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Apostila-Saúde-Mental-do-Idoso

Apostila sobre saúde mental do idoso: define saúde e doença mental, cognição e impacto das alterações cerebrais; apresenta definição, critérios diagnósticos e características da demência (DSM‑IV/OMS), incluindo prejuízo de memória, alterações comportamentais e perda de habilidades.

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CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 
NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO - FAVENI 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APOSTILA 
SAÚDE MENTAL DO IDOSO 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESPÍRITO SANTO 
 
2 
 
SAÚDE E DOENÇA MENTAL 
 
 
http://meucerebro.com/possiveis-vantagens-das-doencas-mentais-segundo-a-evolucao/ 
 
Saúde mental pode definir-se como o equilíbrio emocional entre o património interno e 
as exigências ou vivências externas, é o reconhecimento dos seus limites e a procura de 
ajuda quando necessário. Saúde mental é estar bem consigo e com os outros, é saber lidar 
com as emoções agradáveis ou desagradáveis: alegria/tristeza; coragem/medo; amor/ódio; 
serenidade/raiva; ciúmes; culpa; frustrações, É acima de tudo, aceitar as exigências da vida. 
A saúde mental é construída ao longo de todo o ciclo vital do indivíduo. 
A doença mental é classificada como um desvio psicológico ou comportamental das 
formas normais de comportamento, que afeta negativamente a vidado indivíduo. 
Doença mental, segundo Sequeira (2006), é uma “situação patológica, em que o indivíduo 
apresenta distúrbios na sua organização mental. Todas as afecções que afetam o corpo 
podem provocar doença mental, desde que tais afecções provoquem um desequilíbrio em 
termos de organização mental” (p. 19). 
“A doença mental causa muitas vezes, para além de problemas emocionais, 
 problemas cognitivos” (Nunes, 2008, p. 16). A nossa capacidade de 
prestar atenção, recordar, trabalhar a informação recebida do nosso interior e do meio 
exterior, deve-se à cognição. Esta permite-nos comunicar com os outros, planear as nossas 
intervenções, executá-las, avaliar os resultados, etc. Ao longo da vida, toda a atividade 
desenvolvida, por mais simples que seja, depende da articulação das várias capacidades 
 
3 
 
que a pessoa possui. Quando essas capacidades se apresentam alteradas, tal facto vai 
comprometer acentuadamente, a interação com o meio que nos rodeia. As doenças mentais 
estão maioritariamente associadas a alterações estruturais e funcionais do cérebro, 
repercutindo-se frequentemente em alguns processos cognitivos, como a memória (Nunes, 
2008). 
 
http://www.swissinfo.ch/por/quebrando-barreiras-_a-necessidade-urgente-de-se-falar-sobre-doen%C3%A7a-mental/41091122 
 
DEMÊNCIA 
 
De acordo com a DSM-IV, a característica essencial de uma demência é o 
desenvolvimento de múltiplos défices cognitivos, que incluem comprometimento da memória 
e pelo menos uma das seguintes perturbações cognitivas: afasia, apraxia, agnosia ou uma 
perturbação do funcionamento executivo. Estes distúrbios são suficientes para interferir no 
quotidiano da pessoa (trabalho, atividades diárias). “À semelhança da depressão, epilepsia 
e de tantas outras doenças, conhecidas pelo seu nome no singular, não existe uma 
 
4 
 
demência, mas sim diversas doenças que causam demência e síndromes demenciais” 
(Nunes, 2008, p. 225). 
A demência não deve ser considerada uma doença, mas sim uma síndrome: “uma 
síndrome decorrente de uma doença cerebral, usualmente de natureza crónica ou 
progressiva, na qual há perturbação de múltiplas funções corticais superiores, incluindo 
memória, pensamento, orientação, compreensão, cálculo, capacidade de aprendizagem, 
linguagem e julgamento” (Organização Mundial de Saúde, 1993, p. 45). 
 
 
http://www.portugalsenior.org/10-coisas-que-o-idoso-com-alzhelmer-gostaria-de-lhe-falar-se-pudesse/ 
 
Hoje, as demências são realidades experimentadas, direta ou indiretamente, pela 
totalidade dos portugueses (Sequeira, 2007). 
 
CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO 
 
A característica primária da demência é o progresso de défices cognitivos variados, 
como a diminuição da memória e de pelo menos uma perturbação cognitiva, como afasia, 
apraxia, agnosia ou perturbação na capacidade de execução. Os défices cognitivos devem 
 
5 
 
ser razoavelmente graves para causarem diminuição do funcionamento ocupacional ou 
social. “A demência pode estar etiologicamente relacionada com um estado físico geral, com 
os efeitos persistentes da utilização de substâncias (incluindo exposição a tóxicos) ou com 
uma combinação de fatores” (DSM-IV, 2002, p. 148). 
À perda ou diminuição cognitiva de forma parcial ou total, permanente ou esporádica, 
em pessoas que, até então, tiveram um desenvolvimento intelectual normal, chama-se 
demência. Esta síndrome apresenta várias características: 
 
• Prejuízo da memória, que pode ser desde um simples esquecimento até um severo 
esquecimento, não se recordando da própria identidade, desorientação espacial e 
temporal; 
• Problemas de comportamento, como insónia, agitação, choro fácil, comportamentos 
inadequados, desinibição social, alterações da personalidade, 
• Perda de habilidades adquiridas ao longo da vida, como vestir, cuidar da casa, 
cozinhar, dirigir, organizar os compromissos, problemas com a linguagem, etc. 
 
Esta deterioração mental vai provocar o prejuízo nas capacidades da pessoa no 
desempenho das suas atividades de vida diária, nas atividades profissionais, atividades 
familiares, atividades sociais (DSM IV, 2002). 
Existem várias causas que podem levar à demência, sendo algumas potencialmente 
reversíveis: disfunções metabólicas, endócrinas, hidroeletrolíticas, quadros infeciosos, 
défices nutricionais e distúrbios psíquicos como a depressão. Os sintomas iniciais da 
demência variam, mas a perda de memória a curto prazo é a característica principal e única 
que alerta o médico assistente e o familiar ou pessoa significativa. Todavia, nem todos os 
problemas cognitivos, nos idosos, são devidos à demência, pelo que o estudo cuidadoso da 
pessoa idosa, com a colaboração da família ou da pessoa significativa, é crucial para a 
identificação do problema e para a formulação de um diagnóstico clínico correto. 
A DSM-IV (2002) refere que a diminuição da memória deverá estar presente para ser 
efetuado o diagnóstico de demência. As pessoas com esta síndrome apresentam diminuída 
a capacidade de aprendizagem de coisas novas e esquecem as coisas que previamente 
aprenderam. Na fase inicial da síndrome a pessoa pode perder valores, tais como as chaves 
 
6 
 
de casa, a carteira, esquecer-se de desligar o fogão, ou perder-se em zonas que não lhe 
sejam familiares. Numa fase mais avançada o esquecimento pode atingir a sua profissão ou 
as suas habilitações escolares, datas de aniversário, nomes de familiares, e por vezes até o 
seu próprio nome. 
 
 
http://cdn.portal730.com.br/images/stories/2015/Demencias.jpg 
 
“A deterioração da função da linguagem (afasia) pode manifestar-se pela dificuldade 
em nomear pessoas e objetos” (DSM-IV, 2002, p. 148). O discurso da pessoa torna-se vago 
ou vazio, usando excessivamente palavras indefinidas como “coisa”, “aquilo”. A 
compreensão da linguagem escrita e falada, bem como a repetição da linguagem, podem 
estar igualmente comprometidas. Em fases avançadas a pessoa pode permanecer muda ou 
 
7 
 
apresentar um padrão deteriorado de discurso caracterizado por ecolalia (isto é, eco do que 
é ouvido) ou palilalia (repetição de sons ou palavras vezes sem conta) (DSM-IV, 2002). 
A apraxia (diminuição da capacidade para executar atividades motoras, embora a 
função sensorial e a compreensão da tarefa requerida estarem intactas) surge muitas vezes 
em pessoas com demência, o que irá provocar a diminuição da capacidade de realizar 
tarefas conhecidas, como escovar o cabelo, acenar ou dizer adeus, cozinhar, vestir-se, etc. 
A agnosia (deterioração da capacidade para reconhecer ou identificar objetos) é 
também encontrada em pessoas com demência, apesar de manterem intacta a função 
sensorial. As perturbações da capacidade de execução manifestam-se comumente na 
demência. “A capacidade de execução envolve a capacidade de pensamento abstrato e de 
planear, iniciar, sequenciar, monitorizar e parar um comportamento complexo” (DSM-IV, 
2002, p. 149).na estrutura da população 
mundial”. 
Esta modificação é uma verdade em todos os países do mundo, porém entre os 
dotados de menos recursos econômicos e sociais como o Brasil, a questão cerca-se de uma 
gama muito maior de problemas. Segundo a World Health Statistics, em 1950 ocupávamos 
o 16º lugar em população com idade igual ou superior a 60 anos, com 2,1 milhões de idosos. 
Em 2025, estima-se que este contingente se elevará a 31,8 milhões, o que nos elevará à 6ª 
posição. 
 
55 
 
Atualmente no Brasil, a população idosa atinge 9,9 milhões de pessoas, com uma 
taxa de crescimento anual de 3,7% ao ano, mais do que o dobro da taxa de crescimento da 
população total, que é de 1,4% ao ano, (JACOB, CHIBA e ANDRADE, 2000). 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) manifesta sua preocupação com o aumento 
da expectativa de vida, e diminuição da qualidade de vida, principalmente considerando a 
incapacidade e a dependência. 
Nesse aspecto, se destaca a influência positiva da atividade física, pois essa constitui 
um excelente instrumento de promoção à saúde em qualquer faixa etária, em especial no 
idoso, induzindo várias adaptações fisiológicas e psicológicas. (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL 
DA SAÚDE, 2002). 
Essas adaptações abrangem uma série de modificações nos sistemas corporais do 
idoso, trazendo benefícios como à melhora da circulação periférica, melhora do equilíbrio e 
da marcha, menor dependência para realização de atividades domésticas e melhora da 
autoestima e da autoconfiança, (NOBREGA et al, 1999). 
Para McArdle, Kacth e Kacth (2003), apesar das reduções da capacidade funcional e 
do desempenho nos exercícios, até mesmo entre os indivíduos ativos, o exercício regular 
consegue contrabalançar os efeitos típicos do envelhecimento. 
A Qualidade de Vida tem sido uma preocupação constante do ser humano, desde o 
início de sua existência e, atualmente, constitui um compromisso pessoal à busca continua 
de uma vida saudável. 
A OMS propõe o termo de envelhecimento ativo, que é definido como sendo o 
processo de aperfeiçoar oportunidades para a saúde, a participação e a segurança de modo 
a melhorar a qualidade de vida no processo de envelhecimento de cada pessoa. 
 
 
 
 
 
 
56 
 
A ESCOLHA DA ATIVIDADE FÍSICA ADEQUADA 
 
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A escolha é feita individualmente, levando-se em conta os seguintes fatores: 
 Preferência pessoal: o benefício da atividade só é conseguido com a prática regular 
da mesma, e a continuidade depende do prazer que a pessoa sente em realizá-la. 
 Aptidão necessária: algumas atividades dependem de habilidades específicas. Para 
conseguir realizar atividades mais exigentes, a pessoa deve seguir um programa de 
condicionamento gradual, começando de atividades mais leves. 
 Risco associado à atividade: alguns tipos de exercícios podem associar-se a alguns 
tipos de lesão. É essencial que os exercícios sejam realizados com orientação 
profissional para evitar efeitos indesejados ou prejuízos à saúde do praticante. 
 
 
 
 
57 
 
ATIVIDADE FÍSICA NO IDOSO 
 
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A atividade física no idoso: 
• Melhora a autoestima e autoimagem corporal; 
• Alivia o estresse e reduz a depressão; 
• Oferece sensação de bem-estar; 
• Reduz o isolamento social; 
• Melhora o entrosamento familiar. 
 
 
 
 
58 
 
COMO O IDOSO DEVE-SE PREPARAR PARA UMA 
ATIVIDADE FÍSICA? 
 
