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INÍCIO Das politicas de SAÚDE NO BRASIL Grazielle Bertolini 1500 a 1889 – Colônia/Império 1889 a 1930 – Primeira República ou República Velha Visando estimular o comércio internacional e promover a política de imigração, trazendo para as lavouras cafeeiras a mão de obra necessária à produção do café, foram criadas as campanhas sanitárias como modelo de intervenção de combate às epidemias rurais e urbanas, lideradas por Oswaldo Cruz. Foi criado o Instituto Soroterápico de Manguinhos (mais tarde chamado Instituto Oswaldo Cruz), para a pesquisa e desenvolvimento de vacinas. 1904: a imposição legal da vacinação contra a varíola desencadeou uma revolta popular, conhecida como Revolta da Vacina. Após o episódio a vacinação tornou-se opcional e passado algum tempo, com aceitação dessa medida, a epidemia de varíola foi controlada. 1889 a 1930 – Primeira República ou República Velha 1920: Carlos Chagas assumiu o Comando do Departamento Nacional de Saúde , criando alguns programas que introduziram a propaganda e a educação sanitária da população como forma de prevenção das doenças. Foram criados também alguns órgãos para controle da tuberculose, lepra e doenças sexualmente transmissíveis. Observa-se nesse período o nascimento da saúde pública e da Previdência Social, que incorporou a assistência médica aos trabalhadores como uma de suas atribuições a partir de contribuição com as Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAPs). As primeiras foram instituídas nas empresas ferroviárias e estendidas aos portuários, marítimos e outras áreas, como resposta às reinvindicações operárias. 1889 a 1930 – Primeira República ou República Velha Crescimento da medicina liberal, que era utilizada pela classe dominante, restando à maioria da população que não tinha direito às CAPs apenas os serviços dos poucos hospitais filantrópicos mantidos pela Igreja ou a prática popular da medicina. Dois aspectos básicos caracterizaram o estado brasileiro na área da saúde: a estreita relação entre a política de saúde estabelecida e o modelo econômico vigente e a clara dicotomia entre as ações de saúde pública e as ações de assistência médica. Emerge nessa conjuntura a estruturação de dois modelos de intervenção nas questões da saúde: o sanitarismo campanhista e o curativo-privatista. 1889 a 1930 – Primeira República ou República Velha 1930 a 1945 – Segunda República ou Era Vargas O crescimento acelerado da indústria se dá à custa das condições precárias de trabalho. Dessa forma, além de endemias e epidemias, a inserção no processo produtivo industrial, somada a falta de moradia e saneamento adequados, trouxe acidentes de trabalho, doenças profissionais, estresse, desnutrição, verminoses. 1933: as CAPs são transformadas em Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs). Criados não mais por empresas e sim por categorias profissionais (IAPM, IAPB, IAPC, IAPTEC e IAPI). A assistência médica passou a ser um aspecto secundário, priorizando-se a contenção de gastos para a política de acumulação do capital necessário ao investimento em outras áreas de interesse do governo. 1930 a 1945 – Segunda República ou Era Vargas Ao Ministério da Educação e Saúde foi concebido com a função de coordenar as ações de saúde pública no mesmo modelo do sanitarismo capanhista do período anterior. Houve a criação do Serviço Nacional de Febre Amarela, Serviço de Malária no Nordeste e da Fundação de Serviço Especial da Saúde Pública (SESP). De um lado haviam as ações de caráter coletivo sob a gestão do Ministério da Educação e Saúde, do outro as ações curativas e individuais, vinculadas ao IAPS, o que reforçava a dualidade do modelo assistencial. A população de maior poder aquisitivo utilizada os serviços privados de saúde integrantes da medicina liberal crescente, enquanto a maioria da população não vinculada à previdência contava apenas com os serviços públicos escassos e instituições de caridade, além de praticas populares de tratamento. HU (H) - SESP financiada por americanos interessados na exploração da borracha na Amazônia 1930 a 1945 – Segunda República ou Era Vargas 1945 a 1963 – Redemocratização ou Desenvolvimentista 1945: Final da Segunda Guerra Mundial. Os regimes ditatoriais são enfraquecidos e a democratização começa a fazer parte do cenário mundial. Nesse contexto, forças sociais lideradas pelos opositores do regime impõem a deposição do presidente Getúlio Vargas, reiniciando-se um período de redemocratização do Brasil. O novo governo de Eurico Gaspar Dutra governa com um congresso representante das classes dominantes, intervêm nos sindicatos e partidos, adota medidas anti-inflacionárias e congela os salários. Lançou o Plano Salte (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia), tendo a maior parte de seus recursos destinados à área de transporte. 