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Questões Comentadas (ESAF – Susep) Caracterizam-se por serem regidos pelo direito privado quanto ao conteúdo e aos efeitos, porém sem ignorar as limitações trazidas pelo regime jurídico público, os contratos de: a) fornecimento de mão de obra. b) locação em que o Poder Público seja locatário. c) concessão de serviço público. d) fornecimento de bens de consumo. e) construção de obra pública. Comentários: A Lei 8.666/1993, ao dispor sobre sua abrangência, dispôs no seu art. 1º: Art. 1o Esta Lei estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Para a doutrina, a despeito da previsão do dispositivo, os contratos de locação (assim como os de alienação) são contratos de direito privado (e não contratos administrativos). Segundo Carvalho Filho, a sujeição ao direito privado ocorre tanto quando a Administração figura como locadora quanto como locatária. Portanto, nesses tipos de ajuste, as partes estão no mesmo nível jurídico, sem qualquer preponderância da Administração sobre o particular. Do elenco traçado no art. 1º da lei, são realmente contratos administrativos os de obras, serviços e fornecimento. Também são contratos administrativos os contratos de concessões e permissões de serviços públicos e as parcerias público-privadas, regidos por leis próprias. Interessante observar que a preocupação da banca em especificar que o Poder Público seria o “locatário” no contrato é porque essa hipótese está prevista de forma expressa no art. 62, §3º da Lei 8.666/1993 como uma espécie de contrato regido por norma de direito privado: § 3o Aplica-se o disposto nos arts. 55 e 58 a 61 desta Lei e demais normas gerais, no que couber: I - aos contratos de seguro, de financiamento, de locação em que o Poder Público seja locatário, e aos demais cujo conteúdo seja regido, predominantemente, pornorma de direito privado; II - aos contratos em que a Administração for parte como usuária de serviço público. Gabarito: alternativa “b” (ESAF – CGU) A coluna I, abaixo, traz as características de três instrumentos jurídicos utilizados para a recomposição da equação econômico-financeira. Já a coluna II traz a nomenclatura desses institutos. Correlacione as colunas I e II para, ao final, assinale a sequência correta para a coluna I. a) 1 / 2 / 3 b) 3 / 1 / 2 c) 2 / 1 / 3 d) 1 / 3 / 2 e) 3 / 2 / 1 Comentário: Revisão, reajuste e repactuação não são a mesma coisa. A relação correta é a seguinte: * Repactuação: solução aplicável apenas para os contratos de serviços contínuos, que venham a ser objeto de renovação, de forma a garantir a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato em face da variação dos custos contratuais (principalmente custos trabalhistas). Deve haver previsão para tanto no instrumento convocatório. * Revisão: consiste em análise realizada ordinária e extraordinariamente, destinada a reestabelecer a relação original entre encargos e vantagens, independentemente de previsão contratual. Resume-se numa comparação entre as situações existentes em dois momentos distintos. * Reajuste: envolve uma previsão contratual de indexação da remuneração devida ao particular a um determinado índice (ex: índice de inflação), de modo a promover a alteração do preço periodicamente de acordo com a variação do referido índice. Gabarito: alternativa “b” (ESAF – CGU) Julgue os itens, se verdadeiros ou falsos, a respeito da formalização dos contratos com a Administração Pública e assinale a opção que indica a sequência correta. I. A publicação resumida do contrato e dos seus aditivos na imprensa oficial é condição indispensável para a sua eficácia. II. A lei faculta à Administração Pública substituir o instrumento de contrato por outro, como, por exemplo, a Nota de Empenho, para valores situados abaixo dos limites de Tomada de Preços e Concorrência. III. Os contratos podem ser alterados unilateralmente pela Administração Pública quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação técnica aos seus objetivos. IV. A variação do valor contratual em razão de reajustes nele previstos é também considerada alteração contratual. a) V,V,V,F b) F,V,F,V c) F,V,F,F