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Monize Jandotti – ORTOPEDIA 
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SUMÁRIO 
DESENVOLVIMENTO ORTOPÉDICO DA CRIANÇA ............................................................................................................................... 2 
Dor do crescimento .......................................................................................................................................................................... 2 
QUADRIL PEDIÁTRICO .......................................................................................................................................................................... 3 
Displasia do desenvolvimento do quadril ........................................................................................................................................ 3 
Pioartrite ........................................................................................................................................................................................... 4 
Sinovite transitória do quadril .......................................................................................................................................................... 4 
DOENÇAS NEUROMUSCULARES PEDIÁTRICAS ................................................................................................................................... 5 
Mielomeningocele e defeitos do fechamento posterior do tubo neural ........................................................................................ 5 
VIOLÊNCIA CONTRA A CRIANÇA .......................................................................................................................................................... 6 
Síndrome do bebê chacoalhado ....................................................................................................................................................... 6 
COMPLICAÇÕES DO TRAUMA ORTOPÉDICO ...................................................................................................................................... 7 
Sindrome compartimental aguda ..................................................................................................................................................... 7 
Embolia gordurosa............................................................................................................................................................................ 7 
DOENÇAS DA COLUNA VERTEBRAL ..................................................................................................................................................... 8 
Semiologia da coluna vertebral ........................................................................................................................................................ 8 
Lombalgia ......................................................................................................................................................................................... 9 
Doença degenerativa discal e hernia discal ................................................................................................................................... 10 
 
 
 
 Monize Jandotti – ORTOPEDIA 
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DESENVOLVIMENTO ORTOPÉDICO DA CRIANÇA 
DOR DO CRESCIMENTO 
Seu nome correto seria “dor paroxística recorrente idiopática dos membros inferiores”. A dor em si não tem absolutamente 
nada a ver com o crescimento, nesse caso, a sobrecarga mecânica sobre um osso ainda imaturo e, portanto, frágil, leva a dor – 
que ocorre principalmente após os esforços. 
CARACTERÍSTICAS 
• Faixa etária: entre 4 anos e puberdade 
• Localização: difusa pelos membros inferiores (geralmente bilateral) 
• Período de ocorrência: final do dia e começo da noite. 
• Característica da dor: queimação 
• Intensidade: intensa, com diminuição progressiva 
• Frequência: algumas vezes na semana, rara vez é diária. 
• Duração: 30 min a 2 horas 
• Fatores desencadeantes: atividade física intensa 
• Fatores de melhora: massagem, compressas quentes, distração, e analgésicos simples. 
DIAGNÓSTICO 
• Clinico: se a criança apresentar um quadro típico, sem nenhum critério de malignidade, não necessita de exames 
complementares. 
TRATAMENTO 
• Orientar os pais que a doença é autolimitada 
• Massagem e bolsa de água quente 
• Indicar analgésicos somente se as medidas não farmacológicas não forem suficientes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Monize Jandotti – ORTOPEDIA 
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QUADRIL PEDIÁTRICO 
A CRIANÇA CLAUDICANTE: 
A criança manca por duas razões: 
• Acometimento do quadril 
• Acometimento do joelho 
Rara vez há claudicação por doenças do pé. 
Patologias do quadril, pelo nervo obturatório, podem levar a dores nos joelhos e coxa. 
Sempre investigue o quadril de crianças com dor no joelho. 
 
 
DISPLASIA DO DESENVOLVIMENTO DO QUADRIL 
Anteriormente chamada luxação congênita do quadril, é o desenvolvimento anormal do quadril. 
FATORES DE RISCO 
• O fator principal que leva à DDQ é alguma restrição ao movimento dos quadris do bebê: Gemelaridade, apresentação 
pélvica, oligodrâmnio, etc. 
• Fatores genéticos: sexo feminino. 
EPIDEMIOLOGIA 
• 5 a 50 a cada 1000 nascidos vivos 
• Mais comum em meninas 
• 60% dos casos acometem apenas o quadril esquerdo; 20%, apenas o direito; e 20% são bilaterais. 
DIAGNÓSTICO 
Por imagem: 
• USG 
• A radiografia só pode ser usada após três a quatro meses de idade. Antes disso, ainda não há ossificação da cabeça do 
fêmur e é impossível definir se o quadril está ou não luxado. 
Clínico: 
• Até os 3 meses: manobra de Ortolani e Barlow 
• 3 meses até a marcha: Sinal de Hart e Galezzi 
• Após início da marcha: teste de Galezzi, Trendelenburg e Hart. 
 
