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Semiologia do Sistema Digestivo
e Urinário
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PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL, SEM AUTORIZAÇÃO.
Lei nº 9610/98 – Lei de Direitos Autorais
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Sistema Digestivo
O sistema digestório é responsável pela captação, digestão e absorção de nutrientes e
água. É composto por boca, esôfago, estômago, pâncreas exócrino, fígado, intestino
delgado e grosso, reto e ânus. Durante a anamnese é importante avaliar o apetite e
classifica-lo (polifagia: aumentado, hiporexia: diminuído ou ausente: anorexia, ingestão de
substâncias estranhas: parorexia), saber também como está a ingestão de água
(normodipsia: ingestão normal, polidipsia: aumento do consumo, oligodipsia: diminuição,
adipsia: ausência de ingestão). É preciso analisar a mastigação e deglutição (odinofagia é
a dor ao engolir). Muitos distúrbios afetam o sistema digestório. A halitose está associada
a proliferação bacteriana anormal, devido a necrose tecidual, periodontite, retenção de
alimento em cavidade oral ou esôfago. Salivação excessiva pode ser devido a náusea.
Durante a anamnese buscar identificar distúrbios do sistema digestivo (como vômito e
diarreia). A inspeção direta consiste em observar o animal. Determinar o estado
nutricional (obeso, magro, caquético, ideal utilizar o escore de condição corporal para cães
e gatos) se está adequado para a raça, perda e ganho de peso podem estar associados a
enfermidades. Alterações como déficit de massa muscular, cobertura pobre em gordura,
pela seco e sem brilho sugerem cronicidade.
A história clínica e o exame físico normalmente permitem a diferenciação entre disfagia,
regurgitação e vômito. O termo disfagia se refere a dificuldade de ingestão, associada
com anormalidade na cavidade oral, como dor, massas, corpos estranhos, fraturas ou
disfunção neuromuscular. A regurgitação é a eliminação passiva de conteúdo esofágico.
Deve-se verificar o tempo de evolução, ocorrências agudas podem ser devido a corpo
estranho; e também características do conteúdo, se não está digerido e se apresenta
formato tubular. Sua ocorrência pode estar associada com disfagia. As principais causas
de regurgitação esofágica são obstrução e fraqueza muscular. O vômito é a ejeção forçada
de conteúdo gástrico. Sua ocorrência é controlada pelo centro do vômito. É precedido de
sinais prodrômicos, como náusea, inquietação, aumento da frequência respiratória, sons
característicos e mímica de vômito. É um sinal clínico bastante inespecífico, pode ser
causado por cinetose, ingestão de substâncias (fármacos, por exemplo), obstrução do
trato gastrointestinal, inflamação ou irritação abdominal e outras doenças fora do trato
gastrointestinal que estimulem o centro do vômito. O termo hematêmese se refere a
expulsão de sangue fresco ou digerido.
A diarreia ocorre devido a presença de grande quantidade de água nas fezes, podendo ter
curso agudo ou crônico. E ainda estar associada ao intestino delgado ou grosso. O termo
tenesmo significa esforço improdutivo e repedido de defecação e disquesia corresponde a
defecação dolorosa. A hematoquesia é a eliminação de sangue vivo nas fezes, bastante
associada a lesões em cólon e reto. E melena é a presença de sangue digerido nas fezes
(ficam com coloração enegrecida), associada com sangramento em trato digestivo
superior ou ingestão de sangue.
Na cavidade oral observar mucosa, gengiva e dentes. Ver coloração e umidade de
mucosas, abrir a boca do paciente e observar língua, palato mole e palato duro e faringe
(ver presença de corpo estranho, massas, cálculos), observar se há alteração em
glândulas salivares. Em paciente não cooperativos pode ser necessário contenção
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química. O esôfago pode ser palpado no sulco jugular esquerdo, porém é melhor avaliado
por exames de imagem.
O abdômen divide-se em 3 regiões: epigástrica, mesogástrica e hipogástrica e também
em lado direito e esquerdo. A região epigástrica corresponde o limite do diafragma até a
13ª. costela; a mesogástrica vai do limite anterior, até a crista ilíaca e a hipogástrica vai
desse último limite até a região caudal do abdômen (Figura 1). Para sua exploração
semiológica utiliza-se a inspeção direta para avaliar forma e perímetro; a palpação, cuja
melhor posição é com o animal em estação, é feita com as duas mãos utilizando a região
palmar e as pontas dos dedos, primeiro se realiza uma pressão suave, depois aprofunda-
se a pressão, sendo possível avaliar melhor os órgãos. O toque retal permite também
avaliar a presença de estenoses, corpos estranho e massas.
A percussão é útil quando há aumento de volume, o som fornece indícios a respeito do
conteúdo, além de permitir delimitar algumas estruturas. A técnica de percussão dígito-
digital é realizada ao longo de 3 linhas verticais na região mesogástrica. Quando é feita
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sobre órgãos que contém ar (intestino e estômago) o som é timpânico. Sobre órgãos
maciços (fígado e baço), som maciço. A ascite pode ser detectada pela prova da
ondulação, onde o clínico coloca uma das mãos sobre a parede abdominal e com a outra
golpeia a parede contralateral, se o movimento produzir uma onda, pode-se dizer que há
líquido livre. A auscultação revela ruídos próprios do trato gastrointestinal (borborigmas),
ausente quando o trato está vazio e aumentados quando o peristaltismo está intenso.
Sistema Urinário
O sistema urinário é composto por rins, ureteres, bexiga e uretra. Os rins apresentam
localização retroperitoneal, são responsáveis por filtrar o sangue e formar a urina.
Ureteres irão conduzir a urina até a bexiga, desembocando na região do trígono vesical. A
bexiga realiza o armazenamento de urina e a uretra conduz a urina ao meio externo.
Certas alterações tem maior prevalência em certa espécie, raça, sexo, idade ou estado
reprodutivo (exemplos: felinos machos são mais acometidos por obstrução uretral, cães
das raças shih tzu e lhasa apso são predispostos a displasia renal). Durante a anamnese é
preciso perguntar sobre as características da urina (volume, cor, odor, presença de
sangue), sobre a micção (se há alterações na frequência ou na postura. O controle
miccional é realizado pelo sistema nervoso central, quando há incapacidade parcial ou
total em manter o armazenamento de urina, isso é denominado incontinência urinária. O
termo oligúria é a diminuição na produção de urina (margem costal. Em condições normais os
ureteres não são palpáveis.
A bexiga é facilmente palpável quando repleta. Essa técnica deve ser feita com o animal
em estação, posicionando-se os dedos da mão com o formato de uma pinça, onde o
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polegar fica de um lado e os demais dedos do outro, na região ventrocaudal de abdômen.
É importante avaliar localização, distensão, espessura da parede, dor, presença de massas
na parede e de outras estruturas no lúmen (urólitos, coágulos). A avaliação da uretra é
feita pela observação da micção ou pela palpação indireta (cateterismo).
A realização de exames complementares como urinálise, provas de função renal,
ultrassonografia, radiografia e histopatológico também são fundamentais na elucidação do
diagnóstico.
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Referências
CRIVELLENTI, Leandro Z., GIOVANINNI, Luciano H. Tratado de Nefrologia e Urologia de
cães e gatos. São Paulo: Medvet, 2021.
FEITOSA, Francisco Leydson F. Semiologia Veterinária – A arte do diagnóstico. 2ª.
Edição. Editora Roca. São Paulo, 2008.
NELSON, Richard W., COUTO, C. Guilhermo. Medicina interna de pequenos animais.
4ª. Edição. Editora Elsevier. Rio de Janeiro, 2010.