazem menos violência à 
majestade supraterrenal de Deus, que a apresentação do reino como 
uma autoevolução humana. O ponto negativo que o reino é totalmente 
diferente do mundo é a coisa mais positiva que se pode dizer acerca 
dele. A realização do reinado de Deus é futura, porém este futuro 
determina nosso presente. Ao colocar-nos frente a Deus e seu reinado, 
exige a conversão. Uma resposta de fé nos põe em contato com este 
reino, o qual vem aparte de nós, e por isso o evangelho é para nós uma 
alegre notícia. (Schmidt, 2003, p. 105) 
 TEMA 2 – BATISMO, TENTAÇÃO E VOCAÇÃO DE DISCÍPULOS 
A atividade de João Batista precedeu à de Jesus. Ele se sabia enviado na 
última hora, antes do juízo iminente. Ele veio pregar a necessidade de batismo 
de arrependimento. A atividade de João Batista e a proximidade de Qumran 
levantaram hipóteses da sua relação com os essênios. (Jeremias, 1977, p. 73). 
João Batista reunia, por meio do batismo de arrependimento, “os disponíveis à 
penitência para formar o povo escatológico de Deus, para preservá-los do juízo 
de condenação no Juízo final”. Jesus solicitou o batismo “para se inserir no povo 
escatológico de Deus”. (Jeremias, 1977, p. 75). 
João não queria que ninguém tirasse a conclusão de que Jesus 
também havia vindo ao Jordão para arrepender-se de seus pecados, 
de modo que imediatamente saiu deste assunto, chamando-o de 
Cordeiro e Redentor de todos os pecados que há no mundo 
(Crisóstomo). João tratou de recusar fazer aquilo que Jesus lhe havia 
ordenado, porque não podia entender que o batismo fosse necessário 
para Aquele que ele sabia que havia vindo para tirar os pecados do 
mundo (Cromacio). Jesus veio para acabar com a maldição prescrita 
pela transgressão da Lei. De modo que Ele, antes de tudo, tinha de 
cumprir toda a Lei, para acabar com sua maldição (Crisóstomo). Ele, 
que foi perfeito segundo a Lei (Teodoro de Heraclea), no batismo se 
identificou com todo o que corresponde à natureza humana (Anônimo). 
Jesus se identificou livremente com o povo; de outro modo, não teria 
vindo com o povo a ser batizado por João. De formas que, quando 
Jesus foi batizado, uma voz, junto ao Espírito, claramente proclamasse 
sua identidade como o Filho Unigênito (Crisóstomo). O Senhor não foi 
batizado por sua causa, mas pela nossa, para cumprir toda justiça 
(Cromacio). O batismo de João era perfeito segundo o preceito da Lei, 
porém imperfeito enquanto não outorga a remissão dos pecados, que 
está por chegar. Somente para que o povo estivesse preparado para 
receber o Perfeito (Teodoro de Mopsuestia). A pomba significa 
mansidão e reconciliação (Orígenes), afetoe firme lealdade (Teodoro 
de Mopsuestia). A pomba e a voz só manifestavam a identidade do 
filho tanto aos olhos como ao ouvido (Hilário). O ensino trinitário está 
 
 
8 
recolhido de forma concisa na voz do Pai referente ao Filho por meio 
da descida do Espírito Santo (Agostinho). (Simonetti, 2004, p. 95) 
O início do ministério de Jesus ocorreu com o seu batismo, se inserindo 
assim como membro do povo escatológico de Deus. Também os seus primeiros 
discípulos advinham do grupo de João Batista. (Jeremias, 1977, p. 79). No 
entanto, Jesus não é uma continuação do ministério de João, pois 
João é um asceta, ao passo que Jesus é um homem aberto ao mundo. 