TESTE DE ORTOLANI: detecta o deslizamento posterior do quadril 
para dentro do acetábulo 
TESTE DE BARLOW: detecta o deslizamento do quadril para fora do 
acetábulo 
SINAL DE GALEZZI: O joelho é mais baixo do lado afetado em razão do 
deslocamento posterior no quadril displásico (seta). 
SINAL DE HART: é avaliado da mesma forma que Ortolani; entretanto, 
deve-se abduzir os dois quadris ao mesmo tempo, de forma 
comparativa. o teste identifica contratura da musculatura adutora com 
restrição de abdução do quadril. 
TESTE DE TRENDELENBURG: o objetivo do teste é identificar fraqueza 
relativa do glúteo médio. Pela fraqueza da musculatura abdutora do 
lado que permaneceu apoiado, a pelve deve cair para o lado sem apoio 
no solo. 
TRATAMENTO 
• Em menores de seis meses, usa-se o suspensório de Pavlik. 
• > 6 meses usa-se o gesso pélvico-podálico. 
 
 
 
CRIANÇA 
CLAUDICANTE 
QUADRIL 
DISPLASIA DO DESENVOLVIMENTO DO QUADRIL 
SINOVITE TRANSITÓRIA
PIOARTRITE
EPIFISIÓLISE 
JOELHO
PIOARTRITE 
OSTEOCONDRITE DISSECANTE
OSGOOD-SCHLATTER
SINAL DE GALEZZI 
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PIOARTRITE 
Infecção articular (artrite séptica) 
EPIDEMIOLOGIA 
• Primeira infância, sendo metade dos casos antes dos dois anos de idade. 35% afetam o quadril, 35% afetam o joelho. 
FATORES DE RISCO 
• Prematuridade, parto cesárea, terapia intensiva, procedimentos invasivos. 
VIA DE CONTAMINAÇÃO 
• Hematogênica 
• Contiguidade 
• Inoculação 
AGENTE ETIOLÓGICO 
• O mais comum em todas as faixas etárias (exceto recém-nascidos) é o Staphylococcus aureus. 
• Em RN, lembre-se do Streptococcus do grupo B. 
• Adolescentes e pacientes com vida sexual ativa podem apresentar infecção por gonorreia. 
• Salmonella é mais comum em pacientes com anemia falciforme. 
QUADRO CLÍNICO 
• Dor aguda, associada a claudicação 
• Febre 
• Articulação apresenta características inflamatórias e infecciosas: dor, calor, rubor, edema. 
• Ocorre o bloqueio articular / impossível mexê-lo 
DIAGNÓSTICO 
• O diagnóstico clínico baseia-se na junção do quadro clínico (sinais flogísticos + bloqueio articular) com os critérios de 
Kocher: 
CRITÉRIOS DE KOCHER 
➢ Febre 
➢ VHS > 40mm/h. 
➢ Incapacidadede apoiar o membro 
➢ Leucocitose > 12.000 
 
Os exames laboratoriais a serem solicitados são: 
• HEMOGRAMA: leucocitose 
• VHS e PCR: elevados 
• Hemocultura: também deve ser solicitada, pois a punção articular pode vir negativa. Lembre-se de que a principal fonte 
de infecção é hematogênica – portanto, há uma chance razoável de identificação do agente por hemocultura. 
• USG, RM, radiografia. 
• Punção articular é a principal conduta diagnóstica, superior a todos os outros métodos, e deve ser feita 
preferencialmente antes do início da antibioticoterapia. 
TRATAMENTO 
• Drenagem cirúrgica articular de emergência + antibioticoterapia (Oxacilina para maioria dos casos, exceto na infecção 
por gonorreia e gram-negativos, que o tratamento seria ceftriaxona) 
 
SINOVITE TRANSITÓRIA DO QUADRIL 
A sinovite transitória é a inflamação sinovial (portanto, articular) que ocorre de forma autoimune, reativa a uma infecção 
prévia, na maioria das vezes, de vias aéreas superiores. 
EPIDEMIOLOGIA 
• Meninos, pico entre 3-8 anos 
APRESENTAÇÃO CLÍNICA 
• Dor leve e não incapacitante, claudicação, que ocorre uma a três semanas após uma infecção (geralmente de vias aéreas 
superiores) 
• Não há sinais flogísticos ou bloqueio articular 
DIAGNÓSTICO 
• Clínica 
• USG: (inútil, pois apresentará um derrame articular indiferenciável de artrite séptica). Porém, quando questionado em 
provas, o melhor exame para sinovite transitória é a ultrassonografia. 
• Laboratório: VSH e PCR discretamente elevados, hemograma normal. 
TRATAMENTO 
• Doença autolimitada com resolução espontânea em uma a três semanas 
• Prescreve-se sintomáticos (analgésicos, anti-inflamatórios) e solicita-se reavaliação em 48 a 72 horas. 
 
