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Gestão de Estoques 2025 UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA GERÊNCIA DE PRODUÇÃO 2 Organização da Apresentação • Introdução • Administração dos estoques • Classificação ABC dos estoques • Tamanho do lote de reposição • Modelos de controle de estoques • Estoques de Segurança • Referências 3 Introdução • Com base no plano-mestre da produção e nos registros de controle de estoque, a programação da produção define quanto e quando comprar, fabricar ou montar cada item necessário à composição dos produtos acabados propostos pelo plano. • Nesse sentido, a programação da produção emite ordens para compra, de fabricação e montagem para os produtos definidos no plano-mestre no sentido de minimizar os lead times e estoques do sistema. 4 Introdução Plano de Produção Longo Prazo Programação da Produção Ordens de Compra Ordens de Fabricação Ordens de Montagem Emissão e Liberação das ordens Sequenciamento Administração de estoques Plano-Mestre de Produção Curto Prazo Médio Prazo 5 Introdução • Se o plano de produção providenciou os recursos necessários e um plano-mestre da produção viável foi elaborado, não devem ocorrem problemas de capacidade durante a execução do programa de produção. • Antes de falar das atividades da programação da produção, vale lembrar que os sistemas produtivos podem operar de duas formas: puxando ou empurrando. 6 • Na produção empurrada as estações de trabalho produzem de acordo com uma previsão de demanda que é apresentada, a qual pode ou não ser confirmada. Fonte: Mileski Júnior [4] Introdução 7 • Características: • Há possibilidade de interferir na demanda para que a mesma tenha pouca variação (gestão da demanda); • Menor variação das receitas; • A capacidade de produção é fixa ou com mínimas variações, sendo próxima da demanda média; • Maiores níveis de estoque tendem a ser estabelecidos. Introdução 8 • Na produção puxada as estações de trabalho produzem de acordo com a demanda real. Agrega valor A produção só é acionada Fonte: Mileski Júnior [4] Introdução 9 • Características: • Não acumula estoque tão facilmente. • Sistema de controle Kanban. • Pode gerar ciclos ociosos quando houver baixa demanda. • Trabalha com capacidade de produção flexível ou dimensionada para o pico de demanda. • Pode levar a atrasos na entrega do produto ou até a falta dele se houver demanda acima do normal. Introdução 10 Introdução Ótica da programação convencional da produção Ótica da filosofia Just-in- time 11 Introdução • Dentro do sistema de empurrar a produção, as atividades da programação da produção, para atender o PMP podem ser divididas em três grupos: • Administração de estoques • Sequenciamento • Emissão e liberação de ordens Encarregada de planejar e controlar os estoques definindo os tamanhos dos lotes, a forma de reposição e os estoques de segurança. 12 Introdução • Dentro do sistema de empurrar a produção, as atividades da programação da produção, para atender o PMP podem ser divididas em três grupos: • Administração de estoques • Sequenciamento • Emissão e liberação de ordens Busca gerar um programa de produção que utilize inteligentemente os recursos disponíveis, promovendo produtos com qualidade e custos baixos. 13 Introdução • Dentro do sistema de empurrar a produção, as atividades da programação da produção, para atender o PMP podem ser divididas em três grupos: • Administração de estoques • Sequenciamento • Emissão e liberação de ordens Implementa o programa de produção, emitindo a documentação para o início das operações (compra, fabricação e montagem) e liberando quando os recursos estiverem disponíveis. 15 Administração de Estoques • Os estoques podem ter um funcionamento análogo ao de uma represa. Os níveis de armazenamento podem ser maiores ou menores dependendo das taxas. 16 Administração de Estoques • Os estoques são criados para absorver diferentes problemas do sistema de produção. • Alguns deles, como a sazonalidade, são insolucionáveis. • Outros como o atraso na entrega de matérias-primas ou a produção de itens defeituosos podem ser resolvidos. 17 Administração de Estoques • Tipos de estoques: • Matérias-primas; • Itens comprados de terceiros; • Produtos semiacabados; • Produtos acabados; • Ferramentas e dispositivos para as máquinas; • Peças de manutenção. 