Prévia do material em texto
Questões Comentadas 160 338. (Vunesp) O termo em destaque em – Os mais compenetrados não estão livres de ser atropelados pelo pipoqueiro. – tem sentido contrário ao de: a) determinados. b) meticulosos. c) confinados. d) dispersos. e) atentos. Gabarito: D. O termo “compenetrado” significa “convicto”. Trata-se de alguém concentrado. Por isso, seu antônimo é “disperso”. 339. (FGV) “O sujeito entrou no restaurante e serviu-se, armando um prato gigantesco. Começou a comer com rapidez, mas não era comer, era atropelar a comida com a fome de sete gerações bíblicas“. Nesse trecho de uma crônica, os segmentos “Começou a comer” e “mas não era comer” mostram uma: a) incoerência. b) retificação. c) intensificação. d) redundância. e) ambiguidade. Gabarito: C. Mesmo que haja uma aparente incoerência entre as frases destacadas, não há uma oposição de sentidos. No contexto do período, a expressão “mas não era comer” introduz a próxima oração, que intensifica o apetite do personagem. 340. (FGV) “O quanto a indústria é importante para o Brasil?” Os itens abaixo mostram respostas dadas a essa pergunta; o item em que a relação entre os ter- mos da resposta mostra somente uma relação linguística e não factual é: a) Sem a indústria da moda, / o ícone da beleza brasileira lá fora seria só a natureza. b) Sem a indústria aeronáutica, / uma parte da nossa história poderia não ter decolado. c) Sem a indústria automobilística, / não teríamos tantos ídolos. d) Sem a indústria médica, / muitas vidas não teriam sido salvas. e) Sem a indústria da música, / jamais teríamos levado o charme de Ipanema para o resto do planeta. Gabarito: B. Quando se trata de relação linguística e não factual, significa que temos um sentido contextual, conotativo. A única alternativa em que as frases só fazem sentido linguisticamente, e não nos fatos, é a letra B. O termo “decolar” só pode se relacionar com a “nossa história” de forma cono- tativa, em sentido figurado, com significado de “ganhar destaque”. 161 Giancarla Bombonato 341. (FGV) “Que sacada! É a frase que você mais dirá, folheando este livro. E não é um livro de arquitetura.” (Luís Fernando Veríssimo) O humor dessa frase se apoia em uma característica do vocabulário. Assinale-a: a) A polissemia, ou seja, a possibilidade de um termo significar mais de uma realidade. b) A redundância, ou seja, a capacidade de a língua dizer a mesma coisa duas vezes. c) A coesão, ou seja, a qualidade de um termo referir-se a outro anteriormente citado. d) A intertextualidade, ou seja, a marca de um texto referir-se a outro bastante conhecido. e) A coerência, ou seja, a possibilidade de haver um só campo semântico no texto. Gabarito: A. Polissemia diz respeito ao fato de que um termo por adquirir mais de um significado, de acordo com o contexto em que se insere. No trecho desta questão, o autor explorou significados dife- rentes da palavra “sacada”. Ela pode significar “ótima ideia” (que sacada!) ou a “parte de uma casa” (não é um livro e arquitetura). 342. (FGV) Leia o verbete a seguir: “Cereal adj.2g. 1. Relativo às sementes ou às plantas cujos grãos servem de base à alimentação 2. fig. relativo a ou próprio para produzir pão s.m. 3. Planta, esp. aquela cujos grãos servem de base à alimentação, como p.ex. trigo, arroz, milho, soja. ETIM lat. cerealis,e relativo ao trigo, ao pão.” Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, p. 439 Assinale a opção que apresenta a informação que está indicada de forma inadequada. a) A abreviatura “adj.2g.” significa “adjetivo de dois graus”. b) Os números 1 / 2 / 3 indicam diferentes significados que o vocábulo pode assumir. c) A abreviatura “fig” significa “em linguagem figurada”. d) A abreviatura “s.m.” indica “substantivo masculino”. e) As letras maiúsculas ETIM indicam a origem da palavra. Gabarito: A. A alternativa A apresenta uma informação inadequada. No dicionário, a abreviatura “adj.2g” significa “adjetivo de dois gêneros”. 343. (FGV) Jargão significa uma linguagem específica de determinado grupo profissional ou so- ciocultural. Assinale a opção que indica a atividade profissional inadequada à frase. a) “As queixas do paciente levaram-me a um diagnóstico diferente” / assistente social. b) “Desenvolveu um software por meio de um algoritmo complexo” / analista de sistemas. c) “O elemento evadiu-se do local da ocorrência!” / policial. d) “As casas ascendentes de Marte e Júpiter prenunciam bom astral” / astrólogo. e) “As ultrapassagens em rua de mão dupla devem ser feitas pela esquerda” / agente de trânsito. Questões Comentadas 162 Gabarito: A. Os termos “paciente” e “diagnóstico” fazem parte do campo semântico da área da saúde. Por- tanto, o único jargão que não corresponde à atividade profissional indicada está na alternativa A, pois afirma que a atividade profissional é assistente social. 