d) V,F,V,V e) V,V,F,V Comentários: Vamos analisar cada alternativa: I) VERDADEIRO, nos termos do art. 61, parágrafo único da Lei 8.666/1993: Parágrafo único. A publicação resumida do instrumento de contrato ou de seus aditamentos na imprensa oficial, que é condição indispensável para sua eficácia, será providenciada pela Administração até o quinto dia útil do mês seguinte ao de sua assinatura, para ocorrer no prazo de vinte dias daquela data, qualquer que seja o seu valor, ainda que sem ônus, ressalvado o disposto no art. 26 desta Lei. II) VERDADEIRO, nos termos do art. 62 da Lei 8.666/1993: Art. 62. O instrumento de contrato é obrigatório nos casos de concorrência e de tomada de preços, bem como nas dispensas e inexigibilidades cujos preços estejam compreendidos nos limites destas duas modalidades de licitação, e facultativo nos demais em que a Administração puder substituí-lo por outros instrumentos hábeis, tais como carta-contrato, nota de empenho de despesa, autorização de compra ou ordem de execução de serviço. III) VERDADEIRO, nos termos do art. 65, I, “a” da Lei 8.666/1993: Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos: I - unilateralmente pela Administração: a) quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação técnica aos seus objetivos; b) quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos por esta Lei; Importante ressaltar que, em havendo alteração unilateral do contrato que aumente os encargos do contratado, a Administração deverá restabelecer, por aditamento, o equilíbrio econômico-financeiro inicial (art. 65, §6º). IV) FALSO. A variação do valor contratual em razão de reajustes nele previstos não é considerada alteração contratual. Geralmente, os reajustes servem apenas para adequar o valor do contrato às variações decorrentes da inflação, podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento (art. 65, §8º): § 8o A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato, as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo, podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento. Gabarito: alternativa “a” (ESAF – Pref./RJ) Referente aos contratos administrativos, assinale a opção incorreta. a) É motivo de rescisão contratual a subcontratação parcial do objeto do ajuste, desde que não admitida no edital e no contrato. b) Considera-se condição de eficácia do contrato administrativo a publicação do seu extrato na imprensa oficial. c) A Lei 8.666, de 1993, mitigou a lição tradicional de óbice à "Exceção de Contrato não Cumprido", por parte do particular, quando houver inadimplemento da Administração, prevendo hipótese de rescisão contratual em face do atraso de pagamento pelo Poder Público. d) É vedada a realização, pela Administração, de contratação verbal, de sorte que todo ajuste pressupõe formalizaçãomediante termo de contrato. e) O contratado é responsável pelos danos causados diretamente à Administração ou a terceiros, decorrentes de sua culpa ou dolo na execução contratual, não excluindo ou reduzindo tal responsabilidade a fiscalização do ajuste por agente da Administração. Comentários: Vamos procurar a alternativa incorreta: a) CERTA, nos termos do art. 78, VI da Lei 8.666/1993: Art. 78. Constituem motivo para rescisão do contrato: (...) VI - a subcontratação total ou parcial do seu objeto, a associação do contratado com outrem, a cessão ou transferência, total ou parcial, bem como a fusão, cisão ou incorporação, não admitidas no edital e no contrato; b) CERTA, nos termos do art. 61, parágrafo único da Lei 8.666/1993: Parágrafo único. A publicação resumida do instrumento de contrato ou de seus aditamentos na imprensa oficial, que é condição indispensável para sua eficácia, será providenciada pela Administração até o quinto dia útil do mês seguinte ao de sua assinatura, para ocorrer no prazo de vinte dias daquela data, qualquer que seja o seu valor, ainda que sem ônus, ressalvado o disposto no art. 26 desta Lei. c) CERTA. De fato, não há restrição absoluta a que o particular oponha a exceção do contrato não cumprido em desfavor da Administração. Nos termos do art. 78, XV da Lei 8.666/19993, o contratado pode requerer a