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m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Infecções congênitas 2OBSTETRÍCIA E PEDIATRIA PROF. NATÁLIA CARVALHO/ PROF. HELENA SCHETINGER APRESENTAÇÃO: INFECÇÕES CONGÊNITAS As infecções congênitas são aquelas que passam para o feto por transmissão vertical durante a gestação, o parto ou a amamentação, e levam a complicações que podem aparecer na vida intrauterina, no período neonatal ou até mais tardiamente, na infância e vida adulta. O diagnóstico e tratamento pré-natal das infecções congênitas, quando existente, são de extrema importância na obstetrícia, pois essas doenças, quando não diagnosticadas e não tratadas na gestação, aumentam a morbimortalidade perinatal. Na pediatria, as consequências podem ser a curto ou a longo prazo, inclusive refletindo no desenvolvimento neuropsicomotor adequado. Aqui no Estratégia Med montamos os capítulos baseados em engenharia reversa. Isto é, respondemos às questões de provas e transferimos para você o conhecimento necessário para resolvê-las, salientando os pontos mais importantes e essenciais para alcançar o sucesso no seu objetivo. Através desse método, vimos que as provas de Residência Médica têm abordado esse tema, dada sua importância em Obstetrícia e Pediatria, fazendo parte do top 10 da Obstetrícia e sendo o assunto mais abordado dentro do período neonatal nas provas de Pediatria. @drahelenaschetinger@profnataliacarvalho m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://www.instagram.com/drahelenaschetinger https://www.instagram.com/profnataliacarvalho m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Infecções congênitas 3OBSTETRÍCIA E PEDIATRIA TOP 10 OBSTETRÍCIA 1º Distúrbios hipertensivos da gestação 2º Sangramento da primeira metade 3º Assistência ao pré-natal 4º Sangramento da segunda metade 5º Doenças infecciosas na gestação 6º Vitalidade fetal 7º Diabetes na gestação 8º Assistência ao trabalho de parto e ao parto 9º Trabalho de parto prematuro 10º Rotura prematura de membranas DISTRIBUIÇÕES DE QUESTÕES DA NEONATOLOGIA Infecções Congênitas Cardiopatias Congênitas Reanimação Neonatal Icterícia Distúrbios Respiratórios Exame físico Distúrbios Metabólicos Sepse neonatal Cuidados Neonatais Distúrbios Hematológicos Triagem Neonatal m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Infecções congênitas 4OBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Observamos também que sífilis, HIV e toxoplasmose são as principais infecções congênitas exploradas e sífilis é o tema que predomina. Com relação às outras infecções congênitas, cobra-se principalmente as manifestações fetais e o diagnóstico. Observe o gráfico abaixo. Neste capítulo faremos uma visão geral sobre as principais infecções congênitas e a seguir falaremos individualmente sobre cada uma delas, porém algumas doenças estarão ainda em capítulos à parte por serem de extrema importância também para a clínica geral. A sífilis na gestação terá um capítulo só para ela! Para você ganhar tempo, ao longo do texto daremos dicas DISTRIBUIÇÃO DE TEMAS NA PEDIATRIA @estrategiamed /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed @estrategiamed e conceitos-chaves para facilitar o conhecimento e a diferenciação das doenças, no final, você estará pronto para enfrentar qualquer questão sobre esse assunto e arrasar nas provas! Então venha com a gente, vamos dar mais um passo no caminho da sua aprovação! Você está pronto? m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://t.me/estrategiamed https://t.me/estrategiamed https://www.tiktok.com/@estrategiamed m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 5 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA SUMÁRIO 1.0 AS PRINCIPAIS INFECÇÕES CONGÊNITAS: TORCHS 7 1.1 RASTREAMENTO DAS INFECÇÕES CONGÊNITAS 7 1.2 TRANSMISSÃO VERTICAL DAS TORCHS 8 1.3 MANIFESTAÇÕES CONGÊNITAS DAS TORCHS 10 2.0 TOXOPLASMOSE NA GESTAÇÃO 11 2.1 INTRODUÇÃO 11 2.2 EPIDEMIOLOGIA DA TOXOPLASMOSE 11 2.3 ETIOLOGIA DA TOXOPLASMOSE 12 2.4 TRANSMISSÃO DA TOXOPLASMOSE 12 2.5 PREVENÇÃO NA GESTAÇÃO 15 2.6 RASTREAMENTO NA GESTAÇÃO 16 2.7 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS NA GESTANTE 16 2.8 DIAGNÓSTICO 17 2.8.1 DIAGNÓSTICO NA GESTAÇÃO 17 2.8.2 CLASSIFICAÇÃO DA GESTANTE 23 2.9 TRATAMENTO 24 2.9.1 TRATAMENTO DA TOXOPLASMOSE NA GESTAÇÃO 24 2.10 TOXOPLASMOSE CONGÊNITA 28 2.10.1 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 28 2.10.2 DIAGNÓSTICO DA TOXOPLASMOSE CONGÊNITA 33 2.10.3 CONDUTA 33 2.11 RESUMO 38 3.0 CITOMEGALOVÍRUS 39 3.1 INTRODUÇÃO 39 3.2 ETIOLOGIA E TRANSMISSÃO 40 3.3 DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO 40 3.4 CITOMEGALOVIROSE CONGÊNITA 42 3.4.1 MANIFESTAÇÕES CONGÊNITAS 42 3.4.2 DIAGNÓSTICO PÓS-NATAL 46 3.4.3 TRATAMENTO 48 3.5 RESUMINDO 49 m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 6 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 4.0 RUBÉOLA NA GESTAÇÃO 50 4.1 INTRODUÇÃO 50 4.2 ETIOLOGIA E TRANSMISSÃO 50 4.3 PREVENÇÃO, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO 51 4.4 RUBÉOLA CONGÊNITA 55 4.4.1 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 55 4.4.2 DIAGNÓSTICO PÓS-NATAL 58 4.4.3 TRATAMENTO 58 4.5 RESUMINDO 59 5.0 PARVOVÍRUS B19 NA GESTAÇÃO 59 5.1 INTRODUÇÃO 59 5.2 ETIOLOGIA E TRANSMISSÃO 60 5.3 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E CONGÊNITAS 60 5.4 DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO 61 5.5 RESUMINDO 62 6.0 ZIKA VÍRUS NA GESTAÇÃO 63 6.1 INTRODUÇÃO 63 6.2 ETIOLOGIA E TRANSMISSÃO 63 6.3 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E CONGÊNITAS 64 6.4 PREVENÇÃO, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO 66 6.5 RESUMINDO 72 7.0 HERPES SIMPLES 73 8.0 VARICELA CONGÊNITA 75 9.0 OUTROS 75 9.1 DOENÇA DE CHAGAS CONGÊNITA 75 9.2 DENGUE CONGÊNITA 76 9.3 CORIOMENINGITE LINFOCÍTICA 76 10.0 TABELA COMPARATIVA DAS PRINCIPAIS INFECÇÕES CONGÊNITAS 76 11.0 LISTA DE QUESTÕES 78 12.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 79 13.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 79 m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 7 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA CAPÍTULO 1.0 AS PRINCIPAIS INFECÇÕES CONGÊNITAS: TORCHS As principais infecções congênitas são: Toxoplasmose, Rubéola, Citomegalovírus, Hepatites virais, HIV e Sífilis. Além dessas, outras infecções maternas mais raras também podem cursar com infecção congênita, como na infecção por parvovírus B19, herpes simples, varicela-zoster, Zika vírus, dengue e doença de Chagas. 1.1 RASTREAMENTO DAS INFECÇÕES CONGÊNITAS As infecções congênitas aumentam a morbimortalidade perinatal, por isso o rastreamento sorológico dessas doenças durante a gestação é importante para diagnóstico e tratamento precoce, quando este existir. Não existe um consenso internacional sobre quais dessas doenças devem ser rastreadas durante o pré-natal. O Ministério da Saúde no Brasil preconiza que seja feita triagem sorológica para todas as gestantes para prevenir a transmissão vertical das seguintes doenças: Sífilis, HIV, Hepatite B e C e Toxoplasmose. O momento da testagem de cada uma dessas doenças está resumido na tabela a seguir e será detalhado ao longo desse material. O acrônimo TORCH foi inicialmente descrito para agruparliquóricas ou oculares, associa-se corticoesteroides para diminuir a progressão da doença. Correta. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 36 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Correta a alternativa A. Estão corretas I, II, III, IV e V. (SANTA CASA DE SÃO PAULO- 2015) Recém-nascido termo, parto vaginal e peso de nascimento de 3658g está em observação em alojamento conjunto no seu primeiro dia de vida. Paciente não apresenta achados patológicos ao exame clínico e está com boa aceitação do aleitamento materno exclusivo. Mãe apresenta carteira de pré-natal na qual está relatada sorologia positiva para toxoplasmose em coleta realizada no terceiro trimestre de gestação e negativa em coleta realizada no segundo trimestre. Sobre o caso é correto afirmar: A) Deve-se coletar teste sorológico para a criança e, caso apresente-se negativo, afasta-se a possibilidade de infecção perinatal. B) Como paciente possui exame físico normal e a infecção materna ocorreu no fim da gestação, nenhuma medida adicional é necessária. C) Deve-se coletar sorologias da mãe e recém-nascido, além de avaliação adicional do paciente por imagem do sistema nervoso central e fundoscopia. D) Entre as possíveis complicações que o recém-nascido pode apresentar, a cardiopatia congênita é a mais frequente. E) Caso confirmada a infecção perinatal por toxoplasmose, o paciente deverá receber tratamento medicamentoso com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por até 2 meses. COMENTÁRIO Temos aqui uma mãe que apresentou conversão sorológica durante a gestação, portanto foi infectada. Nesses casos, é mandatório coletar sorologias maternas e do neonato, além de avaliação laboratorial, de imagem, fundoscopia e triagem audiológica no RN. Correta a alternativa C. Incorreta a alternativa B. Incorreta a alternativa A: A sorologia IgM e IgA positivas confirmam o diagnóstico, porém negativas não a descartam. Incorreta a alternativa D: A cardiopatia congênita não está associada à toxoplasmose e sim à rubéola congênita. Incorreta a alternativa E: O tratamento deve ser mantido por um ano. (UEPA-2020) RN nascido a termo, apresentou icterícia no primeiro dia de vida (Bilirrubinas totais 8,8 mg/dL, Bilirrubina direta 7,2 mg/dL, Bilirrubina Indireta 1,6 mg/dL), associada a hepatoesplenomegalia, perímetro cefálico de 38 cm e crises convulsivas. Mãe realizou pré-natal incompleto e não realizou sorologias. Alega ter apresentado quadro febril no segundo trimestre da gestação, com exantema. Realizada tomografia computadorizada de crânio do RN que demonstrou a presença de múltiplas calcificações difusas no parênquima cerebral e fundoscopia que evidenciou coriorretinite bilateral. Nesse contexto, assinale a alternativa que contem o diagnóstico mais provável e o tratamento indicado, respectivamente: A) Citomegalovírus congênito/ Ganciclovir endovenoso B) Sífilis congênita/ Penicilina G Benzatina C) Toxoplasmose congênita/ Pirimetamina, Sulfadiazina e Ácido folínico D) Citomegalovirus congênito/ Aciclovir endovenoso E) Toxoplasmose congênita/ Pirazinamida, espiramicina e acido folínico m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 37 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA COMENTÁRIO Primeiro, vamos procurar as características-chaves: calcificações cerebrais difusas e coriorretinite. A crise convulsiva e a macrocefalia provavelmente são consequência de uma hidrocefalia. Portanto, toxoplasmose congênita. O tratamento é com Sulfadiazina + Pirimetamina + Ácido Folínico. Só está faltando mencionar o uso de corticoide, visto que essa criança possui coriorretinite. Correta a alternativa E. Incorreta a alternativa C. Incorreta as alternativas A e D: A citomegalovirose traz calcificações cerebrais periventriculares e o tratamento é com ganciclovir. Incorreta a alternativa B: A sífilis congênita apresenta lesões cutâneas, ósseas e o tratamento é feito com penicilina cristalina ou procaína. (UFSC-2014) Uma gestante tem diagnóstico de toxoplasmose aguda com 24 semanas. Assinale a alternativa que completa CORRETAMENTE a frase abaixo. Após o nascimento, a toxoplasmose congênita para o filho da gestante relatada... A) Terá seu diagnóstico afastado na criança assintomática, pois o comprometimento fetal naquela idade gestacional é evidente. B) Pode estar presente sem sinais clínicos evidentes, como ocorre em cerca de 85% dos recém-nascidos com a doença. C) Pode apresentar-se com a tríade clássica da doença: coriorretinite, hidrocefalia e cardiopatia. D) Será excluída como possibilidade diagnóstica se a mãe seguiu rigorosamente a orientação obstétrica. E) Deverá sempre ser investigada, porém o tratamento de início no período neonatal dependerá da sintomatologia observada. COMENTÁRIOS A toxoplasmose é assintomática na maioria dos casos e os sintomas podem passar despercebidos, sendo diagnosticados apenas através de exames específicos, como sorologias, neuroimagem e fundo de olho. Incorreta a alternativa A . Correta a alternativa B. Incorreta a alternativa C: A tríade clássica da doença, "tríade de Sabin" é apresentada por coriorretinite, calcificações cerebrais e hidro ou microcefalia (também chamada de tétrade de Sabin, quando acrescentamos retardo mental). A cardiopatia não é comum a essa doença. Incorreta a alternativa D: Mães positivas para infecção, mesmo tratadas na gestação, podem infectar o feto. Incorreta a alternativa E: O tratamento deve ser realizado em todos RNs filhos de mães com infecção comprovada, ou provável, ou com infecção congênita comprovada e independe da sintomatologia. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 38 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 2.11 RESUMO • A toxoplasmose é uma doença causada pelo Toxoplasma gondii, protozoário intracelular obrigatório. • A transmissão vertical ocorre principalmente por via transplacentária, mas também pode ocorrer durante o parto e a amamentação. • A prevenção primária da toxoplasmose é feita com medidas de higiene básicas e evitando o consumo de alimentos crus ou malpassados. • Os principais achados ultrassonográficos da toxoplasmose congênita são: calcificações intracranianas, ventriculomegalia, microcefalia, hepatoesplenomegalia, ascite e restrição de crescimento • O rastreamento da toxoplasmose deve ser feito por meio da solicitação de sorologia (IgG e IgM) para todas as gestantes. Sorologia toxoplasmose 16 semanas Infecção aguda Infecção antiga Falso positivo Suspender espiramicina Suspender espiramicina Alta >60 • Quando a gestante apresenta IgM e IgG positivas após 16 semanas, sem sorologia prévia, deve-se iniciar espiramicina e fazer investigação fetal, independente do teste de avidez. Se sorologia no primeiro trimestre IgM e IgG negativas, trata-se de infecção aguda/recente com soroconversão materna. • O diagnóstico de toxoplasmose congênita é feito pela pesquisa do DNA do Toxoplasma gondii por PCR em líquido amniótico, por meio da amniocentese, a partir de 18 semanas em gestantes com suspeita de toxoplasmose aguda. • Gestante com infecção recente deve receber profilaxia para toxoplasmose congênita com a administração materna de espiramicina na dose de 3g/dia via orale a pesquisa de infecção fetal. Após 16 semanas, pode-se subistituir a espiramicina pelo esquema tríplice, até fazer a pesquisa de infecção fetal. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 39 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA • A maioria dos RNs é assintomática, a característica chave dos sintomáticos é a tétrade de Sabin: coriorretinite, calcificações intracranianas difusas, hidro ou microcefalia, retardo mental. • O diagnóstico pós natal deve ser baseado na história materna, sorologia (IgM, IgA ou IgG após 12 meses), exames complementares e avaliação especializada. • O tratamento para o recém-nascido é com esquema tríplice: sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. Associar corticoide se hiperproteinorraquia ou coriorretinite. Manter por um ano. Infecção aguda ou indeterminada Tratamento Amniocentese ≥18 semanas Investigação fetal PCR Toxoplasma - suspender esquema triplice e manter espiramicina até o parto PCR Toxoplasma + Espiramicina 3g/dia 60%). Diante de soroconversão materna, na suspeita de infecção recente (avidez baixa) ou na suspeita ultrassonográfica de infecção fetal, o diagnóstico deve ser feito pela pesquisa do DNA por PCR em amostra de líquido amniótico colhido na amniocentese, após 18 semanas de gestação. Caso seja confirmada infecção fetal, deve- se fazer acompanhamento ultrassonográfico seriado. Verifica-se que até o momento não existe tratamento eficiente para infecção fetal por CMV durante a gestação. O uso da globulina hiperimune não demonstrou eficácia na redução da taxa de transmissão. O tratamento com valaciclovir tem se mostrado promissor, embora de custo elevado e ainda não disponível na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Tem sido recomendado na dose de 2 g via oral de 6 em 6 horas, a partir da confirmação diagnóstica até 21 semanas de gestação, além de controle a cada 4 semanas de hemograma, creatinina, ureia e enzimas hepáticas. Quanto às gestantes com soroconversão no segundo ou no terceiro trimestre, o tratamento não é recomendado. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 42 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA CAINA PROVA (ISCMSC 2019) Gestante de 12 semanas comparece a consulta de pré-natal com exame de sorologia para Citomegalovírus IgM + e IgG +. A conduta apropriada nesse momento é: A) Solicitar teste de Avidez de IgG para Citomegalovírus. B) Iniciar tratamento imediato. C) Repetir a sorologia imediatamente. D) Indicar aborto terapêutico. COMENTÁRIO: Correta a alternativa A: a conduta frente a um caso de sorologia para CMV positiva para IgG e IgM, sem exames prévios, é fazer teste de avidez para IgG, a fim de identificar se a infecção é recente ou antiga. Incorreta a alternativa B: não há tratamento para infecção por CMV na gestação que seja eficaz. Incorreta a alternativa C: não há indicação de repetir a sorologia, mas sim de solicitar o teste de avidez. Incorreta a alternativa D: não é permitido o aborto terapêutico por infecções congênitas no Brasil. 