18 Administração de Estoques • Funções dos estoques • Garantir a independência entre etapas produtivas • Permitir uma produção constante • Possibilitar o uso de lotes econômicos • Reduzir os lead times produtivos • Colocar segurança no sistema produtivo • Obter vantagens de preço Estoques amortecedores para se proteger de: • Atrasos de fornecedores • Quebras de máquinas • Interrupção na produção 19 Administração de Estoques • Funções dos estoques • Garantir a independência entre etapas produtivas • Permitir uma produção constante (ritmo de produção) • Possibilitar o uso de lotes econômicos • Reduzir os lead times produtivos • Colocar segurança no sistema produtivo • Obter vantagens de preço Em caso de: • Flutuações de demanda • Var. de disponibilidade de matéria-prima. 20 Administração de Estoques • Funções dos estoques • Garantir a independência entre etapas produtivas • Permitir uma produção constante • Possibilitar o uso de lotes econômicos • Reduzir os lead times produtivos • Colocar segurança no sistema produtivo • Obter vantagens de preço Em caso de: • Produção ou movimentação econômica de lotes maiores do que a necessidade imediata, gerando excedente que precisa se administrado. 21 Administração de Estoques • Funções dos estoques • Garantir a independência entre etapas produtivas • Permitir uma produção constante • Possibilitar o uso de lotes econômicos • Reduzir os lead times produtivos • Colocar segurança no sistema produtivo • Obter vantagens de preço Por meio da retirada imediata de: • Matéria-prima; • Produtos semiacabados. 22 Administração de Estoques • Funções dos estoques • Garantir a independência entre etapas produtivas • Permitir uma produção constante • Possibilitar o uso de lotes econômicos • Reduzir os lead times produtivos • Colocar segurança no sistema produtivo • Obter vantagens de preço Por meio de estoques protetores que permitem absorver: • Variações aleatórias de demanda; • Manutenção inesperadas; • Atrasos de fornecedores, produção e manutenção. 23 Administração de Estoques • Funções dos estoques • Garantir a independência entre etapas produtivas • Permitir uma produção constante • Possibilitar o uso de lotes econômicos • Reduzir os lead times produtivos • Colocar segurança no sistema produtivo • Obter vantagens de preço Por meio de: • prevenção de aumento de preços de matérias-primas; • Compras em quantidades superiores as necessárias; • Manutenção dos produtos acabados em estoque para vende-los com preços mais altos. 24 Administração de Estoques • Apesar de todas as suas funções, os estoques não agregam valor aos produtos. Por isso, quanto menor o nível de estoques com que um sistema produtivo conseguir trabalhar, mais eficiente e enxuto esse sistema será. • Nesse sentido, um dos melhores indicadores de desempenho da eficiência dos sistemas produtivos é a análise e acompanhamento do giro de estoques. • Giro de estoque: quantidade de vezes que o estoque se renova durante um determinado período – dado pela divisão entre o total de vendas em um período pelo estoque médio do mesmo período. • Giro de estoque Eficiência25 Administração de Estoques • No planejamento e controle de estoques há necessidade de determinar: • Tamanho dos lotes de reposição • Relacionado aos custos envolvidos com a reposição e manutenção dos estoques no sistema produtivo • Modelo de controle de estoque • Relacionado à importância relativa do item e a seu sistema de produção • Tamanho dos estoques de segurança • Relacionado com os erros de previsão e com o nível de serviço previsto 26 Administração de Estoques • Antes de ver esses diferentes tópicos, vamos falar da importância relativa dos itens através da classificação ABC de Pareto. 28 Classificação ABC dos Estoques • A classificação ABC, ou curva de Pareto, é um método de diferenciação dos estoques segundo sua maior ou menor abrangência em relação a determinado fator, consistindo em separar os itens por classes de acordo com sua importância relativa. • Os itens de maior importância devem ter um controle mais rígido, o que pode ser alcançado por: • Determinação exata dos custos de armazenagem e reposição; • Atualização constante dos dados; • Maior acuracidade durante a previsão de demanda e nos estoques de segurança. 29 Classificação ABC dos Estoques • Fatores que podem ser considerados: • Demanda valorizada, que é a quantidade de demanda vezes o custo unitário do produto (mais utilizado); • Por peso; • Por volume; • Por volume financeiro investido em estoque; • Por número de reposições por período. 