João prega: O julgamento está às portas, convertei-vos! Jesus, porém, 
prega: A basileia de Deus está a irromper-se, vinde vós, que estais 
cansados e sobrecarregados. O Batista fica no quadro da espera, ao 
passo que Jesus pretende ser o portador do cumprimento. O Batista 
ainda se situa no campo da Lei, e com Jesus começa o Evangelho. 
(Jeremias, 1977, p. 81). 
O batismo está relacionado à descida do Espírito Santo como uma pomba, 
ou seja, “manso e sussurrante”. (Jeremias, 1977, p. 86). 
“Jesus se sabe apossado pelo Espírito por ocasião do seu batismo. Deus 
o toma para o seu serviço, o equipa e o plenipotência para ser seu mensageiro 
e o portador do tempo salvífico”. O seu batismo se fez de sua experiência de 
vocação. Jesus vincula sua autoridade ao batismo de João. (Jeremias, 1977, p. 
91) 
A descida do Espírito Santo sobre Jesus não significa que ele não tivesse 
ou não conhecesse o Espírito Santo antes. O “Símbolo Batismal”, primeira 
declaração de fé da igreja primitiva, também chamado de Credo apostólico, o 
expressa dizendo que Jesus foi concebido pelo Espírito Santo. A descida do 
Espírito foi confirmação da filiação divina de Jesus (Mateus 3. 16-17). Em Marcos 
e Lucas a voz divina declara a filiação a Jesus, enquanto em Mateus isso é dito 
a todos os presentes no ato batismal. 
À narrativa sobre o batismo de Jesus se segue, nos evangelhos sinóticos, 
a história das tentações. Ele é levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado. 
A narrativa de Marcos 1.12-13, 
Contém só afirmações que estão cunhadas pela linguagem 
simbólica bíblica. A) O Espírito “impulsiona” (ekbállei) Jesus para o 
deserto. O deserto é o lugar da moradia dos espíritos maus (Mt 12.43 
par.), mas tem também sentido escatológico: do deserto vem o 
Messias (Is 40.3). Nele Jesus permanece por 40 dias. Quarenta é 
número simbólico corrente, que significa o tempo da angústia e da 
fuga. Durante este tempo Jesus é tentado por Satã. B) Jesus “estava 
com as feras selvagens” (ên metà tôn theríon). Com isto não se quer 
descrever p.ex. a agresticidade da paisagem nem o perigo em que 
Jesus se encontrava, mas trata-se dum tema da imagem do paraíso; 
em favor disto talvez já fale o eínai metá, que em Marcos significa 
íntima comunhão (3.14; 5.18; 14.67); também o paralelo de conteúdo 
 
 
9 
em Lc 10.19 vai na mesma linha. (...) o paraíso está reconstituído, o 
tempo da salvação está a irromper-se. Porque a tentação foi vencida e 
foi dominado satã, o pórtico do paraíso se reabre. C) Os anjos “lhe 
serviam à mesa” (diekónoun autô). Também este traço faz parte da 
imagem do paraíso e só se pode entender a partir dela. Assim como 
Adão, segundo o Midrash, vivia no paraíso de comida dos anjos, assim 
também os anjos servem alimento a Jesus. O serviço à mesa pelos 
anjos é símbolo para a comunhão reconstituída entre Deus e o homem. 
(Jeremias, 1977, p. 111-112) 
Enquanto em outras narrativas é o demônio que sai a tentar as pessoas, 
no caso de Jesus foi ele que foi enfrentá-lo no deserto. A tentação de Jesus 
serve para nossa instrução. Jesus foi tentado em todas dimensões humanas, 
visto que ele participou plenamente da condição humana, menos na 
pecaminosidade. 
O demônio começa com a tentação de satisfazer o estômago. Por meio 
deste meio procedimento ele arrojou o primeiro homem, e por esta 
mesma causa muitos, todavia, sucumbem (Crisóstomo). 
Seguidamente, o Senhor não mostra debilidade, senão paciência. 