3.4 CITOMEGALOVIROSE CONGÊNITA 3.4.1 MANIFESTAÇÕES CONGÊNITAS Os achados ultrassonográficos da infecção congênita por citomegalovírus são muito confundidos com os da toxoplasmose, não havendo sinal específico que os diferencie nesse exame. São eles: Restrição do crescimento, microcefalia, ventriculomegalia, calcificações intracranianas, hepatoesplenomegalia, ascite, alças intestinais hiperecogênicas, cardiomegalia, placentomegalia, hidropisia fetal e alteração do líquido amniótico. No pós-natal, a infecção congênita por citomegalovírus é assintomática em 90% dos casos. Os sintomáticos geralmente foram infectados no primeiro trimestre de gestação. Eles podem apresentar manifestações sistêmicas, neurológicas, oftalmológicas e auditivas. São elas: MANIFESTAÇÕES SISTÊMICAS • Hepatoesplenomegalia; • Icterícia colestática com hiperbilirrubinemia; • Petéquias; • Anemia hemolítica; • Trombocitopenia; • Pneumonite. Petéquias m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 43 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA MANIFESTAÇÕES NEUROLÓGICAS • Calcificações intracranianas periventriculares; • Lisencefalia; • Hipoplasia cerebral; • Microcefalia. MANIFESTAÇÕES AUDITIVAS • Perda auditiva neurossensorial uni ou bilateral. Os sinais mais prevalentes ao nascer são icterícia colestática, petéquias e hepatoesplenomegalia. A surdez neurossensorial é a principal sequela da doença. Aliás, o citomegalovírus é a causa infecciosa mais comum de surdez na infância. Mais uma vez, como esses sinais são comuns a outras doenças congênitas, os examinadores geralmente diferenciam-na através da presença de calcificações intracranianas periventriculares associadas à perda auditiva e petéquias. Atenção, não confunda com a toxoplasmose congênita, que traz calcificações intracranianas difusas! CITOMEGALOVIROSE CONGÊNITA Calcificações intracranianas periventriculares. Surdez neurossensorial. Petéquias. CARACTERÍSTICAS-CHAVES DA CMV CONGÊNITA! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 44 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA TABELA 4: MANIFESTAÇÕES DA INFECÇÃO CONGÊNITA POR CITOMEGALOVÍRUS PRÉ-NATAL (fetais) PÓS-NATAL (recém-nascidos e infância) Restrição de crescimento Calcificações intracranianas periventriculares Calcificações intracranianas Trombocitopenia, anemia Ventriculomegalia Icterícia e petéquias Microcefalia Coriorretinite Hepatoesplenomegalia Hepatoesplenomegalia Ascite Perda auditiva neurossensorial Hidropisia fetal não imune Déficit intelectual Alças intestinais hiperecogênicas Deficiência visual Convulsões CAI NA PROVA (SES/DF/2020) Uma criança de três meses de idade, avaliada em consulta de puericultura, é classificada, pelas curvas de crescimento da Organização Mundial de Saúde, como portadora de muito baixo peso e com perímetro cefálico abaixo do esperado para a idade. É internada para investigação do quadro, sendo solicitada tomografia de crânio que demonstrou calcificações intracranianas periventriculares. Acerca desse caso clínico e considerando os conhecimentos médicos correlatados, julgue o item a seguir. O diagnóstico provável é o de toxoplasmose congênita. A) CERTO B) ERRADO COMENTÁRIO: Errado. As duas grandes infecções congênitas que causam calcificações cerebrais são a toxoplasmose e a citomegalovirose. Porém, as calcificações da toxoplasmose são difusas e a do citomegalovírus são periventriculares. Correta a alternativa B. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 45 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA CAI NA PROVA (PUC/PR/ 2020) A complicação tardia da infecção congênita pelo citomegalovírus é a A) Pneumonite. B) Coriorretinite. C) Encefalite. D) Surdez. E) Hepatite. COMENTÁRIO Vamos pensar para não precisar decorar. Das alternativas propostas, apenas pneumonite e surdez são características da citomegalovirose. O que é agudo e o que é sequela? A surdez é consequência de um dano crônico ao ouvido médio, enquanto a pneumonite de um estado inflamatório agudo infeccioso. Correta a alternativa D. (SCMRP 2017) Secundigesta, sem pré-natal, dá à luz recém-nascido que apresenta coriorretinite, hidrocefalia e múltiplas calcificações cerebrais. Deve-se pesquisar infecção por: A) Varicela. B) Citomegalovírus. C) Sífilis. D) HIV. COMENTÁRIO: Incorreta a alternativa A: a síndrome da varicela congênita é caracterizada por lesões cicatriciais dermatológicas com distribuição pelos dermátomos, defeitos neurológicos, gastrointestinais e geniturinários, encurtamento de extremidades, hipoplasia muscular unilateral, doença ocular e atraso do desenvolvimento. Correta a alternativa B: a infecção congênita por citomegalovírus pode levar à coriorretinite, hidrocefalia e calcificações cerebrais. Incorreta a alternativa C: o quadro clássico de sífilis congênita cursa principalmente com alterações ósseas, alterações dermatológicas, hepatoesplenomegalia e placentomegalia. Pode ocorrer coriorretinite, hidrocefalia e calcificações cerebrais, mas esses sinais não são tão característicos de sífilis congênita. Incorreta a alternativa D: a transmissão vertical do HIV não cursa com malformações congênitas. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 46 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA (HCB - SP 2019) Infecção materna que sabidamente pode causar defeito congênito: A) Influenza. B) Citomegalovírus. C) Caxumba. D) AIDS. COMENTÁRIO: Incorreta a alternativa A: não há comprovação de que a influenza não causa defeito congênito. Correta a alternativa B: citomegalovírus pode atravessar a barreira placentária e causar infecção congênita com repercussões fetais graves. Incorreta a alternativa C: a caxumba pode apresentar transmissão vertical com risco aumentado de abortamento e prematuridade, mas, geralmente, não cursa com defeitos congênitos. Incorreta a alternativa D: AIDS pode apresentar transmissão vertical para o feto, porém não leva a defeitos congênitos. (HOG-SP 2018) Em relação ao Citomegalovírus na gravidez, assinale a afirmativa CORRETA. A) O rastreamento universal é obrigatório. B) É a principal causa de defeitos abertos do tubo neural. C) Pode ser diagnosticado pelo ultrassom com medida de translucência nucal. D) Pode ser causa de surdez neurossensorial e retardo mental. COMENTÁRIO: Incorreta a alternativa A: o rastreamento sorológico na gestação é controverso e, na maioria das vezes, não recomendado. Incorreta a alternativa B: ainfecção congênita por CMV não causa defeitos abertos do tubo neural. Incorreta a alternativa C: o diagnóstico de infecção fetal é feito pela pesquisa do DNA do citomegalovírus por PCR, em amostra de líquido amniótico colhido na amniocentese. Correta a alternativa D: as principais sequelas são deficiência visual e/ou auditiva, convulsões, déficit intelectual, paresias e/ou paralisias. 3.4.2 DIAGNÓSTICO PÓS-NATAL Aqui, a sorologia não é um bom método, mas sim a pesquisa do vírus em líquidos corporais. Os pacientes infectados secretam os vírus em líquidos corporais por anos após a infecção. Então, ele pode ser identificado pelo método de PCR ou pelo isolamento viral na urina, saliva, sangue, líquor e biópsias. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 47 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA CAI NA PROVA (USP RP/SP/2020) No exame físico inicial de um recém-nascido de termo, masculino, pequeno para idade gestacional, foi notado microcefalia (PC: 31 cm) e presença de petéquias em face. Frente aos achados, foi realizada uma ultrassonografia transfontanela, com achado de calcificações peri-ventriculares, sem outras alterações. Também colhido hemograma, com Hb 16,2, Ht 41%, leucócitos: 11.300, plaquetas: 75.000. Triagem auditiva neonatal: falhou bilateralmente. Nasceu de parto cesárea por iteratividade, filho de mãe de 32 anos, tercigesta, sem comorbidades e com pré-natal inadequado, sem coleta de exames. Os seguintes exames maternos foram colhidos nesta internação: HIV: negativo; VDRL: negativo; Hepatite C: negativo; Hepatite B: Anti-HBs positivo, anti-HBc negativo, Hbs Ag negativo; Toxoplasmose: lgM negativo / lgG negativo; Rubéola: lgM negativo / IgG positivo; Citomegalovírus: IgM negativo / IgG positivo; Frente a principal hipótese diagnóstica, a conduta indicada é: A) Coleta de teste do pezinho ampliado e cariótipo. B) Pesquisa de citomegalovírus por PCR na urina. C) Aplicar vacina e imunoglobulina para hepatite B. D) Pesquisar consumo excessivo de álcool na gestação. COMENTÁRIO Vamos buscar as características-chaves: calcificações periventriculares e petéquias! Então, já sabemos que o diagnóstico é de citomegalovirose congênita, mesmo com a sorologia materna mostrando IgG positivo, sabemos que essa imunidade não é permanente. O diagnóstico pós-natal é feito com a pesquisa do vírus em líquidos corporais. Correta a alternativa B. Incorreta a alternativa A: O teste do pezinho tria hemoglobinopatias, hiperplasia adrenal congênita, hipotireoidismo congênito, fibrose cística, fenilcetonúria, toxoplasmose congênita e deficiência de biotinidase. O cariótipo serve na suspeita de síndromes genéticas. Incorreta a alternativa C: O anti-HbS positivo indica imunidade para a doença. Incorreta a alternativa D: A síndrome alcoólica fetal culmina em um neonato com fácies típica, restrição de crescimento, alterações neurológicas. A presença do citomegalovírus na urina ou na saliva do neonato até as primeiras três semanas de vida fecha o diagnóstico de infecção congênita. A detecção após esse período indica infecção perinatal ou pós-natal. A avaliação complementar, baseada na busca dos sinais, deve ser realizada com: • Hemograma completo, que pode trazer anemia e trombocitopenia. • Testes de função hepática para pesquisa de colestase neonatal. • Exames de imagem neurológica, como ultrassonografia transfontanela ou tomografia de crânio. • Coleta de líquor para verificar a presença do vírus. • Avaliação oftalmológica com fundo de olho. • Triagem auditiva neonatal. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 48 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 3.4.3 TRATAMENTO Há uma controvérsia na literatura, alguns autores não recomendam o tratamento com antivirais para crianças assintomáticas e outros, a utilização do ganciclovir com a finalidade de impedir a progressão para surdez. O Ministério da Saúde indica o tratamento com ganciclovir no RN com infecção confirmada, sintomáticos e com evidências de envolvimento do SNC, alteração auditiva e/ou coriorretinite. A Sociedade Brasileira de Pediatria indica para os sintomáticos e refere que não há benefícios nos assintomáticos. CAI NA PROVA (UNAERP/SP/2019) RN internado na UTI Neonatal com quadro de plaquetopenia, colestase e instabilidade clínica. Foi solicitada Tomografia de Crânio que mostrou calcificações periventriculares e feita a suspeita de infecção congênita por CMV, sobre a qual, é incorreto afirmar: A) Tanto a primo-infecção materna quanto a recorrente podem causar a infecção congênita por CMV. B) É a principal causa de surdez neurossensorial não genética na infância. C) O vírus pode ser excretado por anos na urina dos pacientes. D) O tratamento é realizado com aciclovir, apenas em casos com alterações neurológicas ou surdez. E) A surdez decorrente da infecção congênita por CMV pode estar presente ao nascimento ou manifestar-se tardiamente. COMENTÁRIO: O examinador quer saber qual é a alternativa incorreta. Então vamos lá. Correta a alternativa A: Sim, não há imunidade permanente na doença. Correta a alternativa B: A surdez é a principal sequela da doença. Correta a alternativa C: A presença do vírus na urina até 3 semanas de vida confirma a doença e ela pode permanecer positiva indefinidamente. Incorreta a alternativa D: O tratamento é realizado com ganciclovir e não aciclovir e está indicado para prevenção das alterações auditivas por alguns autores. Correta a alternativa E: A surdez pode ser precoce ou uma sequela da doença. O ganciclovir é o medicamento de escolha e deve ser utilizado na dose de 10mg/kg/dia, por via endovenosa, a cada 12 horas, por 14 a 21 dias. Outra droga a ser considerada, que por enquanto foi cobrada apenas na UNIFESP em 2021, é o Valganciclovir. Ela é um análogo oral do Ganciclovir, que permite o tratamento de forma ambulatorial, com menor efeito colateral. De acordo com o UpTodate, deve ser reservada para casos sintomáticos mais leves, em pacientes imunocompetentes, por 6 meses. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 49 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA (SMS-SP 2017) Ao recepcionar um recém-nascido a termo, com peso de 2380 g, observa-se ao exame inicial que o RN apresenta uma nebulosidade nos olhos que dificulta o reflexo vermelho dos olhos, algumas petéquias e hepatoesplenomegalia. Mãe relata que teve gestação normal. Dentre as condições seguintes, assinale aquela que é adequada no seguimento. A) Terapêutica antiviral deve ser iniciada precocemente, mas deve coletar material para o cultivo viral, a fim de identificar o agente etiológico. B) Deve-se indicar a realização de categoria de isolamento para precauções respiratórias, pois o risco infeccioso para o caso é elevado e será importante evitar a disseminação para outros recém-nascidos. C) Esse recém-nascido necessita de avaliação audiológica para verificar se existe perda auditiva neurosensorial comum nesse quadro. D) Deve-se iniciar penicilina cristalina por 14 dias após coleta de liquor cefalorraquidiano. E) Esse quadro clínico está mais associado às mães que tiveram doença infecciosa durante o terceiro trimestre da gravidez. COMENTÁRIOS: Avaliando o quadro, a criança possui petéquias e uma nebulosidade nos olhos indicando catarata, sem dúvida o diagnóstico mais provável é de citomegalovirose congênita. Incorreta a alternativa A: Lembra que eu falei que o tratamento era controverso? Aqui, o examinador não o considerae essa alternativa foi dada como incorreta. Na dúvida, analise as outras alternativas para encontrar uma “mais correta”e sem controvérsia. Incorreta a alternativa B: O bebê com CMV pode eliminar os vírus através das secreções, então o isolamento indicado é o de contato. Correta a alternativa C: Surdez neurossensorial é uma das consequencias da infecção congênita por CMV. Essa alternativa é a que buscamos. Incorreta a alternativa D: A penicilina estaria indicada na sífilis congênita e somente por 10 dias. Incorreta a alternativa E: As infecções congênitas trazem mais sequelas quanto mais precoce a mãe tiver apresentado a doença. Isso porque, nos primeiros meses de gravidez, o bebê ainda está em pleno desenvolvimento e, no final, o bebê já está com os sistemas formados. 3.5 RESUMINDO • Citomegalovírus (CMV) humano é um vírus DNA da família herpesviridae. • A transmissão vertical ocorre principalmente por via transplacentária. • O principais achados ultrassonográficos são: restrição do crescimento, microcefalia, ventriculomegalia, calcificações intracranianas, hepatoesplenomegalia, ascite, alças intestinais hiperecogênicas, cardiomegalia, placentomegalia, hidropisia fetal e alteração do líquido amniótico. • O diagnóstico da infecção materna é feito pela sorologia com a pesquisa de anticorpos específicos IgG e IgM. • O rastreamento sorológico na gestação é controverso e não é recomendado pelo Ministério da Saúde como triagem de rotina. • Sorologia IgG positiva e IgM negativa não indica imunidade, pois pode haver reinfecção ou reativação na gestação. • Se a sorologia é IgG e IgM positiva, em gestante previamente negativa, deve-se solicitar o teste de avidez para IgG para avaliar se a infecção é recente (menos de 4 meses se a avidez for baixa 60%). m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 50 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 4.0 RUBÉOLA NA GESTAÇÃO CAPÍTULO 4.1 INTRODUÇÃO A rubéola é uma doença exantemática aguda de alta contagiosidade, que acomete principalmente crianças e adolescentes. A importância da rubéola dá-se, sobretudo, pela ocorrência da síndrome da rubéola congênita (SRC) que atinge os fetos e os recém-nascidos de mães infectadas durante a gestação, por isso é uma doença de notificação compulsória nacional. Devido à exaustiva vacinação de toda a população, essa doença está erradicada no Brasil desde 2008, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e não faz mais parte do rastreamento obrigatório durante o pré-natal. Nas provas de Residência Médica, esse tema é pouco abordado pelas bancas, os tópicos abordados sobre ele foram: manifestações congênitas e diagnóstico. Então, aqui você encontrará o que precisa saber a respeito desse assunto. 