rescisão do ajuste no caso de atraso superior a 90 dias dos pagamentos devidos pela Administração. Antes desse prazo de atraso, porém, o contratado não pode se opor à execução do contrato, mesmo que não receba o pagamento devido. d) ERRADA. Em regra, os ajustes firmados pela Administração devem ser escritos e formalizados mediante instrumento de contrato (caso o valor esteja nos limites de concorrência e tomada de preços) ou outros instrumentos hábeis, tais como carta-contrato, nota de empenho de despesa, autorização de compra ou ordem de execução de serviço (art. 62). Assim, em regra, é nulo e de nenhum efeito o contrato verbal com a Administração. Todavia, a lei admite exceção, permitindo a contratação verbal em caso de pequenas compras (valores não superiores a R$ 4.000,00), o chamado regime de adiantamento (art. 60, parágrafo único). e) CERTA, nos exatos termos do art. 70 da Lei 8.666/1993: Art. 70. O contratado é responsável pelos danos causados diretamente à Administração ou a terceiros, decorrentes de sua culpa ou dolo na execução do contrato, não excluindo ou reduzindo essa responsabilidade a fiscalização ou o acompanhamento pelo órgão interessado. Gabarito: alternativa “d” (ESAF – Mtur) Assinale a opção correta. a) É possível, em determinadas situações previstas legalmente, contrato verbal com a Administração Pública. b) Segundo a legislação vigente, a licitação destina-se a garantir apenas a observância do princípio constitucional da isonomia e a promoção do desenvolvimento nacional. c) O pregão é modalidade licitatória prevista na Lei n. 8.666, de 1993. d) Não se observa a existência de cláusulas exorbitantes em contratos administrativos. e) Uma vez publicado o edital, a licitação não pode ser revogada. Comentário: Vamos analisar cada alternativa: a) CERTA. Segundo a Lei 8.666/1993, é possível contrato verbal com a Administração Pública no caso de pequenas compras de pronto pagamento (até R$ 4.000,00), feitas em regime de adiantamento. b) ERRADA. Além do princípio constitucional da isonomia e da promoção do desenvolvimento nacional, a licitação também se destina a garantir a seleção da proposta mais vantajosa para a administração, nos termos do art. 3º da Lei 8.666/1993: Art. 3o A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos. c) ERRADA. O pregão é modalidade licitatória prevista na Lei 10.520/2002, e não na Lei 8.666/1993. d) ERRADA. A característica marcante dos contratos administrativos é justamente a presença de cláusulas exorbitantes, que conferem certos privilégios à Administração na relação contratual, com fundamento na supremacia do interesse público sobre o particular. São cláusulas exorbitantes: alteração e rescisão unilateral, fiscalização do contrato, aplicação de sanções, ocupação temporária de bens, pessoal e serviços, exigência de garantias e restrição à oposição da exceção do contrato não cumprido. e) ERRADA. A Lei 8.666/1993 prevê duas hipóteses nas quais a licitação poderá ser revogada (após a publicação do edital, logicamente): * por razões de interesse público decorrente de fato superveniente devidamente comprovado, pertinente e suficiente para justificar tal conduta, mediante parecer escrito e devidamente fundamentado (art. 49). * a critério da Administração, quando o convocado não assinar o termo de contrato ou não aceitar ou retirar o instrumento equivalente no prazo e condições estabelecidos (art. 64, §2º). Ressalte-se que a licitação não poderá ser revogada depois de assinado o contrato. Gabarito: alternativa “a” (ESAF – CGU) Na elaboração dos contratos a serem celebrados pela Administração Pública, são cláusulas necessárias, exceto: a) os casos de rescisão. b) o regime de execução e a forma de recebimento. c) o cronograma de desembolso dos recursos. d) o crédito pelo qual ocorrerá a despesa. e) o objeto e seus elementos característicos. Comentários: O art. 55 da Lei 8.666/1993 define que “são cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam”: I. Objeto e seus elementos característicos. II. Regime de execução ou forma de fornecimento. III. Preço, condições de pagamento e critérios de ajuste. IV. Prazos de início e de conclusão, de