30 Classificação ABC dos Estoques • Podemos elaborar a classificação ABC por demanda valorizada empregando a seguinte rotina: 1. Calcula-se a demanda valorizada de cada item, multiplicando a demanda pelo custo unitário do item; 2. Colocam-se os itens em ordem decrescente de valor de demanda valorizada; 3. Calcula-se a demanda valorizada total dos itens; 4. Calculam-se os % da demanda valorizada de cada item em relação a demanda valorizada total, podendo calcular também os % acumulados; 5. Em função de critérios de decisão, estabelecem-se as classes A, B e C, ou quantas quisermos. 31 Classificação ABC dos Estoques • O critério para escolha das faixas é uma questão pessoal do analista. • Como regra geral, deve-se comparar a quantidade de recursos voltados para o item com quanto pretende-se gastar com controle, ou seja, o item deve “pagar” o controle. 32 Exercício 1 Item X1 X2 X3 X4 X5 X6 X7 X8 X9 X10 Demanda anual 9000 4625 1075 15000 59500 16000 10000 4250 13500 1000 Custo unitário 10 4 80 1 5 5 2 50 1 17 Ordem Item Dem. Cust. Dem. Val. DV (%) DV Acu. % Acu. Classe 1 X5 59500 5 297500 35,0 297500 35,0 A 2 X8 4250 50 212500 25,0 510000 60,0 A 3 X1 9000 10 90000 10,6 600000 70,6 B 4 X3 1075 80 86000 10,1 686000 80,7 B 5 X6 16000 5 80000 9,4 766000 90,1 B 6 X7 10000 2 20000 2,4 786000 92,5 C 7 X2 4625 4 18500 2,2 804500 94,6 C 8 X10 1000 17 17000 2,0 821500 96,6 C 9 X4 15000 1 15000 1,8 836500 98,4 C 10 X9 13500 1 13500 1,6 850000 100,0 C TOTAL 850000 100 • Considerando os seguintes itens, realize uma classificação utilizando o Gráfico de Pareto. 33 Exemplo 1 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 0 2 4 6 8 10 % d o v al o r Itens A B C 35 Tamanho do lote de reposição • Uma vez identificada a importância relativa à cada item, deve-se definir o tamanho dos lotes de reposição dos itens por compra ou fabricação. • Depois, é necessário estabelecer um sistema de controle de estoques que permita a reposição dos itens dentro deste tamanho de lote. • Por fim, deve-se definir o tamanho dos estoques de segurança que darão conta das variações aleatórias do sistema de controle. 36 Tamanho do lote de reposição • A determinação do tamanho dos lotes de compra ou fabricação é obtida através da análise dos custos que estão envolvidos no sistema de reposição e de armazenagem dos itens. • O melhor lote de reposição, chamado de “lote econômico”, é aquele que minimiza os custos totais. • A seguir vamos conferir o comportamento desses custos e quais variáveis influenciam. 37 Custos relacionados ao tamanho do lote • Há três componentes de custos associados ao processo de reposição e armazenagem dos itens: • Os custos diretos; • Os custos de preparação para reposição; • Os custos de manutenção de estoque. 38 Custos relacionados ao tamanho do lote CUSTOS DIRETOS (CD) • É incorrido diretamente com a compra ou fabricação do item. • É proporcional à demanda e aos custos unitários do item (de fabricação ou compra). CD = D × C • D = demanda do item para o período. • C = custo unitário de compra ou fabricação do item. 39 Custos relacionados ao tamanho do lote CUSTOS DE PREPARAÇÃO (CP) • São todos aqueles referentes ao processo de reposição do item pela compra ou fabricação do lote de itens. • Exemplos: mão de obra para emissão e processamento das ordens de compra ou de fabricação, materiais e equipamentos para a confecção de ordens; custos indiretos de compras ou do PCP para a confecção das ordens (água, luz, telefone etc.). • Em termos de itens fabricados: custo de preparação dos equipamentos e máquinas – Setup. 40 Custos relacionados ao tamanho do lote CUSTOS DE PREPARAÇÃO (CP) CP = N × A = D / Q × A Pois, N = D / Q. • N = número de pedidos de compra ou fabricação no período. • A = custo unitário de preparação. • D = demanda do item para o período. • Q = tamanho do lote de reposição. 41 Custos relacionados ao tamanho do lote CUSTOS DE PREPARAÇÃO (CP) • O custo unitário de preparação (A) pode ser estimado de forma simplificada para grande maiorias dos itens comprados, dividindo os custos totais do departamento de compras em um período pelo número de ordens emitidas no mesmo período. 42 Custos relacionados ao tamanho do lote CUSTOS DE MANUTENÇÃO DE ESTOQUES (CM) • É incorrido pela necessidade de manter estoques no período. • Exemplos: mão de obra para armazenagem e movimentação dos itens, aluguel, luz, seguro, telefone, sistemas e equipamentos para armazenagem e movimentação dos itens, custo do capital investido. 43 Custos relacionados ao tamanho do lote CUSTOS DE MANUTENÇÃO DE ESTOQUES (CM) CM = Qm × C × I • Qm = estoque médio do período. • C = custo unitário de compra ou fabricação do item. • I = taxa de encargos financeiros sobre estoque. 