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DOENÇAS NEUROMUSCULARES PEDIÁTRICAS 
MIELOMENINGOCELE E DEFEITOS DO FECHAMENTO POSTERIOR DO TUBO NEURAL 
Os defeitos de fechamento do tubo neural compõem um espectro, desde a espinha bífida (não fechamento vertebral) até a 
mielomeningocele (bolsa de meninge com herniação de medula displásica). Essa displasia da medula não tem solução; a lesão 
neurológica permanecerá, mesmo que se corrija o defeito de fechamento. 
ETIOLOGIA 
• A principal causa é a falta de ácido fólico durante o período da organogênese. 
• A melhor forma de prevenção desse defeito tão importante é a suplementação de ácido fólico, iniciada geralmente três 
meses antes do início das tentativas para engravidar 
DIAGNÓSTICO 
• O diagnóstico pré-natal é feito com ultrassonografia morfológica e pode ser agregada a alfafetoproteína elevada. 
COMORBIDADES 
• Hidrocefalia está presente em até 90% dos casos e a malformação de Arnold-Chiari tipo II (é um defeito de formação do 
forame magno) é a mais frequentemente associada. 
TRATAMENTO 
• Imediato e resolutivo: correção da mielomeningocele e derivação ventriculoperitoneal. 
• Reabilitativo: treinos de marcha e fortalecimento. Cirurgias com transferências tendíneas ou ósseas podem ser incluídas 
aqui. 
• Preventivo: tanto fisioterapia quanto cirurgias figuram como preventivas, mas, vale ressaltar que há, também, os 
cuidados preventivos para infecção urinária de repetição. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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VIOLÊNCIA CONTRA A CRIANÇA 
SÍNDROME DO BEBÊ CHACOALHADO 
• Afeta geralmente criançasDE PATRICK 
• Este teste foi criado para diferenciar patologias do quadril e 
patologias da sacroilíaca. 
• Perna em 4, compressão do joelho e crista ilíaca. 
• Dor ipsilateral: coxartrose (artrose do quadril) Dor contralateral, 
posterior: sacroileíte. 
 
 
 
 
TESTE DE YEOMAN 
• Este é um teste específico para sacroileíte 
• Decúbito ventral, extensão do quadril 
• Em caso de dor na região sacral, o teste é considerado positivo para 
sacroileíte. 
 
 
 
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LOMBALGIA 
• Lombalgia é a dor da região lombar, que engloba da região inferior das escápulas até a prega glútea. 
• Consideramos lombalgia aguda aquela com duração de menos de 6 semanas; crônica, como acima de 12 semanas; 
ETIOLOGIA 
• Primaria: inespecífica em 90% dos casos (lombalgia musculoligamentar e osteoartrose na maioria dos casos) 
• Secundaria: câncer, fratura por insuficiência, espondilite anquilosante. 
 
➢ A dor se relaciona a atividades de esforços físicos. 
➢ A obesidade também é um fator importante. 
QUADRO CLINICO 
• Dor localizada na região lombar, com possível irradiação para membros inferiores (região posterior da coxa), porém sem 
características neurológicas (não é em queimação, nem com sensação de parestesia) 
• Na dor lombar, o teste de Lasègue é negativo, pois não há reprodução de dor neuropática ao se distender o ciático. 
• O quadro é autolimitado e tende a resolver-se em 4 a 7 semanas 
• A dor melhora com repouso. 
DIAGNÓSTICO 
• Diagnóstico: 90% é pela anamnese e 10% é pelo exame físico. 
• Exames de imagem são usados, principalmente, para excluir causas secundárias e devem ser pedidos a partir dos sinais 
de alarme. 
SINAIS DE ALARME 
• Persistência da dor por mais de 6 semanas 
• Idade 50 anos 
• História de câncer na família 
• Infecção 
• Déficit neurológico 
• Osteoporose 
DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS 
• Se o Lasègue é positivo, trata-se de compressão radicular. Em pacientes jovens, isso é uma hérnia discal; em pacientes 
idosos, deve se tratar de metástase 
• Se a dor é pior à noite e melhora quando anda, é uma dor de caráter inflamatório. 
• Se não há características de compressão radicular ou dor inflamatória e o paciente é jovem, trata-se de uma lombalgia 
mecânica. 
• Idosos podem ter três tipos de patologias da lombar: Metástase óssea, estenose lombar, artrose. 
TRATAMENTO 
Tratamento Conservador 
1. Repouso 2/3 dias 
2. Atividade física e fortalecimento muscular 
3. Perda de peso 
4. Analgesia 
 
ESCALA ANALGÉSICA DA OMS 
Na dor aguda, você desce a escada; e, na dor crônica, você sobe. 
 