entrega. V. Crédito pelo qual correrá a despesa. VI. Garantias oferecidas, quando exigidas. VII. Direitos e responsabilidades das partes, penalidades cabíveis e valores das multas. VIII. Casos de rescisão. IX. Reconhecimento de direitos da Administração em caso de rescisão por inexecução do contrato. X. Condições de importação, quando for o caso. XI. Vinculação ao edital de licitação ou ao termo que a dispensou. XII. Legislação aplicável. XIII. Obrigação do contratado de manter as condições de habilitação e qualificação exigidas na licitação. Verifica-se que, dentre as alternativas, apenas o cronograma de desembolso dos recursos (opção “c”) não é uma cláusula necessária prevista na lei. Gabarito: alternativa “c” (ESAF – ATRFB) Conforme determina a Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993, são cláusulas necessárias em todo contrato administrativo: I. o objeto e seus elementos característicos. II. o preço e as condições de pagamento. III. o crédito pelo qual correrá a despesa, com a indicação da classificação funcional programática e da categoria econômica. IV. a obrigação do contratado de manter, durante toda a execução do contrato, em compatibilidade com as obrigações por ele assumidas, todas as condições de habilitação e qualificação exigidas na licitação. V. os casos de rescisão. a) Todas as assertivas estão corretas. b) Apenas as assertivas I, II, IV e V estão corretas. c) Apenas as assertivas I, II e V estão corretas. d) Apenas as assertivas I, II e III estão corretas. e) Apenas as assertivas I e II estão corretas. Comentário: Trata-se do mesmo tema da questão anterior. Neste caso, todas as alternativas listadas constituem cláusulasnecessárias previstas no art. 55 da Lei 8.666/1993. Portanto, correta a alternativa “a”. Gabarito: alternativa “a” (ESAF – CGU) São contratos que podem durar além da vigência da Lei Orçamentária Anual, exceto: a) os contratos autorizados pelo plano plurianual. b) a contratação de serviços contínuos. c) a aquisição ou restauração de obras de arte e objetos históricos, de autenticidade certificada, desde que compatíveis ou inerentes às finalidades do órgão ou entidade. d) a contratação de equipamentos e programas de informática. e) a locação de imóvel destinado ao atendimento das finalidades precípuas da administração, cujas necessidades de instalação e localização condicionem a sua escolha, desde que o preço seja compatível com o valor de mercado, segundo avaliação prévia. Comentários: De acordo com o art. 57 da Lei 8.666/1993, a duração dos contratos administrativos ficará adstrita à vigência dos respectivos créditos orçamentários, exceto quanto aos relativos: I - aos projetos cujos produtos estejam contemplados nas metas estabelecidas no Plano Plurianual, os quais poderão ser prorrogados se houver interesse da Administração e desde que isso tenha sido previsto no ato convocatório; II - à prestação de serviços a serem executados de forma contínua, que poderão ter a sua duração prorrogada por iguais e sucessivos períodos com vistas à obtenção de preços e condições mais vantajosas para a administração, limitada a sessenta meses; (Redação dada pela Lei nº 9.648, de 1998) IV - ao aluguel de equipamentos e à utilização de programas de informática, podendo a duração estender- se pelo prazo de até 48 (quarenta e oito) meses após o início da vigência do contrato. V - às hipóteses previstas nos incisos IX [segurança nacional], XIX [material de uso das Forças Armadas], XXVIII [alta complexidade tecnológica e defesa nacional] e XXXI [pesquisa científica] do art. 24, cujos contratos poderão ter vigência por até 120 (cento e vinte) meses, caso haja interesse da administração. Portanto, as opções “a”, “b” e “d” estão contempladas nos incisos acima, de tal sorte que ficamos entre as alternativas “c” e “e”. Quanto a esta última, referente aos contratos de locação de imóveis para uso da Administração, a jurisprudência do TCU entende que eles não estão sujeitos aos limites constantes do art. 57 da Lei 8.666/1993 (Acórdão 1.127/2009-Plenário). Portanto, só nos restou a letra “c”, que é o gabarito. Com efeito, a aquisição ou restauração de obras de