44 Custos relacionados ao tamanho do lote CUSTOS DE MANUTENÇÃO DE ESTOQUES (CM) • O valor de I (taxa de encargos financeiros sobre estoque) é dada em %, podendo ser estimada pela divisão dos custos totais que incidem sobre a manutenção dos estoques no sistema produtivo pelo valor do estoque médio no período. • Considerando que a entrega do lote no período é feita de uma só vez, ou seja, com entregas totais, temos que: 𝑄𝑚 = 𝑄 2 45 Custos relacionados ao tamanho do lote CUSTO TOTAL (CT) do Sistema produtivo CT = CD + CP + CM • CD = custo direto do período. • CP = custo de preparação do período. • CM = custo de manutenção de estoque do período. 46 Exercício 2 • Um comerciante vende máquinas fotográficas que são compradas em Manaus com o custo de $ 50/máquina. Em cada viagem se gasta $ 1.300 (A), independentemente da quantidade trazida. A demanda anual das máquinas é de 600 unidades, e sobre o capital empatado se paga uma taxa de 78% ao ano. • Quantas viagens o comerciante deve fazer por ano? Qual o tamanho do lote a ser comprado em cada viagem? 47 Exercício 2 0 5000 10000 15000 20000 25000 30000 35000 40000 45000 50000 0 100 200 300 400 500 600 700 $ Tamanho do lote CT CD CP CM 48 Tamanho do lote de reposição CUSTO TOTAL (CT) do Sistema produtivo CT = CD + CP + CM CT = D × C + D/Q × A + Qm × C × I • O Ponto mínimo da curva de CT pode ser obtido pela derivaçãoda equação da curva em relação à quantidade, igualando-se a zero e isolando a variável desejada (Q). 49 • Lote de reposição que leva ao CT mínimo, ou seja, o lote econômico (Q*): 𝑄∗ = 2. 𝐷. 𝐴 𝐶. 𝐼 • Como N = D/Q, temos um número de pedidos econômico (N*): 𝑁∗ = 𝐷. 𝐶. 𝐼 2. 𝐴 Tamanho do lote de reposição 50 • Considerando os dados do exercício 2, temos: 𝑄∗ = 2. 𝐷. 𝐴 𝐶. 𝐼 = 2 . 600 . 1300 50 . 0,78 = 200 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 𝑝𝑜𝑟 𝑟𝑒𝑝𝑜𝑠𝑖çã𝑜 𝑁∗ = 𝐷. 𝐶. 𝐼 2. 𝐴 = 600 . 50 . 0,78 2 . 1300 = 3 𝑟𝑒𝑝𝑜𝑠𝑖çõ𝑒𝑠 𝑝𝑜𝑟 𝑎𝑛𝑜 Tamanho do lote de reposição 51 • Há várias fórmulas para o cálculo de lotes econômicos para diversas situações. • Basta desenvolver uma equação de custos representativa da situação e determinar o pto de mínimo em termos da quantidade ou à periodicidade de reposição. • Ao avaliar a curva de CT é nítida uma pequena variação em termos do mínimo, ou seja, se o lote reposto for um pouco maior ou menor do que o ideal, a variação de CT não será grande. Considerações sobre o lote econômico 52 Considerações sobre o lote econômico 53 • Logo, a teoria do lote econômico deve ser entendida como a busca por uma “faixa econômica”. • Até porque problemas práticos podem impedir que o PCP programe exatamente o valor encontrado. Considerações sobre o lote econômico 54 • Exemplos de problemas práticos: • Dificuldade de levantar as variáveis (A, I, D, C); • Logística de movimentação ou armazenagem impede o uso da valor exato; • Proporcionalidade do Produto acabado não se encaixa no valor exato do lote. Considerações sobre o lote econômico 56 • Determinado o tamanho de lote que tende a minimizar os custos, deve-se determinar a época oportuna para repor o item nesta quantidade. • Isso depende do modelo de controle de estoque utilizado, que varia de acordo com a operação do Sistema produtivo. Modelos de controle de estoques 57 Modelos de controle de estoques 60 • Não divide os itens em itens de demanda dependente e demanda independente: • Modelo de controle por ponto de pedido; • Modelo de reposições periódicas. • Divide os itens em itens de demanda dependente e demanda independente: • MRP (Material Requirement Planning – Cálculo das necessidades de materiais) Modelos de controle de estoques 61 • Itens de demanda independente – a demanda não depende da demanda de nenhum outro item, portanto, sua necessidade de reposição é função apenas da previsão da demanda do item no mercado (Ex. produtos acabados e peças de reposição fornecidas para o mercado consumidor). • Itens de demanda dependente – a demanda depende da demanda de algum outro item ou grupo de itens, sendo que suas necessidades de reposição só são conhecidas quando a demanda dos itens aos quais este item tem dependência seja determinada (Ex. Itens componentes de um produto acabado). Modelos de controle de estoques 62 • Como os dois primeiros modelos não consideram esta dependência de itens, eles exercem um controle mais fraco sobre os níveis de estoque, porém, são mais fáceis