Enquanto o demônio não se mostra forte, senão orgulhoso (Anônimo). 
No deserto, o Senhor havia humilhado aos hebreus por meio da fome 
e os alimentou com maná, para que chegassem a saber que não só de 
pão vive o homem (Orígenes). Não somente de pão, senão também 
por meio da Palavra, nos alimentamos para sempre de Deus 
(Jerônimo). Aquilo pelo que Adão foi tentado, a comida, não chegou a 
tentar a Cristo (Máximo de Turin). Devemos triunfar sobre o demônio, 
não por meio dos milagres, senão através da paciência e o sofrimento 
resignado. Não devemos fazer nada por mera ostentação (Teodoro de 
Mopsuéstia). O demônio, ao pôr Jesus sobre o pináculo do templo, 
buscava guiar ao Senhor do mais alto ao mais rasteiro (Hilário). As 
falsas flechas da própria visão distorcida que o demônio tem em torno 
das Escrituras se quebram pelo escudo da verdade das Escrituras 
(Jerônimo). 
Ao responder ao demônio com as Escrituras, Jesus põe de manifesto 
que temos de vencer a tentação do demônio por meio da paciência 
(Crisóstomo). Jesus enfrentou as três tentações: a gula, a vanglória e 
a avareza. As três recapitulavam a tentação de Adão. Assim se nos 
ensina a responder com as Escrituras a toda tentação (Gregório 
Magno). O diabo é subordinado a qualquer propósito que Deus deseja 
que suceda em sua disposição providencial de todas as coisas 
(Teodoro de Mopsuéstia). 
Toda promessa do demônio é intrinsicamente irracional, porque não 
poderia dar tudo a ninguém a menos que quitasse todas as coisas a 
todo o mundo, e, se ele quitasse tudo, ninguém o adoraria. O demônio 
não tem o poder de tentar o povo de Deus quando o deseja, senão 
somente quando Deus o permite (Anônimo). Quando ao demônio se 
ordenou que adore ao Senhor e só a Ele, estas palavras estavam em 
oposição ao que o demônio havia dito previamente ao Salvador: “Se te 
prostrares e me adorares” (Jerônimo). Assim, o Senhor levou o diabo, 
o Leviatã, a cair em um anzol (Cromacio). Segundo a disposição divina, 
nossos anjos bons podem tornar-se invisíveis diante do diabo e deixar-
lhe espaço livre em suas tentações para que o homem se exercite 
moralmente e consiga uma virtude mais sólida (Anônimo). (Simonetti, 
2004, p. 103) 
 
 
10 
Jesus foi tentado em todas as áreas que Adão havia sido e venceu sobre 
as armadilhas do diabo. 
TEMA 3 – O SEGREDO MESSIÂNICO E OS MILAGRES 
O reino de Deus é apresentado primeiramente como mistério (Marcos 4. 
11 e 12). O mistério é anunciado a todos os seres humanos, mesmo que seja 
“compreendido somente por aqueles que creem. Todos os homens são incitados 
a ter fé, mas somente aqueles que respondem realmente podem entender o 
mistério do Reino” (Ladd, 1985, p. 90). 
Os milagres de Jesus se multiplicaram. Eles são apresentados como 
sinais da vocação messiânica de Jesus. 
Geralmente os milagres incluem a “descrição do sofrimento de alguém, 
um clamor por ajuda, a reação do operador de milagres a esta reação” (Klein; 
Blomberg; Hubbard JR., 2017, p. 657). 