O idoso deve ser orientado quanto aos seguintes aspectos: 
• Realizar exercício somente quando houver bem-estar físico; 
• Evitar extremos de temperatura e umidade; 
• Tomar água moderadamente antes, durante e depois da atividade física; 
• Usar roupas leves, claras e ventiladas; 
• Não fazer exercícios em jejum, mas evitar comer demais antes da atividade 
física; 
• Usar sapatos confortáveis e macios; 
• Evitar fumo e o uso de sedativos; 
• Respeitar os limites pessoais, interrompendo se houver dor ou desconforto; 
• Iniciar a atividade lenta e gradativamente para permitir adaptação. 
 
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59 
 
COMO DEVEM SER REALIZADAS AS ATIVIDADES 
FÍSICAS NO IDOSO? 
O cuidador deve saber que: 
• É recomendado que todo programa de exercícios deva ser feito com 
regularidade e continuidade, não devendo ser realizados exercícios físicos de 
modo esporádico; 
• Um bom programa de atividade física deve ser realizado no mínimo 3 vezes 
por semana, por 40 a 60 minutos de cada vez; 
• Antes de exercitar-se, deve-se realizar sessão de alongamento. 
 
LEMBRE-SE: 
Toda atividade física realizada na terceira idade deve ser feita sob controle médico, 
principalmente naquelas pessoas não habituadas a exercícios regulares. Muitas vezes 
há necessidade de se realizar testes cardíacos para avaliação da função 
cardiovascular. Converse com um professor de educação física para saber quais 
modalidades, freqüência, intensidade e duração mais indicadas. Atividade física 
exagerada é sempre prejudicial. 
 
 
 
 
 
 
 
60 
 
 
CO-EDUCAÇÃO ENTRE GERAÇÕES: 
O QUE PODE UMA GERAÇÃO ENSINAR À OUTRA? 
 
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A organização da sociedade é determinada por uma complexa gama de fatores 
econômicos, políticos e culturais. Sabemos que o fator geração é apenas mais um dos 
muitos determinantes do comportamento social, assim como classe, gênero, etnia, etc. 
Nossos ciclos de vida individuais e coletivos e as transições entre as distintas etapas 
ao longo do tempo determinam a qualidade de nossas vidas como idosos. 
Qualidade de vida na velhice é, hoje, um conceito importante no Brasil, na presença 
de maior número de idosos ativos e saudáveis na sociedade e da divulgação constante de 
informações sobre a importância de um estilo de vida saudável e da busca por recursos 
médicos e sociais que melhorem e prolonguem a vida. 
 
61 
 
 
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Através da educação e conscientização para um envelhecimento saudável, a 
integração intergeracional promove uma reflexão sobre os hábitos e atitudes na relação 
entre idosos e a geração mais jovem, tais como: 
Valores éticos fundamentais e memória cultural: onde os idosos transmitem sua 
história pessoal e a história da comunidade, permitindo aos jovens conhecerem suas origens 
e se enraizarem em sua própria cultura. 
• Educação para o envelhecimento: o velho aparece como modelo a ser seguido ou 
evitado, dependendo de seu grau de sucesso em viver satisfatoriamente esse período 
da vida, de sua própria maneira de enfrentar as dificuldades dessa fase. 
• Uma educação para os novos tempos: a geração mais jovem também transmite aos 
idosos valores e conhecimentos do mundo atual, resultando em posicionamentos 
menos conservadores em relação a assuntos polêmicos, como sexo, drogas, etc. 
• Domínio no manuseio de aparelhos eletrônicos e da linguagem digital: orientações 
transmitidas aos idosos, de como manejar a máquina e de como navegar pela rede. 
 
62 
 
Vários idosos aprendem a usar computadores e outros aparelhos eletrônicos com 
seus próprios netos. 
• Realizar pesquisas visando melhor conhecer os hábitos de vida nas escolas. 
• Criar programas de orientação nutricional para os alunos em saúde para realização 
de ações de educação alimentar interligadas à família. 
• Desenvolver trabalhos educativos em parceria com as escolas, envolvendo 
professores, profissionais da saúde, alunos, merendeiras e cantina. 
• Implementar ações junto à escola que desenvolvem a prática de atividade física junto 
aos alunos e a comunidade, como exemplo, elaborar encontro comalunos e avós – 
café da manhã, piquenique e programa de atividades físicas lúdicas. 
 
 
https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSnVyCI7voQscPFKOcJgbPr2HMz6OGZ6nCCBoHJAriVu2ck1nBV9g 
 
 
 
 
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BENEFÍCIOS RELACIONADOS À SAÚDE DO IDOSO 
 
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É muito importante que o cuidador saiba que o exercício físico: 
• Contribui para a manutenção e/ou o aumento da densidade óssea, diminuindo 
a velocidade da osteoporose; 
• Auxilia no controle do diabetes, da artrite, das doenças cardíacas e dos 
problemas com colesterol alto, da obesidade e hipertensão; 
• Melhora a absorção e eliminação dos alimentos; 
• Diminui a depressão; 
• Reduz a ocorrência de acidentes, pois os reflexos e a velocidade ao andar 
ficam melhores; 
• Mantém o peso corporal e melhora a mobilidade do idoso. 
 
64 
 
O CUIDADO 
 
 
https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSnVyCI7voQscPFKOcJgbPr2HMz6OGZ6nCCBoHJAriVu2ck1nBV9g 
 
Cuidado significa atenção, precaução, cautela, dedicação, carinho, encargo e 
responsabilidade. Cuidar é servir, é oferecer ao outro, em forma de serviço, o resultado de 
seus talentos, preparo e escolhas; é praticar o cuidado. Cuidar é também perceber a outra 
pessoa como ela é, e como se mostra, seus gestos e falas, sua dor e limitação. Percebendo 
isso, o cuidador tem condições de prestar o cuidado de forma individualizada, a partir de 
suas ideias, conhecimentos e criatividade, levando em consideração as particularidades e 
necessidades da pessoa a ser cuidada. 
Esse cuidado deve ir além dos cuidados com o corpo físico, pois além do sofrimento 
físico decorrente de uma doença ou limitação, há que se levar em conta as questões 
emocionais, a história de vida, os sentimentos e emoções da pessoa a ser cuidada. 
 
 
 
65 
 
O AUTOCUIDADO 
“Tudo que existe e vive precisa ser cuidado para continuar existindo. Uma planta, 
uma criança, um idoso, o planeta Terra. Tudo o que vive precisa ser alimentado. Assim, o 
cuidado, a essência da vida humana, precisa ser continuamente alimentado. O cuidado vive 
do amor, da ternura, da carícia e da convivência”. (BOFF, 1999) 
 
https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSnVyCI7voQscPFKOcJgbPr2HMz6OGZ6nCCBoHJAriVu2ck1nBV9g 
 
Autocuidado significa cuidar de si próprio, são as atitudes, os comportamentos que a 
pessoa tem em seu próprio benefício, com a finalidade de promover a saúde, preservar, 
 
66 
 
assegurar e manter a vida. Nesse sentido, o cuidar do outro representa a essência da 
cidadania, do desprendimento, da doação e do amor. Já o autocuidado ou cuidar de si 
representa a essência da existência humana. 
A pessoa acamada ou com limitações, mesmo necessitando da ajuda do cuidador, 
pode e deve realizar atividades de autocuidado sempre que possível. O bom cuidador é 
aquele que observa e identifica o que a pessoa pode fazer por si, avalia as condições e ajuda 
a pessoa a fazer as atividades. Cuidar não é fazer pelo outro, mas ajudar o outro quando ele 
necessita, estimulando a pessoa cuidada a conquistar sua autonomia, mesmo que seja em 
pequenas tarefas. Isso requer paciência e tempo. 
O autocuidado não se refere somente àquilo que a pessoa a ser cuidada pode fazer 
por si. Refere-se também aos cuidados que o cuidador deve ter consigo com a finalidade de 
preservar a sua saúde e melhorar a qualidade de vida. 
 
QUEM É O CUIDADOR 
 
 
https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSnVyCI7voQscPFKOcJgbPr2HMz6OGZ6nCCBoHJAriVu2ck1nBV9g 
 
Cuidador é um ser humano de qualidades especiais, expressas pelo forte traço de 
amor à humanidade, de solidariedade e de doação. A ocupação de cuidador integra a 
 
67 
 
Classificação Brasileira de Ocupações – CBO sob o código 5162, que define o cuidador 
como alguém que “cuida a partir dos objetivos estabelecidos por instituições especializadas 
ou responsáveis diretos, zelando pelo bem-estar, saúde, alimentação, higiene pessoal, 
educação, cultura, recreação e lazer da pessoa assistida”. É a pessoa, da família ou da 
comunidade, que presta cuidados à outra pessoa de qualquer idade, que esteja 
necessitando de cuidados por estar acamada, com limitações físicas ou mentais, com ou 
sem remuneração. 
Nesta perspectiva mais ampla do cuidado, o papel do cuidador ultrapassa o simples 
acompanhamento das atividades diárias dos indivíduos, sejam eles saudáveis, enfermos e/ 
ou acamados, em situação de risco ou fragilidade, seja nos domicílios e/ou em qualquer tipo 
de instituições na qual necessite de atenção ou cuidado diário. 
A função do cuidador é acompanhar e auxiliar a pessoa a se cuidar, fazendo pela 
pessoa somente as atividades que ela não consiga fazer sozinha. Ressaltando sempre que 
não fazem parte da rotina do cuidador técnicas e procedimentos identificados com profissões 
legalmente estabelecidas, particularmente, na área de enfermagem. Cabe ressaltar que nem 
sempre se pode escolher ser cuidador, principalmente quando a pessoa cuidada é um 
familiar ou amigo. É fundamental termos a compreensão de se tratar de tarefa nobre, porém 
complexa, permeada por sentimentos diversos e contraditórios. 
A seguir, algumas tarefas que fazem parte da rotina do cuidador: 
• Atuar como elo entre a pessoa cuidada, a família e a equipe de saúde. 
• Escutar, estar atento e ser solidário com a pessoa cuidada. 
• Ajudar nos cuidados de higiene. 
• Estimular e ajudar na alimentação. 
• Ajudar na locomoção e atividades físicas, tais como: andar, tomar sol e exercícios 
físicos. 
• Estimular atividades de lazer e ocupacionais. 
• Realizar mudanças de posição na cama e na cadeira, e massagens de conforto. 
• Administrar as medicações, conforme a prescrição e orientação da equipe de saúde. 
• Comunicar à equipe de saúde sobre mudanças no estado de saúde da pessoa 
cuidada. 
 