344. (FGV) Neologismo é o processo de criação de uma palavra devido à necessidade de desig- nar novos objetos ou novos conceitos ligados às áreas tecnológica, artística, econômica, esportiva etc. Assinale a frase que mostra um exemplo de neologismo. a) “Quem inventou o trabalho não tinha o que fazer.” (Barão de Itararé) b) “Apaixonar-se é criar uma religião que tem um deus falível.” (Borges) c) “Nem ditadura, nem democratura... liberdade!” (Higgins) d) “Paranoia é a ilusão de que seus inimigos estão organizados.” (A. Hlavaty) e) “E ninguém é eu, e ninguém é você. Esta é a solidão.” (Clarice Lispector) Gabarito: C. Dependendo do contexto e da situação discursiva, podem-se criar palavras a partir de outras. A única palavra que se enquadra na definição de neologismo apresentada no enunciado está na alternativa C: a palavra “democratura” é uma criação para designar uma ditadura disfarçada de democracia. 345. (FGV) Leia o texto a seguir. “Na verdade, houve tempos em que as palavras valiam muito, sobretudo umas que se chamavam de honra. Essas eram mesmo valiosas. Actualmente as palavras já não têm o mesmo valor, nem mesmo as de honra. Muitas palavras mudaram de significado, abastardando-se a sua utilização, de uma forma que significam o que cada um que as utiliza quer que signifiquem. Tal forma de usar as palavras transforma diálogos em monólogos sucessivos.” (Zé Morgado) O problema atual no uso das palavras é o de: a) empregar palavras que mudaram de significado. b) apelar para termos de difícil significação. c) utilizar vocábulos que perderam valor. d) criar palavras novas sem necessidade. e) usar vocábulos com valor individual. Gabarito: E. O autor afirma que “Tal forma de usar as palavras transforma diálogos em monólogos sucessivos”. Ou seja, o autor afirma que o problema é que cada um usa palavras que não são de conhecimento coletivo: “o que cada um que as utiliza quer que signifiquem”. Assim, elas passam a ter um valor diferente para cada pessoa. 163 Giancarla Bombonato 346. (FGV) “Na medida em que se interioriza pela meditação, deixando a barba crescer ou tomando ba- nho no Ganges, o homem busca a si mesmo dentro do universo físico e espiritual. Quando atinge o nirvana, lendo a obra completa do meu amigo Paulo Coelho, ele vive uma situação de felicidade, num paraíso possível”. A única substituição inadequada, por poder apresentar outro significado é a) “Na medida em que” = à proporção que. b) “pela meditação” = por meio da meditação. c) “deixando a barba crescer” = deixando que a barba cresça. d) “tomando banho” = banhando-se. e) “num paraíso possível” = num possível paraíso. Gabarito: E. A única substituição inadequada está na alternativa E. Na frase original, “num paraíso possível”, o adjetivo “possível”, colocado após o substantivo, tem significado de “realizável”. Ao inverter a ordem para “possível paraíso”, o adjetivo passa a significar “suposto”, hipotético”. 347. (FGV) “A folha de parreira foi a primeira escamoteação da raça humana”. Assinale a opção que indica o significado contextualizado do termo “escamoteação”. a) Falhaou pecado. b) Ocultação ou disfarce. c) Qualidade ou virtude. d) Roupa ou vestimenta. e) Decepção ou frustração. Gabarito: B. Na tradição bíblica, a folha da parreira foi a primeira forma de esconder, ocultar, as partes íntimas. Bem Tratada, Faz Bem Sérgio Magalhães, O Globo O arquiteto Jaime Lerner cunhou esta frase premonitória: “O carro é o cigarro do futuro.” Quem poderia imaginar a reversão cultural que se deu no consumo do tabaco? Talvez o automóvel não seja descartável tão facilmente. Este jornal, em uma série de reportagens, nestes dias, mostrou o privilégio que os governos dão ao uso do carro e o desprezo ao transporte coleti- vo. Surpreendentemente, houve entrevistado que opinou favoravelmente, valorizando Los Angeles – um caso típico de cidade rodoviária e dispersa. Ainda nestes dias, a ONU reafirmou o compromisso desta geração com o futuro da huma- nidade e contra o aquecimento global – para o qual a emissão de CO2 do rodoviarismo é agente básico. (A USP acaba de divulgar estudo advertindo que a poluição em São Paulo mata o dobro do que o trânsito.) O transporte também esteve no centro dos protestos de junho de 2013. Lembremos: ele está inter- relacionado com a moradia, o emprego, o lazer. Como se vê, não faltam razões para o debate do tema.