de operacionalizar. • Por isso, estes são recomendados para itens pouco significativos (Classe C). Modelos de controle de estoques 63 • Nesse modelo, sempre que o ponto de pedido ou de reposição é atingido há a partida do processo de reposição do item em uma quantidade preestabelecida. • Nesse caso, o estoque é separado em duas partes: • A 1ª é usada até a data da encomenda de um novo lote; • A 2ª é usada entre a encomenda e o recebimento do lote. Controle de estoques por ponto de pedido 64 • PP = ponto de pedido • d = demanda por unidade de tempo • t = tempo de ressuprimento • Qs = estoque de segurança • 𝑑 = 𝐷 𝑡𝑎𝑛𝑜 Controle de estoques por ponto de pedido 65 • Importante observar que “t” depende de 4T‟s: • Tempo de preparação da ordem de reposição; • Tempo de preparação da operação ou fabricação; • Tempo de entrega da fabricação interna ou externa; • Tempo gasto com transporte e recepção do lote. • t PP • Quando Qmax e Qmin são frequentemente ultrapassados há mudanças nas variáveis do sistema (d ou t, nesse caso). Controle de estoques por ponto de pedido 66 Exercício 3 • Supondo que um item tenha uma demanda anual de 1200 unidades, um custo de preparação de $200,00, uma taxa de encargos financeiros sobre os estoques de 50% ao ano e um custo unitário de $10,00. Vamos admitir que este item tenha um estoque de segurança de 80 unidades, e um tempo de ressuprimento de 15 dias. • Supondo um ano com 300 dias úteis e a reposição através de lotes econômicos, monte o modelo de controle por ponto de pedido. 67 • Enquanto o modelo por ponto de pedido trabalha no eixo das quantidades, o modelo por revisões periódicas trabalha no eixo dos tempos, estabelecendo datas nas quais serão analisadas a demanda e as demais condições dos estoques para decidir pela reposição dos mesmos. Controle de estoques por revisões periódicas 68 • O tempo entre cada revisão (tr) pode ser escolhido através da periodicidade econômica (tr*) ou datas específicas, como: • Realização de inventários. • Aproveitar frete do fornecedor para ganhar descontos. • Se for usado tr*, temos: Controle de estoques por revisões periódicas 69 Controle de estoques por revisões periódicas • tr* = periodicidade econômica entre revisões • tano = número de dias no ano • D = demanda do item para o período 70 • Além de definir o valor de tr, há a necessidade de calcular o tamanho do lote de reposição (Q). • O valor de Q tende a se aproximar do valor do lote econômico (Q*), mas o seu valor dependerá do desempenho da demanda e dos níveis de estoque durante o período entre cada revisão. Por isso, é importante fazer revisões periódicas do mesmo. Controle de estoques por revisões periódicas 71 • Logicamente, se o tr=tr* e as variáveis iniciais não sofrerem grandes mudanças, o valor de Q deve estar dentro da faixa econômica. Controle de estoques por revisões periódicas 72 Exercício 4 • Vamos supor que um item tenha demanda anual de 12000 unidades, custo de colocação do pedido de $400,00, taxa de encargos financeiros sobre os estoques de 96% ao ano e custo unitário de $10,00. Supondo também estoque de segurança de 250 unidades e tempo de ressuprimento de 10 dias, com a empresa trabalhando 240 dias úteis por ano. • A) Determine o período entre revisões admitindo o lote econômico. • B) Para exemplificar a dinâmica do modelo de revisões periódicas, determine o lote de reposição considerando que em uma das revisões o saldo em estoque seja de 730 unid, sem compras pendentes (t0). 73 • O modelo de controle de estoques baseado no planejamento das necessidades de materiais (MRP – Material Requirement Planning) foi desenvolvido na década de 60, visando aproveitar a capacidade de armazenagem e processamento de dados (demanda, produção, estoques, estrutura de produtos), que surgiu com a introdução na informática nas empresas, para exercer as funções de programação da produção. Controle de estoques pelo MRP 74 • Nos anos 80, levaram a ampliação de funções do sistema para as demais áreas da empresa (engenharia, marketing, finanças, RH), gerando sistemas de informações gerenciais (SIG) amplos, chamados de MRP-II (Manufacturing Resource Planning, ou planejamento dos recursos de manufatura). Controle de estoques pelo MRP 75 • O modelo baseado pelo MRP considera a dependência que existe entre os itens componentes de produtos acabados. • Ou seja, a partir das quantidades de produtos acabados definidos no PMP passamos a calcular as necessidades brutas dos demais itens dependentes de acordo com