68 
 
• Outras situações que se fizerem necessárias para a melhoria da qualidade de vida e 
recuperação da saúde dessa pessoa. 
O CUIDADOR E A FAMÍLIA 
A carência das instituições sociais no amparo às pessoas que precisam de cuidados 
faz com que a responsabilidade máxima recaia sobre a família e, mesmo assim, é 
geralmente sobre um elemento da família. 
A doença ou a limitação física em uma pessoa provoca mudanças na vida dos outros 
membros da família, que têm que fazer alterações nas funções ou no papel de cada um 
dentro da família, tais como: a filha que passa a cuidar da mãe; a esposa que além de todas 
as tarefas agora cuida do marido acamado; o marido que tem que assumir as tarefas 
domésticas e o cuidado com os filhos, porque a esposa se encontra incapacitada; o irmão 
que precisa cuidar de outro irmão. Todas essas mudanças podem gerar insegurança e 
desentendimentos, por isso é importante que a família, o cuidador e a equipe de saúde 
conversem e planejem as ações do cuidado domiciliar. 
 
http://alotatuape.com.br/wp-content/uploads/2015/04/saude-demencia.jpg 
 
 
69 
 
Com a finalidade de evitar o estresse, o cansaço e permitir que o cuidador tenha 
tempo de se auto cuidar, é importante que haja a participação de outras pessoas para a 
realização do cuidado. A pessoa com limitação física e financeira é a que mais sofre, tendo 
que depender da ajuda de outras pessoas, em geral familiares, fazendo com que seu poder 
de decisão fique reduzido, dificultando o desenvolvimento de outros vínculos com o meio 
social. Para oferecer uma vida mais satisfatória, é necessário o trabalho em conjunto entre 
o Estado, a comunidade e a família. 
A implementação de modalidades alternativas de assistência como hospital-dia, 
centro de convivência, reabilitação ambulatorial, serviços de enfermagem domiciliar, 
fornecimento de refeições e auxílio técnico e financeiro para adaptações arquitetônicas, 
reduziria significativamente a demanda por instituições de longa permanência, as famílias 
teriamum melhor apoio e a pessoa a ser cuidada seria mantida em casa convivendo com 
seus familiares, mantendo os laços afetivos. 
COMO AJUDAR NA COMUNICAÇÃO 
 
 
https://images1.minhavida.com.br/imagensConteudo/20953/perda%20de%20mem%C3%B3ria%20idoso%20dem%C3%AAncia%20alzh
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Comunicar envolve, além das palavras que são expressas por meio da fala ou da 
escrita, todos os sinais transmitidos pelas expressões faciais, pela postura corporal e 
 
70 
 
também pela proximidade ou distância que se mantém entre as pessoas; a capacidade e 
jeito de tocar, ou mesmo o silêncio em uma conversa. 
Algumas vezes a pessoa cuidada pode ficar irritada por não conseguir falar ou se 
expressar, embora entenda o que falam com ela. Para facilitar a comunicação, serão 
descritas a seguir algumas dicas: 
• Use frases curtas e objetivas. 
• No caso de pessoas idosas, evite tratá-las como crianças utilizando termos 
inapropriados como “vovô”, “querido” ou ainda utilizando termos diminutivos 
desnecessários como “bonitinho”, “lindinho”, a menos que a pessoa goste. 
• O cuidador deve repetir a fala, quando essa for erroneamente interpretada, utilizando 
palavras diferentes. 
• Fale de frente, sem cobrir a boca, não se vire ou se afaste enquanto fala e procure 
ambientes iluminados para que a pessoa além de ouvir veja o movimento dos lábios 
da pessoa que fala com ela, assim entenderá melhor. 
• Aguarde a resposta da primeira pergunta antes de elaborar a segunda, pois a pessoa 
pode necessitar de um tempo maior para entender o que foi falado e responder. Não 
interrompa a pessoa no meio de sua fala, demonstrando pressa ou impaciência. É 
necessário permitir que ele conclua o seu próprio pensamento. 
• Caso o cuidador não entenda a fala da pessoa cuidada, peça que escreva o que quer 
dizer. Se a pessoa cuidada não puder escrever, faça perguntas que ela possa 
responder com gestos e combine com ela que gestos serão usados, por exemplo: 
fazer sim ou não com a cabeça, franzir a testa ou piscar os olhos, entre outros. 
• Diminua os ruídos no ambiente onde a pessoa cuidada permanece. 
• Sempre que a pessoa demonstrar não ter entendido o que foi falado, repita o que falou 
com calma evitando constranger a pessoa cuidada. 
• Procure falar de forma clara e pausada e aumente o tom de voz somente se isso 
realmente for necessário. 
• Verifique a necessidade e condições de próteses dentárias e/ou auditivas que possam 
estar dificultando a comunicação. 
• Converse e cante com a pessoa, pois essas atividades estimulam o uso da voz. 
• A música ajuda a pessoa cuidada a recordar pessoas, sentimentos e situações que 
ocorreram com ela, ajudando na sua comunicação. 
• O toque, o olhar, o beijo, o carinho são outras formas de comunicação que ajudam o 
cuidador a compreender a pessoa cuidada e ser compreendido por ela. 
 
71 
 
 
 
https://encrypted-tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSLVcovwPwbfbztTG7LtqD7uVr5Lbp1fOXUWLSRZYqsYhYkMrdq 
 
ALTERAÇÕES QUE PODEM SER ENCONTRADAS NA 
COMUNICAÇÃO 
Algumas mudanças na maneira da pessoa cuidada se comunicar que podem sugerir 
alguma alteração do seu estado de saúde. Cuidador, observe alguns exemplos: 
• Dificuldade para expressar uma ideia e, no lugar, usar uma palavra ou frase 
relacionada com essa ideia, por exemplo: em vez de dizer caneta, diz: “aquela 
coisa de escrever”. 
• Não entender ou entender apenas parte do que falam com ela. 
• Fala sem nexo ou sem sentido. 
• Dificuldade para escrever e para entender o que está escrito. 
 
72 
 
• Não conseguir conversar, parar a conversa no meio, parece que não percebe 
as pessoas que estão perto dela, ou falar sozinha. 
• Dificuldade para expressar as emoções: pode sorrir quando sente dor ou 
demonstrar tristeza e chorar quando está satisfeita, se agitar ou ficar ansioso 
ao expressar carinho e afeto. 
• As dificuldades de comunicação são sinais frequentemente presentes na 
demência e outras doenças neurológicas. Caso o cuidador observe uma ou 
mais dessas alterações deve procurar a Unidade de Saúde. 
É comum as pessoas idosas e também as pessoas com demência, doença de 
Alzheimer, esquecer-se de situações vividas, do nome de pessoas e coisas, trocar 
palavras. Essas situações provocam embaraços e angústia tanto à pessoa cuidada 
como aos familiares. 
É importante que o cuidador ao se referir a alguém conhecido, explique à pessoa 
cuidada de quem está falando: “Maria, sua filha”; “João, seu vizinho”, assim a pessoa 
vai se situando melhor na conversa e vai relembrando pessoas e fatos que havia 
esquecido. É preciso falar com simplicidade e pedir que a pessoa toque objetos, 
retratos e quadros, isso ajuda a “puxar” a memória e a melhorar a conversa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
73 
 
REFERÊNCIAIS 
______. Estratégia Global em Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde. OMS, 
2004. 
______. Guia Prático Para Cuidadores Informais - Secretaria Municipal de Saúde de 
Campinas-SP. 
BEHLAU, M. & PONTES, P. Avaliação e Tratamento da Disfonias. São Paulo: Lovise, 
1995. 
CARVALHO, M.J. A atividade física na terceira idade e relações intergeracionais Rev. 
Bras. Educ. Fís. Esp. São Paulo, v.20, p.71-72, sup. 05. Set, 2006. 
DUTRA DE OLIVEIRA, JS, MARCINE JS. Ciências Nutricionais. Ed Sarvier, São Paulo, 
1998. 
MAHAN L, ESCOTT-STUP SC. Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. São Paulo Ed Roca, 
1998. 
MATSUDO, S. M. Atividade física na promoção da saúde e qualidade de vida no 
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MATSUDO, V.G e MATSUDO, S. Prescrição e Benefício da Atividade Física na Terceira 
Idade. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, V. 04, p 19-30, 1992. 
MCARDLE, W.D.; KACTH, F.I.; KACTH, V.L. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e 
desempenho humano. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 5.ed., p. 901-14, 2003. 
NERI, A.L. Qualidade de Vida e Idade Madura. Ed. Papirus, 1993. 
NÓBREGA, A. C. L. et al. Posicionamento oficial da Sociedade Brasileira de Medicina 
do Esporte e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia: Atividade física e 
saúde no idoso. Rev. Bras Med Esporte, 5(6): 207-11, 1999. 
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Envejecimiento Activo: un Marco Político. Rev 
Esp. Geriatr. Gerontol; 37(S2):74-105, 2002. 
RODRIGUES, R.A. P. & DIOGO, M.J.D. Como Cuidar dos Idosos. Editora Papirus, 2ª 
edição, 1996. 
VITTA, A. Atividade Física e bem -estar na velhice: In: FREIRE, S.A; NERI, A. L., E por 
falar em boa velhice. Campinas: PAPIRUS, 2000.A pessoa tem dificuldade em lidar com novas tarefas e evita situações que 
requeiram processamento de informação nova e complexa. 
INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO 
 
http://portalamigodoidoso.com.br/transtornos-mentais-em-idosos/ 
 
O aumento de prevalência da demência aumenta com a idade, mas esta associação 
não deve ser feita sem antes realizar-se um diagnóstico correto das causas do aparecimento 
das alterações, por exemplo, no funcionamento da memória. Com o avançar da idade, as 
nossas capacidades cognitivas sofrem um declínio normal, havendo uma série de alterações 
 
8 
 
cerebrais. “O diagnóstico é complexo e reveste-se de alguma dificuldade devido a múltiplos 
fatores como: a idade, a escolaridade, o nível sociocultural, a co-morbilidade e até a 
presença de alterações comportamentais/ funcionais causadas por outros problemas” 
(Tedim et al., 2004, in Sequeira, 2007, p. 77). 
De acordo com Nunes (2008), o Mini Mental State Examination (MMSE) é um dos 
instrumentos de avaliação mais utilizados nos estudos epidemiológicos de rastreios 
populacionais de demência, devido à sua fácil aplicação, ampla difusão na literatura e 
elevada sensibilidade na avaliação breve do estado mental. Constitui um instrumento de 
avaliação cognitiva de referência nos idosos com demência, uma vez que possibilita o 
despiste de défice cognitivo de acordo com o grau de escolaridade (Sequeira, 2010). 
De forma a caracterizar e perceber em que fase se encontra o estádio da demência e 
quais as alterações presentes, existem alguns instrumentos para avaliar o estádio da 
demência, sendo as mais utilizadas, segundo Barreto (2005): 
• A Escala Global de Deterioração (Global Deterioration Scale), que avalia a existência 
de demência ou não em 7 estádios; 
• A Avaliação Clínica da Demência (Clinical Dementia Rating), que permite avaliar a 
demência em cinco estádios – normal, suspeito, ligeiro, moderado e grave. 
 
TIPOS DE DEMÊNCIAS 
 
https://historiasdebonn.wordpress.com/2012/01/ 
 
 
9 
 
Encontram-se vários tipos de demência e estas são classificadas quanto à sua causa. 
As formas mais comuns de demência são: demência vascular, demência frontão-temporal, 
demência dos corpos de Lewy, e a doença de Alzheimer (DA). A demência de Alzheimer 
representa aproximadamente 50% a 75% dos casos de demência e a demência vascular 
cerca de 15 a 25% (Nunes, 2008). 
“As demências vasculares constituem um conjunto heterogéneo de perturbações de 
etiologia vascular e que originam uma síndrome demencial” (Sequeira, 2007, p. 77). Esta 
forma de demência caracteriza-se essencialmente por uma alteração do funcionamento 
cognitivo, em consequência de lesões cerebrovasculares de natureza isquêmica ou, mais 
raramente, de natureza hemorrágica. 
A demência frontão-temporal define-se como uma síndrome neuropsicológica marcada 
por disfunções dos lobos frontais e temporais. 
A demência dos corpos de Lewy caracteriza-se como sendo um declínio cognitivo 
flutuante, acompanhado por alucinações visuais e sintomas extrapiramidais; o quadro 
demencial apresenta-se como de rápido início e declínio progressivo. 
A demência de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que destrói as células 
nervosas do córtex cerebral, levando à atrofia progressiva do cérebro. Caracteriza-se por 
um carácter progressivo e irreversível, de aparecimento insidioso, conduzindo a uma 
inexorável degeneração cerebral com afetação de todas as áreas cognitivas e da 
personalidade. 
Segundo Galton (1999), as frequências relativas das causas das demências diferem 
dependendo da idade (Tabela 1). 
 
Tabela 1 - Frequência dos tipos de demência segundo a idade 
 65 A 
Doença de Alzheimer 34% 55 % 
Demência vascular 18% 20% 
Demência frontão-temporal 12% ------- 
Demência corpos de Lewy 7% 20% 
Outras 29% 5 % 
Fonte: Adaptado de Ballone (2008) 
 
10 
 
DOENÇA DE ALZHEIMER 
 
 
http://doencasneurologicas.com/wp-content/uploads/2015/05/O-que-%C3%A9-dem%C3%AAncia.png 
 
Uma vez que existe uma maior incidência da demência de Alzheimer nos grupos mais 
idosos, pretende-se abordá-la mais detalhadamente. 
A demência do tipo Alzheimer, amplamente conhecida por doença de Alzheimer, é 
atualmente o tipo de demência mais frequente no conjunto global das demências, 
 podendo representar entre 60% a 70% dos casos de demência 
(Sequeira, 2010). 
 