1945 a 1963 – Redemocratização ou Desenvolvimentista Foi observado redução dos casos de tuberculose, malária e outras doenças transmitidas por insetos, o que para alguns se deu pelo resultado das campanhas sanitárias e por outros pelo desenvolvimento do período. 1951: Vargas é eleito novamente a presidência, amplia rodovias, cria usinas hidrelétricas, a Petrobrás, entre outras coisas. Adota o populismo como prática de contato direto com as massas populares, sem a intermediação do seu partido, desqualificando a ideia de democracia representativa, numa perspectiva de vínculo emocional com o povo para poder ser eleito e governar, fazendo práticas sociais, enquanto adquire apoio popular para as medidas econômicas e políticas adotadas. 1945 a 1963 – Redemocratização ou Desenvolvimentista A assistência médica se expande em todos os IAPs, generalizando aos poucos os direitos conforme capacidade reivindicativa e de organização. Contudo, a implantação de serviços de atenção médica tinha como marca o clientelismo, favorecido pelo vínculo entre os sindicatos e IAPs ao Estado. 1953: Ministério da Saúde é criado independente da área da educação. Dois grupos começaram a discutir propostas de políticas de saúde: Os que defendiam a manutenção do modelo sanitarista campanhista e a prática higienista da Fundação SESP. Os que desenvolviam a corrente de opinião do sanitarismo desenvolvimentista, com o argumento da relação entre o nível de saúde da população e o grau de desenvolvimento econômico do país. Defendiam a articulação da ações de promoção com as ações preventivas e curativas, de acordo com as necessidades da população. Ana Djéssika (AD) - Foi destinado somente um terço dos recursos alocados no antigo. Em 10 anos foi dirigido por 14 ministros devido ao que se chamava de barganha politica. 1945 a 1963 – Redemocratização ou Desenvolvimentista Nacionalistas versus Desenvolvimentistas. 1954: Vargas suicida-se. 1956-1960: Governo Juscelino Kubitschek Plano de Metas; Capital estrangeiro para desenvolvimento da estrutura industrial e fortalecimento da burguesia industrial; Construção de Brasília; Crescimento da inflação e da dívida externa; Ênfase ao desenvolvimento com visão das políticas sociais como paliativas. 1945 a 1963 – Redemocratização ou Desenvolvimentista Os IAPs fortalecem o modelo de assistência médica curativa aos seus segurados na perspectiva de manutenção do trabalhador saudável para a produção. Os que dispunham de mais recursos e cuja categoria profissional exerciam maior poder de pressão construíam hospitais próprios para o atendimento de seus segurados. Algumas empresas, insatisfeitas com a atuação dos IAPs começaram a contratação de serviços médicos particulares. Com essa ampliação, torna-se hegemônico o modelo médico-assistencial privatista. 1961: Jânio Quadros obtém vitória à presidência do país, mas renuncia no mesmo ano. João Goulart, o vice, assume com ideias de defesa por reformas de base e políticas sociais. 1964: Golpe Militar (articulação entre a elite nacional, militares e burguesia industrial) 1945 a 1963 – Redemocratização ou Desenvolvimentista 1964 a 1984 – Regime Militar Primeira fase 1964-1968 → Institucionalização da ditadura Eleiçõesindiretas, cassação de mandatos, intervenção nos sindicatos, partidos desfeitos com criação do bipartidarismo (ARENA e MDB). 1967: Constituição institucionaliza o regime militar. Processo de restauração da ordem na sociedade. Segunda fase 1968-1974 → Milagre Brasileiro Investimento em infraestrutura para modernização e industrialização, o que diminui gastos com políticas sociais. Terceira fase 1974-1984 → Crise econômica e abertura política Crise do petróleo, recessão mundial e redução de empréstimos internacionais. Concentração de renda para minoria e empobrecimento para grande parcela da população. 1964 a 1984 – Regime Militar Implantou-se um sistema de saúde caracterizado pelo predomínio financeiro das instituições previdenciárias e por burocracia que priorizava a mercantilização da saúde. 