No século XIX, a crença nos milagres foi rejeitada, pois 
Os especialistas viam as histórias de milagre como mitos, relatos 
fictícios criados para glorificar e exaltar Jesus e promover a sua 
divindade. No século XX, os críticos da forma desenvolveram a ideia 
da desmitologização, buscando a mensagem teológica de uma história 
de milagre que as pessoas ainda poderiam acreditar e aplicar em uma 
era científica que tinha descartado o sobrenatural. Em outras palavras, 
eles procuraram pelo que tinha sobrado depois de eles terem 
descascado o ‘mito’. Por isso, enquanto Jesus poderia não ter curado 
pessoas das doenças ou exorcizado demônios, mesmo assim ele 
capacitou as pessoas a abraçar a cura psicossomática e a rejeitar 
todas as manifestações do mal que ameaçavam o bem-estar pessoal 
delas. (Klein; Blomberg; Hubbard JR., 2017, p. 657) 
Os conservadores não rejeitam os milagres,mas sim tendem a limitá-los 
aos tempos bíblicos. Se tem reinterpretado, por exemplo, o milagre de Jesus 
acalmando a tempestade, dizendo que a correta interpretação é que “Jesus 
‘acalma a tempestade de nossa vida’, nos capacitando a ter paz em meio às 
crises. Com essa interpretação o elemento distintamente sobrenatural do relato 
parece irrelevante!” (Klein; Blomberg; Hubbard JR., 2017, p. 658) 
À medida que teólogos céticos negam o poder de Cristo, deixa-se de 
demonstrar “a divindade e a superioridade do Filho de Deus sobre todos os 
outros objetos de adoração” (Klein; Blomberg; Hubbard JR., 2017, p. 660). 
 
 
 
11 
TEMA 4 – PARÁBOLAS 
O Evangelho como gênero literário surgiu como inovação. Evangelhos 
não são biografias no sentido moderno. Eles não descrevem a fisionomia de 
Jesus, nem o seu perfil psicológico evolutivo, nem o seu desenvolvimento 
cronológico. Eles não se encaixam nos padrões literários do mundo helênico. 
Marcos não está interessado principalmente com a apresentação de 
uma série de histórias em que se comunica “que tipo de pessoa” Jesus 
é, mas em contar a história de Jesus de uma forma que seja possível 
comunicar o ato salvífico de Deus. Jesus aparece em quase todas as 
cenas nos evangelhos. No entanto, a história não é sobre Jesus em si, 
mas sobre Jesus como o Cristo, o único através do qual Deus age. Há 
um sentido real no fato de que os evangelhos não são sobre Jesus, 
mas sobre Deus. O ato cultual da proclamação do evangelho no 
contexto do culto cristão distingue-se das bioi, que não foram 
compostas para esse ambiente e função. 
(...). Cada unidade da tradição já havia funcionado com seu próprio 
propósito querigmático e didático de proclamar e instruir. Antes de ser 
colocada no contexto literário narrativo do evangelho, cada pequena 
história ou dito funcionou como uma espécie de minievangelho que fez 
a sua própria afirmação teológica, o que muitas vezes inclui uma 
perspectiva sobre cristologia e o significado do discipulado. A forma 
evangelho é uma combinação de pequenas unidades tradicionais, de 
modo que o evangelho como um todo parece ser um tanto episódico, 
mas não meramente anedótico. Os episódios não são amarrados 
juntos aos poucos, mas em termos de temas abrangentes. 
(...). Embora compostos por autores com perspectivas teológicas e 
intenções didáticas específicas, não eram criações literárias, no 
sentido helenístico, por indivíduos que poderiam ser citados pelos 
nomes. (...). O fato de que os evangelhos eram uma literatura popular 
não significa que eles cresceram naturalmente a partir da tradição oral. 
Os evangelhos, começando com Marcos, foram escritos como atos 
intencionais criativos de autores teológicos que produziram conforme 
a tradição da comunidade cristã, e não por escritores interessados em 
vender livros ou em sua própria reputação literária. No entanto, eles 
não iniciaram o seu trabalho com base nas geralmente disponíveis 
tradições folclóricas ou na investigação dos arquivos públicos ou cartas 
privadas e diários, mas com a tradição kerigmática da comunidade 
cristã. 