 
 
 
 
 
11 
 
FATORES DE RISCO 
 
http://www.algarveprimeiro.com/d/demencia-uma-realidade-na-maioria-dos-idosos-institucionalizados/12116-51 
 
Todos os seres humanos podem vir a desenvolver a doença, mas sendo um problema 
multifatorial o seu aparecimento pode estar dependente de alguns fatores, nomeadamente: 
• A idade, na medida em que com o avançar da idade nota-se um aumento da 
probabilidade e prevalência da doença; com o envelhecimento progressivo da 
população, a tendência é para um aumento do número de pessoas com doença de 
Alzheimer; 
• O sexo, já que existe uma maior prevalência no sexo feminino; no entanto, esta 
conclusão pode advir do facto de, por norma, as mulheres viverem mais tempo que 
os homens; 
• Fatores genéticos, ambientais e de nível educacional, apesar da causa ainda ser 
desconhecida, estão certamente implicados no desenvolvimento da doença; segundo 
Pereira e Filho (2001), a maioria dos casos é esporádica, mas cerca de 10% das 
pessoas com doença de Alzheimer apresentam história familiar. 
 
12 
 
FISIOPATOLOGIA 
 
http://www.definicionabc.com/salud/fisiopatologia.php 
 
A doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva e irreversível 
de aparecimento insidioso, que acarreta perda da memória e diversos distúrbios cognitivos. 
Em termos neuropatológicos, caracteriza-se pela morte neuronal em determinadas partes 
do cérebro, com algumas causas ainda por determinar. O aparecimento de tranças fibrilares 
e placas senis impossibilitam a comunicação entre as células nervosas, o que provoca 
alterações ao nível do funcionamento global da pessoa. “As madeixas” neurofibrilhares 
encontram-se com maior densidade no córtex frontotemporal, no hipocampo, na amígdala, 
no locus coeruleus e na rafe dorsal, enquanto a maior densidade das placas senis se situa 
no córtex frontal e no hipocampo (Rue & Spar, 1998). 
Sendo uma patologia de evolução progressiva, as manifestações são inicialmente 
insidiosas, passando despercebidas aos familiares mais próximos. Barreto (2005) descreve 
três fases na evolução da doença: inicial; avançada e terminal. 
Na fase inicial verificam-se défices de memória que são normalmente os primeiros 
sinais, nomeadamente, a nível da memória a curto prazo. O indivíduo é capaz de relatar 
detalhadamente acontecimentos passados, mas revela dificuldades na sua contextualização 
 
13 
 
temporal e espacial e desorientação, no sentido em que perde a noção de tempo. Perde-se 
na rua, em sítios pouco familiares ou que foram alvo de modificações recentes, e perde a 
noção do mês e ano em que se encontra. Posteriormente, está desorientação afeta também 
lugares habituais como a própria habitação. 
 A linguagem vai sofrendo alterações, na medida em que numa primeira fase surge 
afasia nominal, o discurso torna-se impreciso e o pensamento cada vez mais concreto. A 
capacidade de resolução vai-se deteriorando, surgindo dificuldades na realização de 
cálculos, confunde o dinheiro e apresenta dificuldades em tomar decisões. Subtilmente, vão 
surgindo alterações da personalidade, nomeadamente egocentrismo, desinibição e apatia. 
Perde a postura habitual, faz comentários inadequados e utiliza palavras inapropriadas. 
A vida social torna-se caótica, esquecendo as obrigações sociais, como por exemplo 
pagamentos de serviços prestados. O autocuidado está igualmente comprometido, já que 
existe uma despreocupação pelo arranjo pessoal e higiene pessoal, esquecendo-se mesmo 
de mudar de roupa e lavar-se. As perturbações do humor revelam-se através da ansiedadee insegurança, tornando-se geralmente pessimista, com possível depressão consequente. 
A apatia é progressiva, revelando desinteresse por atividades que eram habitualmente do 
seu agrado. Esta é uma fase em que os familiares adotam uma tolerância excessiva face 
aos défices cognitivos do doente. 
Nas fases mais avançadas da doença as alterações cognitivas vão-se acentuando e 
acabam por levar à perda da autonomia. O doente apresenta apraxia (mostrando 
dificuldades, por exemplo, em abrir uma porta ou vestir-se, acabando por não ser capaz de 
o fazer), e agnosia (dificuldade em interpretar informações sensoriais, conduzindo à 
incapacidade em reconhecer rostos, objetos, lugares, de identificar sons e cheiros). Com 
estas limitações o indivíduo não consegue identificar as pessoas que o rodeiam, sentindo-
se cada vez mais ausente e ficando tudo cada vez mais estranho e confuso. 
 
A afasia aumenta e a linguagem torna-se restrita a poucas palavras, perdendo 
progressivamente a capacidade de comunicar verbalmente. As alucinações e as distorções 
perceptivas são frequentes nas fases avançadas. O doente é incapaz de reconhecer a sua 
imagem refletida num espelho, vê objetos e pessoas estranhas dentro da sua própria 
habitação, acredita que está a ser observado pela televisão e não reconhece a casa onde 
reside, chegando a acusar os familiares de sequestro. 
 
14 
 
 
 
http://www.verolife.com.br/saiba-como-identificar-sinais-de-alzheimer-nos-jovens/ 
 
Relativamente aos fenómenos delirantes, surgem em cerca de um terço dos doentes, 
sustentados por ideias como estar a ser roubado, que o cônjuge lhe é infiel e que as pessoas 
com quem vive planeiam algo grave contra si. Com a evolução da doença, a agitação agrava-
se e o indivíduo torna-se hostil, com atitudes de agressividade, gritos e até violência, que se 
agrava no final do dia. A deambulação é de igual modo uma das formas da agitação. O 
indivíduo desloca-se continuamente pela casa sem objetivo ou motivo aparente. O ritmo de 
sono-vigília também está alterado. 
 
15 
 
O indivíduo passa longos períodos acordado durante a noite, adormecendo apenas por 
curtos períodos. Há uma progressiva perda de autonomia, necessitando de uma terceira 
pessoa para a satisfação das suas necessidades. 
Na fase terminal do processo demencial a inércia instala-se. O doente entra em 
mutismo e raramente reconhece os familiares. Deixa de ter reflexos de marcha, perdendo a 
postura ereta e permanece grande parte do tempo no leito. Há limitações a nível dos vários 
domínios do autocuidado, nomeadamente a nível da alimentação, da eliminação urinária e 
intestinal, e problemas de saúde tais como obstipação, infeções respiratórias ou urinárias, e 
úlceras de pressão surgem ou agravam-se. 
 
http://alzheimerportugal.org/pt/text-0-15-22-127-fases-avancadas-da-demencia 
 
16 
 
ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO 
 
http://www.localizatumedico.com/author/anger/ 
 
O tratamento das demências deve ser personalizado e adaptado a cada caso, no qual 
se incluem estratégias farmacológicas e não farmacológicas. Deve-se ter sempre presente 
que não existem demências, mas sim doentes com demência. Para cada doente é 
fundamental elaborar um plano de cuidados específico, reformulado de acordo com a 
evolução da situação. A farmacoterapia deve ser complementada por estimulação cognitiva 
global, psicoterapia, musicoterapia, cuidados de enfermagem, etc. (Sequeira, 2010). 
 
INTERVENÇÕES FARMACOLÓGICAS 
 
Este tipo de intervenção deve ter em atenção a etiologia da demência e o conjunto de 
perturbações associadas. Ainda não existe um tratamento que possibilite a remissão da 
demência, mas já é possível obter, em certos casos, a diminuição da velocidade de 
progressão e a estabilização das perturbações cognitivas e psicocomportamentais. 
 
17 
 
O tratamento farmacológico para a demência incide, essencialmente, ao nível dos 
inibidores das colinesterases (tacrina; donepezilo; rivastigmina; galantamina) e ao nível dos 
antagonistas dos receptores glutamatergicos (memantina). 
Na decisão sobre terapêutica deve-se ponderar sobre as repercussões dos sintomas 
psiquiátricos e comportamentais e o risco dos efeitos adversos dos medicamentos, tendo 
sempre como principal objetivo o bem-estar do doente. O tratamento de alguns sintomas é 
fundamental e pode fazer a diferença entre a manutenção do doente no domicílio ou a sua 
institucionalização. 
 
 
INTERVENÇÕES NÃO FARMACOLÓGICAS 
 
A necessidade de melhorar a qualidade de vida dos doentes com demência e das suas 
famílias tem contribuído para uma maior sensibilização sobre a importância dos programas 
de reabilitação. 
Independentemente das técnicas que se utilizem, as intervenções não farmacológicas 
assentam em grande parte na reabilitação, entendendo está como a participação ativa da 
pessoa com incapacidade no sentido de reduzir o impacto da doença e as dificuldades no 
quotidiano. 
As técnicas com possibilidades de serem utilizadas englobam modalidades de 
intervenção psicoterapêutica cujos principais objetivos são: promover ou manter a 
autonomia; melhorar a função cognitiva ou evitar o seu agravamento brusco; melhorar o 
estado de saúde geral; estimular as capacidades cognitivas, a identidade pessoal e a 
autoestima e minimizar o stress. As principais modalidades de intervenção são: 
• Estimulação cognitiva: dirige-se essencialmente à esfera mnésica como forma de 
treinar a memória, atenção, o processamento da informação, etc.; 
• Terapia de orientação para a realidade: é um conjunto de técnicas simples nas quais 
se proporciona informação básica (orientação temporal); 
• Terapia por reminiscência: pretende-se que o doente reviva acontecimentos 
agradáveis como forma de estimulação da memória; 
• Musicoterapia: é uma técnica que permite o relaxamento, diminui a ansiedade e 
facilita o contato com os outros. 
 
18 
 
 
Existe também outro tipo de estratégias que pretendem contribuir para a promoção de 
um envelhecimento ativo e saudável e para a criação de respostas adequadas às 
necessidades da população idosa, tais como: 
• Cuidados de enfermagem: visam maximizar as potencialidades do idoso, 
minimizando a sua dependência; 
• Apoio psicológico: intervém a nível psicológico integrado num plano estruturado e 
individualizado de suporte à díade idoso/família; 
• Apoio social: visa essencialmente modificar o meio do idoso, de modo a tornar mais 
favorável o seu quotidiano; 
• Convívio social: assenta no objetivo de permitir aos idosos que permaneçam 
integrados e motivados na vida laboral e social; 
• Intervenção familiar: através de programas que, numa abordagem psicoeducativa, 
envolvem aspetos relacionados com o conhecimento da própria doença; 
• Psicoeducação: é uma técnica que visa melhorar a compreensão e atitude pelos 
doentes e sua família, face à demência; é encarada como parte do tratamento e está 
enquadrada no projeto terapêutico. 
 
Todo este conjunto de intervenções tem aqui um papel fundamental, como também na 
estimulação e preservação das capacidades da pessoa com doença de Alzheimer. Pretende 
orientá-la e à família/cuidadores para melhorar a respectiva qualidade de vida, com melhores 
e maiores cuidados, preservando ou retardando a deterioração progressiva e o estresse dos 
prestadores de cuidados. Uma correta avaliação inicial de forma a detectar as necessidades, 
com adequada formulação de diagnósticos, leva a poder intervir de forma eficaz, obtendo 
resultados que tragam ganhos em saúde para a pessoa cuidada e para o cuidador. 
De salientar que qualquer técnica a implementar deverá ter por base uma avaliação 
neuropsicológica exaustiva, de modo a identificar os défices e as funções que podem ser 
estimuladas, o tipo de demência e o estádio em que se encontra. 
 
 
 
19 
 
QUAL A LIGAÇÃO ENTRE DEMÊNCIA 
E DOENÇA DE ALZHEIMER? 
 
 
http://www.mdsaude.com/2011/03/mal-alzheimer.htmlSe anteriormente referimos que a demência inclui alterações cognitivas provocadas por 
alterações a nível cerebral, mais concretamente a nível neuronal, é aqui que a ligação se 
estabelece. A doença de Alzheimer é a principal causa de demência, responsável por cerca 
de 60 a 80% dos casos (Alzheimer Association, 2014; Alzheimer Association, 2013; Mace & 
Rabins, 2006). 
Trata-se de uma doença neurodegenerativa (Alzheimer Association, 2014), uma vez 
que leva à morte progressiva dos neurónios, irreversível e de evolução lenta; como tal, 
existem alterações cerebrais específicas associadas à doença. Verifica-se uma acumulação 
anormal da proteína beta-amiloide, que leva à formação de várias placas entre os neurónios, 
e no interior dos mesmos é possível observar a formação de tranças fibrilares, causada pela 
agregação anormal da proteína tau. 
 
