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Lavínia Chagas – T23 Doença carotídea ANATOMIA Arco normal (65%) Alterações anatômicas o Arco bovino (27%) - carótida esquerda sai junto com tronco braquiocefálico e trifurca o Origem anômala da subclávia direita: origina-se na parte descendente da aorta, comprimindo o esôfago (pode dar disfagia) A angulação da saída dos ramos é importante para definir a terapêutica, pois pode dificultar a entrada do cateter para um tratamento endovascular Bifurcação carotídea ocorre na altura da mandíbula Bulbo carotídeo - perto da bifurcação, mais na base da carótida interna o É o local em que o fluxo se comporta de modo mais complexo, sendo, por isso, o mais acometido pela aterosclerose A carótida interna não tem ramos na região cervical (só ramos cerebrais) Barorreceptores o Massagem do corpo carotídeo bradicardia e hipotensão ZONAS Classificação mais pra trauma o Zona 1 carótida intratorácica (abaixo da articulação esterno-clavicular) o Zona 2 parte mais longa, parte intermediaria o Zona 3 acima do osso da mandíbula Lavínia Chagas – T23 DIVISÃO DA ARTÉRIA VERTEBRAL o V1 da saída da subclávia até a entrada dos forames vertebrais cervicais o V2 passa dentro dos processos transversos das vértebras o V3 saiu do processo transverso, mas ainda não passou pelo forame magno o V4 já passou pelo forame magno (porção intracraniana) Só 50% das pessoas tem o polígono de WILLIS como o descrito classicamente o A variação mais comum é a ausência da comunicante posterior Principal repercussão da doença aterosclerótica carotídea AVC o 72% isquêmico o 14% hemorragia de parênquima o 14% hemorragia subaracnóidea ETIOPATOLOGIA Aterosclerose Arterite de Takayassu Displasia fibromuscular Aneurisma Dissecções Embolia de origem cardíaca Tumores do pescoço Radioterapia LOCAIS MAIS ACOMETIDOS 1. Bifurcação carotídea (bulbo) 2. Artéria carótida comum, principalmente na Esquerda (no óstio – turbilhonamento) 3. Subclávia, principalmente a esquerda (maior turbilhonamento) 4. Artéria vertebral FISIOPATOLOGIA A placa aterosclerótica pode causar AVC por um dos três mecanismos principais: Embolização de partículas ateroscleróticas; Oclusão trombótica; Hipoperfusão A grande preocupação na carótida não é a obstrução completa. O que frequentemente provoca sintomas é o fenômeno ateroembólico - pequenos fragmentos são soltos na circulação a partir dessa placa e sobem para o cérebro o A maioria dos êmbolos são forçados na porção da bifurcação carotídea e início da carótida interna o Dependendo da área que embolizou pode ter sequelas o Nas vertebrais, a preocupação é mais hemodinâmica Lavínia Chagas – T23 Grau de estenose tem a ver com a área acometida Quanto mais área de obstrução, maior o aumento da velocidade do fluxo CLÍNICA Pode ser assintomática AIT – ataque isquêmico transitório o Surgimento súbito o Tem recuperação completa em menos de 24 horas (sem sequelas) o Ex: amaurose fugaz o AIT’S consecutivos → AIT “em crescendo” AVC – acidente vascular cerebral o Surgimento súbito o Sequelas variáveis dependendo do local e extensão o Podem ser de origem Aterosclerótico – mais comum Cardioembólico – mais comum em casos de FA Lacunar - mais relacionado com hipertensão RIND – déficit isquêmico neurológico reversível o Intermediário o Paciente tem um AVC, com um sinal neurológico e tem uma recuperação completa, mas que demora mais de 24 horas o Em geral, no máximo 1 semana EXAME FÍSICO Exame neurológico Exame de pulso cervical (avalia a carótida comum), temporal superficial (avalia a carótida externa) e MMSS (avalia o óstio da subclávia) Ausculta de Sopros → Sopro cervical no exame físico em estenoses graves PA MMSS → Diferença de pressão entre MMSS E e D o Em geral o esquerdo vai ser mais baixo, porque a lesão é mais comum na artéria subclávia esquerda EXAMES COMPLEMENTARES Ecodoppler arterial o Exame inicial sempre o Mais usado para screening o Barato e seguro o Permite identificar e determinar, de maneira indireta, porém precisa a gravidade da