1966: Unificação dos IAPs, com a criação do Instituto Nacional de Previdência e Assistência Social (INPS), responsável pelos benefícios previdenciários e assistência médica aos segurados e familiares. O INPS passou a ser o grande comprador dos serviços privados de saúde. É ampliada a chamada medicina de grupo. 1971: Ampliação da assistência médica da previdência com a inclusão dos trabalhadores rurais, empregadas domésticas e trabalhadores autônomos. Ana Djéssika (AD) - A gestão que era tripartiti (trabalhadores, empregadores e União) passa a ser centralizada do ponto de vista administrativo e financeiro e com fins de capitalização Ana Djéssika (AD) - Empresas contratavam uma empresa médica para assistência aos seus empregados, deixando de contribuir com o INPS, destinado principalmente a trabalhadores com maior poder aquisitivo. Ana Djéssika (AD) - O que trouxe grandeimoacto para os gastos da previdênciaem decorrência do modelo assistêncial, da formade contrato com as empresas privadas que favoreciam a lucratividade, além das fraudes e corrupções frequentes. 1964 a 1984 – Regime Militar Com recursos limitados, o Ministério da Saúde fica em segundo plano e se torna ineficiente para enfrentar os problemas de saúde pública que se agravam devido às condições precárias de vida impostas à maioria da população. Os sanitaristas campanhistas perdem espeço e as ações de saúde pública se reduzem ao controle e erradicação de algumas endemias comandadas pela então criada Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (SUCAM). O sistema previdenciário é desvinculado ao Ministério do Trabalho, passando à subordinação do Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS), o que não traz mudanças nas características em curso dos serviços de saúde. Também foi criado o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social (FAS), cujos recursos eram destinados a construção dos hospitais, e elaborado o Plano de Pronta Ação (PPA), que ampliava a construção de hospitais e clínicas particulares para atendimentos de urgência de qualquer indivíduo, segurado ou não. Ana Djéssika (AD) - privilegiamento do modelo clínico de carater individual, curativo e especializadoem detrimento de ações coletivas e de saúde pública; expansão do complexo médico assistêncial privado composto pelo hospital, pela indústria farmacêutica e de equipamentos médico-hospitalares e pela medicina de grupo; lógica lucrativa do setor saúde; desigualdade de acesso e diferenciação no atendimento de acordo com a clientela, além de exclusão de parcela importante da população do atendimento à saúde. 1964 a 1984 – Regime Militar Década de 70: Previdência Social alcança a maior expansão em número de leitos, cobertura e volume de recursos arrecadados; Forma de contratação e pagamento de empresas privadas para prestação de assistência aos segurados favoreceu o processo de corrupção; Construção de hospitais e clínicas com recursos da previdência e de faculdades particulares de medicina com enfoque na medicina curativa. Final da década de 70 → Crise do modelo de saúde previdenciária. Vive-se um caos nos serviços públicos de saúde, há muito sucateados e insuficientes para a demanda existente. Ana Djéssika (AD) - Pelo alto custo da assistência que é complexa, pouco resolutiva e insuficiente para a demanda; pela menos arrecadação de recursos em tempos de crise econômica; e pelos devios dos recursos para o setor privado. 1964 a 1984 – Regime Militar Cresce a insatisfação da sociedade e surgem os movimentos sociais que denunciam a ineficiência das estruturas de saúde pública e previdenciária, reivindicam serviços de saúde e lutam por melhores condições de vida à população menos favorecida. 1975: V Conferência Nacional de Saúde. 1976: Criação do Programa de Interiorização das Ações de Saúde e Saneamento (PIASS) para extensão da cobertura dos serviços de saúde prioritariamente nas zonas rurais e pequenas cidades. Ana Djéssika (AD) - O Govern Federal propos a criação de um sistema nacional de saúde , que definiria as atribuições dos ministerios envolvidos e das instancias federal, estadual e municipal, porém a oposição dos empresários da saúde dificulda a regulamentação da lei que instituiria tal sistema. 