a estrutura do produto. • Começamos com os itensde nível superior e descemos até chegar nas matérias- primas. Controle de estoques pelo MRP 76 • Com as necessidades brutas do item em cada período, desconta-se das mesmas as quantidades em estoque e as quantidade já programadas para chegar neste período, obtendo-se o valor das necessidades líquidas do item. • Se este valor atingir determinado nível, planejamos a emissão da OR. • Como para a produção desta OR há necessidade de empregar os itens de nível imediatamente inferior, gera-se a demanda dependentes desses itens, ou seja, as necessidades brutas. Controle de estoques pelo MRP 77 Períodos de planejamento, normalmente, semanais. Podendo ser em outra unidade, dependendo da velocidade de processamento das informações e da aplicação prática destas na programação da produção. Controle de estoques pelo MRP Item: Quadro cod:1100 Q: 300 unid Qs: 15 unid Lead time: 2 semanas Período 18 19 20 21 22 23 24 25 Necessidades brutas Reposições Recebimentos programados Estoques projetados Necessidades líquidas Liberação planejada de ordens • Planilha de cálculo das necessidades de materiais: 78 Quantidade esperada por período deste item (filho) para atender a demanda do item superior (pai). Controle de estoques pelo MRP Item: Quadro cod:1100 Q: 300 unid Qs: 15 unid Lead time: 2 semanas Período 18 19 20 21 22 23 24 25 Necessidades brutas Reposições Recebimentos programados Estoques projetados Necessidades líquidas Liberação planejada de ordens • Planilha de cálculo das necessidades de materiais: 79 Como um item componente, ou matéria-prima, pode servir para vários itens em nível superior, só chegamos as necessidades brutas depois de planejar as liberação de ordens de todos os pais deste item. Controle de estoques pelo MRP Item: Quadro cod:1100 Q: 300 unid Qs: 15 unid Lead time: 2 semanas Período 18 19 20 21 22 23 24 25 Necessidades brutas Reposições Recebimentos programados Estoques projetados Necessidades líquidas Liberação planejada de ordens • Planilha de cálculo das necessidades de materiais: 80 Quantidade do item que é colocada diretamente no mercado, devendo ser previsto usando um modelo de Previsão de Demanda. Controle de estoques pelo MRP Item: Quadro cod:1100 Q: 300 unid Qs: 15 unid Lead time: 2 semanas Período 18 19 20 21 22 23 24 25 Necessidades brutas Reposições Recebimentos programados Estoques projetados Necessidades líquidas Liberação planejada de ordens • Planilha de cálculo das necessidades de materiais: 81 Incluímos as ordens que foram liberadas em períodos anteriores, para as quais está correndo o lead time. Controle de estoques pelo MRP Item: Quadro cod:1100 Q: 300 unid Qs: 15 unid Lead time: 2 semanas Período 18 19 20 21 22 23 24 25 Necessidades brutas Reposições Recebimentos programados Estoques projetados Necessidades líquidas Liberação planejada de ordens • Planilha de cálculo das necessidades de materiais: 82 Estoque = saldo em estoque período anterior + recebimentos programados – necessidades brutas - reposições Controle de estoques pelo MRP Item: Quadro cod:1100 Q: 300 unid Qs: 15 unid Lead time: 2 semanas Período 18 19 20 21 22 23 24 25 Necessidades brutas Reposições Recebimentos programados Estoques projetados Necessidades líquidas Liberação planejada de ordens • Planilha de cálculo das necessidades de materiais: 83 • Surge na primeira vez que o est. Proj. for negativo ou ao atingir Qs; • Se não houver entregas planejadas para o período, a partir desse pto será dada: necessid. bruta + reposições. Controle de estoques pelo MRP Item: Quadro cod:1100 Q: 300 unid Qs: 15 unid Lead time: 2 semanas Período 18 19 20 21 22 23 24 25 Necessidades brutas Reposições Recebimentos programados Estoques projetados Necessidades líquidas Liberação planejada de ordens • Planilha de cálculo das necessidades de materiais: 84 • Considera as restrições: lote de produção, lead time ou períodos de reposição. • É só um planejamento para as liberações. Só são emitidas quando chegar o período. Controle de estoques pelo MRP Item: Quadro cod:1100 Q: 300 unid Qs: 15 unid Lead time: 2 semanas Período 18 19 20 21 22 23 24 25 Necessidades brutas Reposições Recebimentos programados Estoques projetados Necessidades líquidas Liberação planejada de ordens • Planilha de cálculo das necessidades de materiais: 85 Controle de estoques pelo MRP Item: Quadro cod:1100 Q: 300 unid Qs: 15 unid Lead time: 2 semanas Período 18 19 20 21 22 23 24 25 Necessidades brutas 0 200 0 200 0 200 0 