estenose. O exame leva em consideração a velocidade do fluxo. À medida que a estenose aumenta e o lúmen se estreita, há também um aumento na velocidade do sangue para manter o fluxo distal. o Limitações: torturosidade, bifurcação alta e pescoço curto Arteriografia o Padrão ouro – porém é exame invasivo, usa contraste e radiação → praticamente não é mais usado o Pré-operatório Angiotomografia o Quando descubro algo e vou fazer o exame pré-cirúrgico, usado para definir a terapêutica o Identifica lesões antigas na fase crônica Lavínia Chagas – T23 o Permite reconstrução 3D da vascularização o O prof gosta mais que a angiorressonância, mas os 2 são bons depois do diagnóstico com o ecodoppler o Requer contraste iodado e radiação Angiorressonância o Não usa contraste, muito bom também, usado quando o paciente tem restrição ao contraste Doppler transcraniano o Velocidade e fluxo no polígono ESTENOSE SIGNIFICATIVA Graus definidos por estudos da década de 90 o Diminuição de 50% do diâmetro arterial – estudos ACAS, NASCET e VA o Diminuição de 75% da área de secção transversal – estudo ECST Velocidade diastólica aumentada (maior que 100) significa que é mais grave Segundo o North American Symptomatic Carotid Endarterectomy Trial (NASCET), a estenose pode ser classificada como: o Grau I (normal); o Grau II ou estenose leve (entre 1 e 29%); o Estenose moderada, nos graus III (entre 30 e 49%) e IV (entre 50 e 69%); o Estenose grave, no grau V (entre 70 e 99%), e oclusão, no grau VI (100%). ESTUDOS MULTICENTRICOS INTERNACIONAIS Vários estudos feitos com diferentes comparativos de graus de estenose e tipo de intervenção Resultado – vale a pena operar pacientes assintomáticos (porém, nessa época não existia o stent e não discutiram as outras terapias – deixar PA abaixo de x, LDH abaixo de x...) TRATAMENTO CLÍNICO (para todos os pacientes) o Controlar fatores de risco o Uso de AAS (antiagregante plaquetário) o Estatinas Indicação de intervenção o Assintomáticos com estenose > 60% Não é consenso Muito raro intervir – precisa ter extrema certeza a placa presente pode vir a causar um AVC Se maior que 70% → cirúrgico o Sintomáticos com estenose > 70% Sintomas – amaurose fugaz, AIT, AVC com boa recuperação, AVC em evolução com sintomas progressivos o Sintomáticos com estenose 50 – 70% Levar em conta a presença de placas ulceradas (escavações e irregularidades na placa), placas “moles” e presença de trombo flutuante Artérias carótidas com oclusão não tem indicação de tratamento cirúrgico Lavínia Chagas – T23 Analisando esses fatores, então se pensa em intervenção ou não – vai da experiência do cirurgião, da clínica, intervenção cirúrgica nesse caso é discutível, nível de evidência II o Sintomáticos com estenosepra frente Corrigir primeiro as relacionadas aos sintomas o Ex.: tenho problema nas duas carótidas, mas tenho hemiplegia esquerda (o problema esta do lado direito do cérebro, opero primeiro a carótida direita) o Se ambas sintomáticas, tratar a mais grave primeiro Lesão sintomática = oclusão correção das demais para melhora da “perfusão global” o Exemplo, descobriu oclusão da carótida, não tem mais fluxo, não vai mais embolizar, sem risco de AVC por embolo o Só penso em reabrir a artéria se tiver diminuição de perfusão cerebral, hipofluxo sanguíneo global, quando o polígono não dá conta → Quem define isso é o neurologista Lesão bilateral o Se for sintomática uma, primeiro a sintomática o Se ambas sintomáticas, primeiro a mais grave Lesão bilateral igual o Grau de estenose idêntico, duas sintomáticas ou duas assintomáticas o Opera primeiro do hemisfério não dominante Carótida e vertebral o Quando não sabe qual exatamente causa o sintoma e tem lesão nas duas o Operar sempre o sistema carotídeo primeiro ENDARTERECTOMIA – padrão ouro Acesso cervical Dissecção, campleamento e retirada da placa Pode ser com ou sem shunt e com ou sem patch Endarterectomia clássica o Disseca carótida faz arteriotomia longitudinal tira a placa reconstrói a artéria por arteriorrafia (sutura) ou patch Hepariniza Lavínia Chagas – T23 O objetivo do Patch (remendo) é não provocar um estreitamento da luz (vasos pequenos) Usar campleamento para evitar AVC, mas para que o fluxo sanguíneo continue, pode usar shunt, medir a pressão retrógrada, monitorização com EEG e doppler transcraniano Por eversão o Transecção da carótida na bifurcação everte a carótida e desenluva a placa tira a placa e ressutura a carótida Quando a carótida é tortuosa demais, na hora da ressutura eu posso tirar o excesso e deixar a artéria mais retilínea Vantagem quando há excesso de artéria ou tortuosidade Semi-eversão o Uma mistura das duas o Arteriotomia longitudinal + tira a placa como se fosse uma luva o Fechamento por sutura simples e não reinserção da carótida SHUNT 10% dos pacientes necessitam de shunt para manter fluxo durante procedimento Anestesia geral diminui metabolismo cerebral → Diminui a necessidade de oxigênio e então uma perfusão menor não causa sequela Possibilidade de embolização causada pelo shunt – risco de AVC intraoperatório Tipos de shunt o Javid (A) – mais usado Lembra SNG Usa a borrachinha para clampear o Pruit-inahara (B) Tem um balão para não ter fluxo fora do shunt Tem uma torneirinha de saída (vantagem) PATCH (usos) Tipos o Em geral, o Patch é de Dácron o Venoso (safena) – muito trabalhoso e pouco usado, mas se tem infecção escolho o venoso (menos chance de rejeição) o PTFE o Pericárdio bovino Indicações o Carótida interna de pequeno diâmetro Em mulher geralmente usa patch (vaso menor) Vaso menor fica difícil fazer a sutura novamente com a própria parede do vaso o Lesão externa distal - Placa se estende muito Arteriotomia muito longa o Acotovelamento A B Lavínia Chagas – T23 Angulação que pode dificultar a sutura das paredes o Dissecções onde houve laceração da parede Fica difícil ressuturar ANESTESIA Geral o Paciente colaborativo o Difícil avaliar o sistema cerebral, como está a perfusão durante o procedimento o Com shunt seletivo, shunt sempre ou sem shunt (mais rápido) o Medida de pressão invasiva na carótida acima do clampeamento. Se for > 50mmHg, significa que o clampeamento não vai causar hipofluxo no polígono de Willis. Caso seja 70% - IA de recomendação Preferência na CEA em assintomático > 60% - IIA de recomendação Preferência de não fazer cirurgia em sintomáticos com estenoseindicação de intervenção; Em pacientes sintomáticos com estenose de mais de 50% que apresentam alto risco para a endarterectomia, a angioplastia é preferível ao tratamento medicamentoso. Quanto maior o grau de estenose, maior a indicação de intervenção; Na presença de obstrução total, seja o paciente sintomático ou assintomático, a revascularização não é indicada. Somente medidas clínicas. Lavínia Chagas – T23 Doença vertebrobasilar Raro tratar assintomáticos Sintomas TE (troncoencefálico) e occipital → desequilibro, tontura, sintomas visuais, lipotimia, perda de consciência Lesão carotídea pode precipitar sintomas vertebrobasilar Raramente são sintomas embólicos como na carótida A maioria são sintomas hemodinâmicos por hipofluxo Pode ficar sem sintomas hemodinâmicos com até 75% de oclusão porque o polígono se Willis supre o fluxo > 75% bilateral ou única patente = hemodinâmicos Diferença PS entre MMSS - Para diferenciar da doença de subclávia TRATAMENTO Estenose severa sintomática Estenose sintomática não amenizada após correção carotídea Estenose sintomática e oclusão carotídea Embolização cerebelar ALTERNATIVAS LESÕES PROXIMAIS Opções terapêuticas o Angioplastia (PTA) + stent Lesões proximais na vertebral preferência de stent Porque aqui o fenômeno não é ateroembolico e sim diminuição de fluxo o Reanastomose na subclávia (mto difícil - raro) o Transposição carótida externa para vertebral o Transposição vértebro-carotídeo (carótida que vai levar o fluxo para a vertebral e não a subclávia) o Bypass (ponte) subclávio-vertebral ALTERNATIVAS LESOES DISTAIS Transposição carótida externa para vertebral Transposição vértebro-carotídeo Bypass (ponte) carótida