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79 280 Assim, não há necessidade de comunicação à casa legislativa. Apenas se discute a necessidade ou não de comunicação à casa legislativa nos casos de controle difuso, o que não é o caso. Declarada a inconstitucionalidade de ato normativo em abstrato, em processo objetivo e não subjetivo, a decisão irradia-se. Vale dizer que fulminada a lei, não cabendo providência voltada à suspensão. (STF, RE 199.293/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 06-08- 04) Q7. TRF3/TRF3 – Juiz Federal Substituto/2018 A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) coloca em movimento a chamada jurisdição constitucional orgânica, tutelando a validade da lei e de atos normativos. No que concerne aos efeitos da decisão definitiva de mérito no processo de controle abstrato, por meio do qual a ADI é veiculada, é CORRETO afirmar que: a) Norma criada por lei e declarada inconstitucional pelo STF no processo objetivo ainda assim é suscetível de revogação pelo Congresso. b) A decisão proferida em ADI produzirá efeitos contra todos e eficácia erga omnes, desde que atendido o requisito de sua comunicação à autoridade ou órgão responsável pela expedição do ato para que lhe suste a execução. c) É inadmissível o ajuizamento de ADI ou ADPF contra lei ou ato normativo revogado ou de eficácia exaurida, diante da perda do objeto. d) No direito brasileiro, a decisão de rejeição da inconstitucionalidade não implica declaração de constitucionalidade da norma impugnada, podendo o STF reexaminar a questão em outro processo objetivo de controle concentrado. Comentários A alternativa A está correta. O STF não proíbe que o Poder Legislativo edite leis ou emendas constitucionais em sentido contrário ao que a Corte já decidiu. Não existe uma vedação prévia a tais atos normativos. O legislador pode, por emenda constitucional ou lei ordinária, superar a jurisprudência. Trata-se de uma reação legislativa à decisão da Corte Constitucional com o objetivo de reversão jurisprudencial. [STF. Plenário. ADI 5105/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 1º/10/2015 (Info 801)]. Se há revogação quando uma lei trate inteiramente de matéria tratada por lei anterior (art. 2º da LINDB), a reação legislativa pode ser considerada verdadeira revogação de lei inconstitucional. A alternativa B está incorreta. 80 280 Lei n. 9.868/99, Art. 28. Dentro do prazo de dez dias após o trânsito em julgado da decisão, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União a parte dispositiva do acórdão. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. O efeito vinculante e erga omnes é ex lege, não dependendo de comunicação a autoridade ou órgão. A necessidade da comunicação é discutida apenas no que tange ao controle difuso. A alternativa C está incorreta. Embora não caiba ADI (ADI n. 2.980, d.j. 05.02.2009), o STF tem admitido a utilização de ADPF em face de atos de eficácia exaurida ou já revogados (ADPF 33). A alternativa D está incorreta. A ADI e ADC são ações dúplices, significando que a improcedência de uma ADC equivale à declaração de inconstitucionalidade. Lei n. 9.868/99, Art. 24. Proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á improcedente a ação direta ou procedente eventual ação declaratória; e, proclamada a inconstitucionalidade, julgar-se-á procedente a ação direta ou improcedente eventual ação declaratória. Q8. TRF3/TRF3 – Juiz Federal Substituto/2018 Um novo paradigma para o constitucionalismo surgiu entre o final do século XX e o início do século XXI. Procura ser uma resposta teórico-prática para a necessidade de se obterem eficácia e efetividade para as normas constitucionais, sobretudo as portadoras de direitos sociais. Implanta, no Brasil, modelo normativo-axiológico, com adoção expressa de valores e opções pela efetivação de políticas públicas com sede constitucional. Muitas destas bastante específicas, como os serviços de saúde, educação e assistência social a hipossuficientes. Esse paradigma constitucional possui algumas notas típicas, dentre as quais NÃO se encontram: a) Separação conceitual entre o direito constitucional e a moralidade política. b) Tendência a integração das diversas esferas da razão prática para solução dos casos constitucionais: o direito, a moral e a política. c) Compreensão da constitucionalidade enquanto critério último de validade das normas, em termos substantivos e não apenas formais. d) Os direitos constitucionais incorporam uma ordem objetiva de valores. Esses direitos e valores tornam-se onipresentes com “efeito irradiante” sobre os demais ramos do direito.