200 Reposições 10 10 10 10 10 10 10 10 Recebimentos programados 300 Estoques projetados 40 130 120 -90 -100 -310 -320 -530 Necessidades líquidas 105 10 210 10 210 Liberação planejada de ordens 300 300 • Planilha de cálculo das necessidades de materiais: 86 • Nos sistemas baseados na lógica MRP, existem 3 alternativas para o tamanho dos lotes de reposição: • Lote fixo – sempre resposto na mesma quantidade, podendo ser a do lote econômico; • Lote a lote (L4L – lot-for-lot) – a quantidade de reposição sempre respeita a quantidade das necessidades líquidas no período; • Períodos fixos (QPP – quantidade pedida no período) – o tamanho da reposição é feita pra atender um determinado número de períodos a frente. Controle de estoques pelo MRP 87 Exercício 5 • Vamos admitir um sistema produtivo que monte bicicletas a partir de itens comprados de terceiros e fabricados internamente. A seguir é fornecida a estrutura do produto. • Considerando a lista de materiais do produto acabado (bicicleta), o PMP de montagem e as programações a seguir, planeje as ORs das duas rodas, que são montadas a partir de um pneu, uma câmara e um aro dianteiro ou traseiro, conforme a roda. • Os pneus e as câmaras são comprados de fornecedores externos, enquanto os aros são fabricados internamente a partir de uma matéria-prima composta de carbono. 88 Exercício 5 Montagem final Cód: 1000 SM quadro Cód: 1100 SM roda dian. Cód: 1200 Correia Cód: 1400 SM roda tras. Cód: 1300 Aro dian. Cód: 1210 Pneu Cód: 1220 Câmara Cód: 1230 Aro tras. Cód: 1310 Pneu Cód: 1220 Câmara Cód: 1230 MP carbono Cód: 1211 MP carbono Cód: 1211 89 Exercício 5 Lista de materiais do produto acabado (bicicleta) Item Código Consumo Padrão Lead time (semanas) Lote Estoque segurança Bicleta 1000 1 unid. 1 30 0 Roda dianteira 1200 1 unid. 1 L4L 0 Roda traseira 1300 1 unid. 1 50 0 Pneu 1220 2 unid. 2 100 20 Câmara 1230 2 unid. 2 50 10 Aro dianteiro 1210 1 unid. 1 QPP: 2 sem. 0 Aro traseiro 1310 1 unid. 1 QPP: 3 sem. 0 MP carbono 1211 0,2 kg/aro 2 40 kg 0 PMP para montagem da bicleta Item: bicicleta cod:1000 Q: 30 unid Qs: 0 unid Lead time: 1 semana Período 26 27 28 29 30 31 32 33 Demanda prevista 20 20 20 20 20 20 20 20 Demanda confirmada 25 18 15 10 5 0 0 0 Recebimentos programados 30 Estoques projetados 15 20 30 10 20 30 10 20 30 PMP 30 30 30 30 30 Liberação planejada de ordens 30 30 30 30 30 90 Exercício 5 Programação da roda dianteira Item: roda diant. cod:1200 Q: L4L unid Qs: 0 unid Lead time: 1 semana Período 26 27 28 29 30 31 32 33 Necessidades brutas 30 30 30 30 30 Reposições Recebimentos programados 30 Estoques projetados 0 Necessidades líquidas Liberação planejada de ordens Programação da roda traseira Item: roda traseira cod:1300 Q: 50 unid Qs: 0 unid Lead time: 1 semanas Período 26 27 28 29 30 31 32 33 Necessidades brutas 30 30 30 30 30 Reposições Recebimentos programados Estoques projetados 40 Necessidades líquidas Liberação planejada de ordens 91 Exercício 5 Programação do aro dianteiro Item: aro diant. cod:1210 QQP: 2 semanas Qs: 0 unidLead time: 1 semana Período 26 27 28 29 30 31 32 33 Necessidades brutas Reposições 5 5 5 5 5 5 5 5 Recebimentos programados Estoques projetados 50 Necessidades líquidas Liberação planejada de ordens Programação do aro traseiro Item: aro trasei. cod:1310 QQP: 3 semanas Qs: 0 unid Lead time: 1 semana Período 26 27 28 29 30 31 32 33 Necessidades brutas Reposições 5 5 5 5 5 5 5 5 Recebimentos programados 30 Estoques projetados 5 Necessidades líquidas Liberação planejada de ordens 92 Exercício 5 Programação do pneu Item: pneu cod:1220 Q: 100 unid Qs: 20 unid Lead time: 2 semanas Período 26 27 28 29 30 31 32 33 Necessidades brutas Reposições Recebimentos programados 100 Estoques projetados 20 Necessidades líquidas Liberação planejada de ordens Programação da câmara Item: câmara cod:1230 Q: 50 unid Qs: 10 unid Lead time: 2 semanas Período 26 27 28 29 30 31 32 33 Necessidades brutas Reposições Recebimentos programados 50 Estoques projetados 60 Necessidades líquidas Liberação planejada de ordens 93 Exercício 5 Programação da matéria-prima Item: mp carbono cod:1211 Q: 40 kg Qs: 0 unid Lead time: 1 semana Período 26 27 28 29 30 31 32 33 Necessidades brutas Reposições Recebimentos programados 40 Estoques projetados 0 Necessidades líquidas Liberação planejada de ordens 95 • d„- Absorver variações na demanda durante o tempo de ressuprimento. • t„- Amortecer variações de tempo de ressuprimento (internos e externos). • Garantir abastecimento dos