arte e objetos históricos constitui hipótese de licitação dispensável, mas está prevista no inciso XV do art. 24 da Lei 8.666/1993, ou seja, não está em um daqueles incisos do art. 24 que autorizam a prorrogação por prazo superior à vigência dos créditos, conforme se vê no art. 57, V, acima transcrito. Gabarito: alternativa “c” (ESAF – CGU) O Tribunal de Contas da União, em sede de tomada de contas ordinária, recomendou a autarquia federal que se abstivesse de prorrogar determinado contrato firmado após procedimento licitatório ocorrido sob a modalidade de Pregão. Acatando a recomendação do TCU, a autarquia iniciou procedimento licitatório para a contratação do mesmo objeto, deixando de prorrogar a contratação. Acerca do caso concreto acima narrado, indique a opção correta. a) O TCU deveria ter chamado a empresa prejudicada em oitiva, visando garantir o contraditório e a ampla defesa. b) A empresa prejudicada teve ferido seu direito a contratação, adquirido quando se saiu vencedora da licitação. c) Há apenas expectativa de direito da empresa à prorrogação do ajuste, estando a decisão no âmbito de discricionariedade da Administração. d) Sendo a relação jurídica travada entre o TCU e a Administração Pública Federal, ambos deveriam ter se preocupado em garantir o contraditório e a ampla defesa à empresa prejudicada. e) O contratado somente não faria jus à prorrogação se a contratação não tivesse sido precedida de licitação. Comentário: Para resolver a questão, necessário conhecer a jurisprudência do STF firmada no MS 26.250/DF, de 17/2/2010: EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO, QUE DETERMINOU A NÃO PRORROGAÇÃO DE CONTRATO ADMINISTRATIVO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. VIOLAÇÃO DAS GARANTIAS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA NÃO CONFIGURADA. 1. Não há direito líquido e certo à prorrogação de contrato celebrado com o Poder Público. Existência de mera expectativa de direito, dado que a decisão sobre a prorrogação do ajuste se inscreve no âmbito da discricionariedade da Administração Pública. 2. Sendo a relação jurídica travada entre o Tribunal de Contas e a Administração Pública, não há que se falar em desrespeito às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. 3. Segurança denegada. Portanto, há apenas expectativa de direito da empresa à prorrogação do ajuste, estando a decisão no âmbito de discricionariedade da Administração. No caso, o TCU (que determinou à Administração que não prorrogasse o contrato) não precisaria ter chamado a empresa prejudicada em oitiva. Assim, correta a alternativa “c”. Por oportuno, vale saber que, de modo contrário, em se tratando de determinação do TCU para que a Administração promova a anulação de contrato administrativo, o Tribunal de Contas deve promover a oitiva dos particulares prejudicados, garantindo-lhes, assim, o direito ao contraditório e à ampla defesa (MS 23.550/DF(23)). 23 Ver jurisprudência ao final da aula. Gabarito: alternativa “c” (ESAF – CGU) Em se tratando de serviços, executado o contrato, o seu objeto será recebido provisoriamente, pelo responsável por seu acompanhamento e fiscalização, mediante termo circunstanciado assinado a) pelo fiscal em até cinco dias úteis da comunicação escrita do contratado. b) pelo fiscal em até quinze dias úteis da comunicação oral do contratado. c) pelo gestor administrativo em até três dias úteis da comunicação escrita do contratado. d) pelas partes em até quinze dias da comunicação escrita do contratado. e) pelas partes em até três dias da comunicação escrita do contratado. Comentários: A resposta é a letra “d”, nos termos do art. 73, I, “a” da Lei 8.666/1993: Art. 73. Executado o contrato, o seu objeto será recebido: I - em se tratando de obras e serviços: a) provisoriamente, pelo responsável por seu acompanhamento e fiscalização, mediante termo circunstanciado, assinado pelas partes em até 15 (quinze) dias da comunicação escrita do contratado; b) definitivamente, por servidor ou comissão designada pela autoridade competente, mediante termo circunstanciado, assinado pelas partes, após o decurso do prazo de observação, ou vistoria que