(...). O evangelho narra um segmento de uma linha completa que se 
estende desde a criação até o eschaton. Isso é diferente de uma 
biografia. Jesus não é retratado como um “grande homem”, mas como 
o Cristo. O Cristo é o enviado de Deus no clímax da história para 
estabelecer o reino de Deus. A história é vista em perspectiva 
escatológica, mas com o Messias enviado como aquele que cumpre e 
redime a história. Uma vez que a “vida de Jesus” é retratada como o 
segmento definitivo da linha histórica da redenção, a história de Jesus 
não é relatada por completo. Dentro da história, dentro de uma vida, o 
significado de toda a história é revelado, uma imagem antes da vitória 
escatológica do reino de Deus. Isso é fundamental para a confissão 
“Jesus é o Cristo”. O tipo de narrativa adequada a esta confissão é o 
evangelho. (Boring, 2016, p. 924-925) 
 
 
12 
Jesus contou muitas histórias em forma de parábolas, as quais eram 
alegorias. Elas ensinam verdades sobre as realidades espirituais. A maioria 
delas proclamavam elementos do Reino de Deus. 
É possível traduzir as parábolas em linguagem proposicional. (...) é 
igualmente adequado considerar a reprodução da parábola numa 
roupagem moderna para recriar o efeito que possivelmente teve sobre 
os seus destinatários originais. (...). Para ter o impacto adequado no 
século XXI sobre uma típica igreja conservadora de um bairro nobre, 
composta por empresários e de maioria branca, o pregador pode 
pensar em recontar a história com o homem assaltado como um 
imigrante africano, o sacerdote como um destacado pastor local, o 
levita como um cantor gospel famoso e o samaritano como um 
muçulmano árabe (ou talvez uma lésbica ateia). Esses pregadores que 
têm uma congregação particularmente elitista e preconceituosa podem 
também considerar se a fidelidade à Bíblia a esse nível poderia custar 
o seu emprego e se eles estão preparados para pagar esse preço. 
(Klein; Blomberg; Hubbard JR., 2017, p. 656) 
TEMA 5 – CRUZ, RESSURREIÇÃO E APARIÇÕES 
Nos evangelhos, a mais longa narrativa é aquela que descreve a paixão 
de Cristo, ou seja, seu sofrimento e morte por nós, como se vê em Mc 14.26-
15.47; Mt 26.30-27.66; Lc 22.29-23.56; Jo 18.1-19.42. Provavelmente era 
recitado em toda prática de Santa Ceia (Eucaristia) realizada pelos cristãos na 
igreja primitiva em Jerusalém (Boring, 2016, p. 858). 
O túmulo vazio e as aparições de Cristo são considerados testemunhos 
da ressurreição. Não fossem as aparições, o túmulo vazio poderia gerar 
interpretações confusas. Os discípulos não esperavam que Jesus fosse 
ressuscitar. Se apenas ocorresse o túmulo vazio, sem qualquer outra ocorrência, 
ninguém declararia que Jesus era o Senhor e Messias. O túmulo vazio seria 
insuficiente para gerar a crença na ressurreição e explicar as provas 
subsequentes. (Wright, 2017, p. 946) 
Em Lucas 24.41-43 fala-se que Jesus, após sua morte, convida discípulos 
a comer com ele. Ele tinha, portanto, após sua ressurreição, um corpo sólido. A 
aparição não é nenhuma alucinação, mas sim manifestação física real. (Wright, 
2017, p. 950). 
A combinação do túmulo vazio e as aparições do Cristo vivo “constituem 
um conjunto de circunstâncias que é, em si, necessário e suficiente para o 
surgimento da crença cristã primitiva. Sem esses fenômenos, não podemos 
explicar por que essa crença veio à existência” (Wright, 2017, p. 956). 