 
 
 
 
 
 
• No contexto de uma lombalgia aguda, estime a dor do paciente (leve, moderada ou grave) e inicie pelo respectivo degrau. 
 
DOR LEVE: 
• Analgésicos: dipirona 
• AINE: naproxeno, celecoxibe (usar sempre pelo menor tempo possível, pois não são seguros para os rins). 
DEGRAU 1 
DOR LEVE 
ANALGÉSICOS E AINE 
DEGRAU 2 
DOR MODERADA 
OPIOIDES FRACOS 
+ 
ANALGÉSICOS E AINE 
 
DEGRAU 3 
DOR INTENSA 
OPIOIDES FORTES 
+ 
ANALGÉSICOS E AINE 
DEGRAU 4 
DOR REFRATÁRIA A 
FARMACOTERAPIA 
PROCEDIMENTOS 
INTERVENCIONISTAS 
+ 
OPIOIDES FORTES 
+ 
ANALGÉSICOS E AINE 
DROGAS ADJUVANTES 
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DOR MODERADA: 
• Opioides fracos: tramadol ou codeína 
DOR INTENSA: 
• Opioides fortes: morfina, oxicodona e metadona. 
DROGAS ADJUVANTES ESTÃO SEMPRE PRESENTES, NA BASE DO TRATAMENTO. PARA LOMBALGIA CONSIDERAMOS: 
• Relaxantes musculares: carisoprodol, ciclobenzaprina (indicados para crises agudas, não devem ser usados de forma 
continua) 
• Anticonvulsivantes: gabapentina e pregabalina, indicados na dor neuropática. 
 
DOENÇA DEGENERATIVA DISCAL E HERNIA DISCAL 
A doença degenerativa discal é o processo de envelhecimento discal, inerente ao ser humano. Á hérnia discal, por outro lado, é 
um processo patológico com extrusão do conteúdo do núcleo pulposo. 
 
O disco intervertebral serve como amortecedor das 
vértebras. É formado pelo anel fibroso, mais 
resistente, feito por colágeno tipo I, e um conteúdo 
gelatinoso em seu interior, o núcleo pulposo, 
formado por colágeno tipo II, proteoglicanos e 
água. 
 
Como o processo de herniação se relaciona 
diretamente à carga exercida nas estruturas, as 
hérnias discais são muito mais comuns nos níveis 
L4-L5 e L5-S1 (95%), mas o nível L5-S1 é mais 
preponderante dentre os dois. 
 
Seu pico de incidência é entre 30 e 50 anos, 
acometendo três vezes mais homens do que 
mulheres. 
 
As hérnias posterolaterais são as mais frequentes 
 
FISIOPATOLOGIA 
• Disfunção (na qual ocorrem abaulamento, protusão e herniação) 
• Instabilização (em que predomina herniação) 
• Estabilização (artrose) 
• O núcleo pulposo herniado comprime a raiz e gera um processo inflamatório local. Isso gera a dor e a radiculopatia. Com 
o tempo (geralmente 18 meses), a hérnia é reabsorvida naturalmente. 
APRESENTAÇÃO CLINICA 
• Dor radicular tem características neuropáticas: em queimação, formigamento, dormência e até alterações de função 
muscular e sensitiva. 
DIAGNÓSTICO 
• Testes de Lasègue (para coluna lombar) 
• Spurling (para coluna cervical, feito por meio da compressão axial da coluna, que deve causar dor neuropática, seguida 
pela distração, que deve melhorar o sintoma). 
• Na prova, os testes serão sempre positivos (na vida, não é assim) 
• Exames de imagem são pedidos apenas na presença de déficits neurológicos ou outros sinais de alarme. (RM, TC) 
TRATAMENTO 
• Repouso, analgesia, perda de peso, atividade física de baixo impacto e fortalecimento muscular. 
• Medicamentos igual na lombalgia. 
• Na refratariedade: Tratamento cirúrgico (ressecção da hernia)

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