comum-vertebral PTA + Stent (provavelmente também é a melhor opção) Lesão assintomáticas não se trata → É sintomático? Não = não se opera. → É sintomático? Sim. Realmente é ocasionado por hipofluxo da vertebral? Sim =INTERVENÇÃO. SÍNDROME DO ROUBO DA SUBCLÁVIA Inversão de fluxo da artéria vertebral para suprir a área anteriormente suprida pela subclávia (obstrução proximal na origem da subclávia ou do tronco braquiocefálico). A maioria do lado esquerdo 3:1 Lavínia Chagas – T23 Pode ser assintomático ou causar dor por isquemia no território vertebral, caso roube um fluxo relevante do sistema vertebro-basilar (pode causar até síncope) “sequestro” do suprimento sanguíneo do sistema vertebrobasilar pelo membro superior Sintomas o Hipoperfusão vertebrobasilar (tontura ao uso da musculatura do MMSS – como ao escovar o cabelo, pendurar roupa do varal) o Isquemia do MMSS o 6% serão assintomático Diagnóstico o Doppler arterial o Arteriografia (padrão ouro) o AngioTC ou angioRM Tratamento o Angioplastia com stent PARAGANGLIOMA Tumor com origem nas células nervosas do seio (glomo) carotídeo– muito vascularizado pela carótida externa Malignidade de 7% Assintomático, geralmente apenas massa cervical no pescoço Tratamento sempre cirúrgico (considerar embolização prévia = diminuir risco de sangramento intraoperatório por serem tumores muito vascularizados) Ressecção simples ou “em bloco” e bypass Tratamento é exérese o Tentar embolização prévia de vasos porque esses tumores sangram no intraoperatório Diagnostico diferencial de tumor em cabeça e pescoço Não faz biopsia porque sangra muito diagnóstico por imagem (doppler e tomo) o Clássico – tumor cresce entre a carótida interna e externa, a bifurcação que geralmente é em Y, fica arredondada no centro DISSECÇÃO AGUDA DE CARÓTIDA Ruptura da camada interna da parede da artéria Separação das camadas pelo fluxo sanguíneo O hematoma intramural tende a estenose e oclusão Tende mais a trombosar a luz falsa Pode ser Espontânea (rara) ou pós-traumática Acomete mais pacientes jovens AVC em jovens Quadro clínico o Evento neurológico agudo (AIT, AVC, amaurose) ou não o Dor cervical aguda ipsilateral (queixo e faringe) o Cefaleia o Síndrome de Horner (ptose e miose) o Disfunção de nervos cranianos inferiores (IX e XII) o 5% assintomáticos Diagnóstico o Ultrassom doppler arterial o AngioTC, angioRM o Arteriografia - (“sinal do barbante) Lavínia Chagas – T23 Tratamento controverso o Quanto menos mexer, melhor o Anticoagulação e antiagregação plaquetária – é a tendência de tratamento o Tratamento cirúrgico para casos que não respondem ao tratamento clínico Angioplastia, enxerto, plastia, ligadura Dissecção curta – angioplastica + stent Dissecção longa – clínico (anticoagulante) DISPLASIA FIBROMUSCULAR Importante causa de hipertensão secundária (por causar estenose renal) Sítios mais comuns – renal e carótida 90% em mulheres/jovens Fibrose da camada media Assintomático não trata PTA + Stent (SINTOMÁTICOS) Colar de perolas dilatação – estreitamento – dilatação – estreitamento ESTENOSE POR RADIOTERAPIA Lesão actínica Indicações de tratamento são iguais à estenose aterosclerótica PTA + stent (alto risco cirúrgico) ARTERITE DE TAKAYASU Pode ser uma causa de evento neurológico (diagnóstico diferencial de AVC) Difícil de tratar (doença reumatológica) → fases de agudização (corticoide, imunossupressor). Na fase crônica, ficam as sequelas (estenoses graves) Cirurgias para revascularização (Só trata sintomático) Fibrose da artéria ANEURISMA DE CARÓTIDA Massa cervical pulsátil Embolia → maior preocupação. Preocupação não é sangramento em qualquer aneurisma periférico. ANEURISMA periférico não tem preocupação de hemorragia Tratamento = Ressecção e bypass Endoprótese?? ACOTOVELAMENTO Quando faz curva – turbilhonamento Patológicos somente quando sintomáticos (assintomático só se faz acompanhamento clínico) Fluxo turbilhonado → estenose → sintomas Tratamento = Endarterectomia e reanastomose proximal Na cirurgia arrumamos a anatomia