 
 
13 
Chegamos ao final desta aula. Aqui, você aprendeu como se deu o 
desenvolvimento dos Evangelhos sinóticos no que respeita à mensagem sobre 
o Reino de Deus; a ênfase no batismo, tentação e vocação de Jesus; o segredo 
e os milagres; as parábolas; e a cruz, ressurreição e aparições de Jesus Cristo. 
NA PRÁTICA 
Os evangelhos acentuam a mensagem do reino de Deus. Os evangelhos 
sinóticos falam do batismo como indicativo do início do ministério de Jesus, 
quando o Espírito Santo se manifestou dando testemunho da sua filiação divina, 
da tentação de Jesus e da vocação dos discípulos. O segredo messiânico foi 
anunciado, mas poucos creram nele, e os milagres de Jesus aparecem nos 
evangelhos como sinal da atuação através dele. 
As parábolas de Jesus ensinam verdades sobre as realidades espirituais, 
proclamando elementos do reino de Deus. 
Os evangelhos concluem apresentando a crucificação de Jesus, a 
ressurreição e as aparições como testemunho da ressurreição de Jesus Cristo. 
Assim, os evangelhos sinóticos nos apresentam a mensagem de salvação 
presente na fé em Jesus Cristo. 
FINALIZANDO 
Nesta aula, abordamos uma introdução aos evangelhos sinóticos. Fomos 
assim orientados sobre as tendências interpretativas a respeito dos três 
primeiros evangelhos. Mateus, Marcos e Lucas nos comunicam a mensagem do 
reino de Deus concretizado na pessoa de Jesus Cristo. 
Que este conteúdo precioso nos estimule a continuarmos no seguimento 
de Jesus, sendo discípulosdele. 
Vamos aprofundar o enfoque de cada um desses três evangelhos nas 
próximas aulas. 
 
 
 
14 
REFERÊNCIAS 
BORING, M. E. Introdução ao Novo Testamento: história, literatura e teologia. 
São Paulo: Paulus, 2016. v.2. 
CARSON, D. A.; MOO, D.; MORRIS, L. Introdução ao Novo Testamento. São 
Paulo: Vida Nova, 1997. 
CHILDS, B. S. Teología bíblica del Antiguo y del Nuevo Testamento. 
Salamanca: Sígueme, 2011. (Biblioteca de estúdios bíblicos, 134) 
COOK, G.; FOULKES, R. Comentário Bíblico Hispanoamericano: Marcos. 
Miami: Editorial Caribe, 1990. 
EUSÉBIO DE CESARÉIA. História eclesiástica. 2. ed. São Paulo: Paulus, 
2008. 
JEREMIAS, J. Teologia do Novo Testamento: a pregação de Jesus. São Paulo: 
Paulinas, 1977. 
KLEIN, W. W.; BLOMBERG, C. L.; HUBBARD JR., R. L. Introdução à 
interpretação bíblica. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017. 
LADD, G. E. Teologia do Novo Testamento. Rio de Janeiro: JUERP, 1985. 
LOHSE, E. Introdução ao Novo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 1972. 
SCHMIDT, K. L. Ekklesía. In: KITTEL, G.; FRIEDRICH, G.; BROMILEY, G. W. 
(ed.). Compendio del Diccionario Teológico. Grand Rapids: Desafio, 2003. p. 
392-396. 
SIMONETTI, M. Evangelio según San Mateo (1-13). Madri: Ciudad Nueva, 
2004. (La Biblia comentada por los padres de la Iglesia, Nuevo Testamento, 1a). 
WRIGHT, N. T. A ressurreição do Filho de Deus. São Paulo: Paulus, 2017. 
	CONVERSA INICIAL
	EVANGELHOS E ATOS DOS APÓSTOLOS
	Nesta disciplina pesquisaremos os Evangelhos e Atos dos Apóstolos. Em uma primeira abordagem apresentaremos uma introdução aos Evangelhos Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) e as tendências interpretativas desses três evangelhos.
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	Evangelhos sinóticos – tendências interpretativas

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