comprove a adequação do objeto aos termos contratuais, observado o disposto no art. 69 desta Lei; Gabarito: alternativa “d” (ESAF – CGU) São motivos para a rescisão do contrato administrativo, exceto: a) a alteração social ou a modificação da finalidade ou da estrutura da empresa, que prejudique a execução do contrato. b) a subcontratação total ou parcial do seu objeto, não admitidas no edital e no contrato. c) a alteração do valor do contrato para reduzi-lo em vinte por cento. d) o atraso injustificado no início da obra, serviço ou fornecimento. e) o não cumprimento de cláusulas contratuais, especificações, projetos e prazos. Comentários: Para responder a questão, necessário conhecer o art. 78 da Lei 8.666/1993: Art. 78. Constituem motivo para rescisão do contrato: I - o não cumprimento de cláusulas contratuais, especificações, projetos ou prazos; II - o cumprimento irregular de cláusulas contratuais, especificações, projetos e prazos; III - a lentidão do seucumprimento, levando a Administração a comprovar a impossibilidade da conclusão da obra, do serviço ou do fornecimento, nos prazos estipulados; IV - o atraso injustificado no início da obra, serviço ou fornecimento; V - a paralisação da obra, do serviço ou do fornecimento, sem justa causa e prévia comunicação à Administração; VI - a subcontratação total ou parcial do seu objeto, a associação do contratado com outrem, a cessão ou transferência, total ou parcial, bem como a fusão, cisão ou incorporação, não admitidas no edital e no contrato; VII - o desatendimento das determinações regulares da autoridade designada para acompanhar e fiscalizar a sua execução, assim como as de seus superiores; VIII - o cometimento reiterado de faltas na sua execução, anotadas na forma do § 1o do art. 67 desta Lei; IX - a decretação de falência ou a instauração de insolvência civil; X - a dissolução da sociedade ou o falecimento do contratado; XI - a alteração social ou a modificação da finalidade ou da estrutura da empresa, que prejudique a execução do contrato; XII - razões de interesse público, de alta relevância e amplo conhecimento, justificadas e determinadas pela máxima autoridade da esfera administrativa a que está subordinado o contratante e exaradas no processo administrativo a que se refere o contrato; XIII - a supressão, por parte da Administração, de obras, serviços ou compras, acarretando modificação do valor inicial do contrato além do limite permitido no § 1o do art. 65 desta Lei; XIV - a suspensão de sua execução, por ordem escrita da Administração, por prazo superior a 120 (cento e vinte) dias, salvo em caso de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, ou ainda por repetidas suspensões que totalizem o mesmo prazo, independentemente do pagamento obrigatório de indenizações pelas sucessivas e contratualmente imprevistas desmobilizações e mobilizações e outras previstas, assegurado ao contratado, nesses casos, o direito de optar pela suspensão do cumprimento das obrigações assumidas até que seja normalizada a situação; XV - o atraso superior a 90 (noventa) dias dos pagamentos devidos pela Administração decorrentes de obras, serviços ou fornecimento, ou parcelas destes, já recebidos ou executados, salvo em caso de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, assegurado ao contratado o direito de optar pela suspensão do cumprimento de suas obrigações até que seja normalizada a situação; XVI - a não liberação, por parte da Administração, de área, local ou objeto para execução de obra, serviço ou fornecimento, nos prazos contratuais, bem como das fontes de materiais naturais especificadas no projeto; XVII - a ocorrência de caso fortuito ou de força maior, regularmente comprovada, impeditiva da execução do contrato. Parágrafo único. Os casos de rescisão contratual serão formalmente motivados nos autos do processo, assegurado o contraditório e a ampla defesa. XVIII – descumprimento do disposto no inciso V do art. 27, sem prejuízo das sanções penais cabíveis. A alteração do valor do contrato em até 25% é uma cláusula exorbitante, que será aplicada independentemente do consentimento do particular, daí o erro da opção “c”. Gabarito: alternativa “c” (ESAF – CGU) A secretaria de obras de determinado Estado membro da Federação firma, em nome do Estado, e após regular procedimento licitatório, contrato administrativo para a realização de obra pública. Entre as demais cláusulas do termo de contrato, há dispositivo que prevê a possibilidade de paralisação da obra por parte da Administração, hipótese em que as partes acordariam a respeito. Considerando o caso concreto acima narrado, assinale a opção correta à luz da jurisprudência do STJ. a) Trata-se de hipótese em que o contrato merecia aditivo capaz de resguardar o seu equilíbrio econômico-financeiro. b) Quando a suspensão das obras se der em razão de interesse público, não há que se falar em indenização ou reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. c) Como a paralisação da obra constava do termo de contrato, a contratada deveria tê-la embutido no preço contratado. d) Em se tratando de contrato administrativo, era dado à Administração rescindir ou suspender unilateralmente o pactuado sem qualquer indenização. e) A paralisação da obra, já prevista em instrumento contratual integra a álea ordinária, ainda que o termo contratual disponha que haverá acordo a seu respeito. Comentário: A jurisprudência do STJ a que o comando da questão se refere é a seguinte decisão, tomada no REsp 734.696/SP, de 16/10/2007 (Informativo 336): ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO PARA EXECUÇÃO DE OBRA – PARALISAÇÃO TEMPORÁRIA POR INTERESSE DA ADMINISTRAÇÃO – PREVISÃO CONTRATUAL – ARTS. 65 E 78 DA LEI 8.666/93 – RESSARCIMENTO DOS PREJUÍZOS – VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC: INEXISTÊNCIA. 1. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC se o Tribunal, ainda que implicitamente, examina a tese em torno dos dispositivos tidos por violados. 2. Persiste o dever de indenizar os prejuízos causados em decorrência de interrupção temporária de obra pública, por iniciativa da Administração. 3. Embora legítima a interrupção contratual, impõe-se o dever de indenizar os prejuízos suportados pelo particular em decorrência da paralisação, para resguardar a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. 4. Recurso especial provido em parte. Agora vamos ver cada alternativa: a) CERTA. A assertiva me parece incompleta, mas quer dizer que a paralisação da obra prevista numa das cláusulas do contrato de fato ocorreu durante a sua execução. Sendo assim, o contrato precisaria ser revisto, mediante aditivo, a fim de resguardar a manutenção do equilíbrio-econômico financeiro do ajuste. b) ERRADA. Segundo a jurisprudência do STJ, embora legítima a interrupção contratual, impõe-se o dever de indenizar os prejuízos suportados pelo particular em decorrência da paralisação, para resguardar a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. c) ERRADA. No fundamento da decisão acima, o STJ manifestou o entendimento de que, embora a possibilidade de paralisação da obra já estivesse prevista do contrato, não seria óbvio que qualquer contratante, nessas circunstâncias, embutisse no preço do contrato os eventuais prejuízos advindos de uma eventual paralisação, até porque não seria previsível, de antemão, o montante desses prejuízos, se não estabelecido previamente quanto tempo duraria a interrupção e se essa, efetivamente, iria ocorrer. Daí, portanto, a justificativa para se reestabelecer, por meio de aditivo, o equilíbrio econômico-financeiro inicial, se por acaso ocorrer a efetiva paralisação da obra durante a execução do contrato. d) ERRADA. Como dito, a suspensão ou a rescisão unilateral do ajuste impõe à Administração o dever de indenizar o contratado pelos prejuízos suportados. e) ERRADA. Segundo a jurisprudência do STJ, a possibilidade de paralisação da obra já prevista em instrumento contratual não integra a álea ordinária, pois não há como saber, de antemão, por quanto tempo a paralisação irá durar e mesmo se, de fato, irá ocorrer. Sendo assim, a paralisação da obra durante a execução do contrato constitui motivo para revisão mediante aditivo, a fim de reestabelecer o equilíbrio econômicofinanceiro. Gabarito: alternativa “a”