20 
 
A conjugação destas alterações leva a danos ao nível das ligações entre os neurónios 
(sinapses), que acabam por provocar a morte dos mesmos (National Institute on Aging, 
2008; Alzheime Australia, 2012). Se compararmos um cérebro “saudável” com um cérebro 
de uma pessoa com doença de Alzheimer, este segundo terá um tamanho 
consideravelmente menor devido à morte neuronal que é característica da doença 
(Alzheimer Association, 2013). Estas alterações cerebrais ocorrem de forma gradual e têm 
início vários anos antes dos primeiros sinais de alerta se manifestarem (Alzheimer 
Australia, 2012). À medida que se vão acumulando e desenvolvendo, estas alterações 
neuronais são responsáveis pelo agravamento e deterioração quer das funções cognitivas 
da pessoa, quer da sua capacidade de desempenho e autonomia diária (Diamond, 2011). 
 
 
http://vitalmente.com/wp-content/uploads/2014/10/Alzheimer-1440x564_c.jpg 
 
Para além da doença de Alzheimer, existem ainda outras causas que estão na origem 
da demência e que constituem outros tipos de demência. A cada um deles estão associados 
sintomas diferentes e distintos, bem como alterações cerebrais distintas (Alzheimer 
Association, 2014). Voltando de novo à doença de Alzheimer, importa referir que está 
também pode ser “dividida” em dois tipos: a esporádica e a familiar (Alzheimer Society of 
Canada, 2014; Diond, 2011). 
A doença de Alzheimer do tipo esporádica é a forma mais comum/prevalente e surge 
geralmente em pessoas com idade superior a 65 anos, enquanto que a doença de Alzheimer 
do tipo familiar surge em indivíduos com idades significativamente inferiores (geralmente 
 
21 
 
surge por volta dos 50 anos, ou até mais cedo), tendo no entanto uma prevalência muito 
menor (Alzheimer Austrália, 2012; Diamond, 2011). 
 
 
QUAL(IS) A(S) CAUSA(S) DA DOENÇA DE ALZHEIMER? 
 
http://www.definicionabc.com/salud/demencia.php 
 
Atualmente, e de acordo com os resultados obtidos em vários estudos e trabalhos 
científicos, podemos afirmar que os investigadores detêm um maior conhecimento acerca 
das alterações químicas que afetam e danificam as células cerebrais nos casos de Doença 
de Alzheimer. No entanto, a causa para estes fenômenos ainda não foi descoberta
 (Alzheimer Austrália, 2012). Apesar de tudo, é consensual na comunidade científica 
a ideia de que, tendo em conta a complexidade da doença, esta tenha uma origem 
 
22 
 
multifatorial, resultando da combinação de vários fatores de risco (Diamond, 2011; National 
Institute on Aging, 2008). 
 
QUAIS OS FATORES DE RISCO PARA A DOENÇA DE ALZHEIMER? 
 
Em primeiro lugar, importa ressalvar que quando falamos de fatores de risco, estamos 
a referir-nos a características da própria pessoa, a características do seu estilo de vida e do 
ambiente/contexto onde se insere, e que poderão contribuir para uma maior probabilidade 
de vir a ter doença de Alzheimer ou outro tipo de demência (Diamond, 2011). Em seguida, 
vamos enumerar os principais fatores de risco que são atualmente indicados e confirmados 
por vários estudos científicos (Alzheimer Association, 2013; Diamond, 2011), divididos em 
dois grandes grupos (Farrow, 2010): fatores de risco não-modificáveis e fatores de risco 
modificáveis. 
 
 
http://pt.wikihow.com/Prevenir-Alzheimer 
 
 
23 
 
 
RELATIVAMENTE AOS FATORES DE RISCO NÃO-MODIFICÁVEIS 
 
Idade: é o principal fator de risco para a doença de Alzheimer, uma vez que a 
prevalência aumenta significativamente à medida que as pessoas ultrapassam os 65 anos 
de idade; História familiar: pessoas que tenham um parente com doença de Alzheimer (irmão 
ou irmã) têm maior probabilidade de desenvolver a doença, comparativamente com pessoas 
que não tenham. Este risco aumenta caso o grau de parentesco seja de 1º grau (pai ou 
mãe), ou caso exista mais do que um familiar com diagnóstico; 
Alterações genéticas: através de vários estudos, foram descobertos alguns genes 
que aumentam a probabilidade de diagnóstico de doença de Alzheimer. O mais estudado e 
comprovado até hoje é o gene APOE-e4. Ao nascermos, todos herdamos uma cópia do gene 
APOE de cada um dos nossos pais; no entanto, aqueles que herdam uma cópia da 4ª 
variante do gene (o APOE-e4) têm uma maior probabilidade de desenvolver doença de 
Alzheimer. Caso herdem duas cópias, têm um risco ainda mais elevado. No entanto, importa 
ressalvar que, em ambos os casos, trata-se de uma questão de maior probabilidade e não 
de certeza/confirmação de diagnóstico. 
Quando falamos em fatores de risco modificáveis, referimo-nos aos seguintes: 
• Consumo excessivo de álcool; 
• Obesidade; 
• Fumar; 
• Hipertensão; 
• Colesterol elevado; 
• Diabetes (tipo 2); 
• Depressão; 
• Isolamento e 
• Traumas cerebrais. 
 
 
24 
 
COMO REDUZIR O RISCO DE DESENVOLVER DOENÇA 
DE ALZHEIMER OU OUTRO TIPO DE DEMÊNCIA? 
 
http://estou-sem.blogspot.com.br/2011/10/waiting-o-olhar-perdido-de-idosos-com.html 
 
Uma vez que a causa e a cura para a doença de Alzheimer ainda permanecem 
desconhecidas, a adopção de um estilo de vida saudável e a redução de 
comportamentos/hábitos como os anteriormente mencionados, assumem uma elevada 
pertinência e significado na tentativa de reduzir o risco de desenvolver doença de Alzheimer 
ou outro tipo de demência (Farrow, 2010). 
Como tal, e de acordo com a Alzheimer Austrália, que desenvolve o programa Hour 
Brain Matters, aqui ficam cinco “sugestões” de comportamentos/estilos de vida que reduzem 
o risco de termos doença de Alzheimer ou outro tipo de demência, assentes no pressuposto 
 
25 
 
de que certas medidas preventivas podem de facto ser benéficas para a saúde do nosso 
cérebro (Alzheimer Austrália, 2013): 
 
CUIDE DO SEU CORAÇÃO 
 
Muitas pessoas desconhecem o facto de existir uma forte relação entre a saúde do 
nosso coração e a saúde do nosso cérebro, isto é, aquilo que é benéfico para o coração é 
também benéfico para o cérebro. Como tal, é importante adotar alguns comportamentos ou 
modificar alguns estilos de vida, como por exemplo: controlar/verificar a pressão sanguínea 
de forma regular; evitar fumar; controlar o peso e realizar exames de rotina com alguma 
frequência. 
 
 
PRATIQUE EXERCÍCIO FÍSICO 
 
São vários os estudos que comprovam a importância do exercício físico para um melhor 
funcionamento cerebral e o seu impacto na redução do risco de desenvolver algum tipo de 
demência. Para além de estimular a corrente sanguínea até ao cérebro, o exercício físico 
está também associado a um maior volume cerebral, bem como estimula o crescimento e 
as ligações entre as células cerebrais (neurónios). 
Apesar de ainda não ser consensual e clara a quantidade de exercício necessária, ou 
a periodicidade necessária para reduzir o risco, sugere-se a prática diária de exercício 
(moderado a intenso) com a duração de 30 minutos. Ficam em seguida algumas sugestões: 
praticar caminhadas regularmente (contribui para o aumento do tamanho do hipocampo, 
área cerebral responsável pela memória); dançar; nadar; andar de bicicleta; treino de 
resistência.DESAFIE O SEU CÉREBRO 
 
Investigadores descobriram que quando desafiamos o nosso cérebro com novas 
tarefas e atividades, estamos a estimular e promover a criação de novas ligações neuronais 
e a fortalecer as existentes. Desta forma, estamos a possibilitar que o nosso cérebro tenha 
 
26 
 
uma maior “reserva” que lhe permita melhor lidar e manter-se funcional, caso se venha a 
verificar algum dano ou morte neuronal. Ficam em seguida algumas sugestões: envolver-se 
em hobbies de acordo com os seus interesses; aprender algo novo (ex: tocar um instrumento 
musical); ler e pesquisar ou aprofundar temas de acordo com os seus interesses. 
 
 
MANTENHA UMA DIETA SAUDÁVEL 
 
Apesar de não existirem evidências estatísticas significativas que nos indiquem se 
existem alimentos específicos que reduzam o risco de desenvolvermos demência, há, no 
entanto, estudos que sugerem que uma dieta saudável e equilibrada poderá contribuir para 
manter o cérebro saudável e em bom funcionamento. No entanto, deixamos de seguida 
algumas recomendações quanto à dieta alimentar, retiradas de uma guideline Australiana 
(Commonwealth of Austrália, 2013), uma vez que se acredita terem um forte impacto na 
redução do risco de doenças cardiovasculares e também de demência (Farrow, 2010): evitar 
o consumo de gorduras saturadas; comer duas peças de fruta por dia; comer cinco porções 
de legumes por dia; consumir alimentos ricos em ómega 3 (ex: peixes e nozes) e não beber 
mais do que dois copos de vinho por dia. 
 
 
MANTENHA-SE SOCIALMENTE ATIVO 
 
Vários estudos demonstraram o efeito positivo das interações sociais, sobretudo no 
que diz respeito à diminuição do risco de desenvolver algum tipo de défice cognitivo ou 
demência. Acredita-se ainda que a conjugação de atividades sociais com o exercício físico 
e/ou mental poderá diminuir ainda mais este risco. 
 Como tal, é fundamental que as pessoas se mantenham envolvidas em atividades na 
comunidade, que estas sejam do seu interesse e na qual participem pessoas significativas, 
cuja companhia seja do seu agrado. Deixamos de seguida alguns exemplos: conversar com 
familiares e amigos (melhor ainda, conversar enquanto fazem uma caminhada); ir ao teatro 
ou assistir a um concerto; manter contato com os vizinhos; integrar um grupo de voluntariado. 
 
27 
 
Para além destes cinco tópicos, a Alzheimer Austrália alerta ainda para a importância 
de evitarmos traumatismos cranianos, sobretudo situações graves que envolvam a perda de 
consciência, uma vez que existe um maior risco de demência associado (Diamond, 2011; 
Farrow, 2010). Como tal, é fundamental que se proteja adequadamente a cabeça aquando 
da prática de certo tipo de atividades (ex: andar de bicicleta ou andar de motorizada), e se 
procure minimizar o risco de queda, sobretudo nas pessoas mais idosas (Farrow, 2010). 
Por último, é ainda referida a importância de controlar e prevenir (novos) episódios e 
estados depressivos, uma vez que existem cada vez mais estudos que apontam para uma 
relação de risco entre a depressão e a demência (Alzheimer Austrália, 2013), Farrow, 
2010). 
 
