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Por ameríndios se compreendem as sociedades e culturas que são originais do continente americano, principalmente aquelas que surgiram antes do contato com o europeu após sua chegada ao continente, em 1492, com a excursão de Cristóvão Colombo nas ilhas da região do Caribe. Como você sabe, não havia qualquer indício aos europeus de que havia um continente desconhecido. O navegador genovês buscava encontrar um caminho marítimo ao Oriente que se diferisse daquele que os portugueses buscavam, a partir do contorno do continente africano. Hoje, as interpretações que se procuram fazer, principalmente amparadas pelas contribuições da Antropologia, disciplina responsável pelo estudo das culturas, são de que a importância das culturas ameríndias é tão grande quanto as europeias. Isso porque a Antropologia defende que não há hierarquizações sobre culturas, ou seja, não há uma cultura que seja superior à outra, como os europeus por muito tempo acreditaram. Assim, não se deve compreender uma determinada cultura ou prática cultural como atrasada ou não desenvolvida. Dessa forma, devemos analisar as tradições culturais ameríndias a partir de sua própria ótica, e não com um olhar europeu ou superior. As tradições culturais ameríndias são, dessa maneira, extremamente originais e frutos de mais de dez mil anos de contatos entre seus povos, o que já permite a apreensão de que sua cultura não é homogênea, ou seja, que as culturas ameríndias sejam todas iguais umas às outras, como olhares estereotipados podem supor. Fonte: Shutterstock. História das Religiões no Brasil Ameríndios e suas tradições religiosas Você sabia que seu material didático é interativo e multimídia? Isso signi�ca que você pode interagir com o conteúdo de diversas formas, a qualquer hora e lugar. Na versão impressa, porém, alguns conteúdos interativos �cam desabilitados. Por essa razão, �que atento: sempre que possível, opte pela versão digital. Bons estudos! Não se pretende aqui hierarquizar em graus a importância dos povos, porém, na falta de possibilidades de explorar em maiores detalhes essas diferenças, quali�camos tradições culturais ligadas à sua relação com a natureza e com suas estruturas sociais. Vejamos, agora, como era a relação dos ameríndios com as suas fés. Há uma di�culdade em se estabelecer com exatidão como eram as expressões de fé dos povos ameríndios, devido a alguns motivos. Em primeiro lugar, por causa da grande quantidade de fés professadas no continente e, em segundo lugar, devido às fontes sobre o período pré-colombiano, que são extremamente raras, pois a maior parte das comunidades ameríndias do período eram ágrafas, ou seja, não realizavam a prática da escrita, que permite fontes mais con�áveis de compreensão do passado. Fonte: Shutterstock. Nesse sentido, restam as fontes arqueológicas e as escritas pelos europeus, que se constituem uma grande armadilha aos pro�ssionais da História ou da Teologia que as analisarão, pois estão grandemente imbuídas do preconceito europeu/cristão, o que pode não permitir uma compreensão completa das características das religiões que eles observaram in loco. Porém, esforços são realizados nesse sentido para se buscar com a maior exatidão possível características das modalidades de fé vigentes antes da chegada dos europeus ao continente. O etnocentrismo no processo de colonização: imposição de uma cultura O processo de relações sociais estabelecidas entre os europeus e os ameríndios no continente americano ao longo de toda a colonização e que resultou na vitória dos conquistadores sobre os nativos com re�exos em nossa sociedade atual é marcado pelo etnocentrismo. Por etnocentrismo compreendemos a concepção que um povo ou grupo social estabelece sobre si mesmo como o centro de tudo (etno = raça; centrismo = no centro de) e de como ele passa a pensar os demais povos e grupos sociais através de seus próprios valores, modelos e visões de mundo. Logo, no etnocentrismo, as características culturais dos outros povos são desconsideradas pelo povo etnocêntrico, ou consideradas inferiores, selvagens ou inexistentes. As ideias etnocêntricas em relação aos ameríndios, atualizam-se constantemente e são passadas de geração a geração, seja pelos meios de comunicação, pelas tradições familiares e até por meio dos livros didáticos. Até poucas décadas atrás, por exemplo, estes veículos pedagógicos ainda usavam o adjetivo “escandaloso” para de�nir a nudez indígena, ou então os adjetivos “preguiçosos” e “indolentes” para designarem os nativos que se recusavam a trabalhar nas fazendas e nos engenhos de cana-de-açúcar em caráter de escravidão em uma terra que não era sua e produzir riquezas que não seriam dadas a eles. Apesar de todo o esforço europeu desde o início da colonização e do etnocentrismo que a ele está ligado, as culturas e tradições ameríndias não desapareceram do mundo americano. É certo que alguns povos e suas representações culturais desapareceram por completo graças ao etnocídio, porém muitos outros povos mantêm suas tradições e, principalmente, tradições tidas como esquecidas passam a ser redescobertas não apenas pelos próprios povos ameríndios mas também por pessoas que não se identi�cam como indígenas. Fonte: Shutterstock. Encerramos assim esta webaula. Nele, acompanhamos detalhes sobre as culturas e religiões ameríndias no período pré-colonial e como elas resistem em nossos dias, apesar de todo o etnocentrismo sofrido e que ainda sofrem. Esse conhecimento é um importante primeiro passo para o entendimento pleno da história das religiões no Brasil. Até a próxima!