4.2 ETIOLOGIA E TRANSMISSÃO O agente etiológico da rubéola é um RNA vírus da família togavírus e o homem é o único hospedeiro conhecido. A transmissão materna ocorre pelo contato interpessoal íntimo e prolongado, por meio de gotículas de secreção da nasofaringe. Já a transmissão vertical acontece por via transplacentária durante a primoinfecção materna, ocorrendo o acometimento fetal extremamente grave quando a infecção se dá no primeiro trimestre. Após 20 semanas de gestação, não há relatos de manifestações compatíveis com SRC. A rubéola é assintomática em mais de 50% dos adultos infectados. Quando sintomática, os principais sintomas são: eritema maculopapular de distribuição centrífuga, febre baixa, cefaleia, anorexia, conjuntivite leve, coriza, tosse e linfadenomegalia. • Na presença de soroconversão materna, com suspeita de infecção recente (avidez baixa) ou na suspeita ultrassonográfica de infecção fetal, o diagnóstico de infecção fetal é feito pela pesquisa do DNA, por PCR, em amostra de líquido amniótico por amniocentese. • Até o momento, não existe tratamento para infecção fetal por CMV durante a gestação. • Os principais sinais e sintomas após o nascimento são: calcificações periventriculares, petéquias, trombocitopenia, anemia, icterícia, coriorretinite, hepatoesplenomegalia, perda auditiva neurossensorial (principal sequela) e retardo mental. • O diagnóstico do RN é feito por pesquisa do vírus em líquidos corporais. • O tratamento com ganciclovir visa prevenir a surdez. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 51 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 4.3 PREVENÇÃO, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO A prevenção da rubéola ocorre pela vacinação feita em crianças e adultos, fornecendo imunidade por toda a vida. Por sua vez, a vacina não deve ser feita em gestantes, crianças menores de 12 meses e imunossuprimidos, por se tratar de vírus vivo atenuado. Sendo assim, deve-se aguardar um mês para engravidar depois de receber a vacina para rubéola. Além disso, gestantes vacinadas inadvertidamente no primeiro trimestre devem ser informadas que a possibilidade de teratogenicidade é apenas teórica e não há indicação de interrupção da gestação. A vacina é disponibilizada para crianças aos 12 meses, dentro da tríplice viral e aos 15 meses na tetra viral. Adolescentes e adultos até 29 anos não vacinados deverão receber duas doses e para indivíduos dos 30 aos 59 anos é necessário apenas uma dose. Com a vacinação em massa no Brasil, conseguimos erradicar as seguintes doenças: varíola, poliomielite, rubéola e sarampo. Contudo, a diminuição da cobertura vacinal por esquecimento da população ou por movimentos antivacinas, tem levado ao risco de retorno dessas doenças para o território nacional. A rubéola é assintomática em mais de 50% dos adultos infectados. Quando sintomática, os principais sintomas são: eritema maculopapular de distribuição centrífuga, febre baixa, cefaleia, anorexia, conjuntivite leve, coriza, tosse e linfodenomegalia. O diagnóstico de rubéola na gestação é feito pela sorologia com a pesquisa de anticorpos específicos IgG e IgM. Uma vez que a rubéola se encontra erradicada desde 2008 no Brasil, o Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento sorológico na gestação como triagem de rotina. A sorologia deve ser solicitada em caso de suspeita de rubéola na gestação ou de contato com pessoa suspeita. Se as gestantes apresentam sorologia IgG e IgM negativas, elas são susceptíveis e devem receber a vacinação ainda no puerpério. Quando a gestante susceptível entrar em contato com algum indivíduo com rubéola, ela deve receber imunoglobulina hiperimune até seis dias do contato. Vale ressaltar que o uso da Imunoglobulina hiperimune pode atenuar as manifestações clínicas da rubéola, mas não evita a viremia e, tampouco, a transmissão vertical. Já gestantes com sorologia IgG positiva e IgM negativa apresentam imunidade permanente e devem seguir o pré-natal de rotina. Quando a sorologia é IgG e IgM positivas para rubéola no primeiro trimestre, mas há dúvidas se a infecção é recente (não sintomática), deve-se solicitar o teste de avidez para IgG para esclarecer o diagnóstico. Se a avidez for baixa, a infecção é recente (menos de 3 meses se a avidez 60%). m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 52 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Na presença de infecção materna recente ou na suspeita ultrassonográfica de infecção fetal, o diagnóstico de infecção fetal é feito pela pesquisa do RNA por PCR em amostra de líquido amniótico, colhido pela amniocentese,ou pela pesquisa de IgM no sangue fetal, colhido por cordocentese. Caso seja confirmada infecção fetal, deve-se fazer acompanhamento ultrassonográfico seriado. Até o momento, não existe tratamento para a SRC e a interrupção da gravidez não é permitida para esses casos em nosso país. Como não se observa transmissão vertical durante o parto vaginal e a amamentação, eles não são contraindicados. CAI NA PROVA (HRD-ES 2020 13) Em relação à rubéola na gravidez, assinale a alternativa INCORRETA: A) A rubéola é uma doença infecciosa aguda virótica causada pelo vírus da família “Togaviridae”, sendo que a infecção ocorre de forma horizontal ou vertical. B) s sintomas são inespecíficos no período prodrômico da rubéola, e o exantema quando surge é do tipo maculopapilar fino. C) A principal forma de transmissão dessa doença é a vertical e os mecanismos de danos ao feto ocorrem por lesões intensas e bem localizadas. D) O diagnóstico clínico de rubéola é muito difícil por algumas razões. Dentre elas os vários tipos de exantema que são atribuídos à rubéola e vice-versa. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 53 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA COMENTÁRIOS: Correta a alternativa A: o agente etiológico da rubéola é um RNA vírus da família togavírus e o homem é o único hospedeiro conhecido. A transmissão materna ocorre pelo contato interpessoal íntimo e prolongado por meio de gotículas de secreção da nasofaringe. Já a transmissão vertical acontece por via transplacentária durante a primoinfecção materna. Correta a alternativa B: a rubéola é assintomática em mais de 50% dos adultos infectados. Os principais sintomas, quando sintomática, são: eritema maculopapular de distribuição centrífuga, febre baixa, cefaleia, anorexia, conjuntivite leve, coriza, tosse e linfadenomegalia. Incorreta a alternativa C: a principal forma de transmissão dessa doença é horizontal, pelo contato interpessoal íntimo e prolongado, por meio de gotículas de secreção da nasofaringe. Correta a alternativa D: a rubéola faz parte das doenças exantemáticas, cuja diferenciação diagnóstica muitas vezes se torna difícil, sendo necessário lançar mão dos exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico. (HCB 2017) Uma importante ferramenta para diagnóstico gestacional de infecções é o Teste de Avidez de IgG, que pode ser realizado em casos de infecção por: I. toxoplasmose; II. citomegalovírus; III. rubéola. Está CORRETO o contido em: A) I, apenas. B) II, apenas. C) I e III, apenas. D) I, II e III. COMENTÁRIO: O teste de avidez para IgG é utilizado em casos de infeção por toxoplasmose, citomegalovírus e rubéola, para identificar se a infecção é recente ou antiga, quando as sorologias são positivas para IgG e IgM. Correta a alternativa D. (FMJ 2016) Gestante com oito semanas, iniciando pré-natal na UBS, recebeu resultado da sorologia para rubéola com IgG reagente 1/216 e IgM negativo. Frente a esses resultados, a conduta é A) orientar a gestante do risco fetal e encaminhar para o pré-natal de alto risco. B) introduzir rovamicina. C) seguir pré-natal normal, pois a gestante é imune à rubéola. D) pedir teste de avidez para IgG. E) pedir ultrassonografia morfológica fetal para avaliar comprometimento fetal. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 54 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA COMENTÁRIO Profa. Ana Souza (obstetrícia): Incorreta a alternativa A: porque não há risco fetal uma vez que IgG reagente e IgM negativo revelam que a gestante é imune à rubéola. Incorreta a alternativa B: porque rovamicina é o nome comercial de Espiramicina, que é indicada quando há suspeita de infecção recente pelo Toxoplasma gondii, causador da toxoplasmose. Correta a alternativa C: porque a sorologia para rubéola IgG reagente e IgM negativo significa que a gestante é imune à doença e deve manter seguimento pré-natal habitual. Vale ressaltar que esse é o status sorológico desejado durante a gestação e que gestantes susceptíveis, isto é, aquelas que apresentam IgG negativo e IgM negativo para rubéola, devem ser orientadas a receber a vacina tríplice viral no puerpério. Incorreta a alternativa D: porque uma vez que IgM é negativo não há suspeita de doença aguda. Vale ressaltar que o teste de avidez para IgG é indicado quando se deseja diferenciar IgM cronicamente positivo de IgM positivo, indicando fase aguda, a fim de conseguir determinar quando ocorreu a infecção. Incorreta a alternativa E: porque não há risco de comprometimento fetal pela rubeola, uma vez que IgG reagente e IgM negativo revelam que a gestante é imune à doença, portanto não tem a doença aguda que pode acarretar repercussões fetais. A ultrassonografia morfológica deve ser solicitada, mas conforme rotina do pré-natal. (SMA VR 2019) Gestante de primeiro trimestre utilizou, inadvertidamente, vacina contra rubéola. Conduta adequada: A) Encaminhar para interrupção da gestação. B) Solicitar sorologia específica e estudo citogenético. C) Pesquisar anticorpo específico por PCR no líquido amniótico. D) Acompanhamento pré-natal habitual. E) Aplicar imunoglobulina. COMENTÁRIO Profa. Ana Souza (obstetrícia): Incorreta a alternativa A: porque, apesar de vacina tríplice viral, que confere imunidade contra rubéola, sarampo e caxumba, ser contraindicada na gestação por ser de vírus atenuados e, dessa forma, oferecer risco potencial para o feto, não se justifica interromper a gestação uma vez que não se encontram relatos na literatura médica de malformações fetais relacionadas à vacina realizada inadvertidamente durante a gestação. Incorreta a alternativa B: Como não se encontram relatos na literatura médica de malformações fetais relacionadas à vacina realizada inadvertidamente durante a gestação, não há, portanto, indicação para realização de procedimento invasivo para diagnóstico fetal, como estudo citogenético. Incorreta a alternativa C: Como não se encontram relatos na literatura médica de malformações fetais relacionadas à vacina realizada inadvertidamente durante a gestação, não há, portanto, indicação para realização de procedimento invasivo para diagnóstico fetal, como pesquisa do anticorpo do vírus da rubéola por PCR em amostra do líquido amniótico. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 55 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Correta a alternativa D: porque, apesar de a vacina tríplice viral, que confere imunidade contra rubéola, sarampo e caxumba, ser contraindicada na gestação por ser de vírus atenuados e dessa forma, ter potencial de oferecer risco para o feto, não se encontram relatos na literatura médica de malformações fetais relacionadas à vacina realizada inadvertidamente durante a gestação, portanto a conduta frente a esses casos é manter seguimento pré-natal de rotina. 4.4 RUBÉOLA CONGÊNITA 4.4.1 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A doença também pode ser assintomática ou apresentar poucos sintomas ao nascimento. Pode levar a aborto, óbito fetal, nascimento prematuro, manifestações sistêmicas, déficits auditivos e manifestações oculares. MANIFESTAÇÕES SISTÊMICAS • Retardo do crescimento uterino; • Hepatoesplenomegalia; • Icterícia; • Petéquias; • Adenopatia; • Anemia hemolítica; • Trombocitopenia; • Pneumonia intersticial; • Lesões ósseas; • Patologias da tireoide; • Diabetes Mellitus, MANIFESTAÇÕES NEUROLÓGICAS • Meningoencefalite; • Panencefalite; • Microcefalia. MANIFESTAÇÕES CARDÍACAS • Persistência do canal arterial; •Estenose de artéria pulmonar. MANIFESTAÇÕES OCULARES • Catarata congênita. MANIFESTAÇÕES AUDITIVAS • Perda auditiva neurossensorial bilateral. Incorreta a alternativa E: porque a imunoglobulina para rubéola é indicada para gestantes susceptíveis, que ficaram expostas a situações de possível contaminação pelo vírus da rubéola, especialmente durante o primeiro trimestre, a fim de tentar evitar que desenvolvam a doença e reduzir a transmissão fetal. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 56 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA CARACTERÍSTICA CHAVE DA RUBÉOLA CONGÊNITA! Reparou, mais uma vez, o que falei dos sintomas serem parecidos entre as doenças? Não se preocupe! Vamos à característica-chave da doença! • Presença de cardiopatia CAI NA PROVA (UFMA/MA/2019) Recém-nascido, pequeno para idade gestacional, apresenta quadro de surdez, microcefalia, estenose pulmonar e catarata congênita. Diante do conjunto de alterações descritas, selecione a infecção congênita provável para esse caso. A) Síndrome da rubéola congênita. B) Síndrome de zika congênita. C) Sífilis congênita. D) Toxoplasmose congênita. COMENTÁRIO Cardiopatia, catarata e déficit auditivo são características da síndrome da rubéola congênita. Só pela presença da estenose pulmonar já fecharíamos o diagnóstico da questão! Correta a alternativa A. Incorreta a alternativa B: A zika traz microcefalia, microftalmia, pé torto congênito, manifestações neurológicas e artrogripose. Incorreta a alternativa C: A sífilis traz lesões ósseas, cutâneas, hepatoesplenomegalia. Incorreta a alternativa D: A toxoplasmose é caracterizada pela tétrade de Sabin. As manifestações mais comuns da síndrome da rubéola congênita é a associação de cardiopatia congênita, catarata e déficit auditivo neurossensorial bilateral. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 57 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA (HIPP/PR/2019) Uma criança de 20 dias de vida é levada ao hospital porque se observou que ela cansa após as mamadas. Nasceu de parto a termo e normal, domiciliar, tendo a mãe feito apenas uma consulta no pré-natal. O exame físico mostra um recém-nascido com peso de 1950 gramas, estatura de 45 cm, perímetro cefálico de 29 cm, icterícia ++/++++, hipoatividade, fontanelas abertas e normotensas, craniotabes negativo, presença de nistagmo, ausculta pulmonar com murmúrio vesicular presente bilateralmente sem ruídos adventícios, à ausculta cardíaca sopro contínuo no 2º espaço intercostal esquerdo, palpação abdominal com fígado a 3,5 cm do rebordo costal direito e baço a 3 cm do rebordo costal esquerdo. Dos reflexos primitivos, o de Moro é ausente. Este quadro sugere que, durante a gestação, a infecção materna mais provável foi: A) Sífilis. B) Aids. C) Rubéola. D) Herpes E) Toxoplasmose. COMENTÁRIO Vamos procurar a característica-chave! Observe que a questão traz vários sinais e entre eles um sopro cardíaco, indicando cardiopatia! Pode marcar rubéola congênita sem medo de errar! Correta a alternativa C. Incorreta a alternativa A: lesões de pele e ósseas associadas à hepatoesplenomegalia caracterizam sífilis congênita. Incorreta a alternativa B: a AIDS é assintomática ao nascer e manifesta-se mais tarde com sinais de imunodepressão. Incorreta a alternativa D: a herpes simples traz vesículas, hiperemia conjuntival, lesões neurológicas. Incorreta a alternativa E: a toxoplasmose é caracterizada pela tétrade de Sabin. (ISCMA 2018) Os principais efeitos teratogênicos da rubéola são: A) Microcefalia, catarata, surdez e cardiopatia. B) Microcalcificações cerebrais, microcefalia, coriorretinite. C) Focomelia e cardiopatia. D) Hipospádia em meninos e virilização meninas. E) Nenhuma das anteriores. COMENTÁRIO: Correta a alternativa A: microcefalia, catarata, surdez e cardiopatia são alterações que ocorrem na rubéola congênita Incorreta a alternativa B: microcalcificações cerebrais, microcefalia, coriorretinite ocorrem principalmente na infecção congênita por citomegalovírus e toxoplasmose. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 58 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 4.4.2 DIAGNÓSTICO PÓS-NATAL A presença de anticorpos IgM confirmam a infecção, mas, mais uma vez, a ausência não a descarta. Também podemos isolar o vírus em secreção nasofaríngea, líquor e urina, ele está presente em 80% das crianças no primeiro ano de vida. Além disso, os exames complementares e a história clínica fecham o diagnóstico. • Hemograma completo, que pode trazer anemia hemolítica e trombocitopenia. • Testes de função hepática e bilirrubinas para pesquisa de colestase neonatal. • Radiografia de ossos longos em busca de lesões ósseas. • Exames de imagem neurológica, como ultrassonografia transfontanela ou tomografia de crânio. • Coleta de líquor em busca do isolamento viral. • Ecocardiograma – IMPORTANTÍSSIMO! • Avaliação oftalmológica com fundo de olho. • Triagem auditiva neonatal. 4.4.3 TRATAMENTO Infelizmente, nesse caso, não há tratamento específico para a infecção congênita, ele deve ser voltado para as complicações da doença. A criança deve ser acompanhada com oftalmologista, otorrinolaringologista e cardiologista. CAI NA PROVA (AMS APUCARANA/PR/2020) Sobre a Síndrome da Rubéola Congênita é correto afirmar: A) Mulheres em idade fértil, não imunes, deverão ser vacinadas e devem esperar três meses para engravidar. B) A vacinação para rubéola de mulheres em idade fértil não tem efeito direto na prevenção da Síndrome da Rubéola Congênita, pois não contribui para a eliminação do vírus na comunidade. C) A infecção da mãe pode resultar em aborto, morte fetal ou anomalias congênitas como diabetes, catarata, glaucoma e surdez. D) Recém-nascidos com Síndrome da Rubéola Congênita podem excretar o vírus da Rubéola e o vírus pode ser encontrado em 33% das crianças no primeiro mês de vida. COMENTÁRIO: Incorreta a alternativa A: as mulheres vacinadas devem esperar um mês para engravidar. Incorreta a alternativa C: focomelia e cardiopatia são efeitos teratogênicos da talidomida. Incorreta a alternativa D: hipospádia em meninos e virilização em meninas podem ocorrer em gestantes com hiperplasia adrenal congênita. Incorreta a alternativa E: a alternativa A está correta. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 59 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Correta a alternativa C: apesar de, aqui, o examinador não trazer a cardiopatia congênita, está correto dizer que os sinais apresentados são consequentes à doença. Incorreta a alternativa D: o vírus pode ser encontrado em 80% das crianças no primeiro ano de vida. Incorreta a alternativa B: a vacina tem efeito direto para prevenir a doença nas mulheres, assim como produz efeito de rebanho impedindo a propagação do vírus na comunidade. 4.5 RESUMINDO • A rubéola é uma doença exantemática aguda de alta contagiosidade que pode ocasionar a síndrome da rubéola congênita por transmissão transplacentária quando acomete gestantes no primeiro trimestre. • O agente etiológico da rubéola é um RNA vírus da família togavírus e o homem é o único hospedeiro conhecido . • A prevenção da rubéola ocorre pela vacinação de vírus vivo atenuado feita em crianças e adultos, fornecendo imunidade por toda a vida. • Deve-se aguardar um mês para engravidardepois de receber a vacina para rubéola. • O diagnóstico de rubéola na gestação é feito pela sorologia com a pesquisa de anticorpos específicos IgG e IgM. O Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento sorológico na gestação como triagem de rotina. • Quando a sorologia é IgG e IgM positivas no primeiro trimestre, mas há dúvidas se a infecção é recente (não sintomática), deve-se solicitar o teste de avidez para IgG. • O diagnóstico de infecção fetal é feito pela pesquisa do RNA por PCR em amostra de líquido amniótico, colhido pela amniocentese, ou pela pesquisa de IgM no sangue fetal, colhido por cordocentese. • As principais manifestações da síndrome da rubéola congênita são: surdez, defeitos cardíacos (característica-chave), alterações oculares e alterações do sistema nervoso central. • O diagnóstico é por sorologia, isolamento viral em secreções, história clínica, exames complementares e especializados. • Não há tratamento específico. 5.0 PARVOVíRUS B19 NA GESTAÇÃO CAPÍTULO 5.1 INTRODUÇÃO O parvovírus B19 causa infecção comum na infância (eritema infeccioso), que cursa com manifestações brandas. Entretanto, a infecção aguda durante a gestação pode levar ao comprometimento fetal grave, com hidropisia e óbito fetal. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 60 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Nas provas de Residência Médica, esse tema é pouco abordado pelas bancas. Em um levantamento feito pela equipe de Obstetrícia do Estratégia MED, encontramos apenas questões sobre parvovirose na gestação em algumas poucas provas do estado de São Paulo e os tópicos abordados sobre esse tema foram sobre as manifestações congênitas, diagnóstico diferencial e tratamento. Não encontramos esse assunto nas provas de Pediatria dos últimos anos. Então, aqui você encontrará o que precisa saber sobre ele para as provas. 5.2 ETIOLOGIA E TRANSMISSÃO A parvovirose em humanos é causada pelo parvovírus B19, vírus de DNA fita simples, que tem tropismo por células de rápida divisão celular, como as da medula óssea. O parvovírus B19 é transmitido por via respiratória, sanguínea e transplacentária. A passagem transplacentária ocorre em torno 25% dos casos de infecção durante a gestação e é mais grave quando se dá na primeira metade de gestação. 5.3 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E CONGÊNITAS Em crianças, o parvovírus B19 causa o eritema infeccioso, doença autolimitada que se caracteriza por febre, eritema malar (face esbofeteada) e exantema de troncos e extremidades. Em adultos, a infecção, geralmente, é assintomática. Também pode ocorrer aplasia eritrocitária e infecção crônica na medula óssea de imunocomprometidos. A infecção aguda durante a gestação pode levar à transmissão transplacentária para o feto, mas, na maioria das vezes, não há manifestações fetais. Porém, em alguns casos, ocorre citotoxidade na eritropoiese fetal, resultando em anemia fetal, hidropisia fetal não imune, perda gestacional precoce e óbito fetal. Apesar disso, esse quadro pode resolver-se espontaneamente, ainda intraútero, quando as manifestações não forem severas. CAI NA PROVA (UFPR 2018) Qual das infecções abaixo está comumente associada à anemia fetal? A) Citomegalovírus. B) Parvovírus. C) Herpes. D) Sífilis. E) Toxoplasmose. COMENTÁRIO: Incorreta a alternativa A: infecção congênita por CMV não causa anemia fetal. Correta a alternativa B: a principal manifestação da infecção congênita por parvovírus B19 é a anemia fetal, que pode levar à hidropisia e óbito. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 61 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Incorreta a alternativa C: infecção congênita por herpes simples não causa anemia fetal. Incorreta a alternativa D: infecção congênita por sífilis pode causar anemia, mas não é uma manifestação frequente. Incorreta a alternativa E: infecção congênita por toxoplasmose não causa anemia fetal. 5.4 DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO O diagnóstico de infecção materna na gestação é feito pela sorologia para parvovírus B19, avaliando-se os anticorpos IgG e IgM. Assim, diante de um caso suspeito de parvovirose na gestação, por exposição recente ao vírus ou por sintomas compatíveis com infecção aguda, deve-se avaliar a sorologia materna. Quando a gestante é IgM e IgG negativos, ela é susceptível e deve ser aconselhada a não ter contato com pessoas com sintomas sugestivos de parvovirose. Se IgM negativo e IgG positivo, a gestante é imune e não há risco de infecção fetal. Por outro lado, IgM positiva indica infecção aguda na gestação e a gestante deve ser encaminhada para avaliação ultrassonográfica fetal, com dopplervelocimetria seriada semanal a partir do segundo trimestre. O pico de velocidade sistólica da artéria cerebral média (PVS- ACM), avaliado pela dopplervelocimetria, é o método que identifica indiretamente anemia fetal. Quando o PVS-ACM estiver acima de 1,5 múltiplos da mediana (MOM), deve-se fazer cordocentese para confirmação da anemia e realizar transfusão sanguínea fetal. A suspeita de parvovírus B19 na gestação também ocorre pela presença de hidropisia fetal não imune, caracterizada pelo excesso de água no corpo do concepto, em pelo menos duas cavidades serosas (ascite, derrame pleural e pericárdico) ou no tecido subcutâneo. A hidropisia fetal pode ocorrer na parvovirose gestacional por anemia fetal grave e é um diagnóstico diferencial importante das hidropisias. A presença de hidropisia leve a moderada pode resolver-se espontaneamente, já a hidropisia severa pode levar à insuficiência cardíaca e óbito fetal, nesses casos, a transfusão fetal está indicada. Sendo assim, a transfusão intrauterina é o tratamento indicado para os casos de parvovirose congênita que cursam com hidropisia fetal grave ou anemia fetal grave, essa conduta melhora a sobrevida do feto. Nesses casos, o parto deve ocorrer em centro terciário, pois o feto necessitará de suporte ventilatório e outros procedimento neonatais. A infecção pelo parvovírus B19 é o principal diagnóstico diferencial de hidropisia imune (por aloimunização materna), pois também causa a anemia fetal grave diagnosticada pelo aumento do PVS-ACM e também é tratada com transfusão fetal intraútero nos casos graves. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 62 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA COMENTÁRIO: Incorreta a alternativa A: a sífilis congênita não causa hidropisia fetal por anemia fetal grave. Correta a alternativa B: a principal causa de hidropisia fetal não imune por anemia fetal grave é a infecção por parvovírus B19. Incorreta a alternativa C: a rubéola congênita não causa hidropisia fetal por anemia fetal grave. Incorreta a alternativa D: a incompatibilidade do sistema sanguíneo ABO não causa hidropisia fetal, mas sim a incompatibilidade Rh. 5.5 RESUMINDO • A parvovirose em humanos é causada pelo parvovírus B19. • A transmissão vertical ocorre por via transplacentária e é mais grave na primeira metade da gestação. • A infecção congênita pelo parvovírus B19 pode causar citotoxidade na eritropoiese fetal, resultando em anemia fetal, hidropisia fetal não imune, perda gestacional precoce e óbito fetal. • Sorologia IgM positiva indica infecção aguda na gestação e deve-se avaliar o PVS-ACM, identificando indiretamente anemia fetal. • Quando o PVS-ACM estiver acima de 1,5 MOM, deve-se fazer cordocentese para confirmação da anemia e realizar transfusão fetal. • A transfusão intrauterinaé o tratamento indicado para os casos de infecção congênita por parvovírusB19 que cursam com hidropisia fetal grave ou anemia fetal grave. • A infecção congênita por parvovirose que cursa com hidropisia é um diagnóstico diferencial das hidropisias imunes por aloimunização Rh. CAI NA PROVA (UFPR 2017) Paciente primigesta com 28 semanas de gestação apresenta exame de ultrassonografia demonstrando quadro de hidropisia fetal associado com dilatação cardíaca e aumento da velocidade de pico sistólico na artéria cerebral média acima de 2 múltiplos da mediana. Assinale a alternativa que explica a etiologia do problema apresentado pelo feto. A) Infecção por sífilis. B) Infecção por parvovírus. C) Infecção por rubéola. D) Incompatibilidade sanguínea pelo sistema ABO. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 63 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA CAPÍTULO 6.0 ZIKA VÍRUS NA GESTAÇÃO 6.1 INTRODUÇÃO O Zika vírus começou a circular no Brasil em 2015 e, até então, causava uma doença não agressiva, entretanto pesquisadores brasileiros observaram um aumento na incidência de microcefalia em fetos de gestantes com infecção pelo Zika vírus e, a partir de então, ficou confirmando que ele é capaz de ultrapassar a barreira placentária, causando infecção congênita com grave acometimento fetal. Nas provas de Residência Médica, esse tema vem sendo abordado dentro das questões de Obstetrícia em relação às manifestações congênitas e ao diagnóstico diferencial. Nas de Pediatria, apenas como diagnóstico diferencial. Aqui coloco tudo o que você precisa saber sobre esse tema para as provas. 6.2 ETIOLOGIA E TRANSMISSÃO O vírus Zika é um arbovírus (transmitido pela picada de mosquitos) do gênero flavivírus e apresenta comportamento benigno, baixa virulência e baixa letalidade. Sabe-se que a principal via de transmissão do vírus Zika é por meio da picada do mosquito, o Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue, chikungunya e febre amarela. Além disso, foi verificada transmissão por via sexual e o vírus já foi identificado no sangue, sêmen, urina, saliva e leite materno. Em 2015, confirmou-se a transmissão vertical do Zika vírus por via transplacentária (figura 7). Desde então, a suspeita ou confirmação de infecção pelo Zika vírus na gestação e a síndrome congênita pelo Zika vírus (SCZ) são de notificação compulsória no Brasil. Ainda não há relatos de transmissão durante o parto e o aleitamento materno. Figura 7. Infecção congênita pelo Zika vírus. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 64 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA CAI NA PROVA (PUC SP 2018) Neuza é gestante de 12 semanas, mora em Sorocaba/SP e é casada com Lúcio, motorista de caminhão. Retornando de viagem ao Estado de Pernambuco, Lúcio apresentou quadro de exantema maculopapular, febre baixa, artralgia, mialgia, dor de cabeça e hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, edema nas pernas, dor de garganta, tosse e vômitos. Procurou o serviço de saúde que suspeitou de Zika. Assinale a alternativa CORRETA entre as abaixo relacionadas: A) A paciente não precisa ficar preocupada, pois já passou o primeiro trimestre da gestação B) Deve-se recomendar que o contato sexual somente seja permitido com o uso do preservativo masculino C) A paciente não pode receber repelentes a base de n-Dietil-metatoluamida (DEET), por seu potencial teratogênico D) Há indicação de soroterapia hiperimune para possíveis contactantes de indivíduo com Zika, como é o caso da gestante Neuza COMENTÁRIO Por Sérgio Beduschi Filho – infectologia: Incorreta a alternativa A: pois a infecção por vírus Zika em gestantes pode causar defeitos congênitos em qualquer trimestre da gestação. Correta a alternativa B: devido ao risco de transmissão sexual do vírus Zika, recomenda-se o uso de preservativo masculino em caso de exposição ao vírus pelo parceiro. Incorreta a alternativa C: pois o uso de repelentes à base de n-Dietil-metatoluamida (DEET) não é contraindicado para gestantes. Incorreta a alternativa D: não há indicação de soroterapia hiperimune ou qualquer outro tratamento profilático para contactantes de indivíduos com Zika. 6.3 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E CONGÊNITAS O Zika vírus causa infecção assintomática em 80% dos casos. Quando sintomática, apresenta doença exantemática em 90 a 100% desses casos. Pode ocorrer também febre baixa, mialgia, artralgia leve a moderada, conjuntivite, cefaleia, prurido, hipertrofia ganglionar e acometimento neurológico. A síndrome da infecção congênita pelo Zika vírus (SCZ) pode manifestar-se com microcefalia, microftalmia, pé torto congênito, artrogripose, hidropisia, restrição de crescimento fetal, abortamento e óbito fetal. Observa-se que os principais achados ultrassonográficos durante a gestação são: microcefalia, calcificações periventriculares, ventriculomegalia, microftalmia, pé torto congênito e restrição de crescimento fetal. A microcefalia é definida por um perímetro cefálico com mais de 2 desvios-padrão abaixo da média para idade gestacional ou sexo. Porém, desde 2016, após o surto de zikavirose, o Brasil definiu como microcéfalo o menino com medida igual ou inferior a 31,9 cm e a menina 31,5 cm. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 65 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA ULTRASSOMAedes aegypti, confira: A infecção pelo Zika vírus é considerada uma IST, por isso deve-se reforçar a utilização de preservativos durante a gestação, principalmente após viagem a áreas endêmicas ou suspeita/ diagnóstico da infecção nas parcerias sexuais. Para o planejamento pré-concepcional deve-se orientar aguardar dois meses para engravidar se a mulher tiver sido infectada e três meses no caso de infecção no homem. Durante a gestação, não há indicação de exame para triagem universal da infecção pelo Zika vírus. Entretanto, diante da presença de doença exantemática na gestação deve-se solicitar teste rápido para dengue, chikungunya e PCR para Zika vírus até 5-7 dias dos sintomas. Além do mais, deve-se fazer o diagnóstico diferencial com outras doenças exantemáticas (TORCHS, varicela zoster, parvovírus B19). Sabe-se que a sorologia para Zika vírus apresenta baixa especificidade, uma vez que os anticorpos IgM apresentam reatividade cruzada com outras doenças, como dengue. Estabelecido o diagnóstico de infecção pelo Zika vírus, deve- se fazer o estudo da morfologia e da vitalidade fetal, além de exames ultrassonográficos seriados mensais, a fim de identificar o comprometimento fetal pelo Zika vírus. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 67 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Por outro lado, a gestante pode não apresentar sintomatologia e a suspeição de infecção congênita pelo Zika vírus ocorrer pelo diagnóstico de microcefalia na ultrassonografia de rotina. Nesses casos, recomenda-se realizar sorologia IgG e IgM para Zika vírus, dengue e chikungunya e afastar outras causas de microcefalia (sorologia para sífilis, toxoplasmose, rubéola, CMV e varicela zoster), além de uma avaliação com geneticista. Diante do diagnóstico de síndrome congênita pelo Zika vírus, a gestante deve ser encaminhada para centro terciário. Não há tratamento para a síndrome congênita pelo Zika vírus, assim o parto e o puerpério mantêm rotina normal e a amamentação não é contraindicada nesses casos. Para as crianças, não há tratamento específico e deve haver acompanhamento multiprofissional para estímulo precoce e diminuição da perda do desenvolvimento neuropsicomotor. Frente à uma suspeita de Zika vírus, a criança será beneficiada com uma avaliação audiológica, neuroimagem e sorologias STORCH para diagnóstico diferencial. O Eletroencefalograma não é necessário, pois as convulsões são clínicas, secundárias a uma malformação cerebral. CAI NA PROVA (UFS-SE 2020) A infecção pelo Zika vírus constitui-se uma preocupação no acompanhamento pré-natal no Brasil devido à sequela da microcefalia no recém-nascido causada pela infecção, o que se constitui um grave problema de Saúde Pública. Diante do exposto é importante que o médico tenha conhecimento sobre a infecção pelo vírus na gestação, então, das questões abaixo, qual a afirmação VERDADEIRA? A) Embora o Zika vírus seja encontrado no leite materno no caso de infecção aguda a amamentação não é contraindicada. B) O uso de repelentes ambientais do tipo spray é eficaz contra o mosquito vetor da Zika. C) O repelente a base de Icaridina e a ingestão de tiamina pela gestante são eficazes na proteção contra o mosquito vetor da Zika e aprovados pela ANVISA. D) Para um correto diagnóstico ultrassonográfico da microcefalia fetal é necessário apenas saber a data da última menstruação da gestante. O que o examinador quer saber: sobre a infecção do Zika vírus na gestação. COMENTÁRIOS: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 68 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Correta a alternativa A: a amamentação não é contraindicada nos casos de infecção aguda por Zika vírus, pois os benefícios da amamentação superam os riscos de infecção no recém-nascido. Incorreta a alternativa B: o uso de repelentes ambientais não é eficaz contra o mosquito vetor do Zika vírus, mas sim o uso de repelentes diretamente na gestante. Incorreta a alternativa C: o uso de repelente icaridina é eficaz e seguro na gestação, mas o uso de tiamina não se mostrou eficaz para evitar a picada do mosquito Aedes aegypti. Incorreta a alternativa D: para o diagnóstico correto de microcefalia fetal, é preciso ter confirmada a idade gestacional por uma ultrassonografia precoce, pois, muitas vezes, a data da última menstruação pode não estar correta. (UFCG-PB 2017) Pesquisas recentes, muitas delas desenvolvidas em Campina Grande por pesquisadoras como as Médicas Adriana Melo e Melania Amorim, trataram da associação entre o Zika Vírus (ZIKV) e casos de microcefalia e outras malformações. Vários protocolos de prevenção e conduta foram elaborados desde então. Considerando os conhecimentos e recomendações atuais sobre a Síndrome do Zika Vírus, é correto afirmar: A) Apesar da presença do ZIK V no leite materno com infecção aguda, a orientação geral nesses casos é que a amamentação não seja suspensa. B) A transmissão ocorre exclusivamente através da picada do mosquito Aedes aegypti, não tendo sido identificadas outras formas de transmissão. C) Não há necessidade de prevenção de gravidez se o homem estiver sintomático e/ou com diagnóstico de infecção aguda. D) Mulheres devem aguardar pelo menos 6 meses após o aparecimento dos sintomas para que tentem engravidar. E) Os sintomas apresentados pelas grávidas diferem de maneira importante dos das não grávidas, especialmente os quadros de exantema e conjuntivite, mais comuns nas primeiras. COMENTÁRIOS: Correta a alternativa A: a amamentação não é contraindicada nos casos de infecção aguda por Zika vírus, pois os benefícios da amamentação superam os riscos de infecção no recém-nascido. Incorreta a alternativa B: além da transmissão pela picada do mosquito Aedes aegypti, foi confirmada também a transmissão por via sexual e transplacentária. Ademais, o vírus foi identificado no sangue, sêmen, urina, saliva e leite materno. Incorreta a alternativa C: como a transmissão pode ocorrer por via sexual, é importante o uso de preservativo durante as relações sexuais na gestação. Incorreta a alternativa D: mulheres devem esperar de 2 a 3 meses do aparecimento dos sintomas para tentar engravidar. Incorreta a alternativa E: o Zika vírus causa infecção assintomática em 80% dos casos. Quando sintomática, apresenta doença exantemática em 90 a 100% desses casos. O quadro clínico nas gestantes é igual ao das não gestantes. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 69 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA (UEVA-GO 2017) A infecção pelo Zika vírus é motivo de preocupação durante o ciclo gravídico, uma vez que pode levar à infecção do concepto, comprometendo seu desenvolvimento e ocasionando sequelas graves. Quanto à profilaxia, deve-se considerar: A) vacinação de todas as gestantes contra dengue, pois há proteção cruzada, uma vez que o mosquito transmissor é o mesmo. B) o uso de complexo B via oral (que é excretado pelo suor), durante toda a gestação, a fim de repelir o mosquito transmissor. C) o uso diário de repelentes e roupas que cobrem o corpo deve ser estimulado. D) evitar o uso de cosméticos, pois o cheiro dos mesmos atrai o mosquito. COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A: a vacina contra dengue não protege de infecção pelo Zika vírus e não deve ser aplicada em gestantes. Incorreta a alternativa B: não há comprovação cientifica de que o uso de complexo B repele o mosquito Aedes aegypti. Correta a alternativa C: o uso de repelentes e roupas quealgumas infecções congênitas: Toxoplasmose, Outras (parvovírus, malária, doença de Chagas), Rubéola, Citomegalovírus e Herpes. Posteriormente, esse acrônimo ficou conhecido como TORCHS, acrescentando Hepatite B e C, HIV e Sífilis. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 8 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Sífilis HIV Hepatite B Hepatite C Toxoplasmose 1ª consulta pré-natal Anti-HCV na 1ª consulta de pré-natal HBsAG na 1ª consulta de pré-natal 1ª consulta de pré-natal 1ª consulta de pré-natal 3º trimestre 3º trimestre Parto Parto ou aborto Parto se a gestante não tiver vacinação completa para hepatite B História de exposição de risco/violência sexual História de exposição de risco/violência sexual História de exposição de risco/violência sexual História de exposição de risco/violência sexual A cada 1-2 meses se gestante susceptivel 1.2 TRANSMISSÃO VERTICAL DAS TORCHS A transmissão vertical depende de diversos fatores, incluindo a imunidade materna, a idade gestacional que a infecção ocorreu e se a infecção é primária, secundária ou reativação. Sabemos que infecções primárias, transmitidas via placenta, no início da gestação são muito mais danosas para o feto do que infecções secundárias transmitidas no final da gestação, afinal, esse Figura 1. Gráfico ilustrativo do risco de transmissão e gravidade das infecções congênitas conforme a idade gestacional. Fonte: MS, 2022. Para testagem dessas infecções, dá-se preferência à utilização de teste rápido, pela maior praticidade e rapidez em iniciar as medidas necessárias para diminuir o risco de transmissão vertical. Quando utilizar o teste laboratorial, preconiza-se que o resultado esteja disponível em até 14 dias. As outras infecções congênitas devem ser rastreadas conforme suspeita pelo quadro clínico materno ou fetal é o período da organogênese. Por outro lado, quando a infecção é adquirida tardiamente, a placenta está mais desenvolvida e o risco de transmissão vertical é maior. A figura 1 ilustra a relação da transmissão e da gravidade com a idade gestacional do acometimento materno. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 9 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA VAMOS RELEMBRAR? TRANSMISSAO VERTICAL: quando a doença é transmitida de uma geração para a outra por meio da passagem da infecção materna para o embrião ou feto ainda dentro do útero ou para o recém-nascido durante a amamentação. A transmissão pode ocorrer por via transplacentária, intraparto ou na amamentação. TRANSMISSÃO HORIZONTAL: quando a infecção é transmitida de um indivíduo para outro. A transmissão horizontal pode ser direta, por contato físico ou contato com secreções, ou ainda indireta, por meio de veículos intermediários, vivos ou não, que transmitem a infecção entre os hospedeiros infectados e susceptíveis. CAI NA PROVA (HFA-DF 2020 80) Uma paciente de 21 anos de idade, em acompanhamento pré-natal, apresentou sorologias pareadas para toxoplasmose, evidenciando aumento de cinco vezes no valor dos títulos de IgG em um intervalo de três semanas. Julgue o item a seguir O risco de transmissão de toxoplasmose para o feto reduz com a duração da gravidez, sendo no mínimo no terceiro trimestre. A) CERTO B) ERRADO COMENTÁRIOS: O risco de transmissão de toxoplasmose para o feto aumenta durante a gestação, sendo maior no terceiro trimestre. Portanto, a afirmativa da questão está errada, por isso deve ser assinalada a alternativa “B”. A maioria das infecções congênitas são transmitidas por via transplacentária, porém, em algumas doenças, ela acontece durante o parto, como é o caso da infecção pelo HIV, hepatite B e C , herpes simples, Coxsackie e malária. Já, a transmissão pela amamentação é bem rara e foi comprovada apenas na infecção pelo HIV e Hepatite B, no caso de lesão mamária de sífilis ou herpes simples. Embora haja relato de transmissão vertical durante a amamentação, o aleitamento materno só é proscrito nos casos de HIV materna. Correta a alternativa B. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 10 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA CAI NA PROVA (SUS-BA 2020) Gestante de 12 semanas, primigesta e assintomática, em consulta pré-natal, apresenta sorologia para toxoplasmose IgM positivo e IgG positivo. O próprio laboratório enviou teste confirmatório do IgM positivo. Diante do resultado do exame, o médico solicita Teste de Avidez de IgG, cujo resultado indica fraca avidez. De acordo com o quadro descrito, cite o trimestre gestacional de maior risco de infecção fetal pelo Toxoplasma gondii. COMENTÁRIOS: O risco de transmissão de toxoplasmose para o feto aumenta durante a gestação, sendo maior no terceiro trimestre. 1.3 MANIFESTAÇÕES CONGÊNITAS DAS TORCHS Esse é um dos tópicos mais cobrados sobre infecções congênitas nas provas de Residência Médica. Falaremos das manifestações de cada infecção congênita de forma individual, mas segue um resumo para melhor fixação. TOXOPLASMOSE � Calcificações intracranianas � Hidro ou microcefalia � Coriorretinite � Retardo mental RUBÉOLA � Retinopatia, catarata, glaucoma � Malformações cardíacas � Perda auditiva ZIKA VÍRUS � Microcefalia � Calcificações intracranianas � Artrogripose � Microftalmia � Perda auditiva SÍFILIS � Anormalidades esqueléticas � Lesões cutâneas � Pseudoparalisia de Parrot � Hepatoesplenomegalia CITOMEGALOVÍRUS � Calcificações periventriculares � Hepatoesplenomegalia � Trombocitopenia � Perda auditiva Então, vamos começar a conhecer cada uma dessas doenças. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 11 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 2.0 TOXOPLASMOSE NA GESTAÇÃO CAPÍTULO 2.1 INTRODUÇÃO A toxoplasmose é uma das infecções parasitárias mais comuns em humanos e possui ampla distribuição geográfica. Essa zoonose adquire relevância na gestação pelo elevado risco de transmissão vertical e acometimento fetal. Nas provas de Residência Médica, a toxoplasmose é uma das infecções congênitas mais cobradas, perdendo apenas para Sífilis e HIV. Em um levantamento feito pelas equipes de Obstetrícia e Pediatria do Estratégia MED, encontramos questões sobre toxoplasmose nas principais provas de Residência Médica e os principais tópicos abordados sobre esse tema foram: diagnóstico, tratamento e características do neonato acometido. Então, aproveite esse material didático e todas as nossas dicas sobre esse tema. 2.2 EPIDEMIOLOGIA DA TOXOPLASMOSE A toxoplasmose corresponde a uma das zoonoses mais prevalentes do Brasil, com uma soroprevalência na população adulta em torno de 40 a 80%, a depender da região estudada, uma vez que se relaciona às condições sanitárias e índices socioeconômicos. Segundo o Ministério da Saúde¹, a incidência de toxoplasmose congênita no Brasil varia de 5 a 20 casos para cada 10 mil nascidos vivos, sendo que tanto a toxoplasmose na gestação como a toxoplasmose congênita são doenças de notificação compulsória. Deve-se, portanto, notificar todos os casos suspeitos, prováveis e confirmados de toxoplasmose na gestação e toxoplasmose congênita. Doenças de notificação compulsória relacionadas ao período perinatal: HIV- gestação e recém-nascido exposto Sífilis- gestação ecobrem o corpo fazem parte das medidas de prevenção individual da transmissão do Zika vírus na gestação. Incorreta a alternativa D: não há comprovação de que o cheiro de cosméticos atraia o mosquito Aedes aegypti. (SURCE 2017) Gestante, assintomática, vivendo em zona endêmica de Zika, preocupada com o risco de microcefalia fetal deseja fazer um ultrassom para avaliar a possibilidade diagnóstica. Qual o parâmetro do perímetro cefálico (PC) é o LIMITE mais aceito para o diagnóstico de microcefalia, segundo os boletins de investigação do Ministério da Saúde do Brasil? A) PC abaixo do percentil 5 para idade gestacional. B) PC abaixo do percentil 10 para idade gestacional. C) PC abaixo de menos 2 desvios-padrão para idade gestacional. D) PC abaixo de menos 3 desvios-padrão para idade gestacional. COMENTÁRIO: Incorreta a alternativa A: PC abaixo do percentil 5 para idade gestacional não faz diagnóstico de microcefalia, mas sim abaixo do percentil 3. Incorreta a alternativa B: PC abaixo do percentil 10 para idade gestacional não faz diagnóstico de microcefalia, mas sim abaixo do percentil 3. Correta a alternativa C: PC dois desvios-padrão menor para a idade gestacional é o limite para o diagnóstico de microcefalia. Incorreta a alternativa D: o limite para o diagnóstico de microcefalia é PC dois desvios-padrão menor para a idade gestacional, e não três desvios-padrão. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 70 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA (AMS 2020) Em uma área endêmica para o vírus Zika é recomendado à gestante: A) O uso de preservativos pelo companheiro até o final da gravidez. B) Evitar uso de repelentes contendo icaridina no primeiro trimestre da gravidez. C) Realizar ultrassonografia obstétrica e sorologia para Zika vírus todos os meses. D) Realizar exames laboratoriais para Zika vírus a cada dois meses. COMENTÁRIO: Correta a alternativa A: como há suspeita de que o Zika vírus possa ser transmitido por via sexual, orienta-se que as gestantes mantenham relações sexuais apenas com preservativo até o fim da gestação. Incorreta a alternativa B: os repelentes de Icaridina, DEET e IR 3535 são permitidos durante toda a gestação, o uso deve ser estimulado desde o início. Incorreta a alternativa C: não há indicação de realizar sorologia e ultrassonografia obstétrica mensal, deve-se manter as ultrassonografias preconizadas pelo Ministério da Saúde no pré-natal de rotina. Incorreta a alternativa D: não há indicação para realizar exames laboratoriais para o Zika vírus a cada dois meses, somente no caso de quadro clínico de doença exantemática ou de microcefalia. (FUBOG 2020 GO) Quais são os principais exames complementares solicitados na investigação da criança com síndrome congênita do Zika Vírus? A) EEG, neuroimagem e BERA. B) EEG, neuroimagem e sorologias STORCH. C) ECG, BERA e sorologias STORCH. D) BERA, neuroimagem e sorologias STORCH. COMENTÁRIOS Frente à uma suspeita de zikavírus, a criança será beneficiada de uma avaliação audiológica (BERA), neuroimagem e sorologias TORCHS para diagnóstico diferencial. O Eletroencefalograma não é necessário pois as convulsões são clínicas, secundárias a uma malformação cerebral e não há distúrbios de ritmo para necessitarmos de eletrocardiograma. Correta a alternativa D. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 71 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA (HCPA RS 2019) Considere as assertivas abaixo sobre o vírus Zika. I. Além da microcefalia congênita, pode ocorrer uma série de manifestações, dentre as quais se incluem desproporção craniofacial, espasticidade, convulsões, irritabilidade e anormalidades auditivas e oculares. II. O Ministério da Saúde adota, como critério de classificação de microcefalia, uma medida de perímetro cefálico ≤ 32 cm logo após o nascimento. III. Recém-nascidos com perímetro cefálico normal, cujas mães foram expostas ao vírus no terceiro trimestre da gestação, podem apresentar alterações neurológicas graves nos primeiros meses de vida. Quais são as corretas? A) Apenas I B) Apenas II C) Apenas III D) Apenas I e III E) I, II e III COMENTÁRIOS: I- Todas essas são manifestações possíveis da zikavirose. Correta. II- De acordo com o Ministério da Saúde, microcefalia corresponde a perímetro cefálico menor que 31,9cm para meninos e 31,5cm para meninas. Incorreta. III- A microcefalia não é obrigatória, qualquer filho de mãe que apresentou zika pode apresentar alterações neurológicas graves, mesmo as expostas no final da gestação. Correta. Corretas I e III. Correta a alternativa D. (SUS RR 2016 ADAPTADA) Recém-nascido a termo, parto normal, pesando 3.600 g. Exame físico: PC = 31 cm, suturas cranianas frontais e parietais levemente cavalgadas. Restante sem alterações visíveis. Os exames pré-natais foram normais, segundo a mãe, porém não conseguiu fazer USG morfológico na UBS de município do interior do estado. Mãe preocupada por achar que teve Zika no 4º mês de gestação. A recomendação inicial para o caso é: A) Suspender o aleitamento materno até confirmação diagnóstica. B) Explicar a mãe que não se enquadra em caso suspeito de microcefalia pelo Zika vírus. C) Encaminhar para acompanhamento ambulatorial. D) Considerar perímetro cefálico normal pois há cavalgamento de suturas. E) Confirmar medida de PC entre 24-48h de vida, iniciando investigação de microcefalia e notificando caso suspeito de microcefalia por Zika vírus. COMENTÁRIOS: De acordo com o Ministério da Saúde, microcefalia corresponde a perímetro cefálico menor que 31,9cm para meninos e 31,5cm para meninas. Como nos primeiros dias de vida podemos ter cavalgamento de suturas, devemos esperar de 24 a 48 horas para confirmar a medida. Toda criança com microcefalia deve ser investigada para infecções congênitas, entre elas a Zikavirose. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 72 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Correta a alternativa E. Incorreta a alternativa A: Não há necessidade de suspender aleitamento materno na suspeita de infecção congênita, com exceção da mãe HIV positivo. Incorreta a alternativa B: A zikavirose é uma importante causa de microcefalia. Incorreta a alternativa C: A investigação diagnóstica deve ser realizada ainda com o RN internado. Incorreta a alternativa D: O perímetro cefálico não está normal. 6.5 RESUMINDO • A principal via de transmissão do vírus Zika é por meio da picada do mosquito, o Aedes aegypti. Ademais, há transmissão por via sexual e o vírus já foi identificado no sangue, sêmen, urina, saliva e leite materno. • A transmissão vertical do Zika vírus ocorre por via transplacentária. • A transmissão materna pode ser reduzida com medidas que evitam a picada do Aedes aegypti. • A síndrome da infecção congênita pelo Zika vírus (SCZ) pode manifestar-se com microcefalia, microftalmia, pé torto congênito, artrogripose, hidropisia, restrição de crescimento fetal, abortamento e óbito fetal. • A microcefalia caracteriza-se por diminuição da medida da circunferência cefálica do feto ou do recém-nascido em dois DP (desvios-padrões) abaixo da média ou abaixo do percentil 3 do limite normal para sexo e idade gestacional. Pelo Ministério da Saúde, é menor que 31,9cm para meninos e 31,5cm para meninas. • Deve-se suspeitar de infecção pelo Zika vírus na gestação se a gestante apresentar doença exantemática ou feto com microcefalia. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e dv i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 73 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 7.0 HERPES SIMPLES CAPÍTULO A herpes simples congênita foi vista com menor frequência nas provas de Residência, sendo assim, mostrarei os principais pontos para que você possa diferenciá-la nas questões. O vírus causador da herpes simples é membro da família Herpesviridae, os principais tipos são o herpes vírus tipo1e tipo 2. A infecção intrauterina é muito rara e não há rastreio sorológico no pré-natal. A maior parte dos casos é transmitida durante o parto pelo contato do neonato com lesões no trato genital materno. Outra forma de transmissão é a pós-natal, através do contato com lesões ativas. Há um tempo, ficou famoso o caso de um neonato que adquiriu a doença após ser beijado por uma pessoa com herpes. Disponível em: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/06/18/ herpes-neonatal-o-beijo-da-morte-que-quase-custou-a-vida-do-meu-bebe. ghtml, acesso em 23 de Junho de 2020 A doença é SEMPRE sintomática e pode manifestar-se como: • Localizada, através de vesículas cutâneas ou periorbitais, hiperemia conjuntival, ceratite, coriorretinite e úlceras em orofaringe. O primeiro episódio pode ser bem doloroso e sintomático. Inicialmente aparece dor e prurido genital e posteriormente aparecem pústulas e vesículas que se transformam em múltiplas úlceras dolorosas. Os episódios recorrentes geralmente têm sintomas menos intensos. • Neurológica, com acometimento do sistema nervoso central, apresentando convulsões, letargia, tremores e instabilidade térmica. • Disseminada, com acometimento de múltiplos órgãos, entre eles pele, neurológico, hepático, pulmonar, adrenal. A mortalidade nesses casos pode ultrapassar 80%. Quando o primeiro episódio ocorre durante a gestação, no primeiro e no segundo trimestre há um aumento do risco de abortamento e perda fetal. A transmissão intraútero pode ocorrer, mas é rara. O maior risco de transmissão neonatal acontece quando a infecção se dá no terceiro trimestre e ocorre contato com o vírus no momento do parto. O diagnóstico na maioria das vezes é clinico, mas método diagnóstico mais fidedigno é o isolamento e a cultura ou PCR viral em tecidos e sangue. A sorologia não serve para confirmar o diagnostico pois demora 6-8 semanas para positivar.Exames complementares devem ser solicitados para avaliação clínica: hemograma, função hepática, função renal e coleta de líquor. Exames de imagem devem ser solicitados conforme necessário. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/06/18/herpes-neonatal-o-beijo-da-morte-que-quase-custou-a-vida-do-meu-bebe.ghtml https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/06/18/herpes-neonatal-o-beijo-da-morte-que-quase-custou-a-vida-do-meu-bebe.ghtml https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/06/18/herpes-neonatal-o-beijo-da-morte-que-quase-custou-a-vida-do-meu-bebe.ghtml m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 74 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Na gestante, o tratamento é feito com aciclovir, tentando evitar tratamento no primeiro trimestre apesar de estudos não mostrarem aumento do risco de malformações fetais. A dose para o tratamento das lesões agudas na gestante é de 400 mg 3x ao dia ou 200 mg 5x ao dia, via oral, por 7 a 10 dias. O tratamento no recém-nascido é feito com aciclovir na dose de 60mg/kg/dia, endovenoso, a cada 8 horas, por 14 a 21 dias. A prevenção da herpes congênita deve ser realizada em todas as gestantes que já foram infectadas. Para isso, deve-se utilizar aciclovir por volta da 36ª semana de gestação mesmo na ausência de sintomas, em gestantes com herpes genital prévia, para prevenir a recorrência no termo e evitar o parto cesáreo. Caso a gestante apresente o primeiro episodio de herpes genital no momento do parto ou até 6 semanas antes, é indicado realizar o parto cesáreo, apesar de não haver nenhum estudo randomizado que mostre a efetividade da cesárea em prevenir transmissão de herpes neonatal. Frente à infecção herpética genital recorrente no momento do parto, também está indicado o parto cesárea. Além disso, orienta- se suspender o aleitamento se houver comprometimento das mamas da puérpera. Orientar também que pessoas com lesões ativas não devem tocar no bebê. O RN infectado deve ser mantido em isolamento de contato. CAI NA PROVA (HOSPITAL MUNICIPAL SJC SP 2020) O diagnóstico diferencial para tratamento e acompanhamento adequado das infecções congênitas é muito importante embora a maioria dos quadros sejam assintomáticos ao nascimento. Qual das alternativas abaixo apresenta doença em que as manifestações no período neonatal estão sempre presentes? A) Rubéola. B) Herpes simples vírus (HSV). C) Hepatite B. D) HIV. COMENTÁRIOS A maioria das infecções por rubéola ocorrem no final da gestação, sendo assim, são assintomáticas. A grande parte das infecções pelo vírus da hepatite B ocorre durante o parto, a infecção intraútero é rara. A maioria dos neonatos infectados é assintomático. O HIV também tende a ser assintomático ao nascimento, pois não há imunodepressão ainda. O único que é sempre sintomático é a herpes simples congênita. Correta a alternativa B. Dose profilática a partir de 36 semanas para todos as gestantes com história prévia de herpes genital : aciclovir 400 mg 3x ao dia , via oral, até o parto. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 75 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA CAPÍTULO 8.0 VARICELA CONGÊNITA A varicela é causada pelo herpes vírus tipo 3. É uma doença exantemática autolimitada, caracterizada por exantema polimorfo difuso. A prevenção é feita por vacinação, sendo aplicada em crianças aos 15 meses e aos 4 anos. É recomendado que os adolescentes e adultos, que nunca tiveram a doença, façam duas doses da vacina. Os infectados previamente mantêm imunidade natural pela vida toda. A infecção congênita é pouco frequente e observada principalmente no segundo trimestre de gestação. Os sinais e sintomas neonatais característicos mais encontrados são: • Lesões cicatriciais na pele; • Malformações de membros ou dedos; • Atrofia cortical cerebral; • Hidrocefalia; • Distúrbios sensoriais; • Coriorretinite; • Catarata; • Microftalmia. CAPÍTULO 9.0 OUTROS Essas doenças são menos frequentes e foram cobradas apenas como diagnóstico diferencial, então, vamos resumi-las para vocês. 9.1 DOENÇA DE CHAGAS CONGÊNITA Essa infecção congênita raramente é diagnosticada, pois não há triagem obrigatória no pré-natal. Apenas alguns estados como Mato Grosso do Sul e Goiás pesquisam essa infecção. Mais comum que a varicela congênita é a infecção perinatal. A infecção materna em até 21 dias antes do parto está associada à doença e sua gravidade aumenta quanto mais perto do parto for o acometimento. Os neonatos podem apresentar hemorragias, distúrbios pulmonares e hepáticos e irem a óbito em até 35% dos casos. Para prevenção durante a gestação, gestantes suscetíveis expostas à varicela devem receber imunização passiva, por meio da administração de imunoglobulina específica até 96 horas após o contato. A administração recomendada é de 125 UI/10 kg, até a dose máxima de 625 UI, via intramuscular. Neonatos, filhos de mães que adquiriram a doença em até 2 dias antes do parto ou até 5 dias depois, devem realizar a imunoglobulina anti-varicela-zóster em dose única. A vacinação é a melhor forma de prevenção, mas não pode ser aplicada durante a gestação, por se tratar de uma vacinacom vírus vivo, recomenda-se a sua aplicação pelo menos um mês antes da concepção. Caso a gestante seja vacinada inadvertida, deve-se tranquiliza-la, pois não há relatos de acometimento fetal. O tratamento em caso de infecção neonatal confirmada deve ser realizado com aciclovir endovenoso na dose de 60mg/kg/dia, a cada 8 horas, por 7 a 10 dias. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 76 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA CAPÍTULO Além de abortamento, natimortos, prematuridade e restrição de crescimento intrauterino, o neonato pode apresentar hepatoesplenomegalia, icterícia, meningoencefalite, tremores, convulsões, pneumonite, deficiência visual, megacólon e megaesôfago. O diagnóstico é baseado na busca do Trypanosoma cruzi em sangue periférico ou líquido cefalorraquidiano, ou sorologias. O tratamento neonatal é feito com Benzonidazol 7,5mg/kg/dia por 60 dias e o índice de cura chega a 100% se iniciado até um ano de idade. 9.2 DENGUE CONGÊNITA A dengue congênita é frequentemente subdiagnosticada. No mundo, há poucos casos relatados da doença. Os neonatos podem apresentar plaquetopenia, malformações do tubo neural, prematuridade e baixo peso ao nascer. As manifestações ainda podem mimetizar um quadro de sepse neonatal. 9.3 CORIOMENINGITE LINFOCÍTICA Essa é uma doença pouco frequente, endêmica de roedores. A sua transmissão vertical pode levar a aborto, óbito fetal, coriorretinite, calcificações intracranianas, hidrocefalia, retardo mental e convulsões. 10.0 TABELA COMPARATIVA DAS PRINCIPAIS INFECÇÕES CONGÊNITAS Características Toxoplasmose Citomegalovírus Rubéola Parvovírus Zika vírus Etiologia Toxoplasma gondii-protozoário. DNA herpesviridae. RNA vírus togavirus. Parvovírus B19- DNA vírus. Arbovírus do gênero Flavivírus. Transmissão Ingestão de oócitos em comida, água ou solo contaminado ou ingestão de cistos em carnes cruas ou malcozidas. Contato com fluidos corporais infectados. Contato interpessoal íntimo e prolongado por gotículas da nasofaringe. Via respiratória e sanguínea. Picada do mosquito Aedes aegypti e via sexual. Transmissão vertical Via transplacentária, raramente no parto e na amamentação. Via transplacentária, raramente no parto e amamentação. Via transplacentária. Via transplacentária. Via transplacentária. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 77 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Manifestação clínica Febre, mialgia, linfadenomegalia cervical, rash, coriorretinite. Quadro mononucleose- símile. Eritema maculopapular centrífugo, febre, cefaleia, conjuntivite, coriza, tosse e linfadenomegalia. Eritema infeccioso na infância, adultos assintomáticos , aplasia eritrocitária. Doença exantemática, febre, mialgia, artralgia, conjuntivite, cefaleia, prurido. Manifestação congênita Tétrade de Sabin: Coriorretinite, hidrocefalia/ microcefalia e calcificações intracranianas, retardo mental. Surdez, restrição de crescimento, microcefalia, ventriculomegalia, calcificações intracranianas periventriculares. Surdez, defeitos cardíacos, alterações oculares e alterações neurológicas. Anemia, hidropisia fetal não imune. Microcefalia, microftalmia, pé torto congênito, artrogripose, hidropisia, restrição de crescimento. Diagnóstico materno Sorologia IgM positivo, teste de avidez abaixoa pena! Além disso, recomendo que siga o perfil do Estratégia MED nas redes sociais! Lá, você ficará atualizado de todas as notícias sobre as provas de Residência Médica do País. Você também pode seguir nossos perfis no Instagram, local que compartilhamos com alunos e pacientes sobre Obstetrícia, Pediatria e Medicina Fetal. Conte com a gente nessa jornada! Natália Carvalho Helena Schetinger m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 80 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ http://med.estrategia.com/ 1.0 As Principais Infecções Congênitas: TORCHS 1.1 Rastreamento das infecções congênitas 1.2 Transmissão vertical das TORCHS 1.3 Manifestações congênitas das TORCHS 2.0 Toxoplasmose na Gestação 2.1 Introdução 2.2 Epidemiologia da Toxoplasmose 2.3 Etiologia da Toxoplasmose 2.4 Transmissão da Toxoplasmose 2.5 Prevenção na Gestação 2.6 Rastreamento na Gestação 2.7 Manifestações Clínicas na Gestante 2.8 Diagnóstico 2.8.1 Diagnóstico na Gestação 2.8.2 Classificação da Gestante 2.9 Tratamento 2.9.1 Tratamento da Toxoplasmose na Gestação 2.10 Toxoplasmose Congênita 2.10.1 Manifestações Clínicas 2.10.2 Diagnóstico da Toxoplasmose Congênita 2.10.3 Conduta 2.11 Resumo 3.0 CITOMEGALOVÍRUS 3.1 Introdução 3.2 Etiologia e Transmissão 3.3 Diagnóstico e tratamento 3.4 Citomegalovirose Congênita 3.4.1 Manifestações Congênitas 3.4.2 Diagnóstico Pós-Natal 3.4.3 Tratamento 3.5 Resumindo 4.0 RUBÉOLA NA GESTAÇÃO 4.1 Introdução 4.2 Etiologia e Transmissão 4.3 Prevenção, diagnóstico e tratamento 4.4 Rubéola congênita 4.4.1 Manifestações clínicas 4.4.2 Diagnóstico Pós-Natal 4.4.3 Tratamento 4.5 Resumindo 5.0 PARVOVíRUS B19 NA GESTAÇÃO 5.1 Introdução 5.2 Etiologia e Transmissão 5.3 Manifestações Clínicas e Congênitas 5.4 Diagnóstico e Tratamento 5.5 Resumindo 6.0 ZIKA VÍRUS NA GESTAÇÃO 6.1 Introdução 6.2 Etiologia e Transmissão 6.3 Manifestações Clínicas e Congênitas 6.4 Prevenção, Diagnóstico e Tratamento 6.5 Resumindo 7.0 HERPES SIMPLES 8.0 VARICELA CONGÊNITA 9.0 OUTROS 9.1 DOENÇA DE CHAGAS CONGÊNITA 9.2 DENGUE CONGÊNITA 9.3 CORIOMENINGITE LINFOCÍTICA 10.0 Tabela comparativa das principais infecções congênitas 11.0 LISTA DE QUESTÕES 12.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 13.0 CONSIDERAÇÕES FINAIScongênita Zika vírus- gestação e congênita Rubéola congênita Toxoplasmose congênita Tétano neonatal Óbito materno e neonatal ¹Ministério da Saúde 2019 m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 12 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 2.3 ETIOLOGIA DA TOXOPLASMOSE A toxoplasmose é doença causada pelo Toxoplasma gondii, protozoário intracelular obrigatório. Esse protozoário possui um ciclo de vida com dois hospedeiros: os felídeos como hospedeiros definitivos (aloja o parasita adulto em sua forma reprodutiva) e homem, aves ou mamíferos, como hospedeiros intermediários (aloja o parasita na forma jovem ou de reprodução assexuada). Além disso, apresentam um ciclo evolutivo com três formas principais: • Taquizoítos: presentes na fase aguda ou reagudização da doença, apresentam altas taxas de multiplicação e são capazes de infectar o sistema nervoso central, olhos, músculos e placenta (figura 2). • Bradizoítos: encontram-se nos tecidos dos seres humanos e de todos os hospedeiros intermediários, apresentam baixa atividade de replicação. Em hospedeiros imunocomprometidos podem transformar- se novamente em taquizoítos. • Esporozoítos: encontram-se dentro dos oócitos, formados exclusivamente no intestino dos felinos e são eliminados pelas fezes, infectando o hospedeiro intermediário. É a forma mais resistente do parasita e pode permanecer no ambiente por anos. Figura 2: Toxoplasma gondii na forma de taquizoítos. As setas indicam os taquizoítos. 2.4 TRANSMISSÃO DA TOXOPLASMOSE A transmissão do Toxoplasma gondii para o ser humano pode ocorrer pela ingestão de oócitos (esporozoítos) presentes em comida, água, solo contaminado ou pela ingestão de cistos teciduais (bradizoítos) presentes em carnes cruas ou malcozidas. Chamamos essa transmissão de “oral”. Além disso, pode ocorrer a transmissão por meio dos taquizoítos durante a infecção aguda, por transfusão sanguínea, contato com secreções e excreções ou via transplacentária. O ciclo evolutivo e transmissão do Toxoplasma gondii está representado na figura 3: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 13 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Figura 3. Ciclo evolutivo e transmissão da toxoplasmose. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 14 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA A transmissão vertical ocorre, principalmente, por via transplacentária durante a infecção materna aguda, através da passagem de taquizoítos pela placenta. Além disso, também pode haver transmissão vertical durante o parto e a amamentação se a mulher estiver na fase aguda da doença. Apesar de a transmissão transplacentária ser rara em quadros de reativação da infecção materna, ela pode ocorrer se a gestante apresentar imunossupressão grave. Conforme falamos anteriormente, a transmissão transplacentária é maior quanto maior for a idade gestacional. No primeiro trimestre a taxa de transmissão é de 14%, chegando a 60% no terceiro trimestre. Por outro lado, a gravidade da doença é maior quando a transmissão vertical ocorre no início da gestação. Como a taxa de transmissão diminui em torno de 50 % nas gestantes tratadas durante a gestação, é de fundamental importância a prevenção, o rastreamento e o diagnóstico dessa doença, a fim de evitar as complicações da toxoplasmose congênita. CAI NA PROVA (ISCMSC-SP 2020 49) A toxoplasmose na gestação é transmitida ao feto pela via transplacentária na forma de: A) oócisto B) cisto C) esporozoíto D) taquizoíto COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A: os oócitos estão presentes nas fezes de gato, comida ou solo e são ingeridos pelo hospedeiro intermediário, mas não passam pela via transplacentária. Incorreta a alternativa B: os cistos permanecem nos tecidos dos hospedeiros intermediários, mas não passam pela via transplacentária. Incorreta a alternativa C: os esporozoítos encontram-se dentro dos oócitos e são formados exclusivamente no intestino dos felinos e eliminados pelas fezes. Correta a alternativa D: a transmissão vertical ocorre, principalmente, por via transplacentária durante a infecção materna aguda, pela passagem de taquizoítos através da placenta. CAI NA PROVA (UFMT-MT 2018 46) Em relação ao agente etiológico da toxoplasmose, analise as afirmativas abaixo. I - Apresenta três formas durante o seu ciclo de vida: oocistos, taquizoítos e bradizoítos; II - É um protozoário extracelular que acomete preferencialmente o sistema nervoso central; III - O parasita se multiplica no intestino dos felinos e os oocistos resultantes são eliminados nas fezes; e, IV - A contaminação humana pode ocorrer pela ingestão de carnes cruas ou frutas, verduras e legumes mal lavados. Está CORRETO o que se afirma em: A) I, III e IV, apenas. B) II e IV, apenas. C) I, II e III, apenas. D) III e IV, apenas. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 15 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA COMENTÁRIOS: I - Apresenta três formas durante o seu ciclo de vida: oócistos, taquizoítos e bradizoítos; CORRETO- O Toxoplasma gondii apresenta um ciclo evolutivo com três formas principais: taquizoítos, bradizoítos e esporozoítos (oócitos). II - É um protozoário extracelular que acomete preferencialmente o sistema nervoso central; INCORRETO- A toxoplasmose é uma doença causada pelo Toxoplasma gondii, protozoário intracelular obrigatório. III - O parasita multiplica-se no intestino dos felinos e os oócistos resultantes são eliminados nas fezes; CORRETO- O Toxoplasma gondii multiplica-se no intestino dos felinos e é liberado nas fezes em forma de oócitos. IV - A contaminação humana pode ocorrer pela ingestão de carnes cruas ou frutas, verduras e legumes mal lavados. CORRETO- A contaminação em humanos pode ocorrer pela ingestão de cistos presentes em carne infectada ou comida e água contaminadas. Correta a alternativa A. 2.5 PREVENÇÃO NA GESTAÇÃO A prevenção primária da toxoplasmose é feita evitando-se a ingestão de bradizoítos presentes em carnes de animais (hospedeiros intermediários) contaminados e oócitos (esporozoítos) presentes em frutas, verduras, solo ou água contaminadas com fezes de gatos contaminados (hospedeiros definitivos). As principais medidas de prevenção primária da toxoplasmose são: • Higienização correta das mãos antes das refeições, após manusear lixo, ter contato com animais e manipular alimentos e carnes cruas. • Manusear terra ou solo com luvas e higienizar as mãos após o término. • Consumir apenas água filtrada ou fervida. • Higienizar corretamente frutas e verduras (deixar de molho em solução clorada por 10 minutos). • Congelar carnes antes do consumo. • Não consumir carnes cruas, malcozidas ou malpassadas. • Não consumir leite e seus derivados crus. • Evitar contato com animais de rua. • Alimentar gatos com ração e não deixar que façam a ingestão de carne crua ou caça. • Evitar manipulação da caixa de areia dos gatos domésticos e o contato com as fezes dos gatos. Não há vacina disponível contra a doença. CAI NA PROVA (HSJC-SP 2020 33) Frente a gestante com sorologia negativa para toxoplasmose, é recomendado orientá-la a evitar: A) consumo ou manipulação de carne crua. B) contato com pássaros. C) aglomerações de pessoas. D) locais com baixa circulação de ar. m e d v i d e o s . c o mCó pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 16 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA COMENTÁRIOS: Diante de gestante susceptível à toxoplasmose (sorologia negativa), recomenda-se, dentre outras orientações, evitar o consumo ou manipulação de carne crua. Correta a alternativa A. 2.6 RASTREAMENTO NA GESTAÇÃO O rastreamento da toxoplasmose deve ser feito por meio da solicitação de sorologia (IgG e IgM) para todas as gestantes. O Ministério da Saúde orienta que gestantes susceptíveis à toxoplasmose realizem sorologia mensal ou no mínimo a cada dois meses para o diagnóstico precoce. As sorologias de rastreamento obrigatório na gestação são : HIV SÍFILIS 2.7 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS NA GESTANTE A infecção aguda na gravidez geralmente é assintomática. Quando presentes, os sintomas são inespecíficos: febre, calafrios, cefaleia, mialgia, odinofagia, hepatoesplenomegalia, linfadenomegalia cervical bilateral simétrica e rash maculopapular difuso. Já a doença ocular (coriorretinite) é mais comum na reativação da doença. Por isso, o fato de a infecção aguda ser assintomática torna o rastreamento da gestante imprescindível. Sintomas inespecíficos Febre, calafrios, cefaleia, mialgia, odinofagia, hepatoesplenomegalia, linfadenomegalia cervical bilateral, rash maculopapular difuso. Sintoma específico Coriorretinite HEPATITE B e C TOXOPLASMOSE m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 17 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 2.8 DIAGNÓSTICO 2.8.1 DIAGNÓSTICO NA GESTAÇÃO Como a maioria das gestantes é assintomática, o diagnóstico da toxoplasmose é feito pela sorologia materna, com avaliação dos anticorpos IgG e IgM para toxoplasmose, solicitada no rastreamento de rotina durante o pré-natal. A tabela 2 mostra as possíveis sorologias com seus respectivos diagnósticos e condutas no primeiro trimestre: Tabela 2: Interpretação da sorologia para toxoplasmose na gestação IgG IgM DIAGNÓSTICO CONDUTA Negativa Negativa Susceptível Medidas de prevenção Positiva Negativa Imune Pré-natal habitual Negativa Positiva Falso positivo Repetir sorologia em 2 semanas Infecção aguda/muito recente Espiramicina e investigação fetal Positiva Positiva Avidez baixa- infecção aguda/ recente Espiramicina e investigação fetal Avidez alta- infecção antiga Pré-natal habitual Gestantes susceptíveis (podem adquirir a infecção na gestação) têm resultados negativos para os anticorpos IgG e IgM específicos para toxoplasmose e o acompanhamento deve ser feito com sorologia seriada (1-2 meses) e orientações preventivas, a depender do perfil epidemiológico da região. Se a gestante apresentar IgG positiva e IgM negativa, ela será considerada imune e não precisará repetir a sorologia durante o pré-natal, a não ser que seja imunocomprometida. Por outro lado, quando a gestante apresenta IgM positiva e IgG negativa pode ser toxoplasmose aguda ou um caso de falso positivo. Por isso, deve-se introduzir espiramicina e repetir a sorologia em 2 semanas. Se IgM mantiver positiva com IgG também positiva, trata-se de um caso de toxoplasmose aguda com soroconversão na gestação. Se o IgG não positivar, trata-se de IgM falso positivo e deve-se suspender a espiramicina. Se a gestante apresentar IgM e IgG positivas no primeiro trimestre, deve-se realizar o teste de avidez para IgG, a fim de determinar se a infecção é recente (baixa avidez) ou tardia (alta avidez), uma vez que os títulos de IgM podem permanecer positivos por até 1 ano e o de IgG por vários anos. Sabe-se que a capacidade de ligação e avidez da imunoglobulina aumenta com a maturação da resposta imunológica, por isso avidez baixa sugere infecção recente (menos de 4 meses) e avidez alta sugere infecção há mais de 4 meses. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 18 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Quando a gestante apresenta IgM e IgG positivas após 16 semanas, sem sorologia prévia, o teste de avidez para IgG não distingue de maneira segura se a infecção foi adquirida antes da gestação ou durante a gestação, isto é, não dá para ter certeza se a infecção é recente ou antiga. Por isso, deve-se iniciar espiramicina e fazer investigação fetal, independentemente do teste de avidez. Entretanto, se a gestante apresenta IgM e IgG positivas após 16 semanas, com sorologia no primeiro trimestre IgM e IgG negativas, considera-se infecção aguda/recente com soroconversão materna e não há necessidade de fazer o teste de avidez para confirmar. Sorologia toxoplasmose 16 semanas Infecção aguda Infecção antiga Falso positivo Suspender espiramicina Suspender espiramicina Alta >60 Sorologia toxoplasmose > 16 semanas lgG + lgM - Imune Susceptível Espiramicina EspiramicinaRepetir sorologia em 2 semanas Sorologia prévia lgG - lgM - lgG - lgM + lgG + lgM + lgG - lgM + lgG + lgM + SIM Infecção aguda Esquema tríplice Infecção aguda Infecção indeterminada Falso positivo Suspender espiramicina NÃO m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 19 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA VAMOS RELEMBRAR As imunoglobulinas, também conhecidas por anticorpos, são proteínas produzidas pelo células do sistema imunológico (plasmócitos) em resposta a um antígeno. Cada imunoglobulina é criada para um tipo específico de microrganismo, sendo que existem cinco classes diferentes de imunoglobulinas (IgM, IgG, IgE, IgA e IgD). A IgM é a primeira imunoglobulina a ser formada na presença de um novo antígeno, positivando de 5 a 14 dias após uma infecção. Essa imunoglobulina é eficiente na lise de microrganismos. A ausência de IgM indica que não houve infecção recente, porém sua presença pode indicar infecção recente, mas também pode estar presente em infecções tardias, pois os títulos de IgM permanecem baixos por diversos meses. Uma vez que a IgM não consegue ultrapassar a barreira placentária, a presença de sorologia reagente para IgM no recém-nascido é indicação de infecção congênita, pois essas imunoglobulinas foram produzidas pelo próprio sistema imune do concepto em contato com o antígeno. A IgG, por usa vez, começa a ser produzida depois da IgM, entre 7 a 14 dias após a infecção, com pico máximo após 2 meses. Seus níveis declinam após 5 a 6 meses, permanecendo com títulos baixos por toda a vida, fornecendo proteção permanente contra o antígeno correspondente. Essa é a única classe de imunoglobulina que atravessa a barreira placentária. A propriedade de avidez da IgG refere-se a força de ligação dos complexo antígeno-anticorpo. Sendo assim, a avidez acentua-se com o passar do tempo, ou seja, a avidez para IgG é diretamente proporcional ao tempo de infecção. O teste de avidez para IgG é útil para esclarecer se uma infecção é recente ou antiga quando a sorologia para IgM e IgG são positivas. Valores elevados de avidez de IgG indicam que a infecção ocorreu há cerca de 12 a 16 semanas, por isso, se a gestante se encontra no primeiro trimestre, a infecção ocorreu antesdo início da gestação. Por outro lado, gestantes com mais de 16 semanas podem ter adquirido a infecção ainda no período gestacional e o feto pode ser acometido. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 20 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA CAI NA PROVA A) Solicitar o teste de avidez de IgG para toxoplasmose e iniciar tratamento materno imediato com clindamicina e sulfa. B) Solicitar o teste de avidez de IgG para toxoplasmose e iniciar espiramicina. C) Solicitar o teste de avidez de IgG para toxoplasmose e iniciar tratamento da infecção fetal com sulfa e pirimetamina. D) Fazer cordocentese ou aminiocentese para pesquisa de DNA do Toxoplasma gondii. E) Iniciar sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico de imediato, visto que a paciente está no primeiro trimestre. COMENTÁRIOS Incorreta a alternativa A: a conduta frente a um caso de IgM e IgG positivas no primeiro trimestre é solicitar teste de avidez para IgG a fim de avaliar presença de infecção aguda. Clindamicina e sulfa não fazem parte da conduta inicial nesse caso. Correta a alternativa B: a conduta diante de uma gestante no primeiro trimestre com sorologia de IgM e IgG positivas para toxoplasmose é solicitar o teste de avidez e iniciar profilaxia com espiramicina. Se o teste de avidez for baixo (é solicitar o teste de avidez e iniciar profilaxia com espiramicina diante de uma gestante no primeiro trimestre com sorologia de IgM e IgG positiva para toxoplasmose. Se o teste de avidez for baixo (60),estamos diante de uma infecção antiga que não ocorreu na gestação. Já, quando o teste de avidez é baixo, indica que a infecção é recente e a gestante deve receber profilaxia para infecção fetal com espiramicina. (HFA-DF 2020) Uma paciente de 21 anos de idade, em acompanhamento pré-natal, apresentou sorologias pareadas para toxoplasmose, evidenciando aumento de cinco vezes no valor dos títulos de IgG em um intervalo de três semanas. Julgue o item a seguir O aumento nos títulos de IgG indicam infecção aguda. A) CERTO B) ERRADO m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 23 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA COMENTÁRIOS: Os títulos de IgG começam a aumentar entre 7 e 14 dias após a infecção e atingem o pico máximo após 2 meses, depois disso os títulos de IgG começam a declinar e mantêm-se baixos por toda a vida. Portanto, um aumento nos títulos de IgG indica infecção recente. Correta a alternativa A. 2.8.2 CLASSIFICAÇÃO DA GESTANTE O Ministério da Saúde, através do “Protocolo de Notificação e Investigação: Toxoplasmose Gestacional e Congênita de 2018” classifica as gestantes em: casos suspeitos, prováveis ou confirmados. Caso suspeito • Gestante que apresentar IgM reagente ou indeterminado. • História clínica compatível com toxoplasmose. • USG obstétrica ou exames de imagem sugestivos para toxoplasmose congênita. Caso provável • Gestante com IgM e IgG positivas com baixa avidez ou avidez intermediária, em qualquer idade gestacional. • Títulos ascendentes de IgG em amostras seriadas e IgM reagente. • Sorologia após as 16 semanas com IgG maior que 300UI/dL e IgM reagente. Caso confirmado • Soroconversão durante a gestação. • Detecção de DNA do toxoplasma em amostra de líquido amniótico, tecido placentário fetal ou de órgãos fetais, no anatomopatológico. • Mãe de criança com toxoplasmose congênita confirmada. CAI NA PROVA (UHG/RJ/2020 - ADAPTADA) Recém-nascido (RN) termo, com 30 horas de vida, está internado no alojamento conjunto. Filho de mãe com IgG e IgM positivos para toxoplasmose, com teste de avidez baixa no primeiro trimestre da gestação. Na avaliação antropométrica, paciente apresenta perímetro cefálico no percentil 4 para idade, após duas avaliações, com intervalo de 24 horas entre as medidas. Ao exame clínico, paciente sem alterações. Trata-se de filho de mãe com toxoplasmose: A) Diagnóstico Materno: Provável B) Diagnóstico Materno: Confirmada C) Diagnóstico Materno: Descartada Lembre-se que toda gestante com caso suspeito já deve iniciar a espiramicina o mais rápido possível, para diminuir o risco de transmissão vertical. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 24 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA COMENTÁRIOS: De acordo com o Ministério da Saúde, gestantes com IgM e IgG positivas, com baixa avidez ou avidez intermediária, em qualquer idade gestacional, é classificada como infecção provável. Correta a alternativa A. 2.9 TRATAMENTO 2.9.1 TRATAMENTO DA TOXOPLASMOSE NA GESTAÇÃO A toxoplasmose materna aguda pode levar à transmissão vertical, causando toxoplasmose congênita. Por isso, o tratamento da toxoplasmose deve ser instituído se há suspeita ou confirmação de infecção aguda na gestação. O tratamento precoce em até 3 semanas da infecção materna diminui os riscos de infecção fetal. Portanto, a principal conduta frente a um caso de suspeita de infecção aguda é a profilaxia para toxoplasmose congênita, com a administração materna de espiramicina na dose de 3g/dia via oral. Isso é aplicado para todas as gestantes que apresentam sorologia IgM + e IgG – ou sorologia IgM + e IgG +. A espiramicina não ultrapassa a barreira placentária, mas tem como objetivo reduzir o risco de passagem transplacentária do parasita, impedindo a infecção fetal. Nos casos confirmados ou prováveis de infecção aguda, isto é, se houver soroconversão, avidez para IgG baixa ou intermediaria ou ascensão dos valores de IgG em amostra seriada, deve-se fazer a pesquisa de infecção fetal a partir de 18 semanas. Nos casos em que há dúvida se a infecção é recente ou antiga, como quando a primeira sorologia com IgG e IgM positiva é realizada após 16 semanas e o teste de avidez já não é mais fidedigno, deve-se considerar a gestante como infecção recente e fazer a investigar infecção fetal. Atualmente, orienta-se utilizar espiramicina até 16 semanas e a partir de 16 semanas trocar para o esquema tríplice até realizar a pesquisa de infecção fetal. A pesquisa de infecção fetal é realizada por meio da amniocentese, com coleta de liquido amniótico e pesquisa do DNA do Toxoplasma gondii por PCR . Caso a pesquisa venha positiva, estamos diante de um feto com toxoplasmose congênita ( infecção fetal). Se a pesquisa de infecção fetal vier negativa, trocar por espiramicina e até o parto. Se a infecção fetal for confirmada, manter tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico até o fim da gestação. Lembre-se de não iniciar o esquema tríplice no primeiro trimestre, pelo risco de teratogenicidade dessas medicações. Espiramicina = Tratamento materno e profilaxia fetal – não ultrapassa barreira placentária. Esquema tríplice = Tratamento fetal - ultrapassa barreira placentária. As doses das medicações estão esquematizadas na tabela 3: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 25 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Tabela 3: MEDICAÇÕES PARA TOXOPLASMOSE NA GESTAÇÃO MEDICAÇÃO DOSE DIÁRIA POSOLOGIA Espiramicina 3 gramas 2 comprimidos (500mg), via oral, 8/8h Sulfadiazina 4 gramas 2 comprimidos (500mg), via oral, 6/6h Pirimetamina 50 mg 2 comprimentos (25 mg), via oral, 1x ao dia Ácido Folínico 15 mg 1 comprimido (15mg), via oral, 1x ao dia Muitos serviços não têm disponível a amniocentese para pesquisa de infecção fetal. Caso não seja possível realizar amniocentese para confirmação da infecção fetal, a gestante deve ser tratada com o esquema tríplice (sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico)a partir de 16 a 18 semanas, mantendo-se até o final da gestação. Além disso, é indicado o acompanhamento ultrassonográfico desses fetos até o fim da gestação. Nos casos em que o diagnóstico de toxoplasmose aguda na Apesar de ser possível a transmissão vertical durante o parto e a amamentação, como o risco de transmissão é muito baixo, os benefícios do parto normal e da amamentação superam esse risco, por isso não são contraindicados nos casos de toxoplasmose aguda. gestação é feito após 32 semanas, deve-se iniciar diretamente o esquema tríplice, pois a amniocentese para pesquisa de infecção fetal não está mais indicada a partir dessa idade gestacional, em decorrência do maior risco de rotura prematura de membranas. Vale lembrar que a pirimetamina pode provocar supressão medular com anemia, leucopenia e trombocitopenia, por isso deve ser feita monitorização laboratorial quinzenalmente com hemograma completo. Infecção aguda ou indeterminada Tratamento Amniocentese ≥18 semanas Investigação fetal PCR Toxoplasma - suspender esquema triplice e manter espiramicina até o parto PCR Toxoplasma + Espiramicina 3g/dia a sorologia em 2 semanas. E) seguimento pré-natal (infecção antiga). COMENTÁRIO: O examinador quer saber sobre o diagnóstico e conduta da toxoplasmose na gestação. Incorreta a alternativa A: a gestante deve receber inicialmente apenas espiramicina para prevenir infecção fetal. Caso a pesquisa de infecção fetal venha positiva, deve-se iniciar sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. A azitromicina não faz parte do tratamento de toxoplasmose. Incorreta a alternativa B: a gestante deve receber apenas espiramicina para prevenir infecção fetal, caso a pesquisa de infecção fetal venha positiva, deve-se iniciar sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. Correta a alternativa C: como a gestante apresenta infecção recente, ela deve receber profilaxia com espiramicina e investigar infecção fetal. Incorreta a alternativa D: a gestante já apresenta diagnóstico de infecção recente, não sendo necessário repetir a sorologia. Incorreta a alternativa E: a gestante apresenta infecção recente e deve receber profilaxia com espiramicina e investigar infecção fetal. Seria infecção antiga se a avidez fosse alta. 2.10 TOXOPLASMOSE CONGÊNITA 2.10.1 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Já sabemos que uma infecção na gestação pode levar a abortos ou óbitos fetais. Mas, o que acontece se a gravidez for adiante? É importante ressaltar que a maioria das crianças é assintomática ao nascer. As sintomáticas, geralmente, foram infectadas durante o primeiro trimestre de gravidez e podem apresentar manifestações sistêmicas, manifestações neurológicas, perda auditiva e déficits oftalmológicos principalmente em consequência de um estado inflamatório crônico. Durante a gestação, os principais achados ultrassonográficos são: calcificações intracranianas, ventriculomegalia, microcefalia e hepatoesplenomegalia, ascite e restrição de crescimento. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 29 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Manifestações sistêmicas: • Hepatoesplenomegalia • Icterícia colestática • Pericardite • Pneumonite • Anemia hemolítica Manifestações neurológicas: • Hidrocefalia • Calcificações cerebrais difusas • Convulsões • Microcefalia Manifestações oculares: • Coriorretinite • Catarata • Microftalmia Manifestações auditivas: • Perda auditiva neurossensorial Hepatoesplenomegalia Icterícia Ao nascer, as principais características são: Agora, você deve estar até preocupado: preciso decorar tudo isso? Vamos facilitar! Meu caro Estrategista, você verá que muitos desses sinais e sintomas são comuns a outras infecções congênitas, sendo assim, os examinadores precisam de meios para diferenciá-las nas questões! Ensinarei as características- chaves que você deve buscar para fechar o diagnóstico e marcar a alternativa sem medo de errar! Na toxoplasmose congênita, apesar de ser muito rara, os examinadores diferenciam-na pela Tétrade de Sabin, uma associação de sintomas que caracterizam a doença, descritas por Sabin nos anos 40: coriorretinite, calcificações cerebrais difusas, hidro ou microcefalia e retardo mental. Você também pode achar algumas questões com nome de Tríade de Sabin, quando excluímos o retardo mental. CARACTERÍSTICA-CHAVE DA TOXOPLASMOSE CONGÊNITA! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 30 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA TÉTRADE DE SABIN Agora, atente-se que Sabin não especificou a uni ou bilateralidade da coriorretinite. Já tivemos questões anuladas por esse motivo! Vamos treinar? CAI NA PROVA (HOSPITAL PEQUENO PRÍNCIPE 2021) Criança de 3 anos com deficiência mental moderada, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, apresenta coriorretinite bilateral no fundo de olho. A tomografia computadorizada de crânio mostra calcificações cerebrais difusas. Assinale a hipótese diagnóstica mais provável para o caso. A) Toxoplasmose congênita B) Infecção por herpes vírus C) Sífilis congênita D) Infecção pelo HIV m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 31 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA COMENTÁRIO Questão clássica! Observe que temos 3 componentes da toxoplasmose congênita: retardo mental, coriorretinite e calcificações cerebrais difusas. Não tem como errar! As demais infecções veremos ao longo do capítulo. RESUMINDO! PRÉ-NATAL (fetais) PÓS-NATAL (recém-nascido e infância) Calcificações intracranianas Calcificações intracranianas difusas Ventriculomegalia Hidrocefalia Microcefalia Microcefalia Hepatoesplenomegalia Coriorretinite Ascite Convulsões Restrição de crescimento Alterações psicomotoras Retardo mental Encefalite CAI NA PROVA (MEDICINA ABC SP - 2019 E 2020) Recém-nascido de parto expulsivo numa maternidade de Santo André (SP), sexo masculino, apgar 8/8, peso de nascimento de 2740g e estatura de 48cm. Mãe procedente de Santa Maria (RS), sem ter feito pré-natal. Ao exame físico, apresentava perímetro cefálico de 30cm. Demais exames físicos sem alterações. Capurro: 39 semanas. Foi solicitado USG de crânio, que demonstrou calcificações intracranianas difusas. De acordo com o enunciado, a principal hipótese diagnóstica é: A) Rubéola congênita B) Zikavirose congênita C) Citomegalia congênita D) Toxoplasmose congênita COMENTÁRIO Temos uma criança com microcefalia e calcificações intracranianas difusas, características-chaves de toxoplasmose congênita. Correta a alternativa D. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 32 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA Incorreta a alternativa A: A rubéola congênita é caracterizada por catarata, surdez e cardiopatia. Incorreta a alternativa B: A zikavirose apresenta microcefalia, microftalmia, pé torto congênito, artrogripose. Incorreta a alternativa C: A citomegalovirose congênita apresenta calcificações intracranianas periventriculares, surdez, petéquias. (UNIOESTE/PR/2018) Recém-nascido de parto vaginal, pesando 3.000 gramas, a termo, iniciou ainda nos primeiros dias de vida com convulsões. Ao exame de imagem, apresentava calcificações intracranianas difusas e hidrocefalia. Qual seria a infecção congênita mais provável? A) Sífilis. B) Herpes simples. C) Rubéola. D) Toxoplasmose. E) Citomegalovírus. COMENTÁRIO Novamente, quais são as características-chaves? Calcificações intracranianas difusas e hidrocefalia. Marque toxoplasmose congênita, correta a alternativa D, e vá em frente. Incorreta a alternativa A: A sífilis apresenta lesões ósseas, cutâneas e hepatoesplenomegalia. Incorreta a alternativa B: A herpes simples apresenta vesículas cutâneas, hiperemia conjuntival, ceratite, coriorretinite. Incorreta a alternativa C: A rubéola traz cardiopatia, catarata e surdez. Incorreta a alternativa E: A citomegalovirose congênita é caracterizada por surdez, acometimento neurológico com calcificações periventriculares, petéquias. (CEPOA RJ 2018) Um recém-nascido de parto vaginal com 38 semanas, pesando 1.500g, apresenta hepatoesplenomegalia, petéquias e hidrocefalia. Foi submetido à exames de imagem que revelaram alterações compatíveis com calcificações intraparenquimatosas e coriorretinite, a infecção congênita mais comumente associada é: A) Sífilis congênita B) Rubéola congênita C) Citomegalovirose congênita D) Toxoplasmose congênita COMENTÁRIO Aqui o examinador quis confundir, usando a palavra intraparenquimatosas, mascontinua sendo calcificações intracranianas, associadas à coriorretinite = Toxoplasmose congênita. Correta a alternativa D. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 33 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA 2.10.2 DIAGNÓSTICO DA TOXOPLASMOSE CONGÊNITA O diagnóstico de toxoplasmose congênita pode ser feito já no pré-natal pela pesquisa do DNA do Toxoplasma gondii por PCR em amostra de líquido amniótico, a partir de 16 semanas. O período ideal para fazer o diagnóstico fetal é entre 17 e 21 semanas, antes disso, há um risco alto de perda fetal pela amniocentese. Em 2020, o Ministério da Saúde introduziu o teste para toxoplasmose congênita na triagem neonatal biológica, o teste do pezinho. Essa é uma mudança recente e com grandes chances de ser cobrada em prova. SOROLOGIA Os anticorpos IgM e IgA antitoxoplasma não atravessam a barreira placentária, logo, a presença deles no neonato ou em bebês menores de 6 meses confirma a infecção congênita. Mas, atenção, a ausência deles não descarta a possibilidade de infecção, podendo tratar-se de um falso-negativo. Já o IgG atravessa a barreira, então sua presença não é um bom marcador para o diagnóstico, entretanto, caso positivo, deve ser acompanhado nos próximos meses. A tendência em crianças não infectadas é a negativação até os 12 meses de idade. A presença dele após os 12 meses é considerada como padrão-ouro para o diagnóstico de toxoplasmose congênita. ANTICORPOS ANTI-TOXOPLASMA IgM e IgA – confirmam a infecção no neonato. IgG – confirma apenas se positivo após os 12 meses de idade. Outro método diagnóstico é a busca pelo DNA do parasita no sangue, líquor ou urina através do método de PCR, apesar de apresentar sensibilidade baixa, é recomendada em todas as crianças com dúvida diagnóstica e que não puderam ser diagnosticadas através da sorologia. Por fim, temos os exames complementares. São eles: • Coleta de líquor: o líquor pode apresentar anticorpos IgM positivos e hiperproteinorraquia (Proteínas maiores que 1 grama/dL). • Hemograma e bilirrubinas: para avaliar anemia e comprometimento hepático. • Estudos de imagem cerebral: tomografias ou ressonância magnética do crânio podem mostrar calcificações difusas, hidrocefalia, microcefalia. A ultrassonografia transfontanela é um método mais simples, porém com menor sensibilidade diagnóstica. • Exame de fundo de olho: deve ser realizado por oftalmologista a cada 3 meses, até os 18 meses de idade, e repetido a cada 6 a 12 meses, até 18 anos de idade. • Avaliação auditiva. Como triagem, através do teste da orelhinha, e acompanhamento, após o diagnóstico. 2.10.3 CONDUTA Apesar da MAIORIA DAS QUESTÕES COBRAR APENAS OS MEDICAMENTOS UTILIZADOS PARA TRATAMENTO DA TOXOPLASMOSE CONGÊNITA, é importante saber que na literatura, temos mais de uma conduta possível frente a um caso suspeito ou confirmado. Vamos focar nas duas principais: Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Pediatria. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 34 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA O Ministério da Saúde considera como toxoplasmose congênita comprovada: • Crianças com IgM Antitoxoplasma positiva entre dois dias e seis meses de idade. • Crianças que, durante o acompanhamento, apresentem persistência de positividade de IgG após 12 meses de vida, independentemente da presença de sinais ou sintomas da doença. • Crianças com sinais e/ou sintomas sugestivos de toxoplasmose congênita, filhas de mães com IgG positiva para toxoplasmose, após exclusão de outras possíveis etiologias (sífilis, citomegalovirose, rubéola). • Crianças cujas mães apresentaram PCR positiva para toxoplasmose no líquido amniótico. O tratamento neonatal deve ser realizado em todas as crianças comprovadamente infectadas, independentemente da presença de sinais e sintomas clínicos e iniciá-lo mais precoce possível para diminuir a chance de sequelas. O esquema é tríplice com Sulfadiazina, Pirimetamina e Ácido Folínico e tem DURAÇÃO DE UM ANO. A SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA REFERE QUE A CONDUTA depende da confirmação de caso de infecção materna na gestação, segundo as definições de caso Ministério da Saúde vistos no tópico 3.8.2 Frente a um caso assintomático, porém, com infecção materna confirmada, seguimos o fluxo abaixo. RN assintomático Realizar: Anatomopatológico da placenta, Toxoplasmose IgM e IGM do binômio, US transfontanela, Fundo de olho, Hemograma. Criança infectada. Realizar: Estudo do líquor, função hepática e renal, audiometria e TC de crânio. Criança não infectada. Realizar seguimento ambulatorial. Exames alterados Exames normais m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Prof. Natália Carvalho e Prof. Helena Schetinger | Curso Extensivo | 2023 35 Estratégia MED Infecções CongênitasOBSTETRÍCIA E PEDIATRIA O esquema tríplice é composto de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico e tem duração de um ano. • Sulfadiazina 100mg/kg/dia por via oral, a cada 12 horas. • Pirimetamina 2mg/kg/dia por via oral, a cada 12 horas, por dois dias e, posteriormente, 1mg/kg/dia por via oral, em dose única diária. • Ácido folínico 5 a 10mg por via oral, 3 vezes por semana. O ácido folínico é indicado para combater a ação antifolínica da pirimetamina. ATENÇÃO! Não confundir com ácido fólico! • Prednisona 1mg/kg/dia de 12 em 12 horas, se houver a presença de hiperproteinorraquia ou coriorretinite, para diminuir a possibilidade de sequelas da inflamação crônica. CAI NA PROVA (UEPA 2020) Sobre a toxoplasmose congênita, é correto afirmar que: I. Recém nascidos de gestantes com diagnóstico confirmado ou suspeito de infecção aguda por Toxoplasmose, devem ser avaliados ainda na maternidade para se diagnosticar infecção congênita e iniciar tratamento. II. O diagnóstico sorológico no recém-nascido é particularmente difícil devido a alta concentração de anticorpos IgG maternos que atravessam a barreira transplacentária e atingem a corrente sanguínea do recém-nascido. III. A presença de anticorpos IgM ou IgA no sangue do recém-nascido revela infecção congênita, pois essas duas classes de imunoglobulinas não atravessam a barreira transplacentária, embora a ausência de IgM ou IgA não exclua a infecção na criança. IV. Fundo de olho, tomografia de crânio, análise de LCR, fazem parte da investigação diagnóstica. V. O tratamento da criança com toxoplasmose suspeita ou documentada deve ser feito desde o nascimento utilizando o esquema tríplice. A alternativa que contém todas as afirmativas corretas é: A) I, II, III, IV e V B) I, III e V C) II e IV D) I e V E) IV e V COMENTÁRIO Vamos analisar as afirmativas: I - Todo filho de mãe com toxoplasmose suspeita, ou confirmada, ou que apresente sinais característicos da doença, deve ser avaliado ainda na maternidade e o tratamento iniciado o mais precocemente possível, a fim de diminuir a chance de sequelas. Correta. II- O IgG materno atravessa a barreira placentária e está presente no sangue do RN, mesmo em casos de infecção pregressa ou imunidade maternas, portanto esse não é um bom marcador de infecção congênita. Correta. III- Lembre-se IgM = Materna. O achado dessas imunoglobulinas confirma o diagnóstico de infecção congênita, porém a ausência não o exclui, visto que pode se tratar de um falso-negativo. Correta. IV- São essenciais para o diagnóstico: hemograma, função hepática, bilirrubinas, líquor, neuroimagem e fundo de olho. Correta. V- O tratamento é baseado no esquema tríplice: Sulfadiazina + Pirimetamina + Ácido folínico. Caso a criança apresente alterações