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DE DOENÇA DE 
ALZHEIMER? 
 
http://www.samarilar.com.br/como-prevenir-depressao-nos-idosos/ 
 
 
28 
 
Não existe um teste único que permita realizar o diagnóstico de doença de Alzheimer. 
Este processo é feito por exclusão, isto é, através de diferentes abordagens terapêuticas os 
médicos especialistas (neurologista ou psiquiatra) avaliam o estado de saúde da pessoa e 
procuram identificar outras condições ou patologias que possam levar ao mesmo tipo de 
sintomas. Após excluir todas as hipóteses (algumas delas reversíveis), o médico poderá 
assim determinar se se trata de um caso de doença de Alzheimer ou de outro tipo de 
demência. 
Este é um processo complexo, uma vez que envolve várias etapas e envolve 
obrigatoriamente os seguintes exames / dados: 
• História clínica e familiar da pessoa: obtida através da própria pessoa e adjuvada com 
informação do cuidador principal; é também fundamental que sejam mencionados os 
sinais de alerta manifestados, o início dos mesmos e as alterações observadas nas 
atividades de vida diária (Direção-Geral da Saúde, 2011; National Institute on Aging, 
2008); 
• Análises laboratoriais ao sangue e urina: de modo a excluir outro tipo de patologias ou 
estados de saúde decorrentes de alterações ao nível da função hepática, função renal, 
tiroideia, vitamina B12, ácido fólico, etc. (Direção-Geral da Saúde, 2011); 
• Avaliação neuropsicológica: através de vários testes de pergunta -resposta, que irão 
avaliar e quantificar o desempenho da pessoa ao nível das várias funções cognitivas 
(memória, linguagem, cálculo, orientação, etc.) (Direção-Geral da Saúde, 2011; 
National Institute on Aging, 2008); - exames de imagem: é geralmente realizada uma 
TAC crânio-encefálica, bem como uma ressonância magnética, no sentido de detectar 
possíveis alterações cerebrais já existentes (Alzheimer Association, 2014; Direção-
Geral da Saúde, 2011; National Institute on Aging, 2008). 
 
 
29 
 
 
https://maldealzheimerhoje.blogspot.com.br/2014/08/alzheimer-entenda-mais-sobre-as-tres.html 
 
30 
 
 
QUAL É A IMPORTÂNCIA DE UM DIAGNÓSTICO 
PRECOCE? 
 
http://psiquiatriaetoxicodependencia.blogspot.com.br/2010/04/aspectos-psiquiatricos-do-cuidado-de_16.html 
 
Por vezes, e na grande maioria dos casos de Doença de Alzheimer, os primeiros 
sinais ou sintomas da doença são ignorados ou desvalorizados pela própria pessoa e pelos 
seus familiares, uma vez que existe alguma dificuldade em distinguir o que são alterações 
próprias do envelhecimento e o que poderão ser sinais de alerta. Apresentamos de seguida 
um quadro que compara sinais de alerta típicos da doença de Alzheimer ou de outra 
demência, com sinais relativos a alterações próprias do envelhecimento (Alzheimer
 Association, 2014). 
 
31 
 
Sinais de alerta para doença de 
Alzheimer ou outro tipo de demência 
Alterações próprias do 
envelhecimento 
Diminuída capacidade de julgamento ou 
tomada de decisão. 
Tomar uma decisão errada 
ocasionalmente. 
Incapacidade de gerir 
orçamentos/contas mensais. 
Esquecer-se de pagar uma conta 
mensal. 
Perder a noção do dia da semana e 
estação atual. 
Esquecer-se que dia da semana é 
hoje, mas lembrar-se mais tarde. 
Dificuldades em ter e manter uma 
conversa. 
Por vezes, esquecer-se de qual a 
melhor palavra a usar. 
Trocar o lugar dos objetos e não ser 
capaz de se recordar/refazer os passos até 
encontrá-los. 
Perder coisas de vez em quando, 
mas conseguir encontrá-las através de 
raciocínio lógico. 
 
No entanto, à medida que a doença vai evoluindo, vão surgindo sintomas mais notórios, 
que começam a afetar o desempenho da pessoa em certas atividades do dia-a-dia, 
sobretudo naquelas que exigem uma maior capacidade de raciocínio e de 
análise/interpretação e consequente resposta (ex: gerir as compras da casa, gerir a 
medicação, etc.). Nalguns casos, é a própria pessoa que identifica nela mesma estas 
alterações, enquanto noutros casos são os familiares mais próximos (cônjuge e/ou filhos) 
que se vão apercebendo e observando as alterações na memória, no comportamento e na 
capacidade de desempenho (Alzheimer Association, 2014). 
Neste sentido, e com o objetivo de alertar e ajudar os familiares a detectarem o mais 
precocemente estas alterações, a Alzheimer Association criou uma lista de 10 sinais de 
alerta para a doença de Alzheimer ou outro tipo de demências. Importa ressalvar que cada 
pessoa poderá apresentar um ou mais destes sinais com diferentes graus de severidade, e 
que a presença de um ou mais sinais é suficiente para justificar uma ida ao médico 
(Alzheimer Association, 2014; Diamond, 2011). 
 
 
32 
 
 
http://salutemed.com.br/portal/cirurgia-que-melhora-a-memoria-de-pacientes-com-alzheimer-e-realizada-no-brasil/ 
 
O conhecimentodestes sinais de alerta é fundamental para que se consiga alcançar 
um diagnóstico cada vez mais precoce, que permite e promove a oportunidade de a pessoa 
se “ajustar”, adaptar e reagir ao diagnóstico, bem como participar ativamente no 
planeamento do seu futuro (Leifer, 2003). 
1 - Perda de memória que afeta a rotina diária. 
• Esquecimento de informações recentes (défices na memória a curto - prazo). 
• Repetir várias vezes a mesma questão, ou repetir temas de conversa após um 
curto período de tempo. 
 
2 - Dificuldade em planear ou resolver problemas. 
• Perder a capacidade de desenvolver e seguir um plano de trabalho. 
 
33 
 
• Ter dificuldade em seguir uma receita familiar. 
• Ter dificuldade em lidar com números e gerir as contas mensais. 
3 - Dificuldade em executar tarefas familiares. 
• Ter dificuldades em executar tarefas diárias habituais (ex: cozinhar, vestir-se). 
• Ter dificuldades em conduzir até um local conhecido. 
4 -Perda da noção de tempo e/ou lugar. 
• Perder a noção de datas, estações do ano e da passagem do tempo. 
• Ter dificuldades em entender alguma coisa que não esteja a acontecer naquele 
preciso momento. 
• Esquecer-se onde está no momento, ou como chegou até lá. 
5 - Dificuldade em perceber imagens visuais e relações especiais. 
• Ter dificuldades na leitura. 
• Ter dificuldades em calcular distâncias e determinar uma cor ou o contraste. 
6 - Problemas de linguagem. 
• Ter dificuldades em acompanhar ou inserir-se numa conversa. 
• Parar a meio de uma conversa e não saber como continuar ou repetir várias 
vezes a mesma coisa. 
• Ter dificuldades em encontrar palavras adequadas para se expressar ou dar 
nomes errados às coisas. 
7 - Trocar o lugar das coisas. 
• Colocar objetos em lugares desadequados (ex: os óculos no frigorífico). 
• Perder objetos e não ser capaz de voltar atrás no tempo para se lembrar de 
quando ou onde os usou. 
• Acusar os outros de lhe roubar as suas coisas. 
 
 
34 
 
8 - Discernimento fraco ou diminuído. 
• Não ser capaz de perceber/identificar situações de burla, e ceder a pedidos de 
dinheiro. 
• Vestir-se desadequadamente consoante a estação ou ocasião. 
• Não ir logo ao médico quando tem uma infeção, pois não reconhece a infeção 
como algo problemático. 
9 - Afastamento do trabalho e da vida social. 
• Começar a abandonar os hobbies, atividades sociais, projetos de trabalho ou 
desportos favoritos. 
• Evitar situações de interação social, com receio que as outras pessoas se 
apercebam das suas dificuldades. 
• Maior isolamento e tendência para querer ficar em casa. 
10 - Alterações de humor e personalidade 
• Tornar-se confuso (a), desconfiado (a), deprimido (a), com medo ou ansioso (a). 
• Irritar-se com facilidade em casa, no trabalho, com os amigos ou em locais onde 
se sinta fora da sua “zona de conforto”. 
• Súbitas alterações de humor – da serenidade ao choro ou à angústia – sem que 
haja qualquer razão para tal facto. 
COMO É QUE A DOENÇA DE ALZHEIMER? 
Como já referido anteriormente, a doença de Alzheimer é progressiva e degenerativa, 
pelo que vai piorando e agravando ao longo do tempo. São habitualmente sugeridas três 
fases que descrevem a evolução da doença e a forma como as capacidades da pessoa se 
vão alterando ao longo do tempo (Alzheimer Association, 2013): fase inicial / ligeira; fase 
intermédia / moderada; fase final / avançada / grave. Importa salientar que cada pessoa tem 
o seu padrão de evolução e que a velocidade com que as suas capacidades se deterioram 
também difere de caso a caso. No entanto, existem alguns padrões que são comuns a todos 
 
35 
 
os casos e que permitem a sugestão da existência destas três fases, que pretendem ser um 
guia geral acerca do que esperar com a evolução da doença. 
 
 
http://www.uca.pt/files/c4ee03c931ed7e07e70e15ebadc15bb04fbfbf24.jpg 
 
O quadro seguinte indica algumas características e comportamentos mais frequentes 
em cada uma das diferentes fases (Alzheimer Australia, 2012; National Institute on Aging, 
2008). 
 
FASE INICIAL / LIGEIRA 
- Maior apatia 
- Perder interesse em hobbies 
- Maior lentidão na compreensão de ideias complexas 
- Demorar mais tempo a completar tarefas habituais/rotineiras 
- Esquecer-se de acontecimentos / informações recentes 
- Dificuldade em lidar com dinheiro 
- Perda de espontaneidade 
- Alterações na personalidade e no humor (estar mais irritado (a), ansioso ou preocupado 
quando falha alguma tarefa) 
FASE INTERMÉDIA / MODERADA 
- Esquecimentos cada vez mais frequentes 
- Tornar-se muito repetitivo (a) 
- Memória a longo-prazo está geralmente preservada, mas por vezes confundem ou 
esquecem alguns detalhes de acontecimentos passados 
- Perder-se com facilidade 
 
36 
 
- Maior confusão relativamente ao tempo e ao espaço 
- Ter muita dificuldade em realizar operações de cálculo simples 
- Esquecer-se do nome de familiares ou amigos, ou confundir membros da família entre si 
- Dificuldades ao nível da linguagem, da escrita e da leitura 
- Inquietação, agitação, ansiedade e deambulação – Sobretudo ao final da tarde ou à noite 
- Comportamentos socialmente inapropriados 
- Alucinações, delírios, paranoia e irritabilidade 
- Incapacidade de realizar tarefas que envolvem etapas e sequências (ex: vestir-se, pôr a 
mesa, cozinhar) 
- Dificuldade em reconhecer familiares e amigos 
 FASE AVANÇADA / GRAVE 
- Não reconhecer familiares ou amigos 
- Não ser capaz de comunicar oralmente 
- Perda da capacidade de compreender o discurso dos outros - Dependência total ao nível 
da higiene, alimentação, vestir, etc. 
- Perda da capacidade de andar – na cama todo o dia 
- Incontinência total (urinária e fecal) 
- Dificuldade em engolir e mastigar alimentos 
- Perda de peso 
- Risco elevado de úlceras de pressão 
 
EXISTE TRATAMENTO PARA A DOENÇA DE ALZHEIMER? 
 
Até ao presente, não existe qualquer tipo de tratamento preventivo ou curativo para a 
doença de Alzheimer. Existem, no entanto, medicamentos que procuram retardar a evolução 
da doença, bem como diminuir alguns sintomas comportamentais (agitação, ansiedade, 
etc.). Contudo, o efeito dos mesmos varia de caso para caso (Diamond, 2011). 
Para além desta intervenção farmacológica, existe ainda a intervenção não-
farmacológica. De acordo com o projeto European Collaboration on Dementia (Eurocode), 
conduzido pela Alzheimer Europe e financiado pela Comissão Europeia, o tratamento da 
doença de Alzheimer deve conciliar estes dois tipos de tratamentos. Quando falamos em 
tratamento não farmacológico, estamos a referir-nos a um conjunto de intervenções não 
químicas que procuram, entre outros aspectos (Gitlin, Kales et al., 2012; Herholz, Herholz et 
al., 2013; Fundación Reina Sofia, 2012; Fleta & León, 2011): 
 
 
 
37 
 
• Maximizar o funcionamento cognitivo da pessoa (retardar a evolução do doença e 
consequente perda de capacidades); 
• Ajudar no processo de adaptação à doença; 
• Diminuir a sobrecarga dos cuidados prestados pelo cuidador. 
 