1964 a 1984 – Regime Militar 1977: Efetivou-se nova reordenação burocrático-administrativa do sistema de saúde com a criação do Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social (SIMPAS), composto pelos órgãos Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) → pagamento de benefícios aos segurados; Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS) → prestação de assistência médica individual e curativa por meio de serviços privados contratados e conveniados; Fundação Legião Brasileira de Assistência → assistência à população carente; Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social; Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social (DATAPREV); Fundação Nacional de Bem-Estar do Menor; Central de Medicamentos. 1964 a 1984 – Regime Militar A política econômica do período refletiu nas altas taxas de morbidade e mortalidade por doenças endêmicas e algumas epidemias, altas taxas de mortalidade materna e infantil, doenças resultantes ou agravadas pelas condições de vida e trabalho, e aumento das mortes por doenças cardiovasculares e câncer. 1978: Começa a ser difundida na América Latina o conceito de Atenção Primária à Saúde e os princípios da medicina comunitária (desmedicalização, autocuidado de saúde, atenção primária realizada por não profissionais de saúde, participação da comunidade, implantação de programas vinculados a medicina curativa na formação dos estudantes de medicina). 1981: Criação do Conselho Consultivo de Administração da Saúde Previdenciária (CONASP) que propõem mudança do modelo assistencial (melhor qualidade da atenção, ampliação de serviços, descentralização e hierarquização por nível de complexidade). Vários sanitaristas entraram para áreas estratégicas do INAMPS. 1964 a 1984 – Regime Militar 1983: Criado o Programa de Ações Integradas de Saúde cujo objetivo era articular todos os serviços que prestavam assistência à saúde da população de uma região e integrar ações preventivas e curativas. Para isso, havia repasse de recursos do INAMPS para os governos estaduais para a construção de Unidades Básicas de Saúde e contratação e capacitação de profissionais. Esses acontecimentos se devem ao fortalecimentos dos movimentos sociais e de saúde que se organizaram nos diversos espaços (universidades, sindicatos, comunidades e associações). 1984: Movimento Diretas Já, porém não aprovado; Escolha de Tancredo Neves para presidente, que com sua morte logo após, a presidência foi assumida por seu vice José Sarney. 1964 a 1984 – Regime Militar 1984: algumas conquistas na área da saúde ainda foram obtidas pelo movimento da Reforma Sanitária, com o apoio de alguns parlamentares, movimentos de saúde, trabalhadores da saúde, acadêmicos e entidades como o Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (CEBES) e a Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO). Do contexto dos anos 70 e 80 é que nasceu o projeto da Reforma Sanitária, com a perspectiva de reformulação do sistema de saúdebrasileiro com a criação de um sistema único de saúde, acabando com o duplo comando do Ministério da Saúde e INAMPS que executavam ações de forma contrária. 1964 a 1984 – Regime Militar 1985 a 1988 – Nova República 1985: José Sarney toma posse e envia ao Congresso a proposta de convocação da Assembleia Nacional Constituinte. Diversas entidades e movimentos sociais se mobilizam e estimulam a participação popular no processo de discussão da nova Carta Constitucional, o que foi favorável para se colocar a saúde na agenda política e difundir as propostas da Reforma Sanitária. 1986: VIII Conferência Nacional de Saúde. Cria espaço para o debate dos problemas do sistema de saúde e de propostas de reorientação da assistência médica e de saúde pública. 1985 a 1988 – Nova República 1987: As Ações Integradas de Saúde passam a ser o Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde (SUDS), que possibilitou a formação dos conselhos estaduais e municipais de saúde, a desconcentração de recursos e poder da esfera federal para estadual, o esvaziamento do INAMPS, que se estadualizou por meio da sua fusão com as secretarias estaduais de saúde, e o aumento, mesmo que insuficiente, da cobertura de serviços de saúde. 1988: Promulgação da Constituição Federal → Aprovado o Sistema Único de Saúde 1985 a 1988 – Nova República A História da Saúde Pública no Brasil – 500 anos na busca de soluções https://www.youtube.com/watch?v=7ouSg6oNMe8 AGUIAR, Zenaide Neto. SUS: Sistema Único de Saúde: antecedentes, percurso, perspectivas e desafios. São Paulo: Martinari, 2011. PAIM, J. et al. O sistema de saúde brasileiro: historia avanços e desafios. 2011. Série Saúde no Brasil, v. 1, 2012. Referências image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg image5.png image6.png image7.png image8.png