recursos- gargalos. • Quanto mais problemas, maiores os estoques de segurança! Estoques de Segurança 96 • Na prática, as empresas tendem a conviver com esses problemas e usar estoques de segurança nos modelos de controle de estoques para amortecê-los. • A colocação dos estoques de segurança não precisa ser feita em todos os itens administrados pelo sistema de controle, devendo-se considerar nesse aspecto a dependência entre os itens e os gargalos produtivos do sistema. • Além disso, deve-se avaliar o risco de obsolescência. Estoques de Segurança 97 • Atualmente, as modernas filosofias de produção (nos moldes do JIT) propõem a redução da segurança entre os processos como forma de identificar os problemas que devem ser resolvidos para maximizar a eficiência produtiva. • A ênfase é na prevenção de erros, e não na correção por meio dos estoques de segurança. Estoques de Segurança 98 • O dimensionamento do estoque de segurança considera: • Os custos decorrentes do esgotamento do item; • Os custo de manutenção dos estoques de segurança. Estoques de Segurança Não é facilmente determinado. Calculado em termos da taxa de encargos financeiros (I). Por isso, o dimensionamento tende a considerar o risco que estamos dispostos a correr. 99 • Esse risco é função de quantas faltas admitimos durante o período de planejamento como suportável para este item. • Ex: admitindo que um item com 52 reposições mensais pode ter 4 faltas, estamos considerando um nível de serviço de 92,3%. Estoques de Segurança 100 • Segundo Tubino [1], considerando que a demanda durante o tempo segue uma distribuição normal, podemos relacionar os níveis de serviço com o número de desvios padrões a serem cobertos pelos estoques de segurança. Estoques de Segurança 101 Estoques de Segurança • Qs = estoque de segurança • Z = número de desvios padrões • σ = desvio padrão 𝜎 = 1,25 . 𝑀𝐴𝐷 102 Estoques de Segurança 103 • Segundo Tubino [1], outras possibilidades são: • Considerar uma % da demanda durante o tempo de ressuprimento; • Planejar a segurança em termos de um tempo (timer buffer). Estoques de Segurança 104 Exercício 6 • Um planejador está estabelecendo os parâmetros dos produtos para a realização do plano-mestre da produção de sua empresa, e gostaria de definir o Estoque de Segurança para o Produto XYZ. Para este produto tem-se o histórico das demandas real e prevista dados a seguir. • Ajude o planejador e calcule o estoque de segurança para o produto referido, considerando um nível de serviço de 90%. 105 Exercício 6 107 Resumo • Estoques de diferentes tipos podem ser estabelecidos no sistema produtivo. • O uso de estoque pode ter diferentes funções: • Garantir a independência entre etapas produtivas • Permitir uma produção constante • Possibilitar o uso de lotes econômicos • Reduzir os lead times produtivos • Colocar segurança no sistema produtivo • Obter vantagens de preço 108 Resumo • Apesar de todas as suas funções, os estoques não agregam valor aos produtos. • Ou seja, não é o fato de estocar o produto que vai levar ao aumento do valor. 109 Resumo • Estoques Custos de manutenção • Exemplos de custos associados aos estoques: • mão de obra para armazenagem e movimentação dos itens; • Aluguel; • Luz; • Seguro; • Telefone; • sistemas e equipamentos para armazenagem e movimentação dos itens; • custo do capital investido. 110 Resumo • Quanto menor o nível de estoques com que um sistema produtivo conseguir trabalhar, mais eficiente e enxuto esse sistema será. • Giro de estoque Eficiência 111 Resumo • Nesse sentido, é necessário determinar alguns parâmetros visando promover a gestão dos estoques com o menor custo possível: 1. Classificar o itens a serem estocados; • Gráfico de Pareto em termos de algum fator (Ex. demanda valorizada). 2. Determinar o tamanho do lote de reposição; • Lote econômico. 112 Resumo • Nesse sentido, é necessário determinar alguns parâmetros visando promover a gestão dos estoques com o menor custo possível: 3. Selecionar o modelo de controle de estoques; • Ponto de pedido; • Reposições periódicas. • Planejamento das necessidades de materiais (MRP) 4. Dimensionar o estoque de segurança. • função de quantas faltas admitimos durante o período de planejamento como suportável para cada item. 113 Referências • [1] Tubino, D.F. Planejamento e controle da produção: teoria e prática,1ª edição, Atlas, 2007. • [2] Tubino, D.F. Manual de Planejamento e Controle da Produção. 2 ed. Atlas, 2000. • [3] Fernando Deschamps. Notas de aula. UFPR. 2018