Tem ainda como aspecto positivo o facto de ser um tipo de intervenção que nos permite 
trabalhar e diminuir de forma global alguns sintomas da doença, sem necessitar de recorrer 
ao uso de fármacos, que para além de terem efeitos secundários prejudiciais apresentam 
também um custo elevado (Fundación Reina Sofia, 2012). 
 
 
https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRN6kiPgz5uAKGoPnFny2KwOvZer_rFayrqcD9BwwYNs7lPNxlJ 
 
Neste tipo de intervenção os resultados obtidos não são quantificáveis, mas poderão 
ser observáveis ao nível da qualidade de vida, do bem-estar, dos comportamentos e 
desempenho da pessoa com doença de Alzheimer, bem como da qualidade de vida e bem-
estar dos cuidadores (Álvarez, Bellver et al., 2014; Fleta & León, 2011). 
https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRN6kiPgz5uAKGoPnFny2KwOvZer_rFayrqcD9BwwYNs7lPNxlJ
 
38 
 
Tendo em conta todas estas características,são vários os estudos que já 
demonstraram a eficácia e pertinência dos tratamentos não-farmacológicos; no entanto, 
muitos também sugerem a necessidade de mais investigação. Por este motivo, e uma vez 
que acreditamos que cada pessoa reage de forma diferente aos diferentes tratamentos 
utilizados, apresentamos de seguida uma lista das abordagens não-farmacológicas mais 
utilizadas atualmente, apesar de no caso de algumas não existirem evidências estatísticas 
significativas que comprovem o seu efeito benéfico (muito devido ao facto de os estudos 
realizados possuírem amostras reduzidas): terapia comportamental; terapia de orientação 
na realidade (TOR); terapia da validação; terapia da reminiscência; estimulação cognitiva; 
musicoterapia; terapia assistida com animais; arte-terapia; aromaterapia. 
 
http://www.saudedicas.com.br/remedios-caseiros/doenca-de-alzheimer-2-019278 
 
 
 
 
39 
 
INCAPACIDADE COGNITIVA 
A cognição é o conjunto de funções cerebrais formadas pela memória (capacidade de 
armazenamento de informações), função executiva (capacidade de planejamento, 
antecipação, sequenciamento e monitoramento de tarefas complexas), linguagem 
(capacidade de compreensão e expressão da linguagem oral e escrita), praxia (capacidade 
de executar um ato motor), gnosia (capacidade de reconhecimento de estímulos visuais, 
auditivos e táteis) e função visuoespacial (capacidade de localização no espaço e percepção 
das relações dos objetos entre si). O funcionamento integrado destas funções nos permite 
interagir com as pessoas e com o mundo, com o objetivo de resolvermos as dificuldades do 
cotidiano, é responsável pela nossa capacidade de decidir, que, juntamente com o humor 
(motivação), é fundamental para a manutenção da autonomia. A individualidade é resultante 
do acúmulo de conhecimentos da nossa história e da cultura que herdamos. A perda da 
cognição ou incapacidade cognitiva é, portanto, o “desmoronamento” ou o “apagamento” da 
identidade que nos define como ser pensante. 
 
http://geriart.com.br/wp-content/uploads/2016/09/demencia.jpg 
O envelhecimento fisiológico não afeta a cognição de forma significativa. Ocorre uma 
atrofia do sistema nervoso central, o que pode ser percebido em toda tomografia 
computadorizada de crânio. O lobo frontal parece ser a região mais acometida, de forma 
 
40 
 
irregular. As únicas consequências são maiores lentificações no processamento cognitivo, 
redução da atenção (déficit atentivo), maior dificuldade no resgate das informações 
aprendidas (memória de trabalho), redução da memória prospectiva (“lembrar-se de 
lembrar”) e memória contextual (dificuldades com detalhes). Estas alterações não trazem 
nenhum prejuízo significativo na execução das tarefas do cotidiano. As alterações dos 
órgãos dos sentidos (visão, audição, entre outros) dificultam o acesso às informações e ao 
aprendizado. 
Desta forma, o envelhecimento normal é aquele apresentado por Dona Conceição, que 
mantém sua capacidade de resolver os problemas do dia-a-dia, embora de forma mais lenta. 
Por outro lado, Dona Ofélia apresenta “lapsos de memória” preocupantes, pois estão 
trazendo importantes repercussões no seu funcionamento habitual. Ela não é mais capaz de 
resolver os problemas da casa, como fazer compras, controlar as finanças, sair sozinha e 
cozinhar. Portanto, não podemos atribuir estas mudanças ao envelhecimento normal. 
 
Figura 1- Esquema do Esquecimento 
 
Fonte: Moraes (2008) 
 
41 
 
COMO SE SUSPEITA DE DEMÊNCIA? 
 
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/epidemia-silenciosa-bbkhr7r7ekx9ed85m1jvj2e6m 
 
Demência significa a perda do funcionamento harmonioso das funções cognitivas e 
comportamentais, comprometendo a autonomia e a independência do indivíduo. A 
prevalência de demência é estimada em cerca de 5% da população idosa em geral e 
aumenta com a idade, dobrando a cada cinco anos, aproximadamente, após os 65 anos de 
idade. Em Catanduva, no Brasil, a prevalência de demência foi de 7,1% entre os habitantes 
com 65 anos ou mais; 1,6%, entre os de 65 a 69 anos; 3,2%, entre os de 70 a 74 anos; 7,9%, 
entre os de 75 a 79 anos; 15,1%, entre os de 80 a 84 anos e 38,9%, entre os maiores de 85 
anos. 
 
42 
 
Segundo o DSM IV-TR, Manual de Classificação de Doenças Mentais da Associação 
Americana de Psiquiatria (2002), o diagnóstico de demência deve ser dado na presença de 
múltiplos déficits cognitivos, que incluem o comprometimento da memória e outra função 
cognitiva (linguagem, função executiva, gnosia e praxia). A repercussão deve ser grave o 
suficiente para comprometer o funcionamento social e ocupacional (atividades de vida diária) 
e representar um declínio em relação a um nível anteriormente avaliado. O diagnóstico não 
pode ser dado exclusivamente durante o curso de um delirium (confusão mental aguda), 
nem ser explicado por doença psiquiátrica, como depressão maior e esquizofrenia. 
As queixas relacionadas à memória seguem, normalmente, uma hierarquia 
cronológica. Inicialmente, o déficit é secundário ao comprometimento da memória e é 
descrito como esquecimento para fatos recentes, perda de objetos, acidentes domésticos, 
desorientação temporal e espacial, e repetição de fatos, respeitando o gradiente temporal 
(memória episódica recente, intermediária e remota). Com a evolução da doença, há maior 
comprometimento da memória, com empobrecimento do conhecimento do mundo, 
nomeação inadequada, discurso pobre e dificuldade de compreensão de conceitos. Em 
fases mais avançadas da doença, o paciente apresenta, inclusive, dificuldades de repetir 
instruções simples (memória de curto prazo). 
 
 Afasia – alterações da linguagem representadas pela presença de: 
• Anomia (dificuldade de nomeação de objetos ou de achar a palavra apropriada); 
• Circunlóquios explicativos (invenção de histórias para justificar a dificuldade 
cognitiva, rodeio de palavras); 
• Parafasias (substituição de palavras); 
• Logorréia (fala incessante), discurso pobre, termos vagos (coisa, troço), 
neologismos, erros gramaticais e frases inacabadas. 
 
Disfunção executiva – percebida pela presença de: 
• Desatenção, distração; 
• Dificuldade na realização de atividades que exigem sequenciamento, 
planejamento e mudança de estratégias (fazer a barba, fazer compras, sair de casa); 
• Perseveração motoras ou verbais (rituais); 
• Dificuldade na resolução de problemas do cotidiano ou de tomar decisões; 
• Inadequação no julgamento de situações ou problemas do cotidiano. 
 
 
43 
 
O comprometimento do lobo frontal também está associado à desregulação do 
comportamento social e controle das emoções, com desinibição, inquietação motora, 
perambulação, jocosidade inadequada, hipersexualidade, hiperfagia, agressividade, 
comportamento antissocial, labilidade emocional, apatia sem o colorido negativista do 
deprimido e sem ideação suicida, perda de iniciativa ou motivação, desinteresse por 
atividades ou passatempos e irritabilidade. 
 Apraxia – é a incapacidade de executar atividades motoras, apesar do funcionamento 
motor intacto. Caracteriza-se pela dificuldade para vestir-se, amarrar os sapatos, pentear o 
cabelo, andar, cozinhar, acender o cigarro, usar a chave, entre outros. 
 Agnosia – é a incapacidade de reconhecer ou identificar objetos, apesar do 
funcionamento sensorial intacto. O paciente ou familiar menciona dificuldade de 
decodificação ou reconhecimento do estímulo, na ausência de comprometimento dos órgãos 
do sentido. Nas fases avançadas ocorre agnosia de objetos, cores e faces (prosopagnosia). 
QUAIS SÃO OS CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA 
DEPRESSÃO, DELIRIUM E DOENÇA MENTAL? 
As desordens depressivas representam um grupo de entidades clínicas ou síndromes 
independentes caracterizadas pela baixa do humor e variabilidade na gravidade. Deve ser 
diferenciada de tristeza, ou seja, existe a depressão-sintoma e a depressão-doença. A 
tristeza é umsentimento presente em vários momentos da vida. Por exemplo: na reação ao 
luto, a tristeza está presente, mas é insuficiente para inviabilizar completamente os projetos 
de vida da pessoa, que preserva o interesse em algumas atividades. O paciente supera a 
perda progressivamente, num período variável de 4 a 12 meses. 
O envelhecimento está associado a diversas perdas, desde familiares queridos, 
cônjuges, filhos, perda do prestígio social e do nível socioeconômico e, finalmente, da própria 
independência física. Entretanto, estas perdas são superáveis e podem permitir uma vida 
psíquica normal. A depressão maior é, atualmente, a principal causa de incapacidade no 
mundo moderno e constitui-se em verdadeira “epidemia silenciosa”, cuja importância na 
morbimortalidade geral se aproxima aos observados nas doenças crônico-degenerativas. 
 
44 
 
No idoso, a depressão maior está associada a vários sintomas somáticos, que dificultam o 
diagnóstico. 
 
http://www.psicologiamsn.com/2015/02/alguem-que-tenha-um-transtorno-mental-pode-ser-psicologo.html 
 
A prevalência de depressão maior varia de 10%, nos idosos residentes na comunidade, 
até 30%, nos idosos institucionalizados. Os critérios diagnósticos de depressão maior, 
segundo o DSM-IV, incluem a presença de cinco ou mais sintomas durante o período de 
duas semanas (todos os dias ou quase todos os dias) e que representaram uma alteração 
do seu funcionamento anterior. Pelo menos um dos sintomas é humor deprimido ou perda 
do interesse ou prazer (anedonia): 
 Interesse ou prazer acentuadamente diminuídos: o idoso deixa de sentir prazer 
com atividades que anteriormente eram agradáveis, tendendo ao isolamento social e 
familiar; 
 Humor deprimido indicado por relato subjetivo (sensação de tristeza, 
autodesvalorização e sentimento de culpa) ou observação feita por outros: o idoso 
menciona sensação de vida vazia, demonstra fácil irritabilidade (“rabugento”) ou considera-
 
45 
 
se um peso para a família, afirmando ser a morte a única solução. Tendência à emotividade 
excessiva, com crises de choro frequentes; 
 Perda ou ganho significativo de peso sem estar em dieta, ou diminuição ou 
aumento do apetite: a inapetência é o sintoma mais comum e importante causa de 
emagrecimento no idoso. Pode predominar e mascarar sintomas como baixa do humor e 
anedonia, dificultando o diagnóstico de depressão (depressão mascarada). 
 
Figura 2- TIME das Demências Reversíveis 
 
Fonte Moraes (2008). 
 
Insônia ou hipersonia: habitualmente a insônia é terminal (matinal, despertar cedo e 
piora matinal da sintomatologia depressiva) ou sono entrecortado e dificuldade para dormir 
novamente. Portanto, a queixa de insônia, tão comum no consultório, deve sugerir 
prontamente o diagnóstico de depressão; 
 Agitação ou retardo psicomotor; 
 Fadiga ou perda de energia: por vezes simulando doenças consumptivas, 
insuficiência cardíaca congestiva, hipotireoidismo, parkinsonismo (bradicinesia), polimialgia 
reumática, entre outros; sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada; 
 
46 
 
 Capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se: lentificação do pensamento 
com déficit atencional significativo, por vezes simulando síndrome demencial 
(“pseudodemência”); 
 Pensamentos recorrentes de morte, ideação suicida recorrente. 
As principais causas de demência irreversível não-Alzheimer incluem: 
 Demência vascular: representa a segunda causa de demência no idoso, 
responsável por 15% a 20% de todas as demências. No Brasil, em Catanduva, esteve 
presente em 18% dos idosos com demência. Resulta da presença de doença 
cerebrovascular isquêmica ou hemorrágica, assim como da injúria cerebral resultante do 
hipofluxo cerebral. A associação entre doença cerebrovascular e demência remonta da 
Antiguidade. O termo “esclerose” foi muito utilizado para descrever a importância das 
doenças cérebro-vasculares como principal causa de demência associada ao 
envelhecimento. A descrição da doença de Alzheimer como principal causa de demência 
resultou na “alzheimerização” das demências e, muitas vezes, os termos “doença de 
Alzheimer” e “demência senil” são considerados sinônimos. 
Os critérios para o diagnóstico de demência vascular, segundo o dSM-iv, são: 
 Desenvolvimento de múltiplos déficits cognitivos manifestados tanto por (1) 
quanto por (2): 
 1- Comprometimento da memória: amnésia 
 2- Uma (ou mais) das seguintes perturbações cognitivas: 
 Afasia: perturbação da linguagem; 
 Apraxia: capacidade prejudicada de executar atividades motoras, 
apesar do funcionamento motor intacto; 
 Agnosia: incapacidade de reconhecer ou identificar objetos, apesar do 
funcionamento sensorial intacto; 
 Disfunção executiva: perturbação do funcionamento executivo (i.e., 
planejamento, organização, sequenciamento, abstração). 
 
Os déficits cognitivos nos critérios (1) e (2) causam comprometimento significativo 
do funcionamento social ou ocupacional e representam um declínio significativo em 
relação a um nível anteriormente superior de funcionamento. 
 
47 
 
 Sinais e sintomas neurológicos focais (por exemplo: exagero dos reflexos tendinosos 
profundos, resposta extensora plantar, paralisia pseudobulbar, anormalidades da marcha, 
fraqueza em uma das extremidades) ou evidências laboratoriais indicativas de uma doença 
cerebrovascular (por exemplo: múltiplos infartos envolvendo o córtex e a substância branca) 
considerados etiologicamente relacionados à perturbação. 
 Os déficits não ocorrem exclusivamente durante o curso de um delirium. 
• Demência por corpos de Lewy: a Demência por Corpos de Lewy (DCL) 
representa a segunda causa de demência degenerativa, responsável por 15% a 
25% dos casos. O diagnóstico correto é fundamental para o manejo 
farmacológico. A sintomatologia cognitiva, comportamental, motora, autonômica 
e os distúrbios do sono respondem bem ao uso de anticolinesterásicos e 
apresentam grande hipersensibilidade ao antipsicóticos, podendo induzir a 
complicações potencialmente fatais. As manifestações centrais da doença são: 
presença de parkinsonismo precoce e espontâneo, flutuação cognitiva e 
alucinações visuais recorrentes e complexas. Além disso, é frequente a 
presença de alterações do sono REM (sonhos vívidos e pesadelos). 
• Demência frontão-temporal (doença de Pick): o quadro clínico relaciona-se à 
síndrome frontal com predomínio da sintomatologia comportamental 
(desinibição, comportamentos antissociais, impulsividade, hipersexualidade, 
entre outros). Apesar da gravidade dos sintomas comportamentais, os 
pacientes permanecem orientados no seu ambiente até fases avançadas da 
doença. 
• Outras demências: são causas mais raras de demência e são representadas 
pela demência associada à doença de Parkinson, como degeneração 
corticobasal, paralisia supranuclear progressiva, doença de Huntigton e doença 
de Creutzfeldt-Jacob, entre outras. 
 
A sintomatologia apresentada por Dona Ofélia teve início insidioso e caracterizado pela 
presença de esquecimento progressivo. Não houve evolução em degraus e não foi percebido 
déficit motor ou alteração da marcha. Além disso, o único fator de risco para doença 
cerebrovascular é a idade. Como já vimos, a Tomografia Computadorizada (TC) de crânio 
 
48 
 
foi normal para a idade. Desta forma, o diagnóstico de demência vascular torna-se pouco 
provável. O diagnóstico de Corpos de Lewy pode também ser descartado pela ausência de 
parkinsonismo e alucinações visuais precoces. Os únicos sintomas psicóticos apresentados 
pela paciente são as ideias delirantes de roubo e perseguição. Não houve relato de 
alucinações visuais. A única flutuação observada é a piora da agitação psicomotora no final 
do dia, ao entardecer, quando a paciente insiste que não está em sua casa e pede 
insistentemente para ser levada para sua verdadeira casa. Não há desinibição, 
comportamento antissocial, hipersexualidadeou qualquer outro sintoma que sugira o 
diagnóstico de demência frontão-temporal. 
Figura 3- Principais Causa de Demências irreversíveis 
 
Fonte Moraes (2008). 
 
49 
 
O ENVELHECIMENTO 
 
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O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial, tanto no que se refere aos 
países desenvolvidos como aos países em desenvolvimento. Este crescimento da 
população idosa é reflexo do aumento gradual da longevidade, conjuntamente com as 
diminuições das taxas de natalidade e mortalidade. 
Estimativas para a população idosa brasileira apontam que até 2020, o país terá 32 
milhões de pessoas com idade superior a 60 anos. O aumento no número de idosos instiga 
o desenvolvimento de estratégias que possam minimizar os efeitos negativos do avanço da 
idade cronológica no organismo. Estas estratégias visam à manutenção da capacidade 
funcional e da autonomia para que as pessoas possam ter uma vida mais longa e com 
melhor qualidade. 
O processo de envelhecimento em idades avançadas está associado a alterações 
físicas, fisiológicas, psicológicas e sociais, bem como ao surgimento de doenças crônico-
 
50 
 
degenerativas advindas de hábitos de vida inadequados (tabagismo, ingestão alimentar 
incorreta, tipo de atividade laboral, ausência de atividade física regular), que se refletem na 
redução da capacidade para realização das atividades da vida diária. 
O declínio nos níveis de atividade física habitual para idoso contribui para a redução 
da aptidão funcional e a manifestação de diversas doenças, como consequência a perda da 
capacidade funcional. Neste sentido, tem sido enfatizada a prática de exercícios como 
estratégia de prevenir as perdas nos componentes da aptidão funcional. 
A diminuição da tolerância ao esforço físico faz com que um grande número de 
pessoas idosas vive abaixo do limiar da sua capacidade física, necessitando somente de 
uma mínima intercorrência na saúde para tornarem-se completamente dependentes6. A 
atividade física regular tem sido descrita como um excelente meio de atenuar a degeneração 
provocada pelo envelhecimento dentro dos vários domínios físico, psicológico e social. 
 
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51 
 
IMPACTO DO ENVELHECIMENTO NO 
ORGANISMO HUMANO 
 
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O processo do envelhecimento, do ponto de vista fisiológico, não ocorre 
necessariamente em paralelo ao avanço da idade cronológica, apresentando considerável 
variação individual. Este processo é marcado por um decréscimo das capacidades motoras, 
redução da força, flexibilidade, velocidade e dos níveis de VO2 máximo, dificultando a 
realização das atividades diárias e a manutenção de um estilo de vida saudável. 
As alterações fisiológicas de perda da capacidade funcional ocorrem durante o 
envelhecimento em idades mais avançadas, comprometendo a saúde e a qualidade de vida 
do idoso. E são agravadas pela falta de atividade física e consequentemente diminuição da 
taxa metabólica basal, associada à manutenção ou ao aumento do aporte calórico, 
excedendo na maioria das vezes as necessidades calóricas diárias. 
O processo de envelhecimento evidencia mudanças que acontecem em diferentes 
níveis: 
 
52 
 
a) antropométrico: caracteriza-se pela diminuição da estatura, com maior rapidez nas mulheres 
devido à prevalência de osteoporose após a menopausa e o incremento da massa corporal que inicia 
na meia idade (45-50 anos) e se estabiliza aos 70 anos, quando inicia um declínio até os 80 anos. 
Mudanças na composição corporal, decorrente da diminuição da massa livre de gordura e 
incremento da gordura corporal, com a diminuição da gordura subcutânea e periférica e o aumento 
da gordura central e visceral, aumentam os riscos à saúde propiciando o surgimento de inúmeras 
doenças. 
O declínio da massa mineral óssea relacionado com os aspectos hereditários, estado 
hormonal, nutrição e nível de atividade física do indivíduo, favorece para que o indivíduo esteja mais 
suscetível à osteoporose, consequentemente a quedas e fraturas. 
b) neuromuscular: perda de 10 - 20% na força muscular, diminuição na habilidade para manter 
força estática, maior índice de fadiga muscular e menor capacidade para hipertrofia, propiciam a 
deterioração na mobilidade e na capacidade funcional do idoso. 
c) cardiovascular: diminuição do débito cardíaco, da freqüência cardíaca, do volume sistólico, do 
VO2 máximo, e aumento da pressão arterial, da concentração de ácido láctico, do débito de O2, 
resultam numa menor capacidade de adaptação e recuperação ao exercício. 
d) pulmonar: diminuição da capacidade vital, da frequência e do volume respiratório; aumento 
do volume residual, do espaço morto anatômico; menor mobilidade da parede torácica e declínio do 
número de alvéolos, dificultam a tolerância ao esforço. 
e) neural: diminuição no número e tamanho dos neurônios, na velocidade de condução nervosa, no 
fluxo sanguíneo cerebral, e aumento do tecido conectivo nos neurônios, proporcionam menor tempo 
de reação e velocidade de movimento. 
f) outros: diminuição da agilidade, da coordenação, do equilíbrio, da flexibilidade, da mobilidade 
articular e aumento na rigidez de cartilagem, tendões e ligamentos. 
 
 
 
 
53 
 
SEDENTARISMO COMO PROBLEMA DE 
SAÚDE PÚBLICA 
Sabe-se que o estilo de vida atual tem levado cada vez mais um número de pessoas 
ao sedentarismo. Dentre os hábitos saudáveis a serem adquiridos, a participação em 
programas de atividades físicas regulares desempenham importante papel. 
A prática de atividades físicas assegura maior independência, autonomia e melhor 
condição de saúde, aumentando o senso de bem-estar, a crença de auto eficácia e a 
capacidade do indivíduo de atuar sobre o meio ambiente e sobre si mesmo (VITTA, 2000). 
A atividade física também diminui com a idade, tendo início durante a adolescência e 
declinando na idade adulta. Em muitos países, desenvolvidos e em desenvolvimento, menos 
de um terço dos jovens são suficientemente ativos para obter os benefícios para a saúde 
advinda da prática de atividade física. 
 
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É preocupante a redução de atividades físicas nos programas de educação em 
escolas no mundo todo, ao mesmo tempo em que se observa um aumento significativo da 
frequência de obesidade entre jovens. A prevalência de obesidade em adultos de meia idade 
tem alcançado proporções alarmantes, o que se relaciona, em parte, com a falta de 
atividades físicas no tempo de lazer, mas que também diz respeito ao estilo de vida moderno, 
onde a maior parte do tempo livre é gasto em atividades sedentárias como assistir televisão, 
usar computadores, viajar e passear de carro. 
A alimentação e a atividade física influenciam na saúde seja de maneira 
combinada ou cada uma em separado. Assim, enquanto os efeitos da alimentação e 
da atividade física em saúde podem interagir, sobretudo no caso da obesidade, a 
atividade física aporta benefícios adicionais independentes da nutrição e da dieta 
alimentar. A atividade física é fundamental para melhorar a saúde física e mental das 
pessoas. (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2004). 
BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA EM IDOSOS 
 
A prática regular de exercícios físicos é reconhecida como a forma de se prevenir e 
combater os males associados com o envelhecimento. Desta forma devemos destacar que 
a atividade física bem aplicada na adolescência pode induzir um adulto à prática 
permanente, tornando-se, no futuro, um idoso saudável. 
Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), “o envelhecimento é 
reconhecido como uma das mais importantes modificações

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